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Prévia do material em texto

Prof. Dr. Milton Junior
UNIDADE I
Língua e Cultura Latinas
 Não se sabe ao certo quando surgiram os primeiros vocábulos em latim; costumeiramente, 
diz-se que no ano 753 a.C. Roma foi fundada. Contudo, assim como uma cidade, uma língua 
não se solidifica rapidamente.
 O latim, bem como boa parte dos idiomas falados na Europa e na Ásia, é vinculado ao indo-
europeu, idioma hipotético que evoluiu por meio de sucessivas trocas, dando origem a um 
grande número de troncos linguísticos.
Surgimento e ascensão do latim
ATLANTIC
SEA
EUROPE
BALKANS
AFRICA ARABIA
ANATOLIA
IRAN
INDIA
UKRAINE CENTRAL
ASIA
SIBERIA
Fonte: https://i.pinimg.com/736x/4e/da/b4/4edab40ec00cef3a8a7db12825791e65.jpg
 Em Eneida, Virgílio conta que os latinos foram surpreendidos pela chegada de uma tropa, 
guiada pelo herói Eneias, que adentrou às terras latinas. Eram os troianos que fugiram da 
lendária cidade de Troia, que foi destruída pelos gregos. 
 Os latinos, apesar de alguns contratempos, admiraram a força e a história dos guerreiros 
troianos, acolhendo-os e oferecendo-lhes mais do que terras, mas a própria filha do rei, 
Lavínia, para ser esposa do líder Eneias.
“Latinus” unificou muitas tribos I
 O casamento entre Eneias e Lavínia é o símbolo da fusão entre os povos latino e troiano. É 
desta união que surge a prole fundadora da lendária cidade de Alba Longa e, por fim, da 
cidade de Roma, por volta de 753 a.C., tendo Romulus como o primeiro rei da histórica 
cidade romana.
 Desde o período anterior à chegada dos troianos até após a fundação de Roma, a língua 
permanecente foi o que conhecemos por Prisca Latinitas, “latim primitivo ou antigo”. 
“Latinus” unificou muitas tribos II
Segundo a classificação de Isidóro de Sevilha, o latim pode ser dividido em quatro 
classes – Latinas autem linguas quattuor esse quidam dixerunt:
 Prisca – Latim do período dos primeiros reis do Lácio (Juno e Saturno) ao período das 
Carmen Saliare (hinos sacerdotais).
 Latina – Período em que a região do Latium estruturava-se a partir da Lei das Doze Tábuas, 
“Lex Duodecim Tabularum” (base do direito romano).
 Romana – Período do latim clássico.
 Mixta – Uma “mistura entre latim clássico e latim vulgar”.
“Latinus” unificou muitas tribos III
 O latim, como língua falada, tem sua 
origem na Península Itálica, 
possivelmente, por volta do primeiro 
milênio antes de Cristo. Segundo 
Hauy (2008, p. 24), “era a língua de 
um povo de costumes simples e rudes 
que habitava o Lácio, região da 
Itália Central”.
Surgimento do latim
Fonte: Adaptado de: 
https://es.vexels.com/
vectores/vista-
previa/114125/mapa-
de-italia
 Os aspectos sintáticos dessa língua evidenciam semelhanças gramaticais com outros 
idiomas adjacentes, como 
o osco e o úmbrio, que, assim como o 
latim, são provenientes do tronco 
linguístico itálico. Outra evidência 
histórica importante é o fato de o latim 
ter suplantado essas línguas ainda na 
Antiguidade, graças à expansão de 
suas fronteiras, não só geográficas, 
mas também linguísticas.
Quantidade vocálica e acento tônico
Fonte: https://www.unonotizie.it/immagini/regione-lazio1.jpg
 Devido aos interesses militares 
e econômicos dos romanos, uma 
ampla faixa territorial foi tomada 
por eles, incluindo quase a 
totalidade do continente europeu 
e parte da Ásia e da África.
Romanização do mundo antigo
Fonte: 
https://cdn.civitatis.com/italia/roma/galeria/mapa-
imperio-romano.jpg
O Império Romano
 Essas regiões, que passavam a ser colonizadas, tinham, obviamente, seus habitantes e suas 
próprias línguas, porém, a forma de dominação implementada por Roma não era somente 
militar, mas, principalmente, cultural e linguística, o que acarretava o desaparecimento 
gradativo das línguas faladas nessas localidades, bem como as transformações do latim.
Romanização do mundo antigo
Durante sua evolução, o latim se desenvolveu em várias vertentes, tanto no que diz respeito a 
variantes escritas quanto a modalidades faladas. Como importantes exemplos dessas 
variedades, podemos citar:
 o latim arcaico ligado à tradição oral;
 o latim clássico (sermo urbanus), mais utilizado na escrita após contato com a civilização 
grega e mais avançada que os romanos no momento da dominação;
 o latim vulgar (sermo vulgaris), o baixo latim é a língua oral e popular;
 o latim eclesiástico, que passou a ser usado nos mosteiros, uma variação do clássico;
 o latim bárbaro, fruto das invasões e da interconexão com outros povos.
Vertentes ou variações do latim
 Também conhecido como latim primitivo ou antigo.
 Era a língua falada na região, aproximadamente no primeiro milênio antes de Cristo; mesmo 
sendo uma língua tradicionalmente oral, foram deixados alguns escritos.
 Estes escritos sobreviveram por meio do alfabeto etrusco, chegando até nosso 
conhecimento.
 Com o passar do tempo, como toda língua, sofre variação à 
medida que o Império expandia seus domínios.
Latim arcaico
 Também conhecido como sermo urbanus.
 Era a língua predominantemente utilizada na escrita, por isso foi considerada uma 
modalidade de língua utilizada nas camadas mais nobres e altas da aristocracia romana.
 Utilizada amplamente por artistas, oradores, poetas e políticos romanos.
 Por ser utilizada pela aristocracia, é a língua ou a vertente mais conhecida e preservada das 
alterações; pelo fato de ser grafada, há muitos registros para estudo.
Latim clássico
 Também conhecido por sermo vulgaris.
 Era a língua de uso cotidiano, oral e popular; como toda língua do dia a dia, sofreu muitas 
alterações, criou-se variações diversas – fonológicas, morfológicas e sintáticas, o que levou 
ao surgimento e à transformação de novas línguas.
 Era a língua levada pelas legiões romanas às terras conquistadas, impostas aos dominados 
para a comunicação com o colonizador. Isso propiciou a transformação linguística do sermo 
vulgaris e, com o passar do tempo, as transformações se tornaram profundas, o que levou 
ao surgimento de novas línguas.
Latim vulgar
 Após Cristo e a fundação da Igreja Católica Romana, o latim tornou-se a língua oficial da 
Igreja de Roma com duplo propósito: manter proximidade com o Império e sua nobreza etc. 
e torná-la a língua oficial por todo o seu território/domínio.
 Em muitas regiões dominadas, falavam-se outras línguas e poderia não haver algum idioma 
correspondente para os termos religiosos. Dessa maneira, a fixação do latim como língua 
oficial eclesiástica propiciou a difusão do latim, tanto que, já no terceiro século d.C., o latim 
passa a ser a língua mais utilizada e perdura por aproximadamente 10 séculos.
Latim eclesiástico
 Os romanos denominavam “bárbaros” os invasores estrangeiros.
 As invasões bárbaras ocorreram por volta do século IV d.C. pelos povos germânicos. 
 O termo bárbaro tem origem grega e diz respeito, de forma abrangente, a toda pessoa que 
não tinha, ou não queria, a capacidade de assimilar a língua e os costumes romanos.
 O contato com os bárbaros teve grande influência na formação étnica, política, econômica e 
linguística do mundo ocidental.
 Bárbaros eram germânicos, hunos, visigodos, suevos, 
vândalos, francos, entre outros.
Latim bárbaro
 O maior e mais longevo Império ocidental.
 Sob o domínio do Império Romano, viviam entre 50 e 60 milhões de habitantes. 
 Economicamente comercial, os povos conquistados ficavam sob o jugo (escravizados) de 
Roma.
 O controle se dava pela força e imposição da língua.
 Com o passar do tempo, houve divisões no Império, como 
também invasões bárbaras, o que levou a transformações 
étnicas, econômicas e linguísticas, dando origem a diversas 
línguas/povos do mundo ocidental.
Império Romano e a romanização
 Durante o processo de romanização, eram introduzidos elementos socioculturais 
desconhecidos pelos povos dominados: [...] o direito romano; a língua latina; a organização 
militar, civil e política;que eram assimilados conforme a estratégia de colonização aplicada a 
cada localidade, visando à manutenção e integridade do Império (Aréan-Garcia, 2009, 
p. 27).
 O sucesso dessas conquistas duradouras ocorreu graças à forma de administração romana 
das províncias anexadas, o que, inevitavelmente, envolvia uma questão linguística. 
Romanização I 
 O latim prevalecia por vastas regiões, todavia, foi sendo desmembrado em vários dialetos, 
até chegar o momento em que não era mais possível dizer que tais dialetos fossem o latim, 
ainda que muito próximos.
 Com o passar do tempo, os dialetos tornaram-se línguas nacionais, sendo estruturadas e se 
fortalecendo por meio da literatura que surgia. 
 Tais dialetos originaram línguas modernas: português, espanhol, basco, catalão, italiano, 
galego, romeno, francês, aranês, provençal.
 Algumas obras criadas: Os Lusíadas, Dom Quixote,Cronicões. 
Romanização II 
 Proveniente do indo-europeu, ramo itálico.
 População de Roma, no Lácio.
 Prevaleceu sobre o osco e o úmbrio (do mesmo ramo itálico), sobre o etrusco ao norte e 
sobre o grego ao sul da Península Itálica.
 Difusão no mundo antigo por meio das conquistas e do desenvolvimento do Império 
Romano.
 Outros grupos linguísticos do indo-europeu: indo-iraniano 
(sânscrito, persa, iraniano etc.), helênico (grego), céltico 
(gaulês), germânico (alemão, inglês, holandês, dinamarquês 
etc.), eslavo (russo, polonês, tcheco, búlgaro, macedônio etc.).
Generalidades sobre a língua latina
Assinale a alternativa correta no que diz respeito à pronúncia latina que mais utilizamos 
e usamos:
a) A pronúncia da Igreja.
b) A pronúncia da Igreja com influência do italiano.
c) A reconstituída da literatura clássica.
d) A reconstituída e adaptada.
e) A simplificada e adaptada.
Interatividade
Assinale a alternativa correta no que diz respeito à pronúncia latina que mais utilizamos 
e usamos:
a) A pronúncia da Igreja.
b) A pronúncia da Igreja com influência do italiano.
c) A reconstituída da literatura clássica.
d) A reconstituída e adaptada.
e) A simplificada e adaptada.
Resposta
 Pré-literária – desse período há algumas inscrições como testemunho.
 Arcaica (entre o séc. III a.C. e o início do séc. I a.C.) – inscrições tumulares, textos legais e 
literários de Névio, Plauto, Terêncio e Catão.
 Clássica (entre o início do Império Romano no século I a.C. e o início do século. I d.C.) –
alguns estudiosos consideram que essa é a “época de ouro” da língua latina, pois houve o 
nascimento de vários escritores, que, posteriormente, teriam uma influência muito 
grande sobre a literatura ocidental, como Catulo, Lucrécio, Cícero, César, Virgílio, Horácio, 
Tíbulo, Tito Lívio etc. 
Fases do latim
 O latim presente nas obras de Cícero e César é considerado modelo de correção e pureza.
 Pós-clássica (a partir da nossa era) – esse período também possui escritores muito 
importantes, como Sêneca, Lucano, Petrônio, Quintiliano, Tácito, Marcial, Juvenal, 
entre outros.
 Cristã (a partir do século III d.C.) – Santo Agostinho, São Jerônimo, entre outros.
Fases do latim
 No Período Clássico, havia 21 letras (A B C D E F G H I K L M N O P Q R S T V X).
 Não há v (vida) nem j (já). V tinha o valor fonêmico de /u/ e /w/.
 No séc. XVI, os dicionários adotaram v e j (letras ramistas).
 As letras y e z foram acrescentadas no final do séc. I a.C., para a transcrição das palavras 
gregas.
Pronúncia:
 da Igreja, do séc. V e VI da nossa era, com influência do 
italiano;
 simplificada e adaptada ao português;
 reconstituída, da literatura clássica latina.
Alfabeto e pronúncia
Quantidade vocálica do latim:
 vogal longa (dois tempos): ā, ē, ī, ō, ū; 
 vogal breve (um tempo): ă, ĕ, ĭ, ŏ, ŭ. 
Acento tônico: 
 no latim, não há oxítonas; 
 será paroxítona se a penúltima vogal for longa; 
 será proparoxítona se a penúltima vogal for breve.
Quantidade vocálica e acento tônico
 Não há artigo.
 A posição da palavra na frase não define sua função.
 Nomes flexionados (substantivo, pronome, adjetivo).
 Verbos flexionados (indicativo, subjuntivo, imperativo).
 Número (singular e plural).
 Gênero (masculino, feminino e neutro).
Características
 O latim é, segundo uma classificação estabelecida no século XIX, uma língua natural, flexiva 
e sintética.
 Natural porque se originou, se formou e evoluiu naturalmente em oposição a línguas 
artificiais, como o esperanto.
 Flexiva porque apresenta o fenômeno pelo qual boa parte de suas palavras mudam de forma 
(ou na raiz ou nas desinências), indicando, deste modo, alteração de significado e/ou de relação 
sintática entre as palavras ou partes do discurso. 
 Sintética porque exprime a função das palavras mediante 
tais flexões.
Caso e função sintática I
 O conceito de língua sintética opõe-se ao de língua analítica, como são as línguas 
neolatinas, porque nestas as flexões são poucas e limitadas, e as palavras têm de expressar 
seu significado e/ou relação com as outras palavras, servindo-se de outros recursos, como o 
da posição (bastante rígida) dentro da oração ou um uso mais abundante de construções 
perifrásticas (com verbos auxiliares, preposições etc.). 
Caso e função sintática II
 Na oração “Os romanos mataram os inimigos na luta”, temos, respectivamente, as seguintes 
funções sintáticas: sujeito + predicado + objeto direto + adjunto adverbial.
 Se alterássemos as posições destes sintagmas: “Os inimigos mataram os romanos na luta”, 
teríamos outra significação.
 Isso acontece porque as palavras em português não possuem uma flexão que indique sua 
função na oração.
 No português, os termos nominais variam em gênero e 
número e a posição dos sintagmas determinam sua função 
sintática.
Exemplo I
 Os romanos mataram os inimigos na luta. 
 Termos nominais: Os romanos; os inimigos; na luta.
 Sintagmas: Os romanos (SN); os inimigos (SN); na luta (Sprep).
 Funções sintáticas: sujeito; objeto direto; adjunto adverbial.
 Os inimigos mataram os romanos na luta.
 Termos nominais: Os inimigos; os romanos; na luta.
 Sintagmas: Os inimigos (SN); os romanos (SN); na luta (Sprep).
 Funções sintáticas: sujeito; objeto direto; adjunto adverbial.
Exemplo II
 Romāni necauērunt inimīcos pugnā
(sujeito + predicado + o.d. + adj. adv.), mas também:
 Romāni pugnā necauērunt inimīcos
(sujeito + adj. adv. + predicado + o.d.)
 Romāni inimīcos pugnā necauērunt
(sujeito + o.d. + adj. adv. + predicado) 
 Pugnā inimīcos Romāni necauērunt
(adj. adv. + o.d. + sujeito + predicado) 
 Inimīcos pugnā necauērunt Romāni
(o.d. + adj. adv. + predicado + sujeito) 
No latim I
 São as terminações nominais que expressam, além do gênero e do número, também as 
funções sintáticas, o que permite que a posição dos nomes na frase seja totalmente livre.
 Inimīcos pugnā necauērunt Romāni ou Necauērunt pugnā Romāni inimīcos
(o.d. + adj. adv. + predicado + sujeito) (predicado + adj. adv. + sujeito + o.d.)
 Inimīci necauērunt romānos pugnā
 Os inimigos mataram os romanos na luta.
 Compare e verifique o que foi alterado.
No latim II 
 São as terminações nominais que expressam, além do gênero e do número, também as 
funções sintáticas, o que permite que a posição dos nomes na frase seja totalmente livre.
Inimīci necauērunt romānos pugnā Romāni necauērunt inimīcos pugnā
Os inimigos mataram os romanos na luta. Os romanos mataram os inimigos na luta.
 Os substantivos, com igual valor para os adjetivos, ao serem flexionados, recebem uma 
marca que corresponde a uma função sintática.
No latim III
 Esta marca em latim é uma desinência que é acrescentada à raiz das palavras. Por exemplo: 
inimīcos é formado da raiz inimic + os como desinência própria de objeto direto, plural, 
masculino, de um determinado grupo de palavras.
 Os substantivos da língua latina, em nome de certas semelhanças de ordem gramatical,são 
distribuídos em cinco grupos, aos quais chamamos de declinações. Cada uma destas 
declinações, por sua vez, apresenta seis casos – caso, em latim, é o correspondente à 
função sintática, em português.
No latim IV
 Nominativo = sujeito, predicativo do sujeito.
 Genitivo = adjunto adnominal.
 Acusativo = objeto direto.
 Dativo = objeto indireto; complemento nominal.
 Ablativo = adjunto adverbial.
 Vocativo = vocativo.
No latim V
 Nomes declináveis (falando agora dos substantivos) são 
gramaticalmente divididos em 5 grandes grupos ou 
declinações. Cada declinação possui terminações próprias 
para os casos, com algumas repetições entre si.
Exemplo de declinação e sua correspondência com o português
Casos Singular Português Plural Português
nominativo lupo o lobo lupi os lobos
genitivo lupi do lobo luporum dos lobos
acusativo lupum o lobo lupos os lobos
dativo lupus ao lobo lupis aos lobos
ablativo lupo com o lobo lupis com os lobos
vocativo lupe ó lobo lupi ó lobos
Fonte: Autoria própria.
Assinale a alternativa correta no que diz respeito ao que seja uma desinência e o que ela 
representa em latim:
a) São terminações ou flexões que expressam gênero.
b) São terminações ou flexões que expressam número.
c) São terminações ou flexões que expressam gênero e número.
d) São terminações ou flexões que expressam gênero, número e classe.
e) São terminações ou flexões que expressam gênero, número e função sintática.
Interatividade
Assinale a alternativa correta no que diz respeito ao que seja uma desinência e o que ela 
representa em latim:
a) São terminações ou flexões que expressam gênero.
b) São terminações ou flexões que expressam número.
c) São terminações ou flexões que expressam gênero e número.
d) São terminações ou flexões que expressam gênero, número e classe.
e) São terminações ou flexões que expressam gênero, número e função sintática.
Resposta
 O primeiro dos critérios que mencionamos para a classificação dos nomes em declinações é 
o relativo à terminação do genitivo singular, que é distinta em cada declinação e a mesma 
para todos os vocábulos de uma declinação.
Este é o critério tradicionalmente usado para reconhecer a que declinação pertence um 
vocábulo. Por isso, nos dicionários, os nomes são dados em dois casos, no nominativo e no 
genitivo singular (ou no plural, é claro, para os pluralícios):
 amīca, -ae; ludus, -i; 
 homo, -inis; manus, -us; 
 res, rei; insidiae, -ārum (pluralício).
Genitivo singular I
 amīca, -ae; ludus, -i; homo, -inis; manus, -us; res, rei; insidiae, -ārum (pluralício).
Temos, assim, as 5 declinações, cada qual com sua terminação do genitivo singular:
1ª 2ª 3ª 4ª 5ª
-ae -i -is -us -ei
 O genitivo possui outra função essencial: a de auxiliar a reconhecer a raiz das palavras.
Genitivo singular II
 Cada declinação apresenta uma vogal temática diferente. A vogal temática é a vogal que se 
liga ao radical – a parte invariável do nome – para formar o tema.
 O radical de uma palavra é obtido tirando-se dela a terminação do genitivo singular.
Radical, vogal temática, tema I
Declinações Nominativo Genitivo Radical
1ª declinação matrōna matrōnae matron-
2ª declinação lupus lupi lup-
3ª declinação labor laboris labor-
4ª declinação fructus fructus fruct-
5ª declinação dies diei di-
Fonte: Autoria própria.
 O segundo critério para a classificação dos nomes em 5 declinações é o da vogal temática. 
A vogal temática é reconhecida na desinência do genitivo plural.
Radical, vogal temática, tema II
Declinações Nominativo Genitivo plural
1ª declinação matrōn a arum
2ª declinação lupus ōrum
3ª declinação labor um
4ª declinação fructus uum
5ª declinação dies erum
Fonte: Autoria própria.
 A terceira declinação é conhecida ou denominada declinação consonantal, uma vez que 
apresenta um grande número de vocábulos cujo radical termina em consoante, como no 
exemplo (labor – um), e, por isso, sem vogal temática. Todavia, há um pequeno grupo de 
palavras com vogal temática própria (i), como nau – ium.
 Em resumo, temos radical + vogal temática = tema.
1ª 2ª 3ª 4ª 5ª
a o consoante ou i u e
Radical, vogal temática, tema III
Flexionar a palavra, ou seja, acrescer ao radical todas as terminações (flexões) que ela possa 
apresentar nos diferentes casos, por exemplo:
amica amicae amicam amicas amicarum amicis
 Como o que ocorre com os verbos, cujo processo denominamos conjugação:
amo amas amat amamus amatis amant
Declinar é 
 No latim, há três gêneros: masculino – feminino – neutro.
Gênero natural ocorre e vale para todas as declinações:
 são os substantivos masculinos que designam homens, povos, rios e ventos;
 são substantivos femininos que designam mulheres, árvores, cidades, terras e ilhas;
 não há neutro.
 O gênero gramatical possui regras particulares e determina declinações e grupos de 
palavras.
 Os dicionários latinos apresentam ao lado dos nomes seu 
gênero, ex:. Bellum, -i n. (neutro) guerra; 
eques, -itis m. (masculino) cavaleiro;
spes, spei fm (feminino) esperança.
Gênero
 O latim, assim como em português, possui dois números – singular e plural.
 Ex.: pater – patres, corpus – corpora.
 No latim, temos também as palavras pluralícias, isto é, só se encontram e ocorrem no plural, 
como: nuptiae (núpcias), tenebrae (trevas), insidiae (cilada).
Número
 NOMINATIVO – caso reto ou primeiro caso é um caso gramatical que faz a função ou papel 
de sujeito e predicativo do sujeito.
 Ex.: Aquila magna et pulchra est. (A águia é grande e bela.) 
 VOCATIVO – é um caso gramatical usado no vocativo, isto é, uma referência à 2ª pessoa, 
um apelo, um chamado, e é usado para o nome que identifica a pessoa (animal, objeto etc.) 
a quem se dirige.
 Ex.: Aquila, pulchra es. (Águia, tu és bela.) 
Caso/função
 ACUSATIVO – é o caso gramatical usado para marcar o objeto direto de um verbo transitivo. 
Ex.: Video magnam aquilam. (Vejo uma grande águia.) 
 Adjunto adverbial de lugar (para onde): Eo Romam. (Vou a Roma.) 
 Obs.: No português, os pronomes oblíquos átonos são declinados no caso acusativo 
(chamado comumente de caso oblíquo, que é uma denominação genérica para casos 
que não o reto).
Caso/função
 DATIVO – é um caso gramatical, geralmente usado para indicar o nome dado a algo. 
O termo deriva do latim dativus, significando “próprio ao ato de dar”.
 Ex.: Non muscas aquilae damus. (Não damos moscas à águia.) 
 Obs.: Em português equivale, aproximadamente, ao objeto indireto e ao complemento 
nominal, embora a língua não tenha um caso dativo propriamente dito. 
Caso/função
 ABLATIVO – é um caso gramatical indicador de movimento para longe de algo. O nome 
“ablativo” é derivado do verbo latino ablatus, o particípio irregular do verbo auferreum, que 
significa “levar”. 
 Ex.: Adjunto adverbial: Volemus cum aquilis. (Voemos com as águias.) 
 Agente da passiva: Muscae ab aquilis non captantur. (Moscas não são apanhadas 
pelas águias.)
Caso/função
Caso/função
 GENITIVO – é um caso gramatical que indica uma relação, principalmente de posse. Em 
sentido mais geral, pode-se pensar esta relação de genitivo como uma coisa que pertence a 
algo, que é criada a partir de algo ou, de outra maneira, derivando de alguma outra coisa. 
(A relação é, normalmente, expressa pela preposição “de” em português.)
 Obs.: O adjunto adnominal, em português, corresponde em latim ao caso genitivo.
 Ex.: O pelo do gato é macio.
 Os apreciadores das artes adquirem cultura.
 Função de sujeito – agente da ação, uma vez que é impossível uma ação sem causa; se 
uma xícara, por exemplo, aparece quebrada, alguém deve ter praticado a ação de quebrar.
 Ex.: Neste ano, o governador morreu – (quem) – governador.
Função de vocativo é indicar apelo, chamado. Quando vemos um amigo e dizemos:
 “Pedro, venha cá”.
Recapitulando as funções sintáticas I
 Função de adjunto adnominalé o complemento que especifica um nome.
 Ex.: “A casa é de Pedro”. A casa podia ser de Paulo, de João, de Antônio, mas “casa de 
Pedro” especifica a palavra casa.
 Obs.: O adjunto adnominal, em português, corresponde em latim ao caso genitivo. 
 Função objeto direto – toda ação tem uma causa, um agente, da mesma forma que toda 
ação produz um efeito. Quando se diz “Pedro comprou um carro”, nota-se que o verbo 
precisa de um complemento: “um carro”.
Recapitulando as funções sintáticas II
 Função de objeto indireto – o complemento do sentido de um verbo é regido de preposição, 
como de, com, a, para, em. Ex.: Gosto de sorvete.
 Função de adjunto adverbial – Se na oração “Pedro nasceu” (de sentido completo, pois o 
verbo é intransitivo e não pede nenhum complemento) acrescentarmos uma circunstância de 
lugar, por exemplo, “Pedro nasceu em São Paulo”, “em São Paulo”, constituirá um adjunto 
adverbial.
Recapitulando as funções sintáticas III
Assinale a alternativa correta no que diz respeito à primeira declinação com tema em -a:
a) Contém substantivos femininos e nenhum neutro.
b) Terminação que toma o dativo no singular é u.
c) Contém somente substantivos femininos.
d) Contém substantivos masculinos.
e) Contém substantivos neutros.
Interatividade
Assinale a alternativa correta no que diz respeito a primeira declinação com tema em -a:
a) Contém substantivos femininos e nenhum neutro.
b) Terminação que toma o dativo no singular é u.
c) Contém somente substantivos femininos.
d) Contém substantivos masculinos.
e) Contém substantivos neutros.
Resposta
 Em português, determinamos o sentido de uma frase por meio da ordem em que as 
palavras aparecem.
 A frase “O homem morde o cachorro” significa algo totalmente diferente da frase “O 
cachorro morde o homem”, e isso devido ao fato de as palavras aparecerem numa ordem 
diferente.
 Em latim, não importa a ordem das palavras, mas sim as formas que assumem.
Casos latinos
 O que é importante em latim são as formas que as palavras assumem:
Marcellum Fortunata amat. Tradução: Fortunata ama Marcelo. 
Marcellus Fortunatam amat. E agora, quem ama quem? Tradução: Marcelo ama Fortunata.
 Atenção: em latim, a ordem das palavras não determina as funções gramaticais dos 
vocábulos na frase, e sim seus casos ou declinações.
Casos latinos
 No latim, há cinco formas ou modelos diferentes de declinações, que regem a forma como 
se acrescentam os sufixos às raízes dos substantivos e adjetivos para que concordem 
gramaticalmente em função do gênero, número e caso deles.
 A primeira declinação com o tema em -a. Contém principalmente substantivos femininos, e 
nenhum neutro. Caracteriza-se pelo fato de a desinência do genitivo ser ae, terminação que 
toma o dativo no singular, bem como o nominativo e vocativo no plural.
Declinações
 A segunda declinação com tema em -ou. 
A evolução fonética do latim converteu o som “o” em u–us. Há três tipos de substantivos:
 com nominativo em -us;
 com nominativo em -er;
 com nominativo em -um. 
 Todos eles fazem o genitivo em i. Os substantivos em -us e
-er costumam ser masculinos, enquanto os acabados em -um
são neutros.
Declinações
 A terceira se caracteriza pelo genitivo em -is.
Os substantivos podem ser de qualquer gênero (masculino, feminino ou neutro) e encontramos 
três tipos:
 Tema em consoante. Neste caso, o tema no genitivo acaba em consoante e tem um número 
de sílabas diferente em nominativo e em genitivo. 
Declinações
Os substantivos neutros comportam-se de forma diferente dos masculinos e femininos:
 Em nominativo, vocativo e acusativo têm-se a mesma forma no singular; já para o plural, 
adquirem a terminação -a.
 Tema em i. Neste caso, o tema em genitivo acaba em vogal e o número de sílabas tanto faz 
em nominativo e genitivo. A declinação é quase igual ao tema em consoante, salvo no 
nominativo, acusativo e vocativo do plural (desinência -ia) e em genitivo do plural (-ium).
 Tema misto. No singular, toma as desinências, como no tema 
em consoante, já no plural o faz como no tema em i.
Declinações
 Em latim, há seis casos: nominativo, acusativo, genitivo, dativo, ablativo e vocativo.
 Há cinco declinações.
Quantidade vocálica e acento tônico
Fonte: https://www.latinitasbrasil.org/_files/ugd/0f7cc7_2bf602c3f8ae4e5fadc5966975416cce.pdf
 Todas as frases dizem a mesma coisa: Marcelo ama Fortunata. Cada uma dessas formas se 
chama caso. O conjunto de formas de cada palavra se chama declinação. Declinar uma 
palavra é exibir todos os seus casos.
 Marcellus Fortunatam amat.
 Marcellus amat Fortunatam.
 Fortunatam Marcellus amat. 
 Fortunatam amat Marcellus.
 Amat Marcellus Fortunatam.
 Amat Fortunatam Marcellus.
Quantidade vocálica e acento tônico
Fonte: 
https://www.latinitasbrasil.org/_files/ugd/0f7cc7_2bf602c3f8ae4e5fadc
5966975416cce.pdf
 O verbo sum é o mais comum em latim. Pode ser traduzido por ser, estar ou haver. Como 
em português, a terminação do verbo indica a pessoa em que o verbo está. Se eu digo 
“adoro chocolate”, todos entendem que eu adoro chocolate.
Verbo mais comum sum – ser
1ª pessoa do singular 
(eu)
(ego) sum sou/estou
2ª pessoa do singular 
(tu)
(tu) es tu és/estás
3ª pessoa do singular 
(ele/ela)
(----) ele é/está
1ª pessoa do plural 
(nós)
(nos) sumus nós somos/estamos
2ª pessoa do plural 
(vós)
(uos) estis vós sois/estais
3ª pessoa do plural 
(eles/elas)
(---) sunt eles são/estão
Fonte: Autoria própria.
 É o caso sujeito. Não há nada de muito complicado nisso – isso significa, simplesmente, que 
a forma nominativa é o que é usado em uma determinada frase como sujeito.
 Magistra sum. – Eu sou professora. 
 Puella es. – Tu és uma menina.
 Silvia serva est. – Sílvia é uma escrava.
 Nominativo cumpre as funções de: sujeito – o termo da oração sobre o qual se faz uma 
declaração ou aquele que realiza a ação expressa em um verbo.
 Predicativo do sujeito: quando temos o verbo de ligação sum.
Cāsus nōminātīvus – Caso nominativo
1ª declinação 2ª declinação
singular plural singular plural
Nominativo rosa rosae servus servi
Fonte: Autoria própria.
 Na primeira declinação, a maioria das palavras pertence ao gênero feminino, mas algumas, 
principalmente nomes de profissão, são masculinas.
 Ex.: agrícola, agricultor, nauta, marinheiro, poeta etc. 
 Na segunda declinação, a maioria das palavras pertence ao gênero masculino, mas algumas 
são femininas, como o nome de determinadas árvores e lugares.
 Ex.: fagus (faia), pinus (pinheiro), Aegyptus (Egito) etc.
 Algumas palavras da segunda declinação são do gênero neutro.
Caso nominativo e acusativo
 A função sintática relacionada ao caso acusativo é o objeto direto. 
 A terminação do caso acusativo no singular na primeira declinação é -AM. 
 A terminação do caso acusativo no plural na primeira declinação é -AS. 
 A terminação do caso acusativo singular na segunda declinação é -UM.
 A terminação do caso acusativo plural na segunda declinação é -OS.
 No latim, não há oxítonas. 
 Será paroxítona se a penúltima vogal for longa. 
 Será proparoxítona se a penúltima vogal for breve.
O caso acusativo
1ª declinação 2ª declinação
singular plural singular plural
Nominativo Rosa Rosae Servus Servi
Acusativo Rosam Rosas Servum servos
Fonte: Autoria própria.
Observe que os verbos são construídos a partir de um radical a que são acrescentadas 
terminações que indicam a pessoa gramatical:
 -o/-m: 1ª pessoa do singular (“eu”). Ex.: amo, sum.
 -s: 2ª pessoa do singular (“você”/“tu”). Ex.: amas, es.
 -t: 3ª pessoa do singular (“ele/ela”). Ex.: amat, est.
 -mus: 1ª pessoa do plural (“nós”). Ex.: amamus, sumus.
 -tis: 2ª pessoa do plural (“vocês”/“vós”). Ex.: amatis, 
estis.
 -nt: 3ª pessoa do plural (“eles/elas”). Ex.: amant, sunt.
A primeira conjugação no presente do indicativo
Infinitivo: amare
1ª pessoa do 
singular (eu)
(ego) amo eu amo2ª pessoa do 
singular (tu)
(tu) amas tu amas
3ª pessoa do 
singular 
(ele/ela)
(----) amat ele ama
1ª pessoa do 
plural (nós)
(nos) amamus nós ama-
mos
2ª pessoa do 
plural (vós)
(uos) amatis vós amais
3ª pessoa do 
plural 
(eles/elas)
(---) amant eles amam
Fonte: Autoria própria.
 -o/-m: 1ª pessoa do singular (“eu”). Ex.: amo, sum.
 -s: 2ª pessoa do singular (“você”/“tu”). Ex.: amas, es.
 -t: 3ª pessoa do singular (“ele/ela”). Ex.: amat, est.
 -mus: 1ª pessoa do plural (“nós”). Ex.: amamus, sumus.
 -tis: 2ª pessoa do plural (“vocês”/“vós”). Ex.: amatis, estis.
 -nt: 3ª pessoa do plural (“eles/elas”). Ex.: Amant, sunt.
 Essas desinências pessoais serão as mesmas em todos os 
verbos, regulares e irregulares, de todas as conjugações, 
quase todos os tempos, exceto quando estiverem na voz 
passiva ou nos tempos perfeito e mais-que-perfeito.
Desinências pessoais do verbo
 -o/-m: 1ª pessoa do singular (“eu”). Ex.: amo, sum.
 -s: 2ª pessoa do singular (“você”/“tu”). Ex.: amas, es.
 -t: 3ª pessoa do singular (“ele/ela”). Ex.: amat, est.
 -mus: 1ª pessoa do plural (“nós”). Ex.: amamus, sumus.
 -tis: 2ª pessoa do plural (“vocês”/“vós”). Ex.: amatis, estis.
 -nt: 3ª pessoa do plural (“eles/elas”). Ex.: Amant, sunt.
 Observe também a presença da vogal temática “a” em todas 
as pessoas, exceto na primeira. A presença da vogal temática 
“a” nos mostra que o verbo pertence à primeira conjugação.
Desinências pessoais do verbo
Assinale a alternativa correta no que diz respeito ao nominativo.
a) Terminação que toma o dativo no singular é us.
b) Realiza a ação expressa no verbo e por isso tem o papel de sujeito.
c) Contém apenas substantivos masculinos e não cumpre o papel de sujeito.
d) A ação tem alguma consequência direta para a pessoa.
e) Faz a função de objeto direto na sentença.
Interatividade
Assinale a alternativa correta no que diz respeito ao nominativo.
a) Terminação que toma o dativo no singular é us.
b) Realiza a ação expressa no verbo e por isso tem o papel de sujeito.
c) Contém apenas substantivos masculinos e não cumpre o papel de sujeito.
d) A ação tem alguma consequência direta para a pessoa.
e) Faz a função de objeto direto na sentença.
Resposta
 AREÁN-GARCÍA, Nilsa. Breve histórico da Península Ibérica. Revista Philologus, ano 15, n. 
45, Rio de Janeiro, set./dez. 2009.
 HAUY, Amini Boainain. Origem e formação da Língua Portuguesa. In: SPINA, Segismundo 
(Org.). História da Língua Portuguesa. Cotia: Ateliê editorial, 2008.
Referências
ATÉ A PRÓXIMA!