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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ FACULDADE DE EDUCAÇÃO E CIÊNCIAS INTEGRADAS DE CRATEÚS CURSO DE GRADUAÇÃO EM MEDICINA TALITA SILVA ALCANTARA RETROVÍRUS CRATEÚS – CEARÁ 2025 CONCEITO E ESTRUTURA DOS RETROVÍRUS Os retrovírus são vírus de RNA de fita positiva, envelopados e que apresentam morfologia e modo de replicação únicos. A principal característica dos retrovírus é a sua capacidade de transcrever o RNA viral em DNA a partir da enzima transcriptase reversa. Esse DNA, é então integrado ao genoma da célula hospedeira, permitindo a replicação do vírus e a produção de novos vírions. Os retrovírus de maior importância médica são: HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana), causador da AIDS, e o HTLV (Vírus Linfotrópico de Células T Humanas), associados a doenças como leucemia e distúrbios neurológicos. CLASSIFICAÇÃO DOS RETROVÍRUS Os retrovírus podem assumir diversas classificações, levando em consideração os seguintes aspectos: Tipo de doença que causam, tropismo tecidual e gama de hospedeiros e morfologia do vírion. 1. Pelo tipo de doença que causam: Oncovírus: Estão relacionados ao desenvolvimento de cânceres e desregulação do crescimento celular. São os únicos retrovírus capazes de imortalizar ou transformar células-alvo. Exemplos incluem o HTLV-1 e HTLV-2, ligados a leucemias e linfomas. Lentivírus: Estão relacionados a processos infecciosos crônicos e progressivos, geralmente associados à imunossupressão e doenças neurológicas. O principal exemplo é o HIV. Spumavírus: Também chamados de vírus espumosos, causam um efeito citopático distinto, mas não estão associados a doenças clínicas em humanos. 2. Pelo tropismo tecidual e gama de hospedeiros: Alguns retrovírus possuem uma maior afinidade por determinados tecidos e tipos celulares. Por exemplo, o HIV apresenta uma maior afinidade com células do sistema imunológico, enquanto o HTLV tem tropismo por linfócitos T. 3. Pela morfologia do vírion: Os retrovírus são classificados com base na forma de seu núcleo (core) e capsídeo. Tipo A: Não infecciosos e imaturos, sem capsídeo definido. Tipo B: Têm um capsídeo excêntrico, como o vírus do câncer mamário murino. Tipo C: Apresentam um capsídeo central e simétrico, sendo a forma mais comum. Tipo D: Parecidos com os tipo C, mas com uma morfologia mais densa e compacta. Figura 1: Tipos de vírus quanto à morfologia Fonte: Murray (microbiologia médica)¹ CICLO DE VIDA DOS RETROVÍRUS O ciclo de vida de um retrovírus envolve várias etapas: 1. Adsorção e entrada na célula ● Ligação das glicoproteínas virais gp120 e gp41, localizadas na superfície do vírus, aos receptores da célula-alvo - receptor primário (proteína CD4) e receptor secundário (receptor de quimiocinas). ● A ligação entre gp120 e CD4 promove uma mudança conformacional na proteína viral, expondo regiões que interagem com correceptores de quimiocinas (CCR5 e CXCR4). A ligação ao correceptor garante a fusão do vírus com a membrana celular e permite liberação do material genético viral dentro dela. 2. Transcrição reversa Quando o genoma é liberado no citoplasma, a fase de replicação inicia. Essa replicação é realizada pela transcriptase reversa que converte o RNA viral em DNA de fita dupla. 3. Integração ao genoma da célula Após a conversão do RNA viral em DNA, a enzima integrase transporta esse DNA até o núcleo, insere-o no genoma da célula hospedeira e ele passa a ser chamado de provírus. 4. Transcrição e tradução O provírus age como um gene da célula hospedeira, sendo transcrito em novos RNAs virais. Alguns desses RNAs servem como material genético para novos vírus, enquanto outros são traduzidos em proteínas virais. 5. Montagem e liberação As proteínas virais e o RNA recém-produzidos são montados em novos vírus, que brotam da célula hospedeira levando parte da membrana celular como envelope. Esse processo pode destruir a célula hospedeira ou deixá-la intacta. VÍRUS HIV O HIV é classificado como um retrovírus, portanto apresenta as características básicas desse grupo de vírus: Genoma de RNA de fita simples, possui enzimas essenciais como transcriptase reversa, integrase e protease. Além disso, possui o envelope com proteínas gp120 e gp41, fundamentais para a entrada no linfócito CD4. O HIV é o causador da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS). Ele apresenta tropismo pelas células mieloides e linfócitos T que expressam CD4. A imunossupressão induzida pelo HIV (AIDS) é resultado de uma diminuição no número de linfócitos T CD4. Essa diminuição enfraquece a ativação e o controle das respostas inatas e imunes. Figura 2: Ciclo de Vida do HIV Fonte: Murray (Microbiologia médica)² 1. Progressão da Infecção e AIDS A infecção pelo HIV ocorre em fases : Infecção aguda: A infecção aguda apresenta multiplicação viral intensa, gripe severa, febre, linfonodos inchados. Nessa fase o sistema imunológico responde e reduz a carga viral. Fase de latência clínica: Consiste na replicação do HIV de forma silenciosa e na diminuição progressiva dos linfócitos TCD4. AIDS (quando o CD4virais capazes de modificar o funcionamento das células infectadas, promovendo o escape do vírus da resposta imune, estimulando o crescimento descontrolado das células T CD4+. Além disso, o gene PX produz proteínas virais, como TAX e HBZ. Essas proteínas trabalham em conjunto e transformam células T normais em células cancerígenas, levando ao desenvolvimento da Leucemia/Linfoma de Células T do Adulto (LLTA) . 3. Desenvolvimento da leucemia A progressão para leucemia leva cerca de 30 anos. O seu desenvolvimento está relacionado a um crescimento policlonal, várias células infectadas crescendo simultaneamente. Algumas dessas células vão acumulando mutações e tornando-se monoclonais, todas derivadas de uma única célula cancerígena. 4. Resposta Imune ao HTLV-1 Apesar do sistema imunológico tentar combater o HTLV-1 produzindo anticorpos contra a proteína gp46 e outras proteínas virais, eles acabam não sendo suficientes para combater a infecção. 5. Imunossupressão Além de causar leucemia, o HTLV-1 também provoca imunossupressão , tornando o corpo mais vulnerável a infecções oportunistas (assim como acontece na AIDS causada pelo HIV). Diagnóstico e Tratamento do HTLV O diagnóstico é obtido por meio teste ELISA. Esse teste possibilita a detectção de antígenos específicos do vírus no sangue. Quanto ao tratamento, a combinação de AZT e interferona (IFN)-α tem sido efetiva em alguns pacientes com LLTA. Entretanto, ainda não houve aprovação de nenhum tratamento para o manejo de infecção pelo HTLV-1. REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Manejo da Infecção pelo HIV em Adultos. Brasília, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/saude. GESSAIN, A.; CASSAR, O. Epidemiological Aspects and World Distribution of HTLV-1 Infection. Frontiers in Microbiology, v. 3, p. 388, 2012. DOI: 10.3389/fmicb.2012.00388. MURRAY, P. R.; ROSENTHAL, K. S.; PFALLER, M. A. Microbiologia Médica. 9ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2021. https://www.gov.br/saude https://doi.org/10.3389/fmicb.2012.00388 UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ FACULDADE DE EDUCAÇÃO E CIÊNCIAS INTEGRADAS DE CRATEÚS CURSO DE GRADUAÇÃO EM MEDICINA TALITA SILVA ALCANTARA CRATEÚS – CEARÁ 2025 1. Adsorção e entrada na célula 2. Transcrição reversa 3. Integração ao genoma da célula 4. Transcrição e tradução 5. Montagem e liberação Figura 2: Ciclo de Vida do HIV 1. Progressão da Infecção e AIDS 2.Tratamento do HIV HTLV (VÍRUS LINFOTRÓPICO DA CÉLULA T HUMANA) O HTLV pertence à subfamília dos oncovírus. Os oncovírus humanos incluem HTLV-1, HTLV-2 e HTLV-5, mas apenas HTLV-1 foi definitivamente associado à doença - leucemia/linfoma de células T adulta e mielopatia associada ao HTLV-1 (paraparesia espástica tropical), que é uma doença neurológica. Estrutura do HTLV: RNA de fita simples, além dos genes gag, pov, env, possui genes regulatórios (tax e rex). Ciclo de Vida do HTLV 1.Infecção Inicial 4.Resposta Imune ao HTLV-1 Diagnóstico e Tratamento do HTLV