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ERGONOMIA
UNIDADE I
INTRODUÇÃO À ERGONOMIA
Autoria
Lígia Rocha Cavalcante Feitosa
Atualização
Elisa Maria Amate
Produção
Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ..........................................................................................................................................4
UNIDADE I
INTRODUÇÃO À ERGONOMIA ...........................................................................................................................................7
CAPÍTULO 1 
ORIGENS E CARACTERÍSTICAS DA ERGONOMIA ............................................................................................... 7
CAPÍTULO 2 
DOMÍNIOS DE COMPETÊNCIA DA ERGONOMIA ............................................................................................ 14
REFERÊNCIAS ........................................................................................................................................28
4
INTRODUÇÃO
A ergonomia é a ciência que estuda a adaptação do ambiente de trabalho ao homem, 
tendo como fundamento o conhecimento das características morfológicas e psicoafetivas 
dos trabalhadores, individual e coletivamente.
A adaptação do trabalho ao homem requer a observação detida, minuciosa e detalhada 
de todas as variáveis que envolvem o processo produtivo de trabalho: vai desde a análise 
do indivíduo, posto de trabalho, máquinas e equipamentos, como qualquer relação 
produtora de bens e serviços, isto é, atividade produtiva existente (IIDA, 2005).
Comparada às demais ciências que tiveram a sua origem esquecida após séculos do seu 
surgimento, a ergonomia nasceu oficialmente em julho de 1949, na Inglaterra, após a 
reunião de pesquisadores e cientistas que utilizariam todo o aprendizado oriundo das 
grandes guerras mundiais para o mundo do trabalho.
Alguns atribuem à França como sendo o local de origem da ergonomia. Contudo, 
independente de onde tenha surgido, é área de conhecimento que requer estudo e 
aprofundamento, pela magnitude que apresenta. Ora, cabe esclarecer que até a própria 
Norma Regulamentadora (NR) 17 trouxe em seu bojo os domínios de especialização da 
ergonomia: física, cognitiva e organizacional.
Destarte, a ergonomia pode intervir na relação homem/máquina, homem/ambiente 
e homem/homem para além da prevenção de agravos relacionados à saúde ou 
produtividade humanas, trazendo em si, regras essenciais ao conforto e ao bem-estar 
do trabalhador.
Como disciplina, busca compreender as interações dos trabalhadores e demais elementos 
de um sistema; já como profissão, aplica os pressupostos, princípios e metodologias 
diversas para projetos interventivos no modus operandi humano ou no sistema como 
um todo (IEA, 2000).
Portanto, aqui o aluno terá a possibilidade de conhecer um pouco mais sobre essa 
disciplina, no intuito de compreender o surgimento e a história natural da ergonomia, 
os seus domínios de especialização, fatores que compreendem as relações de trabalho 
e o processo produtivo, ferramentas utilizadas para a análise ergonômica e ser instigado 
a ampliar o seu conhecimento no campo da saúde do trabalhador, a fim de que possa 
contribuir para a qualidade de vida no trabalho.
5
INTRODUÇÃO
Objetivos 
 » Conhecer a definição de ergonomia e o contexto histórico de onde advém as 
principais premissas deste campo do conhecimento, incluindo-se aqui a relação 
homem x trabalho como determinante na produção de “saúde” e “doença”.
 » Identificar a interferência dos processos produtivos na saúde do trabalhador, no 
intuito de identificar que o fator humano é apenas uma variável de ajuste para a 
redução do adoecimento do ser “trabalhador”.
 » Reconhecer as principais ferramentas utilizadas para a Análise Ergonômica do 
Trabalho, instigando ao aprofundamento de cada técnica.
 » Aprender a detectar eventuais problemas ergonômicos nos espaços funcionais e 
nos postos/áreas de trabalho com proposições de soluções embasadas em projetos 
integrados que visam à qualidade e ao bem-estar do trabalhador.
7
UNIDADE IINTRODUÇÃO À 
ERGONOMIA 
CAPÍTULO 1 
ORIGENS E CARACTERÍSTICAS DA ERGONOMIA
1.1. Conceito de atividade 
O trabalho é uma atividade representativa do resultado e do valor agregado a um 
determinado bem e/ou serviço no contexto de produção. A forma como os indivíduos 
realizam a atividade e o que eles produzem impactam a visão de mundo que eles têm 
a respeito do que, como e por que fazem algo no decorrer do processo de trabalho. 
Para o indivíduo identificar-se com o trabalho que realiza, é necessário que o faça de 
maneira eficiente e com resultados; que represente bem-estar; que seja moralmente 
aceitável; que seja favorável às relações satisfatórias entre pares; que garanta segurança 
e autonomia; e que possibilite a criatividade no executar (Machado, 2003).
O trabalhador se identifica na organização quando se vincula ao perfil da atividade, 
tendo espaço para agir e interagir no cotidiano do trabalho (Farias, 2000). O contexto 
de trabalho, consequentemente, deve garantir ao trabalhador um espaço bem definido 
pelos valores, normas e crenças organizacionais que serão apoiados pelas condições 
de trabalho favoráveis e, ainda, que possibilitem a dimensão social entre pares no lócus 
do trabalho (Ferreira; Mendes, 2003).
Considerando esse pressuposto, qual de fato deve ser a variável de ajuste: o trabalhador ou 
seu contexto de trabalho? O trabalhador é forjado ou é o seu contexto de trabalho? Para 
respondermos tais questionamentos, a Ergonomia, desde a sua origem, discute tais papéis. 
1.1.1. De onde vieram e quais são as características da 
ergonomia da atividade?
Etimologicamente, a palavra ‘ergonomia’ é composta pelos termos ‘ergon’ + ‘nomos’, 
significando, ambos, ‘trabalho e normas com leis naturais’, respectivamente. Em suma, 
pode-se apreender que a palavra representa os preceitos da forma adequada de se trabalhar 
8
UNIDADE I | INTRODUÇÃO À ERGONOMIA
normas e leis naturais do trabalho (Grandjean, 1998; Iida, 2005). O primeiro registro de uso 
da palavra ‘ergonomia’ foi primeiramente utilizado no ano de 1947, na Grã-Bretanha, pelo 
engenheiro Murrel, apoiado pelo fisiologista Floyd e pelo psicólogo Welford.
Aqui, foram trazidas as perspectivas conceituais e caracterizadoras da ergonomia, 
baseadas em sua origem e em seu principal objeto de estudo.
No contexto social, houve a consolidação da ergonomia, principalmente para atender a 
um nicho específico: o das grandes guerras. Foi por meio das necessidades militares e 
tecnológicas prementes da Primeira e da Segunda Guerra Mundial, entre 1914-1917 e 
1939-1945, que ocorreu a propulsão de pesquisas a respeito da relação homem/trabalho 
(Iida, 2005). Os principais fisiologistas e psicólogos da época foram incumbidos de 
promover o projeto bélico, melhorando e aumentando a produção de armamentos, 
com a finalidade de melhorar o desempenho da indústria bélica, diminuir fadiga, erros 
e acidentes entre os trabalhadores. Ainda que o início tenha ocorrido no contexto 
de guerra, os conhecimentos adquiridos naquelas experiências foram aplicados, 
posteriormente, na produção civil (Feitosa, 2010).
Assim, a ‘ergonomia’ foi disseminada formalmente após a Segunda Guerra Mundial, 
quando cientistas britânicos se utilizaram desse termo para descrever os aspectos 
anatômicos, fisiológicos e psicológicos que começavam a ser aplicados para compreender 
a relação entre seres humanos e seu ambiente de trabalho (Leamon, 1995). Porém, 
somente em 1949 esse termo obteve o reconhecimento oficial perante a comunidade 
científica, quando foi constituída a Ergonomic Research Society – a primeira sociedade de 
Ergonomia– definida como “o estudo do relacionamento entre o homem e seu trabalho, 
equipamento, ambiente e, particularmente, a aplicação dos conhecimentos de anatomia, 
fisiologia e psicologia na solução dos problemas que surgem desse relacionamento” 
(Iida, 2005, p. 2).
Figura 1. A “Ergonomic Research Society”, Grã-Bretanha, 1949.Fonte: Time Toast Timelines, 2024. 
9
INTRODUÇÃO À ERGONOMIA | UNIDADE I
Segundo Wisner (2004), a ergonomia surgiu em meados dos anos 1950, na França, 
consolidando-se apenas na década seguinte (1960). Tal consolidação foi legitimada 
com a criação do primeiro laboratório de “estudos fisiológicos” – lembrando que, nesse, 
caso a palavra ergonomia foi desconsiderada, e tal laboratório foi criado para realizar 
estudos e pesquisas na área (Wisner, 2004).
O campo da ergonomia da atividade foi sendo construído e fundamentado na 
constatação dos efeitos deletérios na saúde humana produzidos pela administração 
científica do trabalho e seus modelos clássicos de produção estruturados em princípios 
taylor-fordistas. Nesses modelos, a ideia era guiada por um paradigma, vigente no início 
do século XX, no qual o homem se adapta ao trabalho enquanto variável de ajuste e em 
cuja máxima reside a concepção de um “operário médio” bem treinado e que trabalhe 
em um posto estável (Wisner, 1977).
Diferentemente disso, a ergonomia da atividade sustenta-se na inversão desse 
paradigma, ou seja, a necessidade de adaptar o trabalho para quem trabalha (Ferreira, 
2008), integrando em suas análises a variabilidade (intra e inter) individual dos 
trabalhadores, noção desconsiderada nos pressupostos de feição taylor-fordistas. Para 
a ergonomia, o operário médio bem treinado e que trabalha em um posto estável é 
um “mito”, muito bem aceito por sinal, que, entretanto, não corresponde à realidade 
da variabilidade humana, uma vez que pressupõe a padronização de performances 
sem considerar adequadamente as capacidades (fisiológicas e psicológicas) e limites 
de funcionamento do ser humano (Ferreira, 2008).
Na perspectiva de expansão, a ergonomia apresentou-se sob duas dimensões, conforme 
segue abaixo:
 » dos estudos empenhados na adaptação da máquina ao homem; 
 » dos estudos direcionados à adaptação do trabalho ao homem.
No pós-guerra, mais especificamente nos Estados Unidos, a ergonomia foi fortalecida 
com a criação do Human Factors Society (Sociedade de Fatores Humanos), que 
possibilitou associação verossimilhante com o termo ergonomia (Iida, 2005). Na década 
de 1990, houve uma alteração na nomenclatura dessa instituição para Human Factors and 
Ergonomics Society, o que significou maior representatividade ao termo e ao interesse 
pela área de conhecimento, caracterizando, assim, a abordagem anglo-saxônica da 
ergonomia (Feitosa, 2010).
Em consonância com os pressupostos da corrente anglo-saxônica, segundo a abordagem 
da International Ergonomics Association (IEA), a ergonomia define-se por ser:
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UNIDADE I | INTRODUÇÃO À ERGONOMIA
A disciplina que trata da compreensão das interações entre os seres 
humanos e outros elementos de um sistema. [...] os ergonomistas 
contribuem para o planejamento, projeto e avaliação de tarefas, postos 
de trabalho, produtos, ambientes e sistemas para torná-los compatíveis 
com as necessidades, habilidades e limitações das pessoas.
(International Ergonomics Association, 2000).
Aqui se observa o início da evolução conceitual do termo ergonomia, repercutindo nas 
possibilidades de atuação do ergonomista e na reflexão da dimensão de análise indivíduo 
versus trabalho. Nessa mesma ótica, o objetivo da ergonomia é ter eficiência e eficácia 
na condução das atividades humanas para o alcance dos objetivos organizacionais. Para 
tanto, é imprescindível que haja a redução da fadiga e do estresse, possibilitando o 
aumento da segurança, garantia do conforto e da satisfação das pessoas (Stanton,1998; 
Iida, 2005).
Já na a dimensão franco-belga, a ergonomia é definida como “[...] um conjunto de 
conhecimentos científicos, relativos ao homem e necessários para a concepção de 
ferramentas, máquinas e dispositivos que possam ser utilizados com o máximo conforto, 
segurança e eficácia” (Wisner, 1977, p.12).
No contexto dos países francofônicos, a concepção de ergonomia apresentava-se 
diferente dos pressupostos do Human Factors. Aqui, a preocupação estava centrada em 
conceber novos postos de trabalho a partir da situação real de trabalho, elaborando-se 
análise da atividade nessa situação. Essa concepção também foi influenciada pelo período 
pós-guerra, bem como pelas demandas de reconstrução do polo industrial europeu, que 
teve as primeiras investigações nessa abordagem em fábricas de automóveis (Wisner, 
1977, p. 12).
Posteriormente, os estudos empenhados na compreensão da relação ser humano/
trabalho deram origem à Análise Ergonômica do Trabalho (Wisner, 2004). Dessa forma, 
o enfoque está no contexto real de trabalho, entendendo que os trabalhadores são 
sujeitos atuantes nessa análise (Laville, 2001).
Em suma, sintetizando os parágrafos anteriores, a ergonomia anglo-saxônica (Human 
Factors) dá prioridade à relação homem/máquina, enquanto a ergonomia francofônica 
está preocupada, substancialmente, em compreender o contexto de trabalho nas 
suas complexidades e contradições (Wisner, 2004). É importante ressaltar que as duas 
abordagens não existem no intuito de serem eleitas como a mais ou menos eficazes, 
mas como construtos complementares ao estudo da demanda da realidade de trabalho 
a ser investigada. O quadro 1 apresenta um resumo das características e dimensões 
analíticas das abordagens anglo-saxônica e francofônica da ergonomia.
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INTRODUÇÃO À ERGONOMIA | UNIDADE I
Quadro 1. Características e dimensões das abordagens anglo-saxônica e francofônica.
Características Anglo-Saxônica Francofônica
Quanto à origem
Tradicional, com forte 
influência americana
Mais recente, com forte 
influência francesa
Da Ergonomia
Ciência do trabalho aplicada 
ao contexto de projeto
Estudo específico do 
trabalho orientado para a 
avaliação dos contextos de 
trabalho
Quanto aos objetivos
Adaptação da máquina 
ao homem, melhoria das 
condições de trabalho e 
cuidados com a segurança
Análise do trabalho (tarefa 
e atividade)
Da pesquisa
Experimentos em laboratório, 
predomínio do delineamento 
quantitativo, possibilidade 
de generalização. Análise 
antropométrica e fisiológica
Análise de processos, das 
atividades, das tarefas, 
observações e registro do 
trabalho real, predomínio 
do delineamento 
qualitativo. Análise 
psicológica e cognitiva
Quanto ao foco analítico
Nas características do 
trabalhador
Na atividade do 
trabalhador
Da tarefa Prescrita
Entre o prescrito e o real, 
ênfase na atividade
Quanto à atividade de 
trabalho
Considerada como estática, 
reduzida a movimentos do 
corpo humano
Considerada com 
dinâmica, enfoque tanto na 
variabilidade do contexto 
quanto na variabilidade do 
trabalhador
Quanto aos aspectos 
do trabalhador a serem 
investigados
Características anatômicas e 
psicológicas gerais
Comportamentos físicos e 
mentais
Fonte: Feitosa, 2010.
Diante da demonstração inegável da evolução social e conceitual da ergonomia, pode-
se constatar que essa ciência veio para acompanhar os avanços dos conhecimentos 
científicos e sanar os problemas no contexto de trabalho, tendo como ponto fundamental 
a saúde dos trabalhadores e a eficácia econômica (Laville, 1977; Daniellou, 2004).
Baseada nos pressupostos da corrente franco-belga e alicerçada nesse contexto de 
mudanças teórico-metodológicas que envolveram a ergonomia, vamos discorrer um 
pouco mais a respeito da ergonomia da atividade.
A ergonomia da atividade se destaca por sua praticidade aliada intrinsecamente às 
situações reais de trabalho. Constitui-se enquanto abordagem científica interessada 
em investigar a relação entre os trabalhadores e o contexto de produção (Ferreira; 
Mendes, 2003). 
12
UNIDADE I | INTRODUÇÃO À ERGONOMIA
Tem por principal característica o estudo da relação homem-trabalho, baseado em três 
dimensões de análise interdependentes, a saber:
 » os indivíduos (trabalhadores, consumidores, usuários);
 » as atividades (de trabalho, uso e consumo); 
 » os ambientes (de trabalho, consumo, prestação de serviços).
Além disso, também tem como característica o enfoqueinterdisciplinar na psicologia 
e fisiologia, principalmente, e interface com outras disciplinas científicas aplicadas, 
tais como a engenharia, a administração e a arquitetura. E, finalmente, empreende 
entender o trabalho ou as situações de uso de bens e serviços em um viés de 
transformação dos ambientes e dos seres humanos ali envolvidos, formulando e 
aplicando medidas que visem adaptar tarefas, serviços e produtos aos indivíduos 
que neles atuem (Ferreira, 2003).
Fora os aspectos já citados, a ergonomia da atividade é uma abordagem focada no 
homem (antropocêntrica) e humanizadora dos espaços de trabalho (Ferreira, 2003), 
buscando alocar o processo de humanização do ambiente e do indivíduo no cerne das 
práticas diárias e políticas dos gestores organizacionais (Feitosa, 2010).
Desse modo, a ergonomia da atividade tem como principal objetivo a eficácia dos 
processos produtivos e privilegiar o bem-estar dos trabalhadores, promovendo 
a transformação das condições laborais e a adaptação do contexto de trabalho à 
necessidade de todos. Compreende também os indicadores críticos existentes no 
contexto de trabalho, para que haja transformação com compromisso real de todos 
os envolvidos, contemplando desde as necessidades e os objetivos de trabalhadores, 
gestores, usuários e consumidores aos organizacionais (Ferreira; Mendes, 2003).
Para tanto, a produção teórica em ergonomia da atividade opera uma distinção 
importante entre os conceitos de tarefa e atividade. O conceito de tarefa expressa 
o trabalho prescrito que estabelece, principalmente, o que e como o trabalho será 
executado, dando visibilidade aos “braços invisíveis” da organização do trabalho, cuja 
pretensão é, em certa medida, fixar os “trilhos da atividade” (Ferreira; Mendes, 2001).
Assim, a tarefa, que representa um quadro formalizado pela organização não corresponde 
necessariamente à atividade. Ou seja, o trabalho efetivo dos trabalhadores se trata, 
portanto, de uma imposição ao trabalhador e constitui um referencial indispensável 
para que ele possa agir (Guérin et al., 2001).
13
INTRODUÇÃO À ERGONOMIA | UNIDADE I
Em que consiste a atividade? Ela consiste na utilização do corpo e da inteligência 
para realizar as tarefas e integra diversos aspectos, logicamente concatenados em 
extrair as informações de algum lugar, decidir a ação sobre comandos, a adoção de 
posturas diferentes, a execução de esforços, os deslocamentos e as comunicações com 
outras pessoas (Abrahão; Sznelwar, 2008). Ferreira e Mendes (2001) ressaltam que, na 
ergonomia, a atividade aparece inseparável, em amplo entendimento, de um corpo no 
espaço e de um contexto sociotécnico, figurando-se em uma categoria teórica central, 
pragmática, sem vocação para a abstração.
Dessa forma, segundo Abrahão e Sznelwar (2008), a ergonomia da atividade tem como 
missão orientar-se para a melhoria da qualidade de vida e bem-estar dos trabalhadores, 
auxiliando as ciências do trabalho, diante de um contexto empresarial da organização 
pouco ou nada flexível nesse início de século. Os autores ainda afirmam que flexíveis 
mesmo são os trabalhadores.
Um ponto importante a ser evidenciado se refere à descontinuidade existente entre o 
trabalho prescrito (tarefa prescrita) e o trabalho real (a atividade) dos trabalhadores. 
Isso constitui uma dimensão crucial a ser investigada, buscando-se identificar e analisar 
principalmente o custo humano do trabalho, conceito detalhado em tópico específico 
nos próximos capítulos.
Para trabalhar bem, os trabalhadores “elaboram estratégias operatórias para responder 
às exigências físicas, cognitivas e afetivas inerentes às tarefas e às condições de trabalho 
disponibilizadas pela organização” (Feitosa, 2010, p. 52).
Outro ponto fundamental a ser comentado se refere a algumas características da 
ergonomia que autorizam sua interlocução com a abordagem de QVT preventiva. Nesse 
sentido, destacam-se:
 » seu caráter multidisciplinar e aplicado que articula diversos saberes e profissionais 
para a produção de conhecimento sobre um mesmo objeto;
 » o foco no bem-estar dos trabalhadores e na eficácia dos processos produtivos;
 » a adaptação do contexto de trabalho a quem nele trabalha;
 » a transformação dos ambientes de trabalho com foco no bem-estar dos 
trabalhadores, na prevenção de agravos à saúde, compatibilizando esses aspectos 
com a eficiência e eficácia dos processos produtivos.
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CAPÍTULO 2 
DOMÍNIOS DE COMPETÊNCIA DA ERGONOMIA
A ergonomia analisa a adaptação do trabalho ao ser humano e o seu comportamento 
no ambiente de trabalho, enfocando:
 » o indivíduo, enquanto características físicas e psicológicas;
 » a máquina; 
 » as condições ambientais e a organização do trabalho (Matos; Masculo, 2021).
Na sequência, apresentaremos de forma resumida os três domínios da ergonomia: físico, 
cognitivo e organizacional.
2.1. Físico
2.1.1. Antropometria
Trata das medidas corporais dos trabalhadores, que apresentam diferenças nas 
proporções de cada segmento do corpo. Ela analisa as medidas físicas de muitos 
indivíduos de várias populações para observar o grau de adequação dos indivíduos aos 
equipamentos, instrumentos e outros artefatos (Matos; Masculo, 2021; Grandjean, 1998). 
Porém, não considera apenas o valor médio das medidas na construção desses artefatos, 
ela leva em consideração as diferenças corporais de vários usuários em potencial, 
principalmente os usuários extremos, considerando- se assim os valores mínimos e 
máximos de segmentos corporais levantados pela pesquisa populacional, por exemplo.
2.1.1.1. Sexo, idade e deficiência física
Considera as diferenças observadas entre indivíduos de sexos e idades diferentes 
e, ainda, com capacidade residual para determinada atividade. Homens e mulheres 
apresentam diferenças antropométricas significativas, bem como toda uma fisiologia 
corporal inerente a cada gênero (Iida, 2005). Na situação de trabalho, fatores envolvidos 
com a idade, tipo de trabalho e pessoas com deficiência ou não devem ser considerados 
na avaliação da atividade e carga que ela pode gerar naquele indivíduo.
2.1.1.2. Biomecânica ocupacional
Estuda a máquina humana, sob a ótica dos movimentos musculoesqueléticos envolvidos 
na interação do homem com o trabalho e as suas consequências (Iida, 2005). Em suma, 
avalia as posturas corporais e a aplicação de forças durante o trabalho:
15
INTRODUÇÃO À ERGONOMIA | UNIDADE I
 » movimentos de segmentos corporais;
 » adoção e manutenção de posturas;
 » duração de um movimento ou postura.
2.1.1.3. Adoção de posturas
É a adoção de uma postura e a manutenção da combinação de movimentos executados 
pelos segmentos corporais (cabeça, tronco e membros) (Mattos; Másculo, 2021). São 
adotadas a partir de um esforço do conjunto do sistema locomotor, chamado também 
de musculoesquelético.
 » trabalho muscular dinâmico (rítmico);
 » caracterizado pela contração (tensionamento) e extensão (afrouxamento) da 
musculatura no trabalho dinâmico, o músculo recebe um maior volume de sangue, 
tendo-se a eliminação de resíduos do músculo, com maior gasto energético;
 » trabalho muscular estático (postural).
Já no trabalho muscular estático, existe um estado de contração prolongada da 
musculatura, onde a circulação fica restrita à pressão interna sobre o tecido muscular, 
sem recepção de nutrientes e eliminação de resíduos do músculo, gerando a dor muscular.
Figura 2. Posturas do trabalho em computador (incorreta e correta), 2024.
Fonte: Fiocruz, 2024.
Segundo Iida (2005), as posturas básicas são: de pé, sentado e deitado. Na postura de 
pé, apenas há apoio nas pernas e pés, exigindo mais do que as outras posturas. Contudo, 
estar sentado(a) por tempo prolongado pode forçar as estruturas musculoesqueléticas 
da coluna vertebral, quadril e membros inferiores, necessitando de pausas durante a 
jornada de trabalho. Deitada, a pessoa não tem contração em nenhum segmento e 
o consumo energético é mínimo, sendo a mais recomendada para a recuperação da 
fadiga(Grandjean, 1998).
16
UNIDADE I | INTRODUÇÃO À ERGONOMIA
As posturas inadequadas podem trazer graves problemas à saúde do sistema 
musculoesquelético, que vão desde desconfortos a deformidades em diversos segmentos 
corporais (Mattos; Másculo, 2021).
Figura 3. Posturas inadequadas.
Fonte: adaptada de Iida, 2005.
Quadro 2. Assunção de posturas e os riscos de dores nos segmentos corporais.
Postura Risco de dores
Em pé Pés e pernas (varizes)
Sentado sem encosto Músculos extensores das costas
Assento muito alto
Membros inferiores (pernas, 
joelhos e pés)
Assento muito baixo Costas e pescoço
Braços em elevação Ombros e braços
Manejo inadequado Antebraço e punhos
Fonte: adaptado de Grandjean, 1998.
No quadro a seguir, existem algumas recomendações básicas e amplas da 
biomecânica corporal para evitar os desconfortos e adoecimentos osteomusculares 
motivados pelo trabalho.
Quadro 3. Alguns princípios da biomecânica ocupacional.
Posição neutra Limitar a duração de esforço 
muscular contínuo
Minimizar a flexão de tronco e pescoço Buscar paradas curtas frequentes ao invés 
de única parada longa
Evitar rotação de tronco Preferência ao trabalho com MMSS
Movimentos bruscos devem ser 
evitados Evitar trabalho repetitivo
Alternar postura e movimentos Entre outros
Fonte: adaptado de Mattos e Másculo, 2021.
17
INTRODUÇÃO À ERGONOMIA | UNIDADE I
2.2. Técnicas de avaliação da biomecânica
Durante uma jornada de trabalho, um trabalhador pode assumir várias posturas e realizar 
diversas movimentações dos segmentos, gerando a demanda física desses. Para conhecer 
quais grupos musculares estão sendo exigidos e a atividade executada, é necessária a 
realização da avaliação da biomecânica, considerando-se para tanto:
 » nível da demanda física;
 » postura ocupacional:
 › amplitude de movimentos;
 › força envolvida;
 › repetitividade;
 › tempo de movimentação.
O que é trabalho repetitivo? Segundo McAtammey e Corllet (1993), é aquele cujo ciclo 
é executado mais de quatro vezes por minuto.
2.2.1. Instrumentos de avaliação
Os instrumentos de avaliação podem ser:
 » Qualitativos: são aqueles que levam em consideração as percepções e respostas 
dos trabalhadores.
 » Semiquantitativos: é um mix de respostas e percepções dos trabalhadores com 
medidas diretas e em tempo real da biomecânica envolvida no trabalho. São alguns 
exemplos de instrumentos de avaliação da biomecânica do tipo semiquantitativo: 
OWAS, RULA, NIOSH, Mapa de Regiões.
 » Quantitativos: existe uma medida direta das medidas corporais. Um exemplo é 
a dinamometria, que faz a mensuração direta da força aplicada pelo trabalhador.
2.2.2. Uso de equipamentos nos postos de trabalho
2.2.2.1. Manejo
As mãos e os pés são ferramentas naturais de qualquer ser humano. As ferramentas e 
todo instrumental usado no trabalho podem ser considerados como extensões daqueles 
(Mattos; Másculo, 2021). Em um engate ou em uma preensão há a transmissão dos 
18
UNIDADE I | INTRODUÇÃO À ERGONOMIA
movimentos do homem para a máquina. Portanto, o manejo é utilizado essencialmente 
entre os MMSS e MMII e pode ser considerado, segundo Paschoarelli e Couri (2000): 
 » Fino ou pega: elevado nível de precisão e velocidade, com aplicação de pouca força.
 » Grosseiro ou empunhadura: realizado pelos punhos e braços, tem mais força e 
menos precisão que o anterior.
 » Contato simples: movimento dinâmico em que a força é transmitida em um só 
sentido.
 » Quanto ao formato pode ser:
 › Geométrico: similar a uma forma geométrica, com pouca superfície de contato 
com as mãos.
 › Antropomorfo: superfície irregular, conformando-se à anatomia do segmento 
corporal envolvido na preensão.
2.2.2.2. Controle e mostradores
Segundo Grandjean (1998) e Iida (2005), o canal onde há a troca de informações entre 
homens e máquinas acontece por meio de telas, monitores, textos, sinais, símbolos etc., 
cujo repertório deve ser de conhecimento do operador. Isto é, quem opera a máquina, 
deve deter o saber de como interpretar tal linguagem, seja ela escrita ou por sinal. 
Em resumo, os dispositivos informacionais são acionados pelo ser humano e por ele 
percebidos, assim como mostra a figura abaixo.
Figura 4. A interação entre o ser humano, a tarefa e a máquina.
Máquina Ser humano
Fonte: Grandjean, 1998.
19
INTRODUÇÃO À ERGONOMIA | UNIDADE I
Grandjean (1998), descreve algumas características essenciais para a operação de 
máquinas e seus dispositivos de controle, estabelecendo aspectos de crucial importância 
para a boa adaptação da máquina ao homem, tais como:
 » teclas, teclado ou outros dispositivos de acionamento serem discrimináveis pelo tato;
 » ter cuidado com o contraste de cores; fácil alcance entre altura do cotovelo e ombros; 
 » ter distância em si adaptada às características do operador, entre outras.
Já os mostradores, podem ser do tipo quantitativo e qualitativo, a depender da leitura 
instantânea ou não do dado em tempo real (IIDA, 2005):
 » Quantitativo: referente a uma variável mensurável, como volume, pressão, peso e 
temperatura. Pode ser analógico ou digital.
 » Qualitativo: permite leitura de verificação, como indicador de T do motor do carro.
2.3. Cognitivo
Os aspectos cognitivos da ergonomia estão vinculados à carga mental envolvida no 
trabalho, e interferem sobremaneira nas habilidades psicomotoras, perceptuais e 
sensoriais, em respostas efetivas e motivação na aprendizagem, atenção e dinâmica do 
trabalho em grupo (Gradjean, 1998; Iida, 2005; Mattos; Másculo, 2021).
E o que é cognição? Conforme Wickano (1984), é o “ato ou processo de conhecer, 
envolvendo atenção, percepção, memória, raciocínio, juízo, imaginação, pensamento 
e discurso”.
Portanto, o principal questionamento da ergonomia cognitiva para a investigação da 
sobrecarga da atividade na saúde humana ou até mesmo a análise da atividade, é “Qual 
o conteúdo mental envolvido em tal atividade? Assim, com base nos estudos da área, 
abordaremos os aspectos do domínio cognitivo da ergonomia na figura 3.
Figura 5. Aspectos de estudo da ergonomia cognitiva.
Fonte: adaptada de Mattos e Másculo, 2021.
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UNIDADE I | INTRODUÇÃO À ERGONOMIA
2.3.1. Percepção, interpretação e processamento mental
Trata-se do processamento da informação no sistema humano – tarefa-máquina 
(Grandjean, 1998), onde a assimilação de dados novos, com aqueles armazenados no 
cérebro, resulta na tomada de decisão, como consta na figura abaixo.
Figura 6. Processo de percepção.
Fonte: elaborada pela autora.
Do ponto de vista da cognição, em termos de processo de percepção, o trabalho manual 
é equivalente ao intelectual, consensualmente conhecido pela sociedade como sendo 
este o mais privilegiado. Em seu livro “Higiene e Segurança do Trabalho”, Mattos e 
Másculo (2021), apontam um estudo em que ao analisar várias profissões, estudiosos 
afirmam que o processamento mental em ambos é equivalente, formando todo o 
arcabouço necessário para definição de estratégias de execução como a experiência de 
vida do trabalhador. Assim, a atividade cognitiva está envolvida em qualquer que seja 
a tarefa, da mais simples à mais elaborada.
2.3.2. Atenção
Este é um item importante para a apreensão de dados elementares para a interpretação 
de informações e tomada de decisão. A atenção pode ser dividida em:
 » Focalizada: a pessoa fica atenta a apenas uma fonte de informação, excluindo 
as demais.
 » Seletiva: pode prestar atenção a duas ou mais fontes, estabelecendo prioridades.
 » Dividida: semelhante à anterior, porém, sem escolha de qual será a mais importante.
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INTRODUÇÃO À ERGONOMIA | UNIDADE I
 » Sustentada: é mantida por longo período para uma fonte de informação, porém, 
para detecção de sinais de pouca frequência.
2.3.2.1. Memória
É um celeiro das informações recebidas pelo cérebro (Grandjean, 1998), ou seja, são 
aquelas guardadas no cérebro e que serão selecionadas de acordo com a necessidade 
de compreensão de novas informações. Ela pode ser definida conforme o tempo de 
acessoàs informações geradas:
 » Curto prazo: refere-se a eventos ou situações que ocorreram há alguns minutos 
ou no máximo em 2 a 3 horas.
 » Longo prazo: memórias de meses ou anos após os fatos ocorridos.
 » Tempo de reação: a partir da atenção e da busca de informações memorizadas, 
haverá um tempo de reação para responder voluntariamente. O tempo de reação 
consiste no intervalo entre a recepção do sinal no cérebro e a resposta requerida 
pelo processo perceptual-motor do corpo para a tomada de decisão (Mattos; 
Másculo, 2021).
2.3.2.2. Tomada de decisão
É a escolha de uma alternativa entre outras diversas, cursos de ação ou opções possíveis 
e para Iida (2005), a principal dificuldade em decidir algo complexo está na baixa 
capacidade da memória de curto prazo. Dentre as consequências desse processo, está 
a ocorrência de erros. Para fins didáticos, podemos dividir em lapsos e equívocos.
Os lapsos estão vinculados ao comportamento automático, onde os atos são realizados 
de forma inconsciente. Já os equívocos ocorrem de forma consciente, que levam a 
decisões incorretas (Mattos; Másculo, 2021).
Além de constar como consequência para alguns autores, o erro vinculado ao trabalho 
está relacionado ao sistema e não necessariamente ao homem (Guimarães apud Mattos; 
Másculo, 2021). Porém, é de conhecimento geral que erros (humanos ou não) podem 
trazer graves problemas à saúde, resultando desde fatos menos graves, como os 
incidentes, como até a morte em acidentes de trabalho.
Veja mais sobre acidente do trabalho na Lei n. 8.213/1991. Disponível em: https://
www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8213cons.htm.
2.4. Organizacional (macroergonomia)
Esse domínio está associado à interação entre o ser humano, a organização, o ambiente 
e a máquina, envolvendo aspectos como jornada de trabalho, rigidez institucional, 
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UNIDADE I | INTRODUÇÃO À ERGONOMIA
remuneração, ambiente psicossocial e físico, entre outros (Mattos; Másculo, 2021). 
Podemos compreender a estrutura organizacional de um sistema de trabalho, a partir 
de três dimensões:
 » complexidade ou grau de diferenciação e integração da empresa;
 » formalização ou nível de padronização das tarefas;
 » centralização das tarefas em um indivíduo ou grupo.
Após entender a estrutura-base de qualquer organização, é necessário que o aluno 
assimile quais produtos da organização do trabalho de uma empresa influenciam no 
desempenho do trabalhador e que são objeto de análise da ergonomia. São eles:
Figura 7. Fatores organizacionais que influenciam o desempenho no trabalho.
Trabalho em turno
Estresse Monotonia
Fadiga
Fonte: elaborada pela autora, 2018.
2.4.1. Trabalho em turno
A economia moderna demanda que algumas áreas de produção de bens e serviços 
não paralisem suas atividades, exigindo, para tanto, a realização de trabalhos noturnos. 
O ciclo circadiano é o ritmo biológico e fisiológico inerente ao funcionamento da 
máquina humana, onde há o controle dos estados de sono e vigília por meio da atividade 
hormonal (Grandjean, 1998). O trabalho noturno altera essa dinâmica, podendo trazer 
cansaço físico, irritabilidade, redução do convívio social e familiar, incentivo ao uso 
de bebidas estimulantes, entre muitos transtornos físicos e mentais. Recomenda-se, 
minimamente, de 4 a 5 dias para adaptação (2 a 3 turnos) e uma avaliação pormenorizada 
do perfil do trabalhador para aquela atividade.
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INTRODUÇÃO À ERGONOMIA | UNIDADE I
2.4.1.1. Monotonia
É a reação do indivíduo a trabalhos que tenham ações não interessantes, repetitivas, 
prolongadas pouco ou nada complexas e/ou que demandem também controle e 
vigilância (Mattos; Másculo, 2021).
Figura 8. Imagem do filme “Tempos Modernos”, de Charles Chaplin, 1936.
Fonte: https://nucleoconsult.com.br/blog/o-modo-piloto-automatico-no-cerebro-dos-profissionais/.
Existem muitos fatores pessoais associados ao surgimento da monotonia que podem 
ser desde a motivação pessoal até aqueles que têm sobrecarga de trabalho.
2.4.1.2. Fadiga
A fadiga pode ser tanto física quanto mental, mas se resume em redução da quantidade 
de estímulos processados pelo cérebro, o atraso no desempenho e os ciclos irregulares 
entre alto e baixo desempenho, prevalecendo esse último durante a jornada de trabalho. 
Para minimizar o seu efeito, são demandadas pausas curtas ou longas, a depender da 
atividade.
2.4.1.3. Estresse
Trata-se de um conjunto de perturbações psicológicas que causam sofrimento psíquico 
associado às situações de trabalho e de percepção do indivíduo. Segundo a Organização 
Mundial de Saúde (OMS), o estresse é o “mal do século XX”, que já atinge nove em cada 
dez habitantes do planeta (Yaribeygi et al., 2017).
Estresse tem o significado de adversidade ou aflição e é considerado um conjunto de 
reações e modificações do corpo à adaptação química e física, de forma a manter a 
homeostase do organismo (Yaribeygi et al., 2017). Os agentes estressores podem influenciar 
negativamente a capacidade de resiliência, gerando um impacto na saúde mental.
Atualmente, configura como uma construção nuclear em diversas teorias 
contemporâneas relacionadas ao comportamento humano e à saúde, sendo amplamente 
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UNIDADE I | INTRODUÇÃO À ERGONOMIA
usado para representar experiências negativas de várias origens e relacionadas a 
inúmeras problemáticas, como dificuldades no trabalho, relacionamentos, saúde etc. 
(Slavich, 2019).
Ele está associado a várias doenças físicas, como as metabólicas, cardiovasculares, 
distúrbios do crescimento e está relacionado também ao agravamento de transtornos 
mentais como ansiedade e depressão. Quando o estímulo estressor é intenso e contínuo, 
gera prejuízos ao sistema imunológico e endócrino, levando também a alterações 
cardiovasculares, aumento da pressão arterial e de ritmo cardíaco, maior consumo de 
oxigênio pelo miocárdio e como consequência, uma maior probabilidade de doenças 
cardíacas graves, como o infarto agudo do miocárdio, por exemplo. 
O sistema nervoso autônomo e o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal são as vias de 
comunicação entre sistema imunológico e o cérebro. E o estresse devido às disfunções 
psicossociais estimulam essas vias por meio de uma cascata de reações hormonais, 
causando a liberação de epinefrina e norepinefrina na corrente sanguínea. Essa cascata 
age ativando o sistema de “luta e fuga”, provocando imunossupressão. 
Figura 9. Cientistas ligam o estresse às doenças do coração, 2017.
Fonte: The Lancet, 2017.
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INTRODUÇÃO À ERGONOMIA | UNIDADE I
Dada essa interação entre os elementos supramencionados, caracteriza-se o estado 
alostático de regulação fisiológica, assim como molda as lentes pelas quais os fatores 
estressores são captados e percebidos pelo indivíduo. Logo, esses fatores influenciam as 
respostas fisiológicas e psicológicas aos estressores vividos pelas pessoas. Segundo Epel 
et al. (2018), quando essas respostas estão desreguladas, alteram o estado alostático e, 
podem em última instância, levar ao adoecimento e envelhecimento precoce. 
O entendimento dos pesquisadores coaduna que é a reação do organismo a uma 
situação ameaçadora, do ponto de vista fisiológico. Para Grandjean (1998), a discrepância 
entre a exigência no trabalho e a falta de recursos – sejam físicos, psíquicos ou 
organizacionais – resulta em um estado emocional alterado, diferente da resposta 
fisiológica normal do indivíduo, conforme a figura abaixo.
Figura 10. Esquema sobre a base organizacional para a geração de estresse ocupacional.
Nível elevado de 
exigência no 
trabalho 
+ Recursos 
disponíveis 
(gerenciamento
)
= Estado 
emocional 
alterado 
Fonte: elaborada pela autora, 2018.
Fatores condicionantes:
 » supervisão e vigilância do trabalho constantes;
 » falta de apoio e reconhecimento;
 » conteúdo e carga de trabalho elevados;
 » atenção exigida;
 » sobrecarga de trabalho (metas a cumprir). 
O estresse pode ser dividido em três fases distintas. Na primeira fase, de alarme, o 
sistema neuroendócrino produz, por meio da glândulana população brasileira: uma revisão integrativa. 
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	_Hlk178021619
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	Introdução
	UNIDADE i
	Introdução à Ergonomia 
	Capítulo 1 
	Origens e características da ergonomia
	Capítulo 2 
	Domínios de competência da ergonomia
	Referênciasand Mental Well-
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	Introdução à Ergonomia 
	Capítulo 1 
	Origens e características da ergonomia
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	Domínios de competência da ergonomia
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