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RESUMO PSICOMETRIA Objetivos: - Psicodiagnóstico e intervenção psicológica e psicossocial; - Aplicação e interpretação ética dos resultados; - Adequação, seleção e avaliação de instrumentos a problemas e contextos específicos. Avaliação psicológica (IMPORTANTE= professor disse que pode cair na prova essa parte). ● Processo que tem por objetivo produzir hipóteses ou diagnósticos (entre pessoas ou grupos). Esses podem ser sobre o funcionamento intelectual, personalidade, aptidão, etc. ● Estudo com planejamento prévio e cuidadoso, envolvendo a integração de informações vindas de diversas fontes, como: entrevista, observações, análise de documentos e testes. Testagem psicológica ● Etapa/parte da avaliação psicológica, que avalia habilidades como inteligência, aptidão, personalidade, interesses, etc. ● Cada teste tem sua finalidade. ● Seu objetivo é oferecer informações objetivas e precisas, com base em medidas padronizadas e cientificamente validadas (ponto de corte - ponto de referência para análise - “abaixo ou acima”). Neuropsicologia ● Estuda a relação do cérebro com o comportamento (partes ativas do cérebro em determinado comportamento), desejando ver como as disfunções cerebrais funcionam sobre o comportamento. ● Avalia a função cerebral, fazendo deduções a partir do comportamento cognitivo, sensório, social (o emocional controla basicamente tudo) Avaliação neurológica Realizada por baterias de testes, que permitem confirmar ou não as hipóteses iniciais, verificando quais funções cerebrais estão ou não afetadas ou preservadas. Avaliação psicológica ● Os primeiros registros foram na China em 2.200 a.C, para verificar quem seriam os gênios bons para a sociedade. O que é uma hipótese? É o que permite a construção de um raciocínio lógico para identificar uma doença ou descartar uma suspeita para, posteriormente, prosseguir com a investigação de modo preciso. ● Binet: medidas intelectuais/avaliação pedagógica; - Binet & Simon: Para ajudar as dificuldades a serem melhoradas, é necessário primeiro conhecê-las. Criam uma escada que focava em aspectos intelectuais (1º instrumento de medida) - Fernando Figueiro (Brasil): primeiro a utilizar o teste de Binet. Não existiam tabelas para comparações de comprometimentos de patologia. Em 1930 começam as vendas de instrumentos psicológicos em SP, RJ e BA. - Primeiros laboratórios foram em SP, RS e MG. Testes psicológicos ● Ferramentas para coletar amostras de comportamentos relevantes para os funcionamentos avaliados e entender os pacientes. ● Avaliam as amostras de comportamentos de acordo com normas. ● É preciso dominá-los corretamente para conseguir os aplicar. ● Sua função era de medir as diferenças entre os indivíduos e suas reações em diferentes situações Usos e tipos de testes psicológicos ● Seleção e classificação de pessoas; ● Planos educacionais e vocacionais; ● Aumento do auto-entendimento (desenvolvimento pessoal) Funções cognitivas avaliadas ● Eficiência intelectual; ● Processos atencionais e mnésicos (memória) ● Processos de aprendizagem ● Funções motoras e visuais, executivas (controlar e regular nossos pensamentos e emoções) e conceituais ● Praxia construtiva ● Linguagem Objetivos da avaliação psicológica ● Diagnóstico: identificar o quadro clínico do paciente e como abordar o tema. ● Prognóstico: identificação de como será o possível desenvolvimento do quadro clínico do paciente (consequências e tratamento) ● Encaminhamentos ● Avaliação de tratamentos realizados ● Pesquisa ● Perícia. Não se deve produzir um diagnóstico após o resultado de apenas um teste, pois podem existir falsos-positivos ou falsos-negativos. Avaliação Neuropsicológica ou Psicológica (Indicações) ● Condições nas quais ocorreram prejuízos ou modificações cognitivas, afetivas e sociais devido a eventos que atingiram o Sistema Nervoso Central: - TCE - Demências - Tumores - Desordens Tóxicas - Epilepsias - Doenças endócrinas e metabólicas - AVC - Deficiências Vitamínicas ● Condições nas quais o potencial adaptativo não é o suficiente (na vida prática, escolar, profissional e social) - Transtornos Invasivos do Desenvolvimento - Retardo Mental - Transtornos de aprendizagem ● Condições geradas/associadas à desregulação bioquímica do cérebro ou a fatores desconhecidos (sem saber a causa) - Transtornos Psiquiátricos - Esquizofrenia - Epilepsias sem causa aparente - Transtorno de personalidade Aplicações na área da infância e da adolescência ● Multiplicidade de problemas (como o desenvolvimento) ● Identificar padrões cognitivos passíveis de intervenção. ● A identificação precoce diminui problemas mais graves no futuro (quanto mais novo, melhor para fazer um tratamento que tenha um bom êxito) Técnicas de Avaliação Psicológica ● Entrevista: procedimento que requer treinamento, podendo ser feito com diferentes finalidades e vários objetivos (suas regras, normas e material são as mesmas, o que muda são as perguntas. ● Observação: método que gera muitas informações (presente em avaliações individuais e em grupo) - importante prestar atenção no comportamento do indivíduo que responde ao instrumento. História da Psicometria Durcan Luce cria a Psicologia Matemática (conjunto de técnicas utilizadas para mensurar adequadamente e comprovadamente um conjunto de gama de comportamentos). Testes psicométricos: funções | Projetivos: personalidade Ponte entre as ciências exatas (como a Estatística) e a Psicologia Principais usos dos testes - Clínica - Educação - Recursos Humanos - Aconselhamento psicológico ou profissional - Pesquisas em geral. ● Aplicação dos testes é atribuição específica dos psicólogos, então o estudante de Psicologia deve ser conhecedor do assunto. Origem dos testes ● Dubois (1966): - Império Chinês: exames para serviço civil (avaliação de educação); - Grécia Antiga: auxiliam o processo educacional; - Idade Média: exames para conferir títulos e honrarias nas universidades; ● Instituições especializadas no tratamento de “débeis mentais” (termo pejorativo) surgem nos EUA e na Europa = gera a necessidade de um critério uniforme para identificação e classificação destes casos - Débeis Mentais: deficiência intelectual existente desde o nascimento até a 1ª infância; - Doentes Mentais: perturbações emocionais acompanhadas ou não por degeneração do nível intelectual, inicialmente normal (raro não identificar uma doença de modo precoce) O início - Preocupação dos psicólogos experimentais = obter descrições generalizadas do comportamento humano (importante padronização dos testes psicológicos - regras sem modificação). - Preocupação psicopedagógica e psiquiátrica = tratamento mais humano de doentes mentais. - A unificação das duas é chamada de Psicometria Clássica, apesar de o enfoque ser, inicialmente, empirista. ● Esquirol: primeiro a escrever sobre debilidade mental e seus graus, ou seja, a gravidade em deficiências (Critério=uso da linguagem. Hoje sabe-se que não é só a aptidão verbal que deve ser levada em conta, mas também as não-verbais). ● Seguin: educação de “débeis mentais” (acreditava ser possível a cura de patologias psicológicas, apesar de hoje em dia sabemos que isso não é possível). Criou o “método fisiológico” = exercícios intensivos de discriminalçao sensorial e desenvolvimento de controle motor. ● Galton: interessado na hereditariedade humana (graus de semelhança e diferenças entre mais e filhos). Criou um Laboratório Antropométrico, que focava na medição de Os testes nos ajudam a enxergar o que não é visto a olho nu. certos traços físicos e tempo de medição de funções cognitivas e sensório-motoras simples. ● Cattell: desenvolveu a aplicação de testes psicológicos (deu esse nome a eles). Primeiro a utilizar a expressão “doença mental”. Desenvolveusuas medidas em diferenças individuais como força muscular, velocidade, sensibilidade, acuidade visual e auditiva, tempo de reação, etc. ● Binet: aplicou a ideia de Galton de medir habilidades intelectuais. - Binet & Simon: aptidão mental se manifesta de diversas maneiras (teste de idade mental) = questões com variadas soluções de problemas (de raciocínio, compreensão e julgamento) Testes de personalidade Enfoque nos aspectos afetivos e não-intelectuais dos comportamentos. A personalidade não entra na parte cognitiva, mas sim na parte afetiva de uma pessoa. Focam nas medidas emocionais, relacionais, motivacionais, de interesses e atitudes do indivíduo. Personalidade: técnicas projetivas ● Métodos psicológicos que buscam aspectos inconscientes da mente de uma pessoa, utilizando de estímulos para interpretarem e revelarem emoções, pensamentos e motivações. Focam na personalidade como um todo. ● São técnicas usadas para avaliação psicológica, diagnóstico e pesquisa. ● Exemplos: - Interpretação de manchas de tinta ou de figuras; - Técnicas gráficas; - Teste de imaginação, de completar sentenças ou de associação livre; - Organização de brinquedos em cena; - Disposição de fotografias. Teoria da Medida Teoria da Medida e Psicologia Na psicologia, refere-se ao processo de quantificar e medir características psicológicas, desenvolvendo instrumentos de medidas (questionários e escalas) para avaliar essas características de modo confiável, preciso e consistente. ● Testes psicológicos: amostras escolhidas com cuidado de comportamentos (medida de processos psicológicos - importante a interpretação do psicólogo. - Seguem um padrão pré-estabelecido. - Para uma maior precisão, colocamos os resultados em números ao invés de linguagem. - Quem diz as regras não é a matemática, mas sim a ciência. Ciência X Matemática ● Ciência (empírica): lida com fenômenos naturais, utilizando como método a observação e o controle (testes), podendo chegar a certezas relativas (depende). ● Matemática: Lida com símbolos numéricos, utilizando como método a dedução, utilizando como verdades os teoremas (se tudo está correto), e pode chegar a certezas absolutas (1+1 é sempre 2). Axiomas da medida (IMPORTANTE= professor disse que pode cair na prova essa parte). ● Um axioma é uma verdade dentre as teorias, ou seja, algo que não necessita de provas, pois há consenso sobre essa verdade (por conta da consistência do argumento). = Algo considerado como óbvio. ● Todas as teorias tem um axioma. ● Mostram os tipos de variáveis que trabalharemos. ● Axiomas básicos da medida: - Identidade: um objeto tem a medida de si mesmo, e diferente de outros que não estejam relacionados. EX: Uma maçã é igual a ela mesma, mas é diferente de uma banana (reflexividade). Já, se uma maçã vermelha é igual uma verde, uma maçã verde é igual a uma vermelha (simetria). Por último, se uma maçã vermelha é igual a uma verde, e a maçã verde é igual a amarela, logo a vermelha e a amarela são iguais (transitividade). - Ordem: afirma que é possível comparar as medidas de diferentes objetos para determinar qual é o maior, igual, ou menor. EX: se 1 é menor que 2, então eles são diferentes (assimetria). Se 1 é menor que 2, e 2 é menor que 3, logo 1 é menor que 3 (transitividade). Por último, se 1 é menor que 2, 2 é maior que 1, um não pode tomar o lugar do outro (conectividade). - Aditividade: a medida de um conjunto de objetos é igual à soma das medidas individuais desses objetos. EX: Se eu colocar duas pessoas e colocarmos mais outras duas, o total das somas das medidas é de 4 pessoas. Escalas de Medida (Tipos de escala) ● Nominal: - Características definidoras = números ao invés de palavras; - Propriedades dos números = identidade - Exemplos: nº de inscrição do INSS ou de camisas de futebol, para sexo, idade, matrícula. ● Ordinal: - Características definidoras = números para ordenar uma série hierárquica, com variedade intervalar entre eles. - Propriedades dos números = identidade + ordem de classificação. - Exemplos: ranking de atletas, escore em percentual (listas de classificação em geral), resultados de testes (ex: qi); ● Intervalar: - Características definidoras = intervalos iguais entre as unidades, sem 0 verdadeiro (se algo se encaixa num intervalo) - Propriedades dos números = identidade + ordem de classificação + igualdade de números - Exemplos: calendário, temperatura ● Racional: - Características definidoras = zero verdadeiro, verificando a distância entre o 0 e o término da medida (podem ser números quebrados) - Propriedades dos números = identidade + ordem de classificação + igualdade de números + aditividade - Exemplos: medidas de comprimento, períodos de tempo, acertos em testes Teorias da Medida & Ciências Psicossociais ● Teoria dos jogos (probabilidade): estuda situações estratégicas para ver a probabilidade objetiva de ganhos e perdas de acordo com escolhas feitas por sujeitos e suas preferências (quando 2 ou mais agentes de decisão interagem entre si) = utilidade da escolha. ● Teoria psicofísica (estímulo e resposta): captação de estímulos (através dos sentidos) geram uma resposta (Skinner) ● Teoria psicométrica: trata da medida de características psicológicas ou de traços ocultos, através de comportamentos verbais ou motores. Considera a resposta (comportamento) do sujeito, e o critério (comportamento futuro para a TCT, e traços ocultos, como habilidades e aptidões para o TRI) O problema do erro Os números nas medidas de testes psicológicos admitem uma margem de erro (variáveis). Além disso, podem ocorrer outros erros na hora da observação, como: - Instrumental (o instrumento pode ser inadequado à avaliação) - Pessoal (as pessoas podem reagir de diversas maneiras) - Sistemático (algo não foi levado em consideração) - Aleatório (causa desconhecida) Estatística aplicada à testagem Estatística Psicometria: Atividade científica que estuda o comportamento humano através de dispositivos ou regras para atribuir números a objetos ou eventos. ● Status científico: análise, categorização e quantificação sistemática de fenômenos observáveis para que possam ser facilmente confirmados e analisados de forma objetiva. Estatística Descritiva ● Descreve características de um conjuntos de dados (Ex: da população de interesse) ● Coleta, organização e apresenta os dados a serem observados; ● Os números são utilizados para descrever, caracterizar e/ou representar dados, através de tabelas, gráficos e medidas; ● Em vez de fazer inferências sobre uma população com base em amostras, como na estatística inferencial, a estatística descritiva concentra-se na análise e interpretação dos próprios dados para entender sua natureza e padrões; ● Exemplos de técnicas: Média, mediana, moda, desvio padrão, histogramas, gráficos de barras, tabelas de frequência. Estatística Inferencial ● Teoria de probabilidades/hipóteses; ● Números/gráficos utilizados para estimar valores populacionais (baseados em valores de amostras) ou para testar hipóteses; ● Dados analisados para tomar uma decisão (compreender uma população, tirar conclusões dela através de amostras); ○ População: conjunto de elementos que possuem ao menos uma característica comum observável; ○ Amostra: parte da população que será avaliada por um critério comum. ● Enquanto a estatística descritiva resume os dados observados, a estatística inferencial extrapola, usando amostras para inferir sobre toda a população de onde a amostra foi retirada. Em resumo, a descritiva descreve, enquanto a inferencial generaliza; ● Exemplos de técnicas: Testes de hipóteses, intervalos de confiança, regressão, análise de variância Mensuração e Psicologia ● Os dados brutos, para terem utilidade, precisam de uma análise por parte de quem os utiliza (trabalhar a interpretação); ● Na Psicologia, a maioria das escalas são de natureza ordinal (níveis hierárquicos). No entanto, a sua igualdade nunca é tão precisa quanto nas ciências físicas;● Visualização: gráficos ou tabelas. Ex: idade Dados Brutos Medidas da tendência central ● Média aritmética: tem como objetivo dar uma idéia das características de determinado grupo de números. Também chamada de média, é a soma de todos os valores dividida pelo número de casos. Exemplo: Ma: 7 + 10 + 20 + 14 + 20 = 61/5 = Ma=12,2 10 20 14 7 10 ● Moda: valor mais frequente de um grupo, o que mais se repete (valor de tendência central). Pode se ter várias modas, desde que elas se repitam várias vezes. Ex: 10, 20, 7, 10, 14 Mo = 10 ● Quando não há repetição de números, não há moda. Exemplo: 9, 5, 7 (Mo = x) ● Mediana: valor que divide em 2 metades os dados quando dispostos em ordem crescente. ○ Dados ímpares: valor do meio. Ex: 2, 8, 13 (Me = 8); ○ Dados pares: média dos dois valores do meio. Ex: 7, 10, 10, 14, 20, 22 10+14 /2 (Me = 12); Medidas de variabilidade ● Variança: diferença entre cada dado e a média ao quadrado; mede o quanto a distribuição está dispersa em relação à média. É extremamente útil para classificar fatores e identificar diferenças individuais em testes. 1º) calcular a média dos dados; 2º) subtrair a média de cada observação; 3º) elevar ao quadrado cada um dos resultados das subtrações; 4º) somar todos os quadrados calculados no passo 3; 5º) dividir o resultado da soma pelo total de observações. Soma dos quadrados (SQ) = 100,8 | 100,8 /5 = 20,16 ● Desvio padrão (ou DP): é a raiz quadrada da variância. Proporciona um único valor que é representativo das diferenças individuais (ou desvios) num conjunto de dados, já que são calculados a partir de um ponto de referência comum (Ex: média). Exemplo: = 4,4820, 16 ○ Quanto mais amplas forem as diferenças individuais, maior será o DP; ○ Permite, mesmo com diferenças, estar dentro do padrão esperado (acima ou abaixo da média). Pode-se verificar quantas tentativas a pessoa tenta fazer até chegar na média, por exemplo. Modelo da curva normal Curva normal ou curva do “sino” (mesocúrtica): Baseada na teoria da probabilidade, mas muitas vezes se aproxima da realidade. Tornou-se importante na estatística inferencial, podendo ser usada para estimar parâmetros populacionais e para testar hipóteses a respeito de diferenças. RESULTADO MÉDIA DIFERENÇA AO QUADRADO 7 12,2 27,02 10 12,2 4,84 10 12,2 4,84 14 12,2 3,24 20 12,2 60,84 Exercício Encontre a média, moda, mediana, variância e o desvio padrão dos dados abaixo: Ordenar em ordem crescente: 10, 12, 16, 17, 20 Média: 75 / 5 = 15 Moda: x Mediana: 16 Variância: 64 / 5 = 12,8 Desvio padrão: = 3,5712, 8 Teoria da Resposta ao Item (TRI) Teoria Psicométrica Trata-se da medida de construtos psicológicos através de comportamentos verbais ou motores. Ela considera as respostas (comportamentos) dos sujeitos como representações desses traços, baseando-se em critérios teóricos para interpretação. Teoria Clássica dos Testes (TCT): o critério é o comportamento futuro, medindo um comportamento agora que possa ser validado no futuro (dados brutos); Teoria da Resposta ao Item (TRI): tem interesse em avaliar traços latentes como habilidades e aptidões, onde os indivíduos mais habilidosos têm maior probabilidade de responder corretamente ao item. Desenvolvimento Histórico da TRI Baseada na Teoria da Estrutura ou Teoria do Traço Latente, com maior desenvolvimento após a década de 1980 (sua análise dependia de recursos de informática sofisticados). No Brasil, há ainda uma escassez de trabalhos desenvolvidos com a TRI, mas essa abordagem é apontada como a tendência na Psicometria Moderna. Pressupostos da TRI ● A pontuação que um sujeito alcança em um item (teste) depende diretamente do nível/grau de habilidade que o sujeito possui; ● Desempenho: efeito | Traço latente: causa; ● A resposta a um item (que investiga um determinado traço latente), apresenta um tipo de gráfico (com função crescente), que representa a Curva Característica do Item (ou função característica do item). Sujeitos com aptidão maior terão maior probabilidade de acerto do que sujeitos com aptidão menor. Etapas de elaboração de instrumento na TRI: procedimentos técnicos ● Estabelecimento do sistema ou variável (traço latente): define-se claramente o traço psicológico que está sendo medido; ● Desenvolvimento da teoria psicológica subjacente ao traço: explora-se a teoria psicológica que fundamenta o traço em questão; ● Operacionalização do traço através da elaboração dos comportamentos que o representam para a elaboração de itens: identifica-se comportamentos específicos que representam o traço para criar os itens do teste; ● Análise teórica dos itens: considera-se a clareza, relevância e sensibilidade dos itens em relação ao traço psicológico. Fidedignidade ● Se o teste pode ou não ser utilizado (se é confiável ou não). Verificação feita através de uma amostra que sofre uma análise, envolvendo a estabilidade do tempo e a consistência dos resultados (teste precisa ser livre de erros); ● Caso o teste foi inconsistente ou impreciso, teremos: ○ Erro de mensuração: qualquer variação nos escores causada por fatores irrelevantes àquilo que está sendo medido; ○ Escores de testes psicológicos são particularmente suscetíveis a influências diversas: características do testando (quem é avaliado), do examinador e do contexto de aplicação, comprometendo sua validade. Coeficiente de fidedignidade A avaliação da fidedignidade de um escore envolve: ● Determinação de possíveis fontes de erros; ● Estimativa da magnitude desses erros (afetou muito ou pouco o resultado?); ● Os erros podem ser do avaliador, do avaliado, do ambiente de testagem ou mesmo do teste em si. Fidedignidade do avaliador Mesmo com instruções claras e critérios de avaliação estabelecidos, diferenças entre avaliadores podem surgir devido à subjetividade individual. A fidedignidade do avaliador pode ser avaliada comparando-se os resultados obtidos quando o mesmo teste é aplicado por 2 avaliadores diferentes. Teste-reteste ● Reaplicação do mesmo teste no mesmo sujeito/grupo (condições de aplicação iguais); ● Os resultados devem ter escores equivalentes, tanto em momentos diferentes como com examinadores diferentes (a tendência é que não tenham mudanças); ● Intervalo: importante escolher o intervalo entre os testes de forma cuidadosa para garantir que os resultados não sejam distorcidos (intervalo balanceado entre tempo, nem muito longo nem muito curto); ○ Efeito memória: caso intervalo seja muito curto, participantes podem lembrar das respostas anteriores, influenciando nos resultados; ○ Mudanças no sujeito ou no que se avalia: caso o intervalo for muito longo, mudanças podem ocorrer no sujeito ou no que é avaliado, podendo afetar os resultados. Erro de amostragem de tempo ● Os escores podem variar dependendo do momento em que foram obtidos; ● Alguns constructos ou comportamentos podem ser estáveis ao longo do tempo, causando ± diferenças; ● Podem existir diferenças entre: ○ Traço: características relativamente duradouras; ○ Estado: condições temporárias; ○ Funções cognitivas cristalizadas (abstração); ○ Fluídas (atenção, memória) Validade ● Antes de um teste ser considerado apto à aplicação, deve ser validado (verificar se ele mede aquilo que se propõe e através de quais conceitos); ● Deve-se compilar todas as informações disponíveis: teórica, conceitual, externa e interna; ● S. Messick: a validade é uma avaliação que integra o quanto as evidências empíricas e a base teórica sustentama adequação e a relevância das conclusões e decisões baseadas nos resultados de um teste ou de outras formas de avaliação. Validade de conteúdo (cai na prova) ● O conteúdo dos itens de um teste deve abranger amplamente os objetivos principais da avaliação; ● Validade de conteúdo: garante que os itens de um teste representem de forma precisa o que se pretende avaliar. Especialistas na área revisam os itens para garantir sua adequação e representatividade em relação aos objetivos da avaliação. É o corpo da pergunta, o que ela quer investigar; ● Validade de face: o item deve ser apresentado em linguagem concordante à amostra. Também são examinados por experts. É a pergunta em si. ○ Objetivo do teste: execução de aritmética no ensino fundamental. ○ Pergunta que o teste deve responder: quanto R. aprendeu no passado? Validade de critério ● Avalia a eficácia de um teste em prever comportamentos presentes ou futuros, servindo como uma medida direta e independente do que o teste pretende prever. ● Validade concorrente: mede a habilidade do teste em descrever um critério presente; ○ Objetivo do teste: diagnóstico de lesão cerebral. ○ Pergunta que o teste deve responder: F. pertence ao grupo normal ou com lesão cerebral? ● Validade preditiva: avalia a capacidade do teste prever um critério futuro; ○ Objetivo do teste: aptidão para predizer o desempenho em matemática no ensino médio. ○ Pergunta que o teste deve responder: quão bem J. aprenderá no futuro? Validade de constructo (conceito) ● Validade teórica (e não empírica): verificação do quanto o teste mede um conceito teórico ou traço (ex: ansiedade/depressão); ● Requer a coleta gradual de informações de diversas fontes, como especialistas, literatura e correlação com outros testes. Pode ser estabelecida correlacionando subtestes ou itens específicos do teste com o constructo geral medido, como correlacionar perguntas com traços de personalidade para medir ansiedade. ○ Objetivo do teste: medida de ansiedade. ○ Pergunta que o teste deve responder: como descrever o comportamento psicológico de A? Qualidade dos testes psicológicos ● Um teste é qualificado/válido para ser usado quando consegue diferenciar os sujeitos em relação a um quadro clínico (com ou sem a doença). ● Um teste deve atender os seguintes critérios ○ Sensibilidade: todos que tem a patologia devem ser detectados (produção de resultados positivos), o que chamamos de “verdadeiros-positivos”; ○ Especificidade: detectam portadores de uma doença específica (produção de resultados negativos sem a doença em questão). Valor preditivo ou diagnóstico ● A validade do teste depende de quanto ele indica uma área ampla e significativa de comportamento; ● É necessário demonstrar correspondência empírica entre os itens do teste e o comportamento avaliado; ● Observa-se a verificação das habilidades necessárias, como facilidade e aptidão. ○ O teste não dá diagnóstico, mas aponta sintomas. Normatização e padronização Padronização A padronização garante uniformidade na aplicação, pontuação e análise de um teste. Isso inclui: ● Usar as mesmas instruções orais (mesmo tom de voz, expressões faciais); ● Materiais idênticos; ● Tempos iguais; ● Exemplos claros ● Manejo das perguntas do testando (especificar quando e como o testando deve responder às perguntas); ● Inquérito (saber quando fazer a pergunta ao testando). Normatização ● Amostra de normatização: O teste é aplicado a uma amostra grande e representativa do público-alvo. Os resultados obtidos estabelecem a norma; ● Norma: estabelece o desempenho típico ou médio (M) da amostra, indicando as variações em torno dessa média com desvio padrão (para cima e para baixo), determinando a posição do indivíduo em relação à amostra normativa. Apresenta os dados usando medidas estatísticas (média e padrão); Normas ● Testagem referenciada em normas: objetiva distinguir indivíduos em termos de capacidade ou traço avaliado, comparando os resultados (entre indivíduos) com uma amostra normativa ou de padronização. Exemplo: teste de QI; ● Testagem referenciada em critérios: objetiva avaliar o grau de competência de uma habilidade ou conhecimento, avaliando os resultados em relação a um padrão estabelecido. Exemplo: avaliação de desempenho. Ex: exames escolares. Escores derivados ● Indicam a posição dos escores em relação à média do grupo, expressando normas intragrupo; ● Medem a distância entre um escore bruto e a média do grupo (Desvio padrão), indicando a posição relativa em relação ao grupo de referência; ● Facilitam a compreensão e são aplicáveis à maioria dos testes e populações; ● O tipo mais básico de escore padrão é o z. Normas padronizadas Os resultados brutos (RB) de cada grupo são padronizados para terem uma média centrada no valor médio do grupo e uma variância específica.