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GESTÃO DE PROCESSOS E PROJETOS AULA 5 Prof.ª Manon Garcia 2 CONVERSA INICIAL Gary Hamel é um consultor americano especialista em gestão estratégica de negócios. Trata-se de um dos pensadores de estratégias de negócios mais influentes do mundo. Durante uma entrevista a ExpoManagement de 2010, ele afirmou: “Existimos e competimos no século XXI, mas continuamos utilizando práticas de gestão do século XX”. As organizações foram moldadas, ao longo de sua existência, para que sobrevivessem da melhor forma, mas o cenário atual não é mais o mesmo. Vivemos uma turbulência econômica causada por transformações históricas em curso, pelas incertezas de um cenário mundial pós pandemia de COVID-19. Vivemos um novo normal, com guerra, demissões, aumento da pobreza, inflação, alta de juros, queda do consumo, aumento da concorrência de mercado, com clientes mais exigentes. As empresas precisam, mais do que sobreviver, disputar um espaço e assegurar a sua permanência, em um ambiente competitivo onde não há espaço para todos. Nesta etapa, vamos conhecer metodologias, ferramentas e técnicas para a gestão de processos. Nesse âmbito, encontramos ferramentas simples e também sofisticadas, com ou sem o uso de tecnologia de informação. Assim, cada empresa poderá empregar a tecnologia que melhor se adequar com suas premissas, recursos, estrutura, necessidades, cenário, negócio e orçamento. A escolha da metodologia de gestão de processos depende da necessidade e das especificidades de cada organização. Algumas não demandam o uso de tecnologia em software (programa) ou equipamentos, de modo que podem ser realizadas manualmente pela equipe ou pelo gestor do processo. CONTEXTUALIZANDO O sistema de gestão da qualidade é formado por processos padronizados e auditados constantemente. Assim, para obter informações que servem de base para a implementação desse sistema, é preciso realizar o mapeamento dos processos da empresa. Nesse sentido, o termo processo pode ser definido como um conjunto de atividades inter-relacionadas que transformam insumos ou entradas em produtos ou saídas. Desse modo, os processos devem ser 3 planejados e realizados sob condições controladas, para possibilitar que a empresa alcance os seus objetivos estratégicos (Lobo; Silva, 2014). A partir das informações apresentadas, avalie as seguintes afirmações: I. O procedimento operacional padrão é uma descrição das atividades a serem realizadas para que um processo seja executado. II. O fluxograma, que é uma representação gráfica dos processos, permite visualizar as entradas, as etapas de processamento, as saídas, os fluxos de informações e os documentos que compõem o processo. III. O PDCA consiste em uma sequência de passos para o controle e a melhoria dos processos e para definir diretrizes para a condução de projetos. Assinale a alternativa correta: a) Apenas a afirmativa I b) Apenas as afirmativas II e III c) Apenas a afirmativa I e III d) Apenas as afirmativas I e II e) Apenas a afirmativa III *A resposta está após as Referências. TEMA 1 – PROCESSOS COMO ESTRATÉGIA DE NEGÓCIOS A gestão por processos surge com Adam Smith, no século XVII, em sua obra “A Riqueza das Nações”, que trata da economia política e do crescimento econômico. Smith buscava entender como melhorar a eficiência produtiva das empresas para gerar maior ganho de lucros e maior criação de riqueza. Em seus estudos, verificou que, em uma fábrica de alfinetes, um trabalhador sozinho consegue produzir sozinho 20 unidades de alfinetes por dia. Porém, se o processo produtivo fosse realizado por 10 trabalhadores, dividindo as atividades de produção do alfinete de forma integrada entre todos, a produção aumentaria para até 4.800 alfinetes por dia, em média. Com isso, concluiu que: para aumentar a eficiência produtiva, é preciso separar os processos produtivos em partes menores, para que cada trabalhador realize apenas poucas tarefas, que por sua vez devem ser integradas com as demais tarefas dos demais trabalhadores, o que forma uma esteira, uma linha de produção em que, quanto 4 menor o tempo de produção, maior a produtividade e consequentemente maior o lucro (Smith, 2017). O aumento de produtividade, segundo Smith (2017), se justifica pelas seguintes constatações: a concentração em apenas uma atividade aumenta a habilidade de realização, que por sua vez leva ao aperfeiçoamento (destreza) do trabalhador; o tempo para a realização das atividades produtivas reduz quando não há necessidade de mudanças de atividade e de local de execução da atividade; a repetição de um mesmo processo produtivo cria uma mecanização do processo produtivo, assim como ocorre quando utilizamos uma máquina de produção. Mais tarde, no século XIX, Frederick Taylor deu continuidade à gestão por processos de Smith, o que ele chamava de administração por tarefas. Nos estudos de Taylor sobre a administração científica, o tempo e o movimento nos processos de produção, cada tarefa é um processo; quanto maior o tempo gasto pelo trabalhador para realizar uma atividade, menor é a sua produtividade. Por esse motivo, é necessário que as tarefas e atividades dos trabalhadores sejam planejadas, divididas e executadas de forma integrada entre a equipe (Taylor, 2020). Segundo Taylor (2020), para um adequado planejamento e desenvolvimento das atividades de cada trabalhador, é preciso considerar: o aperfeiçoamento e a padronização de todas as ferramentas e condições de trabalho; a seleção e o treinamento dos trabalhadores, eliminando aqueles que não se sujeitam ao método de trabalho designado; a constante capacitação, colaboração e monitoramento das atividades dos trabalhadores; e a divisão equitativa do trabalho e da responsabilidade entre o trabalhador e a direção, dividindo a responsabilidade no desempenho das tarefas e atividades diárias, considerando a utilização dos instrumentos, a velocidade e a cooperação. A Teoria Clássica da Administração de Fayol traz para a administração o planejamento e o desenvolvimento dos processos de produção. Nesse contexto, a divisão do trabalho do processo inteiro acontece de forma integrada entre os trabalhadores, com reflexo no aumento da produtividade e, consequentemente, da qualidade das atividades de cada trabalhador, o que por sua vez acarreta melhoria da eficiência produtiva e dos resultados dos negócios da empresa. Desde então, a eficiência faz parte dos processos de negócio como um diferencial competitivo. Por conta da evolução dos mercados e da 5 competitividade, a eficiência não é mais um diferencial para as empresas, mas sim uma premissa de gestão aplicada em todas as suas atividades; não há espaço para processos ineficientes ou soluções alternativas, sob o risco de que seus negócios sejam prejudicados, em todos os sentidos. É preciso conhecer os processos, identificar as necessidades e implantar melhorias eficientes. A evolução do movimento pela qualidade motivou empresas brasileiras em certificações de gestão de qualidade. Os Sistemas de Gestão da Qualidade ISO 9001 são um dos principais fatores que alavancou a implementação do gerenciamento de processos de negócios nas organizações, pois padronizam a melhoria da organização interna dos processos, acarretando maior eficiência produtiva. Os avanços tecnológicos contribuíram para que as organizações estabelecessem processos de negócio mais eficientes, reduzindo desperdícios, aumentando a produtividade e, consequentemente, reduzindo custos. Um processo de negócio é um trabalho que entrega valor para os clientes ou apoia outros processos. Esse trabalho pode ser ponta a ponta, interfuncional e até mesmo interorganizacional. A noção de trabalho ponta a ponta interfuncional é chave, pois envolve todo o trabalho, cruzando limites funcionaisnecessários para entregar valor para os clientes. (Brocke; Roseman, 2013, p. 35) Uma empresa se torna competitiva no mercado quando desenvolve o seu processo de negócio como um diferencial entre os benefícios percebidos pelo seu cliente, ganhando credibilidade e principalmente rentabilidade. Segundo Porter (1989, p. 3), a “vantagem competitiva acontece quando uma empresa consegue criar uma capacidade ou valor superior, que a diferencia das demais, para seus clientes”. Para criar vantagem competitiva, Porter (1989) afirmava que era necessário gerenciar os processos organizacionais, formando uma cadeia de valor, ou seja, gerenciando, de forma interligada, todas as atividades de uma empresa que geram uma percepção positiva por parte dos clientes a respeito dos produtos/serviços (valor) de uma organização. Note que o importante para qualquer empresa é manter-se competitiva no mercado, de modo que seus processos estejam alinhados com os objetivos estratégicos do negócio, contribuindo assim com a inovação e a transformação continuada do negócio e, consequentemente, com melhoras na cadeia de valor interorganizacional (Brocke; Rosemann, 2013). 6 Desse modo, afirmamos que a forma como as empresas organizam os seus processos está relacionada diretamente com a sua vantagem competitiva. A cadeia de valor que uma empresa consegue desenvolver para seus clientes e consumidores em relação à concorrência reflete no valor percebido pelo cliente, em sua proposta de valor e nas vantagens dos seus produtos ou serviços ofertados em relação aos concorrentes, fatores que diferenciam uma empresa das demais, e que ultrapassa o custo dos produtos ou serviços da empresa. A gestão dos processos de negócios é fundamental para aumentar a velocidade das ações e estratégias; reduzir o tempo das atividades; economizar recursos; e melhorar a produtividade, evitando desperdício com processos e atividades que não apresentam utilidade. Contribui ainda para a inovação e para melhorias na cadeia de valor, com aumento de sua vantagem competitiva. Iniciativas de melhoria de processos dizem respeito, tipicamente, a melhorias específicas ou ajustes em processos, culminando em projetos que propõem um conjunto de melhorias. Gerir processos significa modelar os processos para a melhoria; padronizar e documentar as atividades da empresa por processos, setores, produtos e serviços; eliminar os desperdícios por erros; eliminar processos que não agregam ou não geram valor; padronizar o fluxo de trabalho; automatizar processos; reduzir custos; buscar melhoria contínua; entre outras práticas, como veremos em nosso estudo. TEMA 2 – METODOLOGIAS DE GESTÃO DE PROCESSOS Existem diferentes metodologias, técnicas e ferramentas de gestão de processos, tanto simples quanto sofisticadas. Algumas utilizam a tecnologia de informação, outras não. Assim, cada empresa poderá empregar a que melhor se adequa ao seu trabalho, considerando premissas, recursos, estrutura, necessidades, cenário e negócio. A seguir, vamos trabalhar com as ferramentas de gestão de processos mais utilizadas. Devemos conhecê-las se pretendemos gerenciar processos organizacionais. 2.1 Matriz SWOT A análise SWOT, conhecida em português como análise FOFA, é uma ferramenta utilizada para realizar a análise de cenários, ambiental e setorial, o 7 que ajuda a gestão de processos a realizar um diagnóstico organizacional para identificar oportunidades e pontos de melhoria O termo SWOT significa: • Strengths (forças): pontos fortes, pontos positivos, vantagens internas da organização em relação às empresas concorrentes (players). Aspectos que podem ser controlados. • Weaknesses (fraquezas): pontos fracos, desvantagens internas da organização em relação aos concorrentes. Aspectos que podem ser controlados. • Opportunities (oportunidades): oportunidades, chances, aspectos positivos externos, que não podem ser controlados pela empresa. Se bem aproveitadas, são um potencial de vantagem competitiva para a organização. • Threats (ameaças): ameaças, aspectos negativos externos, que podem diminuir o desempenho da empresa e comprometer a sua vantagem competitiva. Figura 1 – Matriz SWOT Fonte: Daychoum, 2018, p. 7. Para fazer a análise SWOT, vamos começar observando os ambientes internos e externos. Ambientes externos apresentam dois fatores: Strengths FORÇAS Weaknesses FRAQUEZAS Opportunities OPORTUNIDADES Threats AMEAÇAS AJUDA na conquista dos objetivos ATRAPALHA na conquista dos objetivos A m b ie n te In te rn o A tr ib u to s d a o rg a n iz a ç ã o A m b ie n te E x te rn o A tr ib u to s d o a m b ie n te 8 • Fatores macroambientais: questões relacionadas com demografia, economia, tecnologia, política, cultura, normas e legislações, aspectos sociais etc. • Fatores microambientais: questões relacionadas com benefícios, parceiros, concorrentes, clientes, distribuidores, fornecedores etc. A avaliação do ambiente interno abarca as oportunidades e ameaças. É importante considerar que toda ameaça pode vir a ser uma oportunidade, sendo necessário dimensionar (medir) o grau de probabilidade de ocorrência ou de concretização de uma alternativa ou evento. Na análise do ambiente interno, identificamos as forças, os recursos e a capacidade organizacional, buscando gerar vantagem competitiva em relação aos concorrentes. Analisamos ainda as fraquezas, os pontos de vulnerabilidade em relação aos mesmos concorrentes. A partir dessa análise, podemos identificar os processos relacionados às variáveis que resultam em força e fraqueza para a empresa. O cruzamento entre os quadrantes da análise das oportunidades e fraquezas ajuda a definir os processos que podem ser modificados, implementados e alterados para o melhor proveito das oportunidades. Já no cruzamento entre ameaças e forças, identificamos os processos que devem ser modificados, implementados e alterados para favorecer a organização em relação ao ambiente em que está inserida. Basicamente, temos o seguinte cruzamento de análise: • Oportunidade X força: alavanca a organização • Oportunidade X fraqueza: restrição nos pontos fracos • Ameaça X força: defesa das ameaças • Ameaça X fraqueza: problema de vulnerabilidade por conta dos pontos fracos Em resumo, a análise SWOT busca concentrar-se nos pontos fortes, reconhecer as fraquezas, agarrar as oportunidades e proteger-se das ameaças. TEMA 3 – CICLO PDCA O Ciclo PDCA é uma metodologia de diagnóstico utilizada para identificar problemas dos processos, a partir dos quais podemos elaborar um plano de ação 9 com estratégias para a previsão das falhas do processo, aplicando a melhoria contínua dos processos e elevando o seu padrão de qualidade. Figura 2 – Ciclo PDCA Fonte: Daychoum, 2018, p. 248. O ciclo PDCA começa com o planejamento (plan) das melhorias, conforme os objetivos que buscamos alcançar. Recomenda-se utilizar a Matriz SWOT para identificar o que pode ser melhorado. São atividades do planejamento: estudar o processo atual; coletar dados para identificar o problema; analisar os dados; desenvolver um plano de melhoria; e especificar as medidas de desempenho que serão utilizadas para a análise, o monitoramento e o controle do plano de melhoria. A seguir, vem a etapa de execução (do) do plano de melhoria, com as seguintes atividades: explicar para a equipe o problema, os objetivos e o plano de melhoria; implementar o plano; documentar alterações; e monitorar e controlar as atividades executadas. Juntamente com a etapa de execução, devemos iniciar a etapa de checagem (check), para assegurar a execução conforme o plano de melhoria. Se forem identificadas não conformidade, passa-se à implementação de ação corretiva. As atividades dessa etapa são: avaliar os dados coletadose conferir os resultados efetivos com as metas estabelecidas no planejamento. As técnicas que podem ser utilizadas para o monitoramento e o controle foram estudadas em etapas anteriores. Plan planejar Do fazer Check checar Act agir 10 A próxima etapa é a ação (act). Se os resultados do processo forem positivos, é preciso realizar a padronização dos processos novos estabelecidos, com a divulgação do processo padronizado e o treinamento da equipe envolvida no processo. Se o resultado do processo for negativo, será necessário revisar o plano original e recomeçar o Ciclo PDCA. 3.1 Método Kaizen O método Kaizen tem origem no Japão. Significa “melhoria contínua”, tendo ganhado destaque em especial por ser utilizado como referência no sistema de produção da Toyota, e atualmente também da Sony, da Amazon, entre outras empresas. Na metodologia Kaizen, o tempo é o melhor indicador para melhorar a qualidade dos resultados e a competitividade empresarial. O objetivo do Kaizen é criar um sistema de gestão organizacional com a orientação de melhoria contínua dos processos de uma organização. Para isso, a ideia é identificar aspectos necessários para eliminar ou reduzir os desperdícios existentes, considerando processos que não são significativos para o negócio, além de ineficiência, baixo desempenho, tempos improdutivos e retrabalhos. O método Kaizen segue um roteiro: • Selecionar um processo organizacional • Estudar e documentar todo o processo • Buscar maneiras de melhorar o processo • Desenhar/desenvolver um processo melhor • Implementar o processo novo • Avaliar os resultados • Documentar os resultados • Repetir o processo de melhoria contínua 11 Figura 3 – Etapas do método Kaizen A partir deste roteiro, a metodologia para a melhoria dos processos apresenta duas etapas: • Etapa 1: controle e estabilização. Nesta etapa, são avaliados os indicadores, buscando demonstrar variabilidade nos resultados. É preciso seguir o roteiro Kaizen. Para identificar o processo organizacional, as seguintes ferramentas e técnicas são recomendadas: brainstorming, sistemas de sugestões, indicadores, trigger points, diagrama de Pareto, checklist, 5W+2H, diagrama de Ishikawa, diagrama de relações. • Etapa 2: melhoria após realizada a etapa 1. A ideia aqui é implementar a melhoria e repetir o processo da etapa 1 para garantir monitoramento constante. Saiba mais Para saber mais sobre técnicas e ferramentas, leia: DAYCHOUM, M. 40+20 Ferramentas e Técnicas de Gerenciamento. Rio de Janeiro: Brasport, 2018. TEMA 4 – MÉTODO DMAIC PARA GESTÃO DE PROCESSOS O método DMAIC, é uma ferramenta parecida com o ciclo PDCA, com foco na identificação de defeitos para a criação de melhorias, a otimização e a estabilização da qualidade dos processos internos de negócios, sempre buscando a satisfação dos clientes. Figura 4 – Método DMAIC 12 A metodologia de aplicação do ciclo DMAIC envolve cinco passos. Primeiramente, a etapa de definir (define), quando é feita a identificação do problema que deve ser resolvido, considerando os objetivos que se pretende alcançar com o processo e quais as possibilidades de melhoria. Nessa etapa, podem ser utilizadas as seguintes ferramentas para identificar o problema de forma objetiva: método de brainstorming e análise de indicadores ou KPIs organizacionais. A segunda etapa é medir (measure), com o levantamento de informações e dados sobre os processos, identificando as possíveis causas e os efeitos do problema que deve ser corrigido, considerando ainda a avaliação do desempenho do processo. Nesta etapa, são indicados os seguintes métodos: • Diagrama de Ishikawa (espinha de peixe), para identificar a causa do problema. • Análise de Pareto, para identificar quantas vezes ocorre o problema e qual a sua causa, determinando ainda a frequência. A partir desse resultado, é possível selecionar qual problema, ou quais problemas, deve ser priorizado para a solução. • Matrizes (por exemplo: causa e efeito e GUT), para identificar as causas de um problema e a priorização dos problemas a serem solucionados. • Histograma: utilizados para mensurar e medir a distribuição dos dados para avaliar a viabilidade do processo. Define Definição Measure Mensurar Analyse Análise Improve Melhoria Control Controle 13 • Mapa de processos: representação gráfica de todas as atividades e elementos de um processo dentro da organização. A terceira etapa é de análise (analyze): considerando dados, causas e efeitos do problema identificado, fazemos uma análise para o desenvolvimento do plano de ação das melhores oportunidades de melhoria. Nessa etapa, são indicados os seguintes métodos: • 5 porquês: método para identificar a causa de um problema; • FMEA: ferramenta para encontrar falhas em um produto ou uma peça antes do processo de produção; • Diagrama de dispersão: analisar a relação entre duas variáveis quantitativas da causa do problema; • Testes de hipóteses: análise das hipóteses de causa do problema a partir das informações obtidas. Na quarta etapa, o objetivo é melhorar (Improve). Com base nos resultados da etapa anterior, serão desenvolvidas e testadas ações para a solução do problema. Se o resultado esperado for positivo, elas serão implementadas. Nessa etapa, recomenda-se o uso da metodologia 5W2H para identificar as possibilidades de ação, o que viabiliza a realização de testes de viabilidade de implementação. Por fim, temos a quinta etapa: controlar (control). Aqui, é feita a elaboração de critérios de controle dos processos implementados, com monitoramento do plano de ação das melhorias implementadas e análise do desempenho dos processos, a fim de garantir que as ações sejam implementadas da melhor maneira possível, gerando os resultados esperados. Nessa etapa, indicamos a utilização das seguintes ferramentas: • OCAP (Out of Control Action Plan): utilizada para identificar “anomalias crônicas”, ou seja, não conformidades, desvios ou problemas não desejados, que se repetem ao longo do processo, demandando ações corretivas para a melhoria do processo. • Cartas de control, gráfico de controle ou carta de controle estatístico de processo (CEP): ferramenta que utiliza a estatística para analisar e acompanhar a variação dos dados e resultados de um determinado processo, com o propósito de identificar as possíveis falhas e averiguar se os processos estão dentro de um limite aceitável. 14 TEMA 5 – BPM (BUSINESS PROCESS MANAGEMENT) A BPM (Business Process Management), em português Gestão de Processos de Negócio, é uma metodologia de gestão de processos de negócio que tem por objetivo melhorar os resultados de desempenho dos negócios com base em desenho, modelagem, execução, automação, medição, controle e otimização dos processos, de forma contínua. O objetivo é oferecer mais valor ao cliente. Gerenciamento de Processos de Negócio (BPM – Business Process Management) é uma disciplina gerencial que integra estratégias e objetivos de uma organização com expectativas e necessidades de clientes, por meio do foco em processos ponta a ponta. BPM engloba estratégias, objetivos, cultura, estruturas organizacionais, papéis, políticas, métodos e tecnologias para analisar, desenhar, implementar, gerenciar desempenho, transformar e estabelecer a governança de processos. (ABPMP, 2013, p. 40). Essa metodologia avalia os processos organizacionais de forma horizontal, propondo otimização das atividades e redução do tempo gasto em tarefas desnecessárias, buscando a melhora da entrega final para o cliente e, portanto, a melhoria de sua experiência. O objetivo é que os processos estejam alinhados e integrados, otimizados e sincronizados entre si, como uma estratégia de negócio com foco do cliente. A metodologia de modelagem de processosBPM “ajuda a criar a transparência necessária para atingir objetivos muitas vezes difíceis de conciliar, tais como qualidade versus quantidade, agilidade versus conformidade ou alinhamento interno versus integração externa” (ABPMP, 2013, p. 360). Trata-se de uma abordagem de gerenciamento de processos contínuos, reconhecida mundialmente, referência em todos os segmentos, que se utiliza de plataformas tecnológicas para planejar, modelar, simular, executar, monitorar e melhorar os processos de negócio da organização, automatizados ou não. Segundo a metodologia BPM, o processo de gestão dos processos é composto de seis etapas: • Planejamento: etapa durante a qual serão estabelecidos os objetivos do processo, com elaboração do planejamento das ações relacionadas com o processo, a implementação, a reformulação ou a criação de um novo processo para alcançar, de forma eficiente, os objetivos propostos. 15 • Modelagem: depois do planejamento, na etapa da modelagem fazemos o desenho dos fluxos de trabalho de cada processo. Podem ser utilizados métodos de pesquisa, entrevista, observação direta, análise estruturada e simulação para o levantamento das atividades do processo de forma integral. • Simulação: execução do processo em um ambiente simulado, para avaliar o comportamento, a eficiência e a eficácia dos resultados e das medidas corretivas, considerando em especial o custo, o tempo e o desempenho. • Execução: processo posto em prática, buscando identificar as possibilidades e as necessidades de melhoria do processo. • Monitoramento: acompanhamento da execução do processo e de seu desempenho, o que abarca o gerenciamento e o controle do processo. • Melhoria: identificar os possíveis problemas do processo e propor alternativas de solução. Em conteúdo posterior, vamos conhecer mais a fundo a metodologia BPM, que apesar de usar uma plataforma tecnológica paga, também poder ser realizada com aplicativos e plataformas gratuitas. TROCANDO IDEIAS Agora propomos que você vá até o fórum e converse com seus amigos. Escolha um processo de sua empresa ou de uma empresa de que você já tenha feito parte e descreva a aplicação do método PDCA nesse processo. NA PRÁTICA Nesta etapa, você terá de analisar um estudo. Orientações: leia o estudo de caso e contextualize-o com atenção. Identifique, no texto desta etapa, onde estão os conceitos principais que você pode usar em sua análise. Bons estudos! Estudo de caso A população brasileira ganhou 4,8 milhões de idosos desde 2012, superando a marca dos 30,2 milhões em 2017, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) contínua, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o que corresponde a um crescimento de 18% no período. As mulheres são maioria expressiva nesse grupo, com 16,9 milhões (56% dos 16 idosos), enquanto os homens são 13,3 milhões (44% do grupo). Não só no Brasil, mas no mundo todo há uma tendência de envelhecimento da população. Ela decorre tanto do aumento da expectativa de vida pela melhoria nas condições de saúde quanto pela questão da taxa de fecundidade, pois o número médio de filhos por mulher vem caindo. Diante da tendência de crescimento da população idosa, tem aumentado a demanda por produtos e serviços voltados para atender às necessidades desse público. Nesse contexto, considere que um gestor de marketing foi contratado para analisar o lançamento de um novo serviço de uma clínica de repouso que atende cerca de cinquenta pacientes residentes. Como a clínica tem boa estrutura, quer ampliar o atendimento a idosos que desejam frequentá-la por meio da aquisição de diárias avulsas, quando conveniente, para que não fiquem sozinhos em casa. Os serviços prestados pela empresa incluem entretenimento e cuidados com a saúde, como monitoramento dos sinais vitais e administração de remédios. No planejamento do lançamento desse serviço, o gestor de marketing deverá elaborar a Matriz SWOT, que contempla o ambiente interno e externo das organizações. Fonte: Elaborado por Garcia, 2023, com base em Paradella, 2018. Tomando por base o que aprendemos sobre processos e o conteúdo geral deste estudo, descreva dois pontos fortes e duas oportunidades de mercado da referida clínica. Elabore duas sugestões de novos serviços que podem oferecidos pela clínica de repouso, a partir de seus pontos fracos e ameaças (análise externa). Pontos fortes que podem ser percebidos na análise: boa estrutura; flexibilidade de possibilidade de hospedagem (uma diária); forma de pagamento, que não precisa ser mensal ou quinzenal, mas pode ser diária; serviços de entretenimento inclusos; serviços de cuidado com a saúde, como monitoramento dos sinais vitais e manipulação de remédios habituais. Oportunidades: oferecer serviços relacionados ao público feminino; oferecer atividades recreativas, como aula de dança, lazer, artesanato etc.; oferecer serviços de estética e beleza; ampliar serviços esportivos; organizar excursões para eventos externos e viagens; oferecer serviços de transporte personalizados; e ampliar os serviços de cuidado com a saúde dos clientes. 17 FINALIZANDO Nesta etapa, estudamos a gestão de processos nas organizações. Conhecemos a história da administração de processos, desde o século XVII, passando pelos modelos de administração até os dias atuais. Na sequência, conhecemos algumas metodologias de gestão de processos que não demandam especializações, podendo ser aplicadas em qualquer empresa e processo, sem o uso de tecnologia. No final da etapa, apresentamos a metodologia BPM de gestão de processo, que é a técnica mais utilizada. Posteriormente, vamos aprofundar o nosso aprendizado em metodologia BPM. 18 REFERÊNCIAS ABPMP – Association Of Business Process Management Professionals. International _CBOK 3.0. Pensacola, 2013. BROCKE, J. V.; ROSEMANN, M. Manual de BPM. Porto Alegre: Grupo A, 2013. DAYCHOUM, M. 40+20 Ferramentas e Técnicas de Gerenciamento. Rio de Janeiro: Brasport, 2018. LOBO, R. N.; SILVA, D. L. Gestão da qualidade: diretrizes, ferramentas, métodos e normatização. São Paulo: Érica, 2014. PARADELLA, R. Número de idosos cresce 18% em 5 anos e ultrapassa 30 milhões em 2017. Agência IBGE, 1 out. 2018. Disponível em: . Acesso em: 27 mar. 2023. PORTER, M. E. Vantagem competitiva: criando e sustentando um desempenho superior. 13. ed. Rio de Janeiro: Campos, 1989. SMITH, A. A riqueza das nações. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2017. TAYLOR, F. W. Princípios de administração científica. 9. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2020. 19 GABARITO Alternativa E. O PDCA é uma metodologia de diagnóstico utilizada para identificar os problemas dos processos. A partir dessa informação, podemos elaborar planos de ação e estratégias para prever as falhas do processo, aplicar a melhoria contínua dos processos e elevar o seu padrão de qualidade.