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Neoconstitucionalismo Disponivel em https://lincolnpaulino99.jusbrasil.com.br/artigos/866003719/neoconstitucionalismo Pesquisa direcionada ao estudo da disciplina de Direito Constitucional. O presente artigo tem como objetivo, apresentar o processo de formação do neoconstitucionalismo, seu conceito, função e evolução histórica. Publicado por Lincoln Paulino https://lincolnpaulino99.jusbrasil.com.br/artigos/866003719/neoconstitucionalismo https://lincolnpaulino99.jusbrasil.com.br/ Neoconstitucionalismo a evolução do Constitucionalismo: A partir do início do século XXI, surge uma nova perspectiva em relação ao constitucionalismo, denominada neoconstitucionalismo, ou, segundo alguns, constitucionalismo pós-moderno, ou, ainda, pós-positivismo. Visa-se, dentro dessa nova realidade, não mais apenas atrelar o constitucionalismo à ideia de limitação do poder político, mas, acima de tudo, busca- se a eficácia da Constituição, deixando o texto de ter um caráter meramente retórico e passando a ser mais efetivo, sobretudo diante da expectativa de concretização dos direitos fundamentais. Para entender melhor o neoconstitucionalismo, até a Segunda Guerra Mundial, prevalecia no velho continente a cultura de que a lei editada pelo legislativo era fonte principal, quase exclusiva, de Direito. O Juiz era a “boca” da lei, como se referia Montesquieu. As Constituições eram vistas como programa político que serviam para inspirar a atuação legiferante, mas não podiam ser invocadas perante o Poder Judiciário para defesa de direitos. As atrocidades cometidas por Adolf Hitler só foram possíveis graças a este entendimento. Por mais estarrecedor que seja, Hitler não praticou muitas ilegalidades ou inconstitucionalidades; quase todas as atrocidades eram legitimadas por normas jurídicas. A percepção de que as maiorias políticas podem perpetrar ou acumpliciar-se com a barbárie levou as novas Constituições a criarem ou fortalecerem a jurisdição constitucional, instituindo mecanismos potentes de proteção dos direitos fundamentais mesmo em face do legislador. Dessa forma, o mero constitucionalismo, que buscava limitação do poder político, já não é mais suficiente; mais do que limitação, é necessário garantir a eficácia do texto magno. Assim, “o caráter ideológico do constitucionalismo moderno era apenas o de limitar o poder, o caráter ideológico do neoconstitucionalismo é o de concretizar os direitos fundamentais”. https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/155571402/constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988 Diante disso, buscou superar a ideia de Estado Legislativo de Direito, passando a Constituição a ser o centro do sistema, marcada por uma intensa carga valorativa. A lei e, de modo geral, os Poderes Públicos, então, devem não só observar a forma prescrita na Constituição, mas, acima de tudo, estar em consonância com o seu espírito, o seu caráter axiológico e os seus valores destacados. A Constituição, assim, adquire, de vez, o caráter de norma jurídica, dotada de imperatividade, superioridade (dentro do sistema) e centralidade, vale dizer, tudo deve ser interpretado a partir da Constituição. Neste cenário, começa a ser desenhado o neoconstitucionalismo, possuindo como traços mais marcantes: a) O reconhecimento da força normativa dos princípios jurídicos e a valorização da sua importância no processo de aplicação do direito, sendo este principialismo o lócus da junção entre direito e moral no neoconstitucionalismo; b) Atenção maior à ponderação do que à simples subsunção; c) A participação, cada vez mais frequente, da filosofia nos debates jurídicos; d) Judicialismo ético-jurídico, exigindo dos operadores do direito a comunhão de técnicas subsuntivo-jurídicas e ética; e) Estatalismo garantista, fazendo com que a democracia se dê no direito e a partir do direito; f) A onipresença da constituição, ou seja, a irradiação das normas e valores constitucionais para todos os ramos do direito (constitucionalização do direito); g) O pós-positivismo; h) A judicialização. i) Positivação e concretização de um catálogo de direitos fundamentais; j) Onipresença dos princípios e das regras; k) Inovações hermenêuticas; l) Densificação da força normativa do estado; m) Desenvolvimento da justiça distributiva”. Marcos do Neoconstitucionalismo: O neoconstitucionalismo é um movimento social, político e jurídico surgido após a Segunda Guerra Mundial, tendo origem nas constituições italiana (1947) e alemã (1949), fruto do pós- https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/155571402/constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988 https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/155571402/constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988 https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/155571402/constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988 https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/155571402/constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988 https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/155571402/constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988 positivismo, tendo como marco teórico o princípio da “força normativa da Constituição” e como principal objetivo garantir a eficácia das normas constitucionais, principalmente dos direitos fundamentais. Para fins didáticos, Luís Roberto Barroso aponta três marcos fundamentais que definem a trajetória do direito constitucional para o atual estágio de “novo”: a) marco histórico; b) marco filosófico; c) marco teórico; d) consequências. Marco histórico: a formação do Estado constitucional de direito, cuja consolidação se deu ao longo das décadas finais do século XX. Neste marco evidenciam-se aqui as Constituições do pós-guerra, todas enfocando a perspectiva de redemocratização e Estado Democrático de Direito. No Brasil, o destaque recai sobre a Constituição de 1988, em importante processo democrático; Marco filosófico: o pós-positivismo, com a centralidade dos direitos fundamentais e a reaproximação entre Direito e ética; serve de sustentáculo, fundado na crença em princípios de justiça universalmente válidos; Marco teórico: o conjunto de mudanças que incluem a força normativa da Constituição, processo de constitucionalização do direito que inclui a expansão da jurisdição constitucional e o desenvolvimento de uma nova dogmática da interpretação constitucional, além da ideia de força normativa da constituição (Konrad Hesse). A Constituição deixou de ser um documento essencialmente político, com normas apenas programáticas, e passou a ter força normativa, caráter vinculativo e obrigatório. Como afirmou Luís Roberto Barroso, “as normas constitucionais são dotadas de imperatividade, que é atributo de todas as normas jurídicas, e sua inobservância há de deflagrar os mecanismos próprios de coação, de cumprimento forçado”. Consequências: Muitas são as consequências do movimento neoconstitucionalista na práxis do Direito Constitucional: 1. A primeira delas é o maior reconhecimento da eficácia dos princípios constitucionais, ainda que não escritos. Segundo Ronald Dworkin, princípio é “um padrão que deve ser observado, não porque vá promover ou assegurar uma situação econômica, política ou social considerada desejável, mas porque https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/155571402/constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988 https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/155571402/constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988 https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/155571402/constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988 https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/155571402/constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988é uma exigência de justiça ou equidade ou alguma outra dimensão da moralidade”. Em outras palavras, princípio é uma espécie de norma constitucional de caráter mais amplo, vago, abstrato, impreciso, indeterminado, com o escopo de concretizar uma exigência de justiça ou equidade. 2. A Outra consequência marcante do neoconstitucionalismo é a expansão da jurisdição constitucional. No Brasil, inspirado na doutrina e prática norte-americanas, adota-se a supremacia da Constituição com o controle de constitucionalidade desde a Constituição de 1891 (com o controle difuso ou por via de exceção). 3. Mais uma consequência do neoconstitucionalismo é o surgimento de uma nova hermenêutica jurídica: o surgimento de uma hermenêutica constitucional. 4. Também decorre do neoconstitucionalismo uma maior eficácia das normas constitucionais, sobretudo dos direitos fundamentais. 5. Por fim, outra consequência marcante (e polêmica) do neoconstitucionalismo é um maior protagonismo do Poder Judiciário, exigindo a implantação de políticas públicas e o cumprimento das normas constitucionais. A consequência é realmente lógica: se a Constituição é a norma mais importante do ordenamento jurídico e vincula todos os Poderes do Estado, sendo o Judiciário o guardião da Constituição, é natural que exija o cumprimento das normas constitucionais, até mesmo as definidoras de direitos sociais (que exigem do Estado uma prestação). Referências Bibliográficas: -MORAES. Alexandre de. Direito constitucional. 34. ed. São Paulo: Atlas, 2018. -TAVARES. André Ramos. Curso de direito constitucional. 18. ed. 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