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Graduação Sociologia
Aula 7 / 1º parte 
MOVIMENTOS SOCIAIS
Movimentos sociais são ações e grupos organizados que 
representam causas e objetivam alguma mudança social 
por meio da luta e da organização política.
Os movimentos sociais são ações coletivas mantidas por grupos organizados da 
sociedade que visam lutar por alguma causa social. Em geral, o grito levantado pelos 
movimentos sociais representa a voz de pessoas excluídas do processo democrático, 
que buscam ocupar os espaços de direito na sociedade.
Movimentos sociais
Características dos movimentos sociais
Ao pensar-se nos movimentos sociais à luz de pensadores da 
filosofia e da sociologia, é impossível apontar um consenso. O 
cientista político italiano Gianfranco Pasquino aponta a 
impossibilidade de estabelecer-se uma linha conciliatória entre os 
que tratam dos movimentos sociais, tendo-se em vista um horizonte 
de pensadores clássicos.
Na passagem do século XIX para o século XX, os sindicatos 
institucionalizaram-se como coletivos que visavam defender os 
trabalhadores da exploração patronal, inspirados, principalmente, 
pelos ideais marxistas. Nesse sentido, surgiu em vários cantos do 
mundo movimentos sociais em defesa dos trabalhadores, das classes 
sociais mais baixas, e movimentos socialistas e anarquistas, que 
visavam uma completa revolução e dissolução da ordem social 
capitalista.
Origem dos movimentos sociais
Na década de 1960, devido às sequelas deixadas pela Segunda 
Guerra Mundial e ao clima de polarização mundial causado pela 
Guerra Fria, novos coletivos, ações e movimentos surgiram por todo 
o mundo. As pautas dos movimentos sociais passaram a diversificar-
se a partir desse momento. 
Nos Estados Unidos e na África do Sul, a população negra revoltou-
se contra o injusto sistema de segregação racial que garantia 
privilégios à população branca e retirava os direitos da população 
negra, tratando esta camada como uma horda de cidadãos 
inferiores.
As mulheres também se organizaram em coletivos para lutar por 
seus direitos, buscando a liberdade sexual e o tratamento igualitário 
entre os gêneros (essa ficou conhecida como a segunda onda do 
movimento feminista).
A população LGBTQ+ também entrou em cena para reivindicar o direito de 
expressar-se livremente e de não ser julgada ou segregada por isso. Um 
episódio marcado por um espontâneo movimento de massa que gerou um 
grande movimento social foi o ocorrido no bar Stonnewall Inn, em Nova 
Iorque, que resultou em confronto com a polícia e deu origem à Parada do 
Orgulho Gay, hoje chamada de Parada do Orgulho LGBTQ+, que ocorre em 
várias cidades pelo mundo.
O mundo passou por severas mudanças a partir da década de 1960, período 
em que as minorias saíram às ruas para lutarem por seus direitos. A partir 
daí, vários movimentos sociais começam a eclodir pelo mundo, sempre em 
busca de uma organização que visasse a inclusão de pessoas excluídas e 
sempre se diferenciando de acordo com as especificidades de cada local.
No Brasil
Um exemplo de localidade da luta social ocorre no Brasil com 
movimentos como o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) e 
MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, conhecido 
como Movimento dos Sem-Terra). O Brasil é um país que, ao contrário 
dos países desenvolvidos, nunca produziu uma eficaz reforma agrária.
O número de pessoas que não têm acesso à terra para o trabalho rural 
ou não têm o seu direito à moradia garantido é gigantesco, o que torna a 
pauta desses movimentos uma questão emergente por aqui. Nesse 
sentido, tendo em vista as demandas específicas de nosso país, 
criaram-se movimentos organizados para lutar-se pelas demandas que 
nosso povo enfrenta.
Como os movimentos sociais funcionam
É impossível estabelecer uma fórmula única de funcionamento dos movimentos sociais, 
visto que eles são diversos, defendem pautas distintas e têm diferentes demandas de 
acordo com a sua localidade geográfica e seu tempo histórico. No entanto, algumas 
características podem ser elencadas como modos comuns de funcionamento deles.
Muitos movimentos sociais eclodem de movimentos e rebeliões de massa, como foi o 
caso do movimento LGBTQ+, de grupos do movimento negro, como os Panteras 
Negras, nos Estados Unidos, e do MST, no Brasil.
Eles podem ser constituídos por diversos grupos que lutam pela mesma causa, como o 
movimento feminista, que tem vertentes diferentes, o movimento negro, que é formado 
por um amplo conjunto de coletivos, e o movimento LGBTQ+. No entanto, cada grupo 
ou célula desses movimentos tem suas formas de organizar-se para promover a 
militância social.
• Eles unem as pessoas em torno de uma causa comum.
• Eles visam uma reestruturação social que inclua os seus interessados no poder 
comum e garanta-os seus direitos de cidadãos.
Exemplos de movimentos sociais
• Movimento dos trabalhadores rurais sem terra
• Movimentos feministas
• Movimentos antirracistas
• Movimentos ambientalistas (como o WWF e o Greenpeace)
• Movimentos de união de comunidades e periferia, como o Nós do Morro —
que luta contra o racismo, a desigualdade social e a exclusão dos 
moradores de periferias.
• Movimentos de luta contra a homofobia e a transfobia, como o movimento 
LGBTQ+.
Aula 7 / fim da 1º parte 
MOVIMENTOS SOCIAIS
Graduação Sociologia 
Graduação Sociologia
Aula 7 / 2º parte 
MOVIMENTOS SOCIAIS
Desigualdade social
A desigualdade social é a diferença existente entre as diferentes classes sociais, 
levando-se em conta fatores econômicos, educacionais e culturais.
Desigualdade social é um mal que afeta todo o mundo, em especial os países 
que ainda encontram-se em vias de desenvolvimento. A desigualdade pode ser 
medida por faixas de renda, em que são consideradas as médias dos mais ricos 
em comparação às dos mais pobres. Também podem ser utilizados, como 
dados para o cálculo de desigualdade, fatores como o IDH, a escolarização, o 
acesso à cultura e o acesso a serviços básicos — como saúde, segurança, 
saneamento etc.
Desigualdade social e ideologia
Há uma ideologização antiga da desigualdade social que, em geral, 
tenta justificar ou explicar o domínio de certas classes sobre outras. 
No século XVII, Jacques Bossuet afirmava que os reis tinham o 
direito divino de governar. Isso implicava aceitar como divina 
também a existência de uma aristocracia que vivia um padrão de 
vida infinitamente superior ao padrão enfrentado pelos servos, 
plebeus e camponeses europeus da época. Um detalhe importante 
é que o que mantinha o luxo da aristocracia eram os impostos 
pagos pelos pobres.
Desigualdade Social para Karl Marx
Segundo Marx, a origem da desigualdade estava na relação desigual de 
forças em que a burguesia, mais forte e dona dos meios de produção, 
explorava o trabalho do proletariado, classe social mais fraca e dona 
apenas de sua força de trabalho, expropriada pela burguesia.
, e essa relação era ainda mais nítida na atividade fabriHá um abismo 
social imenso entre as duas classesl inglesa do século XIX, em que não 
havia direitos trabalhistas, como salário mínimo, previdência ou jornada 
regular de trabalho. Os trabalhadores das fábricas enfrentavam jornadas 
de até 16 horas diárias, todos os dias da semana, sem pagamento fixo, e 
ficavam à mercê dos burgueses.
Como acabar com a desigualdade social?
A perspectiva revolucionária marxista compõe uma visão radical que 
intentaria acabar de vez com a desigualdade. Hoje existem outras visões 
menos revolucionárias e menos radicais que procuram reduzir as 
desigualdades sociais para melhorar as condições de vida das pessoas, 
porém, sem implodir o capitalismo.
Uma dessas vertentes é a social-democracia, a qual se desvia do 
socialismo científico por, justamente, manter um sistema político 
democrata republicano e certo nível de liberdade econômica. Essa 
corrente também se esquiva do liberalismo, pois intervém, até certo ponto, 
no funcionamentoeconômico e propõe políticas de garantia do bem-estar 
social.
As medidas de elevação do bem-estar social incluem:
• Acesso à saúde e educação de qualidade para todos;
• Emprego e assistência momentânea para aqueles que 
estão fora do mercado de trabalho;
• Garantia da previdência social e dos direitos trabalhistas.
Dados sobre a desigualdade social no Brasil:
Vários países em desenvolvimento no mundo, há um abismo imenso entre as extremas classes sociais.
No lado esquerdo da imagem, vemos Paraisópolis, um bairro favelizado de São Paulo. Paraisópolis tem um 
total de 50% de moradias irregulares, de cada dez habitantes do local, apenas 2,3 ocupam empregos formais. 
O local ocupa a 79ª posição no ranking paulista de bairros com espaços culturais e possui uma taxa de 
gravidez na adolescência de 11,45 por cem mil habitantes. A expectativa média de vida no distrito de Vila 
Andrade, região em que se localiza o bairro, é de 65,56 anos.
"Do lado esquerdo, há parte da favela de Paraisópolis; 
do lado direito, há um dos condomínios de luxo da 
região do Morumbi, 
https://brasilescola.uol.com.br/sociologia/desigualdade-
social.htm
Favelização
Favelização é o fenômeno caracterizado pelo surgimento e crescimento 
das favelas. Embora associado às metrópoles, ele não é exclusivo dos 
grandes centros urbanos.
É um termo que designa o surgimento e crescimento das favelas nas 
cidades, sendo a expressão das desigualdades socioespaciais presentes 
nos centros urbanos. As causas da ampliação das moradias construídas 
em áreas de risco, sem acesso a serviços básicos e infraestrutura 
urbana, são várias, entre as quais estão a industrialização e a 
modernização do campo, que provocaram um intenso êxodo rural e a 
consequente urbanização rápida e desordenada, com aumento 
expressivo da pobreza urbana.
Sobre favelização;
Favelização é um fenômeno urbano caracterizado pelo surgimento e expansão das favelas.
Entre as suas causas, estão o êxodo rural causado pela mecanização do campo, a 
industrialização, e o crescimento acelerado e desordenado dos centros urbanos.
Seu processo é decorrente do aumento da pobreza urbana e da segregação socioespacial.
As favelas surgiram principalmente a partir do século XIX, e o seu crescimento foi 
intensificado nos países subdesenvolvimentos a partir da segunda metade do século XX.
No Brasil, além dos motivos anteriores apontados para o surgimento das favelas, o processo 
esteve ligado ainda à abolição da escravidão, em 1888, após o qual muitas pessoas ex-
escravizadas e a população carente se deslocaram para as áreas mais afastadas das 
cidades.
A primeira favela brasileira surgiu no ano de 1897. Trata-se do Morro da Providência, no Rio 
de Janeiro.
O processo de favelização se acelerou na última década, e o número de favelas no Brasil 
quase dobrou entre 2010 e 2019 (IBGE).
Entre as consequências da favelização, está a ampliação das desigualdades socioespaciais e 
da marginalização social da população que vive nessas áreas.
Causas da favelização
A favelização tem como causas problemas de ordem estrutural, isto é, enraizados a determinados 
territórios ou grupamentos sociais e que tiveram origem no passado histórico, e também problemas 
conjunturais, que correspondem a situações temporárias associadas a um momento ou acontecimentos 
específicos, como as crises econômicas. O que esses processos têm em comum é o fato de eles 
contribuírem para a expansão da pobreza urbana, o que, por conseguinte, faz crescer o número de 
pessoas que vivem nas favelas.
Dessa forma, podemos apontar como causas da favelização:
• Do campo, industrialização e êxodo rural;
• Crescimento rápido e desordenado das cidades, realizado sem qualquer tipo de planejamento, 
criando assim o fenômeno conhecido como macrocefalia urbana;
• Elevado preço do solo e dos aluguéis a patamares incompatíveis com a renda da parcela mais 
pobre da população;
• Processos de segregação socioespacial que contribuem para o encarecimento das moradias;
• pobreza estrutural;
• Aumento da taxa de desemprego.
Aula 7 / fim da 2º parte 
MOVIMENTOS SOCIAIS
Graduação Sociologia 
Graduação Sociologia
Aula 7 / 3º parte 
MOVIMENTOS SOCIAIS
Origem das favelas
As favelas são, por definição, um conjunto de moradias constituído em 
terrenos ocupados de forma irregular, onde o acesso à infraestrutura 
básica e a outros serviços urbanos é muito baixo ou ausente. Muitas 
dessas habitações são construídas de maneira precária e em áreas de 
risco, como as encostas de morros. Embora o termo favela tenha se 
originado no Brasil, nós geralmente fazemos o seu uso para designar 
formações desse tipo em outros países e regiões.
Pensando, portanto, em um contexto global, as favelas começaram a 
surgir e se expandir a partir do início do século XIX, caracterizado pelo 
crescimento das áreas urbanas e avanço do processo de industrialização, 
o que acarretou um aumento da pobreza urbana em diversos países 
considerados desenvolvidos.
https://www.terra.com.br/noticias/infograficos/favelas-brasileiras/galeria/index.htm#1
6% da população do Brasil vivem em favelas (IBGE 2010)
Como ocorre a favelização?
A favelização acontece quando um grupo de pessoas de mais baixa renda 
constrói as suas residências nas áreas mais afastadas dos centros urbanos. Em 
algumas cidades, as favelas crescem em áreas de risco ambiental e geológico, 
como nas encostas de morro e nas planícies de inundação de rios.
Os terrenos para onde as favelas se expandem são geralmente desabitados e de 
propriedade ou do poder público ou de algum entre privado, o que caracteriza 
assim uma ocupação irregular. Por falta de planejamento e problemas de gestão 
do espaço urbano, essas áreas não são atendidas com serviços básicos e 
infraestrutura urbana, como saneamento e energia elétrica, em muitos casos.
Favelização no Brasil
O processo de favelização no Brasil teve início no final do século XIX, quando aconteceu a 
abolição da escravidão. A falta de renda das pessoas ex-escravizadas e a discriminação 
para com elas fizeram com que se deslocassem para áreas mais afastadas dos centros das 
cidades e construíssem habitações de mais baixo custo.
Com o passar do tempo, a população mais pobre também passou a ocupar esses espaços, 
ampliando assim o número de moradias nas periferias dos centros urbanos. Esse 
movimento foi ainda mais intenso com a modernização do campo e a industrialização, a 
partir da segunda metade do século XX.
As favelas estão presentes em 743 cidades de todas as 
regiões do país. As maiores favelas do Brasil são:
Rocinha (Rio de Janeiro);
Sol Nascente (Distrito Federal);
Rio das Pedras (Rio de Janeiro);
Paraisópolis (São Paulo).
Consequências da favelização
A favelização apresenta consequências principalmente para a população que vive nas 
favelas e também para o meio ambiente urbano, entre as quais estão:
• aprofundamento das desigualdades socioespaciais;
• aumento da discriminação e da marginalização social da população mais carente;
• baixo acesso e até mesmo ausência de redes de serviços essenciais, que vão desde 
saneamento até o transporte urbano;
• fragilização de áreas de risco, como encostas de morros, o que pode ocasionar 
deslizamentos de terra com consequências graves para os moradores dessas áreas;
• problemas como alagamentos, enchentes e enxurradas;
• aumento da poluição de mananciais e do solo devido à falta de atendimento por serviços 
urbanos, como coleta de lixo;
• baixos índices de investimento em melhorias destinadas à população por parte do poder 
público.
ONGs (OSC, Organização da Sociedade Civil) na Favela:
Nossa meta é o Brasil
A CUFA (Central Única das Favelas) é uma organização brasileira 
reconhecida nacional e internacionalmente nos âmbitos político, 
social, esportivo e cultural que existe há 20 anos.
Aula 7 / fim da 3º parte 
MOVIMENTOS SOCIAIS
Graduação Sociologia 
Graduação Sociologia
Aula 7 / 4ºparte 
MOVIMENTOS SOCIAIS
Os sociólogos Marx, Weber e Durkheim veem 
nos movimentos sociais a sustentação de uma 
revolução, a institucionalização de um novo 
poder burocrático e até a maior coesão social, 
respectivamente.
Max Weber (1864-1920) 
Foi um dos pilares da sociologia e é tido, até os dias de hoje, como um dos nomes-chave 
para dessa ciência que estava começando a se desenvolver.
Com a sociologia dando os seus primeiros passos no final do século XIX, o contributo de 
Max Weber com a criação do método subjetivista/compreensivo foi essencial para que a 
disciplina se consolidasse.
Weber foi autor de uma sociologia que teceu severas críticas ao 
positivismo e rompeu acabou por romper mesmo com essa corrente 
filosófica.
Max criou uma espécie de sociologia subjetivista, compreensiva, não tão 
preocupada com os fatos sociais e sim com as interações sociais.
As ações sociais
As chamadas ações sociais que permeiam as interações sociais são definidas por Max 
Weber como. Para Max Weber existiam quatro tipos de ações sociais:
1.Referente a fins: esse tipo de ação visa um fim específico (por exemplo, preciso ir ao 
supermercado para ter ingredientes para cozinhar o jantar).
2.Referente a valores: nesse tipo de ações as atitudes influenciam as nossas crenças 
morais.
3.Afetiva: ações que a nossa cultura nos ensinou a fazer e que reproduzimos (como, 
por exemplo, entregar presentes no dia do natal).
4.Tradicional: são as ações convencionais cotidianas, isto é, como nos vestimos, o que 
comemos, os lugares que frequentamos.
Ideias de Max Weber
•"O homem não teria alcançado o possível se, repetidas vezes, não tivesse 
tentado o impossível."
•"Neutro é quem já se decidiu pelo mais forte."
•"Há duas maneiras de fazer política. Ou se vive para a política ou se vive da 
política."
•"O homem é um animal amarrado a teias de significados que ele mesmo 
teceu."
Durkheim
O sociólogo francês Émile Durkheim (1858-1917) define como 
solidariedade o fator que garante a coesão social em um período 
específico. É o que faz os indivíduos sentirem-se parte de um grupo 
social.
Essa proposta é uma tentativa de responder às mudanças ocorridas na 
Europa, sobretudo, a partir da instauração do modo de produção 
capitalista.
Para ele, a solidariedade mecânica é fundamentada nas tradições, nos 
hábitos e na moral; características muito presentes em sociedades pré-
capitalistas. Já a solidariedade orgânica é baseada na interdependência 
gerada pela especialização do trabalho no modo de produção 
capitalista.
O que é solidariedade para Durkheim?
Em sua obra Da Divisão do Trabalho Social (1893), Durkheim afirma 
que a solidariedade é uma relação moral que faz com que os 
indivíduos se percebam como pertencentes a uma mesma 
sociedade.
São valores baseados nas tradições, nos costumes e na forma de 
atuação na sociedade que regem as ações e garantem que o 
mesmo modo de vida seja compartilhado por esses indivíduos, 
impedindo o caos social.
O que é solidariedade mecânica?
Em um período pré-capitalista, a divisão social do trabalho era muito simples. Em 
geral, as pessoas cumpriam a mesma tarefa na produção (camponeses, artesãos, 
pequenos comerciantes, etc.).
Como as pessoas tendem a executar as mesmas tarefas, o trabalho de uma 
independe do trabalho de outra.
Assim, a coesão social é garantida pela tradição, pela moral e pelos costumes, que 
possuem uma grande força, capaz de unir os indivíduos.
Nessas sociedades, o direito é fundamentado na manutenção dos costumes para 
garantir que sejam respeitados e que a sociedade permaneça coesa em torno 
dessas tradições. Desse modo, a solidariedade mecânica atua como um 
mecanismo baseado em crenças comuns, que possibilitam a vida em 
sociedade.
O que é a solidariedade orgânica?
Com a complexificação da sociedade, os indivíduos deixam de compartilhar as suas 
crenças, hábitos e tradições, necessitando que haja uma mudança também no modo de 
garantir a coesão social.
Com a transformação para o modo de produção capitalista, as tarefas se especializam 
cada vez mais. Cada indivíduo cumpre uma tarefa específica.
Durkheim afirma que essa especialização do trabalho possui também a característica 
de tornar as pessoas mais dependentes entre si. Já que a tarefa de um depende da 
execução da tarefa dos demais.
Assim, os indivíduos criam laços de interdependência, gerando um novo modo de 
solidariedade e garantindo coesão social - a solidariedade orgânica.
Nessa estrutura, o papel do direito também torna-se mais complexo e busca responder 
à criação de garantias e deveres aos quais os diferentes cidadãos possam 
compartilhar.
Desse modo, a solidariedade orgânica se dá a partir da compreensão da sociedade 
como um corpo no qual o bom funcionamento necessita de que os diferentes órgãos 
cumpram suas funções de forma interligada e interdependente.
Aula 7 / fim da 4º parte 
MOVIMENTOS SOCIAIS
Graduação Sociologia 
Graduação Sociologia
Aula 7 / 5º parte 
MOVIMENTOS SOCIAIS
Teoria dos Movimentos Sociais: a partir de várias perspectivas teóricas
Os movimentos sociais, enquanto objeto empírico, têm alimentado 
um debate constante no campo das Ciências Sociais, estimulando e 
promovendo o desenvolvimento de múltiplas perspectivas teóricas e 
focos de atenção diversos. Buscaremos aqui apresentar, de forma 
introdutória, as teorias que se destacaram, sendo elas: a Teoria 
Marxista dos Movimentos Sociais, a Teoria das Massas (TM), a Teoria 
da Mobilização dos Recursos (TMR), a Teoria dos Processos Políticos 
(TPP) e a Teoria dos Novos Movimentos Sociais (TNMS).
As análises marxistas
Origem: Remontam ao século XIX e possuem sua origem na sociologia clássica de Karl
Marx e Friedrich Engels e se desenvolveu a partir de diversos autores conhecidos como
marxistas.
Principais características: 1) abordagem de viés estruturalista, ou seja, o movimento
surge como resultado de determinado contexto industrial ou econômico que possui
impacto nas formas de divisão do trabalho e organização dos operários, 2) no âmbito dos
processos associativos está ancorada na categoria classe (em si, e para ai) e, 3) nas
abordagens que focam no papel da liderança, a destacam como intelectuais orgânicos
que são responsáveis pelo direcionamento e construção ideológica da mobilização.
Os movimentos sociais são entendidos como ações coletivas de uma classe social
explorada que busca: 1) melhores condições de trabalho, de salários e de vida e; 2) eclodir
uma revolução, a tomada do poder a fim de implantar uma ditadura do proletariado a fim
de suplantar o Capitalismo.
Teoria das Massas
Origem: Desenvolvida entre aos anos de 1940 e 1960, sobretudo por influência das
grandes manifestações públicas do nazismo e do fascismo.
Principais características: 1) marcada fortemente pelo positivismo e, em particular, pela
sociologia organicista de Durkheim e; 2) a grande preocupação dos teóricos estava em
entender o comportamento das massas sob uma análise da Psicologia Social, sendo
elas tidas como perigosas e, portanto, combatidas e; 3) a preocupação era entender os
movimentos não democráticos, o processo de alienação das massas e a perda de
controle e influência das elites culturais.
Os movimentos sociais são entendidos como patologias sociais, desajustamentos
causados pelas disfunções da modernidade. Assim, os movimentos sociais são tidos
como movimentos desviantes e irracionais compostos por indivíduos marginalizados.
Teoria da Mobilização dos Recursos
Origem: Surge do contexto de transformações políticas ocorridas na sociedade norte-americana
nos anos 1960. Sua origem se relaciona diretamente a rejeição da ênfase que a Teoria das Massas
dava aos sentimentos e ressentimentos dos grupos coletivos, assim como o approach
eminentemente psicossocial dos clássicos, centrado nas condições de privação material e cultural
dos indivíduos.
Principais características: 1) preocupação em entender o papel da burocracia na organização dos
movimentos sociais; 2) os estudos focam nos recursosdisponíveis aos movimentos sociais, sendo
eles humanos, financeiros e de infraestrutura; 3) foco no papel das lideranças, sobretudo em sua
capacidade de mobilizar e trocar bens num mercado de barganhas, as quais são entendidas a partir
de uma visão exclusivamente economicista, num processo em que todos os atores agiam
racionalmente, segundo cálculos de custos e benefícios, lógica emprestada da Teoria da Escolha
Racional e a Teoria do Utilitarismo e; 4) as ações coletivas são explicadas a partir de uma visão
comportamentalista organizacional.
Os movimentos sociais são entendidos como grupos de interesses, vistos como organizações e
analisados sob a ótica da burocracia de uma instituição, tendo recebido fortes influências da
Sociologia weberiana.
Teoria dos Processos Políticos
Origem: Se desenvolve nos anos de 1970 como crítica ao utilitarismo e ao individualismo
metodológico da Teoria da Mobilização dos Recursos
Principais características: 1) trazer para o centro do debate elementos político-culturais e
simbólicos, os quais passam a ser entendidos como importantes para atrair novos
membros, mobilizar o apoio de variados públicos, constranger as opções de controle social
de seus oponentes e tentar direcionar as políticas públicas e as ações do Estado; 2)
preocupação em observar as dimensões externas das lutas dos movimentos que são tidas
como relevantes para a competição por poder; 3) ideias, símbolos e palavras-chave são
observados como importantes na construção da identidade dos movimentos sociais e sua
mobilização; 4) foco nos processos sociais de longa e média duração e; 5) ênfase
nas estruturas das oportunidades e restrições políticas.
Os movimentos sociais são entendidos um ator político de mudança social, esta
entendida como uma ação reformista e não revolucionária.
Teoria dos Novos Movimentos Sociais
Origem: surgiu como arcabouço explicativo para os movimentos sociais
transclassistas, ou seja, composto por sujeitos pertencentes a diferentes
classes sociais, ou ainda a movimentos por demandas pós-materiais, tais a
qualidade do ar, a igualdade de gênero e a luta pela paz.
Principais características: 1) foca nas identidades coletivas e, portanto,
apresentando uma visão culturalista dos movimentos sociais; 2) o
reconhecimento e o autoreconhecimento são elementos fundamentais para
entender a ação coletiva e; 3) observação de que as demandas dos movimentos
sociais não são apenas materiais.
Os movimentos sociais são entendidos como atores sociais marcados pelo
reconhecimento identitário que buscam melhores condições de vida,
envolvendo ganhos materiais e não materiais, tais como respeito aos diferentes,
preservação do meio ambiente, etc.
Fim da Aula 7 
MOVIMENTOS SOCIAIS
Graduação Sociologia 
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