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FACULDADE DE PETROLINA CURSO DE MEDICINA TRABALHO SOBRE PLACENTA, MEMBRANAS FETAIS E CORDÃO UMBILICAL BEATRIZ NEPOMUCENO BIANCA MOTA DANIELA TEIXEIRA GUSTAVO PASSOS PETROLINA 2023 FACULDADE DE PETROLINA MEDICINA EMBRIOLOGIA TRABALHO SOBRE PLACENTA, MEMBRANAS FETAIS E CORDÃO UMBILICAL Estudo sobre placenta, membranas fetais e cordão umbilical, como componente curricular para I unidade, da disciplina de Embriologia; Curso de Medicina da Faculdade de Petrolina- FACAPE. Docente: Dra. Bruna Gouveia Discentes: Beatriz Nepomuceno, Bianca Mota, Daniela Teixeira, Gustavo Passos PETROLINA 2023 SUMÁRIO 1. Introdução 2. Desenvolvimento 2.1 Placenta 2.1.1 Formação embrionária da placenta 2.1.2 Composição da placenta 2.1.3 Funções da placenta 2.1.4 Patologias relacionadas à placenta 2.2 Membranas fetais 2.2.1 Formação embrionária das membranas fetais 2.2.2 Composição embrionária das membranas fetais 2.2.3 Funções das membranas fetais 2.2.4 Patologias relacionadas às membranas fetais 2.3 Cordão Umbilical 2.3.1 Formação embrionária do cordão umbilical 2.3.2 Composição do cordão umbilical 2.3.3 Funções do cordão umbilical 2.3.4 Patologias relacionadas ao cordão umbilical 3. Conclusão 4. Referências 1. Introdução A gestação é um dos processos mais fascinantes da biologia, não somente por ser a origem da vida, mas por ser um evento que possui características únicas em cada mulher. Apesar das suas singularidades, existem processos que precisam acontecer de maneira semelhante em todas as gestantes, como é o exemplo da formação dos órgãos embrionários como a placenta, as membranas fetais (alantoide, saco vitelino e âmnio) e do cordão umbilical, todas estruturas existentes somente durante a gravidez, e, portanto, cuja formação ocorre por inteiro nesse período, saindo, logo em seguida, do corpo, durante o parto. Assim, cabe dissertar e compreender a formação, a composição e as funções de cada uma dessas estruturas, pois sem elas o desenvolvimento fetal é impossível, e, mesmo quando elas existem é preciso que funcionem de maneira adequada e cumpram suas funções, pois qualquer erro nas mesmas pode pôr a vida do embrião em sérios riscos, acarretando abortos ou complicações futuras advindas de más formações, falta de oxigenação e subnutrição, por exemplo. No artigo abaixo serão discutidas as principais características de cada uma dessas estruturas, destacando a sua importância e complexidade, além de uma alteração para cada órgão citado. Inicialmente será comentado sobre a placenta, órgão responsável por mediar as trocas uteroplacentárias, em seguida haverá a descrição das membranas fetais, cada uma com suas funções específicas, mas com o ponto em comum de serem fatores indispensáveis no desenvolvimento fetal, e, finalmente, o cordão umbilical será detalhado, levando em conta, nos três órgãos, a exigência de comentar sobre o processo que leva à sua formação, seus meios de funcionamento e por quais estruturas cada órgão é composto, desde suas origens nos folhetos embrionários até sua vascularização. 2.1 Placenta 2.1.1 Formação embrionária da placenta Antes de compreender sua função e composição, é necessário o entendimento acerca da formação da placenta, esta que é uma estrutura temporária, mas complexa e essencial para o desenvolvimento do feto. A primeira etapa da formação placentária consiste na implantação do blastocisto, que ocorre entre o quinto e o sétimo dia após a fecundação, quando já houve toda a movimentação do concepto nas trompas uterinas até chegar no o fundo do útero onde acontece uma conexão superficial do embrião primitivo com o endométrio. (Moore, K.L Embriologia clínica 10 edição) Para que haja sucesso nesse evento inicial, é preciso que o trofoblasto, formação celular do blastocisto, se dividida em citotrofoblasto e sinciciotrofoblasto. Este último cumpre, na primeira semana de desenvolvimento, a função de erodir o tecido conjuntivo endometrial (figura 1) e facilitar a fixação do blastocística no interior do endométrio. (Langman Embriologia Médica, 13 edição). Figura 1 Em seguida, começa a formação de lacunas, advindas da erosão do sinciciotrofoblasto e preenchidas por uma mistura de sangue com restos de células erodidas. Os capilares endometriais rompidos se comunicam com tais lacunas formando a circulação uteroplacentária primitiva. (Moore, K. L Embriologia clínica, 10 edição). Ao redor das lacunas primitivas se formam os sinusoides maternos, vasos finos e largos, que são erodidos pelo sinciciotrofoblato e permitem que o sangue materno flua livremente para as redes lacunares, estruturas primordiais do espaço interviloso placentário. (Moore, K. L Embriologia clínica, 10 edição). No 13 dia ocorre o aparecimento das vilosidades coriônicas primárias, que evoluem para secundárias e terciárias, quando finalmente, se conectam ao alantoide, futura vesícula umbilical, formando uma circulação fetal com características mais complexa, onde os vasos fetais (ou córion) são intimamente unidos aos vasos endometriais (ou decídua basal) pelo espaço interviloso (figura 2), permitindo trocas de nutrientes, oxigênio e outros resíduos entre a mãe e o bebê e originando assim a placenta. (Moore, K.L Embriologia clínica, 10 edição). Figura 2 2.1.2 Composição da placenta A placenta é uma estrutura altamente vascularizada e multifuncional, composta, principalmente por duas camadas, a sendo a primeira delas o córion fetal, que é recoberto por uma membrana amniótica, responsável pelo aspecto liso da placenta e pela secreção do líquido amniótico, um grande facilitador das trocas materno-fetais. A outra camada é a placa basal, parcela materna da placenta (figura 3). (Langman Embriologia Médica, 13 edição). No córion frondoso estão presentes as vilosidades coriônicas, que contém redes complexas de capilares e fazem as transferências gasosas, já o córion liso apenas envolve o resto da placenta. (Moore, K.L, Embriologia clínica 2012) Além da camada coriônica (ou fetal), existe também a basal (ou materna), que só pode ser vista após a separação da placenta do útero, no parto. (Moore, K.L, Embriologia clínica 2012) A placa basal é formada pela decídua, nome dado ao endométrio modificado na gravidez. Essa decídua é separada em três partes, a basal que forma parte da placenta, a e a capsular e parietal, ambas responsáveis por que revestir o embrião, a primeira mais interna e a última mais externa. (Moore, K.L Embriologia clínica 2012) Figura 3 2.1.3 Funções da placenta Agora que já estão claras a sua origem e composição, cabe entender as múltiplas funções da placenta. A mais conhecida das funções placentárias é a de mediar as trocas gasosas e nutrir o embrião, já que é através da placenta que o feto em crescimento recebe oxigênio, vitaminas, glicose entre outros nutrientes essenciais. (Moore, K. L Embriologia Clínica, 10 edição) Além da nutrição e oxigenação, a placenta é responsável, também, por remover resíduos do feto e passá-los para a mãe, que os elimina, como o dióxido de carbono e a ureia, outra atuação placentária importante é a proteção imunológica, já que a placenta age como uma barreira para o feto, protegendo-o de corpos estranhos, infecções e outras doenças maternas enquanto o feto desenvolve o seu próprio sistema imune. (Jornal de imunologia reprodutiva; 2010) Finalmente, vale mencionar que a placenta possui também funções endócrinas haja vista a produção e secreção de hormônios, de dois principais tipos, os hormônios comuns, como o estrógeno e a progesterona que são também produzidos pelos ovários, e os hormônios exclusivos, entre os quais destacam-se a gonadotrofina coriônica (hCG), que auxilia no metabolismo, no crescimento fetal, no parto e na identificação da gravidez, bem como o hormônio lactogênio placentário, que ajuda na lactação e no desenvolvimento da mama,podendo agravar a resistência à insulina e assim elevar o risco da diabetes gestacional. (Patologia da placenta humana, New-York., Springer-Verlag. 2000). 2.1.4 Patologias relacionadas à placenta Neste tópico será apresentado uma patologia associada à placenta. O Descolamento Prematuro da Placenta é uma patologia obstétrica relevante, ainda que aconteça em menos de 1% das gestações (incidência esperada de 0,5 a 1 %). Há relatos em alguns países de uma tendência de crescimento dessa patologia, mas isso provavelmente é decorrência de gestações em idade materna mais avançada. No Brasil a incidência é em torno de 1%. A pesquisa em Nascer no Brasil mostra prevalência de 1,3%, sendo 2% em mulheres hipertensas, mostrando associação do DPP com a hipertensão. É importante dizer que 40 a 60% dos casos de DPP acontece antes de 37 semanas, sendo também uma causa importante de prematuridade. Quando o Descolamento Prematuro da Placenta ocorre em 50% ou mais da placenta, geralmente resulta em óbito fetal. Nas estatísticas da literatura a mortalidade perinatal pode chegar até 60%. Mesmo em países desenvolvidos a mortalidade perinatal associada ao DPP é bastante significativa: entre 9 a 12%. (Portal das Boas Práticas em Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente, IFF, 2019) 2.2 Membranas fetais 2.2.1 Formação embrionária das membranas fetais Conforme inicia-se a segunda semana de desenvolvimento, o embrioblasto, massa celular interna do blastocisto que está destinada a se tornar embrião, sofre alterações morfológicas. Nesse estágio, o embrioblasto forma um disco embrionário bilaminar, composto pelo epiblasto e pelo hipoblasto. Essas estruturas são responsáveis por originar as camadas germinativas que compõem todos os tecidos e órgãos do embrião. Além disso, também durante a segunda semana, ocorre o início da formação das membranas fetais, que correspondem ao alantóide, âmnio e saco coriônico. (MOORE, K.L. Embriologia clínica, 10 ed.) Desse modo, à medida que o blastocisto se implanta, observa-se um pequeno espaço no embrioblasto, representando o primórdio da cavidade amniótica. Em seguida, os amnioblastos, células formadoras do âmnio, se desprendem do epiblasto e dão origem ao âmnio, sendo encarregado de revestir a cavidade amniótica. É importante ressaltar que, simultaneamente, ocorre a formação do disco embrionário a partir do embrioblasto, sendo composto por duas camadas, o epiblasto, a camada mais espessa que se orienta em direção a cavidade amniótica, formando o teto da cavidade exocelômica e disposto de forma contínua perifericamente com o âmnio, e o hipoblasto, que forma o teto da cavidade exocelômica e se dispõe em continuidade à membrana exocelômica, que juntamente ao hipoblasto, atua revestindo a vesícula umbilical primitiva. Nas próximas semanas do desenvolvimento, acontecerão os dobramentos lateral e cefalocaudal, de forma que a membrana amniótica passa a envolver o embrião. (MOORE, K.L. Embriologia clínica, 10 ed.) Figura 1 Ao final da segunda semana, surgem as vilosidades coriônicas primárias, que formam colunas com revestimentos sinciciais e lançam extensões celulares para dentro do sinciciotrofoblasto, a camada externa do trofoblasto, essa ação é induzida pelo mesoderma somático embrionário. Tais projeções celulares originam as vilosidades coriônicas primárias, marcando a primeira fase de desenvolvimento das vilosidades coriônicas da placenta. Nesse sentido, a camada somática do mesoderma extraembrionário, o sinciciotrofoblasto e o citotrofoblasto formam o córion (Fig.2), que é a membrana fetal mais externa, responsável por formar a parede do saco coriônico, dentro do qual o embrião, a cavidade amniótica e a vesícula umbilical estão suspendidos pelo pedículo de conexão. É importante ressaltar que o celoma extraembrionário é o primórdio da cavidade coriônica. (MOORE, K.L. Embriologia clínica, 10 ed.) Figura 2 O alantóide, um dos anexos embrionários, surge durante o processo de gastrulação, por volta do 16° dia como uma pequena evaginacao da parede caudal da vesícula umbilical, mantendo-se muito pequeno, porém seu mesoderma se expande para baixo do córion e forma os vasos sanguíneos que servirão a placenta. Sob essa perspectiva, o úraco, parte proximal do divertículo do alantóide persiste como um cordão até certo ponto, mas é representado nos adultos pelo ligamento umbilical mediano. Além disso, os vasos sanguíneos do alantóide (Fig. 3) são muito importantes, pois tornam-se as artérias umbilicais. (MOORE, K.L. Embriologia clínica, 10 ed.) É pertinente citar, também, a formação do saco vitelino, estrutura originada do endoderma e que é relevante para a formação intestino primitivo e vasos sanguíneos, entretanto, aproximadamente na quarta semana ele começa a sofrer o processo de involução até sua degeneração completa. (MOORE, K.L. Embriologia clínica, 10 ed.) 2.2.2 Composição das membranas fetais Primeiramente, acerca da composição do âmnio, ele é uma membrana delgada envolvida por mesoderme, preenchido por um fluido transparente que é originado do âmnio e da pele do embrião. Outro anexo, o alantóide, é composto pela endoderme que reveste o pequeno divertículo, de forma que não apresenta nenhuma função direta de respiração ou nutrição em embriões da espécie humana. (Langman, Embriologia Médica 13 ed.) Nesse sentido, o líquido amniótico se refere a uma solução aquosa em que, frequentemente, são encontradas células epiteliais descamadas suspensas, sendo que 50% dos componentes orgânicos desse líquido é proteína, mas também há a presença de carboidratos, gorduras, enzimas e excretas fetais, incluindo urina e mecônio, que são as fezes fetais. Ademais, a composição do saco vitelino compreende a endoderme, responsável por envolvê-lo, não havendo função de nutrição em mamíferos. MOORE, K.L. Embriologia clínica, 10 ed.) 2.2.3 Funções das membranas fetais As funções das membranas fetais são muito diversas. Apesar do saco vitelino sofrer ser degenerado no decorrer da gravidez e não conter vitelo, ele é muito importante porque seu endoderma será incorporado pelo embrião para formar o intestino primitivo e o mesoderma extraembrionário que cobre a parede do saco vitelino, sendo onde acontece a produção inicial de sangue até a hematopoiese ter início no fígado. (MOORE, K.L. Embriologia clínica, 10 ed.) Ademais, o âmnio forma o saco preenchido de líquido amniótico, tal líquido desempenha funções de extrema importância durante a gestação, como a de amortizar o ambiente fetal protegendo contra traumas, além da necessidade desse líquido para permitir o movimento do feto, e dessa maneira, acontecer um desenvolvimento correto do sistema muscular e esquelético, também tem propriedades antibacterianas, ajuda a manter a homeostase dos fluidos e eletrólitos e a pressão intrauterina adequada. (MOORE, K.L. Embriologia clínica, 10 ed.) Além disso, o alantóide tem sua importância em relação a vascularização sanguínea inicial do embrião, pois seu mesoderma forma os vasos sanguíneos que servirão a placenta e os vasos sanguíneos do próprio alantóide persistem e tornam-se as artérias umbilicais (Fig 3). Nesse sentido, o úraco, úraco, parte proximal do divertículo do alantóide persiste e após o nascimento torna-se o ligamento umbilical mediano. (MOORE, K.L. Embriologia clínica, 10 ed.) Figura 3 2.2.4 Patologias relacionadas às membranas fetais Acerca dos anexos embrionários, existem várias patologias associadas ao córion, âmnio e alantóide. Algumas vezes, o embrião morre e as vilosidades coriônicas não terminam seu desenvolvimento, quando estão em processo de degeneração formam inchaços císticos, chamadas molas hidatiformes que são parecidas com cachos de uva. Cerca de 3% a 5% das molas se desenvolvem em lesões trofoblásticas malignas, os coriocarcinomas que produzem metástases, dessa forma, espalham-se através do sangue para vários locais. Em relação ao âmnio, podem acontecer diversos problemas, seja no próprio âmnio ou no líquido amniótico, como oligoidrâmnio, polidrâmnio, infecções intrauterinas, amniorrexeprematura. Sob essa ótica, o polidrâmnio é uma condição em que há volume de líquido amniótico excessivo, que pode ser causado por malformações fetais, diabetes materno, gestação múltipla, entre outros fatores. Nesse sentido, o polidrâmnio, em alguns casos, pode resultar em contrações prematuras, ruptura prematura das membranas fetais e mal posicionamento do concepto. Acerca do alantóide, pode a ocorrer a formação de cistos que são resquícios de sua porção extraembrionária, tais cistos são geralmente encontrados entre os vasos umbilicais fetais. Essa patologia pode ser detectada por ultrassonografia e os indivíduos que têm esses cistos geralmente são assintomáticos até a infância ou adolescência, quando podem se tornar infectados e inflamados, causando dor. 2.3 Cordão Umbilical O cordão umbilical é uma estrutura que liga o feto ao corpo da mãe durante a gravidez. A formação, composição e função do cordão umbilical são aspectos fundamentais do desenvolvimento fetal e da saúde neonatal. O mesmo se desenvolve no córion. (Estrutura que dá origem ao cordão umbilical). 2.3.1 Formação embrionária do cordão umbilical O cordão umbilical começa a se formar logo após a implantação do óvulo fertilizado no útero, em torno da quinta semana do desenvolvimento fetal, e também é formado a partir do saco amniótico (forma o epitélio do cordão), do alantoide (forma a veia e as artérias umbilicais) e da vesícula vitelínica. Esta estrutura possui cerca de 50 cm de comprimento e 2 cm de diâmetro, dependendo onde foi cortado depois do parto, sendo que o diâmetro diminui consideravelmente ao adentrar à placenta. As primeiras semanas de desenvolvimento embrionário, o disco embrionário bilaminar se diferencia em três camadas germinativas: o ectoderma, o endoderma (sem participação direta na formação do cordão umbilical) e o mesoderma que desempenha um papel fundamental na formação do cordão umbilical, pois desempenha um papel na formação dos tecidos conectivos e do tecido muscular que compõe o cordão umbilical. O mesoderma se divide em duas camadas: o mesoderma extraembrionário e o mesoderma intraembrionário. O mesoderma extraembrionário dá origem ao âmnio e ao córion, que envolvem o embrião. E mesoderma intraembrionário sua função principal está relacionada à formação dos vasos sanguíneos presentes no cordão umbilical. 2.3.2 Composição do cordão umbilical O cordão umbilical tem uma estrutura simples, mas sua composição desempenha um papel vital na transferência de nutrientes e oxigênio entre a mãe e o feto. O cordão umbilical é uma haste flexível que une o ventre do feto à placenta, é um anexo exclusivo dos mamíferos. Além disso, é composto pelos vasos umbilicais: duas artérias e uma veia, que transportam sangue do feto de volta para a mãe e também por uma substância gelatinosa designada geleia de Wharton. Artérias Umbilicais: O cordão umbilical contém duas artérias umbilicais que transportam sangue do feto de volta para a mãe. Esse sangue é rico em dióxido de carbono e resíduos metabólicos que precisam ser eliminados do corpo do feto. Veia Umbilical: A veia umbilical é a estrutura mais importante do cordão umbilical, pois transporta sangue rico em oxigênio e nutrientes da mãe para o feto. Esse sangue é vital para o crescimento e o desenvolvimento fetal. Geleia de Wharton: A geleia de Wharton é um tecido gelatinoso que envolve os vasos sanguíneos do cordão umbilical e é envolvida por uma membrana, que constitui o estojo do cordão e se continua com a pele do ventre do feto. Ela fornece proteção e flexibilidade aos vasos, permitindo que o cordão seja torcido e dobrado sem obstruir o fluxo sanguíneo. Há abundância da geleia de Wharton mais em alguns cordões do que em outros; aqueles se apresentam volumosos, moles e de aspecto gorduroso, enquanto os últimos se apresentam delgados e mais resistentes. Aos primeiros os parteiros chamavam, antigamente, de gordos e aos segundos de magros. 2.3.3 Funções do cordão umbilical Além da garantia de nutrientes, o cordão umbilical é responsável pela troca gasosa que é feita da seguinte maneira: o sangue que chega pela veia cava inferior (sangue oxigenado que veio da placenta) vai para o átrio direito e daí diretamente para o átrio esquerdo através do forame oval, ou seja, ele não passa pelo ventrículo direito. Este sangue chega ao ventrículo esquerdo que se responsabiliza de bombeá-lo para os vasos da cabeça e membros superiores. O sangue pouco oxigenado que retorna da cabeça e membros superiores chega através da veia cava superior no átrio direito e pela valva tricúspide vai para o ventrículo direito, depois segue em direção à artéria pulmonar, porém, ao invés de se dirigir aos pulmões (que ainda não estão em funcionamento) este sangue deságua na aorta descendente, entrando, finalmente, nas artérias umbilicais e seguindo para a placenta para ser oxigenado e recomeçar o ciclo. Ao contrário do normal, a veia umbilical transporta sangue rico em oxigênio proveniente da placenta e as artérias carregam sangue pobre em oxigênio. Assim, já que os pulmões do feto não estão em funcionamento, a placenta passa a ser responsável pelas trocas gasosas, ou seja, a placenta fica responsável em fazer o papel dos pulmões. A função primordial do cordão umbilical é facilitar a troca de substâncias entre a mãe e o feto. Essa troca inclui: Nutrição: A veia umbilical transporta nutrientes da mãe para o feto, fornecendo os elementos essenciais para o crescimento e desenvolvimento fetal. Oxigenação: A veia umbilical também transporta oxigênio do sistema materno para o feto, permitindo a respiração fetal. Eliminação de resíduos: As artérias umbilicais transportam sangue carregado de dióxido de carbono e outros resíduos metabólicos do feto para a mãe, onde esses produtos são eliminados pelo sistema circulatório materno. Regulação da temperatura: O cordão umbilical também desempenha um papel na regulação da temperatura do feto, ajudando a mantê-lo dentro de uma faixa de temperatura ideal. 2.3.4 Patologias relacionadas ao cordão umbilical Neste tópico serão apresentadas patologias relacionadas ao cordão umbilical. Prolapso do cordão umbilical é a posição anormal do cordão na frente da parte de apresentação fetal; dessa maneira, o feto comprime o cordão durante o trabalho de parto, causando hipoxemia fetal. O prolapso do cordão umbilical pode ser oculto, quando é contido dentro do útero, ou ostensivo, projetando-se da vagina. Ambos são incomuns. No prolapso oculto, muitas vezes o cordão é comprimido por um ombro ou pela cabeça. O único indício pode ser um padrão de frequência cardíaca fetal (detectado por monitoramento fetal) sugestivo de compressão do cordão e progressão para hipoxemia (p. ex., bradicardia grave, desacelerações variáveis graves). A mudança de posição materna pode aliviar a pressão sobre o cordão; entretanto, se persistir o padrão anormal de frequência cardíaca fetal, é necessária a cesariana imediata. Em relação ao prolapso evidente, ocorre com a ruptura das membranas amnióticas e com mais frequência nas apresentações pélvicas ou transversas. O prolapso evidente também ocorre nas apresentações cefálicas, em particular se a ruptura das membranas (espontânea ou iatrogênica) acontecer antes de a cabeça estar insinuada. O tratamento do prolapso evidente é iniciado com o levantamento delicado da parte de apresentação, mantendo-a segura continuamente nessa posição para que o cordão prolapsado restaure seu fluxo sanguíneo natural, enquanto se realiza cesariana de emergência. A posição de mulher de joelhos-queixo e a administração de terbutalina, 0,25 mg IV podem auxiliar na redução das contrações. 3. Conclusão Nesse estudo foi explorado a composição e as funções da placenta, das membranas fetais e do cordão umbilical. Em conjunto, a placenta, as membranas fetais e o cordão umbilical formam um sistema intricado que sustenta a vida fetal, garantindo o fornecimento de nutrientes, oxigênio e remoção de resíduos. Seu funcionamento harmonioso é vital para uma gestação bem-sucedida e o desenvolvimentosaudável do feto. O aprofundamento contínuo dessas estruturas é fundamental para a obstetrícia, biologia do desenvolvimento e medicina perinatal, permitindo uma compreensão mais abrangente dos processos que ocorrem durante a gravidez e, assim, melhorando a saúde materno-fetal. 4. Referências Moore, K.L; Persaud, T.V.N; Torchia, M.G. 2013. Embriologia Clínica 9. Ed. Editora Elsevier Moore, K.L & Persaud, T.V.N. 2008. Embriologia Básica 7. Ed. Editora Elsevier Malheiros, Glícia Campanharo, Abreu Annelise Maria de Oliveira Wilken de. 2016 Revista Científica da FMC - Vol. 11, nº1. CARACTERÍSTICAS MORFOLÓGICAS DO CORDÃO UMBILICAL Sadler, T.W. 2010. Langman. Embriologia Médica 9. Ed. Editora Guanabara Koogan image3.png image4.png image5.png image6.png image7.png image8.png image1.png image2.png