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Teoria Geral do Processo: 
É um conjunto de conceitos sistemáticos (organizados) que serve ao jurista como instrumento para conhecer os diferentes ramos do direito processual.
A TGP não dá um conhecimento imediato e direto de determinado ramo do Direito Processual, mas nos fornece instrumento necessário para conhecermos qualquer disciplina particular do direito processual;
Em princípio, a TGP será destinada a três seara processual (Direito Processual Civil, Direito Processual Penal e Direito Processual do Trabalho), mas também não há como negar o fato de que irradia também efeitos as demais áreas conhecidas do processo como: Direito Tributário, Administrativo e Constitucional.
Objeto de Estudo da TGP
São os conceitos mais gerais do direito processual. Conceitos que servem de fio condutor para explicar o direito processual geral.
Conceito de processo: 
É um dos meios de mecanismos de solução de conflitos exercido pelo cidadão ante ao Estado, que irá realizar a atividade jurisdicional dentro das regras e princípios destinados a uma relação processual jurídica;
É o meio pelo qual se atinge o direito material;
Meio de solução de conflitos ou lide (conceito de Carnelutti)
Relação que se estabelece entre as partes conflitantes, denominada relação jurídica processual.
Autonomia do Processo:
Diante do reconhecimento da autonomia do direito de ação, que pode, inclusive, tender à declaração de inexistência de uma relação jurídica substancial, tem-se afirmado, com razão, que por objeto do processo não se deve mais considerar a relação jurídica litigiosa, mas a vontade concreta da lei, cuja afirmação e atuação se reclama.
O processo não dependendo da existência do direito substancial da parte que o invoca, pois, o direito de provocá-lo é abstrato, podendo existir mesmo que não haja previsão legal. Por esta razão, o processo é autônomo e não sujeito ou subordinado à existência de um direito material controvertido
Instrumentalidade do processo:
É aquele aspecto positivo da relação que liga o sistema processual à ordem jurídico-material e ao mundo das pessoas, dos grupos e do Estado, com realce à necessidade de predispô-lo ao integral cumprimento de todos os seus escopos sociais, políticos e jurídico;
Falar da instrumentalidade é portanto, alertar para a necessidade efetividade do processo, ou seja, para a necessidade de ter-se um sistema processual capaz de servir de eficiente caminho à ordem jurídica justa. 
Relação jurídica de Direito Processual e material
Direito Processual
É o ramo do direito que estuda o conjunto das normas que regulam a função jurisdicional do Estado em todos os seus aspectos e que portanto, fixa o procedimento que se a de seguir;
È o complexo de normas e princípios que regem o exercício da jurisdição pelo Estado-juiz, da ação pelo demandante e da defesa pelo demandado.
Direito Material
É o corpo de normas que disciplinam as relações jurídicas referentes a bens, relações e utilidades da vida (Direito Civil, Penal, Administrativo, Comercial, Tributário e Trabalhista);
É o bem jurídico da sociedade que se quer atingir através do Direito Processual.
Autotutela
Foi a primeira forma de resolução de conflitos. Satisfação da pretensão frente à outrem mediante o uso da força;
A ausência de um Estado organizado, com poder insuficiente para coibir os homens de buscar a solução de suas lides através da lei do mais forte e subjugo forçado do mais fraco.
Traços característicos da autotutela:
1) ausência de juiz distinto das partes;
2) imposição da decisão por uma das partes à outra.
OBS: Na autotutela só é permitido agir de violência quando se tratar da legítima defesa e no estado de necessidade.
Jurisdição
É o poder do Estado de dizer o direito;
Do latim jurisdictio (que etimologicamente significa “dizer o direito”)
Tem jurisdição quem tem o poder de dizer o Direito;
Poder e dever do Estado, pois, se por um lado corresponde a uma manifestação do poder soberano do Estado, impondo suas decisões de forma imperativa, por outro corresponde a um dever que o Estado assume de dirimir qualquer conflito que lhe venha a ser apresentado.
Teorias do Direito Processual
Teoria Unitária ou Monista (Representante Carnelutti)
Liderada por Carnelutti - o direito objetivo não tem condições para disciplinar todos os conflitos de interesses, sendo necessário o processo, muitas vezes para complementação dos comandos da lei. Para quem assim pensa, não é tão nítida a cisão entre o direito material e o processual, assim, o processo participa da criação de direitos subjetivos e obrigações, aos quais só nascem efetivamente quando existe uma sentença.
O Brasil não adota essa posição (unitária ou monista).
Teoria Dualista (Representante Chiovenda)
Liderada por Chiovenda - entende que há uma cisão nítida entre o direito material e o direito processual. A primeira dita regras abstratas e estas tornam-se concretas no exato momento em que ocorre o fato enquadrado em suas previsões, automaticamente, sem a participação do juiz. O processo visa apenas a atuação da vontade do direito, ou seja a sua realização prática.
Instrumentalidade do Processo
Exerce um aspecto positivo da relação que liga o sistema processual à ordem jurídico-material e ao mundo das pessoas, dos grupos e do Estado, com realce à necessidade de predispô-lo ao integral cumprimento de todos os seus escopos sociais, políticos e jurídico, pois falar da instrumentalidade é portanto, alertar para a necessidade efetividade do processo, ou seja, para a necessidade de ter-se um sistema processual capaz de servir de eficiente caminho à ordem jurídica justa.
 Processo é instrumento de Justiça, é conjunto de regras através das quais o Estado, através do Poder competente, presta a jurisdição, dirimindo conflitos, trazendo paz e a segurança entre seus cidadãos.
Direito Processual Civil e os demais ramos do direito
CONCEITO DE DIREITO PROCESSUAL
É o ramo do Direito que possui as regras, princípios e procedimentos que tratam a jurisdição, ou seja, que regulam a aplicação do Direito no caso concreto.
É o conjunto de normas jurídicas que regulamentam a jurisdição, a ação e o processo, criando a dogmática necessária para permitir a eliminação dos conflitos de interesses de natureza não penal e não especial.
É o ramo de Direito que se habilita como instrumento para tornar o Direito Material efetivo. Logo, o processo não é um fim em si mesmo, mas sim meio para concretização do Direito.
Jurídico X Judicial: tudo que é judicial é jurídico, mas nem tudo que é jurídico é judicial.
Jurídico: é o conceito amplo da ciência jurídica
Judicial: é o que vai para o poder judiciário e é julgado pelo juiz.
Relação com outros ramos do direito
1. Constitucional: O Direito Constitucional é regido por vários princípios e dispositivos previstos na Constituição Federal de 1988. 
A Constituição Federal é quem estabelece a composição, atribuições e competências do Poder Judiciário, e também se preocupa em fixar garantias e vedações aos juízes no exercício de suas funções dentro do processo.
Estão também previstas na Constituição Federal várias ações judiciais, como o mandado de segurança, o habeas data, os recursos extraordinários e especial, o mandado de injunção, a ação direta de inconstitucionalidade, entre outros
2. Empresarial: A relação é que o código processual civil prevê os títulos executivos extrajudiciais (cheques, etc).
3. Civil: O Código Civil dedica dispositivos que regulam vários aspectos com influência no Direito Processual, como capacidade das pessoas, provas, prescrição, decadência, etc...
4. Penal: No Código Penal e em legislações penais esparsas há previsões de crime para quem tenta fraudar a Justiça, se comporta com má-fé no processo, desrespeita os jurisdicionados, enfim, quem se porta com a intenção de lesar alguém dentro de um processo judicial.
Princípios Constitucionais e Infraconstitucionais do Direito Processual
Princípios Informativos
Lógico:
Segundo este princípio, a lógicado processo é aproximar o juiz da verdade a partir de uma sequência ordenada de atos, a qual possibilite uma justa composição aos conflitos de interesses apresentados. São exemplos, em que pode se visualizar o princípio lógico: a apresentação de petição inicial e resposta do réu antes da sentença; a interposição de recurso após a prolação de pronunciamento jurisdicional
Jurídico:
Este princípio determina que todo processo deve atender estritamente às disposições legais, desenvolvendo os seus atos em conformidade à lei vigente. Evita-se que o processo se torne um jogo cheio de surpresas. É exemplo, em que pode se visualizar o princípio jurídico, a necessária apresentação do rol de testemunhas no prazo fixado pelo juiz ou, em caso de omissão judicial, em até 10 dias antes da audiência de instrução e julgamento
Político:
Para este princípio, as regras processuais deverão estar em conformidade ao regime político adotado pelo sistema. O processo deve ter o maior rendimento possível, cumprindo sua instrumentalidade sem grandes sacrifícios às partes. O órgão julgador deve resolver as lides que lhe são apresentadas, mesmo no caso de lacunas no ordenamento jurídico, garantindo assim a sua completude. É exemplo, em que pode se visualizar o princípio político, a condução da execução com escolha do meio menos oneroso ao réu, se ele for capaz de proporcionar igual resultado àquele proporcionado pelo meio mais oneroso.
Econômico
São regras processuais, além de cumprirem com sua função instrumental, devem possibilitar o acesso à justiça a todos com o mínimo de dispêndio. Ele orienta os operadores do direito à obtenção máxima de rendimento. Isso não significa que a economia proporciona necessariamente celeridade. Há situações que, em homenagem a economia, o deslinde do processo fica mais demorado. É o caso das intervenções de terceiro. O processo em que há intervenção demora mais. Se ela não tivesse existido, a marcha processual teria se desenvolvido de forma mais célere. Contudo, evita-se a propositura de demanda judicial por, ou em face de, terceiro
Princípios Constitucionais (Fundamentais)
Inafastabilidade do Poder Judiciário
Trazido pelo artigo 5º, XXXV, da Constituição Federal, este princípio é a garantia do direito de ação, por conferir àquele que for ou que esteja na iminência de ser lesado em seus direitos o acesso irrestrito ao Poder Judiciário, bem como ter a devida e a efetiva prestação da tutela jurisdicional. 
Devido processo legal
Encontra-se expresso na Constituição Federal, no artigo 5º, inciso LIV, e garante que ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal. Pode-se dizer que todos os demais princípios que regem o processo civil são corolários e funcionam em virtude do devido processo legal. Bastaria ao texto constitucional a adoção desse princípio, pois os demais são dele decorrentes.
Contraditório e ampla defesa
O contraditório é tão importante para o processo que chega a fazer parte do seu conceito, de modo que, na doutrina, afirma-se que, em regra, não existe processo onde não há contraditório. Consagrado no art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, trata-se da garantia de ciência dos atos e termos processuais com a consequente faculdade de falar sobre eles de modo que possa, efetivamente, influenciar o órgão julgador nas suas decisões. É através da aplicação deste preceito, com a consequente participação dos interessados no processo, que se alcança a legitimidade da prestação da tutela jurisdicional.
Juiz natural
Também previsto na Constituição Federal, notadamente no artigo 5º, incisos XXXVII e LIII, este princípio assegura um julgamento proferido por autoridade competente e previamente designada para assim proceder, afastando a hipótese da ocorrência de juízes e tribunais de exceção. 
Motivação das Decisões Judiciais
O inciso IX do art. 93 da Constituição Federal determina que toda decisão judicial seja fundamentada sob pena de nulidade. Tal exigência (precaução que denota desconfiança aos integrantes da magistratura 3) evita o cometimento de abusos pelo juiz (possibilitando a análise pela instância superior da decisão combatida 4), além do que também permite o exercício da ampla defesa 
Segundo o STJ, “o princípio da motivação das decisões judiciais, consubstanciado no art. 93, IX, da Constituição Federal, determina ao Judiciário a fundamentação de suas decisões, porque é apenas por meio da exteriorização dos motivos de seu convencimento, que se confere às partes a possibilidade de emitir valorações sobre os provimentos jurisdicionais e, assim, efetuar o controle e o reexame da atividade jurisdicional, evitando e reprimindo erros ocasionais, abusos de poder e desvios de finalidade” (STJ. AgRg no REsp 723019/RJ. DJU 28.05.07).
Publicidade
A publicidade dos atos processuais é princípio que deve ser respeitado, não podendo a lei restringi-lo ou cerceá-lo. Tem por finalidade mostrar que o processo é justo, não tendo, por isso, nada a esconder. Possibilita-se, assim, a fiscalização dos trabalhos efetuados durante a tramitação processual. Está previsto no art. 93, IX e X da Constituição Federal.
Razoável Duração do Processo
É princípio-garantia diretamente relacionado à ideia do devido processo legal. Garante a todos, no âmbito judicial (e administrativo), o direito a um processo célere, mas com duração admissível, a qual seja capaz de satisfazer e reparar efetivamente os interesses perseguidos, sem, ao mesmo tempo, prejudicar garantias que assistem aos sujeitos do processo. A duração razoável do processo visa alcançar o necessário ponto de equilíbrio entre celeridade e devido processo legal, porquanto o processo deve ser célere, mas não ao ponto de alijar garantias que assistem aos sujeitos do processo. Previsto no art. 5º, LXXVIII da Constituição Federal.
Efetividade do Processo
A efetividade processual é a capacidade que o processo tem de assegurar o objetivo a que se propõem. Para tanto é necessário que o processo disponha de instrumentos adequados para a realização do objetivo a que se propõem. Previsto no art. 5º, LXXVIII da Constituição Federal.
Vedação das Provas Ilícitas
Se encontra consagrada no Art. 5º, LVI, da Constituição Federal. Este princípio limita o direito à prova, o qual é corolário dos direitos de ação, defesa e contraditório, também garantidos pela Carta Magna (art. 5º, LV).
"São inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos"
Provas obtidas por meios ilegítimos, portanto, não devem influir na formação do convencimento do juiz.
Igualdade (princípio da isonomia)
Também chamado de princípio da isonomia, ele está diretamente ligado a um tratamento processual equilibrado a ser dispensado aos sujeitos do processo. E está previsto no art. 5º, Caput, da Constituição Federal. No entanto, a igualdade de que trata o dispositivo não é meramente formal, mas substancial, uma vez que determina que os iguais devam ser tratados segundo suas igualdades e os desiguais na medida de suas desigualdades.
Princípios Infraconstitucionais
Princípio do Dispositivo
Verificado que o juiz, sempre que autorizado o desencadear o curso processual, ficava vinculado, moral e psicologicamente, à sua posição de autor, afetando sua necessária imparcialidade, criou-se a necessidade de que outrem instaurasse a ação, pelo que se atribui, em regra, no campo penal o poder ao chamado promotor de justiça, em proveito público, encarregado de zelar pelo interesse da coletividade. Previsto no Art. 2º do CPC.
Princípio do Impulso oficial
Uma vez instaurada a relação processual, compete ao juiz mover o procedimento de fase em fase, até exaurir a função jurisdicional. Trata-se, sem dúvida, de princípio ligado intimamente ao procedimento. Previsto no Art. 2º CPC.
Princípio da Oralidade
O princípio da oralidade relaciona-se com o embasamento da produção de provas nas relações processuais para o convencimento do magistrado em suas decisões.
Anteriormente, este princípio era considerado a regra na relação processual, porém, com o passardo tempo, novas manifestações foram aceitas. Atualmente o sistema jurídico brasileiro adota o procedimento misto nas relações, ou seja, forma oral e escrita.
Princípio da Fungibilidade
Juridicamente, refere-se a tudo que possa ser substituído, trocado”;
Em outras palavras, este princípio explica que um recurso, mesmo sendo incabível para atacar determinado tipo de decisão, poderá ser considerado válido, desde que exista dúvida, na doutrina ou na jurisprudência, quanto ao recurso viável a ser interposto naquela ocasião;
Faz florescer, quando bem aplicado, tanto a efetividade como a celeridade processuais, uma vez que aquele coloca um pouco a formalidade de lado em detrimento da providência jurisdicional, privilegiando finalizar a controvérsia, pois em muitos casos, no Processo Civil, é desnecessária tantas solenidades legais, quando as mesmas não prejudicam nenhuma das partes em litígio, vindo somente a atrasar cada vez mais a inércia jurisdicional;
Princípio da Proporcionalidade
Tem por finalidade precípua equilibrar os direitos individuais com os anseios da sociedade;
È fato que o princípio da proporcionalidade vem sendo largamente utilizado como importante meio de amparar à proteção dos direitos do cidadão em face de eventual arbítrio do Poder do Estado.
Trilogia estrutural do Direito Processual: Jurisdição, Ação e Processo
Jurisdição
É o poder do Estado de dizer o Direito (Alexandre Freitas)
Ação
É um direito constitucional de exercer posições ativas no processo.
Processo:
É o instrumento utilizado pelo Estado para pacificar o conflito de interesses após o exercício do direito de ação pelo autor.
A lei processual
Classificação das normas jurídicas
Normas jurídica de Direito Material: são aquelas que criam, modificam ou extinguem relações jurídicas, sendo o próprio ato jurídico. Tratam das relações que se travam no mundo empírico.
Normas jurídicas de Direito Processual: disciplinam aquilo que acontece em juízo, visando a solução da lide. É o instrumento do direito material junto ao poder judiciário.
O Direito Processual é um instrumento para tornar efetivo o direito material. Aquele que ingressa em juízo não busca o processo como objetivo, mas como meio de obter a efetividade do direito substancial. 
O processo é um instrumento a serviço da paz social.
O que distingue direito material e direito processual é que o DP cuida das relações dos sujeitos processuais, da posição de cada um deles no processo, da forma de se proceder aos atos deste sem nada dizer quanto ao bem da vida que é objeto do interesse primário das pessoas (o que entra na órbita do direito substancial).
Quanto à sua obrigatoriedade podem ser:
Cogentes ou de ordem pública: Quando determinam uma regra e têm relação de poder e sujeição;
Trata-se de regras inderrogáveis pela vontade das partes. Ex: As regras relativas ao casamento, ou seja, aqueles que pretendam casar devem necessariamente observar o conjunto de regras que disciplinam à matéria, não havendo qualquer possibilidade de dispor diferentemente do que prevê, a respeito, o comando é imperativo da lei. 
Não Cogentes (Dispositivas ou facultativas): Quando deixa como algo facultativo, por Ex: regime de bens do casamento;
Embora também devam ser cumpridas, podem ser afastadas, nos limites permitidos pela própria lei, pela vontade das partes.
Quanto à natureza de regras jurídicas:
Obrigação: quando trata da entrega de um bem em execução.
Dever: Normas que não se esgotam com seu cumprimento; se houver um relaxamento de tal norma existe multa, indenização, etc.
Ônus: Condutas transitórias (passageiras) mas obrigatórias que recaem no próprio faltoso. Ex: ônus (obrigação) do réu em responder aos termos da inicial, com pena de revelia.
NORMAS PROCESSUAIS
São normas jurídicas públicas, instrumentais, representativas de ônus (imposição de praticar o ato) e sendo destinada a regular e disciplinar o processo.
A disciplina do processo civil é feita por lei federal ordinária e as normas que cuidam do processo e da relação processual só podem ser editadas pela União.
Na ausência de lei federal, a competência estadual é plena, podendo o Estado editar normas de cunho geral.
O código do processo civil protege a jurisdição civil, contenciosa e voluntária em todo o território nacional, embora haja outras leis.
INTERPRETAÇÃO DA LEI PROCESSUAL CIVIL
A partir da interpretação determina-se o significado e fixa-se o alcance da lei. O juiz deve interpretar a lei de forma que atenda os valores relevantes da vida social visando o bem comum;
É fixar seu significado e alcance, ou seja, a interpretação de lei tem por finalidade não só o que a lei quis dizer, mas também, onde e em quais casos ela pode ser aplicada.
METODO DE INTERPRETAÇÃO DA NORMA JURÍDICA PROCESSUAL
Método gramatical ou Literal: É a análise das palavras contidas na lei, tanto individualmente como na sua sintaxe.
Método lógico-sistemático: Analisa as relações das leis com as demais normas que compõem o ordenamento se baseando nos princípios gerais que o informam.
Método histórico - Evolutivo: Analisa o direito como resultado do que ocorreu na história, inclusive os processos legislativos dos quais se originou.
Método comparativo: Os ordenamentos se influenciam reciprocamente, além de enfrentarem problemas idênticos.
Método Teleológico: Visa a finalidade da norma
Eficácia da Lei Processual no Tempo e no Espaço
Eficácia no Espaço
A lei processual é regulada pelo princípio da territorialidade por razão de ordem política e prática.
Política porque a norma processual tem por objeto disciplinar a atividade jurisdicional que se desenvolve através do processo. A atividade jurisdicional é manifestação do poder soberano do Estado e por isso não poderia ser regulada por leis estrangeiras sem inconvenientes para a boa convivência internacional.
Prática porque as dificuldades práticas quase insuperáveis que surgiriam com a movimentação da máquina judiciária de um Estado soberano mediante atividades regidas por normas e institutos do direito estrangeiro.
A territorialidade esta insculpida no art. 1º do CPC.
Eficácia no Tempo
Nosso direito intertemporal segue algumas regras:
As leis processuais brasileiras estão sujeitas a LIDB. Assim salvo disposição em contrário começam a viger após a VACATIO LEGIS. A lei processual terá validade imediata e geral respeitando o ato jurídico perfeito, a coisa julgada e o direito adquirido (LIDB 6º) e, via de regra, não terá validade até que outra lei a revogue (2º LIDB)
Com relação aos casos já em andamento, para saber se aplicamos a lei anterior ou a nova, o nosso direito adotou a teoria do isolamento dos atos processuais, pela qual a lei nova não atinge os atos processuais já praticados, nem seus efeitos, mas se aplicam aos atos processuais a praticar, sem limitações relativas às chamadas fases processuais. Expressa no art. 2º do CPP e 1211 do CPC.
FONTES DO PROCESSO CIVIL
Fontes: são os meios pelos quais se formam ou pelos quais se estabelecem as normas jurídicas. Fontes do Direito, portanto, nada mais são que as formas pelas quais as regras jurídicas se exteriorizam, se apresentam. São, enfim, modos de expressão do Direito.
A doutrina divide o tema em duas espécies:
Fontes materiais: corpo de normas que disciplinam as relações judiciais referentes a bens e utilidades da vida (direito civil, penal, administrativo, etc.)
Fontes formais: uso e costumes, Leis, usos e costumes, Norma Jurídica e até jurisprudência.
Sobre o ângulo legal, podemos citar como fonte do D. Processual:
 a) As constituições (federais e estatuais), emendas constitucionais e tratados e convenções internacionais;
b) Leis (complementares, ordinárias e delegadas);
c) Decretos legislativos e resoluções.
Segundo a CF, 1988 - Medidas provisórias não pode ser tratado no D. Processual, a competência é tão só do Presidente da República.
Atividade jurisdicional: é manifestação do poder soberano do Estado e por isso, obviamente, não poderiaser regulada por leis estrangeiras sem inconvenientes para a boa convivência internacional.
Estrutura do Poder Judiciário
Supremo Tribunal Federal - mantido pela União; 
Conselho Nacional de Justiça – mantido pela União
Superior Tribunal de Justiça – mantido pela União;
Os Tribunais Regionais Federais e Juízes Federais -mantidos pela União;
Os Tribunais e Juízes do Trabalho - mantidos pela União;
Os Tribunais e Juízes Eleitorais - mantidos pela União;
Os Tribunais e Juízes Militares – parte mantido pela União;
Os Tribunais e Juízes dos Estados, do Distrito Federal e Territórios
Justiça comum e especializada.
Quanto ao critério “especialização da Justiça”, a jurisdição pode ser classificada em “comum” ou “especial”. Embora não se trate de uma classificação inteiramente pacífica, observava-se um maior grau de especialização nos trabalhos desenvolvidos pela Justiça do Trabalho, Justiça Militar e pela Justiça Eleitoral, tanto que as mesmas até possuem Tribunal Superior específico (que seria, respectivamente, o TST, STM e TSE para a análise da lei respectiva), malgrados estas decisões possam ser questionadas quanto ao aspecto constitucional perante o STF. Por este motivo, tais Justiças comumente são consideradas como “especiais”. 
Quanto a Justiça Federal e Estadual, a interpretação dos atos infraconstitucionais é realizada pelo mesmo Tribunal Superior (STJ), o que justificaria a afirmativa de que as mesmas prestam jurisdição “comum”.
Tribunais superiores e inferiores. Órgãos jurisdicionais de primeira instância: juízos, juizados especiais cíveis, federais e fazendários.
Quanto ao critério “órgão que aplica a jurisdição”, a jurisdição pode ser classificada em “superior” ou “inferior”. A distinção é singela, posto que a jurisdição “inferior” é aquela prestada por órgãos integrantes do Poder Judiciário em primeira instância, ao passo em que a jurisdição “superior” é prestada pelos Tribunais, estejam ele no exercício de competência originária ou mesmo recursal. Todas as Justiças (Federal, Trabalhista, Militar, Eleitoral e Estadual) possuem órgãos de instância superior e inferior.
Jurisdição: Conceito. Características.
A palavra “jurisdição” deriva do latim iuris dictio, que significa “dizer o Direito”, ou seja, é a possibilidade de aplicação do Direito ao caso fático que foi submetido a apreciação do magistrado.
A jurisdição tanto pode ser compreendida como Poder, como atividade ou função, dependendo do ponto de vista que for empregado, sendo desempenhada por uma pessoa que assim foi investida para tanto. 
Características da jurisdição:
Lide: a atuação da jurisdição pressupõe a existência de uma lide. O problema é apresentado pelo particular para que o Estado atue no processo e julgamento.
Inércia: os órgãos jurisdicionais são inertes. Fica a critério do particular a provocação do Estado-Juiz ao exercício da função jurisdicional. O titular de uma pretensão vem a juízo pedir a prolação de um provimento que satisfaça a sua pretensão e com isso elimine o estado de insatisfação. (2º CPC e 24 do CPP).
Imutabilidade dos atos jurisdicionais: somente os atos judiciais podem ser atingidos pela imutabilidade. A coisa julgada é a imutabilidade dos efeitos de uma sentença, em virtude da qual nem as partes podem repropor a mesma demanda em juízo ou comportar-se de modo diferente daquele preceituado, nem os juízes podem voltar a decidir a respeito, nem o próprio legislador pode emitir preceitos que contrariem, para as partes, o que já ficou definitivamente julgado.
Princípios Inerentes a Jurisdição
 Inércia; - A jurisdição é inerte no sentido de que ela não é prestada de oficio. Os interessados no exercício da função jurisdicional devem requerê-la, devem provocar a atuação do Estado-juiz.
Substitutividade; Consiste na circunstância de o Estado, ao apreciar o pedido, substituir a vontade das partes, aplicando ao caso concreto a “vontade” da norma jurídica. Em suma, o poder judiciário ao compor o litígio substitui a vontade das partes. Na jurisdição voluntária não há substituição da vontade.
Imperatividade - A substitutividade da jurisdição leva, necessariamente, á compreensão de sua imperatividade. O Estado-juiz, para realizar adequadamente o objetivo maior de pacificar os litigantes, imporá o resultado que mediante o devido processo, entender aplicável ao caso, independentemente da concordância dos litigantes.
Inafastabilidade- Garante a todos o acesso ao judiciário. 5º XXXV. O poder judiciário não pode deixar de processar e atender alguém a quem venha a juízo deduzir uma pretensão fundada no direito e pedir solução ao caso concreto;
Indelegabilidade - É vedado ao juiz delegar atribuições. Não pode juiz algum delegar funções a outro órgão. Isso porque o Juiz não age em nome próprio e sim como um agente do Estado;
Divisão da Jurisdição
Jurisdição Especial e Comum
Existem justiças que exercem justiça comum, ex: justiças estaduais e federais.
Existem justiças que exercem justiça especial, ex: justiça militar, eleitoral e trabalhista.
Jurisdição pode ser:
Contenciosa
É aquela em que não há um consenso entre as partes, não conseguem solução amigável para o conflito.
Voluntária
É aquela em não há conflito, mas que o Estado precisa intervir exercendo apenas uma atuação administrativa sobre alguns atos de particulares porque eles são importantes para o Direito, como, por exemplo, na compra de um imóvel, abertura de empresa, etc. É uma administração pública de interesses privados.
Diferença entre Jurisdição Contenciosa e Jurisdição Voluntária
Jurisdição Voluntária o Estado intervém, porque interessa à sociedade, mesmo não havendo conflito, enquanto na Jurisdição Contenciosa o Estado intervém, porque há conflito.
MÉTODO EXTRA JUDICIAIS
1.Autodefesa - A ausência de um Estado organizado, com poder insuficiente para coibir os homens de buscar a solução de suas lides através da lei do mais forte e subjugo forçado do mais fraco;
Utilizava-se da força física contra o adversário para vencer sua resistência e satisfazer uma pretensão
2.Autocomposição - 
3.Mediação
É uma forma de lidar com um conflito (como, por exemplo, em caso de separação, divórcio, brigas entre vizinhos, etc.) através da qual um terceiro (o mediador ou a mediadora) ajuda as pessoas a se comunicarem melhor, a negociarem e, se possível, a chegarem a um acordo.
4.Arbitragem – Lei nº 9.307/96
É o acordo de vontades celebrado entre pessoas maiores e capazes, que preferem submeter a solução dos eventuais conflitos entre elas aos árbitros, e não à decisão judicial. Porém, para tanto, o litígio deve recair apenas sobre direitos patrimoniais disponíveis. Assim, o juízo arbitral é uma solução mais rápida para dirimir as controvérsias entre as partes. De acordo com o artigo 3º, da Lei nº 9.307/96, "as partes interessadas podem submeter a solução de seus litígios ao juízo arbitral mediante convenção de arbitragem, assim entendida a cláusula compromissória e o compromisso arbitral".

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