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As conjunções subordinativas subdividem-se em adverbiais e integrantes. Vamos a elas... As conjunções adverbiais são aquelas que indicam circunstâncias. Lembre-se de que cir- cunstância é uma ideia que se adiciona à frase sem ser necessária. É a história do fofoqueiro: por para Certa vez, O professor Evanildo Bechara comentou, em uma palestra, que circunstância é algo que a frase não pede, só a nossa curiosidade.. Pois bem, cabe ao aluno conhecer as ideias circunstanciais que se acrescentam à ideia principal de um texto, desenvolvendo-a. Podem ser causais, consecutivas, concessivas, condicionais, comparativas, conformativas, finais, temporais e proporcionais. Uma curiosidade São nove tipos: 6 iniciando com C: Concessiva, Condicional, Conformati- va, Comparativa, Causal e Consecutiva + F Final; T Temporal e P Proporcional. = 6C+FTP Primeiramente, temos as conjunções causais (porque, que, como (= porque), pois que, uma vez que, visto que, porquanto, já que etc.), que são aquelas que indicam um fato que faz com que outro ocor- ra. Logo, para cada causa haverá um efeito. Se você não achar efeito, então não havia causa. Daí, exemplo: Ele não fez a pesquisa porque não dispunha de meios. O fato de ele não dispor de meios é que fez com que ele não fizesse a pesquisa. Agora, cuidado! Não confunda a causa com efeito. Antes de classificar a conjunção, lembre-se de que a conjunção recebe o nome da ideia que vem depois dela, não antes. Se que vem depois do porque é que fez com que ele não fizesse a pesquisa, então porque é uma conjunção causal. Aqui, valem dois recados: Atenção: 1. Tenha em mente, ao resolver a questão, O conceito de causa: ela é um fato que faz com que outro ocorra. 2. Antes de classificar a conjunção, cuidado para não olhar para lugar errado: a conjunção recebe a classificação do que ela inicia, não do que veio antes dela. A seguir, sistematizo um passo a passo para você identificar a relação de causa e efeito: 1) Identificar na frase a relação lógica de causa e efeito: "O fato de... fez com que" Ele não fez a pesquisa porque não dispunha de meios. fez com que o fato de 2) Organizar cronologicamente os acontecimentos: (o que vem antes e que vem depois, na linha do tempo), entendendo que a causa acontece ANTES do efeito. Ele não fez a pesquisa porque não dispunha de meios. Não dispunha de meios = o fato de = causa (antes) Não fez a pesquisa fez com que = efeito (depois) 3) Antes de classificar a conjunção, lembre-se de olhar para O lugar certo: a conjunção recebe nome da ideia que vem DEPOIS dela. Ele não fez a pesquisa porque não dispunha de causa Então: conjunção subordinativa adverbial causal. Você deve estar perguntando: e se a conjunção iniciasse a oração ele não fez a pesquisa e não a outra oração? Aí, ela seria consecutiva, pois estaria iniciando efeito, a consequência. 230Assim, surge a conjunção consecutiva, que é aquela que introduz uma oração que expres- sa a consequência da principal. São de sorte que, de modo que, de forma que, sem que (= que não), que (tendo como antecedente na oração principal uma palavra como tal, tão, cada, tanto, tamanho) etc. Portanto, temos a frase. Estudou tanto durante a noite que dormiu na hora do exame. O primeiro passo é reconhecer que há, nessa frase, uma relação de causa e efeito. Triste é quando a gente sequer enxerga isso no texto... Em seguida, organizar, na frase, que é causa e O que é o efeito. Lembre-se de que: 1. Na linha do tempo, a causa antecede efeito: acontece antes. 2. A conjunção recebe nome da ideia que ela Assim, temos: O fato de estudar tanto durante a noite aconteceu antes de ter dormido na hora do exame: estudar muito fez com que dormisse na prova. Logo, estudar é a causa e dormir é efeito. Ora, se a conjun- ção inicia fato de ter dormido na hora do exame, que é a consequência, ela é consecutiva e não causal. A seguir, mais exemplos de frases que expressam relações de causa e efeito, para você treinar com O nosso passo a passo: Estudou tanto durante a noite que dormiu na hora do exame. 1) O fato de ter estudado muito fez com que dormisse. (Relação de causa e efeito) 2) O que acontece primeiro? Dorme ou estuda? Estudou... = causa Dormiu... = efeito 3) Que inicia causa ou efeito? Efeito! Então é consecutiva. A dor era tanta que ferido desmaiou. 1) Há relação de causa e efeito? fato de fez com que... A dor desmaiou 2) que aconteceu primeiro? A dor = desmaiou antes depois causa efeito 3) A conjunção inicia a causa ou O efeito? Efeito consecutivo Agora vamos às conjunções concessivas. As conjunções concessivas introduzem uma ora- ção que expressa ideia contrária à da principal, sem, no entanto, impedir sua realização. São elas: ainda que, apesar de que, embora, mesmo que, conquanto, se bem que, por mais que, posto que etc. Observe: Embora fosse tarde, fomos visitá-lo. O fato de ser tarde não impediu que fôssemos São informações contrárias, que não se excluem. Além do mais, verbo está no subjuntivo (fosse), que acaba sendo uma característica marcante das conjunções concessivas. 231Atenção: 1. As conjunções concessivas indicam contrariedade, oposição. 2. A fim de não confundi-las com as coordenativas adversativas, que também contrastam, não deixe de memorizar as conjunções de cada lista e de lembrar que a conjunção concessiva, normalmente, leva verbo para subjuntivo, O que não ocorre com as adversativas. Mais um exemplo para você Eu não desistirei desse plano mesmo que todos me abando- nem. O fato de todos me abandonarem não impedirá que eu desista desse plano: ideia de concessão. Atenção ao verbo "abandonem", que está no presente do subjuntivo, isso ajuda a se ter certeza de que a conjunção é concessiva. Atenção às conjunções CONQUANTO e PORQUANTO, muito comuns nas provas: CONQUANTO = EMBORA Embora fosse tarde, fomos visitá-lo. (ideia contrária) concessiva = verbo fica no subjuntivo PORQUANTO = PORQUE (causal ou explicativa) Entre, porquanto estamos atrasados. (explicativa) Choveu, porquanto dia foi quente. (causal) As conjunções condicionais introduzem uma oração que indica a hipótese ou a condição para a ocorrência da principal. São elas: se, contanto que, salvo se, desde que, a menos que, a não ser que, caso etc. Veja exemplo: Se precisar de minha ajuda, telefone-me. A ação de me telefonar só ocorrerá caso seja necessária a minha ajuda. É a hipótese para a ocor- rência da outra oração. Observe que verbo está no subjuntivo precisar, que enfatiza a ideia hipotética que a oração traz. As conjunções conformativas introduzem uma oração em que se exprime a conformida- de de um fato com outro. São elas: conforme, como (= conforme), segundo, consoante etc. Pense sempre assim: a conjunção conformativa indica um fato que se realiza de acordo com outro, em conformidade com Assim: Arrume a exposição segundo as ordens do professor. A exposição será arrumada em conformidade, de acordo com que professor ordenar. As conjunções finais introduzem uma oração que expressa a finalidade ou objetivo com que se realiza a principal. São elas: para que, a fim de que, porque (= para que), que etc. É mais uma conjunção que, por também indicar hipótese, apresenta, em geral, verbo no subjuntivo. Veja: Toque sinal para que todos entrem no salão. A finalidade, objetivo da primeira oração ("toque sinal") é de que todos entrem no salão. Veja como a finalidade é uma consequência desejada, almejada, hipotética. As conjunções proporcionais introduzem uma oração que expressa um fato relacionado proporcionalmente à ocorrência principal. São elas: à medida que, à proporção que, ao passo que e as 232combinações quanto mais... (mais), quanto mais... (menos), quanto menos... (mais), quanto menos... (menos) etc. É simples: uma ideia que se realiza proporcionalmente à outra. Assim: O preço fica mais caro à medida que os produtos escasseiam. Eis que a conjunção proporcional quanto mais preço fica caro, mais os produtos escasseiam. São ações diretamente proporcionais. Podemos ter até ações inversamente proporcionais: Quanto mais reclamava, menos atenção recebia. Atenção: não confunda "à medida que" com "na medida em que": À MEDIDA QUE = proporcional (à medida que ela cresceu ...) NA MEDIDA EM QUE = PORQUE (explicativa / causal) Atenção! à medida em que não existe. Na sequência, temos as conjunções temporais, que são aquelas que introduzem uma oração que acrescenta uma circunstância de tempo ao fato expresso na oração principal. São elas: quando, enquanto, assim que, logo que, todas as vezes que, desde que, depois que, sempre que, mal assim que) etc. Essa ideia de tempo pode iniciar um tempo simultâneo, concomitante: A briga começou assim que saímos da festa. As duas ações ocorrem ao mesmo tempo. É conjunção temporal que indica tempo simultâneo. Mas não será sempre assim. Veja: A cidade ficou mais triste depois que ele partiu. A conjunção é temporal, indicando tempo anterior. Que interessante: a locução conjuntiva depois que está iniciando uma oração com valor de anterioridade (ele partiu aconteceu antes de a cidade ficar mais triste) e não de posterioridade. Por isso, é tão importante você lembrar que, antes de classificar a conjunção, deve-se olhar para a oração que vem depois dela, não antes! Agora, vêm as que consideramos mais fáceis: as conjunções comparativas. As conjunções comparativas introduzem uma oração que expressa ideia de comparação com referência à oração principal. São elas: como, assim como, tal como, como se, (tão). como, tanto como, tanto quanto, tal, qual, tal qual, que (combinado com menos ou mais) etc. Assim, temos: O jogo de hoje será mais difícil que de ontem. Vemos aqui ações que se comparam. Observe: verbo das orações comparativas normalmente vem implícito, por ser O mesmo da outra oração. É como se eu dissesse: jogo de hoje será difícil como o de ontem foi difícil. Observe mais um exemplo: Ele é preguiçoso tal como irmão. É como se disséssemos: ele é preguiçoso como irmão é preguiçoso. Atenção: A oração comparativa vem com verbo implícito, contando, portanto, como uma oração. Se houver uma questão que pergunte quantos verbos há no período, não deixe de contar com verbo da oração comparativa, embora ele não esteja explícito. A seguir, vamos sistematizar os valores semânticos de três conjunções que aparecem em mui- tas provas de concursos: 233E POIS COMO No início da oração: Aditiva: Acordou e Conformativa: Fez tudo Pode ser causal ou foi ao curso como combinamos (= explicativa (perguntar conforme) primeiro se é causa) Adversativa: Tentou Causal: Como Deslocado e não conseguiu estudou, foi (= porém) (conclusiva) aprovado (=porque) Conclusiva: Estudou Comparativa: Ele é inteligente como e foi aprovado irmão Por fim, temos as conjunções integrantes. Deixamos essas conjunções para final, porque elas não integram bloco das adverbiais, não trazem ideia circunstancial. O seu papel é iniciar oração substantiva, a oração que vale por um substantivo. Lá na escola, a professora nos aconselha- va a substituir a oração substantiva por isto, que é um pronome substantivo, só para ter certeza de que ela é Assim, Espero que ele traga os documentos necessários. A conjunção integrante que integra a oração substantiva (que ele traga os documentos necessários), oração que vale por um substantivo, que pode ser trocada por isto. Veja que ela não tem nenhum dos valores semânticos que estudamos anteriormente (causa, condição, concessão...), apenas inicia uma oração substantiva. Mais um exemplo: Não sei se José foi aprovado. Eis um exemplo de conjunção integrante se: ela inicia uma oração que vale por um substan- tivo (aprovação de João). É a conjunção integrante. Atenção: 1. As conjunções subordinativas dividem-se em dois blocos: integrantes (sem valor semântico) e ad- verbiais (que indicam ideia circunstancial, apresentando os valores de causa, condição, concessão etc.) 2. Reconhecer a conjunção integrante é simples: basta trocar a oração que ela inicia por um substantivo, ou, simplesmente, por isto. Que tal treinarmos um pouco antes de encararmos as questões de concursos? A seguir, apre- sentamos algumas frases para fixarmos os conceitos. 234Classifique as conjunções subordinativas destacadas nas frases a seguir: 1. Não vieram porque chovia muito. Comentários: O fato de chover muito fez com que não viessem: inicia a causa. Gabarito: conjunção causal. 2. Por mais que estude, corre risco de ser reprovado. Comentários: O esperado seria que, estudando muito, fosse aprovado. Tem-se a ideia de oposição. Gabarito: conjunção concessiva. Atenção ao verbo no subjuntivo. 3. Como todos sabem, tenho um nome respeitado. Comentários: A conjunção como tem valor de conforme, de acordo com. Gabarito: conjunção conformativa. 4. Ninguém sabe se ele está vivo ou morto. Comentários: Ninguém sabe isto. Gabarito: a conjunção inicia oração substantiva, integrante. 5. Estava tão cansado, que adormeceu na poltrona. Comentários: Lá vem ela: a relação de causa e efeito. Organize seu raciocínio: fato de estar cansado fez com que ele adormecesse na poltrona. A causa é 0 cansaço, efeito é adormecer na poltrona. Gabarito: a conjunção que inicia efeito, ela é consecutiva. Além do mais, quem já memori- zou sabe que um que antecedido de tão normalmente é consecutivo. 6. Menti porque precisava. Comentários: O fato de precisar fez com que eu mentisse. Precisar é a causa, mentir é a conse- quência. Gabarito: a conjunção inicia a causa: ela é causal. 7. Menti porque não fosses punido. Comentários: Esse porque pode ser trocado por para que, a fim de que. O verbo, além disso, está no subjuntivo, indicando hipótese. Gabarito: conjunção final 8. Ainda que me ameaces, nada revelarei. Comentários: Relação de oposição, contrariedade, um fato que não impede que outro ocorra: fato de me ameaçar não vai impedir que eu nada revele. E o verbo no subjuntivo. Gabarito: conjunção concessiva. 9. Como ele se despedisse, acompanhamo-lo à porta. Comentários: Relação de causa e efeito: fato de ele se despedir fez com que até a porta. Gabarito: inicia a causa, a conjunção é causal. 235