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UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO CENTRO DE TECNOLOGIA E CIÊNCIAS INSTITUTO DE QUÍMICA DEPARTAMENTO DE FÍSICO-QUÍMICA Pós Lab 6 – Células Eletrolíticas Mel Paiva Mourão (202010403811) Matheus Nascimento da Costa Rangel (202210199711) Miguel Marcelino Perez (202220391011) Orientadoras: Gisele de Freitas Westphalen Liliane Maria Magalhães de Souza Turma 1 – Grupo 3 Rio de Janeiro 09 / 11 / 2024 QUESTÃO 1) Uma célula eletrolítica é um sistema onde a aplicação de uma corrente elétrica promove reações químicas não espontâneas, isto é, reações que não ocorreriam de forma natural. Um exemplo prático desse processo é a eletrólise da água, em que uma corrente elétrica decompõe a água em hidrogênio e oxigênio. No ânodo da célula eletrolítica, a água sofre oxidação, liberando oxigênio, enquanto no cátodo ocorre a redução, formando hidrogênio. Esse processo é fundamental para a produção de gases puros para diversas indústrias. As soluções eletrolíticas são soluções com íons dissolvidos, responsáveis por conduzir eletricidade. Elas são amplamente utilizadas em processos industriais e científicos, sendo essenciais para várias reações e operações eletroquímicas. Para que uma solução seja eletrolítica, as substâncias dissolvidas (como sais, ácidos ou bases) devem ionizar-se em íons com cargas positivas e negativas. Um exemplo comum é o cloreto de sódio (NaCl), que ao se dissolver em água, separa-se em íons de sódio (Na⁺) e cloreto (Cl⁻), permitindo que a solução conduza eletricidade ao ser submetida a um potencial elétrico. Essas soluções eletrolíticas conduzem eletricidade porque, na presença de uma diferença de potencial, os íons carregados movem-se em direção aos eletrodos, gerando uma corrente elétrica. Esse fenômeno é central para o funcionamento de células eletroquímicas e processos de eletrólise, como a produção de alumínio e galvanização de metais. Exemplos de soluções eletrolíticas incluem ácidos diluídos, como ácido clorídrico (HCl), bases, como hidróxido de sódio (NaOH), e sais, como sulfato de cobre (CuSO₄). A capacidade de uma solução eletrolítica conduzir eletricidade depende diretamente da concentração de íons presentes. Soluções mais concentradas em íons apresentam maior condutividade elétrica, enquanto soluções menos concentradas conduzem menos eletricidade. Esse princípio é essencial na formulação de soluções para baterias e outros dispositivos eletroquímicos. Em contraste, as soluções não eletrolíticas não contêm íons livres e, portanto, não conduzem eletricidade; um exemplo é uma solução de açúcar em água, onde as moléculas de açúcar permanecem intactas e não geram íons. As células galvânicas (ou células eletroquímicas) são dispositivos nos quais reações químicas espontâneas geram eletricidade. Um exemplo comum é a bateria de zinco- carbono, onde o ânodo de zinco oxida-se, enquanto o cátodo de óxido de manganês reduz- se, liberando energia na forma de uma corrente elétrica. Em uma célula galvânica, os elétrons naturalmente fluem do ânodo para o cátodo, permitindo o funcionamento de dispositivos como baterias e pilhas. Essas células diferem das eletrolíticas, pois nelas as reações ocorrem sem necessidade de corrente externa. As células galvânicas e eletrolíticas apresentam diferenças fundamentais. Nas galvânicas, as reações são espontâneas, liberando energia, enquanto nas eletrolíticas as reações necessitam de energia externa para ocorrer. Além disso, nas galvânicas, os elétrons fluem naturalmente do ânodo para o cátodo, enquanto nas eletrolíticas o fluxo de corrente elétrica é imposto de fora para dentro. Essas distinções refletem-se em suas aplicações: as células galvânicas são usadas para armazenamento de energia, como em baterias, enquanto as células eletrolíticas são empregadas em processos industriais que envolvem revestimento metálico, obtenção de metais e eletrólise de substâncias. Em um sistema eletroquímico, os elétrons movimentam-se externamente através de um condutor entre os eletrodos, enquanto os íons fluem internamente pela solução, em direção ao estado de equilíbrio eletroquímico. Nesse ponto de equilíbrio, conhecido como potencial do eletrodo, a corrente externa deixa de fluir. Os valores dos potenciais dos eletrodos podem ser obtidos experimentalmente ou teoricamente e são reunidos em tabelas de Potenciais Padrão de Redução, essenciais para prever e analisar o comportamento eletroquímico de diferentes substâncias. ∆𝑛𝑖 𝑓𝑎𝑟𝑎𝑑 = 𝑉𝑖 𝑉𝑒 × ℱ 𝑚 = 𝑀 × 𝐼 × 𝑡 𝑧 × ℱ = 𝑀 × 𝐼 × 𝑡 𝑧 × 𝑁𝐴 × 𝑒 𝑁𝐴 = 𝑀 × 𝐼 × 𝑡 𝑧 × 𝑚 × 𝑒 A corrente em um sistema eletroquímico possui duas naturezas: uma corrente capacitiva, relacionada à formação da dupla camada elétrica na interface eletrodo/solução, e uma corrente resistiva, chamada de corrente faradaica. Esta corrente está associada ao movimento das espécies iônicas, enquanto a corrente capacitiva refere-se ao acúmulo de carga nas interfaces. A corrente faradaica, em geral, tem magnitude superior à capacitiva e é fundamental para a realização das reações químicas no sistema. A polarização da célula eletroquímica ocorre quando há uma diferença entre a quantidade de substância depositada experimentalmente e a quantidade prevista teoricamente pela Lei de Faraday. Esse desvio é descrito pelo rendimento faradatico, que representa a fração de corrente efetivamente utilizada na reação. O rendimento faradatico é importante para avaliar a eficiência das reações eletroquímicas, especialmente em processos industriais onde a precisão e o controle da reação são cruciais. 𝑟𝑓𝑎𝑟𝑎𝑑 = ∆𝑛𝑒𝑓𝑓𝑒𝑐𝑡𝑖𝑣𝑒 ∆𝑛𝑓𝑎𝑟𝑎𝑑 𝑜𝑛𝑑𝑒: ∆𝑛𝑒𝑓𝑓𝑒𝑐𝑡𝑖𝑣𝑒 : 𝑛ú𝑚𝑒𝑟𝑜 𝑑𝑒 𝑚𝑜𝑙𝑠 𝑒𝑥𝑝𝑒𝑟𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑎𝑙 ∆𝑛𝑓𝑎𝑟𝑎𝑑 : 𝑛ú𝑚𝑒𝑟𝑜 𝑑𝑒 𝑚𝑜𝑙𝑠 𝑡𝑒ó𝑟𝑖𝑐𝑜 QUESTÃO 2) Eletrodo Peso antes (g) Peso depois (g) Corrente(A) tempo (s) 1 6,737 6,715 0,1 600 2 8,685 8,71 0,1 600 3 7,157 7,116 0,2 600 4 7,618 7,648 0,2 600 5 7,76 7,719 0,1 1200 6 7,593 7,632 0,1 1200 Eletrodo Peso antes (g) Peso depois (g) Corrente(A) tempo (s) massa depositada experimental (g) 1 6,737 6,715 0,1 600 0,022 2 8,685 8,71 0,1 600 0,025 3 7,157 7,116 0,2 600 0,041 4 7,618 7,648 0,2 600 0,03 5 7,76 7,719 0,1 1200 0,041 QUESTÃO 3) Reações no cátodo (Redução) 𝐶𝑢2+ + 2𝑒− → 𝐶𝑢(𝑠) (𝐸0 = + 0,34 𝑉) Aqui, observamos que os íons 𝐶𝑢2+ da solução são reduzidos e depositados como cobre metálico. Dessa forma, esse processo é favorecido pelos valores da corrente e pelo tempo de eletrólise que nós aplicamos, levando a esse depósito de cobre. Esse aumento é diretamente proporcional à carga fornecida (corrente X tempo), seguindo a Primeira Lei de Faraday. Reações no ânodo (Oxidação) 𝐶𝑢(𝑠) → 𝐶𝑢2+ + 2𝑒− (𝐸0 = − 0,34 𝑉) 6 7,593 7,632 0,1 1200 0,039 Eletrodo massa depositada experimental (g) Natureza do eletrodo 1 0,022 CATODO 2 0,025 ANODO 3 0,041 CATODO 4 0,03 ANODO 5 0,041 CATODO 6 0,039 ANODO Aqui, observamos que no ânodo, o cobre metálico se oxida para formar esses íons de 𝐶𝑢2+. Dessa maneira, esse processo de oxidação explica a perda de massa observada nos eletrodos que atuaram como ânodo em cada par. Esses íons acabam migrando para o cátodo, onde eles são reduzidos e depositados como cobre metálicos, completando o ciclo de transferência de massa entre os eletrodos. Pequena curiosidade! → O ácido sulfúrico e o ácido nítrico ajudam a manter a condutividade da solução (ou seja, acaba permitindo uma passagem mais eficiente de corrente, podemos assim dizer). Além disso, a ureia atua como um estabilizante da solução, evitando precipitações indesejadas decobre. Questão 4) a) Escrever a Semi-Reação Catódica A semi-reação catódica (onde ocorre a deposição do cobre) é: 𝐶𝑢2+ + 2𝑒− → 𝐶𝑢(𝑠) Aqui, o íon 𝐶𝑢2+ recebe 2 elétrons (o valor estequiométrico para os elétrons é 2) b) Cálculo da Massa Teórica de Cobre Depositada Organizando os nossos dados experimentais, temos que: Par de eletrodos Corrente (I) Tempo (t) Massa Inicial (Ânodo) Massa Final (Ânodo) Massa Inicial (Cátodo) Massa Final (Cátodo) Δ Massa Experime ntal (g) 1 (Eletrodos 1 e 2) 100 mA (0,1 A) 10 min (600 s) 6,737 g 6,715 g 8,685 g 8,710 g 0,025 g 2 (Eletrodos 3 e 4) 200 mA (0,2 A) 10 min (600 s) 7,157 g 7,116 g 7,618 g 7,648 g 0,030 g 3 (Eletrodos 5 e 6 100 mA (0,1 A) 20 min (1200 s) 7,760 g 7,719 g 7,593 g 7,632 g 0,039 g Vale ressaltar que a massa experimental de cobre depositada no cátodo foi calculada pela diferença entre a massa final e a massa inicial do cátodo (Δ Massa Experimental). Calculando a massa teórica de cobre depositada, teremos: 𝑚 = 𝑀 . 𝐼 . 𝑡 𝑧 . 𝐹 Onde: 𝑀 = 63,55 g/mol (massa molar do cobre), 𝐼 é a corrente (em amperes), 𝑡 é o tempo (em segundos), 𝑧 = 2 (número de elétrons na semi-reação de deposição do cobre), 𝐹 = 96485 C/mol (constante de Faraday) Assim, calcularemos para cada par de eletrodos: Par de Eletrodos I (100mA, 10 minutos): 𝑚 = 63,55×0,1×600 2×96485 = 0,198g Par de Eletrodos II (200mA, 10 minutos): 𝑚 = 63,55×0,2×600 2×96485 = 0,0395g Par de eletrodos III (100mA, 20 minutos): 𝑚 = 63,55×0,1×1200 2×96485 = 0,0395g Comparando com os resultados experimentais obtidos, temos que: Par de Eletrodos Massa Teórica (g) Massa Experimental (g) Diferença 1 (Eletrodos 1 e 2) 0,0198 g 0,025 g +0,0052 g 2 (Eletrodos 3 e 4) 0,0395 g 0,030 g -0,0095 g 3 (Eletrodos 5 e 6) 0,0395 g 0,039 g -0,0005 g Assim, percebemos no Par I que a massa experimental é um pouco maior que a massa teórica, indicando possivelmente uma pequena contaminação ou erro experimental. Já no Par II, a massa experimental foi menor que a teórica, o que pode ter sido causado por perda de material ou reação secundária não controlada. Por fim, no Par 3, A massa experimental foi próxima à teórica, sugerindo que o procedimento foi mais preciso. Assim, podemos concluir que a diferença nos valores pode resultar de ineficiências no sistema como perda de material durante o manuseio ou fenômenos de polarização. Estes fatores fazem com que o valor experimental não corresponda exatamente ao teórico, refletindo um rendimento faradaico menor que 100%. QUESTÃO 5) Ajustando a equação utilizada no item 4.2, é possível encontrar o número de Avogadro experimental utilizando os valores das massas dos catodos obtidos (Equação 2). Logo, utiliza-se a massa depositada experimentalmente dos eletrodos 1,3,5. 𝑁𝐴 = 𝑀 × 𝐼 × 𝑡 𝑧 × 𝑚 × 𝑒 ( 𝐸𝑞𝑢𝑎çã𝑜 2 ) Catodos Na experimental 1 5,40909E+23 3 5,80488E+23 5 5,80488E+23 Média 5,67295E+23 QUESTÃO 6) O erro percentual pode ser calculado pela equação abaixo: 𝑒𝑟𝑟𝑜 𝑝𝑒𝑟𝑐𝑒𝑛𝑡𝑢𝑎𝑙 = [ 𝑁𝐴 (𝑒𝑥𝑝𝑒𝑟𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑎𝑙) − 𝑁𝐴 (𝑡𝑒ó𝑟𝑖𝑐𝑜) ] 𝑁𝐴 (𝑡𝑒ó𝑟𝑖𝑐𝑜) 𝑥 100% Onde, 𝑁𝐴 (𝑡𝑒ó𝑟𝑖𝑐𝑜) = 6,02214076 𝑥 10²³; Na experimental: a) Valor encontrado em cada 𝑁𝐴 experimental obtido no número 5 b) Média aritmética dos valores de 𝑁𝐴 experimental obtidos no número 5 Erro percentual % a)1 10,17992 a)3 3,60772 a)5 3,60772 b) 5,798454 6.1- Comparar os resultados obtidos Comparando os erros percentuais obtidos acima com a constante de Avogadro da literatura (𝑁𝐴 = 6,022𝑥1023), é possível concluir que o método mais apropriado para a determinação do Na é o utilizado na letra (b). Esse resultado apresentou um erro percentual de apenas 5,798454%, ou seja, relativamente próximo do valor teórico esperado, enquanto o método utilizado na letra (a) teve uma flutuação dos resultados, variando desde erros percentuais aceitáveis (como no caso dos eletrodos 3 e 5) até erros percentuais mais altos (como o eletrodo 1). Isso se deve ao fato de que o método utilizado na letra (b) permite trabalhar com a média dos dados, o que faz com que dados que destoem muito do padrão esperado não afetem tanto o resultado final, já o método da letra (a) está muito sujeito a erros pontuais, como instrumental, em determinado eletrodo. Referências Bibliográficas [1] Atkins, P., & Jones, L. (2016). Princípios de Química: Questionando a Vida Moderna e o Meio Ambiente. 6ª edição. Porto Alegre: Bookman [2] Brown, T. L., LeMay, H. E., Bursten, B. E., Murphy, C., & Woodward, P. (2013). Química - A Ciência Central. 12ª edição. São Paulo: Pearson. [3] Skoog, D. A., West, D. M., Holler, F. 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