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CADERNO DE QUESTÕES 
 AGEPEN MG 
 
 
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c) O acento grave deveria ser deslocado para o “a” que precede o termo “mão”. 
d) Ocorre devido à regência do verbo estender e sua relação com o termo regido. 
 
 
Questão 23 
 
Texto I 
Mundo interior 
 (Martha Medeiros) 
 A casa da gente é uma metáfora da nossa vida, é a representação exata e fiel do 
nosso mundo interior. Li esta frase outro dia e achei perfeito. Poucas coisas traduzem 
tão bem nosso jeito de ser como nosso jeito de morar. Isso não se aplica, logicamente, 
aos inquilinos da rua, que têm como teto um viaduto, ainda que eu não duvide que até 
eles sejam capazes de ter seus códigos secretos de instalação. 
 No entanto, estamos falando de quem pode ter um endereço digno, seja seu ou de 
aluguel. Pode ser um daqueles apartamentos amplos, com pé direito alto e preço mais 
alto ainda, ou um quarto-e-sala tão compacto quanto seu salário: na verdade, isso 
determina apenas seu poder aquisitivo, não revela seu mundo interior, que se manifesta 
por meio de outros valores. 
 Da porta da rua pra dentro, pouco importa a quantidade de metros quadrados e, sim, 
a maneira como você os ocupa. Se é uma casa colorida ou monocromática. Se tem 
objetos obtidos com afeto ou se foi tudo escolhido por um decorador profissional. Se há 
fotos das pessoas que amamos espalhadas por porta-retratos ou se há paredes nuas. 
 Tudo pode ser revelador: se deixamos a comida estragar na geladeira, se temos a 
mania de deixar as janelas sempre fechadas, se há muitas coisas por consertar. Isso 
também é estilo de vida. 
 Luz direta ou indireta? Tudo combinadinho ou uma esquizofrenia saudável na junção 
das coisas? Tudo de grife ou tudo de brique? É um jogo lúdico tentar descobrir o quanto 
há de granito e o quanto há de madeira na nossa personalidade. Qual o grau de 
importância das plantas no nosso habitat, que nota daríamos para o quesito vista 
panorâmica? Quadros tortos nos enervam? Tapetes rotos nos comovem? 
 Há casas em que tudo o que é aparente está em ordem, mas reina a confusão dentro 
dos armários. Há casas tão limpas, tão lindas, tão perfeitas que parecem cenários: faz 
falta um cheiro de comida e um som vindo lá do quarto. Há casas escuras. Há casas 
feias por fora e bonitas por dentro. Há casas pequenas onde cabem toda a família e os 
amigos, há casas com lareira que se mantêm frias. Há casas prontas para receber visitas 
e impróprias para receber a vida. Há casas com escadas, casas com desníveis, casas 
divertidamente irregulares. 
 Pode parecer apenas o lugar onde a gente dorme, come e vê televisão, mas nossa 
casa é muito mais que isso. É a nossa caverna, o nosso castelo, o esconderijo secreto 
onde coabitamos com nossos defeitos e virtudes. 
No sexto parágrafo, tem-se “há casas com lareira que se mantêm frias.”. Nesse fragmento, 
percebe-se que o acento da forma verbal em destaque deve-se à concordância com a 
seguinte palavra: 
a) “há” 
b) “casas” 
c) “lareira” 
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d) “frias” 
 
 
 
 
Questão 24 
 
Texto 
Uma Vela para Dario 
 (Dalton Trevisan) 
 Dario vinha apressado, guarda-chuva no braço esquerdo e, assim que dobrou a esquina, diminuiu 
o passo até parar, encostando-se à parede de uma casa. Por ela escorregando, sentou-se na calçada, 
ainda úmida de chuva, e descansou na pedra o cachimbo. 
 Dois ou três passantes rodearam-no e indagaram se não se sentia bem. Dario abriu a boca, moveu 
os lábios, não se ouviu resposta. O senhor gordo, de branco, sugeriu que devia sofrer de ataque. 
 Ele reclina-se mais um pouco, estendido agora na calçada, e o cachimbo tinha apagado. O rapaz 
de bigode pediu aos outros que se afastassem e o deixassem respirar. Abre-lhe o paletó, o colarinho, 
a gravata e a cinta. Quando lhe tiram os sapatos, Dario rouqueja feio, bolhas de espuma surgiram no 
canto da boca. 
 Cada pessoa que chega ergue-se na ponta dos pés, não o pode ver. Os moradores da rua 
conversam de uma porta à outra, as crianças de pijama acodem à janela. O senhor gordo repete que 
Dario sentou-se na calçada, soprando a fumaça do cachimbo, encostava o guarda-chuva na parede. 
Mas não se vê guarda-chuva ou cachimbo ao seu lado. 
 A velhinha de cabeça grisalha grita que ele está morrendo. Um grupo o arrasta para o táxi da 
esquina. Já no carro a metade do corpo, protesta o motorista: quem pagaria a corrida? Concordam 
chamar a ambulância. Dario conduzido de volta e recostado à parede - não tem os sapatos nem o 
alfinete de pérola na gravata. 
 Alguém informa da farmácia na outra rua. Não carregam Dario além da esquina; a farmácia é no 
fim do quarteirão e, além do mais, muito peso. É largado na porta de uma peixaria. Enxame de 
moscas lhe cobre o rosto, sem que faça um gesto para espantá-las. 
 Ocupado o café próximo pelas pessoas que apreciam o incidente e, agora, comendo e bebendo, 
gozam as delícias da noite. Dario em sossego e torto no degrau da peixaria, sem o relógio de pulso. 
 Um terceiro sugere lhe examinem os papéis, retirados - com vários objetos - de seus bolsos e 
alinhados sobre a camisa branca. Ficam sabendo do nome, idade; sinal de nascença. O endereço na 
carteira é de outra cidade. 
 Registra-se correria de uns duzentos curiosos que, a essa hora, ocupam toda a rua e as calçadas: 
era a polícia. O carro negro investe a multidão. Várias pessoas tropeçam no corpo de Dario, 
pisoteado dezessete vezes. 
 O guarda aproxima-se do cadáver, não pode identificá- lo — os bolsos vazios. Resta na mão 
esquerda a aliança de ouro, que ele próprio quando vivo - só destacava molhando no sabonete. A 
polícia decide chamar o rabecão. 
 A última boca repete — Ele morreu, ele morreu. A gente começa a se dispersar. Dario levou duas 
horas para morrer, ninguém acreditava estivesse no fim. Agora, aos que alcançam vê-lo, todo o ar de 
um defunto. 
 Um senhor piedoso dobra o paletó de Dario para lhe apoiar a cabeça. Cruza as mãos no peito. Não 
consegue fechar olho nem boca, onde a espuma sumiu. Apenas um homem morto e a multidão se 
espalha, as mesas do café ficam vazias. Na janela alguns moradores com almofadas para descansar 
os cotovelos. 
 Um menino de cor e descalço veio com uma vela, que acende ao lado do cadáver. Parece morto há 
muitos anos, quase o retrato de um morto desbotado pela chuva. 
 Fecham-se uma a uma as janelas. Três horas depois, lá está Dario à espera do rabecão. A cabeça 
agora na pedra, sem o paletó. E o dedo sem a aliança. O toco de vela apaga-se às primeiras gotas da 
chuva, que volta a cair. 
CADERNO DE QUESTÕES 
 AGEPEN MG 
 
 
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Considere o fragmento abaixo para responder à questão seguinte. 
“Apenas um homem morto e a multidão se espalha, as mesas do café ficam vazias.” (12°§) 
 
Em função da necessidade de concordância do verbo com o sujeito a que se refere, pode-se 
afirmar o seguinte sobre o sujeito da forma “espalha” é: 
a) composto tendo “homem” e “multidão” como núcleos. 
b) indeterminado e sem referência gramatical explícita. 
c) simples e representado pela construção “a multidão”. 
d) desinencial marcado pela terceira pessoa. 
 
Questão 25 
 
Texto 
 
Facebook deixa você depressivo 
 
 
Pura inveja. Você vai fuçar na vida alheia e descobre que seu ex-chefe, aquele mala, 
está de férias em Cancún. E o cara mais chato da faculdade conseguiuo emprego dos 
seus sonhos. Pior: postaram fotos, com a felicidade estampada na cara. E você ali, 
estagnado no trabalho, sem um centavo para viajar. O cotovelo coça. Todo mundo 
parece mais feliz do que você. Pobrecito... 
Não se preocupe. Isso parece acontecer com a maioria das pessoas que acessam o 
Facebook com frequência. Os sociólogos Hui-Tzu Grace Chou e Nicholas Edge, da 
Universidade de Utah Valley, conversaram com 425 estudantes sobre a vida: se estavam 
felizes ou não com o rumo das coisas. E se os amigos pareciam felizes. Também 
disseram quanto concordavam com expressões como “a vida é justa” ou “muitos dos 
meus amigos têm uma vida melhor do que a minha”. Aí então contaram quantos amigos 
cada um tinha no Facebook e quanto tempo passava on-line - a média foi de cinco horas 
por semana. 
E concluíram: quanto mais horas uma pessoa passa no Facebook, maior a chance de 
achar que a vida dos outros anda melhor. Isso acontecia ainda mais quando as pessoas 
não conheciam muito bem os contatos do Facebook. 
A explicação é fácil. Ninguém (ou quase ninguém) posta fotos tristes no Facebook. É só 
alegria - mesmo se a viagem for um fracasso e o trabalho uma furada. Só que daí, do 
outro lado da tela, tudo parece perfeito. Menos a sua vida, real e completa, com dias 
bons e ruins. Eu, hein. 
 
(Disponível em: http://superabril.com.br. Acesso em 18/05/16) 
No segundo parágrafo, o trecho “muitos dos meus amigos têm uma vida melhor que a 
minha” possui um verbo destacado que recebe acento gráfico devido à concordância com: 
a) “dos” 
b) “amigos” 
c) “vida” 
d) “minha

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