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Fotografia Publicitária Material Teórico Responsável pelo Conteúdo: Prof. Me. Carlos Eduardo Corrêa de Lima Revisão Textual: Prof.ª Dr.ª Luciene Oliveira da Costa Granadeiro História e Conceitos de Fotografia • Trajetória da História da Fotografia Até a Contemporaneidade; • Conceitos Técnicos de Fotografia. • Conhecer a história e o desenvolvimento da fotografi a e sua aplicação ao contexto da Publicidade e Propaganda; • Estudar os conceitos técnicos da câmera fotográfi ca; • Conhecer as ferramentas da câmera e os dispositivos para produção da imagem publicitária. OBJETIVOS DE APRENDIZADO História e Conceitos de Fotografi a Orientações de estudo Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua formação acadêmica e atuação profissional, siga algumas recomendações básicas: Assim: Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e horário fixos como seu “momento do estudo”; Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo; No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você tam- bém encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados; Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus- são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e de aprendizagem. Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Determine um horário fixo para estudar. Aproveite as indicações de Material Complementar. Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma Não se esqueça de se alimentar e de se manter hidratado. Aproveite as Conserve seu material e local de estudos sempre organizados. Procure manter contato com seus colegas e tutores para trocar ideias! Isso amplia a aprendizagem. Seja original! Nunca plagie trabalhos. UNIDADE História e Conceitos de Fotografia Trajetória da História da Fotografia Até a Contemporaneidade Com a evolução tecnológica das câmeras fotográficas, milhões de imagens são produzidas todos os dias. A fotografia faz parte do cotidiano das pessoas em todo lugar do mundo e estudar a história da fotografia é importante para o entendimento de sua evolução e de utilidade para a Publicidade e Propaganda. Figura 1 – História da Fotografia Fonte: Getty Images Essa história começa com a câmara obscura e com os pintores. De acordo com o fotógrafo e professor Pierre-Jean Amar (2011), a partir do século XVI, alargou- -se o uso das máquinas de desenhar. Amar comenta: “Elas são, muitas vezes, constituídas por um caixilho e por um ‘visor’ com o qual o olho pode permanecer fixo sobre o objeto” (2011, p. 11). Já no caso da câmara obscura, há relatos de seu uso há muito tempo, por exemplo, na obra aristotélica “problemas” por volta do terceiro século a. C. O equipamento também é mencionado no século VI d. C. em trabalhos de ge- ometria. A câmara obscura era uma caixa com um pequeno orifício por onde entrava a luz e, assim, quando um objeto era colocado à frente, produzia-se a imagem do objeto ao fundo, mas invertido, conforme Figura 2. 8 9 Figura 2 – Câmera obscura Fonte: Wikimedia Commons Amar (2011) destaca o uso da câmara obscura, em 1515, por Leonardo da Vinci, sendo que, em 1490, o artista já havia dado duas descrições claras da câmara obscura em suas anotações. A utilização da câmara obscura foi utilizada por pinto- res a fim de realizar seus trabalhos, como ilustrado na Figura 3. Figura 3 – Câmara escura do século XVIII com sistema refl ex Fonte: Getty Images No contexto dos grandes desenvolvimentos produzidos pela Revolução Industrial, entre os séculos XVIII e XIX, na Inglaterra, está a origem da fotografia. Esse pe- ríodo foi importante, pois se trata de um momento de grandes transformações econômicas, sociais e culturais. 9 UNIDADE História e Conceitos de Fotografia O período é marcado pela fabricação de máquinas e pelo progresso tecnológico. Naquele momento, surgiram inovações e a criação de muitos instrumentos moder- nos, como, por exemplo, o telégrafo, o automóvel e novos conhecimentos científi- cos aplicados, como comenta o fotógrafo e professor Boris Kossoy: “Com a Revo- lução Industrial, verifica-se um enorme desenvolvimento das ciências: surge naquele processo de transformação econômica, social e cultural uma série de invenções que viriam influir decisivamente nos rumos da história moderna” (2018, p. 29). Importante! De acordo com Kossoy (2018), a fotografia surgiu dentro do contexto da Revolução Indus- trial contribuindo para inovação, informação e conhecimento. Serviu de apoio à pesquisa e expressão artística. Importante! O autor da escola de Frankfurt Walter Benjamin comenta sobre os primórdios da fotografia: “Mais do que no caso desta, sabia-se ter chegado a hora da sua inven- ção, facto pressentido por alguns dos que pretendiam atingir o mesmo objetivo: fi- xar imagens na câmara escura que era conhecida desde Leonardo” (1992, p. 115). Benjamin diz que: “[...] isso foi conseguido mais ou menos em simultâneo, após cinco anos de esforços, por Niecpce e Daguerre” (1992, p. 115). A partir dessas informações, é importante destacar os inventores da fotografia, sendo: Joseph Nicéphore Niépce (1765-1833) Joseph Niépce era um pesquisador, um cien- tista que buscou, através da química, gravar imagens. A litografia era popular na França e Niépce tentou obter, por meio da câmara escu- ra, a imagem permanente. Litografia: Arte de reproduzir pela impres- são desenhos feitos com um corpo gorduroso em pedra calcária. (A litografia foi inventada em 1796 por Senefelder). Gravura impressa por esse processo: coleção de litografias. Ex pl or Fonte: http://bit.ly/2LnHjUQ Figura 4 – Joseph Nicéphore Niépce – inventor da fotografia Fonte: Wikimedia Commons 10 11 De acordo com Amar (2011), Niépce recobriu uma placa de estanho com betu- me branco da Judeia que tinha a propriedade de endurecer quando atingido pela luz. Comenta Amar: O betume da Judeia é tornado insolúvel pela luz e as partes não expostas a esta podem ser dissolvidas em essência de lavanda, o que permite a Niépce produzir chapas metálicas gravadas com ácido, a partir de gra- vuras tornadas translúcidas por um verniz como o do Cardinal Georges d´Amboise (1826). Ele lançou as bases daquilo que será, mais tarde, a fotografia e, sobretudo, a heliogravura. (AMAR, 2011, p. 17) Figura 5 – Foto mais antiga tirada por Niépce, por volta de 1826 Fonte: Wikimedia Commons Amar (2011) conta que, nas partes não afetadas, o betume era retirado com uma solução de essência de alfazema. Também com o apoio das lentes produzidas por um parisiense que trabalhava com ótica, em 1826, expondo uma dessas placas du- rante aproximadamente oito horas na sua câmera escura, conseguiu uma imagem do quintal de sua casa. (ver Figura 5). Daguerre Outro pesquisador que contribuiu para a criação da fotografia foi Louis Jaques Mandé Daguerre, francês, que ficou sabendo da produção de Joseph Niépce e o procurou com o objetivo de trocar experiências. Em 1829, foi firmada uma parce- ria entre Niépce e Daguerre e, assim, ambos compartilharam conhecimentos. 11 UNIDADE História e Conceitos de Fotografia Após a morte de Niépce, Daguerre con- seguiu desenvolver outra técnica reduzindo o tempo de exposição de horas para minutos através do vapor de mercúrio.Depois, Daguerre fez evoluir a técnica com o uso do mercúrio. Daguerre percebeu áreas claras da imagem e submeteu a placa com a imagem com um banho fixador e, assim, cor- rigiu as áreas claras formando áreas escuras da imagem. Daguerre também utilizou o sal de cozinha como elemento fixador, depois substi- tuiu pelo tiossulfato de sódio e, assim, batizou o processo como daguerreotipia. Em 19 de agosto de 1839, apresentou a descoberta para a Academia de Ciências da França. Nesse período, o daguerreótipo tornou-se uma invenção importante e muitos artistas e pintores achavam que a produção artística atra- vés da pintura estava comprometida, ou seja, seus dias estavam contados. Houve muitos problemas apesar da popularização do equipamento e da téc- nica, por isso surgiram outras tentativas até se chegar à utilização da fotografia sobre o papel. William Henry Fox Talbot Comenta Amar (2011) que Talbot era um notável homem de ciência e que procu- rou os meios de captar imagens da câmara escura. Desconhecendo os trabalhos de Niépce e Daguerre, realizou ensaios com papel impregnado com nitrato de prata fixado com sal de cozinha desde 1834. Talbot tomou conhecimento dos resultados de Niépce e Daguerre e aperfeiçoou a técnica. Em 1840, realizou a revelação da imagem latente e designou o seu processo como “calótipo”, do grego kalos (beleza). Em 1841, registrou patente para se proteger. Conforme Amar (2011), Talbot inventou a fotografia moderna: negativo-positivo. Os autores Rose Zuanetti, Elizabeth Real e Nelson Martins comentam: “Mas foi a calotipia que transformou a fotografia em um verdadeiro veículo de comunicação” (2004, pg. 48). Kodak e a história da fotografia Outro importante nome para a história da fotografia é o de George Eastman que, a partir de 1880, popularizou a fotografia com a criação de sua empresa Eastman Kodak Company. Figura 6 – Louis-Jacques Mandé Daguerre Fonte: Wikimedia Commons 12 13 A Kodak foi a responsável por popularizar a fotografia como comentam os autores Zuanetti, Real e Martins: “No mesmo ano, o americano George Eastman popularizou de vez a fotogra- fia com a criação do filme flexível, que tinha o nome de american film” (2004, p. 161). No de 1888, a empresa lançou a primeira câmera fotográfica que vinha com o rolo de 20 metros, capturando até cem imagens de 2,5 polegadas. A Pocket Kodak, câmera produzi- da em massa, foi lançada em 1895. Eastman criou o slogam: “Você aperta o botão e nós fazemos o resto” e esse conceito foi difundido em vários países, contribuindo para que a fotografia fosse acessível a milhões de pessoas. A Kodak contribui para a evolução e inovação da fotografia. Colocou à disposi- ção no mercado equipamentos inovadores e novos modelos de câmeras. De acordo com Zuanetti, Real e Martins (2004): “Eastman e a Kodak iriam ainda mais longe e deixariam importantes marcas na história da fotografia” (2004, p. 162). Destacam- -se, nessa história marcante, além do que já foi exposto acima: A fotografia colorida Conforme Zuanetti, Real e Martins (2004), essa evolução continuou e poste- riormente surgiram as fotografias coloridas. Em 1935, a Kodak foi a responsável por encontrar uma forma de produzir e comercializar a fotografia colorida com a criação da Kodachromes. A fotografia Digital Nesse processo evolutivo, muitas foram as contribuições da Kodak para que a as pessoas pudessem ter acesso a uma imagem de melhor qualidade. Foi seguindo esse caminho que, em 1975, Steve Sasson, o engenheiro da Kodak, conseguiu desenvolver a primeira câmera digital. O novo dispositivo apresentava muitos pro- blemas, fazendo com que essa inovação só se tornasse uma realidade em 1990, com o modelo da Kodak DCS 100. A fotografia digital ganhou o seu espaço e também se popularizou por causa das facilidades, como, por exemplo, o armazenamento e visualização das imagens. A fotografia digital contém um sensor eletrônico (CCD ou CMOS) que ocupa o lugar onde antes na analógica ficava o negativo e, assim, transforma a luz em um código digital. Figura 7 – Kodak Fonte: Wikimedia Commons 13 UNIDADE História e Conceitos de Fotografia As facilidades do dispositivo digital No dispositivo digital, as imagens são armazenadas em um cartão de memória. Outra evolução importante é que essa nova tecnologia permitiu o uso em dispositi- vos móveis, como celulares, tablets etc. História da Fotografia no contexto da Publicidade e Propaganda – Fotografia comercial As fotografias são produzidas por diversos motivos – por exemplo, pessoas fotografam para registrar um momento, mas a fotografia também serve para a produção científica, para o registro de fatos ou para a produção de arte. Partindo disso, falamos então de gêneros fotográficos dos quais se destacam: • Amadorismo; • Fotojornalismo; • Comercial/Publicitário; • Científico e Artístico. No caso da fotografia publicitária, é importante destacar que esse gênero preten- de evidenciar o produto, a marca, a organização etc. O objetivo sempre será a persuasão. Esse tipo de produção não precisa necessa- riamente registrar a realidade, o importante é a construção de um discurso. Amar destaca que: “As imagens da publicidade deve produzir um “choque” que suscite o desejo de comprar, dirá Lucien Lorelle (1894-1968)” (AMAR, 2011, p. 120). Importante! No processo de uma peça publicitária, a fotografia terá um papel importante na cons- trução do discurso e sua responsabilidade é a de evidenciar o conceito que destaca o produto como comentam os autores Zuanetti, Real e Martins (2004): “A responsabilidade da fotografia publicitária é ainda maior. Ela precisa vender um produto aliado a emoções e a sentimentos” (2004, p. 23). Importante! Foi a partir de 1930 que alguns fotógrafos renomados passaram a se dedicar também à publicidade, contribuindo, assim, para a evolução do discurso publicitário com o uso das imagens e promovendo maior atenção do consumidor. O importante para o profissional que trabalha com a fotografia publicitária é a criatividade, pois a finalidade da imagem publicitária é fazer com que o consumidor se interesse pelo produto. Comenta o professor inglês David Prakel: “A fotografia comercial ocupa um setor amplo das artes fotográficas aplicadas e lida com ima- gens que requerem diferentes níveis de criatividade” (2015, p. 69). 14 15 Para pensar o uso da fotografia na Publicidade e Propaganda, é necessário revi- sar dois pontos: a influência da Art Noveau e a evolução da fotografia publicitária. Arte na Publicidade e Propaganda – A influência da Art Noveau Como já foi comentado, a Revolução Industrial foi importante, por se tratar de um momento de grandes transformações econômicas, sociais e culturais. No caso da cultura, uma nova forma artística surgiu, ou seja, a Art Noveau (Nova arte). Importante! Influenciada pela Art Noveau, a fotografia publicitária deu seus primeiros passos como ilustração. A Art Noveau foi o principal modelo estético que surgiu com a nova realidade construída pela Revolução Industrial. O estilo artístico foi desenvolvido na Europa e um dos principais nomes deste novo conceito artístico foi o pintor e litógrafo francês Henri de Toulouse-Lautrec. Este movimento foi orientado para o design e sua principal carac- terística são as formas curvilíneas. Importante! O Art Noveau influenciou os formatos de tipos e marcas comerciais. Apresentou um estilo que pode ser visto nas embalagens de produtos, folhetos, cartazes que na maioria das vezes eram apresentados com a figura feminina. A evolução da fotografia publicitária A fotografia levou algum tempo para ser utilizada na Publicidade e Propaganda em virtude da qualidade das imagens. A ilustração era o meio mais utilizado para a produção das peças publicitárias. Com o advento das câmeras digitais, vieram também outras tecnologias que per- mitiram um tratamento e efeitos para melhorar as imagens. A fotografia representa o objeto, porém, os efeitos dão outra significaçãoà imagem. De acordo com Prakel: A fotografia de produtos e embalagens é a arte de fazer com que um produto apareça da melhora maneira possível – mostrando as qualidades que o tornam desejável com o apoio de adereços e cenários (para o con- texto), bem como de iluminação (para realçar qualidades físicas, como, por exemplo, a cor ou a textura). (PRAKEL, 2015, p. 69) Destacam-se, aqui, apenas alguns exemplos de fotografia comercial, ou seja, não esgotamos os tipos de fotografia comercial, mas os exemplos apresentados servem para visualizarmos a fotografia publicitária conforme algumas categorias: 15 UNIDADE História e Conceitos de Fotografia Fotografia de embalagens O recipiente provisório do produto, e que tem por objetivo entregar melhores condições de armazenamento é chamado de embalagem. Essa embalagem, além da função citada, também destaca o produto através da imagem fotográfica. De acordo com Prakel, “A qualidade é a essência desse tipo de fotografia, por isso é frequente o uso de câmeras digitais de médio formato ou câmeras de grande formato com algum tipo de lente com correção de perspectiva ou dos movimentos das câmeras” (2015, p. 71). Fotografia de comida De acordo com Prakel, “A fotografia de comida não tem que ver com truques técnicos, mas com a criação de imagens saudáveis e apetecíveis” (2015, p. 71). Prakel (2015) destaca que a criatividade está na escolha do cenário, da iluminação, dos acessórios e do estilismo. Pode ser feita numa locação com iluminação portátil ou levando o cozinheiro e os ingredientes a um estúdio adequadamente equipado. Em geral, estarão no estúdio o diretor de arte, o estilista, o cozinheiro e, quando houver, os respectivos assistentes. Fotografia de carros A fotografia de automóveis é um grande desafio para o fotógrafo e leva em consideração alguns pontos como, por exemplo, o reflexo, a cor, se imagem será produzida pela manhã ou noite, o carro parado ou em movimento e o enquadra- mento da imagem. Conforme Prakel, “A fotografia de carros é geralmente considerada uma das mais apaixonantes áreas para se trabalhar em fotografia” (2015, p. 72). A fotografia comercial abrange, além dos exemplos citados, o setor financeiro, a indústria farmacêutica, o setor editorial, de eletrônicos etc. Esses exemplos foram citados para entender que a fotografia publicitária requer bom conhecimento da área e muita criatividade. Conceitos Técnicos de Fotografia Depois de expormos a história da fotografia e sua importância para a Publici- dade e Propaganda, podemos afirmar que a fotografia faz parte do cotidiano das pessoas e sua contribuição está nas várias áreas, como a ciência, a arte, o meio comercial e a produção de notícias. Por isso precisamos entender e responder à seguinte pergunta: por que fotografamos? Entender esse motivo nos ajuda na de- finição e também no tipo de equipamento que será utilizado para a produção de imagens. Eis alguns motivos: 16 17 Registrar o momento As pessoas fotografam para registrar um momento de suas vidas, de sua histó- ria. Um conceito básico da fotografia é o de “eternizar o momento”. Figura 8 – Momento Fonte: Getty Images Sermos vistos e lembrados A fotografia também é utilizada para dar visibilidade e tornar possível uma lem- brança através do registro. Muitos fatos e histórias são recordados através do regis- tro fotográfico, como, por exemplo, a foto do “rebelde desconhecido” na praça da paz celestial, em 1989, na China, conforme Figura 9. Figura 9 – “O Rebelde Desconhecido” Fonte: Wikimedia Commons 17 UNIDADE História e Conceitos de Fotografia Alterar perspectivas A fotografia, enquanto registro, permite a leitura, a compreensão de algo e a interpretação. Por isso a perspectiva em fotografia é muito importante, pois faz parte do discurso, do conceito que se quer mostrar. Então se fotografa, também, a fim de apresentar um ponto de vista, uma situação. Esse é um fator determinante nas fotografias publicitárias, pois o produto deve ser apresentado na perspectiva do discurso, na construção da narrativa. Fotografia: Origem do termo – do grego, foto (luz) e grafia (escrita), portanto, escrever com a luz. Ex pl or Figura 10 – Perspectiva (ponto de vista) Fonte: Wikimedia Commons Esses são alguns dos motivos para fotografar. Independente do porque, é impor- tante conhecer o equipamento, a câmera fotográfica e suas funções. Anatomia da máquina fotográfica Uma câmera fotográfica é um equipamento que tem como principal finalidade formar uma imagem nítida em seu interior. Importante! A composição da câmera fotográfica: Corpo: De acordo com Zuanetti, Real e Martins (2004), as partes da câmera são todo o sistema de funcionamento da máquina – as partes eletrônicas e mecânicas – e o corpo da câmera, que pode ser de plástico, metal ou a combinação de ambos. É onde está mon- tado o chassi, que mantém o filme na posição correta no plano focal, e por isso precisa ser hermeticamente vedado à luz. Visor: Conforme Zuanetti, Real e Martins, “O visor é um dispositivo óptico usado para en- quadrar as cenas ou os objetos a serem fotografados, ou seja, é por onde se olha na hora de tirar uma foto. Através do visor, é possível compor a imagem antes do clic” (2004, p. 34). Importante! 18 19 Ao praticar com o equipamento, o fotógrafo lidará com os recursos que a câ- mera dispõe, mas o controle para a produção de uma boa imagem se dá com o uso correto da luz. Para isso comentam os autores Zuanetti, Real e Martins: “No dia-a-dia você também vai perceber que a técnica fotográfica se baseia em três princípios fundamentais: Tempo de luz (obturador); quantidade da luz (diafragma) e Sensibilidade do filme (ISO)” (2004, p. 34). A fotografia é um processo de fácil entendimento e não apresenta grandes difi- culdades. O importante é o conhecimento da câmara e a prática. Sobre a câmera, de acordo com a Figura 11, temos a seguinte constituição: Figura 11 – Anatomia da câmera fotográfi ca: Ilustração de uma câmera SLR Fonte: Wikimedia Commons Conforme a imagem, temos uma câmera SLR com os componentes típicos de uma câmera, sendo: 1. Elementos frontais da objetiva; 2. Elementos intermediários da objetiva; 3. Diafragma; 4. Obturador; 5. Filme ou sensor; 6. Cinta de fi xação; 7. Disparador; 8. Comando do aparelho; 9. Contador de quadros; 19 UNIDADE História e Conceitos de Fotografia 10. Visor; 11. Sapata de flash; 12. Dispositivo de focagem; 13. Pentaprisma; 14. Espelho de reflexo. Já na Figura 12, é possível ver como ocorre o funcionamento de uma câmera fotográfica. 5 6 7 8 3 421 Figura 12 – Funcionamento da câmera fotográfica – Funcionamento de uma câmera SLR Fonte: Wikimedia Commons Conforme Figura 12, o funcionamento da câmera ocorre da seguinte forma: 1. Objetiva: onde ocorre a entrada de luz; 2. Espelho refletor: nele a luz é refletida em direção ao visor; 3. Obturador: mecanismo importante que controla o tempo de exposição, a entrada de luz. É uma espécie de cortina que protege a câmera. Quando o disparador é acionado, ela se abre, sendo que, quanto maior o tempo de sua abertura, maior a entrada de luz; 4. Sensor: nas câmeras digitais é o responsável pela captação da imagem; 5. Tela de focagem: a imagem passa por cima do espelho e forma uma imagem; 6. Lente condensadora: alinhamento dos raios de luz; 7. Pentaprisma: faz relação com o espelho refletor e reflete a luz para o visor; 8. Visor: orienta a visão da imagem. 20 21 Equipamentos Segue a descrição de alguns (não todos) equipamentos de fotografia que são câmera e lente(s); bateria reserva. A bateria de uma câmera DSLR costuma ter um bom tempo de duração; cartão de memória reserva; flash, rebatedor e rádio; tripé; material de limpeza e case/mochila. Objetivas As lentes, ou seja, a objetiva, o acessório que serve para focalização da cena. De acordo com Zuanetti, Real e Martins: “Pode-se dizer que as objetivas são a parte mais importante da câme- ra” (2004, p. 38). Objetiva éo conjunto de lentes e contribuem para a produção da imagem a partir da distân- cia focal. Conforme a classificação das objeti- vas, temos: Imagem 13 – Lentes Fonte: Getty Images Normal Produz uma imagem mais próxima da visão humana. Comentam Zuanetti, Real e Martins: “As câmeras geralmente são vendidas com uma objetiva conhecida como normal, por ter o ângulo de visão semelhante ao do olho humano (cerca de 50º)” (2004, p. 38). Grande angular Produz imagens com grande ângulo de visão de até 180º. Afirmam Zuanetti, Real e Martins: “Quanto menor for a distância focal de uma objetiva, maior será seu ângulo de visão” (2004, p. 38). A profundidade de campo dessas objetivas facilitam fotos em locais onde não pode recuar o suficiente para enquadrar o conjunto que se deseja fotografar. Teleobjetiva A teleobjetiva permite maior aproximação da imagem. Destacam Zuanetti, Real e Martins (2004) que as teleobjetivas são bastante usadas pelos fotojornalistas para fotografar acontecimentos que não permitem aproximação suficiente, como espor- tes, espetáculos, guerras etc. Zoom O Zoom permite o ajuste da distância focal. De acordo com Zuanetti, Real e Martins: “Existem também objetivas com distância focal variável: as lentes zoom” (2004, p. 38). 21 UNIDADE História e Conceitos de Fotografia Memory card O objetivo do memory card é o armazenamento adequado das fotografias. Figura 14 – Memory card Fonte: Getty Images Tripé A função do tripé é o de dar base e sustentação para a câmera fotográfica. De acordo com Zuanetti, Real e Martins: “O mercado oferece vários modelos, desde pequenos e leves, que podem ser carregados numa bolsa, até os grandes, utilizados em estúdios” (2004, p. 64). Figura 15 – Tripé Fonte: Getty Images 22 23 Material Com plementar Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Vídeos Câmera Fotográfica DSLR (como funciona) https://youtu.be/EtSGEQyKSY0 História da Fotografia https://youtu.be/GyNa1OdJJcg Leitura Breve história da fotografia: um guia de bolso dos principais gêneros, obras, temas e técnicas SMITH, I. H. Breve história da fotografia: um guia de bolso dos principais gêneros, obras, temas e técnicas. 2018. http://bit.ly/2ZttlKO O sistema de informação da fotografia publicitária: as transformações tecnoimagéticas de David Lachapelle GADDI, C. M; RICCÓ, J. O sistema de informação da fotografia publicitária: as transformações tecnoimagéticas de David Lachapelle. Sessões do Imaginário, v. 20, n. 34, p. 100-107, 2015. http://bit.ly/2ZwQ2ho Máquina fotográfica. O que é uma Máquina fotográfica? http://bit.ly/2ZttqOC 23 UNIDADE História e Conceitos de Fotografia Referências AMAR, P. J. História da Fotografia. Lisboa-Portugal: Edições 70, LDA, 2011. BENJAMIN, W. Sobre Arte, Técnica, Linguagem e Política. Lisboa: Relógio D´Água Editores, 1992. KOSSOY, B. Fotografia & História. Cotia-SP: Atelié Editorial, 2018. PRAKEL, D. Fundamentos da fotografia criativa. São Paulo-SP: Gustavo Gili, 2015. ZUANETTI, R.; REAL, E.; MARTINS, N. Fotógrafo: o olhar, a técnica e o trabalho. Rio de Janeiro: Senac Nacional, 2004. 24