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Anomalias Genéticas em Plantas Cacoal/RO 2023 Introdução Entender a mutação genética no mundo agro abre portas para uma visão mais profunda das plantações e cultivos. Saiba mais sobre a mutação genética. Muito vista em estudos da Biologia, a mutação genética pode estar presente no ciclo de todo e qualquer ser vivo existente. E com as plantas não poderia ser diferente. Anomalias Genéticas em Plantas Mutação Genética A mutação genética é o que caracteriza as transformações de algum material genético que pode ser transmitido para descendentes e derivados. Assim, as células passam por mudanças para a adaptação de vírus e micro-organismos, estimulando a variação genética nos organismos. Embora também haja desvantagens nesse tipo de ocorrência, algumas das principais vantagens na mutação genética em plantas são: Maior rendimento em grãos; Maior qualidade na produção; Resistencia a pragas e doenças; Afastamento de substancias toxicas; Adaptabilidade; Métodos de retrocruzamento mais rápidos; As células germinativas ou células sexuais são caracterizadas por originar outras células e um novo indivíduo pelo processo de fecundação. Nas plantas, a célula germinativa se encontra no grão de pólen dos gametas masculinos. Mutação em plantas e seu uso na produção vegetal A mutação é uma alteração no DNA que pode ocorrer naturalmente, ou ser induzida por agentes mutagênicos químicos ou físicos. A indução de mutações no desenvolvimento de cultivares é bastante comum. As mutações em plantas são muito mais comuns do que se possa imaginar. Tanto as mutações naturais como as induzidas são importantes para gerar variabilidade aos vegetais, trazendo benefícios para o avanço da agricultura. Na agricultura, estima-se que o melhoramento de plantas tenha começado há cerca de 9.000 anos. A mutação induzida foi mais uma descoberta incorporada como ferramenta dos cientistas que trabalham com o melhoramento genético de plantas. O termo mutação foi introduzido por Hugo de Vries em 1901. E é definida como a mudança permanente e relativamente rara no número ou sequências do DNA. Ele sugeriu a teoria da evolução pela mutação. Segundo ele, a mutação é uma mudança hereditária repentina e tem um papel importante na evolução. As mutações ocorrem em todos os organismos, algumas são prejudiciais, outras neutras e algumas são realmente desejáveis, essas mutações podem ser pequenas mudanças que podem ser toleradas pela célula, porém, o acúmulo delas pode alterar algumas características das plantas, conferindo tolerância a doenças, mudança de cor da flor, ou o tamanho do fruto, até deixar um fruto sem sementes, entre outros. Todo esse processo é lento e, para ocorrer naturalmente, pode levar algumas gerações reprodutivas das plantas. No entanto, pesquisadores desenvolveram estratégias capazes de induzir essas mutações de forma mais rápida. Assim, é possível avaliar diferentes características e selecionar aquelas que forem interessantes, em um curto espaço de tempo. Dessa forma, o melhoramento genético vegetal passou a buscar novas características que fossem rentáveis em plantas a partir de mutações identificadas pelos próprios pesquisadores. Eles entenderam que expondo algumas partes das plantas como sementes, ou até grãos de pólen à radiação ou químicos mutagênicos, conseguiriam provocar de forma rápida o aparecimento de mutações. Algumas dessas mutações poderiam ser repassadas aos seus descendentes. Além disso, muitas mutações poderiam ser avaliadas ao mesmo tempo, o que representa uma grande vantagem. Quando se passou a sequenciar genomas, identificar e isolar os genes para estudos funcionais, o melhoramento genético deu outro grande salto. Com essas e outras tecnologias, se tornou possível a indução de mutação em pontos específicos de um gene. Inclusive, os cientistas utilizam dessa estratégia para compreender melhor o funcionamento de cada gene. Além do mais, o estudo de mutações também fornece muitas informações sobre o funcionamento dos organismos. Aprendemos muito sobre genética estudando as mutações. Portanto, nem sempre devemos dar às palavras “mutação” e “mutante” valor negativo. Elas podem ser benéficas de muitas maneiras. Propagação vegetativa: não é apenas por sementes que se reproduz uma planta A propagação vegetativa é uma forma de multiplicar os vegetais. Normalmente, quando pensamos no crescimento de uma nova planta, o que primeiro vem à nossa cabeça é a semente na terra e esperar que ela cresça e se desenvolva. No entanto, as sementes não são o único meio de multiplicar e gerar uma planta nova. Isso, porque os vegetais podem se reproduzir de forma assexuada (ou seja, sem ocorrer a fecundação e produção de sementes). Essa reprodução ocorre por meio de partes de plantas, que originam indivíduos geralmente idênticos à planta-mãe, ou seja, clones. Esse tipo de reprodução é muito comum em plantas ornamentais e plantas frutíferas. Com isso, os cientistas têm utilizado essas técnicas nos últimos 70 anos objetivando encontrar e ampliar a variabilidade genética das plantas. O estudo e a caracterização de linhagens mutantes é essencial para desenvolver cultivares com características aprimoradas. Seja de forma natural ou induzida, as mutações são amplamente empregadas no desenvolvimento das cultivares comerciais utilizadas por pequenos, médios e grandes produtores. Multiplicação de plantas por propagação vegetativa A forma mais técnica de se chamar o ato de reproduzir plantas por partes de outras é propagação vegetativa. Propagação é sinônimo de reprodução, e vegetativa vem da utilização das partes do vegetal (células, tecidos, órgãos ou propágulos). A principal diferença entre a reprodução de plantas por semente da reprodução por partes da planta, é a variabilidade genética. O surgimento de uma semente se dá pela união do grão de pólen (masculino) com o óvulo (feminino) da planta. No entanto, quando essa combinação não acontece e a planta é multiplicada por tecidos de partes do vegetal, é gerado um clone, ou seja, plantas idênticas (sem variação genética). É possível também induzir variabilidade genética em laboratório. Isso pode ser feito por meio de mutações induzidas com produtos químicos ou por transformação genética, no desenvolvimento de plantas transgênicas. Essas técnicas são bastante utilizadas no melhoramento genético de algumas espécies, como: milho, laranja, soja e algodão. Mutações naturais em plantas Uma mutação genética que ocorre naturalmente, pode causar uma mudança repentina na aparência de uma planta. Exemplos de mutações naturais em plantas que podem ser observados: Manchas coloridas em uma flor que normalmente é branca; Uma planta com flores únicas pode desenvolver um caule que contém uma flor dupla; Mudança na aparência de frutos; Mudança na cor das flores; Plantas que produzem grãos maiores. A maioria das mutações naturais é aleatória e resulta de um erro durante a divisão de uma célula da planta. Mas, às vezes, as mutações podem ser desencadeadas por clima frio, flutuações de temperatura ou danos causados por insetos. Se as mutações ocorrerem em um ponto de crescimento da planta, brotos inteiros podem ser alterados à medida que a célula se multiplica e dá origem a plantas totalmente diferentes da planta-mãe. Em plantas ornamentais, as mutações são utilizadas como diferencial e agregam valor nos produtos. Por exemplo, uma planta verde que tem pontos brancos em suas folhas, ou que apresenta listras de coloração diferenciada. Essas características são consideradas interessantes e que tornam aquela variedade incomum, chamando bastante atenção dos consumidores. Nos alimentos, as laranjas de polpa vermelha, por exemplo, são mutantes naturais. Tiveram alterações na sua “receita” e se tornaram diferentes da laranja amarela.Nas laranjas de polpa vermelha, o que pode ter acontecido é que alguns genes pararam de trabalhar com toda força que podiam. Essa mudança no trabalho dos genes fez com que fosse acumulado pela planta, pigmentos que na variedade amarela eram processados no metabolismo. Esse menor trabalho dos genes provocou a mudança de acúmulo dos carotenoides, alteração da cor da polpa da laranja e trouxe uma maior qualidade nutracêutica para os frutos. Em outras palavras, maior quantidade de compostos benéficos para a saúde. Outro exemplo de mutação natural, está nas amêndoas. As amêndoas doces, que conhecemos hoje, são mutantes de amêndoas amargas. Os cientistas identificaram no genoma da amêndoa o gene para a amigdalina, uma toxina que deixa as sementes com sabor amargo. Ao comparar a “receita” para amigdalina entre as plantas de amêndoa doce e amarga, descobriram que no processo de domesticação, a amendoeira “perdeu” três letras que faziam parte do seu genoma. Sem isso, a planta passou a produzir uma proteína diferente da amigdalina e que não possuía sabor amargo. Mas, nem sempre é possível observar essas mutações naturais. Além disso, algumas mutações ocorrem em células que não são capazes de transmitir a característica ao descendente e são perdidas. Se formos pensar na “receita”, é como se a troca ocorresse em um ingrediente importante, mas que com outras opções dele, o resultado seria mesmo. Nas mutações podem ocorrer o mesmo. Se uma letra do gene for trocada, mas a proteína gerada não se altera, a mutação não pode ser vista de forma simples. Apesar das mutações poderem ocorrer de forma natural, a frequência de tais mutações é insuficiente para atender às demandas atuais. Foi então que surgiu a necessidade de se desenvolver técnicas capazes de induzir mutações, para aumentarmos a variabilidade das plantas, gerando novas características de forma mais rápida e que atendam aos desafios da produção de alimentos no mundo. Mutação induzidas em plantas Um dos avanços mais importantes na história da genética foi a descoberta de que as mutações podem ser induzidas por mutagênicos físicos e químicos (agentes que alteram o material genético de um organismo). A indução de mutações tem sido usada desde os anos 1930. Segundo os dados da Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA), seu amplo uso para melhoria de safra inclui mais de 3 mil variedades mutantes oficialmente produzidas a partir de 228 espécies de plantas diferentes em mais de 73 países em todo o mundo. Mais de mil variedades mutantes das principais culturas básicas, cultivadas em dezenas de milhões de hectares, foram responsáveis por aumentar a renda rural, melhorar a nutrição humana e contribuir para a segurança alimentar ambientalmente sustentável no mundo. Um exemplo prático desse método, é um projeto que está sendo desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul. Os pesquisadores estão induzindo mutações em brotos de cana-de-açúcar com um agente químico, para selecionar plantas tolerantes às baixas temperaturas. Além disso, os cientistas buscam plantas produtivas, com qualidade e adaptadas às condições edafoclimáticas da Região Sul do Brasil. Mas, cultivares de outras espécies já são plantadas e trazem ótimas características de produção e na composição dos produtos. Exemplos de mutação em plantas cultivadas, são: Melancias sem sementes Tomates resistentes a doenças; Canola com óleos mais saudáveis em sua composição; Peras resistentes a doenças; Algodão tolerante ao calor e desenvolvimento precoce. Os países onde existem a maioria das cultivares mutantes são a China (807 produtos), o Japão (478 produtos) e a Índia (338 produtos). Segundo os dados da IAEA o continente asiático detém grande parte das cultivares produzidas por mutações, conforme demonstrado na imagem abaixo. O Brasil aparece ao final da lista com 15 produtos registrados. Países com o maior número de variedades mutantes (induzidas) registradas Fonte: IAEA (International Atomic Energy Agency) Grupos de plantas obtidas por mutação induzida no melhoramento Porcentagem do número de variedades Técnicas modernas de melhoramento por mutação As técnicas de melhoramento indutoras de mutações evoluíram e, muitas ferramentas estão sendo desenvolvidas para gerar variabilidade nas plantas. Empregando o melhoramento genético de precisão, já é possível criar mutações de forma pontual, sabendo exatamente quais letras do gene serão alteradas. A edição genética de precisão nada mais é do que a indução de uma mutação na sequência de um gene específico. Estratégia que só foi possível após os pesquisadores dominarem técnicas que permitiram o sequenciamento, identificação e a manipulação de genes. O aumento da disponibilidade de informações da sequência do genoma completo para um grande número de culturas permitiu a identificação de genes com maior facilidade e assim aprimorou as técnicas de edição de genoma alvo específica. Todo esse conhecimento possibilitou o desenvolvimento de variedades de plantas com características desejáveis em uma maneira mais precisa e eficiente do que aquelas abordagens utilizadas nas primeiras décadas de melhoramento por indução de mutações. A mais famosa dessas técnicas é a de CRISPR, que pode por exemplo ser utilizada para “silenciar” genes. Nesse caso, a mutação é realizada em um local do gene que fará com que ele perca sua função. Essa técnica já foi inclusive utilizada para desenvolver uma variedade tomate mais adaptada a fazendas urbanas. Três genes da planta foram silenciados. A perda de função desses genes, fez com que a planta de tomate ficasse mais compacta e produzisse frutos em um menor tempo, mantendo uma boa produtividade. No caso da soja, o silenciamento de dois genes realizados por mutação via CRISPR aumentaram o nível de ácido oleico (gordura boa) de 24% para 80%. Mesmo nível do azeite de oliva extra virgem. Edição gênica do passado ao futuro A edição gênica realizada pela natureza ocorria (e continua ocorrendo) por meio da seleção natural, ou seja, quando novas características permaneciam no ambiente. Esse processo permitiu que plantas com certas variantes genômicas sobrevivessem e também fossem incorporadas na dieta de povos antigos que acabavam selecionando as plantas com melhores características para alimentação. Assim começou o processo de domesticação de plantas e que, inclusive, originou a maioria dos vegetais hoje cultivados. Um exemplo clássico é o milho moderno, bem diferente do seu ancestral selvagem teosinto. Utilizando edição gênica realizada pela natureza Sabe-se que algumas plantas de teosinto (ancestral do milho) apresentavam maior quantidade de grãos por espiga, essa característica era proporcionada por edições genéticas naturais. Ainda na pré-história o homem passou a ter consciência de que ao cruzar apenas indivíduos de teosinto com uma maior quantidade de grãos por espiga, resultaria na produção de “filhos” do teosinto com um número ainda maior de grãos. Assim se descobriu como selecionar e multiplicar plantas com características importantes para a agricultura. Conclusão: As mutações e suas aplicações no melhoramento de plantas são inúmeras. Com isso, é preciso olhar para as mutações direcionadas como forma de aumentar a produtividade das culturas, realizar o desenvolvimento social e garantir alimentação saudável a uma população em constante crescimento. Fontes: Rasmussen S. K. Molecular Genetics, Genomics, and Biotechnology in Crop Plant Breeding. Agronomy, 2020. Chaudhary J. Mutation Breeding in Tomato: Advances, Applicability and Challenges. Plants, 2019. https://croplifebrasil.org/noticias/mutacao-em-plantas-e-seu-uso-na-producao-vegetal/ https://croplifebrasil.org/noticias/propagacao-vegetativa-nao-e-apenas-por-sementes-que-se- reproduz-uma-planta/https://agro20.com.br/mutacao-genetica/