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SUMÁRIO
1. Introdução ..................................................................... 3
2.Epidemiologia ............................................................... 3
3. Classificação ................................................................ 3
4. Dispepsia Orgânica .................................................. 3
5. Dispepsia Funcional .................................................. 5
Referências Bibliográficas ........................................18
3DISPEPSIA
1. INTRODUÇÃO
A dispepsia foi originalmente defini-
da como qualquer sintoma referente 
a trato gastrointestinal superior. O co-
mitê de Roma (The Rome Comittee) 
desenvolveu definições de dispepsia 
que, mais especificamente, culmina-
ram no Roma IV.
Dessa forma, a dispepsia é definida 
atualmente como uma dor epigás-
trica predominante com duração de 
pelo menos 1 mês. Isso pode ser as-
sociado a qualquer outro sintoma do 
trato gastrointestinal superior - como 
plenitude pós-prandial, náuseas, 
vômitos ou azia - desde que a dor 
epigástrica seja a queixa principal do 
paciente.
CONCEITO! A dispepsia é uma dor epi-
gástrica predominante com duração 
de pelo menos 1 mês, que pode estar 
associada a qualquer outro sintoma do 
trato gastrointestinal superior.
2.EPIDEMIOLOGIA
Por vezes a gente acaba não dan-
do tanta importância para esse tema 
quando estamos estudando, mas só 
para termos uma noção da relevân-
cia dele: a dispepsia acomete, hoje, 
por volta de 25-30% da população 
mundial, sendo relatada como quei-
xa principal em cerca de 7% das 
consultas com clínicos gerais - e 
se formos olhar para as consultas 
com gastroenterologistas, algumas 
referências chegam apontar a dis-
pepsia como motivo para cerca de 
50% dos atendimentos prestados. 
Pacientes com dispepsia têm qua-
lidade de vida reduzida e angústia 
emocional por causa de seus sinto-
mas, com pesados encargos econô-
micos através de despesas médicas 
diretas e perda de produtividade. Di-
ferentes estudos identificaram dife-
rentes fatores de risco para dispep-
sia, incluindo sexo feminino, idade 
crescente, diminuição do grau de 
urbanização, infecção por H. pylori, 
uso de anti-inflamatórios não-es-
teroidais (AINEs), baixo nível edu-
cacional e ser casado. Curiosamente, 
fumar é apenas levemente associado 
à dispepsia e álcool e café não estão 
associados.
3. CLASSIFICAÇÃO
A primeira coisa que a gente preci-
sa ter em mente para começar a de-
senvolver o raciocínio em um caso 
de dispepsia é com relação às prin-
cipais etiologias e aí nós temos que 
elas costumam ser divididas em dois 
grandes grupos: 
• Dispepsia Orgânica
• Dispepsia Funcional
4. DISPEPSIA ORGÂNICA 
A dispepsia orgânica pode ser cau-
sada por uma série de doenças 
4DISPEPSIA
- inclusive algumas que nem são do 
trato digestório. Sendo que as prin-
cipais etiologias orgânicas podem 
ser divididas em quatro grupos de 
etiologias:
• Pépticas
• Não-pépticas
• Biliopancreáticas
• Sistêmicas
PRINCIPAIS ETIOLOGIAS ORGÂNICAS
PÉPTICAS
TABELA 1
NÃO PÉPTICAS
Doença Ulcerosa Péptica Intolerância Alimentar
Doença do Refluxo 
Gastroesofágico
Doenças Inflamatórias 
ou Infiltrativas
Neoplasia
Infecção
Síndrome do 
Intestino Irritável
BILIOPANCREÁTICAS SISTÊMICAS
Pancreatite Crônica Insuficiência Coronariana
Neoplasia Pancreática Doenças Endócrinas
Cólica Biliar Colagenoses
5DISPEPSIA
5. DISPEPSIA FUNCIONAL
A dispepsia funcional (DF) é uma 
condição médica que afeta significa-
tivamente as atividades habituais de 
um paciente e é caracterizada por um 
ou mais dos seguintes sintomas: ple-
nitude pós-prandial, saciedade pre-
coce, dor epigástrica e azia; que são 
inexplicáveis após uma avaliação clí-
nica de rotina. Tendo os critérios pre-
enchidos nos últimos 3 meses, além 
de início dos sintomas pelo menos 6 
meses antes do diagnóstico.
O termo amplo dispepsia funcional 
compreende pacientes das seguintes 
categorias diagnósticas: a síndrome 
do desconforto pós-prandial (PDS), 
que é caracterizada por sintomas dis-
pépticos induzidos por refeição; sín-
drome da dor epigástrica (EPS), que 
se refere dor epigástrica ou pirose 
que não ocorre exclusivamente pós-
-prandial, pode ocorrer durante o je-
jum e pode apresentar melhora com a 
ingestão de refeições. 
DISPEPSIA FUNCIONAL
UM OU MAIS DOS SEGUINTES:
Plenitude pós-prandial incômoda
Saciedade precoce
Dor epigástrica incômoda
Queimação epigástrica incômoda
E
Nenhuma evidência de doença estrutural 
(inclusive na endoscopia digestiva alta)
* Critérios preenchidos nos últimos 3 meses, com início 
dos sintomas pelo menos 6 meses antes do diagnóstico.
SINDROME DA ANGÚSTIA PÓS PRANDIAL
UM OU MAIS DOS SEGUINTES, COM PRESENÇA 
DE PELO MENOS 3X POR SEMANA:
Plenitude pós-prandial incômoda
Saciedade precoce incômoda (suficiente para evi-
tar términos de refeições)
E
Nenhuma evidência de doença orgânica, sistêmica 
ou metabólica 
(inclusive na endoscopia digestiva alta)
Critérios preenchidos nos últimos 3 meses, com início 
dos sintomas pelo menos 6 meses antes do diagnóstico.
Obs: Dor ou queimação epigástrica pós-prandial, incha-
ço epigástrico, arrotos excessivos e náusea também po-
dem estar presentes.
SINDROME DA DOR EPIGÁSTRICA
UM OU MAIS DOS SEGUINTES, COM PRESENÇA 
DE PELO MENOS 1X POR SEMANA:
Dor epigástrica incômoda
E/OU
Queimação epigástrica incômoda
Nenhuma evidência de doença orgânica, 
sistêmica ou metabólica 
(inclusive na endoscopia digestiva alta)
Critérios preenchidos nos últimos 3 meses, com início 
dos sintomas pelo menos 6 meses antes do diagnóstico.
Obs: A dor pode ser induzida pela ingestão de uma re-
feição, aliviada pela ingestão de uma refeição ou pode 
ocorrer em jejum.
Obs2: Inchaço epigástrico pós-prandial, arrotos e náu-
seas também podem estar presentes
Dispepsia não investigada x 
Dispepsia investigada
Do ponto de vista etiológico, pacien-
tes com sintomas dispépticos podem 
ser subdivididos em 2 categorias 
principais:
6DISPEPSIA
• Aqueles com uma causa orgâni-
ca, sistêmica ou metabólica para 
os sintomas, que podem ser iden-
tificados por procedimentos diag-
nósticos. Em que, se a causa de 
base melhora ou é resolvida, os 
sintomas também melhoram ou 
se resolvem - por exemplo, úlcera 
péptica, doença pancreática, dis-
túrbios endócrinos ou uso de me-
dicamentos - e é descrito pelo ter-
mo dispepsia secundária. 
• Aqueles em quem nenhuma ex-
plicação identificável para o sin-
tomas pode ser identificada pelo 
procedimentos diagnósticos tra-
dicionais, podem ser classificados 
como dispepsia funcional.
Fisiopatologia
A fisiopatologia da dispepsia funcio-
nal é complexa, multifatorial e não 
completamente elucidada. No entan-
to, pode ser observado que alguns 
fatores estão relacionados, são eles: 
a disfunção gastroduodenal motora 
e sensitiva, bem como uma integri-
dade da mucosa prejudicada, imuno-
depressão e a desregulação do eixo 
intestino-cérebro.
Esvaziamento gástrico
O esvaziamento gástrico está atrasa-
do está presente em uma fração con-
siderável dos pacientes (as estimati-
vas variam de cerca de 25% a 35%), 
enquanto o esvaziamento gástrico rá-
pido é incomum, provavelmente ocor-
rendo em menos de 5% dos casos.
O esvaziamento gástrico severamen-
te atrasado em pacientes diagnosti-
cados com gastroparesia está asso-
ciado com mais vômitos e perda de 
apetite, mas pode ser assintomático.
Acomodação gástrica prejudicada
O acomodamento gástrico é controla-
do por um reflexo vago-vagal desen-
cadeado pela ingestão de refeições 
e é mediado pela ativação de nervos 
parassimpáticos na parede gástrica. 
Ocorre então uma distribuição anormal 
dos alimentos no estômago, com acu-
mulação antral de quimo e diminuição 
do conteúdo proximal do reservatório.
Hipersensibilidade gástrica e 
duodenal à distensão, ácidos e 
outros estímulos intraluminais
Hipersensibilidade a estimulação me-
cânica do estômago e do duodeno é 
frequente em pacientes com dispepsia 
funcional, mas mecanismos subjacen-
tes da suposta relação entre hipersen-
sibilidadegástrica em jejum e sintomas 
dispépticos permanecem instáveis. 
Os pacientes com DF podem apre-
sentar hipersensibilidade a substân-
cias químicas, como ácido intralumi-
nal e lipídios. 
Além disso, os inibidores da bomba 
de prótons podem reduzir eosinófilos 
7DISPEPSIA
duodenais e bloqueadores H2 po-
dem funcionar por meio de efeitos 
anti-histamínicos.
Infecção por Helicobacter pylori
A infecção por H. pylori é considerada 
uma possível causa de sintomas de DF, 
se mesmo com uma erradicação bem-
-sucedida, os sintomas dispépticos são 
SAIBA MAIS!
Helicobacter pylori (H. pylori) A H. pylori é uma bactéria gram-negativa que tem uma grande 
afinidade pelas células da mucosa gástrica e a infecção crônica desse microrganismo leva a inibi-
ção das células D - aquelas que produzem somatostatina. Só a partir disso daqui já conseguimos 
entender o problema por trás da H. pylori: se não tem somatostatina para reduzir a secreção de 
ácido clorídrico, o paciente começa a fazer um quadro de hipergastrinemia, o que provoca hiper-
cloridria e isso desestrutura o aparato de proteção do estômago e também do duodeno - afinal, 
ele vai começar a receber um conteúdo de teor bem mais ácido do que antes. É justamente esse 
desequilíbrio que favorece a ocorrência de lesões na mucosa, como ulcerações.
mantidos. Tanto a secreção ácida quan-
to o estado hormonal pode ser afetado 
até certo ponto com o H. pylori.
As terapias com antibióticos podem 
afetar os sintomas dispépticos por 
mecanismos diferentes da própria 
erradicação do H. pylori, incluindo a 
prevenção de úlceras pépticas não 
reconhecidas ou modificação da mi-
crobiota intestinal.
Inflamação duodenal de baixo 
grau, permeabilidade mucosa e 
antígenos alimentares 
A barreira mucosa serve como a pri-
meira linha de defesa contra patógenos 
e substâncias nocivas no lúmen. Infec-
ções, estresse, exposição ao ácido duo-
denal, tabagismo e alergia alimentar, 
estão todos implicados no patogênese 
da inflamação da mucosa duodenal e 
mudanças na sua permeabilidade.
Exposições ambientais 
Infecções agudas podem desen-
cadear sintomas gastrointestinais 
superiores em 10% 20% dos indiví-
duos infectados. Características dos 
agentes infecciosos e predisposição 
genética indivíduos infectados pro-
vavelmente modulam a probabilida-
de de desenvolvimento de síndromes 
digestivas pós-infecciosas.
Fatores psicossociais 
A associação entre dispepsia e distúr-
bios psiquiátricos, especialmente an-
siedade, depressão são comumente 
reconhecidos. Além disso, abuso físico 
e emocional em idade adulta e dificul-
dade em lidar com eventos da vida, 
também podem estar relacionados. 
8DISPEPSIA
náuseas e vômitos, disfagia, odino-
fagia, entre outros. Sendo importante 
avaliar também os antecedentes pes-
soais e familiares.
 O exame físico, de maneira geral, 
está normal no quadro de dispepsia, 
então ele acaba não ajudando tanto 
no raciocínio diagnóstico. Contudo, 
isso não significa dizer que ele pode 
ser ignorado, pois alguns achados 
podem direcionar o raciocínio para 
diagnósticos diferenciais. 
Investigação Laboratorial
Podem ser solicitados exames labo-
ratoriais com o objetivo de investigar 
a presença de sinais de alarme como 
ferropenia, distúrbios metabólicos, 
diabetes, hipercalcemia. Além de 
possibilitar pesquisar doença celíaca 
associada. Entre os exames laborato-
riais que podem ser solicitados, temos:
• Hemograma
• Bioquímica
• Função Renal
• Perfil Hepático
• Amilase e Lipase.
Ultrassonografia de Abdome
A ultrassonografia (USG) de abdome 
pode ser solicitada para investigação 
em pacientes que apresentem icterícia 
– possibilita investigação de possíveis 
acometimentos em vias biliares – ou em 
quadros com dor abdominal atípica.
Provavelmente existe uma relação bi-
direcional entre o intestino e a psique 
porque os pacientes com distúrbios 
gastrointestinais são mais propensos 
a desenvolver problemas psicológi-
cos e vice-versa. Estudos de neuroi-
magem sugerem que a percepção 
dos sintomas pode ser influenciada 
pela cognição e emoção.
Avaliação e Manejo Clínico
A avaliação clínica do paciente deve 
começar pela ordem lógica de todo 
atendimento: pela identificação. Pes-
quisar o nome, a idade e ocupação do 
paciente nos ajuda a encaixar o indi-
víduo em padrões característicos de 
cada doença. 
Na sequência, devemos começar a 
explorar a queixa em si e aí é bom 
começarmos investigando se há pi-
rose (queimação em região retroes-
ternal) e/ou regurgitação. Por que 
isso? Pois esses dois sintomas são 
muito característicos de Doença do 
Refluxo Gastroesofágico (DRGE) e 
como o diagnóstico dessa condição 
é clínico, quando percebermos esses 
sintomas, nosso pensamento será di-
recionado para sustentar ou afastar 
essa doença. 
Por outro lado, se o paciente não apre-
sentar esses sintomas, vamos inves-
tigar todos aqueles outros que podem 
aparecer em um quadro de dispep-
sia como, por exemplo: azia (dor em 
queimação na região epigástrica), 
9DISPEPSIA
Endoscopia Digestiva Alta
Paciente com idade > 40 anos
De acordo com o IV consenso bra-
sileiro, todo paciente acima de 40 
anos já tem indicação para realizar o 
exame de endoscopia digestiva alta 
(EDA), então essa será a nossa con-
duta. Com esse exame, o nosso obje-
tivo é definir se o paciente tem ou não 
alguma doença orgânica. 
Se tiver, vamos tratá-la. Se não tiver, 
aí nós devemos realizar testes para 
avaliar se ele tem H. pylori. Em sendo 
identificada a presença da bactéria, aí 
nós vamos precisar tratá-la. Caso con-
trário, a gente começa a sustentar me-
lhor a suspeita de dispepsia funcional 
e aí a nossa conduta deverá ser:
• Prescrever medicamentos que 
atuem reduzindo a acidez do es-
tômago, como os inibidores de 
bomba de prótons (IBPs).
Paciente com idade 40 anos
Sinais de Alarme EDA
NÃO SIM
Doença orgânica
SIM NÃO1) Empírico com IBP
2) Testa e trata H. pylori
Voltou 
> 1 ano
Voltou
MALT, câncer gástrico (com aborda-
gem prévia ou até planejamento ci-
rúrgico), histórico familiar de câncer 
gástrico em parente de primeiro grau, 
púrpura trombocitopênica imune, fer-
ropenia inexplicada e deficiência de 
vitamina B12.
QUANDO TESTAR/TRATAR?
Dispepsia
Historico familiar de CA 
gástrico em parente de 
1º grau
Lesão pré-neoplásica
Púrpura trombocitopê-
nica imune
Linfoma MALT Ferropenia inexplicada
CA gástrico – aborda-
gem endoscópica/gas-
trectomia parcial
Deficiência de vitamina 
B12
Podem ser escolhidos métodos não 
invasivos ou invasivos. Os métodos 
não invasivos devem ser solicitados 
em pacientes que não tem indicação 
para EDA. São alguns deles:
• Teste Respiratório da Ureia 
(TRU): o paciente ingere uma so-
lução de ureia marcada com isóto-
pos de carbono (C13 e C14). Sob 
ação da urease do H. pylori, a ureia 
é convertida em amônia e bicarbo-
nato, o qual é convertido em CO2 
(com o C marcado), sendo este últi-
mo prontamente absorvido para a 
circulação e eliminado na exalação. 
O paciente então expira em um re-
cipiente onde a presença de car-
bono marcado pode ser detectada 
por cintilação ou espectrografia.
12DISPEPSIA
• Sorologia: o ELISA para detectar a 
presença de IgG anti-H. pylori tem 
baixa sensibilidade e especificida-
de comparado aos demais méto-
dos não invasivos, não sendo mais 
indicado de rotina para o diagnós-
tico de infecção ativa.
• Pesquisa do antígeno fecal: an-
tígenos do Helicobacter pylori po-
dem ser detectados nas fezes e, 
quando presentes, indicam doen-
ça ativa.
• Teste rápido da uréase do frag-
mento da biopsia: é o método de 
escolha na avaliação inicial dos 
pacientes que foram submetidos à 
endoscopia digestiva alta. Amos-
tras de biópsia da mucosa são 
colocadas em um meio contendo 
ureia e um marcador de pH;
3
4
2
1
1) Paciente bebe ureia marcada 
com carbono 13 diluída em suco
2) Na presença de H. pylori, esta 
produz HCO3 com carbono 13 marcado
3) O pulmão transforma o HCO3 
em CO2 com carbono marcado
4) Paciente expira CO2 
em uma bolsa plástica
5) O ar desta bolsa é testado 
em um aparelho para ver se contém 
CO2 com carbono 13 marcado
ESQUEMA DO FUNCIONAMENTO DO TESTE DA UREIA
13DISPEPSIA
• Histopatologia: geralmente duas 
a três biópsias da região antral co-
radas pela prata (Warthin-Starry), 
método de Gimenez, carbolfucsina 
ou imuno-histoquímica são sufi-
cientes para o diagnóstico de in-
fecção por H. pylori.
• Cultura: a cultura é menos utiliza-
da para o diagnóstico, pois o iso-
lamento da bactéria é difícil e cus-
toso. A principal vantagem deste 
método consiste na determina-
ção da sensibilidade do H. pylo-
ri aos antibióticos empregados, 
principalmente nos casos de falha 
terapêutica.
Tratamento Farmacológico
O tratamento farmacológico pode ser 
realizado basicamente por meio de 
duas grandes classes de medicamen-
tos: antissecretores e antibióticos.
Antissecretores
A grande função dos fármacos desse 
grupo é reduzir a acidez gástrica. 
Inibidores de Bomba de Prótons 
(IBPs) 
Os IBPs, representados pelas drogas 
terminadas em -prazol (Omepra-
zol, Pantoprazol, Lansoprazol, en-
tre outros), são os medicamentos de 
Reação negativa
Reação positiva
Teste da uréase em tubo de 
ensaio. Fonte: Atg World
Reação negativa
Reação positiva
Teste da uréase em tubo de 
ensaio. Fonte: Atg World
Reação negativa
Reação positiva
Teste da uréase em tubo de 
ensaio. Fonte: Atg World
14DISPEPSIA
primeira escolha quando se deseja 
reduzir a acidez estomacal. 
Isso acontece porque eles atuam 
se ligando à bomba H+/K+ ATPase 
(bomba de prótons) da célula pa-
rietal e, daí, impedem o seu funcio-
namento. Os IBPs vão interromper a 
última etapa para produção de HCl, 
que é a liberação de íons H+ no lú-
men da glândula. 
São efeitos adversos do uso de IBPs:
• Demência: Por conta do efeito ini-
bitório que esse fármaco exerce 
sobre as células parietais, a se-
creção de fator intrínseco também 
pode ficar prejudicada e aí isso re-
duz a absorção de vitamina B12. 
Mas a gente só se preocupa com 
isso se a terapia for mantida por 
um tempo maior ou igual a 2 anos.
• Absorção incompleta do car-
bonato de cálcio: a absorção fica 
prejudicada pelo pH elevado e aí 
pode ser necessário repor cálcio.
• Redução da eficácia do Clopi-
dogrel: Isso acontece pois os IBPs 
inibem uma proteína chamada 
CIP2C19, que está associada ao 
mecanismo de ação do clopidogrel.
Bloqueadores de H2 
Representados pelos fármacos termi-
nados em -tidina (Cimetidina, Niza-
tidina, Ranitidina, Famotidina), essa 
classe se caracteriza por bloquear 
competitivamente e seletivamente 
os receptores H2, de modo que eles 
não recebem o estímulo da histamina, 
que atua na promoção da secreção 
de ácido clorídrico. 
São efeitos adversos do uso de Blo-
queadores de H2:
• Cefaleia e Tonturas;
• Diarreia;
• Dores musculares;
• Confusão e Alucinação
Antiácidos 
Os antiácidos são bases fracas que 
reagem com o ácido clorídrico do es-
tômago e o neutralizam, de modo a 
promover um alívio rápido dos sinto-
mas, mas que também se mantém por 
pouco tempo: se ele for administrado 
em jejum, seu efeito dura entre 10 a 
20 minutos, agora se for utilizado mais 
ou menos 1 hora após a refeição, pode 
se manter atuante por 2 a 3 horas. 
Os principais exemplos de antiácidos 
são: Hidróxido de Alumínio, Hidró-
xido de Magnésio e Bicarbonato de 
Sódio. Os principais efeitos adver-
sos do seu uso são:
• Constipação, causada principal-
mente quando a droga de escolha 
é o Hidróxido de Alumínio. 
• Diarreia, causada principalmente 
quando a droga de escolha é o Hi-
dróxido de Magnésio;
• Comprometimento renal;
15DISPEPSIA
Antibióticos
Amoxicilina
A amoxicilina é uma penicilina e, por-
tanto, ela age sobre bactérias, inter-
ferindo na última etapa do processo 
de síntese da sua parede. Assim, com 
sua membrana mais instável, esses 
microrganismos acabam ficando mais 
vulneráveis e acabam morrendo. 
Associado a isso, é importante a gente 
ter em mente que, apesar de ser mais 
eficaz sobre bacilos gram-negativos, 
a amoxicilina age também sobre os 
gram-positivos e por isso é referida 
como sendo uma droga de espectro 
estendido. Os principais efeitos ad-
versos do seu uso são:
• Hipersensibilidade 
• Diarreia
• Nefrite
• Toxicidade neurológica e hemato- 
lógica 
Claritromicina 
A claritromicina é um antibiótico ma-
crolídeo que atua se ligando ao ribos-
somo bacteriano e, com isso, inibindo 
algumas etapas da síntese proteica. 
De maneira geral, ele é considerado 
uma droga bacteriostática, mas que 
em doses elevadas tem efeito bacte-
ricida. Os principais efeitos adversos 
do seu uso são:
• Desconforto epigástrico 
• Icterícia colestática 
• Ototoxicidade 
Metronidazol e Tinidazol 
Esses dois medicamentos são muito 
utilizados em infecções por amebas, 
mas também exercem um certo efei-
to em bactérias. Seu mecanismo de 
ação envolve o armazenamento de 
elétrons, de modo a formar compos-
tos citotóxicos que se ligam às prote-
ínas e ao DNA, levando à morte celu-
lar. Os principais efeitos adversos do 
seu uso são:
• Náusea 
• Desconforto epigástrico 
• Cólica abdominal 
• Propensão a infecção fúngica na 
boca 
Tetraciclina 
As tetraciclinas não medicamentos 
que penetram no citoplasma bacte-
riano e inibem a síntese proteica por 
impedir a conexão entre o RNAt e o 
RNAm, o que acaba levando à morte. 
E elas também agem sobre microrga-
nismos tanto gram-positivos quanto 
gram-negativos. Os principais efei-
tos adversos do seu uso são:
• Desconforto gastrointestinal
• Deposição de cálcio
16DISPEPSIA
• Hepatotoxicidade
• Fototoxicidade
• Problemas vestibulares 
Levofloxacino 
O levofloxacino é uma fluoroquinolona 
que atua entrando no citoplasma bac-
teriano e inibindo a replicação do DNA 
ao interferir na ação de duas enzimas: 
topoisomerase II e IV. Os principais 
efeitos adversos do seu uso são:
• Náusea e diarreia 
• Cefaleia 
• Vertigem e Tontura 
• Fototoxicidade
Esquema de tratamento da H. 
pyloriNesse grupo de pacientes, a gente 
vai precisar entrar com antibiótico 
para matar os microrganismos, mas 
também algum fármaco para reduzir 
a secreção gástrica, aliviando os sin-
tomas. Diante disso, o IV Consenso 
Brasileiro com relação à infecção por 
H. pylori determina que o tratamento 
de primeira linha para esses pacientes 
deve ser composto por 3 fármacos:
Amoxicilina 1g, 12/12h
14 DIAS
Claritromicina 500mg, 
12/12h
IBP, 12/12h
Caso o paciente seja alérgico à Amo-
xicilina, podemos substituí-la por Le-
vofloxacina. Mas além disso, algumas 
alternativas para esse esquema tera-
pêutico são as seguintes:
Metronidazol
10 - 14 DIAS
Tetraciclina
Subcitrato de Bismuto
IBP
Metronidazol/Tinidazol
14 DIAS
Claritromicina
Amoxicilina
IBP
Uma vez tendo administrado essa te-
rapia inicial e o paciente volte, a gente 
segue para o retratamento e aí a nos-
sa decisão terapêutica vai ser diferen-
te. Poderemos optar por 2 esquemas:
Amoxicilina
10 - 14 DIASLecofloxacina
IBP
Metronidazol
10 - 14 DIAS
Tetraciclina
Subcitrato de Bismuto
IBP
17DISPEPSIA
MAPA MENTAL DISPEPSIA FUNCIONAL RESUMO
Dispepsia 
Funcional
Clínica
Distensão abdominal
Fatores psicossociais
Tratamento
Roma IVCorrelações
Epigastralgia Saciedade precocePlenitude pós-prandial Desconforto epigástrico
IBPs Bloqueadores H2 Tratamento para 
H. pyloriPsicoterapia MEV
Alterações motoras gástricas
Hipersensibilidade Visceral
Disfunção autonômica
Gastrite por H. pylori
6 meses de ínicio dos sintomas
Critérios preenchidos 
nos últimos 3 meses
Ausência de doença estrutural
Pelo menos 1 dos sintomas
18DISPEPSIA
REFERÊNCIAS 
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