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Contabilidade Pública Procedimentos Contábeis Desenvolvimento do material Tatiane Antonovoz 1ª Edição Copyright © 2022, Afya. Nenhuma parte deste material poderá ser reproduzida, transmitida e gravada, por qualquer meio eletrônico, mecânico, por fotocópia e outros, sem a prévia autorização, por escrito, da Afya. Sumário Procedimentos Contábeis Para início de conversa... ................................................................................ 3 Objetivos ......................................................................................................... 3 1. Orçamentário, Extraorçamentário e Extraordinário ......................... 4 Referências ........................................................................................................ 17 Para início de conversa... Os ingressos orçamentários ou extraorçamentários fazem parte da arrecadação dos entes públicos e são necessários para a manutenção das atividades rotineiras do Estados. Esses ingressos também são conhecidos como receitas públicas, porém, nem todos são convertidos em receitas efetivas do governo, já que são somente valores recebidos em caução ou garantias que devem ser repassados pelos entes públicos. Já as despesas, que também possuem a classificação de orçamentárias e extraorçamentárias, serão entendidas pela importância que possuem, uma vez que são essenciais à manutenção de serviços para a população, como segurança, educação, saúde, entre outros garantidos pela Constituição. Nesta unidade de aprendizagem, você conhecerá os conceitos de receitas e despesas orçamentária, extraorçamentária e despesas extraordinárias, bem como a classificação patrimonial, sua importância e algumas classificações específicas. Objetivos ▪ Analisar o sistema de receitas e despesas. ▪ Detalhar as contas patrimoniais. ▪ Delinear algumas contas específicas aplicadas à CASP. Contabilidade Pública 3 1. Orçamentário, Extraorçamentário e Extraordinário Qual é a função básica do Estado? Entende-se que o governo, por meio de suas ações, busca os recursos para possibilitar os direitos que estão previstos na Constituição Federal (BRASIL, 1988), tais como: ‘Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 90, de 2015) A sociedade precisa desses direitos, mas como ela os obtém? Por meio dos serviços e produtos que são ofertados pelo governo, e esses são entregues pelos entes públicos que precisam captar recursos junto à própria população. Entretanto, esse processo é extremamente regrado. Por isso, primeiramente, é preciso entender que o governo tem princípios que precisam ser respeitados para elaborar toda a questão do seu processo orçamentário, que é a forma que o governo utiliza para oferecer e também cobrar da sociedade o que será ofertado. Tais valores serão representados pela receitas e despesas públicas. A receita e a despesa orçamentárias assumem, na Administração Pública, fundamental importância, pois representam o montante que o Estado se apropria da sociedade por intermédio da tributação, e a sua contrapartida aos cidadãos, por meio da geração de bens e serviços. Também se torna importante diante de situações legais específicas, como a distribuição e destinação da receita entre as esferas governamentais e o cumprimento dos limites legais para a realização de despesas, impostas pela Lei Complementar nº 101/2000 – Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) (STN, 2016). O MCASP (STN, 2016) ainda ressalta, em relação à questão do orçamento e aos princípios, que a ligação entre receita e despesa é fundamental para o processo orçamentário. Nesse processo, as receitas dimensionam a capacidade governamental de autorizar as despesas. Isso ocorre, como veremos, porque, dentro da esfera pública, deve-se ter receitas para que se possa gastar na forma de despesas, e estas são um mecanismo de funcionamento do Estado, sendo também consideradas aquelas que são decorrentes de operações de créditos como uma forma de aplicação de recursos. Entender e aplicar, de forma correta, os aspectos ligados tanto à receita quanto à despesa pública, principalmente quanto à Lei Complementar Contabilidade Pública 4 101 de 2000 ou, como é conhecida, a Lei de Responsabilidade Fiscal (BRASIL, 2000), é importante para o bom uso dos recursos públicos. Kohama (2014) reforça essa ideia, afirmando que respeitar os princípios é necessário para que o orçamento seja uma expressão fiel do programa do governo, servindo, também, para a solução dos conflitos da sociedade. O autor também destaca o respeito aos princípios para uma ação eficaz do Estado para o desenvolvimento econômico e social, o uso do orçamento como um instrumento de administração do governo e a possibilidade de refletir as aspirações da sociedade como um todo, à medida que os recursos permitam. Tais aspectos aumentam a transparência das contas públicas e melhoram o controle pelos diversos usuários, especialmente por dois tipos de relatórios: Relatório Resumido de Execução Orçamentária (RREO) e o Relatório de Gestão Fiscal (RGF) (STN, 2016). Voltando aos princípios que norteiam o aspecto orçamentário ou, ainda, as receitas e as despesas em um aspecto amplo, estes visam conferir um aspecto de racionalidade, eficiência e transparência para a elaboração, a execução e o controle do orçamento (STN, 2016). A questão dos princípios, que deve ser utilizada na elaboração orçamentária, conforme aponta Rosa (2013), pode ser definida como premissas que são necessárias para regrar uma determinada ciência, e também como ocorre na elaboração dos instrumentos públicos. Para a autora, como há a necessidade de estudos e técnicas para o seu desenvolvimento, existem princípios que devem ser utilizados para a sua elaboração. Entre esses princípios, Silva (2012) destaca a anualidade, o equilíbrio, a exclusividade, a legalidade, a não afetação da receita, a universalidade, o Orçamento Bruto e a Publicidade. De acordo o autor, existem outros princípios, mas estes são os consagrados de acordo com o Direito Financeiro. A anualidade ou periodicidade tem a vinculação com o não financeiro de 01.01 a 31.12 e limita a previsão das receitas e das despesas a um determinado tempo, ou seja, ao ano vigente. De acordo com Silva (2012), esse princípio obriga o Executivo a pedir nova autorização para cobrar tributos e também aplicar o produto dessa arrecadação. Esse princípio possui ligação tanto com a Constituição (BRASIL, 1988), em seu artigo 165, quanto com a Lei nº 4.320, em seu artigo 34, que relata que o orçamento deverá coincidir com o ano civil, o que ocorre na maioria dos países (BRASIL, 1964). O equilíbrio possui uma relação com a equidade entre os valores das receitas e das despesas. Deve-se buscar, de forma salutar, equilibrar o valor que permita tornar o orçamento um instrumento eficiente do governo e que, segundo Kohama (2014), evite o endividamento de forma congênita pelos membros das diferentes esferas políticas, causando déficits que depois não possam ser pagos. Contabilidade Pública 5 Kohama (2014) afirma que a exclusividade garante que, no orçamento, só serão incluídos assuntos que sejam pertinentes. Assim, não devem ser discutidos assuntos relativos a outros campos jurídicos e que sejam, de alguma forma, estranhos à previsão da receita e à fixação da despesa. O artigo 165 da Constituição (BRASIL, 1988) regulamenta tal aspecto. Silva (2012) também fala que o princípio da exclusividade tem importância ao impedir um procedimento legislativo rápido, em virtude dos prazos que, em sua maioria, possuem um prazo bastante extenso para sua aprovação, evitando matéria estranha ao orçamento. De acordo com o autor, “(...) ressalvam dessa proibição a autorizaçãopara abertura de créditos adicional e a contratação de operações de crédito, nos termos da lei” (SILVA, 2012, p.45). De acordo com o princípio da legalidade, cabe à Administração Pública fazer ou deixar de fazer somente aquilo que a lei expressamente autorizar. De acordo com o que está expresso na Constituição Federal e que deve ser observado em relação ao Orçamento Público, os instrumentos são os seguintes: Art. 165. Leis de iniciativa do Poder Executivo estabelecerão. I - o plano plurianual; II - as diretrizes orçamentárias; III - os orçamentos anuais. (BRASIL, 1988) Logo, para que algo seja legal de acordo com a Constituição Federal de 1988, é preciso observar o que está disposto nos três instrumentos que fazem parte da elaboração e execução orçamentária: PPA, LDO e LOA. Além do princípio da legalidade, outro ligado diretamente ao orçamento é o de não afetação da receita, que determina o não comprometimento das receitas para o atendimento de gastos específicos. Entretanto, esse princípio acaba, muitas vezes, sendo desrespeitado, já que, no momento da própria elaboração do orçamento, muitos de seus elementos já são direcionados. Veja o que diz o princípio da universalidade, que está previsto na Lei nº 4.320 (BRASIL, 1964): “Art. 6º: Todas as receitas e despesas constarão da Lei de Orçamento pelos seus totais, vedadas quaisquer deduções”. Silva (2012) afirma que esse princípio tem origem francesa e oferece ao Parlamento brasileiro um controle mais seguro sobre as operações realizadas pelo poder Executivo. Isso ocorre porque a administração pública não pode subtrair da arrecadação de determinado órgão suas despesas, fazendo com que apareça no orçamento apenas o valor líquido da arrecadação. O princípio do orçamento bruto está vinculado ao princípio da universalidade. Para que isso ocorra, as receitas e as despesas, dentro da elaboração do orçamento, deverão ter seu valores incluídos de maneira integral, sem eventuais deduções ou reduções (KOHAMA, 2014). Contabilidade Pública 6 O Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) é um tributo de competência federal, cobrado pela União, que faz a sua arrecadação e, depois, faz a distribuição dos seus valores para os Estados e Municípios. No seu lançamento na Lei Orçamentária Anual (LOA), não há o lançamento pelo valor líquido, de acordo com os princípios do Orçamento Bruto e Universalidade, depois das transferências aos outros entes da federação, mas, sim, pelo valor total arrecadado. A Publicidade é outro princípio que possui relação com a Administração Pública e ordena que todos os atos que possuam relação com esta sejam divulgados, salvo aqueles que precisem de algum sigilo de acordo com o que ordena a Constituição Federal. Depois da compreensão de tais princípios e de como eles estão ligados ao orçamento, é preciso entender como suprir as necessidades básicas da população e outras que a sociedade em geral necessita. O governo precisa arrecadar receitas, que podem ser compreendidas como variações ativas resultantes de aumentos de ativos ou, ainda, de reduções passivas e que acabam por aumentar a situação patrimonial de um determinado ente em um ou mais períodos. Mas será que esse conceito é simples assim? Quais seriam as suas principais características dentro da CASP? Existem algumas divisões? Tais questões serão exploradas com detalhes. Apesar do termo “receita” ser amplamente utilizado dentro da contabilidade e da CASP, é mais comum no âmbito público a utilização do termo “entrada” ou, ainda, “ingresso”, já que este possui uma ligação com a terminologia utilizada para mostrar os recursos recebidos nos cofres públicos (ROSA, 2013). De forma complementar, o conceito de Receita Pública pode ser entendido, conforme aponta Kohama (2014), como os recolhimentos feitos aos cofres públicos pelos contribuintes em geral, e também as variações ativas que são ligadas aos direitos a receber, provenientes dos fatos geradores que estão ligados ou não a valores numerários, sendo estas provenientes de leis, contratos ou outros tipos de obrigações que são a favor do Estado. Por sua vez, Lima e Castro (2016) definem as receitas públicas como recursos financeiros nos cofres do Estado e que podem se desdobrar de diferentes formas. Segundo os autores, estas poderão representar disponibilidades financeiras para erário e são divididas em entradas compensatórias. Contabilidade Pública 7 O Quadro 1 mostra que os ingressos extraorçamentários são valores que representam as receitas extraorçamentárias. Tipo do ingresso Ingressos orçamentários (receitas extraorçamentárias) Receitas orçamentárias no sentido estrito Entradas compensatórias Disponibilidades de recursos Quadro 1: Tipos de ingressos na Administração Pública. Fonte: Adaptado de Lima e Castro (2016). As receitas orçamentárias, por sua vez, são receitas no sentido estrito, por apresentarem disponibilidade de recursos. A classificação em orçamentária e extraorçamentária está ligada à questão da previsão orçamentária na lei 4.320/64. Assim, se a receita é orçamentária, como o próprio nome já indica, ela está prevista e autorizada no orçamento. Nessa primeira divisão, que é a orçamentária, as receitas são divididas em duas classes. De acordo com a Lei 4.320/64, “Art. 11 - A receita classificar-se-á nas seguintes categorias econômicas: Receitas Correntes e Receitas de Capital”. É a partir da captação de recursos via receitas, sejam elas correntes ou de capital, que o governo viabiliza a execução das políticas públicas ou, ainda, fornece os bens e serviços à comunidade. Ainda de acordo com a legislação, a classificação da receita nesse grupo deverá obedecer ao seguinte esquema: RECEITAS CORRENTES RECEITAS DE CAPITAL Receita Tributária Impostos Taxas Contribuições de melhoria Operações de crédito Alienação de bens móveis e imóveis Amortização de empréstimos concedidos Transferências de capital Outras receitas de capital Receita Patrimonial Receitas imobiliárias Receitas de valores mobiliários Participações e dividendos Outras receitas patrimoniais Receita Industrial Receita de serviços industriais Outras receitas industriais Transferências Correntes Receitas diversas Multas Cobrança da dívida ativa Outras receitas diversas Quadro 2: Classificações da receita. Fonte: Adaptado de Brasil (1964). Contabilidade Pública 8 As receitas tributárias são representadas por impostos, taxas e contribuições de melhoria. Como exemplos, podemos citar o Imposto de Renda, pessoa física ou jurídica, taxas de recolhimento do lixo e contribuição de melhoria para o asfaltamento de uma rua, respectivamente. As receitas patrimonial, agropecuária e industrial são aquelas que possuem ligação com a utilização de bens do Estado, como os aluguéis ou arrendamentos que são cobrados pelo uso de bens públicos. Podem, ainda, ser citados valores de participação, dividendos, produção animal e vegetal, entre outros que possuam qualquer relação com um ente público e que gerem receitas a este (KOHAMA, 2014). De acordo com a Lei 5.172/66, os tributos podem ser entendidos da seguinte forma: Art. 3º. Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Art. 4º. A natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação, sendo irrelevantes para qualificá-la: I - a denominação e demais características formais adotadas pela lei; II - a destinação legal do produto da sua arrecadação. Art. 5º. Os tributos são impostos, taxas e contribuições de melhoria. (BRASIL, 1966) Ainda segundo Kohama (2014), na categoria de receitas de serviços, estão as receitas de natureza comercial, financeira ou de transporte, aeroportos ou pedágios. As transferências, por sua vez, ocorrem na esfera intergovernamental, com instituições privadas,convênios ou em programas sociais. As receitas correntes também possuem outra divisão relacionada a multas, dívidas ativas, ou seja, valores que não foram recebidos e receitas de origens diversas. No caso das receitas de capital, há uma divisão relacionada somente com as operações de crédito, que ocorrem entre os diferentes entes da federação, alienação de bens móveis e imóveis e transferência e reservas de capital. Por outro lado, os ingressos extraorçamentários não dependem de autorização legislativa e não possuem vinculação com a execução do orçamento. Lima e Castro (2016) pontuam que esses valores são recursos financeiros de caráter meramente temporário, em que o agente federal figura como fiel depositário, não integrando a Lei Orçamentária Anual (LOA). Outro detalhe é que esses valores configuram ativos e passivos exigíveis por pertencerem a terceiros e, de forma geral, não geram efeitos no patrimônio líquido do ente. Como exemplos dessas transações, podemos citar os cauções, fianças, emissão de moeda, entre outros valores que não constituem receita. O Estado possui a obrigação de arrecadar valores que não lhe pertencem, mas por que isso acontece? Em alguns casos, como aqueles em que há disputas na justiça ou a necessidade de depósitos judiciais ou antecipação de cauções, tais valores serão recebidos pelo ente público Contabilidade Pública 9 por esse título, receita extraorçamentária, atuando o Estado como mero depositário; depois, os valores serão resgatados na forma de despesa orçamentária (KOHAMA, 2014). Entretanto, em alguns casos, tais valores podem se converter em receitas financeiras; isso ocorre quando alguém perde, por exemplo, em favor do Estado, uma ação ou, ainda, quando perde um processo e existe um valor depositado em garantia. A receita também pode assumir outras duas classificações, conforme apontado por Lima e Castro (2016), sendo receita efetiva e não efetiva. No caso da receita efetiva, existe o ingresso da disponibilidade de recursos que não tiveram o seu direito e, por isso, não têm nenhuma obrigação em contrapartida, alterando a situação patrimonial, por exemplo, os tributos. No segundo caso, o das receitas não efetivas, os ingressos já são precedidos do reconhecimento do seu direito e, por isso, não há nenhuma alteração da situação patrimonial, como ocorre nas operações de crédito ou ainda cauções. A receita no ambiente público também possui outra particularidade, como os estágios. Estes começam com a previsão, em que é estabelecida uma metodologia ou fórmula para a inclusão dos valores no orçamento. Depois, ocorre o lançamento ou a notificação dos indivíduos quanto ao valor, espécie e vencimento. Na sequência, os valores serão inscritos na lista dos devedores passivos, ocorrendo o fato gerador da contribuição. Os lançamentos podem ocorrer da seguinte forma: ▪ Lançamento direto: Cabe ao fisco, unilateralmente, a autoridade administrativa sem intervenção do contribuinte. Exemplos dessa categoria são impostos, como o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e o Imposto sobre Propriedade de Veículos Motores (IPVA). ▪ Lançamentos por homologação: Cabe ao contribuinte com homologação do fisco. Nesse caso, o contribuinte informa e, depois, é homologado pela autoridade administrativa, como ocorre no caso do imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual, intermunicipal e de comunicação (ICMS). ▪ Lançamento por declaração: Feito pelo fisco, mas com base em informações feitas pelo contribuinte. Nesse caso, o exemplo mais comum é o Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), em que a própria pessoa ou terceira presta informações que, depois, são processadas e confirmadas pelo fisco. Por fim, a arrecadação ocorre quando o contribuinte paga ou transfere por instituição bancária o valor das guias de arrecadação do tributo. O recolhimento, por sua vez, é a transferência feita aos cofres públicos, ficando os recursos disponíveis para a utilização na Conta Única do Tesouro Nacional. Contabilidade Pública 10 E como ficam as despesas? No caso desses gastos, também chamados de dispêndios, o Estado ou qualquer outra pessoa do Direito Público poderá saldar gastos fixados em lei orçamentária ou, ainda, em lei especial. O objetivo desses gastos é a prestação de serviços ou obtenção de bens para a comunidade (LIMA; CASTRO, 2016). O MCASP (STN, 2016) divide as despesas em dois grupos. O primeiro é dos dispêndios extraorçamentários ou, ainda, que não constam na Lei Orçamentária Anual (LOA) e que podem ser exemplificados por valores decorrentes de depósitos, pagamentos de restos a pagar e outros ligados a valores transitórios (LIMA; CASTRO, 2016). Já as despesas orçamentárias, por sua vez, dependem da autorização administrativa ou constam na LOA, possuindo diferentes formas de classificação, conforme Lima e Castro (2016) pontuam: ▪ Despesa orçamentária efetiva – Afeta de forma negativa o patrimônio. Por exemplo, pagamento de material de expediente. ▪ Despesa orçamentária não efetiva – Não afeta a situação patrimonial líquida. Por exemplo, compra de um bem. As despesas orçamentárias, assim como no caso das receitas, também assumem a classificação de correntes e de capital. No caso das despesas correntes, a classificação indica gastos de natureza operacional. Suas principais divisões são: ▪ Despesas de custeio – Manutenção dos órgãos públicos, pagamento de pessoal e contratação de terceiros. ▪ Transferências correntes – Sem contraprestação direta de bens e serviços – subvenções sociais, econômicas, inativos, pensionistas e outros. As despesas de capital podem ser utilizadas para a aquisição de novos bens de capital ou, ainda, para aqueles já em uso. O seu propósito maior é a criação ou a aquisição de bens que já são utilizados, como ocorre com os investimentos e as inversões financeiras. Suas principais divisões podem ser entendidas da seguinte forma: ▪ Investimento – Despesas para o planejamento, execução ou aquisição de imóveis, que irão aumentar o patrimônio público. ▪ Inversões Financeiras – Aquisições de bens já em uso ou títulos de capital de empresas. ▪ Transferências de capital – Transferências utilizadas na cobertura de investimentos e inversões financeiras. Caso uma Administração Pública necessite de uma construção de um hospital e precise dos recursos, o dinheiro que for enviado do Estado será uma despesa de capital para o município, e será recebido como receita de capital, proveniente da operação de crédito para a construção de crédito. Contabilidade Pública 11 Assim, de forma resumida, para que um gasto atenda, do ponto de vista orçamentário, ele deverá estar previsto na LOA, ser destinado ao funcionamento de bens e serviços à população, além de ser passível de dispêndio ou compromisso de pagamento (LIMA; CASTRO, 2016). Assim como ocorre com as receitas, as despesas também são reconhecidas por estágios. De acordo com a Lei 4.320/64, são três estágios: ▪ Empenho – Neste primeiro estágio, é criada a obrigação que garante que existe o crédito, ou seja, o valor para a liquidação do compromisso. Aqui, a entidade cria a obrigação do pagamento. ▪ Liquidação – O segundo estágio ocorre quando há a verificação da despesa, se esta foi empenhada da maneira correta ou, ainda, se o contrato foi cumprido e se o serviço e a mercadoria foram entregues. ▪ Pagamento – Sendo o terceiro estágio, ocorre o pagamento, na emissão do cheque ou, ainda, na ordem bancária. Outro tópico importante é o dos restos a pagar que, de acordo com o artigo 36 da Lei 4.320/64, “Consideram-se Restos a Pagar as despesas empenhadas mas não pagas até o dia 31 de dezembro distinguindo-se as processadas das não processadas” (BRASIL, 1964). Logo, um valor que for empenhado e não pago até 31 de dezembro será reconhecido como restos a pagar para o encerramento do exercício financeiro. Segundo Kohama(2014), quando uma despesa é empenhada ou reconhecida, ela pertence àquele exercício financeiro, onerando as suas dotações orçamentárias. Porém, o que caracteriza exatamente o resto a pagar? Eles possuem diferentes características? Os restos a pagar processados são aqueles em que as despesas já foram empenhadas e o estágio da liquidação já ocorreu, ou seja, o serviço ou mercadoria já foi entregue, porém, só resta ao ente público fazer o pagamento. Os restos a pagar não processados são aquelas despesas empenhadas, que não foram liquidadas nem pagas até 31 de dezembro, ou seja, somente ocorreu o empenho. Ainda em relação à despesa, destaca-se o fato de que esta pode ter uma autorização legislativa inicial ou adicional. Lima e Castro (2016) afirmam que crédito orçamentário inicial são aquelas aprovadas na LOA, como as constantes no orçamento fiscal, de seguridade social e de investimento das empresas estatais não dependentes. Segundo a Lei 4.320/64, art. 41, os créditos adicionais podem ser classificados da seguinte forma: I - suplementares: os destinados a refôrço de dotação orçamentária; II - especiais: os destinados a despesas para as quais não haja dotação orçamentária específica; III - extraordinários: os destinados a despesas urgentes e imprevistas, em caso de guerra, comoção intestina ou calamidade pública. (BRASIL, 1964) Ainda segundo Lima e Castro (2016), os créditos suplementares servem para reforçar a LOA e precisam de autorização prévia, que pode ser no orçamento ou em lei especial. A forma de abertura é por Decreto do Contabilidade Pública 12 Executivo até o limite estabelecido por lei, a indicação dos recursos é obrigatória, assim como o seu valor indicado na lei de autorização e no decreto de abertura. A vigência dos créditos suplementares ocorre somente durante o exercício em que foi aberto, e sua prorrogação não é permitida. De acordo com os autores, os créditos especiais atendem a uma categoria não contemplada no orçamento e precisam de uma autorização prévia em lei especial. Ocorre por Decreto do Poder Executivo até o limite da lei, precisa de indicação obrigatória e, assim como os créditos suplementares, a indicação dos recursos é obrigatória, assim como o seu valor indicado na lei de autorização e no decreto de abertura. Sua vigência também será para o exercício em que foram abertos; podem ser prorrogados para o ano seguinte, caso sejam autorizados em um dos quatro últimos meses do exercício seguinte. Por fim, os créditos extraordinários são aqueles utilizados para o atendimento a despesas imprevistas e urgentes, como aquelas decorrentes de enchentes e outros problemas de desastres naturais. A sua autorização é independente e ocorre por meio de Medida Provisória, sem a necessidade de indicação do uso dos recursos; porém, deve-se indicar seu valor e limite. A vigência também ocorrerá no exercício em que forem abertos. A prorrogação somente pode ocorrer para o exercício seguinte, caso seja autorizado em um dos quatro últimos meses do exercício. E como ficam os elementos patrimoniais? Veremos na sequência. Patrimoniais De acordo com a NBC TSP – Estrutura Conceitual (CFC, 2016), os elementos são as estruturas básicas das quais as demonstrações contábeis são formadas, informação essa que é confirmada pelo MCASP (STN, 2016). Com base nelas, é possível reconhecer, classificar e fornecer informações aos usuários para o seu processo de tomada de decisões. Aqui, serão explorados os conceitos das contas patrimoniais, uma vez que as contas de receitas e despesas ou, ainda, variações aumentativas e diminutivas foram vistas nos tópicos anteriores e o objetivo é entender as contas patrimoniais. No ambiente público, um ativo é um recurso público controlado pela entidade decorrente de um ou mais eventos passados (STN, 2016). Outra característica é o seu potencial de gerar benefício futuro e também o controle presente pela entidade; além disso, não é necessário que este tenha uma substância física. Tais características são bastante presentes na contabilidade financeira. Ainda de acordo com o MCASP, o Ativo é dividido entre Ativo Circulante e Não Circulante. O Circulante ocorre quando os ativos estão disponíveis para a realização imediata, e o Não Circulante quando possui a expectativa de realização até doze meses após a data de realização das demonstrações contábeis. Entretanto, destaca-se outra classificação, segundo a lei 4.320/64: Contabilidade Pública 13 § 1º O Ativo Financeiro compreenderá os créditos e valores realizáveis independentemente de autorização orçamentária e os valores numerários. § 2º O Ativo Permanente compreenderá os bens, créditos e valores, cuja mobilização ou alienação dependa de autorização legislativa. (BRASIL, 1964) O próprio MCASP (STN, 2016) destaca e é importante lembrar que tal classificação é diferente da contábil, porque a Lei 4.320/64 utiliza um conceito diferente do que é utilizado dentro do contexto contábil. Em relação à mensuração dos ativos, a NBC TSP EC (CFC, 2016) estabelece os seguintes critérios: Base de mensuração Entrada ou saída Observável, ou não, no mercado Específica, ou não, à entidade Custo histórico Entrada Geralmente, observável Específica para a entidade Valor de mercado (quando o mercado é aberto, ativo e organizado) Entrada e Saída Observável Não específica para a entidade Valor de mercado (em mercado inativo) Saída Depende da técnica de atribuição de valor Depende da técnica de atribuição de valor Custo de reposição ou substituição Entrada Observável Específica para a entidade Preço líquido de venda Saída Observável Específica para a entidade Valor em uso Saída Não observável Específica para a entidade Quadro 3: Bases de mensuração do ativo. Fonte: Adaptado de NBC TSP EC (CFC, 2016). Mais informações podem ser encontradas na própria norma e são utilizadas para a mensuração dos ativos em diversas situações durante sua vida útil, para levantamento das demonstrações contábeis e/ou outros aspectos que podem ser observados na NBC TSP EC (CFC, 2016). De acordo com a NBC TSP EC, os passivos, por sua vez, são obrigações presentes derivadas de elementos passados, cuja extinção deve resultar em uma saída de recursos da entidade. A norma destaca dois itens em especial: 5.5 - Um passivo deve envolver uma saída de recursos da entidade para ser liquidado ou extinto. A obrigação que pode ser liquidada ou extinta sem a saída de recursos da entidade não é um passivo. 5.16 - Para os fins desta estrutura conceitual, os termos “liquidado” ou “liquidação” não se confundem com os termos correspondentes utilizados na execução orçamentária, conforme legislação brasileira sobre orçamento. (CFC, 2016) Destaca-se que, no setor público, as obrigações podem surgir de uma série de eventos ligados à implementação de programa ou serviços ou, ainda, promessas ou anúncio de uma política, proposta ou aprovação do orçamento, entre outras possibilidades. Assim como o ativo, as bases de mensuração possuem as seguintes características: Contabilidade Pública 14 Base de mensuração Entrada ou saída Observável, ou não, no mercado Específica, ou não, à entidade Custo histórico Entrada Geralmente, observável Específica para a entidade Custo de cumprimento da obrigação Saída Não observável Específica para a entidade Valor de mercado (quando o mercado é aberto, ativo e organizado) Entrada e saída Observável Não específica para a entidade Valor de mercado (em mercado inativo) Saída Depende da técnica de atribuição de valor Depende da técnica de atribuição de valor Custo de liberação Saída Observável Específica para a entidade Preço presumido Entrada Observável Específica para a entidade Quadro 4: Bases de mensuração do passivo. Fonte: Adaptado de NBC TSP EC (CFC, 2016). Assim como os valores dos ativos, outras informações adicionais estão na própria norma NBC TSP EC (CFC, 2016) e também são utilizadaspara a liquidação das entidades, para a venda dos ativos, entre outros aspectos. O passivo também se divide em Circulante e Não Circulante, seguindo a mesma ordem do Ativo, porém, a ordem aqui é a de exigibilidade, sendo que os que ficam no Circulante são os com exigibilidade menor que doze meses, enquanto os com exigibilidade maior ficam no Não Circulante. Observando o artigo 105 da Lei nº 4.320/64, também há a seguinte divisão: § 3º O Passivo Financeiro compreenderá as dívidas fundadas e outros pagamentos que independam de autorização orçamentária. § 4º O Passivo Permanente compreenderá as dívidas fundadas e outras que dependam de autorização legislativa para amortização ou resgate. (BRASIL, 1964) Por fim, a situação patrimonial líquida ou patrimônio líquido é compreendida como a diferença entre os ativos e os passivos que ocorre após a inclusão de outros recursos, bem como a dedução de outras obrigações. Segundo a NBC TSP EC (CFC, 2016), esta poderá ser tanto positiva quanto negativa. E os procedimentos específicos dentro da CASP? Quais são e quais as principais características? Específicos Existem diversos procedimentos específicos dentro da CASP, que estão elencados de acordo com o MCASP (STN, 2016). Entre estes estão o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), que tem vigência de 2007 até 2020. Contabilidade Pública 15 O Fundeb teve a sua criação destinada à manutenção da educação básica e pública e à valorização dos trabalhadores da área. De acordo com o Manual, os recursos para esse fundo são provenientes de tributos e de transferências de estados e municípios. A concessão de serviços públicos também é um dos procedimentos específicos e, além de possuírem regulamentação própria, estão caracterizados como comuns e especiais. Tais questões são utilizadas para denominar como devem acontecer as parcerias entre o governo e as prestadoras de serviços, além de como ocorrerá a contabilização dos atos e fatos contábeis. As operações de crédito também possuem suas características e uma extensa legislação, assim como as contabilizações disponíveis no MCASP (STN, 2016), que determinam os principais tipos dessas operações e como elas ocorrem. Na Parte III – Procedimentos Contábeis Específicos do MCASP (STN, 2016), podem ser entendidas mais características das operações de crédito, assim como dos outros eventos de origem específica. O Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) e a Dívida Ativa são outros dois tópicos que aparecem como procedimentos específicos, já que possuem características e regimes próprios de contabilização. Logo, o MCASP (STN, 2016) destaca suas principais características e formas de contabilização. Os dois últimos tópicos desse ponto do Manual são reservados aos precatórios em Regime Especial, ou seja, requisições de pagamento que são feitas contra a Fazenda Pública e que já tramitaram em julgado, de acordo com a Constituição Federal. Por fim, a norma trata dos Consórcios Públicos, que são tipos de parcerias utilizadas para que um ou mais agentes da Federação possam fazer a gestão de serviços públicos ou a transferência de encargos de serviços para a sociedade em geral para consórcios, como ocorre no caso dos pedágios. O Manual aborda o uso de recursos públicos, procedimentos orçamentário, classificações orçamentárias e contábeis entre outras características específicas (STN, 2016). Neste capítulo, analisamos os principais pontos relacionados com a receita e a despesa, bem como as suas divisões, ou seja, orçamentária (ou prevista no orçamento) e a extraorçamentária (que são os valores que somente figuram, de forma transitória, nos cofres públicos). Os ingressos públicos são utilizados pelo governo para financiar a máquina pública, ou seja, os serviços e outras necessidades da sociedade em geral, enquanto as despesas são as contrapartidas desses valores, como pagamentos de salários, material de consumo, pagamento de Contabilidade Pública 16 serviços de terceiros etc. Os elementos patrimoniais também foram conhecidos, entre eles as divisões do Ativo e do Passivo, assim como Patrimônio Líquido. Por fim, detalhamos algumas contas específicas como aquelas de Parcerias Público-Privadas, Consórcios e outras, com suas principais características e forma de contabilização que estão presentes no MCASP. Referências BRASIL. 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