Prévia do material em texto
CRIMES CIBERNÉTICOS: Quais os mecanismos de combate na Legislação Brasileira? CIBERNETIC CRIMES: What are the combat mechanisms in the Brazilian Legislation? Ana Karolina Silva Mendes1 Sérgio Denys Nascimento Jácome2 RESUMO Este artigo busca analisar os mecanismos de combate na legislação brasileira, enfatizando a importância e facilidade que a Internet proporciona à sociedade, pois com o surgimento desse meio muitos atos da vida comum foram substituídos por sistemas informatizados, ampliando os meios de comunicação e relacionando aos crimes cibernéticos que ao longo dos anos avançaram com a tecnologia, são crimes perpetrados pelo uso de dispositivos de computador e meios tecnológicos como forma de cometer crimes. Para realizar este trabalho será feita a análise do surgimento da internet, a relação do direito e a tecnologia da informação, a evolução dos crimes cibernéticos, análise dos principais crimes que ocorrem no mundo virtual, análise da legislação, que são utilizadas como um mecanismo de combate, atualmente, analise dos principais crimes e a investigação. O trabalho é realizado por meio de pesquisas bibliográficas, sites, verificando a aplicação das leis e o direito de alcançar os resultados como a responsabilização dos criminosos e concluindo que a internet não é uma terra sem lei. Palavras-chave: Lei; Direito Investigação; Internet; Sociedade. ABSTRACT This article seeks to analyze the mechanisms of combat in the Brazilian legislation, emphasizing the importance and ease that the Internet provides to society, because with the emergence of this medium many acts of common life were replaced by computerized systems, expanding the means of communication and relating to cybercrimes that over the years have advanced with technology, are crimes perpetrated by the use of computer devices and technological means as a way to commit crimes. To accomplish this work, we will analyze the emergence of the internet, the relationship between law and information technology, the evolution of cybercrime, analysis of the main crimes that occur in the virtual world, analysis of legislation, which are used as a mechanism to combat, currently, analysis of the main crimes and research. The work is carried out through bibliographical research, websites, verifying the application of the laws and the right to achieve results such as the accountability of criminals and concluding that the internet is not a lawless land. Keywords: Law; Right; Investigation; Internet; Society. 1Graduando em Direito da Universidade CEUMA. E-mail: ana83648@ceuma.com.br 2Graduado em Farmácia pela Universidade Federal do Maranhão (1999). Graduado em Direito pela Universidade Estadual do Maranhão (2012). Já atuou como assessor jurídico da Secretaria de Estado da Saúde do Maranhão. Atualmente atua como professor de Direito Penal e Processo Penal na Universidade Ceuma. 1. INTRODUÇÃO Os crimes cibernéticos são caracterizados como atitudes ilícitas, onde o sujeito utiliza- se de meios tecnológicos, ou seja, condutas ilegais que se efetivam mediante a utilização de dispositivos informáticos, conectados ou não a rede mundial de computadores, bem como as ações criminosas contra equipamentos tecnológicos, sistemas de informação ou banco de dados, observa-se como esses crimes são praticados ao longo dos anos. Com a evolução da tecnológica, surgiram as várias formas de crimes virtuais, com isso surge muitas dúvidas sobre como os crimes são resolvidos e quais são os mecanismos no sistema brasileiro, o presente artigo busca esclarecer sobre os mecanismos para combater crimes cibernéticos no Brasil. Ao pesquisar e observar que os crimes cibernéticos, golpes, crimes virtuais estão com os índices altíssimos chamou-me atenção quais os mecanismos para o combate a esses crimes diante da legislação penal brasileira. Verifica-se que o acesso à internet está crescendo rapidamente, atingindo um número cada vez maior de pessoas que estão em frequente contato com o mundo virtual, portanto há maior facilidade de perpetração de delitos com o auxílio da internet e das novas tecnologias. Observa-se que os avanços tecnológicos e o amplo acesso à rede mundial de computadores estão assumindo um papel cada vez mais relevante em nosso cotidiano, assim o direito enfrenta a difícil tarefa de se adaptar a essa nova realidade e acompanhar a rápida evolução tecnológica. Acredita-se que o aumento da prática criminosa virtual esteja diretamente relacionado ao aumento do uso da Internet pelas pessoas. Por isso, é fundamental para o bom desenvolvimento da “sociedade digital”, que esses criminosos sejam punidos com a reparação dos danos ocasionados, com isso se faz necessário a efetivação dos mecanismos de combate a esses crimes. O objetivo deste trabalho é analisar se o sistema penal brasileiro tem a estrutura e os mecanismos suficientes para o enfrentamento ao crescimento dos crimes cibernéticos no Brasil, buscando entender se a legislação penal é suficiente para lidar com tais delitos, analisando os aparatos de investigação e perícia tem condições de dar prosseguimento nas investigações, questiona-se o acesso à justiça e se as penas normalmente aplicadas aos crimes informáticos têm condições de desestimular a prática criminosa. A pesquisa foi realizada através de referências teóricas já analisadas e publicadas por meios escritos e eletrônicos como livros, ebooks, artigos científicos e web sites, há um ponto curioso, pois, realiza-se a utilização dos próprios meios virtuais como instrumento de obtenção de informações acerca de um fenômeno que ocorre nesse próprio ambiente. ( 10 ) No primeiro tópico, houve uma narrativa sobre a evolução histórica das tecnologias computacionais, mais precisamente a internet, de modo que para entender o assunto é necessário um aparato a todo esse processo virtual é importante observar como o desenvolvimento tecnológico assumiu um papel importante na sociedade. No segundo momento analisou-se o direito e a informática que trata a relação entre os dois meios e como o direito é um ramo que tem conexão com os demais, o direito sempre estará ligado ao meio que vivemos, para regulamentação de uma sociedade e do mundo virtual é necessário a análise dos direitos e das garantias que são assegurados pela Constituição. Sobre o conceito dos crimes cibernéticos é perceptível a divergência doutrinaria, recebendo diversas nomenclaturas, não tendo uma única definição, tenho também uma classificação. A análise das legislações referentes aos crimes cibernéticos é de suma importâncias pois tipificam os delitos no mundo virtual, sendo o meio de combate atualmente eficaz, mesmo com intercorrências, neste artigo analisa-se os principais crimes cometidos no meio virtual e os meios investigativos que busca esclarecer os meios utilizados para identificar os criminosos. Portanto, espera-se que este artigo contribua com a seara penal para o esclarecimento e enriquecimento acadêmico a respeito dos crimes virtuais (crimes cibernéticos) que ainda é um assunto pouco esclarecido, mas contemporâneo e corriqueiro, atinge a sociedade como um todo, tendo a necessidade do Poder Legislativo e o Ordenamento Jurídico serem mais eficazes no combate aos crimes. 2. CRIMES CIBERNÉTICOS Os Crimes Cibernéticos são práticas criminosas tendo como uso meios tecnológicos conectados à rede para a prática de crimes, os sujeitos denominados de cibercriminosos são organizados e utilizam técnicas avançadas e são muitas vezes altamente capacitados. Entende- se que junto a evolução tecnológica, surgiram também as práticas criminosas. A relação entre o direito e o mundo virtual é uma necessidade na atualidade para o combate de crimes e a regulamentação do ciberespaço é um desafio a ser superado. Os crimes virtuais é algo cada vez mais comum porque as pessoas cultivam a falsa ideia de que é uma terra sem lei. Portanto é importante conhecer os meios de combate para tais práticas, ou seja, há leis no sistema penal brasileiro que tratam sobre o assunto. 2.1 Histórico Da Internet A internetdeve ser vista como uma das maiores invenções científicas e tecnológicas da humanidade, oferecendo muitos benefícios relacionados com a facilidade de troca de conhecimento e informação, atualmente a internet não é limitada somente ao uso de computador, sendo usada em celulares, radares, videogame entres outros, mas está diretamente ligada à invenção e desenvolvimento dos computadores. Para CASSANTI (2014, p.03) “A internet é uma grande praça pública, o maior espaço coletivo do planeta”. Como muitas criações efetuadas pelo ser humano podem ser usadas para o bem ou para o mal, a internet não escapa dessa situação, apesar das inúmeras ampliações observou-se o crescimento significativo da prática de crimes. Em 1957, a União Soviética, incentivada por disputas em curso com os Estados Unidos, introduziu o seu primeiro satélite espacial. Com isso, os Estados Unidos se comprometeram levar o homem à lua e procuraram construir um sistema de defesa para melhor proteger da destruição, criou-se então a Agência de Investigação de Projetos Avançados (Advanced Research Projects Agency- ARPA) para o compartilhamento de informações entre pessoas distantes que foi de grande importância para o desenvolvimento da computação. Foi criado em 1964 o primeiro computador digital, chamado ENAIC, com a finalidade de automatizar o cálculo de tabelas balísticas de trajetórias que exigia um maior conhecimento em matemática, embora tenha sido um computador de difícil e enorme manutenção comparado aos computadores atuais, foi um marco histórico na computação, mesmo a guerra trazendo instabilidades e tristezas eventos como a Segunda Guerra Mundial e a guerra fria trouxeram importantes incentivos ao desenvolvimento da computação. Em 1958 foi criada a NASA (National Aeronautics & Space Administration) com o foco na corrida espacial, o que levou a ARPA a dar prioridade à projetos com resultados mais rápidos, passou a realizar parcerias com instituições de ensino para adquirir com essa estratégia uma atuação mais técnica e científica levando a investir em pesquisas computacionais. No final da década de 70 foi criado Transmission Control Protocol/Internet Protocol (TCP/IP), considerado o principal protocolo de rede até hoje. A rede se expandiu pelos Estados Unidos, na década de 80 e permitiu a interligação entre universidades, órgãos militares e governo. A ARPANET, em 1986 passa a ser chamada de INTERNET. Na década de 90, o cientista, físico e professor britânico Tim Berners-Lee desenvolveu um navegador ou browser, a World Wide Web (WWW), a Rede Mundial de Computadores – Internet. De acordo com Kurose um dos maiores eventos na década de 90 foi o surgimento da WWW (World Wide Web). KUROSE (2021, pg.48) afirma que: O principal evento da década de 1990, no entanto, foi o surgimento da World Wide Web, que levou a Internet para os lares e as empresas de milhões de pessoas no mundo inteiro. A Web serviu também como plataforma para a habilitação e a disponibilização de centenas de novas aplicações, inclusive busca (por exemplo, Google e Bing), comércio pela Internet (por exemplo, Amazon e eBay) e redes sociais (por exemplo, Facebook). No Brasil, as primeiras redes surgiram em 1988, devido a ligação entre algumas universidades do Brasil com instituições nos Estados Unidos, com o passar dos anos foi se aprimorando bem como disponibilizado para o público em geral. Foi criado em 1964 o Centro Eletrônico de Processamento de dados do Estado Paraná uma empresa com a finalidade de realizar diversas funções relacionadas com consultoria em TI. Na década de 60 o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) passou a utilizar um computador UNIVAC 1105. Em 1965 houve uma associação entre o Serviço Federa de Processamento de Dados e o consórcio internacional de telecomunicações, mantendo o monopólio da função, com todo esse processo de evolução a Universidade de São Paulo (USP) criou seu primeiro computador chamado de “patinho feio”. No ano de 1974 foi criada a Computadores Brasileiros S.A (COBRA), considerada a empresa pioneira, na produção, desenvolvimento e comercialização de tecnologia nacional no ramo da informática. 2.2 Direito E A Informática O direito em diversos ramos, oriundos de relações sociais ou influências de conteúdo normativo, são formados e definidos em departamentos ou ramos como o direito civil, direito penal, direito administrativo e a constituição, portanto não podemos estabelecer fronteiras entre um ramo e outro, pois existe uma zona comum que integram esses campos. Com a rapidez da evolução, tanto quantitativa, quanto qualitativa, acabou culminando com o surgimento de conflitos entre a nova tecnologia e a sociedade, diariamente convivemos com o mundo virtual, nota-se que a utilização da internet está ligada a inúmeras atividades do nosso dia-a-dia, o que nos faz reconhecer que a mesma está modificando as nossas relações sociais, pessoais, profissionais e financeiras, sendo que, de igual forma, está criando diversas condutas danosas a nossa sociedade, ou seja, a conduta criminosa está se aperfeiçoando na mesma proporção do desenvolvimento da internet. A área da informática foi a que mais evoluiu nos últimos anos exigindo-se do direito o acompanhamento das mudanças que ocorrem no mundo, tendo em vista que o direito é um instrumento para resolução de conflitos. Devemos analisar que a estabilidade social é fator predominante em uma sociedade, pois assim permite a convivência uns com os outros de maneira apaziguada. Com o aumento da violência e da impunidade, acaba gerando uma insegurança jurídica. Para NADER (2021, pg.25) “O Direito é quem favorece o relacionamento mais pleno entre as pessoas e os grupos da sociedade, o que é uma das bases do progresso da mesma” O direito da informática é um ramo que se propõe estudar aspectos jurídicos do uso de computadores e da tecnologia da informação em geral, fundamentando-se no desenvolvimento da internet e toda a sua abrangência. Vivemos em um mundo onde as fronteiras geográficas estão sendo a cada dia superadas em termo de comunicação, atualmente as distâncias físicas deixaram de ser um impedimento para o crescente mundo globalizado e tecnológico. O direito está presente em todas as áreas, na internet não seria diferente, se configura em si um fenômeno social, pois não determina a si próprio, sendo concebido a partir de princípios e normas tendo como referência a sociedade. REALE, 2013, p. 02 afirma que: O Direito é, por conseguinte, um fato ou fenômeno social; não existe senão na sociedade e não pode ser concebido fora dela. Uma das características da realidade jurídica é, como se vê, a sua socialidade, a sua qualidade de ser social. Há um grande debate sobre a regulamentação da internet com o passar dos anos, as iniciativas governamentais estão sendo implementadas ao redor do mundo com o intuito de regulamentar o ciberespaço, para muitos é definido como uma nova sociedade onde realizam- se novas formas de relações sociais, migrando do mundo real para o mundo virtual, onde o território não é demarcado e nem possuem fronteiras, é o ambiente utilizado pelos usuários de meios tecnológicos, diz respeito a forma de virtualização, consegue relacionar as pessoas criando redes que estão cada vez mais conectadas a um grande número de pontos, tornando as fontes de informações cada vez mais acessíveis. 2.3 Conceito De Crimes Cibernéticos Conforme evolui o conhecimento humano, surgem ferramentas que facilitam a vida da sociedade, portanto as pessoas não permanecem as mesmas por muito tempo, no transcorrer dos anos, ocorrem inúmeras mudanças em variadas épocas, tendo fatores que influenciam para essas modificações com consequências em níveis globais. A conceituação dessa espécie não é algo fácil de se definir, pois há várias facetas que a tecnologia pode apresentar atualmente, existem, por exemplo, muitos nomes para denominação dos crimes cibernéticos, o que pode ser encontrado na bibliografia termos como, crimes tecnológicos, crimes digitais, crimes virtuais, cibercrimes e crimes informáticos,de tal forma que não existe uma nomenclatura sedimentada acerca do seu conceito. Segundo o escritor Damásio de Jesus conceitua que: Conceituamos crime informático como o fato típico e antijurídico cometido por meio da ou contra a tecnologia da informação. Decorre, pois, do Direito informático, que é o conjunto de princípios, normas e entendimentos jurídicos oriundos da atividade informática. Assim, é um ato típico e antijurídico, cometido através da informática em geral, ou contra um sistema, dispositivo informático ou rede de computadores. Em verdade, pode-se afirmar que, no crime informático, a informática ou é o em ofendido ou o meio para a ofensa a bens já protegidos pelo Direito Penal. (JESUS, Damásio de, 2016, p. 49). É importante destacar que ainda existem muitos ilícitos praticados em meios virtuais que não são tipificados, o que torna incorreta sua denominação, como crimes cibernéticos, pelo ponto de vista da Constituição Federal do Brasil e do Código Penal Brasileiro. 2.4 Crimes Cibernéticos No Cotidiano Com a evolução da tecnologia sem sombra de dúvidas trouxe um nível de vida jamais imaginado, com isso houve um grande aumento dos crimes virtuais, uma das grandes evoluções foi a criação da internet, da mesma forma que se desenvolvia surgiram também as ameaças, os crimes cibernéticos estão tão em evidência nos dias atuais e por isso é necessários mecanismos de combate eficazes para que esses danos sejam sanados. É inevitável não falar sobre a pandemia causada pelo novo corona vírus, pois a população sem o grande acesso as ruas, o uso da internet se tornou ainda maior o que tornou as pessoas mais vulneráveis aos meios virtuais e consequentemente aos crimes utilizados por meios tecnológicos, como por exemplo golpes financeiros. Segundo o “Jornal Opção” houve um aumento significativo do uso da internet durante a quarentena: Durante a pandemia de Covid-19 e período de isolamento social, o uso de computadores, celulares e tablets se intensificaram. O trabalho e estudo de forma remota foi a saída para estabelecer o distanciamento social. De acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o uso da internet no Brasil cresceu durante a quarentena, sendo um aumento entre 40% e 50%. Com o uso tão intensificado dos meios digitais, uma questão atrelada a isso veio à tona: os crimes cibernéticos. Antes da pandemia, em 2019 o Brasil já era terceiro país no ranking dos que sofreram mais ataques cibernéticos ficando atrás apenas da China e dos Estados Unidos. Em 2021 o brasil passou para 5° lugar na relação de países que mais sofreram ataques cibernéticos, mostrando que o país vem sofrendo constantemente com delitos cometidos por meios virtuais. Contudo não é somente na pandemia que acontecem os crimes cibernéticos, pois constantemente é possível observar que o índice de crimes virtuais está elevado, talvez os criminosos sejam motivados a esse tipo de prática pela sensação de impunidade ou até pela ilusão do anonimato. 2.5 Classificação Dos Crimes Cibernéticos Os crimes cibernéticos são classificados na doutrina penalista há duas divisões como próprios e impróprios. Os crimes próprios podem ser classificados com o objetivo de atingir o próprio sistema computacional, exemplo dos serviços de negação, no qual a intenção do indivíduo é deixar o site indisponível. Os crimes impróprios é quando utilizam a internet e o meio tecnológicos apenas como ferramenta para realização do ilícito como exemplo a falsificação de documentos, furto e estelionato. Como afirma o jurista Damásio de Jesus: Assim, classificamos os crimes informáticos em: a) crimes informáticos próprios: em que o bem jurídico ofendido é a tecnologia da informação em si. Para estes delitos, a legislação penal era lacunosa, sendo que, diante do princípio da reserva penal, muitas práticas não poderiam ser enquadradas criminalmente; b) crimes informáticos impróprios: em que a tecnologia da informação é o meio utilizado para agressão a bens jurídicos já protegidos pelo Código Penal brasileiro. Para estes delitos, a legislação criminal é suficiente, pois grande parte das condutas realizadas encontra correspondência em algum dos tipos penais. (JESUS, Damásio de, 2016, p. 52-53) Sendo um assunto ainda em desenvolvimento doutrinário, as classificações podem sobre alterações ao logo dos anos ou até complementações, tendo em vista que não fugirá do sentido que já foi estudado e analisado. 2.6 Principais Crimes Os crimes virtuais ou crimes cibernéticos acontecem todos os dias tendo em vista que a internet se tornou acessível a toda a sociedade, utilizando meios tecnológicos. Buscou-se neste tópico esclarecer alguns crimes que ocorrem diariamente e são tipificados no Código Penal: Invasão de dispositivo informático; Extorsão; Estelionato; Pornografia Infantil. É importante a análise desses crimes para entender que há tipificação na lei e que não ficam impunes, é necessário a denúncia para a investigação dos criminosos e a sanção penal desses crimes, é visível os aumentos desses delitos e o quanto atingem a população, que nem sempre sabem como proceder. 2.6.1 Invasão De Dispositivo Informático Crime incluído pela Lei n° 12.737/2012, que consiste na conduta de invadir dispositivo informático alheio mediante violação indevida do mecanismo de segurança com a intenção de obter, destruir ou adulterar dados e/ou informações sem autorização do titular. O objeto do crime de invasão de dispositivo informático é a inviolabilidade da intimidade e da vida privada, tratando-se sobre um direito fundamental constitucionalmente assegurado, com delimitado na Constituição Federal, em seu artigo 5°, X: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: X - São invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação; O crime encontra-se tipificado no artigo 154-A do Código Penal, dispondo: Art. 154-A. Invadir dispositivo informático de uso alheio, conectado ou não à rede de computadores, com o fim de obter, adulterar ou destruir dados ou informações sem autorização expressa ou tácita do usuário do dispositivo ou de instalar vulnerabilidades para obter vantagem ilícita: (Redação dada pela Lei nº 14.155, de 2021) Pena – reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 14.155, de 2021) O sujeito ativo pode ser qualquer pessoa, pois no tipo penal não exige nenhuma qualidade especial do agente para o comprometimento do crime. A pessoa que sofre o dano material ou moral em consequência da indevida obtenção, adulteração ou destruição de dados e informações é o sujeito passivo, é importante observar um ponto a respeito deste crime. Segundo NUCCI (2020 P. 545-547): “invadir significa violar, transgredir, entrar à força em algum lugar, carregando o verbo, segundo ele, um forte conteúdo normativo”. Entende-se que o crime de Invasão de Dispositivos Informáticos veio para sanar uma lacuna legislativa, solidificando o combate as condutas antes carentes de tipificação. 2.6.2 Extorsão Crime caracterizado pelo ato de obrigar outrem a tomar atitude desejada pelo executor do crime, usando a violência ou ameaça, na finalidade de obter vantagem econômica. Importante analisar que muitos confundem o crime de extorsão como chantagem ou algo relacionado, porém neste crime exige-se dinheiro ou algo semelhante. A extorsão é tipificada pelo artigo 158 do Código Penal: Art. 158 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e com o intuito de obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça ou deixar de fazer alguma coisa: Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa. § 1º - Se o crime é cometido por duas ou mais pessoas, ou com emprego de arma, aumenta-se a pena de um terço até metade.§ 2º - Aplica-se à extorsão praticada mediante violência o disposto no § 3º do artigo anterior. Vide Lei nº 8.072, de 25.7.90 § 3°- Se o crime é cometido mediante a restrição da liberdade da vítima, e essa condição é necessária para a obtenção da vantagem econômica, a pena é de reclusão, de 6 (seis) a 12 (doze) anos, além da multa; se resulta lesão corporal grave ou morte, aplicam-se as penas previstas no art. 159, §§ 2° e 3°, respectivamente. (Incluído pela Lei nº 11.923, de 2009) Os exemplos mais comuns desse crime é o agressor invade o computador de uma pessoa utilizando-se de um malware (espécie de software malicioso) que criptografa os arquivos e informações da vítima, a partir disso começa a extorsão. A mesma violação pode se dar de forma que o agressor consiga as fotos ou vídeos íntimos em seu dispositivo ameaçando a expor caso a vítima não pague. Os alvos mais visados para realizarem esse tipo de crime, muitas vezes são dispositivos de usuários individuais, e rede de corporativas e até dispositivos de uso do governo. 2.6.3 Estelionato Este crime acontece quando uma pessoa usa de engano e fraude para levar vantagem de alguém, o crime de estelionato pode ser praticado por um especialista em informática como também pode ser por um leigo que tenha mínimo de conhecimento de informática. Considera- se um crime patrimonial, mas ocorre de uma forma que não há o uso da força, usa-se de artificio ardio para convencer a vítima a entregar-lhe algum bem e com isso ter vantagem ilicitamente. Esse tipo de delito é uma das condutas mais comuns praticadas na internet, trazendo vários prejuízos as pessoas Crime tipificado pelo artigo 171 do Código Penal: Art. 171 - Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento: Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa, de quinhentos mil réis a dez contos de réis. (Vide Lei nº 7.209, de 1984) § 1º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor o prejuízo, o juiz pode aplicar a pena conforme o disposto no art. 155, § 2º - Nas mesmas penas incorre quem: Disposição de coisa alheia como própria I- vende, permuta, dá em pagamento, em locação ou em garantia coisa alheia como própria; Alienação ou oneração fraudulenta de coisa própria II - vende, permuta, dá em pagamento ou em garantia coisa própria inalienável, gravada de ônus ou litigiosa, ou imóvel que prometeu vender a terceiro, mediante pagamento em prestações, silenciando sobre qualquer dessas circunstâncias; Defraudação de penhor III - defrauda, mediante alienação não consentida pelo credor ou por outro modo, a garantia pignoratícia, quando tem a posse do objeto empenhado; Fraude na entrega de coisa IV - defrauda substância, qualidade ou quantidade de coisa que deve entregar a alguém; Fraude para recebimento de indenização ou valor de seguro V - destrói, total ou parcialmente, ou oculta coisa própria, ou lesa o próprio corpo ou a saúde, ou agrava as consequências da lesão ou doença, com o intuito de haver indenização ou valor de seguro; Fraude no pagamento por meio de cheque VI - emite cheque, sem suficiente provisão de fundos em poder do sacado, ou lhe frustra o pagamento. Fraude eletrônica § 2º-A. A pena é de reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa, se a fraude é cometida com a utilização de informações fornecidas pela vítima ou por terceiro induzido a erro por meio de redes sociais, contatos telefônicos ou envio de correio eletrônico fraudulento, ou por qualquer outro meio fraudulento análogo. (Incluído pela Lei nº 14.155, de 2021) § 2º-B. A pena prevista no § 2º-A deste artigo, considerada a relevância do resultado gravoso, aumenta-se de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços), se o crime é praticado mediante a utilização de servidor mantido fora do território nacional. (Incluído pela Lei nº 14.155, de 2021) § 3º - A pena aumenta-se de um terço, se o crime é cometido em detrimento de entidade de direito público ou de instituto de economia popular, assistência social ou beneficência. Estelionato contra idoso ou vulnerável (Redação dada pela Lei nº 14.155, de 2021) § 4º A pena aumenta-se de 1/3 (um terço) ao dobro, se o crime é cometido contra idoso ou vulnerável, considerada a relevância do resultado gravoso. (Redação dada pela Lei nº 14.155, de 2021) § 5º Somente se procede mediante representação, salvo se a vítima for: (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) I - a Administração Pública, direta ou indireta; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) II - Criança ou adolescente; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) III - pessoa com deficiência mental; ou (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) IV - maior de 70 (setenta) anos de idade ou incapaz. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Brasil,1940) Conforme afirma Guilherme de Sousa Nucci: O estelionato é um crime artístico, pois implica representação, convencimento, falas decoradas, cenários montados, figurantes e todos os aparatos necessários para enganar alguém com uma história; a única diferença de uma peça teatral bem produzida, que também conta uma história fictícia ou inspirada em fatos reais, é que o estelionatário, ao final, não recebe aplausos, mas ganha uma vantagem ilícita em detrimento da vítima, que se deixou iludir. (NUCCI, 2020, p. 513) Conforme o exposto, o criminoso se utiliza de meio ardil ou qualquer outro meio fraudulento para enganar a vítima, importante observar que o crime de estelionato pode ser praticado através do ambiente virtual o que é abordado neste trabalho. 2.6.4 Pornografia Infantil A pornografia é qualquer representação de uma criança ou adolescente envolvida em atividades sexuais explícitas reais ou simuladas, ou qualquer representação dos órgãos sexuais de uma criança ou adolescente para fins primordialmente sexuais (Conforme o Art. 241-E do Estatuto da Criança e do Adolescente), é no ambiente das redes sociais que os criminosos se espalham com a sensação de anonimato proporcionado pela internet para a realização desses tipos de condutas. É necessário esclarecer que não existe um crime específico que seja intitulado de “pornografia infantil”, mas é um termo utilizado referente às condutas contidas na lei tipificado nos artigos 240 a 241-E do Estatuto da Criança e do Adolescente. A OMS (Organização Mundial da Saúde) define a pedofilia como uma doença transtorno psicológico, o indivíduo sente atração sexual por crianças. No crime de pornografia infantil não tem a ocorrência de relação sexual, neste crime o criminoso comercializa ou compartilha fotos ou vídeos pornográficos envolvendo crianças e adolescentes. A lei 8.069/90 Estatuto da Criança e do Adolescente foi alterada pela lei 11.829/08 aprimorando o combate à produção, venda e distribuição de pornografia infantil, criminalização da aquisição e distribuição de pornografia infantil e a posse de materiais pornográficos. É um assunto para se tratar com extrema delicadeza e atenção pois infelizmente o mercado de pornografia infantil é enorme e diariamente a notícias sobre esse caso. Portanto é inevitável não associar o crime de pornografia ao uso da internet, pois é onde os criminosos se aproveitam para praticar esses atos, o que acabou facilitando o modo de abordagem, é necessário uma atenção a esse tipo de crime pois está diretamente ligado a crianças e adolescentes, ou seja, indivíduos vulneráveis, é importante que os pais ou a família se atentem para fotos que são tiradas no cotidiano, vistos que tais arquivos podem ser facilmente violados e utilizados por criminosos, em média as vítimas se concentram 70% em meninas e 30% em meninos. 3. LEGISLAÇÕES O direito está associado a jurisdição e a sua função jurisdicional é relacionada a resolução de conflitos com isso busca-se mecanismos para o combate de crimes, em relação aos crimes cibernéticos a legislação, investigação e a efetivação penas assumem posições essenciais para o bom andamento dos processos criminais tendo como resultado muitas vezes a punição dos indivíduos que cometem delitospor meios virtuais. Ao se tratar de crimes virtuais que são os praticados por meio da internet podem ser enquadrados no Código Penal Brasileiro, e as Leis nº 14.155/2021 que alterou o Decreto nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), para tornar mais graves os crimes de violação de dispositivo informático, furto e estelionato que são cometidos de forma eletrônica ou pela internet; Lei nº 12.737/2012, conhecida como a “Lei Carolina Dieckmann”; Lei nº 12.965/2014 conhecida como o Marco Civil da Internet. Ao se tratar de contratos virtuais pode ser utilizado o Código de Defesa do Consumidor, para sanar alguns conflitos, mesmo não tendo norma específica sobre o tema, os meios de combate e a efetivação são a chave para inibição do crescimento dos crimes cibernéticos. 3.1 Lei N° 12.737/2012 (Lei Carolina Dieckmann) Lei conhecida como a como Lei Carolina Dieckmann, recebeu essa denominação pois ocorreu um fato criminoso envolvendo a atriz, após uma violação de dados a nível computacional. Em maio de 2011 um hacker (criminoso virtual) que teve acesso a 36 fotos intimas da atriz, com repercussão no cenário nacional houve a necessidade de tipificação do crime criando assim o crime de invasão de dispositivo informático que inclui os artigos 154-A e 154-B já delimitado neste artigo e alterou os artigos 266 e 298, do Código Penal. O escritor Não é incomum a pratica de suicídio por parte da vítima motivados por esse tipo de divulgação de fotos ou vídeos íntimos, a influência da mídia sem sobra de dúvidas foi decisiva para aprovação da Lei, tendo em vista a sua grande repercussão e foi um marco inicial para a proteção de dados. Mesmo tendo a tipificação de crimes, essa lei recebeu críticas como o texto ser vago e carecer de aspectos técnicos. Atualmente foi sancionado a Lei n° 14.155/2021 que trouxe em seu texto a alteração de alguns dispositivos do Código Penal. Com o avanço tecnológico, a democratização e a facilidade de acesso a rede sociais, o sistema penal brasileiro teve a necessidade de tipificar os crimes cometidos no mundo virtual, no Brasil o sistema sempre se mobilizar legalmente para criação de leis quando acontecem fatos de grande repercussão, a exemplo do caso do assassínio da atriz Daniela Perez, e não foi diferente em relação à lei inspirada em Carolina. 3.2 Lei N° 12.965/2014 (O Marco Civil Da Internet) Lei n ° 12.965/2014 denominada de O Marco Civil da Internet é um importante mecanismo de combate aos crimes digitais, essa norma é um auxílio para a investigação dos crimes virtuais, o projeto entrou em discussão no ano de 2007 com o intuito de regular o uso da internet no Brasil, para conceder garantias, deveres e direitos para quem utiliza a internet. O marco civil da internet foi criado para cumprir um papel fundamental para legislação brasileira, por muitos é denominada a “Constituição da Internet” pois trouxe um amadurecimento sobre questões que eram de grande desafio para o judiciário, com isso busca um equilíbrio entre a liberdade de expressão e transmissão de conhecimento, a referida lei tem como base três pilares: a neutralidade da rede que busca garantir que as operadoras não cobrem de forma diferente dependendo do conteúdo que circula no meio virtual; a proteção à vida privada do usuário da internet que se fundamenta em proteger os dados dos usuários junto aos provedores de modo que só em algumas situações pode haver a quebra do sigilo desses dados; e a liberdade de expressão quem tem como função e garantia de impedir a censura. Desta forma compreende-se que a liberdade de expressão, informação e impressa são fundamentais para que o regime democrático possa funcionar de forma adequada O marco civil da internet representa um fato histórico para o mundo digital e para a sociedade brasileira a partir do momento em que estabelece os princípios norteadores através da sua regulação e para acabar com a ideia que a internet é uma terra sem lei. Afirma Eduardo Tomasevicius Filho (2016, p.273) o governo brasileiro: pressionou o Congresso Nacional para a aprovação de uma lei sobre comportamentos na esfera virtual, denominada “Marco Civil da Internet” ou de “Constituição da Internet”, termo equivocado pela própria estrutura internacional da rede, para tentar pôr fim à ideia de que a internet é “terra sem lei”. De qualquer forma, essa proposta de disciplina de princípios, garantias, direitos e deveres dos usuários da internet no Brasil foi concebida em 2009 em parceria do Ministério da Justiça com a Escola de Direito do Rio de Janeiro, da Fundação Getúlio Vargas, o que resultou na apresentação de um projeto de lei ao Congresso Nacional, registrado sob o n.2.126/2011, convertido na Lei n.12.965, de 23 de abril de 2014. Portanto é possível notar que a regulamentação desta lei contribuiu com avanços que antes não seriam possíveis e reforçou que a internet não é uma terra sem lei, o direito vai se modificando de acordo as necessidades que surgem com a evolução da sociedade, por isso foi necessária uma lei que tratasse sobre os princípios, liberdade de expressão, privacidade e neutralidade da rede. 3.3 Lei N° 14.155/2021 A impunidade é muito debatida quando se trata de crimes cibernéticos, a Lei n° 14.155/2021 entrou em vigor no dia 28 de maio de 2021 e trouxe algumas alterações sobre o crime de invasão de dispositivo informático tipificado no artigo 154-A do Código Penal, furto artigo 155 do Código Penal e artigo 171, cometidos de forma eletrônica ou pela internet. A primeira modificação foi agravamento da pena para o crime de invasão ao dispositivo informático, que passou de três meses a um ano, e multa, passou a ser de reclusão de um a quatros anos e multa, perdendo o delito sua característica de infração de menor potencial ofensivo. Ocorreu a modificação do §2° fixada atualmente nos limites de um terço a dois terços, alterou a sanção penal do §3°: de detenção, de seis meses a dois anos, e multa, para reclusão de dois a cinco anos, e muita. Antes o tipo penal falava em invadir dispositivo informático alheio; atualmente após a lei o crime é invadir dispositivo informático de uso alheio. No crime de furto a lei introduziu uma nova qualificadora no §4°-B, determinando que a pena é de reclusão de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa caso o furto for mediante fraude, cometido por meio de dispositivo eletrônico ou informático conectado ou não à rede de computadores, meio pelo qual o delito é diretamente praticado, não confundindo com a expressão “modo de execução”. Destaca-se que a qualificadora é uma forma de furto fraudulento, ou seja, mais especifica. O crime de estelionato a modificação encontra-se no artigo §2°-A para prevê a fraude eletrônica segundo a qual a pena é de reclusão, de 4 (quatro) anos e 8 (oito) caso, e multa, caso a fraude é cometida com a utilização de informações fornecidas pela vítima ou por terceiro induzido a erro por meios virtuais. Essas alterações trouxeram ao tipo penal mais especificações em relação aos crimes mencionados, não deixando vago o tipo penal. A legislação ao longo dos anos vem trazendo a tipificação mais severas sobre os crimes digitais que tem um crescimento esporádico, mesmo sendo insuficientes são mecanismos de combate sobre os crimes cibernéticos, ao mesmo passo que a tecnologia evolui o direito deve estar ao mesmo nível. 4. INVESTIGAÇÃO DOS CRIMES A legislação penal elaborada, torna-se necessário mecanismos para que seja de fato cumprida pela sociedade, por isso é importante o trabalho da polícia, do Ministério Público e do Judiciário. Para a apuração de denúncias ou queixas-crime, a investigação criminal é um dos processos mais importantes, todos os crimes tem em si um grau de complexibilidade para comprovar a autoria e a sua materialidade, contudo, os delitos de praticados no mundo virtual podem ser caracterizados de maior complexidade investigativa, pois não há a presença física do autor, por isso é essencial que se identifique qual forma o usuário utilizou, quais as ferramentas usadas para as práticas delituosa. É necessário que asinvestigações sejam realizadas por profissionais capacitados, que tenham conhecimento técnico informático. Os Crimes Cibernéticos tem em si uma certa dificuldade investigativa, tendo em vista que os meios de provas não estão no mundo físico e sim no ciberespaço, como afirma Shimaburuko et al. (2018, p. 24): Enquanto no local de um crime tradicional se encontram informações essenciais para a investigação, como testemunhas, digitais, vestígios e indícios, o crime cibernético abriga suas principais evidências em inúmeros dispositivos, como computadores, telefones celulares, pen drives, máquinas fotográficas, provedores de Internet, registros de equipamentos de infraestrutura de rede (roteadores, firewalls, web servers, servidores de e-mail, etc.). As provas podem ser as mais diversas possíveis: arquivos digitais, registros de servidores, cookies, o histórico de navegadores, fotos ou vídeos, e-mails e registros de conversas on-line. O inquérito policial é importante para a apuração de crimes cibernéticos evitando os julgamentos equivocados e ações desnecessárias, a produção é necessária a fim de constatar os eventuais criminosos. Criou-se o inquérito eletrônico para facilitar a agilidade do cumprimento dos mandatos como também a coleta de provas, auxiliando na busca da verdade real e formalizar a investigação realizada pela polícia judiciária A polícia judiciária tem o papel, através da sua atividade delineada pelo Código de Processo Penal Brasileiro realizar os trabalhos de apuração dos casos concretos, para embasar as denúncias e as queixas a serem promovidas pelo Ministério Público ou demais órgãos, conforme delimitado no artigo 4° do Código de Processo Penal: Art. 4º A polícia judiciária será exercida pelas autoridades policiais no território de suas respectivas circunscrições e terá de pôr fim a apuração das infrações penais e da sua autoria. (Redação dada pela Lei nº 9.043, de 9.5.1995) Parágrafo único. A competência definida neste artigo não excluirá a de autoridades administrativas, a quem por lei seja cometida a mesma função. A infiltração de agentes policiais no mundo virtual é lícita quando se trata de investigações de crimes como o tráfico de drogas, cibe terrorismo, pedofilia, entre outros. O agente infiltrado possui várias, devendo ser autorizada judicialmente. A Lei 13.441/2017, regulamenta a infiltração de agente de polícia na internet tendo a finalidade de investigar crimes contra a violência sexual de crianças e adolescentes. Os criminosos possuem formas de se manter em anonimato na rede, a polícia rastreia possíveis vulnerabilidades destes criminosos coletando provas, utilizando-se do anonimato fornecido pela Deep Web e Dark Web. Para a infiltração policial ocorrer de forma eficaz é necessário manter o sigilo, tendo em vista a integridade física do agente e a efetividade da operação. O agente infiltrado possui requisitos para sua infiltração descritos no art. 10 da Lei 12.850/2013: Art. 10. A infiltração de agentes de polícia em tarefas de investigação, representada pelo delegado de polícia ou requerido pelo Ministério Público, após manifestação técnica do delegado de polícia quando solicitada no curso do inquérito policial, será anteposto de circunstanciada, motivada e sigilosa autorização judicial, que estabelecerá seus limites. § 1º. Na hipótese de atuação do delegado de polícia, o juiz competente, antes de decidir, ouvirá o Ministério Público. § 2º. Será aprovada a infiltração se houver indícios de infração penal de que trata o art. 1o e se a prova não puder ser formada por outros meios disponíveis. §3º. A infiltração será considerada pelo prazo de até 6 (seis) meses, sem perda de eventuais renovações, desde que comprovada sua necessidade. § 4º. Findo o prazo previsto no § 3º, o relatório circunstanciado será mostrado ao juiz competente, que imediatamente cientificará o Ministério Público. § 5º. No curso do inquérito policial, o delegado de polícia poderá determinar aos seus agentes, e o Ministério Público poderá requisitar, a qualquer tempo, relatório da atividade de infiltração (BRASIL, 2013). O uso de perfil falso (Fake) é bastante utilizado pelos agentes pois é um instrumento mais fácil para a investigação dentro do ambiente cibernético, como um meio de apuração de provas, principalmente ao se tratar de pornografia infantil. Antes da Lei n° 13. 441/2017 não havia uma legislação que disciplinasse infiltração policial no ambiente cibernético, por isso não havia certeza acerca da legitimidade da criação de um fake nas investigações policiais no mundo virtual, quando um agente cria esse tipo de perfil o objetivo é estabelecer um vínculo com os agentes delituosos investigados, criando uma identidade falsa de um criminoso ou de uma vítima. Para a criação desse tipo de perfil é preciso observar os ditames legais, preservado sempre pela legalidade da medida, tendo em vista que se corrobora como um meio ilícito quando não utilizado para a investigação de crimes. É necessário atenta-se para os meios que de investigação, o investigador deve ter um conhecimento para ser identificar os criminosos, devem ser atentos as técnicas utilizadas por esses infratores, o mascaramento de endereços de IP e ataques remotos podem levar ao erro nas investigações. Segundo WENDT, Jorge, pág. 52 “Nas investigações de crimes cibernéticos podemos identificar uma fase técnica e uma fase de campo”. Na fase técnica destaca-se um conjunto de atividades e importantes instrumentos para identificação do meio utilizado, deve-se utilizar técnicas de interrogatórios de modo que a filtragem de informações para selecionar aquelas que sejam imprescindíveis para o bom andamento da investigação. No Brasil existem órgãos especializados no combate aos crimes cibernéticos, como a ação conjunta do Ministério Público Federal, a Polícia Federal e a Organização não governamental Safernet que agilizam denúncias sobre o mundo virtual em alguns estados brasileiros existem delegacias especializadas em crimes cibernéticos. A perícia digital, é instrumento de investigação e implementa diversas práticas para analisar e gerar definições a respeito de evidencias encontradas, no processo investigatório é essencial que além do profissionalismo o perito conheça detalhadamente o funcionamento do sistema operacional que será verificado, esse tipo de perícia tornou-se uma tendência, pois o trabalho é complexo divido em quatro fases: a coleta; exame; análise; resultados obtidos. 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS O avanço da tecnologia é constante, ao mesmo tempo que a sociedade evolui os meios virtuais se modificam todo momento, onde a utilização de dispositivos informáticos se torna indispensável no dia a dia da população, havendo, portanto, uma repercussão em todas as áreas, com isso surge os crimes cibernéticos onde os indivíduos utilizam os instrumentos tecnológicos para praticar delitos. O Direito penal tem como característica a tutela dos bens e direitos, no entanto, o princípio da legalidade é um dos princípios básicos no direito penal, pois muitos crimes tem previsão na legislação penal que são praticados por meio de computadores ou qualquer dispositivo informático como os crimes de estelionato, pornografia infantil, extorsão, invasão de dispositivo informático, entre outros que são punidos independente se praticados no mundo virtual ou não. Como abordado neste artigo ao longo dos anos criou-se legislações que tratam especificamente de crimes que acontecem no meio virtual, que antes não tinham abrangência no tipo penal, e por muitas vezes ficaram impunes. Dentre elas a Lei n°12.737/2012, com a repercussão da mídia ganhou mais força para ser sancionada, onde tipifica o crime de invasão de dispositivo informático, alterou artigos do Código Penal, adequando-os a realidade cibernética. A Lei n° 12.965/2014 (O Marco Civil da Internet) que surgiu para regulamentar, estabelecer direitos e garantias para fundamentar o uso na internet, onde mitos pensam ser uma terra sem lei. Embora seja um tema atual e de grande relevância, já existem decisõesde tribunais com a função de suprir lacunas em relações aos crimes virtuais, um exemplo é o entendimento do STJ em relação ao crime de calúnia praticado virtualmente, a competência será pelo local onde se encontra a sede do provedor do site. Essas decisões tem relevância ao nosso ordenamento jurídico. Em 28 de maio de 2021 foi sancionada a Lei n° 14.155/ 2021 que altera o Código Penal e torna mais rigorosa a punição para os crimes invasão de dispositivo informático, furto e estelionato cometidos na internet. A análise dos tipos de investigação e os métodos utilizados junto a perícia, trouxe resultado para elucidar os crimes que muito embora seja difícil, trabalham minuciosamente para chegar ao indivíduo, a criação de técnicas especiais de investigação foi uma prática que ocasionou um avanço nas investigações, dentre elas como abordada no artigo a infiltração policial e a criação de perfil fake com a devida autorização, tendo assim importantes resultados ao identificar e prender criminosos, esse meio é muito utilizado nos crimes de pornografia infantil. Com a grande incidência dos crimes cibernéticos, exige-se uma atitude proativa das autoridades para todos os cidadãos, pois merecem ter seus direitos assegurados como está descrito na Constituição, com o anonimato do criminoso fica ainda mais difícil, mas é essa a vantagem que encontram por ser em meio virtual e aproveitam disso para o cometimento de delitos. Por fim, o resultado desta pesquisa trouxe um grande conhecimento sobre os crimes cibernéticos e o quanto é comum acontecer na sociedade, para que o combate seja eficiente é necessário o cumprimento da legislação principalmente as especificas, acredita-se que se faz necessário a criação de um código especifico para esses tipos de delitos, tendo em vista que o Código Penal não abarca toda a tipificação dessa criminalidade, visto que sempre há a necessidade de criações de leis para alterar, para ter mais efetividade o Brasil realizar mais acordos internacionais para o fornecimento de informações, investir em perícias especificas e especializada em tecnologia, melhoramento dos instrumentos investigativos, treinamentos de policiais para que os crimes sejam elucidados e os criminosos sejam devidamente penalizados. REFERÊNCIAS BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidente da República, [2016]. Disponível em: . Acesso em 04 de abril de 2022 BRASIL. Decreto-Lei n° 2.848, de 7 de dezembro de 1940. Disponível em: . BRASIL. Lei n° 14.155, de 27 de maio de 2021. Disponível em: BRASIL. Lei nº 11.829, de 25 de novembro de 2008. Altera a Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990 - Estatuto da Criança e do Adolescente, para aprimorar o combate à produção, venda e distribuição de pornografia infantil, bem como criminalizar a aquisição e a posse de tal material e outras condutas relacionadas à pedofilia na internet. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2008/lei/l11829.htm. Acesso em: 06 de maio de 2022. BRASIL. Lei nº 12.737, de 30 de novembro de 2012 (Lei Carolina Dieckman). Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011 2014/2012/lei/l12737.htm. Acesso em: 05 de maio de 2021. BRASIL. Lei nº 13.441, de 08 de maio de 2017. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/lei/L13441.htm. Acesso em: 05 de maio de 2022. BRASIL.Lei nº 12.965, de 23 de abril de 2014 (Marco Civil da Internet). Disponível em: . Acesso: 29 de abril de 2022. BRASIL.Lei nº 8.069, De 13 De Julho De 1990. Disponível em: . CASSANTI, Moisés de Oliveira. Crimes Virtuais, Vítimas Reais. Rio de Janeiro: Brasport, 2014 Cavalcante, Márcio Lopes. Lei 14.155/2021: Promove Alterações nos Crimes de Violação de Dispositivo Informático. Furto e Estelionato. In: Dizer o Direito, 29 de maio de 2021. Disponível em: . Acesso: 15 de abril de 2022 FERREIRA, Rafaela. Aumento do uso da internet faz crescer o número de crimes cibernéticos. In: Jornal Opção, 17 de jan. de 2022. Disponível em: . Acesso em: 10 de maio de 2022 FILHO, Eduardo Tomasevicius. Marco Civil da Internet: uma lei sem conteúdo normativo. Disponível em: . Acesso: 25 de abril de 2022 JESUS, Damásio de; MILAGRE, José Antonio. Manual de Crimes Informáticos. São Paulo: Saraiva, 2016. KUROSE, J. F. ; ROSS, K. - Redes de Computadores e a Internet. 8°ed. Porto Alegre: Editora Bookman, 2021 LIMA, Simão Prado. Crimes virtuais: uma análise da eficácia da legislação brasileira e o desafio do direito penal na atualidade. Âmbito Jurídico, 2014. Disponível em: . Acesso em: 24 de abril de 2022 NADER, Paulo. Introdução ao Estudo do Direito. 44° ed. São Paulo: Editora Forense, 2021. NUCCI, Guilherme de Souza. Manual de Direito Penal. 16° ed. Rio de Janeiro: Forense, 2020. PEREIRA, Emanuela de Araújo. A fraude eletrônica à luz da Lei n° 14.155/2021. In: Jus.com.br, 16 de jun. de 2021. Disponível em: . Acesso: 10 de maio de 2022 PEREIRA, Jeferson Botelho. Crimes Cibernéticos e a insuficiente legislação brasileira. In: Jus.com.br, 07 de maio de 2021. Disponível em: . Acesso em: 01 de maio de 2022. PINHEIRO, Bruno Victor de Arruda. As novas disposições sobre crimes cibernéticos: uma análise acerca das leis 14.132 e 14.155/2021. In: Jus.com.br, 05 de jan. de 2022. Disponível em:. Acesso em 10 de maio de 2022. REALE, Miguel. Lições Preliminares de Direito. 27° ed. São Paulo: Saraiva, 2013. SHIMABURUKO, Adriana. et al. Crimes Cibernéticos. 2°ed. São Paulo: Editora Livraria do Advogado, 2016. VENOSA, Sílvio de Salvo. Introdução Ao Estudo Do Direito. 6. ed. – São Paulo: Atlas, 2019. VILELA, Pedro Rafael. Lei com penas mais duras contra crimes cibernéticos é sancionada. In: Agência Brasil, 27 de maio 2021. Disponível em: . Acesso em: 20 de abril de 2022. image1.jpeg image2.jpeg