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A constituição óssea refere-se à 
composição estrutural e funcional do osso, 
que é um tecido vivo, dinâmico e 
altamente especializado. Ela resulta da 
combinação de uma matriz orgânica, 
que confere flexibilidade e resistência à 
tração, e uma matriz inorgânica, que 
proporciona rigidez e resistência à 
compressão. A seguir, explico com 
detalhes os principais componentes da 
constituição óssea: 
 
1. Matriz Orgânica 
• Colágeno Tipo I: 
• É a principal proteína orgânica do osso, 
representando cerca de 90% da fração 
proteica da matriz. 
• As fibras de colágeno são organizadas 
em uma rede tridimensional que confere 
ao osso elasticidade e resistência à tração. 
• A formação das fibras de colágeno 
envolve a síntese de procolágeno nos 
osteoblastos, que posteriormente sofre 
modificações (hidroxilação e formação de 
ligações cruzadas por ação da lisil oxidase) 
para formar o colágeno maduro. 
• Proteínas Não Colagênicas: 
 
 
 
 
• Osteocalcina: Uma proteína dependente 
de cálcio, que se liga à hidroxiapatita e 
está envolvida na regulação da 
mineralização óssea. 
• Osteopontina: Facilita a adesão celular e 
a comunicação entre as células ósseas e a 
matriz, participando do processo de 
remodelação. 
• Proteoglicanos e glicoproteínas (como a 
osteonectina e a sialoproteína óssea) que 
auxiliam na organização da matriz e na 
mineralização. 
 
Essas proteínas formam a matriz 
orgânica, que representa cerca de 30 a 
40% do peso seco do osso e fornece a 
estrutura base sobre a qual os minerais 
serão depositados. 
 
2. Matriz Inorgânica 
• Hidroxiapatita [Ca₁₀(PO₄)₆(OH)₂]: 
• Constitui a principal fração mineral do 
osso, representando aproximadamente 60 
a 70% do peso seco. 
SBPs(1e2)
• Os cristais de hidroxiapatita são 
depositados entre as fibras de colágeno e 
conferem ao osso sua rigidez e resistência 
à compressão. 
• A mineralização óssea depende da 
disponibilidade de cálcio, fósforo e de 
enzimas como a fosfatase alcalina, que 
promove a nucleação dos cristais. 
• Íons e Minerais: 
• Cálcio (Ca²⁺), fósforo (PO₄³⁻), magnésio 
(Mg²⁺) e flúor (F⁻), que podem substituir 
componentes na estrutura da 
hidroxiapatita, modulando as 
propriedades mecânicas do osso. 
 
A matriz inorgânica é fundamental para 
a função de suporte estrutural e também 
atua como reservatório de minerais, 
essenciais para diversas funções 
metabólicas. 
 
3. Células Ósseas 
 
A constituição óssea também depende das 
células presentes no tecido, que regulam 
tanto a formação quanto a reabsorção 
óssea: 
• Osteoblastos: 
• São células formadoras do osso, 
responsáveis pela síntese e deposição da 
matriz orgânica e pela promoção da 
mineralização. 
• Secretam colágeno tipo I, osteocalcina e 
outras proteínas da matriz óssea. 
• Quando ficam completamente cercados 
pela matriz que produzem, diferenciam-
se em osteócitos. 
• Osteócitos: 
• São osteoblastos maduros que ficam 
presos na matriz mineralizada, situados 
em lacunas chamadas lacunas 
osteocitárias. 
• Possuem prolongamentos 
citoplasmáticos que se estendem através 
de canalículos, permitindo a 
comunicação entre as células e a 
regulação do metabolismo ósseo, 
especialmente em resposta a estímulos 
mecânicos. 
• Osteoclastos: 
• São células multinucleadas derivadas da 
linhagem hematopoiética, responsáveis 
pela reabsorção óssea. 
• Liberam ácido clorídrico e enzimas 
lisossômicas (como catepsina K) para 
degradar a matriz óssea, liberando 
minerais na corrente sanguínea. 
 
4. Organização Estrutural do Osso 
 
·
e
O osso pode ser classificado em dois tipos 
principais com base em sua estrutura: 
• Osso Compacto (ou Denso): 
• Forma a camada externa dos ossos 
longos e de outras estruturas, 
caracterizado por uma organização em 
osteons (ou sistemas de Havers). 
• Cada osteon consiste em camadas 
concêntricas de matriz óssea e fibras de 
colágeno dispostas em torno de um canal 
central que contém vasos sanguíneos e 
nervos. 
• Osso Esponjoso (ou Trabecular): 
• Localizado no interior dos ossos, possui 
uma rede tridimensional de trabéculas, 
que são pequenas barras ósseas que 
formam uma estrutura leve, mas 
resistente à compressão. 
• Os espaços entre as trabéculas são 
preenchidos por medula óssea, que pode 
ser vermelha (hematopoiética) ou 
amarela (adiposa). 
 
A histologia 
1. Componentes Celulares dos Ossos 
 
O osso é composto por várias células 
especializadas que desempenham papéis 
fundamentais na sua formação, 
manutenção e remodelação. As principais 
células ósseas incluem: 
 
1.1 Osteoblastos 
• São as células responsáveis pela produção 
e secreção da matriz óssea. 
• Localizam-se na superfície óssea, na 
camada chamada de osso em formação. 
• Possuem um formato cuboidal a coluna, 
com um grande núcleo e uma alta 
quantidade de retículo endoplasmático 
rugoso e complexos de Golgi, necessários 
para a síntese de proteínas da matriz 
óssea, como colágeno tipo I e 
proteoglicanos. 
• Uma das principais funções dos 
osteoblastos é a mineralização do osso, 
onde secretam fosfatase alcalina, que 
ativa a mineralização com cristais de 
hidroxiapatita (composto de cálcio e 
fósforo). 
• Quando os osteoblastos ficam 
completamente cercados pela matriz 
óssea, se tornam osteócitos. 
1.2 Osteócitos 
• São as células maduras do osso, 
formadas a partir dos osteoblastos que 
ficaram enterrados na matriz óssea. 
• Os osteócitos possuem longos 
prolongamentos citoplasmáticos que se 
estendem por canais chamados canais de 
canalículos, permitindo a comunicação 
entre as células ósseas. 
• Eles são responsáveis pela manutenção 
da matriz óssea, monitorando e 
regulando a homeostase do osso, incluindo 
a resposta a estímulos mecânicos (como o 
estresse e a deformação). 
• Embora sejam células maduras, os 
osteócitos podem reverter a um estado 
mais ativo de osteoblastos se necessário, 
por exemplo, durante a remodelação 
óssea. 
1.3 Osteoclastos 
• São células multinucleadas responsáveis 
pela reabsorção óssea. 
• Localizam-se em pequenas depressões 
na matriz óssea chamadas lacunas de 
Howship. 
• Possuem uma grande quantidade de 
lisossomos e enzimas proteolíticas (como 
a catepsina K e ácido clorídrico), que 
degradam a matriz óssea, liberando 
cálcio e fósforo para a corrente sanguínea. 
• A atividade dos osteoclastos é 
fundamental para a remodelação óssea, 
pois permite a renovação da estrutura 
óssea e a regulação dos níveis de cálcio no 
corpo. 
1.4 Células do Periósteo e Endósteo 
• O periósteo é uma camada de tecido 
conjuntivo que reveste a superfície externa 
dos ossos, exceto nas superfícies 
articulares. Ele contém osteoblastos e 
osteoclastos que são essenciais para a 
crescimento e reparação óssea. 
• O endósteo é uma camada delgada de 
tecido conjuntivo que reveste a cavidade 
interna dos ossos e também contém 
células osteoprogenitoras, que podem se 
diferenciar em osteoblastos. 
 
2. Matriz Extracelular do Osso 
 
A matriz óssea é composta por duas partes 
principais: a matriz orgânica e a matriz 
inorgânica. 
 
2.1 Matriz Orgânica 
• A matriz orgânica é composta 
principalmente por colágeno tipo I, que 
confere flexibilidade e resistência à tração. 
• Ela também contém proteoglicanos e 
glicoproteínas como osteocalcina, 
osteopontina e sialoproteínas ósseas. Estas 
substâncias ajudam na ligação dos 
osteoblastos à matriz e no processo de 
mineralização. 
• Além disso, a matriz orgânica é 
responsável pela formação de um 
esqueleto flexível, proporcionando 
resistência sem quebrar facilmente. 
 
2.2 Matriz Inorgânica 
• A matriz inorgânica é composta 
principalmente por cristais de 
hidroxiapatita, uma forma de fosfato de 
cálcio (Ca₁₀(PO₄)₆(OH)₂). 
• A mineralização óssea é um processo no 
qual esses cristais de hidroxiapatita se 
depositam entre as fibras de colágeno, 
conferindo ao osso sua rigidez e dureza. 
• Os cristais de hidroxiapatita são 
altamente resistentes à compressão, 
permitindo que os ossos suportem grandes 
cargas sem colapsar.3. Tipos de Osso 
 
O osso é classificado com base em sua 
organização estrutural em dois tipos 
principais: 
 
3.1 Osso Compacto (ou Denso) 
• É a forma de osso mais densa e externa, 
formada por osteons (ou sistemas de 
Havers), que são unidades estruturais 
organizadas de maneira concêntrica ao 
redor de um canal central. 
• O osso compacto tem uma organização 
muito organizada, com as células ósseas 
dispostas em camadas concêntricas e as 
fibras de colágeno alinhadas 
paralelamente, o que permite uma 
maior resistência à compressão e à torção. 
• A função do osso compacto é proporcionar 
sustentação e proteção ao corpo, como nas 
cavidades cranianas e nas extremidades 
dos ossos longos. 
 
3.2 Osso Esponjoso (ou Trabecular) 
• O osso esponjoso possui uma estrutural 
menos densa, composta por uma rede 
tridimensional de finas trabéculas 
ósseas, com espaços preenchidos por 
medula óssea. 
• A trabeculação permite que o osso 
esponjoso seja leve, mas ao mesmo tempo 
capaz de suportar compressões. As 
trabéculas são organizadas de acordo com 
as forças a que o osso está submetido. 
• Esse tipo de osso é encontrado nas 
extremidades dos ossos longos, nas 
vértebras e dentro de ossos curtos, como o 
esterno e as costelas.
 
4. Desenvolvimento e Remodelação Óssea 
 
O osso está em um processo constante de 
formação e reabsorção. Esse processo de 
remodelação óssea é regulado pela ação 
combinada de osteoblastos e osteoclastos e 
é fundamental para a adaptação óssea a 
mudanças nas cargas e nas condições do 
ambiente. 
• Formação óssea: O osso novo é produzido 
pelos osteoblastos, que secretam a matriz 
óssea. Após a produção, a matriz se 
mineraliza. 
• Reabsorção óssea: A ação dos osteoclastos 
promove a reabsorção óssea, removendo 
partes antigas da matriz mineralizada. 
• Equilíbrio entre formação e reabsorção: A 
quantidade de osso formado e reabsorvido 
ao longo do tempo deve ser equilibrada, o 
que é fundamental para a manutenção 
da massa óssea e a prevenção de doenças 
como a osteoporose. 
 
5. Vascularização e Inervação 
• O osso possui uma rica vascularização, 
essencial para a nutrição das células 
ósseas, especialmente os osteócitos, que 
estão distantes dos vasos sanguíneos. 
• O osso é também inervado, com nervos 
que permitem a percepção de dor e controle 
das funções do osso, como no caso de 
fraturas. 
Regeneração Óssea: Processo e 
Regulação 
 
A regeneração óssea é um processo 
biológico complexo que envolve a ativação 
coordenada de células ósseas, matriz 
extracelular e fatores de crescimento. Esse 
processo é essencial para a cicatrização de 
fraturas, adaptação biomecânica e 
homeostase do esqueleto. A regeneração 
ocorre em várias fases e é regulada por 
interações celulares e bioquímicas 
específicas. 
 
1. Fases da Regeneração Óssea 
 
A regeneração óssea ocorre em quatro 
fases principais: 
1. Fase inflamatória (Hemostasia e 
inflamação inicial) 
2. Fase de formação do calo mole (Reparo 
inicial) 
3. Fase de formação do calo duro 
(Mineralização) 
4. Fase de remodelação óssea 
(Substituição do tecido imaturo pelo osso 
lamelar) 
 
1.1. Fase Inflamatória (0 a 5 dias após a 
lesão) 
 
Eventos celulares e bioquímicos: 
• Ocorre ruptura vascular, levando à 
formação de um hematoma no local da 
fratura. 
• Plaquetas liberam fatores de crescimento 
como PDGF (fator de crescimento derivado 
de plaquetas) e TGF-β (fator de 
transformação do crescimento beta), 
ativando células inflamatórias. 
• Macrófagos e neutrófilos infiltram o 
local, removendo detritos celulares e 
liberando citocinas pró-inflamatórias, 
como TNF-α, IL-1 e IL-6. 
• Células-tronco mesenquimais (MSCs) 
são recrutadas da medula óssea e do 
periósteo, iniciando a diferenciação 
celular. 
 
1.2. Formação do Calo Mole (5 a 10 dias 
após a lesão) 
 
Eventos celulares e bioquímicos: 
• Condroblastos e fibroblastos 
diferenciam-se a partir das MSCs, 
formando um tecido cartilaginoso e 
fibrovascular (calo mole). 
• O calo mole estabiliza a fratura e serve 
de molde para a mineralização óssea. 
• Fatores de crescimento ósseo (BMPs - 
proteínas morfogenéticas ósseas) 
estimulam a diferenciação osteogênica. 
• Hipóxia no local da fratura favorece a 
formação de cartilagem hialina por 
condrogênese. 
 
1.3. Formação do Calo Ósseo Duro (10 a 21 
dias após a lesão) 
 
Eventos celulares e bioquímicos: 
• O tecido cartilaginoso sofre ossificação 
endocondral, sendo substituído por osso 
imaturo (osso trabecular ou tecido ósseo 
primário). 
• Osteoblastos começam a secretar 
colágeno tipo I e promovem a deposição de 
hidroxiapatita. 
• A vascularização se expande, 
aumentando o aporte de cálcio e fosfato 
para a mineralização óssea. 
 
1.4. Remodelação Óssea (Semanas a 
meses após a fratura) 
 
Eventos celulares e bioquímicos: 
• O osso imaturo (trabecular) é 
gradualmente substituído por osso 
lamelar através do equilíbrio entre 
osteoclastos e osteoblastos. 
• Osteoclastos removem o tecido ósseo 
desorganizado. 
• Osteoblastos depositam colágeno tipo I e 
promovem a organização das trabéculas 
ósseas. 
• O osso recupera sua resistência mecânica 
original. 
 
2. Regulação Celular e Bioquímica 
 
A regeneração óssea é regulada por 
interações entre hormônios, citocinas, 
fatores de crescimento e células ósseas. 
 
2.1. Células envolvidas 
• Osteoblastos: formam a matriz óssea e 
regulam a mineralização. 
• Osteoclastos: degradam o osso velho e 
remodelam o tecido. 
• Células-tronco mesenquimais (MSCs): 
diferenciam-se em osteoblastos e 
condroblastos. 
• Condroblastos: formam a cartilagem 
temporária durante o reparo. 
• Macrófagos: modulam a inflamação e 
liberam fatores de crescimento. 
 
2.2. Fatores de Crescimento e Citocinas 
Fator de 
Crescimento 
Função 
BMPs (Bone 
Morphogenetic 
Proteins) 
Diferenciação de 
osteoblastos e 
condroblastos 
TGF-β 
(Transforming 
Growth Factor-β) 
Estimula a 
proliferação celular 
e formação do calo 
VEGF (Vascular 
Endothelial Growth 
Factor) 
Estimula a 
angiogênese no 
local da fratura 
FGF (Fibroblast 
Growth Factor) 
Estimula a 
proliferação de 
células-tronco 
mesenquimais 
PDGF (Platelet-
Derived Growth 
Factor) 
Quimiotaxia de 
células-tronco para 
o local da lesão 
Além disso, citocinas inflamatórias como 
IL-1, IL-6 e TNF-α regulam a resposta 
inflamatória inicial. 
 
2.3. Regulação Hormonal 
 
Os hormônios desempenham um papel 
fundamental na regeneração óssea: 
quadro
• Paratormônio (PTH): estimula a 
reabsorção óssea para aumentar a 
disponibilidade de cálcio. 
• Calcitriol (Vitamina D ativa): promove a 
absorção de cálcio e estimula 
 
 
1. Remodelamento Ósseo 
 
Remodelação Óssea: Processo e Regulação 
 
A remodelação óssea é um processo 
contínuo de renovação do tecido ósseo que 
envolve a remoção do osso antigo e a 
substituição por osso novo. Esse processo 
ocorre ao longo da vida e é essencial para a 
manutenção da integridade esquelética, 
resistência óssea e adaptação 
biomecânica. 
 
A remodelação óssea ocorre em ciclo 
contínuo, regulado por uma interação 
coordenada entre osteoclastos (células de 
reabsorção óssea) e osteoblastos (células 
formadoras de osso). 
 
1. Fases do Processo de Remodelação Óssea 
 
O ciclo de remodelação óssea pode ser 
dividido em quatro fases principais: 
1. Ativação 
2. Reabsorção 
3. Reversão 
4. Formação e Mineralização 
 
Cada fase é regulada por fatores celulares, 
bioquímicos e hormonais que garantem o 
equilíbrio entre destruição e formação 
óssea. 
 
1.1. Fase de Ativação 
 
A remodelação óssea é iniciada pela 
ativação de osteoclastos, as células 
responsáveis pela reabsorção óssea. 
 
Principais eventos celulares e bioquímicos: 
• Sinalização mecânica ou hormonal 
desencadeia a remodelação (ex.: 
microfraturas ósseas, ação do PTH, 
citocinas inflamatórias). 
• Osteócitos detectam mudanças no 
microambiente ósseo e enviam sinais 
químicos para ativar os pré-osteoclastos. 
• Células do estromada medula óssea e 
osteoblastos liberam RANKL (ligante do 
receptor ativador do fator nuclear kappa 
B). 
• RANKL se liga ao receptor RANK nos pré-
osteoclastos, promovendo sua maturação 
em osteoclastos ativos. 
 
1.2. Fase de Reabsorção Óssea (2 a 4 
semanas) 
 
Os osteoclastos degradam a matriz óssea 
mineralizada e removem o osso antigo. 
 
Principais eventos celulares e bioquímicos: 
• Os osteoclastos se aderem à superfície 
óssea e formam a borda em escova, 
criando uma lacuna de Howship. 
• Eles liberam enzimas lisossômicas e 
ácido clorídrico (HCl) para dissolver a 
hidroxiapatita. 
• A enzima catepsina K degrada as 
proteínas da matriz óssea, como o 
colágeno tipo I. 
• O osso reabsorvido libera fatores de 
crescimento armazenados (TGF-β, IGF-
1), que ativam a fase de reversão. 
 
Ao final dessa fase, os osteoclastos sofrem 
apoptose, preparando o local para a 
formação do osso novo. 
 
1.3. Fase de Reversão (1 a 2 semanas) 
 
Esta fase faz a transição entre a 
reabsorção óssea e a formação óssea, 
preparando o microambiente para a ação 
dos osteoblastos. 
 
Principais eventos celulares e bioquímicos: 
• Monócitos/macrófagos limpam a área 
reabsorvida, removendo restos celulares e 
proteínas degradadas. 
• Células-tronco mesenquimais (MSCs) 
são recrutadas para o local e iniciam sua 
diferenciação em pré-osteoblastos. 
• A proteína osteoprotegerina (OPG) 
bloqueia a ação do RANKL, inibindo a 
reabsorção excessiva pelos osteoclastos. 
 
Essa fase é crucial para garantir a 
formação óssea eficiente e controlada. 
 
1.4. Fase de Formação e Mineralização (4 
a 6 meses) 
 
Os osteoblastos começam a sintetizar e 
depositar nova matriz óssea (osteóide), 
que posteriormente será mineralizada. 
-
-
 
Principais eventos celulares e bioquímicos: 
• Osteoblastos secretam colágeno tipo I e 
proteínas da matriz óssea, como 
osteocalcina e sialoproteína óssea. 
• A matriz inicialmente depositada 
(osteóide) é não mineralizada e serve de 
estrutura para o osso novo. 
• Após algumas semanas, ocorre a 
mineralização primária, com deposição 
de cálcio e fosfato na forma de cristais de 
hidroxiapatita. 
• A mineralização é regulada por fosfatase 
alcalina, que promove a nucleação dos 
crist 
 
1.2 Fatores Regulatórios do 
Remodelamento 
 
O remodelamento ósseo é controlado por 
uma série de fatores endógenos e 
ambientais, como: 
• Hormônios: A ação de hormônios como 
paratormônio (PTH), calcitonina, 
hormônios sexuais (estrógenos e 
testosterona) e vitamina D influencia 
diretamente a atividade dos osteoclastos e 
osteoblastos. 
• Fatores de Crescimento: Fatores como o 
fator de crescimento semelhante à 
insulina (IGF), fatores de crescimento 
transformantes (TGF), fatores de 
crescimento plaquetários (PDGF) e fatores 
de crescimento derivado de fibroblastos 
(FGF) regulam a diferenciação e a 
atividade celular nos ossos. 
• Cargas mecânicas: O estímulo mecânico 
proporcionado pela atividade física é um 
dos principais reguladores do 
remodelamento ósseo. O exercício e o 
estresse mecânico promovem a formação 
óssea, enquanto a falta de atividade leva 
à reabsorção óssea. 
• Nutrição: A presença adequada de 
nutrientes como cálcio, fósforo e vitamina 
D é essencial para o bom funcionamento 
do remodelamento ósseo. 
 
2. Ritmo de Crescimento Ósseo 
 
O ritmo de crescimento ósseo ocorre 
principalmente durante a infância e 
adolescência, quando o esqueleto cresce 
em comprimento e largura. Esse processo 
é mediado principalmente pelas 
cartilagens de crescimento (físeis), que 
são áreas de cartilagem hialina situadas 
nas extremidades dos ossos longos. 
 
2.1 Crescimento Ósseo em Comprimento 
• O crescimento em comprimento ocorre 
nas cartilagens epifisárias, que estão 
localizadas entre a epífise e a diáfise dos 
ossos longos. 
• Durante o crescimento, as células da 
cartilagem se dividem e se multiplicam, 
formando novas camadas de cartilagem, 
que são posteriormente substituídas por 
osso. 
• As zonas de cartilagem epifisária 
consistem em várias camadas, incluindo: 
• Zona de cartilagem reserva: Contém 
células cartilaginosas em repouso. 
• Zona de proliferação: As células 
cartilaginosas se dividem rapidamente, 
formando pilhas de células. 
• Zona de hipertrofia: As células 
cartilaginosas aumentam de tamanho e 
se tornam mais vacuoladas. 
• Zona de calcificação: As células 
cartilaginosas começam a morrer, e a 
cartilagem se calcifica. 
• Zona de ossificação: A cartilagem 
calcificada é substituída por osso, feito 
pelos osteoblastos. 
 
Esse processo ocorre até que as cartilagens 
epifisárias sejam completamente 
substituídas por osso, resultando no 
fechamento da placa de crescimento e na 
cessação do crescimento em comprimento. 
Este fechamento ocorre em idades 
diferentes, dependendo do sexo e do 
indivíduo, mas geralmente entre os 18 e 
25 anos. 
 
2.2 Crescimento Ósseo em Largura 
• O crescimento em largura ocorre na 
superfície externa do osso, onde os 
osteoblastos no periósteo depositam nova 
matriz óssea, aumentando a espessura 
do osso. 
• Ao mesmo tempo, os osteoclastos na 
superfície interna (endósteo) reabsorvem 
o osso, aumentando a cavidade medular, 
o que permite que o osso se torne mais 
leve, mas com mais suporte estrutural. 
 
3. Fatores Influenciando o Crescimento 
Ósseo 
 
Vários fatores podem influenciar o 
crescimento ósseo e o remodelamento, 
incluindo: 
• Genética: A genética determina o 
potencial de crescimento ósseo e a altura 
final de uma pessoa. 
• Hormônios: O hormônio do crescimento 
(GH), os hormônios sexuais (como 
estrogênio e testosterona) e a tiroxina 
influenciam diretamente o crescimento 
ósseo. 
• Nutrição: A ingestão adequada de cálcio, 
fósforo, vitamina D e proteínas é crucial 
para o desenvolvimento ósseo saudável. 
• Exercício físico: A atividade física, 
especialmente a que envolve impacto, 
pode estimular o crescimento ósseo e 
fortalecer a densidade óssea. 
 
4. Conclusão 
 
O remodelamento ósseo é um processo 
contínuo de reabsorção e formação de 
osso, fundamental para manter a 
integridade esquelética, responder às 
forças mecânicas e regular os níveis de 
cálcio no organismo. O crescimento ósseo, 
por outro lado, ocorre principalmente 
durante a infância e adolescência, sendo 
responsável pela formação de ossos longos 
e pela expansão da espessura óssea. 
Ambos os processos são regulados por uma 
combinação de fatores hormonais, 
mecânicos e nutricionais, garantindo a 
adaptação contínua e a renovação da 
estrutura óssea ao longo da vida. 
regulação bioquímica 
A regulação bioquímica do osso é um 
processo altamente complexo que envolve 
várias moléculas, hormônios e células 
responsáveis pela formação e reabsorção 
óssea. O osso é um tecido dinâmico, cuja 
homeostase depende de um delicado 
equilíbrio entre osteoblastos (células 
formadoras de osso) e osteoclastos 
(células responsáveis pela reabsorção 
óssea). Esse equilíbrio é regulado por 
fatores bioquímicos que controlam tanto a 
mineralização óssea quanto a reabsorção 
óssea. 
 
1. Principais Reguladores Hormonais do 
Osso 
 
Vários hormônios e fatores de crescimento 
desempenham papéis cruciais na 
regulação do metabolismo ósseo: 
 
1.1 Paratormônio (PTH) 
• O PTH, secretado pelas glândulas 
paratireoides, é um dos principais 
reguladores do cálcio sanguíneo e tem um 
impacto direto no osso. 
• Quando os níveis de cálcio no sangue 
diminuem, o PTH é secretado, 
promovendo a ativação dos osteoclastos e 
aumentando a reabsorção óssea para 
liberar cálcio dos ossos para o sangue. 
• Além disso, o PTH estimula a conversão 
de vitamina D em sua forma ativa 
(calcitriol), o que aumenta a absorção de 
cálcio nos intestinos. 
• Ação dos osteoblastos: O PTH também 
pode atuar indiretamente nos 
osteoblastos, estimulando a produção de 
RANKL (ligante do receptor ativador do 
fator nuclear kappa B), que promove a 
diferenciação de osteoclastos. 
 
1.2 Calcitonina 
• A calcitonina, secretada pela glândulatireoide, tem a função oposta ao PTH. Ela 
diminui a concentração de cálcio no 
sangue ao inibir a atividade dos 
osteoclastos, resultando na diminuição 
da reabsorção óssea. 
• A calcitonina também favorece a 
formação óssea e pode ser útil em 
algumas condições clínicas, como a 
hipercalcemia e a osteoporose. 
 
1.3 Vitamina D (Calcitriol) 
• A vitamina D é crucial para a absorção 
de cálcio e fósforo nos intestinos. Ela é 
convertida no fígado em calcidiol, e, nos 
rins, se transforma em sua forma ativa, 
o calcitriol. 
• O calcitriol aumenta a reabsorção de 
cálcio e fósforo nos túbulos renais e facilita 
a mineralização óssea, estimulando a 
atividade dos osteoblastos e a deposição de 
cálcio na matriz óssea. 
 
1.4 Hormônios Sexuais: Estrogênios e 
Testosterona 
• Os estrogênios (no sexo feminino) e a 
testosterona (no sexo masculino) têm 
efeitos significativos na manutenção da 
densidade óssea. Esses hormônios ajudam 
a regular o equilíbrio entre a formação 
óssea (osteoblastos) e a reabsorção óssea 
(osteoclastos). 
• No feminino, a diminuição dos 
estrogênios após a menopausa leva a um 
aumento na atividade dos osteoclastos e 
uma redução na atividade dos 
osteoblastos, resultando em perda óssea 
(osteoporose). 
• A testosterona no sexo masculino 
também ajuda a manter a massa óssea, 
promovendo a formação óssea e inibindo a 
reabsorção óssea. 
 
1.5 Fatores de Crescimento 
• Fatores de Crescimento Transformante 
Beta (TGF-β): Estes fatores ajudam a 
regular a diferenciação de osteoblastos e 
osteoclastos, estimulando a formação de 
osso novo e também promovendo a 
migração de osteoblastos para a área de 
fraturas. 
• Insulin-like Growth Factor (IGF): O IGF 
estimula a diferenciação dos osteoblastos e 
promove a formação de matriz óssea, 
aumentando a produção de colágeno tipo I. 
• Fator de Crescimento Derivado de 
Plaquetas (PDGF): PDGF é um potente 
fator de crescimento que estimula a 
regeneração óssea ao promover a migração 
de osteoblastos e outras células para a 
área de fraturas. 
 
2. Regulação Bioquímica Local: 
Sinalização Celular e Receptores 
 
O equilíbrio entre osteoblastos e 
osteoclastos é regulado por sinais locais 
que controlam a diferenciação e a 
atividade dessas células. Algumas dessas 
vias bioquímicas incluem: 
 
2.1 RANK/RANKL/OPG 
• O sistema RANK/RANKL/OPG é crucial na 
regulação da atividade dos osteoclastos: 
• RANKL (ligante do receptor ativador do 
fator nuclear kappa B) é uma proteína 
expressa pelos osteoblastos e que se liga ao 
RANK (receptor na superfície dos 
osteoclastos precursoras). Isso estimula a 
diferenciação e a ativação dos osteoclastos. 
• OPG (osteoprotegerina) é uma proteína 
secretada pelos osteoblastos que age como 
um “inibidor” de RANKL, ligando-se a ele 
e impedindo a sua interação com o RANK, 
inibindo assim a ativação dos osteoclastos 
e a reabsorção óssea. 
 
2.2 Wnt/β-catenina 
• A via de sinalização Wnt/β-catenina 
também é importante para a formação 
óssea. Quando a proteína Wnt se liga aos 
receptores da célula, ativa a via de 
sinalização β-catenina, que promove a 
diferenciação dos osteoblastos e aumenta 
a produção de matriz óssea. 
• A falta de ativação dessa via pode 
contribuir para a diminuição da 
densidade óssea e o aumento da 
fragilidade óssea. 
 
2.3 Fosfatase Alcalina Óssea (ALP) 
• A fosfatase alcalina óssea (ALP) é uma 
enzima produzida principalmente pelos 
osteoblastos durante a formação óssea. Ela 
desempenha um papel fundamental na 
mineralização óssea ao hidrolisar 
fosfatos, aumentando a disponibilidade 
de fosfato para a formação de cristais de 
hidroxiapatita, a principal forma 
mineral do osso. 
• A atividade da ALP é um marcador 
importante de atividade osteoblástica e é 
utilizada em testes laboratoriais para 
monitorar condições relacionadas ao 
metabolismo ósseo. 
 
3. Regulação Bioquímica do Equilíbrio 
Cálcio-Fósforo 
 
A regulação do cálcio e do fósforo no 
sangue é essencial para a saúde óssea. 
Além dos hormônios mencionados acima, 
a interação entre os rins, o sistema 
esquelético e o intestino controla a 
homeostase desses minerais. A excreção 
renal de cálcio e fósforo e a absorção 
intestinal desses minerais são 
influenciadas principalmente pela 
vitamina D e pelo PTH. 
 
4. Conclusão 
 
A regulação bioquímica do osso envolve um 
complexo conjunto de hormônios, 
proteínas e vias de sinalização celular que 
trabalham juntas para equilibrar a 
formação e reabsorção óssea. Os 
osteoblastos, responsáveis pela formação 
óssea, e os osteoclastos, responsáveis pela 
reabsorção óssea, são regulados por fatores 
endógenos (hormônios) e exógenos (carga 
mecânica, dieta e fatores de 
crescimento). A integridade do esqueleto 
depende desse equilíbrio dinâmico, que 
permite a adaptação óssea, manutenção 
da estrutura e da função óssea e regulação 
dos níveis de cálcio e fósforo no organismo.

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