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Rosália P5 Turma 05 (2020.1) Caso 04 P5 EaD - "Imunidade baixa" existe mesmo? Grupo 01 Abertura 03/04 Fechamento 17/04 H1. Mieloma é uma neoplasia maligna da medula P1. o que é o mieloma? É uma neoplasia hematológica caracterizada pela proliferação clonal de plasmócitos malignos no microambiente da medula óssea associado ao surgimento de proteína monoclonal sérica e/ou urinária e presença de disfunção de órgãos-alvo. o mieloma múltiplo é uma neoplasia maligna de células plasmáticas, caracterizada por infiltração da medula óssea e destruição óssea extensa, resultando em anemia, dores ósseas e fraturas. o mieloma múltiplo (comumente referido como mieloma) é definido pela presença de 10% ou mais de células plasmáticas no exame da medula óssea, proteína M no soro e na urina (exceto no caso de mieloma não secretor) e evidências de hipercalcemia, insuficiência renal, anemia ou lesões ósseas consideradas relacionadas com o distúrbio proliferativo de células plasmáticas. Mieloma múltiplo é uma doença neoplásica caracterizada por acúmulo de plasmócitos clonais na medula óssea (Fi- gura 21.2), presença de proteína monoclonal no soro e/ ou na urina e, em pacientes com sinais ou sintomas, dano tecidual relacionado (Tabela 21.3, Figura 21.3). Outras P2. Qual é a etiologia do mieloma? A causa do Mieloma Múltiplo (MM) ainda não é bem estabelecida. Numerosos vírus e outros agentes infecciosos têm sido relacionados à patogênese do MM, mas os mecanismos ainda não foram totalmente elucidados. Vários estudos associam o risco de MM à exposição a pesticidas, como, por exemplo, as dioxinas. É relatada a ocorrência de MM em grupos familiares de dois ou mais parentes de primeiro grau e em gêmeos idênticos. P3. Qual é a etiopatogenia do mieloma? H2. Fadiga, edema de membros inferiores e constipação são sintomas de mieloma. P4 Quais os sinais e sintomas do mieloma? No momento do diagnóstico encontramos dor óssea, especialmente lombar ou no tórax, e com menor frequência nas extremidades, em mais de dois terços dos pacientes. A altura do paciente pode ser reduzida em diversos devido ao colapso vertebral. Fraqueza e fadiga são comuns e frequentemente estão associadas a anemia. A febre é rara e, quando presente, deriva geralmente de uma infecção; em alguns pacientes, a infecção em si é a característica inicial. Outros sintomas podem resultar da insuficiência renal, hipercalcemia, síndrome nefrótica, radiculopatia ou amiloidose Digitalizado com CamScannerRosália P5 Turma 05 (2020.1) PORCENTAGEM APROXIMADA ACHADOS CLÍNICOS DE PACIENTES COM ANORMALIDADE AO DIAGNOSTICO Comprometimento esquelético: dor, estatura reduzida, lesões ósseas líticas, 80 fraturas Anemia (hemoglobina 2 mg/dL): causada principalmente pelo "rim 20 do mieloma" a partir de cadeias leves ou hipercalcemia, raramente por amiloidose Hipercalcemia (>11 mg/dL) 15 Amiloidose de cadeia leve 10 Evidência de proteína monoclonal por imunofixação e teste das cadeias leves 97 livres no soro Evidências de células plasmáticas clonais na medula óssea 96 - A incidência de infecções no MM é 15 vezes maior do que em indivíduos normais, contribuindo com cerca de 25% das mortes nos primeiros seis meses após o diagnóstico. Os patógenos mais comuns são Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae, porém, atualmente, os microrganismos gram-negativos são responsáveis por mais de 50% das infecções. A palidez é o achado físico mais frequente. o fígado está palpável em cerca de 5% dos pacientes e o baço em 1%. Podemos observar sensibilidade nos pontos de comprometimento ósseo. A radiculopatia pode ser causada por fraturas com compressão de medula. Ocasionalmente os plasmacitomas extramedulares são palpáveis. H2.2 do sexo masculino são grupo de risco para desenvolver mieloma. P5 Quais os fatores de risco para mieloma? Idade, histórico familiar, masculino, raça, radiação, industrias de metais pesados ou químicas, manufatura de plásticos. P6 Qual a epidemiologia do mieloma? o MM representa 1% de todos os tipos de câncer, sendo a segunda neoplasia hematológica mais frequente (13%). A incidência é de quatro por 100 mil aproximadamente, com predomínio discreto do sexo masculino. A idade mediana ao diagnóstico é de aproximadamente 70 anos, assim distribuídos: * 37% dos pacientes são diagnosticados com mais de 75 anos, * 26%, entre 65 e 74 anos e * 37%, abaixo dos 65 * Raramente o MM é diagnosticado abaixo dos 35 anos. Sua incidência nas pessoas negras é quase o dobro da incidência nas pessoas brancas. H3 - Aumento da gamaglobuina na eletroforese de proteínas sugere o diagnóstico de mieloma. P7 Como é diagnosticado o mieloma? (clínico e exames) LABORATORIAL A anemia normocítica e normocrômica é o achado mais frequente no MM. Digitalizado com CamScannerRosália P5 Turma 05 (2020.1) A maioria dos pacientes apresenta produção de proteína M, sendo a mais frequente do tipo (60% dos casos) seguidos pelo MM IgA em 20%, e MM de leve (proteína de Bence-Jones) em 17%. MM dos subtipos ou biclonal são muito raros. MM não secretor pode corresponder a 3% dos casos. A eletroforese de proteínas é um estudo fundamental para detecção da proteína M no soro ou na urina. A imunofixação de proteínas deve ser realizada, preferencialmente, após a localização de banda ou pico monoclonal pela eletroforese de proteínas. A imunofixação urinária detecta proteína M em 75% dos pacientes. A detecção de cadeias leves livres no soro é mais sensível que a imunofixação, apresentando também a vantagem de ser um método quantitativo. É muito útil em casos de MM não secretor, e 70% dos casos assim classificados têm uma relação K/A alterada. o mielograma demonstra um número de plasmócitos clonais acima de A clonalidade deve ser estabelecida pela identificação da proteína M no citoplasma dos plasmócitos pela coloração de imunoperoxidase ou por A imunofenotipagem por citometria de fluxo é utilizada em alguns centros, mas a falta de acesso à técnica e a sua adequada padronização não a tornam recomendada como rotina. Na maioria dos casos, as células plasmáticas no mieloma são CD38+ e CD138+; apenas uma minoria expressa CD10 e leucocitário humano (HLA)-DR e 20% expressam CD20. RADIOLÓGICO o RX simples de esqueleto é o método-padrão para diagnosticar a doença óssea no MM. A rotina deve incluir tórax, coluna cervical, torácica, lombar e sacra, úmero, fêmur, crânio e pelve. As radiografias mostram alterações ósseas, que consistem em lesões líticas em saca-bocado, osteopenia ou fraturas em 75% dos pacientes. Ressonância Nuclear Magnética (RNM) da coluna e pelve permite avaliar a extensão e o padrão de infiltração da medula óssea (localizado, difuso, misto), sendo útil também na avaliação da natureza e na extensão de plasmocitomas medulares e extramedulares, podendo inclusive detectar lesões totalmente assintomáticas. RNM é fundamental também para avaliar pacientes com suspeita de compressão do canal vertebral. A tomografia computadorizada é altamente sensível na identificação de lesões líticas do esqueleto. Entretanto, é menos preconizada para a rotina devido à superioridade da RNM, além do fato de não alterar o estadiamento ou decisões terapêuticas quando utilizada além da radiografia simples. o PET-CT não tem ainda o seu papel claramente definido no MM. Pode ser útil na identificação de plasmocitomas extramedulares e no estadiamento da doença. P8 Quais são os diagnósticos diferenciais do aumento da gamaglobulina? Gamaglobulinas Composta pelas imunoglobulinas, predominantemente pela As imunoglobulinas A,M,D,E e proteína C reativa encontram-se na área de junção beta-gama. A ausência ou a diminuição da banda gama indica imunodeficiências congênitas ou adquiridas. o aumento dessa banda sugere o aumento policional das gamaglobulinas associadas a doenças inflamatórias crônicas, reações imunes, doenças hepáticas ou neoplasias disseminadas. Bandas oligoclonais podem eventualmente ser observadas em infecções virais crônicas, em Digitalizado com CamScannerRosália - P5 Turma 05 (2020.1) algumas infecções bacterianas como as pneumonias por pneumococos e as hepatites crônicas ativas. Tuberculose, sarcoidose, linfogranuloma venéreo e sífilis terciária são doenças crônicas que levam ao aumento dessa banda. Artrite reumatóide, lúpus eritematoso sistêmico e outras colagenoses podem apresentar níveis normais a acentuadamente aumentados, dependendo da fase de atividade da doença. Níveis aumentados também são encontrados em linfomas malignos, doença de Hodgkin e leucemia linfocítica crônica. Tipicamente, a macroglobulinemia de e o mieloma múltiplo exibem um pico homogêneo, que pode ou não resultar do aumento total da área gama. As hepatopatias cursam freqüentemente com aumento da banda das gamaglobulinas. Na hepatite, verifica-se um aumento das beta e gamaglobulinas com redução da albumina. Nas cirroses, o padrão mais sugestivo consiste na elevação da gamaglobulina de base ampla, juntamente com a fusão da beta e da gamaglobulina, sem a individualização dos picos da chamada ponte beta-gama. Apenas cerca de 20% dos cirróticos apresentam a fusão completa, e cerca de 3% apresentam a fusão parcial. P8.2 - Quais os diagnósticos diferenciais de mieloma? Tabela 21.2 Neoplasias de plasmócitos (OMS, 2008) Variantes do mieloma Gamopatia de significação indeterminada (MGUS) Mieloma (ou plasmocítico) Variantes: Mieloma assintomático (smouldering) Mieloma não secretor Leucemia plasmocítica Plasmocitoma Plasmocitoma solitário de osso Plasmocitoma extraósseo (extramedular) Doenças de deposição de imunoglobulina Amiloidose primária Doenças de deposição sistêmica de cadeias leves e pesadas Mieloma osteosclerótico (sindrome POEMS) H4 - Lesões em saca-bocada é patognomônico de mieloma. P9 - o que é uma lesão em saca-bocada? Lesão em saca-bocado Significado de Saca-bocado s.m.Instrumento próprio para fazer buracos, recortar couro e materiais variados: vazador. SACA-BOCADO (KERRISON) DESTINADA PARA NAS LAMINECTOMIAS IMAGEM da Semana Dir. Medicina UFMG P10 - Quais são as alterações radiológicas no mieloma em uma radiografia de tórax? - Respondido na P7 Digitalizado com CamScannerRosália P5 Turma 05 (2020.1) P11 Quais são os exames de imagens indicados em pacientes com mieloma? Respondido na P7 H5 Transplante autólogo de medula óssea é o tratamento de primeira escolha. P12 Como deve ser feito o tratamento de mieloma? Mieloma Mieloma Mieloma múltiplo indolente: Sem Indicação de terapia tratamento, exceto novas terapias investigacionais em estudos clínicos aprovados Não é para Elegível para transplante transplante Lenalidomida mais dexametasona x 4 ciclos ou Melfalano, Bortezomibe mais dexametasona talidomida (MPT) x 18 meses, ou x 4 ciclos ou lenalidomida, predisona (VMP) x meses dexametasona (VRd) Lenalidomida mais uma dose baixa de dexametasona até Coleta de células-tronco do sangue atingir plato ou progressão (de suficiente para dois transplantes) Transplante autólogo inicial Lenalidomida mais uma dose baixa (melfalano 200 de dexametasona até atingir plato ou progressão e transplante tarcio de células-tronco caso ocorra recaída Caso ocorra resposta completa ou Caso não seja encontrada resposta parcial muito boa 90% uma resposta completa ou de redução nos níveis de proteína uma resposta parcial muito observar e/ou considerar segundo considerar terapia de manutenção transplante autólogo testada um ostudo clinico (programado) ou uma terapia de manutenção Como indução antes do transplante de células-tronco no mieloma não tratado, o bortezomibe junto com a dexametasona foi considerado superior à vincristina aliada à doxorrubicina e à dexametasona Embora TCT alogênico possa curar a doença, é um pro- cedimento associado à alta mortalidade. Além disso, recidivas são frequentes após procedimento. Assim, ele só é indicado em pacientes cuidadosamente selecionados. P13 Quais as principais complicações do tratamento? Renal o nível da creatinina sérica está aumentado inicialmente em quase metade dos pacientes e acima de 2 mg/dL em As duas principais causas de insuficiência renal são a nefropatia com cilindros de cadeia leve (rim do mieloma) e a hipercalcemia. Nefropatia por depósito de cadeias leves se caracteriza pela presença de cilindros proteináceos nos túbulos distais e coletores. Os cilindros são compostos principalmente de cadeias leves monoclonais precipitadas. A extensão da formação de cilindros se correlaciona diretamente com a quantidade de cadeias leves livres urinárias e com a gravidade da insuficiência renal. A desidratação pode precipitar uma insuficiência renal aguda. A hipercalcemia, que está presente no início do quadro em 15% a 20% dos pacientes, é uma causa importante e tratável de insuficiência renal. Resulta da destruição óssea. A hiperuricemia pode Digitalizado com CamScannerRosália P5 Turma 05 (2020.1) contribuir para a insuficiência renal. Além da nefropatia com cilindros de cadeia leve e hipercalcemia, existem outros mecanismos pelos quais a disfunção renal pode ocorrer no mieloma. Por exemplo, a amiloidose de cadeia leve ocorre em quase 10% dos pacientes e pode produzir síndrome nefrótica, insuficiência renal ou ambas. Tratamento A hidratação, de preferência com solução salina isotônica e prednisona (25 mg quatro vezes ao dia), geralmente alivia a hipercalcemia. Os bifosfonatos, como o ácido zolendrônico ou pamidronato, vão corrigir a hipercalcemia em quase todos os pacientes. Se o paciente não está oligúrico, a hidratação venosa e a furosemida podem manter uma elevada taxa de fluxo urinário (100 mL/hora). Caso acredite-se que a causa subjacente seja a nefropatia por depósito de cadeias leves com base nos achados clínicos (p. ex., cadeias leves livres séricas >150 mg/dL) ou biópsia renal, a plasmaférese é recomendada diariamente durante 5 dias para reduzir os níveis circulantes de cadeias leves. A hemodiálise é necessária na uremia sintomática. A base da terapia é o tratamento agressivo do mieloma com regime que combine bortezomibe, talidomida e dexametasona (VTD). o alopurinol é necessário se houver hiperuricemia. Neurológico A radiculopatia, a complicação neurológica isolada mais frequente, ocorre geralmente na região torácica ou lombossacral e resulta da compressão do nervo pela lesão vertebral ou pelo colapso ósseo propriamente dito. A compressão da medula óssea ocorre em até 10% dos pacientes. A neuropatia periférica é rara no mieloma múltiplo e, quando presente, é causada geralmente por amiloidose. Paraplegia por compressão Descompressão cirúrgica por laminectomia ou irradiação são os tratamentos de escolha. Também costuma ser feita quimioterapia ou tratamento com corticosteroides. Deve-se suspeitar de uma compressão de medula por um plasmacitoma extramedular nos pacientes com forte dor lombar, fraqueza ou parestesias nas extremidades inferiores, ou disfunção de bexiga ou de intestino. o tratamento inicial é feito com esquemas que utilizem dexametasona ou com radioterapia. Se o déficit neurológico aumentar, é necessário realizar uma descompressão cirúrgica. Infecção É necessário um tratamento imediato e adequado para as infecções bacterianas. Deve-se considerar o emprego de antibióticos profiláticos, como o trimetoprim-sulfametoxazol, nos pacientes em uso de corticosteroides em doses elevadas, mas deve-se evitar o trimetoprim-sulfametoxazol nos pacientes em uso de talidomida ou lenalidomida, para minimizar o risco de reações cutâneas severas. A gamaglobulina intravenosa é reservada para os pacientes com hipogamaglobulinemia e infecções recorrentes Todos os pacientes devem ser imunizados contra pneumococos e influenza. Lesões Esqueléticas Os pacientes devem ser estimulados a se manter tão ativos quanto for possível, mas também a evitar traumatismos. o pamidronato (90 mg infundidos por via intravenosa durante um período de Digitalizado com CamScannerRosália P5 Turma 05 (2020.1) 4 horas a cada 4 semanas) ou o ácido zoledrônico (4 mg por via intravenosa durante, pelo menos, 15 minutos a cada 4 semanas) reduz a incidência de dor óssea, fraturas patológicas e compressão da medula. Esta profilaxia está recomendada rotineiramente para todos os pacientes com doença óssea do mieloma e pode melhorar a sobrevida global. Após 1 a 2 anos, a dosagem pode ser reduzida a uma vez a cada 3 meses em pacientes estáveis, para minimizar o risco de osteonecrose da mandíbula, que é uma complicação da terapia em longo prazo com Anemia É tratada com transfusões e/ou eritropoetina. Sangramento o sangramento causado por interferência da paraproteína na coagulação ou por síndrome de hipervis- cosidade pode ser tratado com plasmaférese repetida. A talidomida foi o primeiro fármaco imunomodulador usado em mieloma. Ela tem vários efeitos colaterais, como sedação, constipação, neuropatia e trombose venosa. o acréscimo de dexametasona aumenta a resposta, mas risco de trombose venosa torna-se um problema sério, levando à necessidade de anticoagulação profilática com heparina de baixo peso mole- cular ou varfarina e de ácido A lenalidomida é um análogo da talidomida muito ativo no tratamento do É amplamente utilizada no trata- mento de primeira linha e para doença recidivada. Ela causa mielossupressão e aumenta risco de trombose, porém causa menos neuropatia que a talidomida. A pomalidomida é o acréscimo mais recente a essa classe de fármacos imunomoduladores mostra alto nível de ativi- dade contra a doença recidivada. Também causa menos neu- ropatia que a talidomida. o bortezomibe inibe proteossomo celular e a ativação de e é valioso no tratamento do mieloma. É altamente ativo como tratamento de primeira linha e na doença recidi- vada. o efeito colateral principal é a neuropatia. o carfilzo- mibe é um inibidor do proteossomo recém-introduzido, com probabilidade mais baixa de causar neuropatia. A radioterapia é no tratamento da doença óssea no mieloma. É usada para dor óssea e para locais de compressão da medula espinal H6 Os pacientes com mieloma são tratados exclusivamente pelo SUS. P14 Como é o fluxograma do tratamento pelo SUS para pacientes com mieloma? Art. 14. São diretrizes referentes ao diagnóstico, ao tratamento e ao cuidado integral no âmbito da Política Nacional para a Prevenção e Controle do Câncer: - tratamento oportuno e seguro dos pacientes diagnosticados com câncer e lesões precursoras de forma mais próxima possível ao domicílio da pessoa, observando-se os critérios de escala e de escopo; II atendimento multiprofissional a todos os usuários com câncer, com oferta de cuidado compatível a cada nível de atenção e evolução da doença; III realização de tratamento dos casos raros ou muito raros que exijam alto nível de especialização e maior porte tecnológico em estabelecimentos de saúde de referência nacional, garantindo-se sua regulamentação e regulação; e IV oferta de reabilitação e de cuidado paliativo para os casos que os exijam. Digitalizado com CamScannerRosália P5 Turma 05 (2020.1) Unidade Básica Unidade Secundária Unidade Cuidados Consulta Consulta Tratamento Paliativos com especializada generalista Reabilitação Cuidado Diagnóstico Domiciliar Art. 2° A rede de atenção às pessoas com doenças crônicas no eixo temático do câncer é constituída pelos seguintes componentes: Atenção Básica, Atenção Domiciliar, Atenção Especializada Ambulatorial, Atenção Especializada Hospitalar CACON (Centro de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia), UNACON (Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia) e Complexos Hospital Geral com Cirurgia de Câncer de Complexo Hospitalar, Serviço de Radioterapia de Complexo Hospitalar, Sistemas de Apoio, Regulação, dos Sistemas Logísticos e Governança Política Nacional de Atenção Oncológica Linha de cuidado no câncer Cirurgia Consulta com Consulta generalista Diagnóstico Tratamento especializada Radioterapia Investigação Exames de imagem e Controle Biopsia Cuidados paliativos da suporte cuidador Como Encaminhar seu Paciente Orientações para Profissionais de Saúde Para o encaminhamento adequado do paciente às Unidades de Assistência de Alta Complexidade (UNACON) e Centros de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (CACON), além da descrição detalhada da história da doença que justifica a suspeita de neoplasia, deverão ser anexados os exames que corroboram tal suspeita clínica (imagem, histopatológico, endoscopia, etc.). TIPOS DE ATENDIMENTO UNACON: Unidades de Assistência de Alta Complexidade É o hospital que possui todas as condições técnicas, instalações físicas, equipamentos e recursos humanos adequados à prestação de assistência especializada de alta complexidade para o diagnóstico definitivo e tratamento dos cânceres mais prevalentes no Brasil (cirurgia geral/coloproctologia, ginecologia/mastologia e urologia). Caso a UNACON não ofereça assistência para o tratamento radioterápico na própria Unidade, deverá ser estabelecida referência formal para o encaminhamento dos doentes que necessitarem desse procedimento. CACON Centros de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia É o hospital que possui todas as condições técnicas, instalações físicas, equipamentos e recursos humanos adequados à prestação de assistência especializada de alta complexidade para o diagnóstico. Todo CACON oferece tratamento assistencial radioterápico na própria estrutura hospitalar. Digitalizado com CamScannerRosália P5 Turma 05 (2020.1) QT: Serviço Isolado de Quimioterapia São clínicas isoladas que oferecem tratamento quimioterápico complementar às UNACON ou CACON. Os pacientes encaminhados para estes Serviços devem estar vinculados, de acordo com a rede planejada pelo Gestor, a uma Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia ou CACON, para cooperação técnica e planejamento terapêutico global conjunto dos casos. RT: Serviço Isolado de Radioterapia São clínicas isoladas que oferecem tratamento radioterápico complementar para UNACONs, pois, para ser considerado CACON o serviço deverá ter RXT própria. Os pacientes encaminhados para estes Serviços devem estar vinculados, de acordo com a rede planejada pelo Gestor, a uma Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia ou CACON, para cooperação técnica e planejamento terapêutico global conjunto dos casos. H7 Imunossupressão é um fator de risco para o aparecimento de candidíase oral. P15 - Quais os fungos que mais acometem pessoas imunossuprimidas? Quadro 66.8 Agentes infecciosos mais comuns nas Agentes Deficiências combinadas Defeitos de anticorpos Defeitos de Defeitos de infecciosos (TeB) complementos Virus Herpes simples 1e2 Enterovírus (Echo, pólio) Incomum Incomum Citomegalovirus Bactérias Mesmos do defeito de S. pneumoniae, H. influenzae, S. aureus, Staphylococcus aureus, flora Semelhante aos anticorpo + Listeria Pseudomonas aeruginosa, Clostridium fetus, N. Pseudomonas defeitos de anticorpos, monocytogenes, Salmonella meningitidis, Mycoplasma hominis, Ureaplasma Salmonella typhi, especialmente Neisseria typhi, flora urealyticum Nocardia asteroides meningitidis Micobactérias Micobactérias ambientais, Incomum Micobactérias ambientais, BCG Não BCG Fungos Candida albicans, Não Aspergus fumigatus, Candida Não Histoplasma capsulatum, Aspergillus fumigatus, Coccidioides immitis Protozoários Pneumocystis jiroveci, Giardia lamblia Pneumocystis jiroveci Não Toxoplasma Adaptado de Bonilla e Geha (2003) BCG bacilo de Calmette & P16 Qual a definição da candidíase oral? É a forma mais comum da doença cutâneo-mucosa. quadro é comum no período neonatal, quando os sistemas de defesa imunológica estão pouco desenvolvidos, e pode ser contraída da mãe durante o parto vaginal. Pode ser contraído em crianças pelas mãos de médicos e enfermeiras, chupetas e mamadeiras. Também é comum nos enfermos, imunossuprimidos (ex.: Aids), uso de corticoide tópico para asma, pessoas com má higiene bucal. Pode manifestar-se por placas branco-cremosas, às vezes pseudomembranosas, podendo assumir aspecto eritematoso ou enegrecido. As lesões são facilmente removidas com auxílio de uma espátula. Mais comum nos recém-natos e, também, em idosos, debilitados e pacientes com AIDS; as lesões são erosivas e esbranquiçadas. Digitalizado com CamScannerRosália P5 Turma 05 (2020.1) P17 Quais os sinais e sintomas da candidíase oral? Normalmente é assintomática, porém pacientes relatam sensação de ardência e alterações de paladar, dor, disgeusia e aversão a comida. Mais comum nos recém natos e, também, em idosos, debilitados e pacientes com SIDA. As lesões são erosivas e esbranquiçadas. Existem diferentes padrões clínicos: * Pseudomembranosa Mais comum em indivíduos imunocomprometidos sob uso de corticoides e/ou atbs de espectro ou com desordens sistêmicas como dm descompensada, leucemias, SIDA. Caracterizada pela presença de placas pastosas brancas (ou amareladas) na língua, palato e mucosa jugal que cedem raspagem com gaze ou espátula de madeira, evidenciando área eritematosa. * Eritematosa Mais frequentemente observada que a forma anterior, pode apresentar diferentes formas clínicas. São visualizadas áreas extensas ou porntuais atróficas, planas, avermelhadas principalmente no palato e na língua. Podem estar associadas a queixa de ardência. * Glossite Mediana presença de área eritematosa de aspecto elíptico ou romboide bem demarcada na linha média da região posterior do dorso da língua. Usualmente assintomática, simétrica, com superfície variando de plana a lobulada. * Queilite angular acomete as comissuras labiais, que mostram eritema, fissuras e descamação. Resulta do acúmulo de saliva devido a perda de dimensão vertical em pcts idosos. Outro fator associado é a anemia. Em caso de disseminação para orofaringe ou esôfago, disfagia e Figura mediana odinofagia podem ser relatados. H8. Placas esbranquiçada na boca são sugestivos de candidíase P18 Quais os tipos de cândida/cepas patogênicas? (em pacientes imuossuprimidos) gênero Candida compreende mais de 200 espécies, sendo a maioria incapaz de infectar o homem. A Candida albicans existe normalmente como saprófita no tubo gastrintestinal, na orofaringe (50%) e na mucosa vaginal (20 a 25%, e, em grávidas 30%). Outras espécies (parapsilosis, tropicalis, stellatoides, glabrata, krusei, guillermondi etc.) também podem produzir manifestações clínicas de candidíase. São fungos oportunistas que agridem o homem em determinadas condições, dentre as quais destacam-se: modificações fisiológicas, como na gravidez, quando os glicídios existem em maior quantidade na vagina; doenças como o diabetes também predispõem à candidíase; deficiências imunológicas e endocrinopatias; tratamento prolongado por antibióticos (alteração da flora) ou por corticoides e imunossupressores; estados de umidade prolongada (lavadeiras, fraldas dos bebês). Existe, em condições normais, um fator sérico natural anticândida que dificulta a invasão do cogumelo. P19 Como é feito o diagnóstico de candidíase oral? No exame direto, é fundamental o achado de hifas finas ou, mais caracteristicamente, pseudo- hifas para confirmação diagnóstica, já que a simples presença de blastosporos (esporos arredondados) sugere apenas colonização. Digitalizado com CamScannerRosália - P5 Turma 05 (2020.1) - Na cultura em meio adequado, como ágar Sabouraud com antibiótico, crescem colônias cremosas e brancacentas em 2 a 5 dias. - A diferenciação entre as espécies é realizada por meio de provas bioquímicas, morfologia e mais recentemente por PCR e ELISA, porém não são necessárias ao diagnóstico. (Resposta completa no caderno) P20 Quais os principais diagnósticos diferenciais? H9. o tratamento para candidiase é feito com antifungicida. tratamento da candidíase oral em pacientes imunossuprimidos? No tratamento da candidíase, devem-se considerar fatores predisponentes locais e gerais (diabetes), peculiaridades topográficas e forma clínica (superficial ou sistêmica); nesse particular, o manuseio dos casos pode ser feito empregando-se preparados tópicos antifúngicos e, também, tratamento sistêmico, se necessário, como: Candidíase Oral, Estomatite, Perlèche: violeta de genciana a 2% (3 a 4 vezes/dia); solução de 400.000 a 500.000 UI nistatina 3 a 4 vezes/dia ou associação das duas; fluconazol oral ou itraconazol oral. Visceral: anfotericina B, 5-fluorocitosina. Gastrintestinal: nistatina oral, cetoconazol oral. - fracasso no tratamento das micoses superficiais decorre de vários fatores, como: irregularidade no tratamento (frequência, doses); defeito de absorção (griseofulvina); falta de correção das concausas; eliminação das complicações inflamatórias (corticoide) e bacterianas (antibacterianas); resistência microbiana; reexposição; imunodeficiência. Digitalizado com CamScannerRosália - P5 Turma 05 (2020.1) Definição Azulay: A candidíase é a infecção fúngica mais comum em indivíduos com infecção pelo HIV , ocorrendo na quase totalidade dos pacientes com imunodeficiência avançada (é indicadora de contagem de CD4Rosália - P5 Turma 05 (2020.1) Referências 1. Azulay, Rubem David. Dermatologia / Rubem David Azulay, David Rubem Azulay, Luna Azulay- Abulafia. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. 2. Tratado de hematologia / editores Marco Antonio Zago, Roberto Passetto Falcão, Ricardo Pasquini; editores associados Nelson Spector, Dimas Tadeu Covas, Eduardo Magalhães Rego. -- São Paulo : Editora Atheneu, 2013. 3. Hoffbrand, P.A.H.; Moss,J.E. Pettit Fundamentos em Ed 2018. 4. Lorenzi, TF. - Manual de Hematologia - Propedêutica e Clínica. São Paulo, Guanabara Koogan, 4a. ed., 2006. 5. LORENZI, Therezinha Ferreira; VERRASTRO, Therezina; WENDEL NETO, Silvano. Hematologia e hemoterapia: fundamentos de morfologia, fisiologia, patologia e clínica..ed.São Paulo: Atheneu,2005. 6. Cecil medicina / editado por Lee Goldman, Andrew I. Schafer ; tradução Angela Freitas, Cyro Festa Neto, Fábio Fernandes Morato Castro. - 24. ed. - Rio de Janeiro : Elsevier, 2014. 7. Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica 8. PORTARIA N° 874, DE 16 DE MAIO DE 2013 Política Nacional para a Prevenção e Controle do Câncer na Rede de Atenção à Saúde das Pessoas com Doenças Crônicas no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). 9. Instituto Nacional do Câncer 10. HUNGRIA, Vania T. Doença óssea em Mieloma Múltiplo. Rev. Bras. Hematol. Hemoter., São José do Rio Preto , V. 29, n. 1, p. 60-66, Mar. 2007 . Digitalizado com CamScanner