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POLO ABAETETUBA 
CURSO DE GRAFUAÇÃO EM ENFERMAGEM 
 
MARILENE RIBEIRO PEREIRA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
HOLOCAUSTO BRASILEIRO. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ABAETETUBA- PA 
2025 
 
MARILENE RIBEIRO PEREIRA 
 
 
 
 
 
HOLOCAUSTO BRASILEIRO. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ABAETETUBA- PA 
2025 
Resenha crítica apresentada como requisito 
parcial para obtenção de nota na disciplina 
Enfermagem Integrada, do Curso de 
Graduação de Enfermagem, da 
Universidade Paulista- Polo Abaetetuba. 
Docente: Tatiane Tavares. 
 O filme Holocausto Brasileiro é uma adaptação do livro homônimo de Daniela Arbex, 
que retrata a realidade do Hospital Colônia de Barbacena, localizado em Minas Gerais. A 
produção expõe as condições desumanas e os maus-tratos sofridos pelos internos, revelando 
um dos episódios mais sombrios da história da saúde mental no Brasil. A resenha a seguir 
analisa criticamente essa obra cinematográfica, discutindo sua relevância histórica, impacto 
social e as mudanças que provocou na assistência à saúde mental no país. 
 O Hospital Colônia de Barbacena foi fundado em 1903 com o propósito de abrigar 
pessoas com transtornos mentais. No entanto, tornou-se um espaço de exclusão social, onde 
indivíduos considerados "indesejáveis" eram internados sem critérios adequados. Entre e les 
estavam não apenas doentes mentais, mas também mendigos, epiléticos, alcoólatras, mulheres 
adúlteras e outros indivíduos marginalizados pela sociedade. 
 A sociedade da época via as pessoas com transtornos mentais com estigma e 
preconceito, tratando-as como ameaças ou fardos para suas famílias. No Hospital Colônia, os 
internos eram submetidos a condições sub-humanas: sem higiene, sem alimentação adequada e 
muitas vezes sem atendimento médico. Muitos morriam de fome, frio ou doenas facilmente 
tratáveis. Os relatos de abuso físico e psicológico são estarrecedores, demonstrando a 
negligência e a brutalidade da instituição. 
 A divulgação dos horrores ocorridos no Hospital Colônia teve um papel fundamental na 
reforma psiquiátrica brasileira. O movimento pela desinstitucionalização ganhou força, 
resultando na promulgação da Lei nº 10.216/2001, que redirecionou o modelo assistencial para 
um cuidado mais humanizado e comunitário. Surgiram os Centros de Atenção Psicossocial 
(CAPS), que oferecem suporte terapêutico e reintegração social para pessoas com transtornos 
mentais, promovendo o respeito à dignidade e aos direitos humanos. 
 
 Dentre os diversos personagens apresentados na obra, um dos casos mais impactantes é 
o de Cida, uma jovem que foi internada sem apresentar problemas psiquiátricos. Sua história 
simboliza a tragédia de milhares de pessoas que tiveram suas vidas roubadas pelo sistema 
manicomial. Privada de identidade, afeto e liberdade, Cida sofreu abusos e degradação até 
perder completamente sua identidade. Seu sofrimento reflete o descaso e a crueldade imposta 
a muitos internos, tornando sua história um emblema da luta por justiça e mudança no 
tratamento da saúde mental. 
 A enfermagem no Hospital Colônia era marcada por uma postura desumanizada e 
punitiva. Muitos profissionais, sem a devida formação e preparo, reproduziam os maus-tratos 
impostos pela instituição. No entanto, há registros de enfermeiros que tentavam, dentro de suas 
limitações, oferecer algum cuidado e compaixão aos internos. A ausência de uma prática 
assistencial humanizada evidencia a necessidade de mudanças estruturais e éticas na 
enfermagem psiquiátrica. 
 O filme Holocausto Brasileiro é um retrato impactante de uma realidade cruel que 
marcou a história da saúde mental no Brasil. Sua exposição contribuiu para a conscientização 
sobre a importância dos direitos humanos e da assistência digna aos pacientes psiquiátricos. A 
tragédia do Hospital Colônia serviu como catalisador para mudanças no sistema de saúde 
mental do país, reforçando a necessidade de um modelo mais humanizado e inclusivo. Assim, 
a obra não apenas resgata um passado de dor e sofrimento, mas também reforça a importância 
da luta por justiça e respeito na assistência à saúde mental. 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIA 
 
VENÂNCIO, Daniela Arbex. Holocausto Brasileiro: Vida, Genocídio e 60 Mil Mortes no 
Maior Hospício do Brasil. São Paulo: Geração Editorial, 2013.

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