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ARTIGO LEONEL

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29REVISTA CATARINENSE DE IMPLANTODONTIA
ANO 19 Nº 19
 
Leonel Alves de Oliveira 1 
Fernando Luiz Duarte Almeida2
1 Professor de Morfologia Médica - UNB; 
Mestre em Bioquímica – UNB; Doutorando 
em Ciências Médicas – UNB; Biólogo, 
Cirurgião-Dentista, Especialista em 
Implantodontia, Assessor Técnico do CFO 
nas áreas de sangue, células e tecidos 
e Membro da Comissão Permanente de 
Biovigilânica – ANVISA.
2 Doutor em Ciências Médicas - Radiologia - 
UFRJ, Mestre em Cirurgia Bucomaxilofacial 
- UFRJ; Especialista em Cirurgia 
Bucomaxilofacial – UERJ, Chefe do Serviço 
de Implantodontia da Santa Casa da 
Misericórdia - RJ.
Liberação de VEGF, TGFb e FGFb da Matriz de Fibrina 
Rica em Plaquetas e Leucócitos obtida pelo Protocolo 
Fibrin® de centrifugação. Benefícios como Adjuvante 
Cirúrgico em Elevações do Seio Maxilar. ®.
Resumo
As propriedades osteoprogenitoras, osteoindutivas e osteocundutivas são desejáveis 
aos materiais utilizados visando regenerar o tecido ósseo perdido em associação 
e/ou em consequência da perda dentária. Limitados à propriedade osteocondutiva, 
os biomateriais empregados em enxertia óssea podem receber um coadjuvante 
importante. A utilização seletiva de frações do sangue autólogo, especialmente a 
porção de fibrina, polimerizada na forma de coágulo e em fase líquida - monomérica 
- quando associadas aos biomateriais granulados, formam por aglutinação um 
compósito mineralizado em matriz de fibrina que atua favoravelmente na cirurgia 
de elevação do seio maxilar. Otimização no processo de angiogênese, prevenção 
e correção de rupturas da membrana sinusal, aglutinação e estabilidade mecânica 
dos biomateriais, além de colaborar na hemostasia local, são alguns dos benefícios 
obtidos que aumentam a previsibilidade de resultados, reduzindo as complicações. 
Este artigo discorre sobre a concentração relativa de três fatores de crescimento e 
a estrutura morfológica da matriz de fibrina leucoplaquetária autóloga obtida pelo 
protocolo Fibrin® e contextualiza a sua aplicação em elevações do seio maxilar.
PalavRas-Chave:
Coagulação, fibrina, enxertos, biomateriais, polimerização.
AbstrAct
The osteogenic, osteoinductive and osteocunductive properties are desirable for the 
materials used for regenerating the bone tissue once lost during the process, or in 
consequence of tooth loss. Limited to the osteoconductive property, biomaterials 
employed in bone grafts may be enhanced with an important adjuvant. The selective 
use of autologous blood fractions, especially the fibrin portion, after polymerization 
in the form of a clot, and in the liquid - monomeric phase, when associated with the 
particulate biomaterials, forms by agglutination a mineralized composite in a fibrin 
matrix that acts favorably in the maxillary sinus lift surgery. Angiogenesis process 
optimization, prevention and correction of sinusal membrane rupture, agglutination 
and stability of biomaterials, besides improving local hemostasis, are some of the 
benefits that enforce predictability and reduce complications. This paper describes 
the relative concentration of growth factors and the morphological structure of the 
autologous leuko-platelet fibrin matrix obtained by Fibrin® protocol and contextualizes 
its application in maxillary sinus elevations.
KeywOrDs
Coagulation, fibrin, grafts, biomaterials, polymerization.
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ANO 19 Nº 19
IntRodução
As propriedades osteogênicas, e osteocondu-
tivas são desejáveis aos materiais utilizados para 
regenerar o tecido ósseo perdido. Embora, em sua 
grande maioria, limitados à propriedade osteocon-
dutiva, os enxertos ósseos realizados com bio-
materiais tornaram-se procedimentos comuns na 
prática cirúrgica, pois promovem um arcabouço os-
teocondutor rígido, mineralizado como meio ade-
quado à reconstrução do tecido ósseo afetado1. 
Almeida et al, 2004, ressaltam que a nature-
za do material utilizado como enxerto tem gran-
de importância no sucesso do tratamento, e que 
a utilização de osso autógeno continua sendo o 
padrão ouro nas cirurgias reconstrutivas. Porém, 
sua obtenção ainda é um desafio nas reconstru-
ções ósseas, pois a abordagem à região doadora 
pode aumenetar o tempo de cirurgico, bem como 
da morbidade a ela associada pela criaçao de dois 
leitos cirúrgicos2. 
Complicações trans e pós-operatórias em en-
xertias são comuns, especialmente nas elevações 
do seio maxilar, onde o leito ósseo receptor em 
grandes atrofias, geralmente é pobre de tecido 
medular, o que diminui a irrigação local e a mi-
gração de células progenitoras ósseas3,4. A viabili-
dade de um enxerto ósseo depende fundamental-
mente da ausência de infecções, da estabilidade 
durante as fases iniciais do reparo e da adequada 
vascularização e migração celular no leito enxerta-
do4, especialmente nas situações em que o ma-
terial eleito é desprovido de células vivas, como 
os biomateriais. 
A angiogênese, fundamental nos processos 
reconstrutivos, tem como arcabouço iniciador o 
coágulo sanguíneo5, pois os elementos do san-
gue, em sinergismo e por meio de mecanismos 
de indução-resposta6, promovem o microambiente 
ideal para os processos de neoformação óssea7.
Na prática cirúrgica a manobra de descorti-
calização serve tanto para aumentar a irrigação 
sanguínea para o enxerto, como para prover o seu 
contato com a medula óssea, fonte de células in-
diferenciadas osteoprogenitoras5,8. 
Outro aspecto relevante é o potencial contami-
nante do ambiente intrasinusal. A membrana de 
Schneider é muito vulnerável à perfuração durante 
as manobras cirúrgicas para descolamento9, po-
dendo inclusive sofrer perfurações durante a inser-
ção dos biomateriais de enxertia10,11. 
Apesar do significativo índice de sucesso, este 
conjunto de fatores torna a cirurgia de elevação 
do seio maxilar especialmente vulnerável a com-
plicações que podem comprometer o resultado 
final, implicar em novas intervenções cirúrgicas e 
aumentar o grau de complexidade na reabilitação.
Alguns estudos tem demonstrado que o uso da 
Fibrina Rica em Plaquetas e Leucócitos (FRPL) tem 
atuado como importante adjuvante nas cirurgias 
reconstrutivas por enxertia óssea com elevação do 
seio maxilar12–14.
Simonpiere et al, 201112 empregaram a FRPL 
como único material de enxerto em elevações 
do seio maxilar com instalação concomitante de 
implantes com 20 pacientes e obtiveram 100% 
de aproveitamento e neoformação óssea confir-
mada por tomografia garantindo a efetividade da 
técnica.
Diss et al, 200813 em um estudo prospectivo 
de 1 ano demonstraram radiograficamente que o 
uso único de FRPL e implantação simultânea em 
elevações do seio maxilar foi suficiente para au-
mentar o nível ósseo na região apical dos implan-
tes instalados.
Choukroun et al, 200614 demonstraram histo-
logicamente, em estudo in vivo, que o uso de alo-
enxerto particulado combinado com fragmentos de 
FRPL tornou precoce a maturação óssea quando 
comparado com o uso deste mesmo biomaterial 
sem FRPL.
Vieira e colaboradores, 20169 demonstraram a 
efetividade desta matriz de fibrina leucoplaquetá-
ria autóloga na obliteração de perfuração crítica da 
membrana sinusal auxiliando a execução da enxer-
tia em um mesmo ato cirúrgico.
Pichotano et al, 2019 verificaram por histomor-
fometria o efeito da adição da FRPL associada ao 
material de enxerto em 11 casos de elevação do 
seio maxilar. Os autores verificaram o maior con-
teúdo ósseo neoformado ao final de 120 dias no 
grupo que havia recebido a FRPL associada ao bio-
material xenógeno. O grupo que recebeu apenas o 
biomaterial mineralizado apresentou menores ní-
veis de neoformação óssea mesmo após os 180 
dias decorridos da cirurgia inicial15.
O uso desta matriz sanguínea, por suas carac-
terísticas biológicas e suas diversas aplicações 
clínicas no campo da cirurgia bucomaxilofacial, 
favorece tanto a metodologia cirúrgica como as 
fases iniciais do reparo nas cirurgias de elevação 
do seio maxilar9,12–14. As seguintes propriedadesda FRPL podem ser associadas com seus bene-
fícios adicionais nas cirúrgicas reconstrutivas de 
elevação do seio maxilar: Proteção mecânica da 
membrana sinusal16; vedação de perfurações da 
membrana sinusal13,16; adesão biológica do conte-
údo mineralizado do enxerto17,18; criação de um mi-
croambiente favorável à acomodação celular17,19; 
impregnação dos poros do biomaterial com conte-
údo biológico adesivo17; aumento da adesividade 
da superfície do biomaterial osteocondutor17; he-
mostasia tópica20.
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ANO 19 Nº 19
mateRIaIs e métodos
o método e sua CaRaCteRIzação
A proposta metodológica deste manuscrito 
fundamenta-se nos efeitos da centrifugação so-
bre as propriedades funcionais do concentrado 
sanguíneo leucoplaquetário autólogo e não-trans-
fusional, a FRPL, com a aplicação de FCR de 200 
x g durante 10 minutos. Estes parâmetros foram 
estabelecidos em função da liberação lenta de fa-
tores de crescimento angiogênicos e da sua análi-
se ultraestrutural. Neste método foi incluído o pro-
cessamento sanguíneo para a obtenção da fibrina 
em fase monomérica onde o fator distintivo foi o 
emprego de tubo de poliestireno isento de sílica21. 
Deste modo, a obtenção simultânea de coágulos 
de fibrina e de uma matriz de fibrina em fase líqui-
da em única coleta e único processo ininterrupto 
de centrifugação. Este método foi denominado 
Protocolo Fibrin®21,22.
A fim de verificar a natureza biológica da matriz 
de fibrina leucoplaquetária obtida por este método 
de centrifugação foram avaliadas a estrutura mor-
fológica e a concentração dos fatores de cresci-
mento - do endotélio vascular (VEGF), fibroblástico 
básico (FGFb) e transformante beta1 (TGFb1) - li-
berados durante 10 dias em ensaios laboratoriais 
morfológicos por microscopia eletrônica de varre-
dura (MEV) e imunoensaio quali-quantitativo por 
Cytometric Bead Array™ (CBA). 
Durante a realização deste estudo, as normas 
éticas para a pesquisa científica com seres hu-
manos foram rigorosamente obedecidas, em con-
cordância com a lei 6.638/79 e conforme a de-
claração de Helsinque (World Medical Association 
Recommendation 2011). O estudo foi aprovado 
pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade 
de Medicina da Universidade de Brasília sob o nú-
mero 055468/2015. Os espécimes sanguíneos 
foram coletados mediante assinatura do termo 
de consentimento livre e esclarecido pelo indiví-
duo. Participaram voluntariamente deste estudo 
de caracterização 3 indivíduos adultos jovens, 
dos quais foram obtidas 3 amostras sanguíneas 
de cada um após leitura e assinatura de termo 
de consentimento livre e esclarecido (TCLE). Os 
mesmos declararam-se saudáveis, não tabagistas 
e não portadores de doenças infecto-contagiosas. 
Coleta sanguínea
A coleção sanguínea foi realizada com 2 tubos 
plásticos secos de 9ml sem ativador de coágulo 
(Greiner Bio-One Vacuette, São Paulo, Brasil), 1 
tubo de vidro isento de aditivos de 10ml (Montser-
rat, Brasil) introduzidos no interior do adaptador e 
comprimidos para perfuração da tampa de borra-
cha até a cessação do seu enchimento. Na troca 
de tubos o procedimento foi repetido. Previamente 
à inserção dos tubos, foi realizada a assepsia das 
tampas com álcool 70%.
CentRIfugação
A centrifugação foi realizada a uma força centrí-
fuga relativa (RCF) de 200 x g utilizando a centrífuga 
Fibrinfuge25® (Montserrat, Brasil), durante 10 minu-
tos tendo seu início imediatamente após a coleta.
 
obtenção e PRoCessamento
da matRIz de fRPl
Para a obtenção da matriz de fibrina obteve-se 
três amostras de sangue de cada doador, sendo 
10 mL em cada tubo. Após a centrifugação, os es-
pécimes foram removidos e receberam tratamento 
de acordo com a metodologia a ser empregada: 
fIbRIna monoméRICa PaRa obtenção do 
ComPósIto mIneRalIzado em matRIz de 
fIbRIna.
 Após o ciclo de centrifugação o sobrenadante 
foi removido do tubo até o nível inferior do pelet 
leucoplaquetário com o auxílio de uma pipeta de 
transferência de 3mL estéril (Shandong Weigao, 
Weihai, China) de modo que a zona de peletização 
leucoplaquetária (ZPL) não fosse desprezada. As 
amostras serviram para obtenção de compósito 
mineralizado. O biomaterial xenógeno Lumina Po-
rous® (Critéria, Brasil) foi utilizado para a obten-
ção de espécimes de sticky bone™. A Fibrina em 
fase monomérica foi diretamente aplicada sobre 
os biomateriais hidratados em soro sanguíneo (ob-
tido a partir da drenagem das matrizes de fibrina) 
onde adicionou-se pequenos fragmentos dessa 
matriz para acelerar o tempo de polimerização.
deteRmInação da ConCentRação dos 
fatoRes de CResCImento
A matriz de fibrina foi mantida em estufa (Lab 
Line Instruments, USA) a 37oC e realizou-se a ex-
tração periódica de 200µL de soro em intervalos 
de (t1) 0, (t2) 48, (t3) 96, (t4) 168 e (t5) 240 horas 
para quantificação dos fatores de crescimento do 
endotélio vascular (VEGF), transformante beta 1 
(TGFβ1) e fibroblástico básico (FGFb). As alíquotas 
do soro foram transferidas para criotubos (Kasvi, 
China) e mantidas em ultrafreezer (Sanyo, Japan) 
a -80oC, onde permaneceram até o momento do 
preparo para o imunoensaio. A mensuração da li-
beração lenta dos fatores de crescimento do endo-
télio vascular, fibroblástico básico e transformante 
beta 1, respectivamente, VEGF, FGFb e TGFβ1 foi 
realizada por Cytometric Bead Array (CBA™). Como 
marcadores moleculares para o imunoensaio utili-
zou-se os kits VEGF (Human VEGF Flex Set e Cell 
32 REVISTA CATARINENSE DE IMPLANTODONTIA
ANO 19 Nº 19
Signaling Master Buffer Kit BD™ CBA, USA) e FGF 
básico (Human basic FGF flex Set, Kit BD™ CBA, 
USA) e TGF-beta 1 (Human TGF-beta 1 single plex 
flex set, Kit BD™ CBA, USA), conforme as especi-
ficações do fabricante. As amostras foram retira-
das do ultrafreezer, descongeladas à temperatura 
ambiente e foi retirado 25 µL de soro, e então, 
depositadas em criotubo âmbar para fotoproteção. 
Para o preparo da curva de calibração foi reconsti-
tuído o padrão dos fatores de crescimento com 1,0 
mL do diluente da amostra com homogeneização 
apenas por pipetagem e incubação à temperatura 
ambiente por 15 minutos. Foram diluídas alíquo-
tas do padrão total nas proporções 1/2, 1/4, 1/8, 
1/16, 1/32, 1/64, 1/128 e 1/256 para obtenção 
da curva padrão. Os beads de captura foram diluí-
dos em solução diluente para os mesmos sob fo-
toproteção em criotubos âmbar a partir na propor-
ção de 0,5 µL por amostra. Os beads de detecção 
foram preparados na mesma proporção de 0,5µL/
amostra e mantidos a 4,0oC ao abrigo da luz, antes 
do uso. O procedimento pré-analítico das amostras 
seguiu a seguinte sequência: a) em cada criotubo 
âmbar foi adicionado 25 µL da amostra de soro 
coletado; b) a este foi acidionado 25 µL da solução 
dos beads de captura, feita homogeneização em 
vórtex e foi incubado por 60 minutos à temperatura 
ambiente; c) após o tempo de incubação foi adicio-
nado 500 µL do tampão de lavagem, submetido à 
homogeneização em vótex e centrifugação a 200G 
por 5 minutos à temperatura ambiente na centrífu-
ga 1K15 (Sigma, Germany); d) após a centrifuga-
ção foi retirado o volume de 450 µL do sobrena-
dante e adicionados 25 µL da solução de beads 
de detecção; e) a amostra foi homogeneizada e 
mantida sob fotoproteção por 120 minutos à tem-
peratura ambiente; f) após este período de incuba-
ção foi adicionado 500 µL do tampão de lavagem 
e a amostra foi submetida a nova centrifugação de 
200 x g por 5 minutos; g) foram removidos 450 µL 
do sobrenadante e adicionado 150 µL do tampão 
para reconstituir o volume final e homogeneizado 
em vótex; h) A partir deste ponto foi pipetada a alí-
quota de 50 µL de cada amostra e aplicada sobre a 
placa de amostras e a leitura feita do citômetro de 
fluxo LSRFortessa™ (BD™, USA). Os parâmetros 
de leitura no citômetro de fluxo foram estabeleci-
dos de acordo com as recomendações do fabrican-
te para estes compostos. Os dados das análises 
foram utilizados para o cálculo de concentração uti-
lizando o programa FCAP Array™Software Version 
3.0 (BD™, USA). A concentração dos três fatores 
de crescimento foi expressa em pg/ml.
avalIação moRfológICa
A caracterização morfológica da matriz de fibri-
na obtida por estes parâmetros de centrifugação 
foi feita por microscopia eletrônica de varredura 
(MEV). No preparo para microscopia eletrônica de 
varredura um fragmento de cada porção da matriz 
de fibrina – superior, corpo e fração leucoplaque-
tária - foram submetidos à fixação por imersão em 
solução de Glutaraldeído 1M a 25% em tampão 
Cacodilato de Sódio a 0,1M por 24 horas a 4,0oC. 
Os espécimes foram lavados em solução tampão 
e submetidos ao processo de impregnação por 
solução Tetróxido de Ósmio - OsO
4
 - (Merck, Ale-
manha) por 2 horas, lavados em banhos de água 
deionizada e em sequência submetidos a desidra-
tação em banhos sucessivos em solução de ace-
tona (Merck, Alemanha) a 30, 50, 70, 80, 95 e 
dois banhos a 100%, onde cada banho durou 20 
minutos. Ainda submersos na acetona 100% os 
espécimes foram introduzidos na câmara de seca-
gem de ponto crítico CPD 030 (Balzers, Alemanha) 
para desidratação em meio contendo CO
2 
em fase 
líquida em condições controladas e crescentes 
de temperatura (4-5oC elevando para 40-45oC) e 
pressão de 72,9 atm. Em seguida os espécimes 
foram montados em suportes cilíndricos de cobre, 
fixados com adesivo condutivo de prata e submeti-
dos à pulverização catódica SCD 050 (Balzers, Ale-
manha) para metalização por deposição e recobri-
mento de toda a amostra com partículas de ouro 
(Au) onde o desprendimento do cátodo foi feito por 
bombardeamento com íons de argônio. Para a ob-
tenção das imagens as amostras foram colocadas 
em suporte de cobre, metalizadas e levadas ao 
microscópio eletrônico JSM 7001-F (JEOL, Japan) 
onde foram colocadas na câmara de vácuo com 
submissão ao feixe de elétrons para formação das 
imagens que foram digitalizadas e armazenadas 
no computador. 
análIse estatístICa
A quantificação de VEGF, FGFb e TGFb1 libera-
dos em função do tempo considerou as variações 
paramétricas propostas no estudo. As leituras no 
citômetro de fluxo foram feitas em triplicata e cada 
leitura representa medidas de múltiplas análises, 
isto permitiu-nos a interpretação estatística dos 
dados. Para testar a normalidade amostral foi uti-
lizado o teste Kolmogorov-Smirnov. Nas análises 
multigrupos, ao avaliar as concentrações cumula-
tivas para comparar a distribuição em amostras 
independentes foi utilizado o teste ANOVA para 
a análise de variância onde utilizou-se o teste 
Kruska-Wallis como pós-teste. Os valores de p 
dos 
implantes.
Figura 7. Registros radiográficos após 1 ano da cirugia de 
instalação dos implantes. 1e2 Cortes tomográficos para-
sagitais demonstrando implantes com áreas circunjacentes 
envoltas por tecido mineralizado, com a evidência de camada 
bicortical com espessa faixa de tecido mineralizado com 
morfologia típica de osso medular; 3. Radiografia periapical 
final demonstrando área regenerada sem evidências de 
partículas de biomaterial sugestiva de reabsorção por 
substituição de tecido autógeno neoformado; 4. Ampliacão em 
corte tomográfico transversal que ilustra a neoformação óssea 
no sentido vestíbulo-palatino no assoalho do seio maxilar com 
presença de implantes osseointegrados limitados por camadas 
bicorticais crânio-caudais.
35REVISTA CATARINENSE DE IMPLANTODONTIA
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dIsCussão
Por considerar que este coágulo potencializado 
tem constituição leucoplaquetária e sua utilização 
é exclusivamente autóloga, Santos et al, 2016 
apresentaram pela primeira vez na literatura cien-
tífica a nomenclatura fibrina leucoplaquetária autó-
loga como uma nômina autoexplicativa que define 
a composição e origem deste derivado do sangue. 
A metodologia proposta não gera um produto 
alheio aos concentrados sanguíneos já descritos 
na literatura, mas propõe um método que promove 
praticidade com melhor aproveitamento do volume 
sanguíneo, bem como de sua concentração celular 
seletivamente fracionada e a obtenção conjunta 
das matrizes de fibrina em fases monomérica e 
polimérica pela utilização concomitante de tubos 
que ativam e que retardam a polimerização do fi-
brinogênio sem adição de agentes químicos.
A idealização deste método surgiu em função 
da demanda do cirurgião dentista em incluir a ve-
nopunção e a centrifugação no seu cotidiano ci-
rúrgico. A facilitação de se realizar única coleção 
sanguínea e não intervir no ciclo de centrifugação 
apresentou-se como um agente facilitador à inclu-
são desta metodologia à prática clínica. A eleição 
desta força de centrifugação, 200 x g, deu-se por 
promover maior sedimentação e difusão dos ele-
mentos sanguíneos aproveitando adequadamente 
o volume sanguíneo disponível, por apresentar 
uma alta concentração de fatores de crescimen-
to liberada ao longo de 10 dias e por apresentar 
significativa manutenção da estrutura do conteúdo 
fibrilar da matriz de fibrina ao longo de 21 dias.
A análise morfológica por MEV demonstrou sua 
organização estrutural evidenciando a densidade 
da matriz de fibrina obtida pelo método proposto 
em arranjo tridimensional, bem como a presença 
de conteúdo celular concentrado com manutenção 
de sua integridade morfológica.
Contextualizado à prática de elevação do seio 
maxilar, os biomateriais mineralizados atuam 
como arcabouço rígido para acomodação dos 
substratos proteicos celulares na composição de 
nova matriz extracelular do tecido ósseo. Deste 
modo, a interação entre células dos tecidos ad-
jacentes e a nova matriz extracelular depositada 
sobre o leito enxertado sofrem grande influência 
de glicoproteínas plasmáticas e de micropartícu-
las circulantes. Estas, naturalmente impregnadas 
da rede de fibrina, conferem-lhe importante pro-
priedade adesiva e de sinalização celular.
As figuras 8 e 9 demonstraram a impregnação 
da matriz de fibrina sobre a porosidade natural dos 
biomateriais xenógenos analisados, que por sinal 
estruturalmente apresentaram muita similaridade 
morfológica. 
A associação entre a matriz de fibrina e a su-
perfície do biomaterial osteocondutor representa 
vantagens na adesividade e acomodação celular 
sobre este leito. A matriz de fibrina entremeada 
entre os grânulos do biomaterial gera um meio 
propício à migração celular. Tal característica pro-
porciona estabilidade do material enxertado nas 
fases iniciais do reparo. 
A análise de VEGF, FGFb e TGFb1 pelo método 
CBA demonstrou que o método de centrifugação 
proposto, o protocolo Fibrin®, proporciona eleva-
das concentrações destes metabólitos desprendi-
dos lentamente da matriz de fibrina leucoplaquetá-
ria ao longo de 240 horas. Estes dados atestaram 
sua similaridade aos protocolos já descritos na 
literatura científica internacional. Houve aumento 
significativo na concentração de VEGF e resulta-
dos menos acentuados na concentração de FGFb 
e de TGFb1. Entretanto, todos os fatores de cres-
cimento apresentaram concentrações supra fisio-
lógicas. 
Este método de análise da liberação dos fato-
res de crescimento evidencia suas altas concen-
trações no leito desta matriz de fibrina. Entretanto, 
cabe salientar que o maior desprendimento da ma-
triz, por si só, não configura nenhuma vantagem 
protocolar ou clínica, uma vez que a atividade de 
sinalização celular desempenhada por estes está 
associada à sua impregnação na rede. É notório 
que as maiores concentrações observadas in vitro 
ocorrem exatamente no período em que se con-
figura fisiologicamente a fibrinólise, ou seja, en-
tre 7 e 14 dias. No presente estudo optamos por 
analisar até o 10o dia por intermediar esta fase. 
Logo, há uma íntima associação entre a degrada-
ção fisiológica da matriz e o desprendimento des-
tes peptídeos. Cabe ainda considerar que estas 
concentrações desprendidas da matriz in vitro não 
reproduzem fidedignamente o que ocorre em leito 
tecidual in vivo, onde a ação de enzimas, agentes 
oxidantes e células migratórias interferem na ati-
vidade fisiológica destes fatores de crescimento. 
Mesmo porque, a matriz de fibrina exerce sobre 
estas proteínas um mecanismo de proteção pro-
teolítica, mantendo-os aderidos e funcionais para 
a sinalização celular fundamental para o reparo 
tecidual.
A faixa de força eleita para o protocolo Fibrin® 
apresentou a maior concentração relativa de VEGF, 
FGFb e TGFb1 no intervalo de 240 horas quando 
comparadas aos outros intervalos de tempo sub-
metidos às mesmas condições metodológicas.
A centrífuga eleita para o estudo demonstrou 
eficiente comportamento mecânico por apresentar 
níveis de vibração radial abaixo de 1,0 m/s2 na fai-
xa de eleição de 200 x g e variação térmica abaixo 
36 REVISTA CATARINENSE DE IMPLANTODONTIA
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de 1,0oC. Deste modo não configura nenhum risco 
de aquecimento da amostra, desnaturação protei-
ca ou indução e ativação de proteínas de choque 
térmico. Independentemente do leve aquecimento 
na câmara de centrifugação, 0,7oC, as amostras 
sanguíneas centrifugadas sofreram resfriamento 
de -5,0oC em média. Embora esta centrífuga seja 
indicada para o método, sua execução pode ser 
realizada com outros modelos de centrífugas que 
apresentem baixo nível de vibração radial e nenhu-
ma ou mínima variação térmica, pois estes confi-
guram pontos fundamentais do método.
A centrifugação simultânea para obtenção de 
coágulos e fibrina em fase líquida presta-se ade-
quadamente para finalidades cirúrgicas, especial-
mente a de elevação do seio maxilar. A força de 
200 x g e o tempo 10 minutos a que está sujeito o 
sangue neste protocolo mantém os elementos de-
sencadeadores da ativação e retração do coágulo 
presentes no sobrenadante. Entretanto, provoca 
maior nível de sedimentação leucoplaquetária na 
zona de transição entre o sobrenadante e o se-
dimento quando comparada a menores faixas de 
força de centrifugação indicadas em outros proto-
colos. Deste modo, o método preconiza o uso da 
pipeta plástica para captura de todo o volume so-
brenadante, o que promove maior aproveitamento 
do volume sanguíneo centrifugado e, especialmen-
te, do pelet de leucócitos e plaquetas. 
Nas cirurgias de elevação do seio maxilar 
complicações transcirúrgicas como perfurações 
da membrana sinusal e lesões na artéria alvéolo-
-antral são frequentes. O uso da FRPL representa 
neste contexto um importante artifício cirúrgico 
tanto para prover estabilização dos biomateriais 
de enxertia como para exercer hemostasia local. 
A indicação de aplicação de membranas de fibri-
na sobre a membrana sinusal descolada, além de 
proporcionar todas as vantagens biológicas asso-
ciadaao seu papel fisiológico, confere ainda um 
arcabouço mecânico de proteção evitando que o 
contato direto das partículas do biomaterial exer-
çam ação lesiva sobre a face periosteal da mem-
brana. O uso da matriz de fibrina nas cirurgias de 
elevação do seio maxilar confere favorecimentos 
não apenas na resposta biológica, mas também 
e especialmente no tratamento de complicações 
comuns a este tipo de cirurgia.
Não afirmamos aqui, por nossa investigação 
laboratorial e casuística clínica, que a FRPL tem o 
potencial de formar um novo tecido, mas que sua 
utilização favorece a precocidade da fase prolife-
rativa do reparo, que diminui a sintomatologia da 
fase aguda da inflamação, que favorece a acomo-
dação de células migratórias e aumenta a superfí-
cie de contato expondo epítopos para sinalização 
celular distribuídos na densa rede. Deste modo, 
este agregado sanguíneo deve ser entendido como 
um adjuvante nos processos cirúrgicos reconstru-
tivos. A literatura científica sobre o tema fortalece 
seu favorecimento no fechamento primário de fe-
ridas com efetiva aceleração reparadora sobre os 
tecidos moles. Ela pode ser exposta ao meio bu-
cal e torna precoce as cicatrizações em segunda 
intenção. Sua resistência mecânica permite que 
seja suturada e devidamente estabilizada no leito, 
o que integra a continuidade tecidual onde é inter-
posta. Merece destaque a facilitação metodológi-
ca de sua aplicação em leito cirúrgico, seja como 
aglutinador de partículas mineralizadas, seja como 
potente hemostático local, seja como cobertura de 
leitos onde oferece proteção mecânica temporal e 
promove um microambiente favorável à comunica-
ção vascular entre bordas cirúrgicas.
ConClusão
O método intitulado protocolo Fibrin® apresenta as mesmas características biológicas favoráveis ao 
reparo tecidual já conhecidas de outros métodos descritos na literatura. O que traz de inovação é a ob-
tenção conjunta das duas formas físicas da matriz de fibrina – monomérica e polimérica – o que favorece 
sua distinta e funcional aplicação no leito cirúrgico.
Sua abordagem temática sobre os parâmetros da centrifugação traz esclarecimentos funcionais sobre 
seus efeitos sobre a composição, distribuição celular e morfologia do agregado.
O uso de máquinas que apresentem baixos níveis de vibração e de variação térmica são favoráveis 
para a preservação das características biológicas da matriz de fibrina garantindo seus benefícios nas 
respostas biológicas do reparo tecidual.
A coleta sanguínea é o ponto de maior fragilidade metodológica para a obtenção dos biomateriais de 
fibrina e requer adequação técnica aplicável para a obtenção de coágulos terapêuticos, diferentemente 
da área diagnóstica. Ou seja, o cirurgião dentista deve aprimorar-se na técnica para primar pela formação 
do coágulo em tempo adequadamente funcional.
37REVISTA CATARINENSE DE IMPLANTODONTIA
ANO 19 Nº 19
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A aplicação desta matriz de FRPL na cirurgiade elevação do seio maxilar atua como um importante 
adjuvante tanto na resposta reparadora como na facilitação do método cirúrgico. Neste quesito, o proto-
colo Fibrin® adequa-se perfeitamente à técnica cirúrgica por promover a obtenção concomitante das duas 
apresentações físicas da matriz e simplifica a execução da técnica.
Estudos clínicos prospectivos e randomizados são necessários para trazer maiores níveis de evidên-
cia acerca o método e seus efeitos biológicos sobre a angiogênse e a neoformação óssea.
declaração de Conflito de Interesses
O autor Leonel Alves de Oliveira é o idealizador do protocolo Fibrin® para obtenção conjunta da matriz 
de fibrina em fases polimérica e monomérica e consultor científico da Montserrat Import. Os demais au-
tores declaram não haver conflitos de interesse.
agradecimentos
Aos doutores Edival Magalhães e Eduardo Rêgo Barros pelas fotografias cirúrgicas ilustrativas.
Às equipes técnicas e professores dos laboratórios de microscopia e microanálise e imunologia me-
dida da Universidade de Brasília.

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