Prévia do material em texto
INTRODUÇÃO A AIDS é a doença causada pela infecção do Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV). Esse vírus ataca o sistema imunológico, que é o responsável por defender o organismo de doenças. As células mais atingidas são os linfócitos T CD4+. O vírus é capaz de alterar o DNA dessa célula e fazer cópias de si mesmo. Depois de se multiplicar, rompe os linfócitos em busca de outros para continuar a infecção. De acordo com o Ministério da Saúde, até o ano de 2022, foi detectado que um milhão de pessoas vivem com o vírus do HIV no Brasil, 65% dos casos registrados são de homens e 35% são de mulheres. A infecção pelo HIV pode ser transmitida por sangue, sêmen, lubrificação vaginal ou leite materno. O HIV está presente nesses fluidos corporais tanto na forma de partículas livres como em células imunitárias infectadas.5 As principais vias de transmissão são as relações sexuais desprotegidas, o compartilhamento de seringas contaminadas e a transmissão entre mãe e filho durante a gravidez ou amamentação.6 Pela saliva o risco de transmissão é mínimo. (Ferreira da Silva, Barros, Gonçalves, 2020). Todas as pessoas diagnosticadas com HIV têm direito a iniciar o tratamento com antirretrovirais imediatamente, e, assim, poupar o seu sistema imunológico. Esses medicamentos (coquetel) impedem que o vírus se replique dentro das células T-CD4+ e evitam, assim, que a imunidade caia e que a aids apareça. Estudos realizados por Gonçalves e Brito (2022) destacaram que os primeiros casos de AIDS foram registrados nos anos de 1977-1978, e há mais de 40 anos convivemos com o diagnóstico de HIV/ Aids1. De 1981 até 2021, aproximadamente, 79,3 milhões de pessoas já foram infectadas pelo HIV no mundo, e 36,3 milhões foram a óbito1. Nessa perspectiva, é importante que a sociedade como um todo saiba que à adesão à terapia antirretroviral (TARV) na atenção básica é um tema crucial na promoção da saúde de pessoas vivendo com HIV/AIDS. A continuidade do tratamento é vital para o controle viral e para a qualidade de vida dos pacientes. No entanto, existem desafios significativos que impactam essa adesão, sendo o papel dos profissionais de enfermagem fundamental para superar esses desafios. Um dos principais obstáculos é o estigma associado ao HIV/AIDS. Pessoas que vivem com o vírus frequentemente enfrentam discriminação e preconceito, o que pode levar a sentimentos de vergonha e isolamento. Segundo um estudo de Smith et al. (2021), o estigma social é um fator significativo que contribui para a baixa adesão à TARV. Esse estigma pode levar os pacientes a evitar buscar cuidados de saúde, resultando em interrupções no tratamento e, consequentemente, em piores desfechos de saúde. Além disso, a falta de suporte social e emocional é outro desafio. Muitos pacientes podem sentir-se desamparados ou desmotivados a continuar o tratamento devido à falta de uma rede de apoio. Conforme destacado por Oliveira et al. (2022), o suporte social e emocional desempenha um papel fundamental na manutenção da adesão à TARV. Profissionais de saúde, especialmente enfermeiros na atenção básica, têm um papel essencial em oferecer esse suporte, criando um ambiente de confiança e compreensão para os pacientes. Para enfrentar esses desafios, é fundamental que as estratégias de atenção básica sejam adaptadas para oferecer suporte contínuo e personalizado. A educação em saúde, o aconselhamento e a construção de uma relação de confiança entre profissionais de saúde e pacientes são elementos-chave para melhorar a adesão à TARV. Portanto, os profissionais de enfermagem desempenham um papel fundamental ao oferecer suporte contínuo, educacional e emocional, e promovendo um ambiente que favoreça a adesão à a essa terapia. A atenção básica, com o suporte dos enfermeiros, tem o potencial de transformar esses desafios em oportunidades para melhorar a saúde e o bem-estar dos pacientes. Diante deste panorama, o presente artigo buscará responder à pergunta: "De que forma o Enfermeiro pode contribuir para o incentivo e continuidade da terapia antirretroviral em pacientes com HIV/AIDS? E para tanto, terá como objetivo principal analisar o incentivo do enfermeiro a continuidade da terapia antirretroviral na atenção primária. A justificativa para a presente pesquisa deriva da necessidade urgente de fomentar um debate e implementar mudanças que possam mitigar os desafios enfrentados por pacientes e incentivar a sua adesão ao tratamento. Esse estudo visa contribuir para a discussão de trabalhos e pesquisas relacionados a esse tema, fornecendo dados críticos e empíricos sobre a forma como políticas e práticas organizacionais podem ser reformuladas, pretendendo promover a saúde e a adesão adequada ao tratamento do HIV.