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Divisão do império romano
O Império Romano foi dividido em 284 d.C. como forma de melhor administrar o poder. A divisão consistiu em:
Império Romano do Ocidente, tendo como capital Roma;
Império Romano do Oriente, com Bizâncio como capital.
O Império Romano do Oriente ou Império Bizantino, perdurou até 1453, quando foi tomado pelos turcos. Bizâncio, a capital, também era conhecida como Constantinopla.
No decorrer do século VI, o imperador Justiniano (527-565) tentou reordenar o Império Romano e abriu frentes de batalhas conquistando o Norte da África, a Península Itálica e a Península Ibérica.
Os muçulmanos, contudo, terminaram por ocupar o Norte da África, o Médio Oriente e a Península Ibérica nos séculos VII e VIII.
As principais causas do declínio do Império Romano foram:
Dificuldade de administração: o império era muito grande e havia complicações para controle da gestão e da corrupção que o assolou;
Invasões bárbaras: o exército precisou proteger o império das investidas de godos (visigodos e ostrogodos), hunos e germânicos (como os francos, anglos, saxões, vândalos, bretões e burgúndios);
Elevados impostos: o estado tinha elevado custo para manter a construção de pontes, aquedutos, estádios e banhos públicos. Esse fator elevou significativamente os impostos cobrados da população;
Religião: a expansão do cristianismo, que não admitia outros deuses, está entre as justificativas para a crise no império;
Escassez de escravos: a redução das batalhas por conquistas de novos territórios prejudicou o sistema de renovação de escravos
Cristianismo no Império Romano
A região da Palestina, onde viviam diversos povos, dentre eles os judeus, passou a fazer parte dos domínios romanos em 63 a.C. e influenciou diretamente a emergência de uma nova religião. O Cristianismo foi uma religião que nasceu no Império Romano, a partir da tradição judaica que acreditava na chegada de um messias à Terra, que seria responsável por pacificar a humanidade, 
salvando todos aqueles considerados pecadores. Essa crença foi a responsável pela formulação de uma nova religião, que, embora tenha sido perseguida e oprimida, garantiu aos poucos, e com o passar do tempo, a adesão de muitos fiéis e se espalhou por todo e Império Romano e, posteriormente, por todo o Ocidente.
Jesus Cristo, o messias do cristianismo, nasceu há aproximadamente dois mil anos, na província da Judéia (atual Palestina), em uma cidadã chamada Belém. Para conhecer Jesus Cristo é preciso compreender a Bíblia Sagrada e seu Novo Testamento como fontes históricas capazes de revelar indícios da cultura cristã.
É por meio dos Evangelhos do Novo Testamento que conhecemos Jesus Cristo, que é narrado como um homem sábio, responsável por espalhar ensinamentos por toda a região da Judéia, em aramaico, por volta do ano 30 d.C. A novidade era a crença em um único deus, pois à época o Império Romano era politeísta. Com palavras pacificadoras, Jesus Cristo carregava consigo mensagens de empatia, amor ao próximo e humildade. Passou a se autodeclarar o messias esperado, aquele que teria sido enviado por Deus. Essa postura gerou controvérsias, tanto por parte dos judeus, como por parte das autoridades romanas, que temiam seu domínio sobre o povo.
Esse desagrado com a figura de Jesus Cristo, acusado de se autopromover como deus dos judeus, levou-o à prisão. Seu julgamento foi conduzido por Pôncio Pilatos, um membro da administração romana na região da Judéia. Sua pena foi a crucificação, sugerida àqueles considerados criminosos nocivos à sociedade romana. No entanto nem a sua morte conseguiu conter a expansão do pensamento cristão, pois seus ensinamentos continuaram a ser difundidos por seus seguidores, os apóstolos. Eles foram os responsáveis por espalhar o cristianismo por toda a região do Mar Mediterrâneo.
Muitos habitantes do Império simpatizavam com as ideias da nova religião, pois além de pregar a igualdade entre os homens, versava sobre a humildade e o amor ao próximo. As perseguições também não foram suficientes para acabar com o cristianismo. Pelo contrário. Elas fortaleciam o povo cristão, que se expandia por todo o Império Romano, primeiramente entre as populações mais pobres, como os escravos, chegando aos mais abastados da população.
Foi a chegada de Constantino ao poder que mudou a relação do Império com o Cristianismo. Constantino converteu-se cristão em 313 e permitiu que os cultos cristãos ocorressem sem ameaça de violência ou perseguição. Assim, na figura de Constantino o Cristianismo ganhou novos adeptos, em todos os grupos sociais e se expandiu com mais facilidade, acabando por se tornar indispensável para um bom governo do Império Romano, representando uma força para a união imperial. Em pouco tempo os cultos pagãos passaram a ser proibidos e o cristianismo tornou-se a 
religião oficial do Império Romano em 380 d.C. Até hoje o centro da Igreja Católica, o Vaticano, fica localizado na Itália.
Invasões Bárbaras
A formação de um vasto império proporcionou aos romanos uma série de dificuldades ligadas à manutenção dos limites territoriais com outros povos europeus. Durante o século IV os povos germânicos foram gradativamente atraídos pela disponibilidade de terras férteis e o clima ameno das possessões romanas. Paralelamente, essas populações também sofriam com a pressão militar exercida pelos hunos, habilidosos guerreiros mongóis que forçavam a entrada dos germânicos no Império Romano.
Naquele período, os romanos tinham o costume de chamar esses invasores estrangeiros de “bárbaros”. Essa palavra de origem grega era genericamente destinada a todo aquele que não tinha capacidade de assimilar a língua e os costumes romanos. Apesar dessa distinção, as invasões bárbaras foram responsáveis diretas por um intenso intercâmbio cultural que modificou profundamente a formação étnica, política, econômica, linguística e religiosa do mundo ocidental.
Inicialmente, a aproximação entre os romanos e bárbaros ocorreu de maneira pacífica ao longo da fronteira natural estabelecida pelo Rio Reno. No século XII a.C., a tentativa de expansão dos territórios romanos estabeleceu o envio de tropas para as imediações do rio Elba. Tal ação poderia ser o primeiro passo para que o Império Romano pudesse estabelecer novos domínios na Germânia. Contudo, os povos dessa região acabaram impondo a fronteira romana para trás do rio Reno.
Progressivamente, o contato com os bárbaros permitiu a entrada de estrangeiros na própria estrutura de poder romana. Alguns germânicos eram contratados para realizar a guarda pessoal dos imperadores. Ao mesmo tempo, os povos que habitavam a fronteira foram reconhecidos como federados, tendo a função de evitar que outros povos estrangeiros adentrassem os domínios romanos. Entretanto, no momento que os hunos atacaram as tribos germânicas, a entrada de estrangeiros se intensificou.
Fugindo do terror imposto pelos hunos, os visigodos romperam a fronteira do Império e pediram ajuda das autoridades romanas. O Imperador Valente decidiu abrigá-los na Macedônia com a condição de garantirem a proteção das fronteiras daquela região. Contudo, a presença dos 
visigodos se tornou uma ameaça no momento em que estes estrangeiros tentaram controlar politicamente o espaço macedônico. Logo em seguida, outras tribos buscaram a Europa como refúgio.
Observando a fragilidade militar dos romanos, algumas tribos germânicas vislumbraram a possibilidade de conquistar algumas partes do Império. Por volta de 402, o rei Alarico, da tribo dos visigodos, promoveu uma série de campanhas militares que deveriam conquistar a Península Itálica. Para que não tomasse a cidade de Roma, este monarca recebeu das autoridades romanas uma vultosa indenização em terras e tributos. Logo em seguida, os visigodos tomaram a Península Ibérica e a região sul da Gália.
Por volta de 406, as tribos germânicas dos quados, vândalos, suevos e alanos também adentraram o militarmente combalido território romano. Os vândalos conquistaram o norte da África e, sob o comando de Genserico, formaram seu reino com capitalem Cartago. Em 455, aproveitaram de seu fortalecimento econômico e militar para saquear a cidade de Roma.
Os francos conquistaram a porção norte da Gália. Os burúngios, em 433, se fixaram na região do rio Ródano. Jutos, anglos e saxões promoveram em conjunto a conquista da ilha da Bretanha. O Império Romano se mostrava todo desfigurado com a formação de novos reinos que tomaram toda Europa Ocidental. Aos romanos ainda restava o controle da Península Itálica. Contudo, no ano de 476, os hérulos, comandados pelo rei Odoraco, depuseram Rômulo Augústulo, o último imperador do Império Romano do Ocidente.
A crise do escravismo no Império Romano
Desde os tempos republicanos, Roma sustentava e ampliava seu poderio econômico através da constante obtenção de terras e escravos. Ao combinar essas duas práticas, os romanos garantiam produtos agrícolas e manufaturados a um baixo preço e alcançavam margens de lucro bastante significativas. Segundo algumas estimativas, a economia romana, até o final da República, contava com uma extensa população com mais de dois milhões de escravos.
Chegado o século III, toda essa situação de prosperidade e expansão se encerrou pela grande dimensão alcançada pelos territórios, o alto custo que envolvia a realização de outras anexações e as constantes pressões exercidas pelas populações dominadas e vizinhas. Nessa situação, o governo de Roma se limitava a fortalecer as fronteiras que já se encontravam em seu domínio. Deste modo, o fluxo de escravos que barateava custos e ampliava os lucros deixava de ter a mesma força.
Além disso, podemos notar que a política romana para com os povos conquistados também teve grande papel para a crise do escravismo. Com o passar do tempo, diversos dos povos conquistados alcançavam os direitos reservados aos cidadãos romanos. Mais do que promover uma equiparação jurídica, esta postura tolerante refreava o processo de obtenção de novos escravos. Sendo assim, havia fatores de ordem administrativa e militar contribuindo para a escassez de mão de obra nos domínios romanos.
Partindo para outro universo de justificativas, também podemos compreender a presença de uma forte relação entre a crise do escravismo e a disseminação do ideário cristão no mundo romano. Tendo a liberdade como um dom de ordem divina, muitos dos que se convertiam à nova religião acreditavam que a libertação de seus escravos seria um modo de se conquistar a salvação espiritual. Vale também lembrar que muitos escravos se convertiam à religião, incorporando valores contrários à sociedade romana.
Com o passar do tempo, vemos que a crise que já se configurava, se potencializou na medida em que os grandes proprietários de terra passaram a ver que a manutenção de uma vasta população de escravos se tornava economicamente inviável. De tal modo, diversos aristocratas começaram a dividir as suas terras em terrenos menores que eram arrendados por plebeus saídos das cidades ou por escravos que obtinham a sua liberdade por meio do sistema de colonato.
Crise do Império Romano
A partir do terceiro século d.C., o Império Romano iniciou sua fase de declínio e decadência, que acabou resultando na fragmentação de sua parte ocidental. Às crises econômica e política, somou-se a chegada dos germânicos, levando ao fim da parte ocidental do império e à ocupação de seu território por esses povos.
As razões da crise romana
Até parte do século II d.C., o Império Romano viveu um período de relativa paz e grande prosperidade, que ficou conhecido como Paz Romana. O final desse período foi marcado pela morte do imperador Marco Aurélio em 180 d.C., iniciando-se, assim, a decadência romana, que se estendeu até a fragmentação da parte ocidental do império em 476.
A decadência do Império Romano estava relacionada, primeiramente, com a crise do sistema escravista, iniciada na transição do século II para o século III d.C. Esse sistema era parte 
essencial da economia romana, que contava com a renovação da população de escravos do império por meio das guerras de conquista e expansão, típicas da história romana.
No entanto, essas guerras de conquista não aconteciam desde o século II d.C., com a última grande vitória romana contra os dácios em 106 d.C., durante a Batalha de Sarmizegetusa. Após essa posse de parte da Dácia, os romanos não realizaram novas conquistas e, com isso, a obtenção de novos escravos foi interrompida.
Com a diminuição na quantidade de escravos e como não havia a renovação natural dessa população, a disponibilidade dessa mão de obra no império começou a diminuir. Assim, esse processo afetou a economia romana e causou a diminuição de sua produtividade, provocando, consequentemente, um aumento no custo de vida em todo o império.
Além da crise do sistema escravista e da economia, a crise política também contribuiu para o enfraquecimento do império. Esse período na história romana, entre o século III e V, foi marcado por uma intensa disputa pelo poder, com conspirações sendo realizadas contra os imperadores, o que gerava uma instabilidade que enfraquecia a administração romana.
Essa crise política estava relacionada, principalmente, com o fortalecimento da figura do imperador com a profissionalização do exército romano. Como a continuidade do poder em Roma não acontecia necessariamente a partir da hereditariedade, e sim pela influência, os generais, muitas vezes, conspiravam para garantir uma posição de poder.
Por fim, o crescimento do cristianismo foi um outro fator de relevância para o agravamento dessa crise, uma vez que o avanço dessa religião provocou o enfraquecimento da figura do imperador, já que os cristãos não aceitavam prestar-lhe culto religioso, como era o costume na época. Além disso, os cristãos eram contrários à escravidão, e o crescimento dessa religião contribuiu para enfraquecer ainda mais uma instituição já debilitada.
Migrações germânicas
Todos esses fatores foram ampliados com a ação dos povos germânicos que, especialmente a partir do século II d.C., atacavam constantemente as fronteiras do Império Romano. Os germânicos, que constituíam uma variedade de povos, habitavam as regiões ao norte da Europa (principalmente onde hoje fica a Alemanha) e desde muito já lutavam contra os romanos.
Os povos germânicos eram chamados pelos romanos de “bárbaros”, termo de conotação pejorativa que faz menção ao fato de esses povos não possuírem as mesmas práticas e cultura dos romanos. 
A partir do século II d.C., as migrações germânicas intensificaram-se e, com o enfraquecimento do poder romano, as fronteiras do império ficaram mais frágeis.
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O aumento nas migrações dos povos germânicos, segundo os historiadores, aconteceu pelas seguintes razões:
Crescimento populacional: o aumento populacional levou os germânicos a procurarem por melhores terras que suportassem o tamanho de suas populações.
Resfriamento do clima: os historiadores afirmam que, nesse período, o clima no norte da Europa passou por um resfriamento que diminuiu a quantidade de terras agrícolas disponíveis.
Fuga: a chegada de povos mais fortes e poderosos – como os hunos – levou diferentes povos germânicos a migrarem para fugir desse domínio.
À medida que o exército romano se enfraquecia, fruto da crise econômica principalmente, a intensidade dos ataques germânicos aumentava. Assim, gradativamente, diferentes povos germânicos começaram a invadir e saquear as terras romanas. O historiador Jacques Le Goff refere-se a algumas dessas invasões que aconteceram nos territórios romanos durante esse período:
Vândalos, alanos e suevos assolam a Península Ibérica. A breve instalação dos vândalos no sul da Espanha batiza, no entanto, a Andaluzia. Já em 429, os vândalos, únicos bárbaros a possuir uma frota, vão para a África do Norte e conquistam a província romana da África, ou seja, a Tunísia e a Argélia Oriental. Os visigodos, após a morte de Alarico, retrocedem da Itália para a Gália em 412 e depois, em 414, para a Espanha, de onde recuam em 418 para instalar-se na Aquitânia […]. Ao Norte,bárbaros escandinavos, anglos, jutos e saxões, depois de uma série de incursões na Bretanha (Grã-Bretanha), acabam por ocupá-la entre 441 e 443. Uma parte dos bretões derrotados atravessa o mar e instala-se na Armórica, que se torna a Bretanha [norte da França]|1|.
Esse trecho destacado abordou, portanto, a época em que essas terras, que originalmente eram dominadas pelos romanos, passaram a ser atacadas e ocupadas pelos povos germânicos. Esse processo, conforme mencionado, aconteceu devido ao enfraquecimento do exército romano, consequência direta da crise econômica. O trecho também trata de uma pequena parcela de uma grande variedade de povos que atacaram as terras romanas.
A trajetória do Império Romano do Ocidente (o império estava dividido em parte ocidental e oriental desde 395) chegou ao fim quando a cidade de Roma foi atacada, em 476, pelos Hérulos, e o imperador Rômulo Augusto foi destituído do cargo de imperador. A parte ocidental do Império 
Romano deu origem aos reinos germânicos.
Consequências
A chegada dos povos germânicos acabou intensificando a crise do Império Romano, pois os centros produtores de grãos, por exemplo, foram atacados, o que levou ao abandono desses locais ou ao seu saque. Além disso, a violência trazida pelos ataques germânicos afetou as rotas comerciais existentes no império. A junção desses dois fatores – redução na produção agrícola e fim das rotas comerciais – acarretou o desabastecimento das cidades.
Com as cidades desabastecidas, a fome por esses locais propagou-se, e tornou-se comum a disseminação de doenças graves como a peste. Além disso, as cidades romanas tornaram-se alvos, uma vez que acumulavam grandes riquezas que atraíam os ataques dos germânicos interessados nos saques. Portanto, a chegada desses povos causou uma redução populacional e uma ruralização na Europa Ocidental.