Prévia do material em texto
SUMÁRIO 1. Introdução ..................................................................... 3 2.Epidemiologia ............................................................... 3 3. Classificação ................................................................ 3 4. Dispepsia Orgânica .................................................. 3 5. Dispepsia Funcional .................................................. 5 Referências Bibliográficas ........................................18 3DISPEPSIA 1. INTRODUÇÃO A dispepsia foi originalmente defini- da como qualquer sintoma referente a trato gastrointestinal superior. O co- mitê de Roma (The Rome Comittee) desenvolveu definições de dispepsia que, mais especificamente, culmina- ram no Roma IV. Dessa forma, a dispepsia é definida atualmente como uma dor epigás- trica predominante com duração de pelo menos 1 mês. Isso pode ser as- sociado a qualquer outro sintoma do trato gastrointestinal superior - como plenitude pós-prandial, náuseas, vômitos ou azia - desde que a dor epigástrica seja a queixa principal do paciente. CONCEITO! A dispepsia é uma dor epi- gástrica predominante com duração de pelo menos 1 mês, que pode estar associada a qualquer outro sintoma do trato gastrointestinal superior. 2.EPIDEMIOLOGIA Por vezes a gente acaba não dan- do tanta importância para esse tema quando estamos estudando, mas só para termos uma noção da relevân- cia dele: a dispepsia acomete, hoje, por volta de 25-30% da população mundial, sendo relatada como quei- xa principal em cerca de 7% das consultas com clínicos gerais - e se formos olhar para as consultas com gastroenterologistas, algumas referências chegam apontar a dis- pepsia como motivo para cerca de 50% dos atendimentos prestados. Pacientes com dispepsia têm qua- lidade de vida reduzida e angústia emocional por causa de seus sinto- mas, com pesados encargos econô- micos através de despesas médicas diretas e perda de produtividade. Di- ferentes estudos identificaram dife- rentes fatores de risco para dispep- sia, incluindo sexo feminino, idade crescente, diminuição do grau de urbanização, infecção por H. pylori, uso de anti-inflamatórios não-es- teroidais (AINEs), baixo nível edu- cacional e ser casado. Curiosamente, fumar é apenas levemente associado à dispepsia e álcool e café não estão associados. 3. CLASSIFICAÇÃO A primeira coisa que a gente preci- sa ter em mente para começar a de- senvolver o raciocínio em um caso de dispepsia é com relação às prin- cipais etiologias e aí nós temos que elas costumam ser divididas em dois grandes grupos: • Dispepsia Orgânica • Dispepsia Funcional 4. DISPEPSIA ORGÂNICA A dispepsia orgânica pode ser cau- sada por uma série de doenças 4DISPEPSIA - inclusive algumas que nem são do trato digestório. Sendo que as prin- cipais etiologias orgânicas podem ser divididas em quatro grupos de etiologias: • Pépticas • Não-pépticas • Biliopancreáticas • Sistêmicas PRINCIPAIS ETIOLOGIAS ORGÂNICAS PÉPTICAS TABELA 1 NÃO PÉPTICAS Doença Ulcerosa Péptica Intolerância Alimentar Doença do Refluxo Gastroesofágico Doenças Inflamatórias ou Infiltrativas Neoplasia Infecção Síndrome do Intestino Irritável BILIOPANCREÁTICAS SISTÊMICAS Pancreatite Crônica Insuficiência Coronariana Neoplasia Pancreática Doenças Endócrinas Cólica Biliar Colagenoses 5DISPEPSIA 5. DISPEPSIA FUNCIONAL A dispepsia funcional (DF) é uma condição médica que afeta significa- tivamente as atividades habituais de um paciente e é caracterizada por um ou mais dos seguintes sintomas: ple- nitude pós-prandial, saciedade pre- coce, dor epigástrica e azia; que são inexplicáveis após uma avaliação clí- nica de rotina. Tendo os critérios pre- enchidos nos últimos 3 meses, além de início dos sintomas pelo menos 6 meses antes do diagnóstico. O termo amplo dispepsia funcional compreende pacientes das seguintes categorias diagnósticas: a síndrome do desconforto pós-prandial (PDS), que é caracterizada por sintomas dis- pépticos induzidos por refeição; sín- drome da dor epigástrica (EPS), que se refere dor epigástrica ou pirose que não ocorre exclusivamente pós- -prandial, pode ocorrer durante o je- jum e pode apresentar melhora com a ingestão de refeições. DISPEPSIA FUNCIONAL UM OU MAIS DOS SEGUINTES: Plenitude pós-prandial incômoda Saciedade precoce Dor epigástrica incômoda Queimação epigástrica incômoda E Nenhuma evidência de doença estrutural (inclusive na endoscopia digestiva alta) * Critérios preenchidos nos últimos 3 meses, com início dos sintomas pelo menos 6 meses antes do diagnóstico. SINDROME DA ANGÚSTIA PÓS PRANDIAL UM OU MAIS DOS SEGUINTES, COM PRESENÇA DE PELO MENOS 3X POR SEMANA: Plenitude pós-prandial incômoda Saciedade precoce incômoda (suficiente para evi- tar términos de refeições) E Nenhuma evidência de doença orgânica, sistêmica ou metabólica (inclusive na endoscopia digestiva alta) Critérios preenchidos nos últimos 3 meses, com início dos sintomas pelo menos 6 meses antes do diagnóstico. Obs: Dor ou queimação epigástrica pós-prandial, incha- ço epigástrico, arrotos excessivos e náusea também po- dem estar presentes. SINDROME DA DOR EPIGÁSTRICA UM OU MAIS DOS SEGUINTES, COM PRESENÇA DE PELO MENOS 1X POR SEMANA: Dor epigástrica incômoda E/OU Queimação epigástrica incômoda Nenhuma evidência de doença orgânica, sistêmica ou metabólica (inclusive na endoscopia digestiva alta) Critérios preenchidos nos últimos 3 meses, com início dos sintomas pelo menos 6 meses antes do diagnóstico. Obs: A dor pode ser induzida pela ingestão de uma re- feição, aliviada pela ingestão de uma refeição ou pode ocorrer em jejum. Obs2: Inchaço epigástrico pós-prandial, arrotos e náu- seas também podem estar presentes Dispepsia não investigada x Dispepsia investigada Do ponto de vista etiológico, pacien- tes com sintomas dispépticos podem ser subdivididos em 2 categorias principais: 6DISPEPSIA • Aqueles com uma causa orgâni- ca, sistêmica ou metabólica para os sintomas, que podem ser iden- tificados por procedimentos diag- nósticos. Em que, se a causa de base melhora ou é resolvida, os sintomas também melhoram ou se resolvem - por exemplo, úlcera péptica, doença pancreática, dis- túrbios endócrinos ou uso de me- dicamentos - e é descrito pelo ter- mo dispepsia secundária. • Aqueles em quem nenhuma ex- plicação identificável para o sin- tomas pode ser identificada pelo procedimentos diagnósticos tra- dicionais, podem ser classificados como dispepsia funcional. Fisiopatologia A fisiopatologia da dispepsia funcio- nal é complexa, multifatorial e não completamente elucidada. No entan- to, pode ser observado que alguns fatores estão relacionados, são eles: a disfunção gastroduodenal motora e sensitiva, bem como uma integri- dade da mucosa prejudicada, imuno- depressão e a desregulação do eixo intestino-cérebro. Esvaziamento gástrico O esvaziamento gástrico está atrasa- do está presente em uma fração con- siderável dos pacientes (as estimati- vas variam de cerca de 25% a 35%), enquanto o esvaziamento gástrico rá- pido é incomum, provavelmente ocor- rendo em menos de 5% dos casos. O esvaziamento gástrico severamen- te atrasado em pacientes diagnosti- cados com gastroparesia está asso- ciado com mais vômitos e perda de apetite, mas pode ser assintomático. Acomodação gástrica prejudicada O acomodamento gástrico é controla- do por um reflexo vago-vagal desen- cadeado pela ingestão de refeições e é mediado pela ativação de nervos parassimpáticos na parede gástrica. Ocorre então uma distribuição anormal dos alimentos no estômago, com acu- mulação antral de quimo e diminuição do conteúdo proximal do reservatório. Hipersensibilidade gástrica e duodenal à distensão, ácidos e outros estímulos intraluminais Hipersensibilidade a estimulação me- cânica do estômago e do duodeno é frequente em pacientes com dispepsia funcional, mas mecanismos subjacen- tes da suposta relação entre hipersen- sibilidadegástrica em jejum e sintomas dispépticos permanecem instáveis. Os pacientes com DF podem apre- sentar hipersensibilidade a substân- cias químicas, como ácido intralumi- nal e lipídios. Além disso, os inibidores da bomba de prótons podem reduzir eosinófilos 7DISPEPSIA duodenais e bloqueadores H2 po- dem funcionar por meio de efeitos anti-histamínicos. Infecção por Helicobacter pylori A infecção por H. pylori é considerada uma possível causa de sintomas de DF, se mesmo com uma erradicação bem- -sucedida, os sintomas dispépticos são SAIBA MAIS! Helicobacter pylori (H. pylori) A H. pylori é uma bactéria gram-negativa que tem uma grande afinidade pelas células da mucosa gástrica e a infecção crônica desse microrganismo leva a inibi- ção das células D - aquelas que produzem somatostatina. Só a partir disso daqui já conseguimos entender o problema por trás da H. pylori: se não tem somatostatina para reduzir a secreção de ácido clorídrico, o paciente começa a fazer um quadro de hipergastrinemia, o que provoca hiper- cloridria e isso desestrutura o aparato de proteção do estômago e também do duodeno - afinal, ele vai começar a receber um conteúdo de teor bem mais ácido do que antes. É justamente esse desequilíbrio que favorece a ocorrência de lesões na mucosa, como ulcerações. mantidos. Tanto a secreção ácida quan- to o estado hormonal pode ser afetado até certo ponto com o H. pylori. As terapias com antibióticos podem afetar os sintomas dispépticos por mecanismos diferentes da própria erradicação do H. pylori, incluindo a prevenção de úlceras pépticas não reconhecidas ou modificação da mi- crobiota intestinal. Inflamação duodenal de baixo grau, permeabilidade mucosa e antígenos alimentares A barreira mucosa serve como a pri- meira linha de defesa contra patógenos e substâncias nocivas no lúmen. Infec- ções, estresse, exposição ao ácido duo- denal, tabagismo e alergia alimentar, estão todos implicados no patogênese da inflamação da mucosa duodenal e mudanças na sua permeabilidade. Exposições ambientais Infecções agudas podem desen- cadear sintomas gastrointestinais superiores em 10% 20% dos indiví- duos infectados. Características dos agentes infecciosos e predisposição genética indivíduos infectados pro- vavelmente modulam a probabilida- de de desenvolvimento de síndromes digestivas pós-infecciosas. Fatores psicossociais A associação entre dispepsia e distúr- bios psiquiátricos, especialmente an- siedade, depressão são comumente reconhecidos. Além disso, abuso físico e emocional em idade adulta e dificul- dade em lidar com eventos da vida, também podem estar relacionados. 8DISPEPSIA náuseas e vômitos, disfagia, odino- fagia, entre outros. Sendo importante avaliar também os antecedentes pes- soais e familiares. O exame físico, de maneira geral, está normal no quadro de dispepsia, então ele acaba não ajudando tanto no raciocínio diagnóstico. Contudo, isso não significa dizer que ele pode ser ignorado, pois alguns achados podem direcionar o raciocínio para diagnósticos diferenciais. Investigação Laboratorial Podem ser solicitados exames labo- ratoriais com o objetivo de investigar a presença de sinais de alarme como ferropenia, distúrbios metabólicos, diabetes, hipercalcemia. Além de possibilitar pesquisar doença celíaca associada. Entre os exames laborato- riais que podem ser solicitados, temos: • Hemograma • Bioquímica • Função Renal • Perfil Hepático • Amilase e Lipase. Ultrassonografia de Abdome A ultrassonografia (USG) de abdome pode ser solicitada para investigação em pacientes que apresentem icterícia – possibilita investigação de possíveis acometimentos em vias biliares – ou em quadros com dor abdominal atípica. Provavelmente existe uma relação bi- direcional entre o intestino e a psique porque os pacientes com distúrbios gastrointestinais são mais propensos a desenvolver problemas psicológi- cos e vice-versa. Estudos de neuroi- magem sugerem que a percepção dos sintomas pode ser influenciada pela cognição e emoção. Avaliação e Manejo Clínico A avaliação clínica do paciente deve começar pela ordem lógica de todo atendimento: pela identificação. Pes- quisar o nome, a idade e ocupação do paciente nos ajuda a encaixar o indi- víduo em padrões característicos de cada doença. Na sequência, devemos começar a explorar a queixa em si e aí é bom começarmos investigando se há pi- rose (queimação em região retroes- ternal) e/ou regurgitação. Por que isso? Pois esses dois sintomas são muito característicos de Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) e como o diagnóstico dessa condição é clínico, quando percebermos esses sintomas, nosso pensamento será di- recionado para sustentar ou afastar essa doença. Por outro lado, se o paciente não apre- sentar esses sintomas, vamos inves- tigar todos aqueles outros que podem aparecer em um quadro de dispep- sia como, por exemplo: azia (dor em queimação na região epigástrica), 9DISPEPSIA Endoscopia Digestiva Alta Paciente com idade > 40 anos De acordo com o IV consenso bra- sileiro, todo paciente acima de 40 anos já tem indicação para realizar o exame de endoscopia digestiva alta (EDA), então essa será a nossa con- duta. Com esse exame, o nosso obje- tivo é definir se o paciente tem ou não alguma doença orgânica. Se tiver, vamos tratá-la. Se não tiver, aí nós devemos realizar testes para avaliar se ele tem H. pylori. Em sendo identificada a presença da bactéria, aí nós vamos precisar tratá-la. Caso con- trário, a gente começa a sustentar me- lhor a suspeita de dispepsia funcional e aí a nossa conduta deverá ser: • Prescrever medicamentos que atuem reduzindo a acidez do es- tômago, como os inibidores de bomba de prótons (IBPs). Paciente com idade 40 anos Sinais de Alarme EDA NÃO SIM Doença orgânica SIM NÃO1) Empírico com IBP 2) Testa e trata H. pylori Voltou > 1 ano Voltou MALT, câncer gástrico (com aborda- gem prévia ou até planejamento ci- rúrgico), histórico familiar de câncer gástrico em parente de primeiro grau, púrpura trombocitopênica imune, fer- ropenia inexplicada e deficiência de vitamina B12. QUANDO TESTAR/TRATAR? Dispepsia Historico familiar de CA gástrico em parente de 1º grau Lesão pré-neoplásica Púrpura trombocitopê- nica imune Linfoma MALT Ferropenia inexplicada CA gástrico – aborda- gem endoscópica/gas- trectomia parcial Deficiência de vitamina B12 Podem ser escolhidos métodos não invasivos ou invasivos. Os métodos não invasivos devem ser solicitados em pacientes que não tem indicação para EDA. São alguns deles: • Teste Respiratório da Ureia (TRU): o paciente ingere uma so- lução de ureia marcada com isóto- pos de carbono (C13 e C14). Sob ação da urease do H. pylori, a ureia é convertida em amônia e bicarbo- nato, o qual é convertido em CO2 (com o C marcado), sendo este últi- mo prontamente absorvido para a circulação e eliminado na exalação. O paciente então expira em um re- cipiente onde a presença de car- bono marcado pode ser detectada por cintilação ou espectrografia. 12DISPEPSIA • Sorologia: o ELISA para detectar a presença de IgG anti-H. pylori tem baixa sensibilidade e especificida- de comparado aos demais méto- dos não invasivos, não sendo mais indicado de rotina para o diagnós- tico de infecção ativa. • Pesquisa do antígeno fecal: an- tígenos do Helicobacter pylori po- dem ser detectados nas fezes e, quando presentes, indicam doen- ça ativa. • Teste rápido da uréase do frag- mento da biopsia: é o método de escolha na avaliação inicial dos pacientes que foram submetidos à endoscopia digestiva alta. Amos- tras de biópsia da mucosa são colocadas em um meio contendo ureia e um marcador de pH; 3 4 2 1 1) Paciente bebe ureia marcada com carbono 13 diluída em suco 2) Na presença de H. pylori, esta produz HCO3 com carbono 13 marcado 3) O pulmão transforma o HCO3 em CO2 com carbono marcado 4) Paciente expira CO2 em uma bolsa plástica 5) O ar desta bolsa é testado em um aparelho para ver se contém CO2 com carbono 13 marcado ESQUEMA DO FUNCIONAMENTO DO TESTE DA UREIA 13DISPEPSIA • Histopatologia: geralmente duas a três biópsias da região antral co- radas pela prata (Warthin-Starry), método de Gimenez, carbolfucsina ou imuno-histoquímica são sufi- cientes para o diagnóstico de in- fecção por H. pylori. • Cultura: a cultura é menos utiliza- da para o diagnóstico, pois o iso- lamento da bactéria é difícil e cus- toso. A principal vantagem deste método consiste na determina- ção da sensibilidade do H. pylo- ri aos antibióticos empregados, principalmente nos casos de falha terapêutica. Tratamento Farmacológico O tratamento farmacológico pode ser realizado basicamente por meio de duas grandes classes de medicamen- tos: antissecretores e antibióticos. Antissecretores A grande função dos fármacos desse grupo é reduzir a acidez gástrica. Inibidores de Bomba de Prótons (IBPs) Os IBPs, representados pelas drogas terminadas em -prazol (Omepra- zol, Pantoprazol, Lansoprazol, en- tre outros), são os medicamentos de Reação negativa Reação positiva Teste da uréase em tubo de ensaio. Fonte: Atg World Reação negativa Reação positiva Teste da uréase em tubo de ensaio. Fonte: Atg World Reação negativa Reação positiva Teste da uréase em tubo de ensaio. Fonte: Atg World 14DISPEPSIA primeira escolha quando se deseja reduzir a acidez estomacal. Isso acontece porque eles atuam se ligando à bomba H+/K+ ATPase (bomba de prótons) da célula pa- rietal e, daí, impedem o seu funcio- namento. Os IBPs vão interromper a última etapa para produção de HCl, que é a liberação de íons H+ no lú- men da glândula. São efeitos adversos do uso de IBPs: • Demência: Por conta do efeito ini- bitório que esse fármaco exerce sobre as células parietais, a se- creção de fator intrínseco também pode ficar prejudicada e aí isso re- duz a absorção de vitamina B12. Mas a gente só se preocupa com isso se a terapia for mantida por um tempo maior ou igual a 2 anos. • Absorção incompleta do car- bonato de cálcio: a absorção fica prejudicada pelo pH elevado e aí pode ser necessário repor cálcio. • Redução da eficácia do Clopi- dogrel: Isso acontece pois os IBPs inibem uma proteína chamada CIP2C19, que está associada ao mecanismo de ação do clopidogrel. Bloqueadores de H2 Representados pelos fármacos termi- nados em -tidina (Cimetidina, Niza- tidina, Ranitidina, Famotidina), essa classe se caracteriza por bloquear competitivamente e seletivamente os receptores H2, de modo que eles não recebem o estímulo da histamina, que atua na promoção da secreção de ácido clorídrico. São efeitos adversos do uso de Blo- queadores de H2: • Cefaleia e Tonturas; • Diarreia; • Dores musculares; • Confusão e Alucinação Antiácidos Os antiácidos são bases fracas que reagem com o ácido clorídrico do es- tômago e o neutralizam, de modo a promover um alívio rápido dos sinto- mas, mas que também se mantém por pouco tempo: se ele for administrado em jejum, seu efeito dura entre 10 a 20 minutos, agora se for utilizado mais ou menos 1 hora após a refeição, pode se manter atuante por 2 a 3 horas. Os principais exemplos de antiácidos são: Hidróxido de Alumínio, Hidró- xido de Magnésio e Bicarbonato de Sódio. Os principais efeitos adver- sos do seu uso são: • Constipação, causada principal- mente quando a droga de escolha é o Hidróxido de Alumínio. • Diarreia, causada principalmente quando a droga de escolha é o Hi- dróxido de Magnésio; • Comprometimento renal; 15DISPEPSIA Antibióticos Amoxicilina A amoxicilina é uma penicilina e, por- tanto, ela age sobre bactérias, inter- ferindo na última etapa do processo de síntese da sua parede. Assim, com sua membrana mais instável, esses microrganismos acabam ficando mais vulneráveis e acabam morrendo. Associado a isso, é importante a gente ter em mente que, apesar de ser mais eficaz sobre bacilos gram-negativos, a amoxicilina age também sobre os gram-positivos e por isso é referida como sendo uma droga de espectro estendido. Os principais efeitos ad- versos do seu uso são: • Hipersensibilidade • Diarreia • Nefrite • Toxicidade neurológica e hemato- lógica Claritromicina A claritromicina é um antibiótico ma- crolídeo que atua se ligando ao ribos- somo bacteriano e, com isso, inibindo algumas etapas da síntese proteica. De maneira geral, ele é considerado uma droga bacteriostática, mas que em doses elevadas tem efeito bacte- ricida. Os principais efeitos adversos do seu uso são: • Desconforto epigástrico • Icterícia colestática • Ototoxicidade Metronidazol e Tinidazol Esses dois medicamentos são muito utilizados em infecções por amebas, mas também exercem um certo efei- to em bactérias. Seu mecanismo de ação envolve o armazenamento de elétrons, de modo a formar compos- tos citotóxicos que se ligam às prote- ínas e ao DNA, levando à morte celu- lar. Os principais efeitos adversos do seu uso são: • Náusea • Desconforto epigástrico • Cólica abdominal • Propensão a infecção fúngica na boca Tetraciclina As tetraciclinas não medicamentos que penetram no citoplasma bacte- riano e inibem a síntese proteica por impedir a conexão entre o RNAt e o RNAm, o que acaba levando à morte. E elas também agem sobre microrga- nismos tanto gram-positivos quanto gram-negativos. Os principais efei- tos adversos do seu uso são: • Desconforto gastrointestinal • Deposição de cálcio 16DISPEPSIA • Hepatotoxicidade • Fototoxicidade • Problemas vestibulares Levofloxacino O levofloxacino é uma fluoroquinolona que atua entrando no citoplasma bac- teriano e inibindo a replicação do DNA ao interferir na ação de duas enzimas: topoisomerase II e IV. Os principais efeitos adversos do seu uso são: • Náusea e diarreia • Cefaleia • Vertigem e Tontura • Fototoxicidade Esquema de tratamento da H. pyloriNesse grupo de pacientes, a gente vai precisar entrar com antibiótico para matar os microrganismos, mas também algum fármaco para reduzir a secreção gástrica, aliviando os sin- tomas. Diante disso, o IV Consenso Brasileiro com relação à infecção por H. pylori determina que o tratamento de primeira linha para esses pacientes deve ser composto por 3 fármacos: Amoxicilina 1g, 12/12h 14 DIAS Claritromicina 500mg, 12/12h IBP, 12/12h Caso o paciente seja alérgico à Amo- xicilina, podemos substituí-la por Le- vofloxacina. Mas além disso, algumas alternativas para esse esquema tera- pêutico são as seguintes: Metronidazol 10 - 14 DIAS Tetraciclina Subcitrato de Bismuto IBP Metronidazol/Tinidazol 14 DIAS Claritromicina Amoxicilina IBP Uma vez tendo administrado essa te- rapia inicial e o paciente volte, a gente segue para o retratamento e aí a nos- sa decisão terapêutica vai ser diferen- te. Poderemos optar por 2 esquemas: Amoxicilina 10 - 14 DIASLecofloxacina IBP Metronidazol 10 - 14 DIAS Tetraciclina Subcitrato de Bismuto IBP 17DISPEPSIA MAPA MENTAL DISPEPSIA FUNCIONAL RESUMO Dispepsia Funcional Clínica Distensão abdominal Fatores psicossociais Tratamento Roma IVCorrelações Epigastralgia Saciedade precocePlenitude pós-prandial Desconforto epigástrico IBPs Bloqueadores H2 Tratamento para H. pyloriPsicoterapia MEV Alterações motoras gástricas Hipersensibilidade Visceral Disfunção autonômica Gastrite por H. pylori 6 meses de ínicio dos sintomas Critérios preenchidos nos últimos 3 meses Ausência de doença estrutural Pelo menos 1 dos sintomas 18DISPEPSIA REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS COELHO, Luiz Gonzaga; et al. IVth Brazilian Consensus Conference on Helicobacter pylori infection. Arq Gastroenterol. Vol. 55. Nº 2. Abr Jun/2018. LONGSTRETH, George; et al. Approach to the adult with dyspepsia. Uptodate, 2017. LONGSTREgTH, George; et al. Functional dyspesia in adults. Uptodate, 2017. MARTINS, Milton A.; et al. Clínica Médica. 2ª ed. Vol. 4. Barueri – SP: Manole, 2016. MOAYYEDI, Paul; et al. ACG and CAG Clinical Guideline: Management of Dyspepsia. The American Journal of Gastroenterology. Jun/2017. OUSTAMANOLAKIS, Pantelis. TACK, Jan. Dyspepsia: Organic Versus Functional. J Clin Gastroenterol. Vol. 46. Nº 3. Mar/2012. SHARMA, Abhilasha; et al. Prevalence and the risk factors of gastro-esophageal reflux disease in medical students. Medical Journal Armed Forces India. 2017. SILVA, Fernando. Dispepsia: Caracterização e Abordagem. Rev Med (São Paulo). 87(4): 213-223. Out-Dez/2008. TALLEDO-ULFE, L; et al. Factores asociados a dispepsia no investigada en estudiantes de 4 facultades de medicina de Latinoamérica: e s t u d i o m u l t i c é n t r i c o . R e v i s t a d e Gastroenterología de México. 83(3):215-222. 2018. STANGHELLINI, V; et al. Gastroduodenal Disorders. Gastroenterology 2016;150:1380–1392. 19DISPEPSIA