Prévia do material em texto
ERGONOMIA UNIDADE I INTRODUÇÃO À ERGONOMIA Autoria Lígia Rocha Cavalcante Feitosa Atualização Elisa Maria Amate Produção Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração SUMÁRIO INTRODUÇÃO ..........................................................................................................................................4 UNIDADE I INTRODUÇÃO À ERGONOMIA ...........................................................................................................................................7 CAPÍTULO 1 ORIGENS E CARACTERÍSTICAS DA ERGONOMIA ............................................................................................... 7 CAPÍTULO 2 DOMÍNIOS DE COMPETÊNCIA DA ERGONOMIA ............................................................................................ 14 REFERÊNCIAS ........................................................................................................................................28 4 INTRODUÇÃO A ergonomia é a ciência que estuda a adaptação do ambiente de trabalho ao homem, tendo como fundamento o conhecimento das características morfológicas e psicoafetivas dos trabalhadores, individual e coletivamente. A adaptação do trabalho ao homem requer a observação detida, minuciosa e detalhada de todas as variáveis que envolvem o processo produtivo de trabalho: vai desde a análise do indivíduo, posto de trabalho, máquinas e equipamentos, como qualquer relação produtora de bens e serviços, isto é, atividade produtiva existente (IIDA, 2005). Comparada às demais ciências que tiveram a sua origem esquecida após séculos do seu surgimento, a ergonomia nasceu oficialmente em julho de 1949, na Inglaterra, após a reunião de pesquisadores e cientistas que utilizariam todo o aprendizado oriundo das grandes guerras mundiais para o mundo do trabalho. Alguns atribuem à França como sendo o local de origem da ergonomia. Contudo, independente de onde tenha surgido, é área de conhecimento que requer estudo e aprofundamento, pela magnitude que apresenta. Ora, cabe esclarecer que até a própria Norma Regulamentadora (NR) 17 trouxe em seu bojo os domínios de especialização da ergonomia: física, cognitiva e organizacional. Destarte, a ergonomia pode intervir na relação homem/máquina, homem/ambiente e homem/homem para além da prevenção de agravos relacionados à saúde ou produtividade humanas, trazendo em si, regras essenciais ao conforto e ao bem-estar do trabalhador. Como disciplina, busca compreender as interações dos trabalhadores e demais elementos de um sistema; já como profissão, aplica os pressupostos, princípios e metodologias diversas para projetos interventivos no modus operandi humano ou no sistema como um todo (IEA, 2000). Portanto, aqui o aluno terá a possibilidade de conhecer um pouco mais sobre essa disciplina, no intuito de compreender o surgimento e a história natural da ergonomia, os seus domínios de especialização, fatores que compreendem as relações de trabalho e o processo produtivo, ferramentas utilizadas para a análise ergonômica e ser instigado a ampliar o seu conhecimento no campo da saúde do trabalhador, a fim de que possa contribuir para a qualidade de vida no trabalho. 5 INTRODUÇÃO Objetivos » Conhecer a definição de ergonomia e o contexto histórico de onde advém as principais premissas deste campo do conhecimento, incluindo-se aqui a relação homem x trabalho como determinante na produção de “saúde” e “doença”. » Identificar a interferência dos processos produtivos na saúde do trabalhador, no intuito de identificar que o fator humano é apenas uma variável de ajuste para a redução do adoecimento do ser “trabalhador”. » Reconhecer as principais ferramentas utilizadas para a Análise Ergonômica do Trabalho, instigando ao aprofundamento de cada técnica. » Aprender a detectar eventuais problemas ergonômicos nos espaços funcionais e nos postos/áreas de trabalho com proposições de soluções embasadas em projetos integrados que visam à qualidade e ao bem-estar do trabalhador. 7 UNIDADE IINTRODUÇÃO À ERGONOMIA CAPÍTULO 1 ORIGENS E CARACTERÍSTICAS DA ERGONOMIA 1.1. Conceito de atividade O trabalho é uma atividade representativa do resultado e do valor agregado a um determinado bem e/ou serviço no contexto de produção. A forma como os indivíduos realizam a atividade e o que eles produzem impactam a visão de mundo que eles têm a respeito do que, como e por que fazem algo no decorrer do processo de trabalho. Para o indivíduo identificar-se com o trabalho que realiza, é necessário que o faça de maneira eficiente e com resultados; que represente bem-estar; que seja moralmente aceitável; que seja favorável às relações satisfatórias entre pares; que garanta segurança e autonomia; e que possibilite a criatividade no executar (Machado, 2003). O trabalhador se identifica na organização quando se vincula ao perfil da atividade, tendo espaço para agir e interagir no cotidiano do trabalho (Farias, 2000). O contexto de trabalho, consequentemente, deve garantir ao trabalhador um espaço bem definido pelos valores, normas e crenças organizacionais que serão apoiados pelas condições de trabalho favoráveis e, ainda, que possibilitem a dimensão social entre pares no lócus do trabalho (Ferreira; Mendes, 2003). Considerando esse pressuposto, qual de fato deve ser a variável de ajuste: o trabalhador ou seu contexto de trabalho? O trabalhador é forjado ou é o seu contexto de trabalho? Para respondermos tais questionamentos, a Ergonomia, desde a sua origem, discute tais papéis. 1.1.1. De onde vieram e quais são as características da ergonomia da atividade? Etimologicamente, a palavra ‘ergonomia’ é composta pelos termos ‘ergon’ + ‘nomos’, significando, ambos, ‘trabalho e normas com leis naturais’, respectivamente. Em suma, pode-se apreender que a palavra representa os preceitos da forma adequada de se trabalhar 8 UNIDADE I | INTRODUÇÃO À ERGONOMIA normas e leis naturais do trabalho (Grandjean, 1998; Iida, 2005). O primeiro registro de uso da palavra ‘ergonomia’ foi primeiramente utilizado no ano de 1947, na Grã-Bretanha, pelo engenheiro Murrel, apoiado pelo fisiologista Floyd e pelo psicólogo Welford. Aqui, foram trazidas as perspectivas conceituais e caracterizadoras da ergonomia, baseadas em sua origem e em seu principal objeto de estudo. No contexto social, houve a consolidação da ergonomia, principalmente para atender a um nicho específico: o das grandes guerras. Foi por meio das necessidades militares e tecnológicas prementes da Primeira e da Segunda Guerra Mundial, entre 1914-1917 e 1939-1945, que ocorreu a propulsão de pesquisas a respeito da relação homem/trabalho (Iida, 2005). Os principais fisiologistas e psicólogos da época foram incumbidos de promover o projeto bélico, melhorando e aumentando a produção de armamentos, com a finalidade de melhorar o desempenho da indústria bélica, diminuir fadiga, erros e acidentes entre os trabalhadores. Ainda que o início tenha ocorrido no contexto de guerra, os conhecimentos adquiridos naquelas experiências foram aplicados, posteriormente, na produção civil (Feitosa, 2010). Assim, a ‘ergonomia’ foi disseminada formalmente após a Segunda Guerra Mundial, quando cientistas britânicos se utilizaram desse termo para descrever os aspectos anatômicos, fisiológicos e psicológicos que começavam a ser aplicados para compreender a relação entre seres humanos e seu ambiente de trabalho (Leamon, 1995). Porém, somente em 1949 esse termo obteve o reconhecimento oficial perante a comunidade científica, quando foi constituída a Ergonomic Research Society – a primeira sociedade de Ergonomia– definida como “o estudo do relacionamento entre o homem e seu trabalho, equipamento, ambiente e, particularmente, a aplicação dos conhecimentos de anatomia, fisiologia e psicologia na solução dos problemas que surgem desse relacionamento” (Iida, 2005, p. 2). Figura 1. A “Ergonomic Research Society”, Grã-Bretanha, 1949.Fonte: Time Toast Timelines, 2024. 9 INTRODUÇÃO À ERGONOMIA | UNIDADE I Segundo Wisner (2004), a ergonomia surgiu em meados dos anos 1950, na França, consolidando-se apenas na década seguinte (1960). Tal consolidação foi legitimada com a criação do primeiro laboratório de “estudos fisiológicos” – lembrando que, nesse, caso a palavra ergonomia foi desconsiderada, e tal laboratório foi criado para realizar estudos e pesquisas na área (Wisner, 2004). O campo da ergonomia da atividade foi sendo construído e fundamentado na constatação dos efeitos deletérios na saúde humana produzidos pela administração científica do trabalho e seus modelos clássicos de produção estruturados em princípios taylor-fordistas. Nesses modelos, a ideia era guiada por um paradigma, vigente no início do século XX, no qual o homem se adapta ao trabalho enquanto variável de ajuste e em cuja máxima reside a concepção de um “operário médio” bem treinado e que trabalhe em um posto estável (Wisner, 1977). Diferentemente disso, a ergonomia da atividade sustenta-se na inversão desse paradigma, ou seja, a necessidade de adaptar o trabalho para quem trabalha (Ferreira, 2008), integrando em suas análises a variabilidade (intra e inter) individual dos trabalhadores, noção desconsiderada nos pressupostos de feição taylor-fordistas. Para a ergonomia, o operário médio bem treinado e que trabalha em um posto estável é um “mito”, muito bem aceito por sinal, que, entretanto, não corresponde à realidade da variabilidade humana, uma vez que pressupõe a padronização de performances sem considerar adequadamente as capacidades (fisiológicas e psicológicas) e limites de funcionamento do ser humano (Ferreira, 2008). Na perspectiva de expansão, a ergonomia apresentou-se sob duas dimensões, conforme segue abaixo: » dos estudos empenhados na adaptação da máquina ao homem; » dos estudos direcionados à adaptação do trabalho ao homem. No pós-guerra, mais especificamente nos Estados Unidos, a ergonomia foi fortalecida com a criação do Human Factors Society (Sociedade de Fatores Humanos), que possibilitou associação verossimilhante com o termo ergonomia (Iida, 2005). Na década de 1990, houve uma alteração na nomenclatura dessa instituição para Human Factors and Ergonomics Society, o que significou maior representatividade ao termo e ao interesse pela área de conhecimento, caracterizando, assim, a abordagem anglo-saxônica da ergonomia (Feitosa, 2010). Em consonância com os pressupostos da corrente anglo-saxônica, segundo a abordagem da International Ergonomics Association (IEA), a ergonomia define-se por ser: 10 UNIDADE I | INTRODUÇÃO À ERGONOMIA A disciplina que trata da compreensão das interações entre os seres humanos e outros elementos de um sistema. [...] os ergonomistas contribuem para o planejamento, projeto e avaliação de tarefas, postos de trabalho, produtos, ambientes e sistemas para torná-los compatíveis com as necessidades, habilidades e limitações das pessoas. (International Ergonomics Association, 2000). Aqui se observa o início da evolução conceitual do termo ergonomia, repercutindo nas possibilidades de atuação do ergonomista e na reflexão da dimensão de análise indivíduo versus trabalho. Nessa mesma ótica, o objetivo da ergonomia é ter eficiência e eficácia na condução das atividades humanas para o alcance dos objetivos organizacionais. Para tanto, é imprescindível que haja a redução da fadiga e do estresse, possibilitando o aumento da segurança, garantia do conforto e da satisfação das pessoas (Stanton,1998; Iida, 2005). Já na a dimensão franco-belga, a ergonomia é definida como “[...] um conjunto de conhecimentos científicos, relativos ao homem e necessários para a concepção de ferramentas, máquinas e dispositivos que possam ser utilizados com o máximo conforto, segurança e eficácia” (Wisner, 1977, p.12). No contexto dos países francofônicos, a concepção de ergonomia apresentava-se diferente dos pressupostos do Human Factors. Aqui, a preocupação estava centrada em conceber novos postos de trabalho a partir da situação real de trabalho, elaborando-se análise da atividade nessa situação. Essa concepção também foi influenciada pelo período pós-guerra, bem como pelas demandas de reconstrução do polo industrial europeu, que teve as primeiras investigações nessa abordagem em fábricas de automóveis (Wisner, 1977, p. 12). Posteriormente, os estudos empenhados na compreensão da relação ser humano/ trabalho deram origem à Análise Ergonômica do Trabalho (Wisner, 2004). Dessa forma, o enfoque está no contexto real de trabalho, entendendo que os trabalhadores são sujeitos atuantes nessa análise (Laville, 2001). Em suma, sintetizando os parágrafos anteriores, a ergonomia anglo-saxônica (Human Factors) dá prioridade à relação homem/máquina, enquanto a ergonomia francofônica está preocupada, substancialmente, em compreender o contexto de trabalho nas suas complexidades e contradições (Wisner, 2004). É importante ressaltar que as duas abordagens não existem no intuito de serem eleitas como a mais ou menos eficazes, mas como construtos complementares ao estudo da demanda da realidade de trabalho a ser investigada. O quadro 1 apresenta um resumo das características e dimensões analíticas das abordagens anglo-saxônica e francofônica da ergonomia. 11 INTRODUÇÃO À ERGONOMIA | UNIDADE I Quadro 1. Características e dimensões das abordagens anglo-saxônica e francofônica. Características Anglo-Saxônica Francofônica Quanto à origem Tradicional, com forte influência americana Mais recente, com forte influência francesa Da Ergonomia Ciência do trabalho aplicada ao contexto de projeto Estudo específico do trabalho orientado para a avaliação dos contextos de trabalho Quanto aos objetivos Adaptação da máquina ao homem, melhoria das condições de trabalho e cuidados com a segurança Análise do trabalho (tarefa e atividade) Da pesquisa Experimentos em laboratório, predomínio do delineamento quantitativo, possibilidade de generalização. Análise antropométrica e fisiológica Análise de processos, das atividades, das tarefas, observações e registro do trabalho real, predomínio do delineamento qualitativo. Análise psicológica e cognitiva Quanto ao foco analítico Nas características do trabalhador Na atividade do trabalhador Da tarefa Prescrita Entre o prescrito e o real, ênfase na atividade Quanto à atividade de trabalho Considerada como estática, reduzida a movimentos do corpo humano Considerada com dinâmica, enfoque tanto na variabilidade do contexto quanto na variabilidade do trabalhador Quanto aos aspectos do trabalhador a serem investigados Características anatômicas e psicológicas gerais Comportamentos físicos e mentais Fonte: Feitosa, 2010. Diante da demonstração inegável da evolução social e conceitual da ergonomia, pode- se constatar que essa ciência veio para acompanhar os avanços dos conhecimentos científicos e sanar os problemas no contexto de trabalho, tendo como ponto fundamental a saúde dos trabalhadores e a eficácia econômica (Laville, 1977; Daniellou, 2004). Baseada nos pressupostos da corrente franco-belga e alicerçada nesse contexto de mudanças teórico-metodológicas que envolveram a ergonomia, vamos discorrer um pouco mais a respeito da ergonomia da atividade. A ergonomia da atividade se destaca por sua praticidade aliada intrinsecamente às situações reais de trabalho. Constitui-se enquanto abordagem científica interessada em investigar a relação entre os trabalhadores e o contexto de produção (Ferreira; Mendes, 2003). 12 UNIDADE I | INTRODUÇÃO À ERGONOMIA Tem por principal característica o estudo da relação homem-trabalho, baseado em três dimensões de análise interdependentes, a saber: » os indivíduos (trabalhadores, consumidores, usuários); » as atividades (de trabalho, uso e consumo); » os ambientes (de trabalho, consumo, prestação de serviços). Além disso, também tem como característica o enfoqueinterdisciplinar na psicologia e fisiologia, principalmente, e interface com outras disciplinas científicas aplicadas, tais como a engenharia, a administração e a arquitetura. E, finalmente, empreende entender o trabalho ou as situações de uso de bens e serviços em um viés de transformação dos ambientes e dos seres humanos ali envolvidos, formulando e aplicando medidas que visem adaptar tarefas, serviços e produtos aos indivíduos que neles atuem (Ferreira, 2003). Fora os aspectos já citados, a ergonomia da atividade é uma abordagem focada no homem (antropocêntrica) e humanizadora dos espaços de trabalho (Ferreira, 2003), buscando alocar o processo de humanização do ambiente e do indivíduo no cerne das práticas diárias e políticas dos gestores organizacionais (Feitosa, 2010). Desse modo, a ergonomia da atividade tem como principal objetivo a eficácia dos processos produtivos e privilegiar o bem-estar dos trabalhadores, promovendo a transformação das condições laborais e a adaptação do contexto de trabalho à necessidade de todos. Compreende também os indicadores críticos existentes no contexto de trabalho, para que haja transformação com compromisso real de todos os envolvidos, contemplando desde as necessidades e os objetivos de trabalhadores, gestores, usuários e consumidores aos organizacionais (Ferreira; Mendes, 2003). Para tanto, a produção teórica em ergonomia da atividade opera uma distinção importante entre os conceitos de tarefa e atividade. O conceito de tarefa expressa o trabalho prescrito que estabelece, principalmente, o que e como o trabalho será executado, dando visibilidade aos “braços invisíveis” da organização do trabalho, cuja pretensão é, em certa medida, fixar os “trilhos da atividade” (Ferreira; Mendes, 2001). Assim, a tarefa, que representa um quadro formalizado pela organização não corresponde necessariamente à atividade. Ou seja, o trabalho efetivo dos trabalhadores se trata, portanto, de uma imposição ao trabalhador e constitui um referencial indispensável para que ele possa agir (Guérin et al., 2001). 13 INTRODUÇÃO À ERGONOMIA | UNIDADE I Em que consiste a atividade? Ela consiste na utilização do corpo e da inteligência para realizar as tarefas e integra diversos aspectos, logicamente concatenados em extrair as informações de algum lugar, decidir a ação sobre comandos, a adoção de posturas diferentes, a execução de esforços, os deslocamentos e as comunicações com outras pessoas (Abrahão; Sznelwar, 2008). Ferreira e Mendes (2001) ressaltam que, na ergonomia, a atividade aparece inseparável, em amplo entendimento, de um corpo no espaço e de um contexto sociotécnico, figurando-se em uma categoria teórica central, pragmática, sem vocação para a abstração. Dessa forma, segundo Abrahão e Sznelwar (2008), a ergonomia da atividade tem como missão orientar-se para a melhoria da qualidade de vida e bem-estar dos trabalhadores, auxiliando as ciências do trabalho, diante de um contexto empresarial da organização pouco ou nada flexível nesse início de século. Os autores ainda afirmam que flexíveis mesmo são os trabalhadores. Um ponto importante a ser evidenciado se refere à descontinuidade existente entre o trabalho prescrito (tarefa prescrita) e o trabalho real (a atividade) dos trabalhadores. Isso constitui uma dimensão crucial a ser investigada, buscando-se identificar e analisar principalmente o custo humano do trabalho, conceito detalhado em tópico específico nos próximos capítulos. Para trabalhar bem, os trabalhadores “elaboram estratégias operatórias para responder às exigências físicas, cognitivas e afetivas inerentes às tarefas e às condições de trabalho disponibilizadas pela organização” (Feitosa, 2010, p. 52). Outro ponto fundamental a ser comentado se refere a algumas características da ergonomia que autorizam sua interlocução com a abordagem de QVT preventiva. Nesse sentido, destacam-se: » seu caráter multidisciplinar e aplicado que articula diversos saberes e profissionais para a produção de conhecimento sobre um mesmo objeto; » o foco no bem-estar dos trabalhadores e na eficácia dos processos produtivos; » a adaptação do contexto de trabalho a quem nele trabalha; » a transformação dos ambientes de trabalho com foco no bem-estar dos trabalhadores, na prevenção de agravos à saúde, compatibilizando esses aspectos com a eficiência e eficácia dos processos produtivos. 14 CAPÍTULO 2 DOMÍNIOS DE COMPETÊNCIA DA ERGONOMIA A ergonomia analisa a adaptação do trabalho ao ser humano e o seu comportamento no ambiente de trabalho, enfocando: » o indivíduo, enquanto características físicas e psicológicas; » a máquina; » as condições ambientais e a organização do trabalho (Matos; Masculo, 2021). Na sequência, apresentaremos de forma resumida os três domínios da ergonomia: físico, cognitivo e organizacional. 2.1. Físico 2.1.1. Antropometria Trata das medidas corporais dos trabalhadores, que apresentam diferenças nas proporções de cada segmento do corpo. Ela analisa as medidas físicas de muitos indivíduos de várias populações para observar o grau de adequação dos indivíduos aos equipamentos, instrumentos e outros artefatos (Matos; Masculo, 2021; Grandjean, 1998). Porém, não considera apenas o valor médio das medidas na construção desses artefatos, ela leva em consideração as diferenças corporais de vários usuários em potencial, principalmente os usuários extremos, considerando- se assim os valores mínimos e máximos de segmentos corporais levantados pela pesquisa populacional, por exemplo. 2.1.1.1. Sexo, idade e deficiência física Considera as diferenças observadas entre indivíduos de sexos e idades diferentes e, ainda, com capacidade residual para determinada atividade. Homens e mulheres apresentam diferenças antropométricas significativas, bem como toda uma fisiologia corporal inerente a cada gênero (Iida, 2005). Na situação de trabalho, fatores envolvidos com a idade, tipo de trabalho e pessoas com deficiência ou não devem ser considerados na avaliação da atividade e carga que ela pode gerar naquele indivíduo. 2.1.1.2. Biomecânica ocupacional Estuda a máquina humana, sob a ótica dos movimentos musculoesqueléticos envolvidos na interação do homem com o trabalho e as suas consequências (Iida, 2005). Em suma, avalia as posturas corporais e a aplicação de forças durante o trabalho: 15 INTRODUÇÃO À ERGONOMIA | UNIDADE I » movimentos de segmentos corporais; » adoção e manutenção de posturas; » duração de um movimento ou postura. 2.1.1.3. Adoção de posturas É a adoção de uma postura e a manutenção da combinação de movimentos executados pelos segmentos corporais (cabeça, tronco e membros) (Mattos; Másculo, 2021). São adotadas a partir de um esforço do conjunto do sistema locomotor, chamado também de musculoesquelético. » trabalho muscular dinâmico (rítmico); » caracterizado pela contração (tensionamento) e extensão (afrouxamento) da musculatura no trabalho dinâmico, o músculo recebe um maior volume de sangue, tendo-se a eliminação de resíduos do músculo, com maior gasto energético; » trabalho muscular estático (postural). Já no trabalho muscular estático, existe um estado de contração prolongada da musculatura, onde a circulação fica restrita à pressão interna sobre o tecido muscular, sem recepção de nutrientes e eliminação de resíduos do músculo, gerando a dor muscular. Figura 2. Posturas do trabalho em computador (incorreta e correta), 2024. Fonte: Fiocruz, 2024. Segundo Iida (2005), as posturas básicas são: de pé, sentado e deitado. Na postura de pé, apenas há apoio nas pernas e pés, exigindo mais do que as outras posturas. Contudo, estar sentado(a) por tempo prolongado pode forçar as estruturas musculoesqueléticas da coluna vertebral, quadril e membros inferiores, necessitando de pausas durante a jornada de trabalho. Deitada, a pessoa não tem contração em nenhum segmento e o consumo energético é mínimo, sendo a mais recomendada para a recuperação da fadiga(Grandjean, 1998). 16 UNIDADE I | INTRODUÇÃO À ERGONOMIA As posturas inadequadas podem trazer graves problemas à saúde do sistema musculoesquelético, que vão desde desconfortos a deformidades em diversos segmentos corporais (Mattos; Másculo, 2021). Figura 3. Posturas inadequadas. Fonte: adaptada de Iida, 2005. Quadro 2. Assunção de posturas e os riscos de dores nos segmentos corporais. Postura Risco de dores Em pé Pés e pernas (varizes) Sentado sem encosto Músculos extensores das costas Assento muito alto Membros inferiores (pernas, joelhos e pés) Assento muito baixo Costas e pescoço Braços em elevação Ombros e braços Manejo inadequado Antebraço e punhos Fonte: adaptado de Grandjean, 1998. No quadro a seguir, existem algumas recomendações básicas e amplas da biomecânica corporal para evitar os desconfortos e adoecimentos osteomusculares motivados pelo trabalho. Quadro 3. Alguns princípios da biomecânica ocupacional. Posição neutra Limitar a duração de esforço muscular contínuo Minimizar a flexão de tronco e pescoço Buscar paradas curtas frequentes ao invés de única parada longa Evitar rotação de tronco Preferência ao trabalho com MMSS Movimentos bruscos devem ser evitados Evitar trabalho repetitivo Alternar postura e movimentos Entre outros Fonte: adaptado de Mattos e Másculo, 2021. 17 INTRODUÇÃO À ERGONOMIA | UNIDADE I 2.2. Técnicas de avaliação da biomecânica Durante uma jornada de trabalho, um trabalhador pode assumir várias posturas e realizar diversas movimentações dos segmentos, gerando a demanda física desses. Para conhecer quais grupos musculares estão sendo exigidos e a atividade executada, é necessária a realização da avaliação da biomecânica, considerando-se para tanto: » nível da demanda física; » postura ocupacional: › amplitude de movimentos; › força envolvida; › repetitividade; › tempo de movimentação. O que é trabalho repetitivo? Segundo McAtammey e Corllet (1993), é aquele cujo ciclo é executado mais de quatro vezes por minuto. 2.2.1. Instrumentos de avaliação Os instrumentos de avaliação podem ser: » Qualitativos: são aqueles que levam em consideração as percepções e respostas dos trabalhadores. » Semiquantitativos: é um mix de respostas e percepções dos trabalhadores com medidas diretas e em tempo real da biomecânica envolvida no trabalho. São alguns exemplos de instrumentos de avaliação da biomecânica do tipo semiquantitativo: OWAS, RULA, NIOSH, Mapa de Regiões. » Quantitativos: existe uma medida direta das medidas corporais. Um exemplo é a dinamometria, que faz a mensuração direta da força aplicada pelo trabalhador. 2.2.2. Uso de equipamentos nos postos de trabalho 2.2.2.1. Manejo As mãos e os pés são ferramentas naturais de qualquer ser humano. As ferramentas e todo instrumental usado no trabalho podem ser considerados como extensões daqueles (Mattos; Másculo, 2021). Em um engate ou em uma preensão há a transmissão dos 18 UNIDADE I | INTRODUÇÃO À ERGONOMIA movimentos do homem para a máquina. Portanto, o manejo é utilizado essencialmente entre os MMSS e MMII e pode ser considerado, segundo Paschoarelli e Couri (2000): » Fino ou pega: elevado nível de precisão e velocidade, com aplicação de pouca força. » Grosseiro ou empunhadura: realizado pelos punhos e braços, tem mais força e menos precisão que o anterior. » Contato simples: movimento dinâmico em que a força é transmitida em um só sentido. » Quanto ao formato pode ser: › Geométrico: similar a uma forma geométrica, com pouca superfície de contato com as mãos. › Antropomorfo: superfície irregular, conformando-se à anatomia do segmento corporal envolvido na preensão. 2.2.2.2. Controle e mostradores Segundo Grandjean (1998) e Iida (2005), o canal onde há a troca de informações entre homens e máquinas acontece por meio de telas, monitores, textos, sinais, símbolos etc., cujo repertório deve ser de conhecimento do operador. Isto é, quem opera a máquina, deve deter o saber de como interpretar tal linguagem, seja ela escrita ou por sinal. Em resumo, os dispositivos informacionais são acionados pelo ser humano e por ele percebidos, assim como mostra a figura abaixo. Figura 4. A interação entre o ser humano, a tarefa e a máquina. Máquina Ser humano Fonte: Grandjean, 1998. 19 INTRODUÇÃO À ERGONOMIA | UNIDADE I Grandjean (1998), descreve algumas características essenciais para a operação de máquinas e seus dispositivos de controle, estabelecendo aspectos de crucial importância para a boa adaptação da máquina ao homem, tais como: » teclas, teclado ou outros dispositivos de acionamento serem discrimináveis pelo tato; » ter cuidado com o contraste de cores; fácil alcance entre altura do cotovelo e ombros; » ter distância em si adaptada às características do operador, entre outras. Já os mostradores, podem ser do tipo quantitativo e qualitativo, a depender da leitura instantânea ou não do dado em tempo real (IIDA, 2005): » Quantitativo: referente a uma variável mensurável, como volume, pressão, peso e temperatura. Pode ser analógico ou digital. » Qualitativo: permite leitura de verificação, como indicador de T do motor do carro. 2.3. Cognitivo Os aspectos cognitivos da ergonomia estão vinculados à carga mental envolvida no trabalho, e interferem sobremaneira nas habilidades psicomotoras, perceptuais e sensoriais, em respostas efetivas e motivação na aprendizagem, atenção e dinâmica do trabalho em grupo (Gradjean, 1998; Iida, 2005; Mattos; Másculo, 2021). E o que é cognição? Conforme Wickano (1984), é o “ato ou processo de conhecer, envolvendo atenção, percepção, memória, raciocínio, juízo, imaginação, pensamento e discurso”. Portanto, o principal questionamento da ergonomia cognitiva para a investigação da sobrecarga da atividade na saúde humana ou até mesmo a análise da atividade, é “Qual o conteúdo mental envolvido em tal atividade? Assim, com base nos estudos da área, abordaremos os aspectos do domínio cognitivo da ergonomia na figura 3. Figura 5. Aspectos de estudo da ergonomia cognitiva. Fonte: adaptada de Mattos e Másculo, 2021. 20 UNIDADE I | INTRODUÇÃO À ERGONOMIA 2.3.1. Percepção, interpretação e processamento mental Trata-se do processamento da informação no sistema humano – tarefa-máquina (Grandjean, 1998), onde a assimilação de dados novos, com aqueles armazenados no cérebro, resulta na tomada de decisão, como consta na figura abaixo. Figura 6. Processo de percepção. Fonte: elaborada pela autora. Do ponto de vista da cognição, em termos de processo de percepção, o trabalho manual é equivalente ao intelectual, consensualmente conhecido pela sociedade como sendo este o mais privilegiado. Em seu livro “Higiene e Segurança do Trabalho”, Mattos e Másculo (2021), apontam um estudo em que ao analisar várias profissões, estudiosos afirmam que o processamento mental em ambos é equivalente, formando todo o arcabouço necessário para definição de estratégias de execução como a experiência de vida do trabalhador. Assim, a atividade cognitiva está envolvida em qualquer que seja a tarefa, da mais simples à mais elaborada. 2.3.2. Atenção Este é um item importante para a apreensão de dados elementares para a interpretação de informações e tomada de decisão. A atenção pode ser dividida em: » Focalizada: a pessoa fica atenta a apenas uma fonte de informação, excluindo as demais. » Seletiva: pode prestar atenção a duas ou mais fontes, estabelecendo prioridades. » Dividida: semelhante à anterior, porém, sem escolha de qual será a mais importante. 21 INTRODUÇÃO À ERGONOMIA | UNIDADE I » Sustentada: é mantida por longo período para uma fonte de informação, porém, para detecção de sinais de pouca frequência. 2.3.2.1. Memória É um celeiro das informações recebidas pelo cérebro (Grandjean, 1998), ou seja, são aquelas guardadas no cérebro e que serão selecionadas de acordo com a necessidade de compreensão de novas informações. Ela pode ser definida conforme o tempo de acessoàs informações geradas: » Curto prazo: refere-se a eventos ou situações que ocorreram há alguns minutos ou no máximo em 2 a 3 horas. » Longo prazo: memórias de meses ou anos após os fatos ocorridos. » Tempo de reação: a partir da atenção e da busca de informações memorizadas, haverá um tempo de reação para responder voluntariamente. O tempo de reação consiste no intervalo entre a recepção do sinal no cérebro e a resposta requerida pelo processo perceptual-motor do corpo para a tomada de decisão (Mattos; Másculo, 2021). 2.3.2.2. Tomada de decisão É a escolha de uma alternativa entre outras diversas, cursos de ação ou opções possíveis e para Iida (2005), a principal dificuldade em decidir algo complexo está na baixa capacidade da memória de curto prazo. Dentre as consequências desse processo, está a ocorrência de erros. Para fins didáticos, podemos dividir em lapsos e equívocos. Os lapsos estão vinculados ao comportamento automático, onde os atos são realizados de forma inconsciente. Já os equívocos ocorrem de forma consciente, que levam a decisões incorretas (Mattos; Másculo, 2021). Além de constar como consequência para alguns autores, o erro vinculado ao trabalho está relacionado ao sistema e não necessariamente ao homem (Guimarães apud Mattos; Másculo, 2021). Porém, é de conhecimento geral que erros (humanos ou não) podem trazer graves problemas à saúde, resultando desde fatos menos graves, como os incidentes, como até a morte em acidentes de trabalho. Veja mais sobre acidente do trabalho na Lei n. 8.213/1991. Disponível em: https:// www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8213cons.htm. 2.4. Organizacional (macroergonomia) Esse domínio está associado à interação entre o ser humano, a organização, o ambiente e a máquina, envolvendo aspectos como jornada de trabalho, rigidez institucional, 22 UNIDADE I | INTRODUÇÃO À ERGONOMIA remuneração, ambiente psicossocial e físico, entre outros (Mattos; Másculo, 2021). Podemos compreender a estrutura organizacional de um sistema de trabalho, a partir de três dimensões: » complexidade ou grau de diferenciação e integração da empresa; » formalização ou nível de padronização das tarefas; » centralização das tarefas em um indivíduo ou grupo. Após entender a estrutura-base de qualquer organização, é necessário que o aluno assimile quais produtos da organização do trabalho de uma empresa influenciam no desempenho do trabalhador e que são objeto de análise da ergonomia. São eles: Figura 7. Fatores organizacionais que influenciam o desempenho no trabalho. Trabalho em turno Estresse Monotonia Fadiga Fonte: elaborada pela autora, 2018. 2.4.1. Trabalho em turno A economia moderna demanda que algumas áreas de produção de bens e serviços não paralisem suas atividades, exigindo, para tanto, a realização de trabalhos noturnos. O ciclo circadiano é o ritmo biológico e fisiológico inerente ao funcionamento da máquina humana, onde há o controle dos estados de sono e vigília por meio da atividade hormonal (Grandjean, 1998). O trabalho noturno altera essa dinâmica, podendo trazer cansaço físico, irritabilidade, redução do convívio social e familiar, incentivo ao uso de bebidas estimulantes, entre muitos transtornos físicos e mentais. Recomenda-se, minimamente, de 4 a 5 dias para adaptação (2 a 3 turnos) e uma avaliação pormenorizada do perfil do trabalhador para aquela atividade. 23 INTRODUÇÃO À ERGONOMIA | UNIDADE I 2.4.1.1. Monotonia É a reação do indivíduo a trabalhos que tenham ações não interessantes, repetitivas, prolongadas pouco ou nada complexas e/ou que demandem também controle e vigilância (Mattos; Másculo, 2021). Figura 8. Imagem do filme “Tempos Modernos”, de Charles Chaplin, 1936. Fonte: https://nucleoconsult.com.br/blog/o-modo-piloto-automatico-no-cerebro-dos-profissionais/. Existem muitos fatores pessoais associados ao surgimento da monotonia que podem ser desde a motivação pessoal até aqueles que têm sobrecarga de trabalho. 2.4.1.2. Fadiga A fadiga pode ser tanto física quanto mental, mas se resume em redução da quantidade de estímulos processados pelo cérebro, o atraso no desempenho e os ciclos irregulares entre alto e baixo desempenho, prevalecendo esse último durante a jornada de trabalho. Para minimizar o seu efeito, são demandadas pausas curtas ou longas, a depender da atividade. 2.4.1.3. Estresse Trata-se de um conjunto de perturbações psicológicas que causam sofrimento psíquico associado às situações de trabalho e de percepção do indivíduo. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o estresse é o “mal do século XX”, que já atinge nove em cada dez habitantes do planeta (Yaribeygi et al., 2017). Estresse tem o significado de adversidade ou aflição e é considerado um conjunto de reações e modificações do corpo à adaptação química e física, de forma a manter a homeostase do organismo (Yaribeygi et al., 2017). Os agentes estressores podem influenciar negativamente a capacidade de resiliência, gerando um impacto na saúde mental. Atualmente, configura como uma construção nuclear em diversas teorias contemporâneas relacionadas ao comportamento humano e à saúde, sendo amplamente 24 UNIDADE I | INTRODUÇÃO À ERGONOMIA usado para representar experiências negativas de várias origens e relacionadas a inúmeras problemáticas, como dificuldades no trabalho, relacionamentos, saúde etc. (Slavich, 2019). Ele está associado a várias doenças físicas, como as metabólicas, cardiovasculares, distúrbios do crescimento e está relacionado também ao agravamento de transtornos mentais como ansiedade e depressão. Quando o estímulo estressor é intenso e contínuo, gera prejuízos ao sistema imunológico e endócrino, levando também a alterações cardiovasculares, aumento da pressão arterial e de ritmo cardíaco, maior consumo de oxigênio pelo miocárdio e como consequência, uma maior probabilidade de doenças cardíacas graves, como o infarto agudo do miocárdio, por exemplo. O sistema nervoso autônomo e o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal são as vias de comunicação entre sistema imunológico e o cérebro. E o estresse devido às disfunções psicossociais estimulam essas vias por meio de uma cascata de reações hormonais, causando a liberação de epinefrina e norepinefrina na corrente sanguínea. Essa cascata age ativando o sistema de “luta e fuga”, provocando imunossupressão. Figura 9. Cientistas ligam o estresse às doenças do coração, 2017. Fonte: The Lancet, 2017. 25 INTRODUÇÃO À ERGONOMIA | UNIDADE I Dada essa interação entre os elementos supramencionados, caracteriza-se o estado alostático de regulação fisiológica, assim como molda as lentes pelas quais os fatores estressores são captados e percebidos pelo indivíduo. Logo, esses fatores influenciam as respostas fisiológicas e psicológicas aos estressores vividos pelas pessoas. Segundo Epel et al. (2018), quando essas respostas estão desreguladas, alteram o estado alostático e, podem em última instância, levar ao adoecimento e envelhecimento precoce. O entendimento dos pesquisadores coaduna que é a reação do organismo a uma situação ameaçadora, do ponto de vista fisiológico. Para Grandjean (1998), a discrepância entre a exigência no trabalho e a falta de recursos – sejam físicos, psíquicos ou organizacionais – resulta em um estado emocional alterado, diferente da resposta fisiológica normal do indivíduo, conforme a figura abaixo. Figura 10. Esquema sobre a base organizacional para a geração de estresse ocupacional. Nível elevado de exigência no trabalho + Recursos disponíveis (gerenciamento ) = Estado emocional alterado Fonte: elaborada pela autora, 2018. Fatores condicionantes: » supervisão e vigilância do trabalho constantes; » falta de apoio e reconhecimento; » conteúdo e carga de trabalho elevados; » atenção exigida; » sobrecarga de trabalho (metas a cumprir). O estresse pode ser dividido em três fases distintas. Na primeira fase, de alarme, o sistema neuroendócrino produz, por meio da glândulana população brasileira: uma revisão integrativa. Revista Brasileira de Terapias Cognitivas, v. 19, pp. 122-132, 2023. Disponível em: https://www. uclastresslab.org/pubs/Cazassa_RevistaBrasileira_2023.pdf. Acesso em: 27 de julho de 2024. CUNHA, D. M. Ergologia e psicossociologia do trabalho: desconforto intelectual, interseções conceituais e trabalho em comum. Cad. Psicol. Soc. Trab., São Paulo, v. 17, n. spe. 1, pp. 55-64, 2014. DOI: 10.11606/ issn.1981-0490.v17ispe1p55-64. Disponível em: https://pepsic.bvsalud.org/pdf/cpst/v17nspe/a07v17nspe. pdf. Acesso em: set. 2024. DANIELLOU, Frederich (org). A Ergonomia em busca de seus princípios: debates epistemológicos (M.I.S. Betiol, Trad.). São Paulo: E. Blucher, 2004. DEJOURS, Christophe. A Loucura do Trabalho. Cortez, 1987. DEJOURS, Christophe. O Fator Humano. FGV Editora, 1997. DEJOURS, Christophe. A banalização da injustiça social. FGV Editora, 1999. DEJOURS, Christophe. Subjetividade, trabalho e ação. Revista Produção, v. 14, n. 3, pp. 027- 034, 2004. DENGO, D. O que um ergonomista faz e quais são suas possibilidades de atuação? Disponível em: https://solucoesergonomicas.com.br/o-que-um-ergonomista-faz-e-quais-sao-suas-possibilidades- de-atuacao/#:~:text=O%20que%20faz%20um%20ergonomista%3F,do%20desempenho%20de%20 uma%20fun%C3%A7%C3%A3o. Acesso em 28 de julho de 2024. DUL, J.; WEERDMEESTER, B. Ergonomia prática. São Paulo: Editora Edgard Blücher Ltda, 1995. 147p. EPEL E. S. et al. (2018). More than a feeling: A unified view of stress measurement for population science. Frontiers in Neuroendocrinology, v. 49, pp. 146-169, 2018. Disponível em https://doi.org/10.1016/j. yfrne.2018.03.001. Acesso em set 2024. FARIAS, José Henrique. Economia política do poder. Cadernos da Escola de Negócios da UniBrasil. Curitiba: UFPR/CEPPAD, 2000. FEITOSA, L.R.C. E se a Orquestra Desafinar? Contexto de Produção e Qualidade de Vida no Trabalho dos Músicos da Orquestra Sinfônica de Teresina/PI. 2010. 152f. Dissertação (Mestrado em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações) - Instituto de Psicologia, Universidade de Brasília, Brasília, 2010. FERNANDES, Eda. Qualidade de vida no trabalho: como medir para melhorar. Salvador: Casa da Qualidade Editora, 1996. FERREIRA, Mário César. Atividade, categoria central na conceituação de trabalho em ergonomia. Aletheia, Revista de Psicologia da ULBRA, Canoas, n. 11, pp. 71-82, 2000. O sujeito forja o ambiente, o ambiente “forja” o sujeito: Mediação indivíduo-ambiente em ergonomia da atividade. In: FERREIRA, M.C.; DAL ROSSO, S. (orgs.) A Regulação Social do Trabalho. Brasília, UnB: Editora Paralelo 15, 2003. pp. 21-45. CATTANI, A. D.; HOLZMANN, L. (Org.) Dicionário de Trabalho e Tecnologia. vol. 1. Porto Alegre: UFRGS (Ed.), 2006a. pp. 84-88. FERNANDES, C. H. A.; SANTOS, P. V. S. Ergonomia: uma revisão da literatura acercada ginástica laboral. Nucleus, v. 16, n. 2, 2019. Disponível em: https://core.ac.uk/reader/268033970. Acesso em: set. 2024. 30 REFERÊNCIAS FERREIRA, Mário César; MENDES, Ana Magnólia. Trabalho e riscos de adoecimento: o caso dos auditores- fiscais da previdência social brasileira. Brasília: Ler, Pensar, Agir, 2001. FERREIRA, Mário César; ALVES, Letícia; TOSTES Natália. Gestão da Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) no Serviço Público Federal: o descompasso entre problemas e práticas gerenciais. Revista Teoria e Pesquisa, v. 25, n. 3, pp. 319-327, 2009. FERREIRA, Mário César; FREIRE, Odaléa. Carga de trabalho e rotatividade na função de frentista. Revista de Administração Contemporânea, v. 5, n. 2, pp. 175-200, 2001. FERREIRA, Rodrigo; FERREIRA, Mário César; ANTLOGA, Carla; BERGAMASCHI, Virgínia. Concepção e implantação de um programa de qualidade de vida no trabalho no setor público: o papel estratégico dos gestores. Revista de Administração, v. 44, n. 2, pp. 147-157, 2009. FIDELIS, J. F.; ZILLE, L. P.; VERSIANI DE RESENDE, F. Estresse e trabalho: o drama dos gestores de pessoas nas organizações contemporâneas. Rev. Carreiras de Pessoas, v. 10. n. 3, 2020. Disponível em https:// doi.org/10.20503/recape.v10i3.49552. Acesso em: set. 2024. FIOCRUZ. Riscos Ergonômicos. Disponível em https://www.fiocruz.br/biosseguranca/Bis/lab_virtual/ riscos_ergonomicos.html. Acesso em: set. 2024. FLAVIO, P. C. F. Avaliação dos movimentos posturais de operadores de uma produção de blocos de concreto pelo método RULA. Anais... XXXV Encontro nacional de engenharia de produção, 2015. Disponível em: https://abepro.org.br/biblioteca/TN_STO_209_240_26918.pdf. Acesso em: set. 2024. GRAMKOW, Alessandra. Inovações tecnológicas e Qualidade de Vida no Trabalho: estudo de caso na construção de edificações. Anais... 51ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Porto Alegre, 1999. GRANDJEAN, Etienne (org). Manual de ergonomia. Adaptando o trabalho ao homem. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998. GUÉRIN, François (org.). Compreender o trabalho para transformá-lo: a prática da ergonomia. 1. ed. São Paulo: Edgard Blücher Ltda, 2001. HARVEY, David. Condição pós-moderna: uma pesquisa sobre as origens da mudança cultural. São Paulo: Ed. Loyola, 1994. HACKMAN, Richard; OLDHAM, Greg. Development of the job diagnostic survey. Journal of Applied Psychology, v. 60, n. 2, pp. 159-170, 1975. HUSE, Edgar.; CUMMINGS, Thomas. Organization development and change. 3. ed. St. Paul: Minn, 1985. IIDA, Itiro. Métodos e técnicas em Ergonomia. In: IIDA, Itiro. Ergonomia: projeto e produção. São Paulo: Edgard Blücher Ltda, 2005. pp. 60-62. IIDA, Itiro; GUIMARÃES, Lia. Ergonomia: projeto e produção. 3. ed. São Paulo: Blucher, 2016. ISBN: 978- 85-212-0933-1 INDEVA GROUP BRASIL. NIOSH, equação de levantamento. Disponível em: http://indevagroup.com.br/ niosh-equacao-de-levantamento/. Acesso em: nov. de 2018. INTERNATIONAL ERGONOMICS ASSOCIATION. The discipline of Ergonomics, 2000. 31 REFERÊNCIAS JACQUES, C. Proposição de um instrumento com indicadores nacionais para monitoramento dos CERESTs. 2009, 92 f. Dissertação (Mestrado em Saúde Pública e Meio Ambiente) – Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca, Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, 2009. LAVILLE, Antoine. A Ergonomia no mundo. In: LAVILLE, Antoine. Ergonomia. São Paulo: EPU, 1977. LAZZARATO, Maurizio. As revoluções do capitalismo. Rio de janeiro: Civilização Brasileira, 2006. LEAMON, T. B. The evolution of ergonomics. Risk Management, v. 42, n. 9, pp. 4-52, 1995. LEITE, José Vieira.; FERREIRA, Mário César.; MENDES, Ana Magnólia. Mudando a gestão da Qualidade de Vida no Trabalho. Revista Psicologia: Organizações e Trabalho, v. 9, n. 2, pp. 109-123, 2009. LIMA, Helena. Gestão de Pessoas e qualidade de vida no trabalho no contexto do poder legislativo do Distrito Federal. Dissertação de Mestrado, Universidade de Brasília, Brasília, 2008. LIMONGI-FRANÇA, Ana Cristina. Qualidade de vida no trabalho: conceitos e práticas na sociedade pós-industrial. São Paulo: Editora Atlas S.A., 2004. LIPP. M.; ROCHA. J.C. Pressão Alta e Stress: O que Fazer Agora? – Um guia para a vida do hipertenso. Campinas: Papirus, 2007. Lipp, M. E. N.; Malagris, L. E. N. Estresse: aspectos históricos, teóricos e clínicos. In: RANGÉ, B. (Org.) Psicoterapias cognitivo-comportamentais: um diálogo com a psiquiatria. Porto Alegre: Artmed, 2011. MACHADO, Hilka Vier. A identidade e o contexto organizacional: Perspectivas de Análise. RAC – Revista de Administração Contemporânea, Curitiba, v. 7, n. especial, pp. 51-73, 2003. MARINHO, T. B.; SILVA, L. B.; COSTA, L. C. A.; ALCANTARA, P. G. F.; SANTOS, R. L. S. Reflexões Sobre a Capacidade para o Trabalho dos Professores das Escolas Municipais de João Pessoa. Anais... 31o Encontro Nacional de Engenharia de Produção. Belo Horizonte: ENEGEP, 2011. MARTEL, Jean Pierre.; DUPUIS, Gilles. Quality of work life: Theoretical and methodological problems, and presentation of a new model and measuring instrument. Social Indicators Research, v. 77, pp. 333-368, 2006. MARTINEZ,M. C.; LATORRE, M. R. D. O.; FISCHER, F.M. Capacidade para o trabalho: revisão de literatura. Ciência & Saúde Coletiva, v. 15, Supl. 1, pp. 1553-1561, 2010. MARTINEZ, V. M. L. A importância da ginástica laboral. Rev Bras Med Trab, ;19(4):523-528, 2021. Disponível em: https://cdn.publisher.gn1.link/rbmt.org.br/pdf/v19n4a16.pdf. Acesso set 2024. Maslach, C. & Leiter, M. P. Take this job and ...love it. Psychology Today, v. 32, pp. 50-57, 1999. MATTOS, U. A. O.; MÁSCULO, F. S. Higiene e segurança do trabalho. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2021. MAY, B.; LAU, R. S. M.; JOHNSON, S. A longitudinal study of quality of work life and business performance. Business Review, v. 58, n. 2, pp. 1-7, 1999. MCATAMNEY, L.; CORLETT, E.N. RULA: A survey method for the investigation of workrelated upper limb disorders. Applied Ergonomics, v. 24, n. 2, pp. 91-9, 1993. MIDDLESWORTH, Mark. A Step-by-Step Guide to Using the NIOSH Lifting Equation for Single Tasks, 2012. Disponível em: https://ergo-plus.com/niosh-lifting-equation-single-task/. Acesso em: 3 dez. de 2018. 32 REFERÊNCIAS MONTMOLLIN, Maurice. L’ergonomie. Paris: La Découverte, 1990. MÖRL, F.; BRADL, I. Lumbar posture and muscular activity while sitting during office work. Journal of Electromyography and Kinesiology, v. 23, n. 2, pp. 362-368, 2013. DOI: https://doi.org/10.1016/j. jelekin.2012.10. MIYAMOTO, S. T. et al. Fisioterapia preventiva atuando na ergonomia e no estresse no trabalho. Revista Fisioterapia, São Paulo, v. 6, n. 1, 1999. NADLER, David.; LAWLER, Edward. Quality of working life: perspectives and directions. Organization Dynamics, v. 11, pp. 20-30, 1983. NORMA ERG BR 1002 - Código de Deontologia do Ergonomista Certificado Aprovada na Assembleia Geral Ordinária da ABERGO [4 de setembro de 2002 | Recife, Pernambuco] e revisada no 1o Fórum de Certificação do Ergonomista Brasileiro [24 de outubro de 2003 | Ouro Preto, Minas Gerais]. ODA, L.; ÁVILA, S. et al. Biossegurança em Laboratórios de Saúde Pública. Brasília. Ministério da Saúde, 1998. ODDONE, I.; RE, A.; BRIANTE, G. Redécouvrir l’expérience ouvrière: vers une autre psychologie du travail? Les éditions sociales, 1981. PACHECO, W.; PEREIRA JR, C.; PEREIRA, V.L.S.V.; PEREIRA FILHO, H.V. A era da tecnologia da informação e comunicação e a saúde do trabalhador. Rev Bras Med Trab., v. 3, n. 2, pp. 114-122, 2005. PEREIRA, A. C. L. et al. Fatores de riscos psicossociais no trabalho: limitações para uma abordagem integral da saúde mental relacionada ao trabalho. Rev. Brasileira de Saúde Ocupacional (RBSO), n. 45, 2020. ISSN: 2317-6369 (on-line). Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/2317-6369000035118. Acesso em: fev. 2024. PORTO, T. A. Ergologia e fenomenologia: o estudo da vida no trabalho. Anais... XII Simpósio de Excelência de Gestão e Tecnologia. Disponível em: https://www.aedb.br/seget/arquivos/artigos15/38622438.pdf. Acesso em: set. 2024. RAMOS, L. F. C. O trabalho e a saúde mental dos servidores de uma IFES, usuários do programa saudavelmente: uma análise psicodinâmica. Orientadora: Prof.ª. Drª. Kátia Barbosa Macedo. 2016. 302f. Tese (Doutorado em Psicologia) – Faculdade de Psicologia, PUC Goiás, Goiânia, 2016. RODRIGUES, Mário Vidal. Qualidade de vida no trabalho: evolução e análise no nível gerencial. Fortaleza: Unifor, 1991. ROYUELA, Vicente; LÓPEZ-TAMAYO, Jordi; SURIÑACH, Jordi. The institutional VS. the academic definition of the quality of work life. What is the focus of the European Comission? Research Institute of Applied Economics, v. 13, pp. 1-15, 2007. SAMPAIO, Jader dos Reis. Qualidade de vida no trabalho e psicologia social. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2004. SANTOS, C. K. A. et al. Efeito do exercício físico no condicionamento físico, no aspecto imunológico e no estresse psicológico em pessoas que vivem com HIV. Revista CPAQV - Centro de Pesquisas Avançadas em Qualidade de Vida, v. 16, n. 2, p. 23, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.36692/V16N2-60. 33 REFERÊNCIAS SANTOS, T. M.; CAMPONOGARA, S. Um olhar sobre o trabalho de enfermagem e a ergologia. Trabalho, Educação e Saúde, v. 12, n. 1, pp. 149-163, 2014. SEGNINI, Liliana. Relações de gênero nas profissões artísticas: comparação Brasil- França. In: COSTA, A. O. (Org.). Mercado de trabalho e gênero – comparações internacionais. Rio de Janeiro: FGV Editora, 2007. pp. 337-354. SENNETT, Richard. A corrosão do caráter: consequências pessoais do trabalho no novo capitalismo. Rio de Janeiro: Record, 2001. SLAVICH, G. M. Stressnology: The primitive (and problematic) study of life stress exposure and pressing need for better measurement. Brain, Behavior, and Immunity, v. 75, pp. 3-5, 2019. Disponível em: https:// doi.org/10.1016/j.bbi.2018.08.011. Acesso em: set. 2024. 10.1016/j.bbi.2018.08.011. SILVA JUNIOR, S. H. A. Avaliação de qualidades psicométricas da versão brasileira do Índice de Capacidade para o Trabalho, 2010. Disponível em: https://www.arca.fiocruz.br/handle/icict/2333. Acesso em: 17 set. 2018. SILVA, Marco; MARCHI, Ricardo. Saúde e qualidade de vida no trabalho. Rio de Janeiro: Best Seller, 1997. SOUZA, M. C. L.; CARBALLO, F. P.; LUCCA, S. R. Fatores psicossociais e síndrome de burnout em professores da educação básica. Psicologia Escolar e Educacional, v. 27, p.e235165, 2023. Disponível em: https:// doi.org/10.1590/2175-35392023-235165. STANTON, Neville. Product design with people in mind. In: STANTON, N. (Ed.). Human factors in consumer products. London: Taylor & Francis, 1998. pp. 1-17. SCHWARTZ, Y. Uso de si e competência. In: SCHWARTZ, Y.; DURRIVEL, L. (Org.) Trabalho e Ergologia: conversas sobre a atividade humana. Niterói: Editora da UFF, 2ª ed., 2010 SCHWARTZ, Y. Os ingredientes da competência: Um exercício necessário para uma questão insolúvel. Educação e Sociedade, Campinas, v. 19, n. 65, 1998. UFSCAR. Ergo&Ação. Manual de Análise Ergonômica do trabalho. Disponível em: https://edisciplinas. usp.br. Acesso em: nov. 2018. VASCONCELOS, Anselmo. Qualidade de vida no trabalho: origem, evolução e perspectivas. Cadernos de Pesquisas em Administração, v. 8, n. 1, pp. 24-35, 2001. VIEIRA, Adriane. Qualidade de vida no trabalho e o controle da qualidade total. Florianópolis: Insular, 1996. VIEIRA, Rafaella; FERREIRA, Mário César. Qualidade de vida no trabalho. Jornal de Brasília, 2006. p. 7. VOGEL, C. C. et al. Aplicação de técnicas de simulação e de ergonomia ao processo de paletização de caixas de leite UHT: um estudo de caso. Rev. Eletrônica Scientia Plena, Paraná, v. 9, n. 6, pp. 1-12, 2013. Disponível em: https:// www.scientiaplena.org.br/sp/article/viewFile/1100/718. Acesso em: 20 jan. 2019. WACHOWICZ, Marta Cristina. Ergonomia – aspectos físicos ambientais. Apostila publicada, 2008. WALTON, Richard. Quality of work life: what is it? Cambridge: Sloan Management Review, Massachusetts, v. 15, n. 1, pp. 11-21, 1973. 34 REFERÊNCIAS WISNER, Alain. A inteligência no trabalho: textos selecionados de ergonomia. São Paulo: Fundacentro, 1977. WISNER, Alain. Questões epistemológicas em ergonomia e análise do trabalho. In: DANIELLOU, François (Org.). A Ergonomia em busca de seus princípios: debates epistemológicos. São Paulo: Edgard Blücher, 2004. pp. 29-55. TAKAHASHI, M. A. B. C. et al. Agir articulado entre atenção, reabilitação e prevenção em Saúde do Trabalhador: a experiência do CEREST-Piracicaba. Estudos do Trabalho, v. 5, 2012. Disponível em: www. bvsms.gov.br. Acesso em: 20 mar. 2015. TAKAHASHI, M. A. B. C.; KATO, M.; LEITE, R. A. O. Incapacidade, reabilitação profissional e Saúde do Trabalhador: velhas questões, novas abordagens. Rev. Bras. Saúde Ocup., São Paulo, v. 35, n. 121, pp. 7-9, 2010. Disponível em: www.bvsms. gov.br. Acesso em: 19 mar. 2015. TUOMI, K.; ILMARINE, J.; JAHKOLA, A.; KATAJARINNE, L.; TULKKI, A. Índice de Capacidade para o Trabalho. Tradução: Frida Marina Fischer (Coord.). São Carlos: UFSCar, 2010. XIAO, Y. et al. Impacts of Working From Home During COVID-19 Pandemic on Physicaland Mental Well- Being of Office Workstation Users. Journal of Occupational & Environmental Medicine, v. 63, n. 3, pp. 181-190, 2020. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33234875/. YARIBEYGI, Habib et al. The impact of stress on body function: A review. EXCLI J., v. 16, pp. 1057-1072, 2017. doi: 10.17179/excli2017-480. WATERS, T. R. et al. Applications Manual for the Revised NIOSH Lifting Equation. Cincinnati, Ohio: U.S. Department of Health and Human Services. Centers or Disease Control, 1994. Imagens AGÊNCIA BRASIL. Empregos na indústria recuam 0,4% na passagem de setembro para outubro. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2014-12/empregos-na-industria- recuam-04-na-passagem-de-setembro-para-outubro. Acesso em: set. 2024. BAIMA. C. Cientistas identificam mecanismo que liga estresse a doenças do coração. Disponível em: https://oglobo.globo.com/saude/cientistas-identificam-mecanismo-que-liga-estresse-doencas-do- coracao-20761658. Acesso em: set. 2024. BARBORA, M. L. Ginástica Laboral dentro das empresas. Disponível em http://www.dsc.ufcg.edu.br/~pet/ jornal/junho2013/materias/bem_estar.html. Acesso em: set. 2024. BERNARDO, A. Precisamos falar de burnout. Disponível em: https://saude.abril.com.br/especiais/ precisamos-falar-sobre-burnout. Acesso em: set. 2024. BOTTONE, A. RH estratégico. Qualidade do ambiente de trabalho aumenta produtividade. Disponível em https://rhestrategicoconsultoria.com.br/artigos/qualidade-do-ambiente-de-trabalho-propicia-alta- produtividade-2/. Acesso em: set. 2024. FEITOSA, L. R. C. E se a Orquestra Desafinar? Contexto de Produção e Qualidade de Vida no Trabalho dos Músicos da Orquestra Sinfônica de Teresina(PI). Dissertação (Mestrado em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações) – Instituto de Psicologia, Universidade de Brasília, Brasília, 2010. 152f. 35 REFERÊNCIAS FERREIRA, Mário César; MENDES, Ana Magnólia. Trabalho e riscos de adoecimento: o caso dos auditores-fiscais da previdência social brasileira. Brasília: Ler, Pensar, Agir, 2001. FIOCRUZ. Trabalho em computador. Disponível em: https://www.fiocruz.br/biosseguranca/Bis/lab_virtual/ trabalho-computador-nb2.htm. Acesso em: set. 2024. GRANDJEAN, Etienne (org). Manual de ergonomia. Adaptando o trabalho ao homem. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998. IIDA, Itiro. Métodos e técnicas em Ergonomia. In: IIDA, Itiro. Ergonomia: projeto e produção. São Paulo: Edgard Blücher Ltda, 2005. pp. 60-62. INSTITUTO DE PSICOLOGIA E CONTROLE DO ESTRESSE. Bem-vindo ao IPCS. Disponível em: https://www. estresse.com.br/sobre/. Acesso em: set. 2024. MCATAMNEY, L.; CORLETT, E. N. RULA: A survey method for the investigation of workrelated upper limb disorders. Applied Ergonomics, v. 24, n. 2, pp. 91-9, 1993. MATTOS, U. A. O.; MÁSCULO, F. S. Relacionamento do processo produtivo com o SIG. Higiene e Segurança do trabalho. Rio de Janeiro: Elsevier, 2021. VOGEL, C. C. et al. Aplicação de técnicas de simulação e de ergonomia ao processo de paletização de caixas de leite UHT: um estudo de caso. Rev. Eletrônica Scientia Plena, Paraná, v. 9, n. 6, pp. 1-12, 2013. Disponível em: https:// www.scientiaplena.org.br/sp/article/viewFile/1100/718. Acesso em: 20 jan. 2019. DUL, J.; WEERDMEESTER, B. Ergonomia prática. São Paulo: Editora Edgard Blücher Ltda, 1995. 147p. TIMETOAST TIMELINE. Evolucion da Ergonomia. Disponível em https://www.timetoast.com/timelines/ evolucion-de-la-ergonomia-a4a8755b-521a-42dd-a460-99cf9846c1ed. Acesso em: set. 2024. CHAPLIN, Charles. Tempos modernos. Disponível: https://nucleoconsult.com.br/blog/o-modo-piloto- automatico-no-cerebro-dos-profissionais/. Acesso em: set. 2024. UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS. Ginástica laboral é aposta de empresas que associam produtividade à qualidade de vida. Disponível em: http://www.eeffto.ufmg.br/eeffto/noticias/1064/ ginastica_laboral_e_aposta_de_empresas_que_associam_produtividade_a_q. Acesso em: set. 2024. VIDA DO TRABALHO. Eric Trist. Disponível em: https://vidanotrabalho.wordpress.com/historico/. Acesso em: nov. 2024. _Hlk178021595 _Hlk178021619 _Hlk14263442 _Hlk183508723 Introdução UNIDADE i Introdução à Ergonomia Capítulo 1 Origens e características da ergonomia Capítulo 2 Domínios de competência da ergonomia Referênciasand Mental Well- Being of Office Workstation Users. Journal of Occupational & Environmental Medicine, v. 63, n. 3, pp. 181-190, 2020. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33234875/. YARIBEYGI, Habib et al. The impact of stress on body function: A review. EXCLI J., v. 16, pp. 1057-1072, 2017. doi: 10.17179/excli2017-480. WATERS, T. R. et al. Applications Manual for the Revised NIOSH Lifting Equation. Cincinnati, Ohio: U.S. Department of Health and Human Services. Centers or Disease Control, 1994. Imagens AGÊNCIA BRASIL. Empregos na indústria recuam 0,4% na passagem de setembro para outubro. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2014-12/empregos-na-industria- recuam-04-na-passagem-de-setembro-para-outubro. Acesso em: set. 2024. BAIMA. C. Cientistas identificam mecanismo que liga estresse a doenças do coração. Disponível em: https://oglobo.globo.com/saude/cientistas-identificam-mecanismo-que-liga-estresse-doencas-do- coracao-20761658. Acesso em: set. 2024. BARBORA, M. L. Ginástica Laboral dentro das empresas. Disponível em http://www.dsc.ufcg.edu.br/~pet/ jornal/junho2013/materias/bem_estar.html. Acesso em: set. 2024. BERNARDO, A. Precisamos falar de burnout. Disponível em: https://saude.abril.com.br/especiais/ precisamos-falar-sobre-burnout. Acesso em: set. 2024. BOTTONE, A. RH estratégico. Qualidade do ambiente de trabalho aumenta produtividade. Disponível em https://rhestrategicoconsultoria.com.br/artigos/qualidade-do-ambiente-de-trabalho-propicia-alta- produtividade-2/. Acesso em: set. 2024. FEITOSA, L. R. C. E se a Orquestra Desafinar? Contexto de Produção e Qualidade de Vida no Trabalho dos Músicos da Orquestra Sinfônica de Teresina(PI). Dissertação (Mestrado em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações) – Instituto de Psicologia, Universidade de Brasília, Brasília, 2010. 152f. 35 REFERÊNCIAS FERREIRA, Mário César; MENDES, Ana Magnólia. Trabalho e riscos de adoecimento: o caso dos auditores-fiscais da previdência social brasileira. Brasília: Ler, Pensar, Agir, 2001. FIOCRUZ. Trabalho em computador. Disponível em: https://www.fiocruz.br/biosseguranca/Bis/lab_virtual/ trabalho-computador-nb2.htm. Acesso em: set. 2024. GRANDJEAN, Etienne (org). Manual de ergonomia. Adaptando o trabalho ao homem. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998. IIDA, Itiro. Métodos e técnicas em Ergonomia. In: IIDA, Itiro. Ergonomia: projeto e produção. São Paulo: Edgard Blücher Ltda, 2005. pp. 60-62. INSTITUTO DE PSICOLOGIA E CONTROLE DO ESTRESSE. Bem-vindo ao IPCS. Disponível em: https://www. estresse.com.br/sobre/. Acesso em: set. 2024. MCATAMNEY, L.; CORLETT, E. N. RULA: A survey method for the investigation of workrelated upper limb disorders. Applied Ergonomics, v. 24, n. 2, pp. 91-9, 1993. MATTOS, U. A. O.; MÁSCULO, F. S. Relacionamento do processo produtivo com o SIG. Higiene e Segurança do trabalho. Rio de Janeiro: Elsevier, 2021. VOGEL, C. C. et al. Aplicação de técnicas de simulação e de ergonomia ao processo de paletização de caixas de leite UHT: um estudo de caso. Rev. Eletrônica Scientia Plena, Paraná, v. 9, n. 6, pp. 1-12, 2013. Disponível em: https:// www.scientiaplena.org.br/sp/article/viewFile/1100/718. Acesso em: 20 jan. 2019. DUL, J.; WEERDMEESTER, B. Ergonomia prática. São Paulo: Editora Edgard Blücher Ltda, 1995. 147p. TIMETOAST TIMELINE. Evolucion da Ergonomia. Disponível em https://www.timetoast.com/timelines/ evolucion-de-la-ergonomia-a4a8755b-521a-42dd-a460-99cf9846c1ed. Acesso em: set. 2024. CHAPLIN, Charles. Tempos modernos. Disponível: https://nucleoconsult.com.br/blog/o-modo-piloto- automatico-no-cerebro-dos-profissionais/. Acesso em: set. 2024. UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS. Ginástica laboral é aposta de empresas que associam produtividade à qualidade de vida. Disponível em: http://www.eeffto.ufmg.br/eeffto/noticias/1064/ ginastica_laboral_e_aposta_de_empresas_que_associam_produtividade_a_q. Acesso em: set. 2024. VIDA DO TRABALHO. Eric Trist. Disponível em: https://vidanotrabalho.wordpress.com/historico/. Acesso em: nov. 2024. _Hlk178021595 _Hlk178021619 _Hlk14263442 _Hlk183508723 Introdução UNIDADE i Introdução à Ergonomia Capítulo 1 Origens e características da ergonomia Capítulo 2 Domínios de competência da ergonomia Referências