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2 Aula 8 mod 7 O Sistema Internacional de Proteção dos Direitos Humanos AUTORIA Jefferson Aparecido De certa forma, a aprovação da Declaração Universal dos Direitos Humanos pode ser considerada a certidão de nascimento do Direito Internacional dos Direitos Humanos, pois, a partir de então, o mundo passou a ter um documento que se propôs a garantir e impor a adoção de mecanismos de respeito aos direitos humanos de forma universal, ou seja, a todos os países, permitindo a criação, na sequência de um Sistema Internacional de Proteção aos Direitos Humanos. Antes da Declaração, porém, alguns fatos podem ser considerados os precedentes históricos desse novo Sistema, pois, conforme observa Piovesan, “o Direito Humanitário, a Liga das Nações e a Organização Internacional do Trabalho situam-se como os primeiros marcos do processo de internacionalização dos direitos humanos” (PIOVESAN, 2018b, p. 203). O Direito Humanitário é o direito relacionado às guerras, ou seja, aos conflitos armados e, ainda segundo a autora (PIOVESAN, 2018b, p. 203), sua origem remonta “à Convenção de 1864, tem como fontes principais as quatro Convenções de Genebra de 1949 e os seus princípios devem aplicar-se hoje quer às guerras internacionais, quer às guerras civis e a outros conflitos armados”. Já a Liga das Nações e a Organização Internacional do Trabalho foram criadas após a Primeira Guerra Mundial, também contribuíram para o processo de internacionalização dos direitos humanos e serviram de fundamento para a criação do Sistema Internacional (ou Global) de Direitos Humanos que tem, dentre os seus principais órgãos, a Assembleia Geral, o Conselho de Segurança, o Conselho de Tutela, o Conselho Econômico e Social, a Corte Internacional de Justiça e o Secretariado (art. 7, da Carta da ONU, 1945). A Carta das Nações Unidas foi assinada em São Francisco, em 26 de junho de 1945 e está disponível no seguinte endereço eletrônico. ACESSAR Assembleia Geral A Assembleia é formada por todos os membros das Nações Unidas, sendo que cada um deles pode indicar até cinco representantes, o que “não significa que cada membro possa votar cinco vezes, pois a Carta é expressa no sentido de que cada qual possui um voto.” (OLIVEIRA; LAZARI, 2018, p. 844). As questões importantes precisarão contar com a aprovação de um quórum qualificado de dois terços dos membros presentes e votantes. Tais situações, segundo o art. 18 da Carta da ONU, são: [...] recomendações relativas à manutenção da paz e da segurança internacionais; à eleição dos membros não permanentes do Conselho de Segurança; à eleição dos membros do Conselho Econômico e Social; à eleição dos membros do Conselho de Tutela, de acordo como parágrafo 1 (c) do artigo 86; à admissão de novos membros das Nações Unidas; à suspensão dos direitos e privilégios de membros; à expulsão dos membros; questões referentes ao funcionamento do sistema de tutela e questões orçamentárias. Nos demais casos, as deliberações poderão ser tomadas, segundo o mesmo preceito, pela maioria simples dos membros presentes e votantes. Interessante destacar, contudo, que, em todos os casos, tal qual ocorre em um condomínio, onde o condômino em débito não tem direito a voto, o mesmo se dá na ONU, segundo o preceito contido no art. 19 da Carta da ONU: O membro das Nações Unidas que estiver em atraso no pagamento de sua contribuição financeira à Organização não terá voto na Assembleia Geral, se o total de suas contribuições atrasadas igualarem ou excederem a soma das contribuições correspondentes aos dois anos anteriores completos. A Assembleia Geral poderá, entretanto, permitir que o referido membro vote, se ficar provado que a falta de pagamento é devida a condições independentes de sua vontade. Assim, a falta de pagamento da contribuição financeira devida por cada um dos países da ONU impede-o de participar das suas deliberações, salvo caso da permissão especial prevista no final do preceito acima mencionado. Conselho de Segurança O Conselho de Segurança da ONU é composto por quinze membros, sendo cinco permanentes (França, China, Reino Unido, Rússia e Estados Unidos) e dez não permanentes (temporários), eleitos pela Assembleia Geral para um mandato de 2 anos. O Brasil já foi um membro não permanente no Conselho de Segurança por dez vezes (BRASIL, s.d.): [...] nos biênios 1946-47, 1951-52, 1954-55, 1963-64, 1967-68, 1988-89, 1993-94, 1998-99, 2004-05 e 2010-11. Para o último, foi eleito com 182 votos (dentre 183 países votantes), o que demonstra o amplo reconhecimento das contribuições do Brasil à atuação do Conselho. O papel do Conselho de Segurança é extremamente importante, pois, segundo o art. 14 da Carta da ONU: A fim de assegurar pronta e eficaz ação por parte das Nações Unidas, seus membros conferem ao Conselho de Segurança a principal responsabilidade na manutenção da paz e da segurança internacionais e concordam em que no cumprimento dos deveres impostos por essa responsabilidade o Conselho de Segurança aja em nome deles. Assim, a manutenção da paz e da segurança internacionais são as principais responsabilidades do Conselho de Segurança da ONU. No Conselho de Segurança existe a possibilidade de os membros permanentes, quais sejam, França, China, Reino Unido, Rússia e Estados Unidos, exercerem o poder de veto, o que impede que a medida votada seja implementada. Assim, mesmo que 14 dos 15 membros votem a favor de alguma medida, se um dos membros permanentes vota contra a medida não será aprovada. Sobre o tema: GUIMARÃES, Fernanda. CARVALHO, Patrícia Nasser de. A atuação do conselho de segurança das nações unidas na guerra civil síria: conflitos de interesse e impasses entre os P5 e a consequente falta de resolução para a questão. Austral: Revista Brasileira de Estratégia e Relações Internacionais, v.6, n.12, Jul./Dez. 2017, p.66-83. ACESSAR A Corte Internacional de Justiça A Corte Internacional de Justiça é o principal órgão judicial da ONU e tem seu funcionamento regulado por seu Estatuto, que foi anexado à Carta da ONU. É composta por quinze juízes e possui competência contenciosa e consultiva. Somente os Estados-partes podem figurar nos seus processos (PIOVESAN, 2018, p. 219). Para a defesa dos Direitos Humanos, Bruna Pinotti Garcia Oliveira e Rafael de Lazari destacam que o Sistema Internacional contempla o Comitê de Direitos Humanos, criado pelo Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos de 1966, e o Conselho de Direitos Humanos, órgão intragovernamental criado pela Resolução nº 60/251, de 15/03/2006, com o “objetivo de proteger todos os direitos humanos e liberdades fundamentais em relação a todas as pessoas.” (OLIVEIRA, LAZARI, 2018, p. 906). image1.jpeg