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T O D O S N A D I F E R E N Ç A DIA INTERNACIONAL da SÍNDROME de DOWN REVISTA LITERÁRIA edição comemorativa ANO 6 n .22 março 2025 S U M Á R I O EDIÇÃO: GUGA DOREA(MTB 16335) A s s i s t e n t e d e e d i ç ã o : J a c q u e l i n e L o p e s P e s s o a s c o m S í n d r o m e d e D o w n : T h i a g o D e m a n g e D o r e a ; J ú l i a G a l u z z o , J ú l i a M a r i n c e c k V i c e n t i n i ; G a b r i e l F a c c h i n i n R i b e i r o ; F a b r í c i o E r n a n i d a S i l v a ; G i u l i a d e S o u z a M e r i g o ; L a i s F e r r o F e r n a n d e s S o a r e s ; J ú l i a A l t a v i s t a d e O l i v e i r a ; T o m á s P i m e n t e l R o z a ; G u s t a v o C a r l o s S o l f e r i n i e S o u z a ; N a t h a n C a l e g a r P e r e i r a P a i s e m ã e s : C l é c i a A r a g ã o , M á r i o G a l u z z o ; I n é s A n d a l u z ; R o s a n a E r n a n i d a S i l v a ; L u i z W a l t e r L i n o d a S i l v a ; H e d i l a C a m p o s ; P a u l o C a m p o s ; C r i s t i a n e L a z z a r o t t o V o l c ã o ; Â n g e l a M a r i a F e r r o ; P a t r í c i a A l t a v i s t a O l i v e i r a , D e n i s e D h o m P i m e n t e l R o z a ; O s w a l d o S i l v a R o z a ; S u e l y S o l f e r i n i ; S é r g i o C a r v a l h o ; M a r c o s R . T o f o l i . F o t o g r a f i a : A r q u i v o s p e s s o a i s Revisão: Regina Helena Demange Dorea e e Gustavo Mamede Fonseca E D I T O R I A L : G U G A D O R E A VOZES POTENTES EM MOVIMENTO NO TEMPO............................ 3 THIAGO: TER SÍNDROME DE DOWN PARA MIM É ...........................5 CLÉCIA: SOMOS SERES SINGULARES ............................................ 6 MÁRIO GALUZZO: MINHA FILHA CLOW .......................................... 7 JÚLIA GALUZZO: DESAFIO DE SER QUEM É ....................................7 JÚLIA MARINCEK: ARTISTA MULTIMÍDIA........................................8 INÉS E CIBELE: DO SUSTO À POTÊNCIA ......................................... 9 GABRIEL: DICAS DE CONVIVÊNCIA.................................................12 GABRIEL E SUA ARTE........................................................................13 ROSANA E LUIZ: UMA JORNADA DE POSSIBILIDADES................14 FABRÍCIO: CHEF DE COZINHA E ATOR ...........................................15 SARAU DA DIVERSIDADE .................................................................16 UP EM SEU ÚLTIMO ESPETÁCULO...................................................17 ÂNGELA: PARA ALÉM DAS EXPECTATIVAS ...................................18 LAIS: MODO SINGULAR DE SER ..................................................... 18 HEDILA E PAULO: RENASCIMENTO E LUTA.................................. 19 CRISTIANE E SEU DESAFIO EM PORTUGAL ..................................20 PATRÍCIA E JÚLIA: VIDAS TRANSFORMADAS EM MAIRIPORÃ...22 DENISE E OSWALDO: O AMAMOS DO JEITO QUE É ................... 23 SUELY: INCLUSÃO E ENVELHECIMENTO ......................................24 GUSTAVO: DIFICULDADES E AVANÇOS ....................................... 25 SÉRGIO: INSTITUTO DOWN 2000................................................... 26 NÃO SOMOS A SÍNDROME- APAE EXTREMA MG...........................27 O TEMPO E O MOVIMENTO- MARCOS ...........................................29 CONGRESSO DA FEDERAÇÃO DA SÍNDROME DE DOWN............30 COM MUITA ALEGRIA QUE O TODOS NA DIFERENÇA FAZ UMA HOMENAGEM AO DIA INTERNACIONAL DA SÍNDROME DE DOWN. PARA NÓS, TODO O DIA DEVERIA SER O DIA DE TODAS AS PESSOAS. Revista Todos na Diferença 22 EDIÇÃO COMEMORATIVA Página 3 No entanto, como sabemos , nossa sociedade ainda torna invisível pessoas concebidas como diferentes, e por isso convidamos algumas pessoas para relatarem o que é ser pai ou mãe de um filho com a Síndrome de Down. Convidamos ainda algumas pessoas com a também chamada T 21 para nos contarem como é viver em uma realidade que ainda as trata como diferentes em um modelo fictício de normalidade. Essa é a pior síndrome a ser combatida : a da Normose! VOZES POTENTES EM MOVIMENTO NO TEMPO CONTINUA É Se não bastasse essa resposta inadequada, ainda mais que a barriga da mãe estava aberta, a enfermeira me chamou no canto e pediu que eu olhasse a testa do meu filho. Sem entender o porque, olhei, e na sequência ela disse: “Estamos desconfiados que seu filho nasceu com um problema." Toda essa inadequação me levou a um susto inicial, mas como eu já estudava e praticava a Filosofia da Diferença há pelo menos 15 anos, logo indaguei: "O que você vai fazer com esse acontecimento inesperado?" Nessa forma de pensar, também chamada Filosofia Prática, não enxergamos a deficiência enquanto falta. Conectei essa filosofia com meu modo de vida e passei a focar e a investir no que Thiago tem e pode, ou seja, na sua potencialidade criativa. Muitas pessoas, capturadas por essa leitura de mundo, fazem em seu imaginário uma confusão entre inclusão e adequação a uma sociedade supostamente pronta e acabada. O NASCIMENTO DO THIAGO Quando Thiago nasceu, em 1997, recebemos a noticia da pior maneira possível. Ele chorou, como qualquer criança, e eu perguntei: “Está tudo bem?” O ginecologista respondeu: “Sim, só estou preocupado com os olhinhos.” Revista Todos na Diferença 22 EDIÇÃO COMEMORATIVA Página 4 Ser pai de uma pessoa com a chamada Síndrome de Down foi um presente em minha vida! Me ofereceu a oportunidade de conviver, no dia a dia, com o que a sociedade considera "desvio" de um modo de ser subjetivo e linear, a ser alcançado por todos e todas de forma rigidamente hierárquica. Nessas condições, a pessoa tem que deixar de ser "diferente" para entrar em um seleto e fictício mundo da "igualdade"! A DIFERENÇA, NESSE CONTEXTO, É VISTA COMO ALGO A SER SUPERADA E, DEPENDENDO DA SITUAÇÃO, ANIQUILADA. CONTINUAÇÃO CONTINUA Como pai do Thiago e pensador livre da Filosofia da Diferença, tenho conectado cada vez mais meu modo de vida ao que costumo chamar de Inclusão Transversal! TER A SÍNDROME DE DOWN, PARA MIM, É .... Dois anos depois, nasce a filha Joyce, classificada socialmente como sem deficiência. Passei a viver na prática a dicotomia excludente que separa os seres humanos em "iguais" e "diferentes". E mesmo que positivemos o “diferente”, se continuarmos nessa dicotomia, a diferença permanecerá no patamar de inferior em relação a uma imaginária e inexistente perfeição a ser supostamente alcançada. CONTINUAÇÃO NA TRANSVERSALIDADE DAS RELAÇÕES HUMANAS, A DEFICIÊNCIA PERDE O SEU CONTORNO EM NOME DA AFIRMAÇÃO DE CADA DIFERENÇA EM CONEXÃO COM OUTRAS DIFERENÇAS, SEMPRE ÚNICAS E INSUBSTITUÍVEIS! Página 5 .... ser roqueiro, baterista, poeta e ator! Gosto de meus amigos da oficina da palavra, do Alma de Batera e do UP. Quero estudar bateria, ser livre e feliz. Sinto que sou diferente e quero namorar, mas não gosto que as pessoas tenham ciúmes. Não gosto do racismo e do preconceito. Fico triste quando as pessoas se matam e são violentas. Não gosto do racismo contra os palestinos. Revista Todos na Diferença 22 EDIÇÃO COMEMORATIVA A vida é amor, paz e harmonia Os pássaros vivem a vida Viver e ser livre! Thiago Demange Dorea é baterista e poeta GUGA DOREA - JORNALISTA, SOCIÓLOGO E PENSADOR LIVRE DA FILOSOFIA DA DIFERENÇA Você em algum momento parou e se perguntou sobre o que realmente é a singularidade de uma pessoa? Me fiz essa pergunta no dia em que soube que meu terceiro bebê viria com a T21. Sim, eu e você somos pessoas singulares, únicas e insubstituíveis. Isso quer dizer que não tem outro ser no mundo que substitua você. E por que ainda estamos tão, tão distante de entender, viver e respeitar a singularidade do outro, mesmo sendo seres únicos? Quando soube que seria mãe pela terceira vez e quedessa vez o bebê poderia vir com “síndrome de down”, olhem o que escutei do médico: “Veja bem, você tem uma idade avançada. Não é fácil, eu sei, mas precisa fazer um exame mais invasivo para ter certeza.” Ao ouvir essas palavras perguntei porque e para que dar uma notícia com um tom tão fúnebre? Por que não falar da vida e do nome de quem ali está sendo gestada. Não entrarei em detalhes, mas nesse dia percebi que é vital falar sobre a vida e suas potencialidades, incluindo os desafios e fraquezas que deverão ser vividas. A questão aqui não é julgar o olhar do outro e sim falar sobre o que mais me chama a atenção: “eles são assim mesmo, tá?” Onde está aí o ser único e singular? Se continuarmos a rotular, como vamos mudar nossa forma de pensar, falar e agir? Como vamos olhar primeiro para nós mesmos como seres únicos e, dessa forma, entender e olhar o ser humano que está a sua frente também como singular. O que tem te impedido de viver de forma única e singular? Que eu e você possamos viver e significar todos os dias o ser singular e único que habita em cada um de nós. SOU CLÉCIA ARAGÃO (ÚNICA E SINGULAR): PSICÓLOGA, EMPRESÁRIA, AUTORA E PALESTRANTE. FILHA DE MARIA E JOSÉ, MÃE DE TRÊS SERES DIVINOS E INCRÍVEIS QUE CHEGARAM NA MINHA VIDA PARA UM APRENDIZADO CONSTANTE. Revista Todos na Diferença 22 EDIÇÃO COMEMORATIVA Página 6 SOMOS SERES SINGULARES Apesar de Down ser apenas um nome próprio, nunca gostei do sentido que carrega. Criei um grupo na rede social "síndrome de Clown" me referindo ao aspecto lúdico que essa palavra traz. No entanto, para mim como pai com histórico de "out side", é um presente ter a Júlia na minha vida de autoconhecimento. Quanta sabedoria embutida por trás da "limitação" de comunicar-se nos padrões sociais, enquanto trás outra inteligência: a de aceitar tudo sem restrições. Enquanto borbulho por dentro, com raiva do mundo que carrega essa carga pesada da descriminação prepotente, ela simplesmente observa e constata, viva e vibrante. Um privilégio ser pai e filho, simultaneamente, num fiel companheirismo. Gratíssimo! DESAFIO DE SER QUEM É JÚLIA GALUZZO - ATRIZ E POETA Revista Todos na Diferença 22 EIÇÃO COMEMORATIVA Página 7 É emocionante e muito importante, para mim, ter a Síndrome de Down. É um desafio ser essa pessoa, ser essa menina adolescente e atriz. Tenho meu lado artístico. Subir no palco e escrever tem muita importância. Faz sentido em minha vida percorrer na relação com os amigos. Às vezes sinto preconceito mas, na verdade, são as pessoas que não percebem o que está acontecendo. Elas ficam na imaginação, na zoeira e nas brincadeiras, mas estão cheias de problemas. Ficam constrangidas e preocupadas em como falar comigo. Mas o importante são os sentimentos se transformarem, a vida seguir em frente na busca de felicidade. MINHA FILHA CLOWN - MÁRIO GALUZZO O paradoxo é, exatamente, o que as deixam em vantagem, mas também é motivo de fortalecimento da exclusão estrutural, inerente nas relações sociais. Pessoas com a Síndrome de Down demoram ou nunca deixam instalar a adultisse que todos nós logo ansiamos na adolescência. Tenho muito orgulho de ser mulher com a Síndrome de Down. Com o meu jeito de ser, sou mulher guerreira e batalhadora que sabe o que quer. Gosto de criar a minha arte com qualidade. Sou feliz em minha trajetória de artista, minha história de vida. Página 8 ARTISTA MULTIMIDIA: JÚLIA MARINCEK Tenho muitas garras e detalhes no olhar, no toque do sorriso. Sou vivida e desejada. A mulher guerreira e batalhadora que foi a minha mãe está dentro de mim agora. Me sinto realizada sendo uma pessoa multimidia. Faço teatro, cerâmica e mosaico, mas o que me completa mesmo é criar MANDALAS. Também procuro criar meus recursos para escrever poesias na oficina do Guga. A escrita me espelha cada vez mais a ser o que sou: uma mulher realizada e capaz de estar sempre me renovando, em um mergulho profundo nos mistérios da vida. SOU MULHER TODOS OS DIAS DE MINHA VIDA. SÍNDROME DE DOWN NÃO É DOENÇA. É CONQUISTA. É VIVER O SUOR DE CADA DIA. A SÍNDROME DE DOWN ME FAZ SER UMA MULHER COMPLETA. Temos o direito de fazer o que a gente quiser. Temos o direito de namorar. Eu namoro o Rogério, que também tem a Síndrome de Down. Ele é um parceiro maravilhoso. Sou apaixonada por ele. Quero dizer para todo o mundo que temos o direito de ser felizes e de viver a magia da vida. Tem muitos sentimentos de renovação e de valores próprios dentro de mim como pessoa com a Síndrome de Down. E você não perca tempo. Vá ser feliz! Revista Todos na Diferença 22 EDIÇÃO COMEMORATIVA Conseguiram que eu saísse do quarto e meu marido ficou sabendo sozinho. Tivemos uma infelicidade que durou uma semana e aos poucos fomos nos refazendo com o apoio da família e de amigos. Optamos por viver intensamente esse susto e hoje vejo tudo isso com muita leveza. Até porque, desde bem jovem, já me mobilizava pelas questões das diferenças étnicas, que propõem a desconstrução da necessidade das pessoas serem iguais, apesar de habitarmos a mesma praia. A Q U E S T Ã O A Q U I É Q U E N O S S A S O C I E D A D E C O N S T R U I U P A R Â M E T R O S Q U E B U S C A M A N O R M A T I Z A Ç Ã O D A S P E S S O A S E D O S G R U P O S . Cultivou-se o costume de infantilizar e de conhecer superficialmente as pessoas que não se adequam ao sistema . Porém, viver com leveza já é meio caminho andado porque, dali, foi possível encontrar forças para continuar esse processo. E, de dentro de você mesma, ir fazendo ligas com pessoas que pensam de forma semelhante, mesmo estando inseguras em um primeiro momento. Daí, você vai se unindo e provocando impactos de mudança. Nesse caminho, muitas vão descobrindo a possibilidade de se transformarem e até de divergirem delas mesmas. Ser mãe é quase 50% do que é ser INÉS HOJE. Tenho três filhos: Diego com 41 anos, Cibele com 37 e Letícia com 33. Quando a Cibele nasceu havia o projeto do Momento da Notícia, da APAE de São Paulo. Infelizmente, o hospital foi refratário e nem lembrou disso. Vieram com uma atitude repressora, eu diria assim, de enfrentamento. Revista Todos na Diferença 22 EDIÇÃO COMEMORATIVA Página 9 D O S U S T O À P O T Ê N C I A CONTINUA Cibele estudou até o final do fundamental mas, como o colegial que nos foi apresentado era extremamente conteudista, eu e meu marido percebemos que o custo seria bem mais alto que o benefício. Aí tivemos a primeira experiência de oferecer à Cibele um convívio com grupos de pessoas que a sociedade chama ou chamava de especiais, onde ela teve a felicidade de manter seu perfil preservadíssimo. Cibele sempre teve muita inquietude pela área das Ciências Naturais, uma característica minha e de nossa casa. Sempre teve afinidades com vidrarias e líquidos. E quando foi apresentada aos cursos do SENAC-SP, se identificou com o curso de barista. Revista Todos na Diferença 22 EDIÇÃO COMEMORATIVA Página 10 A BARISTA CIBELE CONTINUAÇÃO CONTINUA Na época, ela já frequentava cafeterias para vender biscoitos que fazia em casa. No curso, aprendeu desde a colheita e a secagem até a moagem e a mistura do pó. Foi aí que nasceu nela o desejo de agir de forma autoral. Hoje ela tem o canto da barista em casa onde fica inventando seus próprios cafés. Desde o primeiro momento, me vi muito solitária nesse apoio. Isso porque as pessoas achavam que era uma atividade muito excêntrica e exigente. “Como ela vai aparecer nos espaços que ela habitualmente circula”? “Como vai ser aceita”? - perguntavam as pessoas. Inés é farmacêutica e ativista ecológica CONTINUAÇÃO Revista Todos na Diferença 22 EDIÇÃO COMEMORATIVA Página 11 Como mãe, entretanto, sustentei um lugar muito difícil, devido a pressão da sociedade, que é a de possibilitar à filha de descobrir o seu talento. Haja naturalmente ao dirigir-se à pessoa com a Síndrome de Down. Trate ela com respeito,sempre de acordo com sua idade. Não superproteja e respeite o tempo para cada pessoa se expressar. E não subestime a sua capacidade de pensar. SER UMA PESSOA COM SÍNDROME DE DOWN PARA MIM É SER FELIZ, TER MAIS AUTONOMIA, INDEPENDÊNCIA E BUSCAR O RESPEITO DE TODAS AS PESSOAS DENTRO DA SOCIEDADE. Toda a pessoa com a Síndrome de Down tem o direito de escrever a sua vida e pensar como quiser. Tem direito de fazer as suas “louquices” e de se cuidar como quiser. Ela tem que ter oportunidade para poder estudar, trabalhar, ter um hobby e se divertir, indo para baladas e tendo uma vida própria, namorar e casar. É também poder andar pela cidade com segurança. É muito importante que a família dê o suporte e ajude a pessoa com Down a desenvolver a suas habilidades. E uma dessas habilidades é se comunicar e conviver com as pessoas, tendo elas alguma deficiência ou não. É nunca estar acima de ninguém, mas poder conviver, se comunicar e aprender. GABRIEL É CERIMONIALISTA E TRABALHA COMO FOTÓGRAFO PROFISSIONAL NA PREFEITURA DE SÃO PAULO. VEJA AS FOTOS DA PRÓXIMA PÁGINA ! Fala pessoal, tudo bem com vocês? O Dia Internacional da Síndrome de Down é muito importante para nós. É importante toda nossa luta e conquistas de direitos e por mais respeito e igualdade. Vou dar algumas DICAS para que vocês se relacionem com pessoas com SD. Revista Todos na Diferença 22 EDIÇÃO COMEMORATIVA Página 12 G A B R I E L D A N D O D I C A S D E C O N V I V Ê N C I A O QUE É TER A SÍNDROME DE DOWN CONTINUA GABRIEL E SUA ARTE Revista Todos na Diferença 22 EDIÇÃO COMEMORATIVA Página 13 CONTINUAÇÃO VELOCIDADES COMPONDO A CIDADE E A NATUREZA ENTRE CÉU, JARDIM E GENTE EM MOVIMENTO CENÁRIOS DA BELEZA URBANA Alguns momentos na vida transcendem a simplicidade do cotidiano. Uma conquista, uma tentativa, uma queda ou até mesmo um sorriso transformam-se em capítulos de uma história grandiosa: a história de quem desafia padrões e descobre que a perseverança é a chave para alcançar o inimaginável. Fabrício é uma luz que inspira e encanta todos ao seu redor. É uma pessoa cheia de energia e paixão pela vida. Essa caminhada nos ensinou que superar não é apenas vencer obstáculos, mas descobrir que os horizontes se tornam mais amplos e próximos quando acreditamos que o caminho vale a pena. Ele é ativo na vida. Gosta de andar sozinho, de ser autônomo e fazer novas amizades. Seu maior desejo? Que todas as pessoas com síndrome de Down sejam respeitadas e tenham suas capacidades reconhecidas. A chegada de Fabrício, nosso filho com síndrome de Down, trouxe às nossas vidas um universo desconhecido, mas repleto de aprendizados e encantos. Desde o primeiro instante, ele nos mostrou que as possibilidades são infinitas para quem escolhe enxergar o mundo com o coração aberto. UMA JORNADA DE POSSIBILIDADES Revista Todos na Diferença 22 EDIÇÃO COMEMORATIVA Página 14 Acredite nos jovens com Síndrome de Down. Somos plenamente capazes de cuidar de nós mesmos e de sermos autônomos e aprender muito mais do que vocês imaginam. Sou muito ativo e meus pais me ensinaram vários caminhos Gosto de atuar! Teatro é alma!. Fabrício Ernani da Silva - Gosto de dançar e de cantar! C H E F D E C O Z I N H A E A T O R Rosana Ernani da Silva - Professora e artesã em bijouterias Luiz Walter Lino da Silva - Empresário Com o tempo, aprendemos que os limites não são barreiras, mas pontos de partida para algo maior. Para mim, “bicho”, é muito bom tudo isso. Eu sou atriz há muito tempo e fiz o filme “Colegas”, que é inspirado na Síndrome de Down. Não é todo mundo que está em algo assim. Faço teatro também. O UP é um musical com várias pessoas com a SD e tem como diretor o Deto Montenegro, que é irmão do cantor Oswaldo Montenegro. Como auto defensora do Instituto Simbora Gente, eu luto pela diversidade e a inclusão social. Falo isso para vocês: NA SOCIEDADE, TEMOS QUE TER UM MUNDO INCLUSIVO E OLHAR PARA ISSO COM OS OLHOS DE DENTRO E NÃO COM OLHOS DIFERENTES. ENTÃO, SOMOS COMO QUALQUER PESSOA. É isso que tenho para falar. Tenho um projeto social, chamado de Sarau da Diversidade. Tive uma conversa com a Camila, que é minha amiga psicóloga, e montamos o primeiro Sarau no consultório dela. Depois passamos a montar ele no Tênis Clube Paulista (TCP), com o apoio da minha amiga Paula, que trabalha no marketing do clube, e estamos até hoje no TCP. No sarau tem poemas, danças, cantos, etc... Se alguém quiser fazer parte do Sarau da Diversidade, apresentando a sua arte ou expectador, é só me chamar. Faço também academia , jogo Tênis e trabalho na Universidade Anhembi Morumbi. NÃO SÓ NO SARAU DA DIVERSIDADE, MAS NA VIDA, TEMOS QUE TER ESSE DIREITO: O DE LUTAR PELA INCLUSÃO ATRAVÉS DAS ARTES. E VIVA O DIA INTERNACIONAL DA SÍNDROME DE DOWN! Revista Todos na Diferença 22 EDIÇÃO COMEMORATIVA Página 15 G I U L I A : L U T A R P E L O Q U E A G E N T E Q U E R Fala aí pessoal! Vou falar agora sobre o Dia Internacional da Síndrome de Down. Todos nós temos o direito de poder lutar pelo que a gente quer fazer na sociedade. Temos o direito de poder namorar, de amar, de trabalhar e de conquistar a nossa autonomia. É isso que, para mim, é ser uma pessoa com a SD. É ter o direito de crescer na vida, de ir para a balada e curtir com o pessoal, tirar fotos. Giulia é atriz e organizadora do Sarau da Diversidade Revista Todos na Diferença 22 EDIÇÃO COMEMORATIVA Página 16 SARAU DA DIVERSIDADE Giulia: “O sarau é minha Vida” Giulia e a psicóloga Camila Ribeiro: idealizadoras do sarau Giulia e Paula: O TCP abraçando de coração o sarau Zeca e Gabriel se abraçando no final do sarau Fabrício mostrando sua arte no sarau Thiago tocando sua bateria no sarau Gabriel: mestre de cerimônia do sarau Foto final do sarau com o tema cidade em 2023 UP 12 A POTÊNCIA DO TEATRO NA VIDA A Oficina dos Menestréis UP completou 12 anos em 2024 com a apresentação da peça “A mansão de Miss Jane” PEÇA TEATRAL DO GRUPO UP ÚLTIMO ESPETÁCULO Revista Todos na Diferença 22 EDIÇÃO COMEMORATIVA Página 17 Tomás tocando o seu teclado na peça Cibele e Thiago com seus figurinos Fabricio e seu personagem Sempre me senti diferente, mas nunca me importei em ter a Síndrome de Down. O que importa é que eu seja feliz comigo mesma. Tenho orgulho de ser quem sou. Todos ao meu redor me elogiam na minha maneira de pensar e de falar. O meu dia a dia na escola foi bem bacana, agradável, amigável e sociável. Minhas dificuldades nunca foram motivo para desistir. Gosto muito de tocar violão, flauta e, de vez em quando, pandeiro, tendo professor ou não. Nos tempos atuais sou autodefensora. Defendo meus direitos e das outras pessoas que tem a mesma singularidade que eu. Sou vice diretora da Região Sudeste que faz parte da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down (FBASD). Laiz é autodefensora na FBASD Fiquei também apreensiva com o começo na escola. Vai ficar isolada? Vai conseguir se integrar? Vai aprender? Ela sempre foi muito carismática, sensível e comunicativa. Não se permitia ficar isolada. Sempre dava um jeito de participar das atividades com os colegas. E hoje ela tem uma vida ativa e participa de grupos a nível local e nacional. É autodefensora, faz esporte (natação), trabalha, namora, passeia, viaja... Tenho muito orgulho de ser mãe de uma menina maravilhosa como a Laiz. Ela sempre supera minhas expectativas. Fiquei sabendo que a Laiz tinha a Síndrome de Down no nascimento. Foi um choque. Muitas angústias e incertezas mas, com o tempo, muitos experiências positivas foram acontecendo e a Laiz me fez uma pessoa mais forte e obstinada. Nunca desisti e sempre acreditei e segui em frente, apesar das dificuldades. Revista Todos na Diferença 22 EDIÇÃO COMEMORATIVA Página 18 P A R A A L É M D A S E X P E C T A T I V A S M O D O S I N G U L A R D E SE R Ângela Vivendo Nosso filho Paulão tem a Síndrome de Down e está com 39 anos , prestes a completar 40. É um rapaz bonito, amoroso, inteligente, amado pelos amigos e por toda a família. Para nós, não é mais especial do que sua irmã Lucy Campos. Paulão tem a suas singularidades, claro! Por conta da trissomia 21, ele requer cuidados específicos desde o seu nascimento até hoje Mas nada que torne a nossa vida mais difícil. Foram anos e anos de terapias, atividades e estímulos diários necessários para uma boa evolução. E hoje esses estímulos são feitos com mais tranquilidade e fazem parte de nossa rotina. Aprendemos com o Paulão que tudo na vida tem o seu tempo. Nosso dia a dia é de superação, desafios, aprendizados e, acima de tudo, é de amor! Se pudéssemos resumir quem é o Paulão em uma única palavra, essa seria renascimento. Com ele renascemos e, hoje, temos a certeza do imenso amor de Deus por nós, por termos sido presenteados com a sua existência. Hoje, toda a família luta para o Paulão mostrar ao mundo que ele pode chegar onde quiser. Ele apenas tem Síndrome de Down. E isso não o torna melhor nem pior do que ninguém. É claro que a confirmação do diagnóstico nos levou a procurar aconselhamentos específicos para encarar a situação. E essa ajuda nem sempre é encontrada, o que dificulta o que está por vir. Devemos então lutar para que toda a família tenha ajuda para enfrentar as dificuldades, para obterem os melhores resultados possíveis na criação e educação do filho, com alegria e firmeza. Hedila e Paulo Campos R E N A S C I M E N T O E L U T A Revista Todos na Diferença 22 EDIÇÃO COMEMORATIVA Página 19 Senti sintomas estranhos, mas logo pensei que era o fuso horário. Hoje brinco que o fuso horário nasceu nove meses depois. É claro que essa experiência acabou sendo atravessada por questões culturais e legais de Portugal. Minha experiencia é bastante peculiar. Todas são, é claro, mas a minha tem uma questão que se tornou uma história especial. Tenho dois filhos, o Bruno e o Luigi, que nasceu com a Síndrome de Down. Ele foi concebido no Brasil, mas só descobri a gravidez na primeira semana em que eu estava em Lisboa fazendo pós doutorado. Revista Todos na Diferença 22 EDIÇÃO COMEMORATIVA Página 20 CRISTIANE E SEU DESAFIO EM PORTUGAL Fui então imediatamente encaminhada para o hospital universitário para o acompanhamento pré-natal. Me chamou a atenção que a obstetra começou a falar de um tal de protocolo europeu pensado em uma universidade europeia. Ela só falava do tal do protocolo. Depois de fazer os exames solicitados, a médica perguntou se uma turma de estudantes de medicina poderia acompanhar o meu caso. Eu disse que não havia problema porque sendo professora, aceitaria. O exame terminou e ela pediu para os estudantes se retirarem porque queria conversar com os pais, mas já em um tom um tanto fúnebre. Achei estranho. PROTOCOLO EUROPEU PARA SÍNDROME DE DOWN CONTINUA O DIAGNÓSTICO Aí voltou a falar do protocolo, que havia um risco elevadíssimo do Luigi nascer com a Trissomia do 21. Realizei então a amniocentese na 16a semana de estação por conta da idade avançada (tinha 38 anos na época) e, quando voltei ao hospital para saber o resultado, o clima era de velório. Comecei a imaginar mil coisas e, logo que me deram o resultado positivo, perguntei “o que mais?” Quando responderam “só isso!” fiquei aliviada. H Á B I T O D E I N T E R R O M P E R A G R A V I D E Z Daí começaram a explicar que, em Portugal, em média 90 por cento das famílias interrompem a gestação no momento da notícia. E era por conta disso o clima de velório. Quando souberam que eu não tinha essa intensão, tudo mudou. O nascimento dele, naquele mesmo hospital, não foi pesado. Foi uma festa. O que é pesado é a forma com que lidam com essa questão em Portugal. Posteriormente, inclusive, me envolvi com associações ligadas à pessoas com T21 que lutavam para que os profissionais da área da saúde informassem os aspectos positivos do que é ter um filho com a Síndrome de Down para, quem sabe, parte daqueles 90 por cento de pessoas pudessem rever o seu posicionamento. Página 21Revista Todos na Diferença 22 EDIÇÃO COMEMORATIVA CONTINUAÇÃO Me perguntei durante o período inicial da gravidez “porque comigo?” Foi aí que percebi o quanto só enxergava uma sociedade com pessoas sem deficiência. Daí passei a perguntar: “porque não comigo?”. Se essa notícia ainda incomoda tanto é sinal de que nossa sociedade ainda precisa evoluir muito. Hoje me sinto uma privilegiada. Isso porque consegui enxergar o quanto precisava mudar enquanto ser humano. Mudou também a minha prática como professora. Hoje consigo enxergar a condição de todos os meus alunos. Cristiane é fonoaudióloga e professora universitária Desde que recebemos a notícia que a Julia tem esse cromossomo a mais, uma grande transformação iniciou em nossas vidas. É um profundo exercício de amor, de tolerância, de empatia, de garra e de fé. Percepção aguçada para encarar os desafios e vibrar por cada conquista. Tudo fica temperado com a Jú; não existe vazio. A cada dia nos tornamos pessoas melhores e altruístas, desejando que o mundo se torne mais harmonioso e feliz. Agradecemos a Deus por nos dar esse presente. Obrigada Júlia por nos fazer tão felizes! SÉRGIO, PATRÍCIA E RENAN FAMÍLIA DE JULIA VIDAS TRANSFORMADAS EM MAIRIPORÃ Revista Todos na Diferença 22 EDIÇÃO COMEMORATIVA Página 22 Com essas poucas palavras, Júlia Altavista deu o seu recado. Ela está conosco na oficina da palavra, da APAE de Mairiporã, desde o ano passado. E nos presenteou com a exposição de sua obra no Barracão da Cultura, em Mairiporã. Não me subestime Eu Tô de boa. Ter Síndrome de Down é pop Isso porque o amamos exatamente do jeito que é e não conseguimos imaginar uma situação diferente. Nós nos lembramos da primeira apresentação na escola, no maternal, foi uma festa junina. O Oswaldo comentou “Acho que é muito mais gratificante ser pais de uma criança especial (como se falava na época) ou com deficiência, pois as conquistas exigem um esforço maior, são mais valorizadas.” Pode ser que houvesse aí um capacitismo, pressupondo que ele não conseguiria, mas era o nosso sentimento. Outra situação em festinha de escola: o Tomás se apresentando e uma mãe ao meu lado, chorando, bastante emocionada e dizendo: “Cada mãe se emociona com seu próprio filho, mas com o Tomás, todas se emocionam!” Ser pais de uma pessoa com Síndrome de Down exige mais dedicação, tempo, luta por direitos, mas envolve muito amor, aprendizado e é muito surpreendente, enriquecedor e gratificante. Denise Dhom Pimentel Roza Oswaldo Silva Roza Pais de Tomás Pimentel Roza, 22 anos Se na gestação, alguém nos perguntasse se gostaríamos que nosso filho nascesse com Síndrome de Down, a resposta certamente seria não. Porém, hoje, se alguém perguntasse se nós gostaríamos que o Tomás fosse diferente do que ele é, a resposta também seria não. Gosto de jogar futsal, tocar piano, fazer teatro. Também gosto de viajar e passear. Meus passeios preferidos são cinema, teatro, boliche e karaokê. Adoro pesquisar sobre animais selvagens, principalmente mamíferos. Gostaria de ter um trabalho relacionado a isso. SOU FELIZ: FAÇO TEATRO E TOCO TECLADO Página 23 O AMAMOS DO JEITO QUE É - Dedicação e Aprendizagem Revista Todos na Diferença 22 EDIÇÃO COMEMORATIVA Dentro de uma sociedade preconceituosa e competitiva, característica do modelo neoliberal, voltada para a produção e marcada pelo individualismo, não há espaço e nem tempo para aqueles que não acompanham o ritmo do desenvolvimento tecnológico e não respondem à demanda do mercado. Apesar das lutas sociais terem ampliado o reconhecimento e conscientização dos problemas dos idosos e das pessoas com necessidades especiais, estes nãosão atendidos por políticas públicas ou privadas de forma verdadeiramente inclusiva, mas apenas como “migalhas compensatórias”. Essa dissimulação, enraizada no comportamento e na atitude social, faz parecer até que o processo de envelhecimento está sempre projetado no outro e não é compreendido como o ciclo natural de cada ser da natureza, que vai do nascimento à morte. Hoje a palavra “Inclusão” é parte integrante de todo um discurso e mesmo prática, tanto na setor público como no privado. Hoje as Pessoas com Deficiência estão bem mais expostas e são objetos de todos os programas e estudos que visam uma sociedade mais humana. Sem dúvida é um avanço, já que as Pessoas com Deficiência eram antes raramente vistas porque morriam cedo ou envelheciam discretamente atrás dos muros das instituições ou no seio da família. As reflexões, neste trabalho, são feitas a partir da minha vivência como mãe de um adulto com a Síndrome de Down, de meu próprio envelhecimento e de como o meio social dissimula os mecanismos de rejeição, negação e superproteção. INCLUSÃO E ENVELHECIMENTO Pagina 24Revista Todos na Diferença 22 EDIÇÃO COMEMORATIVA SUELY SOLFERINI É MÃE DE GUSTAVO CONTINUA Mesmo assim, POUCO SE FALA DO ENVELHECIMENTO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA! Fala-se muito em programas de inclusão escolar e no mercado de trabalho. Parece-me que há pouco interesse em saber como o processo de envelhecimento é vivenciado por essas pessoas, além de, muitas vezes, continuarmos a encará-los como eternas crianças, assim como as pessoas idosas são habitualmente tratadas. A sociedade é quem seleciona certos atributos e normas, considerando- os desejáveis na medida em que se harmonizam, melhor dizendo, estão adequados aos padrões estabelecidos pela sociedade. Assim sendo, o grande risco é confundir inclusão com adequação. Como bem disse Boaventura de Souza Santos: “Temos o direito de ser iguais quando a nossa diferença nos inferioriza; e temos o direito de ser diferentes quando a nossa igualdade nos descaracteriza” Sempre escrevo na oficina e sinto mais habilidade quando estou declamando minhas poesias. Quem não gosta de aprender a língua portuguesa? A poesia faz parte de nossas vidas porque ela vem na cabeça e falamos coisas bonitas. “O vento leva o mar bate nas rochas subindo ... subindo ... subindo ... até chegar no horizonte” Sou alegre e brincalhão, mas não gosto quando me ofendem. Muitas pessoas são intolerantes. É uma forma de gentileza e de educação compartilhar conversas conosco. S O U D I F E R E N T E , M A S N I N G U É M É I G U A L ! Tenho muita dificuldade de me comunicar. Sempre gaguejei. A oficina de escrita me ensina a organizar minha comunicação com os amigos. Me ajuda a aprender, escrever, ler e prestar atenção. Página 25 Gustavo Solferini: Faço Kumon, terapia, fono e jogo tênis. Gosto muito de sair com os amigos e escrever poesia na oficina. DIFICULDADES E AVANÇOS Revista Todos na Diferença 22 EDIÇÃO COMEMORATIVA CONTINUAÇÃO Só que ele estava falando para leigos. Não sabíamos o que era a Síndrome de Down. Foi quando ele disse que antigamente se falava em mongolismo. Daí caiu a ficha. Claro que eu senti um baque naquele momento, mas também foi uma provocação. O MESMO GINECOLOGISTA HAVIA DITO QUE “IRÍAMOS CARREGAR UM FARDO PARA O RESTO DE NOSSAS VIDAS”. ESSE MÉDICO NÃO HAVIA PERCEBIDO QUE ESTÁVAMOS FRENTE A FRENTE COM UM SER HUMANO. O dr. Zan falou uma coisa que é perfeita: “A pior das dores é a perda”. E quando nasce uma pessoa com a Síndrome de Down perdemos o filho esperado. Isso é muito importante para sabermos que o momento da dor faz parte da vida. Foi então um amadurecimento para mim e minha esposa Rosângela. Ficamos focados na ideia de que iríamos dar o melhor para o Nathan. O grande “boom” é preparar o filho para a vida. Sérgio Carvalho é fisioterapeuta e fundador do Instituto Down 2000 em 1999 Na verdade nem estudava na época porque eu era dislexo e tinha distúrbio de atenção. Só fui estudar depois de mais velho. Quando o Nathan nasceu, o ginecologista começou a nos mostrar algumas características dele, tais como os olhos e fisiologia . Página 26Revista Todos na Diferença 22 EDIÇÃO COMEMORATIVA INSTITUTO DOWN 2000 SÉRGIO CARVALHO - Juiz de Fora MG Foi através da Família Down que comecei a trabalhar e conheci a minha gata Isabeli Cristiane. Tenho ela na minha vida e no meu coração. Me apaixonei pelo seus olhos verdes. Foi emocionante. Ela me deu forças para dar a volta por cima e amor para seguir o meu destino. NATHAN CALEGAR PEREIRA Quando minha esposa engravidou, eu era comerciante. Não era fisioterapeuta. Campanha “Não somos a Síndrome”, da APAE de Extrema - MG O Crie APAE de Extrema-MG lançou a campanha “Não Somos a Síndrome”, com o objetivo de destacar que pessoas com Síndrome de Down não são definidas pelo diagnóstico. A iniciativa ocorre por conta do Dia Internacional da Síndrome de Down, no dia 21 de março. A data foi escolhida por representar a trissomia do cromossomo 21, alteração genética que caracteriza a síndrome. Em entrevista ao Jornal Mais Extrema, a gestora do Crie, Agnes Gonçalves, ressaltou que as informações disponíveis na internet costumam ser mais focadas em descrever a condição médica do que em mostrar como é o dia a dia das pessoas com Síndrome de Down. “Ter a síndrome define tanto quem são essas pessoas que pensamos em mudar essa visão com a nossa campanha. Imagina você sempre ser lembrado por apenas uma das suas características?”, explicou. Revista Todos na Diferença 22 EDIÇÃO COMEMORATIVA Página 27 CONTINUA A campanha “Não Somos a Síndrome” é protagonizada por adultos atendidos pelo Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculo do Crie, serviço conveniado com Secretaria Municipal de Assistência Social. A iniciativa será promovida até o final do mês de março, como parte das ações voltadas ao Dia Internacional da Síndrome de Down. O objetivo da campanha, conforme destacado por Agnes, é apresentar as pessoas além da síndrome: “Queremos mostrar o que gostam, o que não gostam, seus desejos, sua personalidade. Aspectos que não têm ligação direta com a síndrome, pois ela não define completamente quem são como indivíduos, apenas traz características a eles”. Agnes também enfatizou a mensagem central da campanha lançada este ano: “Queremos romper o estigma de que essas pessoas são coitadas ou super-heróis. São seres humanos com personalidades únicas e individuais”. Com muita alegria o Todos na Diferença recebeu da Agnes uma mensagem particular nos contando que se inspirou no livro “Síndrome de Down como você nunca viu: profundo relato de uma pai educador”, de Guga Dorea, para pensar as propostas da campanha. Nossa campanha é importante porque tem a intenção de acabar com estigmas sobre pessoas com Síndrome de Down. A intenção é esclarecer que o diagnóstico não limita nem define quem são essas pessoas. Elas são pessoas! AGNES GONÇALVES É PEDAGOGA E PÓS GRADUADA EM NEUROPSICOLOGIA. ESTÁ NO CRIE DESDE 2006 E É A GESTORA DA CAMPANHA Revista Todos na Diferença 22 EDIÇÃO COMEMORATIVA Página 28 REPORTAGEM REALIZADA PELO JORNAL EXTREMA MAIS (MARÇO 2025) - ARTIGO DE JESSICA LIMA CONTINUAÇÃO Isso também nos projetou para os desafios, em especial da vida adulta dessas pessoas, que parece ser um campo cada vez mais necessário a ser explorado. Pela história que nos foi contada há algum tempo, parece que em um passado não tão distante assim, as pessoas com Síndrome de Down eram incapazes de aprender. Isso porque a presença de um terceiro cromossomo em suas células as deixou incapazes. Porém hoje, pais e profissionais, munidos de muita dedicação, começaram a mostrar que essas definições não eram o ponto final. E estão desenhando uma outra história. Atualmente, não é difícil visualizar pessoas com a SD conquistando seu espaço de estudo, de trabalho e de vida independente, entre outras instâncias. Reconhecem sua identidade,mas aproveitam ao máximo a vida que lhe foi proporcionada. Notamos que essas pessoas se apresentam dentro de uma sociedade mais inclusiva, mostrando que podem fazer bem muitas coisas, de forma diferente, independente das dificuldades encontradas, ou melhor, igual a todo mundo. Afinal, ninguém tem todas as habilidades e sempre nos completamos nesse coletivo de juntos podermos integrar e viver na diversidade. Apesar de tudo o que já foi conquistado, sempre é hora das pessoas com síndrome de Down e de outras deficiências intelectuais serem vistas pela sociedade como seres capazes de desenvolver seu potencial, de forma a contribuir para um mundo melhor , que não tem fronteiras. Início esse meu texto dizendo que meu pequeno grande Léo, além de nos colocar (eu e Guacira) diante da causa da Síndrome de Down, também nos encaminhou para um convite mais amplo: a luta por direitos, evitando retrocessos de tudo que já foi conquistado ao longo desse tempo, por muitos pais e outras pessoas engajadas. Revista Todos na Diferença 22 EDIÇÃO COMEMORATIVA Página 29 O TEMPO EM MOVIMENTO MARCOS É REPRESENTANTE DA REGIÃO SUDESTE DA FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE SÍNDROME DE DOWN A REVISTA É PARCEIRA DA FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE SÍNDROME DE DOWN (FBASD) FBASD foi criada há mais de 20 anos e reúne associações, fundações e outras organizações dedicadas ao desenvolvimento das pessoas com síndrome de Down e com outras deficiências, e de sua qualidade de vida. Estaremos presentes e convidamos vocês para esse fundamental evento! Revista Todos na Diferença 22 EDIÇÃO COMEMORATIVA Página 30 CONGRESSOS DOWN