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- Oposição ao texto em verso; 
- Texto construído formalmente; 
- Numa proporção maior de parágrafos e/ou 
diálogos curtos, médios ou longos; 
- Não necessária ou totalmente por versos; 
- “Ir para frente”, discorrer o texto, buscar um 
relato, uma narrativa que flui. 
Exemplos de autores da prosa de ficção: 
1º - Crônicas literárias: 
 
2º - Contistas e/ou romancistas: 
 
 
 
 
 
 
 
3º - Novelistas literários: 
 
Existe dois tipos de prosa: 
1 – a “narrativa” propriamente a ficcional ou 
literária, dotada de elementos do imaginário, da 
invenção ou fantasia, que perfaz a narrativa ou 
relato de crônicas, contos, novelas e romances; 
2 – a “demonstrativa”, que compreende os 
textos de “Oratória”, bem como a “prosa 
didática”, que perfazem “tratados, diálogos, 
cartas, ensaios” (MOISES, 2004, p.371). 
O texto narrativo, ou denominado prosa de 
ficção, pode ser um relato real (verdadeiro) ou 
imaginário (inventado). 
Classificação dada por Moisés (p.371), que 
apresenta cinco tipos de prosa: 
- Narrativa (prosa de ficção propriamente dita); 
- “Argumentativa” (a de “tratados”); 
- Dramática (que ocorre no “teatro”); 
- Informativa (de obras científicas, 
enciclopédias, diversos ofícios e relatórios em 
geral, artigos jornalísticos e reportagens que 
visam à busca da informação); 
Rubem Braga
Fernando Sabino
Luís Fernando Veríssimo
Machado de Assis
Clarice Lispector
Guimarães Rosa
Graciliano Ramos
José Saramago
Franz Kafka
Henry James
Camilo Castelo Branco
Teoria da Literatura 
- Contemplativa (são exemplares os textos 
religiosos, políticos, de fantasia ou de 
“linguagem descritiva”). 
Estabelecer a distinção entre prosa literária e 
prosa não-literária: 
Prosa literária – perfaz um texto 
conotativo corrente, construído 
basicamente por parágrafos ou 
diálogos inventados por um autor, que cria os 
gêneros: crônica literária, conto, novela, 
romance e teatro (como texto), e uma série de 
outros gêneros da prosa mais antigos (mito, 
leda, contos de fadas, contos maravilhosos) e 
mais recentes (miniconto, microconto, história 
em quadrinhos). 
Prosa não-literária – perfaz 
textos denotativos, quase sem 
invenção criativa ou estética 
(científicos, acadêmicos, ensaios, 
críticas, jornalísticos). 
Uma definição mais precisa é considerar prosa 
de ficção literária tudo que constrói uma 
narrativa ou relato numa sequência de ações 
com um processo de efabulação imaginária. 
Efabular – criar uma história a ser contada. 
: 
 
Segundo Moisés (p.372), o elemento 
fundamental que caracteriza a prosa de ficção 
não é necessariamente formal, só de expressão, 
mas notadamente de conteúdo. 
Diferente da poesia, que é carregada de 
elementos formais (métrica, rima, ritmo, 
figuras de linguagem sonoras, assonância, 
aliteração, eco). 
O que caracteriza a prosa de ficção é o 
desprendimento do ficcionista em projetar-se 
para fora de si, numa “realidade exterior”, 
construindo vários outros eus externos, que são 
as personagens da história narrada. 
Enquanto o poeta projeta-se para dentro de si 
mesmo, o ficcionista projeta para fora de si 
mesmo. 
No espaço formal da prosa, a metáfora, por 
exemplo, ganha espaço no poder semântico, ao 
revelar uma série de sentidos nos parágrafos e 
não nos versos. 
Exemplo: romance Iracema, de José de 
Alencar, há uma séria de caracterizações 
metafóricas da heroína indígena: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fins dos séculos medievais 
e Renascença
Enraíza-se desde os contos 
milenares das Mil e uma 
noites e Decameron
Protótipo nos versos das 
canções de gesta
Romance originou-se da 
poesia dos séculos XII e XIII
Iracema, a virgem dos lábios de mel, 
que tinha os cabelos mais negros que a 
asa da graúna, e mais longos que seu 
talhe de palmeira. O favo da jati não era 
doce como seu sorriso; nem a baunilha 
recendia no bosque como seu hálito 
perfumado. Mais rápida que a corça 
selvagem, a morena virgem corria o 
sertão e as matas do Ipu, onde 
campeava sua guerreira tribo, da grande 
nação tabajara. O pé grácil e nu, mal 
roçando, alisava apenas a verde pelúcia 
que vestia a terra com as primeiras 
águas. 
Nessa descrição, notamos que a heroína 
indígena revela-se com toda uma força da 
natureza, através de elementos doces, naturais 
e selvagens (o doce mel, as asas negras da 
graúna, os longos talhes da palmeira, o sorriso 
que espelha a doçura do favo do jati, a 
velocidade da corça selvagem, entre outros 
elementos metafóricos). 
Tais recursos numerosos não são acionados 
para construir elementos expressivos formais 
poemáticos, mas para a busca de sentidos 
metafóricos no plano do conteúdo, no plano 
semântico, pois a prosa corre solta nos 
parágrafos romanescos de Alencar. 
Em síntese, na poesia prevalece a “linguagem 
conotativa”, já na prosa a linguagem denotativa-
conotativa, essa função dupla tem predomínio, 
tendo-se uma dimensão maior da conotação 
após o término da leitura crítica do texto 
ficcional. 
A estrutura do texto da prosa de ficção está 
intrinsecamente ligada ao seu conteúdo, ou 
seja, cada gênero da prosa constitui-se de 
elementos formais que se conectam aos seus 
elementos conteudísticos. 
Por exemplo, o conto, que é uma narrativa 
breve, apresenta cinco categorias básicas, 
assim como a novela e o romance: 
1 – personagens; 
2 – enredo; 
3 – tempo; 
4 – espaço; 
5 – narrador. 
O conto, como trata-se de um texto curo, tem 
sua estrutura menor, com menos personagens, 
espaço e tempo articulados de modo menos 
amplo, por vezes rápido e concentrado, bem 
como o ponto de vista ou narrador relata a 
história num tempo da enunciação que busca 
prender o leitor no processo de efabulação 
num curto espaço narrativo, poucas páginas; 
Faz com que o leitor deseje envolver-se naquele 
enredo mínimo que compreende tanto poucas 
personagens quanto ele mesmo, no tempo da 
enunciação, da leitura, num espaço de poucos 
minutos ou horas. 
Prosa Poética 
Pode ser construída por gêneros narrativos que 
são considerados poemas em prosa, ou contos, 
novelas ou romances líricos. 
Exemplo: Iracema, de José de Alencar, que é 
considerado um romance lírico de alta 
concentração poética. 
Características fundamentais: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Elementos com soluções poéticas
Torna texto híbrido, mesclado e misturado de prosa e poesia
 
Personagem e Pessoa 
Personagem – vem do teatro grego antigo, cujo 
ator usava máscaras (trágicas e cômicas). 
“Persona”, “máscara”, é algo que esconde 
alguma dada face ou faceta de um ser. 
Há, na gênese de um personagem, as questões 
e aspectos da aparência e essência do ser, 
assim como na vida real. 
Mas no âmbito do personagem, sempre a 
revelação dessas “personas” ou “máscaras” são 
mais marcantes, porque, a partir daí, como 
leitores, percebemos que os personagens 
revelam espelhamentos de como podemos ser 
e viver. 
Esse é o motivo principal de como leitores se 
identificam com esse ou aquele personagem, 
porque revelam características que estão em 
nós e não percebíamos antes da leitura. 
Pessoas – vivemos uma realidade física, 
psíquica (consciente e inconsciente), 
determinada, objetiva e corporal, coletiva e 
social, como pessoas, presos a uma existência 
ôntica através de um corpo físico e de uma 
realidade verdadeira, inseridos no tempo 
histórico e no espaço também real (local de 
nascimento, vida e morte). 
Não se deve, portanto, confundir pessoa com 
personagem. 
A nós não nos interessa a vida biográfica do 
autor físico, a não ser que os dados dessa vida 
adentrem a narrativa, que se mescla numa 
narrativa configurada como memorialista. 
Se for um romance de memórias, daí a vida 
biográfica do autor nos interessa. 
Exemplo: Infância e Memórias do Cárcere, de 
Graciliano Ramos. 
Nessas obras encontramos relatos da infância 
e da prisão do autor, reveladores de situações 
tocantes, tensas e conflituosas da sua vida. Há 
sempre uma carga e uma perspectiva ficcional 
nesses textos. 
Já as personagens (Capitue Bentinho, de Dom 
Casmurro, de Machado de Assis; Paulo Honório 
e Madalena de São Bernardo, de Graciliano 
Ramos; Macabéa e Glória, de A Hora da Estrela, 
de Clarice Lispector) são seres ficcionais, 
inventados, criados por esses autores. 
Nos contos, novelas e romances, há 
personagens mais relevantes e menos 
relevantes. Costumamos denominar as 
relevantes as protagonistas ou heróis/heroínas. 
Já as personagens menos relevantes, mais 
funcionais à narrativa, são denominadas 
secundárias. São chamadas de coadjuvantes 
nos filmes, séries e novelas televisivas. 
Um pioneiro no estudo da ficção foi o 
romancista e teórico E.M. Foster, que criou uma 
das primeiras tipologias de personagens, muito 
marcante em sua obra teórica intitulada: 
Aspectos do romance. São dois tipos: 
personagens redondas e planas. 
1º - personagens planas: 
Tipos ou caricaturas (mais cômicas ou pesadas 
na tipificação). Apresentam uma construção 
mais simples, porque giram em torno de “uma 
ideia ou qualidade” na narrativa. 
Quando lemos um romance, ao aparecerem, 
logo sabemos quem são, porque são facilmente 
reconhecidas pelo leitor. Quando reaparecem 
na obra, também são “facilmente lembradas 
pelo leitor” (CANDIDO, 1987, p. 62). 
Um exemplo marcante é a cartomante, do 
conto “A cartomante”, de Machado de Assis, 
pois esta é o título do conto, mas só aparece 
num dado momento climático da narrativa, mas 
não é totalmente caracterizada, é só um tipo 
místico para engendrar mistério na história. 
2º - personagens redondas ou esféricas: 
Claramente definidas, de maior complexidade 
e com ampla capacidade de surpreender o 
leitor, ao constatar que, ao ler um romance, 
reconsidera a vida ali construída no texto 
ficcional, assim como a vida real, que pode ser 
imprevisível. 
Difícil um leitor não se aborrecer com uma 
personagem redonda, o objetivo do autor é 
faze-lo se surpreender com as “realizações tão 
altas” e densas. 
Seres complexos, que apresentam 
características tanto externas quanto internas. 
Podem ser vasculhados interiormente pelos 
narradores (em 3ª pessoa) ou por si próprio 
(1ª pessoa). 
Podem apresentar zonas de indeterminação, de 
mistério e de imponderabilidade, como na vida 
real. 
Exemplo: Brás Cubas, de Memórias Póstumas 
de Brás Cubas, de Machado de Assis. 
 
Heróis contra vilões; protagonistas contra 
antagonistas. 
Tipologia provém do grego (héros) 
descendente dos deuses, ou pelo latim (heros). 
Significa, em geral, o protagonista ou 
personagem central da história, da epopeia, da 
prosa de ficção ou do teatro. 
Consegue, através das suas ações, aproximar-
se dos deuses, equivale a um semideus. 
Exemplo: Peri, de O guarani, de José de Alencar. 
Nas narrativas modernas e pós-modernas, por 
apresentarem conflitos psicológicos e vieses de 
decadência e perdição, são considerados anti-
heróis, pois subvertem as expectativas do herói, 
não buscam vencer os inimigos e se buscam, 
podem perder, não alcançam as realizações, 
feitos e a fatura amorosa. 
Portanto, anti-heróis são seres decadentes e 
perdidos, mas demonstram uma verdade 
importante para o leitor nos últimos séculos, 
porque são mais próximos do mundo real. 
Exemplo: Macunaíma, de Mário de Andrade, 
cujo protagonista é o herói sem nenhum 
caráter, ou seja, subverte a condição valorosa 
do herói, portanto, é um anti-herói moderno. 
Enredo 
 
Sequência de 
ações que 
personagens 
vivenciam
Própria 
efabulação
Sem ele, não 
existe atos ou 
ações das 
personagens
Não há relato ou 
história
Correlaciona-se a necessidade de o homem 
contar e ouvir histórias, atividade oral, de raízes 
antropológicas e sociais, que remonta tempos 
antigos e ancestrais. 
Mesquita conceitua enredo: 
 
 
 
 
 
 
 
Outro ponto é que o enredo não se encontra 
só na prosa de ficção, mas em vários gêneros, 
desde a epopeia até a história em quadrinhos 
e os fotologs atuais. 
Ação e Episódio 
Curso sequencial de acontecimentos 
vivenciados pelas personagens na narrativa, nas 
mais diferenciadas situações. 
 
 
 
 
Intriga 
Sinônimo de enredo, porém com significados 
diferenciados pois, enquanto o enredo é uma 
visão total das “causas e efeitos” que sucedem 
o plano narrativo, a intriga é um “relato sucinto, 
abreviado, mas atento à noção de causalidade 
dos eventos que se entrelaçam na direção de 
um fim”. (MOISES, 2004, p. 145). 
Exemplo marcante de intriga no conto ou 
romance é o triângulo amoroso. 
Assunto ou Plot 
Assunto – justamente a “síntese da história” ou 
propriamente o “argumento”, que tem uma 
noção diferenciada do tema da obra. É como o 
autor constrói a história na perspectiva da sua 
visão sobre os acontecimentos e seres na 
narrativa e o tema da obra é simplesmente 
uma perspectiva do assunto mais geral e 
genérica. 
Tipos de enredo: 
1º - o tripartite, linear ou tradicional; 
2º - o alinear ou moderno. 
Tripartite, Linear ou Tradicional 
Tripartite é um enredo clássico, o típido dos 
contos populares, com a narrativa que tem tês 
grandes processos de ações: 
1. Começo; 
2. Meio e 
3. Fim. 
Fáceis de serem assimilados e costumam 
fisgar o leitor mirim e tradicional. Exemplos: 
enredos dos romances de José de Alencar são 
sequenciais e dentro de uma temporalidade 
mais cronológica, em especial Senhora, que 
conta a história do casamento de Aurélia 
Camargo, desde o momento da tentativa 
frustrada do dote, quando ela era pobre, até o 
desenlace final (fatura amorosa), temos uma 
narrativa tradicional, com início, meio e fim. 
Enredo: organização artística da fábula, da 
história; a maneira como a matéria é narrada e 
apresentada ao leitor; encadeamento global de 
sequências do interior de um texto narrativo, 
resultante da articulação e interdependência 
dos planos do discurso que narra e da história 
que é narrada. Também chamado de trama, 
intriga. 
((1986, p 64)) 
 
A ação será, portanto, o percurso seguido pelas 
personagens através das sucessivas situações. 
((MESQUITA, 1986, p. 23)) 
 
Henry James (apud MESQUITA, 1986) complica 
um pouco mais essa narrativa linear, ao 
apresentar cinco fases diferentes de ações: 
1 – apresentação; 
2 – complicação; 
3 – desenvolvimento; 
4 – clímax. 
5 – desenlace 
As células mínimas narrativas 
Criadas teoricamente por Roland Barthes, um 
teórico e crítico francês estruturalista. 
a) Funções cardinais 
Ações mais relevantes, centrais e 
estruturais da narrativa, não podem ser 
retiradas pelo autor ou desprezadas pelo 
leitor, porque poderíamos correr o risco de 
desestabilizar toda a articulação da 
sequência das ações e, por conseguinte, 
toda a história. 
Exemplo: noivado, casamento, morte das 
personagens. 
b) Funções catalíticas: 
Ações mais rápidas e repetidas, menos 
fortes e impactantes, que podem ser 
retiradas pelo autor. Dão movimento à 
narrativa, mas se retiradas, não 
desestruturam a história. 
Exemplo: atravessas a rua, cortar o cabelo, 
ir ao trabalho (se essas ações não forem 
extremamente simbólicas para as 
personagens). 
c) Índices: 
Não se situam nas ações, mas indicam “um 
caráter, sentimento”, “uma atmosfera”, “uma 
filosofia”, na narrativa. 
Exemplo: os olhos de ressaca de Capitu, do 
romance Dom Casmurro, de Machado de 
Assis. 
d) Informantes: 
Também não se situam nas ações, mas 
servem para informar, identificar elementos 
temporais e espaciais. 
Exemplo: a cor do carro da personagem, a 
renda do vestido, a direção e velocidade que 
o carro atravessa a rua, avenida, ponte. 
Digressão 
Quando o narrador para de narrar os 
acontecimentos e começa a construir 
discursos, reflexões filosóficas, diálogos com o 
leitor, opiniões, comentários dos mais 
diferenciados tipos (desde metalinguísticos, ou 
seja, sobre a própria narrativa, até mesmo 
acerca do tema da narrativa). 
Notamos que o enredo não está só ligado ao 
narrador, mas totalmente interligado às 
personagens, porque há o que Mesquita (1968, 
p. 28) denomina de “núcleo conflitivo”, que 
significa o mecanismo que gera “as ações daspersonagens”. 
Nele há a contraposição de forças dos 
protagonistas (heróis) e dos antagonistas 
(vilões), ação a impulsionar ação, em sentidos 
opostos. 
Exemplos de núcleos conflitivos: amor proibido 
no romance romântico tradicional; a questão de 
identidade de Riobaldo e Diadorim, que é 
engendrada pela persistente questão da 
existência ou não do demônio em Grande 
Sertão: veredas, de Guimarães Rosa.