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Disciplina | 
Introdução 
Avaliações Indiretas| 1 
 
 
 
 
 
DISCIPLINA 
AVALIAÇÃO E PLANEJAMENTO DE 
INTERVENÇÕES NO AUTISMO 
 
CONTEÚDO 
Avaliação Comportamental 
Avaliação e Planejamento de Intervenções no Autismo | 
Sumário 
Avaliações Indiretas| 2 
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G892 
GRUPO FOCUS DE EDUCAÇÃO. Avaliação e Planejamento de Intervenções no Autismo: Avaliação 
Comportamental / Org. Vitor Matheus Krewer. – Cascavel: Grupo Focus de Educação, Focus, 2024. 
23 P. 
1. Transtorno do espectro autista; 2. Avaliação - Brasil. I. Krewer, Vitor Matheus. II. Título. 
CDD 23 ed.: 372.486 
http://www.faculdadefocus.com.br/
mailto:tutoria@faculdadefocus.com.br
http://www.faculdadefocus.com.br/
Avaliação e Planejamento de Intervenções no Autismo | 
Sumário 
Avaliações Indiretas| 3 
Sumário 
Sumário ----------------------------------------------------------------------------------------------------- 3 
Introdução -------------------------------------------------------------------------------------------------- 4 
1 Função da Avaliação do Comportamento ---------------------------------------------------- 4 
2 Métodos de Avaliação Comportamental ----------------------------------------------------- 6 
2.1 Avaliações Indiretas ---------------------------------------------------------------------------------------------- 6 
2.1.1 Entrevistas --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 7 
2.1.2 Escalas e Checklists ---------------------------------------------------------------------------------------------------------- 8 
2.2 Avaliações Diretas ------------------------------------------------------------------------------------------------ 8 
2.2.1 Análises Descritivas --------------------------------------------------------------------------------------------------------- 9 
2.3 Análise Funcional do Comportamento -------------------------------------------------------------------- 12 
3 Avaliação de Potenciais Reforçadores -------------------------------------------------------- 15 
3.1 Importância do Reforçador Adequado -------------------------------------------------------------------- 15 
3.2 Avaliação de Preferência X Avaliação de Reforçador ------------------------------------------------- 20 
Conclusão -------------------------------------------------------------------------------------------------- 21 
Referências ------------------------------------------------------------------------------------------------ 22 
 
 
Avaliação e Planejamento de Intervenções no Autismo | 
Introdução 
Avaliações Indiretas| 4 
Introdução 
 
Veremos nesta unidade o que é e qual a finalidade da avaliação 
comportamental. No primeiro momento, apresentamos a função da avaliação do 
comportamento, considerada uma ferramenta essencial na Análise do 
Comportamento. Em seguida, detalhamos os métodos envolvidos na avaliação 
comportamental, divididos em avaliações indiretas e diretas. Aqui, exploraremos as 
particularidades e aplicações de cada método, incluindo entrevistas, escalas, checklists 
e análises descritivas, culminando na análise funcional do comportamento. 
Para finalizar, abordamos a avaliação de potenciais reforçadores, um aspecto 
crítico na modificação e no reforço de comportamentos. Discutiremos a importância 
da identificação de reforçadores adequados, o que implica na diferenciação da 
avaliação de preferência da avaliação de reforçadores. 
 
1 Função da Avaliação do Comportamento 
 
No campo da Análise do Comportamento, a avaliação é um componente-chave 
de um modelo de intervenção sistemático, abrangendo avaliação, planejamento, 
implementação e análise. Ao contrário das avaliações tradicionais em Psicologia e 
Educação, que geralmente utilizam testes padronizados para avaliar os pontos fortes 
e fracos de uma criança em áreas como cognição, acadêmicas, sociais e habilidades 
psicomotoras, a avaliação comportamental centra-se em métodos como observações 
diretas, entrevistas, listas de verificação e testes. Esses métodos são utilizados para 
identificar e definir comportamentos específicos que serão o foco da intervenção. 
Além de determinar os comportamentos-alvo, a avaliação comportamental fornece 
detalhes sobre recursos, habilidades, pessoas envolvidas no controle do 
comportamento da criança, contingências concorrentes, fatores que mantêm e 
generalizam o comportamento e potenciais reforçadores ou punidores. Esses detalhes 
são essenciais para o desenvolvimento de um plano de intervenção eficaz para 
modificar o comportamento-alvo (RIBEIRO; SELLA; SOUZA, 2018). 
Em outros termos, as autoras resumem que o objetivo da avaliação 
comportamental consiste em identificar o problema do cliente e como melhorá-lo. 
Avaliação e Planejamento de Intervenções no Autismo | 
Função da Avaliação do Comportamento 
Avaliações Indiretas| 5 
Esta definição destaca que a avaliação comportamental tem como objetivo principal 
compreender a função do comportamento do indivíduo, identificando tanto 
habilidades quanto déficits comportamentais. Portanto, os resultados de uma 
avaliação comportamental fornecem ao analista do comportamento uma percepção 
das variáveis que influenciam o aumento, a diminuição, a manutenção ou 
generalização do comportamento-alvo. Como resultado, isto permite um 
planejamento mais direcionado de intervenções com maior probabilidade de sucesso. 
A eficácia do planejamento de uma intervenção comportamental depende de 
uma avaliação inicial cuidadosa e de uma descrição clara de objetivos. Antes da 
primeira sessão de avaliação, é fundamental determinar quais as habilidades que 
serão examinadas, os procedimentos de coleta de dados, a escolha do ambiente, a 
seleção de materiais apropriados e métodos de registo eficientes. Além disso, é 
importante o desenvolvimento de estratégias para se comportar em sessão, 
aumentando a cooperação e mantendo a motivação do indivíduo avaliado. O sucessoda intervenção depende em grande parte desta preparação inicial, ou seja, esses 
aspectos iniciais são considerados a base que estruturará o processo de intervenção 
(KRACKER, 2018). 
Conforme menciona a autora, protocolos específicos tornaram-se importantes 
ferramentas na sistematização das etapas do planejamento de intervenções baseadas 
na Análise Aplicada do Comportamento (ABA). Eles fornecem informações detalhadas 
sobre habilidades essenciais para o desenvolvimento e autonomia em diversos 
contextos, oferecendo ainda orientações para avaliação, desenvolvimento curricular e 
concepção de programas, com base em anos de investigação e experiência de equipes 
qualificadas em intervenções eficazes. 
Existem diversos materiais disponíveis para avaliação comportamental, variando 
em abrangência e foco quanto aos tipos de repertórios avaliados. Por exemplo, o "The 
Assessment of Basic Language and Learning Skills — Revised" (ABLLS-R) é projetado 
para avaliar 544 habilidades em áreas como linguagem, interação social, autocuidado, 
habilidades motoras e acadêmicas. Por outro lado, o "Socially Savvy: An Assessment 
and Curriculum Guide for Young Children" foca em avaliar 110 habilidades sociais, 
fornecendo sugestões de atividades, estratégias de intervenção e diretrizes para 
desenvolver currículos centrados no ensino de habilidades sociais. Esses exemplos 
ilustram como os manuais podem variar quanto aos tipos de repertórios que avaliam 
e ao conteúdo que incluem (KRACKER, 2018). 
 
Avaliação e Planejamento de Intervenções no Autismo | 
Métodos de Avaliação Comportamental 
Avaliações Indiretas| 6 
2 Métodos de Avaliação Comportamental 
 
Uma avaliação comportamental consiste em 1. métodos de avaliação indireta, 
que fornecem informações gerais iniciais sobre o caso do indivíduo, e 2. métodos de 
avaliação direta, que são mais demorados e geralmente requerem pessoal 
especializado ou treinado em observação. Os métodos indiretos incluem entrevistas e 
checklists que envolvem a participação da criança e daqueles que a rodeiam. Os 
métodos diretos são divididos em (a) análises descritivas, onde o comportamento é 
observado diretamente sem alterar as variáveis que podem influenciá-lo, e (b) análises 
funcionais experimentais, onde o comportamento não é apenas observado 
diretamente, mas também as variáveis que podem estar envolvidas em sua 
manutenção são sistematicamente manipuladas (RIBEIRO; SELLA; SOUZA, 2018). Os 
métodos de avaliação comportamental podem ser visualizados na imagem abaixo. Em 
seguida, descrevemos cada um dos métodos, com base em Ribeiro; Sella; Souza 
(2018). 
 
Figura 1 - Representação dos métodos de avaliação comportamental 
 
Fonte: (adaptado de Ribeiro; Sella; Souza, 2018). 
 
2.1 Avaliações Indiretas 
 
As avaliações indiretas visam compreender as variáveis que influenciam o 
comportamento por meio de informações fornecidas pela criança ou por pessoas 
próximas a ela. Esses métodos, como entrevistas, escalas e checklists, baseiam-se em 
Avaliação e Planejamento de Intervenções no Autismo | 
Métodos de Avaliação Comportamental 
Avaliações Indiretas| 7 
memórias ou análises subjetivas de eventos. As vantagens incluem menor custo de 
resposta, menor tempo para aplicação e treinamento mais rápido para o 
administrador. No entanto, existem desvantagens significativas: os dados são menos 
precisos, logo, menos confiáveis do que os das avaliações diretas, não incluem 
observações diretas do comportamento, dependem das memórias de pessoas 
próximas da criança e muitos instrumentos de avaliação indireta não são validados, 
afetando sua confiabilidade (RIBEIRO; SELLA; SOUZA, 2018). 
 
2.1.1 Entrevistas 
 
 As entrevistas comportamentais 
são realizadas para coletar informações 
sobre os comportamentos-alvo e as 
variáveis que os mantêm. Essas 
informações auxiliam na formulação de 
hipóteses sobre funções 
comportamentais e no planejamento de 
intervenções. As entrevistas podem ser 
com a criança ou com quem ela convive 
diariamente, como pais, professores e 
terapeutas (RIBEIRO; SELLA; SOUZA, 
2018). 
 
Fonte: (OpenAI's DALL-E, 2024). 
 
As autoras pontuam que uma entrevista comportamental foca em questões 
como “O quê” e “Quando” relacionados às condições ambientais de comportamento 
presentes antes, durante e após a ocorrência de um comportamento. As vantagens 
da entrevista, segundo Ribeiro; Sella; Souza (2018), incluem ser a etapa inicial da 
avaliação, estabelecer relacionamento com o entrevistado, adquirir informações sobre 
episódios comportamentais e oportunidade para perguntas de acompanhamento. No 
entanto, apresentam desvantagens significativas, como a falta de observação direta 
do comportamento, informações não quantificáveis, o risco de memórias imprecisas 
ou respostas influenciadas pelas expectativas do entrevistador e o desafio de avaliar 
a confiabilidade das respostas devido à natureza aberta das questões. 
 
Avaliação e Planejamento de Intervenções no Autismo | 
Métodos de Avaliação Comportamental 
Avaliações Diretas| 8 
2.1.2 Escalas e Checklists 
 
De acordo com Ribeiro; Sella; Souza (2018), escalas comportamentais e 
checklists são ferramentas complementares às entrevistas para identificar 
comportamentos-alvo, mas também podem ser utilizados sozinhos. Um checklist 
comportamental fornece uma lista de comportamentos específicos e as condições sob 
as quais cada um deve ocorrer. Checklists específicos podem ser desenvolvidos para 
avaliação de um comportamento particular ou uma área específica, entretanto, muitos 
analistas do comportamento usam checklists já desenvolvidos. 
As vantagens dos checklists incluem: (1) fornecer dados quantificáveis; (2) a 
capacidade de passar por testes de confiabilidade e validade; e (3) menor risco de viés, 
pois podem ser preenchidos sem entrevistador. Porém, apresentam como 
desvantagens: (1) não observar diretamente o comportamento-alvo; (2) confiança na 
precisão da memória do respondente; (3) nenhuma flexibilidade para questões de 
follow-up; e (4) não facilitar a construção de relacionamento com o entrevistado 
(RIBEIRO; SELLA; SOUZA, 2018). 
 
2.2 Avaliações Diretas 
 
Na abordagem analítico-comportamental aplicada, tem-se preferência por 
avaliações diretas e repetidas do comportamento do indivíduo avaliado em seu 
ambiente natural para identificar comportamentos a serem alterados. Os métodos de 
avaliação direta baseiam-se na observação direta do comportamento, incluindo 1. 
análises descritivas e 2. análises funcionais experimentais. 
As observações diretas, conforme Ribeiro; Sella; Souza (2018), envolvem o 
monitoramento de comportamentos que precisam ser mudados enquanto ocorrem. 
Estas observações são base para as avaliações diretas, pois visam principalmente 
compreender as variáveis que influenciam a ocorrência do comportamento, o que tem 
maior grau de confiabilidade em relação a relatos. Contudo, quando a fala da criança 
é o comportamento em questão, somente a observação do comportamento-alvo 
enquanto ocorre é denominada observação direta. 
As vantagens da observação direta incluem dados mais confiáveis, pois se 
baseiam no comportamento observado, e a capacidade de analisar em que 
circunstâncias específicas o comportamento acontece. Contudo, as desvantagens 
Avaliação e Planejamento de Intervenções no Autismo | 
Métodos de Avaliação Comportamental 
Avaliações Diretas| 9 
residem na viabilidade, em razão dos custos associados com equipamentos, materiais, 
e à necessidade de pessoal especializado e treinado, bem como ao tempo necessário 
para observação (RIBEIRO; SELLA; SOUZA, 2018). 
 
2.2.1 Análises Descritivas 
 
As análises descritivas descrevem as relações entre o comportamento e o 
ambiente natural, porém não estabelecem uma relação funcional direta, pois não há 
manipulação de variáveis que possam influenciar o comportamento. Estas análises 
envolvem a mediçãodo comportamento e de vários eventos ambientais através de 
repetidas observações diretas. Dentre os tipos de análises descritivas, menciona-se: 
scatterplot, narrativas ABC e observações semiestruturadas e estruturadas. O 
objetivo das análises descritivas é reunir informações a respeito de instâncias 
específicas de comportamentos-alvo, conforme ocorrem no ambiente natural. 
 
2.2.1.1 Scatterplot 
 
O scatterplot é um modo de registro de dados em intervalos de tempo pré-
estabelecidos, usado para identificar padrões entre comportamentos-alvo e períodos 
específicos. Os dados coletados indicam correlações, mas não relações funcionais, já 
que não manipulam diretamente as variáveis que podem causar o comportamento 
(RIBEIRO; SELLA; SOUZA, 2018). Por exemplo, ao analisar uma criança com um 
comportamento-problema de atirar objetos na parede, um scatterplot ajudaria a 
identificar em quais horários ou situações esse comportamento é mais comum. 
 
Quadro 1 – Scatterplot de Luiza 
Eixo X 
(hora) 
Hora Scatterplot de Luiza 
13h00 ● ● ◆ X ◆ 
13h15 ◆ X X ◆ X 
13h30 ● ● ● X ● 
13h45 ● ◆ ● X X 
 1 2 3 4 5 
 Eixo Y (dias) 
Legenda: X nenhum objeto atirado; ◆ 1 objeto atirado; ● 2-3 objetos atirados 
Fonte: (NÚCLEO EDITORIAL). 
Avaliação e Planejamento de Intervenções no Autismo | 
Métodos de Avaliação Comportamental 
Avaliações Diretas| 10 
 
Dentre as vantagens desta forma de registro, menciona-se: (1) facilidade de 
implementação, necessitando apenas da marcação de símbolos em intervalos de 
observação; (2) estimativa aproximada da frequência do comportamento-alvo; (3) 
identificar padrões temporais de comportamento em condições naturais; (4) o registro 
dos dados ocorre apenas quando o comportamento acontece; (5) permitir a análise 
visual direta dos dados. Contudo, as desvantagens são: (1) eles não medem eventos 
que ocorrem antes ou após o comportamento; (2) avaliações adicionais são 
necessárias para isolar variáveis relacionadas ao comportamento; (3) a análise e 
representação dos dados não revelam padrões temporais previsíveis; (4) são 
ineficientes para comportamentos que não possuem uma organização temporal clara 
(RIBEIRO; SELLA; SOUZA, 2018). 
 
2.2.1.2 Observação Narrativa 
 
Observações narrativas ABC (antecedente - comportamento - consequência) 
consistem em uma forma de registro que abrange a descrição de eventos observados 
por escrito, com informações específicas sobre os antecedentes e as consequências 
dos comportamentos. As narrativas são particularmente úteis para avaliar 
comportamentos novos, generativos e peculiares, que são difíceis de definir ou 
especificar antecipadamente. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Importante 
O modelo ABC vem do inglês “Antecedent-Behavior-
Consequence” (Antecedente-Comportamento-
Consequência). 
Antecedente: o que acontece antes ou junto da 
ação do organismo (inclui antecedentes ambientais 
e antecedentes comportamentais). 
Comportamento (resposta): aquilo que um 
organismo faz (sua ação). 
Consequência: o que acontece após a ação de um 
organismo. 
Avaliação e Planejamento de Intervenções no Autismo | 
Métodos de Avaliação Comportamental 
Avaliações Diretas| 11 
As vantagens incluem a coleta de uma grande quantidade de informações 
qualitativas, a capacidade de capturar comportamentos novos e generativos devido à 
flexibilidade do método e o fornecimento de informações para o desenvolvimento de 
observações mais estruturadas. Contudo, as desvantagens são que estas observações 
são baseadas nas inferências do observador, sem manipulação de variáveis, o que 
pode levar a suposições sobre os eventos serem antecedentes ou consequências; 
limitações na concordância dos observadores e na seleção de variáveis para 
investigação; e a falta de dados quantitativos, dificultando o estabelecimento de 
prioridades pelo profissional (RIBEIRO; SELLA; SOUZA, 2018). 
 
Quadro 2 – Exemplar de uma folha de registro de narrativa ABC 
Hora Evento antecedente (A) Comportamento (B) Consequência (C) 
17h00 Ao chegar no shopping, EEL e 
sua mãe caminhavam em 
direção a loja de materiais 
escolares. 
Chegando na loja, EEL 
começou a fazer um 
escândalo, chorava e gritava 
por cerca de 6-8 minutos. 
Sua mãe pediu para escolher 
algum material de sua 
preferência. 
Dados 
Local Shopping Central 
Data 06/02/2022 
Início do período de observação 
Término do período de observação 
Observador (iniciais) 
Criança (iniciais) EEL 
Idade (a, m) 6, 8 
Resumo da observação 
 
Observações importantes 
 
Fonte: (NÚCLEO EDITORIAL). 
 
2.2.1.3 Observações Semiestruturadas e Estruturadas 
 
Consistem em um modo de registro que envolve a pré-identificação e definição 
operacional de antecedentes, comportamentos e consequências, obtendo, assim, uma 
folha de registro onde o observador simplesmente aplica uma notação predefinida. O 
objetivo dessa observação é a obtenção de dados mais objetivos do que as narrativas 
ABC, pré-identificando e definindo o que observar. As vantagens incluem a 
identificação e definição prévia dos eventos, registrando todas as ocorrências de A-B-
C durante o período de observação e gerando dados quantificáveis (por exemplo, o 
comportamento ocorreu três vezes em uma hora). No entanto, citam-se como 
Avaliação e Planejamento de Intervenções no Autismo | 
Métodos de Avaliação Comportamental 
Análise Funcional do Comportamento| 12 
desvantagens o fato de que os comportamentos observados podem não ser os mais 
relevantes, pois são pré-definidos. Além disso, em muitas observações 
(semi)estruturadas, a frequência e a duração do comportamento não são registradas 
(RIBEIRO; SELLA; SOUZA, 2018). 
As autoras acrescentam que as avaliações semiestruturadas geralmente 
oferecem orientações sobre habilidades gerais a serem avaliadas, baseando-se na 
sequência de desenvolvimento infantil. Elas frequentemente sugerem a manipulação 
de variáveis ambientais para avaliar a função do comportamento, mas não equivalem 
a uma análise funcional experimental completa. Os resultados dessas avaliações 
fornecem indicações para a definição de prioridades, objetivos e Plano de Ensino 
Individualizado (PEI). Alguns exemplos incluem o Verbal Behavior Milestones 
Assessment and Placement Program - VB-MAPP e o Inventário Portage 
Operacionalizado. 
 
2.3 Análise Funcional do Comportamento 
 
A análise funcional, conforme descrevem Ribeiro; Sella; Souza (2018), é uma 
avaliação que visa identificar a função dos comportamentos problemáticos por meio 
da manipulação de variáveis que podem controlá-los. Considerada como “padrão 
ouro” na avaliação da função comportamental, fornece os dados mais confiáveis por 
meio da manipulação direta de variáveis. Esta análise requer a observação direta das 
relações entre o ambiente e o comportamento, com manipulação deliberada das 
variáveis responsáveis pelo comportamento. 
As autoras citam como exemplo o caso em que uma criança se joga no chão ao 
ser chamada para realizar tarefas (existindo a hipótese de que com esse 
comportamento a criança esquiva-se da realização da tarefa). Com a análise funcional 
seria observado as reações da criança em dias diferentes: quando a mãe chama para 
a tarefa e permite que a criança se esquive (condição de teste) e quando a mãe não 
apresenta a tarefa (condição controle). 
 
Quadro 3 – Exemplo de uma análise funcional 
 Variável 
antecedente (A) 
Comportamento 
(B) 
Consequência (C) Hipótese 
Condição 
de teste 
Demanda dada pela 
mãe para fazer a 
tarefa 
A criança se joga 
no chão 
Permissão da mãe 
para que a criança se 
esquive da tarefa 
A variável antecedente 
(A) e a consequência 
(C) influenciam o 
Avaliação e Planejamento de Intervenções no Autismo | 
Métodos de Avaliação Comportamental 
Análise Funcional do Comportamento| 13 
comportamento-alvo 
(B) 
Condição 
controle 
Nenhuma tarefa é 
apresentada 
 A variável antecedente(A) influencia o 
comportamento 
Fonte: (feito com base no exemplo mencionado por Ribeiro; Sella; Souza, 2018). 
 
Durante a condição de teste, a variável antecedente (demanda dada pela mãe 
para fazer a tarefa) e a consequência (permissão da mãe para que a criança se esquive 
da tarefa) tidas como hipótese de serem aquelas que influenciam o comportamento-
alvo, são sistematicamente apresentadas. Enquanto, durante a condição de controle, 
a hipótese é que o antecedente seria aquele que influencia o comportamento é 
omitido, ou seja, não há apresentação de tarefa. A comparação dos altos níveis de 
comportamento-problema entre as condições de controle indica que as variáveis 
manipuladas na condição de teste estão controlando o comportamento-problema, 
(esquiva de demanda). 
Portanto, de acordo com as autoras, o propósito das análises funcionais é 
identificar quais variáveis antecedentes e consequentes estão influenciando a 
ocorrência de comportamento-problema, ou seja, entender as razões por trás desses 
comportamentos. Esta análise é fundamental, pois possibilita o desenvolvimento de 
tratamentos altamente individualizado. 
Um dos procedimentos mais utilizados na análise funcional é baseado na 
descrição de Iwata et al. (1982/1994) e é comumente chamado de “análise funcional 
tradicional”, considerada uma análise ABC, uma vez que consiste na avaliação da 
função de eventos antecedentes e consequentes durante a ocorrência do 
comportamento-problema. 
Na análise funcional do comportamento, organizam-se as variáveis 
antecedentes e as consequentes de modo que permita avaliar o efeito individual de 
cada variável. Geralmente, a análise funcional possui uma condição de controle e 
quatro condições de teste: atenção, item favorito, demanda e sozinho. Descrevemos 
cada condição, a seguir, a partir de Ribeiro; Sella; Souza (2018). 
 
• Condição de controle: os resultados obtidos nessa condição serão 
comparados com os resultados de cada condição de teste. Nessa condição, 
disponibiliza-se todos os itens preferidos do indivíduo, assim como a atenção 
do terapeuta, e nenhuma tarefa ou instrução é apresentada ao indivíduo. 
Avaliação e Planejamento de Intervenções no Autismo | 
Métodos de Avaliação Comportamental 
Análise Funcional do Comportamento| 14 
Ressalta-se que nessa condição não há nenhuma consequência específica para 
os comportamentos-alvo, que são, geralmente, ignorados. 
• Condição de teste (atenção): o objetivo é avaliar se o comportamento-alvo é 
mantido por reforço social positivo, como receber atenção de um adulto. Por 
exemplo, uma criança que faz birra e recebe atenção dos pais está sendo 
reforçada socialmente. Nessa condição, o terapeuta concentra-se em outra 
pessoa ou atividade (ler um livro, preencher um formulário) e, quando a criança 
apresenta o comportamento-problema, interrompe para dar atenção à criança. 
A atenção pode ser na forma de um sermão ou de palavras de conforto, 
correspondente ao tipo de comportamento-problema. Por exemplo, para 
comportamento agressivo, o terapeuta pode expressar desaprovação, 
enquanto para comportamento autolesivo, pode oferecer palavras de consolo. 
Após um tempo determinado (20 segundos), o terapeuta retoma a atividade 
inicial (dirigida a uma pessoa ou atividade), desviando a atenção da criança. 
• Condição de teste (item favorito): trata-se de uma variação da condição de 
atenção, sendo bastante utilizada nas análises funcionais. Para esta condição, o 
terapeuta retira da criança um item altamente preferido e dá-o a ela sempre 
que ela apresentar o comportamento-problema alvo. Nesse cenário, o 
terapeuta não interage nem dá atenção à criança, manipulando apenas seu item 
preferido. Após um período determinado, o terapeuta retira o item e restringe 
o acesso da criança a ele. 
• Condição de teste (demanda): visa avaliar se o comportamento-alvo é 
mantido por reforço social negativo, como o encerramento de uma demanda. 
O “social” implica que o fim da situação aversiva (demanda) seja mediado por 
outra pessoa. Durante esta condição, o terapeuta apresenta repetidamente 
tarefas que parecem associadas ao comportamento-problema alvo (como 
recolher brinquedos). Se a criança obedecer sem apresentar o comportamento-
problema, receberá breves elogios seguido de outras tarefas. Caso a criança não 
cumpra, o terapeuta utiliza modelo e ajuda física até que ela complete a tarefa, 
e segue com a apresentação de outras tarefas. Sempre que a criança apresenta 
o comportamento-problema, o terapeuta interrompe a tarefa, dizendo "Tudo 
bem, você não precisa fazer isso", logo após, retira os materiais e se afasta da 
criança. Durante as tarefas ou durante o intervalo de fuga da demanda, o 
terapeuta não oferece nenhum tipo de atenção para a criança. Passado certo 
tempo (20 segundos), o terapeuta volta-se para a criança e reinicia a 
apresentação das tarefas. 
Avaliação e Planejamento de Intervenções no Autismo | 
Avaliação de Potenciais Reforçadores 
Importância do Reforçador Adequado| 15 
• Condição de teste (sozinho): busca avaliar se o comportamento-alvo é 
mantido por reforçamento automático, isto é, comportamentos que são 
reforçados sem a mediação de outro indivíduo (estereotipias, comportamento 
autoestimulátorio). Durante essa condição, o terapeuta deixa a criança sozinha 
ou em um ambiente com pouca ou nenhuma estimulação (sem brinquedos, 
parede sem decoração). Se o terapeuta permanecer na sala com a criança, deve 
se posicionar em um canto sem manter contato visual. Nessa condição, não há 
nenhuma consequência para os comportamentos-alvo que são, normalmente, 
ignorados. 
 
Normalmente, implementa-se a análise funcional tradicional em um 
delineamento de múltiplos elementos, alternando aleatoriamente as diferentes 
condições de teste e controle. Ao final, compara-se o resultado de cada condição de 
teste exclusivamente com os resultados da condição de controle. Portanto, 
demonstra-se a função do comportamento quando o nível de respostas nas condições 
de teste difere do nível da condição controle. O delineamento de elementos múltiplos 
tem como vantagem a eliminação da necessidade de realizar várias reversões, 
contudo, envolve certas dificuldades na discriminação entre as condições e possível 
interação dos efeitos das condições (RIBEIRO; SELLA; SOUZA, 2018). 
De acordo com as autoras, a análise funcional experimental é uma ferramenta 
muito apropriada para intervir em comportamentos-problema, mas não deve ser 
conduzida sem a supervisão de um analista do comportamento com experiência neste 
procedimento, visto que a implementação incorreta e a desatenção as medidas de 
segurança podem causar danos físicos e materiais à criança e aos terapeutas. 
 
3 Avaliação de Potenciais Reforçadores 
 
3.1 Importância do Reforçador Adequado 
 
Antes de iniciar intervenções baseadas em ABA, é fundamental descobrir os 
reforçadores, o que implica em compreender o papel das avaliações de preferência 
do indivíduo. A partir das avaliações de preferência são identificados os reforçadores 
em potencial dentre uma grande quantidade de itens, diminuindo o volume de itens 
e o tempo gasto nos testes de reforçadores diretos (RIBEIRO; SELLA, 2018). 
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Avaliação de Potenciais Reforçadores 
Importância do Reforçador Adequado| 16 
Lembramos que as consequências resultantes de um comportamento 
influenciam a probabilidade de ele ser repetido no futuro. Certas consequências 
podem intensificar a frequência, duração ou intensidade do comportamento, 
aumentando assim a chance de ele ocorrer novamente em situações similares aos 
estímulos antecedentes. Essas consequências específicas são conhecidas como 
reforçadoras (RIBEIRO; SELLA, 2018). 
Vejamos um exemplo de contingência ABC retratando as consequências 
reforçadoras, o reforçador, o reforçamento e o reforço. 
Contexto: Igor está aprendendo opareamento das cores do semáforo aos 
seus comandos respectivos. 
 
Instrução: 
Diante do círculo verde, falar avance; 
Diante do círculo laranja, falar pare; 
Diante do círculo vermelho, falar pare. 
 
Fonte: (OpenAI's DALL-E, 2024). 
 
Antecedente (A) Comportamento (B) Consequência (C) 
Círculos de cor verde, 
laranjada e vermelha 
Diante do círculo 
vermelho, Igor fala “pare” 
Elogio: “muito bem; 
ótimo; isso aí” 
 
Propriedade da consequência: Reforçadora ( ) / Não reforçadora ( ) 
A consequência será reforçadora se após outras tentativas, Igor continuar com um 
nível de acerto esperado, do contrário, não será uma consequência reforçadora. 
Reforçador: nesse exemplo, o elogio poderá ser considerado como um estímulo 
reforçador se aumentar a frequência da resposta (comportamento). 
Reforçamento: no exemplo dado, consiste em apresentar o elogio (estímulo 
reforçador) após a resposta (comportamento). 
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Avaliação de Potenciais Reforçadores 
Importância do Reforçador Adequado| 17 
Reforço: considera-se o aumento da frequência das repostas, independentemente de 
corretas ou não. Dependerá do tipo de resposta que será reforçada, nesse caso, 
pretende-se reforçar a resposta “pare” diante da cor vermelha e laranjada e “avance” 
diante da cor verde. Perceba que o reforço está associado à consequência e ao 
reforçador. Se, por exemplo, o reforçador (elogio) não estiver funcionando, mas 
continuar sendo utilizado, a frequência das repostas incorretas aumentará, 
evidenciando um reforço inadequado, ou seja, o reforço de repostas incorretas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Ao afirmar que um comportamento foi reforçado, a interação entre o 
organismo e o ambiente deve resultar em três fenômenos: 1. as respostas devem 
produzir consequências; 2. a probabilidade das respostas deverá aumentar, o que 
significa que se tornarão mais frequentes do que quando não tinham as 
consequências. 3. esse aumento na probabilidade deve ser atribuído somente à 
consequência da resposta (CATANIA, 1999). 
Não confunda! 
Conforme Ribeiro e Sella (2018), consequências reforçadoras 
podem ser entendidas como a propriedade de um estímulo 
(indicando que uma consequência é reforçadora) e um 
reforçador, como um estímulo específico (por exemplo, um item 
reforçador — objetos, atividades, brinquedos, atenção, comidas 
etc.). Esses conceitos são diferentes de reforçamento e reforço. 
Reforçamento é a ação de apresentar um reforçador após uma 
resposta (o reforçamento é feito em relação a resposta, não em 
relação ao indivíduo). O termo reforço se relaciona com dois 
fenômenos: primeiro, o processo que leva ao aumento na 
frequência ou em outra dimensão da resposta; segundo, o 
procedimento de apresentar consequências após a emissão de 
uma resposta. 
 
Observação: entende-se o termo “resposta” como 
“comportamento” emitido pelo indivíduo. 
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Importância do Reforçador Adequado| 18 
Quando estas condições são satisfeitas, pode-se afirmar que a resposta foi 
reforçada e o estímulo atuou como um reforçador. É importante lembrar que não 
se pode determinar ou supor antecipadamente qual será o reforçador para dada 
resposta, pois exige-se a realização de testes. Por exemplo: a pessoa emite uma 
resposta; é apresentada a consequência escolhida (estímulo reforçador); a resposta 
não se repete. Nessa situação, deve-se analisar a viabilidade da consequência nos 
procedimentos, pois ela não resultou no aumento da probabilidade de emissão da 
resposta, logo, não se pode atribuir-lhe valor reforçador (RIBEIRO; SELLA, 2018). 
 
Para ilustrar o reforçador, mencionamos 
o seguinte exemplo: uma criança sensível 
a reforçadores aprende a imitar um 
macaco somente na presença desse 
animal, pois recebe elogios imediatos ao 
fazê-lo, mas ao imitar um macaco na 
presença de outros animais, sua resposta 
não é reforçada. Isso indica que uma 
contingência de reforçamento foi 
estabelecida: na presença de estímulos 
antecedentes específicos (macaco), a 
resposta (imitar o macaco) tem uma 
maior probabilidade de resultar em 
estímulos consequentes que são 
reforçadores (elogios). Roncati et al. 
 
Fonte: (OpenAI's DALL-E, 2024). 
(2018) argumentam que é por meio desse processo que a maioria dos 
comportamentos dos indivíduos é aprendida, incluindo desde respostas 
relativamente simples até habilidades elaboradas. 
 
Assim, o reforçador, de certa maneira, age como um seletor dos 
comportamentos que serão mantidos no repertório de cada indivíduo. 
Comportamentos que não são reforçados e aqueles que param de ser reforçados, 
deixam de ocorrer (RONCATI et al., 2018). 
Vejamos novamente outro exemplo mencionado por Roncati et al. (2018): ao 
ficar com dúvidas sobre as explicações do professor, o aluno pode emitir uma série 
de repostas: levantando a mão para fazer uma pergunta, expressando sua dúvida 
diretamente sem pedir permissão, ou mesmo levantando-se e caminhando até o 
professor. Supõe que o professor responda consistentemente às perguntas do aluno 
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Importância do Reforçador Adequado| 19 
quando ele levanta a mão, repreendendo quando fala sem permissão e o instruí a 
sentar-se quando se aproxima sem ser chamado. Nesta situação, é muito provável que 
o aluno deixe de gritar ou de se levantar sem autorização, pois esses comportamentos 
não são reforçados. Por outro lado, o comportamento de levantar a mão para fazer 
perguntas pode se tornar mais frequente, pois é reforçado pela resposta do professor 
às dúvidas. 
Diante da importância do processo de reforçamento para a aprendizagem, 
Roncati et al. (2018) sinalizam a importância de os terapeutas programarem bons 
reforçadores, o que é especialmente relevante em intervenções com pessoas com TEA, 
visto que muitos são pouco sensíveis às consequências comumente planejadas para 
o ensino, tais como elogios, notas, pontos etc. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Os autores mencionam que sessões sem reforçadores eficazes tendem a ser 
mais demoradas e, consequentemente, custosas tanto para o terapeuta quanto para 
o cliente. Isso acontece porque reduz-se a quantidade de demanda por tempo e 
aumenta-se a latência entre a pergunta do terapeuta e a resposta do cliente (pois o 
engajamento do cliente se torna mais dificultoso sem o reforçador adequado). Além 
disso, comportamentos inadequados (choro, gritos, tentativas de agressão, destruição 
de materiais, bocejos, distração, postura excessivamente relaxada na cadeira ou 
levantar-se frequentemente) são comuns nessas situações. Roncati et al. (2018) 
pontuam a necessidade da avaliação funcional para cada um desses comportamentos, 
porém sinalizam que a ocorrência durante uma sessão de intervenção comumente 
Alguns comportamentos geram reforçadores naturais; 
por exemplo, um amante de livros lê simplesmente por 
gostar de ler, portanto, não precisa de elogios para 
continuar lendo. No entanto, muitos comportamentos 
necessitam ser reforçados para serem aprendidos. 
Nesses contextos, a ausência de reforçadores 
apropriados leva a efeitos indesejáveis, sendo o mais 
crítico a possibilidade de que a aprendizagem não 
ocorra de fato, pois depende de reforçadores. Além 
disso, uma intervenção que carece de reforçadores 
eficazes pode levar a uma situação de ensino adversa, 
onde o aluno responde unicamente para escapar das 
tarefas (RONCATI et al., 2018). 
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Avaliação de Potenciais Reforçadores 
Avaliação de Preferência X Avaliação de Reforçador| 20 
indica uma tentativa de fuga às tarefas, o que sugere a necessidade de reavaliar e 
mudar os reforçadores. 
Para a escolha do reforçadorideal também é necessário considerar que o que 
funciona como reforçador para um indivíduo pode não funcionar para outro, por 
exemplo, elogios, acesso a tablets, guloseimas, brinquedos etc. não funcionam como 
reforçadores para todos os indivíduos. Lembre-se: para ser considerado um 
reforçador, o estímulo deve manter ou aumentar a probabilidade de ocorrência 
da resposta que o produziu (RIBEIRO; SELLA, 2018; RONCATI et al., 2018). 
Além disso, segundo os autores, deve-se ter em conta a mudança do valor dos 
estímulos reforçadores em função de eventos chamados de Operações Motivadoras. 
Por exemplo, numa sessão terapêutica, um brinquedo preferido do cliente que é 
guardado para ser utilizado somente durante a intervenção provavelmente será um 
reforçador eficaz, mas pode perder temporariamente sua eficácia se for apresentado 
continuamente. Em vista disso, é importante constar com mais de uma opção de 
reforçador. 
A partir do exposto, evidencia-se a importância de realizar as avaliações de 
preferência, uma vez que é totalmente inadequado considerar que estímulos 
altamente preferidos funcionarão como reforçadores eficazes, pois o valor reforçador 
de um determinado item está relacionado a muitas variáveis contextuais, como por 
exemplo a disposição de outras formas de reforçamento e a história recente de 
privação (exemplo do brinquedo mencionado no parágrafo anterior) ou de saciação 
do item. 
 
3.2 Avaliação de Preferência X Avaliação de Reforçador 
 
O processo de identificação de reforçadores para um indivíduo pode ser 
dividido em duas etapas complementares: a primeira é a avaliação de preferências e 
a segunda, a avaliação de reforçadores. Vejamos, a seguir, as duas formas de avaliação 
com base em Roncati et al. (2018). 
• Avaliação de preferências: visa identificar estímulos que podem ser 
reforçadores, como aqueles com os quais o indivíduo interage mais ou escolhe 
primeiro dentre várias opções. Três métodos gerais são utilizados para essa 
avaliação: avaliação indireta, observação e testes diretos. Na avaliação indireta, 
entrevistas ou questionários são utilizados para identificar, através dos relatos 
Avaliação e Planejamento de Intervenções no Autismo | 
Conclusão 
Avaliação de Preferência X Avaliação de Reforçador| 21 
do próprio indivíduo, pais ou cuidadores, os estímulos que atraem mais a sua 
atenção. Na observação, o comportamento do indivíduo é observado 
diretamente em seu ambiente natural, registrando-se os estímulos com os quais 
ele mais interage. Já nos testes diretos, estímulos potencialmente reforçadores 
são apresentados, avaliando-se o tempo de interação com cada um e a ordem 
de escolha quando são oferecidos em grupos. 
• Avaliação de reforçadores: os estímulos escolhidos na avaliação de 
preferências são testados para avaliar se realmente atuam como reforçadores. 
Há diferentes avaliações para realizar essa avaliação, como por exemplo a 
avaliação por operante simples e por operantes concorrentes. Na avaliação por 
operante simples, um único estímulo potencialmente reforçador é testado em 
relação a um comportamento específico. Para os operantes concorrentes, dois 
potenciais estímulos reforçadores são testados para dois comportamentos 
distintos. 
 
Conclusão 
 
A avaliação comportamental abrange uma variedade de métodos de coleta de 
dados, desde entrevistas abertas até análises funcionais experimentais, cada uma com 
seu propósito e limitações. Evidenciamos que a escolha do método de avaliação 
depende das necessidades específicas de cada caso. 
Como pontuam Ribeiro e Sella (2018), uma avaliação precisa, minuciosa e 
sistemática é essencial para identificar os déficits e as competências das crianças. A 
insuficiência desse conhecimento dificulta estabelecer prioridades eficazes, levando a 
tratamentos sem uma direção clara, desperdiçando tempo e recursos das crianças, de 
seus familiares, cuidadores e profissionais. 
Quanto a avaliação de potenciais reforçadores, sublinhamos a relevância de 
compreender não apenas o que aumenta a frequência de um determinado 
comportamento, mas também como e por que certos estímulos podem ser mais 
eficazes que outros na promoção de mudanças comportamentais desejadas. 
 
Avaliação e Planejamento de Intervenções no Autismo | 
Referências 
Avaliação de Preferência X Avaliação de Reforçador| 22 
Referências 
 
CATANIA, A. C. Aprendizagem: comportamento, linguagem e cognição. Porto Alegre, 
RS: Artmed, 1999. 
KRACKER, C. Importância do uso de protocolos de avaliação e elaboração de currículo 
individualizado. In: DUARTE, C. P.; SILVA, L. C. e; VELLOSO, R. de L. Estratégias da 
Análise do Comportamento Aplicada para pessoas com Transtornos do Espectro 
do Autismo. São Paulo: Memnon Edições Científicas, 2018. P. 10-36. 
RIBEIRO, D. M.; SELLA, A. C.; Avaliação do comportamento. In: SELLA, A. C.; RIBEIRO, D. 
M. Análise do comportamento aplicada ao transtorno do espectro autista. 1. ed. 
Curitiba: Appris, 2018. P. 123-136. 
RIBEIRO, D. M.; SELLA, A. C.; SOUZA, A. A. de. Descobrindo as preferências da pessoa 
com transtorno do espectro autista. In: SELLA, A. C.; RIBEIRO, D. M. Análise do 
comportamento aplicada ao transtorno do espectro autista. 1. ed. Curitiba: Appris, 
2018. P. 104-122. 
RONCATI, A. L. C. Avaliação de reforçadores. In: DUARTE, C. P.; SILVA, L. C. e; VELLOSO, 
R. de L. Estratégias da Análise do Comportamento Aplicada para pessoas com 
Transtornos do Espectro do Autismo. São Paulo: Memnon Edições Científicas, 2018. 
P. 37-55. 
 
Avaliação e Planejamento de Intervenções no Autismo | 
Referências 
Avaliação de Preferência X Avaliação de Reforçador| 23 
 
 
	Sumário
	Introdução
	1 Função da Avaliação do Comportamento
	2 Métodos de Avaliação Comportamental
	2.1 Avaliações Indiretas
	2.1.1 Entrevistas
	2.1.2 Escalas e Checklists
	2.2 Avaliações Diretas
	2.2.1 Análises Descritivas
	2.2.1.1 Scatterplot
	2.2.1.2 Observação Narrativa
	2.2.1.3 Observações Semiestruturadas e Estruturadas
	2.3 Análise Funcional do Comportamento
	3 Avaliação de Potenciais Reforçadores
	3.1 Importância do Reforçador Adequado
	3.2 Avaliação de Preferência X Avaliação de Reforçador
	Conclusão
	Referências

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