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Análise de investimentos no setor público - Modulo 3

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B) Quando o setor privado por si só não conseguir ser um empreendedor de obras de
infraestrutura.
C) Quando os projetos não forem autossustentáveis.
D) Quando o setor público estiver com as finanças abaladas.
E) Quando o setor público não estiver se sentindo estimulado a produzir.
GABARITO
1. Em relação à lei que criou as PPP, assinale a afirmação correta:
A alternativa "A " está correta.
Os riscos e as eficiências variam em cada um dos empreendimentos, portanto, a lei só pode
determinar os critérios a serem adotados nas avaliações, ou seja, nas determinações dos
riscos e eficiências.
2. Assinale qual das opções a seguir corresponde ao contexto que justifica a existência
de PPP:
A alternativa "C " está correta.
É comum que diversos setores da infraestrutura não sejam autossustentáveis, ou seja, a tarifa
cobrada do consumidor não cobre as despesas com as etapas de operação, manutenção e
amortização dos investimentos. Desse modo, a iniciativa privada sozinha não veria atrativos em
participar desses setores.
MÓDULO 3
 Reconhecer a formação das sociedades de propósito específico (SPE)
CARACTERÍSTICAS DAS SOCIEDADES DE
PROPÓSITO ESPECÍFICO (SPE)
A SPE não é, necessariamente, uma sociedade limitada ou sociedade anônima. A SPE é, na
verdade, uma roupagem que, a princípio, qualquer tipo de sociedade prevista na legislação
brasileira pode utilizar para alcançar determinado objetivo. Ou seja, as sociedades limitadas ou
sociedades anônimas, por exemplo, podem ser ou não SPE, a depender das características
que seu contrato/estatuto social trouxer.
Para ser considerada como SPE, uma sociedade deve ter objeto social específico e prazo
determinado que limite sua existência ao cumprimento do objeto, além de ser necessário incluir
em sua denominação o termo SPE.
A SPE pode ser uma sociedade simples, em nome coletivo, comandita simples, limitada, ou
comandita por ações. O que a faz ser diferente é o seu objeto social voltado para uma atividade
específica.
Ela é denominada de SPE por segregar recursos específicos de seus sócios, sendo certo
que ela não será utilizada para celebrar qualquer outro negócio jurídico que não seja
aquele para o qual foi criada. Esse aspecto acarreta inúmeras vantagens para seus
controladores e para aqueles que se relacionam com a SPE, como credores e a própria
administração pública.
Por causa da especificidade do seu negócio, a SPE não se destina a desenvolver uma vida
social própria, mas um projeto ou uma simples etapa de um projeto, e cumprido este, pode
ocorrer sua extinção, ou a exclusão das características de SPE, e a sociedade passar a operar
sem o enquadramento em tal modalidade.
 SAIBA MAIS
No Brasil, as SPEs foram inspiradas no conceito norte-americano de joint venture, e seu uso foi
propagado no final da década de 1990, a partir da falência, decretada em 1999, da Construtora
Encol.
Na ocasião, muitas construções eram executadas por meio de uma só sociedade e, com a
falência da construtora, mais de 42 mil famílias foram afetadas, o que estimulou a busca por
mais proteção aos adquirentes e investidores desse ramo. O risco do negócio se confundia
com o risco da companhia. Desde então, tornou-se uma tendência, entre as grandes
construtoras, constituírem uma SPE para cada empreendimento realizado, pois, diferentemente
de como as construções eram realizadas na época da falência da Construtora Encol, a partir da
personalidade jurídica adquirida por meio do uso da SPE, cada empreendimento passou a
possuir sua própria organização societária, contábil, financeira e patrimonial.
Atualmente, no Brasil, as SPEs são usadas majoritariamente por grandes construtoras e
incorporadoras que constituem sociedades cujo objeto social é a execução de determinado
empreendimento imobiliário e o prazo de duração é o tempo necessário para a realização do
empreendimento, portanto, determinado. Lembre-se de que o prazo de duração de uma
sociedade anônima é ilimitado.
O uso das SPEs tem tamanha relevância nesse ramo, que, muitas vezes, as instituições
financeiras exigem a contratação do financiamento para a construção diretamente com uma
SPE, obrigando, assim, as construtoras a constituírem sociedade nesse formato.
VANTAGENS DA SPE
Conforme dito anteriormente, é comum criar uma SPE para cada empreendimento, não
necessariamente imobiliário. Isso proporciona mais autonomia patrimonial e uma grande
vantagem administrativa, pois se torna mais fácil e menos oneroso monitorar toda a entrada e
saída de caixa de cada um deles, isolando-os do ativo das sócias e da sociedade controladora
do grupo econômico, caso não coincidam.
É importante ressaltar que, mesmo tratando o fluxo de capital da SPE de forma isolada, as
sócias não deixam de ser responsabilizadas por eventuais prejuízos, caso, por exemplo, ocorra
a desconsideração da personalidade jurídica da SPE, quando se afasta a autonomia
patrimonial da sociedade para buscar a satisfação de um crédito por meio dos sócios. Caso a
SPE deixe de cumprir determinada obrigação, é importante que as sócias, por meio da
sociedade controladora do grupo, se for o caso, aloquem recursos para sanar o problema.
Outra importante vantagem da SPE é a de facilitar a fiscalização do governo sobre obras
públicas realizadas a partir de licitações. A criação de uma SPE é comum por parte da
sociedade vencedora de um processo de licitação para obras públicas, a fim de isolar as
atividades relativas ao setor público daquelas que não se relacionam com tais atividades,
facilitando, assim, o controle e a fiscalização de recursos tanto para o poder público quanto
para a sociedade em questão.
 ATENÇÃO
Nesse sentido, ressalta-se que a constituição de uma SPE, inclusive, é obrigatória para gerir o
contrato de uma parceria público-privada (PPP), pelo que consta no artigo 9º da Lei
11.079/2004. Além das vantagens já mencionadas, o uso de SPEs tem grande importância
para recuperação judicial de empresas, a partir da previsão na Lei de Falências e Recuperação
de Empresas.
A SPE é um fenômeno que se tornou comum no país há pouco mais de duas décadas.
Anteriormente, porém, já existiam conceitos que limitavam o objeto social de forma similar.
Entre tais conceitos, pode-se citar o de joint venture (da qual a SPE se aproxima em muitos
pontos) e do consórcio.
 EXEMPLO
A vantagem na utilização desse sistema pode ser exemplificado da seguinte maneira: uma
incorporadora poderá constituir uma SPE, para cada empreendimento a ser explorado, e
segregar todos os recursos obtidos naquela determinada incorporação, sem que haja uma
mescla de recursos advindos de outros negócios, gerando ganhos de eficiência administrativa,
pois seria muito difícil e mais oneroso tomar conhecimento de todos os valores que ingressam
e saem daquele negócio, inviabilizando, por conseguinte, a aferição se o empreendimento está
dando o retorno financeiro esperado.
SPES E JOINT VENTURE
Imagem: Shutterstock.com
Joint venture é a união de esforços para exploração de determinado mercado, feita por dois ou
mais parceiros que buscam minimizar riscos, utilizando capital e know-how a que,
individualmente, não teriam acesso.
 EXEMPLO
É um fenômeno comum, por exemplo, quando sociedades do exterior desejam investir em
locais sobre os quais não detêm algum tipo de conhecimento, e, por isso, buscam aliança com
sociedades daquela localidade, minimizando o risco do investimento.
Assim como as SPEs, o acordo joint venture tem, em seu conceito, um objeto social específico,
limitado a um único empreendimento/objetivo, que, em geral, é extinto após seu cumprimento.
Entretanto, não são sinônimos: enquanto a SPE possui personalidade jurídica distinta de
seus sócios, a joint venture não possui personalidade jurídica própria.
Apesar de não ter personalidade jurídica propriamente dita, existe a possibilidade de se criar
uma sociedade para realização do empreendimento de joint venture. Nesse caso, a sociedade
em questão se enquadraria nos quesitosda formação de uma SPE. A SPE, portanto, pode
ser um meio auxiliar de concretização do investimento de uma joint venture (lembrando
que a constituição de tal SPE é uma opção dos investidores da joint venture).
Apesar da proximidade existente entre a SPE e a joint venture, pois ambas são empregadas
como instrumentos de exploração de negócios específicos, não podemos confundi-las, pois
invariavelmente serão utilizadas em situações diversas.
A joint venture não tem previsão em nosso ordenamento jurídico, sendo utilizada para
exploração de um mercado, mediante a concentração de esforços, com vistas à eliminação ou
redução de um risco.
Busca-se a agregação de sinergias entre os seus parceiros, para ingressar em um ambiente de
negócio específico. Esse novo nicho de investimento, muitas vezes, necessita de uma
tecnologia específica não detida por um dos envolvidos, mas que constitui o know-how do
outro. Este último é atraído para o negócio por não possuir o capital necessário para realizar o
investimento ou por não desejar correr o risco isoladamente.
SPES E OS CONSÓRCIOS
Foto: Shutterstock.com
Assim como em relação às joint ventures, é importante traçar um paralelo entre a criação de
SPE e consórcios. O consórcio é a formação de um grupo de pessoas físicas ou jurídicas,
em torno da realização de empreendimentos. Ao contrário das SPEs, e assim como as joint
ventures, não possui personalidade jurídica própria (logo, não se contrata com o consórcio,
mas com os seus membros).
Trata-se de fenômeno comumente criado para redução de riscos em grandes
empreendimentos e para participação em processos de licitação, pois, com essa criação,
segregam-se os recursos das atividades públicas das privadas, gerando uma vantagem
administrativa, tanto para os consorciados quanto para a fiscalização por parte do poder
público sobre o empreendimento, tal como ocorre com as SPEs utilizadas para esse mesmo
fim licitatório.
SOCIEDADE DE PROPÓSITO ESPECÍFICO
(SPE)
O especialista Isaac Benjó Neto fala sobre a importância das SPEs:
RECUPERAÇÃO JUDICIAL DE UMA
COMPANHIA
A constituição de uma SPE pode se revelar um mecanismo eficiente para a recuperação de
uma empresa em dificuldade econômico-financeira, principalmente quando se pretender, por
exemplo, a emissão de valores mobiliários ou a realização de securitização de recebíveis.
Assim, a criação de uma SPE como forma de recuperar uma sociedade empresária em
dificuldade econômico-financeira é um meio bastante efetivo, que deverá ser considerado no
momento do processo de recuperação judicial ou extrajudicial.
 EXEMPLO
A recuperada poderá transmitir bens, valores, recebíveis ou qualquer tipo de crédito que
eventualmente possua para a SPE, que poderá utilizá-los para emissão de valores mobiliários,
realização de securitização de recebíveis ou até mesmo para ser objeto de venda no processo
de recuperação, considerando que não haverá sucessão das obrigações.
RELEVÂNCIA DAS SPES
A possibilidade de utilização das SPEs se mostra uma ferramenta societária do direito brasileiro
muito importante para um setor atual de grande importância no cenário nacional: o imobiliário.
Apesar do grande enfoque imobiliário que as SPEs receberam no Brasil graças às suas razões
históricas, é importante ressaltar que essa modalidade de negócio pode ser utilizada por
quaisquer outros tipos de objetivos que se enquadrem na previsão mútua de objeto social
específico e prazo de duração vinculado à execução de tal atividade.
Ressalta-se que a constituição de uma SPE pode se revelar um mecanismo eficiente
para a recuperação de uma empresa em dificuldade econômico-financeira,
principalmente, quando se pretender, por exemplo, a emissão de valores mobiliários ou a
realização de securitização de recebíveis. A experiência dos recentes processos de
recuperação de empresas tem demonstrado certa frequência na emissão de valores mobiliários
no mercado de capitais, como meio de recuperação das empresas.
VERIFICANDO O APRENDIZADO
1. NÃO É CARACTERÍSTICA DA SPE:
A) Incluir, em sua denominação, SPE.
B) Ter objeto social específico.
C) Ter prazo determinado de duração.
D) Segregar recursos específicos de seus sócios.
E) Ter seus direitos subordinados aos da companhia que a promove.
2. QUANTO À CRIAÇÃO DE UMA SPE, PODE-SE DIZER QUE:
A) Não há maior autonomia patrimonial com sua criação.
B) Há pequena vantagem administrativa no processo.
C) Em caso de descumprimento de obrigação, as sócias não devem alocar recebíveis para
saná-lo.
D) Dificulta a fiscalização do governo.
E) É obrigatória para gerir o contrato de uma parceria público-privada.
GABARITO
1. Não é característica da SPE:
A alternativa "E " está correta.
A SPE tem seus direitos subordinados aos patrocinadores e não compromete o patrimônio da
companhia que a promove.
2. Quanto à criação de uma SPE, pode-se dizer que:
A alternativa "E " está correta.
A criação de uma SPE é essencial para a instituição de uma parceria público-privada.
CONCLUSÃO
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Neste conteúdo, você aprendeu os arranjos corporativos para a estruturação de um project
finance. Aprendeu também a estrutura societária capaz de viabilizar essa modalidade, a
parceria público-privada, pela criação de uma sociedade de propósito específico. Com esse
aprendizado, você saberá identificar a fronteira, embora tênue, entre as PPP e os contratos
tradicionais.
A PPP permite agilidade nos acertos contratuais e nas práticas comerciais, incluindo
relacionamento com investidores, fornecedores, credores etc. A preponderância de sua
autonomia isenta o projeto em foco de se contaminar com riscos corporativos que não lhe
pertencem. A adesão do investidor foca o resultado do fluxo de caixa, transformando os
estudos relativos ao projeto em análises econômico-financeiras específicas.
O project finance não é uma técnica, mas um conjunto de técnicas, conhecidas e já testadas,
que devem conviver harmoniosamente e coordenadas entre si, para que os riscos sejam
claramente conhecidos e assumidos por cada um dos participantes, ensejando que o fluxo de
recebíveis garanta o financiamento e a implementação do empreendimento. Ele é adequado
para empreendimentos que demonstrem boa qualidade e previsibilidade de fluxo de caixa, com
capacidade de criar valor ao acionista.
Em suma, o project finance é o arranjo financeiro mais dinâmico e moderno para viabilizar
estruturas jurídico-societárias. Sua perspectiva de utilização futura é uma esperança para a
implantação de sistemas de modernização do Estado moderno.
AVALIAÇÃO DO TEMA:
REFERÊNCIAS
BORGES F. X. L. Project finance e Infraestrutura: Descrição e Críticas. Revista do BNDES,
Rio de Janeiro, v. 5, n. 9, p.105-122, jun. 2002.
CORREIA, V. C. C. Parcerias público-privadas: análise do Custo-Benefício. 2014.
Dissertação (Mestrado em Contabilidade e finanças) – Escola Superior de Ciências
Empresariais, Instituto Politécnico de Setúbal, Portugal, 2014.
FINNERTY, J. D. Project finance: Asset-based financial engineering. New York: John Wiley &
Sons, 1996.
FIOCCA, D. As PPPs e a infraestrutura. In: CASAGRANDE, H.; ALMEIDA, M. Brasil, tempo
de crescer. São Paulo: Lazuli, 2005.
PINTO, M. B. A Função Econômica das PPPs. Revista Eletrônica de Direito Administrativo
Econômico, Salvador, n. 2, maio/jun./jul. 2005.
EXPLORE+
Leia o livro Project finance no Brasil, de Cláudio Bonomi e Oscar Malvessi. O livro apresenta 14
casos analisados e selecionados pelo seu pioneirismo e pelas contribuições que trouxeram a
essa técnica. Embora cada caso de project finance seja único, algumas soluções utilizadas
poderão inspirar a estruturação de novos empreendimentos.
CONTEUDISTA
Fernando da Silva Santiago
 CURRÍCULO LATTES
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