Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

O relacionamento no contexto da aprendizagem 
Para compreender a prática docente como mediadora da aprendizagem, a teoria de 
Lev Vygotsky (1984) pode ser um caminho. Por conta de seu entendimento de que 
operamos simbólica e mentalmente sobre os objetos – ausentes ou imaginários –, e 
não a partir de uma relação direta com eles, o psicólogo propõe que a 
aprendizagem é mediada pela linguagem e pela cultura. 
 
Mediação simbólica por meio da brincadeira entre pares. 
Essa mediação simbólica entre sujeito e objeto é a linguagem. Por meio dela, 
construímos nosso pensamento. Assim, os signos e os conceitos aprendidos pelos 
sujeitos são construídos culturalmente. 
 
Nesse sentido, a mediação pedagógica se propõe à promoção do envolvimento, da 
participação, do respeito e da interaprendizagem, além do amadurecimento 
intelectual, epistemológico e emocional do estudante, uma vez que permite a 
aquisição e a significação de conceitos novos no desenvolvimento das capacidades 
formativas, individuais e coletivas do sujeito. 
Tal mediação tem, entre outras, as seguintes características: 
 
● Especificidades da ação do docente, seus saberes e sua relação com eles. 
● Metodologia adotada nas aulas. 
● Técnicas e estratégias utilizadas. 
● Intencionalidade político-pedagógica. 
● Proposta curricular da instituição educativa. 
● Qualidade afetiva do relacionamento estabelecido entre docente e 
aprendente. 
É possível afirmar que as experiências de afeto “inauguram” o relacionamento social 
dos seres humanos. Antes mesmo de utilizarmos a linguagem falada, afinal, 
experimentamos o sentimento de afeição. 
 
De acordo com Wallon (1979), desde o nascimento, o desenvolvimento cognitivo se 
mostra intrinsecamente relacionado ao desenvolvimento afetivo e motor – e, 
posteriormente, ao social. Em Piaget, os fatores cognitivo (epistemológico) e 
afetivo (associado à motivação e ao interesse, estando ligado ao “gostar” e “não 
gostar” diretamente) também se associam no desenvolvimento intelectual. 
É impossível encontrar um comportamento oriundo apenas da afetividade, sem 
nenhum elemento cognitivo. É, igualmente, impossível encontrar um comportamento 
composto só de elementos cognitivos [...] embora os fatores afetivos e cognitivos 
sejam indissociáveis num dado comportamento, eles parecem ser diferentes quanto 
à natureza... É óbvio que os fatores afetivos estão envolvidos mesmo nas formas 
mais abstratas de inteligência. Para um estudante resolver um problema de álgebra 
ou para um matemático descobrir um teorema, deve haver um interesse intrínseco, 
um interesse extrínseco ou uma necessidade de partida. Enquanto trabalha, 
estados de prazer, desapontamentos, ansiedade tanto quanto sentimentos de 
fadiga, esforço, aborrecimento, etc. entram em cena. Ao finalizar o trabalho, 
sentimentos de sucesso ou fracasso podem ocorrer; e, finalmente, o estudante pode 
experimentar sentimentos estéticos fluindo da coerência de sua solução. 
PIAGET apud WADSWORH, 1997, p. 37 
 
A qualidade da ação pedagógica pode estimular, interessar ou incitar o aluno a 
aprender ou não, conforme a relação estabelecida. Por isso, uma interlocução em 
que haja afinidade, respeito, empatia e confiança constitui uma relação dialógica 
que proporciona a aprendizagem do estudante. 
Na ação mediadora, o docente impulsiona o desequilíbrio epistemológico, 
problematiza e desafia ao mesmo tempo que estimula a autonomia do aluno, o 
interesse pelo conteúdo e o gosto por aprender. A mediação pedagógica é um 
processo de interação dialógico no qual tanto o docente quanto o estudante 
aprendem e ensinam juntos, em coconstrução, pois quem ensina aprende ao 
ensinar e quem aprende ensina ao aprender (FREIRE, 1997). 
 
Papel do docente mediador 
O docente como mediador pedagógico é aquele que, no processo de aprendizagem, 
favorece a interpretação dos estímulos ambientais. Com isso, ele contribui com as 
seguintes realizações: 
 
 
 
Trazer centralidade para seus aspectos cruciais. 
Atribuir significado à informação recebida. 
Possibilitar que a mesma aprendizagem de regras e princípios seja aplicada às novas 
aprendizagens. 
Tornar o estímulo ambiental inicial relevante e significativo. 
Favorecer o desenvolvimento. 
 
A ação mediadora pode levar o estudante a detectar variações por meio da diferenciação de 
informações sensoriais, como visão, audição e outros sentidos, e reconhecer que ele está 
enfrentando um obstáculo e identificar o problema (BRAZELTÓN; GREENSPAN, 2002). 
Além disso, essa ação é capaz de favorecer a iniciativa do próprio estudante mediante 
contextos diversos, encorajando a criança a ser mais ativa no ambiente. 
 
 
A promoção da acessibilidade inscreve-se como relevante, pois ela permite ao mediador 
atuar criando pequenas alterações no ambiente e desafios para que o estudante perceba, 
inicie e tolere mudanças, aprendendo a lidar com essas situações. 
 
 
Segundo Brazeltón e Greenspan (2002), pela via da mediação, o estudante pode ser 
conduzido a permanecer por mais tempo em atividades sequenciais que exijam ações 
complexas e de comunicação. Para isso, o docente que atua como mediador pode, usando 
uma forma específica de comunicação, propor atividades que requeiram várias etapas na 
solução de um problema, além de fazer certos questionamentos. 
 
 
Exemplo 
O que precisa ser resolvido neste problema? Que recursos são necessários para que o 
problema seja resolvido? Quem precisa ser envolvido na resolução do problema? 
 
 
A oferta de recursos no apoio à resolução do problema precisa ser realizada de forma 
gradual e sutil, indicando, por exemplo, em que ponto tal resolução pode ser acessada ou 
quais são as ferramentas necessárias para ela. A função principal da ação mediadora é 
intermediar o estudante e as situações experienciadas por ele nas quais seja necessário 
lidar com dificuldades de interpretação e de ação. 
 
 
 
O docente mediador pode exercer uma ação como intermediário em: 
Tensionamentos sociais e comportamentais 
Comunicação e linguagem 
Atividades e/ou brincadeiras escolares 
Diferentes espaços escolares, como: sala de aula, dependências diversas da escola, pátio e 
atividades extraescolares com finalidade social e pedagógica. 
 
Outro ponto relevante da ação mediadora se refere a adaptar a estrutura física a fim de 
organizar objetos no entorno, evitando possíveis distrações, ou deixar expostos aqueles que 
representam manias. O mediador poderá, por exemplo, acompanhar o estudante ao 
banheiro, especialmente se estiver com objetivo de desfraldá-lo, apoiando-o nos hábitos de 
higiene e estimulando a independência e a autonomia na vida cotidiana. 
 
 
Atenção 
Tal questão poderá ser acordada junto à equipe escolar caso a instituição disponha de 
outros profissionais na escola a fim de que não ocorra um conflito nessas ações. 
 
 
Em uma ação colaborativa, os mediadores pedagógicos apoiam a atividade de outros 
docentes em sala de aula. Eles promovem atividades e trabalhos de adaptação 
individualizada para permitir que outros professores possam alcançar a totalidade do grupo, 
bem como proporcionar à turma a compreensão do conceito de inclusão e de diferença, 
ambos pautados na promoção do respeito e na convivência solidária. 
 
 
 
Essa atitude é capaz de ajudar e apoiar os estudantes na aprendizagem e no uso do 
material disponibilizado para a turma. Algumas adaptações curriculares ainda podem ser 
feitas, desde que sejam acordadas junto à equipe e que não reduzam a qualidade do que é 
aprendido na escola. 
 
 
 
Atendimento multidisciplinar. 
 
Para tanto, é necessário que a ação mediadora não seja atribuída apenas ao mediador, 
mas também a todos que se relacionam com o estudante. Toda proposição de mediação, 
afinal, é sempre coletiva. Tal movimento permite a compreensão de que o estabelecimento 
de metas de ação precisa ser realista no que se refere ao desenvolvimento a fim de que 
possibilite avaliar o estudante de acordo com suas próprias conquistas. 
 
 
De maneira geral, é possível perceberque as necessidades com o potencial de demandar a 
ação mediadora são diferentes. Trata-se de questões de naturezas distintas, o que se 
verifica (porém não se esgota) na relação disposta a seguir: 
Questões de ordem motora geral e de acessibilidade 
 
Os estudantes com limitações motoras, mesmo que utilizem acessórios que facilitam a 
locomoção ou a digitação, por exemplo, podem requerer, ao menos durante um período de 
adaptação, a ajuda de mediadores pedagógicos. A implementação de recursos e a 
adaptação de materiais só serão possíveis com esse atendimento individualizado. 
 
 
Questões comportamentais relevantes 
 
A frequência de alguns comportamentos – em especial, os agressivos – pode colocar em 
risco a integridade do próprio estudante, assim como a de outros estudantes da turma. 
Nessa ocorrência, o mediador pedagógico favorece interações e interlocuções saudáveis, 
intervindo, quando necessário, em comportamentos capazes de prejudicar os demais atores 
no espaço escolar. 
 
 
Questões relacionadas à falta de concentração e à impulsividade 
 
Um estudante com déficit de atenção relevante pode requerer a ação planejada de um 
profissional que meça sua atenção e que contribua na autorregulação do tempo e dos seus 
materiais, favorecendo, com isso, sua organização e o planejamento pessoal de atividades, 
além de eventualmente antecipar possíveis reações, como o controle da impulsividade. 
 
 
Questões relacionadas ao letramento e à alfabetização 
 
A ação mediadora aqui se dedica a compreender as lógicas elaboradas pelo estudante para 
a compreensão do sistema de escrita alfabética. Conhecendo a lógica própria do estudante, 
o mediador compartilha leituras, propõe desafios, respeita o tempo de aprendizagem e 
cuida para que não haja sobrecarga de atividades nem desqualificação dos caminhos 
trilhados pelo estudante. O docente mediador ainda organizará a produção da escrita 
sempre que a dificuldade desfavorecer a expressão de seus pensamentos. Adaptações de 
materiais também podem ser importantes. Além disso, o mediador pode aproveitar 
diferentes situações do cotidiano escolar para estimular as habilidades necessárias para 
leitura e a escrita. 
 
 
Questões de aprendizagem no ensino fundamental II e no ensino médio 
 
A ação mediadora muitas vezes se relaciona a uma disciplina específica, como Matemática 
ou Língua Estrangeira, em tal etapa escolar. Nesse sentido, o mediador se torna o 
responsável pelos projetos especiais e pelo preparo de materiais e equipamentos 
específicos para algumas disciplinas ou conteúdos. 
 
 
Questões na comunicação e na interação 
 
O desenvolvimento da competência comunicativa e relacional é o foco da ação mediadora 
nesse campo. O estímulo ao desenvolvimento da linguagem e da interação no espaço 
privilegiado da instituição educativa busca não apenas ampliar o uso da oralidade, mas 
também promover a interlocução. Comumente, esse tipo de abordagem produz um efeito no 
comportamento geral, já que o desenvolvimento da comunicação favorece as relações, bem 
como a organização pessoal. 
 
Todos os programas de mediação partem do nível em que o estudante se encontra. Se não 
for possível visualizar avanços, o programa vai requerer ajustes. 
 
 
 
Crianças atendidas pelo Instituto Conceição Macedo são vistas na área da biblioteca da 
instituição, no bairro de Nazaré, em Salvador. 
 
As intervenções propostas e com resultado positivo devem ser implementadas em uma 
variedade de espaços, como em casa, na comunidade ou no parquinho. Além disso, para 
que as estratégias planejadas sejam efetivas, é fundamental que o estudante seja 
constantemente estimulado a ter autonomia dentro de suas possibilidades e que se sinta 
motivado. 
 
 
Replicar experiências anteriores ou enquadrar estudantes em soluções pré-moldadas 
podem ser estratégias ineficazes. O professor mediador precisa criar as condições 
favoráveis para que as capacidades do estudante possam promover situações e 
experiências facilitadoras e incrementar seu desenvolvimento e aprendizagem. 
 
 
 
O ajuste dos materiais, das propostas e do espaço pode ser primordial para o bom 
andamento da escolarização formal. Prevenir situações estressantes ou intervir no 
momento mais adequado é capaz de se mostrar determinante para o investimento que o 
estudante fará em suas aprendizagens e relações. 
 
 
Exemplo 
Quando um estudante com questões de âmbito social é exposto a estímulos sem a devida 
intervenção, ele é capaz de se tornar ansioso e tenso em razão da saturação de 
informações que podem lhe parecer sem função. É possível que não consiga se organizar 
para aprender, desestruturando a si próprio, bem como outros estudantes, comprometendo 
o desenvolvimento da turma como um todo. Do mesmo modo, um estudante com questões 
relevantes relacionadas à motricidade fina e à escrita pode se recusar a realizar algumas 
tarefas e apresentar comportamentos não esperados frente à grande quantidade de tarefas 
de sala de aula. 
 
Limitações da ação mediadora 
Apresentaremos agora algumas questões relacionadas às limitações da ação do professor 
como mediador pedagógico: 
 
 
Individualização 
 
A especificidade é uma temática central na compreensão do desenvolvimento infantil. A 
ação mediadora requer dos profissionais um trabalho individualizado, mas, ao mesmo 
tempo, coletivo e colaborativo. 
 
 
 
Educação criativa por meio de diferentes materiais e interesses pessoais. 
 
Cada estudante possui diferentes necessidades educacionais – e cada um deles tem 
pontos fortes e desafios distintos, assim como valores, interesses pessoais e personalidade 
única. Além disso, os tensionamentos identificados se manifestam de forma diferente. 
 
 
 
Portanto, não é possível estabelecer uma regra geral para o ofício. O que funciona para um 
estudante pode ter efeito inverso para outro. 
 
 
Vejamos a seguir um caminho importante para a mediação: 
 
 
Dica 
Conhecer o estudante que será acompanhado pela mediação e discutir com a equipe 
pedagógica da escola (e com a equipe de apoio terapêutico, caso exista uma) constituem 
pontos estruturantes para atender à necessidade específica e, com isso, alcançar os 
objetivos estabelecidos pela equipe. 
 
 
Relação mediador-família 
 
 
 
Festividade com toda a comunidade escolar. 
 
O mediador deve ter atenção especial ao reportar à família as questões mais relevantes 
ocorridas no âmbito da mediação no ambiente escolar. Nesse caso, o objetivo principal é 
verificar quais situações favoreceram mais a estimulação para aquele estudante e 
possibilitar sua extensão ao ambiente doméstico. 
 
 
As estratégias de intervenção pedagógica que não forem bem-sucedidas terão de nortear 
futuras intervenções e servir apenas para esse fim. Torna-se muito importante dimensionar 
a questão ética no âmbito da relação com as famílias. 
Recomendação 
Impressões parciais e sugestões no tratamento, por exemplo, devem ser discutidas com 
toda a equipe escolar. Apenas informações pertinentes ao acompanhamento e ao 
desenvolvimento do estudante, e em concordância com a escola e terapeutas (caso haja), 
podem ser repassadas. 
 
 
Relação mediador–aluno 
 
 
 
Estudantes têm a oportunidade de se expressarem em sala de aula. 
 
O objetivo maior da ação mediadora escolar é promover o desenvolvimento do estudante 
que requer suporte adicional no ambiente de aprendizagem. Logo, manifestações de 
superproteção, hipertutela ou atuação como cuidador são ineficientes e não condizem com 
a proposta da mediação. 
 
 
É importante haver uma parceria efetiva com todos os profissionais da instituição educativa 
para que se dimensione quando o apoio deve ser mais diretivo e a hora na qual é preciso se 
afastar visando à autonomia. Também é necessário saber identificar o momento em que 
outro estudante pode ser incentivado a assumir momentaneamente esse papel. 
 
 
Comentário 
Uma questão ética a ser considerada trata da saída do mediador antes do fim do ano letivo, 
pois mudanças constantes de mediadores escolares trazemprejuízos relevantes para a 
aprendizagem dos estudantes, que precisam de um vínculo estável nessa função. 
 
 
Relação mediador-escola 
 
 
 
Interação professor-aluno. 
 
O docente mediador atua em parceria com toda a equipe da escola a fim de compartilhar 
conhecimento. Quanto mais os profissionais que assistem o estudante estiverem 
preparados, maior será desenvolvimento da parceria e, consequentemente, o êxito 
profissional daqueles que nela investem. 
 
A ação mediadora também diz respeito a atividades que favoreçam a interação do professor 
com aquela criança. O mediador, por isso, deve estar apto a orientar outros profissionais da 
equipe e a conduzir a elaboração de um planejamento coletivo com estratégias que 
favoreçam o comportamento interativo com o aluno. 
 
 
Relação família-escola 
 
 
Recomendação 
Tenha cautela nessas situações, pois enquanto equipe pedagógica da escola, o 
conhecimento técnico específico é necessário para identificar quais serão os objetivos 
adequados a cada intervenção. A parceria, portanto, é necessária. 
 
 
Relação escola-outras famílias 
 
A intervenção de um professor mediador para atender às demandas de determinado 
estudante pode soar estranha para muitas famílias que desconhecem os desafios que se 
colocam ao longo do desenvolvimento infantil. Sendo assim, é importante que a ação 
mediadora seja compreendida por todas as famílias da classe ou da escola. 
 
 
 
Esse esclarecimento dilui futuros questionamentos para que tal ação não produza mal-estar 
entre as famílias. Ademais, em busca de uma sociedade mais justa, a inclusão é um 
movimento coletivo que abrange não apenas os estudantes que requeiram 
acompanhamento especial em seus processos de aprendizagem, mas também todo 
cidadão em formação. 
 
 
Atenção 
É relevante dizer mais uma vez que todos os envolvidos na inclusão (escola, família, 
professores, terapeutas e mediadores) precisam trabalhar em consonância a fim de suprir a 
necessidade educativa da criança, favorecendo a conquista dos objetivos traçados por toda 
a equipe. 
 
Atividade discursiva 
Como a ação mediadora nas escolas pode contribuir para modificar as estruturas de 
exclusão social naturalizadas na sociedade? E que características são requeridas para o 
docente que se propõe a promover essa ação na instituição educativa? 
Chave de resposta 
Sem o reconhecimento da diferença no espaço educativo, a prática educativa torna-se 
menos eficaz. A promoção de ações colaborativas e de respeito às singularidades faz com 
que as salas de aula possam tornar-se um espelho para uma sociedade mais justa e 
solidária. Nesse sentido, a ação mediadora, que nunca é apenas individual, mas que 
também se dá de forma coletiva, contribui para que a sociedade perceba a inclusão como 
princípio. Essa ação tem como finalidade a promoção da aprendizagem do estudante. Para 
favorecer a aprendizagem, é necessário: 
 
 
 
Não hipertutelar os estudantes. 
 
 
Não persistir em intervenções ineficazes. 
 
 
Não generalizar intervenções. 
 
 
Usar o diálogo com as famílias para o compartilhamento das práticas implementadas com 
sucesso, principalmente quando elas puderem ser aplicadas no espaço familiar, evitando a 
discussão de impressões de práticas e diagnóstico. 
 
 
Tecer estratégias para o desenvolvimento progressivo da autonomia e a independência 
 
O campo da psicopedagogia 
A ação mediadora na sala de aula se inscreve como um importante dispositivo para 
o favorecimento da aprendizagem de estudantes que demandam apoio nesse 
processo, seja ele de ordem cognitiva, emocional, social, sensorial ou motora. 
Há, contudo, a possibilidade de que as intervenções mediadoras se deem em outros 
ambientes. 
 
Estudantes são recepcionados por mediadores na entrada da Escola Municipal 
Carlos Dietz, em Londrina. 
O campo da psicopedagogia é um relevante campo de atuação dos profissionais da 
Educação e vem sendo cada vez mais pesquisado a partir das interfaces com a 
psicopedagogia. Por isso, é importante que apresentemos esse campo e suas 
especificidades, apontando, em seguida, as contribuições dele para a atividade 
mediadora exercida por outros profissionais, sejam os da escola (orientadores 
educacionais, coordenadores pedagógicos e psicopedagogos institucionais) ou os 
de fora dela (explicadores, mediadores domiciliares e psicopedagogos clínicos). 
O campo da psicopedagogia diz respeito a reflexões e práticas que consideram os 
padrões normais e patológicos, tendo em vista a influência do meio – família, escola 
e sociedade – e o desenvolvimento psíquico, socioeducacional e físico dos 
estudantes. Para isso, esse campo usa dispositivos e procedimentos próprios. 
 
As primeiras experiências de psicopedagogia foram registradas na segunda década 
do século XX nos EUA, na França e em outros países da Europa. 
Institucionalizavam-se ali os primeiros grupos multidisciplinares (formados por 
médicos, psicólogos, educadores e assistentes sociais) com a finalidade de 
acompanhar pessoas que apresentassem questões relacionadas aos processos de 
aprendizagem e associadas a comportamentos inadequados socialmente, fossem 
eles perceptíveis tanto no espaço escolar quanto no doméstico. 
Comentário 
Esse acompanhamento tinha um objetivo “curativo”, concentrando no estudante 
esforços para sua adaptação ao convívio social e ao padrão de aprendizagem 
esperado para ele. Tal trabalho, assim, centrava-se no tratamento dos problemas 
relacionados a distúrbios de aprendizagem. 
Com a evolução dos estudos nessa área, a psicopedagogia assumiu uma 
perspectiva bastante diferente. Nos últimos 30 anos, ela vem passando por várias 
mudanças no sentido da afirmação e do estabelecimento do seu objeto de estudo e 
campo de atuação. 
 
A Escola Municipal 4º Centenário participa ativamente da Campus Party Natal. 
Aprendizagem em rede por meio de uma competição internacional. 
 
 
Além disso, a produção acadêmica tecida a partir de importantes pesquisas na área 
(sobretudo de pesquisadoras argentinas) começa a circular com uma ampla 
divulgação nos espaços de formação inicial de continuada de educadores. No 
Brasil, diversos autores se dedicam à questão da psicopedagogia, como Bossa 
(2000), Visca (1991) e Weiss (1992), além de outros, o que enfatiza sua abordagem 
interdisciplinar. 
A abordagem interdisciplinar na psicopedagogia implica criar um objeto novo que 
não centralize a culpabilidade pela não aprendizagem em nenhum dos atores 
envolvidos no processo. Em vez disso, ela propõe associações dialéticas entre 
dimensões polares. 
Exemplo 
Teoria e prática, ação e reflexão ou generalização e especialização. 
 
essa forma, a perspectiva que se faz presente na atualidade no campo da psicopedagogia 
pretende superar bipartições instaladas em muitas áreas do conhecimento, evitando, com 
isso, uma visão incompleta da realidade. Desse modo, a interdisciplinaridade contempla não 
só uma visão interativa, relacional e global, mas também local, da situação de 
aprendizagem. 
 
 
A fundamentação teórica que desloca a centralidade da não aprendizagem do estudante 
para a complexidade instalada no contexto favorece o estabelecimento de uma prática 
mediadora que, de fato, pretende promover colaborativamente o atendimento das 
especificidades de quem demanda a mediação. 
 
 
Ao enfatizar seu caráter interdisciplinar, a psicopedagogia amplia seu quadro teórico e exige 
uma fundamentação em várias áreas, como a psicanálise, a psicologia social e a 
epistemologia genética, entre outras. Bossa (2000) afirma que ela tem como objeto de 
estudo o próprio processo de aprendizagem da criança e seu desenvolvimento normal e 
patológico em um contexto (realidade interna e externa), sem abandonar os aspectos 
cognitivos, afetivos, motores, pedagógicos e sociais que fazem parte de tal processo. 
 
 
 
Por meio da robótica educacional, alunos têm a oportunidade de estarem em um processo 
de aprendizagem de caráter interdisciplinar. 
 
Refletir psicopedagogicamente sobre as questões presentes nanão aprendizagem implica a 
busca por compreender o modo como os estudantes se apropriam dos elementos do seu 
sistema cognitivo e emocional para aprender. Contudo, tal reflexão ainda requer a 
sensibilidade necessária para ler criticamente o que é disponibilizado pelo contexto para 
que a aprendizagem se dê. 
 
 
Isso significa refletir também sobre as relações que se estabelecem entre aluno e 
conhecimento, as quais são interpostas pelo professor e pela escola. Esse processo de 
aprendizagem – em que se articulam as intervenções individuais e coletivas de forma ativa, 
integrando afeto, interações e cognição – constitui um dos diferenciadores significativos da 
ação mediadora pautada nos fundamentos da psicopedagogia. 
 
 
Atenção 
A psicopedagogia não é a justaposição da psicologia e da pedagogia. Trata-se de um 
campo do conhecimento que estuda e busca a compreensão sobre os processos inerentes 
ao aprender, tendo como objeto de estudo a aprendizagem humana. 
 
 
Para Vygotsky (1984), a aprendizagem é um processo de apropriação que se dá na relação 
entre indivíduo e meio social. É essa relação que impulsionará seu desenvolvimento. 
 
 
 
Estudantes de uma escola pública inseridos na cultural digital, em Salvador. 
 
Desse modo, a mediação com o contexto sociocultural possui uma fundamental 
contribuição no sucesso ou no fracasso nos processos de aprendizagem do estudante. Tal 
fracasso pode se relacionar com a inaptidão da escola para atender às suas especificidades 
educacionais. 
Nesse sentido, a prática da mediação não pode ser atribuída a um único sujeito da escola, o 
professor mediador. Na verdade, ela é essencialmente coletiva e social, pois implica 
intervenções em diferentes espaços do contexto. 
 
 
Exemplo 
O atendimento de uma demanda de mediação pode requerer uma alteração na didática e 
na metodologia adotadas por uma instituição, assim como nos conteúdos programados ou 
na dinâmica de relações estabelecida pela turma. 
 
 
Torna-se necessário refletir acerca do papel de diferentes profissionais da Educação que 
atuam na escola no que tange à ação mediadora, deslocando focos de ação dedicados 
exclusivamente para o funcionamento harmônico da instituição educativa para a promoção 
da aprendizagem para todos os estudantes da instituição. 
 
O papel do orientador educacional 
 
"Se você não sabe onde quer ir, qualquer caminho serve", de Lewis Carroll. 
 
A palavra “orientação” tem um significado amplo. Ela pode significar “direção, localização, 
posição, posicionamento de algo em relação a outros objetos, regra, instrução, modelo, 
guia, tendência, propensão” (HOUAISS, 2004, p. 536). 
 
 
 
Ao atuar na instituição educativa, não cabe ao profissional da orientação educacional se 
dedicar à imposição de regulações que pretendam controlar as singularidades dos 
estudantes. Essa orientação vislumbra ser um autêntico ponto de referência que, 
considerando seu desenvolvimento cognitivo, psicológico, cultural e social, propõe 
intervenções ao estudante. 
 
 
É importante que o orientador educacional possua pleno conhecimento de si, de sua ação e 
do mundo que o cerca, sabendo que conhecer a si mesmo possibilita maior abrangência 
crítica e reflexiva dentro das perspectivas da própria historicidade do mundo. Tendemos a 
pautar nossas ações pelos paradigmas estruturados do contexto em que estamos, o que 
dificulta o desenvolvimento de uma consciência crítica e dinâmica. 
 
 
Dessa forma, estabelecer a ação mediadora no âmbito da orientação educacional implica 
pensar de maneira crítica acerca da própria realidade; afinal, se a pessoa não entender 
transformações de seu próprio mundo, como poderá compreender questões e necessidades 
tão inerentes ao espaço escolar como um todo? 
 
 
Kroth (2011) contribui para a reflexão sobre essa questão, relacionando algumas das 
características necessárias à ação mediadora na instância da orientação educacional: 
 
 
Intencionalidade – predisposição do indivíduo de compreender, interpretar e explicar os 
fatos; Capacidade perceptiva – quanto mais adequada e objetiva for a capacidade de 
percepção, maior será a correspondência da consciência com o fato real; operações 
mentais – determinam a superioridade, flexibilidade e nível de conscientização; 
Historicidade e temporalidade – estabelecem o espírito da consciência e do ato consciente; 
Julgamento moral – os valores formam parte primordial da consciência que a pessoa 
elabora de si e do seu mundo. 
É possível perceber que todo o processo que dimensiona a atuação da orientação 
educacional pretende conectar e integrar educandos, professores, família e até mesmo a 
comunidade. Essa dinâmica favorece o desenvolvimento da consciência crítica e reflexiva. 
 
 
 
Reunião de alunos na Escola Municipal Professora Nossa Senhora das Graças, no bairro 
do Bonfim, na cidade de Salvador. 
 
Entretanto, o histórico da atuação do orientador educacional no Brasil tem registrado como 
problemática a separação da realidade escolar da convivência familiar. Por isso, em cada 
um desses espaços, existe a necessidade de uma relação dialógica dos valores 
fundamentais, já que a definição de uma mesma linguagem na qual constem a escola e a 
família favorecerá o estudante em seu processo de aprendizagem 
 
O papel do coordenador pedagógico 
Na instituição educativa, a ação mediadora também se dá entre: 
Professor e coordenador. 
Coordenador e estudantes. 
Essa relação se estreita à medida que docentes e coordenadores pedagógicos 
compreendem a importância de trabalhar em conjunto na busca do favorecimento 
da aprendizagem dos estudantes. Segundo Libâneo (2015), o coordenador 
pedagógico é o profissional responsável pelo setor pedagógico da escola, tendo 
como sua principal atribuição oferecer assistência e apoio didático, em especial, aos 
professores. 
A coordenação pedagógica tem como principal atribuição a assistência 
pedagógica-didática aos professores para se chegar a uma situação ideal de 
qualidade de ensino (considerando o ideal e o possível), auxiliando-os a conceber, 
construir e administrar situações de aprendizagem adequadas às necessidades 
educacionais dos alunos. De acordo com estudos recentes sobre formação 
continuada dos professores, o papel do coordenador pedagógico é de monitoração 
sistemática da prática pedagógica dos professores, sobretudo mediante 
procedimentos de reflexão e investigação. 
LIBANÊO, 2015, p. 180 
 
Já para Orsolon (2010), esse coordenador atua na mediação da prática docente ao 
se assumir como um agente colaborador na ação educativa. 
O coordenador medeia o saber, o saber fazer, o saber ser e o saber agir do 
professor. Essa atividade mediadora se dá na direção da transformação, quando o 
coordenador considera o saber, as experiências, os interesses e o modo de 
trabalhar do professor, bem como cria condições para questionar esta prática e 
disponibiliza recursos para modificá-la. 
ORSOLON, 2010, p. 22 
Santos (2018, p. 20), por sua vez, explica que é de “extrema importância a ação 
efetiva do coordenador pedagógico junto a sua equipe para a melhoria do fazer 
pedagógico na sala de aula”. A coordenação pedagógica mediadora da prática 
docente compreende com mais eficiência as necessidades pedagógicas dos 
professores. 
 
Organizada pela equipe pedagógica das unidades escolares, a acolhida dos 
estudantes aconteceu com divisão por turmas e turno, seguindo todos os protocolos 
necessários no período ao enfrentamento da covid-19. 
Mediar o trabalho docente requer, portanto, flexibilidade, habilidade em articular 
discussões produtivas e a capacidade de evidenciar a proposta pedagógica, 
focando a aprendizagem dos estudantes. Ao se assumir como mediador, o 
coordenador pedagógico se torna parceiro do corpo docente, contribuindo e 
enriquecendo a prática pedagógica e, em especial, conquistando a participação do 
professor em sua própria prática. 
 
O coordenador mediador transita pela escola e está ciente do espaço-tempo em 
que a aprendizagem acontece. Além disso, esse profissionalconhece, apoia e 
acolhe estudantes e professores em suas questões, buscando alternativas que 
viabilizem o processo de ensino e aprendizagem. 
A coordenação pedagógica também é responsável pela aprendizagem dos 
estudantes, o que torna a mediação no processo de ensino e aprendizagem algo 
necessário em todas as etapas, isto é, no planejamento, na elaboração de 
atividades, nos planos de intervenção e nos processos avaliativos. 
Batista (2010) corrobora essa visão de um coordenador pedagógico como um 
parceiro e alguém disposto a caminhar junto. Confira! 
A coordenação pode se configurar como prática social caracterizada pela mediação 
técnica-pedagógica na medida em que traduza consideração pelos sujeitos 
envolvidos e suas histórias; compromisso com um projeto educativo que esteja 
sintonizado com diálogos entre e com diferentes; assunção do trabalho coletivo 
como uma importante estratégia de trabalho; investimento num processo de 
planejamento baseado na cooperação e na troca de saberes e experiências. 
BATISTA, 2010, p. 111 
Para mediar os processos de aprendizagem, o coordenador precisa ir além da 
perspectiva de sistematização do trabalho pedagógico. Torna-se necessário 
conhecer os estudantes e suas demandas individuais, identificar nos professores 
suas qualidades e firmar parcerias de ação, fomentando a troca de saberes e de 
experiências entre os próprios docentes. 
Quanto à mediação do processo de ensino e aprendizagem, as atribuições do 
coordenador pedagógico vão além da sala de aula. O trabalho de formação dos 
professores precisa estar alinhado às necessidades que envolvem tal processo. 
O trabalho de acompanhamento da prática do professor e o acompanhamento do 
aluno e da formação devem estar em uma mesma direção e interagir entre si. Tal 
interação possibilitará uma mediação do coordenador pedagógico na prática 
pedagógica que acrescenta e transforma a realidade no processo de ensino e 
aprendizagem na escola. 
 
A psicopedagogia em ambiente escolar 
A ação mediadora realizada pelo psicopedagogo 
institucional 
A psicopedagogia institucional se dá nas instituições educativas e tem como 
finalidade tecer ações preventivas no âmbito das dificuldades de aprendizagem e, 
consequentemente, do fracasso escolar. Considerando a inclusão de crianças com 
necessidades educacionais especiais no ensino regular, a psicopedagogia tem um 
papel importante, apoiando os docentes, as famílias e a equipe escolar na prática 
inclusiva, pois entende-se que somente conceder a vaga à criança com 
necessidades especiais não é suficiente (BOSSA, 2000). 
À escola, cabe criar condições para que a criança permaneça na instituição e que 
sua aprendizagem aconteça de forma eficaz. Dessa forma, compete ao 
psicopedagogo institucional, junto com a equipe escolar, avaliar os fatores que 
intervêm na aprendizagem dos estudantes e mobilizar esforços de intervenção. 
A psicopedagogia institucional também tem como objetivo fortalecer a identidade do 
grupo e transformar a realidade escolar como um todo. Para isso, esse profissional 
contribuirá na elaboração do projeto pedagógico, subsidiando as respostas de três 
questões fundamentais: 
 
O que ensinar? 
 
Como ensinar? 
 
Para que ensinar? 
O psicopedagogo realiza, assim, o diagnóstico institucional para mapear 
problemáticas que possam interferir na aprendizagem dos estudantes. O trabalho do 
psicopedagogo institucional tem um caráter preventivo cuja pretensão é 
contemplar a totalidade da instituição escolar 
Bossa (2000) salienta que cabe ao psicopedagogo institucional: 
 
 
 
Auxiliar os docentes e os demais profissionais nas questões pedagógicas e 
psicopedagógicas. 
Orientar as famílias. 
Apoiar a direção da instituição para que haja um objetivo de ação no conjunto de atores da 
instituição. 
Auxiliar e impulsionar principalmente a prática educativa com êxito dos estudantes. 
 
A ação mediadora realizada por profissionais externos ao ambiente escolar 
 
O ambiente escolar é o espaço primordial para que a ação mediadora se instale como 
política, porque ela implica afirmar que a instituição educativa está comprometida com o 
direito de todos à aprendizagem. Graças a esforços mobilizados nas relações que ocorrem 
dentro das escolas, pode-se optar pela continuidade das ações extraescolares a partir da 
atuação dos profissionais que realizam a mediação no âmbito doméstico. 
 
 
Exemplo 
Explicadores, psicopedagogos clínicos e outros terapeutas que orientam questões pontuais 
que interferem no processo de aprendizagem dos estudantes (psicólogos, fonoaudiólogos e 
terapeutas ocupacionais). 
 
 
O trabalho isolado desses profissionais, afinal, pouco favorece a garantia do direito de 
aprendizagem dos estudantes. 
 
 
É importante sinalizar que a eficácia dessas intervenções extraescolares só será possível 
caso haja uma parceria com as proposições já desenvolvidas na escola. 
 
 
Um cuidado importante nessa relação é que a aprendizagem dos estudantes é uma 
responsabilidade coletiva. Ela, assim, abrange todos os atores que estão envolvidos no 
processo. Por isso, é necessário ter um cuidado para que: 
 
 
 
A culpabilidade pelo fracasso escolar não seja atribuída aos estudantes. 
Acabe por se despejar sobre eles um conjunto de terapias e de ações mediadoras com foco 
curativo que não dialoguem entre si e que não tenham como foco a coordenação de ações 
que favoreçam a escola como um todo. 
 
 
Às vezes, visando à sua aprendizagem, os estudantes são submetidos a uma sobreposição 
de ações que não se conectam. Tais efeitos se tornam imensamente prejudiciais, pois a 
sobreposição se torna sobrecarga. 
 
 
 
Os estudantes que requeiram ações de mediação terminam tendo mais atividades que os 
demais. Práticas que não dialogam entre si apenas dificultarão ainda mais a aprendizagem 
dos estudantes. 
Atividade discursiva 
De que maneira a psicopedagogia pode contribuir para a promoção da ação mediadora? E 
por que essa ação não pode ser uma prática isolada de um único profissional? 
 
 
Chave de resposta 
Chave de resposta 
O campo de estudos da psicopedagogia permite refletir acerca das questões que se fazem 
presentes na não aprendizagem e implica a busca pela compreensão dos modos com que 
os estudantes estão se apropriando dos elementos do seu sistema cognitivo e emocional 
para aprender. Implica também a sensibilidade necessária para ler criticamente aquilo que é 
disponibilizado pelo contexto para que a aprendizagem se dê e as relações estabelecidas 
entre aluno e conhecimento, as quais são interpostas pelo professor e pela escola. O 
compromisso com a aprendizagem de todos os estudantes é coletivo. Ao se atribuir um 
único profissional para atender às especificidades de algum estudante que requeira a ação 
mediadora, ao mesmo estudante é atribuída a culpabilidade pela não aprendizagem. Nesse 
sentido, mobilizar no ambiente escolar e fora dele esforços conjuntos e articulados para o 
favorecimento dos processos de aprendizagem torna-se a intervenção mais eficiente para 
garantir que a totalidade de estudantes consiga, de fato, usufruir do direito à educação. 
Questão 1 
Leia as duas asserções a seguir: 
 
I. O coordenador precisa assumir uma postura de articulador e mediador, ao prestar 
assistência pedagógica aos professores, e necessita estabelecer uma relação 
dialógica, de respeito e escuta em relação aos docentes e, em sua atuação junto 
aos alunos, pais e comunidade, com os quais interage diariamente na escola. 
 
(FEFFERMANN, E. A função do coordenador pedagógico na qualificação do 
trabalho docente: formação continuada e avaliação educacional. 2016. p. 34) 
 
II. O coordenador pedagógico pode auxiliar os professores a estabelecer relações 
entre as disciplinas do currículo, além de conhecer os alunos e a realidade social 
em que a escola está circunscrita, além das relações pedagógicas e interpessoais 
que se desenvolvem na sala de aula e na escola. 
 
é um catalizador das ações na escola em sintonia com seu projeto político-pedagógicoe um 
mediador entre a gestão e a equipe pedagógica, os alunos e a comunidade. 
 
 
 
Responder 
Parabéns! A alternativa E está correta. 
Como catalizador pedagógico, o coordenador deve mediar as ações da escola não só do 
ponto de vista do projeto político-pedagógico, mas também ser o responsável por 
estabelecer uma relação dialógica com os professores, a equipe pedagógica, os alunos e a 
comunidade 
 
Nas concepções contemporâneas de educação, muito se tem falado em novos 
comportamentos do professor perante a aprendizagem. Essa é uma nova atitude docente 
como processo de mediação pedagógica, os seja, essa mediação é a atitude do professor 
que se coloca como facilitador ou motivador da aprendizagem. É característica da mediação 
pedagógica: 
 
 
 
dialogar de forma constante em todos os sentidos entre ensinantes e aprendentes. 
 
Mediação e os conflitos 
Conforme já abordamos no módulo anterior, o conflito é inerente à condição 
humana. Contudo, a mediação dessas situações pode ser uma oportunidade para a 
tecitura do diálogo e da cooperação. 
 
A não intervenção, afinal, pode significar perigo. Caso o impasse conflitivo persista, 
esgotam-se as energias individuais e o conflito é potencializado. 
 
A EMEI Nelson Mandela simula questões do dia a dia para que as crianças possam 
lidar com as situações plurais em sociedade. 
Nesse caso, a mediação é capaz de representar a oportunidade de solução caso 
sejam criadas alternativas e possibilidades para que os envolvidos criem, recriem 
e solucionem problemas. A mera convivência humana potencializa uma pluralidade 
de interesses, de necessidades e de vontades, o que impulsiona a emergência 
constante de conflitos. 
Desse modo, caso os conflitos sejam eficientemente geridos, a ação mediadora 
pode significar a restauração das relações e da rede colaborativa. Já na não 
intervenção, ocorre o contrário: possibilidade de conduzir ao desajuste das relações 
interpessoais e à prática de violência. 
 
A instituição escolar é um espaço-tempo com uma diversidade de conflitos – em 
especial, os de relacionamento. Nela, convivem sujeitos de diferentes idades, 
origens, gêneros, raças e condições socioeconômicas e culturais. 
Atenção 
É importante que todos na escola estejam preparados para o enfrentamento das 
tensões características da convivência escolar, as quais, por vezes, podem produzir 
dissenso, desarmonia e até desordem. 
A escola tem como função social a formação de valores e habilidades para a 
convivência e, portanto, precisa estar suficientemente preparada para intervir nos 
conflitos que nela acontecem. Alguns desses conflitos até fazem parte do cotidiano 
dos estudantes e são práticas saudáveis para o desenvolvimento humano. 
Exemplo 
Conflitos nas brincadeiras, nos jogos e nas práticas esportivas. 
Contudo, alguns desses conflitos acabam por assumir rumos indesejados no que 
tange às relações interpessoais. Com isso, eles transformam-se em manifestações 
de agressividade, atos de indisciplina ou de indiferença ou atitudes de preconceito, 
discriminação e até de depredação do patrimônio da instituição. 
 
Tais desvios são alarmantes, pois desestabilizam as relações escolares e geram 
violência. Diversos são os propulsores que desencadeiam a rivalidade entre grupos 
e entre os estudantes. Entre eles, destacaremos os seguintes: 
 
1 
● Disputas de poder. 
● Busca de afirmação pessoal. 
● Conflitos de interesses. 
Bullying. 
Atitudes discriminatórias e intolerantes com as diferenças. 
Reações a manifestações de injustiças. 
Assédios. 
Namoros e sentimentos aflorados na relação. 
Uso e apropriação de espaços e de bens. 
 
De todo modo, mesmo nas situações em que tomam rumos indesejáveis, os conflitos 
podem produzir movimentos positivos e são potenciais oportunidades de aprendizagem e 
de crescimento coletivo e pessoal. É necessário, porém, que eles sejam adequadamente 
compreendidos, elaborados e solucionados, permitindo o favorecimento da qualidade dos 
relacionamentos pessoais e sociais. 
 
 
Os conflitos bem mediados no ambiente escolar podem ser profícuos para o fortalecimento 
dos vínculos sociais. Por essa razão, práticas restaurativas são propostas nas escolas. 
 
 
É necessário oferecer aos estudantes um conjunto de práticas educativas que estimule o 
gerenciamento positivo dos conflitos que surgem nas relações de convivência, sejam eles 
simples ou graves. As práticas restaurativas são importantes dispositivos para a promoção 
da cultura de paz e para a prevenção da violência; afinal, tais práticas baseiam-se no 
diálogo e no encontro. 
 
Gerenciamento de conflito 
Práticas restaurativas 
 
As práticas restaurativas são formas de gerenciamento de conflitos. Por meio delas, um 
mediador apoia as partes direta e indiretamente envolvidas, realizando um processo 
dialógico que busca transformar uma relação de resistência e de oposição em relação de 
cooperação. 
 
 
 
Nesse processo, por intermédio de técnicas de comunicação não violenta, as partes 
acordam coletivamente sobre como lidar com situações decorrentes do ato danoso, bem 
como as suas implicações, objetivando alcançar a reflexão, a restauração e a 
responsabilização que conduzam ao fortalecimento das relações e dos laços comunitários. 
Há variadas práticas restaurativas que podem ser adotadas no contexto da escola. 
 
 
Exemplo 
O diálogo e o perguntar restaurativo, a mediação escolar, a mediação de pares, os 
encontros restaurativos, os círculos de paz e de diálogo e os círculos restaurativos. 
 
 
As práticas restaurativas têm origem no modelo de justiça restaurativa, pautadas 
filosoficamente no campo da justiça criminal e baseadas em práticas aprendidas com 
comunidades indígenas, especialmente as do Sudeste Asiático e do Canadá. Atualmente, 
essas práticas são recomendadas pela Organização das Nações Unidas e vêm sendo 
aplicadas tanto na área da Educação quanto em outros campos da vida social. 
 
 
 
Alunos fazem mediação de conflitos em escola da capital paulista através das comissões. 
 
Nas instituições educativas, as práticas restaurativas têm sido usadas para lidar com uma 
gama de conflitos escolares, desde os mais simples até os mais sérios. No Brasil, diversas 
redes municipais e estaduais de ensino vêm estimulando sua implantação e ampliação. 
 
 
 
Os fundamentos das práticas restaurativas revelam-se importantes nas escolas para a 
criação de uma cultura de diálogo, de respeito mútuo e de paz. É válido, no entanto, 
destacar que elas não são a solução para todos os problemas. 
 
 
Mesmo assim, as práticas restaurativas constituem ferramentas importantes que permitem a 
melhoria nos relacionamentos. Entre outros, elas promovem os seguintes impactos: 
 
 
 
Mudanças diretas no campo das inter-relações. 
 
 
Abordagem inclusiva e colaborativa. 
 
 
Resgate do diálogo e da conexão com o próximo. 
 
 
Comunicação entre atores escolares, familiares, comunidade e redes de apoio. 
 
 
Restauração das relações. 
 
 
A possibilidade de compreender os conflitos como oportunidades de mudança e de 
aprendizagem, ressaltando os valores da inclusão, do pertencimento, da escuta ativa e da 
solidariedade. 
 
As práticas restaurativas têm cinco principais finalidades. Vamos conferi-las? 
 
 
 
Favorecer a segurança da comunidade escolar. 
 
 
Desenvolver competências pró-sociais nas pessoas. 
 
 
Promover valores humanos essenciais, como: participação, respeito, responsabilidade, 
honestidade, humildade, interconexão, empoderamento e solidariedade. 
 
 
Restaurar a relação afetada pelo conflito, dando atenção à reparação do dano causado à 
vítima. 
 
 
Assumir responsabilidades. 
 
Práticas restaurativas no ambiente escolar 
 
 
Projeto Escola Restaurativa do MP-AP e Tjap na Escola Piauí com práticas para prevenção 
e resolução positiva de conflitos. 
 
Os conflitos constituem a natureza humana e, sejam eles mais simples ou mais graves, 
precisam ser compreendidos como oportunidades de crescimento e de transformação. 
Essas situações, afinal, sefazem muito presentes nas instituições escolares, espaços 
privilegiados para a difusão de valores e de tecitura da cidadania. Por isso, é importante que 
a comunidade escolar conheça ferramentas, estratégias e habilidades que permitam o 
gerenciamento dos conflitos de maneira pacífica. 
 
 
As práticas restaurativas proporcionam procedimentos, ações proativas e habilidades que 
colaboram para uma melhoria na intervenção preventiva e na resolução positiva dos 
conflitos, contribuindo para o desenvolvimento de relações contribuitivas no espaço escolar. 
Trata-se de ferramentas ao mesmo tempo simples (no que tange aos recursos) e profundas 
(nas relações de convivência). 
 
 
Exemplo 
A adoção de tais ferramentas promove o desenvolvimento de valores sociomorais 
relevantes no convívio social dos estudantes, como: respeito, empatia, interconexão, 
responsabilidade social e autodisciplina. 
 
 
Nas instituições educativas, as práticas restaurativas favorecem a ação preventiva de 
reafirmação das relações. Entre outros, elas têm os seguintes objetivos: 
 
 
Ampliação do relacionamento família-escola-comunidade. 
 
 
Busca do diálogo entre todos os atores. 
 
 
Melhoria do vínculo com a comunidade escolar. 
 
 
Promoção da comunicação não violenta e das atividades pedagógicas restaurativas. 
 
 
Desse modo, as práticas restaurativas estimulam a realização do trabalho proativo de 
comunidade escolar segura, democrática e responsável, além do fortalecimento de uma 
cultura de paz. Tais práticas ainda atuam na restauração e na reparação das relações por 
meio do diálogo, dos círculos de paz e das reuniões restaurativas (mediações e círculos 
restaurativos), tendo como objetivo reconstruir relações. 
 
 
Atenção 
É importante lembrar que a escola tem um papel indispensável de ação na rede de proteção 
por ser um espaço privilegiado para a identificação de contextos de violência, de 
vulnerabilidades ou de perigo envolvendo crianças e adolescentes. 
 
 
No interior do espaço escolar, é possível realizar a atenção imediata à situação, bem como 
a sistematização dos encaminhamentos necessários, atendendo à proposição de 
“intervenção precoce” explicitada no art. 100, inciso VI, da Lei nº 8.069/1990 (Estatuto da 
Criança e do Adolescente). 
 
 
Diálogo e mediação 
 
O diálogo constitui um dispositivo eficaz, econômico e construtivo para que as instituições 
educativas possam lidar com os tensionamentos mais difíceis, proporcionar ações 
colaborativas entre as pessoas e, em especial, resolver conflitos de modo simples e fácil. 
Ele é, portanto, essencial para a mudança de atitude dos estudantes e da sociedade. 
 
 
Diálogo é troca de entendimento. Quem o propõe se dedica a alcançar a reposta e a 
compreensão da outra parte. Além das palavras, outros elementos o compõem: as 
emoções, o sorriso, o olhar e os gestos, entre outras formas de expressão, as quais, muitas 
vezes, são mais importantes que as próprias palavras. 
 
 
 
Projeto Aula Pública: além dos muros da Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF), 
em Duque de Caxias 
 
Sabe-se que há outras formas restaurativas de resolução de conflitos que não só o diálogo. 
É válido lembrar, porém, que nem todos os conflitos são mediáveis ou solucionáveis por 
intermédio de meios consensuais. Algumas situações graves podem excepcionalmente 
exigir outras providências. 
 
 
Ferramenta bastante eficiente, a mediação, por exemplo, sempre pode ser adotada em 
situações de conflito nas escolas. Ela é uma proposição de encontro entre o mediador e as 
partes envolvidas com o propósito de restabelecer o diálogo. 
 
 
 
A mediação, assim, permite a solução de conflitos por meio do diálogo e da compreensão 
para a construção de soluções que partam das necessidades dos envolvidos. Trata-se de 
uma reunião restaurativa simplificada; por conta disso, ela pode ser feita por um dos 
profissionais da escola ou por algum estudante. 
 
 
Exemplo 
Em algumas instituições escolares, é frequente que os estudantes atuem como “mediadores 
de pares”, “mediadores jovens” ou “mediadores mirins”. 
 
Propostas para o ambiente escolar 
Círculos de construção de paz 
 
 
Momento da roda de conversa. 
 
O círculo possui uma forma importante para ser utilizada nas reuniões pedagógicas, nas 
atividades escolares em geral e na solução de conflitos. Ele, afinal, estabelece uma 
conexão intensa entre os sujeitos, se apropria das diferenças em vez de eliminá-las e 
representa um espaço-tempo de construção coletiva do saber e de reflexão acerca da 
realidade social, já que possibilita a leitura da questão conjuntamente, o confronto de ideias 
e a troca de vivências e de pontos de vista entre os participantes. 
 
 
Os círculos podem ser utilizados em diferentes propostas com o propósito de: 
 
 
 
Apaziguar inevitáveis discórdias ou desacordos. 
Prevenir atitudes que expressem desavença, raiva ou violência em potencial. 
Construir e restaurar relações. 
 
O espaço circular assegura maior autonomia e independência aos participantes, conduz ao 
empoderamento, oportuniza a horizontalidade nas interlocuções, aprimora o pertencimento 
ao grupo e constitui um importante dispositivo para o diálogo. Além disso, ele possibilita que 
estudantes mais introvertidos possam se manifestar sem constrangimento, produzindo 
inclusão e permitindo àqueles que se mostram mais extrovertidos, porém pouco abertos à 
escuta, aprender a ouvir outros pontos de vista. 
 
 
 
Os círculos reúnem pessoas e fortalecem vínculos e relacionamentos, além de ajudar na 
promoção da cultura de paz nas escolas. Por essa razão, nos espaços educativos, eles 
podem ser usados em reuniões de profissionais da instituição, grupos de pais, conselhos de 
escolares, grupos representativos de classe e grêmios, entre outros exemplos. Nessas 
situações, é importante estabelecer regras coletivas a fim de evitar problemáticas comuns 
nos espaços das salas de aula. 
 
 
Exemplo 
O uso indevido de celular ou a indisciplina em classe. 
 
 
Os círculos de construção de paz foram adotados a partir das experiências comuns nos 
costumes dos povos tradicionais da América e da Nova Zelândia. De acordo com Pranis 
(2010), especialista em círculos de construção de paz e justiça restaurativa, há vários tipos 
de círculos de paz relacionados a diferentes propósitos e motivações. Vamos conferir 
alguns tipos! 
Entre as opções de práticas restauradoras, também existem os chamados círculos 
restaurativos, que compreendem reuniões circulares envolvendo as partes diretamente 
relacionadas ao conflito, um mediador e outras pessoas capazes de contribuir com a 
solução do conflito (membro da família, docente, funcionários, pessoas da comunidade 
etc.). Esses círculos podem ser adotados em todos os tipos de conflitos: desde os mais 
simples até aqueles de maior complexidade, sejam eles grupais ou individuais. 
 
 
Não existe um padrão prévio a ser seguido nas reuniões restaurativas. Contudo, há alguns 
procedimentos norteadores que podem ser seguidos para uma melhor sistematização nas 
instituições educativas e maior eficiência das intervenções. 
 
 
Tais procedimentos podem ser adaptados conforme as singularidades culturais de cada 
espaço-tempo e de cada comunidade. 
 
 
 
Círculo restaurativo. 
 
Assim, antes da realização efetiva dos círculos restaurativos, é necessário preparar 
previamente o ambiente e orientar todos os envolvidos: docentes, funcionários, gestores, 
familiares, estudantes e comunidade. Em seguida, tais círculos restaurativos devem ser 
conduzidos por um mediador habilitado a preparar, conduzir e acompanhar os resultados do 
encontro. 
 
 
O círculo restaurativo é a mais completa das ações restaurativas, pois permite o encontro 
entre todas as partes envolvidas em um conflito. A relevância do círculo se instala na 
possibilidade do funcionamento articulado entre a instituição escolar, a família e a 
comunidade. 
 
 
Dica 
Outros órgãos públicos e redes de atendimento aos direitos da criança e do adolescente 
podem ser partícipes nesse processo,em especial nos casos mais complexos ou que 
envolvam estudantes mais problemáticos ou vitimados em maior escala. 
 
 
O círculo é o momento do encontro entre ofensor, vítima, mediador e as demais pessoas 
que venham a contribuir na solução da questão. O diálogo é o ponto inicial para que as 
partes, de forma colaborativa, cheguem a um acordo. 
 
 
Com a comunicação, objetiva-se a compreensão mútua, por meio da qual se faz uma 
reflexão do ocorrido e de como as partes se percebem no momento. Após isso, os 
participantes do círculo restaurativo fazem uma retrospectiva do ato e identificam suas 
necessidades. Em seguida, busca-se o consenso. 
 
Com o círculo, a situação é restaurada com responsabilidades e prazos definidos 
para eventuais obrigações a serem cumpridas. O momento de realização do círculo 
pode ser um tanto tenso; por isso, o mediador busca tranquilizar as partes, tendo 
sensibilidade para conduzir a reunião. Ele, afinal, coordena os trabalhos ao tecer um 
acordo em um espaço de poder que é partilhado e cujas relações se articulam 
horizontalmente. 
Comentário 
Todos têm voz ativa e participam, devendo ser compreendidos. O mediador, 
portanto, precisa promover a segurança, a confiança das partes e o tratamento 
digno entre os participantes. 
Ambiente escolar seguro e pacífico 
Ao propor que a escola seja um espaço-tempo pacífico, seguro, restaurativo e 
protetivo, torna-se necessário ir além do gerenciamento positivo dos conflitos. É 
importante construir e potencializar um ambiente organizacional que possibilite o 
alcance desses objetivos – e, para isso, algumas práticas são fundamentais. 
 
Sem prejuízo de outras atividades igualmente significativas, vamos sugerir a seguir 
10 ações importantes. Confira! 
Ação 1 
Trata-se de fortalecimento, aprimoramento e prioridade na conexão positiva entre 
escola, família e comunidade, especialmente com a proposição de conselhos 
escolares e uma maior participação das famílias nas escolas. 
Ação 2 
Trata-se de realização de propostas contínuas que melhorem o estabelecimento de 
um vínculo nas escolas, tornando os ambientes escolares mais pacíficos, 
especialmente com o fortalecimento dos grêmios estudantis e dos conselhos 
escolares e de classe. 
Ação 3 
Trata-se de construção coletiva das regras da convivência escolar por meio de 
círculos de diálogo ou de assembleias. 
Ação 4 
Trata-se de democratização de todas as instâncias do sistema escolar. 
Ação 5 
Trata-se de fortalecimento da cidadania e da participação ativa nas práticas 
escolares, criando canais que possibilitem o protagonismo de todos. 
Ação 6 
Trata-se de aprimoramento do vínculo interno nas relações humanas, priorizando o 
diálogo e a cooperação entre todas as pessoas da comunidade escolar. 
Ação 7 
Trata-se de aperfeiçoamento de competências e habilidades que possibilitem uma 
comunicação eficiente entre todos. 
Ação 8 
Trata-se de construção de soluções pacíficas e de alternativas dos conflitos a fim de 
que elas não desencadeiem práticas de violência. 
Ação 9 
Trata-se de elaboração de conteúdos e de atividades contextualizadas e 
significativas para os estudantes. 
Ação 10 
Trata-se de criação de redes de apoio a pessoas em situação de vulnerabilidade e 
articulação com outras redes de atendimento externas à escola. 
Tecer uma cultura de paz, de cooperação, de não violência e de resolução pacífica 
dos conflitos, sem dúvida, é um desafio constante que precisa fazer parte de uma 
filosofia cotidiana de ação, em especial nas escolas, espaço-tempo privilegiado 
para que estudantes desenvolvam concretamente a aprendizagem dos valores 
essenciais da convivência social. 
Atividade discursiva 
Colocando-se como proponente da ação mediadora em situações de conflito, quais 
questões poderiam ser colocadas para profissionais da escola com a finalidade de 
estabelecer um termômetro das relações no ambiente escolar? Para que uma escola seja 
promotora de uma cultura de paz e referência de segurança, que valores devem nortear o 
projeto pedagógico? 
 
Responder 
.com 
 
Chave de resposta 
Chave de resposta 
Reflita nos seguintes questionamentos: 
 
 
 
Você respeita os sentimentos dos estudantes, mesmo acreditando que são questões 
triviais? 
 
 
Você os encoraja a resolver seus problemas em vez de oferecer soluções prontas? 
 
 
Esse incentivo transmite cuidado e preocupação? 
 
 
Se você está em um conflito com um estudante, colega ou parente, você o convida a 
oferecer uma perspectiva sobre o caso antes de julgá-lo? 
 
 
Você tenta compreender as razões por trás do comportamento das pessoas? 
 
 
Você é um bom ouvinte? 
 
 
Tais questões ajudam a avaliar as relações no ambiente escolar. O projeto pedagógico deve 
ser norteado por respeito mútuo, confiança, empoderamento, conexão, tolerância, 
integridade, congruência, incentivo às pessoas para o desenvolvimento de habilidades com 
o objetivo de resolver os próprios problemas, aceitação de pontos de vista e de opiniões 
diversas, valorização do outro, reconhecimento, encorajamento, escuta, compartilhamento 
de ideias e aceitação de que erros acontecem e de que aprendemos com eles, além da 
importância dos sentimentos, das necessidades e dos direitos, entre outros exemplos. 
 
	O relacionamento no contexto da aprendizagem 
	O campo da psicopedagogia 
	Comentário 
	Exemplo 
	O papel do coordenador pedagógico 
	A psicopedagogia em ambiente escolar 
	A ação mediadora realizada pelo psicopedagogo institucional 
	Mediação e os conflitos 
	Atenção 
	Exemplo 
	Comentário 
	Ambiente escolar seguro e pacífico 
	Ação 1 
	Ação 2 
	Ação 3 
	Ação 4 
	Ação 5 
	Ação 6 
	Ação 7 
	Ação 8 
	Ação 9 
	Ação 10

Mais conteúdos dessa disciplina