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SUCESSÕES 
AULA 01 -04/04
A palavra “sucessão” dá uma ideia de “ficar no lugar de”. Direito das sucessões é o estudo do que acontece com o conjunto de direitos de uma pessoa após a sua morte. Uma pessoa ao longo da vida é titular de vários direitos. Nós vamos ver que alguns desses direitos não são transmitidos com a morte, por exemplo, os direitos da personalidade. Existem direitos, no entanto, que com a morte da pessoa tem que ser entregues a outra pessoa e é isso que estudamos nos direitos das sucessões.
Direitos das sucessões é o conjunto de normas e princípios que visam disciplinar o que acontece com o patrimônio de uma determinada pessoa após a sua morte. Não vamos falar sobre sucessões de empresas, nem vamos falar da mera sucessão de uma pessoa por outra em atos inter vivos. Direito de sucessão só está relacionado a esse conjunto de direitos, ao patrimônio que é transmitido quando alguém morre.
A data do óbito
A palavra mágica na nossa aula é morte. O momento do óbito é extremamente importante para o direito. A data do óbito vai ter inúmeras consequências no direito das sucessões. O momento do óbito é o momento que ocorre a chamada abertura da sucessão. No estudo do direito das sucessões não interessa a data que a pessoa nasceu. O que importa é o momento do óbito, pois é a partir deste momento que a sucessão está aberta para o direito, por várias consequências, dentre elas, saber qual a lei que eu vou aplicar na hora de descobrir para quem os bens de uma pessoa irão. Isto é, eu vou saber qual a lei que está em vigor no momento da abertura da sucessão, não interessa saber alei que estava em vigor no dia anterior nem no dia seguinte ao óbito. 
Qual a aplicação prática disso? Até alguns anos atrás, quando estava em vigor o código civil de 1916, a legislação brasileira não definia bem a união estável. O CC/1916 não trazia uma linha sequer sobre união estável. Quando um homem e uma mulher viviam em um relacionamento como se fossem marido e mulher, até a promulgação da CRFB/88, que foi o que inaugurou o termo união estável, um homem e uma mulher que vivessem juntos, mas não fossem casados, eram tratados juridicamente como uma sociedade de fato, o que não dava nenhuma proteção, podendo uma pessoa se separar depois de anos e sair daquele relacionamento sem nenhum patrimônio.
Da mesma forma, um casal que estivesse vivendo juntos há 20 ou 30 anos, se o homem ou a mulher morresse com bens, nesse relacionamento, até então não havia nenhum direito sucessório, não havia nenhuma lei a respeito disso. Apesar da CF por meio do art. 226 ter reconhecido a existência da união estável, somente em 1994, com a lei 8.971/94 ficaram definidos os direitos de um casal que vivesse em união estável. Esta lei trouxe inclusive quais seriam os diretos sucessórios desse casal. Um casal em união estável cujo homem ou a mulher morreu em 1993, ou ainda em novembro de 1994 (a lei entrou em vigor em dezembro de 94), aquele que ficou vivo não recebeu nada. 
Em 1996 fizeram uma nova lei sobre união estável que também trouxe matéria sucessória entre companheiros. A grande inovação dessa lei para o direito das sucessões foi a introdução do instituto do direito real de habitação entre companheiros, portanto, se um morre antes da vigência desta lei, seu companheiro não teria direito ao direito real de habitação do companheiro. 
Estou falando tudo isso só para mostrar a importância da data do óbito para o direito das sucessões, para analisar qual lei está em vigor. 
Está é a primeira regra: saber a data do óbito, pois ali está a data de abertura da sucessão. 
Quanto ao CC/02, existe uma controvérsia sobre a data que entrou em vigor. Se por ventura a pessoa morreu em 9 de janeiro de 2003, ainda estava em vigor o CC antigo e no CC haviam várias regras que não estão mais em vigor, exemplo: o cônjuge não era herdeiro necessário no CC/1916. A importância de ser herdeiro necessário é que não será afastado da divisão de bens. 
Se um homem casado tivesse morrido em 09/01/03 sem filhos, sem netos, sem pais e só tinha a esposa na família, mas não gostava dela então fez um testamento dizendo que quando ele morresse todos os seus bens deveriam ir para o seu amigo de infância Onofre. Isso seria válido e a mulher nada herdaria, pois pelo CC antigo, cônjuge não era obrigatoriamente herdeiro; no dia 9 de janeiro de 2003 o CC/1916 ainda estava em vigor. 
Se esse homem morresse em 12 de janeiro de 2003, quando já estava em vigor o CC/2002. Neste código, cônjuge é herdeiro necessário e o herdeiro necessário tem direito a, pelo menos, metade dos bens. Neste exemplo, como o morto não tinha ascendentes nem descendentes, e só uma cônjuge, esse testamento que deixa todos os bens para o amigo Onofre poderia em tese (em tese, pois há algumas mudanças de jurisprudência nesses casos) não ser válido, pois na data em que o homem morreu já estava em vigor o CC/02 que diz que cônjuge é herdeiro necessário. 
OUTRO EXEMPLO: João, casado com Maria, morreu e deixou um filho, José. Pelo CC antigo, logo, se João morresse no dia 9/1/03, a herança de João iria toda para José e Maria não herdaria nada. No CC antigo, quando uma pessoa morria, a primeira coisa que se perguntava é se tinham descendentes. Se tinha descendentes, a herança era distribuída entre eles, essa era a regra. 
Se João tivesse morrido em 13/1/03, não havendo menor dúvida que o CC de 2002 estava em vigor, a herança de João seria dividida entre José e Maria, dependendo do regime de bens do casamento. 
Dessa forma, é importante saber a data do óbito, ou seja, o momento de abertura da sucessão, para a aplicação correta da lei vigente e saber quem vai suceder, quem tem a chamada capacidade sucessória, quem é o herdeiro. 
Até o momento da abertura da sucessão, ninguém pode fazer negócio jurídico envolvendo a sucessão. Não é possível vender a herança. A herança não pode ser objeto de negócio jurídico se a pessoa tá viva. 
Ninguém é obrigado a deixar herança para ninguém. 
Exemplo: João é um homem muito rico, tem patrimônio de 20 milhões de reais e tem 10 filhos. Ele não é obrigado a deixar herança pra ninguém. Ele pode torrar todo esse dinheiro com uma viagem pelo mundo e o que sobrar joga no lixo. Morreu e não deixou nada. Ele pode fazer isso. 
PORÉM, se por ventura a pessoa decidir morrer deixando dinheiro para o herdeiro, aí a pessoa tem que tomar cuidado. 
A lei vai dizer para nós quem são os herdeiros necessários. E vai dizer o seguinte: a pessoa não tem que deixar bens quando morrer, ela pode gastar tudo antes como quiser, no entanto, se uma pessoa tem herdeiros necessários, ela não pode fazer doação em vida de mais da metade do que ela tem. É a chamada doação inoficiosa. A pessoa que tem herdeiros necessários não pode doar em vida mais da metade do que ela pode dispor em testamento. 
Quem são os herdeiros necessários?
Descendentes: filhos, netos, bisnetos.
Ascendentes: pai, mãe, avô, avó, bisavó, bisavô.
Cônjuge 
(o companheiro, pela lei, não é herdeiro necessário). 
Naquele exemplo, o João, que tem 10 filhos e um patrimônio de 20 milhões de reais, se quisesse doar para uma instituição, só poderia doar até 10 milhões. 
Apesar de a lei partir do pressuposto que ninguém é obrigado a deixar herança para ninguém, embora ela permita que a pessoa possa gastar tudo, ela não permite doar mais de 50% de seus bens em vida se tiver alguma categoria de herdeiro necessário, porque estes têm direito a legítima.
Legítima
Só se fala em legítima quando há herdeiros necessários. Só estes têm direito a legítima. 
A legítima corresponde à metade dos bens que uma pessoa deixa quando morre. É a parcela que tem que ser distribuída entre os herdeiros necessários. 
A outra metade é chamada de disponível.
A herança de uma pessoa é ficticiamente dividida em duas partes, meio a meio: legitima e disponível.
A legítima só surge quando há herdeiro necessário. 
Diz-se que o sujeito invade a legítima quando ele doa mais da metade dos seus bens ou dispõe em testamento mais da metade de seus bens sendo que tem herdeiros necessários.
Juiz diz que a renúncia só vale pra a parte que sobrar. Ou seja, 150 mil ficará para Z, que é o outro herdeiro.
Pergunta inaudível
Professora: no caso da renúncia, neste caso eles vão no cartório e formalizam escritura em que um dos herdeiros afirma que está renunciando à herança. Geralmente a empresa credora tira certidão no nome do devedor e pode acabar descobrindo...mas é raro.
O que acontece quando uma pessoa renuncia?
É como se aquela pessoa não existisse. 
Ex: A morreu, deixando 2 filhos, X e Z. Quando X renuncia à herança do pai, é como se ele nunca tivesse nascido nessa família. Ou seja, o filho dele nada vai herdar. A cota que seria do X irá para os demais herdeiros da mesma classe. Neste caso, será a classe dos demais filhos herdeiros.
CESSÃO DE HERANÇA
Como eu disse, eu só cedo aquilo que eu aceitei. Então, ou eu já pratiquei algum ato de aceitação antes, ou se eu não pratiquei, é esse ato que vai ser interpretado como sendo a aceitação.
Quando uma pessoa morre, os bens dela... eu usei aquela figura da sacola do papai noel. È como se todos os bens do morto fossem inseridos dentro da sacola e a gente fecha a sacola. Enquanto não há a partilha dos bens: ou uma ação de inventário em que se chega no momento da partilha, ou nos casos em que a lei permite, enquanto não se faz a escritura de inventário e partilha no cartório, não posso ceder nenhum bem específico. 
Este é o maior problema na prática, pois todo mundo faz. Eu sei que os donos de cartório têm um entendimento diferente, afirmando que não era bem assim... que pode fazer essa cessão. Mas não é isso que está na lei.
Ex: a pessoa morreu. Deixou de herança uma casa na Barra, dinheiro e carro. Ele morreu deixando 2 filhos: A e B. Tanto o a quanto o B, se quiserem, podem fazer cessão de direitos hereditários. O B não tá nem aí pra vida, quer pegar o dinheiro e curtir a vida. Não tá nem aí pra gastar dinheiro com advogado... O A é todo certinho. O B pede pra que o A compre a sua parte na herança, mas A não tem dinheiro. O B pode fazer uma cessão de direitos hereditários para J. Para um amigo dele, ou uma pessoa qualquer... e o idiota compra. B vende para J os direitos à sucessão aberta que ele teria em relação ao pai. Ou seja, cede par J o direito que ele tem nos bens que ele ainda não sabe quais são. Pois não sabe, quando abrir a sacola, se deixou dívidas... também não poderia o B afirmar que o J vai ficar com a casa na Barra. Pode ser que não. Por isso que a lei afirma que é possível fazer o negócio jurídico de cessão de direitos hereditários. Mas não é possível que esse negócio jurídico se refira a nenhum bem especifico da herança. Pois não sabemos se esse bem vai ficar na sacola até o final, até a partilha.
Imaginemos que esse que morreu até deixou casa na barra, dinheiro e carro. Mas estava cheio de dívidas, até o condomínio da casa da barra, inclusive com leilão marcado pra vender a casa. Então o B nunca poderia fazer um negócio de cessão pra ninguém cedendo a casa da Barra, pois não sabe se na hora da partida a casa ainda estará dentro da sacola ou se já saiu de lá. E mesmo que esteja, é possível que a casa fique com o irmão dele.
Então, quando fazemos um negócio de cessão de direitos hereditários, em primeiro lugar: é um contrato aleatório, vai na álea. É possível que o J pague 50 mil e na hora da partilha não receba nada. Ademais, se faço uma cessão de direitos hereditários, não é possível fazer sobre bens específicos.
Qual é a natureza jurídica do direito à sucessão aberta? Art. 80, II, CC/02.
Obs: só se fala em direito à sucessão aberta. É totalmente proibido contrato de herança de pessoa viva. Porque a pessoa pode morrer e não deixar herança pra ninguém. Eu só posso falar em direitos hereditários depois que a pessoa morreu.
Ex: João morreu. Agora os herdeiros de João têm direito a receber a herança que está aberta pra eles.
O art. 80, II diz que esse direito, que vai do momento da abertura da sucessão até o momento da partilha é um bem imóvel.
Art. 80. Consideram-se imóveis para os efeitos legais:
II - o direito à sucessão aberta.
Então, se possui natureza de imóvel, nós sabemos, de acordo com o art. 108, CC:
Art. 108. Não dispondo a lei em contrário, a escritura pública é essencial à validade dos negócios jurídicos que visem à constituição, transferência, modificação ou renúncia de direitos reais sobre imóveis de valor superior a trinta vezes o maior salário mínimo vigente no País.
Exige-se a escritura pública para a realização de negócios jurídicos de transferência de bens que tenham a natureza jurídica de imóvel. 
Então, a cessão de direitos hereditários, bem como a renúncia à herança, só podem ocorrer por escritura pública. A renúncia, a lei até dá um jeitinho, pois é difícil pagar uma escritura pública para renunciar à herança é sacanagem. Assim, quanto à renúncia, a lei vai permitir que a pessoa faça a renúncia por “termo nos autos”. 
“Renúncia por termos nos autos” a pessoa vai ao cartório onde está tramitando o inventário e diz que quer renunciar aos direitos que tem na herança. 
Então, para renunciar, a lei permite duas formas: escritura pública ou termo nos autos.
Com relação aos direitos hereditários não adianta. Só através de escritura pública, pois o que está sendo objeto de negócio jurídico é o direito à sucessão aberta e isso tem natureza jurídica de bem imóvel.
Vamos aos artigos:
Forma da renúncia art. 1.806
Art. 1.806. A renúncia da herança deve constar expressamente de instrumento público ou termo judicial.
Esse “termo judicial” é o termo nos autos. 
Cessão de direitos hereditários art. 1.793
Art. 1.793. O direito à sucessão aberta, bem como o quinhão de que disponha o co-herdeiro, pode ser objeto de cessão por escritura pública.
§ 2o É ineficaz a cessão, pelo co-herdeiro, de seu direito hereditário sobre qualquer bem da herança considerado singularmente.
Combinar este o art. 1.793 com o art. 108 e art. 80, II.
Voltando ao exemplo anterior...
O B quer fazer uma cessão de direitos hereditários. Só que o B é casado com L. E dependendo do regime de bens do casamento (tirando o regime da separação total de bens e alguns casos do regime da participação final de aquestos), para que uma pessoa casada aliene bem imóvel, obrigatoriamente será necessária a outorga (uxória ou marital). Assim, B e L são casados pelo regime da comunhão parcial de bens. Nesse regime, a herança não se comunica, não integra a meação. L não tem direito a nenhum centavo da herança a que B faz jus. No entanto, a lei exige que, para a transferência de bens imóveis (e o direito à sucessão aberta é um direito imóvel (art. 80, II, CC)), todos os bens imóveis, independentemente de entrar ou não na meação, se um dos cônjuges quer fazer a transferência de um bem imóvel, é necessária a outorga de L para que possa ser realizado esse negócio jurídico de sucessão. Mesmo que não vá receber nada dessa herança.
Aluno: qual o propósito disso?
Professora: a ideia originária é a proteção da moradia da família. Pois antigamente, as pessoas moravam em bens herdados ou bens adquiridos na constância do casamento. Então, se fosse permitido que um dos cônjuges vendesse bem imóvel sem a ciência do outro, ele poderia vender o bem, pegar o dinheiro e sumir e depois de um tempo a pessoa é expulsa da residência da família sem saber de nada. 
Isso é muito importante, pois normalmente as pessoas acham que o cônjuge só tem que consentir se o bem imóvel for também dele, ou seja, se integrar a meação. Mas não é assim! Se for bem imóvel, nesse regime da comunhão parcial de bens, vai ter que dar a outorga. Se ela não quiser, o sujeito pode ir ao Judiciário pedir o suprimento do consentimento. Mas não pode fazer o negócio jurídico sem o consentimento ou sem o suprimento.
Então, com a cessão de direitos hereditários, não há dúvida: se a pessoa é casada, é necessária a outorga:
Art. 1.647. Ressalvado o disposto no art. 1.648, nenhum dos cônjuges pode, sem autorização do outro, exceto no regime da separação absoluta:
I - alienar ou gravar de ônus real os bens imóveis;
E a
renúncia? Pra renunciar à herança precisa de outorga? 
No exemplo acima, se o B não quiser ceder os direitos, mas sim renunciar à herança, ele precisa da outorga? É controverso.
Caio Mario, por exemplo, entende que se aplica o art. 1.647, I, CC, também para a renúncia. Pois para ele, a renúncia é um ato através do qual a pessoa está desprezando, dispensando, direitos imobiliários, que a lei considera bem imóvel (direito à sucessão aberta). 
Outros autores entendem que não, pois não estaria transferindo direitos imobiliários, não está permitindo sequer que esses bens ingressem no patrimônio dele. Então não precisaria da outorga.
Um detalhe com relação à aceitação da herança: como no direito brasileiro trabalhamos com o direito de saisine, não importa em que momento tenha havido a aceitação, ele tem eficácia retroativa à data do óbito. É como se a aceitação tivesse ocorrido no exato momento do óbito para que possamos aplicar o direito de saisine.
No final da aula passada, quando explicava a Legítima, disse que os herdeiros considerados necessários pelo direito (descendente, ascendente e cônjuge). A pessoa pode não querer deixar nada pra ninguém, destruir o patrimônio em vida. Tudo bem. Mas se morreu deixando bens, metade dos bens é a legítima. 
Para que uma pessoa não tenha direito à legítima, somente em duas situações: indignidade e deserdação.
INDIGNIDADE E DESERDAÇÃO
Indignidade e a deserdação são formas de exclusão do herdeiro necessário. Se não sou herdeira necessária, basta que o morto faça em vida um testamento dizendo que os bens vão pra outra pessoa que eu tô fora. Se uma pessoa morre sem ascendente, sem descendente e sem cônjuge e ele tinha um irmão, que está torcendo pra ele morrer, só que esse irmão faz um testamento deixando todos os bens para uma instituição de caridade. O irmão sobrevivente não pode fazer nada.
Mas para que um herdeiro necessário (ascendente, descendente ou cônjuge) seja excluído da herança só pode nessas 2 situações: indignidade e deserdação.
A deserdação ocorre em testamento, nas causas que a lei permite.
INDIGNIDADE
Indigno é a pessoa que praticou algum dos atos do art. 1.814, CC/02.
Art. 1.814. São excluídos da sucessão os herdeiros ou legatários:
I - que houverem sido autores, coautores ou partícipes de homicídio doloso, ou tentativa deste, contra a pessoa de cuja sucessão se tratar, seu cônjuge, companheiro, ascendente ou descendente;
A é filho de B. Se o A matou B de olho na herança. Perde a herança. Ex: Suzane Von Richtofen.
OBS: a tentativa de homicídio também acarreta a indignidade.
OBS: homicídio culposo não vale.
Ex: A tentou matar a atual mulher do seu pai (sua madrasta). Também perde a herança de seu pai.
Ex: tentou matar a avó (mãe do seu pai). Também perde a herança do seu pai.
OBS3: não precisa ter sentença penal condenatória!! Não basta ter acontecido esse fato. Os outros herdeiros, que serão beneficiados com a exclusão desse homicida, são obrigados a ajuizar uma ação para comprova que esse acontecimento realmente ocorreu. Essa ação tem que ser ajuizada (art. 1.815 e § único) em 4 anos.
Art. 1.815. A exclusão do herdeiro ou legatário, em qualquer desses casos de indignidade, será declarada por sentença.
Parágrafo único. O direito de demandar a exclusão do herdeiro ou legatário extingue-se em quatro anos, contados da abertura da sucessão.
Então, o irmão de B, que receberia a parte que seria de A porque o A matou B, terá que ajuizar uma ação em 4 anos, para provar que esse acontecimento é verdadeiro, que realmente aconteceu, sob pena de decadência. Esse prazo é DECADENCIAL!
Mas temos um problema prático: se ele matou o pai mesmo, é possível que haja uma ação penal contra ele. Então, essa ação, que obrigatoriamente tramitará na vara de órfãos e sucessões, é bem possível que o juiz da vara de órfãos suspenda a ação, aguardando o resultado da ação criminal. Mas se a ação criminal demorar muito a ser julgada, ele pode julgar.
E se for menor de idade? Indivíduo de 16 anos matou o pai. Ele herda ou não? Mesmo ele sendo inimputável, ele é inimputável para a esfera penal! Na esfera penal, responderá a uma ação socioeducativa na vara da infância e juventude. Mas aqui a sanção não é penal, é civil. 
Então, se o adolescente mata o pai, para a maioria da doutrina ele vai estar inserido em uma causa de exclusão por indignidade. 
Art. 1.814, II - que houverem acusado caluniosamente em juízo o autor da herança ou incorrerem em crime contra a sua honra, ou de seu cônjuge ou companheiro;
“Acusar caluniosamente em juízo” há divergência. 
A acusação caluniosa em juízo significa que a pessoa tem que estar na presença de um juiz ou também se aplica quando a pessoa fala, na presença de um delegado de polícia, que o pai a estuprou, sem ser verdade?
Quem defende que só quando a denunciação caluniosa é feita em juízo diz que como a consequência é uma restrição a um direito (perda da herança), não se pode fazer uma interpretação extensiva. 
Outra corrente diz que a denunciação caluniosa (imputar falsamente a alguém a prática de crime) pode ocorrer em juízo ou em sede policial que vai dar no mesmo.
“qualquer outro crime contra a honra”também o transforma em indigno.
Aluna: a indignidade também se aplica a herdeiros não necessários, se estiverem no testamento?
Professora: sim, pois serão herdeiros testamentários.
Art. 1.814, III - que, por violência ou meios fraudulentos, inibirem ou obstarem o autor da herança de dispor livremente de seus bens por ato de última vontade.
Há um caso verdadeiro em que um herdeiro, sabendo que um pai ia fazer um testamento deixando uma parte dos bens a um outro parente, começou a dopar o pai, dando remédio para ele ficar totalmente dopado durante dia e noite. Quem descobriu isso foi o advogado da pessoa, pois estava tentando falar com o indivíduo, que já tinha uma certa idade, e quando ligava ele não atendia, batia na portaria e o porteiro dizia que estava e dizia que estava dormindo...Advogado foi à delegacia e policiais estiveram na casa e descobriram que o filho dopou o pai para evitar que fizesse o testamento. 
 
Aula 4 – 2/5/2016
Vimos na aula passada quais são as raras hipóteses em que esses herdeiros necessários podem não receber herança: quando o herdeiro for considerado indigno ou quando ele for deserdado. 
Vimos as hipóteses de indignidade. Qual a diferença entre indignidade e deserdação? A diferença é que a indignidade decorre da lei; basta que aquele herdeiro pratique aqueles atos listados na lei que automaticamente ele já estará inserido numa situação de indignidade. 
As situações de indignidade estão previstas no art. 1.814 do Código Civil. São elas: matar o autor da herança; tentar matar o autor da herança, seu cônjuge ou companheiro, ascendente ou descendente; acusação caluniosa ou crime contra a honra e através de meios fraudulentos tentar impedir que uma pessoa faça o seu testamento. 
Art. 1.814. São excluídos da sucessão os herdeiros ou legatários:
I - que houverem sido autores, co-autores ou partícipes de homicídio doloso, ou tentativa deste, contra a pessoa de cuja sucessão se tratar, seu cônjuge, companheiro, ascendente ou descendente;
II - que houverem acusado caluniosamente em juízo o autor da herança ou incorrerem em crime contra a sua honra, ou de seu cônjuge ou companheiro;
III - que, por violência ou meios fraudulentos, inibirem ou obstarem o autor da herança de dispor livremente de seus bens por ato de última vontade.
Nessas situações previstas no art. 1.814 a lei diz que o herdeiro necessário será indigno de receber a herança. Só que não basta a lei prever as situações, é necessário que algum herdeiro que estaria se beneficiando com a exclusão do outro herdeiro ajuíze uma ação de indignidade no prazo previsto no art. 1.815, paragrafo único, que é o prazo de 5 anos, para comprovar em juízo que aquele fato realmente aconteceu e por isso aquele indivíduo não pode herdar.
Art. 1.815. A exclusão do herdeiro ou legatário, em qualquer desses casos de indignidade, será declarada por sentença.
Parágrafo único. O
direito de demandar a exclusão do herdeiro ou legatário extingue-se em quatro anos, contados da abertura da sucessão.
 EXEMPLO: um homem tem dois filhos e um dos filhos mata o pai. O filho que não matou terá o prazo de quatro anos para propor a ação de indignidade a fim de excluir o outro herdeiro da herança, aquele que praticou o homicídio do autor da herança. 
Outro exemplo: Um homem tem três filhos e uma das filhas diz que o pai a estuprou, sendo que isso é uma mentira. Quando esse pai morrer, os outros filhos terão legitimidade para em quatro anos ajuizar ação contra essa moça a fim de que ela seja excluída da herança, já que praticou um fato previsto no art. 1814, II. 
Só para deixar claro: a indignidade vem da lei. No entanto, os herdeiros tem um prazo decadencial de quatro anos para provar a veracidade este acontecimento a fim de que haja a exclusão desse herdeiro que praticou algum desses atos previstos na lei contra o autor da herança.
Caso a ação não seja ajuizada, apesar do individuo ser indigno, ele vai receber a herança, porque é essencial o ajuizamento da ação no prazo de quatro anos. 
CONSEQUÊNCIAS
Direito de Representação 
Aqui se aplica a mesma regra do direito penal: nenhuma sanção pode passar da pessoa que praticou o ato errado. 
No exemplo em que “A” morreu deixando três filhos: B, C e D, uma das filhas, D, quando mais nova fez uma denunciação caluniosa contra o pai mentindo que ele tinha a estuprado. Quando A morrer, qualquer um dos dois filhos, B ou C, tem legitimidade para ajuizar ação contra essa filha, D, a fim de que ela seja excluída da herança. 
Qual é a sanção caso haja prova de que tudo isso aconteceu? D será considerada indigna e sua parte na herança será rateada entre B e C. Se D ia receber 300 mil, esses 300 mil será dividido entre B e C. 
Só que nenhuma pena pode passar do infrator, portanto, a lei autoriza, no art. 1.816:
Art. 1.816. São pessoais os efeitos da exclusão; os descendentes do herdeiro excluído sucedem, como se ele morto fosse antes da abertura da sucessão.
Parágrafo único. O excluído da sucessão não terá direito ao usufruto ou à administração dos bens que a seus sucessores couberem na herança, nem à sucessão eventual desses bens.
Nesse exemplo, D tinha uma filha, F. Sendo D considerada indigna, a lei autoriza que o descendente do indigno herde como se o indigno fosse considerado pré-morto. 
Na sucessão do descendente, nós ainda vamos estudar, que quando uma pessoa morre antes do autor da herança ela é considerada pré-morta e a parte dela pode ser dada a seu herdeiro. Nesse caso, F vai receber a parte da herança que caberia a D. Portanto, a herança será rateada entre B, C e F. F está numa situação chamada de direito de representação. 
O direito de representação tem que estar na lei. Só vai acontecer quando a lei autoriza e esse caso é um exemplo. 
Quando D foi considerada indigna, não seria justo que sua filha ou filho sofresse as sanções pela má conduta da mãe. F na verdade não teria direito a herança do avô, mas indiretamente seria beneficiada pela herança que ele deixou para sua mãe, só que esta foi excluída da herança. A lei, para não prejudicar os descendentes daquele que praticou um ato de indignidade, permite que se um dos herdeiros praticar um ato de indignidade e for excluído da herança, a consequência da exclusão é que a parte dele seja atribuída aos demais herdeiros daquela mesma categoria (nesse exemplo trabalhamos com a categoria filho), mas excepcionalmente a lei abre a exceção para permitir que os descendentes do indigno herde a parte que o indigno herdaria. 
DESERDAÇÃO
Não decorre da lei; a deserdação tem que estar prevista em testamento. No entanto, ninguém pode ser deserdado por qualquer bobagem. Os herdeiros necessários só podem ser deserdados por algum ato que a lei prevê. A deserdação está prevista nos art. 1.961 a 1.965 do CC. 
Art. 1.961. Os herdeiros necessários podem ser privados de sua legítima, ou deserdados, em todos os casos em que podem ser excluídos da sucessão.
Todas aquelas hipóteses que a lei prevê que caso ocorra, o herdeiro será considerado indigno, todas elas e mais algumas o autor da herança pode deixar em testamento dizendo que não quer que seu herdeiro herde porque praticou tais atos.
Quais são os atos que podem provocar a deserdação de um herdeiro necessário?
-Todos aqueles do art. 1.814 do CC. 
-Com relação ao descendente, os atos estão no art. 1.962.
Art. 1.962. Além das causas mencionadas no art. 1.814, autorizam a deserdação dos descendentes por seus ascendentes:
I - ofensa física;
II - injúria grave;
III - relações ilícitas com a madrasta ou com o padrasto;
IV - desamparo do ascendente em alienação mental ou grave enfermidade.
Com relação ao ascendente:
Art. 1.963. Além das causas enumeradas no art. 1.814, autorizam a deserdação dos ascendentes pelos descendentes:
I - ofensa física;
II - injúria grave;
III - relações ilícitas com a mulher ou companheira do filho ou a do neto, ou com o marido ou companheiro da filha ou o da neta;
IV - desamparo do filho ou neto com deficiência mental ou grave enfermidade.
O mais comum de acontecer é a pessoa morrer e deixar filhos como herdeiro. Se um filho praticar algum dos atos previstos no art. 1.962 com relação aos seus ascendentes, ele será deserdado. Além das causas de indignidade (art. 1.814), os atos que podem provocar a deserdação são também injuria grave, ofensa física, relações ilícitas com a madrasta ou padrasto, desamparo de ascendente em deficiência mental ou grave enfermidade. Diante de um desses atos, o autor da herança pode deserdar seu filho ou neto através de testamento. 
Se uma pessoa morre sem filhos ou sem netos, a herança vai para seus ascendentes, a segunda categoria. Agora imagine que uma pessoa tem um pai ausente. O nome dele está lá como pai na certidão, mas ele nunca cumpriu seu papel de pai. Essa pessoa pode fazer um testamento deserdando esse pai ausente? 
No art. 1.963 estão lá ofensa física, injúria grave, relações ilícitas com a mulher/marido ou companheiro (a) do (a) filho (a) ou do (a) neto (a) e desamparo do filho ou neto com deficiência mental ou grave enfermidade. Particularmente, eu acho que essas causas do art. 1.963 deixam a desejar. O que normalmente as pessoas perguntam ao advogado é o seguinte: quando eu morrer o que eu deixar de herança pode ir para meu pai que sumiu no mundo, nunca pagou pensão, nunca apareceu e eu nem sei quem é, mas o nome dele está na minha certidão de nascimento? Resposta: sim. 
O problema é que essas hipóteses de deserdação são hipóteses de restrição de direitos e normalmente o que aprendemos é que não podemos fazer interpretação extensiva. Quando nós temos um artigo da lei tirando direitos não podemos fazer interpretação extensiva. Nesse artigo 1.963, o que chega mais perto dessa situação em que o pai some, eu tenho o inciso IV que cita desamparo do filho ou neto com deficiência mental ou enfermidade grave. Se o filho não tem deficiência nem enfermidade grave, o pai que desamparou o filho tem direito a sua herança. 
Exemplo: Joãozinho foi criado pela mãe. Seu pai o registrou, mas sumiu no mundo. Quando Joãozinho morre sem deixar filhos, a herança dele é dividida entre o pai e a mãe. Imagine que Joãozinho deixou um testamento dizendo que quer deserdar seu pai porque ele sumiu, nunca apareceu. Esse caso não está previsto na lei, mas a mãe de Joãozinho pode tentar ajuizar uma ação e torcer para que o juiz faça uma interpretação extensiva do inciso IV do art. 1.963. 
Ocorre que para a maioria da doutrina não é possível fazer a interpretação extensiva. Então se Joãozinho não tem deficiência mental nem grave enfermidade ele não se enquadra em nenhuma hipótese desse artigo da lei permitindo a deserdação. Aqui é igual ao direito penal, só se estiver previsto na lei. 
Mesmo com a deserdação no testamento é obrigatório ajuizar ação de deserdação. Da mesma forma como tem a ação de indignidade em que tem que comprovar que foi realizado o ato de indignidade, tem a ação de deserdação.
Se o pai A fez um testamento
deserdando a filha D porque esta fez uma denunciação caluniosa dele ou se D um dia bateu no pai, esse pai pode fazer um testamento deserdando A. agora, não basta o testamento para que D não receba a herança; é necessário que após a morte de A em quatro anos qualquer um dos herdeiros necessários ajuíze a ação de deserdação. Caso não exista a ação a consequência é que mesmo com a deserdação no testamento, a pessoa que ele queria deserdar vai receber a herança. 
Duvida da aluna: naquele exemplo da filha indigna (D) e se o filho da indigna (F) for um menor de idade?? F vai precisar de um representante legal...
Sim. Isso está lá no direito de família. Os pais tem usufruto dos bens dos filhos, mas nesse caso não vai ter direito de usufruto dos bens que o F herdar e se o F morrer, a D (a indigna) também não receberá o dinheiro. Será nomeado um curador. Se F tem um pai que não tem nada a ver com a história e F morre ainda criança, o pai de F vai receber a herança, já que D, a mãe, que é indigna ou foi deserdada não pode recebe a herança do seu ascendente. 
O art. 1.965, parágrafo único, diz que é necessário atender ao prazo de quatro anos para a deserdação, que começa a contar a partir da abertura do testamento. Enquanto que a indignidade decorre da lei, e, portanto, o prazo começa a contar da morte do autor da herança, a deserdação decorre do testamento, logo, o prazo começa da abertura do testamento porque é a partir dele que se descobre que a vontade do autor da herança de querer deserdar. 
Art. 1.965. Ao herdeiro instituído, ou àquele a quem aproveite a deserdação, incumbe provar a veracidade da causa alegada pelo testador.
Parágrafo único. O direito de provar a causa da deserdação extingue-se no prazo de quatro anos, a contar da data da abertura do testamento.
Se não houver a ação de deserdação nem a de indignidade, deserdados e indignos receberão a herança como se nada tivesse acontecido. No entanto, se houver a ação e ficar comprovada a veracidade do que foi dito que aconteceu, o indigno ou deserdado será excluído da divisão de bens e sua parte que lhe cabia na herança será rateada entre os demais herdeiros ou se o indigno ou deserdado tiver descendentes ele vai ser tratado como um pré-morto e o direito de receber a herança passará para seu descendente. 
A lei é clara ao dizer o que acontece com o indigno quando ele tem descendente. Tá no art. 1.816 do CC.
Art. 1.816. São pessoais os efeitos da exclusão; os descendentes do herdeiro excluído sucedem, como se ele morto fosse antes da abertura da sucessão.
Parágrafo único. O excluído da sucessão não terá direito ao usufruto ou à administração dos bens que a seus sucessores couberem na herança, nem à sucessão eventual desses bens.
O legislador se lembrou da hipótese de indignação, mas se esqueceu da deserdação. Na parte da deserdação não tem um artigo sequer sobre essa situação. Porém, as regras são as mesmas. A doutrina manda aplicar à deserdação também aquilo que está no art. 1.816. 
Imagine na prova a seguinte questão: um herdeiro foi deserdado. Esse herdeiro deserdado tinha um filho. Pergunta: o filho do deserdado vai herdar como se o deserdado fosse considerado pré-morto ou não? Resposta: o descendente do deserdado vai ter esse direito porque a doutrina diz que não é possível tratar duas situações idênticas de exclusão de herdeiro necessário de formas diferentes, portanto, eu não posso dar um tratamento para o caso do herdeiro excluído por indignidade e outro para o caso do excluído por deserdação. Então, a doutrina determina a aplicação do art. 1.816, por analogia, no caso da deserdação. 
HERANÇA LEGÍTIMA OU SUCESSÃO LEGÍTIMA
Legítima no sentido de que vem da lei. É a lei quem diz quem herda. Claro que a lei permite o testamento, mas tem que ser respeitada a lei. 
Ninguém é obrigado a morrer deixando bens, pode gastar tudo em vida, mas se morreu deixando bens a metade da herança é preservada é direcionada as pessoas que a lei diz que são os herdeiros necessários; essa parcela corresponde à legítima.
Quem são os herdeiros necessários? Os descendentes, os ascendentes e o cônjuge. Eles herdam ao mesmo tempo? Como a lei orienta essa divisão?
Vamos trabalhar com dois princípios.
1. A classe do mais próximo exclui a dos mais remotos, em concorrência com o cônjuge, dependendo do regime de bens.
1. Dentro da mesma classe, os mais próximos em grau excluem os mais remotos.
Primeiro, vamos destacar que o CC antigo trabalhava com o princípio a classe do mais próximo exclui a dos mais remotos.
Antigamente a lei dizia que quem herdava eram os descendentes, não tendo descendente, os as ascendentes, não tendo ascendentes, aí sim o cônjuge herdava. Assim era até 2003, quando entrou em vigor o Código Civil atual. 
Esse termo “mais próximo” é uma presunção. A lei presumia que se uma pessoa tinha descendente ela era mais chegada aos descendentes, e, portanto, gostaria que estes ficassem com seus bens. Se não tinha descendentes então os mais próximos seriam os ascendentes. Só se a pessoa não tivesse nem descendente nem ascendente é que então o cônjuge era o mais próximo. 
O CC/02 criou uma concorrência. Ficou em cima de cima do muro, o CC não jogou fora essa presunção da lei anterior, ele a manteve. Ocorre que o legislador de 2002 decidiu dividir essa herança. 
A presunção de que o mais próximo é o ascendente está mantida, mas a lei prevê que em ALGUNS casos, vai depender do regime de bens do casamento, a herança de uma pessoa vai ser dividida entre os descendentes e o cônjuge. 
OBS.: Nesta aula, só serão apresentados exemplos de pessoas que morreram sem cônjuge. A herança do cônjuge será tratada nas aulas seguintes. Esta aula é voltada especialmente para a herança do descendente, para quem morre e deixa filhos. 
Continua vigorando que a classe dos mais próximos exclui a dos mais remotos. Porém, o princípio atual é: a classe do mais próximo exclui a dos mais remotos, em concorrência com o cônjuge, dependendo do regime de bens. Esse é o 1º princípio. 
Se uma pessoa A morreu deixando descendente e ascendente (não vamos falar do cônjuge agora), isto é, ela deixou pai, mãe e dois filhos. Quem herda? Vamos observar a regra do art. 1.829 do CC. O inciso I diz que quem herda são os descendentes. A classe dos descendentes exclui a classe dos ascendentes. Nesse caso, portanto, a herança será totalmente dividida entre o filho 1 e o filho 2. Pai e mãe do morto não vão herdar nada porque são ascendentes e ascendentes encontram-se no art. 1829, II. A lei presume que a classe mais próxima é a dos descendentes. É uma presunção absoluta. 
Art. 1.829. A sucessão legítima defere-se na ordem seguinte:
I - aos descendentes, em concorrência com o cônjuge sobrevivente, salvo se casado este com o falecido no regime da comunhão universal, ou no da separação obrigatória de bens (art. 1.640, parágrafo único); ou se, no regime da comunhão parcial, o autor da herança não houver deixado bens particulares;
II - aos ascendentes, em concorrência com o cônjuge;
III - ao cônjuge sobrevivente;
IV - aos colaterais.
No direito de família existe o grau de parentesco. Não há duvida que filho 1 e filho 2 são descendentes de A. Só que A deixou netos. O filho 1 é pai de N1 e o filho 2 é pai de N2. Ou seja, quando A morreu ele tinha descendentes em primeiro grau e descendentes em segundo grau. 
O 2º princípio então é: Dentro da mesma classe, os mais próximos em grau excluem os mais remotos. 
Pelo primeiro princípio, vamos separar por classes; se uma pessoa morre deixando ascendentes e descendentes, os descendentes são os mais próximos, são a classe 1, portanto, a classe 2, dos ascendentes está excluída. É assim que a lei presume: a classe dos mais próximos exclui a dos mais remotos. 
Só que dentro da mesma classe, a dos descendentes, nós temos descendentes de primeiro grau e descendente de segundo grau. Aí entra em ação o segundo princípio: se dentro da mesma classe eu tenho graus diferentes, os mais próximos em grau excluem os mais remotos. Portanto, no exemplo anterior, os netos estariam excluídos da
herança. Afinal, os filhos estão em grau mais próximo. 
Há uma exceção:
Art. 1.833. Entre os descendentes, os em grau mais próximo excluem os mais remotos, salvo o direito de representação.
Direito de representação é o direito de ficar no lugar de alguém que é pré-morto do autor da herança. 
 Quando A morreu ele deixou um filho vivo (F1) e um filho pré-morto (F2). Só que F2 tinha um filho, neto de A, o N2. Não seria justo a lei deixar todos os bens para o filho 1, excluindo N2.
É possível você representar alguém pré-morto que se estivesse vivo quando alguém morreu, receberia uma parcela da herança. O direito de representação só existe quando a lei diz. Neste caso, a lei autoriza que na hora de dividir a herança entre os descendentes de alguém que já morreu se entre os herdeiros houver um pré-morto, os descendentes dele podem herdar. 
Repetindo: quando A (pai de f1 e f2) morreu, f2	 já havia morrido, f2 é chamado de pré-morto. Neste caso, a parte que seria dada a f2 será dada a N2. Portanto, N2 receberá a herança de seu avô (A) por direito de representação.
Herança por direito próprio
Quando A morreu, seus filhos f1 e f2 têm direito a receber a herança. Nós dizemos que f1 e f2 vão receber a herança por direito próprio.
Receber herança por direito próprio é quando, ao aplicar aqueles dois princípios, chegamos à conclusão de que a pessoa tem direito a herança. 
Novo exemplo: F2 é pré-morto, aí N2 entra na jogada só que N2 não vai herdar próprio, ele vai herdar por direito de representação. Quando eu aplico os dois princípios o neto fica excluído, pois os mais próximos em grau excluem os mais remotos, portanto, pela existência de filhos, os netos estariam excluídos. N2 só vai receber a herança porque o pai é pré-morto, ele não recebe por direito próprio, mas porque a lei autorizou nesse caso o direito de representação. 
Na qualidade de descendente eu posso receber a herança por direito próprio ou eu recebo a herança no lugar de alguém que morreu antes do autor da herança, porque alguém é pré-morto. 
Direito de transmissão 
Existe uma terceira forma de um neto receber herança do avô. 
“A” é o pai. F1 e F2 são os filhos. N1 e N2 são os netos. “A” morreu em abril de 2005. Estavam vivos F1 e F2. Estes herdam por direito próprio e N1 e N2 não tem direito a nada. Porém, F2 ao saber que seu pai morreu teve uma sincope e morreu também, ele morreu dois depois de A. 
Para ser herdeiro tem que estar vivo no momento da morte. F1 e f2 herdaram por direito próprio. O F2, portanto, recebeu a herança de A e ao morrer ele transmitiu essa herança para o seu filho, N2. Aqui, o neto não vai receber a herança nem por direito próprio nem por direito de representação, ele vai receber por uma razão obvia.
Então são três formas de receber uma herança na linha descendente: por direito próprio, direito por representação ou eu recebo a herança do meu avô porque o meu pai morreu antes mesmo de aceitar a herança, antes que fosse aberto o inventário. 
Se F2 antes de morrer já tivesse recebido a herança, se ele morresse depois de terminado o inventário e os bens já tivessem passado para o seu nome, isso seria irrelevante, porque quando ele morresse esses bens iriam para os seus filhos.
A figura do direito de transmissão vai ser importante quando um dos herdeiros morre depois do autor da herança, mas sem que ele tenha exercido o direito de aceitar a herança. 
Na prática, as pessoas morrem e ninguém abre o inventário, ninguém pratica nenhum ato e os bens ficam no nome do morto por anos.
Aula passada nós vimos a figura da aceitação da herança e que a aceitação pode ser expressa, mas na maioria das vezes é tácita, ou seja, o herdeiro se comporta em relação aos bens da herança como se ele realmente se considerasse herdeiro, então é o comportamento do herdeiro que faz com que a gente entenda que ele aceitou a herança.
Receber uma herança por direito de transmissão é um caso excepcional, acontece quando o herdeiro não teve a oportunidade sequer de aceitar a herança. O filho que morreu dois dias depois do pai num teve chance de fazer nem a aceitação expressa nem a tácita. Não teve tempo pra isso. O direito de receber a herança foi transmitido para o neto. O direito de aceitar a herança foi transmitido ao descendente. Essa é uma rara situação.
No direito civil se trabalha muito com o direito de representação, esse é comum no dia-a-dia. É um muito comum um filho morrer antes do pai e deixar filhos, netos do autor da herança.
Não confundam o direito de representação com o de transmissão. O direito de representação existe quando o direito a herança chega até a pessoa porque alguém é pré-morto. O direito de transmissão é quando uma pessoa chega à herança de outra porque o herdeiro morreu antes de aceitar a herança que lhe seria transmitida.
“A” morre e deixa os filhos F1, F2, F3 e F4. Cada um destes tem um filho. Daí temos os netos N1, N2, N3, N4 e um quinto, N5, porque F4 tem dois filhos. “A” morreu em março de 2009. F4 morreu em abril de 2008.
O pai de “A” vai herdar alguma coisa?
Não. Aplicado o primeiro principio, a classe dos mais próximos é a dos descendentes, por presunção da lei. Os ascendentes são excluídos da herança nesse caso; porém existem descendentes de 1º grau e descendentes de 2º grau, aí se aplica o segundo principio: a classe dos mais próximos exclui a classe dos mais remotos.
N1, N2 e N3 vão herdar alguma coisa? Não. 
F1, f2 e f3 vão receber a herança por direito próprio. Acontece que o f4 morreu quase um ano antes de “A” morrer. F4 é pré-morto. O que será feita com a parte de F4 na herança?
F4 é pai de N4 e N5. Estes dois vão receber a herança de seu avô por direito de representação. 
Até agora vimos como se chega à herança. Resta saber agora como dividir.
FORMAS DE PARTILHAR:
- partilha por cabeça
- partilha por estirpe
O indivíduo morreu com 800 mil. Tem 4 filhos. 200 mil pra cada filho. Nós dizemos que F1, F2, F3 e F4 recebem por cabeça. São 4 cabeças, os 800 mil são divididos por cabeça. Os quatro chegaram à herança por direito próprio, a forma como eles vão receber é por cabeça. 
Mas aí F4 morreu. Quanto N4 e N5 recebem? Eles não recebem por cabeça, eles não fazem parte das quatro cabeças, o que N4 e N5 vão receber é a parcela que cabia ao pai deles. Se F4 ia receber 200 mil, N4 e N5 receberão 100 mil cada. 
Quem herda por direito próprio recebe por cabeça, é contado como cabeça, mas se você recebe por direito de representação, você recebe aquilo que a pessoa que você está representando receberia, é a chamada partilha por estirpe. N4 e N5 são a estirpe de F4. 
Para aqueles que herdam por direito próprio, a divisão do monte da herança é por cabeça. Na hora de dividir, o herdeiro é considerado uma cabeça. Para aqueles que herdam por direito de representação, a fatia que vai ser dividida entre os que receberão é aquela que caberia ao pré-morto. Então é a partilha por estirpe.
RENÚNCIA
F1 odiava o pai. Quando o pai morreu ele renuncia a herança. Recusa tudo que vem do pai. Só que N1 tem um filho. N1 recebe a parte do pai que renunciou? Não! Quem renuncia é tratado como se nunca tivesse existido. A parte que caberia ao F1 será redistribuída entre os outros filhos, o que vai aumentar até a parte do N4 e do N5 no exemplo anterior.
Só haveria uma chance do N1 receber a herança: se todos os filhos renunciarem. Assim, todos os netos receberiam por direito próprio. A primeira classe seria extinta e ficaria só a segunda classe, formada pelos netos. 
Art. 1.810. Na sucessão legítima, a parte do renunciante acresce à dos outros herdeiros da mesma classe e, sendo ele o único desta, devolve-se aos da subseqüente.
Art. 1.811. Ninguém pode suceder, representando herdeiro renunciante. Se, porém, ele for o único legítimo da sua classe, ou se todos os outros da mesma classe renunciarem a herança, poderão os filhos vir à sucessão, por direito próprio, e por cabeça.
Se A só tivesse um filho e este renunciasse, aí os netos receberiam, assim como se todos os filhos renunciassem, porque é assim que a lei a autoriza. A regra geral da renuncia,
no entanto, é que o renunciante vai ser tratado como se nunca tivesse existido.
CONCLUSÃO: Não existe direito de representação de herdeiro renunciante. Só existe direito de representação de herdeiro pré-morto ou quando a lei diz que ele será tradado como pré-morto.
No mesmo exemplo A morreu, filhos F1, F2, F3 e F4. F4 foi considerado indigno ou foi deserdado, tanto faz, em ação judicial. A lei diz que ele é tratado como pré-morto, portanto, seus herdeiros podem exercer direito de representação. F1, F2, F3 receberão por direito próprio, partilhando por cabeça. N4 e N5 herdarão por direito de representação a parte que seria de F4, partilhando por estirpe. 
A lei diz que o direito de representação vai ser aplicado na herança do descendente quando a lei declarar que um descendente é pré-morto ou que ele deve ser tratado como pré-morto, como no caso de deserdação ou indignidade comprovada. 
Não cabe direito de representação em caso de renúncia porque a lei exclui essa possibilidade. 
 
Aula 09/05/2016
SUCESSÃO DO CÔNJUGE
No código civil de 1916 o cônjuge era apenas meeiro aplicando o direito de família em que havia meação em determinados regimes de bens, como por exemplo, na comunhão universal de bens em que o cônjuge era meeiro em todos os bens adquiridos na constância do casamento assim como os bens que a pessoa já tinha antes de casar e também os bens herdados. E no regime da comunhão parcial de bens em que havia meação nos bens adquiridos onerosamente na constância do casamento. No código civil antigo, então, uma pessoa casada quando ela morria o seu cônjuge apenas tinha direito a meação e não tinha direito hereditário e quem herdava eram seus descendentes e na falta deles os ascendentes. No código civil antigo, o cônjuge só herdava na hipótese de o morto não ter ascendentes e nem descendentes. Então não tínhamos no código civil antigo a concorrência de herança, ou seja, de divisão da herança entre determinados parentes. Era classificado assim no código civil antigo: 1ª classe a ser chamada : descendentes, não tem descendentes chama a 2ª classe : ascendentes e não havendo nem descendente ou ascendente o cônjuge era chamado para herdar. 
A meação então é retirada antes da partilha de bens, por exemplo se uma pessoa A morreu deixando 1 milhão de reais adquiridos na constância do casamento, 500 mil é a meação da pessoa B com quem ele é casado, e os outros 500 mil são a herança que será partilhada entre os herdeiros. Esses 500 mil do monte hereditário iriam, no código antigo, se o morto tivesse descendentes eles iriam dividir a herança na forma como estudamos na aula passada, se o morto não tivesse descendentes a herança seria recolhida pelo ascendente. Então no código civil antigo o cônjuge só era herdeiro quando o outro cônjuge morresse sem deixar descendente ou ascendente. 
Hoje, no nosso código civil de 2002 o cônjuge pode herdar de 2 formas, ou ele continua herdando dessa maneira em que na constância da morte não há descendentes ou ascendentes e o cônjuge fica com a herança é chamada de sucessão do cônjuge por direito próprio e está no Artigo 1829, III do CC/02. Então hoje, o código no artigo 1829, III reproduziu a mesma forma de sucessão do cônjuge, ou seja, se uma pessoa morre sem deixar descendentes e sem deixar ascendente o cônjuge vai herdar, independentemente do regime de bens. 
Art. 1.829. A sucessão legítima defere-se na ordem seguinte: (..)
III - ao cônjuge sobrevivente;
O STJ no inicio do código civil novo ficou meio vacilante com esse tema, algumas decisões diziam que quando a pessoa falecesse sem deixar ascendente ou descente o cônjuge só herdaria em certos regimes de bens, mas hoje em dia isso fico superado e a última decisão proferida sobre o STJ foi no sentido de que se uma pessoa morre casada sem deixar descendente ou ascendente, o cônjuge como terceira classe na linha sucessória e não importando o regime de bens do casamento o cônjuge recebe a herança. 
Mas tem mais coisa, o código civil de 2002 deu ao cônjuge uma nova forma de herdar através da introdução no direito brasileiro a figura da sucessão em concorrência. É a sucessão dividindo a herança com outros beneficiários. O código civil atual determina se uma pessoa morre casada e essa pessoa que morreu deixou bens, essa herança em alguns casos, que vamos ver, essa herança poderá ser dividida entre os descendentes é o cônjuge.
Digamos que uma pessoa A morre casada com uma pessoa B e A deixou dois filhos, vamos fazer de conta que o casamento entre A e B tenha sido feito na comunhão universal de bens e ai devemos lembrar que no regime da comunhão universal de bens a meação é gorda, ela diz respeito sobre todos os bens adquiridos na constância d casamento mesmo que tenha se dado por herança ou doação e a meação também incidirá sobre os bens que cada um tinha antes de casar. Então a meação no regime da comunhão universal de bens engloba não somente os bens adquiridos na constância do casamento mas aquilo que a pessoa já tinha antes de casar. Vamos por no nosso exemplo que A morreu deixando uma casa que ele comprou na constância do casamento com B e ele tinha também uma casa adquirida antes de casar. Então no regime da comunhão universal de bens o B vai ter direito a metade da casa adquirida antes e metade da casa adquirida na constância do casamento, pelo direito de meação. No regime da comunhão universal de bens, como o cônjuge já é meeiro em tudo ele não será herdeiro em concorrência com o descendente. Nesse caso o cônjuge só herdará naquela hipótese de não haver ascendentes ou descendentes, caso tenha ele não herda nada no regime da comunhão universal de bens, apenas recebe a meação.
Outra situação em que o cônjuge não herda em concorrência é no regime da separação obrigatório de bens, quando algumas pessoas casam elas pode força de lei não podem fazer pacto anti nupcial e são obrigadas a casar no regime de separação de bens. Todas as pessoas que casam por autorização judicial, por exemplo, tem que casar no regime da separação legal de bens. Então todas as vezes que o código civil disser que uma pessoa tem que se casar pelo regime da separação obrigatória e ela se casa pelo regime da separação obrigatória e um dos cônjuges morre, o cônjuge sobrevivente não tem direito a herança. Então, se uma pessoa é casada no regime da comunhão universal de bens ou no regime da separação obrigatória e um dos cônjuges morre o cônjuge sobrevivente não tem direito a dividir a herança com os descendentes.
Mas, se o cara morre sem deixar descendentes ou ascendentes o cônjuge sempre vai ficar com toda a herança não importando o regime de bens do casamento. 
Nós sabemos que a maior parte das pessoas do Brasil quando vão se habilitar no casamento e se casam elas não escolhem o regime ou escolhem o regime da comunhão parcial de bens. A redação do artigo 1821 que regula está parte é muito ruim, isso criou muitas controvérsias. Afinal de contas, quando tenho duas pessoas casadas no regime da comunhão parcial de bens e uma delas morre o cônjuge tira a meação dele ok. Nesse regime da comunhão parcial de bens, no exemplo que está no quadro :
 A morreu deixando uma casa adquirida na constância do casamento e deixou também uma casa que ele tinha adquirido antes do casamento, então B vai  ter meação na casa adquirida na constância do casamento, metade da casa vai ser de B por força da meação. Sobrou ainda para ser partilhado a casa adquirida antes do casamento que é um bem particular e metade da casa adquirida durante o casamento. O monte hereditário de A vai ser composto da casa bem particular e metade da casa adquirida durante o casamento. Ai vem a pergunta, B vai ter direito a alguma herança? Esse é o primeiro problema, em que situações um cônjuge casado pelo regime da comunhão parcial de bens tem direito a herança do outro cônjuge.
Vou resumir para vocês as controvérsias, a professora Maria Berenice dias pega o Artigo 1829 inciso I e faz uma coisa chamada interpretação invertida e chega numa conclusão super esquisita
Art. 1.829. A sucessão legítima
defere-se na ordem seguinte:
I - aos descendentes, em concorrência com o cônjuge sobrevivente, salvo se casado este com o falecido no regime da comunhão universal, ou no da separação obrigatória de bens (art. 1.640, parágrafo único); ou se, no regime da comunhão parcial, o autor da herança não houver deixado bens particulares;
 Então o que a professora Maria Berenice faz ao ler este artigo é lê-lo retirando o aposto, ficaria assim : aos descendentes, em concorrência com o cônjuge sobrevivente, se, no regime da comunhão parcial, o autor da herança não houver deixado bens particulares. Então a professora Maria Berenice interpretando o artigo dessa forma, ela chega a conclusão que quando uma pessoa é casada com outra no regime da comunhão parcial de bens terá direito a meação sobre os bens adquiridos na constância do casamento mas ela somente será também herdeira se o morto não tiver deixado bens particulares. Se o morto morreu deixando um bem particular no entendimento dela, o cônjuge não pode herdar. Ou seja, uma pessoa casada com outra na regime da comunhão parcial de bens ela só terá direito a ser herdeira também, além de ser meeira, se quando a pessoa morrer só tiver bens adquiridos na constância do casamento, ou seja, só tiver bens comuns. 
No nosso exemplo a pessoa B não teria direito a ser herdeira porque A tem bens particulares, isso no entendimento da professora Maria Berenice. Então se A morresse deixando apenas uma casa adquirida na constância do casamento, B já seria dona da metade da casa por conta do direito de meação e o que sobrou de herança foi metade da casa, e neste caso B seria herdeiro porque A morreu sem deixar bens particulares, então iria ter uma divisão da herança entre os descendentes e o cônjuge sobre metade do valor da casa restante. 
Se você entende que o que tem que ser dividido com o cônjuge através da herança são os bens adquiridos na constância do casamento, essa solução se assemelha a solução que a lei da em outro artigo, que é o 1790 para o companheiro em união estável. Porque quando chegarmos lá vou mostrar para vocês que quando uma pessoa vive em união estável com outra porém não é casada o 1790 diz que além da meação que o companheiro venha a ter direito ele também terá direito a ser herdeiro nos bens adquiridos na constância da união estável. Então se uma pessoa vive em união estável com outra e adquire bens na constância da união estável, dependendo do regime de bens estabelecido se for comunhão parcial de bens, o cônjuge herda. Então a fazer essa interpretação da Maria Berenice, ela chega na mesma conclusão que a união estável. 
Existe um artigo no Código Civil que diz que se por ventura o cônjuge sobrevivente seja pai ou mãe dos filhos do morto e se o casal tem mais de 4 filhos, o cônjuge sobrevivente tem direito de ficar com 1/4 da herança e o resto que será dividido entre os descendentes. Qual foi a ideia do legislador ao por esse artigo? Se o cônjuge sobrevivente também é pai ou mãe deles quando ele morrer os descendentes também vão herdar isso. 
Art. 1.832. Em concorrência com os descendentes (art. 1.829, inciso I) caberá ao cônjuge quinhão igual ao dos que sucederem por cabeça, não podendo a sua quota ser inferior à quarta parte da herança, se for ascendente dos herdeiros com que concorrer.
Quer dizer que quem tem muitos filhos, o cônjuge tem que ter um mínimo reservado de 1/4 da herança que ele vai herda em concorrência com os descendentes. 
São dois entendimentos então, o cônjuge sobrevivente casado na comunhão parcial de bens ele só se transforma em herdeiro se o cônjuge que morreu não tinha bens particulares e se for o caso o cônjuge sobrevivente terá direito a receber a parte da herança dos bens adquiridos na constância do casamento, dos quais o cônjuge sobrevivente já é meeiro. 
Quando essa questão chegou no STJ as turmas começaram a divergir nos julgamentos, colocaram a questão a ser decidida pela sessão do STJ e foi decidido pela sessão. No futuro, se essa decisão for rediscutida no STJ pode ser possível que isso mude. 
O entendimento do STJ no início da vigência do código civil de 2002 quando uma pessoa era casada com outra no regime da comunhão parcial de bens não importava se o morto tinha ou não deixado bens particulares, o cônjuge casado pelo regime da comunhão parcial de bens será herdeiro, só que no primeiro entendimento o STJ tentando igualar o direito dos cônjuges aos dos companheiros na sucessão, tentando dar eficácia ao artigo 226 da CF. O código civil de 2002 no direito sucessório não deu direito iguais ao cônjuge e companheiro. O cônjuge está no Artigo 1829 inciso i e III e o companheiro está no artigo 1790. No início da vigência do código civil o STJ lutou muito para igualar esses casos e então o STJ no início entendia que não importava se o cônjuge morreu com bens particulares, a pessoa casada pelo regime da comunhão parcial de bens será herdeira só que será herdeiro apenas nos bens adquiridos na constância do casamento. 
Então o primeiro entendimento do STJ aplicado ao caso que está no quadro, que A tem uma casa adquirida antes do casamento e uma adquirida durante o casamento com B, B vai ter 50% da casa adquirida durante por conta da meação e B também será herdeira dos 50% restantes da casa adquirida durante o casamento, em concorrência com os outros herdeiros enquanto que a casa adquirida fora do casamento será dividida entre os descendentes.
Essa decisão do STJ de deixar o cônjuge herdar nos bens que ele já era meeiro não ajudava, não batia com a finalidade do artigo. A finalidade da existência do 1829, I, da forma que temos agora se justifica porque em casos que o cônjuge se casava mas não adquiria bens durante o casamento e depois vinha a falecer deixava o cônjuge restante sem bens alguns, porque não teria meação já que não existiam bens comuns do casamento. Então o código veio com o intuito de mudar isso, mas esse entendimento inicial do STJ não abarcou as ideias do código. 
Após isso, o entendimento do STJ mudou no meio do ano passado para cá e agora ele entende que uma pessoa casada na comunhão parcial de bens vai ser herdeira sim, sem condição, só que agora ela só vai herdar os bens particulares, ou seja, mudou completamente o entendimento. No nosso exemplo então, B vai ter direito de meação de 50% da casa adquirida durante o casamento, e vai ter direito a uma quota parte em concorrência com os outros herdeiros da casa adquirida por A antes do casamento. Então os descendentes tem direito a uma quota parte da casa adquirida antes do casamento mais 50% da casa adquirida durante o casamento. B, no final, vai ter 50% da meação mais um pedaço dos bens adquiridos antes, dos bens particulares por direito de herança. 
Então, repetindo, o cônjuge não reparte a herança com o descendente quando é casado no regime da separação obrigatória ou quando é casado no regime da comunhão universal que o cônjuge sobrevivente já vai ser meeiro em tudo. No regime da comunhão parcial de bens o cônjuge sobrevivente é herdeiro e a posição do STJ agora é de que ele é herdeiro nos bens particulares, nos bens que ele é meeiro ele não é herdeiro, apenas meeiro. 
No regime da separação consensual deu muita confusão no STJ também, no início da vigência do código civil tem um julgado super questionável que o STJ disse que as pessoas casadas pelo regime da separação consensual também não poderiam herdar. E a justificativa foi uma interpretação louca porque no inciso I do artigo 1829 está escrito separação obrigatória mas de acordo com a decisão toda separação é obrigatória, porque a partir do momento que você tem consenso entre as partes elas se obrigam naquele acordo. 
Esse entendimento mudou também através de um julgamento de sessão e hoje predomina no STJ o entendimento de que as pessoas casadas no regime da separação consensual elas são herdeiras nos bens particulares. E ai o próprio STJ chega a conclusão de que não se sabe o que é melhor, o regime vai depender sempre do caso concreto para avaliar o que for melhor. 
SUCESSÕES- aula 16/05/16
Nós vimos que, na sucessão do cônjuge, quando o casamento se dá pelo regime da comunhão universal e pelo regime da separação obrigatória, o cônjuge não divide a herança com os descendentes. Neste caso, após ser retirada a meação, se o casamento se deu pelo regime da comunhão universal de bens ou da separação total e o falecido deixou descendentes, a herança será toda para os descendentes.
No entanto, se o casamento se deu pelo regime da comunhão parcial de bens e pelo regime da separação total de bens, porém na forma consensual, é possível que o cônjuge, depois de ter retirado sua meação, ainda seja herdeiro. 
Relembrando: quando o cônjuge casado sob o regime da comunhão parcial, em que bens ele será herdeiro? 
De acordo com a última posição do STJ pessoa casada pelo regime da comunhão parcial de bens, depois de tirada sua meação, caso o morte tenha deixado bens particulares, o cônjuge será considerado herdeiro, dividindo a herança com os descendentes. 
Vimos na aula passada também que, dependendo da quantidade de filhos, se o morto deixou 4 ou mais filhos e se forem também filhos do cônjuge sobrevivente, então os filhos que estão recebendo herança eram filhos dos dois, neste caso específico o cônjuge fica com 40% dos bens particulares e o restante é dividido entre os demais herdeiros. Fizemos uma comparação com a sucessão do companheiro. 
Quando não estou diante de pessoas casadas (união estável), companheiro será herdeiro nos bens adquiridos onerosamente na constância da união estável. Vimos que o CC estabelece uma diferença entre a sucessão do cônjuge e a do companheiro. Já que os companheiros herdam nos mesmos bens nos quais eles são meeiros, ou seja, nos bens adquiridos na constância da união estável.
Então, os bens adquiridos na constância da união estável, o companheiro vai tirar a meação dele, de acordo com o direito de família. E também o companheiro será herdeiro, dividindo a herança com os filhos do morto. Vimos o art. 1.790 e que o CC, neste ponto, não igualou os direitos do cônjuge e do companheiro e eu também não posso afirmar qual das duas situações é mais favorável, depende muito do caso concreto.
Se uma pessoa adquiriu vários bens na constância da união estável e não tinha bens antes de constituí-la, o companheiro vai se dar melhor, pois vai ser herdeiro, dividindo a herança com os descendentes do morto nos bens adquiridos onerosamente na constância da união estável.
No caso de uma pessoa ser casada, é possível, dependendo do caso, que ela ganhe menos do que se ela fosse companheira, pois o cônjuge casado pelo regime da comunhão parcial de bens, serão herdeiros, concorrendo com os descendentes, quando o morto deixa bens particulares. Nós vimos toda essa comparação na aula passada.
Art. 1.790. A companheira ou o companheiro participará da sucessão do outro, quanto aos bens adquiridos onerosamente na vigência da união estável, nas condições seguintes:
I - se concorrer com filhos comuns, terá direito a uma quota equivalente à que por lei for atribuída ao filho;
II - se concorrer com descendentes só do autor da herança, tocar-lhe-á a metade do que couber a cada um daqueles;
III - se concorrer com outros parentes sucessíveis, terá direito a um terço da herança;
IV - não havendo parentes sucessíveis, terá direito à totalidade da herança.
OS cônjuges, segundo o art. 1729, I... descendentes em concorrência com o cônjuge.
Art. 1.829. A sucessão legítima defere-se na ordem seguinte:
I - aos descendentes, em concorrência com o cônjuge sobrevivente, salvo se casado este com o falecido no regime da comunhão universal, ou no da separação obrigatória de bens (art. 1.640, parágrafo único); ou se, no regime da comunhão parcial, o autor da herança não houver deixado bens particulares;
Em que situações? Nós vimos que se casados pelo regime da comunhão parcial de bens, nos bens particulares. No regime da separação convencional de bens também os bens particulares que, nesse caso, são todos os bens. 
No caso do inciso II, com os ascendentes eles vão concorrer com o cônjuge, independentemente do regime de bens.
Art. 1.829, II - aos ascendentes, em concorrência com o cônjuge;
E se o morto não tinha nem descendente nem ascendente, o cônjuge recolhe totalmente a herança. 
O companheiro está no art. 1.790, I, CC/02. Ele concorre com os descendentes nos bens adquiridos onerosamente na união estável. Ele recebe uma quota igual à dos filhos comuns.
Se os filhos não forem comuns, ou seja, se os filhos do morto não forem também filhos do cônjuge sobrevivente ele recebe metade da quota dos filhos. 
CUIDADO!! Se os filhos forem comuns reserva de ¼ se houver 4 filhos ou mais. Isso não existe na situação da união estável. Ou seja, se uma pessoa vive em união estável e teve com o morto 5 filhos, cada um recebe 1/6 sobre os bens adquiridos onerosamente na constância da união estável. Não haverá, no caso do companheiro, essa reserva de ¼ para a hipótese de haver filhos comuns em número igual ou superior a 4. Isso existe para os cônjuges, mas não existe para os companheiros.
Se a gente comparar essas duas figuras, a pessoa casada pelo regime da comunhão parcial de bens, herda, nos bens particulares, uma quota igual à dos filhos. Não interessa se é filho comum ou se é filho que é só do morto.
Se houver filhos comuns em número de 4 ou mais, aí que vai aparecer essa reserva de ¼.
Recapitulando:
Para que o cônjuge casado pelo regime da comunhão parcial de bens seja herdeiro em concorrência com os descendentes é irrelevante se os filhos do morto são comuns ou se são mistos. É irrelevante para que ela se transforme em herdeira.
Ela vai ser sempre receber a mesma quota que é dada para os filhos, então se eu tenho uma pessoa que morreu, casado pelo regime da comunhão parcial de bens. Eles tiveram um filho em comum e ele teve um filho de um outro relacionamento, com C. Na hora de dividir a herança, digamos que ele tenha adquirido R$500 mil antes do casamento e R$500 mil durante o casamento. Desses R$500 mil durante o casamento ela vai ser somente meeira. O restante que sobrar desse bem, R$250 mil vai ser dividido entre os filhos (R$125 mil pra cada um). Mas naqueles bens adquiridos antes do casamento, são os bens particulares do morto, ela nesses bens, vai ser herdeira, recebendo uma mesma quota dos filhos. Então, sobre esses bens particulares, cada filho recebe um terço e ela recebe 1/3. (obs: isso é só recapitulação da aula passada).
Se, porventura, esse filho fosse comum e eles tivessem quatro filhos em comum (os descendentes são filhos dos dois, do que morreu e da que está viva): nesse caso que vai aparecer essa reserva de ¼. Porque se nós fôssemos dividir a herança por cabeça, o cônjuge sobrevivente ficaria com 1/5 da herança (pois há 4 filhos + ela= 5). E a lei criou essa excepcionalidade: se os descendentes do morto também são descendentes do cônjuge sobrevivente, ela fica com ¼ da herança.
Aplicando essa regra ao exemplo anterior: ela ficará com metade dos bens adquiridos na constância do casamento pela meação, e não pelo direito hereditário. Os R$250 mil que sobraram serão divididos apenas entre os 4 filhos. Mas os R$ 500 mil adquiridos antes do casamento (bens particulares do morto), como neste caso eu tenho filhos dos 2 (filhos comuns), ela tem direito a ¼ desses R$ 500 mil. E o valor restante será dividido por cabeça entre os filhos do casal.
Se esse casal não for casado pelo regime de comunhão parcial de bens, somente tenham vivido em união estável aí muda tudo. Pelo regime da união estável, se porventura eles não tenham feito pacto anteconvivência, ela tem direito a R$250 mil sobre esta casa, em razão da meação dela. Nos R$250 mil restantes, ela é herdeira também. Se eles tiveram 2 filhos em comum, ela terá o direito de receber uma quota sobre esses bens. Então, esses R$250 mil que sobraram serão divididos por 3. Se eles tiveram 4 filhos, ela vai receber 1/5 da herança. Pois não se aplica aquela cláusula à união estável. Mas os bens particulares do falecido serão divididos apenas entre os herdeiros. É o contrário
do que acontece com o cônjuge. Então, o cônjuge herda nos bens particulares. O companheiro herda nos bens comuns. É uma regra diferente.
Então, comparamos o cônjuge e o companheiro no que tange à concorrência com descendente. Agora vamos ver na concorrência com o ascendente:
A pessoa morreu, não deixou filhos, deixou uma companheira e deixou o pai ou a mãe (art. 1.790, III).
Art. 1.790. A companheira ou o companheiro participará da sucessão do outro, quanto aos bens adquiridos onerosamente na vigência da união estável, nas condições seguintes:
III - se concorrer com outros parentes sucessíveis, terá direito a um terço da herança;
Os ascendentes concorrem com o companheiro. Só que o companheiro fica com 1/3 quando ele concorre com os ascendentes do companheiro. 
O cônjuge quando ele concorre com os ascendentes do morto, há o art. 1.837, CC.
Art. 1.837. Concorrendo com ascendente em primeiro grau, ao cônjuge tocará um terço da herança; caber-lhe-á a metade desta se houver um só ascendente, ou se maior for aquele grau.
Então, o cônjuge recebe 1/3 da herança quando concorre apenas com os ascendentes do morto. Ex.: duas pessoas são casadas (não importa o regime de bens), não tiveram filhos e ele também não teve filho fora do casamento, só que quando ele morreu, deixou o pai e a mãe. O cônjuge vai ficar, além de tirar a meação dele, com 1/3 da herança. O restante será dividido entre o pai e a mãe do falecido.
Questões peculiares da herança de uma pessoa que morreu sem descendentes, porém, com ascendentes e cônjuge:
Se porventura o morto só deixou ou pai ou mãe (ou seja só tinha um genitor, pois o outro tinha falecido) aí entra a parte final do art. 1.837, CC:
Art. 1.837. Concorrendo com ascendente em primeiro grau, ao cônjuge tocará um terço da herança; caber-lhe-á a metade desta se houver um só ascendente, ou se maior for aquele grau.
Ex.: se A morreu só com o pai vivo (a mãe já tinha morrido) e cônjuge. O cônjuge fica com a metade da herança e o pai fica com a outra metade.
Essa regra de que o cônjuge fica com a metade da herança, também se aplica para o caso, por ex., o cara morreu, o pai dele estava morto quando ele morreu, a mãe também estava morta. Mas ele tinha os avós maternos e também avós paternos. Neste caso, o cônjuge estará dividindo a herança com ascendente, mas ascendentes em segundo grau. O cônjuge fica com metade da herança e a outra metade será dividida “por linhas” (veremos mais à frente).
Isso não existe na sucessão do companheiro.
Na sucessão do companheiro, quando uma pessoa morre em união estável, não deixou descendentes, mas deixou companheiro e ascendente, não importa se o companheiro morreu, se quando ele morreu ele só tinha pai vivo ou se só tinha mãe viva, ou se os pais estavam mortos e ele só deixou avós, aí não interessa, pois essa regra não muda para o companheiro.
Quando o companheiro divide com ascendente, está no art. 1.790, III CC:
III - se concorrer com outros parentes sucessíveis, terá direito a um terço da herança;
Se uma pessoa morreu sem deixar descendente e sem deixar ascendente, a herança dela é toda recolhida pelo cônjuge. Os colaterais não recebem nada, por causa daquele principio: a classe dos mais próximos exclui a dos mais remotos. Entoa se uma pessoa morre sem deixar descendente e sem deixar ascendente, mas era casado (no papel), o cônjuge fica com toda a herança e os colaterais não herdam nada.
 Isso não acontece com o companheiro: se uma pessoa vive em união estável com outra e esse companheiro morre sem deixar descendente e sem deixar ascendente, aplica-se o art. 1.790, III. 
Este inciso tem duas aplicações. Não está escrito lá “se o companheiro concorrer com o ascendente receberá um terço da herança”. Não é isso que está lá. O inciso III, art. 1.790, CC é um “genérico”:
III - se concorrer com outros parentes sucessíveis, terá direito a um terço da herança;
I - se concorrer com filhos comuns, terá direito a uma quota equivalente à que por lei for atribuída ao filho;
Então, o inciso I falou de filhos comuns: a pessoa morreu vivendo em união estável e deixou descendentes comuns com o cônjuge sobrevivente. Aí eu aplico o inciso I.
II - se concorrer com descendentes só do autor da herança, tocar-lhe-á a metade do que couber a cada um daqueles;
O inciso II é para a hipótese do companheiro. Eu tenho duas pessoas que vivem em união estável, mas não tiveram filhos. Só a pessoa que morreu tinha filhos mas não era com essa companheira sobrevivente. O companheiro recebe metade da quota que era destinada ao descendente do companheiro.]
III - se concorrer com outros parentes sucessíveis, terá direito a um terço da herança;
O inciso III é genérico. Porque ele não está falando aqui apenas de ascendente. Fala: se o companheiro estiver concorrendo com outros parentes... quais são os outros parentes além dos descendentes? O ascendente ou o colateral. Pois estas são as pessoas que a lei determina que sejam herdeiras. 
Ex.: do inciso III: A vivia em união estável com B. A, quando morreu, não tinha descendentes e nem ascendentes. Mas tinha irmão. Nos bens adquiridos na constância da união estável, R$ 500 mil em bens durante a união estável e R$600 mil reais antes de viver em união estável. O irmão vai ficar com os R$ 600 mil só pra ele. Com relação aos R$500 mil, ela fica com R$250 mil da meação. E nos 250 mil que sobraram, ela fica com 1/3 e o restante é dado para o irmão. 
Quando uma pessoa é casada, o fato de ela estar casada exclui os colaterais de receberem herança. Mas na relação de união estável, não. Se eu vivo em união estável, os irmãos do meu companheiro podem vir a herdar os bens, pelo inciso III, art.1.790.
É isso que o STJ tentou muito igualar e chutou o balde e disse que não dá pra igualar esses direitos, porque o código Civil quis mesmo estabelecer direitos sucessórios diferentes para os cônjuges e os companheiros. 
Se a pessoa é casada e uma pessoa morreu sem ascendentes e descendentes, ela recebe a totalidade da herança. Se a pessoa vive em união estável e o companheiro morreu sem descendentes e sem ascendentes, ela não recolhe toda a herança, tem que dividir com os colaterais. Eu acho isso uma injustiça. 
Cuidado! O art. 1.790 diz que o companheiro tem direito aos bens adquiridos na constância da união estável. O companheiro não herda nos bens particulares, só nos bens comuns. 
Vamos mudar o exemplo: A e b tenham vivido em união estável, mas na constância desse relacionamento, A não comprou nada. Todos os bens de A foram herdados ou adquiridos antes do relacionamento. Então, ela não tem direito a nada. Quem vai ficar com tudo é o irmão dele, o que é um absurdo.
Para que o companheiro herde os bens todos do outro companheiro, a pessoa tem que ter morrido sem nenhum parente (sem descendente, sem ascendente, sem colateral). Só assim ela vai receber a totalidade da herança pelo inciso IV, 1.790.
Art. 1.790. A companheira ou o companheiro participará da sucessão do outro, quanto aos bens adquiridos onerosamente na vigência da união estável, nas condições seguintes:
IV - não havendo parentes sucessíveis, terá direito à totalidade da herança.
Se você junta o inciso IV com o caput... quando a gente estuda a parte geral (interpretação jurídica, hermenêutica...) O que costumam dizer com a gente? Que os incisos se relacionam com o caput. Se o inciso IV relaciona-se com o caput, o que a gente chegaria à conclusão... muitos autores não concordam com isso, mas no fundo se você interpretar o inciso IV relacionando com o caput, olha como ficaria esquisito: A e B viviam em união estável. Todos os bens de A foram adquiridos com ele antes da constância da união estável. A, quando morreu, não tinha descendente, não tinha ascendente, não tinha nenhum parente colateral (irmão, sobrinho, primo, tio...não tinha ninguém). Pra quem vai os 600 mil dele se você aplicar o inciso IV relacionando-o com o caput? Vai pro Município. Se você aplicar o inciso IV relacionando-o com o caput, para que o companheiro receba a totalidade dos bens adquiridos onerosamente na constância da união
estável, que é o que está no caput, ele tem que ter morrido sem nenhum colateral, sem nenhum parente vivo. Pois o caput diz que o companheiro herdará nos bens adquiridos onerosamente na constância da união estável na forma abaixo... aí fala os incisos.
Se todos os bens que o companheiro tinha são bens particulares, não foram bens adquiridos onerosamente na constância da união estável, o companheiro não herdaria nada. Isso foi muito criticado, desde o início (desde o Silvio Venosa, que foi o primeiro a escrever). O referido autor dizia que teria que quebrar essa regra de hermenêutica para entender o inciso IV sem nenhuma relação com o caput, para entender que o legislador fala que “herdará a totalidade dos bens”. Então, se apegaram a essa escrita dessa parte do código que fala “herdará a totalidade da herança” par interpretar que é a totalidade, “totalidade mesmo”, pois senão seria uma injustiça. Você viveria 30 anos em união estável com uma pessoa, e essa pessoa durante esse tempo não comprou bens nenhum, pois já tinha uma boa herança. Aí quando ele morrer sem ninguém (ascendente, descendente, irmão, tio, primo, sobrinho...), o companheiro que viveu 30 anos e talvez tenha cuidado dele na velhice vai ficar sem nada, pois os bens não foram adquiridos onerosamente na constância da união estável. 
A maior parte da doutrina emprega ao inciso IV essa interpretação, desvinculando-o do caput para conceder então, a totalidade “mesmo” da herança para o companheiro sobrevivente. 
Pergunta: para o herdeiro ter direito à herança, até qual grau... (inaudível)?
Professora: a lei fala em parentes sucessíveis. E parente no CC são todos aqueles colaterais até o 4º grau.
Pergunta: nesse caso que tinha irmão, ele fica com a meação...?
Professora: o cônjuge sobrevivente tira a meação dele, sempre, pelo direito de família. Nesse caso que ele tem irmão, o companheiro aí depender em qual situação, naquela em que o companheiro tinha bens adquiridos na constância da união estável?
Aluna: Sim
Professora: vamos fazer de conta que ele tenha comprado um bem de 500 mil na constância da união estável e tinha um irmão. Ela tem direito à meação (250 mil). Os outros 250 que sobraram, ela fica com 1/3. É o que diz o inciso III, art. 1.790. O irmão ficaria com todos os bens particulares e o que sobrou desses bens, tirando 1/3 dela, ele fica com o restante. O irmão fica com todos os bens particulares e o companheiro, depois de tirar a meação dela, ela fica com 1/3 daqueles bens adquiridos na constância da união estável.
O inciso III, art. 1790 se aplica para todas as situações de uma pessoa falecida sem descendente. Se ele deixou ascendente, o companheiro fica com 1/3. Se ele deixou colateral, o companheiro fica com 1/3. Esse 1/3 é dos bens adquiridos onerosamente durante a união estável.
Se essas pessoas forem os pais do morto, ela fica com 1/3 dos bens adquiridos na constância da união estável e os pais do morto recebem o que sobra disso e mais os bens particulares.
Na união estável, a pretensão deles foi valorizar aquilo que foi adquirido na constância da união estável. E excluir aquilo que seria particular. Totalmente contrário ao que a lei determina que aconteça quando se trata do cônjuge, que herda nos bens em que não é meeiro. O cônjuge herda nos bens particulares, enquanto o companheiro só herda nos bens comuns, é o contrário.
Outra questão em relação ao cônjuge: matéria está dentro de sucessões, mas não é herança propriamente dita: DIREITO REAL DE HABITAÇÃO
Direito real de habitação é o direito de morar. O cônjuge tem o direito de morar, continuar morando no imóvel em que ele sempre residiu com o morto, se este imóvel for o único imóvel a ser dividido (ou seja, que constar na partilha).Se uma pessoa morreu, ele deixou bens...isso vai ter muita importância no regime de bens.
Ex.: pessoa era casada pelo regime da separação convencional, ou seja, casaram sob o regime da separação porque eles quiseram, não é porque a lei obrigou que ele se casasse por esse regime, eles que escolheram. No regime da separação convencional de bens, não existe meação. Mas quando a pessoa morre, pelo art. 1.829, I, CC,. O cônjuge sobrevivente terá direito a dividir a herança com os descendentes do morto. Mas supondo que os filhos do morto detestam a mulher do pai, pois ela não era a mãe deles... e o morto deixou vários bens (carro, dinheiro, ações, barco...)mas só deixou um imóvel e o sonho dos filhos é jogar a mulher pra fora da casa... mas isso não vai acontecer.
Art. 1.829. A sucessão legítima defere-se na ordem seguinte:
I - aos descendentes, em concorrência com o cônjuge sobrevivente, salvo se casado este com o falecido no regime da comunhão universal, ou no da separação obrigatória de bens (art. 1.640, parágrafo único); ou se, no regime da comunhão parcial, o autor da herança não houver deixado bens particulares;
De acordo com o CC, se a pessoa morreu e deixou apenas um imóvel residencial no acervo hereditário (mesmo tendo deixado outros bens: barco, fazenda, dinheiro...), mesmo que esse cônjuge não receba nenhuma herança, não receba parte nenhuma sobre aquele bem....os herdeiros podem até ficar com a casa que era do pai, mas o cônjuge sobrevivente terá direito real de habitação sobre essa casa, ou seja, terá direito a ficar morando lá, mesmo não sendo herdeiro da casa, mesmo não sendo meeiro da casa... Inclusive se, na partilha, fizeram questão de não deixar que a casa ficasse com a mulher, deram até mais dinheiro pra ela pra que ela não ficasse com a casa... ela não ia receber nenhuma quota da casa. Maior burrada. Pois se os herdeiros vão ser proprietários de uma casa, vão ter que pagar IPTU de uma casa em que vai morar o cônjuge sobrevivente (art. 1.831).
Art. 1.831. Ao cônjuge sobrevivente, qualquer que seja o regime de bens, será assegurado, sem prejuízo da participação que lhe caiba na herança, o direito real de habitação relativamente ao imóvel destinado à residência da família, desde que seja o único daquela natureza a inventariar.
Então, mesmo que o cônjuge sobrevivente, na hora de dividir, não fique com nenhuma quota daquela casa, ela vai ter direito real de habitação sobre a casa. Só vai sair dali quando ela morrer. Antigamente, no CC/16 dizia que esse direito acontecia enquanto o cônjuge sobrevivente não se casasse de novo ou não passasse a viver em outro relacionamento. Isso acabou. 
O CC atual dá o direito real de habitação para sempre. A única exigência que a lei faz é que não haja nenhum outro imóvel residencial para onde ela possa morar.
Aqui tem uma questão da jurisprudência: na prática, vamos supor que o cara tenha deixado um apto em Copacabana, onde sempre morou com o cônjuge e uma casa em Búzios. Neste acervo hereditário, existem dois imóveis residenciais. Se fizéssemos uma interpretação desse art. 1.831,, o fato de haver no acervo hereditário mais de um imóvel residencial, exclui ria o direito real de habitação dela. Só que na pratica, o que ocorre nos tribunais é o seguinte: a pessoa, depois de ter morado 15 anos em uma mesma casa, (ex: Copacabana), agora não poderá ser obrigada a mudar pra Búzios pra morar nessa casa. Ela tem médico em Copacabana, amigos em Copacabana... não pode agora deslocar a pessoa para imóvel em outro município. Então, a jurisprudência vem relativizando esse artigo para ampliá-lo ainda mais. Pois pela lei o direito real de habitação acontece quando o morto só deixa um imóvel residencial. 
Em suma: jurisprudência vem ampliando direito real de habitação mesmo quando no acervo hereditário exista mais de um imóvel residencial, tenho que analisar se esse outro imóvel é perto, no mesmo município.... se for em local muito distante, não há justificativa pra descolar o cônjuge sobrevivente para morar em outro município.
E há muitos anos atrás, eu vi um acórdão que era a seguinte situação: tinha um apartamento na zona sul e o morto deixou um apartamento em Campo Grande, era no mesmo município, né? Só que eles disseram: "não, espera aí. A pessoa sempre viveu com o cônjuge neste apartamento na zona sul.
Se a pessoa não tem herdeiros necessários, ele deixa em testamento o que ele quiser para quem quiser. Quando a pessoa não tem herdeiros necessários, 100% do que ela tem é disponível. Quando ela tem algum herdeiro necessário, ela não é obrigada a deixar nada, pode torrar tudo, mas não pode em vida doar mais da metade dos seus bens.
Se a pessoa morreu deixando um testamento que beneficia um amigo com 50 mil reais, mas essa pessoa morreu deixando 2 filhos e um patrimônio de 70 mil reais, esse testamento tem problema, pois invadiu a legítima. 35 mil reais pertencem à legítima, então ele só podia deixar bens para o amigo até 35 mil reais, os outros 35 tem que ser divididos entre os filhos. 
Agora, se a intenção do sujeito era deixar nada pra ninguém ele teria que gastar tudo antes de morrer. 
Dúvida do aluno: como fica a questão do pródigo e da interdição?
Atualmente, nós vamos trabalhar com o Estatuto do Deficiente. Por essa nova lei, quase ninguém poderá ser interditado. De qualquer forma ainda temos o pródigo, mas o pródigo não é aquele que gasta o que ele tem, é aquele que gasta sem razão de forma imoderada. O pródigo tem que ser diagnosticado com algum desequilíbrio que faça com que ele saia gastando por alguma influência psicológica ou psíquica.
Se a pessoa não tem nenhum problema mental e só gasta demais porque tem vontade ela não é um pródigo. Para interditar um pródigo tem que ter um laudo psiquiátrico atestando que o impulso de gastar decorre de um problema mental. 
Pelo CC/1916 só era possível interditar o pródigo que tivesse descendente ou ascendente, que era aqueles que o CC antigo definia como herdeiros necessários. Se não tivesse, ela podia ser pródiga, podia dilapidar seu patrimônio em decorrência de problema mental, mas nem o MP poderia pedir interdição e nem mais ninguém, porque faltava um requisito essencial: a existência de herdeiro necessário.
A doutrina dizia na época que o prodigo não era protegido por si próprio, o que se protegia com a interdição do pródigo era a herança. 
No final da década de 90 descobriu-se que o pródigo não era irresponsável, mas sim doente e que ele deveria ser protegido dele mesmo, se fosse comprovada sua doença. 
Por isso o CC/02 permitiu a interdição do pródigo sem a existência de herdeiro necessário como requisito para a interdição. Se for constatada a doença que faça o individuo gastar compulsivamente e dilapidar seu patrimônio, ele pode ser interditado. Uma vez interditado ele seria relativamente incapaz e só poderia realizar atos de disposição patrimonial por meio de um assistente. 
Já o Estatuto do Deficiente tem como regra prioritária não permitir a interdição a não ser em último caso e desde que fique comprovado que aquela pessoa realmente está praticando atos contrários ao seu próprio interesse. 
Houve, portanto, uma mudança de perspectiva com relação ao pródigo. Enquanto o CC antigo protegia somente a herança dele, no CC/2002 isso foi completamente modificado e o pródigo hoje é aquele que tem uma incapacidade mental que o leva a dilapidar o patrimônio. Agora, se o indivíduo for são e quiser dilapidar seu patrimônio, ninguém terá nada a ver com isso. 
Existem muitas críticas a respeito da legítima. Nos EUA a pessoa não é obrigada a preservar nada para seus parentes, a pessoa pode dispor dos seus bens da forma como quiser. A legislação brasileira sobre sucessões tem muitas críticas nessa obrigatoriedade da pessoa que quiser morrer deixando bens, tem que preservar a metade pros seus herdeiros necessários. 
Abertura da sucessão
Primeiro tem que saber qual a legislação que estava em vigor na data do óbito, pois essa é a lei que será aplicada na sucessão.
É importante também saber o momento da abertura da sucessão porque no direito brasileiro vigora o chamado direito de saisine. No direito brasileiro, no momento do óbito, nesse exato momento que a pessoa morre, a propriedade e a posse dos bens do morto passam aos herdeiros. 
Os bens não podem ficar sem proprietário e possuidor. João morreu no dia 20 de agosto às 21h, então em 20 de agosto às 21h seus bens são de propriedade e posse de seus herdeiros. Não importa, naquele momento, o inventário. O inventário é sim necessário e hoje ele pode ser judicial ou extrajudicial, mas ele é necessário para saber quem ficará com cada parcela dos bens, e é essencial para regularizar a titularidade dos bens. 
O direito de saisine é uma ficção, mas é uma ficção que deve ser aplicada. Na prática não é assim, claro, pode ser que o herdeiro esteja muito longe do local da morte de João, esteja no outro lado do mundo, mas ficticiamente, no momento da morte de João, o herdeiro de João recebeu a posse e propriedade. 
Natureza jurídica da herança:
João é pai de Pedro e Maria. Quando João morreu foi como se se abrisse um saco e todos os bens do morto foram colocados nesse saco. Ali dentro tem carro, caderneta de poupança, relógios, joias, imóveis, um direito de crédito e outros bens. Esse saco vai ficar fechado. 
Pelo direito de saisine, não há dúvida, Pedro e Maria são donos de tudo que está no saco. 
A pergunta é: quem vai ficar com o quê?
Só vamos saber a resposta para essa pergunta quando ocorrer a chamada partilha dentro do inventário. 
Quando a pessoa morre e colocamos todos os seus bens num saco, estamos diante da herança. A natureza jurídica da herança está no CC, no art. 80:
Art. 80. Consideram-se imóveis para os efeitos legais:
(...)
II - o direito à sucessão aberta.
Na parte geral do código civil está estabelecido pelo art. 80, II que direito à sucessão aberta é bem imóvel; Por determinação legal, o direito à sucessão aberta tem natureza jurídica de bem imóvel. 
A partir do óbito da pessoa, apesar de o direito de saisine dizer que todos os bens já são de posse e propriedade dos herdeiros, por enquanto nós não vamos tratar da casa de praia ou do carro individualmente, a herança é tudo ali que está no saco, com todos os bens, eles só vão ser especificados e distribuídos após a abertura do inventário.
Desde o momento do óbito, até o momento da partilha vamos lidar com a herança e a herança é um bem imóvel e indivisível. A herança é uma universalidade. 
Universalidade de direitos: é quando a lei diz que um grupo de bens vai ser encarado pelo direito como uma coisa só. 
A herança é indivisível, é uma universalidade de direitos e a lei a trata como se fosse um bem imóvel. 
Assim é a herança desde o momento do óbito até a partilha.
INVENTÁRIO
Inventariar significa listar, eu vou listar os bens do morto no inventário . Se o morto tinha dívidas elas tem que ser pagas. Quando a pessoa morre, as dívidas que ela deixa serão pagas pelos bens que ela deixou, ninguém vai precisar tirar dinheiro do próprio bolso para pagar a dívida do morto.
João morreu e deixou uma caderneta de poupança com só mil reais e devendo cheque especial em 50 mil reais, o banco credor vai ficar só com mil reais, os outros 49 mil os herdeiros não serão obrigados a pagar já que nem receberam herança. 
Primeiro as dívidas terão que ser pagas. Se João morreu com 100 mil reais e deixou uma dívida de 30 mil, somente 70 mil serão divididos entre os herdeiros. Além disso, quem morre tem a obrigação de pagar seu próprio velório. Neste exemplo, se o enterro de João custou 3 mil reais, 67 mil serão divididos entre os herdeiros. Se o filho mais velho de João pagou todo o velório, ele pode depois cobrar os 3 mil do espólio.
Espólio é como é chamado esse período de vacância entre a abertura da sucessão até a partilha. O espólio pagará inclusive as dívidas do funeral com os bens que o morto deixou. 
Quando a pessoa morre, portanto, é importante abrir o inventário para listar os bens que estão dentro daquele saco, ou seja, os bens que compõem a herança, verificar se o morto deixou dívidas, pagar essas dívidas, o que inclui as despesas com o funeral e o que sobrar será dividido entre os herdeiros.
Imóvel, indivisível e universalidade de direitos:
O art. 180 do CC traz a exigência que se faz sempre que se faz uma alienação de bens que a lei considera imóvel: tem que
Não é aceitável, não é digno que agora, no final da vida, ele seja obrigado a ir morar em num apartamento em Campo Grande." Aí concedeu o direito real de habitação, mesmo havendo dois imóveis residenciais no mesmo município, mas pelo fato de ser muito distante um do outro. 
Pergunta: inaudível. 
Resposta: É a dignidade da pessoa humana, porque a pessoa cria raízes, amizades, conhecimentos. Ela vai deslocar todo o centro de vida dela para outro espaço, no qual ela não estava habituada a conviver. Então, a jurisprudência vem ampliando esse direito real de habitação.
 Mas isso é para o cônjuge. O Código Civil não deu o direto real de habitação para o companheiro. E isso aqui é um problema porque ele tinha esse direito. O companheiro, essa figura de união estável surgiu só na Constituição em 1988. O Congresso Nacional tinha uma bancada muito vinculada a igrejas e não queria revisar nenhuma lei para regulamentar o direito dos companheiros. 
A primeira lei que surgiu foi a Lei 8.971/94, que apenas tratava do direito ao pensionamento e trouxe um direito sucessório esquisito em que o companheiro não herdava nada, só tinha direito a ser usufrutuário. 
Após, surgiu a Lei 9.278/96, que trouxe o direito real de habitação. Essa lei vigorou até o Código Civil de 2002 entrar em vigor, o que aconteceu apenas em 2003. 
Então, a primeira coisa que você tem que perguntar é: em que data que ocorreu o óbito? Por quê? Qual é a regra? Qual é a lei que vai regular a sucessão? A lei que estava em vigência no momento da morte. Se uma pessoa morreu após a vigência desta lei que, se eu não me engano, foi 10 de maio de 1996, entre o período de entrada em vigor da Lei 9.278/96 até a entrada em vigor do Código, os companheiros sobreviventes tinham direito real de habitação. 
Portanto, existe direito real de habitação dos companheiros, cujo falecimento do outro companheiro se deu na vigência da Lei 9.278/96, ou seja, de 10 de maio de 1996 a janeiro de 2003, data da entrada em vigor do Código Civil. 
Mas se a pessoa morreu após a entrada em vigor do Código Civil atual, se a pessoa morreu em 2004, 2005, 2006, o companheiro, pela lei, não tem direito ao direito real de habitação. Imaginemos a seguinte situação: A e B vivem em união estável e a casa em que viveram a vida inteira foi um bem adquirido de herança por A, ou era um imóvel que A já tinha antes de viver em união estável com B. Viveram 30 anos morando nessa casa. A morre e B não tem direito à meação dessa casa, porque foi adquirida antes da união estável. B não vai ter direito a ser herdeira desse bem porque pelo art. 1790 do CC/02, o companheiro/companheira só herda os bens adquiridos onerosamente na vigência da união estável. Vamos imaginar que A tenha um filho que odeia a companheira do pai. Veja, se o óbito de A aconteceu na vigência do CC/02, apesar de B ter passado a vida inteira, mais de 30 anos, morando nessa casa com o morto, ela vai ter que se mudar da casa. Isso porque ela não vai ser herdeira da casa, então não vai ser proprietária da casa, porque é um bem particular, e ela não tem direito de real habitação porque o CC/02 não deu a ela o direito real de habitação. 
Então, a lei não concedeu direito real de habitação aos companheiros, mas a jurisprudência vem dando, contudo, ainda não é pacífico. 
No TJRJ vem sendo reconhecido o direto real de habitação mesmo para os óbitos ocorridos após a vigência do CC/02. Qual é o fundamento disso? É o "princípio de vedação ao retrocesso." Segundo os adeptos dessa teoria, depois de haver o direito reconhecido em lei, em favor de uma situação jurídica, não é possível que haja uma alteração legislativa para a retirada de um direito que já foi apresentado a alguém. E eu não estou falando de direito adquirido, não estou dizendo que o companheiro sobrevivente tem direito adquirido a continuar morando no imóvel que ele residiu com o companheiro, mesmo com o óbito ocorrido após a vigência do CC/02. O que eu estou dizendo é que a Lei 9.278/96 criou o direito real de habitação para o companheiro e, como foi um direito que já foi concedido, a sua retirada pelo CC/02 é visto como um retrocesso nos direitos dos companheiros, e, por isso, muitos entendem que é possível continuar aplicando o direito real de habitação mesmo sem previsão legal.
Um outro argumento dessa teoria é que a Lei 9.278/96 seria uma lei especial, enquanto o CC/02 seria uma lei geral. Então, uma lei geral não poderia revogar um artigo da lei especial. 
 Muitos defendem a aplicação do direito real de habitação pelo princípio da dignidade da pessoa humana, porque não é possível negar, em muitos casos, o direito ao companheiro sobrevivente de continuar morando no imóvel, isso seria atentar contra os direitos dele, a dignidade dele. É possível que B saia dessa união estável sem receber nada, porque se eles não compraram nada durante a união estável, ela não tem o direito à meação nem a ser herdeira, porque nada foi adquirido onerosamente na constância da união estável e ela vai, no final da vida, sair com uma mão na frente e a outra atrás, sem ter sequer onde morar após o final do relacionamento. 
Então, quanto aos óbitos ocorridos na vigência da Lei 9.278/96, não importa se o inventário só tenha sido aberto agora, o companheiro tem o direito real de habitação. Já quanto aos óbitos ocorridos após a vigência do CC/02, é controvertido, porque a lei não dá esse direito, não reconhece, mas a jurisprudência vem reconhecendo com base no princípio da dignidade da pessoa humana, da vedação ao retrocesso e da especialidade da Lei 9.278/96.
Para terminarmos a parte de sucessão legítima, vamos aprofundar como se dá a divisão da herança entre os ascendentes e o caso dos colaterais. 
Imaginemos que uma pessoa morreu, solteira, deixando R$ 800 mil reais, sem descendentes, mas com pai e mãe. Aplicando o art. 1829 do CC/02, a primeira classe a ser chamada é dos descendentes, que no caso, não tem. Então, eu vou chamar a classe dos ascendentes. Os ascendentes vão herdar sempre por direito próprio, porque não existe direito de representação entre os ascendentes. A divisão dos bens se dá por linha: linha paterna e linha materna. Não tinha descendentes, não tinha cônjuge, morreu deixando R$800 mil reais: o pai fica com R$ 400 mil e a mãe fica com R$ 400 mil.
Outro exemplo: A morreu, sem descendentes, tinha um pai vivo, uma mãe morta, avô materno, avó materna e avô paterno e avó paterna. Dentro da mesma classe, os mais próximos excluem os mais remotos, então, no que tange a situação do pai, não há dúvida: os avós paternos de A não vão herdar nada, porque na classe dos ascendentes o mais próximo, em grau, da linha, é o pai. Pai é ascendente em primeiro grau, avós são ascendentes em segundo grau. Então, o fato de o pai estar vivo exclui avô paterno e avó paterna. Mas qual é o problema aqui? É que a mãe de A estava pré-morta, já era morta. Se o CC/02 autorizasse o direito de representação na linha ascendente, o que não acontece, o pai do A ficaria com a metade da herança e os avós maternos ficariam com o direito de representação com os R$ 400 mil reais. Por que isso não acontece? Porque a lei não autoriza a aplicação do direito de representação na linha ascendente. Qual é a consequência disso? Papai vai ficar com a herança toda para ele, enquanto os avós maternos de A não vão herdar nada. Por quê? Porque quando eu chego à classe, os mais próximos em grau excluem os mais remotos em grau. O fato de haver um pai vivo exclui todos os avós. Por quê? Porque todos os avós são ascendentes em segundo grau, então seria a classe dos mais distantes, conforme art.1836 do CC/02. Na classe dos ascendentes, o grau mais próximo exclui os mais remotos, sem distinção de linhas. Ademais, o art.1852 do CC/02 diz o seguinte: 
Art. 1.852. O direito de representação dá-se na linha reta descendente, mas nunca na ascendente.
Assim, o art. 1836, §1º c/c o art. 1852, ambos do CC/02, permite concluir o seguinte: não existe direito de representação quando nós estivermos lidando com a divisão de herança na classe dos ascendentes.
A existência de um dos genitores vivos e o outro morto, não importa se é pai vivo, ou se é a mãe viva, se um só estiver vivo, ele recolhe a herança inteira e afasta os avós totalmente. 
Se o pai e a mãe do A fossem mortos, não teria ascendentes em primeiro grau. Então teria que chegar aos ascendentes em segundo grau. Como é que eu faço? Divido por linha. A linha paterna vai ficar com R$ 400 mil e a linha materna vai ficar com R$ 400 mil e depois vão dividir entre eles. No caso, os avôs materno e paterno ficam com R$ 200 mil e as avós materna e paterna com R$ 200 mil.
Agora vamos imaginar que o avô paterno era pré-morto: se deu bem a avó paterna, que vai ficar com os R$ 400 mil. 
Quando a gente sobe, divide por linha: paterna e materna, o mais próximo arrecada. Se tem pai e mãe vivos, divide entre eles. Se o pai é morto ou a mãe é morta, o outro sobrevivente arrecada a herança toda e exclui qualquer ascendente em segundo grau. Se eu tenho todos os ascendentes em primeiro grau mortos, eu vou procurar os ascendentes em segundo grau e vou dividir a herança sempre por linhas: linha paterna e linha materna.
 Toda herança na linha ascendente a pessoa só chega a qualidade de herdeiro por direito próprio. Por quê? Porque não existe direito de representação. Na hora de partilhar, a gente partilha por linhas: a linha paterna fica com uma metade e a linha materna fica com a outra metade. 
Se um dos ascendentes for morto, em primeiro grau, mas o outro está vivo, o vivo recolhe a herança toda. 
Não esqueçam que é possível haver um casamento. Então, se o A é casado no momento da morte dele, isso vai influenciar, porque o artigo 1829, inciso II, do CC/02 diz que, não importa o regime de bens, se uma pessoa morre sem descendentes deixando ascendentes e cônjuge, haverá divisão da herança. 
Mas como a gente divide a herança? Recapitulando os artigos 1829, inciso II e 1837, ambos do CC/02:
Art. 1.829. A sucessão legítima defere-se na ordem seguinte:
II - aos ascendentes, em concorrência com o cônjuge;
Art. 1.837. Concorrendo com ascendente em primeiro grau, ao cônjuge tocará um terço da herança; caber-lhe-á a metade desta se houver um só ascendente, ou se maior for aquele grau.
Exemplo: A morreu casado com Z, sem descendentes, com pai e mãe vivos, deixando R$ 900 mil. Como é que faz com a herança dele? A gente aplica o art. 1837 do CC/02 e Z só fica com 1/3 da herança, R$ 300 mil. O restante (R$ 600 mil) vai ser dividido entre a linha paterna e a linha materna, ficando cada um com R$ 300 mil. 
Só que qual é a outra regra que a lei diz? Se o cônjuge estiver dividindo apenas com um dos pais do morto, a gente aplica a parte final: Z concorrendo com metade da herança se houver somente 1 ascendente. Então Z vai ficar com R$ 450 mil e o ascendente sobrevivente ficaria com a outra metade. 
Mas essa regra do cônjuge ficar com a metade, também se aplica quando ele for dividir a herança com o ascendente em segundo grau. Então, se A morreu e já estavam mortos os seus pais, mas ele tinha avós de todos os lados vivos (avós paternos e maternos), como é que a gente divide essa herança? Metade fica com o cônjuge sobrevivente e a outra metade será dividida entre os avós paternos e os avós maternos, em linha. Assim, considerando a herança de R$ 900.000,00, Z vai ficar com R$ 450.000,00 e os outros R$ 450.000,00 serão divididos por dois. Logo, a linha paterna ficará com R$ 225.000,00 e a linha materna com R$ 225.000,00, e eles vão dividir essa quantia entre eles. 
Pergunta: Com o companheiro acontece a mesma coisa? Resposta: Não, se o companheiro concorre com ascendente, não importa de que grau, ele fica sempre com 1/3. Ele não tem direito de ficar com a metade. Ele fica com 1/3 e os outros com 2/3. 
Agora, imaginemos que A morreu sem descendentes, sem ascendentes e sem cônjuge, mas deixou colaterais. A podia ter feito um testamento, porque ele não tem herdeiros necessários (descendente, ascendente e cônjuge), deixando a herança para quem ele quisesse: um sobrinho, um primo, um amigo, uma instituição de caridade. Mas se ele não fez um testamento, a herança será dada aos colaterais. 
Existem colaterais em segundo grau, terceiro grau e quarto grau. Irmãos são colaterais em segundo grau, tios são em terceiro e primos são em quarto. Então, A morreu sem descendentes, sem ascendentes, porque só tinha pré-morto, e não tinha cônjuge. A herança dele vai para quem? Para os colaterais. Quem é o colateral mais próximo? Em grau, é o irmão ou a tia? O irmão. Então, a totalidade da herança de A vai para o irmão, o tio não herda nada. 
Imaginando que o irmão de A tenha dois filhos. Os filhos do irmão de A são o que do A? Sobrinhos. E sobrinho é colateral em que grau? Terceiro grau. Empatou com alguém? Empatou com o tio. Na classe dos colaterais só existe 1 tipo de direito de representação: são os filhos de irmãos, consoante art. 1853 do CC/02: 
Art. 1.853. Na linha transversal, somente se dá o direito de representação em favor dos filhos de irmãos do falecido, quando com irmãos deste concorrerem.
Supondo que A tenha dois irmãos: B e C. A morreu, o B era pré-morto, deixou dois filhos, e C estava vivo. Se não houvesse direito de representação na linha colateral, os filhos do B não herdariam nada. Quem herdaria tudo? O C. Mas a lei, querendo ser justa, autorizou que na linha colateral os filhos de um irmão pré-morto recebam a cota que seria do irmão pré-morto. 
Então, neste contexto, como é que vai ficar a herança do A? A herança do A, de R$800.000,00, seria dividida da seguinte forma: R$ 400.000,00 seria a cota do B e R$ 400.000,00 seria a cota do C. Os R$ 400.000,00 de B serão divididos entre os filhos de B: o filho 1 com R$ 200.000,00 e o filho 2 com R$ 200.000,00. Nesta situação, o C recebe por cabeça, recebe por direito próprio. O sobrinho 1 e o sobrinho 2 vão herdar por direito de representação, partilhando por estirpe, recebendo a fatia do queijo que caberia ao pai pré-morto, assim como os netos herdam por direito de representação no caso de filho pré-morto. 
Quem estuda pelo Carlos Roberto Gonçalves deve tomar cuidado, porque formas de suceder não é sinônimo de formas de partilhar. 
Formas de suceder significa por qual título o indivíduo vai receber a herança de alguém: por direito próprio, por direito de representação e por direito de transmissão (que é o caso do herdeiro que faleceu depois do autor da herança sem ter aceitado a herança).
E quanto às formas de partilhar? Quem herda por direito próprio partilha por cabeça, quem herda por direito de representação partilha por estirpe e na linha de ascendente herda por linha.
 O que é partilhar por estirpe? É receber a cota que seria daquele indivíduo que era pré-morto. Então, na sucessão colateral, as regras são praticamente as mesmas. 
Na linha colateral, os mais próximos em grau excluem os mais remotos. Por que se não houvesse a previsão do direito de representação, o C herdaria sozinho a herança do irmão? Porque dentro da classe dos colaterais, o C seria colateral em segundo grau, enquanto os sobrinhos seriam colaterais em terceiro grau. Então, é por isso que, se não houvesse direito de representação na linha colateral, o irmão vivo herdaria a herança toda.
 Por que que os sobrinhos vão receber uma parte dessa herança? Porque a lei prevê que essa é a única possibilidade de direito de representação na linha colateral. Ou seja, os filhos de um irmão pré-morto herdarão por direito de representação a cota que seria do irmão pré-morto. Então, o C herda por direito próprio, partilhando por cabeça. Os sobrinhos só vão herdar porque a lei prevê o direito de representação, mas na hora de dividir a herança do A, eu não vou contar assim "1,2,3", isso seria partilhar por cabeça. O sobrinho 1 e o sobrinho 2, só herdarão aqui a parte que seria do falecido B. 
Assim, na hora de partilhar, ou seja, de dividir o queijo, eu tenho direito por cabeça, quando estou tratando de sucessão entre descendente e colateral, e eu tenho a partilha por linhas na linha ascendente. Posso então receber por divisão por
cabeça, por estirpe ou por linhas. São as 3 modalidades de divisão de herança. A linha, só na linha ascendente. As outras é que acontecem tanto na sucessão do descendente quanto na sucessão do colateral.
Exemplo: A morreu e só tinha 1 irmão, o B. Deixou também 1 tio. O irmão B era pré-morto, então eu tenho sobrinho 1, sobrinho 2 e eu tenho o B. O A morreu sem ascendente, sem descendente, sem cônjuge, mas ele tinha 1 irmão que morreu antes dele, e tinha também 1 tio. Mas esse irmão deixou sobrinhos, que são colaterais em terceiro grau, mas no meu exemplo existe um outro colateral do terceiro grau: o tio. Divide para todo mundo? Não, porque o CC/02 resolveu presentear os mais jovens, conforme o art. 1843:
Art. 1.843. Na falta de irmãos, herdarão os filhos destes e, não os havendo, os tios.
Então, nesse exemplo, se o B, que era irmão do A, tivesse morrido sem deixar filhos, o tio receberia a herança, porque seria o colateral do terceiro grau. Mas no exemplo isso não ocorre, porque B, que era pré-morto, deixou os sobrinhos. Aí empatou. Entre sobrinhos, que são colaterais em terceiro grau e o tio, que também é colateral do terceiro o legislativo "disse" assim: " na hora de concorrer filhos de irmão falecido, ou seja, sobrinhos, e o tio da pessoa que morreu, os dois colaterais em terceiro grau, eu vou optar por deixar a herança com os sobrinhos que provavelmente serão mais jovens que o tio."
Assim, o tio estará excluído da herança, apesar de ser colateral em terceiro grau, e a herança será dada para outros colaterais em terceiro grau, os sobrinhos, que são os filhos do irmão pré-morto. 
Na sucessão colateral, a pessoa morre sem ascendente, sem descendente, sem cônjuge e sem deixar testamento. Se deixou testamento, o que vai ser observado é o que está no testamento. Se o testamento não existe ou não abrange a totalidade da herança, então a herança que sobrou eu vou dividir na linha colateral. 
Lembrando que os mais próximos em grau excluem os mais remotos, a não ser nessa situação de empate entre sobrinhos e tios, porque, ao invés de mandar dividir entre todos do mesmo grau, o CC/02 fez uma opção por deixar a herança apenas com os sobrinhos, com os filhos dos irmãos. 
E, lembrando, na linha colateral, quando eu divido a herança com os irmãos, os irmãos estarão herdando por direito próprio. Mas os filhos de um irmão pré-morto, os sobrinhos do autor da herança, podem herdar por direito de representação partilhando por estirpe. 
AULA 23/05
DIREITO DE REPRESENTAÇÃO ENTRE OS COLATERAIS 
Irmãos são colaterais em segundo grau.
Sobrinhos são colaterais em terceiro grau.
Tios são colaterais em terceiro grau
Uma pessoa (A) morre sem descendente, sem ascendente e sem cônjuge ou companheiro. A deixou 2 irmãos: B e C. B já falecido, é pré-morto e C está vivo.
Se não houvesse no CC/02 nenhuma previsão de direito de representação entre os colaterais, a consequência seria que C herdaria toda a herança por ser o único colateral em segundo grau. Só que no direito brasileiro é permitido o direito de representação de irmão pré-morto. 
Nesse caso então C receberá a herança de A por direito próprio, partilha por cabeça, e os sobrinhos S1 e S2 receberão a cota que seria do pai deles (B). S1 e S2 partilham por estirpe.
Quando temos esse direito de representação, quando filhos de um irmão herdam a herança que seria desse irmão se vivo fosse, eles recebem a cota do irmão, ou seja, eles partilham por estirpe, dividindo a parte que seria de B entre eles.
Os filhos de C não herdaram nada. C está vivo, então não tem direito de representação.
Só para complementar: não há duvida que se esses dois irmãos B e C fossem ambos pré-mortos aí sim a herança seria dividida entre todos os sobrinhos, que seriam os colaterais em terceiro grau. O tio também é colateral em terceiro grau, no entanto a Lei, pelo art. 1.843, caput, prioriza os sobrinhos em detrimento dos tios. Então nessa situação que o morto deixa dois irmãos pré-mortos e cada irmão teve filhos, nesse caso, os sobrinhos herdarão a herança e o tio ficará afastado, apesar de ser um colateral de terceiro grau, porque foi assim que a lei determinou. O legislador não permite que a herança seja dividida entre tios e sobrinhos da pessoa.
Art. 1.843. Na falta de irmãos, herdarão os filhos destes e, não os havendo, os tios.
§ 1o Se concorrerem à herança somente filhos de irmãos falecidos, herdarão por cabeça.
§ 2o Se concorrem filhos de irmãos bilaterais com filhos de irmãos unilaterais, cada um destes herdará a metade do que herdar cada um daqueles.
§ 3o Se todos forem filhos de irmãos bilaterais, ou todos de irmãos unilaterais, herdarão por igual.
Nesse caso em que toda a classe colateral em segundo grau faleceu, todos os sobrinhos vão partilhar por cabeça, dividindo a herança em partes iguais.
Não só para irmãos bilaterais, o direito também reconhece a figura dos irmãos unilaterais, que são aqueles por parte de pai ou por parte de mãe. A lei determina que o irmão bilateral receba de herança uma cota dobrada com relação ao irmão unilateral.
Vamos fazer de conta que o B é irmão bilateral de A, eles são filhos do mesmo pai e mesma mãe. A e C são irmãos unilaterais. A morreu e deixou os dois irmãos. Consequência: as cotas dos irmãos não serão as mesmas. Eu vou colocar 2 para o irmão bilateral e 1 para o irmão unilateral e vou somar esses números: 2+1=3. O irmão B vai receber uma cota maior, ele vai receber o equivalente a 2/3 da herança de A, enquanto que o irmão C terá direito a 1/3 da herança de A. 
No caso de o irmão B ser pré-morto, a cota que seus filhos S1 e S2 vão herdar por direito de representação: S1 e S2 vão dividir entre eles esses 2/3. Já o irmão C ficará com seu 1/3, por ser unilateral. 
O caput do art. 1.843 exclui a possibilidade de divisão de herança entre sobrinhos e tios, apesar deles serem todos parentes em terceiro grau, o código quis afastar os tios para priorizar os sobrinhos. 
Quero chamar a atenção para um paragrafo do art. 1.843:
§ 2o Se concorrem filhos de irmãos bilaterais com filhos de irmãos unilaterais, cada um destes herdará a metade do que herdar cada um daqueles.
Vamos fazer de contra que tanto o irmão B quanto o irmão C são pré-mortos. Cuidado aqui para não cair numa pegadinha. Mesmo nesse caso, os sobrinhos herdarão cotas diferenciadas. 
Se todos os irmãos estão pré-mortos eu não estou falando em direito de representação, estou falando em direito próprio. Isso pode levar vocês a pensar que se não há direito de representação para nenhum sobrinho, deve-se dividir igualmente entre todos os sobrinhos, filhos de B e C (S1, S2, S3 e S4). NÃO! A LEI NÃO PERMITE ISSO. As cotas não podem ser igualadas nesse caso porque a lei quis preservar a afetividade. O legislador partiu do pressuposto que se alguém tem irmãos bilaterais, ele tem mais vínculos com este do que com um irmão unilateral. Nós sabemos que na prática isso pode ser uma mentira, mas o legislador criou uma presunção absoluta de que irmãos bilaterais são mais próximos entre si que unilaterais. Da mesma forma o legislador entendeu para os sobrinhos. 
Então eu tenho quatro pessoas para dividir a herança (S1, S2, S3 e S4). Só que dois são sobrinhos bilaterais (S1 e S2) e dois são unilaterais (S3 e S4). Quando eu for dividir a herança, vou colocar assim: para cada sobrinho bilateral, coloco o numero 2 e para cada sobrinho unilateral, o numero 1. Somo 2+2+1+1= 6.
Cota de S1 e S2: 2/6. Cota de S3 e S4: 1/6.
Os sobrinhos só irão receber cotas iguais entre eles se eles todos forem filhos de bilateral ou de unilateral.
Outra situação: A morreu sem ascendente, sem descendente e sem cônjuge nem companheiro. Seus dois irmãos B e C eram pré-mortos. Todos eles são irmãos bilaterais. Na hora de dividir entre os sobrinhos filhos de B e de C, cada um ficará com ¼ da herança. A mesma coisa aconteceria se ambos os irmãos fossem unilaterais de A. 
A regra é: havendo irmãos bilaterais e unilaterais, eles não receberão cotas iguais da herança. Cada irmão bilateral recebe o dobro de cada irmão unilateral. Da mesma
forma, se a herança foi encaminhada por direito de representação aos sobrinhos, cada sobrinho filho de irmão bilateral receberá o dobro de cada sobrinho filho de irmão unilateral.
Não se esqueçam de que se A morrer e deixar um companheiro, apesar de o companheiro ser em tese mais próximo que os colaterais, no que tange a herança dos companheiros, o companheiro não exclui a classe dos colaterais. Tá no art. 1.790, III. 
Art. 1.790. A companheira ou o companheiro participará da sucessão do outro, quanto aos bens adquiridos onerosamente na vigência da união estável, nas condições seguintes:
III - se concorrer com outros parentes sucessíveis, terá direito a um terço da herança.
O legislador não observou atentamente a regra da Constituição Federal que ordena que seja dado o mesmo tratamento do cônjuge para o companheiro.
Um indivíduo “A” morreu sem ascendente, sem descendente e deixou um companheiro. Antes da união estável ele adquiriu uma casa no valor de R$ 600 mil. Durante a união estável ele adquiriu uma casa de R$ 800 mil. Ele morreu e deixou irmãos também: o B e o C. 
O companheiro, por força do direito de família, tem direito a meação da casa adquirida na constância da união estável (se eles nunca tiverem estabelecido um regime de separação de bens que impeça isso). Então R$ 400 mil seriam do companheiro pela meação, só que os bens adquiridos na vigência da união estável o companheiro tem que dividir com os irmãos B e C.
O fato de haver um companheiro deveria afastar os colaterais, como ocorre com o casamento. No exemplo que eu dei o colateral só tem direito a herança porque ele deixou companheiro. Se tivesse morrido e deixado cônjuge, os colaterais não receberiam um centavo da herança, como manda o art. 1.829.
Art. 1.829. A sucessão legítima defere-se na ordem seguinte:
I - aos descendentes, em concorrência com o cônjuge sobrevivente, salvo se casado este com o falecido no regime da comunhão universal, ou no da separação obrigatória de bens (art. 1.640, parágrafo único); ou se, no regime da comunhão parcial, o autor da herança não houver deixado bens particulares;
II - aos ascendentes, em concorrência com o cônjuge;
III - ao cônjuge sobrevivente;
IV - aos colaterais.
Se uma pessoa morre casada, isso basta para afastar a herança dos colaterais porque o cônjuge recebe a integralidade da herança. Mas não é assim quando a pessoa more em união estável. Nesse caso, o companheiro, pelo art. 1.790, III, terá que dividir os bens adquiridos na constância da união estável com os colaterais. Quanto aos bens adquiridos antes da união estável, o companheiro nada herda. Quem tem direito sobre esses bens são os irmãos B e C. 
Se o irmão B fosse bilateral receberia 2/3 dos R$ 600 mil e o C, unilateral, 1/3 dos R$ 600 mil. Mas quanto aos R$ 400 mil do outro imóvel, estes serão divididos na forma do art. 1.790:
Art. 1.790. A companheira ou o companheiro participará da sucessão do outro, quanto aos bens adquiridos onerosamente na vigência da união estável, nas condições seguintes:
I - se concorrer com filhos comuns, terá direito a uma quota equivalente à que por lei for atribuída ao filho;
II - se concorrer com descendentes só do autor da herança, tocar-lhe-á a metade do que couber a cada um daqueles;
III - se concorrer com outros parentes sucessíveis, terá direito a um terço da herança;
IV - não havendo parentes sucessíveis, terá direito à totalidade da herança.
Então 1/3 desses R$ 400 mil será do companheiro. 2/3 seriam divididos entre B e C [hipótese em que todos são unilaterais OU todos são bilaterais]. Agora, se for diferenciar entre bilaterais e unilaterais, o irmão B, bilateral, vai receber 2/3 de 2/3 e o irmão C, unilateral, vai receber 1/3 de 2/3. 
[professora diz que não vai ser preciso calcular valor na prova; só indicar a cota de cada um como nesses exemplos]
Esse art. 1790 é criticado pela doutrina e pela jurisprudência. No inicio, o STJ tentou dar uma igualada entre as heranças de cônjuge e companheiro, mas depois chutou o bale porque viu que não ia conseguir, mas assumiram as diferenças. Para mim, a diferença mais gritante está nessa situação do companheiro não poder afastar os colaterais na herança. Ou então não seria mais justo dividir tudo igualmente entre eles? Só que pela a interpretação do art. 1790, os bens adquiridos antes da união estável só os colaterais terão direito. Totalmente diferente do que acontece com o cônjuge. O cônjuge tem direito a todos os bens: os adquiridos na constância do casamento, adquiridos antes do casamento e também os recebidos por herança.
Encerramos a sucessão legítima.
SUCESSÃO TESTAMENTÁRIA
Qualquer pessoa pode fazer testamento desde que seja capaz. O maior de 16 anos, que pelo direito civil brasileiro nem é plenamente capaz, é relativamente incapaz até os 18 anos, mas a lei permite que a partir dos 16 uma pessoa possa fazer um testamento.
Se por ventura a pessoa que está fazendo o testamento tem algum herdeiro necessário, ele pode continuar testando, mas ele tem que observar que só pode testar para outros até metade do valor que ele tem. Se ele tem um patrimônio de R$ 3 milhões de reais e quiser fazer o testamento ele só vai poder dispor no testamento para outros que não sejam seus herdeiros necessários no máximo R$ 1,5 milhão de reais. 
Além disso, ele pode pegar metade dessa herança e dar para um filho específico, nada impede. Só que os herdeiros necessários têm direito a legitima. A legítima é a metade dos bens do falecido. Eu não sou obrigada a morrer e deixar nada para os meus filhos, mas se eu decidir morrer deixando bens para eles, eles terão direito a metade do que eu tenho e o restante eu faço o que quiser, posso dar para igreja, para um amigo ou dou para um filho só, por exemplo. 
TESTAMENTO
O que é o testamento? É um negocio jurídico unilateral, solene, revogável, personalíssimo e causa mortis. 
· Unilateral:
É um negocio jurídico unilateral porque o testamento se apresenta como uma manifestação de vontade de uma pessoa que vai dispor de seus bens e os efeitos desse negócio jurídico são estabelecidos pelo próprio testador. O testador é que diz que bem vai para qual pessoa. E o testamento vai produzir efeitos depois de sua morte. 
É uma manifestação de vontade e é causa de indignidade se alguém quiser cercear de algum modo a vontade do testador (art. 1.814 e seguintes do CC)
· Personalíssimo: 
Art. 1.858. O testamento é ato personalíssimo, podendo ser mudado a qualquer tempo.
O direito brasileiro proíbe a realização de testamento conjuntivo. Vedado no art. 1.863:
Art. 1.863. É proibido o testamento conjuntivo, seja simultâneo, recíproco ou correspectivo.
O testamento conjuntivo é quando duas ou mais pessoas fazem seus respectivos testamentos em uma cédula só. Acontece muito com marido e mulher. Eles escrevem dois testamentos conjuntamente no mesmo documento.
· Simultâneo: A e B doam seus bens para C e D. 
· Recíproco: A deixa 100% de seus bens para B e B deixa 100% de seus bens para A ou A deixa 80% de seus bens para B e B deixa 80% de seus bens para A. As cotas se equivalem. 
· Correspectivo: é uma espécie do recíproco, mas as cotas não se equivalem. Exemplo: A deixa todo seu patrimônio para B, mas o B deixou uma parte para o A e outra parte para um terceiro.
Isso não impede, no entanto, que marido e mulher compareçam no cartório para fazer seus testamentos. Os dois podem chegar juntos e fazer cada um seu testamento, sendo atendidos pelo notário em momentos distintos. Se cada um fizer o seu testamento, não é testamento conjuntivo. Conjuntivo é mais de um testamento na mesma cédula.
Retomando: o testamento tanto é unilateral que se alguém tentar cercear a vontade do testador estará provocando a indignidade e é personalíssimo porque a lei veda o testamento conjuntivo. 
O testamento é diferente do contrato. No contrato são pelo menos duas pessoas manifestando suas vontades. É uma espécie de negocio jurídico bilateral. O testamento não; é unilateral, se forma com a manifestação de vontade do testador. Se será válido ou não, é outra conversa. Se for contrario
a lei, não será válido.
Personalíssimo porque só a própria pessoa pode fazê-lo. Não poderá ser feito por procuração.
· Causa mortis:
Produz efeitos após a morte da pessoa. O testamento que observou todas as formalidades legais é um testamento válido, mas não produzirá efeitos enquanto não ocorrer a morte do testador.
· Solene:
Tem que ser feito de acordo com a lei. Vamos ver que existem outros tipos de testamento. Tirando os três tipos de testamentos especiais (marítimo, aeronáutico e o militar), para a maior parte dos casos temos poucos tipos de testamento.
Art. 1.862. São testamentos ordinários:
I - o público;
II - o cerrado;
III - o particular
Tem que respeitar as regras de cada um desses testamentos, eles têm regras específicas, por isso o testamento é um negócio jurídico solene: a lei estabelece as formas essenciais que devem ser respeitadas pelo testador.
· Revogável:
O testamento pode ser revogado a qualquer momento. A revogação pode ser expressa ou tácita. Expresso quando você revoga um testamento através de outro e tácito é quando, por exemplo, quando você faz um testamento deixando uma casa de campo para um irmão, você muda de ideia e depois faz outro testamento dizendo que quer deixar a casa de campo para sua outra irmã. Se você fez outro testamento dispondo daquele bem para outra pessoa, é porque você está tacitamente revogando o anterior. (ainda vamos estudar as espécies de revogação)
OBS.: O testamento é uma forma de reconhecimento de filiação. Pode ser que você tenha escondido um filho toda vida, mas deseje reconhece-lo através do testamento. Para esse reconhecimento de filiação, o testamento é irrevogável.
Art. 1.609. O reconhecimento dos filhos havidos fora do casamento é irrevogável e será feito:
III - por testamento, ainda que incidentalmente manifestado.
 	Art. 1.610. O reconhecimento não pode ser revogado, nem mesmo quando feito em testamento.
Não pode reconhecer a filiação e depois se arrepender. Essa clausula de reconhecimento de filiação, e somente ela, é irrevogável. No resto, todas as outras disposições podem ser modificadas em testamentos posteriores ou até mesmo revogadas por manifestação expressa ou tácita. 
Qual a natureza jurídica do testamento? É um negocio jurídico. E têm todas essas características mencionadas.Quem pode fazer o testamento? Todas as pessoas a partir de 16 anos, desde que capazes. 
O Estatuto do Deficiente revogou vários artigos do direito de família, mas não se meteu no artigo que trata da capacidade para testar. Então tem que ser feita uma interpretação sistemática. 
Art. 1.860. Além dos incapazes, não podem testar os que, no ato de fazê-lo, não tiverem pleno discernimento.
Parágrafo único. Podem testar os maiores de dezesseis anos.
Se uma pessoa é totalmente incapaz ou se alguma razão naquele momento do testamento não tiver pleno discernimento, não poderá fazer testamento. Se ele fizer, isso poderá ser objeto de ação futura visando sua invalidação. A grande dificuldade é dizer quem será incapaz por causa do estatuto da pessoa com deficiência. 
A partir dos 16 anos eu posso fazer meu testamento sem assistência de pai ou mãe. O testamento é um ato personalíssimo. 
Se eu estou bem e faço meu testamento daí uma semana depois eu fico louca, a incapacidade vai ser avaliada no momento da elaboração do testamento. Se depois que eu fiz meu testamento eu ficar com problema de discernimento, isso não vai alterar o meu testamento. O que importa é que no momento da elaboração do testamento a pessoa tinha condições de manifestar sua vontade.
Art. 1.861. A incapacidade superveniente do testador não invalida o testamento, nem o testamento do incapaz se valida com a superveniência da capacidade.
Existem pessoas que não podem receber bens em testamentos. 
Art. 1.799. Na sucessão testamentária podem ainda ser chamados a suceder:
I - os filhos, ainda não concebidos, de pessoas indicadas pelo testador, desde que vivas estas ao abrir-se a sucessão;
II - as pessoas jurídicas;
III - as pessoas jurídicas, cuja organização for determinada pelo testador sob a forma de fundação.
Filhos ainda não concebidos
Para que uma pessoa possa receber uma herança na sucessão legitima, é preciso estar vivo no momento da morte da pessoa. Para uma criança receber a herança do pai tem que estar viva no momento da morte do pai ou pelo menos concebida, porque a lei salva a concepção para os direitos do nascituro. Se um homem morre e deixa dois filhos vivos e uma criança no ventre da mãe, não há duvida que se a criança nascer com vida, também será herdeira. 
No caso da fertilização in vitro, a pessoa deixa os embriões congelados. Se sua mulher no futuro resolve fazer a inseminação, os bebês de proveta não vão poder herdar porque pela interpretação dada, eu não posso chamar de nascituro os embriões que estão congelados. 
Solução para esse problema: o homem que um dia concordou com a fabricação de embriões com o seu material genético e ainda há embriões congelados, se esse homem não fizer nada, os filhos futuros, que vierem a existir por força do descongelamento dos embriões, pela sucessão legitima, não receberão a herança. Para eles receberem a herança, só por foça do art. 1789, I, combinado com o art. 1.800:
Art. 1.799. Na sucessão testamentária podem ainda ser chamados a suceder:
I - os filhos, ainda não concebidos, de pessoas indicadas pelo testador, desde que vivas estas ao abrir-se a sucessão;
Esse homem pode fazer um testamento dizendo que ele contempla os filhos que vierem a nascer da mulher dele, fruto dessa fertilização in vitro. Essa mulher terá dois anos após a morte do marido para decidir se quer ou não ter outros filhos com o marido morto. 
Art. 1.800. No caso do inciso I do artigo antecedente, os bens da herança serão confiados, após a liquidação ou partilha, a curador nomeado pelo juiz.
§ 4o Se, decorridos dois anos após a abertura da sucessão, não for concebido o herdeiro esperado, os bens reservados, salvo disposição em contrário do testador, caberão aos herdeiros legítimos.
O art. 1.799 pode levar a acreditar que é possível deixar bens em testamento só para a prole que está viva, mas se você conjuga esse artigo com o art. 1.800 você chega a uma conclusão diferente: eu posso fazer um testamento deixando bens para a prole eventual de uma pessoa (irmã, amiga, esposa...) e depois que eu morrer, mesmo que não haja criança nenhuma nascida é possível se esperar dois anos, se em dois anos minha esposa decidir não ter esses filhos por inseminação, aí sim esses bens que eu separei para a prole eventual serão destinados para os demais herdeiros legítimos.
A primeira controvérsia para essa situação é se a pessoa pode deixar em testamento escrito que quer ampliar esse prazo de dois anos da lei, pedindo que se aguarde mais do que dois anos. A maior parte da doutrina entende que se a lei diz dois anos, a pessoa não pode determinar que se aguarde por um prazo maior. Existem autores, que entendem que é possível, por exemplo, um dos atualizadores do livro do Caio Mario, o professor Guilherme Calmon. 
Outra controvérsia é que o Código deixou um buraco. No direito civil nós aprendemos que todo bem precisa de um titular, razão pela qual um princípio muito importante no direito das sucessões é o principio de saisine, que estabelece que no momento da morte da pessoa, a posse e a propriedade dos bens passam para seus herdeiros. Quem é o titular dos bens que se deixa para a prole eventual? A pessoa que morreu não tem mais personalidade, então não pode ser titular de bens. De quem é a propriedade dos bens nesse espaço entre a morte da pessoa e a concepção do herdeiro que ele estabeleceu? Isso não tem explicação ainda. 
Aluna: e o espólio?
Espólio tem personalidade jurídica, mas não é proprietário de bens, os proprietários são os herdeiros, o espolio somente representa os herdeiros. 
A lei diz que nesse período de tempo entre a morte do testador e a concepção do filho, os bens ficarão pela administração de um curador, que como regra, o curador será a pessoa que terá o filho. Se em testamento
foi deixado em favor da prole eventual da esposa, então os bens ficam na curatela da esposa. Ela administra, mas não é titular dos bens. 
Muitos autores nem enfrentam esse problema.
Há discussão ainda sobre a concepção. Para os autores mais antigos, pelo Código de 1916, concepção é o mesmo que fertilização, quando o óvulo é fecundado e é formado o embrião, a partir desse momento eu tenho a concepção. A partir dessa possibilidade da fertilização in vitro isso mudou porque aquele embrião congelado não tem a possibilidade de se transformar em um ser humano, ele não tem nutrição, por isso não é entendido pela doutrina como um ser concebido. Só será concebido quando for colocado no ventre da mãe para ser alimentado. 
Pessoas jurídicas
O testador pode deixar bens também para pessoas jurídicas:
Art. 1.799. Na sucessão testamentária podem ainda ser chamados a suceder:
I - os filhos, ainda não concebidos, de pessoas indicadas pelo testador, desde que vivas estas ao abrir-se a sucessão;
II - as pessoas jurídicas;
III - as pessoas jurídicas, cuja organização for determinada pelo testador sob a forma de fundação.
Cuidado com esse inciso II, ele diz que se pode deixar bens para pessoas jurídicas. Na prova da magistratura perguntaram se pessoa jurídica pode receber bens por testamento. Muitos responderam que sim pelo art. 1.799, mas a resposta que se esperava obter estava relacionada com capacidade. Na parte geral vocês estudaram todas as teorias de capacidade: teoria organicista, da facção do Savigny, da institucionalidade e outras. 
A pessoa jurídica tem personalidade, mas qual tipo de atos ela pode praticar? Durante muitos anos se entendia que a personalidade da pessoa jurídica não é igual a de um ser humano. A personalidade da pessoa jurídica só dava a possibilidade de praticar atos no mundo civil que tivessem a ver com a finalidade da pessoa jurídica. Se a pessoa jurídica foi instituída para a fabricação de bolsas, essa pessoa jurídica, pela concepção antiga, não teria capacidade para herdar em testamento, ela não teria capacidade para aplicar dinheiro na bolsa porque isso não era finalidade do objeto social dela. Essa concepção foi perdendo lugar para a teoria da afetação.
Pela teoria da afetação, a pessoa jurídica pode praticar qualquer ato da vida civil, desde que guarde direta ou indiretamente uma vinculação com a sua atividade. Ora, receber bens de herança aumenta o capital social, então isso tem interesse da pessoa jurídica. Se a pessoa jurídica investe na bolsa de valores para aumentar se capital, isso tem a ver com a atividade dela porque aumentar capital significa que vou dar expansão a minha atividade empresarial.
Então quando se perguntou se a pessoa jurídica podia herdar por testamento, não era para responder pelo art. 1.799, o que se queria saber é: a capacidade de testar é dada a quem? Quem pode receber em testamento? Quem tem personalidade, com exceção da prole eventual. A pessoa jurídica tem personalidade, mas receber a minha herança se relaciona com a capacidade dela, com os atos que ela pode praticar? Era isso que a prova da magistratura queria saber. 
As pessoas jurídicas podem ser herdeiras instituídas em estamento e não confundam isso com a fundação. Eu posso, através de um testamento separar um pedaço dos meus bens e disser que esses deverão ser usados para a criação de uma fundação. No momento que essa fundação for elaborada, ela vai receber personalidade jurídica e vai passar a ter capacidade. O que esse artigo está dizendo é outra coisa, tá dizendo que é possível você deixar uma parcela de seus bens para uma pessoa jurídica pré-estabelecida. 
Essa questão da fundação está no inciso III, o inciso II não é para a pessoa jurídica já estabelecida.
Algumas pessoas não estão em possibilidade de herdar por testamento, não podem ser colocadas no testamento como herdeiras. Qual a razão da proibição? O legislador não deseja que o testamento, enquanto negocio jurídico personalíssimo e unilateral, ele não quer que no momento da elaboração do testamento o testador não seja influenciado.
Imagine que você mora numa cidade do interior e se dirige ao cartório para fazer um testamento público. Lá você encontra o notário, que é seu amigo. Depois, se esse notário aparecer como herdeiro nesse testamento, presume-se que o testador foi constrangido a deixar bens para esse notário. O legislador quis evitar essas saias justas. 
Alguns autores dizem que essas pessoas não tem capacidade específica para estar em testamento, para receberem a herança. Outros autores dizem que essas figuras não são legitimadas para estar no testamento. São elas:
Art. 1.801. Não podem ser nomeados herdeiros nem legatários:
I - a pessoa que, a rogo, escreveu o testamento, nem o seu cônjuge ou companheiro, ou os seus ascendentes e irmãos;
II - as testemunhas do testamento;
III - o concubino do testador casado, salvo se este, sem culpa sua, estiver separado de fato do cônjuge há mais de cinco anos;
IV - o tabelião, civil ou militar, ou o comandante ou escrivão, perante quem se fizer, assim como o que fizer ou aprovar o testamento.
O inciso I fala da pessoa que escreveu o testamento para o testador, porque pode ser que este não era bom de escrever ou tinha uma caligrafia ruim. Aí fala em cônjuge/companheiro, ascendente e irmãos do que escreveu o testamento. Não fala em descendentes. O legislador comeu mosca, mas se recuperou e colocou no paragrafo único do artigo seguinte:
Art. 1.802. São nulas as disposições testamentárias em favor de pessoas não legitimadas a suceder, ainda quando simuladas sob a forma de contrato oneroso, ou feitas mediante interposta pessoa.
Parágrafo único. Presumem-se pessoas interpostas os ascendentes, os descendentes, os irmãos e o cônjuge ou companheiro do não legitimado a suceder.
As testemunhas também não podem ser nomeadas conforme o inciso II. O inciso III é uma abobrinha. Concubino é a pessoa que mantém relacionamento com aquela que é casada, sendo que a pessoa casada não está sequer separada de fato. Há um relacionamento paralelo. Essa regra não se aplica ao companheiro. Quem está separado ou divorciado pode instituir a pessoa com quem se convive como herdeiro. O que se veda aqui é deixar testamento para o amante. 
Existe no STF uma ação para reconhecimento de uniões estáveis paralelas; uma pessoa viver união estável com duas pessoas simultaneamente. Atualmente, o direito não reconhece relacionamentos paralelos. Pode acontecer de um notário fazer escrituras de uniões estáveis paralelas. No cartório, qualquer pessoa pode fazer uma escritura dizendo que veio de Marte. Pagando, ele consegue. O notário vai receber o dinheiro e vai escrever que o documento não tem valor jurídico. 
No final o inciso III diz: “...salvo se este, sem culpa sua, estiver separado de fato do cônjuge há mais de cinco anos”. Esses prazos de cinco anos que aparecem na lei não deviam existir. A Constituição não estabeleceu prazo para reconhecimento da união estável, nem a CC/02 fez isso. Esses malditos prazos de cinco anos são da década de 1960 quando não havia a figura da união estável e os juízes aplicavam a sociedade de fato para a dissolução do patrimônio. Quando eles começaram a aplicar por analogia a sociedade de fato eles inicialmente impuseram o prazo mínimo de cinco anos para que houvesse a divisão de patrimônio pelo reconhecimento da sociedade de fato.
Quando estava na época da elaboração da Constituição Federal, essa ideia já estava atrasada e se reconhecia a sociedade de fato com 3 ou 2 anos. Mas até hoje não se fala em prazo nem na CRFB/88 nem no CC/02.
O que importa não é prazo, é que os relacionamentos não sejam paralelos. Se eu me separei do meu cônjuge e seis meses depois eu passo a viver com alguém e quero deixar bens para ele ninguém tem nada a ver com isso, esse artigo tem que ser interpretado dessa maneira. Quanto à culpa, até o Caio Mario que é um dos mais radicais na visão do direito de família, já dizia que não interessa culpa.
Quem não pode receber bens por testamento, portanto, é o concubino, o amante.
No
inciso IV diz que o tabelião não pode herdar e que se eu estou fazendo um testamento marítimo/militar, quem participou da realização do meu testamento não pode ser herdeiro.
O art. 1.802 vai dizer que vai ser nulo se tentar contar mentira, ou seja, se o testador tentar botar uma interposta pessoa, por exemplo, o filho do concubino. As pessoas do art. 1.801 não tem legitimidade e vai ser nula qualquer cláusula que você tentar fraudar fazendo de conta que você está deixando para outras pessoas quando na verdade tá deixando para os não legitimados. 
Logicamente, o filho do amante pode ser beneficiado pelo testamento. De acordo com a CF/88, todos os filhos têm direitos iguais. 
Art. 1.803. É lícita a deixa ao filho do concubino, quando também o for do testador.
Só pode deixar bens para o filho do amante se também for seu filho. Do contrário, será nula essa clausula porque será interpretado que você está tentando fraudar o art. 1.801.
Aula 30/05/2016
Nós vimos na última aula quem tem capacidade para testar e também as pessoas que não podem ser instituídas como herdeiro testamentário ou legatário. Hoje vamos começar a estudar as diversas espécies de testamento.
ESPÉCIES DE TESTAMENTO
No direito Brasileiro podemos classificar o testamento como um negócio jurídico formal, solene e porque não somente as formas de testamento são apenas as mencionadas na lei como para cada uma das espécies a lei impõe determinadas regras e se não forem observadas essas imposições legais a consequência poderá vir a ser a nulidade do testamento, na sua integralidade, por força do artigo 166 do Código Civil :
Art. 166. É nulo o negócio jurídico quando:
I - celebrado por pessoa absolutamente incapaz;
II - for ilícito, impossível ou indeterminável o seu objeto;
III - o motivo determinante, comum a ambas as partes, for ilícito;
IV - não revestir a forma prescrita em lei;
V - for preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua validade;
VI - tiver por objetivo fraudar lei imperativa;
VII - a lei taxativamente o declarar nulo, ou proibir-lhe a prática, sem cominar sanção.
Tendo em vista que um dos incisos diz que ao não observar as exigências legais o negócio jurídico é nulo. Então se eu tenho um testamento público, por exemplo, ele tem determinadas exigências e se eu não observo elas na hora de fazer o testamento é possível que esse negócio jurídico seja considerado nulo por força do Artigo 166, IV e V. Se digamos não tem o número de testemunhas suficientes ou uma pessoa que é cega faz um testamento particular, por força de lei cegos não podem realizar o testamento particular. Então, o testamento é considerado um dos negócios jurídicos mais solenes no direito brasileiro, ao lado do casamento. 
O testamento é um negócio jurídico: Solene, unilateral, causa mortis, personalíssimo e revogável. Essa revogação do testamento ela pode ser expressa ou tácita. Ela é expressa quando eu digo que revogo o testamento que fiz no passado e será tácita quando por exemplo eu estabeleço causas incompatíveis entre si entre testamentos si, se faço um testamento posterior que é totalmente diferente de um anterior, e isso revoga tacitamente o anterior. Se eu reconheço uma pessoa como meu filho no testamento, essa cláusula jamais pode ser revogada. 
TESTAMENTO PÚBLICO
É aquele testamento realizado dentro de um cartório, eu procuro um notário e é este notário quem vai fazer o testamento para mim. Eu chego no cartório de notas e eu declaro para o notário quais são as disposições que eu quero que estejam no meu testamento. 
Existe uma controvérsia, a lei menciona que no testamento público a pessoa seguirá as seguintes disposições. 
Art. 1.864. São requisitos essenciais do testamento público:
I - ser escrito por tabelião ou por seu substituto legal em seu livro de notas, de acordo com as declarações do testador, podendo este servir-se de minuta, notas ou apontamentos;
II - lavrado o instrumento, ser lido em voz alta pelo tabelião ao testador e a duas testemunhas, a um só tempo; ou pelo testador, se o quiser, na presença destas e do oficial;
III - ser o instrumento, em seguida à leitura, assinado pelo testador, pelas testemunhas e pelo tabelião.
Parágrafo único. O testamento público pode ser escrito manualmente ou mecanicamente, bem como ser feito pela inserção da declaração de vontade em partes impressas de livro de notas, desde que rubricadas todas as páginas pelo testador, se mais de uma.
Está empregada aqui, no inciso I, a palavra declarações e muitos autores afirmam que o testamento público não pode ser feito pela pessoa muda, porque o mudo não poderia cumprir a exigência legal de declaração para o notário do que ela quer no seu testamento. É uma interpretação de que a palavra declaração seria apenas oral. Essa questão não é pacífica, porque alguns autores dizem que não está escrito expressamente "declarações orais" e eu poderia fazer uma declaração por escrito, já que está apenas disposto a palavra "declarações" e eu, portanto, poderia fazer a declaração por escrito. A doutrina clássica diz que se a o legislador quisesse que o mudo pudesse realizar o testamento público ele teria disposto expressamento, como fez com o artigo 1873, que trata do surdo e mudo poderem realizar o testamento cerrado. 
Existe portanto essa controvérsia entre a doutrina clássica e a doutrina mais moderna, um dizendo que ele não poderia e a outra dizendo que poderia. 
Outra questão é se o testador não souber assinar ou ele não pode assinar por algum outro motivo, nesse caso uma das testemunhas vai assinar a rogo conforme disposto no artigo 1.865: 
Art. 1.865. Se o testador não souber, ou não puder assinar, o tabelião ou seu substituto legal assim o declarará, assinando, neste caso, pelo testador, e, a seu rogo, uma das testemunhas instrumentárias.
Essa modalidade de testamento tem disposição expressa para o surdo no artigo 1.866:
Art. 1.866. O indivíduo inteiramente surdo, sabendo ler, lerá o seu testamento, e, se não o souber, designará quem o leia em seu lugar, presentes as testemunhas.
Se ele for surdo e não souber ler como ele lerá o seu testamento, mas a lei ainda dá uma chance para ele, dizendo que alguém lerá para ele. Então se o indivíduo é totalmente surdo e não sabe ler mas confia numa pessoa que ele leva até o cartório, a testemunha de confiança pode ler para ele e confirmar através de linguagem de sinais. 
Não há dúvida que o legislador tentou trazer para o testamento público uma série de pessoas, entre elas o surdo, o analfabeto. E isso através de exigências específicas para cada um por conta de suas deficiências e isso não pode ser interpretado como algum tipo de retaliação ou discriminação, porque aqui tenho dois direitos que preciso salvaguardar. O primeiro do testador que tem o direito a um testamento que corresponda diretamente a sua vontade e o segundo é o do notário de não ser envolvido futuramente em processo judicial, portanto, é necessário que a lei seja cumprida nestas exigências diferentes para não dar nenhum prejuízo futuro. O cego, por exemplo, só pode fazer o testamento público e seguirá o artigo 1.867: 
Art. 1.867. Ao cego só se permite o testamento público, que lhe será lido, em voz alta, duas vezes, uma pelo tabelião ou por seu substituto legal, e a outra por uma das testemunhas, designada pelo testador, fazendo-se de tudo circunstanciada menção no testamento.
E ficará disposto no testamento que ele fora lido duas vezes, conforme a exigência legal. O testamento é assinado pelo notário, pelo testador e por duas testemunhas, na forma do testamento público. 
Alguma parte da doutrina critica porque não fora posta a data como uma das exigências, mas nesse caso a data do ato praticado pelo notário supre isto, já que todo ato notarial tem que ter data. Não terá data no testamento mas sim no livro notarial que ele foi registrado. A importância da data do testamento é saber qual realmente é o último testamento da pessoa. 
Uma outra questão que se discute muito sobre o testamento público é a questão do estrangeiro, se o estrangeiro
poderia fazer o testamento público. O problema é que todo testamento público por ser um ato de cartório vai ser redigido na língua portuguesa, então o estrangeiro e as testemunhas devem  ter o mínimo de conhecimento da língua portuguesa, não é preciso que ele seja um excelente conhecedor, mas se ele conseguir ler e interpretar basta para ser feito. 
Este é o testamento que a maior parte das pessoas busca fazer, porque é o que dá mais garantia, já que quando a pessoa morrer vai constar lá que o testamento foi feito e ai só procurar o cartório. Todo testamento deve ser distribuído, o notário além de escrever o testamento no livro ele distribui após. Então pra você saber se a pessoa tem testamento basta apenas tirar as certidões dos distribuidores e lá vai constar que existe o testamento. 
Existe uma controvérsia grande na questão pública do testamento, se ele poderia ser mostrado para qualquer pessoa que chegasse no cartório e pedisse para vê-lo. Existe um projeto de lei para impedir que os cartórios mostrem o testamento para qualquer pessoa, só poderia ser mostrado por força de decisão judicial ou se a pessoa tem interesse específico em saber o que está escrito ali. Hoje o notário está numa saia justa, já que o cartório é público qualquer pessoa tem o direito de saber o que tem lá e o notário fica numa situação difícil porque se ele resolver não mostrar a pessoa vai acionar o judiciário contra ele, dizendo que o cartório é público e portanto ele precisa mostrar o que está lá e se ele mostra, aquela pessoa que fez o testamento vai entrar com uma ação contra ele dizendo que não poderia mostrar para ninguém sem a autorização dele testador. Existe portanto, essa dificuldade interna no cartório. 
TESTAMENTO CERRADO
Totalmente contrário ao testamento público é o testamento cerrado, também chamado de secreto ou místico. Nesse tipo de testamento, a pessoa propriamente escreve o testamento ou alguém a seu rogo. O conteúdo do testamento cerrado só quem vai saber é o testador ou a pessoa que escreveu para ele. O testamento cerrado é composto de 2 partes: a cédula testamentária, que é o testamento propriamente dito e eu tenho a aprovação do testamento. 
Então, eu escrevo meu testamento e compareço no cartório acompanhado de testemunhas e chego no cartório e falo com o notário que este é um testamento cerrado e preciso que o senhor notário aprove. O notário vai pegar o testamento, abrir na última palavra escrita daquele testamento e começa a redigir a aprovação do testamento, o notário não pode ler o testamento, ele não tem a menor noção daquilo que está escrito ali no testamento. Ele vai escrever apenas uma autenticação daquilo que aconteceu, conforme o artigo 1868:
Art. 1.868. O testamento escrito pelo testador, ou por outra pessoa, a seu rogo, e por aquele assinado, será válido se aprovado pelo tabelião ou seu substituto legal, observadas as seguintes formalidades:
I - que o testador o entregue ao tabelião em presença de duas testemunhas;
II - que o testador declare que aquele é o seu testamento e quer que seja aprovado;
III - que o tabelião lavre, desde logo, o auto de aprovação, na presença de duas testemunhas, e o leia, em seguida, ao testador e testemunhas;
IV - que o auto de aprovação seja assinado pelo tabelião, pelas testemunhas e pelo testador.
Parágrafo único. O testamento cerrado pode ser escrito mecanicamente, desde que seu subscritor numere e autentique, com a sua assinatura, todas as paginas.
No inciso III o que ele lerá vai ser o auto de aprovação e não o testamento em si, porque este é secreto. Então nem as testemunhas sabem o que está escrito no testamento. 
Nessa modalidade de testamento não cairemos na polêmica quanto o surdo-mudo, porque há dispositivo legal expresso possibilitando a sua feitura por ambos, é o artigo 1873: 
Art. 1.873. Pode fazer testamento cerrado o surdo-mudo, contanto que o escreva todo, e o assine de sua mão, e que, ao entregá-lo ao oficial público, ante as duas testemunhas, escreva, na face externa do papel ou do envoltório, que aquele é o seu testamento, cuja aprovação lhe pede.
O testamento cerrado tem um envoltório, ele fica dentro de um papel e é costurado e totalmente lacrado e é devolvido para o testador. Não fica cópia do testamento no cartório, o notário não lê o testamento. A informação que vai ficar no cartório é que houve a lavratura de auto de aprovação de um testamento cerrado e essa informação vai ser distribuída, mas o testamento em si não fica no cartório. 
Esse testamento cerrado não precisa ser realizado em língua portuguesa, já que ninguém saberá por enquanto o conteúdo deste documento. Por força do artigo 1871: 
Art. 1.871. O testamento pode ser escrito em língua nacional ou estrangeira, pelo próprio testador, ou por outrem, a seu rogo.
Lógico que quando a pessoa morrer e este testamento tiver que ser cumprido ele terá que ser traduzido por tradutor juramentado. Mas isso é um formalidade que será feita apenas na hora de se cumprir o testamento. 
No Artigo 1874 está escrito aquilo que já falei: 
Art. 1.874. Depois de aprovado e cerrado, será o testamento entregue ao testador, e o tabelião lançará, no seu livro, nota do lugar, dia, mês e ano em que o testamento foi aprovado e entregue.
O cego não pode fazer testamento cerrado, pois por disposição legal ele só pode fazer o testamento público, e também quem não saiba ler, porque a pessoa não vai saber assinar ao final. Se a pessoa não sabe ler ela só pode fazer o testamento público. 
O grande inconveniente desse testamento é que ele pode sumir, a pessoa sabe que ele existe mas o perdeu. E também se ele for descosturado ele é considerado revogado, ele perde a validade. Esse testamento cerrado, após a morte do testador deve ser entregue ao Juiz para que o Juiz descosture e encaminhe ao Ministério Público. O que o Juiz vai ver na hora de mandar cumprir o testamento é se todos os requisitos extrínsecos foram observados? Neste testamento o requisitos são : foi entregue costurado, ter auto de aprovação, ser assinado pelo testador, notário e duas testemunhas. Estando presente tudo isso ele mandará cumprir o testamento. 
Todas as vezes que você tem um testamento o Juiz ao recebê-lo vai verificar sempre os requisitos extrínsecos foram observados. Então, ele vai ver, por exemplo, no testamento público se eu tenho a questão do notário ter escrito, de ter sido assinado pelo notário, testador e duas testemunhas. É seguir os requisitos da lei para a validade formal do testamento. 
Não é porque o Juiz mandou cumprir o testamento que ninguém está proibido de questionar esse testamento não, porque é possível que tal testamento tenha sido escrito sob coação, em erro. E esses requisitos intrínsecos pode ser objeto de questionamento através de uma ação própria nessa vara na qual se apresentou o testamento.
Em suma, a pessoa morreu deixando testamento, distribui-se a ação entre as varas orfanológicas daquele local de domicílio do falecido, o Juiz vai abrir e ver o testamento, se ele cumprir os requisitos extrínsecos o Juiz manda ao MP que vai verificar as mesmas coisas e ai na devolução o Juiz faz uma sentença mandado o cumprimento do testamento. O fato do Juiz ter mandado cumprir o testamento não impede que você questione ele, por ação que vai ser distribuída em dependência dessa ação de cumprimento de testamento e vai ser uma ação de cognição, ação de um procedimento comum, vai ter produção probatória, tudo mais. 
Se o Juiz recebe um testamento cerrado já aberto presume-se que ele está revogado, mas de acordo com o Artigo 1875 e 1972 ainda poderá ser salvo. : 
Art. 1.875. Falecido o testador, o testamento será apresentado ao juiz, que o abrirá e o fará registrar, ordenando seja cumprido, se não achar vício externo que o torne eivado de nulidade ou suspeito de falsidade.
Art. 1.972. O testamento cerrado que o testador abrir ou dilacerar, ou for aberto ou dilacerado com seu consentimento, haver-se-á como revogado.
Então nada impede que um testamento cerrado chegue até o Juiz aberto e depois de um tempo ele mande cumprir,
desde que seja provado a ele que quem abriu este testamento não foi o testador. Se quem abrir foi outra pessoa sem seu consentimento aplica-se o Artigo 1972 e o testamento cerrado poderá ser cumprido normalmente. 
TESTAMENTO PARTICULAR
O testamento particular é um testamento arriscado, porque ele vai depender das testemunhas, tem pouca formalidade, está no 1876:
 Art. 1.876. O testamento particular pode ser escrito de próprio punho ou mediante processo mecânico.
§ 1o Se escrito de próprio punho, são requisitos essenciais à sua validade seja lido e assinado por quem o escreveu, na presença de pelo menos três testemunhas, que o devem subscrever.
§ 2o Se elaborado por processo mecânico, não pode conter rasuras ou espaços em branco, devendo ser assinado pelo testador, depois de o ter lido na presença de pelo menos três testemunhas, que o subscreverão.
Nesse testamento particular as pessoas nem vão saber que ele existe, enquanto que no público e no cerrado há a fase que passa pelo cartório, no particular não é o testamento que a pessoa mesmo escreve e assina com três testemunhas.
O grande problema desse testamento é que essas 3 testemunhas tem que estar vivas no momento que a pessoa morre, porque quando a pessoa morre esse testamento tem que ser entregue me Juízo para ser cumprido, e o Juiz vai chamar as testemunhas para que elas confirmem que a pessoa realmente escreveu aquele testamento, que elas estavam presentes, que é aquele o testamento correto. Então o grande problema é se as testemunhas morrem antes do testador. 
Quero chamar atenção quando a nomenclatura. Quando eu falei do testamento cerrado eu disse que o Juiz manda registrar o testamento cerrado e cumpri-lo se não houver causa de invalidade extrínseca. No testamento público não está escrito isso aqui, não está escrito a palavra registrar, só está escrita a palavra cumprir e isso vai dar problema no futuro quando formos estudar o prazo para invalidar um testamento. E este prazo, a lei diz que consta do registro do testamento, ai vem alguns autores e dizem que é um erro do legislador, porque o único testamento que a lei exige que seja registrado em livros próprios do cartório para que aja o cumprimento deles e nenhum outro testamento o Juiz precisa mandar registrar como que começa o prazo para esses outros? O Paulo Nader fala que como não existe nada proibindo que o Juiz mande registrar os outros tipos de testamento, não há problema nenhum o Juiz mandar registrar todos e que a partir daquele momento comece a contar o prazo inicial para a propositura de eventual ação de nulidade do testamento ou cláusula. 
Então o testamento particular é recebido pelo Juiz, após isso ele marca uma audiência para ouvir as testemunhas e se as testemunhas confirmarem que assinaram aquilo, que o testador realmente assinou que aquilo é o testamento o Juiz vai mandar cumprir o testamento, a lei não fala em registro. O problema é que é possível que essas testemunhas tenham morrido ou desaparecido. Então quando a pessoa morre e as testemunhas não são encontradas ou se as testemunhas morrem antes do testador é um saia justa, porque o parágrafo único do 1878 diz que pelo menos 1 tem que aparecer: 
Art. 1.878. Se as testemunhas forem contestes sobre o fato da disposição, ou, ao menos, sobre a sua leitura perante elas, e se reconhecerem as próprias assinaturas, assim como a do testador, o testamento será confirmado.
Parágrafo único. Se faltarem testemunhas, por morte ou ausência, e se pelo menos uma delas o reconhecer, o testamento poderá ser confirmado, se, a critério do juiz, houver prova suficiente de sua veracidade.
Reparem que o parágrafo único tendo uma só testemunhas fica a critério do Juiz. O testamento particular pode ser escrito em língua estrangeira desde que as testemunhas entendam.
TESTAMENTO NUNCUPATIVO 
O testamento nuncupativo está positivado no artigo 1879 do CC: 
Art. 1.879. Em circunstâncias excepcionais declaradas na cédula, o testamento particular de próprio punho e assinado pelo testador, sem testemunhas, poderá ser confirmado, a critério do juiz.
O nuncupativo não precisa segue que tenha havido testemunha no testamento, mas aqui apesar de não estar escrito expresso a doutrina fala que o artigo 1879 não trata de um testamento particular comum, o testamento nuncupativo apesar de estar inserido na parte do testamento comum ele tem um divergência, muitos entendem que esse testamento é especial. Pra quem entende isso, então nós teríamos 3 testamentos comuns que são o público, cerrado e particular e um especial que é o nuncupativo. 
Esse testamento nuncupativo é um  testamento particular diferenciado, particular porque é feito de forma particular, não há participação de nenhum órgão público. A lei diz que o Juiz só vai aceitar esse testamento a seu critério.
A doutrina diz que esse tipo de testamento é quando a pessoa está a beira da morte, não há tempo de procurar um notário, não há tempo de se realizar as formalidades do testamento cerrado, não tem tempo de chamar testemunha, então ela realiza um testamento sozinha. Se ela morre em seguida o Juiz pode considerar esse escrito como um testamento particular na modalidade nuncupativo. Mas é lógico que se a pessoa sobreviver àquela situação de perigo de vida e só vir a falecer anos depois, ela deve realizar outro testamento formal. 
E se eu faço um testamento nuncupativo reconhecendo filho ? Pois é,ai pode ser entendido como um reconhecimento de filiação na modalidade particular. O Juiz pode no futuro não reconhecer a validade do testamento como documento hábil a distribuir os bens mas esse reconhecimento escrito de filiação continua.
RECATEGORIZAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO E LIGAÇÃO COM O TESTAMENTO
Lá no código civil parte geral existe um instituto chamado recategorização do negócio jurídico e está no artigo 170: 
Art. 170. Se, porém, o negócio jurídico nulo contiver os requisitos de outro, subsistirá este quando o fim a que visavam as partes permitir supor que o teriam querido, se houvessem previsto a nulidade.
Então o que o artigo 170 diz é que se você faz um negócio sem as formalidades legais ele pode ser aproveitado como outra forma de negócio jurídico, desde que preencha as formalidades deste último. Por exemplo, se um testamento cerrado é rasgado por alguém e não consigo provar que foi sem meu consentimento, eu poderia aproveitar o testamento cerrado como testamento particular porque preenche os requisitos deste último. 
Existem muitos autores que dizem que não poderia ser aplicado esse Artigo aos testamentos, mas não existe artigo algum na parte do testamento no código civil impedindo que se utilize esse artigo 170. Essa figura jurídico é exatamente como seu nome fala, ela irá recategorizar o negócio jurídico que não preencha as formalidades mas que preencha para outro. 
Existe uma discussão de se isso seria ou não uma convalidação de um negócio jurídico, porque o Artigo 169 do Código Civil não permite a convalidação do negócio jurídico nulo, mas o Artigo 170 se você entender que ele pega o negócio jurídico nulo e o põe em outra categoria para ele perder essa nulidade você vai entender que ele convalida sim o negócio jurídico nulo. Mas se você entender que você considera o anterior nulo e cria um novo não seria uma convalidação. 
Existe também outra exceção ao Artigo 169 do Código Civil :
Art. 169. O negócio jurídico nulo não é suscetível de confirmação, nem convalesce pelo decurso do tempo.
O testamento poder ser revogado, inválido, ou seja, nulo ou anulável e pode ser rompido. O testamento pode ser nulo quando não observar os requisitos da lei, então se tenho um testamento cerrado que não foi aprovado por um notário ele é nulo. E também pode ser anulável por algum tipo de vício passível de anulação. O problema é que existe prazo para impugnar o testamento conforme o artigo 1859: 
Art. 1.859. Extingue-se em cinco anos o direito de impugnar a validade do testamento, contado o prazo da data do seu registro.
Este artigo se presta a todos os testamentos na modalidade de inválido, então se eu
quero ajuizar uma ação para anular qualquer testamento eu tenho 5 anos para isso, é um prazo decadencial. O problema é que no final do artigo se diz que a data de início do prazo é a partir do registro mas o único testamento que é obrigatoriamente registrado é o cerrado e como eu contarei o prazo dos outros? Se você interpretar estritamente o artigo realmente ficará sem saída, mas o Paulo Nader fala que a questão de que se vai registrar ou não vai registrar é meramente processual, que vai acontecer no processo de cumprimento de testamento, então não é um requisito do direito civil, é mais a nível de processo civil. Então a única forma da gente poder aplicar o 1859 é se o Juiz mandar registrar todos os testamentos. É óbvio que se o Juiz não manda registrar não há dúvida que seria do ato do Juiz que manda cumprir o testamento que se contaria o prazo de 5 anos para aqueles tipos de testamento que não são registrado obrigatoriamente.
Temos um problema, lamentavelmente o código tem uma questãozinha, ele traz uma forma de anulação no artigo 1909: 
Art. 1.909. São anuláveis as disposições testamentárias inquinadas de erro, dolo ou coação.
Parágrafo único. Extingue-se em quatro anos o direito de anular a disposição, contados de quando o interessado tiver conhecimento do vício.
Se você quiser então impugnar o testamento com alguma dessas causas de vício do consentimento você irá seguir o Artigo 1909, que é infelizmente uma mancada jurídica. Imaginem se seguirmos a disposição expressa no artigo de que o direito começa a contar da data de quando o interessado tiver conhecimento. Por exemplo, o pai do João fez um testamento, ele morreu em 2005, já se cumpriu o testamento dele todo e hoje em 2016 o filho dele descobriu que o pai foi coagido no testamento a deixar um bem para um amigo e então a partir de hoje ele teria ainda 4 anos para ajuizar a ação. 
Então, quando o testamento é nulo eu tenho 5 anos a partir do registro e se eu quero impugnar alguma cláusula do testamento ou o testamento como um todo alegando erro, dolo ou coação eu tenho 4 anos a partir do descobrimento do vício. Isso faz com  que os testamentos se tornem algo bastante inseguro.
FIM DA AULA.
Sucessões 06/06/16
Nós vimos na aula anterior as hipóteses de revogação de testamento. Eu posso revogar um testamento totalmente ou parte dele. E essa revogação pode se dar de forma expressa(quando eu em um testamento posterior estabeleço que estou revogando um testamento realizado na data tal) e a revogação tácita (quando o testador faz outro testamento dispondo de forma diferente totalmente em relação à totalidade de seus bens, ou a algum bem específico).
Então, se deixo um testamento dizendo pra quem vai os meus bens após a minha morte e depois faço outro testamento dispondo de forma diferente, o 2º testamento estará tacitamente revogando o anterior. 
Esses 2 problemas, invalidade e revogação, nós já vimos nas aulas anteriores. 
Ficou faltando falar da RUPTURA DO TESTAMENTO, ou seja, em que situação um testamento se considera rompido.
Ruptura de testamento não tem nada a ver com invalidade, nem com revogação de testamento. A Ruptura de testamento é mais ou menos como se houvesse uma revogação por forca de lei, ou seja, a lei vem e diz que um testamento válido será considerado rompido, ou seja, não será cumprido, será tornado sem efeito nas situações que ele elenca. 
Que situações são essas? São 2 situações em que um testamento será considerado rompido. 
Um testamento será considerado rompido quando o testador faz um testamento dispondo sobre a totalidade dos bens que ele tem, por desconhecer que ele tinha descendente. 
Ex.: João não sabe que tem um filho. Faz um testamento dispondo sobre seus bens. 
A lei diz que se uma pessoa faz um testamento desconhecendo que possui um descendente ou ele faz um testamento antes de algum descendente dele nascer, a lei via dizer: “presumo que se uma pessoa soubesse que ele tinha descendente, não teria feito esse testamento dispondo desses bens da forma que deixou”. 
Particularmente, eu acho isso ridículo, porque se uma pessoa faz um testamento porque ela naquele momento não tinha filhos, como por ex.: Maria, solteira, sem filhos faz testamento dispondo sobre a totalidade de seus bens. 5 anos depois ela tem um filho. Aí ela esquece do testamento. A lei diz que aquele testamento é considerado rompido, ou seja, é como se ele não tivesse existido, ele caduca. O legislador criou uma presunção absoluta de que os pais gostariam que todos os seus bens fossem herdados pelos seus filhos. É uma presunção absoluta da lei (art. 1.973, CC).
Art. 1.973. Sobrevindo descendente sucessível ao testador, que não o tinha ou não o conhecia quando testou, rompe-se o testamento em todas as suas disposições, se esse descendente sobreviver ao testador.
Ex.:. Joao, em 2008, achava que não tinha filhos. Fez testamento dispondo sobre a totalidade de seus bens. Deixou os bens para o amigo Pedro. Passados 6 anos, nasceu um filho de Joao. Joao nem precisa se preocupar em revogar esse testamento, pois esse testamento está rompido, caducou.
Eu acho que a solução deveria ser outra. Deveria ser preservar a metade dos bens, reduzir o testamento à metade para entregar aos filhos do testador. Mas não foi essa a opção do Código. A opção do Código foi: se uma pessoa faz testamento e depois vem a ter filhos, ou uma pessoa faz o testamento e depois descobre que tinha filhos, esse testamento... a pessoa nem precisa sentar e ter o trabalho de revogar o testamento. Porque a lei chama pra ela essa finalidade. A lei diz que se considera rompido o testamento.
Apesar de não estar escrito no art. 1.973, fiz questão de repetir várias vezes que se uma pessoa faz um testamento dispondo da TOTALIDADE de seus bens. O referido art. Não diz isso, mas concluo que um testamento só vai ser rompido se no momento de fazer o testamento, ele envolvia a totalidade dos bens do testador, ao interpretar o art. 1.973, c/c art. 1.975, CC, que prevê:
Art. 1.975. Não se rompe o testamento, se o testador dispuser da sua metade, não contemplando os herdeiros necessários de cuja existência saiba, ou quando os exclua dessa parte.
Essa interpretação não é pacífica. Alguns autores consideram dessa forma, por ex., Paulo Nader. Por causa do princípio da conservação dos negócios jurídicos. Por esse princípio, essa decisão do código é muito extrema (simplesmente tornar sem efeito o testamento). Então, precisa-se interpretar o art. 1.973 com o art. 1.975, CC.
Se uma pessoa faz um testamento, mas só abrange a metade dos seus bens. Ex.: tinha patrimônio de R$ 1 milhão, mas faz testamento dispondo de somente R$ 500 mil, esses R$ 500 mil era a parte disponível dela. Então, é irrelevante se a pessoa tinha ou não tinha, se sabia ou não sabia se tinha descendente. Porque mesmo quando a gente tem filhos e sabe disso, podemos dispor da metade dos bens em testamento, pois os filhos só têm direito à legítima. 
Por isso que parte da doutrina junta o art. 1.973 com o art. 1.975, e conclui o seguinte: o art. 1.973, por trazer uma decisão muito radical, desconsiderando totalmente o negócio jurídico, interpretando juntamente com o art. 1.975, concluo que o testamento só será considerado rompido se for um testamento que abranger TOTALMENTE os bens que o testador tiver.
Se somente abrange a metade, não há invalidade nesse testamento, a ponto de a lei simplesmente se sobrepor à vontade do testador e dizer: “vou romper todo o testamento”. 
Outra observação muito controvertida: pessoa faz um testamento e, naquele momento, não sabia que tinha um descendente. E depois de algum tempo, existe uma sentença em uma ação de investigação de paternidade, impondo a paternidade a esse testador. Eu aplico o art. 1.973 ou não?
Resposta: depende! 
Se o testador sabia da existência desse filho, mesmo sem a sentença de reconhecimento de paternidade, e dispõe somente da metade dos bens, não se justifica o rompimento do testamento, porque nenhum filho tem direito à totalidade da herança do pai ou do avô, só tem direito à metade.
ser por escritura pública. 
Art. 108. Não dispondo a lei em contrário, a escritura pública é essencial à validade dos negócios jurídicos que visem à constituição, transferência, modificação ou renúncia de direitos reais sobre imóveis de valor superior a trinta vezes o maior salário mínimo vigente no País.
Vamos supor que o Pedro e a Maria não estão a fim de fazer o inventário, não querem ter despesas com o advogado e etc. Pedro e Maria podem optar por fazer a chamada cessão de direitos hereditários. Ao fazer a cessão de direitos hereditários, Pedro e Maria não cedem um carro, uma caderneta de poupança ou um imóvel, eles cedem o conjunto, ou seja, o direito a sucessão aberta. O objeto desse negocio jurídico é a sucessão aberta e o CC diz que a sucessão aberta é um bem imóvel, consequentemente, é essencial para a validade desse negócio jurídico que ele seja realizado em cartório, por escritura pública.
Além disso, se Maria for casada com Onofre, por qualquer regime de bens que não seja a separação de bens, por exemplo, são casados pelo regime de comunhão parcial de bens...de acordo com o CC uma pessoa casada, salvo se no regime de separação total de bens, não pode alienar bem imóvel sem a outorga do cônjuge. 
No regime de comunhão parcial de bens a herança não se comunica, portanto, se Maria recebe a herança, a herança é dela e Onofre não tem direito a essa herança, mas Maria só pode ceder os seus direitos hereditários com o consentimento de Onofre, pois a lei estabelece que a alienação de qualquer negócio jurídico envolvendo bens imóveis, se o alienante for casado, salvo se com separação absoluta de bens, ela precisará da anuência do cônjuge. 
Isso serve para mostrar a consequência de a lei considerar a herança, que existe dentro do período que vai desde a morte da pessoa até a partilha/divisão dos bens, nesse período os bens do morto não são analisados de forma individualizada; a herança é um bem imóvel, indivisível e uma universalidade de direitos. 
Um advogado que trabalha com sucessões costuma ouvir muito por parte do seu cliente a frase “comprei uma casa de herança”. Isso é perigoso, pode ter sido uma furada. 
Exemplo: Pedro é um picareta, um estelionatário. O pai, João, morreu e ele quer tirar vantagem. Ele encontra uma pessoa leiga, Cícero, e oferece a ele casa que pertencia a seu pai. Essa pessoa conhece Pedro, conheceu João, sabe que João morava ali e aceita comprar a casa, assina até um contrato no qual está escrito que “Pedro vende a Cicero os direitos que possui sobre o imóvel”. Ocorre que Pedro tem uma irmã, Maria, herdeira de João.
No contrato de compra e venda, quando duas pessoas são proprietárias do mesmo bem, quando são condôminas de um bem que não pode ser dividido, quando um quer vender esse bem ele precisa primeiro oferecer ao condômino, pois este tem direito de preferência.
Portanto, Pedro jamais poderia vender a casa sem oferecer o imóvel a sua irmã, Maria. Só que nesse caso tem um problema maior: Pedro não é dono da casa, ele é um condômino na sacola toda, na herança. Pedro até poderia vender sua parte na herança, mas ele primeiro, jamais poderia vender um objeto específico, que ele nem sabe se receberá na partilha e segundo, ele só poderia vender a parte dele na herança depois de oferecer a Maria.
Por isso que se diz que a herança é indivisível e é uma universalidade. Isso é um grande problema na prática porque as pessoas não se entendem. São bastante comuns ações de cobrança de condomínio em face de um espólio. Na audiência a pessoa diz que mora no imóvel, mas que não é a única proprietária, pois existem outros herdeiros e um herdeiro empurra para outro, no final ninguém aceita pagar e o imóvel vai a leilão. O imóvel é vendido a um valor muito inferior porque as pessoas não entendem que desde a morte até a partilha, todos os bens pertencem a todos e eles estão em condomínio, portanto, as despesas são rateadas, se o imóvel for alugado, o aluguel vai ser revertido ao espólio para depois ser dividido entre todos igualmente, enfim, as regras de condomínio são aplicadas na herança.
Parágrafo único do Art. 647 do novo CPC:
647.  Cumprido o disposto no art. 642, § 3o, o juiz facultará às partes que, no prazo comum de 15 (quinze) dias, formulem o pedido de quinhão e, em seguida, proferirá a decisão de deliberação da partilha, resolvendo os pedidos das partes e designando os bens que devam constituir quinhão de cada herdeiro e legatário.
Parágrafo único.  O juiz poderá, em decisão fundamentada, deferir antecipadamente a qualquer dos herdeiros o exercício dos direitos de usar e de fruir de determinado bem, com a condição de que, ao término do inventário, tal bem integre a cota desse herdeiro, cabendo a este, desde o deferimento, todos os ônus e bônus decorrentes do exercício daqueles direitos.
Esse artigo trouxe uma modificação nesse caráter de indivisibilidade da herança.
Às vezes as pessoas combinam informalmente, antes da partilha quem vai ficar com o que, para que no final do inventário cada um continue na casa em que já mora. Só que Às vezes a pessoa precisa regularizar a situação dela de usar e fruir do imóvel. Em nenhum momento o art. 647 diz que o juiz pode dar de antemão a propriedade do bem para um herdeiro específico; o que o artigo permite é que a pessoa pode usar e fruir de um bem específico desde que no final o bem fique com a pessoa e que a pessoa pague sozinha as contas daquela casa. Essa é uma exceção. 
Local de abertura do inventário:
Art. 48 do NOVO CPC
Art. 48.  O foro de domicílio do autor da herança, no Brasil, é o competente para o inventário, a partilha, a arrecadação, o cumprimento de disposições de última vontade, a impugnação ou anulação de partilha extrajudicial e para todas as ações em que o espólio for réu, ainda que o óbito tenha ocorrido no estrangeiro.
Aqui temos mais uma importância de se saber a data do óbito. É necessário saber onde o morto morava no dia do seu óbito, saber seu domicílio.
Suponha que o sujeito morava no Grajaú e no dia da sua morte havia se mudado para Campo Grande; eu preciso saber a data do óbito, pois isso indiretamente mostra o último domicilio dele antes de morrer e esse local indica a competência para a sucessão, para abertura do inventário. Além disso, se alguém quiser ajuizar uma ação contra o espólio, vai ser ajuizada no foro do ultimo domicilio do morto. 
Se o morto não tinha domicílio certo, vamos supor que era um artista de circo. Qual é o foro competente para abertura do inventário? O artigo vai dizer que é preciso saber onde estavam os bens imóveis do morto. Se ele tem imóveis em mais de um local, vamos supor um apartamento no Rio e uma casa em Itaipava, então pode se abrir o imóvel tanto no Rio quanto em Itaipava. Se o morto não tinha imóvel nenhum o inciso III vai dizer:
Art. 48 do NCPC
(...)
Parágrafo único.  Se o autor da herança não possuía domicílio certo, é competente:
I - o foro de situação dos bens imóveis;
II - havendo bens imóveis em foros diferentes, qualquer destes;
III - não havendo bens imóveis, o foro do local de qualquer dos bens do espólio.
BENS INTRANSMISSIVEIS:
Os herdeiros só vão receber os bens transmissíveis. O que são bens intransmissíveis?
Exemplos:
Mandato
Com a morte do mandante quanto do mandatário, o mandato é extinto. Esse é um exemplo de direito que acaba com a morte. Não existe transmissão de mandato nem pelo mandante e nem pelo mandatário. A procuração que uma pessoa dá a um advogado não vale mais depois que ela morre. Cessa o mandato com a morte do mandante quanto do mandatário.
Dúvida do aluno: mas a procuração ainda tem aquele prazo de 10 dias... 
Sim. É uma ficção de que isso seria necessário para defender direitos, o que envolveria prescrição, decadência e etc. Acabando essa situação momentânea, o advogado não vai continuar peticionando nos autos como se nada tivesse acontecido. 
Direitos políticos
Direito a cargo público ou político também são intransmissíveis. Quando um candidato a um cargo político morre, ninguém vai receber o direito de assumir o cargo político sem ser eleito.
Se, porventura, ele fez o testamento dispondo da TOTALIDADE de seus bens, esse testamento terá de ser rompido se o testador não sabia da existência do filho. Aplicação do art. 1.973.
Aluna: e se ele sabia do filho e mesmo assim dispôs?
Professora: nesse caso, tem-se, na doutrina, 2 interpretações possíveis:
1ª) testamento será considerado rompido. Aplicação do art. 1.973. 
Inclusive, salvo engano, teve uma prova da OAB que caiu essa pergunta e a resposta foi: ruptura do testamento, aplicando o art. 1.973, CC.
2ª) Os autores que gostam muito do principio da conservação, dizem que é possível preservar o testamento simplesmente reduzindo-o à metade, pois seria válido em uma parte, e na outra parte (a que estaria invadindo a legítima) seria rompido. Seria uma ruptura parcial.
Apesar de ser tentadora (acho essa hipótese mais correta), ela esbarra em um problema prático: qual o herdeiro do testamento que não ficará com a herança para que se dê a metade dela para o filho que foi agora reconhecido? Haveria esse problema prático.
Por isso que a doutrina tradicional diz que não importa se ele foi obrigado a reconhecer o filho ou se nunca reconheceu o filho e foi o juiz que considerou como sendo filho, eu aplico sempre o art. 1.973.
Então, cuidado com o art. 1.973: Se o testador faz um testamento dispondo da totalidade dos seus bens, destinando-os a determinadas pessoas, e no momento em que ele fez o testamento ele não tinha descendentes ou desconhecia a existência de descendentes, o testamento é considerado rompido. Se o testamento deixa a metade dos bens, não se justifica o seu rompimento, porque isso demonstra que ele preservou a metade para quem sabe... Então, se ele fez testamento apenas da metade dos bens, não se justificaria a ruptura do testamento porque ele poderia fazer isso já que essa é a parte disponível.
Cuidado em provas de múltipla escolha é pra colocar exatamente o que está previsto. Não tem espaço para essa explicação. Foi o que fez a OAB. Pela aplicação literal dos arts. 1.973 e 1.975, a gente teria:
Art. 1.973 a pessoa faz um testamento, desconhece que tem descendentes ou tinha e ele não sabia, ou não tinha e veio a ter depois, o testamento será considerado rompido.
Art. 1.975 se eu faço um testamento dispondo apenas da metade dos bens, não contemplo herdeiros necessários nesse testamento, mas sei que existem herdeiros necessários, sei que eu tenho descendente, ascendente, cônjuge, mas fiz o testamento apenas da metade dos meus bens, esse testamento não tem problema algum, pois posso dispor da metade dos meus bens, não contemplando meus herdeiros necessários. Então, não há prejuízo a ninguém, logo esse testamento não será considerado rompido.
Eu pulei de propósito o art. 1.974, que traz uma outra causa de rompimento de testamento. Não acho que tenha tido necessidade de ter feito este artigo autônomo.
Art. 1.974. Rompe-se também o testamento feito na ignorância de existirem outros herdeiros necessários.
Quem são os herdeiros necessários que o CC reconhece?
Descendente, ascendente e cônjuge. Foi uma questão de técnica, pois o art. 1.973 diz que vai ser considerado rompido o testamento quando o testador o fez sem que ele tivesse descendente ou sem que os conhecesse. Essa é a exigência do art. 1.973 para os descendentes. 
Mas não há esta exigência para os ascendentes e cônjuge. Porque é mais difícil a ocorrência dessa situação. Você nasceu; e se você nasceu, você sabe que você teve um pai e uma mãe. Você pode não saber se eles estão vivos. Por isso que seria muito difícil para o legislador colocar tudo isso em um artigo só, então separou em 2 artigos.
Se o João fez um testamento deixando a totalidade dos seus bens e naquele momento não tinha filhos ou tinha ou não sabia, o testamento se rompe. Se uma pessoa não tem descendente, mas faz testamento dispondo sobre seus bens e depois venha a se descobrir que um dos seus ascendentes ainda estava vivo, morando na Austrália, tinha ido embora, pensou que tivesse morrido, por isso fez o testamento. Nesse caso também será considerado rompido o testamento.
Se uma pessoa tinha um cônjuge e esse cônjuge pensava que ele já tivesse morrido e ele, na verdade, não tinha morrido, e o João, que é a pessoa que tinha feito o testamento, faz um testamento dispondo sobre a totalidade dos seus bens, esse testamento também será considerado rompido. 
Pode parecer uma história louca, mas teve um caso famoso aqui no Rio que quase chegou a esse ponto. Foi daquele antropólogo Darcy Ribeiro. O Darcy ribeiro não teve descendente, não tinha filhos e ele tinha um cônjuge, mas estava separado de fato, salvo engano. Ele fez um testamento e, na época, o cônjuge não era herdeiro necessário, aí ele fez um testamento deixando seu único bem, que era um imóvel caríssimo na zona sul, para a sua esposa, mas a esposa morreu 1 mês ou 2 meses depois dele. Não teve tempo de fazer seu próprio testamento. Então, o Darcy Ribeiro morreu e o imóvel passou para a esposa, que teve uma filha, mas essa filha estava sumida no mundo. Ninguém sabia se ela estava viva ou morta. A última notícia dele era que tinha ido para os EUA. E esse imóvel caríssimo vai fazer parte do acervo do Município, porque não há herdeiros.
Então, a pessoa sabe que teve uma mãe e um pai só que às vezes acha que os pais estão mortos. E aí, como não tem filhos e acha que não tem mais pais, faz um testamento. Depois da morte se descobre que ele tinha ainda um pai vivo que estava morando na Austrália... 
Nesse caso, a lei presume, de forma absoluta, que se ele soubesse que tinha um ascendente, gostaria que seu bem fosse para o ascendente. É uma presunção muito chocante da lei, pois às vezes o pai foi um inútil na vida dele e aí ele nem faria questão que esse bem fosse para o pai e faz um testamento e a última vontade da pessoa acaba não sendo realizada, porque aparece do nada esse pai que tinha sumido do espaço.
Essa é a figura do rompimento do testamento. Rompimento não é um ato de vontade, é um ato de lei. É a lei que prevê dessa forma. 
Com isso terminamos as 3 hipóteses de um testamento que foi elaborado, mas que na verdade não terá eficácia: quando é inválido (quando for invalidado não será aplicado), um testamento que foi revogado (seja total ou parcialmente) e um testamento que a lei estabeleceu que fosse considerado rompido.
Aluna: a senhora falou da totalidade e da metade dos bens... (inaudível)
Professora: o que o art. 1.975 quis dizer era apenas o seguinte: não pense que será considerado rompido um testamento em que a pessoa tinha descendente, mas que dispôs apenas da metade, porque é direito da pessoa dispor de 50% dos bens. Se você faz um testamento dispondo de 50% dos bens e se descobre a existência de descendente, o testador sabia da existência deles, esse testamento não vai ser considerado rompido. Mas se o testamento foi feito abrangendo mais da metade dos bens ou a totalidade dos bens, aí a lei não faz distinção, dizendo que o testamento será rompido.
Testamento tem tanto detalhe que a gente acha que não vai ter importância na vida da gente, mas tem. Primeiro porque cai em prova, em concursos de prova objetiva, o examinador adora pegar a matéria de testamento porque é chata, cheia de detalhe... E também porque na verdade rico é que faz testamento. Pobre faz pouco. Se você quiser fazer prova pro Ministério Público, vai ter que saber testamento muito bem, pois o MP é obrigado a atuar em todas as ações que versem sobre cumprimento de testamento. Se você não pretende fazer concurso público, mas sim advogar, é extremamente bem remunerado, porque além dos honorários advocatícios, eles têm direito a um percentual sobre os bens envolvidos no inventário. Então, quanto mais bens o morto tinha, mais o advogado vai ganhar. É muito estranho, mas tem um percentual que normalmente eles cobram, que é de 10 a 15% do valor dos bens. Isso é uma taxa pra eles, está na tabela da OAB. Além disso, terá direito aos honorários, porque vai ter que participar de uma ação envolvendo o testamento, o inventário. Então, essa matéria dá dinheiro.
Aluno: em caso de morte presumida...
Professora: sem decretação de ausência ou com decretação de ausência? Com decretação de ausência, você terá que passar por aquele procedimento da parte geral do CC. Você vai fazer a primeira fase, que é a decretação da ausência propriamente dita... eu ajuízo uma ação, demonstro que a pessoa desapareceu, demonstro que a pessoa tem bens. Há a citação, procurando essa pessoa e, paralelamente, o juiz arrecada os bens do ausente. Depois, se ele não for encontrado, o juiz vai dar uma sentença, abrindo a sucessão provisória. Esses bens passarão para seus herdeiros, aí tem algumas restrições no Código sobre alguns herdeiros que não sejam necessários eles vão receber os bens desde que prestem caução, aí tem uma série de situações. Depois de passado o prazo que a lei estabelece para que seja declarada a sucessão definitiva, aí vai ser requerida ao juiz a abertura da sucessão definitiva e aí os bens passarão, independentemente de qualquer ônus para os herdeiros. 
As diferenças da questão sucessória na decretação de ausência é apenas o momento e forma de passagem desses bens. Então, primeiro tenho que procurar o ausente, arrecadar os bens dele para conservar esses bens até a sentença de abertura da sucessão provisória. Feita a abertura da sucessão provisória, eu aplico as regras do direito sucessório. Ou seja, quem são os herdeiros legítimos, se ele deixou testamento... mas, paralelamente, eu tenho algumas restrições no que tange à entrega fática do bem. Se eu deixei, por exemplo, um carro em testamento para um amigo e aí eu desapareci no mundo e houve a decretação da abertura da sucessão provisória, este amigo não é herdeiro necessário e no Código diz que para ele receber esse carro tem que dar uma caução. Então, talvez não seja interessante pra ele tomar posse desse bem. Aí vai depender do caso concreto. Mas o resto aplica a mesma coisa.
Aluna: e se a pessoa aparecer depois?
Professora: se ela aparece dentro do período entre a sucessão provisória e a sucessão definitiva, nada acontece, porque ele vai receber de volta os bens no estado em que eles se encontrarem. O único problema que pode aparecer é o que está previsto na lei na hipótese de a pessoa reaparecer depois...
Art. 37, CC. Dez anos depois de passada em julgado a sentença que concede a abertura da sucessão provisória, poderão os interessados requerer a sucessão definitiva e o levantamento das cauções prestadas.
Uma ação de decretação de ausência não leva, no poder judiciário hoje, menos de 10 anos de tramitação. Eu fiz uma hoje... o cara desapareceu em 2001; a sentença de abertura da sucessão provisória dele seria hoje, mas como ele desapareceu sem bens e era um usuário de drogas, o MP concordou em transformar em “morte morte” (morte presumida sem decretação de ausência). 
Eu tô dando isso como exemplo, pois a pessoa desapareceu em 2001 e teve todo um processo que foi aberto logo depois e só hoje, 14 anos depois, é que chegamos no primeiro momento, que seria o da abertura da sucessão provisória. Se hoje houvesse a abertura da sucessão provisória dele, ainda teríamos que aguardar mais 10 anos para que houvesse a abertura da sucessão definitiva. Então, esse indivíduo apareceu há pelo menos uns 20 anos.
Vejam o art. 39, CC:
Art. 39. Regressando o ausente nos dez anos seguintes à abertura da sucessão definitiva, ou algum de seus descendentes ou ascendentes, aquele ou estes haverão só os bens existentes no estado em que se acharem, os sub-rogados em seu lugar, ou o preço que os herdeiros e demais interessados houverem recebido pelos bens alienados depois daquele tempo.
Se a gente tomar por base que uma ação de decretação de ausência leva 10 anos pra chegar na primeira fase e mais 10 anos pra chegar na segunda fase, o Código estabelece que ele ainda pode aparecer 10 anos depois, ele, na verdade, pode reaparecer 30 anos depois de ter desaparecido, e, mesmo assim, 
Ex: o cara sumiu em 2001. Hoje, maio de 2016 estaria sendo aberta a sucessão provisória dele. Em 2026 seria a abertura da sucessão definitiva dele. Então ele teria até 2036 pra aparecer. Se ele reaparece de 2026 até 2036, recebe os bens que ainda existirem no patrimônio dele. Se algum bem tiver sido vendido ou substituído por outro, fica com esses bens que foram sub-rogados. Eu acho difícil uma pessoa reaparecer depois de tanto tempo, mas a lei assim permite.
Essa lei só tem um espaço em aberto: e se o herdeiro doou os bens dele? Ex: herdei do papai, mas resolvi doar para uma instituição de caridade. Este artigo 39, CC, não abrange essa situação. Só diz que serão recebidos os bens no estado em que se encontrarem, os sub-rogados em seu lugar e o preço recebido de eventual alienação. Se a pessoa deu o bem, a lei deixa em aberto e a lei deixando em aberto, vai depender da interpretação do juiz.
Eu acho que se a lei não estabelece neste caso a possibilidade dele reaver os bens, porque na verdade ingressou no patrimônio de outra pessoa, esses bens doados ele perde, não pode pegar.
Voltando ao testamento...
Já vimos a forma do testamento, seus requisitos de validades, quando é nulo, qual o prazo de nulidade, quando o testamento pode ser considerado rompido e agora vamos entrar em uma outra fase: entender um pouco algumas cláusulas testamentárias.
Uma grande pergunta que aparece todo hora em prova: João fez um testamento e deixou sua casa em Angra dos Reis para Pedro em um testamento. Então Pedro é herdeiro (ou legatário, não imporá, porque as regras são as mesmas). Mas João morreu em 2008 e o Pedro morreu em 2007. Os herdeiros do Pedro ficam animados pensando que, com a morte de João, por serem herdeiros de Pedro, e Pedro ser herdeiro testamentário de João, ficarão com os bens que João deixou pro pai deles. Mas não acontecerá isso, pois NÃO EXISTE DIREITO DE REPRESENTAÇÃO DE HERDEIRO TESTAMENTÁRIO NEM DE LEGATÁRIO.
E o que ocorre com o bem que o João tinha deixado para o Pedro (o que acontece quando um herdeiro testamentário ou legatário morre antes do testador)?
Depende!
Primeira coisa que eu tenho que saber: o testador nomeou substituto? Porque o João pode ter já feito essa previsão: “deixo minha casa de Angra para Pedro; se Pedro não puder herdar, o bem será deixado para Margarida”. O próprio testador já fez a previsão, instituindo uma pessoa como herdeiro ou legatário, mas e se ele morreu antes de mim, o que vai acontecer? Então, já elege um substituto?
Se ele não eleger um substituto vamos passar para outras perguntas, que vamos estudar depois: existiu mais de uma pessoa designada junto com Pedro a herdar esse bem? Pois é possível ele ter dito o seguinte: “deixo minha casa de Angra para Pedro, Maria e José”. Então, ele instituiu 3 pessoas.
São opções que se abrem a uma pessoa que está fazendo o testamento:
1) nomear um substituto para receber o bem caso a pessoa designada venha a morrer;
2) ter deixado o bem para mais de um herdeiro;
Veremos em que situações ocorrerá o “direito de acrescer”
Então, primeira coisa que temos que ver é: há substituto nomeado? Se não há, pergunta-se: houve mais de uma pessoa agraciada com o mesmo bem ou a mesma porção de bens? Se resposta for sim, eu estou dando a casa não só para uma pessoa, mas “para, por ex, Pedro, Maria e José. Nesse caso, não estabeleci substituto (ex: “deixo minha casa para Pedro, Maria e José. Se um deles morrer, deixo para Filomena”) tenho que analisar uma segunda pergunta: o testador deixou o mesmo bem para mais de uma pessoa? se sim, existe ali a hipótese do direito de acrescer, ou seja, de um dos herdeiros nomeados receber a parte do outro? Isso é uma outra pergunta que a gente vai ver depois em que situações acontece direito de acrescer.
Se não há nenhuma das duas situações, não houve designação de substituto, não há nenhuma situação no testamento que permita se aplicar as regrinhas do direito de acrescer. Então, esse bem será deixado para os herdeiros, serão herdados pelos herdeiros legítimos (art. 1.829,CC).
Art. 1.829. A sucessão legítima defere-se na ordem seguinte:
I - aos descendentes, em concorrência
com o cônjuge sobrevivente, salvo se casado este com o falecido no regime da comunhão universal, ou no da separação obrigatória de bens (art. 1.640, parágrafo único); ou se, no regime da comunhão parcial, o autor da herança não houver deixado bens particulares;
II - aos ascendentes, em concorrência com o cônjuge;
III - ao cônjuge sobrevivente;
IV - aos colaterais.
Ex: João tinha 2 filhos (Maria e Carlos). Só que o João fez um testamento deixando a casa dele de Angra. Ele respeitou a legítima dos filhos, mas pegou essa casa de Angra e deixou para Filomena, uma amiga de infância. Só que a Filomena morreu em 2007 e o João morreu em 2008. Pergunta-se: o que a gente faz com essa casa de Angra?
Primeira coisa: ver se João designou alguém em substituição à Filomena? Se designou, vai pra essa pessoa. Se não designou, nem existe direito de acrescer, pois o direito de acrescer poderia ser perquirido se o João tivesse deixado a casa pra Filomena e mais outras pessoas, o que não é o caso. Então, a casa de Angra vai voltar para ser distribuída para os herdeiros legítimos de João. A regra é essa.
Aluno: se a Filomena tiver deixado um cônjuge?
Professora: Irrelevante. Para herdar em testamento, a pessoa tem que estar viva no momento da morte do testador. Se a pessoa não está viva, acabou. Não tem direito de representação, não tem meação... não existe meação de bem que ainda não ingressou no patrimônio dela. Esse bem só iria ingressar no patrimônio da Filomena se ela tivesse sobrevivido a João. 
Ex: O Joao morreu e, ao saber da morte de João, Filomena morre. A Filomena estava viva no momento da abertura da sucessão. Aí sim a Filomena herda e transmite o direito dela. Agora, se a Filomena morreu 1 minuto antes de João, não teve direito à herança.
E ainda pode ser pior. Lembram-se da figura da comoriência? Quando morrem os dois conjuntamente? Imaginem que João e Filomena estavam viajando para Cabo Frio no mesmo carro. O carro bate e os dois morrem. Não há como saber quem morreu primeiro. 
Qual a solução que o direito brasileiro aplica? Se 2 pessoas morreram e eu não sei quem morreu primeiro, eu aplico a figura da comoriência, cuja consequência é que não há direitos sucessórios entre os comorientes. Então, Filomena nada herda de João. 
Então, não existe direito de representação, não existe meação de herança antes de sua... a gente só pode falar em direito à herança, quando o dono do bem morre. Assim, só posso falar no direito de Filomena herdar no momento em que João morrer. Se o João morreu e Filomena sobreviveu a ele 1 minuto que seja, aí Filomena herda e passa para seus herdeiros. Agora se Filomena morre antes de João ou é comoriente com ele, a consequência é que Filomena não herda nada e, se não herda nada, não passa nada pra ninguém.
Mas as coisas não são tão simples assim. 
Quero introduzir para que vocês entendam o que significa a figura da SUBSTITUIÇÃO EM TESTAMENTO.
O substituto no testamento é aquela pessoa que foi mencionada no testamento como sendo aquela que iria receber a herança se o herdeiro realmente instituído em “primeiro lugar”, o herdeiro ou legatário não possa receber.]
Quando é que uma pessoa não pode receber uma herança em caso de testamento? Quando ela for pré-morta (quando ela morrer antes do autor da herança), indigna ou renunciar à herança. A doutrina abrange a figura da renúncia, que é quando a pessoa não quer receber a herança. 
Art. 1.947. O testador pode substituir outra pessoa ao herdeiro ou ao legatário nomeado, para o caso de um ou outro não querer ou não poder aceitar a herança ou o legado, presumindo-se que a substituição foi determinada para as duas alternativas, ainda que o testador só a uma se refira.
Quando o art. 1947 do CC/02 diz “não querer” está se referindo à renúncia. Já quando fala em “não poder” refere-se aos casos de comoriência, pré-morte e indignidade (a indignidade é estabelecida por lei).
O legislador não quis deixar a possibilidade de livre interpretação das cláusulas testamentárias. Então, em alguns casos, o próprio legislador vai trazer algumas interpretações. 
Uma delas é que se o testador, ao fazer a indicação de um substituto, dispuser assim: “Deixo a minha casa de Angra para Filomena. Se a Filomena não puder receber o legado, a casa ficará para Penélope”. Mas e se Filomena estava viva, não era indigna, mas não quis receber a herança? Vale essa substituição? Vale.
 E se for disposto assim: “Deixo a minha casa de Angra para Filomena. Se a Filomena não quiser o legado, a casa ficará para Penélope”. Nesse exemplo, apesar de o testador mencionar apenas “se ela não quiser”, presume-se o “se ela não puder” também, por força do disposto na parte final do art. 1.947 do CC/02.
Então, não importam as palavras que o testador usou. Se ele disse apenas “não puder” ou “não quiser”, a substituição será aplicada tanto na primeira quanto na segunda hipótese. O ideal seria se o testador dispusesse assim: “Se Filomena não puder ou não quiser receber a herança, a casa ficará para Penélope”. Mas caso ele não faça assim, ainda que mencione apenas uma das hipóteses, a substituição será aplicada quando da ocorrência de uma (“não quiser”) ou da outra hipótese (“não puder”).
Em síntese, se for estabelecido um substituto, ele irá valer tanto para hipóteses de impossibilidade quanto para a hipótese de renúncia.
- HIPÓTESES DE SUBSTITUIÇÃO
A lei estabelece várias hipóteses de substituição. 
I.	 SUBSTITUIÇÃO VULGAR 
Quando vamos fazer um testamento, somos livres para deixarmos nossos bens para quem quisermos. Podemos deixar uma casa para uma, duas, três pessoas, ou seja, para quantas pessoas e para quem desejarmos, assim como podemos nomear na substituição várias pessoas.
Portanto, quando uma pessoa realiza um testamento e ela deixa uma porção de bens para uma pessoa (está instituindo essa pessoa como herdeiro testamentário) ou deixa um bem específico para uma pessoa (está nomeando como legatária). No testamento, eu já posso estabelecer o substituto. 
ESPÉCIES: (a professora não vai cobrar as expressões em latim)
a)	singuli singulis: 1 pessoa nomeada como herdeira e 1 pessoa nomeada como substituta. Ex.: Deixo para José a casa. Nomeio Pedro em substituição.
b)	unis in locum plurium: designação de 1 substituto no lugar de vários herdeiros/legatários originariamente designados. Ex.: Deixo para Pedro, Maria e José. Na falta de algum deles ou todos, nomeio Carlos.
c)	pluris in locum unium: nomeação de vários substitutos em lugar de 1 herdeiro/legatário originariamente designado. Ex.: Deixo para Filomena. Na falta dela, deixo para Mário, Carlos e Pedro. 
Obs.: Se o testador faz isso, haverá um problema. Eu deixo para Filomena, mas ela morre dois dias antes do autor da herança. Para quem a parte da Filomena vai? Existem duas interpretações: a parte da Filomena deverá ser distribuída entre Mário, Carlos e Pedro ou a parte da Filomena passará para Mário e, se Mário não quiser/puder, a parte do Mário passará para Carlos e, se Carlos não quiser/puder, a parte do Carlos passará para Pedro.
Então, a designação será simultânea (quando a parte da Filomena for distribuída entre Mário, Carlos e Pedro) ou sucessiva (quando a parte da Filomena passar para Mário e, se Mário não quiser/puder, a parte do Mário passar para Carlos e, se Carlos não quiser/puder, a parte do Carlos passar para Pedro). É uma questão de interpretação que vai depender da forma como o testamento está escrito. 
d)	pluris in locum plurium (originariamente tinha designado mais de um herdeiro e em substituição também nomeia mais de uma pessoa) Ex.: Deixei para João, Maria e José. Na falta de todos ou de algum deles deixo para Carlos, Otávio e Belina.
Obs.: Também vai gerar a dúvida se o rateio é simultâneo ou sucessivo. É aconselhável que a intenção do testador fique clara no testamento, indicando se será simultâneo ou sucessivo.
e)	recíproca: estabelece várias indivíduos como herdeiros/legatários, mas com cotas desiguais, e os institui substitutos recíprocos. 
Se os quinhões foram estabelecidos desigualmente,
na hora de pegar o quinhão do substituído e dividir entre os que sobraram, a divisão deverá ser feita proporcionalmente ao que foi estabelecido, conforme art. 1950, 1ª parte, do CC/02:
Art. 1.950. Se, entre muitos co-herdeiros ou legatários de partes desiguais, for estabelecida substituição recíproca, a proporção dos quinhões fixada na primeira disposição entender-se-á mantida na segunda; se, com as outras anteriormente nomeadas, for incluída mais alguma pessoa na substituição, o quinhão vago pertencerá em partes iguais aos substitutos.
Nesse sentido, se uma pessoa deixou um bem ou uma porção de bens para mais de uma pessoa e instituiu cotas desiguais entre esses coerdeiros ou colegatários e os instituiu substitutos recíprocos (se substituem entre si), se um deles não quiser ou não puder receber a herança ou o legado, a quota desse substituído será dividida entre os outros respeitando os quinhões designados. Logo, quem foi originariamente instituído com mais, fica com mais da quota do outro, e quem foi originariamente instituído com menos, ficará com menos. 
Ex.: Deixo a minha casa para Pedro (50%), Maria (20%), José (20%) e Jonas (10%) que se substituirão reciprocamente. Se o Pedro morrer antes de mim, a parte de Pedro será destinada a Maria, José e Jonas. Como será divida a parte de Pedro? Será dividida igualmente entre eles (1/3 para cada um) ou a Maria e o José vão receber mais que o Jonas? A lei diz que a cota do substituído vai ser distribuída entre os substitutos na proporção do que foi atribuído a eles. 
Outro exemplo: Deixo a minha casa para Pedro (50%), Maria (20%), José (20%) e Jonas (10%). Maria morre antes de mim, eu tenho que redistribuir a quota da Maria entre Pedro, José e Jonas porque eles foram nomeados substitutos recíprocos. Metade dos 20% de Maria será de Pedro e a outra metade será divido entre José (que vai ficar com uma parte maior) e Jonas (que vai ficar com uma parte menor).
Quanto à segunda parte do artigo. Exemplo: Deixo a minha casa para Pedro (50%), Maria (20%), José (20%) e Jonas (10%) que se substituirão reciprocamente juntamente com Eliane. A Eliane não era originariamente herdeira, ela só vai entrar se algum desses originariamente nomeados não puderem ou não quiserem aceitar a herança. 
Mas qual é a diferença de inclusão como substituto de uma pessoa que não estava originariamente designada como primeira opção de herdeira? Não vai ser respeitada a distribuição proporcional. A cota do substituído será divida entre os substitutos igualmente.
Art. 1.950. Se, entre muitos co-herdeiros ou legatários de partes desiguais, for estabelecida substituição recíproca, a proporção dos quinhões fixada na primeira disposição entender-se-á mantida na segunda; se, com as outras anteriormente nomeadas, for incluída mais alguma pessoa na substituição, o quinhão vago pertencerá em partes iguais aos substitutos.
Portanto, se não há estranho como substituto, vai ser distribuído proporcionalmente ao que foi estabelecido no quinhão originariamente estabelecido. Mas se houver a inclusão de estranho na substituição, a divisão será feita igualmente entre os substitutos.
II.	SUBSTITUIÇÃO FIDEICOMISSÁRIA
Para a professora e alguns doutrinadores, a substituição fideicomissária não é uma substituição. Mas a lei dispõe que é sim uma hipótese de substituição.
Na substituição fideicomissária eu deixo um mesmo bem para uma pessoa e eu estabeleço um momento em que esse bem deixará de ser dessa pessoa e irá para outra pessoa.
AULA 13/06
Na aula passada vimos a substituição vulgar, que para alguns autores é a única prevista no código civil. Vimos que a substituição tem como finalidade o testador informar quem que ele quer que fique com a herança ou legado para uma pessoa caso ela venha a morrer (antes do testador), ser considerada indigna ou renunciar a herança. Vimos que pode ser nomeada uma pessoa e nomear várias outras em substituição. Essa é a substituição vulgar. 
Vimos que não existe direito de representação na sucessão testamentária. No testamento, o testador pode designar quais as pessoas ele que irão substituir o herdeiro ou legatário designado. 
Quando o herdeiro testamentário ou legatário morre antes do testador, é necessário fazer algumas perguntas: ele deixou substituto? Se ele deixou substituto já escrito no testamento, a parte de quem morreu irá para o substituto. A segunda pergunta que a gente vai ver depois é: existe direito de acrescer? Se não existir uma coisa nem outra, os herdeiros legítimos é que ficarão com aqueles bens que o testador tinha nomeado para a pessoa que não pode herdar. 
Vamos dar continuidade a sucessão testamentária. 
SUBSTITITUIÇÃO FIDEICOMISSÁRIA
Essa figura jurídica de nome super esquisito eu nunca vi na prática. Essa substituição fideicomissária vocês vão ver depois que eu explicar, que não parece bem uma substituição, mas sim uma forma do testador agradar mais de uma pessoa. Vocês não vão escrever assim na prova, é só para entender, mas acontece que o testador está indeciso. 
Na substituição fideicomissária uma pessoa deixa um bem ou uma porção de bens para uma determinada pessoa, mas estabelece que após um determinado prazo ou ocorrendo uma determinada condição, esse herdeiro ou legatário vai ter que entregar esse bem para outra pessoa. 
Aquele que deixa o bem e fez o testamento se chama fideicomitente. O fideicomitente é o testador. Fide significa confiança. Assim como fiança significa confiança. Fidúcia vem dessa ideia. A sucessão fideicomissária também é um instituto jurídico ligado à confiança. Imaginemos que eu escreva no testamento o seguinte: “deixo minha casa de Itaipava para meu amigo Pedro, no entanto, se José, meu amigo, conseguir terminar a faculdade de medicina até os seus 50 anos, Pedro terá que entregar a casa para José”. 
Atenção: Esse é o instituto originário, porque era assim que estava no CC/1916. Já o CC/02 restringiu essa figura esquisita porque ela poderia criar problemas. 
Eu tenho uma pessoa que tem determinados bens e os deixa para outra pessoa, mas coloca uma condição ou termo que caso aconteça, o fiduciário terá que entregar esses bens para o fideicomissário.
Em direitos reais vimos que o fiduciário é o indivíduo que vai receber os bens de início, mas terá que repassá-los a outro caso uma condição ou termo aconteça. Em direito de família vocês estudaram que os bens gravados com fideicomisso não entram na comunhão. Se a pessoa recebeu um bem por sucessão fideicomissária, esse bem não vai integrar a meação, o cônjuge não terá direito sobre ele. 
Em direitos reais também se estuda a propriedade resolúvel, que é a propriedade que pode vir a acabar. Por exemplo: no contrato de compra e venda pode existir a cláusula de retrovenda, em que eu vendo uma casa, mas estabeleço que, por exemplo, que se após 2 anos eu conseguir recuperar meu dinheiro, tudo aquilo que a pessoa tenha gasto no imóvel (despesas e benfeitorias) eu recompenso esse valor e tomo a propriedade de volta. Quem compra esse imóvel com a cláusula sabe que depois de um período ele terá que devolver a propriedade. Esse comprador sabe que ele tem uma propriedade que pode acabar mediante a ocorrência de uma condição. 
Aqui eu estou dando outro exemplo de propriedade resolúvel, que é a do fiduciário. Enquanto o fiduciário está com o bem esperando para entrando para entregar ao fideicomissário, ele tem a propriedade do bem, mas uma propriedade resolúvel. No exemplo que eu dei, enquanto José não tiver terminado a faculdade de medicina até seus 50 anos, o fiduciuário é proprietário do bem, mas tem uma propriedade resolúvel, ou seja, pode acabar.
O fideicomissário completou 50 anos e não conseguiu sequer passar no vestibular de medicina então caducou o fideicomisso, torna-se sem efeito e o fiduciário é agora proprietário pleno desse bem que foi deixado em testamento para ele, porém com fideicomisso. Então eu tenho que confiar na pessoa para deixar esse bem para ele com condições.
Aluna: e imposto pela transferência? Porque nesse caso teve transferência de propriedade...
Nesse caso vão ser dois impostos. Quando o fiduciário recebeu a propriedade houve o pagamento do imposto ao estado, o ITCMD...e quando houve a transferência também...a propriedade deixou de ser de uma pessoa e passou para outra, então quando há a transferência de propriedade, no meu entendimento, há fato gerador. 
Aluna: mas e se resolver e voltar a propriedade...?
Aí você está falando do contrato de compra e venda (com cláusula de retrovenda). Nesse caso também. Existe uma discussão em contratos se na verdade não está havendo compra e venda...ok, só que a Fazenda Municipal vai dizer que mesmo que não seja compra e venda, houve transferência, então tem que pagar (o ITBI). 
No exemplo que eu dei há uma condição, José completar a faculdade de medicina antes dos 50, mas nada impede que eu coloque um termo, por exemplo, deixar a casa com Pedro e após 20 ele terá que entregar a casa para José. Nesse exemplo está empregado o fideicomisso mas se utilizando de um termo.
Atualização do instituto
No CC/02 foi inserido um paragrafo único ao artigo que trata de fideicomisso. E esse parágrafo único limita a ocorrência do fideicomisso que só vai ser possível em um caso: se o fideicomissário for prole eventual. O exemplo que eu dei do Pedro e José acontecia só no código anterior. O CC atual limitou essa incidência agora só acontece da seguinte forma “Deixo minha casa a José, mas ele terá que transferir esse imóvel à prole eventual da minha amiga Maria”. 
Prole eventual são os filhos que uma pessoa pode vir a ter. Discutia-se antigamente se se adequaria para filho adotivo e hoje já é entendido que sim, de acordo com a Constituição Federal de 1988. 
Pelo CC/02 o fideicomissário não pode ser alguém que já nasceu. Só pode ser a prole eventual. Então eu coloco lá “deixo minha casa para Pedro, mas se 20 anos depois Maria tiver um filho, a casa deve ser entregue para esse filho”. Esse tempo que eu coloquei de 20 anos sou eu que estou dizendo. Mas existe uma controvérsia aqui. Quando nós estudamos a sucessão testamentária eu mostrei o art. 1.800, § 4º:
Art. 1.800. No caso do inciso I do artigo antecedente, os bens da herança serão confiados, após a liquidação ou partilha, a curador nomeado pelo juiz.
§ 4o Se, decorridos dois anos após a abertura da sucessão, não for concebido o herdeiro esperado, os bens reservados, salvo disposição em contrário do testador, caberão aos herdeiros legítimos.
Muitos aplicam esse dispositivo para dizer, e isso é uma questão controvertida, que ao deixar um bem fideicomisso, na forma da lei, deve ser seguido esse prazo de dois anos. A pessoa morre, entrega-se o bem para o fiduciário e espera dois anos para ver se aparece essa prole eventual, ou seja, naquele caso, Maria teria que ter filho em 2 anos. Se a prole eventual não nascer, a propriedade fica com o fiduciário. Esse é o entendimento da doutrina majoritária. Então quando abre o testamento, o bem fica em fideicomisso por dois anos esperando a prole eventual. 
Se eu fosse Maria, e não conseguisse engravidar, eu adotaria um filho. Dependendo do valor desse bem, valeria a pena. 
Uma parte da doutrina defende que no testamento o testador pode estabelecer um prazo para que se aguarde a prole eventual. Essa segunda corrente é minoritária. “Deixo minha casa de Itaipava para o meu amigo Pedro em fideicomisso devendo ele transferir a propriedade para a prole eventual de Maria que nascer nos 10 anos seguintes a minha morte”. Pela posição minoritária o testamento pode indicar um prazo maior que o do art. 1.800, §4º. 
O CC atual restringiu aquela situação ampla do CC anterior que e falava apenas em um termo ou condição. Agora só se permite que o fideicomissário seja a prole eventual de alguém, ou seja, o fideicomissário ainda não nasceu na época da realização do testamento. Mas o que aconteceria se quando o testador morreu a prole já tinha nascido? Vamos ver daqui a pouco. 
O fideicomisso está no CC/02 do art. 1.951 a 1.960. 
Observem como o legislador é esquisito. Se você ler o art. 1.951 sem ler o artigo seguinte fica pensado que o testador pode escolher qualquer pessoa, inclusive já viva, como era antigamente, mas não vai poder pelo art. 1.952. 
Art. 1.951. Pode o testador instituir herdeiros ou legatários, estabelecendo que, por ocasião de sua morte, a herança ou o legado se transmita ao fiduciário, resolvendo-se o direito deste, por sua morte, a certo tempo ou sob certa condição, em favor de outrem, que se qualifica de fideicomissário.
Art. 1.952. A substituição fideicomissária somente se permite em favor dos não concebidos ao tempo da morte do testador.
Parágrafo único. Se, ao tempo da morte do testador, já houver nascido o fideicomissário, adquirirá este a propriedade dos bens fideicometidos, convertendo-se em usufruto o direito do fiduciário.
Quando ele fez o testamento, a pessoa não tinha nascido, mas aí ela nasce antes dele morrer. Como fica?
Maria fez um testamento deixando a casa para Pedro estabelecendo que Pedro devesse passar a casa para a prole de Margarida, um ano após sua morte. 
Nesse caso, a prole eventual de Margarida não havia surgido, ela nem estava grávida, nem adotou ninguém, não tinha filhos. Entre o momento que foi feito o testamento e que o testador morre, nasce a criança nomeada no testamento como fideicomissário. O fideicomissário vai receber esses bens pelo art. 1.952, parágrafo único.
“...convertendo-se em usufruto o direito do fiduciário.”
Na figura do usufruto eu sou dona de uma casa, sou proprietária, mas eu tenho uma prima que não tem onde morar. Eu chamo a prima para morar comigo e a coloco como usufrutuária da minha casa. Eu continuo proprietária, mas é uma nua-propriedade, porque eu passei para minha prima as duas melhores faculdades de ser dona: usar e fruir. 
Se o testador faz um testamento estabelecendo fideicomisso dizendo que deixa seu bem para determinada pessoa, mas depois de determinado tempo deverá passar para a prole de outra pessoa e esse fideicomissário nasce antes dele (testador) morrer, o fiduciário fica sendo o usufrutuário desse bem. A nua-propriedade passa para o fideicomissário. Mas quando é que esse fideicomissário vai passar a ser proprietário pleno? Tem que ler o testamento. Era após dois anos? Três anos? O que foi escrito lá? O fiduciário fica com o usufruto do bem dentro daquelas circunstancias estabelecidas no testamento e o fideicomissário com a nua-propriedade. 
RETOMANDO: Fidúcia é confiança. Substituição fideicomissária é um instituto do direito das secessões. É uma sucessão testamentária em que a pessoa ao realizar o testamento deixa determinado bem para alguém estabelecendo termo ou condição para que este bem seja transferido para outra que é chamado de fideicomissário. No CC/02 eu só posso fazer o fideicomisso quando o fideicomissário for alguém ainda não nascido, a prole eventual. Se nasce essa prole antes da morte do testador, como consequência o fiduciário fica com o usufruto do bem nas circunstancias estabelecidas no testamento e o fideicomissário com a nua-propriedade. Ocorrendo a circunstancia estabelecida no testamento ou após o termo estabelecido, 1 ano, 2 anos, que seja, aí o fiduciário perde o usufruto e o fideicomissário enfim recebe a propriedade plena desse bem. 
FIDEICOMISSO SUCESSIVO
Esse instituto está proibido no nosso ordenamento jurídico pelo art. 1.959. 
Art. 1.959. São nulos os fideicomissos além do segundo grau.
O fideicomisso sucessivo ou em segundo grau é quando a pessoa no testamento cria fideicomissos em sequencia. Exemplo: “Deixo minha casa de Itaipava para José, sendo que ele terá que transferir a propriedade para a prole eventual de Maria que nascer até um ano após minha morte; depois, a prole eventual de Maria passará os bens para a prole eventual da minha amiga Catarina.”. Aqui tem fideicomissos sucessivos. É proibido no direito brasileiro porque os anos vão se passando e ninguém ficaria com a propriedade plena. 
Em regra, pelo CC/02, quem tem a propriedade resolúvel pode vender a propriedade. Mas vai vender o que ele tem, isto é, a propriedade resolúvel.
Não caiam nessa pegadinha de quem não tem propriedade plena não pode vender. Em tese, quem comprar essa propriedade resolúvel tem que saber que vai ter que, futuramente, passar a propriedade para o fideicomissário. 
FIDEICOMISSO RESIDUAL
No fideicomisso existe uma discussão jurídica se o fiduciário pode usar o bem, vender o bem e depois entregar ao fideicomissário só o que sobrar. Isso é chamado pela doutrina de fideicomisso residual. 
Essa situação é facilmente visualizada quando se deixa dinheiro em testamento. Deixo para Pedro R$ 1 milhão de reais e esse dinheiro deverá ser passado para a prole de Margarida que nascer um ano após a minha morte. Pedro pode torrar esse dinheiro? Aí vocês se perguntam, de que adianta Pedro receber esse dinheiro se não pode gastar? Adianta que os frutos serão dele. Os juros, por exemplo, são dele, mas ele pode torrar 1 milhão de reais? Esse é o chamado fideicomisso residual.
O fideicomisso residual é discutido na doutrina se pode ou não acontecer. Se o testador pode autorizar o fiduciário Pedro a gastar o dinheiro e passar para a prole de Margarida aquilo que sobrar. Isso não é vedado no nosso ordenamento jurídico, mas é estranho, porque o filho da Margarida possivelmente herdará zero.
FIDEICOMISSO COMPENDIOSO
Não é proibido no nosso ordenamento. É uma mistura que a gente está estudando e da figura da aula passada. 
Deixo minha casa de Itaipava para o meu amigo José. Se Margarida tiver filho em um ano depois da minha morte, José terá que transferir o imóvel para o filho de Margarida. Se José não puder fazer isso porque também morreu nesse período ou não quiser aceitar ou for declarado indigno, eu nomeio em seu lugar Sinfrônio. 
Então aqui estão reunidas duas espécies diferentes de substituições na mesma figura jurídica. Então o testador já prevê uma solução caso o fiduciário não queira ou não possa ficar com herança, daí já nomeia alguém para assumir a substituição. 
O art.1.955, parte final dá ideia dessa figura jurídica. 
Art. 1.955. O fideicomissário pode renunciar a herança ou o legado, e, neste caso, o fideicomisso caduca, deixando de ser resolúvel a propriedade do fiduciário, se não houver disposição contrária do testador.
O que é disposição contrária? Eu posso estabelecer qualquer outra coisa, inclusive nomear um substituto. Essa parte final então dá a entender que o testador pode fazer como quiser. 
Morte do fiduciário
O que acontece se o fiduciário morre? Se a morte do fiduciário acontece após a do testador, o que acontece com o bem? Eu passo para os herdeiros do fiduciário.
João fez um testamento nomeando Pedro, que é o fiduciário e tem dois filhos. A prole de Margarida é fideicomissária. João morre em janeiro de 2008 e deixa o imóvel para Pedro, que é proprietário resolúvel. Quando chega em setembro de 2008, Pedro falece. 
Aqui você tem que analisar se existe um prazo para o fideicomisso, quanto tempo que o fiduciário tem que aguardar até a prole nascer e transferir a propriedade. Estamos trabalhando a hipótese de o fiduciário morrer antes desse prazo. Quando eu tenho a morte do fiduciário envolvido em um fideicomisso com prazo, esses bens passam para os herdeiros de Pedro. Só que Pedro vai passar para esses herdeiros o que ele tem, propriedade resolúvel. 
Os herdeiros de Pedro vão ficar com o bem enquanto Margarida não tiver filho ou ainda se ela morrer ou não tiver filho nem adote ninguém e o prazo acabar. Se Margarida tiver a prole, os herdeiros passam o bem para ela. 
Aluno: e se Pedro não tiver nenhum herdeiro?
Aí é um problema. 
Lembram-se do que a gente aprende em direito civil que não existe bem sem titular? Isso é uma mentira e dá pra perceber aqui nesse caso. Outra situação é quando eu faço um testamento e não boto nada de fideicomisso, mas escrevo: “deixo minha cada de Angra para os filhos de Margarida, a prole eventual dela.”. Eu morro e Margarida não tem filhos. O art. 1.800 vai dizer que os bens passarão para um administrador que ficará os bens até se verificar se houve ou não o nascimento. A lei não fala que esse administrador terá a propriedade, só diz que ele administrará. É uma lacuna jurídica, os doutrinadores reclamam. O mesmo problema vai ser quando o fiduciário morre sem deixar herdeiro. Se ele não tiver ninguém, pela lei vai ser nomeado um administrador. Normalmente quem é nomeado administrador é a pessoa que vai ter a prole. Se Pedro morreu sem nenhum herdeiro a solução seria deixar os bens com Margarida, na qualidade de administradora aguardando ter um filho dentro do prazo previsto pelo testador.
Nessa situação temos prazo. Agora vamos imaginar um fideicomisso sem prazo. O testador não disse o prazo que o fiduciário ficaria com o bem ou qual o tempo que teria até nascer a prole. Ou ainda fosse seguida a corrente minoritária e o testador estipulasse o prazo de 10 anos; após 10 anos o fiduciário terá que passar a propriedade. Para parte da doutrina isso é possível. 
Para o fiduciário em um fideicomisso que não tem prazo existe uma divergência na doutrina. Alguns entendem que a herança caduca e outros dizem que devem ser esperados ainda os dois anos para ver se a criança nasce. A gente retorna naquele problema: o que fazer com esses bens durante esses dois anos. Se o Pedro tiver herdeiros, a solução razoável seria passar para os herdeiros de Pedro esperando os 2 anos para passar para a prole. Se Pedro não tem ninguém eu vou deixar os bens sobre a administração de Margarida durante dois anos até que ela venha a ter a prole. Esse prazo de dois anos deve-se a aplicação subsidiária do art. 1.800, §4º.
Isso é de raríssima aplicação. Na prática eu nunca vi, mas nada impede que isso venha a acontecer principalmente com quem tem muito dinheiro. 
Se o testador morre, passa os bens para o fiduciário (Pedro) e Margarida morre? Se Margarida morre se consolida a propriedade de Pedro. Se ela morreu sem ter filho, acabou o fideicomisso. E se Pedro matou Margarida? Na parte geral do Código tem um artigo sobre disposições do negócio jurídico. 
Art. 129. Reputa-se verificada, quanto aos efeitos jurídicos, a condição cujo implemento for maliciosamente obstado pela parte a quem desfavorecer, considerando-se, ao contrário, não verificada a condição maliciosamente levada a efeito por aquele a quem aproveita o seu implemento.
Esse artigo pode ser aplicado por analogia nesse caso. Se Pedro mata Margarida, a consequência tem que ser ele perder a propriedade do bem como se a condição tivesse acontecido. O grande problema é que como não há prole de Margarida, esse bem terá que ser retornado para os herdeiros legítimos porque em tese caducou a herança. 
Pelo principio da boa fé eu não posso permitir que uma pessoa que cometeu um ato repugnante possa se beneficiar da sua conduta. Como uma punição a Pedro, os bens ficarão com os herdeiros legítimos de João. Só que se João não tiver herdeiros vai valer a lei dos mais espertos e quem estiver com o imóvel vai usucapir. Inclusive Pedro pode usucapir porque usucapião é forma originária de aquisição da propriedade. 
Na aula passada eu falei que se um testador nomeou uma pessoa como herdeira ou legatária e esse herdeiro ou legatário morre eu tenho várias perguntas para saber para quem vão os bens que estão em testamento. 
Deixo a minha casa para Pedro. E se Pedro morre antes de receber o testamento? Não pensem que os filhos de Pedro recebem por direito de representação. A primeira pergunta: tem substituto? A segunda : existe direito de acrescer?
Direito de acrescer, como o próprio nome diz, é somar. Esse direito de acrescer aparece quando eu tiver mais de uma pessoa nomeada como herdeira ou como legatária de um determinado bem ou porção de bens. Veja só: “Deixo a minha casa de angra para Pedro e Maria”, eu deixei um legado para duas pessoas. Vamos fazer de conta que Pedro morra antes do testador. Com quem fica a casa de Angra?
Primeira pergunta: tem algum substituto nomeado? Eu poderia ter escrito: deixo minha casa pra Pedro de Maria e na hipótese de Pedro não poder receber o legado, nomeio em substituição Joaquim.
Então se Pedro morreu quem recebe é Joaquim.
A questão é que eu não nomeei substituto e Pedro morre antes de mim, além disso, eu não deixei outro testamento. Para quem vai a porção de Pedro? É aqui que a parece a segunda pergunta.
DIREITO DE ACRESCER
Segunda pergunta: existe direito de acrescer? Se houver direito de acrescer, a outra pessoa indicada (Maria) vai ficar com o bem todo. Se não houver direito de acrescer, a parte indicada a Pedro vai voltar para os herdeiros legítimos. Aí vai se formar um condomínio entre, por exemplo, os filhos do testador e Maria. 
A gente tem que se preocupar com o direito de acrescer quando eu tenho o mesmo bem ou a mesma porção de bens para mais de uma pessoa, porque se eu tivesse nomeado só Pedro para ficar com uma casa, não teria problema nenhum e a casa seria dividida entre os herdeiros legítimos. A preocupação é se eu deixei 30% da herança para Pedro e Maria ou uma casa para Pedro e Maria. 
A lei não trata igualmente os herdeiros testamentários e os legatários. Legatário é aquele que recebe bem individualizado. Pedro e Maria são co-legatários, porque os dois receberam determinado bem. Herdeiro testamentário é quando eu designo mais de uma pessoa para receber uma porção dos meus bens. Seria: deixo 1/3 da minha herança para Pedro e Maria. 
Quando uma pessoa nomeia mais de um herdeiro testamentário, não interessa se na hora de escrever o testamento o testador nomeou Pedro e Maria na mesma cláusula ou em cláusulas diferentes. O direito de acrescer vai existir quando os co-legatários forem nomeados na mesma cláusula OU em cláusulas distintas. 
Exemplo 1: deixo a casa de Angra para João e Maria. Na mesma disposição testamentaria eu deixei a mesma casa para os dois.
Exemplo 2: “deixo a casa de Angra para João” (cláusula A) “deixo a casa de Angra para Maria” (cláusula B)
Nas duas situações os legatários terão direito de acrescer. Se um dos dois morrer, renunciar ou for considerado indigno, haverá o direito de acrescer do outro. E se forem herdeiros testamentários? É a mesma coisa? NÃO!
Art. 1.942. O direito de acrescer competirá aos co-legatários, quando nomeados conjuntamente a respeito de uma só coisa, determinada e certa, ou quando o objeto do legado não puder ser dividido sem risco de desvalorização. 
Quando se trata de herdeiro testamentário, só haverá direito de acrescer se os co-herdeiros estiverem nomeados na mesma disposição testamentária: “Deixo 1/3 dos meus bens para João e Maria”. 
Somente quando os dois co-herdeiros estão nomeados na mesma cláusula é só que eu posso falar em direito de acrescer. Quando se trata de co-legatários não interessa se estão nomeados na mesma cláusula/disposição ou se estão em disposições diversas. Agora, se eu estou deixando uma porção de bens para pessoas específicas, só haverá o direito de acrescer se eu deixar isso escrito na mesma cláusula testamentária. 
Aluna: mas no caso dos legatários, eu posso colocar uma cláusula que veda o direito de acrescer?
Eu não preciso colocar uma cláusula. Eu vou mostrar daqui a pouco como é que eu faço para que não ocorra o direito de acrescer.
SITUAÇÃO 1: eu deixo o mesmo bem para mais de uma pessoa, mas colocando em disposições testamentárias diferentes. Isso tem vários nomes: cláusula res tantum, conjunção real e cláusula res. 
Res em latim significa COISAS. Mais de uma pessoa receberá a mesma coisa. 
SITUAÇÃO 2: eu nomeio mais de uma pessoa para receber o mesmo bem ou mesma porção de bens na mesma disposição testamentária. É a chamada cláusula mista e cláusula res et verbis. 
Verbis em latim significa VERBO. Ou seja, eu escrevi tudo na mesma verbis, mesma cláusula. É chamada mista porque mistura porque o objeto (res) foi distribuído na mesma cláusula (verbis). 
Direito de acrescer entre co-legatários se aplica quando 1- houver a cláusula res, que é quando alguém deixa a mesma coisa para mais de uma pessoa em cláusulas distintas, o que é também chamado de conjunção real. 2- houver a cláusula mista, que é quando na mesma cláusula é deixado o mesmo bem para mais de uma pessoa. 
Direito de acrescer entre co-herdeiros testamentários vai existir quando os herdeiros forem nomeados na mesma cláusula. Portanto, só na cláusula mista, na res et verbis. 
Respondendo a pergunta da aluna: quando é que não há direito de acrescer? 
Não há direito de acrescer na cláusula verbis. Exemplo: deixo a casa de Angra para Maria e José, metade para cada um ou 70% para Maria e 30% para José. Não haverá direito de acrescer quando eu deixo o mesmo bem ou a mais de uma porção de bens para a mais de uma pessoa já dizendo quanto cada um vai receber.
E se José morrer antes do testador? Para quem vai a parte dele? Ou o testador colocou um substituto ou então a parte de José irá para os herdeiros legítimos. Não vai acrescer para Maria porque o testador já disse quanto ele queria que ela ganhasse.
Cláusula verbis ou verbis tantum é quando numa mesma disposição testamentária eu nomeio co-legatários ou co-herdeiros, mas dizendo o percentual que cada um vai receber. Neste caso não haverá direito de acrescer. 
O que acontece com uma pessoa que é legatária ou é herdeira, mas não pode receber herança porque morre ou renuncia ou é declarada indigna? A primeira coisa é saber se o testador nomeou substituto. Se ele nomeou, vale o que está escrito. Se não nomeou, passamos a analisar a cláusula e perguntar se existe direito de acrescer. Haverá direito de acrescer no caso de co-herdeiros se foi deixado uma porção de bens para mais de um herdeiro na mesma cláusula. Se for o caso de co-legatários, é indiferente se foram nomeados em cláusulas distintas ou na mesma cláusula para haver o direito de acrescer. No entanto, se o testador deixar explícita a proporção que ele quer que cada um ganhe, que é a cláusula verbis ou verbis tantum, não haverá direito de acrescer. 
Aula de 20/06/2016
 
Hoje vamos falar sobre alguns outros tópicos, mas antes, vamos falar sobre a codicilo.
 
CODICILO
 
Codicilo é um negócio jurídico que a lei permite que as pessoas façam, um negócio jurídico para ter eficácia após a morte de quem o redige, mas tem a finalidade específica de dispor de pequenos bens do testador. Esse codicilo é um instrumento para que se possa deixar esmolas para determinada igreja, desde que pequena monta e essa pequena monta vai depender do valor do patrimônio de quem está testando. 
Ele não tem muitas exigências legais e o seu conteúdo é limitado as possibilidades dos artigos 1881 à 1883
Art. 1.881. Toda pessoa capaz de testar poderá, mediante escrito particular seu, datado e assinado, fazer disposições especiais sobre o seu enterro, sobre esmolas de pouca monta a certas e determinadas pessoas, ou, indeterminadamente, aos pobres de certo lugar, assim como legar móveis, roupas ou jóias, de pouco valor, de seu uso pessoal.
Então se a pessoa quiser deixar uma cristaleira para a vizinha, por exemplo, ela vai e escreve no codicilo. Então o codicilo é um negócio jurídico em que a pessoa pode dele se utilizar nas finalidades expressas da lei que está expresso no artigo 1881. 
O codicilo não tem, portanto, o mesmo conteúdo do testamento ele é um documento informal aonde a pessoa não pode instituir legatários de valores altos, para instituir herdeiros, fazer disposições do conteúdo do testamento não pode. Codicilo só vai revogar testamento dentro dos limites de sua atuação, por exemplo, você no seu testamento deixou um bem móvel de pequeno valor para a pessoa X e após dois anos você muda de ideia e escreve um codicilo só que agora deixando esse mesmo bem móvel para a pessoa Y, então, como é algo que o codicilo pode dispor e foi feito em data posterior ao testamento, essa disposição do testamento fica revogada pelo codicilo. 
Agora, você jamais pode fazer no codicilo uma alteração para dispor de algo que ele não tem competência, como por exemplo deixar uma casa para alguém no codicilo não pode, só por testamento. 
Outra função do codicilo é trocar testamenteiro. O testamenteiro é a pessoa nomeada, para quando você morrer dar cumprimento ao testamento.
Normalmente nomeamos alguém como testamenteiro no próprio testamento, mas se você mudar de ideia depois poderá alterar o testamenteiro no codicilo, de acordo com o artigo 1883: 
Art. 1.883. Pelo modo estabelecido no art. 1.881, poder-se-ão nomear ou substituir testamenteiros.

INVENTÁRIO 
 
Vamos usar um exemplo para falar dos casos hoje em aula, imaginem uma pessoa A que morreu deixando 4 filhos e um cônjuge casado no regime da comunhão parcial de bens, então o primeiro que devemos observar é os herdeiros legítimos. E nós já vimos que no regime da comunhão parcial de bens o STJ decidiu que no bens adquiridos na constância do casamento a pessoa tem direito a meação, que é direito de família, e tem direito a herança na parte dos bens particulares, adquiridos antes do casamento. Digamos que a pessoa tenha 1 milhão de reais de bens particulares e 800 mil de bens adquiridos durante o casamento, o cônjuge receberá 400 mil de meação e será herdeiro junto com os filhos nos outros 1 milhão. Então, as coisas que eu tenho que visualizar é a data do óbito, visualizar quem são os herdeiros necessários, visualizar se ele é casado ou não e em qual regime. 
Então o monte hereditário é 1 milhão mais 400 mil ( 800 - 400 da meação). Após isso, eu me pergunto se ele tinha alguma dívida, digamos que ele tinha 180 mil reais de dívida ele pagou 20 mil reais de enterro e tirando esses 200 mil sobrou 1 milhão e 200 mil reais que terá que ser dividido entre os herdeiros. Agora, desses 1 milhão e 200 mil eu tenho que ver qual é a parte indisponível e qual a parte disponível e para isso basta dividir ao meio, sendo então 600 mil de parte indisponível e 600 mil de parte disponível. Essa parte indisponível é a legítima. 
No nosso exemplo, A poderia ter feito um testamento dispondo de até 600 mil reais, que é a parte disponível dele. Então no testamento poderia estar dispostos bens de até o valor total de 600 mil, ele poderia reconhecer herdeiros, poderia dar até para os filhos herdeiros a parte disponível, para um filho específico. 
Então, isso tudo vai ser apurado através do inventário. As pessoas maiores podem, desde 2001, fazer a partilha extrajudicial, todos os herdeiros legítimos tem que ser maiores de 18 anos, no nosso exemplo todos os filhos tem que ser maiores e capazes na data de falecimento de A e ai eles poderiam ou fazer um inventário judicial ou procurar um cartório de notas e fazer uma partilha extrajudicial. O novo CPC acrescentou que mesmo pessoas incapazes poderão participar de inventários extrajudiciais desde que autorizadas pelo Ministério Público. 
O inventário extrajudicial é relativamente simples então, você vai acompanhado de advogado e faz um inventário relacionando todos os bens e comprovando que eles existem perante o notário e vai ter a avaliação desses bens e o pagamento do imposto de transmissão mortis causa e se estabelece, no fim, quem vai ficar com cada bem do de cujus. 
Porém, se por ventura elas não chegam a um acordo entre elas, é possível fazer o inventário judicial.  O inventário judicial começa com o pedido de abertura e esse pedido de abertura é simples, apenas uma simples petição aonde se escreve que vem se comunicar a morte de fulano, é lógico que ela tem que ser instruída com a certidão de óbito e indicar quem vai ser o inventariante. A legitimidade para abrir o inventário é matéria de processo civil. 
O próximo passo é a nomeação do inventariante, que será a pessoa indicada na petição de abertura, pelo juiz. E vai pedir que venham as chamadas primeiras declarações, as primeiras declarações vão ser explicadas quem são os herdeiros do morto e quais os bens que o morto deixou. Se chama primeiras declarações porque ao longo do inventário é possível que os parentes descubram outros bens do morto, e assim podem aditar as primeiras declarações para incluir informações. E no fim, existem as últimas declarações em que o inventariante vê todos os bens que estão listados no processo e declara que não existem mais bens ou é o momento de você trazer ao judiciário a existência de novos bens que você descobriu ao longo do processo. 
As primeiras declarações devem ser as mais completas possíveis, você tem que mostrar junto com os bens listados nas primeiras declarações a documentação correta de todos aqueles bens. Porque muitas vezes você diz que a pessoa é proprietária de bem X na peça e vai ver a documentação ele é só promitente comprador, e não proprietário, então tome cuidado para listar certo na petição de primeiras declarações de acordo com os bens certos do morto. Se no caso ele for promitente comprador como no caso, o espólio que é o monte hereditário ainda não dividido pode fazer essa escritura e pagar o imposto de transferência, ficando o espólio o proprietário do bem e retirando esse valor do monte. Mesmo que na prática seja uma "vaquinha" entre os herdeiros, sai do monte. O que pode acontecer também nesse caso é o inventariante antecipar esse valor, pagar o advogado, pagar as custas, custear o processo todo nas costas e ai quando for ter a partilha definitiva ele vai receber uma quota parte maior porque será ressarcido de todo esse valor em adiantado que ele pagou que deveria ter saído do espólio. 
Nessas primeiras declarações o código de processo civil diz que o inventariante já disse qual foi os bens, já indiciou valores e disse quais são os herdeiros. Na prática, os herdeiros podem ter passado procuração para o advogado, então o advogado vai ser advogado de todos os herdeiros, mediante procuração. Digamos que no nosso exemplo, os 4 herdeiros e mais o cônjuge tem o mesmo advogado e por isso não haverá necessidade de citar ninguém. Mas, se por ventura algum dos herdeiros não estiver representado nos autos pelo advogado haverá a citação dos herdeiros e também intimação da fazenda pública para que ela tenha conhecimento do inventário. Então, os herdeiros que ainda não estão nos autos serão citados para que em 15 dias se manifestem nos autos e digam se concordam com as primeiras declarações, se tem algo a aditar, se tem algum herdeiro sendo omitido. Na prática, o Juiz analisa a certidão de óbito, porque nela diz se a pessoa era casada, quantos filhos ele tem, então o Juiz vê que na certidão de óbito tem 5 filhos listados e nas primeiras declarações apenas 3, então faltam 2 filhos. 
 Então apresentou-se a petição, pediu-se a abertura do inventário e nomeou o inventariante e esse inventariante agora irá assinar um termo de inventariança e será formalmente o representante do espólio, a parte apresentará no prazo que a lei processual civil estabelece e ai haverá a citação dos herdeiros mencionados e se eles concordam com a lista de bens, se são aqueles bens mesmo, concorda com os valores atribuídos aos bens. E nesse prazo de 15 dias será feita a colação.
 
COLAÇÃO
 
A colação é um instituto que se aplica a descendentes e cônjuges. É nesse prazo de 15 dias da citação dos herdeiros que os descendentes e o cônjuge tem que dizer se receberam alguma doação do morto como antecipação de legítima. O que é antecipação de legítima? A antecipação de legítima são as doações que os pais fazem aos filhos em vida. Ninguém é proibido de doar bens aos descendentes, e ele na hora da doação tem duas opções ou diz que aqueles bens que ele está doando fazem parte da quantum disponível ou ele diz que faz parte da legítima, da parte indisponível, se ele nada disser se presume que faz parte da parte indisponível, a legítima. Se essa doação está saindo da parte disponível não haverá necessidade de trazer à colação. De acordo com o artigo 2005:
Art. 2.005. São dispensadas da colação as doações que o doador determinar saiam da parte disponível, contanto que não a excedam, computado o seu valor ao tempo da doação.
Parágrafo único. Presume-se imputada na parte disponível a liberalidade feita a descendente que, ao tempo do ato, não seria chamado à sucessão na qualidade de herdeiro necessário.
Ai se abre uma discussão na doutrina, de que se a pessoa na época que doou para seus descendentes o valor correspondia a parte
disponível não tem nenhum problema. O problema é se quando a pessoa morrer não tiver nenhum bem, ou se ele tiver menos do que na época que doou. E ai um filho ficaria com mais e outros com menos. 
O parágrafo único do artigo 2005 é a situação do de cujus que doa para seu descendente que não era era herdeiro necessário no tempo da doação, ou seja, o de cujus doou para um neto por exemplo, o neto não é herdeiro necessário porque os descendentes em primeiro grau afastam o de segundo grau. E ele só será herdeiro por direito de representação se no momento da morte do de cujus seu pai for pré-morto. Então, se alguém doa seus bens para um herdeiro descendente que não é necessário, esses bens se presumem saídos da parte disponível.  
Vamos fazer de conta que uma pessoa A doou para um filho um bem de 200 mil reais, e ele tinha mais do que isso, estava na parte disponível então tudo bem. Mas não escreveu na doação que estava saindo da disponível dele, e se ele não escreveu essa doação é tida como antecipação de legítima. 
Então voltamos àquele exemplo do começo da aula, de que a pessoa tinha 1 milhão e 800 mil no total, ai 400 mil ia pra meação, e mais 200 mil de dívidas então ficaria 1 milhão e 200 mil de monte total, e ai separo a metade disponível e a indisponível, 600 mil para cada parte. Se a pessoa fez testamento e disposto até o montante de 600 mil, se ele não fez esses 600 mil também serão divididos entre os herdeiros. E essa divisão é importante para poder trazer os bens a colação. 
Então, o Filho 1 tem no prazo que foi citado declarar que recebeu um bem do pai no valor de 200 mil por exemplo, então esses 200 mil serão somados a legítima total. Então se a legítima que era 600 mil e foi doado um bem em vida no valor de 200 mil e o morto não disse na ocasião que era da parte disponível, então pressupõe que é da legítima, com isso, a legítima passa ser de 800 mil reais, 600 mil que já era mais os 200 mil da doação ao filho 1.
Então vamos repetir para não ter dúvida: Toda doação que um pai faz ou uma mãe faz ao seus descendentes em vida senão tiver escrito na doação que aquilo está saindo da disponível dele, eu entendo que foi uma antecipação de legítima e a consequência é que quando o doador morre é necessário adicionar o valor da doação à parte da legítima do monte hereditário. 
Uma observação: Estou falando de doação para ficar mais fácil, mas essas antecipações de legítima podem ser antecipações diretas ou indiretas. As diretas seriam essas que estou falando, uma doação direta. As indiretas seriam por exemplo, um pagamento de dívida, o filho 1 está com dívidas no cartão de crédito no valor de 30 mil reais e ai o pai paga a dívida do filho, e isso é uma antecipação indireta da legítima. Porém, as coisas normais que um pai dá para um filho não será computado, como pagamento de escola particular, pagamento de faculdade e não interessa se um pai pagou pra um e não pagou pra outro, despesa para educação não é antecipação de legítima. Festa de 15 anos também não é vista como antecipação de legítima.
As vezes acontece um caso da pessoa ter recebido em vida um valor de antecipação muito alto, e ai quando a pessoa morreu não tinha muitos bens, aquela antecipação vai ser trazida para cá. Vamos imaginar que uma pessoa recebeu de doação do ascendente um bem no valor de 1 milhão de reais, só que quando o pai morreu e feitas essas contas todas, mesmo trazendo o milhão de reais de novo aqui pra dentro, na hora de dividir entre os descendentes, digamos, que dará a quantia de 600 mil reais para cada descendente, ora, o cara já teve antecipação de 1 milhão quando na verdade deveria ter recebido 600 mil. Ou seja, depois que o pai morreu sobrou apenas 200 mil reais no monte da legítima, ai trago o 1 milhão do bem aqui para dentro e fica 1 milhão e 200 mil, digamos que ai divido para os filhos e ai chego num valor de 500 mil para cada herdeiro, esse cara que recebeu 1 milhão de reais vai ter que devolver ao monte 500 mil, porque ele recebeu 1 milhão antes. 
Existe outro problema, vejam o artigo 2002 e 2004 do CC: 
Art. 2.002. Os descendentes que concorrerem à sucessão do ascendente comum são obrigados, para igualar as legítimas, a conferir o valor das doações que dele em vida receberam, sob pena de sonegação.
Parágrafo único. Para cálculo da legítima, o valor dos bens conferidos será computado na parte indisponível, sem aumentar a disponível.
 e
Art. 2.004. O valor de colação dos bens doados será aquele, certo ou estimativo, que lhes atribuir o ato de liberalidade.
§ 1o Se do ato de doação não constar valor certo, nem houver estimação feita naquela época, os bens serão conferidos na partilha pelo que então se calcular valessem ao tempo da liberalidade.
§ 2o Só o valor dos bens doados entrará em colação; não assim o das benfeitorias acrescidas, as quais pertencerão ao herdeiro donatário, correndo também à conta deste os rendimentos ou lucros, assim como os danos e perdas que eles sofrerem.
 
O artigo 2003 estabelece o fim da colação : 
 
Art. 2.003. A colação tem por fim igualar, na proporção estabelecida neste Código, as legítimas dos descendentes e do cônjuge sobrevivente, obrigando também os donatários que, ao tempo do falecimento do doador, já não possuírem os bens doados.
Parágrafo único. Se, computados os valores das doações feitas em adiantamento de legítima, não houver no acervo bens suficientes para igualar as legítimas dos descendentes e do cônjuge, os bens assim doados serão conferidos em espécie, ou, quando deles já não disponha o donatário, pelo seu valor ao tempo da liberalidade.
 
Digamos, pela parte final do artigo 2003, que o pai deu uma casa no valor de 1 milhão de reais para o filho e esse filho vendeu a casa, mas isso não interessa para a lei, ele tem que trazer o valor mesmo não tendo mais o bem, como mostra a parte final do artigo.
No artigo 2004 temos a questão do valor do bem, o artigo nos diz que o valor será aquele que está escrito no ato de liberalidade, então no momento da doação o pai escreveu o valor do bem que estava doando e portanto é este valor que será trazido, é o valor da colação. E se o pai mentiu? Ai os outros herdeiros tem que reclamar, dizer que o valor do bem está errado, e ai será feita uma avaliação do bem, conforme o parágrafo 1º, sempre aplicando o valor no tempo da liberalidade, se usa esse parágrafo também se o doador não tiver escrito o valor do bem na época da doação no documento. 
Mas isso é meio injusto, porque aonde fica a correção monetária? O problema é que essa matéria está nesses artigos mostrados para vocês mas também está no código de processo civil. No código civil de 1916 dizia que o valor trazido seria aquele na época da liberalidade, ai chegou o CPC de 73 e disse que o valor da colação seria aquele do bem na data da abertura da sucessão. Ai o código civil de 2002 manteve esse entendimento do código de 1916 que seria o valor do bem na data da liberalidade, ai tudo bem, lei posterior revoga anterior então se aplicou essa parte no código civil de 2002 ao invés do disposto no código de 73, ai agora, o cpc de 2015 trouxe o mesmo entendimento do cpc de 73, falando de novo que seria o valor do bem na data da abertura da sucessão, então embolou tudo de novo! 
A doutrina diz que em primeiro lugar eu não posso esquecer que tenho que aplicar a correção monetária, mesmo que você considere o que está escrito no código civil, ou seja, mesmo que você considere que o valor da colação é o valor do bem na data da doação você tem que aplicar correção monetária, para atualizar o valor. E temos também que levar em consideração de que se não aconteceu alguma coisa para aumentar muito o valor do bem. Existem autores então que defendem que se houve algum fator externo que aumentou o valor do bem pode haver uma reavaliação desse bem para evitar o enriquecimento indevido de um dos herdeiros. Existem também aqueles que entendam por conta do CPC novo que o bem deve ser avaliado no momento da abertura da sucessão. Existem vantagens e desvantagens nas duas posições. Na minha opinião
eu sempre achei que atribuir o valor da liberalidade somente é uma injusta, em alguns casos, principalmente quando a pessoa morre deixando quase nenhum bem. 
Então, ou você aplica a posição da doutrina com a disposição do código civil mais correção monetária, ou você aplica a disposição do CPC/15 do valor do bem no momento da abertura da sucessão, porque apenas aplicar a disposição de valor no momento da liberalidade sem correção monetária é injusto. 
Vamos falar do parágrafo único do artigo 2003, esse parágrafo diz que a regra é que o bem fica com a pessoa, se o pai doou a casa para o filho, na regra, eu não vou trazer esse bem mas sim o valor do bem. Então se eu trago o valor e o valor condiz com a quota que cada um deveria receber, por exemplo, a legítima é 400 mil e o pai doou um imóvel no valor de 100 mil para o filho 1, o filho 1 traz os 100 mil para legítima e ai soma 500 mil, o cara tem 5 filhos dividindo para cada um eles terão direito de 100 mil cada que é o valor do bem que o filho 1 recebeu, então nesse caso ele não precisa levar o bem para o inventário. Mas se esse valor for menor, chegar a conclusão de que cada filho deveria ter 100 mil mas o bem doado tem um valor muito maior tem que levar o bem até o inventário ( professora explicou de um jeito confuso, tentei fazer sentido) Mas claro que  se o donatário tiver o dinheiro e as quotas ficarem menor que o valor do bem doado ele pode dar o valor do dinheiro ao invés de levar o bem ao inventário ( acho que quando ela fala "trazer o valor" seria apenas usar o valor para somar a legítima e dividir, e não dar o valor em reais em si) 
Isso inclui bem de família, mesmo que o imóvel seja bem de família se as quotas não forem iguais para os filhos terá que vendê-lo, se ele não tiver o dinheiro para depositar. Um filho em tese não pode ficar com a parte da legítima maior que a do outro. Então se o pai morre com o dinheiro suficiente para todos receberem igual não precisa levar o valor, mas se o pai não tem dinheiro que banque a quota de cada um a única solução será trazer o bem em espécie para fazer a divisão novamente.
A colação vai ser aplicada quando uma pessoa faz adiantamento de legítima apenas a descendentes e cônjuges, ascendente não entra. Então, no nosso exemplo se A morreu e A doou em vida uma casa para a mãe, vejam que a mãe não teria direito a herança porque a primeira classe é a dos descendentes. 
Eu tenho que tomar cuidado com alguns casos, como a doação inoficiosa, ela é nula no que extrapolar a legítima. Então se alguém tem 2 milhões de patrimônio a pessoa só poderia dispor de 1 milhão, então se ele dispõe de 1 milhão e 800 mil esses 800 mil são nulos por extrapolar a legítima. E aqui surge um problema que já foi muita questão de prova de concurso, imaginemos que seu pai é a pessoa que fez, você sabe que ele tem 2 milhões de reais e doou 1 milhão e 600 mil reais. Você tem duas opções, ajuizar uma ação para declarar a nulidade desse excedente ou você não faz nada e espera a morte do seu pai para declarar a doação inoficiosa? Isso aqui é um problema porque existe uma controvérsia muito grande sobre isso. 
O código civil antigo insistia que a doação inoficiosa é nula, o atual código civil diz que a doação inoficiosa é nula mas a jurisprudência vem entendendo que não é caso de nulidade e sim de anulação. Porque na verdade o que está envolvido aqui é um contrato em que tenho a discussão a cerca de um determinado excedente que na verdade só está envolvido questões patrimoniais, existe a controvérsia então da natureza jurídica dessa doação inoficiosa, se essa parte excedente é nula ou anulável? 
Se você entende que ela é anulável, inclusive algumas jurisprudências do STJ entende, você tem o prazo de 4 anos pelo artigo 178 do CC para ajuizar essa ação, porque senão aquilo em tese decai. Só que isso repugna um pouco porque se diz que não pode se discutir herança de pessoa viva, mas dizem que isso não é discussão da herança de pessoa viva e sim a invalidade do negócio jurídico, há a previsão legal de que esse negócio jurídico está proibido porque irá afetar direitos patrimoniais futuros de eventual herdeiro. Outros dizem que não estão discutindo herança de pessoa viva e sim um direito futuro que pode ocorrer. Então existe a corrente de que o negócio jurídico é anulável e o prazo seria de 4 anos.
Outra posição é essa que está escrita na lei, de que o negócio jurídico é nulo e se ele é nulo ele não se convalida com o tempo de acordo com o artigo 169 do CC, podendo qualquer herdeiro ajuizar a ação. Já houve entendimento que essa ação somente poderia ser ajuizada após a morte da pessoa, porque em vida estaríamos discutindo herança de pessoa viva. Então é uma matéria muito controvertida.
 
REDUÇÃO TESTAMENTÁRIA
 
Digamos que uma pessoa realiza um testamento e por erro de cálculo dispõe mais do que poderia, atingindo assim a legítima, então eu tenho que fazer uma redução testamentária, ou seja, eu tenho que reduzir essas benêses do testamento para recompor a legítima dos herdeiros necessários. Conforme artigo 1966 até 1968 do CC:
Art. 1.966. O remanescente pertencerá aos herdeiros legítimos, quando o testador só em parte dispuser da quota hereditária disponível.
É possível que o testador já tenha previsto que ele possa ter errado nas contas, então ele fala que no momento da sua morte se ele estiver invadindo a legítima tira de A, B ou C, tira de algum lugar específico para recompor a legítima. E ai se a pessoa não disser a solução é usar o 1967: 
Art. 1.967. As disposições que excederem a parte disponível reduzir-se-ão aos limites dela, de conformidade com o disposto nos parágrafos seguintes.
§ 1o Em se verificando excederem as disposições testamentárias a porção disponível, serão proporcionalmente reduzidas as quotas do herdeiro ou herdeiros instituídos, até onde baste, e, não bastando, também os legados, na proporção do seu valor.
§ 2o Se o testador, prevenindo o caso, dispuser que se inteirem, de preferência, certos herdeiros e legatários, a redução far-se-á nos outros quinhões ou legados, observando-se a seu respeito a ordem estabelecida no parágrafo antecedente.
Então o código opta por atingir primeiro os herdeiros testamentários do que os legatários, eles serão preservador por serem coisas individuais e ai reduz os dos herdeiros testamentários primeiros, mas ai se não conseguir refazer a legítima com essa redução dos herdeiros testamentários atinge os herdeiros legatários. 
O parágrafo segundo fala que o testador pode dispor de forma diferente, preferindo alguns herdeiros testamentários que outros.
Se não houve jeito, se eu tiver que mexer no legado para recompor a legítima eu usarei o artigo 1968: 
Art. 1.968. Quando consistir em prédio divisível o legado sujeito a redução, far-se-á esta dividindo-o proporcionalmente.
§ 1o Se não for possível a divisão, e o excesso do legado montar a mais de um quarto do valor do prédio, o legatário deixará inteiro na herança o imóvel legado, ficando com o direito de pedir aos herdeiros o valor que couber na parte disponível; se o excesso não for de mais de um quarto, aos herdeiros fará tornar em dinheiro o legatário, que ficará com o prédio.
§ 2o Se o legatário for ao mesmo tempo herdeiro necessário, poderá inteirar sua legítima no mesmo imóvel, de preferencia aos outros, sempre que ela e a parte subsistente do legado lhe absorverem o valor.
O parágrafo primeiro é meio confuso, eu vou verificar o valor que invadiu a legítima, se o valor do bem legado é mais de 1/4 da legítima o legatário deixa o bem inteiro na herança, podendo pedir aos herdeiros o valor da parte disponível, após abatido o valor da legítima. Se o excesso não for de mais de um 1/4 a pessoa mantém o legado. Poderia traduzir assim: Vai ter uma disputa se o legatário fica com o bem ou não, e ele diz que se o valor for de mais de 1/4 do valor do bem e se o valor for menor o legatário pode ficar com o bem. Ele tenta resolver um problema fático dos herdeiros quererem o bem e o legatário também e a gente resolve recompondo a legítima e usa
Infelizmente, no Brasil é comum os eleitores deslocarem o sentimento que tem por uma figura política para outra. No entanto, a lei diz que o direito a cargo público não se transmite por herança. Quando aquele que ocupa o cargo morre no exercício do mandato, quem assume é o suplente. 
Sociedade
O Código Civil diz em direito de sociedade que quando a pessoa morre a parte dela na sociedade vai ser objeto de apuração de haveres [não entendi o que a professora disse, mas acho que é esse o termo utilizado]. Não há como obrigar os herdeiros a entrar naquela sociedade, principalmente se a sociedade for de pessoas, pois pode ser até que os sócios vivos não tenham a mesma confiança naqueles herdeiros para sócios. O contrato de sociedade, portanto, é um tipo de direito que não é transmitido por herança. O que vai ser transmitido por herança é o valor econômico. 
Indenização por danos morais
Nos casos de ofensa a honra, vamos imaginar três situações distintas:
Primeira situação: João foi ofendido na sua honra e ajuizou uma ação de danos morais. Depois de ajuizar a ação morreu.
Uma parte da doutrina defende e o que muitos juízes fazem é, ao descobrirem que o autor da ação de indenização por danos morais morreu, julgam extinto o processo sem resolução de mérito. Eles argumentam que no art. 11 do CC está escrito que os direitos da personalidade são intransmissíveis. 
Art. 11. Com exceção dos casos previstos em lei, os direitos da personalidade são intransmissíveis e irrenunciáveis, não podendo o seu exercício sofrer limitação voluntária.
No entanto, o que está a ser transmitido nessa situação não é o direito da personalidade, mas sim o dinheiro. Se João morreu no curso da ação de indenização por danos morais o que vai ocorrer é que os herdeiros, isto é, o espólio vai fazer parte do processo entrando no lugar de João no polo ativo. Se julgado procedente, a indenização será dividida entre os herdeiros. Isso é mais pacífico, são poucos entendimentos contrários nessa situação.
Segunda situação: João é ofendido em vida. Foi chamado de ladrão por Pedro. João consulta o seu advogado que diz que ele tem de 3 a 5 anos para ajuizar ação de indenização, dependendo do caso. João quer ajuizar a ação, mas antes de fazer isso vai visitar sua mãe no interior de Minas Gerais. Joao morre nessa viagem.
Os filhos de João poderão ajuizar a ação? Essa questão é um pouco controvertida. 
Existem dois posicionamentos: o primeiro analisa essa questão através do art. 11, defendendo que os direitos da personalidade são intransmissíveis. Esse posicionamento já foi majoritário e não é mais, porque o art. 943 do CC diz:
Art. 943. O direito de exigir reparação e a obrigação de prestá-la transmitem-se com a herança.
Quando o Pedro chamou João de ladrão, surgiu para João naquele momento o direito indenizatório, que no futuro seria transformado em valor econômico. Se o ofendido morre antes de propor a ação, porém ainda dentro do prazo prescricional (que ele teria se ajuizasse ação ainda vivo), ele ainda tem direito a indenização, ao dinheiro, portanto, o que se transmite para os herdeiros não é o direito da personalidade do morto, pois este não se transmite, mas quando a pessoa é ofendida nasce para ela o direito de ser indenizado e é isso que se transmite com a herança.
Atualmente, tem prevalecido dos tribunais o entendimento de que nesse caso deve se conjugar o art. 11 com o art. 943 do CC, portanto, quando uma pessoa é ofendida em sua honra e ela morre ainda com o prazo prescricional em andamento, o que é transmitido ao herdeiro não é o direito da personalidade, mas sim o direito de ser indenizado. Por esse motivo, os herdeiros podem ajuizar ação de indenização.
Terceira situação: uma pessoa morta é ofendida. Está nos arts 12 e 20 do CC. Quando alguém ofende uma pessoa morta, como aconteceu em uma biografia do jogador Garrincha ele foi chamado de imbecil, entendeu-se que a biografia ofendia a honra do morto e as filhas ajuizaram uma ação indenizatória. 
Art. 12. Pode-se exigir que cesse a ameaça, ou a lesão, a direito da personalidade, e reclamar perdas e danos, sem prejuízo de outras sanções previstas em lei.
Art. 20. Salvo se autorizadas, ou se necessárias à administração da justiça ou à manutenção da ordem pública, a divulgação de escritos, a transmissão da palavra, ou a publicação, a exposição ou a utilização da imagem de uma pessoa poderão ser proibidas, a seu requerimento e sem prejuízo da indenização que couber, se lhe atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se se destinarem a fins comerciais. (Vide ADIN 4815)
Parágrafo único. Em se tratando de morto ou de ausente, são partes legítimas para requerer essa proteção o cônjuge, os ascendentes ou os descendentes.
Concluindo: só entrará na sacola e serão distribuídos pelos herdeiros os direitos transmissíveis, ou seja, aqueles em que não há nenhuma vedação legal para sua transmissão.
São proibidos de serem transmitidos aqueles considerados direitos personalíssimos. Estes não são transmitidos aos herdeiros. Exemplo: direito de preferência na aquisição de um imóvel. 
Aula 11/04/2016
Na aula passada falamos sobre o que significa sucessão e nós vimos também que a coisa mais importante pra gente estudar direito das sucessões é sempre valorizar o seguinte: verificar o momento do óbito, porque é do momento do óbito que é o momento da abertura da sucessão.
Então, abre-se a sucessão do momento do óbito, e isso é importante porque é necessário saber a data da abertura da sucessão para analisar qual é a lei que veicula a questão sucessório na data do óbito da pessoa. A lei que estiver em vigor na data da abertura da sucessão ( momento do óbito) é a lei que eu vou usar para fazer a divisão dos bens, saber quem serão os herdeiros. Outra importância é que normalmente o último domicílio do morto é o local, em regra, em que vamos abrir seu inventário. O terceiro elemento de importância é que no momento da abertura da sucessão é o momento em que os bens passam a posse e a propriedade  para os herdeiros do morto. Por exemplo, a pessoa morreu no dia 01/02/2008 as 21 da noite e ai automaticamente, é uma ficção jurídica, os bens passam para a posse e propriedade dos herdeiros do morto. 
Também vimos na aula passada a natureza jurídica da herança, a herança tem a natureza jurídica de bem imóvel de acordo com o Artigo 80, II do CC/02 e vimos porque isso é importante. A herança também é uma universalidade e que somente do momento da abertura da sucessão até a partilha no inventário os bens se tornam uma universalidade de bens e nesse período a natureza jurídica é de bem imóvel e indivisível. É importante lembrar que do momento da morte até o momento da partilha é como se tivéssemos aberto um saco e todos os bens do morto fossem colocados lá dentro, e aquilo é a herança, o saco só vai ser aberto no momento da partilha. Até o momento da partilha os bens são vistos como uma universalidade e não como individuais, portanto, não é possível em tese fazer a disposição patrimonial de nenhum bem específico. Então se nesse saco eu tenho um carro e um imóvel os herdeiros só podem transmitir o quinhão da herança mas nenhum dos herdeiros, em regra, pode pegar o bem e vende-lo antes da partilha porque do momento da abertura até a partilha dos bens são uma universalidade e isso faz com que todos os herdeiros sejam condôminos, tendo um fração do todo cada um e essa fração vai se consubstanciar em um bem específico no momento da partilha.
 
Objeto da Herança 
 
Nós vimos também que o que compõe a herança são todos os bens do falecido exceto os direitos personalíssimos, então aqueles direitos que a lei diz que acabam com a morte, que não são transferidos a ninguém, esses bens não são transmitidos com a herança. Ai que paramos na aula passada.
Então, agora, ainda vendo sobre o objeto da herança que é todo o complexo patrimonial, direitos e deveres, do morto, exceto os direitos personalíssimos, se transferem com a herança. É uma ilusão achar que quando uma pessoa morre não tem mais que pagar as dívidas daquela pessoa,
o artigo 1968 se o bem por impossível de dividir. 
Existe outra hipótese de redução que é a do artigo 2007.
Art. 2.007. São sujeitas à redução as doações em que se apurar excesso quanto ao que o doador poderia dispor, no momento da liberalidade.
§ 1o O excesso será apurado com base no valor que os bens doados tinham, no momento da liberalidade.
§ 2o A redução da liberalidade far-se-á pela restituição ao monte do excesso assim apurado; a restituição será em espécie, ou, se não mais existir o bem em poder do donatário, em dinheiro, segundo o seu valor ao tempo da abertura da sucessão, observadas, no que forem aplicáveis, as regras deste Código sobre a redução das disposições testamentárias.
§ 3o Sujeita-se a redução, nos termos do parágrafo antecedente, a parte da doação feita a herdeiros necessários que exceder a legítima e mais a quota disponível.
§ 4o Sendo várias as doações a herdeiros necessários, feitas em diferentes datas, serão elas reduzidas a partir da última, até a eliminação do excesso.
O pai fez uma doação em vida inoficiosa, e ai entra o artigo 2007. Então existem duas formas de redução, ela vai aparecer quando no testamento o de cujus invade a legítima e também vai aparecer quando se verificar no momento da liberalidade a doação era inoficiosa. 
O artigo 2007 dá a entender a adoção daquela ideia de que não precisa ajuizar a ação em 4 anos, porque você pode esperar o papai morrer para discutir isso. É isso que o artigo 2007 dá a entender no seu parágrafo 1º. 
Vejam uma contradição que está no código, de acordo com o artigo §1 o excesso vai ser apurado no valor na data da liberalidade enquanto que o parágrafo 2º fala do valor no tempo da abertura da sucessão. Na colação ele diz que será apurado o valor no momento da liberalidade, e quando ele fala em doação inoficiosa ele diz no momento da liberalidade no caput do artigo 2007. Agora se a pessoa já vendeu o bem em espécie ele vai trazer o valor do bem na data da morte do autor da herança, o que é quase uma pena pelo cara ter vendido o bem e não poder traze-lo como valor da data da liberalidade, fica contraditório o código nesse sentido. 
Ai vem o parágrafo 3º pra embaralhar tudo, o pai quando fez a doação para o filho e ai ele poderia ter dito que estava saindo da parte disponível para evitar a colação e ai o Pai fez isso mas fez as contas erradas, disse que doou 1 milhão e 800 mil e que esse valor saia da parte disponível mas ele só tinha 2 milhão de bens no momentos, então 800 mil dessa doação pro filho é inoficiosa. Só que ai o código diz que na hora de fazer a conta para saber o quanto você irá tirar dessa doação inoficiosa você vê quanto é a parte disponível do pai e vê quando o irmão do filho tinha direito de receber da legítima. Então o pai tinha 2 milhões e só poderia ter doado 1 milhão, mas doou 1 milhão e 800 mil e esses 800 mil são inoficiosos, então meu irmão deveria trazer pro monte 800 mil reais, mas ai o código diz que antes do irmão trazer 800 mil vamos fazer uma conta, o irmão vai ficar com o 1 milhão da doação porque era a parte disponível do pai. Quanto é a parte que o filho que recebeu a doação receberia como legítima? Seria 500 mil reais e então nesse caso eu somo o 1 milhão da doação e vou somar mais os 500 mil, então 1 milhão e 500 mil até chegar 800 mil faltam 300 mil, então ele só precisa completar com 300 mil reais para a legítima. O que o parágrafo terceiro faz é abrir um tratamento diferenciado para as doações inoficiosas feita para descendentes quando o ascendente frisou que esse dinheiro estava saindo da disponível mas ele invadiu a legítima por erro de cálculo. 
PARTILHA DE BENS - EM VIDA E PÓS MORTEM
 
Pra encerrar, vamos falar da partilha. Vocês devem ter ouvido falar que as pessoas distribuem em vida os bens para os herdeiros, para evitar que eles briguem quando a pessoa morrer, ai em vida eu divido os bens para meus herdeiros, é a chamada partilha em vida. É possível fazer a doação, por exemplo, o cara tem 4 filhos e 4 casas e ai da uma casa para cada filho e ai nós temos um pequeno problema, porque de acordo com o instituto da doação não é possível se doar todos os bens, a não ser que a pessoa prove que mesmo assim ainda terá meios de sobrevivência. 
Na prática as pessoas doam e põe uma cláusula de reserva de usufruto para si. Digamos que João tinha 3 filhos, e ai o João em vida conseguiu construir 3 casas e foi no cartório e disse que quer passar uma casa para cada filho e diz que não tem outros bens, e ai ele irá botar um cláusula de usufruto em cada casa que vai dizer que enquanto ele permanecer vivo ele tem o direito de morar na casa, alugar a casa, emprestar a casa, fazer o que quiser mas quando eu morrer o herdeiro pega a certidão de óbito e leva no registro imobiliário e dá baixa no usufruto. 
Se algum filho ficar com um bem que seja menor que o valor que ele deve receber da legítima ele pode reclamar. Digamos que a legítima seja 800 mil e o pai doa em vida um apto de 300 mil para um filho, de 100 mil para outro, de 200 mil para outro e de 200 mil para outro, a legítima de 800 mil é 200 mil para cada filho, já que são 4 filhos, então o filho que ficou apenas com um bem no valor de 100 mil pode reclamar. 
Nada impede que a pessoa já diga como vai ficar a divisão dos bens dele quando ele morrer, não é bem um testamento mas é como se fosse, ele diz quais bens vão para cada pessoa quando ele morrer, ele não não passa a propriedade quando tá vivo, ele faz um documento que só terá efeitos após sua morte, que irá dispor da divisão dos bens. 
A gente chama isso de partilha pós mortem, a partilha que uma pessoa faz num documento para que tenha eventos só após a sua morte.
FIM DA AULA.
isso é uma mentira. Mas uma coisa é que os filhos não vão pegar seu próprio patrimônio para pagar as dívidas do morto, quem paga a dívida do morto é o acervo hereditário. Então, se uma pessoa morreu deixando patrimônio positivo de 1 milhão de reais mas tinha uma dívida no banco de 300 mil reais vai ser desse 1 milhão de reais que vou tirar os 300 mil para pagar ao banco e ai sobra 700 mil é que vai ser dividida entre os herdeiros. Quanto ao dano moral, a posição majoritária hoje é que o direito de indenização é transmitido com a herança.
 
Contrato de seguro de vida em relação com a herança
 
Duas coisas importantes que faltam falar sobre objeto da herança. A primeira é que alguns bens do morto, apesar de terem conotação patrimonial a lei diz que não é herança, exemplo : seguro de vida. Uma pessoa morre deixando um seguro de vida e a lei diz que isso não é herança, está escrito no Artigo 794 do CC/02:
Art. 794. No seguro de vida ou de acidentes pessoais para o caso de morte, o capital estipulado não está sujeito às dívidas do segurado, nem se considera herança para todos os efeitos de direito.
Se o João morre e deixa dois filhos, Maria e José. Nós vimos na aula passada que ninguém é obrigado a deixar herança para ninguém, mas se a pessoa tiver bens no momento da morte, a metade dos bens que é a legítima tem que ser preservada para os herdeiros do morto. A primeira classe de herdeiros são os descendentes. No meu exemplo, se o João morre deixando 500 mil reais de bens, pelo menos 250 mil que é a legítima vai ser dividido entre Maria e José a outra parte, os outros 250 mil, integram a parte disponível do morto, ou seja, se o morto quisesse ele poderia deixar essa outra metade para quem ele quiser. No meu exemplo, o João não fez testamento, ele era solteiro e tinha dois filhos, os 500 mil serão então divididos entre Maria e José, por conta de não haver testamento dispondo sobre a parte que ele poderia deixar para quem ele quisesse. 
Outro exemplo: João teve dois filhos, Maria e José, João morre sem dinheiro nenhum, não tinha nada mas deixou um contrato de seguro de vida no valor de 1 milhão de reais e ele deixou como beneficiário a pessoa José. Então, ao aplicar esse Artigo 794 do CC significa que quem vai receber é a indicada no contrato de seguro como beneficiário. Então o beneficiário de João pode ser qualquer pessoa, o seguro é um direito que decorre de uma relação contratual. A regra é que no contrato de seguro de vida vai receber o seguro quem o morto indicou como beneficiário, aqui não vigora a legítima, o segurado pode indicar quem ele quiser. Isso sofre algumas críticas, porque no fundo o morto quando fez o contrato de seguro de vida e colocou como beneficiário apenas um dos seus filhos, em tese, ele está lesionando o outro filho mas como o código afirma que no contrato de seguro que a natureza jurídica do dinheiro do seguro não tem essa conotação de herança a pessoa, então, não está obrigada a reserva a metade para seus herdeiros necessários e ai também não é preciso dividir entre os herdeiros necessários. 
Essa mesma regra, servia, para aqueles contratos de aposentadoria privada, tipo PGBL, a pessoa ao realizar essa contratação pode indicar qualquer pessoa como beneficiária. Em Dezembro de 2015 o Estado querendo ganhar dinheiro promulgou uma lei estadual dizendo que vai incidir imposto de transmissão causa mortis em planos de PGBL e ai a doutrina está caindo em cima dessa lei estadual porque essa lei estadual criou um conflito existencial, afinal de contas, os valores de seguro tem natureza jurídica de herança ou não ? Bom, pela lei que rege o contrato de seguro, não é herança, então se não é herança em tese não poderia incidir sobre esse valor qualquer imposto de transmissão em razão da morte. Vamos esperar para ver, a lei é de dezembro de 2015 e ainda não houve tempo para que as pessoas se tocassem sobre esse problema. 
 
Herança e contrato de trabalho 
 
Quando uma pessoa morre e está trabalhando o contrato de trabalho dela será extinto, quando acaba um contrato de trabalho o empregador ele tem que pagar as chamadas verbas rescisórias que são o 13º proporcional, as férias, o último salário, esse trabalhador provavelmente tem FGTS também. Essas verbas e também valores depositados em contra corrente não precisam ser submetidas a ação de inventário. Como você recebe isso então? Depende, você entra com um pedido de alvará, um alvará para levantamento do dinheiro. A ação, normalmente, era assim: Os filhos do morto, ou a mulher do morto, vão entrar com um pedido judicial informando que essa pessoa morreu, existem verbas rescisórias a serem recebidas, existe uma verba no fundo de garantia para ser levantado e a gente quer levantar esse dinheiro, ai nesse caso o Juiz manda oficiar o banco para saber se tem realmente verba depositada e havendo a comprovação da existência desse dinheiro ele vai ser dividido. 
Essa lei foi feita para simplificar, porque antigamente mesmo essas verbas iam para a ação de inventário que demorava anos pra acabar e enquanto isso as pessoas ficavam sem receber essas verbas. Criaram essa lei para facilitar a vida das pessoas, é a lei 6.858/80. Essa lei trata de direito processual civil, ela vem tentar interferir na ação de inventário para tirar do inventário essas verbas bobas que são tão necessárias para as pessoas que dependiam do morto possam sobreviver enquanto se ajustam com aquele óbito. 
Qual é o problema, então, com essa lei? É porque tentando resolver esse problema da demora na ação de inventário ela criou uma situação super estranha, porque o artigo 2º dessa lei afirma que somente quem tem direito a receber essas verbas seriam os dependentes habilitados perante o órgão de previdência em que morto estava filiado. 
Então seria assim: Imaginemos que João morreu deixando 3 filhos, Maria, José e Pedro. Pedro é menor de idade e Maria e José maiores de idade.  Maria e José sendo maiores de idade não são mais dependentes do Pai perante o INSS, perante o RioPrevidência, se fossemos aplicar essa lei do jeito que está, somente quem receberia todas as verbas rescisórias do morto seria o filho menor e os filhos maiores não receberiam nada. Um caso que já vi uma vez, era de uma pessoa que tinha uma companheira e de um outro casamento anterior ele tinha dois filhos maiores de idade, quando o cara morreu o FGTS dele foi levantado apenas pela companheira e os filhos ficaram sem receber nada do FGTS porque só a companheira era dependente do morto perante o INSS, os demais filhos já eram filhos maiores. 
Essa lei, então, criou uma situação esdrúxula já que com relação a essas verbas rescisórias se fossemos aplicar exatamente o que está na lei haveriam muitas injustiças porque somente seriam entregues para a pessoa que estivesse inscrita como dependente no órgão de previdência social do falecido e as vezes o morto não tinha mais nenhum outros e ai os filhos ficariam a ver navios e a companheira sacaria todo o FGTS. Durante um tempo se aplicou essa lei da forma exatamente literal do artigo segundo  e ao passar dos anos, principalmente depois de 1988, as pessoas começaram a questionar esse artigo específico porque isso as vezes gera uma injustiça. Essa lei começou a ser mitigada, ela continua a valer principalmente para processo civil, ou seja, essas verbas não precisariam ir para o inventário mas no momento de dividir as verbas elas seriam divididas em partes iguais para todas as pessoas que a lei considerasse herdeiras. 
O Código de processo civil novo permite que se todos os herdeiros são maiores e capazes não precisa nem ajuizar essa ação de alvará, basta chegar no cartório extrajudicial e fazer um acordo falando como serão divididas aquelas verbas. Então o CPC novo deu uma ajuda maior ainda. Se tiver um filho menor de idade, o MP é chamado para concordar com a divisão feita por escritura pública. 
 
Divisão da herança entre os herdeiros. 
 
Quando uma pessoa morre, para você saber o que  vai ser passado pelo herdeiros a primeira coisa que você tem que saber é qual é o estado
civil do morto. No período passado vocês estudaram os regimes de bens do casamento e você estudaram uma figura jurídica chamada meação, alguns regimes de bens do casamento tem a tal da meação. O regime da comunhão universal de bens e comunhão parcial de bens são os principais, como exemplo : A é casado com B, antes do casamento o A tinha 500 mil reais na caderneta de poupança e durante o casamento com B o A adquiriu um patrimônio de 500 mil reais e ai morreu.
 Primeira coisa que tinha que saber é qual é o regime de casamento entre A e B, porque se for o regime da comunhão universal de bens esses 500 mil que A adquiriu durante o casamento integra a meação sim e os 500 mil que ele tinha antes de casar também integra. O morto faleceu com 1 milhão de reais, metade dessa quantia integra a meação, B tem 500 mil desse montante, o valor da herança final de A é 500 mil porque a outra parte integra a meação. 
Digamos, em outro exemplo, que o indivíduo tinha 300 mil antes de casar e durante o casamento ele juntou 200 mil, somando os dois dá 500 mil que é o patrimônio total do indivíduo, mas metade desses 500 mil reais é a meação de B. Então qual é a o montante da herança do A? Apenas 250 mil reais. A primeira coisa então que você tem que fazer para não errar é tirar a meação se a pessoa for casada. 
Agora, mudando o regime de casamento para comunhão parcial bens, A tinha 300 mil na caderneta de poupança e depois que casou com B adquiriu 200 mil, esses 300 mil reais não integram a meação por conta do regime de casamento, então como só os 200 mil entregam a meação a meação será no valor de 100 mil reais para B. Sobrando então 100 mil para juntar com 300 mil temos 400 mil reais que integram a herança. Esse é o caminho, a primeira coisa é saber se a pessoa é casada ou solteira ou tem união estável, porque na união estável também há a meação. Monte hereditário é o valor da herança já retirada a meação. 
Agora, se o A morreu casado com o B e não tinha filhos nem netos, ou seja, não tinham descendentes mas tinham ascendentes ai já não importa o regime de bens, divide com o ascendente que fica com uma parte e o cônjuge além da meação dele vai ficar com uma parte da herança. Agora, se a pessoa quando morre e é casada com alguém e deixa descendentes, ai a primeira coisa que eu faço é tirar a meação e ai depois ver o regime de bens do casamento, vamos estudar isso mais adiante. 
Recapitulando, o objeto da herança é aquilo que sobrou da meação, tirei a meação é o que sobra. 
 
Espécies de sucessão 
 
Eu tenho a sucessão legítima, que são os herdeiros legítimos, e a sucessão testamentária que são os herdeiros testamentários.
Sucessão legítima: Lembra lei, é a sucessão que está prevista na lei, no artigo 1.829 do CC/02
Art. 1.829. A sucessão legítima defere-se na ordem seguinte:
I - aos descendentes, em concorrência com o cônjuge sobrevivente, salvo se casado este com o falecido no regime da comunhão universal, ou no da separação obrigatória de bens (art. 1.640, parágrafo único); ou se, no regime da comunhão parcial, o autor da herança não houver deixado bens particulares;
II - aos ascendentes, em concorrência com o cônjuge;
III - ao cônjuge sobrevivente;
IV - aos colaterais.
Os herdeiros legítimos são os que estão na lei, a lei presume que uma pessoa quando ela morre deixando bens ela gostaria que os bens dela fossem divididos daquela forma que a lei estabelece. No Brasil algumas pessoas são herdeiras legítimos necessários e outras são facultativos. Os necessários são os descendentes, os ascendentes e o cônjuge. Quando uma pessoa morre é ver o seguinte, se algum dos herdeiros legítimos estava vivo a lei vai dizer quem ela acha que você gostaria de ter como herdeiro. Os herdeiros legítimos são todos do Artigo 1.829, sendo que os colaterais são herdeiros legítimos facultativos, sendo assim eles não são obrigatórios e isso significa que os herdeiros legítimos necessários em regra não podem ser preteridos, ou seja, uma pessoa não pode tendo filhos, cônjuge, ascendentes deixar em seu testamento a totalidade dos seus bens para quem ele quiser. A metade desses bens então, chamada legítima, vai ser direcionada aos herdeiros necessários. 
Digamos que João, viúvo, morreu deixando dois filhos, Pedro e José. Ele tinha o patrimônio de 800 mil reais, não há dúvida que João, prevendo sua morte, poderia fazer um testamento dizendo que a sua parte disponível, ou seja, 400 mil reais ele iria doar para uma instituição de caridade. Mas os outros 400 mil são a chamada legítima que serão destinados aos herdeiros necessários, no exemplo os dois descendentes. Só existem duas hipóteses de um herdeiros necessários não receber a herança deixada, de exclusão do herdeiro necessário no direito brasileiro que são a indignidade e a deserdação. 
A indignidade está na lei, a lei vai dizer e listar as situações que uma pessoa apesar de ser herdeira necessária não vai herdar, vamos ver isso mais para frente. E a deserdação é feita em testamento, nas hipóteses que a lei permitir. Então, a indignidade está estabelecida na lei e independe da vontade do morto, a lei está dizendo que nos casos estabelecidos a pessoa não herda. Agora, quanto a deserdação o falecido pode em vida fazer um testamento dizendo que algum herdeiro necessário dele não vai receber a herança por conta da situação descrita na lei, é um faculdade do falecido. A exclusão na modalidade indignidade está nos Arts. 1814 a 1818 e a deserdação nos Arts. 1961 a 1965, todos do código civil.
Se uma pessoa morre deixando bens, então, metade deles que é a legítima será destinado aos herdeiros necessários. Agora a outra metade ele pode dispor no testamento deixando para quem ele quiser, inclusive para algum herdeiro necessário. Agora, no caso do João morrer e não ter ascendentes, descendentes e nem cônjuge, ele só tinha irmão e ai ele descobre que João fez um testamento deixando todos os seus bens para quem ele quisesse, o irmão do João não pode fazer nada porque ele é um herdeiro legítimo facultativo, então os colaterais até quarto grau são herdeiros legítimos mas apenas facultativos, eles herdam diretamente se não houve ascendente, descendente, cônjuge ou o morto não tenha feito testamento dispondo o contrário. 
Eu preciso deserdar meu irmão para que ele não receba minha herança? Não. Basta que eu realize um testamento dispondo para quem eu vou deixar a minha herança, não precisa deserdar o meu irmão por conta dele ser herdeiro facultativo. 
Posso também chegar a uma herança por sucessão testamentária, se eu sou herdeira de alguém não porque eu me encontro em alguma dessas situações aqui ou estou recebendo essa parte da herança não por força da lei mas sim por conta de um testamento a gente chama isso de sucessão testamentária e essa pessoa vai ser chamado de herdeiro testamentário. Qual a diferença entre herdeiro testamentário e legatário na sucessão testamentária? O herdeiro testamentário é aquele que recebe através de testamento uma porção da herança, uma fração da herança, um percentual da herança. É diferente de quando eu deixo um bem específico para alguém, como p.ex uma casa, eu não estou dando um percentual nem uma fração estou dando um bem específico essa pessoa vai ser chamada de legatária. Portanto, quando deixo no testamento um % ou fração a pessoa é herdeiro testamentário, quando deixo um bem específico é legatário. Existe essa diferença porque o tratamento de um é diferente do tratamento do outro no direito e vamos ver isso depois. 
Salvo as hipóteses em que a lei excepciona, isso é muito importante na sucessão legítima, para que uma pessoa seja herdeira legítima ela precisa pelo menos ter sido concebida no momento do óbito. Por exemplo: João morreu, a mulher dele está grávida ai a parte da herança da criança que ainda não nasceu fica suspensa aguardando seu nascimento, se ela nasce com vida ela recebe a herança, se ela é natimorta a herança é dividida para os outros herdeiros. 
Porque esse princípio da coexistência é muito discutido hoje em dia? Porque a ciência evoluiu. Imaginemos
que João tem 2 filhos frutos de fertilização em vitro, como a mulher tinha dificuldade de engravidar foi feita a fertilização. Existem vários embriões congelados para fertilização futura, após a morte de João a mulher decide se engravidar com os embriões, os filhos que forem gerados após a o falecimento de João não possuem direito a herança. A não ser que João, prevendo essa possibilidade, deixou em testamento herança para prole eventual, que é aquela que ainda iria nascer.
Então, está lá no Artigo 1798 esse princípio da coexistência 
Art. 1.798. Legitimam-se a suceder as pessoas nascidas ou já concebidas no momento da abertura da sucessão.
Lembrando que o momento de abertura da sucessão é a morte. Então há uma discussão forte sobre isso por conta de que a concepção se dá no momento da fecundação do óvulo e no caso o óvulo foi fecundado antes da morte mas estava congelado em espera. Existe então uma divisão na doutrina a cerca disso, alguns dizem que o direito brasileiro entende que a concepção se dá no momento da fecundação e a fecundação ocorreu com o marido ainda vivo e a outra parte diz que não pode-se aceitar isso porque o congelado não tem viabilidade humana. Portanto, tem essa divisão de entendimento na doutrina. Quem entende que esses filhos não terão direitos são aqueles que se utilizam do argumento da segurança jurídica, de que a herança já foi dividida e ai passam anos e a Mãe resolve engravidar novamente, teria que repartir a herança de novo? Ocorria uma insegurança jurídica grande. Quem é a favor diz que eles já haviam sido concebidos e se não for assim haveria um tratamento diferencial entre os filhos, o que a constituição veda. 
A questão do companheiro
Voltando um pouco, reparem que no quadro não pus no herdeiro necessário companheiro, apenas cônjuge porque eles não são iguais no direito sucessório, há uma corrente de autores que dizem que não pode-se dar tratamento diferenciado ao cônjuge e companheiro porque a constituição no Artigo 226 §3 equiparou os institutos, mas equiparar não é idêntico, eu só equiparo aquilo que é diferente e o STJ apesar de ter iniciado os julgamentos desses casos de um jeito, no meado do ano passado o STJ mudou completamente o entendimento para assumir que no direito sucessório o legislador tratou diferentemente o cônjuge e o companheiro. Eles podem ser iguais no direito de família, mas no direito sucessório não. 
Entre um dos direitos que o companheiro não recebe é ser herdeiro legítimo necessário, isso significa que se uma pessoa vive numa união estável não deixou descendentes nem ascendentes ele pode fazer um testamento deixando todos os bens dele para quem ele quiser, quando eu falo deixar bens lembrem-se que não estou falando de meação, a meação o companheiro tira, to falando da herança. Na hora da herança, a teoria do STJ hoje é que se uma pessoa vive em união estável e um dos companheiros morre o companheiro sobrevivente leva aquilo que é da meação dele, mas a parte que não integra a meação pode ser deixada por testamento para o companheiro. Mas como ele não é herdeiro legítimo necessário o companheiro que vem a falar pode também deixar todos os seus bens, tirando a meação, para quem ele quiser que não precisa ser o companheiro, não há o instituto da legítima para o companheiro, apenas a meação.  Então prestem atenção como o direito das sucessões não tratou igual o cônjuge e o companheiro. 
Direito das Sucessões
25-04-16
Nós vimos desde a primeira aula que quando uma pessoa morre abre a sua sucessão. Vimos, também, que pelo direito de saisine, que é uma ficção jurídica, no momento da morte abre a sucessão e no momento da morte a propriedade e a posse passa aos herdeiros. 
Ninguém é obrigado a aceitar a herança do outro. É possível que alguém não queira a herança do seu pai, do seu avô, que seja. Por isso que a gente fala que o direito sucessivo é uma ficção jurídica, pois presume-se que a pessoa tenha aceito. 
Só que no momento da morte, a lei presume que você vai aceitar, por isso já considera você seja o proprietário e possuidor de toda a herança. Nós vimos que quando falamos de herança, estamos falando daquele “saco”, não é nenhum bem especificadamente. 
Mas de qualquer forma é necessário verificar se os herdeiros querem ou não a herança. Por isso que o direito trata da figura da aceitação da herança. 
Temos que tomar cuidado com isso, pois há muita prova de concurso/ OAB que tem muita questão envolvendo esse tema, pois pela leitura do código dá a entender que só existem 2 tipos de aceitação da herança: a expressa e a tácita.
Mas na verdade, existe uma terceira forma de aceitação, que está logo depois, em outros artigos, por isso que isso é muito usado pra pegar a pessoa que estudou mais ou menos. A pessoa que só decorou os artigos que estão no código.
DIFERENÇA ENTRE ACEITAÇÃO EXPRESSA, TÁCITA E PRESUMIDA.
Existe uma controvérsia jurídica sobre a natureza da aceitação.
Muitos dizem que é um negócio jurídico e outros dizem que é um ato jurídico. 
Relembrando: no direito, nós trabalhamos com a ideia de fato jurídico. Fato é acontecimento. Fato jurídico é todo fato que tem relevância pra o direito. Só que esse fato jurídico pode se dar com fenômenos naturais ou por ato de vontade. E quando o acontecimento jurídico advém de uma vontade, chamamos isso de ato jurídico lato sensu. Só que, às vezes, a lei permite que nossa vontade trabalhe não somente o surgimento do ato jurídico, mas também suas consequências. E chamamos isso de negócio jurídico. 
Então, negócio jurídico é todo fato jurídico que vem de uma vontade humana e a lei permite que a vontade das pessoas que criam esse ato jurídico possa disciplinar as consequências deste acontecimento. Ex: contrato de compra e venda. Todo contrato é um negócio jurídico. Neste contrato, uma pessoa quer vender um bem e a outra quer comprar. Eles ajustam o objeto, o momento do pagamento, o valor, o parcelamento, se vai ser pagamento à vista, a prazo... estamos diante, então, de um típico negócio jurídico. A vontade das partes pode, não somente fazer acontecer aquele acontecimento jurídico, mas também disciplinar acerca dos seus efeitos, consequências.
Diferente de outras figuras jurídicas que a gente chama de ato jurídico stricto sensu. 
O ato jurídico lato sensu tem origem na vontade, mas a vontade não tem poderes para estabelecer as consequências, pois elas estão previstas expressamente na lei. Ex: reconhecimento de filiação. Se uma pessoa reconhece uma criança como sendo seu filho, a vontade dela só vai até aí. Ou ela reconhece ou ela não reconhece. Se ela quiser reconhecer, não pode dizer que só terá eficácia o reconhecimento quando a criança atingir 18 anos, dizer que nunca vai pagar pensão, que não terá obrigação de educar...não pode! Pois a vontade humana, quando chegou no cartório e reconheceu aquela criança como filho, todas as consequências vêm da lei. 
Então, essa é a diferença que temos na teoria do direito civil entre negócio jurídico e ato jurídico stricto sensu.
A pergunta é: qual a natureza jurídica da aceitação? A aceitação de uma herança é um negócio jurídico ou um ato jurídico stricto sensu. É uma questão controvertida. Há posição para os dois lados. Pois vamos encontrar várias limitações que a lei dá para a aceitação. Você não pode aceitar a herança sob condição. Não posso colocar: “eu aceito a herança se meus irmãos aceitarem também”, “aceito se ganhar a casa de Itaipava”. A lei também não permite que eu coloque termo: “aceito a herança, mas só daqui a 20 anos, porque enquanto isso eu vou pagar minhas dívidas e não quero que a herança de papai seja usada pra isso”. Não pode! A lei não permite isso. 
Então, a partir do momento que existem tantos entraves que a lei impõe à figura jurídica da aceitação ( ou aceita ou não aceita), é por isso que existe uma divisão na doutrina se a aceitação tem natureza jurídica de negócio jurídico ou de ato jurídico stricto sensu.
A aceitação pode ser feita de forma expressa. Nunca vi ninguém fazer uma petição em uma ação de inventário, por ex., dizendo
que aceita a herança. Na maior parte das vezes, na prática, a aceitação se dá de forma tácita. 
A aceitação expressa se dá quando a pessoa através de uma manifestação de vontade, afirma diretamente, que está ali aceitando a herança da pessoa. 
Aceitação tácita é interpretada através de um comportamento do herdeiro: O herdeiro entra em uma ação de inventário pedindo a parte dele; o herdeiro constitui um advogado para acompanhar a herança do pai dele pois ele desconfia do inventariante.
Então, a aceitação tácita é o que na maior parte das vezes acontece. A aceitação tácita na verdade advém de um comportamento que a pessoa tem e presumimos que a pessoa esteja aceitando a herança. Alguns comportamentos podem gerar dúvidas se está aceitando ou não a herança. A lei estabelece alguns casos/comportamentos que exclui dessa interpretação.
Art. 1.805. A aceitação da herança, quando expressa, faz-se por declaração escrita; quando tácita, há de resultar tão-somente de atos próprios da qualidade de herdeiro.
1o Não exprimem aceitação de herança os atos oficiosos, como o funeral do finado, os meramente conservatórios, ou os de administração e guarda provisória.
§ 2o Não importa igualmente aceitação a cessão gratuita, pura e simples, da herança, aos demais co-herdeiros.
Então o fato de um herdeiro estar conservando um bem do morto não significa que só por isso ele estará aceitando a herança. Alguns autores dizem que o mero fato de abrir o inventário, para muitos autores, não significa que a pessoa tenha aceitado a herança. Porque como o inventário tem que ser aberto em 2 meses (senão paga multa), muitos autores interpretam o ajuizamento da ação de inventário como um ato meramente conservatório dos direitos dos demais herdeiros, pois na ação de inventário, a pessoa que tem a posse da herança é legitimada para abrir inventário e para ser inventariante.
Mas às vezes a pessoa está na posse dos bens do morto, mas nem quer os bens do morto, apesar de isso ser raro de acontecer. Ex: filho morou com o pai a vida toda, pois cuidava do pai, mas tem ódio da família toda... aí resolve não aceitar nenhum centavo da herança. Nesse ex, quando o pai morreu, quem estava morando na casa era o herdeiro filho. E é possível que ele não queira a casa, mas ele estava na posse da casa. E por ele estar na posse da herança, a lei processual civil dá a ele a possibilidade de abrir o inventário e ser inventariante dos bens. Mas pode não querer os bens. Por isso que alguns autores dizem que abrir uma ação de inventário não seria aceitação tácita.
Por que é tão importante saber se a pessoa aceitou a herança? Devido aos impostos. 
 Ex: A é casada com B. Tiveram 1 filho, C. A morre. Possivelmente a herança será de C (não estou falando de meação. B irá tirar a meação dela, em alguns casos ela vai até dividir a herança com C....mas isso não interessa agora).
O problema é que C está morando na casa com o pai e mãe, quando pai morre. Então, o C está na posse da herança, e B é idosa. C procura a Defensoria Pública e ajuíza ação, pois a mãe é muito idosa. Mas C não quer a herança, pois ele é filho único e a herança da mãe vai pra ele de qualquer forma. Então, não quer a herança agora. Mas o simples fato de C abrir o inventário, se nós interpretarmos que a conduta de ir à Defensoria a abrir o inventário fizesse com que ele estivesse aceitando a herança, isso teria uma consequência tributária. Se você interpretar que a abertura do inventário é uma aceitação tácita, quando ele diz que não quer a herança, a Fazenda Pública ia dizer que há dois impostos a serem pagos. Haveria o imposto de transmissão em razão da morte e também o imposto de transmissão de bens imóveis para o município porque o C teria aceitado a herança e depois dado a herança para a mãe. Essa é a grande questão relativa à aceitação da herança. Por isso é tão importante saber se uma pessoa aceitou ou não uma herança. 
Então, há três formas de aceitação de herança:
1) aceitação expressa
Faz-se através de uma manifestação de vontade.
2) aceitação tácita
É a que ocorre na maioria das vezes. É o comportamento como herdeiro, que permite concluir que aquela pessoa quer a herança. 
3) aceitação presumida
Obs: tem muita pegadinha em concurso e OAB sobre esse terceiro tipo de aceitação, pois o art. 1.805 só trata dos dois primeiros casos.
Art. 1.805. A aceitação da herança, quando expressa, faz-se por declaração escrita; quando tácita, há de resultar tão-somente de atos próprios da qualidade de herdeiro.
A terceira hipótese está prevista no art 1.807:
Art. 1.807. O interessado em que o herdeiro declare se aceita, ou não, a herança, poderá, vinte dias após aberta a sucessão, requerer ao juiz prazo razoável, não maior de trinta dias, para, nele, se pronunciar o herdeiro, sob pena de se haver a herança por aceita.
A aceitação presumida aparece quando um credor do herdeiro... a lei permite que um credor do herdeiro peça ao juiz do inventário (juiz com competência de órfãos e sucessões) que ele intima um determinado herdeiro, que é o seu devedor, para ele dizer se vai aceitar a herança ou renunciar a herança. Se a parte intimada nada falar no prazo estabelecido no artigo 1807, presume-se que ele aceitou. 
Obs: cada livro vai dar uma definição na parte geral do direito civil. Muitos autores confundem a aceitação tácita com a presumida. Eu chamo de “manifestação de vontade tácita” sempre que eu tenho um comportamento do qual eu posso interpretar uma manifestação de vontade. 
Ex: antigamente, você recebia um cartão de crédito e tinha uma senha. O fato de você ir em uma loja e comprar com aquele cartão fazia com que o cartão achasse que o seu comportamento de usar diga que está aceitando contratar o cartão de crédito. 
Então, a manifestação de vontade tácita é quando eu tenho um comportamento do qual eu posso interpretar que a manifestação de vontade foi um sim.
A manifestação de vontade presumida vai aparecer sempre que eu tenho um silêncio. Geralmente a lei ou a própria manifestação de vontade das partes envolvidas naquele negócio. No exemplo dado, a lei diz que se você foi intimado e não falou nada, o seu silencio será interpretado pela lei como um sim (art 1.807, CC).
Art. 1.807. O interessado em que o herdeiro declare se aceita, ou não, a herança, poderá, vinte dias após aberta a sucessão, requerer ao juiz prazo razoável, não maior de trinta dias, para, nele, se pronunciar o herdeiro, sob pena de se haver a herança por aceita.
Então, abriu-se a sucessão: A morreu. O credor do C está fiscalizando. Já está quase chegando o prazo de 20 dias que o A morreu. O credor de C pode entrar com pedido na vara de órfãos e sucessões pedindo que o herdeiro seja intimado para dizer se vai aceitar ou não a herança. Aí o juiz vai intimar o herdeiro para dizer se aceita ou não, em 20 dias, por ex., a herança, valendo seu silencio como “sim”.
Na prática, a aceitação presumida só ocorre em cidades do interior. Porque só nelas um credor ficará sabendo que um parente de seu credor morreu...
Alguns autores (Caio Mario e outros) defendem que dizer que isso é uma aceitação é muito estranho, porque é muito raro a pessoa descobrir e ainda entrar com a petição em 20 dias. Depois, vamos ver outra esquisitice quando tratarmos de renúncia, mas explicarei mais tarde.
Art. 1.808. Não se pode aceitar ou renunciar a herança em parte, sob condição ou a termo.
Então, não posso colocar condição: ex: “aceito só se meu irmão aceitar”; “aceito só daqui a 20 anos”. Não pode!
Mas uma pessoa pode ser simultaneamente herdeiro legítimo e herdeiro testamentário. Ex: todos os 5 filhos do pai herdarão, pois a lei diz que filho é herdeiro (art. 1.829, I, CC)
Art. 1.829. A sucessão legítima defere-se na ordem seguinte:
I - aos descendentes, em concorrência com o cônjuge sobrevivente, salvo se casado este com o falecido no regime da comunhão universal, ou no da separação obrigatória de bens (art. 1.640, parágrafo único); ou se, no regime da comunhão parcial, o autor da herança não houver deixado bens particulares;
 Mas o pai redigiu um testamento
dizendo que ele deixava metade dos bens disponíveis dele para o filho queridinho dele. Então, o filho mais velho será herdeiro de duas causas jurídicas: será herdeiro legítimo e herdeiro testamentário. Nada impede que ele aceita a herança legitima e não aceita a testamentária e vice-versa.
Outro ex.: morreu deixando 5 filhos. Mas deixou testamento dizendo que a casa dele de búzios ficará para o filho mais novo. Então, o filho mais novo será ao mesmo tempo herdeiro legítimo e legatário. Será também legatário porque através de um testamento ele foi agraciado com um bem específico do morto. Nada impede que esse filho mais novo aceite o legado e não aceite a herança, ou aceite a herança e não aceite o legado. 
Então, deve-se analisar: na mesma causa, por ex: se sou herdeiro legítimo e meu pai deixou os bens e não fez testamento e todos os bens serão divididos pelos filhos. Nenhum dele pode dizer que só aceita metade, um pedaço, etc. Ou ele aceita tudo daquela causa, ou ele não aceita nada.
RENÚNCIA
O contrário da aceitação é a renúncia. Ex.: eu não quero a herança. 
Esses dois institutos vão trabalhar paralelamente. A grande questão de você saber se uma pessoa aceitou ou não a herança, é porque se ele aceitou, depois ela não pode renunciar. Mas ela pode ceder. Ex.: eu aceito a herança e transfiro pro meu irmão. Isso é cessão de direitos hereditários. Pode ser feito. Mas pra ceder, tem que aceitar, pois ninguém pode dar ou vender aquilo que não tem.
Então, mesmo que ele não tenha dito nada se aceita ou não a herança, se faz uma cessão de direitos hereditários, é óbvio que ele aceitou. É um comportamento que faz a gente interpretar que ele aceitou. Pois se ele cedeu pra alguém, vendeu (cessão onerosa de direitos hereditários) é porque ele aceitou. Então, a cessão de herança, mesmo que não tenha havido antes nenhuma manifestação de vontade expressa dizendo que aceitou a herança, ou mesmo não tendo havido nenhum comportamento anterior que você perceba que seria um comportamento de aceitação, se faz um negócio jurídico que ele denomina “cessão de herança”, é porque ele recebeu e está transferindo.
É possível que não esteja aceitando nada, só esteja renunciando. Isso é a renúncia.
Este assunto virá à tona geralmente quando os filhos combinam, pois não querem ficar em condomínio com o pai ou com a mãe, pois há problemas de família, pois tem medo de a pessoa casar com alguém chato... então, filhos muitas vezes preferem esperar que os dois pais morram pra que recebam a herança. Mas também não querem deixar o inventário em aberto. Não querem não abrir o inventário pra não pagar multa. Então, muitas vezes abre-se o inventário e todos os filhos renunciam.
No ex. dado acima, se C renuncia a herança, veremos quem será o próximo a receber a herança pela lei. E a lei vai dizer que se uma pessoa morre sem descendentes, a herança vai para o ascendente. Então se uma pessoa renuncia é como se não existisse. Então ele não pode dizer que “renuncia em favor da mãe”, pois “renunciar em favor de” equivale à cessão. 
Ninguém renuncia em favor de um ser humano. A pessoa renuncia. Ou renuncia em favor do monte ( “eu renuncio e deixa na sacola pra quem vier receber”). Então, quando geralmente o filho renuncia à herança, a Fazenda Pública diz que não é uma renúncia, mas sim uma cessão. Pra eu classificar uma to como renúncia ou como cessão, deve-se fazer a seguinte pergunta: “ houve aceitação?”. E quais são as formas de aceitação? A presumida a gente deixa pra lá pois não vai acontecer nunca. A expressa, se a parte disse que queria. Se ela disse que queria e agora está renunciando, na verdade ela não está renunciando, mas sim cedendo. Se existe algum comportamento dela em ralação à herança que eu posso entender que tenha havido aceitação tácita, eu também não tenho renúncia, mas sim cessão.
É sempre importante saber em que situações se dá a aceitação. Pois quando aparece no inventário uma petição dizendo que está renunciando a herança, tem-se que interpretar que negócio jurídico realmente é esse. Se é de fato uma renúncia ou uma cessão de direitos. Pois se for cessão de direitos, tem que pagar dois impostos: um para o Estado e um para o município.
Pergunta inaudível
Professora: não, adjacente só se não tiver outros herdeiros (ascendente, descendente, cônjuge e colateral), a herança vai ficar em tese para o município.
Então, a renúncia é também a mesma controvérsia que eu falei sobre a natureza jurídica da aceitação. A renuncia é ato jurídico stricto sensu ou negócio jurídico. As mesmas questões aparecem aqui. Pois a renúncia também não pode ser sob condição e a termo. Ex: “eu renuncio se meu irmão renunciar também”; “Eu renuncio, mas a eficácia da renúncia só terá eficácia daqui a dois anos”. Não pode! Ou renuncia ou não renuncia. Não se pode colocar nenhum elemento acidental.
Em decorrência de todas essas proibições em relação à renúncia que há autores que defendem não ser um negócio jurídico, pois no negócio jurídico a vontade da parte é livre quando ela estabelecer os efeitos do ato que está praticando. Se a lei não permite que ela coloque termo, condição, isso na verdade seria um ato jurídico stricto sensu (acontecimento jurídico fundamentado na vontade de uma pessoa, mas cujos efeitos estão na própria lei).
Da mesma forma que na aceitação, o herdeiro pode tratar a herança dele na forma que quiser, no que tange às diversas formas de sucessão. Se ele é herdeiro simultaneamente legítimo e testamentário, pode aceitar um e não aceitar outro, renunciar um não renunciar ao outro... o que ele não pode é fazer renúncias parciais (ex: renunciar a 10% da herança). Então, tudo que se falou acerca da aceitação tb vale para a renúncia.
Na parte Geral há o instituto da fraude a credores. Aqui aparece uma possível fraude. Se o C está cheio de dívidas (cheque especial, cartão de crédito...), mas se ele renuncia à herança, ele está comentendo uma fraude contra credores, pois está tirando a possibilidade de seus credores virem a receber o dinheiro, pois ele está fazendo um ato gratuito que não vai entrar nada em seu patrimônio e, com isso, seus credores nada receberão.
Pode o credor, de acordo com a parte geral do código, mover a chamada “ação pauliana”, para tentar anular esse negócio jurídico. Mas quando se trata de renúncia à herança fica um pouco mais “fácil”, pois o art. 1.813, CC, permite que os credores façam algo diferente. Não precisam ajuizar ação pauliana e ficar esperando vários anos pra tentar anular o negócio jurídico praticado.
Art. 1.813. Quando o herdeiro prejudicar os seus credores, renunciando à herança, poderão eles, com autorização do juiz, aceitá-la em nome do renunciante.
Aqui vem uma grande crítica da doutrina. Na verdade não está havendo uma aceitação por parte do credor, pois o credor não é herdeiro e, assim, não pode aceitar nada. Se o credor apresentar ao juízo do inventário uma petição explicando/comprovando que o herdeiro está com dívidas e, mesmo assim, está renunciando à herança, o que é prejudicial a ele, credor, o juiz pode “limitar” a renúncia àquilo que sobrar do pagamento da dívida.
Ex: O C estava recebendo 500 mil de herança. Aí o credor (cartão de crédito) diz que ele está devendo 100 mil. Aí o juiz vai tornar ineficaz a renúncia na parte que você tem a receber. Então, a renúncia só vai vigorar em relação ao excedente da dívida. É por isso que os autores dizem que isso é esquisito chamar de aceitação, pois se fosse aceitação, o credor do herdeiro ficaria com toda a herança, e ele não fica. Só vai receber a dívida dele (art. 1.813, par. 2°).
§ 2o Pagas as dívidas do renunciante, prevalece a renúncia quanto ao remanescente, que será devolvido aos demais herdeiros.
Ex: A e B tem 2 filhos: X e Z. A e B morrem. Herança é de 500 mil. Ficaria 250 mil pra cada um. Mas o X, endividado com o cartão de crédito, deve 100 mil ao cartão e renuncia. Quando renuncia, é como se ele não existisse. E Z receberia a totalidade da herança. Aí o cartão de crédito descobre que o X renunciou à herança e diz que havia dívida.

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