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EPIDEMIOLOGIA 
 
 
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Epidemiologia 
A epidemiologia é a ciência das epidemias, onde se averigua determinantes sociais, ambientais, ge-
néticos e exposições dos indivíduos a agentes tóxicos, microbiológicos, entre outros, que ocasionam 
em doenças, incapacidades intelectuais e físicas, e até mesmo à morte, investigando as distribuições 
e as quantidades em relação a saúde e doença. 
A epidemiologia indica, através de estudos, os aspectos da doença e até mesmo do desastre como 
sua frequência, sua distribuição geográfica e a população que mais corre risco. Os dados produzidos 
pela epidemiologia podem ser de doenças conhecidas ou não. 
O primeiro relato de dado epidemiológico foi produzido por Hipócrates, na Grécia há mais de 2000 
anos, onde foi percebido a relação das doenças com os fatores ambientais. As primeiras observações 
epidemiológicas foram descritas por John Snow, em Londres que analisou cada moradia com casos 
de óbito por cólera entre 1848 e 1853, e percebeu uma relação entre a água originária destas resi-
dências; ao comparar com outras residências, Snow percebeu que a maioria das vítimas da cólera 
tinham a água fornecida pela empresa Southwark. 
Atualmente, segundo a Associação Internacional de Epidemiologia (IEA) a epidemiologia possui 3 
propósitos principais: 
Relatar a disseminação e a importância do agente causador da doença em relação com as dificulda-
des da saúde entre as populações humanas. 
Gerar informações que sirvam de base para a prevenção, moderação e tratamento das doenças, es-
tabelecendo prioridades. 
Identificar a causa e origem da doença. 
A epidemiologia não possui uma metodologia de aplicação específica, podendo variar de acordo com 
o surgimento das doenças, mas possui 6 metas obrigatórias que podem ser acrescidas; são originá-
rias da metodologia científica e devem ser aplicadas em sua ordem específica: 
Estudo exato 
Análise correta 
Esclarecimento racional 
Formação de hipótese 
Comprovação a hipótese 
O avanço da epidemiologia gerou várias conquistas, diminuindo a quantidade de doentes e promo-
vendo soluções para causas variadas de doenças como a varíola, envenenamento por metilmercúrio, 
distúrbios por deficiência de iodo, tabagismo, HIV/AIDS, síndrome da angústia respiratória aguda e 
até mesmo em ocorrências de fraturas como a do quadril em idosos. 
No Brasil, o órgão responsável pelos os dados epidemiológicos e a sua aplicação é a Secretaria de 
Vigilância em Saúde – SVS, uma das secretarias que compõem o Ministério da Saúde, prevista no 
decreto nº 8065 de 7 de agosto de 2013. Os dados epidemiológicos no Brasil são disponibilizados 
para a população através dos sites do SVS e do DATASUS. 
Segundo o dicionário Aurélio da língua portuguesa, podemos definir epidemiologia como o estudo das 
inter-relações dos vários determinantes da frequência e distribuição de doenças num conjunto popu-
lacional. Também existem outras importantes definições como: Oxford English Dictionary: O ramo da 
ciência médica que trata das epidemias. Kuller LH: é o estudo das epidemias (doenças) e sua preven-
ção. Anderson G. quoted in Rothman KL: é o estudo da ocorrência da doença. 
 
Definições de Epidemia 
Ocorrência em uma região ou comunidade de casos de uma doença; condutas relacionadas a doen-
ças específicas, ou outros eventos claramente relacionados à saúde além daquele esperado. 
https://www.infoescola.com/doencas/endemia-epidemia-e-pandemia/
https://www.infoescola.com/biografias/hipocrates/
https://www.infoescola.com/doencas/colera/
https://www.infoescola.com/doencas/variola/
EPIDEMIOLOGIA 
 
 
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Doença que surge rapidamente num lugar e acomete, a um tempo, grande número de indivíduos. 
Surto de agravação duma endemia. 
Essas definições de epidemiologia envolvem uma série de termos que vamos conhecer agora: 
Estudo: a epidemiologia como disciplina básica da saúde pública humana e veterinária tem seus fun-
damentos no método científico. 
Frequência e distribuição: a epidemiologia preocupa-se com a frequência e o padrão dos eventos re-
lacionados com o processo saúde-doença na população. A frequência inclui não só o número desses 
eventos, mas também as taxas ou riscos de doença nessa população. 
Determinantes: uma das questões centrais da epidemiologia é a busca da causa e dos fatores que 
influenciam a ocorrência dos eventos relacionados ao processo saúde-doença. 
Com esse objetivo, a epidemiologia descreve a frequência e distribuição desses eventos e compara 
sua ocorrência em diferentes grupos populacionais com distintas características demográficas, gené-
ticas, imunológicas, comportamentais, de exposição ao ambiente e outros fatores, assim chamados 
fatores de risco. Em condições ideais, os achados epidemiológicos oferecem evidências suficientes 
para o emprego de medidas de prevenção e controle. 
 
• Estados ou eventos relacionados à saúde: geralmente a epidemiologia concentra-se nas epidemias 
relacionadas as doenças infecto-contagiosas. 
 
• Específicas populações: como já foi salientado, a epidemiologia preocupa-se com a saúde coletiva 
de grupos de indivíduos que vivem numa comunidade ou área. 
 
Qual o objetivo da epidemiologia? 
Medir a frequência de uma determinada doença em uma população. 
 
Para avaliar a frequência de uma determinada doença devemos levar em conta os seguintes critérios: 
Classificar e caracterizar a doença. Saber qual o componente de um caso de uma doença. 
Encontrar uma fonte para busca de casos. 
Definir a população de risco da doença. 
Definir o período de tempo do risco da doença. 
Fazer medidas das frequências da doença. 
Relacionar casos à probabilidade na população e tempo de risco. 
 
A Tríade Epidemiológica Agente, Hospedeiro e o Ambiente O triângulo epidemiológico ou simples-
mente tríade é um tradicional modelo de estudo das causas e efeitos das doenças infectocontagio-
sas. São avaliados: os agentes externos, a susceptibilidade dos hospedeiros e o ambiente de forma 
geral. Neste modelo, o ambiente influencia o agente, o hospedeiro, e a via de transmissão do agente 
a partir de uma fonte para o hospedeiro. 
 
Fatores do Agente 
Os agentes envolvidos geralmente são microrganismos infecciosos (vírus, bactéria, parasita ou fun-
gos). Geralmente, esses agentes devem estar presentes para que ocorra a doença, ou seja, são ne-
cessários, mas nem sempre são suficientes para causar doença. 
 
Fatores dos Hospedeiros 
Fatores intrínsecos do hospedeiro são fatores que influenciam um indivíduo da exposição, sensibili-
dade, ou resposta a um agente causal. Idade, espécie, raça, sexo, status imunológico, genética são 
apenas alguns dos muitos fatores que afetam um indivíduo na probabilidade de exposição a um 
agente. 
Fatores Ambientais 
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Os fatores ambientais são fatores extrínsecos que afetam o agente e as oportunidades para exposi-
ção. Geralmente, os fatores ambientais incluem fatores físicos, tais como geologia, clima, e meio fí-
sico (por exemplo, currais, exposições agropecuárias). 
Prevenções 
As ações primárias dirigem-se à prevenção das doenças ou manutenção da saúde. Exemplo: a inter-
rupção do fumo na gravidez seria uma importante medida de ação primária, já que mães fumantes, 
no estudo de coorte de Pelotas de 1993, tiveram duas vezes maior risco para terem filhos com re-
tardo de crescimento intra-uterino e baixo peso ao nascer. 
Após a instalação do período clínico ou patológico das doenças, as ações secundárias visam a fazê-
lo regredir (cura), ou impedir a progressão para o óbito, ou evitar o surgimento de sequelas. 
A prevenção através das ações terciárias procura minimizar os danos já ocorridos com a doença. 
Exemplo: a bola fúngica que, usualmente é umresí- duo da tuberculose e pode provocar hemoptises 
severas, tem na cirurgia seu tratamento definitivo. 
Causalidade 
A teoria da multicausalidade ou multifatorialidade tem hoje seu papel definido na gênese, istoé, na 
formação, no início das doenças. 
 
A grande maioria das doenças advém de uma combinação de fatores que interagem entre si e de-
sempenham importante papel na determinação das mesmas. Como exemplo dessas múltiplas causas 
chamadas causas contribuintes utilizaremos o câncer de pulmão. 
Nem todo fumante desenvolve câncer de pulmão, o que indica que há outras causas contribuindo 
para o aparecimento dessa doença. Entretanto, descendentes de primeiro grau de fumantes com 
câncer de pulmão tiveram 2 a 3 vezes maior chance de desenvolverem a doença do que aqueles sem 
a doença na família; isso indica que há uma suscetibilidade familiar aumentada para o câncer de pul-
mão. Aativação dos oncogenes dominantes e inativaçãode oncogenes supressores reforçam o papel 
de determinantes genéticos. 
A eficiência do SNVE depende do desenvolvimento harmônico das funções realizadas nos diferentes 
níveis. Quanto mais capacitada e eficiente a instância local, mais oportunamente poderão ser execu-
tadas as medidas de controle. 
Os dados e as informações aí produzidos serão, também, mais consistentes, o que possibilita melhor 
compreensão do quadro sanitário estadual e nacional, e, consequentemente, o planejamento ade-
quado da ação governamental. Nesse contexto, as intervenções oriundas do nível estadual e, com 
maior razão, do federal tenderão a tornar-se seletivas, voltadas para questões emergenciais ou que, 
pela sua transcendência, requeiram avaliação complexa e abrangente, com participação de especia-
listas e centros de referência, inclusive internacionais. 
Epidemiologia e Indicadores de Saúde 
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Este recurso educacional aborda conceitos importantes de epidemiologia, indicadores de saúde, in-
cluindo na sua apresentação, os seguintes recursos: Atividade de fórum; Atividade de relacionar o 
desfecho clínico para cada um dos desfechos substitutos propostos no exercício; Atividade de múlti-
pla escolha; Atividade de perguntas e respostas. 
Exercício que aborda o delineamento adequado para seis exemplos de situações elencadas da prá-
tica profissional na Atenção Primária; Exercício sobre o estudo da mortalidade infantil; Painel em po-
werpoint que retoma alguns dos delineamentos mais utilizados na prática e que auxiliam no processo 
de trabalho das equipes de saúde da família; Fichário que apresenta um resumo sobre a prática ba-
seada em evidências; Videoaula que aborda os objetivos da epidemiologia clínica e sua aplicação na 
prática dos profissionais das equipes de saúde da família; 
Videoaula que apresenta os conceitos de incidência e prevalência, bem como suas diferenças e usos 
na prática; Videoaula que apresenta as medidas de frequência de doenças e sua aplicação prática no 
dia a dia das equipes de saúde da família; Videoaula que apresenta o que são e quais os tipos de in-
dicadores de saúde e o que que eles podem revelar a respeito das condições de vida da população 
bem como acerca do desempenho do sistema de saúde; 
Educação em Saúde 
Inicialmente, deve-se localizar a temática da educação em saúdecomo um campo de disputas de pro-
jetos de sociedade e visões de mundo que se atualizam nas formas de conceber e organizar os dis-
cursos e as práticas relativas à educação no campo da saúde. Como nos lembra Cardoso de Melo 
(2007), para se compreender as concepções de educação em saúde é necessário buscar entender 
as concepções de educação, saúde e sociedade a elas subjacentes. De nossa parte, acrescentamos, 
também, a necessidade de se compreender essas concepções na interface com as concepções a 
respeito do trabalho em saúde e suas relações com os sujeitos do trabalho educativo. 
Neste verbete, educação, saúde e trabalho são compreendidos como práticas sociais que fazem 
parte do modo de produção da existência humana, precisando ser abordados historicamente como 
fenômenos constituintes - produtores, reprodutores ou transformadores - das relações sociais. 
Nas sociedades ocidentais, tem predominado a compreensão da educação como um ato normativo, 
no qual a prescrição e a instrumentalização são as práticas dominantes. Essa forma de conceber a 
educação, baseada numa pretensa objetividade e neutralidade do conhecimento, produzido pela ra-
zão cientificamente fundada, guarda correspondência com uma compreensão da saúde como fenô-
meno objetivo e produto de relações causais imediatamente apreensíveis pela ciência hegemônica no 
campo, a biologia. 
A busca por uma objetivação das ações humanas, fruto de um racionalismo de ímpeto controlador, 
tanto na educação quanto na saúde, acaba contribuindo para um processo de objetivação dos pró-
prios sujeitos destas ações. Assim, o professor pode reduzir-se a um transmissor das informações, e 
o aluno, um seu correspondente, um mero receptor passivo das informações educativas. Por sua vez, 
o profissional de saúde pode tornar-se um operador de protocolos e condutas, e o ‘ doente’, um corpo 
onde se dá a doença e, conseqüentemente, o ato médico. Em geral, homens desempenhando um pa-
pel pré-defindo e apassivado nas relações professor-aluno e profissional de saúde-doente. 
Outros resultados não menos importantes desse processo são, no caso da educação, a adaptação 
dos educandos à realidade social apresentada como a ordem natural das coisas, como única forma 
de existência possível e racional; assim como, no caso do processo saúde-doença, a compreensão 
deste como o percurso natural do desenvolvimento da doença, seja esta compreendida como um fe-
nômeno unicausal ou multicausal. 
Poderíamos situar o final do séc. XIX e o início do século XX como um momento histórico importante 
na construção de concepções e práticas de educação e saúde que tiveram em sua base a Higiene, 
enquanto um campo de conhecimentos que se articulam, produzindo uma forma de conceber, expli-
car e intervir sobre os problemas de saúde. Nesse momento histórico, a Higiene está fortemente as-
sociada à ideologia liberal, encontrando neste pensamento os seus fundamentos políticos. 
 
Destarte, a Higiene centrava-se nas responsabilidades individuais na produção da saúde e construía 
formas de intervenção caracterizadas como a prescrição de normas, voltadas para os mais diferentes 
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âmbitos da vida social (casa, escola, família, trabalho), que deveriam ser incorporadas pelos indiví-
duos como meio de conservar a saúde. Arouca (2003), ressalta que a Higiene acaba por reduzir à 
aplicação de medidas higiênicas a solução dos problemas de saúde, que se constituem a partir das 
condições de existência. 
É nesse período que a filosofia da educação de John Dewey, formulada em estreito diálogo com a 
psicologia experimental e com o evolucionismo biológico, sofre grande apropriação pelo pensamento 
e pelas práticas de educação para a saúde. 
Muitos elementos merecem ser destacados do pensamento filosófico de Dewey, mas é a ênfase que 
este pensador atribui à primazia das características dos indivíduos para o desenvolvimento do pro-
cesso educativo e o fato de tomar a construção de hábitos como um norte para a educação que são 
claramente identificáveis no que denominamos como educação sanitária. 
O desenvolvimento da educação sanitária, a partir dos EUA, deu-se de forma associada à saúde pú-
blica, tendo sido instrumento das ações de prevenção das doenças, caracterizando-se pela transmis-
são de conhecimento. Mesmo que realizada de forma massiva, como no caso das campanhas sanitá-
rias no Brasil, a perspectiva não contemplava a dimensão histórico-social do processo saúde-doença. 
Cardoso de Melo (1976), no bojo do movimento pela Reforma Sanitária no Brasil, fez uma crítica se-
vera aos efeitos do distanciamento da saúde pública em relação ao social, afirmando que “como o so-
cial não é considerado na prática da saúde pública, senão em perspectiva restrita, a educação passa 
a ser uma atividade paralela, tendo como finalidade auxiliar a efetivação dos objetivos eminentemente 
técnicosdos programas de saúde pública” (p. 13). 
Entretanto, numa perspectiva crítica, a educação parte da análise das realidades sociais, buscando 
revelar as suas características e as relações que as condicionam e determinam. Essa perspectiva 
pode ater-se à explicação das finalidades reprodutivistas dos processos educativos ou trabalhar no 
âmbito das suas contradições, buscando transformar estas finalidades, estabelecendo como meta a 
construção de sujeitos e de projetos societários transformadores. 
Da mesma forma, no campo da saúde, a compreensão do processo saúde-doença como expressão 
das condições objetivas de vida, isto é, como resultante das condições de “habitação, alimentação, 
educação, renda, meio ambiente, trabalho, transporte, emprego, lazer, liberdade, acesso e posse da 
terra e acesso a serviços de saúde” (Brasil, 1986, p. 04) descortina a saúde e a doença como produ-
ções sociais, passíveis de ação e transformação, e aponta também para um plano coletivo e, não so-
mente individual de intervenção. 
Essa forma de conceber a saúde tem sido caracterizada como um ‘conceito ampliado’, pois não reduz 
a saúde à ausência de doença, promovendo a idéia de que uma situação de vida saudável não se re-
solve somente com a garantia do acesso aos serviços de saúde – o que também é fundamental –, 
mas depende, sobretudo, da garantia de condições de vida dignas que, em conjunto, podem proporci-
onar a situação de saúde. Nesse sentido, são indissociáveis o conceito de saúde e a noção de direito 
social. 
Na interface da educação e da saúde, constituída com base no pensamento crítico sobre a realidade, 
torna-se possível pensar educação em saúde como formas do homem reunir e dispor recursos para 
intervir e transformar as condições objetivas, visando a alcançar a saúde como um direito socialmente 
conquistado, a partir da atuação individual e coletiva de sujeitos político-sociais. 
Quanto ao trabalho em saúde, a forma histórica hegemônica por ele assumida estruturou-se a partir 
da biomedicina, organizando o processo de trabalho de forma médico-centrada, caracterizando-se 
pela hierarquização, reproduzindo a divisão intelectual e social do trabalho e do saber em saúde. 
Dessa forma, a educação em saúde, produzida no âmbito dos serviços de saúde, esteve muito subor-
dinada a esse modelo, assim como, as práticas de educação sanitária, dirigidas à sociedade em geral 
e suas instituições, reproduziram em larga escala o poder biomédico, tendo funcionado, muitas ve-
zes, como braços do controle estatal sobre os indivíduos e as relações sociais. 
Stotz (1993), ao analisar os diferentes enfoques no campo da educação e saúde, coloca em evidên-
cia a predominância histórica do padrão médico na forma de conceber e organizar as atividades co-
nhecidas pelo nome de educação sanitária. Esse padrão, que chamaremos de enfoque ou modelo 
biomédico, tornou-se alvo de intensas críticas, a partir da crise do sistema capitalista iniciada ao final 
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da década de 60. Foram denunciadas, principalmente, a incapacidade do modelo biomédico de res-
ponder às necessidades de melhoria das condições de saúde da população; a medicalização dos 
problemas de caráter socioeconômicos; a iatrogenia; e o caráter corporativo da atuação dos profissio-
nais. O autor relaciona as críticas dirigidas ao modelo biomédico às críticas feitas aos paradigmas do 
cientificismo, às idéias de neutralidade e atemporalidade da ciência concebida como universal. 
Nessa perspectiva histórica, Stotz localiza as mudanças ocorridas na década de 70, quando o Estado 
capitalista incorporou parte das propostas formuladas pelos movimentos críticos na área da saúde, 
mas o fez segundo seus objetivos de racionalização de custos. 
Esse mesmo autor, apoiado no trabalho de Tones (1987, apud Stotz, 1993), nos auxilia também a 
compreender as diferentes concepções que se constituíram, mais recentemente, nas formas de abor-
dar a educação e saúde, definindo-as quanto ao seu objetivo, ao sujeito da ação, ao âmbito da ação, 
ao princípio orientador, à estratégia e ao pressuposto de eficácia. A seguir, reproduzimos o quadro no 
qual essas concepções são sistematizadas segundo esses critérios: 
Em relação aos critérios analisados, pode-se notar que o papel atribuído ao indivíduo e ao social va-
ria entre essas concepções. Talvez seja em relação ao peso relativo atribuído a esses pólos (indiví-
duo e sociedade) que se possa melhor discriminar os projetos e as ações educativas desenvolvidas 
segundo essas concepções. 
Acrescentamos também a dimensão do Estado e o papel a ele atribuído na solução, na prevenção e 
na recuperação dos processos de saúde-doença, assim como, no desenvolvimento de projetos edu-
cativos no campo da saúde. 
Atualmente, considerando a importância adquirida pelo projeto de promoção da saúde, que busca ca-
pilarizar-se em várias dimensões da vida social (família, escola, comunidade) e individual (cuidados 
com o corpo, desenvolvimento de hábitos saudáveis), a discussão sobre as dimensões individuais e 
coletivas da saúde/doença torna-se oportuna e particularmente importante. 
O modelo da promoção, no qual a educação em saúde se apresenta como um dos seus eixos de sus-
tentação, vê-se diante do desafio de não reproduzir, a partir da incorporação instrumental da catego-
ria de risco e da ênfase na mudança de comportamento, a mesma redução operada pelo higienismo, 
que ao responsabilizar o indivíduo pela reversão da sua dinâmica de adoecimento, acabou por culpa-
bilizá-lo, esvaziando a compreensão da dimensão social do processo saúde/doença. 
No movimento constante em defesa do Sistema Único de Saúde (SUS) como projeto de um sistema 
universal, público, equânime, integral e democrático, encontra-se a necessidade de se buscar uma 
concepção da relação educação e saúde que se configura como resultado da ação política de indiví-
duos e da coletividade, com base no entendimento da saúde e da educação em suas múltiplas di-
mensões: social, ética, política, cultural e científica. 
Essa construção passa necessariamente pela redefinição do processo de trabalho em saúde e das 
atribuições e responsabilidades entre os trabalhadores, assim como, pela transformação do papel de-
sempenhado por estes trabalhadores nos encontros com a população. Compreendendo a potenciali-
dade educativa dos vários atos promovidos nas ações e nos serviços de saúde, pode-se compreen-
der todos os trabalhadores da saúde como educadores, e estes, junto com a população atendida, su-
jeitos do processo de produção dos cuidados em saúde. 
A categoria práxis tem centralidade nessa perspectiva, uma vez que estabelece uma relação de conti-
nuidade e complementaridade entre a teoria e a prática, compreendendo o conhecimento e as técni-
cas como uma produção social, historicamente constituídos e implicados entre si, não-neutros, isto é, 
orientados por um projeto societário transformador. Nesse sentido, os sujeitos da ação-reflexão não 
são redutíveis a objeto e não são considerados senão nas suas várias dimensões, como sujeitos his-
tóricos, políticos, sociais. 
O potencial da educação como processo emancipatório, na interface com os movimentos sociais, tem 
na categoria de práxis social, criadora/transformadora da realidade, um aspecto central que está pre-
sente nas teses que permeiam o pensamento de Paulo Freire. Esse pensador exerceu forte influência 
no Movimento da Educação Popular em Saúde, na América Latina e, particularmente, no Brasil. 
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São marcas da pedagogia freireana a concepção de processo ensino-aprendizagem como uma troca, 
como um processo dialógico entre educador e educando, que se dá numa realidade vivida. O conhe-
cimento advém da reflexão crítica sobre essa realidade, construindo-se, ao mesmo tempo em que o 
homem vai se constituindo e se posicionando como um ser histórico. 
Nesse sentido, não cabem relações verticais entre educador e educando, ou a transferênciade co-
nhecimentos e a normatização de hábitos, que marcaram o pensamento hegemônico da educação 
sanitária no século passado e que ainda hoje estão presentes nas práticas educativas em saúde. 
Como campo de disputas, a educação em saúde é permeada por essas várias concepções que se 
enfrentam, ainda hoje, nas práticas dos diversos trabalhadores da saúde que realizam o SUS. Em 
certa medida, cumpre reforçar que não são somente perspectivas ou correntes educacionais ou sani-
tárias que se defrontam, mas formas de conceber os homens, a relação entre estes, as formas de or-
ganizar a sociedade e partilhar os bens por ela produzidos. 
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