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Dale Carnegie 
Fale Com 
Eficácia 
eLivro
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Parte Um 
Falar em Público
Uma Forma Fácil e Rápida
Pode perguntar a si mesmo: “Existe realmente alguma forma 
rápida e fácil para falar em público – ou isso é meramente 
mais um artigo que promete mais do que realmente 
concretiza?” 
Não, não estou exagerando. Vou realmente deixá-lo entrar 
no segredo vital – um segredo que tornará fácil para você 
falar em público imediatamente. Onde descobri isso? Em 
algum livro? Não. Em algum curso de falar em público? 
Não. Nem sequer mencionei isso. Descobri da pior forma – 
gradual, lenta e penosamente. 
Se, voltasse ao tempo da faculdade e alguém me desse 
esta passagem para falar e escrever com eficácia teria 
salvo anos e anos de cansaço e esforços desgastantes. 
Por exemplo, uma vez escrevi um livro sobre Lincoln; 
e enquanto o escrevi, desperdicei pelo menos 1 ano de 
esforço que poderia ter sido poupado se tivesse conhecido 
os segredos que vou divulgar. 
O mesmo aconteceu quando perdi dois anos da minha vida 
tentando escrever uma peça. 
O mesmo aconteceu enquanto estava escrevendo um 
livro de falar em público – mais um ano de esforços 
desperdiçado porque não tinha conhecimento dos segredos 
do sucesso de escrever e falar.
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Se Possível, Perca Anos 
Em Preparação 
Que segredos preciosos são esses que tenho 
oscilado diante dos seus olhos? Apenas isto: fale 
sobre algo que ganhou o direito de falar através 
de um estudo ou experiência. Fale sobre algo que 
conhece e que sabe. Não perca dez minutos ou dez 
horas a preparar um discurso: perca dez semanas 
ou dez meses. Ou melhor, perca dez anos.
Fale sobre algo que tenha despertado o seu 
interesse. 
Fale sobre algo que deseje profundamente 
comunicar para o seu público.
Para ilustrar o que quero dizer, vamos pegar no 
caso de Gay Kellog, uma dona de casa de Roselle, 
New Jersey. Kellog nunca discursou em público 
antes de participar numa das nossas turmas em 
Nova Iorque. Ela estava apavorada, tinha medo, 
achava que falar em público era uma arte obscura, 
que ia para além das suas capacidades. No entanto, 
na quarta sessão do curso discursou, de improviso 
quando lhe pedi para falar sobre “a maior mágoa 
da minha vida”. O público ficou encantado. Fez uma 
apresentação profundamente emocionante. Os 
ouvintes mal podiam conter as lágrimas. Eu sei. Eu 
mal conseguia manter as lágrimas. A apresentação 
foi assim:
“A maior mágoa da minha vida é que nunca conheci 
o amor de mãe. A minha mãe morreu quando eu 
tinha apenas um ano de idade. Fui criada por tios e 
outros parentes que estavam tão absorvidos com 
os seus próprios filhos que mal tinham tempo para 
mim. Nunca fiquei com ninguém, por muito tempo. 
Ficavam insatisfeitos quando me viam entrar e 
contentes quando me viam partir.
Nunca mostraram algum interesse em mim ou me 
deram carinho. Sabia que não era desejada. Mesmo 
sendo uma criança, sentia isso. Muitas vezes chorei 
até adormecer por causa da solidão. O que mais 
desejava era ter alguém a quem mostrar a minha 
caderneta da escola. Mas não tinha. Ninguém queria 
saber. Tudo o que queria, enquanto era criança, era 
amor – e nunca ninguém me deu”.
Será que Gay Kellogg demorou dez anos para 
preparar este discurso? 
 
Não. Ela gastou vinte anos. Tem-se preparado 
para o discurso desde que chorava até adormecer 
quando era criança. Tem-se preparado para o 
discurso quando lhe doía o coração quando não tinha 
ninguém a quem mostrar a caderneta da escola. Não 
admira que ela pudesse falar sobre o assunto. Ela 
nunca apagou essas memórias da sua cabeça. Gay 
Kellogg descobriu uma quantidade de memórias
e sentimentos trágicos dentro dela. 
Ela não tinha que os estimular. O que ela tinha que 
fazer era deixar os seus sentimentos e recordações 
reprimidos virem à tona.
Jesus disse: “O meu jugo é suave e meu fardo é leve”. 
Assim é o jugo e o fardo de falar bem. Discursos 
ineficazes são geralmente aqueles que são escritos, 
memorizados e que soam artificiais. Uma boa 
conversa é aquela que vem de dentro de nós, tal 
como uma fonte. Muitas pessoas falam da forma 
como eu nado. Eu luto com a água e nado um décimo 
mais rápido do que um profissional. Oradores fracos, 
assim como os maus nadadores, começam tensos e 
torcem-se a eles mesmos como nós – e derrotam os 
seus próprios fins.
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Entusiasme-Se Que 
com seu Tema
Até as pessoas com capacidades medíocres para 
discursar, podem fazer discursos soberbos quando 
falam sobre algo que mexe profundamente com elas. 
Assisti a uma experiência impressionante, há uns 
anos atrás, quando ministrava cursos na Câmara 
de Comércio em Brooklyn. Foi um exemplo que vou 
recordar para sempre. Foi assim: 
Estávamos tendo uma sessão sobre falar de 
improviso. Depois da sessão pedi que me falassem 
sobre “O que está errado, se é que está, com a 
religião?”
Um membro (um homem, que por sinal nunca 
terminou o curso) fez algo que eu nunca tinha visto 
nenhum outro orador fazer durante os anos que 
formei pessoas para falarem em público. O seu 
discurso foi tão emocionante que quando terminou 
toda a audiência se levantou em silêncio em forma de 
tributo.
Este homem falou da maior tragédia da sua vida: a 
morte da mãe. Ele ficou tão arrasado, tão aflito que 
não queria viver mais. Disse que mesmo quando saía 
de casa num dia de sol, era como se tivesse um dia 
de nevoeiro. Ele queria morrer. Em desespero foi até 
à igreja, ajoelhou-se, chorou e rezou o rosário. Um 
sentimento de paz apoderou-se dele – um pedaço 
divino de resignação: “Não a minha vontade, mas que 
a Tua seja feita”.
Quando terminou o seu discurso, disse num tom 
de quem tinha tido uma revelação: “Não há nada de 
errado com a religião! Não há nada de errado com o 
amor de Deus”. Nunca vou esquecer aquele discurso 
por causa do impacto emocional. Quando lhe dei os 
parabéns pelo discurso, ele respondeu: “Sim, e eu não 
fiz nenhuma preparação”
Preparação? Bem, se ele não preparou o discurso, 
então não sei o que é a preparação. O que ele quis 
dizer é que não tinha nenhuma ideia sobre o que 
iria ter que apresentar. E ainda bem que não o fez, 
porque se tivesse sido avisado previamente, o seu 
discurso podia ter sido muito menos eficaz. Poderia 
ter trabalhado no assunto, tentar preparar o discurso 
e ser artificial. Em vez disso, fez exatamente o que 
Gay Kellog fez uns anos mais tarde - levantou-se e 
abriu o seu coração como um ser humano que fala 
com outro.
A verdade da questão é que ele já se preparava para 
o discurso quando se ajoelhou e rezou o rosário. 
Viver, sentir, pensar, enquanto “os estilingues e 
as setas da fortuna ultrajante” – esta é a melhor 
preparação inventada até hoje tanto para falar como 
para escrever.
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Olhe para Dentro de Si para 
Tópicos para Falar Sobre
Saberão os iniciantes a necessidade de olhar para
dentro de si para escolher um tema? Saberão? 
Eles nunca ouviram falar sobre isso! Estão mais 
propensos a olhar para os temas de uma revista. 
Por exemplo, lembro-me de ter encontrado uma 
antiga participante no metro – uma mulher que 
estava desanimada por fazer tão poucos progressos 
no curso. Perguntei-lhe sobre o que tinha falado na 
semana que passou.
Descobri que falou sobre como Mussolini se 
tinha permitido a invadir a Etiópia. Retirou essas 
informações de um artigo da “Time”. Ela leu o artigo 
duas vezes. Perguntei-lhe se estava interessada no 
assunto e ela respondeu que não. Depois perguntei-
lhe porque tinha falado sobre isso. “Bem”, respondeu 
ela “Tinha que falar sobre alguma coisa, por isso 
escolhi esse tema”.
Pense sobre isso: ali estava uma mulher que tentou 
falar sobre Mussolini e a Guerra na Etiópia. Admitiu 
que sabia pouco sobre o tema e que não tinha 
qualquer interesse no assunto. Ela esqueceu-se de 
falar sobre um assunto que tinha adquirido o direito 
de falar.
Depois da conversa disse-lhe: “Ouvirei com respeito 
e interesse se falar sobre algo que viveu e que 
sabesobre o que fala, nem eu nem ninguém está 
interessado na invasão de Mussolini à Etiópia. Não 
tem conhecimento suficiente para falar sobre isso 
para que consiga captar a nossa atenção ou respeito.”
Fale do Coração – 
Não de um Livro
Muitos participantes de Falar em Público são como 
aquela participante. Retiram o tema de um livro ou 
de uma revista em vez de recorrer ao seu próprio 
conhecimento e convicções. Por exemplo, há 
alguns anos atrás, fui um dos elementos do júri num 
concurso de discursos inter-escolas através da rede 
NBC. Os júris nunca tinham visto os concorrentes. 
Ouvimo-los através do estúdio 8G da rádio local. 
Desejei que todos os estudantes e professores 
pudessem testemunhar o que acontecia naquele 
estúdio. O primeiro orador falou sobre “a Democracia 
numa Encruzilhada”. 
O seguinte falou sobre “Como prevenir a Guerra”. 
Era dolorosamente evidente que estavam falando 
sobre algo que estudaram e memorizaram. Desta 
forma, nem os convidados que estavam no estúdio, 
nem o júri prestaram muita atenção ao que diziam. 
Um dos elementos do júri era Willem Hendrik Van 
Loon. Quando começou a fazer uma caricatura 
de um dos participantes, todos os que estavam 
de pé começaram a olhar para ele e a ignorar os 
“discursos” amadores, as frases memorizadas, que 
íamos ouvindo.
No entanto, o orador seguinte captou a 
minha atenção imediatamente. Um sênior da 
Universidade de Yale. Falou sobre o que estava 
mal nas universidades. Ganhou o direito de 
falar sobre isso. Ouvimo-lo com respeito. 
Mas o orador que ganhou o primeiro prêmio 
começou com algo parecido com isto:
“Acabei de vir do hospital onde tenho uma amiga 
em risco de vida por causa de um acidente de carro. 
Muitos dos acidentes são causados pela geração 
mais nova. Sou um membro dessa geração e quero 
falar sobre as causas desses acidentes”. 
Todos no estúdio estavam quietos enquanto ele 
falou. Falou sobre reabilitações, sem tentar fazer um 
discurso. Ele começou a falar sobre algo que ganhou 
o direito de falar. Ele estava falando de dentro.
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Tenha um Forte Desejo 
de Comunicar
Contudo, deixe-me avisar que não é só por falarmos 
sobre algo que ganhamos o direito de falar, que faz 
com que tenhamos uma apresentação excelente. 
Um outro elemento tem de ser acrescentado – um 
elemento que é vital para o discurso. Resumidamente, 
para além de ganhar o direito de falar, devemos 
ter um profundo desejo de comunicar as nossas 
convicções ou sentimentos aos nossos ouvintes.
Para exemplificar: vamos supor que sou questionado 
a falar sobre o aumento do preço do milho e sobre 
porcos. Passei vinte anos numa quinta com milho e 
porcos em Missouri, então seguramente que ganhei 
o direito de falar sobre o assunto, no entanto não 
tenho qualquer desejo especial para falar sobre isso. 
Agora suponhamos que me pedem para falar sobre o 
que está errado com o tipo de educação que tive na 
escola; dificilmente poderia falhar ao falar sobre esse 
tema, pois disponho dos três elementos básicos para 
uma boa conversação. Primeiro, falaria sobre algo 
que teria o direito de falar. Segundo falaria sobre algo 
que tinha um profundo desejo e convicção de falar 
sobre o assunto. Terceiro, teria forma de exemplificar 
através da minha própria experiência.
Quando a Gay Kellog falou sobre o seu mais profundo 
pesar – nunca ter conhecido o amor de mãe – não 
só ganhou o direito de falar sobre o assunto, como 
também tinha um forte desejo emocional de nos 
contar a sua experiência. Por isso, os elementos da 
turma do Brookling Chamber of Commerce falaram 
sobre a morte das suas mães.
A história tem sido repetidamente alterada por 
pessoas que têm o desejo e a capacidade de 
transferir as suas convicções e emoções para os seus 
ouvintes. Se John Wesley não tivesse esse desejo e 
capacidade nunca teria fundado uma seita religiosa 
que mudou o mundo. Se Pedro – o Eremita 
não tivesse esse desejo e convicção nunca poderia 
ter despertado a atenção do mundo e mergulhado a 
Europa numa das mais fúteis e sangrentas Cruzadas 
pela posse da Terra Santa. Se Hitler não tivesse a 
capacidade para transferir o seu ódio e amargura 
para os seus ouvintes, não teria tomado o poder da 
Alemanha e colocado o mundo em guerra.
Fale sobre as Suas 
Experiências
Neste momento está preparado para fazer pelo 
menos uma dúzia de bons discursos – discursos que 
mais ninguém no mundo faria, porque ninguém teria 
precisamente a mesma experiência que teve. Que 
assuntos são esses? Não sei. Mas você sabe. Por isso 
tenha sempre consigo uma folha de papel por umas 
semanas e escreva nela todos os temas que está 
preparado para falar, pela sua experiência – temas 
como “o maior pesar da minha vida”, “A minha maior 
ambição” e “Porque gosto (não gosto) da escola”. 
Faça isso e surpreenda-se com a forma como a sua 
lista de tópicos aumenta.
Boas notícias para si: o seu progresso enquanto 
orador dependerá da escolha dos temas certos, mais 
que a sua capacidade inata para falar. Pode-se sentir 
à vontade e fazer um bom discurso imediatamente 
se fizer somente o que fez Gay Kellog: fale sobre 
alguma experiência que o afetou profundamente, 
alguma experiência que o tem feito pensar durante 
vinte anos. Mas nunca será assim tão fácil se 
tentar discursar acerca da “Invasão de Mussolini à 
Etiópia” ou “A Democracia numa Encruzilhada”.
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Fale sobre Coisas que 
tenha Estudado
Falar sobre as nossas próprias experiências é 
obviamente a forma mais rápida para desenvolver a 
coragem e a autoconfiança, mas depois de ganhar 
um pouco de experiência quererá falar sobre outros 
temas. Que temas? E onde os poderá encontrar? 
Em todo o lado. Por exemplo, uma vez pedi a uma 
turma de gestores da Telephone Company de Nova 
Iorque para apontar todas as ideias que ocorrerem 
durante a
semana. Estávamos em Novembro. Uma das 
pessoas viu o Dia de Graças sublinhado no 
calendário e falou sobre muitas coisas pelas 
quais deveria estar agradecida. Outra pessoa viu 
alguns pombos na rua e inspirou-se. Falou sobre 
os pombos e nunca irei esquecer o seu discurso. 
Mas o vencedor foi um elemento que viu um inseto 
subindo uma gola de um homem no metro. Fez um 
discurso que não esqueci em vinte anos.
Ande com um Livro 
de Rascunhos
Porque não faz o que Voltaire fez? Voltaire, um 
dos escritores mais conceituados do século XVII, 
trazia no bolso o que ele chamava de “Livro de 
Rascunhos” – um caderno onde anotou todas as 
suas ideias e pensamentos mais fugazes. Porque 
não anda com um “Livro de Rascunhos”? Assim, se 
se irritar com um funcionário desagradável anote 
no caderno a palavra “Desagrado”. De seguida tente 
listar outros incidentes desagradáveis. Selecione o 
melhor e conte-nos o que devemos saber sobre o 
assunto. Pronto! Terá uma conversa de dois minutos 
sobre “desagrado”.
Conte Algo 
Simples
Não tente falar sobre assuntos que abalaram o 
mundo, como a Bomba Atômica. Escolha algo 
simples – não irá fazer quase nada, desde que a 
ideia o apanhe e não o contrário. Por exemplo, 
recentemente ouvi uma estudante deste curso, 
Mary A. Leer, de Chicago, falar sobre a “Porta do 
Fundo”. Pode achar o seu discurso aborrecido assim 
que o ler; mas se tivesse ouvido tal como eu ouvi 
ia adorar devido ao seu entusiasmo ao falar da 
porta do fundo. De fato, nunca tinha ouvido antes 
ninguém falar com tanto entusiasmo sobre pintar 
a porta do fundo! O ponto ao qual quero chegar é 
o seguinte: qualquer objeto fará com que ganhe o 
direito de falar sobre ele quer seja através de estudo 
ou através da experiência e irá tornar-se muito 
interessado em falar sobre ele.
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Esta é a Famosa Conversa 
sobre Portas do Fundo!
“Há quatro anos atrás quando me mudei para o meu atual 
apartamento, a porta do fundo estava pintada com uma mancha 
cinzenta. Era terrível. Todas as vezes que abria aquela porta sentia-
me deprimida. Então comprei uma lata de tinta azul e pintei a parte 
de dentro e de fora da porta. A pintura ficou parecida comalgo 
como uma sombra azul, a sombra mais requintada que tinha visto; 
e todas as vezes que abria aquela porta depois disso parecia que 
estava a olhar para um pedaço de céu.
“Nunca me senti tão irritada como numa noite em que cheguei a 
casa e descobri que o pintor tinha derrubado a minha porta que 
parecia uma tela e depois pintou-a com uma sombra cinzenta 
horrenda. Estava prestes a estrangular aquele pintor.
“Pode contar muito mais sobre as pessoas a partir das suas portas 
do fundo do que a partir da porta da frente. As portas da frente são 
embelezadas para o impressionar, enquanto que as portas do fundo 
contam contos. Uma porta de fundo desleixada retrata desleixo 
nos cuidados com a casa. Mas uma porta de fundo que seja pintada 
com uma cor alegre com vasos de plantas à volta e baldes do lixo 
pintados diz-nos que nessa casa vive uma pessoa interessante e 
com imaginação. Já comprei uma lata de tinta azul e, no próximo 
sábado, vai estar bom tempo e vou pintar novamente a minha porta 
com alegria e inspiração”. E assim foi. 
Temos um grande número de exemplos que mostram o poder dos 
oradores que:
(a) G anharam o direito para falar sobre o as sunto, através do 
 estudo ou experiência vivida;
(b) Estão entusiasmados com eles mesmos; e
(c) Estão ansiosos por comunicar as suas ideias e sentimentos 
 aos outros
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Como Preparar e Transmitir as Suas Falas
Existem oito princípios que o ajudarão a preparar o 
discurso:
I. Faça notas breves de assuntos interessantes 
que queria mencionar.
II. Não escreva o seu discurso.
Porquê? Porque se o fizer irá usar uma linguagem 
correta em vez de uma linguagem fácil ou 
convencional; e quando se levantar para falar irá 
ver que vai tentar se lembrar do que escreveu. Isso 
o afastará da possibilidade de falar naturalmente e 
com brilho.
III. Nunca, nunca memorize uma frase.
Se memorizar a sua fala é quase certo que a 
esqueerá; a sua audiência ficará com certeza 
insatisfeita, pois ninguém quer ouvir um discurso 
pré-fabricado. Mesmo que não se esqueça das suas 
falas, vai sempre soar que é memorizado. Irá ficar 
com um olhar distante e um tom de voz distante. 
Não vai soar como um ser humano que nos está a 
contar algo.
Se, num discurso longo tiver o medo de esquecer o 
que tem para dizer tome algumas notas e tenha-as 
na sua mão e olhe para elas ocasionalmente. É o que 
usualmente faço.
IV. Enriqueça o seu discurso com 
ilustrações e exemplos.
De longe, a forma mais fácil de tornar uma palestra 
interessante é preenchê-la com exemplos. Para 
ilustrar o que quero dizer, vamos olhar para o folheto 
que estão lendo agora. Cerca de metade dessas 
páginas estão dedicadas à ilustração. Primeiro, 
temos o exemplo da Gay Kellog sobre o seu 
sofrimento quando era criança. A próxima ilustração 
é sobre o tema “O que está errado com a religião”. 
De seguida temos o exemplo da mulher que tentou 
falar da invasão de Mussolini à Etiópia, seguida da 
história do concurso dos quatro estudantes através 
da rádio – e por aí em diante. O seu maior problema 
ao escrever um livro ou preparar um discurso não 
é ter ideias, mas ilustrar para tornar essas ideias 
mais claras, vividas e inesquecíveis. Os filósofos da 
Roma Antiga costumavam dizer “Exemplum docet” 
(exemplos ensinam). E como escrevê-los aqui!
Por exemplo, deixem-me mostrar o valor de uma 
ilustração. Há alguns anos atrás, um congressista 
fez um discurso tempestuoso, acusando o governo 
de desperdiçar dinheiro ao imprimir panfletos 
desnecessários. Ele mostrou o que queria dizer 
quando mostrou um panfleto de “The Love Life 
of the Bullfrog”. Teria esquecido esse discurso se 
não fosse esse exemplo. Provavelmente esqueci 
milhares de outros fatos ao longo da década, mas 
não esquecerei a sua acusação de que o governo 
desperdiça o nosso dinheiro.
Exemplum docet. Não é somente o exemplo que 
ensina, mas trata-se da única coisa que ensina. Já 
ouvi palestras brilhantes que esqueci imediatamente 
porque não foram dados exemplos que ficassem na 
minha memória.
V. Saiba mais sobre o tema.
Ida Tarbell, uma das escritoras americanas mais 
distintas disse-me há alguns anos atrás, enquanto 
recebia um cabo de S.S. McClure, fundador da 
McClure Magazine, que lhe pediu que escrevesse 
um artigo de duas páginas sobre o Cabo Atlântico. 
Tarbell entrevistou o gerente e retirou toda a 
informação necessária para escrever as 500 
palavras para o artigo. Mas ela não ficou por aqui. 
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Ela foi à biblioteca do British Mudeum e leu alguns 
artigos e livros sobre o Cabo Atlântico e a biografia 
de Cyrus West Field, o homem que passou o Cabo 
Atlântico. Ela estudou seções sobre cabos no British 
Mudeum e visitou uma fábrica na periferia e viu a 
fabricação de cabos. “Quando escrevi estas duas 
páginas sobre o Cabo Atlântico”, disse Tarbell, e 
contou-me a história, “tinha material suficiente para 
escrever um livro. Mas esse material não me impediu 
de escrever com confiança, clareza e interesse. Isso 
deu-me energia de reserva.”
Ida Tarbell aprendeu após vários anos de experiência 
que tinha que ganhar o direito de falar sobre o tema 
“Cabo Atlântico”. O mesmo principio se aplica no 
discurso. Desenvolva essa capacidade preciosa, 
conhecida como energia de reserva.
VI. Ensaie o seu discurso conversando com amigos.
Will Rogers preparou o seu famoso programa 
de Rádio de Sábado à noite tentando conversar 
sobre o tema que iria abordar com as pessoas que 
ia estando durante a semana. Se, por exemplo, 
queria falar sobre um assunto banal, poderia ver 
qual a sua piada sobre o tema durante a semana. 
Poderia ver qual das suas piadas teve mais impacto 
e quais dos seus comentários suscitaram mais 
interesse nas pessoas. Essa é uma excelente 
forma para ensaiar o discurso, mais que ensaiar 
os seus gestos em frente a um espelho.
VII. Em vez de nos preocuparmos sobre a 
transmissão, encontre formas de melhorá-la.
Têm-se escrito e divulgadas muitas questões 
prejudiciais, sem sentido e enganosas sobre a 
transmissão do discurso. A verdade é que quando 
enfrenta a audiência deve-se esquecer tudo, como 
a voz, respiração, gestos, postura, empatia. Esqueça 
tudo exceto o que está dizendo. O que os ouvintes 
querem, tal como a mãe de Hamlet disse, “tem 
mais valor, quando menos arte tiver”. Faça o que 
um gato faz quando quer caçar um rato. Não olha 
à sua volta e diz “preocupo-me como está o meu 
rabo, e se me preocupar se estou a agir bem e qual 
é a minha expressão facial?” Aquele gato estava tão 
concentrado em apanhar o rato para o seu jantar 
que não podia estar errado ou parecer errado – e o 
mesmo acontece consigo, se estiver tão interessado 
na sua audiência e no que está a dizer, esquecerá de 
si próprio.
Não pense que expressar as suas ideias e emoções 
requer anos de experiência técnica, como um técnico 
de som ou pintor. Qualquer pessoa pode discursar 
de forma esplendida em casa quando está irritado. 
Por exemplo, se alguém lhe bateu num determinado 
instante irá ficar irritado e fazer um discurso 
excelente. Os seus gestos, a sua postura, a sua 
expressão facial será perfeita, devido ao sentimento 
de raiva que sente nesse momento. E lembre-se, não 
tem que apresentar sobre como expressar emoções. 
Pode expressar as suas emoções perfei tamente 
desde quando tinha seis meses de idade. Pergunte a 
qualquer mãe.
Observe um grupo de crianças a brincar. Que 
expressão engraçada. Que ênfase, gestos e posturas 
de comunicação perfeitas! Jesus disse: “Se não vos 
tornades como criancinhas, não podemos entrar no 
reino dos céus e se se torna tão natural e espontâneo 
e livre como crianças a brincar, pode entrar no reino 
da boa expressão”.
Se a sua Atitude é Boa – O seu Discurso também será
O seu problema não é como aprender a falar com 
enfâse ou como gesticular ou como estar. Esses são 
meros efeitos. O seu problema é lidar com a causa 
que provoca esses efeitos. Essa causa é interior, é 
sua, é profunda; é a sua atitude mental e emocional. 
Seestiver em condições mentais e emocionais 
estáveis fará um discurso soberbo. Não terá que se 
esforçar para o fazer. Vai fazê-lo tão naturalmente 
como quando respira.
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Para exemplificar, um Contra-Almirante da Marinha
dos EUA frequentou este curso. Ele comandou um
esquadrão da frota dos EUA durante a I Guerra
Mundial. Ele não tinha medo de comandar uma 
batalha, mas tinha medo de enfrentar a audiência 
durante as suas viagens todas as semanas, desde 
a sua casa em New Haven, a Connecticut, a Nova = 
Iorque para fazer este curso.
Depois de uma dezena de sessões ele ainda estava 
aterrorizado. Por isso, um dos nossos formadores, 
o Professor Elmer Nyberg, teve uma ideia que 
podia fazer o Almirante “sair da concha”. Havia um 
radical na turma. O professor Nyberg levou-o para 
o outro lado da sala e disse: “Pergunto-me se terá 
um discurso suficientemente forte que justifique a 
sua filosofia de governo? Obviamente isso faria que 
o Almirante de enfurecesse, que era exatamente o 
que ele queria. Ele irá esquecer-se de si próprio e a 
sua ânsia de refutar a si próprio o fará ter um bom 
discurso. O elemento radical disse “Claro, será um 
prazer”. Não foi muito longe na sua conversa, quando 
o Contra- Almirante levantou e gritou: “Pare! Pare! 
Isso é uma sedição!” Depois fez uma discurso forte 
sobre quando cada um de nós deve ao nosso País e 
sobre a liberdade de cada um.
O professor Nyberg voltou-se para o Almirante e 
disse, “Parabéns, Almirante! Que discurso brilhante” 
O almirante respondeu “Não estava discursando, 
estava dizendo uma coisa ou outra àquela pessoa 
insignificante”. Depois, o professor Nyberg explicou 
que tudo foi encenação para que o Almirante “saísse 
da concha” e se esquecesse dele próprio.
O Contra-Almirante descobriu o que irá descobrir 
quando se sentir mexido por uma causa maior 
que si próprio. Irá descobrir que todos os medos 
de falar serão banidos e que não deve dar 
importância à transmissão da mensagem, desde 
que as causas produzam boas transmissões estão 
irremediavelmente trabalhando para você.
Vou repetir: A transmissão é meramente 
o efeito de uma causa que procedeu e a 
produziu. Então, se não gosta da sua forma de 
comunicar, não complique tentando mudá-la. 
Vá até à base e mude as causas que a produzem. 
Mude a sua atitude mental e emocional.
VIII. Não imite os outros; seja você próprio.
 
No início vim para Nova Iorque para estudar Arte 
Dramática na American Academy. Era aspirante a 
ator. Tive o que considerava ser uma ideia brilhante, 
um passo para o sucesso. A minha campanha para 
alcançar o sucesso era tão simples, tão infalível que 
eu era incapaz de compreender como é que pessoas 
com ambição ainda não a tivessem descoberto. Foi o 
seguinte, eu ia estudar vários atores famosos naquele 
dia – John Drew, E. H. Sothern, Walter Hampden 
e Otis Skinner. Depois imitava os pontos de cada 
um deles e fazia-o numa combinação brilhante e 
triunfante de todos eles. Que parvoíce! Que trágico! 
Tive que perder anos da minha vida imitando outras 
pessoas para perceber que devo ser eu próprio e que 
não poderia ser mais ninguém.
Para exemplificar o que quero dizer: há alguns anos 
atrás propus-me a escrever o melhor livro sobre 
falar em público para empresários que eu alguma 
vez escrevi. Tive a mesma ideia para de escrever 
este livro tal como tinha sobre a representação: 
eu ia retirar as ideias de outros autores e pô-las 
todas num livro – um livro que tinha tudo. Então, 
juntei muitos livros sobre o tema e passei um ano a 
incorporar as ideias dos autores no meu caderno. 
Mas, mais uma vez vi que estava fazendo papel de 
parvo. Esta mistura de ideias era tão sintetizada, 
tão sem graça que ninguém iria se interessar 
em lê-lo. Então, deixei fora um ano de trabalho 
e comecei tudo de novo. Nessa altura disse para 
mim mesmo: “Tenho que ser Dale Carnegie, com 
todos os defeitos e limitações. Não é possível ser 
outra pessoa.” Assim, desisti de tentar ser uma 
combinação de pessoas, arregacei as mangas e 
comecei a fazer o que deveria ter feito no início: 
escrevi um livro sobre falar em público baseado nas 
minhas experiências, observações e convicções.
Porque não lucra com o meu desperdício de tempo?
Não imite os outros.
Não tenha medo de ser Você Próprio
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Seja você mesmo. Tenha em consideração o sábio 
conselho que Irving Berlin deu a George Gershwin. 
Quando ambos se conheceram, Berlin era famoso 
– mas Gershwin era um jovem e lutador compositor 
que trabalhava por 35 dólares por semana em Tin Pan 
Alley. Berlin, impressionado com a capacidade de 
Gershwin, ofereceu-lhe emprego como seu assistente 
musical por três vezes mais do salário que estava 
recebendo. “Mas não aceite o trabalho”, alertou Berlin. 
“Se o fizer, poderá desenvolver-se como eu. Mas se 
insistir em ser você próprio, um dia se tornará um 
compositor de primeira.” Gershwin prestou atenção a 
essa advertência e rapidamente transformou-se num 
compositor significante da sua geração.
“Seja você próprio! Não imite os outros!” Esse conselho 
é bom para a música, para a literatura e para o 
discurso. É original. Orgulhe-se disso. Nunca antes 
alguém foi exatamente igual a você; e ninguém no 
futuro virá a ser. Então aproveite ao máximo a sua 
individualidade. O seu discurso pode ser uma parte 
de si, um tecido vivo em si, que irá crescer através das 
suas experiências, convicções, personalidade e a sua 
forma de estar.
Numa última análise, toda a arte é autobiografável.
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Resumindo
Como fazer um progresso rápido e fácil em Aprender a Falar em Público Pode cantar somente 
o que é. Pode pintar somente o que é. Pode falar somente sobre o que é. Deve ser o que as 
suas experiências, o meu meio ambiente e a sua herança fez de você. Para o melhor ou para 
o pior, deve cultivar o seu próprio jardim. Para o melhor ou para o pior deve tocar o seu 
instrumento na orquestra da sua vida. Como disse Emerson no seu ensaio, “Autoconfiança”.
Fale sobre algo que:
 (a) Ganhou o direito de falar através do estudo ou experiência;
 (b) Está entusiasmo em falar; e
 (c) Está ansioso por contar aos seus ouvintes.
I. Tome notas sobre temas de interesse que queira mencionar.
II. Não escreva as suas falas.
III. Nunca, nunca, nunca memorize frases.
IV. Preencha o seu discurso com ilustrações e exemplos.
V. Saiba mais sobre o que pode falar.
VI. Ensaie o seu discurso conversando com os seus amigos.
VII. Em vez de se preocupar com a transmissão, encontre formas de melhorá-la.
VIII. Não imite os outros; Seja você próprio.
“ Há uma altura na vida de todos os homens que desenvolvem a convicção de 
que a inveja é ignorância; que a imitação é suicídio; que deve assumir para o 
melhor e para o pior como a sua porção; que, embora o universo esteja cheio 
de coisas boas, que não é a semente de milho que chegará até ele; mas sim 
através do seu trabalho no pedaço de terra que lhe é dado para cultivar. O 
poder que reside nele é novo na natureza e ninguém para além dele saberá o 
que pode fazer com ele, e não saberá enquanto não tenta.” 
 – Ralph Waldo Emerson

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