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Finanças Corporativas Introdução Esta unidade apresentará os conceitos fundamentais de �nanças, o �uxo de caixa livre (Cash Flow) e o custo médio ponderado de capital (CMPC, ou WACC, em inglês). Esses tópicos ajudarão o estudante de Finanças Corporativas a compreender e analisar a situação econômica das empresas, munindo-o de informações necessárias para a tomada de decisão na possibilidade de novos investimentos, aquisição ou venda de uma empresa, tanto na totalidade dela quanto de algum setor. Os tópicos serão apresentados de forma clara e direta para o melhor entendimento e compreensão do aluno. Serão colocados exercícios e casos práticos para melhor �xação da disciplina. Unidade I Conceitos de Finanças e Fluxo de Caixa Conceitos Fundamentais de Finanças Os conceitos fundamentais de �nanças, como taxa de juros, taxa Selic, a diferença entre taxa de juros nominal e real, o montante, o dinheiro no tempo, os indicadores econômico-�nanceiros para o entendimento de uma empresa e seu �uxo de caixa, outros indicadores de lucro por ação, margem líquida e margem operacional, serão apresentados no primeiro tópico desta unidade. Taxa de Juros A taxa de juros é a remuneração paga a quem disponibiliza um empréstimo ou faz um investimento, sempre em relação a um percentual do capital. É um dos pontos mais importantes na área de �nanças, pois a taxa de juros é um dos primeiros itens a ser analisado pelos investidores. Taxa Selic No Brasil a taxa básica de juros é a Taxa Selic, divulgada pelo COPOM (Comitê de política monetária) do Banco Central do Brasil. O COPOM é composto pelo presidente do Banco Central e mais sete diretores, que divulgam a taxa a cada 45 dias ou seis semanas. A Taxas Selic é divulgada com percentual ao ano, o COPOM pode manter, aumentar ou diminuir a taxa, isso dependerá dos dados analisados pelas diretorias do Banco Central do Brasil. Normalmente a taxa se mantém até a próxima reunião, porém há possibilidade de alteração no intervalo das reuniões - essa possibilidade estará na ata da reunião anterior com o termo viés, tanto de alta como de baixa. Essa situação é colocada em prática em momentos de turbulência da economia, tanto nacional como mundial. Taxa de Juros Nominal É a taxa que está descrita no contrato de empréstimo ou de investimento, exemplo: Neste empréstimo será cobrado uma taxa de juros nominal de 2% a.a. Taxa de Juros Real É a taxa nominal de juros descontada a in�ação; segundo Hazzan (2007), ela é formada a partir da seguinte fórmula: Onde: tjr = (1 + i) / (1 + δ) − 1 tjr = taxa de juros real. i = juros nominais = taxa de in�ação Vamos a um exemplo prático: Se a taxa nominal de juros for de 10% a.a. e a taxa de in�ação for de 4% a.a, vamos calcular a taxa de juros real: tjr = esse é o questionamento. i = 10% a.a. = 4% a.a. tjr = (1 + 0,10) / (1 + 0,04) - 1 tjr = (1,10) / (1,04) - 1 tjr = 1,0576 - 1 tjr = 0,0576 ou 5,76% a.a. Taxa de Juros Proporcional É a taxa de juros que podemos expressar quando aplicadas em um mesmo capital e durante um mesmo prazo e o resultado for igual, somente utilizada em juros simples, exemplo: Em juros simples, qual a taxa anual proporcional a 1% a.m.? Podemos utilizar regra de três simples: Se 1% está para 1 mês. i% está para 12 meses (1 ano). i = 12 . 0,01 i = 12% a.m. ou 0,12 Então, taxa anual proporcional a 1% a.m. corresponde a 12% a.a. O importante é observar em qual tempo estão as taxas, se for ao mês, todas devem estar ao mês, δ tjr = (1 + i) / (1 + δ) − 1 δ = 0, 01 i 1 12 se for ao semestre, todas devem estar ao semestre, e assim por diante. Outro exemplo: Qual a taxa semestral proporcional a 8% a.a.? Se 8% está para 1 ano i% está para 0,5 ano (1 semestre) i . 1 = 0,08 . 0,5 i = 0,04 ou 4% a.s. Taxa de Juros Equivalente Taxas de juros equivalentes geram montantes idênticos quando capitalizadas sobre o mesmo capital e prazo; em juros compostos, a fórmula segundo Hazzan (2017) é a seguinte: onde: ie = taxa de juros equivalente a ser calculada. i = taxa de juros do período informado. q = prazo pelo qual se deseja obter a taxa equivalente. t = prazo informado. Capital ou Valor Presente É o valor inicial de um investimento, podendo ser investimento �nanceiro através de compra de ações em bolsa de valores ou até mesmo adquirindo cotas de um fundo de investimentos; outra possibilidade é o investimento em empresas, como a aquisição de uma nova empresa, equipamentos ou instalações. Valor presente é o valor de uma determinada soma de dinheiro devida em uma determinada data futura, levando-se em conta os = 0, 08 i 1 0, 5 = − 1ie (1 + )i 100 q/t juros proporcionados por tal soma. Em sentido mais amplo, o conceito inclui também, além dos juros, a correção monetária nos países onde esses elementos se apresentam de forma separada (SANDRONI, 2008, p. 489). Utilizaremos aqui esses dois termos, capital e valor presente, pois no mercado se utiliza ambos. A �gura 1.1 apresenta gra�camente o �uxo de caixa, mostrando os valores futuros de pagamentos e o valor presente. A �gura 1.1 do grá�co do �uxo de caixa apresenta os �uxos futuros de recebimento. Caso seja descontada a taxa de juros e correção monetária, pode ser veri�cado o valor presente. Montante O montante é a soma do capital inicial ou valor presente mais os recebimentos até o �nal do contrato; esses pagamentos serão a soma do capital mais os juros do período; segundo Hazzan (2007): Figura 1.1 - Fluxo de caixa Fonte: Elaborada pelo autor. M = C + J Onde: M = montante C = capital J = juros Tempo O tempo é o período da operação, tanto de investimento como de empréstimo, por exemplo: o cliente fez um empréstimo para compra de um imóvel em 10 anos, esse será o tempo do empréstimo. Pelo lado do investidor, uma compra de um equipamento ou a aquisição de uma nova unidade fabril terá um retorno de 5 anos para receber o capital investido. Benchmark É uma referência; no mercado �nanceiro os mais conhecidos são o CDI (Certi�cado de depósito interbancário) e o Ibovespa, que é o índice da bolsa de valores que mostra a performance das principais ações negociadas na bolsa. Na área empresarial as referências são as melhores empresas do setor, pois muitas delas possuem balanços abertos, e desta maneira é possível veri�car o desempenho de cada uma, por exemplo: Qual o maior banco do país? Essa resposta não é tão fácil responder, pois algumas pessoas podem analisar pelo número de agências abertas, pelo volume de depósitos, pelo volume de empréstimos feitos, entre outras coisas. Dessa maneira os bancos podem fazer propaganda e divulgação da sua marca em relação ao seu ponto positivo, ignorando outros fatores. Outro exemplo: Qual a maior rede de supermercados do Brasil? Será a mesma situação que o exemplo anterior, a rede de supermercado pode ser a maior em número de lojas, a que está em maior número de estados do país, a que mais vende um determinado produto, a que mais vende em valor �nanceiro, a maior na relação faturamento por funcionários, etc., e isso poderá ser explorado pela rede de supermercados em seu marketing. Indicadores Econômicos Financeiros Os indicadores são utilizados para analisar a empresa em diversas perspectivas, como na liquidez, no endividamento, na lucratividade, no giro, etc. É uma maneira de analisar empresas de portes diferentes, pois muitos dos resultados são em percentual, assim podemos analisar tanto uma empresa pequena quanto uma empresa grande e, também, analisar o benchmark. Indicadores de Liquidez Estes indicadores visam medir a capacidade de pagamento de uma empresa, o cumprimento das obrigações passivas assumidas anteriormente. Liquidez Corrente O indicador de liquidez corrente mede a relação entre o ativo circulante e o passivo circulante; sua fórmula, segundo Matarazzo (2010) e Securato (2008), é: Se a liquidez for superior a 1,0, isso indica a existência de um capital circulante positivo; caso o resultado seja igual a 1,0, não existirá liquidez corrente;operacional é de -30%, passando de $ 50,00 para $ 35,00. Como podemos interpretar esses resultados? Empresa A - a cada 1% de queda nas vendas existe uma queda de 4,0% nos resultados operacionais. Empresa B - a cada 1% de queda nas vendas existe uma queda de 3,5% nos resultados operacionais. Empresa C - a cada 1% de queda nas vendas existe uma queda de 3,0% nos resultados operacionais. SAIBA MAIS Grau de Alavancagem Operacional e Risco Econômico Há então uma importante relação entre o grau de alavancagem operacional e o risco econômico (operacional) da empresa. Trabalhando acima do ponto de equilíbrio, a empresa tende a apresentar menor GAO, mas também apresentará um menor risco de entrar em prejuízo. Trabalhando com alto GAO, tenderá a se situar perto de seu ponto de equilíbrio e, consequentemente, com alto risco de melhorar signi�camente seu resultado, ou de piorá-lo, também signi�cativamente. Fonte: Assaf Neto e Lima (2011, p. 278). A de�nição de grau de alavancagem foi feita, agora será apresentada a fórmula para melhor entendimento do conteúdo. Fórmula do Grau de Alavancagem Operacional A fórmula utilizada para calcular o grau de alavancagem operacional é: A maneira mais rápida de utilização dessa fórmula, após a simpli�cação matemática, é a seguinte: Onde: RVt = Receita de vendas totais CVt = Custos e despesas variáveis totais CF = Custos e despesas �xas operacionais totais. O grau de alavancagem operacional apresenta o quanto a empresa necessita de vendas para suprir os seus custos operacionais; o gestor deve �car atendo a essa questão, pois grande parte do lucro vem da economia dos custos operacionais. Alavancagem Financeira Segundo Matarazzo (2010, p. 314), “O retorno do capital próprio de uma empresa depende tanto da rentabilidade do negócio quanto da boa administração �nanceira”. GAO = Porcentagem de varia o no lucroa~ Porcentagem de varia o no volume de atividadea~ GAO = R − CVt Vt R − C − CFVt Vt A alavancagem �nanceira normalmente é feita para cobrir gastos e problemas no �uxo de caixa da empresa, sendo que o mais interessante seria alavancar a empresa para um projeto viável e com grande possibilidade de retorno �nanceiro, assim o investidor teria condições de cumprir com suas obrigações �nanceiras. Retorno do Investimento com Participação Integral de Capital Próprio Quando uma empresa não possui dívidas com terceiros pois todo seu investimento foi feito pelos sócios/acionistas, o ROA (retorno sobre o ativo) será igual ao ROE (retorno dos acionistas ou retorno sobre patrimônio líquido), já que não há dívidas. Supondo que os acionistas ou sócios de uma empresa tenham a capacidade �nanceira de investir $ 200 mil em uma empresa, isso será o total do ativo e o retorno do investimento em 14% sobre o total, conforme Tabela 3.8: SAIBA MAIS Alavancagem Financeira Alavancagem �nanceira é o efeito causado por se tornar recursos de terceiros emprestados a determinado custo, aplicando-os em ativos a outra taxa de retorno: a diferença vai para os proprietários e altera, para mais ou para menos, o seu retorno sobre o patrimônio líquido. Em outras palavras, pela utilização de recursos de terceiros em sua estrutura de capital uma empresa pode modi�car a rentabilidade do capital próprio. Fonte: Assaf Neto e Lima (2011, p. 293). Tabela 3.8 - Exemplo de balanço Fonte: Adaptada de Assaf Neto e Lima (2011). Conforme informado anteriormente, o investimento total foi feito pelos sócios, sem necessidade da capital de terceiros, por isso o ROA será igual ao ROE. Neste exemplo, o cálculo será o seguinte: Retorno do Investimento com Participação de 50% de Capital Próprio Suponha que uma empresa possua investimento de 50% do capital dos acionistas e os outros 50% de recursos de terceiros, como bancos. Tabela 3.9 - Balanço com recursos de terceiros Fonte: Adaptada de Assaf Neto e Lima (2011). Ativo ($) Passivo ($) Ativo circulante 60.000 Ativo permanente 140.000 Patrimônio Líquido 200.000 Total 200.000 Total 200.000 ROE = ROA = Lucro l quidoí Patrim nio l quidoô í ROE = ROA = = 14% 28.000 200.000 Ativo ($) Passivo ($) Ativo circulante 60.000 Financiamento 100.000 Ativo permanente 140.000 Patrimônio Líquido 100.000 Total 200.000 Total 200.000 O capital de terceiros foi tomado no mercado à taxa de 10% a.a., isso é, a empresa terá despesa �nanceira de $ 10.000,00 ao ano (o cálculo será $ 100.000 X 10%) para pagamento de recursos de terceiros. Neste caso o ROA será diferente do ROE, pois há despesa �nanceira; primeiro será necessário calcular o lucro após a despesa �nanceira, que será o seguinte: Tabela 3.10 - Cálculo do lucro após as despesas �nanceiras Fonte: Adaptada de Assaf Neto e Lima (2011). A fórmula do ROA sem despesa �nanceira é: O cálculo do ROA sem despesa �nanceira é: A fórmula do ROA após a despesa �nanceira: O cálculo do ROA após a despesa �nanceira será: O outro cálculo necessário para análise é o ROE, retorno sobre o patrimônio líquido, cuja fórmula é a seguinte: Lucro após as despesas operacionais $ 28.000 Despesas �nanceiras ($ 10.000) Lucro após as despesas �nanceiras $ 18.000 ROA = Lucro operacional antes da despesa financeira Ativo total ROA = = 14% a.a. $ 28.000 $ 200.000 ROA = Lucro operacional ap s da despesa financeiraó Ativo total ROA = = 9% a.a. $ 18.000 $ 200.000 ROE = Lucro l quidoí Patrim nio l quidoô í Nesta fórmula já foram descontados os encargos e despesas �nanceiras, que são pagos aos bancos, por exemplo; o cálculo será o seguinte: Analisando os cálculos do ROE, sem participação de terceiros e com participação de terceiros, podemos perceber que há um aumento no retorno para o sócios/acionistas. No primeiro cálculo, sem participação de terceiros, o ROE era de 14% a.a., já no segundo cálculo, com participação de terceiros (�nanciamento - banco, por exemplo), o ROE subiu para 18% a.a., isso é a alavancagem �nanceira. Neste exemplo a alavancagem gerou retorno maior que os recursos tomados, isso é, o empréstimo foi tomado a 10% a.a. e gerou um ROE de 18% a.a. Caso não seja informado a taxa de juros do empréstimo é possível calcular da seguinte fórmula: O cálculo �caria assim: Todo gestor ou administrador de uma empresa deve saber quais os custos a empresa possui, pois assim poderá melhorar sua performance �nanceira, podendo renegociar dívidas trocando taxas de juros altas por taxas de juros mais baixas e acessíveis ao seu negócio. Essas possíveis renegociações poderão gerar maior retorno aos acionistas e, quem sabe, melhorar a competitividade da empresa em seu mercado de atuação. Grau de Alavancagem Financeira (GAF) O grau de alavancagem pode ser calculado pela seguinte fórmula: Calculando o GAF pelo exemplo anterior teríamos o seguinte resultado: ROA = = 18% a.a. $ 18.000 $ 200.000 =Ki despesas financeiras pass vo exig vel (fincanciamento)í í = = 10%a.aKi $10.000 $100.000 GAF = ROE ROA GAF = = 1, 286 18% 14% Como é feito esse cálculo? Será a divisão do ROE (18%) pelo ROA (14%), assim o resultado será 1,286 - isso quer dizer que a empresa está alavancada em 1,286. Quando os acionistas aplicam $ 1,00 de recursos de terceiros, os acionistas ganham $ 1,286, esse valor é pela diferença da aplicação 14% e da captação dos recursos de 10%. Alavancagem �nanceira e Passivos de Funcionamento Para calcular o custo da dívida seria interessante descartar alguns itens dos passivos exigíveis, tais como os fornecedores, impostos a recolher, salários a pagar, provisões, etc., caso esses passivos sejam liquidados no prazo pois não possuem encargos �nanceiros. Outro ponto de vista é que esses encargos não possuem recursos novos vindo de terceiros, com a possibilidade de serem aplicados na empresa. Para se calcular o ROI (retorno sobre o investimento) é utilizada a seguinte fórmula: O ROI representa a rentabilidade do investimento efetuada pela empresa com recursos próprios ou de terceiros. O importante na empresa é entender a sua necessidade de alavancagem, pois há o custo dodinheiro e ela deverá pagar o terceiro que está investindo na empresa; a atenção deverá ser dobrada no projeto, pois se o retorno do projeto for menor que o custo da captação, a empresa terá prejuízo �nanceiro e isso pode atrapalhar outros projetos. Considerações Finais Esta unidade apresentou o tema de alavancagem, explicando os principais pontos de análise, como a explicação do ponto de equilíbrio, para entender o quanto é necessário de vendas para se cobrir os custos da empresa; esse cálculo deve ser feito por qualquer empresa, independentemente do seu porte ou faturamento. Posteriormente foram explicadas a alavancagem operacional e suas funcionalidades, cálculos, suas fórmulas e interpretação. No segundo capítulo da unidade foi apresentada a alavancagem �nanceira, como ela funciona e sua interpretação. Primeiro foi explicado o retorno para o investidor somente com o seu capital e, também, o retorno para o investidor utilizando recursos de ROI = Lucro operacional Ativo total passivo de funcionamento terceiros, o quanto isso in�uenciará nos seus resultados, tanto nos positivos como nos negativos. INDICAÇÃO DE LEITURA Livro: Análise Financeira De Balanços Autor: Dante Carmine Matarazzo Ano: 2010 Editora: Atlas ISBN: 9788522456925 Sinopse: Uma característica deste livro é apresentar técnicas de Análise das Demonstrações Financeiras capazes de gerar amplas e profundas informações sobre o desempenho, a situação econômico-�nanceira e a gerência das empresas. Este livro diferencia-se dos tradicionais textos de Análise de Balanços, mostrando, analisando e avaliando várias noções avançadas de �nanças. Um projeto ou uma empresa, ao ser estudada ou analisada, apresenta inúmeras informações, dentre elas o ponto de equilíbrio. Qual a análise do ponto de equilíbrio, ou break-even point? O ponto de equilibrio apresenta os dados de vendas de uma empresa. O ponto de equilíbrio é o volume de vendas de uma empresa que cobre os gastos e as despesas operacionais. O ponto de equilíbrio cobre as despesas dos sócios como retiradas e pro labore. O ponto de equilibrio apresenta os dados onde a conta corrente da empresa será igual o �uxo de caixa. O ponto de equilíbrio apresenta as informações de produção da empresa em determinado período. A alavancagem operacional apresenta como a variação no volume da atividade interfere no resultado operacional da empresa, isso é, se por algum motivo ocorrem mudanças nas vendas, tanto positivas como negativas, o que isso in�uenciará no resultado operacional da empresa? Caso ocorra aumento nas vendas ou aumento nos custos operacionais isso não in�uenciará a alavancagem operacional. Caso ocorra variação nas vendas isso in�uenciará a alavancagem operacional. Caso ocorra diminuição nas vendas ou aumento nos custos operacionais isso não in�uenciará a alavancagem operacional. Caso ocorra uma diminuição nas vendas isso não in�uenciará na alavancagem operacional da empresa. Caso ocorra uma diminuição nos custos e despesas operacionais da empresa isso não in�uenciará na alavancagem operacional da empresa. Alavancagem �nanceira é o efeito de tomar, numa ponta, recursos de terceiros a determinado custo, aplicando-se na outra ponta (nos ativos) a outra taxa de retorno: a diferença vai para os proprietários e altera seu retorno sobre o patrimônio líquido, para mais ou para menos do que aquele que seria obtido caso todo o investimento fosse feito Atividades apenas com recurso próprios. ASSAF NETO, A.; LIMA, F. G., Curso de administração �nanceira. São Paulo: Atlas, 2011. p. 295 Qual a necessidade da empresa buscar recursos de terceiros? A empresa busca recursos de terceiros para não utilizar o seu próprio recurso. A empresa busca recursos de terceiros para melhorar seu �uxo de caixa e conseguir um aumento da rentabilidade para poder honrar esse compromisso. A empresa busca recursos de terceiros para conseguir honrar compromissos já assumidos anteriormente e aumentar a alavancagem �nanceira. O aumento na alavancagem �nanceira gera reciprocidade para os bancos com que a empresa trabalha, ajudando o gerente da conta. A diminuição na alavancagem �nanceira da empresa gera aumento de retornos para os acionistas, funcionários e clientes.caso seja inferior a 1,0, indicará um capital de giro líquido negativo, isso é, a empresa deve mais do que tem a receber no curto prazo. Liquidez Seca O indicador de liquidez seca apresenta o percentual das dívidas de curto prazo que pode ser resgatado mediante uso de ativo circulante de maior liquidez; a fórmula, segundo Matarazzo (2010) e Securato (2008), é a seguinte: Nesta fórmula são excluídos os estoques, pois não apresentam liquidez compatível com as outra contas do ativo circulante, e as despesas pagas antecipadamente são muitas vezes eliminadas para o cálculo do índice de liquidez. Liquidez Imediata A relação entre o disponível e o passivo circulante re�ete o percentual de dívidas de curto prazo que pode ser liquidada imediatamente pela companhia. A fórmula, segundo Matarazzo (2010) e Securato (2008), é a seguinte: liquidez corrente = Ativo circulante Passivo circulante Liquidez seca = Ativo circulante − Estoques − Despesasa antecipadas Passivo circulante Quanto maior for o índice, maior será a capacidade de pagamento imediato. Liquidez Geral Esse indicador retrata a saúde �nanceira da empresa no curto e longo prazo; a fórmula, segundo Matarazzo (2010) e Securato (2008), é a seguinte: Realizável a longo prazo O que não se leva em conta são os prazos dos ativos e passivos, isso pode prejudicar a análise desse indicador. Os indicadores de liquidez apresentam como a empresa poderá quitar suas obrigações em um prazo rápido, podendo apresentar diversas análises. A melhor análise será a que o gestor tiver mais familiaridade na sua interpretação. liquidez imediata = Dispon velí Passivo circulante Liquidez geral = Ativo circulante + Realiz vel a longo prazoá Passivo circulante + Exig vel a longo prazoí SAIBA MAIS Indicadores de liquidez É recomendado que a análise dos indicadores de liquidez seja desenvolvida integralmente e utilizando todos os indicadores �nanceiros para conseguir uma melhor interpretação da folga �nanceira da companhia. Fonte: Assaf Neto e Lima (2011, p. 225). Indicadores de Atividade Estes indicadores apresentam a duração de um ciclo dentro de uma empresa. Prazo Médio de Estocagem (PME) Apresenta o tempo médio necessário para a completa renovação do estoque da empresa. Segundo Matarazzo (2010) e Securato (2008), a fórmula é a seguinte: Essa fórmula terá o resultado em dias, pois será multiplicado por 360 dias, mas também poderá ser utilizada em meses, nesse caso multiplicando por 12. Prazo Médio de Pagamento a Fornecedores (PMPF) Este indicador apresenta o tempo médio em que a empresa tem que pagar as suas dívidas com fornecedores. É importante a empresa aumentar esse prazo cada vez mais, pois assim poderá receber suas vendas antes mesmo de pagar o seu fornecedor. A fórmula, segundo Matarazzo (2010) e Securato (2008), é a seguinte: Essa fórmula terá o resultado em dias, pois será multiplicado por 360 dias, podendo também ser utilizada em meses, nesse caso multiplicando por 12. Prazo Médio de Cobrança (PMC) É o contrário do indicador anterior, pois revela o tempo médio de que a empresa receberá de seus clientes. É importante a empresa diminuir o máximo possível esse prazo, pois poderá receber suas vendas antes de pagar os seus fornecedores. A fórmula, segundo Matarazzo (2010) e Securato (2008), é a seguinte: Essa fórmula terá o resultado em dias, pois será multiplicado por 360 dias, podendo ser utilizada em meses, nesse caso multiplicando por 12. Indicadores de Endividamento e Estrutura Prazo m dio de estocagem (PME) = x360é Estoque m dioé Custo do Produto V endido = x360 Prazo m dio de pagamentosé de fornecedores (PMPF) Contas a pagar a fornecedores (m dia)é Compras anuais a prazo = x360 Prazo m dio de pagamentosé de cobrana (PMC) V endas a receber de V endas a prazo (m dia)é V alores anuais a prazo Estes indicadores apresentam elementos para avaliar o grau de comprometimento �nanceiro de uma empresa em relação aos seus credores e sua capacidade de honrar as suas obrigações. Relação Capital de Terceiros (CT) por capital próprio (CP) Este indicador apresenta o nível de endividamento da empresa em relação a seu �nanciamento por meio de recursos próprios. Sua fórmula, segundo Matarazzo (2010) e Securato (2008), é a seguinte: O resultado maior que 1 apresenta maior grau de dependência �nanceira da empresa em relação aos valores de terceiros. Relação Capital de Terceiros (P)/Ativo Total (AT) Chamado de dependência �nanceira, este indicador mede o percentual dos recursos totais de uma empresa que está �nanciada por capital de terceiros. Sua fórmula, segundo Matarazzo (2010) e Securato (2008), é a seguinte: Quanto maior for esse percentual, maior será a dependência por recursos de terceiros. Indicadores de Rentabilidade Estes indicadores apresentam os resultados de uma empresa em relação a determinados parâmetros. Retorno Sobre o Ativo (ROA) Este indicador apresenta o retorno gerado por cada R$ 1,00 investido pela empresa em seus ativos. Sua fórmula, segundo Matarazzo (2010) e Securato (2008), é a seguinte: Retorno sobre o patrim nio l quido (ROE) =ô í Lucro l quidoí Patrim nio l quido m dioô í é Rela o CT/CP =a~ Exig vel total (passivo circulante +í Exig vel a longo prazoí Patrim nio l quidoô í Rela o P/AT =a~ Exig vel total (passivo circulante +í Exig vel a longo prazoí Ativo total O lucro operacional representa o resultado da empresa antes das despesas �nanceiras. Retorno Sobre o Investimentoativo (ROI) Este indicador leva em conta somente os recursos levantados pela empresa e aplicados em seu negócio, sua atividade �m. Sua fórmula, segundo Matarazzo (2010) e Securato (2008), é a seguinte: O investimento pode ser calculado pelas seguintes fórmulas: Retorno Sobre o Patrimônio Líquido Este indicador apresenta o retorno dos recursos aplicados na empresa pelos acionistas. Sua fórmula, segundo Matarazzo (2010) e Securato (2008), é a seguinte: Retorno sobre o ativo (ROA) = Lucro operacional (liq IR) Ativo total m dioé Retorno sobre o investimento (ROI) = Lucro operacional (liq IR) Investimento m dioé Investimento = Ativo total passivo de funcionamento Investimento = Passivo oneroso patrim nio l quidoô í Retorno sobre o patrim nio l quido (ROE) =ô í Lucro l quidoí Patrim nio l quido m dioô í é Os indicadores de retorno são importantes para entender quanto dinheiro está voltando para o investidor, assim o investidor e o gestor poderão analisar melhor os investimentos futuros e rever os já feitos. Indicadores de Lucratividade (rentabilidade) das Vendas Mede a e�ciência de uma empresa em produzir lucro por meio de suas vendas. Margem Operacional Este indicador mede a e�ciência das vendas da empresa em termos operacionais. Sua fórmula, segundo Matarazzo (2010) e Securato (2008), é a seguinte: Margem Líquida SAIBA MAIS ROE O ROE deve ser comparado sempre com a taxa de retorno mínima exigida pelo acionista (custo de capital próprio). Para se tornar atraente, todo investimento deve oferecer uma rentabilidade pelo menos igual à taxa de oportunidade. Empresas que apuram um ROE superior ao custo de capital de seus acionistas promovem acréscimos no valor de mercado de suas operações, ou seja, agregam riqueza aos proprietários. Fonte: Assaf Neto e Lima (2011, p. 231). Margem operacional = Lucro operacional V endidas l quidasí Este indicador mede a e�ciência das vendas da empresa em termos líquidos. Sua fórmula, segundo Matarazzo (2010) e Securato (2008), é a seguinte: Indicadores de Análise de Ações Estes indicadores avaliam o desempenho da empresa sobre o valor das suas ações. Analistas do mercado �nanceiro utilizam esses indicadores para tomada de decisão sobre seus investimentos. Lucro por Ação (LPA) Este indicador apresenta o lucro por cada ação emitida pela empresa, isso é, o total do lucro líquido, já tirando o imposto de renda, dividido pelo número de ações da empresa, em um determinado período. Sua fórmula, segundoMatarazzo (2010) e Securato (2008), é a seguinte: Lembrando que este indicador não revela o quanto cada investidor irá receber, isso será de�nido pela política de dividendos de cada empresa. Índice preço/lucro (P/L) Este indicador é calculado pela relação entre o preço de aquisição do título e seu lucro anual por ação (LPA). Sua fórmula, segundo Matarazzo (2010) e Securato (2008), é a seguinte: O resultado deste indicador apresenta o número de anos que um investidor demoraria para receber o capital aplicado. Fluxo de Caixa Fluxo de caixa é uma maneira de controlar as �nanças de uma empresa, um dos principais instrumentos de gestão �nanceira que projeta �uxos de pagamentos futuros que empresa possui, tanto para fornecedores, como pagamento de Margem l quidas =í Lucro l quidoí V endidas l quidasí Lucro pro a o (LPA) =a~ Lucro l quidoí N mero de a es emitidasú o~ ndice preo/lucro (P/L) =Í Preo de mercado de aquisi o da a oa~ a~ Lucro por a o (LPA)a~ impostos ou pagamento de empréstimos, quanto para os recebimentos que a empresa possui de venda de mercadorias ou prestação de serviços. Desta maneira será possível veri�car se haverá ou não dinheiro em caixa para cumprimento das obrigações da empresa. Ao elaborar um �uxo de caixa, o departamento �nanceiro da empresa poderá projetar se haverá necessidade de recursos de terceiros (empréstimos) ou sobra de caixa para investimentos �nanceiros. Caso a empresa apresente um �uxo de caixa tranquilo, poderá projetar novos investimentos na sua área de atuação, como a compra de equipamentos ou até a compra de insumos à vista com bom desconto, o que poderá aumentar os lucros futuros da empresa. No parágrafo anterior, analisamos somente pelo lado da compra, o lado da saída de dinheiro. Se pensarmos pelo lado da entrada de recursos, os pagamentos dos cliente, poderemos aumentar o prazo de pagamento, ou alterar os descontos para pagamentos à vista - são maneiras de aumentar as vendas de uma empresa e diminuir o giro do estoque. PLANILHA DE FLUXO DE CAIXA Previsão Realizado Previsão Realizado Previsão Realizado Previsão Realizado 1 1 2 2 3 3 4 4 ENTRADAS Previsão de recebimento de vendas Contas a receber- vendas realizadas Outros recebimentos TOTAL DE ENTRADAS 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 SAÍDAS Fornecedores Tabela 1.1 - Planilha de �uxo de caixa do Sebrae-SP Fonte: Sebrae-SP (2019). Uma das planilhas mais utilizadas por empreendedores é a do Sebrae-SP. Nela podemos veri�car algumas entradas e saídas de recursos �nanceiros, e outro ponto importante a ser marcado na planilha são as colunas de previsão, preenchida a cada mês, que ajudará o gestor �nanceiro a tomar decisões futuras. A seguir, um grá�co de �uxo de caixa. Muitas pessoas preferem analisar gra�camente o �uxo de caixa. Folha de pagamento INSS a recolher FGTS Retiradas sócios Impostos s/ vendas A maior di�culdade da maioria dos pequenos empresários e dos gestores é o controle e a falta de rotina �nanceira, pois muitos estão preocupados com as vendas ou com a produção da empresa, deixando essa parte �nanceira para pessoas com pouca capacidade e pouco controle �nanceiro, muitas vezes misturando as contas empresariais com as contas pessoais (SOUZA; CLEMENTE, 2009). Gestão do Fluxo de Caixa Qualquer empresa deve ter uma gestão do �uxo de caixa, pois a organização empresarial poderá decidir sobre possíveis ajustes ou correções para melhorar a sua performance. O �uxo de caixa, para qualquer porte de empresa, é o controle �nanceiro mais básico que a empresa deve possuir, pois será possível estimar o quanto de dinheiro entrará ou sairá da conta e em qual data isso acontecerá. O que pode diferenciar o �uxo de caixa de uma empresa do de outra serão os aspectos apresentados no infográ�co a seguir. Figura 1.2 - Fluxo de Caixa Fonte: Elaborada pelo autor. Outros aspectos do �uxo de caixa a serem veri�cados pelo gestor da empresa são (WERNKE, 2008): a. Impedir pagamentos em datas com saldo insu�ciente em caixa. O gestor poderá negociar com os fornecedores antes do vencimento dos títulos a serem pagos. b. O saldo em caixa deverá ser adequado às necessidade operacionais de cada empresa. Desta maneira o gestor �nanceiro poderá fazer investimentos �nanceiros com a sobra de caixa, caso possível. c. Analisar as futuras datas em que ocorrerão sobra de caixa. O gestor poderá antecipar algum pagamento, ou até negociar compras à vista com descontos. d. Analisar a necessidade de novas linhas de crédito ou outras modalidades de captação. Com a análise da empresa feito antecipadamente o gestor poderá adequar a sua necessidade de crédito no futuro próximo e buscar linhas de crédito de curto, médio ou longo prazo. e. Analisar possíveis dívidas da empresa e futuras negociações de pagamentos. Caso a empresa tenha sido de�citária no passado e queira renegociar com os fornecedores, o gestor poderá adequar os pagamentos atrasados a novas entradas de recursos, e assim conseguirá negociar com os fornecedores e cumprir as novas datas nesta renegociação de pagamentos. f Incorporar outras áreas da empresa, como departamento de compras e vendas, para melhor gerência �nanceira. Ao integrar novas áreas no �uxo de caixa, os outros gestores poderão integrar a área �nanceira com seus departamentos. A área de compra poderá negociar com seus fornecedores um melhor prazo e assim a empresa não atrasará seus pagamentos e cumprirá com suas obrigações. As di�culdades que podem surgir no �uxo de caixa de uma empresa são (WERNKE, 2008): a. Dúvidas em relação aos valores previstos: a grande di�culdade é saber se os compradores irão cumprir com suas obrigações, e desta maneira o gestor poderá INFOGRÁFICO INTERATIVO Para consultar o Infográ�co Interativo, acesse a versão digital deste material realizar os seus pagamentos conforme seus agendamentos. b. Insu�ciência ou falha dos controles internos. Esta di�culdade ocorre quando não são informados corretamente os pagamentos ou recebimentos futuros, pois se houver erro nas informações, os gestores poderão tomar decisões erradas. c. Pessoas com pouco envolvimento neste trabalho. Normalmente existe resistência a mudanças, muitas pessoas são contrárias a isso. Pode ocorrer erro nas informações e, com isso, uma tomada de decisão errada do gestor. Fluxo de caixa livre (Cash Flow) Dependendo da conjuntura econômica do país, os investidores aumentarão ou não o investimento. Além disso, o mercado em que atua a empresa também será analisado com muita atenção, pois pode ocorrer que a economia do país esteja bem e o setor em que a empresa atua não. Todas essas informações devem ser analisadas para futuros investimentos ou até desinvestimentos (venda de parte da empresa). Existem dois tipos de cash �ow, que veremos a seguir: Fluxo de Caixa Disponível da Empresa (Free Cash Flow to The Firm - FCFF) O �uxo de caixa disponível da empresa é o resultado líquido de caixa destinado aos credores e acionistas; o seu cálculo é feito a partir do �uxo de caixa operacional líquido do imposto de renda, e depois da dedução de todos os investimentos necessários para viabilizar o crescimento da empresa. Quando esse �uxo for positivo, será destinado a pagamento aos credores e aos acionistas mediante pagamento de juros e de dividendos; caso negativo, a empresa deve buscar novos empréstimos ou outros recursos no mercado. O �uxo de caixa é uma ferramenta simples para qualquer gestor �nanceiro; ele auxiliará a empresa em diversos momentos, e poderá ser utilizado para analisar a situação �nanceira da empresa e fazer uma aplicação �nanceira ou tomar um empréstimo para honrar seus compromissos. Fluxo de Caixa Disponível do Acionista (Free Cash Flow to Equity - FCFE) O �uxo de caixa disponível do acionista é o resultado de caixa que resta aos proprietários; devem ser deduzidastodas as necessidades de investimentos em ativo �xo e capital de giro visando �nanciar seu crescimento, sempre após os pagamentos de juros e amortizações do principal de dívidas aos credores (WERNKE, 2008). Todo o �uxo previsto será descontado dos custos de oportunidades do capital próprio, e o resultado será equivalente ao valor do patrimônio líquido (PL) da empresa, que nada mais é que o valor da empresa para o acionista. O �uxo de caixa mais adotado é o �uxo de caixa disponível da empresa, já apresentado nesta unidade. SAIBA MAIS Benefícios de Caixa Os benefícios econômicos de caixa devem também incorporar, no intervalo de suas projeções, os acréscimos previstos de riqueza determinados por novos investimentos realizados. Devem ser deduzidos desses valores de caixa, ainda, os desembolsos previstos referentes aos novos investimentos em capital de giro e bens permanentes, de maneira que os �uxos de caixa formados sejam considerados disponíveis aos proprietários de capital. Fonte: Assaf Neto e Lima (2011, p. 753). Custo Médio Ponderado de Capital (CMPC) ou (WACC) O WACC, em inglês Weighted Average Cost of Capital, ou o CMPC, Custo médio ponderado de capital, é obtido pelo custo de cada fonte de capital (dívida ou capital próprio) ponderado por sua respectiva participação na estrutura de �nanciamento da empresa. O capital total à disposição da empresa corresponde à soma do capital próprio (patrimônio líquido) com o capital de terceiros (dívidas). Segundo Matarazzo (2010): Onde: D = total de dívidas = passivo circulante + exigível a longo prazo. RL = Patrimônio líquido (ativos - passivos) RT = Custo de capital de terceiros. RP = Custo de capital próprio IR = Alíquota de imposto de renda. O custo do capital tem efeito sobre as operações da empresa e podem afetar sua lucratividade. Os proprietários do capital, sócios ou terceiros, ao investirem ou aplicarem recursos em uma determinada empresa, exigem um retorno mínimo a título de remuneração do capital. É importante destacar que, quando utilizamos o modelo de custo de capital, devemos realizar as ponderações a valor de mercado. Lembrando que no custo do capital que representa a taxa de �nanciamento da empresa para tomada de decisão dos investimentos normalmente é utilizada a taxa de juros básica de cada país. No Brasil, quando utilizamos o custo médio de capital ponderado, devemos destacar o que se refere às ações preferenciais, quando a empresa possui capital aberto em bolsa de valores. Isso atrapalha a avaliação de empresas do mesmo segmento de um país para outro. CMPC = ( )RT ⋅ (1 − IR) +( ) ⋅ RP D D + PL PL D + PL Considereções Finais Caro(a) aluno(a), esta unidade apresentou os principais conceitos de �nanças, os indicadores econômico-�nanceiros, o �uxo de caixa livre e o custo médio ponderado de capital. Esses instrumentos de análise ajudarão o estudante de Finanças Corporativas e futuro gestor de empresas a compreender e analisar a situação econômica das empresas para possíveis tomadas de decisão na possibilidade de novos investimentos, futuras aquisições ou até vendas das empresas, seja de sua totalidade ou de um de seus setores. INDICAÇÃO DE LEITURA Livro: Gestão Financeira ênfase em aplicações e casos nacionais Autor: Rodney Wernke Ano: 2008 Editora: Saraiva ISBN: 9788502067660 Sinopse: A �nalidade precípua desta obra é contribuir para o entendimento dos principais conceitos e ferramentas gerenciais aplicáveis à administração �nanceira de empresas brasileiras. Em linguagem acessível até mesmo a iniciantes, o livro contém diversos exemplos numéricos, exercícios de �xação, planilhas para aplicação prática de conteúdo e textos complementares sobre o contexto nacional que facultam um aprendizado mais consistente acerca das metodologias administrativas enfocadas. Ao analisar uma empresa, qual será a melhor situação para o gestor �nanceiro? Prazo médio de estocagem maior que o prazo médio de cobrança mais o prazo médio de recebimento. Prazo médio de cobrança menor que prazo médio de estocagem mais prazo médio de pagamento a fornecedores. Prazo médio de cobrança maior que prazo médio de estocagem mais prazo médio de pagamento a fornecedores. Prazo médio de pagamentos a fornecedores menor que o prazo médio de estocagem mais o prazo médio de cobrança. O prazo médio de estocagem maior que o prazo médio de cobrança mais o prazo médio de pagamento a fornecedores. Qualquer empresa pode elaborar um �uxo de caixa para melhorar a sua gestão �nanceira. Qual a�rmativa possui o benefício associado a um �uxo de caixa? Nível de detalhamento e certeza da ocorrência dos eventos. Manter saldo de caixa adequado às necessidades operacionais. Concentração de pagamentos ou recebimentos em determinadas épocas do mês ou ano. Restrições ou descon�ança de pessoas envolvidas. Periodicidade dos saldos de caixa a apurar. O �uxo de caixa disponível dos acionistas está associado a qual a�rmativa? É o resultado líquido de caixa destinado aos credores e acionista. É o resultado de caixa que resta aos proprietários. Esse resultado será destinado aos credores e aos acionistas. Esse resultado, apresentando valores negativos, impelem o gestor a buscar um empréstimo bancário. Esse resultado será destinado aos funcionários da empresa. Atividades Introdução Nesta unidade serão apresentados aos alunos os métodos de avaliação de investimentos mais utilizados, que são a TMA (Taxa mínima de atratividade), o TIR (Taxa interna de retorno), o VPL (Valor presente líquido), o pay-back original e descontado, e o VPLa (valor presente líquido anualizado). O objetivo dessa unidade é apresentar ao estudante os diversos tipos de avaliações de empresas ou projetos para uma melhor tomada de decisão do investidor. Serão necessários os entendimentos de cada resultado para sua melhor avaliação e, também, analisar a partir de mais de um método, pois desta maneira o gestor ou empresário poderá veri�car o que é melhor em sua tomada de decisão. Quando falamos de investimentos, uma tomada de decisão errada pode comprometer toda a empresa; com estes métodos de avaliações de investimentos, a chance de erros na tomada de decisão sobre os investimentos diminuirá. Unidade II Métodos de Avaliação de Investimentos Taxa de Atratividade A taxa de atratividade é empregada sob dois pontos de vista diferentes; o primeiro é a taxa mínima de atratividade, que estará sob os olhares do aplicador de recursos, o investidor. O segundo é taxa máxima de atratividade, que estará sob os olhares do captador ou tomador de recursos. Estudaremos a Taxa Máxima de Atratividade (TMA). Taxa de atratividade é a taxa que torna atrativo o investimento de capital em determinado projeto. Em geral esta taxa é superior à taxa de juros que pode ser obtida em investimentos �nanceiros. Mas sua determinação dependerá de cada caso em função do risco que cada projeto oferece e também das intenções de curto, médio ou longo prazo do investidor (SANDRONI, 2008, p. 448). Serão apresentados a taxa mínima de atratividade e a taxa interna de retorno e suas relações. Taxa Mínima de Atratividade (TMA) A TMA é o ponto de vista do investidor, o quanto será o mínimo para o investidor aderir ao novo investimento, lembrando que esse investimento pode ser a expansão da empresa, a compra de uma nova empresa ou a compra de um imóvel - se refere a quanto esse imóvel dará de retorno (aluguel) ao investidor. A escolha do investimento é comparada a uma taxa de baixo grau de risco de investimento no mercado �nanceiro; no Brasil são utilizadas a Taxa Selic, o CDI (certi�cado de depósito interbancário) ou o CDB (certi�cado de depósito bancário); caso o retorno do investimento seja maior que essas taxas explicadas anteriormente, o investimento é considerado viável economicamente; no caso contrário, se o retorno do investimento for inferior à taxa de referência, o investimento é considerado inviável economicamente. TMA > Retorno do empreendimento → Inviável o investimento. TMATMA Projeto viável Empréstimo inviável TIR positiva 0: o projeto é viável, pois trazendo todos os valores futuros para a data inicial e somando-os teremos um resultado, que subtraído do valor inicialinvestido (V0) deverá ser positivo. VPL = 0: o projeto é indiferente, pois remunerou somente o projeto, não sobra valor positivo para os investidores. VPL 0 Projeto aumenta a riqueza dos investidores, deve ser aceito. VPL = 0 Projeto não altera a riqueza dos investidores, paga somente o projeto. Os gestores deverão de�nir se aceitam ou não o projeto. VPLdo investimento inicial, que é a somatório do primeiro ($ 350), segundo ($ 150) e terceiro ano ($ 100) mais a diferença para alcançar os $ 900), pelo retorno do quarto ano ($ 420) → ($ 300 / $ 420 = 0,71). O pay-back deste projeto será de 3,71 anos, isso dá 3 anos, 8 meses e 15 dias até o valor inicial ser totalmente devolvido ao investidor. Quando comparamos dois ou mais projetos, normalmente são escolhidos os investimentos que possuem menor prazo de retorno ou a recuperação mais rápida do capital investido; desta maneira, os investimentos com retorno de maior prazo são descartados quando comparados com retornos mais rápidos. Isto nem sempre é interessante, pois deve-se utilizar outras maneiras de análises de investimentos para ter uma decisão melhor e com maior probabilidade de acerto pelo gestor da empresa ou da área responsável. Períodos (ano) 0 1 2 3 4 Valores ($) -900 350 150 100 420 Tabela 2.20 - Tabela de pay-back com dois projetos Fonte: Elaborada pelo autor. A primeira análise é que os dois projetos possuem valores iniciais iguais de $ 800, isso já ajuda muito na análise do pay-back, pois para investimentos iniciais diferentes a análise não será interessante fazer. O cálculo do projeto A será da seguinte maneira: somando o primeiro e o segundo ano, $ 140 + $ 170 = $ 310, depois soma-se o terceiro ano, $ 310 + $ 490 = $ 800 - neste caso o retorno será em 3 anos completos. No quarto ano o projeto A terá um retorno de $ 240 e já pagou o investimento inicial. O cálculo do projeto B será da seguinte maneira: somando o primeiro e o segundo ano, $ 200 + $ 180 = 380, depois soma-se o terceiro ano, $ 380 + $ 320 = $ 700, ainda não se chegou ao valor do investimento inicial de 800, então soma-se o quarto ano, $ 700 + $ 450 = $ 1150, superou o investimento inicial. Neste caso, faremos como no exemplo anterior, após o terceiro ano, ainda faltam $ 100 para zerar o investimento inicial, iremos dividir este saldo faltante pelo valor projetado para o quarto ano, ($ 100 / $ 450 = 0,22), então o pay-back do projeto B recuperará o investimento inicial em 3,22 anos, aproximadamente três anos, dois meses e dezenove dias. Analisando os dois projetos A e B somente pelo pay-back, o projeto A é o mais interessante, pois o retorno dele será em 3 anos e o do projeto B será em 3,22 anos. Agora analisando o investimento em 4 anos, o projeto B é mais interessante, pois o retorno nesse período será de $ 350, já no projeto A será de $ 240. Essa será sempre uma grande dúvida quando analisarmos somente um método de avaliação de empresas. Pay-back descontado O pay-back descontado transfere todo o �uxo de caixa no mesmo período de tempo, colocando o valor do dinheiro no tempo; normalmente se utiliza Período (anos) 0 1 2 3 4 Projeto A ($) -800 140 170 490 240 Projeto B ($) -800 200 180 320 450 uma taxa de rentabilidade mínima, ou taxa de custo de oportunidade. No Brasil é muito utilizado o CDI ou a Taxa Selic ou o Ibovespa, este para investidores mais arrojados. Cálculo do Pay-back descontado Suponha o seguinte �uxo �nanceiro de um projeto com 4 anos. Tabela 2.21 - Tabela de �uxo �nanceiro de um projeto Fonte: Elaborada pelo autor. A taxa utilizada para esse projeto será de 15% a.a. O cálculo do pay-back descontado é feito da seguinte forma, segundo Securato (2008, p. 51): Onde: PV = Valor presente FV = Valor futuro i = taxa de juros n = período Período (anos) Valor de face ($) Valor presente ($) 0 -175 -175 1 69 60 2 58 43,86 3 71 46,68 4 89 50,89 PV = F + + +. . . +V0 FV1 (1 + i)n1 FV2 (1 + i)n2 FVz (1 + i)nz Segundo Securato (2008, p. 51), substituindo os valores na fórmula: O resultado será assim: Para calcular o pay-back descontado, teremos que fazer o cálculo ano a ano da seguinte maneira: Primeiro ano: Valor inicial do projeto + Fluxo de caixa descontado (1) = - 175 + 60 = - 115. Segundo ano: Resultado do primeiro ano + Fluxo de caixa descontado (2) = - 115 + 43,86 = - 71,14 Terceiro ano: Resultado do segundo ano + Fluxo de caixa descontado (3) = - 71,14 + 46,68 = - 24,46 Quarto ano: Resultado do terceiro ano + Fluxo de caixa descontado (4) = - 24,46 + 50,89 = 26,43 É possível veri�car que o resultado do pay-back descontado será um pouco mais do que 3 anos, pois o resultado da somatória dos valores presentes até o terceiro ano é inferior ao valor presente do quarto ano, e neste caso será feito o cálculo para de�nir o proporcional ao tempo para o projeto se pagar no quarto ano. Cálculo de proporcionalidade: Será dividido o valor do terceiro ano pelo valor presente do quarto ano = 24,46 / 50,89 = 0,48. Para transformar 0,48 anos em meses e dias, devemos multiplicar esse resultado por 12 meses = 0,48 x 12 = 5,76 meses. Descobrimos que são 5 meses mais 0,76 meses. Da mesma maneira multiplicaremos 0,76 por 30 dias = 0,76 x 30 = 22,8 dias. O resultado deste pay-back descontado será de 3,48 anos, que será aproximadamente de 3 anos, 5 meses e 23 dias. PV = −175 + + + + 69 (1 + 0, 15)1 58 (1 + 0, 15)2 71 (1 + 0, 15)3 89 (1 + 0, 15)4 PV = - 175 +60 + 43,86 + 46,68 + 50,89 Valor Presente Líquido Anualizado O valor presente líquido anualizado (VPLa) é uma variação do VPL, já apresentado anteriormente; a diferença está na análise do �uxo de caixa, no VPL toda a concentração do �uxo de caixa está na data zero, enquanto no VPLa o �uxo de caixa do projeto é transformado em uma série uniforme. Podemos fazer uma comparação entre os dois para melhorar o entendimento da diferenciação dos dois. Tabela 2.22 - Comparação entre VPL e VPLa Fonte: Elaborada pelo autor. De acordo com Souza e Clemente (2008, p. 61), a fórmula para calcular o VPLa é a seguinte: Onde: VPLa = Valor presente líquido anualizado. VPL = Valor presente líquido VPL VPLa É concentrado na data zero, utilizando a TMA. Igual o VPL, porém a sua interpretação é anual. Sua representação é a diferença entre os pagamentos e recebimentos de um projeto, trazendo a valores atuais. Sua representação é uma série de pagamentos anuais ao projeto. Resultado positivo - projeto aceito. Melhor comparação em projetos com períodos diferentes. Resultado negativo - projeto negado. Melhor análise do ganho. V PLa = V PL x( ) i ⋅ (1 + i)n − 1(1 + 1)n i = taxa de juros n = período Lembrando que para qualquer análise que o gestor �zer de um projeto não se pode levar em conta somente um tipo de análise de investimentos - serão necessárias outras análises para melhor tomada de decisão. Considerações Finais Foi apresentado nesta unidade diversos tipos de análise de investimentos; primeiro foi explicado a TMA (taxa mínima de atratividade), depois a TIR (taxa interna de retorno) e a sua comparação com a TMA, e posteriormente foram apresentados cálculos para melhor entendimento. O VPL (valor presente líquido) apresenta o resultado do possível investimento em valores, assim o gestor poderá analisar dois ou mais projetos com valores iniciais iguais. Outro tipo de análise apresentada foi o pay-back, também explicado com exercícios; um diferencial do pay-back é o pay-back descontado, pois há diferença das taxas de juros nos tipos de análises. Qual o melhor método de análise? Isso o gestor que analisará, pois cada pessoa poderá ter melhor entendimento de um tipo de análise de investimentos e poderá ser melhor interpretado pelo gestor. Essa situação é muito particular de cada um, lembrando que no pay-back não há taxa de juros, já no pay-back descontado sim. No VPL pode ser um �uxo de caixa sem periodicidade e no VPLa existe esta transformação, no TIR é necessária uma outra taxa, a TMA para sua análise �nal. Exercícios foram feitos com a utilização de calculadora HP-12C ou pelas fórmulas. INDICAÇÃO DE LEITURA Livro: Cálculo �nanceiro das tesourarias. Autor: José Roberto Securato Ano: 2008 Editora: Saint Paul ISBN: 8580041147 Sinopse: A elegância dos procedimentos e estruturas �nanceiras no Brasil requer uma dominação por inteiro do cálculo �nanceiro. A atividade da taxa de juros e da in�ação e as inúmeras operações�nanceiras e produtos bancários, além de produtos ligados a meios de pagamentos e ao consumo varejista, exigem dos pro�ssionais de bancos e empresas conhecimentos amplos sobre esses temas. O livro aborda a moderna gestão de tesourarias, reunindo todos os elementos técnicos necessários para sua boa administração. Uma das maneiras de analisar um projeto de investimentos, seja ele um projeto de uma nova empresa ou a ampliação de empresa existente, é a análise de investimento do valor presente líquido, que é obtida por: Ao número de períodos em que a empresa recupera o seu investimento. Trazer o �uxo de caixa projetado para o período zero. Taxa de juros do �uxo de caixa é igual à taxa mínima de atratividade. Ao número de períodos, descontado os juros, em que a empresa recupera o seu investimento. Ao valor inicial do projeto com taxa de juros diferentes. A TMA (taxa mínima de atratividade) deve ser escolhida pelos gestores da empresa em um novo projeto; essa escolha depende de alguns fatores, como pode ser de�nida essa taxa? É uma taxa escolhida pelo gerente do banco. É de�nida pelo investidor comparando com alguma taxa do mercado �nanceiro. É de�nida pelo investidor comparando com alguma taxa do mercado �nanceiro. É de�nida pelo departamento de marketing da empresa. É de�nida pelo departamento jurídico da empresa. Uma das possíveis análises de investimento é o TIR (taxa interna de retorno) - quando esse projeto é viável? Quando o TIR for negativo. Quando o TIR for positivo e maior que o TMA. Quando o TIR for positivo e igual ao TMA. Quando o TIR for negativo e igual ao TMA. Quando o TIR for negativo e menor que o TMA. Atividades Introdução Nesta unidade abordaremos a formação do resultado operacional, proporemos métodos de ajustes no resultado operacional, explicaremos o conceito e signi�cado de alavancagem operacional e sua formulação, além da formulação do grau de alavancagem �nanceira; explicaremos o conceito e signi�cado desta alavancagem. Apresentaremos o funcionamento disso no país, os passivos exigíveis à chamada ‘reciprocidade’ bancária. Após estas informações, serão apresentados o conceito de alavancagem combinada e seu funcionamento. Unidade III Grau de Alavancagem Operacional, Financeira e Combinada Alavancagem Para começarmos a entender a alavancagem operacional, apresentaremos uma de�nição de alavancagem: Alavancagem é o termo usado no mercado �nanceiro para designar a obtenção de recursos para realizar determinadas operações. Num sentido mais preciso, signi�ca a relação entre endividamento de longo prazo e o capital empregado por uma empresa. Assim, o quociente Endividamento de Longo Prazo / Capital Total Empregado re�ete o grau de alavancagem aplicado. Quanto maior for o quociente, maior será o grau de alavancagem (SANDRONI, 2008, p. 22). Após a de�nição de alavancagem, vejamos uma de�nição de alavancagem operacional: Alavancagem operacional é determinada pela relação existente entre as receitas operacionais da empresa e o seu LAJIR (lucro antes dos juros e do imposto de renda), ou seja, lucro operacional antes do IR (ASSAF NETO; LIMA, 2011, p. 269). Após essas de�nições serão apresentados a análise do ponto de equilíbrio e os efeitos dos custos �xos nas operações da empresa. Ponto de Equilíbrio A análise do ponto de equilíbrio, ou análise custo X volume x lucro, é utilizada para conhecer o volume de vendas da atividade principal da empresa para cobrir as despesas e os custos operacionais e posteriormente para analisar o lucro relativo ao nível de vendas. O break-even point (ponto de equilíbrio) apresenta o volume necessário de vendas para a cobertura de todas as despesas e custos operacionais; o ponto de equilíbrio do resultado operacional é igual a zero. O gestor analisa o ponto de equilíbrio para veri�car o quanto a empresa precisa vender para cobrir todos os gastos e despesas operacionais. Analisemos a Tabela 3.1: Tabela 3.1 - Análise do break-even point Fonte: Elaborada pelo autor. Para fazer essa análise será necessário entender os custos e despesas �xos que não dependem do volume de vendas ou produção. Lembrando que o custo �xo pode ter alteração de um mês para o outro e ainda ser classi�cado como �xo, pois pode ocorrer reajuste de um custo em um mês, como do aluguel, por exemplo, e no outro mês reajuste de outro custo, como um �nanciamento, mas nem por isso esses dois itens estarão classi�cados como custos variáveis. Os custos e despesas variáveis são os custos que dependem da produção, do volume produzido no período, podendo ser o dia, a semana, o mês, o ano... Os custos normalmente acompanham o volume de produção da companhia, existe essa relação: quanto maior a produção da empresa, maiores serão os seus custos variáveis. Break-even point Análise Break-even > 0 Resultado positivo será lucro na empresa Break-even = 0 Trabalhou para cobrir os gastos Break-evenA margem de contribuição é a diferença entre receita de vendas e custos e despesas variáveis, isto é, $ 1.400.000,00 - $ 980.000,00, resultando em $ 420.000,00. Após calcular os produtos A e B individualmente será necessário o cálculo total; para isso será calculado o total das receitas de vendas segundo Tabela 3.4 - é preciso somar as receitas de vendas do produto A, $ 442.000,00, e do produto B, $ 1.400.000,00, resultando em $ 1.842.000,00. Em relação aos custos e despesas variáveis será feito a mesma coisa - a somatória dos custos e despesas variáveis do produto A $ 198.900,00 e do produto B $ 980.000,00, resultando em $ 1.178.900,00, lembrando que esse resultado aparece entre parênteses na Tabela 3.4 por ser negativo. Posteriormente será feito o cálculo da margem de contribuição total, que será o resultado da margem de contribuição do produto A, $ 243.100,00, mais a margem de contribuição do produto B, $ 420.000,00, totalizando $ 663.100,00. Os custos e despesas �xas foram dados na Tabela 3.4, $ 435.000,00 e para calcular o lucro operacional antes do IR (imposto de renda), deverá ser feito a somatória de $ 663.100,00 com ($ 435.000,00); lembre-se que esse valor está negativo, pois se trata dos custos e despesas �xas, resultando em $ 228.100,00. O resultado deste exemplo gerou lucro positivo, isso nem sempre acontece com as empresas, pois em muitas delas não há nem o controle do �uxo de caixa nem o conhecimento da margem de contribuição dos produtos que produzem ou vendem, mas mesmo assim querem mantê-los em sua lista de produtos para vendas. O cálculo de margem de contribuição por produto é necessário para o entendimento das suas receitas e custos variáveis, pois o gestor poderá compreender qual produto terá o maior retorno para e empresa. Ponto de Equilíbrio Operacional (PEO) O ponto de equilíbrio operacional é momento em que o volume de vendas atingiu o mínimo necessário para pagar todas os custos e despesas �xas e variáveis da empresa. Quando o resultado da equação for negativo, a empresa ou setor estará em prejuízo; quando for positivo, a empresa ou setor estará com lucro; quando esse resultado for zero, será o ponto de equilíbrio operacional, que será calculado pela seguinte fórmula, segundo Assaf Neto e Lima (2011): q ⋅ (p − Cvu) − CF = LAJIR Onde: q - quantidade de vendas por unidade p - preço de venda unitário CVu - custo ou despesa operacional variável por unidade CF - custo ou despesa operacional �xo no período LAJIR - lucro antes dos juros e IR (lucro operacional antes do IR). Para encontrar o ponto de equilíbrio operacional colocamos o LAJIR igual a zero, assim �cará a fórmula: Para calcular a quantidade (q), se isola de um lado a quantidade e calcula-se dividindo o custo �xo pela equação do preço, subtraindo o custo ou despesa operacional variável por unidade; a fórmula �cará assim: Ponto de Equilíbrio Econômico O ponto de equilíbrio econômico é a mesma fórmula do ponto de equilíbrio operacional, só que no denominador o CF será acrescido de juros mínimo, o que o empresário ou gestor acrescentará no cálculo, e a fórmula �cará da seguinte maneira: Ponto de Equilíbrio Financeiro O ponto de equilíbrio �nanceiro é a mesma fórmula do ponto de equilíbrio operacional, com alguns detalhes no numerador, pois o custo ou despesa operacional �xa irá subtrair as despesas não desembolsáveis e somará as amortizações. As despesas não desembolsáveis são aquelas em ocorrem desencontros no �uxo de caixa, assim a empresa terá que buscar recursos em outros lugares; sua fórmula é a seguinte: q ⋅ (p − Cvu) − CF = 0$ q = CF (p − Cvu) q = CF + lucro m nimoí (p − Cvu) Alavancagem Operacional A alavancagem operacional apresenta como a variação no volume da atividade interfere no resultado operacional da empresa, isso é, se por algum motivo as vendas possuírem mudanças, tanto positivas como negativas, o que isso in�uenciará no resultado operacional da empresa? A fórmula do grau de alavancagem da operacional (GAO) é a seguinte: O resultado do GAO apresenta a alavancagem de uma empresa em relação à estrutura dos custos e despesas que possui. Quando uma empresa apresentar maiores custos e despesas �xas em relação aos custos e despesas totais, apresentará maior alavancagem, já as empresas que possuem maiores custos e despesas �xas estão assumindo maiores riscos . Exemplo de Grau de Alavancagem Operacional Imagine três empresas muito parecidas, com produtos similares, estratégias de vendas próximas, público alvo próximos, porém com estruturas internas bem diferentes; a empresa I é mais moderna, a empresa II possui tecnologia um pouco atrasada e a empresa III utiliza uma tecnologia bem ultrapassada. Serão apresentados os números dessas três empresas para análise: Ponto de equil brio financeiro =í CF − N o desembols veis + Amortiza esa~ á o~ (p − Cvu) GAO = Porcentagem de varia o no lucroa~ Porcentagem de varia o no volume de atividadea~ Empresa I Empresa II Empresa III Receitas de vendas $ 250 100% $ 250 100% $ 250 100% Custos e despesas variáveis ($ 50) 20% ($ 75) 30% ($ 100) 40% Margem de contribuição $ 200 80% $ 175 70% $ 150 60% Custos e despesas �xas ($ 150) ($ 125) ($ 100) Tabela 3.5 - Resultado das empresas Fonte: Adaptada de Assaf Neto e Lima (2011). Vamos imaginar um crescimento nas vendas em 10%; será feita uma nova análise, calculando o GAO e sua interpretação: Tabela 3.6 - Resultado das empresas com crescimento de 10% nas vendas Fonte: Adaptada de Assaf Neto e Lima (2011). Conforme o exemplo da Tabela 3.6, houve um aumento nas vendas de 10% e ocorreram mudanças nos custos e despesas variáveis também; como isso altera o grau de alavancagem operacional destas empresas? A variação no resultado operacional da A é de +40%, passando de $ 50,00 para $ 70,00, para a empresa B a variação no resultado operacional é de +35%, Resultado operacional $ 50 $ 50 $ 50 Empresa I Empresa II Empresa III Receitas de vendas $ 275 100% $ 275 100% $ 275 100% Custos e despesas variáveis ($ 55) 20% ($ 82,5) 30% ($ 110) 40% Margem de contribuição $ 220 80% $ 192,5 70% $ 165 60% Custos e despesas �xas $ 150 $ 125 $ 100 Resultado operacional $ 70 $ 67,5 $ 65 Variação do lucro operacional 70 / 50 - 1= 40% 67,5 / 50 - 1= 35% 65 / 50 - 1= 30% Variação no volume de vendas 10% 10% 10% GAO 40% / 10% = 4,0 35% / 10% = 3,5 30% / 10% = 3,0 passando de $ 50,00 para $ 67,5, e para a empresa C o resultado operacional é de +30%, passando de $ 50,00 para $ 65,00. Como podemos interpretar esses resultados? Empresa A - a cada 1% de aumento nas vendas existe um crescimento de 4,0% nos resultados operacionais. Empresa B - a cada 1% de aumento nas vendas existe um crescimento de 3,5% nos resultados operacionais. Empresa C - a cada 1% de aumento nas vendas existe um crescimento de 3,0% nos resultados operacionais. Após a apresentação dos dados com o crescimento das vendas na empresa, será apresentado o outro lado, o que ocorre quando há queda nas vendas. Conforme a Tabela 3.7: Tabela 3.7 - Resultado das empresas com queda de 10% nas vendas Fonte: Adaptada de Assaf Neto e Lima (2011). Empresa I Empresa II Empresa III Receitas de vendas $ 225 100% $ 225 100% $ 225 100% Custos e despesas variáveis ($ 45) 20% ($ 67,5) 30% ($ 90) 40% Margem de contribuição $ 180 80% $ 157,5 70% $ 135 60% Custos e despesas �xas $ 150 $ 125 $ 100 Resultado operacional $ 30 $ 32,5 $ 35 Variação do lucro operacional 30 / 50 - 1= -40% 32,5 / 50 - 1= -35% 35 / 50 - 1= -30% Variação no volume de vendas -10% -10% -10% GAO -40% / -10% = 4,0 -35% / -10% = 3,5 -30% / -10% = 3,0 Conforme o exemplo da Tabela 3.7, houve um queda nas vendas de 10% e ocorreram mudanças nos custos e despesas variáveis também; e como isso altera o grau de alavancagem operacional destas empresas? A variação no resultado operacional da A é de -40%, passando de $ 50,00 para $ 30,00, para a empresa B a variação no resultado operacional é de -35%, passando de $ 50,00 para $ 32,5, e para a empresa C o resultado