Prévia do material em texto
BTO – CASO 08 DRENOS, CÂNULAS E SONDAS Atualmente, tem-se a racionalização do uso desses dispositivos, ou seja, busca-se colocar o menos possível, apenas quando realmente necessário, devido aos riscos de contaminação. Cada dispositivo possui suas características particulares que conferem eficácia em seu uso para o quadro. 1 – DRENOS Ocorre, em sua maioria, no momento da cirurgia, de preferência por um acesso separado da incisão cirúrgica, evitando trajeto sinuoso. Além de precisar ser removido o mais rápido possível, sempre dando preferência a sistemas fechados e introduzidos no espaço vazio, para drenagem de líquido, ar ou outras secreções presentes no espaço cavitário. Podem ser retirados, por exemplo, sangue e secreções decorrentes de procedimentos cirúrgicos, traumas ou infecções, assim como secreções do trato digestivo. É importante saber que o acúmulo de líquidos no sítio cirúrgico serve como meio de cultura, além de aumentar a pressão local e atrapalhar o processo cicatricial, pós cirúrgico ou não, podendo até alcançar uma síndrome compartimental e perda do membro. Tem-se que o gradiente de pressão do dreno deve ser levado em consideração, em relação ao seu tipo:. ABERTO: não há coleta do material drenado, ele sai do dreno diretamente para um sistema contaminado ou meio externo. FECHADO: o material drenado pode ser coletado, pois não há contaminação pelo meio externo, por ser um circuito acoplado ao reservatório estéril. Possibilita, além de análise, quantificação do volume A) TIPOS DE DRENAGEM GRAVITACIONAL: há gradiente decorrente da pressão natural, pelas forças da gravidade, devendo a extremidade externa permanecer mais baixa que o local drenado como, por exemplo, SVD. Muitas vezes, é associado ao sistema de capilaridade, em que a secreção naturalmente escorre pelo dreno. SUCÇÃO (À VÁCUO): há pressão negativa no limite externo, muitas vezes acoplado a um coletor sanfonado que, ao ser comprimido, gera um vácuo de aspiração contínua. B) FIXAÇÃO Pode ser feita por meio de fios de sutura, grampos ou outros métodos que o prendam. Principalmente nas porções internas, pode haver reação de corpo estranho ou tecido cicatricial em volta, devendo haver inspeção adequada quanto ao sítio cirúrgico envolvido, o volume necessário, as características do conteúdo, permeabilidade e tração do dreno e da própria fixação, além do transporte no qual o paciente será submetido, dependendo da mobilização segura do paciente no leito. C) CARACTERÍSTICAS DO DRENO TUBULAR MATERIAL: deve ser de material maleável, atóxico e inerte, para que não sofra reação com as substâncias drenadas, evitando danificação. A maioria é de látex, mais poroso, favorecendo a formação de fibrina e biofilme, podendo ser substituído por drenos de silicone para alérgicos que, ainda que não sejam tão rígidos, tem pouca propensão à contaminação. Podem ser também de polietileno que, ainda que sejam rígidos, são fenestrados e possibilitam a visualização da secreção, ou até de PVC, quando fixos, úteis por não colabarem vasos. TAMANHO: os drenos tubulares são calculados por Fr (French), que equivalem, cada, à 0,333ml, em seus diferentes diâmetros. D) CARACTERÍSTICAS DO DRENO LAMINAR MATERIAIS: Os drenos laminares podem ser achatados fixos ou maleáveis, sobretudo feitos de borracha sintética, com exceção do dreno de Penrose, que é feito de látex. Existem alguns outros feitos de silicone, que acabam por se manifestar de forma transparente e radiopaca, formando linhas paralelas pelo trajeto E) OUTROS DRENOS DE TÓRAX: geralmente é siliconizado e fenestrado, com extremidade interna arredondada e atraumática, com filamento radiopaco para visualização em RX. Serve para reestabelecer a pressão negativa da cavidade, quando alterada devido a presença de ar, pus ou sangue nos espaços intrapleurais ou mediastinais. MALECOT: é feito de borracha natural e maleável, com borda arredondada em forma de botão, com alças (4) de autorretenção, para fixação no local, muito utilizado em nefrostomia percutânea ou gastrostomias, de forma temporária. PEZZER: é de borracha maleavel, também com extremidade arredondada em forma de botão, com orifícios para autorretenção e fixação PIGTAILS: são drenos com final em curvatura, em “forma de rabo de porco”, com cabos flexíveis, também úteis para autorretensão, possíveis de introduzir por auxílio de ultrassom ou drenagem guiada, sendo removidos geralmente com auxílio de fio guia para desenrolar a extremidade distal. F) INDICAÇÕES Podem ser, por exemplo, utilizados após ressecções cirúrgicas ou zonas de anastomose, como em esplenectomias ou nefrectomias, assim como áreas cruentas com pouco tecido restante para tamponamento, como o caso de mastectomias. Ainda, podem ser utilizados para auxiliar a reconstrução ou recanalização de vasos, como em cistostomia, ou drenagens de abscessos ou coleções, como em abcessos pleurais. 2 – CÂNULAS São túbulos rígidos ou semi-rígidos, geralmente feitos de metal ou plástico, com ambas as extremidades pérvias. Devem ser introduzidos por aberturas naturais, seja por feridas operatórias ou órgãos, úteis para injetar medicamentos, aspirar fluídos ou passagem de instrumentos (percurso). OROFARÍNGEA: ou cânula de Guedel, é feita de PVC flexível ou polipropileno, curvilínea, servindo para manter a via aérea aberta em pacientes com baixa (ou sem) consciência NASOFARÍNGEA: são cânulas maleáveis, curvas, com bordas arredondadas, feitas de PVC siliconizado, úteis para evitar engasgos e, ainda que seja introduzida na faringe, não provoca vômitos OROTRAQUEAL: ou cânula de Rusch, é de plástico maleável e atóxico, podendo ou não ter CUFF para fixação, graduada em centrímetros TRAQUEOSTOMIA: introduzidas nas aberturas traqueais, promovem comunicação interior e exterior, possibilitando passagem do ar. A de metal, também chamada de cânula de Jackson, é de uso contínuo, pós laringectomia permanente. ASPIRAÇÃO: servem para aspirar os fluidos durante o procedimento, com destaque para cânula de Yankauer, com ponta “chuveiro” angulada, útil para cirurgias torácicas ou faríngeas. FRAIZER: possui ponta romba e corpo com angulações variáveis, mandril removível, útil para cirurgias de cabeça, pescoço, orogaringe, procedimentos vasculares e neurocirurgias. POOLE: é de grande calibre, com extremidade cheia de orifícios, disposta em duas camadas, com diâmetros e posições distintas, útil para aspiração de porções profundas da cavidade abdominal, por exemplo. HIDRODISSECÇÃO: possuem distintas angulações em forma de “J”, com pontas arredondadas e diâmetros pequenos, úteis para administração de fluidos e substâncias viscoelásticas, muito utilizadas em cirurgias oftalmológicas 3 – SONDAS Servem para manter o acesso a um órgão ou cavidade corporal, assim como escoamento de líquidos ou gases contidos nele. São introduzidos no lúmen do órgão, servindo tanto para obtenção quanto drenagem do conteudo, seja para diagnóstico da coleta ou parte da terapia GASTRINTESTINAIS: tanto nasogástrica quanto orogástrica, auxiliam na descompressão do estômago e intestino delgado, assim como administração de medicações, drenagem e lavagem ENTERAL: é feita de poliuretano e silicone, útil para administração de medicamentos, alimentos e hidratação, além de ter ponta metálica, devendo haver testgem do seu posicionamento GASTROSTOMIA ou JEJUNOSTOMIA: é introduzida no estômago para melhorar a ingestão de alimentos, evitar disfagia ou até para administração de medicamentos e alimentos. Na jejunostomia, a sonda cria uma comunicação entre a cavidade do estômago e parede do abdomen FOLEY: feita de látex maleável e atóxico, é utilizada em curirgias uretrais, podendo promover irrigação contínua, juntamente da drenagem, nas que possuem três vias. Também conhecida como sonda vesical de demora, possuindo pelo menos duas vias, uma do CUFF e uma dedrenagem RETAL: feita de poliuretano, é útil para retirada de líquidos ou gases da porção distal dos cólons reto e sigmoide, servindo para administração de líquidos para lavagem, contraste ou medicamentos. (INSERÇÃO FC) -ANESTÉSICOS Um dos primeiros anestésicos descobertos foi a própria cocaína, que caiu em desuso com essa função pelo excesso de efeitos colaterais. O ponto foi que se iniciou a busca por moléculas que causassem anestesia, ou seja, perda de sensibilidade no local administrado, de forma reversível. Deve-se ter o mínimo possível de absorção pelo sistema nervoso central (no caso dos anestésicos locais), para evitar efeitos adversos 1 – ANESTÉSICOS LOCAIS São bases fracas, com regiões polares, apolares e uma região central que caracteriza seu grupo, podendo ser subdivididos em duas grandes classes, “procaína” e “lidocaína”. Devem se ligar à proteínas plasmáticas (como a alfa-1-glicoproteina ácida), promovendo metabolização mais lenta e consequentemente maior tempo de ação. A) PROCAÍNA (ÉSTERES) Composta por uma amida central, são metabolizados por via plasmática, por enzimas esterases. Sua excreção é predominantemente renal, com diferentes tempos de meia vida, a depender da “versão” utilizada do fármaco B) LIDOCAÍNA (AMINAS) Composta por um éster central, podendo ser representada pela própria cocaína, assim como a lidocaína. Possui potência aumentada (4x) em relação à procaína, podendo ser maior ainda em outras de suas versões. São metabolizados por via hepática, a partir de enzimas citocromais P-450, devendo evitar esse tipo farmacológico em hepatopatas, por exemplo. Sua excreção é predominantemente renal, com diferentes tempos de meia vida, a depender da “versão” utilizada do fármaco OBS: NOCICEPÇÃO É importante saber que nocicepção se trata do estímulo doloroso na periferia (local afetado) e como ocorre sua chegada ao SNC. Podem ser relacionados com estímulos químicos, mecânicos ou térmicos, a depender dos receptores da via ascendente estimulatória (VAE). Se relaciona com o influxo de sódio (Na+), potencial de ação e toda aquela cascata de despolarização que leva o estímulo ao SNC C) MECANISMO DE AÇÃO O MA desses anestésicos se baseia em bloquear os canais de sódio, impedindo o impulso nervoso que levará a nocicepção ao córtex. Isso acontece pois o anestésico é capaz de ultrapassar a barreira plasmática inicial, alcançando o neurônio para se ligar a uma região do canal de Na+, no chamado “portal de poro”, onde ioniza-se capturando um H+ do canal, levando ao seu bloqueio. Esse é chamado de “BLOQUEIO TÔNICO”, pela via hidrofóbica, que acontece independentemente de estímulo nervoso. Ainda, existe a possibilidade do “BLOQUEIO FÁSICO” pela via hidrofílica, que dependerá da abertura do canal para que consiga bloqueá-lo. Dessa forma, o anestésico local, ionizado, consegue impedir a saída pela própria abertura do canal. No final, de uma forma ou de outra, o canal de sódio é bloqueado, impedindo o alcance do limiar de estímulo que levaria à transmissão do sinal. É importante saber que, quem passa a membrana é a forma não ionizada do fármaco, mas, quem promove o bloqueio em si, é a forma ionizada. D) BLOQUEIO DIFERENCIAL Vale lembrar que existem diferentes tipos de fibras nervosas, com diferentes suscetibilidades à ação dos anestésicos locais. Ou seja, quanto menor o diâmetro do axônio e/ou, quanto menos bainha de mielina presente, maior a sensibilidade ao AL. E) REAÇÕES ADVERSAS A principal dessas é a reação alérgica, que acontecem mais nosso ésteres, devido à geração de PABA na metabolização. Ainda, pode haver, em doses muito elevadas, toxicidade e outras ações no SNC, como zumbido, parestesia labial e outros graves como alucinações, convulsões e até o coma. Ainda, é importante saber que todos tem potencial cardiotóxico (em doses até maiores que as do SNC), levando à arritmias, por exemplo, com exceção da lidocaína que, em doses terapêuticas por via endovenosa, até ajuda a regular o ritmo cardíaco. ANESTESIA LOCAL A anestesia é aplicada para causar perda da sensibilidade, seja causada por doenças ou artificialmente, por meio dos anestésicos. Ainda, pode ser considerado “anestesia” a diminuição da dor, analgesia e até o relaxamento muscular provocado, proporcionando condições adequadas para atuação cirúrgica, evitando “espasmos” Existe uma chance que não pode ser ignorada de parada cardíaca, sobretudo em casos de choque anafilático ou complicações de cardiopatias. 1 – INDICAÇÕES É a infiltração do anestésico local realizada pelo médico, que deve prescrever e administrar os medicamentos que serão utilizados. Pode ser utilizado, por exemplo, em casos de suturas, dissecções e até retirada de tumores locais Além da alergia, as únicas “contraindicações” se dão por infecção no local que seria anestesiado e, claro, se o paciente recusar recebê-la. O paciente anestesiado deve ser monitorado por meio de cardioscópio, manguito e oxímetro, por integrantes da equipe, enquanto o médico realiza os procedimentos cirúrgicos. 2 – FUNCIONAMENTO São substâncias que interrompem o impulso nervoso, anulando tanto a sensibilidade quanto a transmissão motora, a partir do bloqueio dos canais de sódio (Na+) pelo axônio. Desses fármacos, a maioria possui efeito vasodilatador, devendo-se levar em consideração possíveis coagulopatia, podendo ser necessário associação com vasoconstritores como, por exemplo, a adrenalina. Dessa forma, a absorção é retardada, prolongando a analgesia e até diminuindo a possibilidade de intoxicação. Entretanto, deve-se considerar que a vasoconstrição excessiva leva à isquemia. Bloqueiam esse estímulo temporariamente, por serem substâncias que se ligam reversivelmente. A duração dependerá não só do local aplicado, como também o volume, concentração e difusibilidade do medicamento utilizado. A) AÇÕES NOS SISTEMAS Essas substâncias, se alcançam o SNC, podem levar à sedação e sonolência, por meio da atuação loco- regional. Possuem efeitos cardiovasculares, reduzindo os batimentos e a condutividade. Ainda, existem efeitos no sistema respiratório, com depleção da respiração, assim como efeitos, por exemplo, no útero, onde algumas drogas podem levar ao relaxamento e consequente efeito abortivo Alguns medicamentos são capazes de atravessar a barreira placentária, como nos casos da bupivacaína e etidocaína, assim como terão efeitos metabólicos, a depender do local de sua metabolização. 2 – TIPOS DE ANESTESIA LOCAL A) TÓPICA Utilizado exclusivamente em mucosas, é uma aplicação local por spray. Pode ser utilizado no caso de endoscopias ou procedimentos genitourinários. B) INFILTRATIVA São administrados no meio intra e/ou extravascular, “injetados”. Deve-se manter infusão endovenosa com monitorização dos SSVV a cada 15min. São diversas indicações da anestesia infiltrativa, em diversas pequenas intervenções superficiais como, por exemplo, bleforoplastias, ressecção de cistos, suturas superficiais, otoplastias ritidoplastia e até algumas mamoplastia de aumento. Tem-se ainda que o indicado é a utilização do frasco individualmente para cada paciente. Se é aberto um frasco maior para poucos ml, o que “sobrar” deverá ser descartado. 3 – TÉCNICA O paciente deve ser informado sobre a técnica proposta, devendo ser explicado todos os objetivos e restrições, assim como deve haver o suporte, se necessário, para estabilização do paciente, quanto administradas dosagens maiores que 3,5mg/kg A monitorização deve ser contínua e, se necessário, o paciente deverá ser sedado, pra evitar hipermotividade e outras reações. Desses, deverá haver sistema para fornecimento de oxigênio, de aspiração de secreções, de manutenção de vias aéreas (caso precise entubar ou oxigenar), monitores cardíacos, oxímetro, esfigmo, assim como equipamentos e medicamentos caso seja necessária reanimação do paciente Primeiramente, deve-seaspirar o êmbolo da seringa antes da introdução do anestésico, evitando colocá- lo na corrente sanguínea, evitando intoxicação. Deve ser injetado logo abaixo da epiderme, para que não haja dissecção dos tecidos. É normal que o paciente sinta uma leve ardência, que vai sumindo. A seringa e a agulha devem ser o menor possíveis, devendo a infiltração ser feita pelas bordas da ferida, evitando “inchar” (ingurgitar) o tecido 4 – SOLUCÇÃO O anestésico deverá ser selecionado adequadamente de acordo com o perfil e caso do paciente, assim como sua dose, volume e concentração apropriados, ajustados pela idade, peso, porte e condições físicas do paciente, podendo haver (ou não) necessidade de associação com medicamentos vasoconstritores. 5 – MATERIAIS Deverão ser escolhidas agulhas descartáveis para aspiração diferente das utilizadas para injeção, que serão menores, assim como seringas de 5 à 10ml, frasco ou ampolas de acordo com a quantidade desejada e campo estéril e/ou fenestrado. 6 – VASOCONSTRITORES Podem ser utilizados em bloqueios que teriam grande absorção sistêmica do anestésico, como no caso dos intercostais, peridural (caudal ou não) e do plexo braquial, NÃO podendo ser utilizados em extremidades como dedos, punhos ou genitais 7 – COMPLICAÇÕES É possível que o paciente acabe sendo intoxicado, a depender da toxicidade e volume das drogas, assim como sua concentração no sangue. Dependerá da sua capacidade de alcançar o SNC, assim como podem estimular contrações, convulsões e até mesmo paralisia, assim como depressão miocárdica, hipoxia ou acidose. A adrenalina também pode levar a ações indesejáveis, aumento da pressão, taquicardia, palidez, sudorese, angústia e mal-estar, não podendo ser utilizado em pacientes com comorbidades hipertensivas e evitar em anestesia geral associada à anestésicos halogenados, pois desencadear arritmia, fibrilação e assistolia Essas reações tóxicas sistêmicas e locais são, em sua maioria, leves e tratáveis se descobertas rapidamente, evidenciando a necessidade de monitorizar adequadamente o paciente. ÉTICA EM CIRURGIA A ética em cirurgia leva em consideração a capacidade do profissional e a conduta ética a ser tomada, devendo haver sempre respeito com o paciente, com seu corpo e sua autonomia (no caso das diretivas antecipadas de vontade). Quando o médico sabe que há possibilidade de dar errado e não tem suporte para ampará-lo, com risco-benefício que não compense, é totalmente antiético expor o paciente ao risco. É claro que, nesses casos, dependerá do local, da situação, do paciente e o quão perto de um centro de atendimento que conseguiria ampará-lo vocês estão. Deve sempre levar em consideração os aspectos do atendimento para compreender os riscos e os benefícios de intervir. Não seguir adequadamente, levaria à processos éticos por infração ao código de ética médica, além do aumento da descrença da própria população nos profissionais, levando à maiores chances de resultados negativos, mesmo que o paciente mereça respeito independentemente disso. A assistência médica deve ser no mínimo decente e isso é óbvio, respeitar a dignidade, os direitos do paciente como ser humano e ter o mínimo de compaixão com sua situação é literalmente o MÍNIMO. Não se pode ignorar os princípios da autonomia, justiça, beneficência e não maleficência (não vou escrever sobre cada, já vimos isso) Deve-se essencialmente respeitar a privacidade, autonomia e consentimento informado da pessoa. As cirurgias só devem ser indicadas quando for REALMENTE necessário, em último caso, levando em consideração a situação individualmente. 1 - CONSENTIMENTO Deve haver, excluso casos de emergência, permissão garantida pelo paciente ao cirurgião, assim como sua internação, por meio de documento comprobatório de sua vontade. Devem ser explicadas todas as possíveis complicações da cirurgia, tudo o que estará (e o que não estará) ao alcance do cirurgião 2 – CONSIDERAÇÃO DO CASO Deverá ser feito um diagnóstico acurado, com o melhor tratamento, dentro do possível e, apenas se for realmente necessária a cirurgia, indicá-la. Ainda, os valores do paciente deverão ser levados em consideração e respeitados, devendo informar os riscos independentemente. 3 – ACGME Existe o Conselho de Certificação para Educação Médica Graduada, que prevê habilidades, comportamentos e avaliação dos estudantes em residência ou formação, visando manter as interações pessoais respeitosas e respeito dos princípios éticos desde o início. 4 – DECLARAÇÃO SOBRE PRINCÍPIOS PARA ORIENTAÇÃO DA ASSISTÊNCIA TERMINAL Mesmo nos momentos finais, a dignidade do paciente e de sua família deve ser respeitada, respeitando seus desejos e assegurando alívio da dor e melhora da qualidade de vida, dentro do possível, para dar o melhor em seu fim de vida. Deve haver acesso a terapias que realmente vão ajudar de alguma forma o paciente, mesmo que a cura não seja possível, devendo sempre ser respeitado seu desejo e possibilidade de recusa. 5 – COMITÊS DE ÉTICA Há um comitê responsável por verificar os aspectos éticos de pesquisas e publicações científicas, tanto em animais quanto em humanos. O Conselho Nacional de Saúde (CNS) é responsável por pautar o controle de aspectos éticos e sociais, pela Comissão Nacional de ética em Pesquisa, que “ampara” os conselhos com suas resoluções. São englobados aspectos relacionados à reprodução genética humana, intervenções em populações indígenas, projetos que envolvam manejo de material biológico humano, regulamentação, credenciamento e até se houver necessidade de cooperação estrangeira. Ainda, são responsáveis por regulamentar e credenciar os CEPs (comitês de ética em pesquisa), que irão avaliar as pesquisas em todas suas etapas de estudo, educando, fiscalizando e garantindo a manutenção dos direitos humanos.