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Graduação Sociologia Aula 7 / 1º parte MOVIMENTOS SOCIAIS Movimentos sociais são ações e grupos organizados que representam causas e objetivam alguma mudança social por meio da luta e da organização política. Os movimentos sociais são ações coletivas mantidas por grupos organizados da sociedade que visam lutar por alguma causa social. Em geral, o grito levantado pelos movimentos sociais representa a voz de pessoas excluídas do processo democrático, que buscam ocupar os espaços de direito na sociedade. Movimentos sociais Características dos movimentos sociais Ao pensar-se nos movimentos sociais à luz de pensadores da filosofia e da sociologia, é impossível apontar um consenso. O cientista político italiano Gianfranco Pasquino aponta a impossibilidade de estabelecer-se uma linha conciliatória entre os que tratam dos movimentos sociais, tendo-se em vista um horizonte de pensadores clássicos. Na passagem do século XIX para o século XX, os sindicatos institucionalizaram-se como coletivos que visavam defender os trabalhadores da exploração patronal, inspirados, principalmente, pelos ideais marxistas. Nesse sentido, surgiu em vários cantos do mundo movimentos sociais em defesa dos trabalhadores, das classes sociais mais baixas, e movimentos socialistas e anarquistas, que visavam uma completa revolução e dissolução da ordem social capitalista. Origem dos movimentos sociais Na década de 1960, devido às sequelas deixadas pela Segunda Guerra Mundial e ao clima de polarização mundial causado pela Guerra Fria, novos coletivos, ações e movimentos surgiram por todo o mundo. As pautas dos movimentos sociais passaram a diversificar- se a partir desse momento. Nos Estados Unidos e na África do Sul, a população negra revoltou- se contra o injusto sistema de segregação racial que garantia privilégios à população branca e retirava os direitos da população negra, tratando esta camada como uma horda de cidadãos inferiores. As mulheres também se organizaram em coletivos para lutar por seus direitos, buscando a liberdade sexual e o tratamento igualitário entre os gêneros (essa ficou conhecida como a segunda onda do movimento feminista). A população LGBTQ+ também entrou em cena para reivindicar o direito de expressar-se livremente e de não ser julgada ou segregada por isso. Um episódio marcado por um espontâneo movimento de massa que gerou um grande movimento social foi o ocorrido no bar Stonnewall Inn, em Nova Iorque, que resultou em confronto com a polícia e deu origem à Parada do Orgulho Gay, hoje chamada de Parada do Orgulho LGBTQ+, que ocorre em várias cidades pelo mundo. O mundo passou por severas mudanças a partir da década de 1960, período em que as minorias saíram às ruas para lutarem por seus direitos. A partir daí, vários movimentos sociais começam a eclodir pelo mundo, sempre em busca de uma organização que visasse a inclusão de pessoas excluídas e sempre se diferenciando de acordo com as especificidades de cada local. No Brasil Um exemplo de localidade da luta social ocorre no Brasil com movimentos como o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) e MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, conhecido como Movimento dos Sem-Terra). O Brasil é um país que, ao contrário dos países desenvolvidos, nunca produziu uma eficaz reforma agrária. O número de pessoas que não têm acesso à terra para o trabalho rural ou não têm o seu direito à moradia garantido é gigantesco, o que torna a pauta desses movimentos uma questão emergente por aqui. Nesse sentido, tendo em vista as demandas específicas de nosso país, criaram-se movimentos organizados para lutar-se pelas demandas que nosso povo enfrenta. Como os movimentos sociais funcionam É impossível estabelecer uma fórmula única de funcionamento dos movimentos sociais, visto que eles são diversos, defendem pautas distintas e têm diferentes demandas de acordo com a sua localidade geográfica e seu tempo histórico. No entanto, algumas características podem ser elencadas como modos comuns de funcionamento deles. Muitos movimentos sociais eclodem de movimentos e rebeliões de massa, como foi o caso do movimento LGBTQ+, de grupos do movimento negro, como os Panteras Negras, nos Estados Unidos, e do MST, no Brasil. Eles podem ser constituídos por diversos grupos que lutam pela mesma causa, como o movimento feminista, que tem vertentes diferentes, o movimento negro, que é formado por um amplo conjunto de coletivos, e o movimento LGBTQ+. No entanto, cada grupo ou célula desses movimentos tem suas formas de organizar-se para promover a militância social. • Eles unem as pessoas em torno de uma causa comum. • Eles visam uma reestruturação social que inclua os seus interessados no poder comum e garanta-os seus direitos de cidadãos. Exemplos de movimentos sociais • Movimento dos trabalhadores rurais sem terra • Movimentos feministas • Movimentos antirracistas • Movimentos ambientalistas (como o WWF e o Greenpeace) • Movimentos de união de comunidades e periferia, como o Nós do Morro — que luta contra o racismo, a desigualdade social e a exclusão dos moradores de periferias. • Movimentos de luta contra a homofobia e a transfobia, como o movimento LGBTQ+. Aula 7 / fim da 1º parte MOVIMENTOS SOCIAIS Graduação Sociologia Graduação Sociologia Aula 7 / 2º parte MOVIMENTOS SOCIAIS Desigualdade social A desigualdade social é a diferença existente entre as diferentes classes sociais, levando-se em conta fatores econômicos, educacionais e culturais. Desigualdade social é um mal que afeta todo o mundo, em especial os países que ainda encontram-se em vias de desenvolvimento. A desigualdade pode ser medida por faixas de renda, em que são consideradas as médias dos mais ricos em comparação às dos mais pobres. Também podem ser utilizados, como dados para o cálculo de desigualdade, fatores como o IDH, a escolarização, o acesso à cultura e o acesso a serviços básicos — como saúde, segurança, saneamento etc. Desigualdade social e ideologia Há uma ideologização antiga da desigualdade social que, em geral, tenta justificar ou explicar o domínio de certas classes sobre outras. No século XVII, Jacques Bossuet afirmava que os reis tinham o direito divino de governar. Isso implicava aceitar como divina também a existência de uma aristocracia que vivia um padrão de vida infinitamente superior ao padrão enfrentado pelos servos, plebeus e camponeses europeus da época. Um detalhe importante é que o que mantinha o luxo da aristocracia eram os impostos pagos pelos pobres. Desigualdade Social para Karl Marx Segundo Marx, a origem da desigualdade estava na relação desigual de forças em que a burguesia, mais forte e dona dos meios de produção, explorava o trabalho do proletariado, classe social mais fraca e dona apenas de sua força de trabalho, expropriada pela burguesia. , e essa relação era ainda mais nítida na atividade fabriHá um abismo social imenso entre as duas classesl inglesa do século XIX, em que não havia direitos trabalhistas, como salário mínimo, previdência ou jornada regular de trabalho. Os trabalhadores das fábricas enfrentavam jornadas de até 16 horas diárias, todos os dias da semana, sem pagamento fixo, e ficavam à mercê dos burgueses. Como acabar com a desigualdade social? A perspectiva revolucionária marxista compõe uma visão radical que intentaria acabar de vez com a desigualdade. Hoje existem outras visões menos revolucionárias e menos radicais que procuram reduzir as desigualdades sociais para melhorar as condições de vida das pessoas, porém, sem implodir o capitalismo. Uma dessas vertentes é a social-democracia, a qual se desvia do socialismo científico por, justamente, manter um sistema político democrata republicano e certo nível de liberdade econômica. Essa corrente também se esquiva do liberalismo, pois intervém, até certo ponto, no funcionamentoeconômico e propõe políticas de garantia do bem-estar social. As medidas de elevação do bem-estar social incluem: • Acesso à saúde e educação de qualidade para todos; • Emprego e assistência momentânea para aqueles que estão fora do mercado de trabalho; • Garantia da previdência social e dos direitos trabalhistas. Dados sobre a desigualdade social no Brasil: Vários países em desenvolvimento no mundo, há um abismo imenso entre as extremas classes sociais. No lado esquerdo da imagem, vemos Paraisópolis, um bairro favelizado de São Paulo. Paraisópolis tem um total de 50% de moradias irregulares, de cada dez habitantes do local, apenas 2,3 ocupam empregos formais. O local ocupa a 79ª posição no ranking paulista de bairros com espaços culturais e possui uma taxa de gravidez na adolescência de 11,45 por cem mil habitantes. A expectativa média de vida no distrito de Vila Andrade, região em que se localiza o bairro, é de 65,56 anos. "Do lado esquerdo, há parte da favela de Paraisópolis; do lado direito, há um dos condomínios de luxo da região do Morumbi, https://brasilescola.uol.com.br/sociologia/desigualdade- social.htm Favelização Favelização é o fenômeno caracterizado pelo surgimento e crescimento das favelas. Embora associado às metrópoles, ele não é exclusivo dos grandes centros urbanos. É um termo que designa o surgimento e crescimento das favelas nas cidades, sendo a expressão das desigualdades socioespaciais presentes nos centros urbanos. As causas da ampliação das moradias construídas em áreas de risco, sem acesso a serviços básicos e infraestrutura urbana, são várias, entre as quais estão a industrialização e a modernização do campo, que provocaram um intenso êxodo rural e a consequente urbanização rápida e desordenada, com aumento expressivo da pobreza urbana. Sobre favelização; Favelização é um fenômeno urbano caracterizado pelo surgimento e expansão das favelas. Entre as suas causas, estão o êxodo rural causado pela mecanização do campo, a industrialização, e o crescimento acelerado e desordenado dos centros urbanos. Seu processo é decorrente do aumento da pobreza urbana e da segregação socioespacial. As favelas surgiram principalmente a partir do século XIX, e o seu crescimento foi intensificado nos países subdesenvolvimentos a partir da segunda metade do século XX. No Brasil, além dos motivos anteriores apontados para o surgimento das favelas, o processo esteve ligado ainda à abolição da escravidão, em 1888, após o qual muitas pessoas ex- escravizadas e a população carente se deslocaram para as áreas mais afastadas das cidades. A primeira favela brasileira surgiu no ano de 1897. Trata-se do Morro da Providência, no Rio de Janeiro. O processo de favelização se acelerou na última década, e o número de favelas no Brasil quase dobrou entre 2010 e 2019 (IBGE). Entre as consequências da favelização, está a ampliação das desigualdades socioespaciais e da marginalização social da população que vive nessas áreas. Causas da favelização A favelização tem como causas problemas de ordem estrutural, isto é, enraizados a determinados territórios ou grupamentos sociais e que tiveram origem no passado histórico, e também problemas conjunturais, que correspondem a situações temporárias associadas a um momento ou acontecimentos específicos, como as crises econômicas. O que esses processos têm em comum é o fato de eles contribuírem para a expansão da pobreza urbana, o que, por conseguinte, faz crescer o número de pessoas que vivem nas favelas. Dessa forma, podemos apontar como causas da favelização: • Do campo, industrialização e êxodo rural; • Crescimento rápido e desordenado das cidades, realizado sem qualquer tipo de planejamento, criando assim o fenômeno conhecido como macrocefalia urbana; • Elevado preço do solo e dos aluguéis a patamares incompatíveis com a renda da parcela mais pobre da população; • Processos de segregação socioespacial que contribuem para o encarecimento das moradias; • pobreza estrutural; • Aumento da taxa de desemprego. Aula 7 / fim da 2º parte MOVIMENTOS SOCIAIS Graduação Sociologia Graduação Sociologia Aula 7 / 3º parte MOVIMENTOS SOCIAIS Origem das favelas As favelas são, por definição, um conjunto de moradias constituído em terrenos ocupados de forma irregular, onde o acesso à infraestrutura básica e a outros serviços urbanos é muito baixo ou ausente. Muitas dessas habitações são construídas de maneira precária e em áreas de risco, como as encostas de morros. Embora o termo favela tenha se originado no Brasil, nós geralmente fazemos o seu uso para designar formações desse tipo em outros países e regiões. Pensando, portanto, em um contexto global, as favelas começaram a surgir e se expandir a partir do início do século XIX, caracterizado pelo crescimento das áreas urbanas e avanço do processo de industrialização, o que acarretou um aumento da pobreza urbana em diversos países considerados desenvolvidos. https://www.terra.com.br/noticias/infograficos/favelas-brasileiras/galeria/index.htm#1 6% da população do Brasil vivem em favelas (IBGE 2010) Como ocorre a favelização? A favelização acontece quando um grupo de pessoas de mais baixa renda constrói as suas residências nas áreas mais afastadas dos centros urbanos. Em algumas cidades, as favelas crescem em áreas de risco ambiental e geológico, como nas encostas de morro e nas planícies de inundação de rios. Os terrenos para onde as favelas se expandem são geralmente desabitados e de propriedade ou do poder público ou de algum entre privado, o que caracteriza assim uma ocupação irregular. Por falta de planejamento e problemas de gestão do espaço urbano, essas áreas não são atendidas com serviços básicos e infraestrutura urbana, como saneamento e energia elétrica, em muitos casos. Favelização no Brasil O processo de favelização no Brasil teve início no final do século XIX, quando aconteceu a abolição da escravidão. A falta de renda das pessoas ex-escravizadas e a discriminação para com elas fizeram com que se deslocassem para áreas mais afastadas dos centros das cidades e construíssem habitações de mais baixo custo. Com o passar do tempo, a população mais pobre também passou a ocupar esses espaços, ampliando assim o número de moradias nas periferias dos centros urbanos. Esse movimento foi ainda mais intenso com a modernização do campo e a industrialização, a partir da segunda metade do século XX. As favelas estão presentes em 743 cidades de todas as regiões do país. As maiores favelas do Brasil são: Rocinha (Rio de Janeiro); Sol Nascente (Distrito Federal); Rio das Pedras (Rio de Janeiro); Paraisópolis (São Paulo). Consequências da favelização A favelização apresenta consequências principalmente para a população que vive nas favelas e também para o meio ambiente urbano, entre as quais estão: • aprofundamento das desigualdades socioespaciais; • aumento da discriminação e da marginalização social da população mais carente; • baixo acesso e até mesmo ausência de redes de serviços essenciais, que vão desde saneamento até o transporte urbano; • fragilização de áreas de risco, como encostas de morros, o que pode ocasionar deslizamentos de terra com consequências graves para os moradores dessas áreas; • problemas como alagamentos, enchentes e enxurradas; • aumento da poluição de mananciais e do solo devido à falta de atendimento por serviços urbanos, como coleta de lixo; • baixos índices de investimento em melhorias destinadas à população por parte do poder público. ONGs (OSC, Organização da Sociedade Civil) na Favela: Nossa meta é o Brasil A CUFA (Central Única das Favelas) é uma organização brasileira reconhecida nacional e internacionalmente nos âmbitos político, social, esportivo e cultural que existe há 20 anos. Aula 7 / fim da 3º parte MOVIMENTOS SOCIAIS Graduação Sociologia Graduação Sociologia Aula 7 / 4ºparte MOVIMENTOS SOCIAIS Os sociólogos Marx, Weber e Durkheim veem nos movimentos sociais a sustentação de uma revolução, a institucionalização de um novo poder burocrático e até a maior coesão social, respectivamente. Max Weber (1864-1920) Foi um dos pilares da sociologia e é tido, até os dias de hoje, como um dos nomes-chave para dessa ciência que estava começando a se desenvolver. Com a sociologia dando os seus primeiros passos no final do século XIX, o contributo de Max Weber com a criação do método subjetivista/compreensivo foi essencial para que a disciplina se consolidasse. Weber foi autor de uma sociologia que teceu severas críticas ao positivismo e rompeu acabou por romper mesmo com essa corrente filosófica. Max criou uma espécie de sociologia subjetivista, compreensiva, não tão preocupada com os fatos sociais e sim com as interações sociais. As ações sociais As chamadas ações sociais que permeiam as interações sociais são definidas por Max Weber como. Para Max Weber existiam quatro tipos de ações sociais: 1.Referente a fins: esse tipo de ação visa um fim específico (por exemplo, preciso ir ao supermercado para ter ingredientes para cozinhar o jantar). 2.Referente a valores: nesse tipo de ações as atitudes influenciam as nossas crenças morais. 3.Afetiva: ações que a nossa cultura nos ensinou a fazer e que reproduzimos (como, por exemplo, entregar presentes no dia do natal). 4.Tradicional: são as ações convencionais cotidianas, isto é, como nos vestimos, o que comemos, os lugares que frequentamos. Ideias de Max Weber •"O homem não teria alcançado o possível se, repetidas vezes, não tivesse tentado o impossível." •"Neutro é quem já se decidiu pelo mais forte." •"Há duas maneiras de fazer política. Ou se vive para a política ou se vive da política." •"O homem é um animal amarrado a teias de significados que ele mesmo teceu." Durkheim O sociólogo francês Émile Durkheim (1858-1917) define como solidariedade o fator que garante a coesão social em um período específico. É o que faz os indivíduos sentirem-se parte de um grupo social. Essa proposta é uma tentativa de responder às mudanças ocorridas na Europa, sobretudo, a partir da instauração do modo de produção capitalista. Para ele, a solidariedade mecânica é fundamentada nas tradições, nos hábitos e na moral; características muito presentes em sociedades pré- capitalistas. Já a solidariedade orgânica é baseada na interdependência gerada pela especialização do trabalho no modo de produção capitalista. O que é solidariedade para Durkheim? Em sua obra Da Divisão do Trabalho Social (1893), Durkheim afirma que a solidariedade é uma relação moral que faz com que os indivíduos se percebam como pertencentes a uma mesma sociedade. São valores baseados nas tradições, nos costumes e na forma de atuação na sociedade que regem as ações e garantem que o mesmo modo de vida seja compartilhado por esses indivíduos, impedindo o caos social. O que é solidariedade mecânica? Em um período pré-capitalista, a divisão social do trabalho era muito simples. Em geral, as pessoas cumpriam a mesma tarefa na produção (camponeses, artesãos, pequenos comerciantes, etc.). Como as pessoas tendem a executar as mesmas tarefas, o trabalho de uma independe do trabalho de outra. Assim, a coesão social é garantida pela tradição, pela moral e pelos costumes, que possuem uma grande força, capaz de unir os indivíduos. Nessas sociedades, o direito é fundamentado na manutenção dos costumes para garantir que sejam respeitados e que a sociedade permaneça coesa em torno dessas tradições. Desse modo, a solidariedade mecânica atua como um mecanismo baseado em crenças comuns, que possibilitam a vida em sociedade. O que é a solidariedade orgânica? Com a complexificação da sociedade, os indivíduos deixam de compartilhar as suas crenças, hábitos e tradições, necessitando que haja uma mudança também no modo de garantir a coesão social. Com a transformação para o modo de produção capitalista, as tarefas se especializam cada vez mais. Cada indivíduo cumpre uma tarefa específica. Durkheim afirma que essa especialização do trabalho possui também a característica de tornar as pessoas mais dependentes entre si. Já que a tarefa de um depende da execução da tarefa dos demais. Assim, os indivíduos criam laços de interdependência, gerando um novo modo de solidariedade e garantindo coesão social - a solidariedade orgânica. Nessa estrutura, o papel do direito também torna-se mais complexo e busca responder à criação de garantias e deveres aos quais os diferentes cidadãos possam compartilhar. Desse modo, a solidariedade orgânica se dá a partir da compreensão da sociedade como um corpo no qual o bom funcionamento necessita de que os diferentes órgãos cumpram suas funções de forma interligada e interdependente. Aula 7 / fim da 4º parte MOVIMENTOS SOCIAIS Graduação Sociologia Graduação Sociologia Aula 7 / 5º parte MOVIMENTOS SOCIAIS Teoria dos Movimentos Sociais: a partir de várias perspectivas teóricas Os movimentos sociais, enquanto objeto empírico, têm alimentado um debate constante no campo das Ciências Sociais, estimulando e promovendo o desenvolvimento de múltiplas perspectivas teóricas e focos de atenção diversos. Buscaremos aqui apresentar, de forma introdutória, as teorias que se destacaram, sendo elas: a Teoria Marxista dos Movimentos Sociais, a Teoria das Massas (TM), a Teoria da Mobilização dos Recursos (TMR), a Teoria dos Processos Políticos (TPP) e a Teoria dos Novos Movimentos Sociais (TNMS). As análises marxistas Origem: Remontam ao século XIX e possuem sua origem na sociologia clássica de Karl Marx e Friedrich Engels e se desenvolveu a partir de diversos autores conhecidos como marxistas. Principais características: 1) abordagem de viés estruturalista, ou seja, o movimento surge como resultado de determinado contexto industrial ou econômico que possui impacto nas formas de divisão do trabalho e organização dos operários, 2) no âmbito dos processos associativos está ancorada na categoria classe (em si, e para ai) e, 3) nas abordagens que focam no papel da liderança, a destacam como intelectuais orgânicos que são responsáveis pelo direcionamento e construção ideológica da mobilização. Os movimentos sociais são entendidos como ações coletivas de uma classe social explorada que busca: 1) melhores condições de trabalho, de salários e de vida e; 2) eclodir uma revolução, a tomada do poder a fim de implantar uma ditadura do proletariado a fim de suplantar o Capitalismo. Teoria das Massas Origem: Desenvolvida entre aos anos de 1940 e 1960, sobretudo por influência das grandes manifestações públicas do nazismo e do fascismo. Principais características: 1) marcada fortemente pelo positivismo e, em particular, pela sociologia organicista de Durkheim e; 2) a grande preocupação dos teóricos estava em entender o comportamento das massas sob uma análise da Psicologia Social, sendo elas tidas como perigosas e, portanto, combatidas e; 3) a preocupação era entender os movimentos não democráticos, o processo de alienação das massas e a perda de controle e influência das elites culturais. Os movimentos sociais são entendidos como patologias sociais, desajustamentos causados pelas disfunções da modernidade. Assim, os movimentos sociais são tidos como movimentos desviantes e irracionais compostos por indivíduos marginalizados. Teoria da Mobilização dos Recursos Origem: Surge do contexto de transformações políticas ocorridas na sociedade norte-americana nos anos 1960. Sua origem se relaciona diretamente a rejeição da ênfase que a Teoria das Massas dava aos sentimentos e ressentimentos dos grupos coletivos, assim como o approach eminentemente psicossocial dos clássicos, centrado nas condições de privação material e cultural dos indivíduos. Principais características: 1) preocupação em entender o papel da burocracia na organização dos movimentos sociais; 2) os estudos focam nos recursosdisponíveis aos movimentos sociais, sendo eles humanos, financeiros e de infraestrutura; 3) foco no papel das lideranças, sobretudo em sua capacidade de mobilizar e trocar bens num mercado de barganhas, as quais são entendidas a partir de uma visão exclusivamente economicista, num processo em que todos os atores agiam racionalmente, segundo cálculos de custos e benefícios, lógica emprestada da Teoria da Escolha Racional e a Teoria do Utilitarismo e; 4) as ações coletivas são explicadas a partir de uma visão comportamentalista organizacional. Os movimentos sociais são entendidos como grupos de interesses, vistos como organizações e analisados sob a ótica da burocracia de uma instituição, tendo recebido fortes influências da Sociologia weberiana. Teoria dos Processos Políticos Origem: Se desenvolve nos anos de 1970 como crítica ao utilitarismo e ao individualismo metodológico da Teoria da Mobilização dos Recursos Principais características: 1) trazer para o centro do debate elementos político-culturais e simbólicos, os quais passam a ser entendidos como importantes para atrair novos membros, mobilizar o apoio de variados públicos, constranger as opções de controle social de seus oponentes e tentar direcionar as políticas públicas e as ações do Estado; 2) preocupação em observar as dimensões externas das lutas dos movimentos que são tidas como relevantes para a competição por poder; 3) ideias, símbolos e palavras-chave são observados como importantes na construção da identidade dos movimentos sociais e sua mobilização; 4) foco nos processos sociais de longa e média duração e; 5) ênfase nas estruturas das oportunidades e restrições políticas. Os movimentos sociais são entendidos um ator político de mudança social, esta entendida como uma ação reformista e não revolucionária. Teoria dos Novos Movimentos Sociais Origem: surgiu como arcabouço explicativo para os movimentos sociais transclassistas, ou seja, composto por sujeitos pertencentes a diferentes classes sociais, ou ainda a movimentos por demandas pós-materiais, tais a qualidade do ar, a igualdade de gênero e a luta pela paz. Principais características: 1) foca nas identidades coletivas e, portanto, apresentando uma visão culturalista dos movimentos sociais; 2) o reconhecimento e o autoreconhecimento são elementos fundamentais para entender a ação coletiva e; 3) observação de que as demandas dos movimentos sociais não são apenas materiais. Os movimentos sociais são entendidos como atores sociais marcados pelo reconhecimento identitário que buscam melhores condições de vida, envolvendo ganhos materiais e não materiais, tais como respeito aos diferentes, preservação do meio ambiente, etc. Fim da Aula 7 MOVIMENTOS SOCIAIS Graduação Sociologia Slide 1 Slide 2 Slide 3 Slide 4 Slide 5 Slide 6 Slide 7 Slide 8 Slide 9 Slide 10 Slide 11 Slide 12 Slide 13 Slide 14 Slide 15 Slide 16 Slide 17 Slide 18 Slide 19 Slide 20 Slide 21 Slide 22 Slide 23 Slide 24 Slide 25 Slide 26 Slide 27 Slide 28 Slide 29 Slide 30 Slide 31 Slide 32 Slide 33 Slide 34 Slide 35 Slide 36 Slide 37 Slide 38 Slide 39 Slide 40 Slide 41 Slide 42 Slide 43 Slide 44 Slide 45 Slide 46 Slide 47 Slide 48 Slide 49 Slide 50 Slide 51 Slide 52