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POLO ABAETETUBA 
CURSO DE GRAFUAÇÃO EM ENFERMAGEM 
 
EDILEUSA ROSA TRINDADE COSTA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
HOLOCAUSTO BRASILEIRO. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ABAETETUBA- PA 
2025 
 
EDILEUSA ROSA TRINDADE COSTA 
 
 
 
 
HOLOCAUSTO BRASILEIRO. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ABAETETUBA- PA 
2025 
Resenha crítica apresentada como requisito 
parcial para obtenção de nota na disciplina 
Enfermagem Integrada, do Curso de 
Graduação de Enfermagem, da 
Universidade Paulista- Polo Abaetetuba. 
Docente: Tatiane Tavares. 
 Resenha Crítica: Holocausto Brasileiro 
 O documentário Holocausto Brasileiro, baseado na obra de Daniela Arbex, expõe uma 
das páginas mais cruéis da história da saúde mental no Brasil. O filme revela os horrores vividos 
por pacientes do Hospital Colônia de Barbacena, em Minas Gerais, onde milhares de pessoas 
foram submetidas a maus-tratos, fome e abandono. A obra cinematográfica se destaca pela 
abordagem sensível e investigativa, trazendo à tona uma tragédia humana que durante décadas 
foi silenciada, resgatando esses acontecimentos e revelando como a sociedade da época tratava 
os indivíduos diagnosticados com transtornos mentais, os quais, muitas vezes, nem possuíam 
doença alguma, mas eram considerados incômodos para suas famílias e para o sistema social. 
 Durante grande parte do século XX, o tratamento psiquiátrico no Brasil era marcado 
pela exclusão social e pela institucionalização forçada. Pessoas diagnosticadas com transtornos 
mentais eram segregadas em hospitais psiquiátricos, onde eram submetidas a terapias 
agressivas e negligência. O preconceito e o medo em relação às doenças mentais levaram a 
sociedade a aceitar esse sistema brutal como uma solução viável, transformando o hospital em 
um verdadeiro campo de concentração para aqueles que eram considerados indesejáveis, nesse 
contexto, pessoas de diferentes perfis como mulheres consideradas rebeldes, alcoólatras, 
epilépticos e até mesmo desafetos políticos, eram enviadas para o hospital sem qualquer 
avaliação criteriosa. 
 Os internos do Hospital Colônia eram tratados de forma cruel e degradante. Privados de 
identidade, direitos e dignidade, muitos eram mantidos nus, dormiam ao relento e passavam 
fome. O manicômio se tornou um campo de extermínio, onde a morte era comum devido às 
péssimas condições de vida e ao abuso sistemático. A sociedade, por sua vez, via essas pessoas 
com indiferença ou medo, reforçando o estigma da doença mental como uma "ameaça" que 
precisava ser isolada. 
 A exposição dessas atrocidades teve um impacto significativo na reforma psiquiátrica 
brasileira. Com a divulgação dos horrores ocorridos em Barbacena, a sociedade passou a 
questionar a eficiência e a humanidade dos manicômios, impulsionando mudanças legislativas 
que culminaram na Lei nº 10.216/2001. Essa lei promoveu uma transformação no modelo de 
assistência, priorizando o tratamento humanizado e a reinserção social dos pacientes, 
substituindo gradualmente os hospitais psiquiátricos por Centros de Atenção Psicossocial 
(CAPS), que oferecem atendimento multidisciplinar e mais digno. 
 Dentro desse cenário desolador, a história de Gabriel se destaca como uma das mais 
impactantes. Ainda jovem, ele foi internado apenas por ser considerado "diferente" por sua 
família. No Hospital Colônia, foi privado de qualquer dignidade, submetido a abusos e a 
tratamentos violentos que o levaram à degradação completa de sua identidade. O sofrimento de 
Gabriel representa o destino de milhares de indivíduos que tiveram suas vidas roubadas pelo 
sistema manicomial, sendo condenados ao esquecimento sem qualquer chance de defesa ou 
recuperação. 
 Outro aspecto essencial abordado pelo documentário é o papel da enfermagem dentro 
do hospital. Muitos enfermeiros, sem formação adequada e submetidos a um sistema 
desumanizado, acabavam replicando as violências e negligências institucionais. No entanto, há 
relatos de profissionais que, mesmo em meio ao caos, tentavam oferecer cuidado e compaixão 
aos pacientes, demonstrando que, mesmo nos cenários mais sombrios, a empatia ainda 
encontrava espaço para resistir, onde a realidade retratada no documentário evidencia a 
urgência de melhorias na formação e na atuação da enfermagem psiquiátrica. 
 O documentário Holocausto Brasileiro é uma obra necessária para compreender os erros 
do passado e refletir sobre a importância da humanização da saúde mental no Brasil. Ao trazer 
à tona uma história de dor e injustiça, o filme se torna um instrumento fundamental para a 
conscientização e para o fortalecimento de políticas que garantam tratamento digno e respeitoso 
aos pacientes psiquiátricos. O horror vivido no Hospital Colônia de Barbacena não pode ser 
esquecido, pois sua memória serve como alerta para que atrocidades semelhantes jamais se 
repitam. 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIA 
 
VENÂNCIO, Daniela Arbex. Holocausto Brasileiro: Vida, Genocídio e 60 Mil Mortes no 
Maior Hospício do Brasil. São Paulo: Geração Editorial, 2013.

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