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EXCELENTÍSSIMO(A) SENHOR(A) JUIZ(A) FEDERAL DA SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA DE SÃO JOÃO DEL REI – MG URGENTE: Candidato ilegalmente prejudicado em concurso público federal em andamento — Resultado final previsto para 28/02/2025. LUCAS MOREIRA MACHADO, brasileiro, casado, farmacêutico, portador do RG n° MG- 171825525, SSPMG, inscrito no CPF sob o n° 106.338.306-40, residente e domiciliado à Avenida Pereira Teixeira, nº 554, apto. 104, em Barbacena-MG, CEP. 36.202-000, vem, respeitosamente, por meio de seu advogado abaixo assinado (procuração anexa), à presença de Vossa Excelência, propor: AÇÃO ANULATÓRIA DE ATO ADMINISTRATIVO COM PEDIDO DE TUTELA DE URGÊNCIA ANTECIPADA INCIDENTAL Em face da FUNDAÇÃO CESGRANRIO, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o n. 42.270.181/0001-16, com sede na Rua Santa Alexandrina, 1011 Rio Comprido, Rio de Janeiro/RJ, CEP 20261-235; e da UNIÃO FEDERAL, pessoa jurídica de direito público, inscrita no CNPJ/MF sob o n. 00.394.411/0001-09, a ser citada na pessoa do Procurador- Geral da União em Brasília-DF, com endereço na SIG, Quadra 06, Lote 800, 20 Andar, Sala 225-F Ed. Palácio Alberto de Britto Pereira, pelos fatos e fundamentos jurídicos a seguir expostos: 1. DA GRATUIDADE DA JUSTIÇA: O autor declara expressamente, conforme declaração de hipossuficiência anexa, que não possui condições de arcar com as despesas processuais e honorários advocatícios sem prejuízo de seu próprio sustento ou de sua família, nos termos do art. 50 LXXIV, da Constituição Federal e art. 98 do Código de Processo Civil. Atualmente, o autor é farmacêutico, percebendo remuneração mensal aproximada de R$ 5.000,00 reais, valor que é utilizado integralmente para custear suas despesas básicas, tais como moradia, alimentação, transporte e saúde. O autor é casado e atualmente está enfrentando um doloroso processo de divórcio que vem lhe causando prejuízos financeiros imensuráveis além de toda a divisão de seus bens e negociações acerca da pensão alimentícia que irá ter de arcar. Sendo assim, o autor necessita dedicar boa parte de seu tempo e de seus rendimentos em intermináveis reuniões de debates com advogados de ambos os conjuges. Portanto, a situação financeira do autor é delicada e instável, fazendo jus ao benefício da justiça gratuita, uma vez que não possui renda suficiente para cobrir as despesas processuais sem comprometer do seu sustento, nesse cenário, o autor faz jus ao deferimento da gratuidade da justiça. 2. DO FORO COMPETENTE: Extrai-se do edital anexo que não há foro de eleição para eventuais demandas judiciais, de forma que, nos termos do art. 109, I e § 20 , da Constituição Federal compete à Justiça Federal processar e julgar a demanda, que poderá ser aforada na seção judiciária em que for domiciliado o autor. Tal disposição também está elencada no art. 51, parágrafo único, do CPC Assim, o foro competente para processar e julgar a presente ação é o da Subseção Judiciária de São João Del Rei/MG, conforme preconiza o ordenamento jurídico brasileiro, especialmente em razão de o domicílio do autoro localizado em Município abrangido por esta Subseção. 3. DA COMPETÊNCIA DA VARA FEDERAL: No caso dos autos, o valor da causa é inferior ao teto dos Juizados. Contudo, conforme será melhor explicado, para o julgamento da causa é imprescindível a realização de perícia técnica, a fim de atestar erro grosseiro na correção das questões. Considerando que todas as questões objurgadas referem-se a temas complexos, de áreas específicas, os quais não podem ser identificados sem a realização de perícia técnica por profissional especialista na área, trata-se de causa complexa, a qual não é acobertada pela competência do Juizado Especial Federal. Além disso, por tratar-se de ação que objetiva a anulação de ato administrativo federal a competência do Juizado Especial Federal é afastada, conforme previsto no art. 30, §1 0, III, da Lei n. 10.259/2001. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. CONFLITO DE COMPETÊNCIA. JUIZADO ESPECIAL FEDERAL E JUÍZO FEDERAL COMUM. CONCURSO PÚBLICO. ANULAÇÃO DE ATO ADMINISTRATIVO. VALOR DA CAUSA INFERIOR A 60 (SESSENTA) SALÁRIOS MÍNIMOS. COMPETÊNCIA DO JUÍZO FEDERAL COMUM. 1. A competência dos Juizados Especiais Federais Cíveis é absoluta e fixada em função do valor da causa, excetuando-se da regra geral, todavia, as causas em que se pretende a anulação ou o cancelamento de ato administrativo federal, salvo o de natureza previdenciária e o de lançamento fiscal ( § 1 0 inciso III, do art. 30 da Lei n. 10.259/2001). [...] 3. A jurisprudência desta Seção é no sentido de que as causas que têm como objeto participação/nomeaçäo/posse em concurso público estão excluídas da competência dos Juizados Especiais Federais, ainda que o valor da causa seja inferior a sessenta salários mínimos. 4. Conflito conhecido, declarando-se a competência do Juízo Federal da 4a Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal o suscitado. (TRF-I CC: 10101906820224010000, Relator: DESEMBARGADOR FEDERAL JAMIL ROSA DE JESUS OLIVEIRA, Data de Julgamento: 28/06/2022, 3a Seção, Data de Publicação: PJe 28/06/2022 PAG PJe 28/06/2022 PAG). (Grifou-se) Desse modo, esta Vara é competente para processar e julgar a demanda. 4. SÍNTESE DOS FATOS: O autor inscreveu-se para o Concurso Público Nacional Unificado do Governo Federal para o Bloco 3 - Ambiental, agrário e biológicas, regido pelo Edital n. 03/2024. A prova foi elaborada pela banca Fundação CESGRANRIO. Assim, teve sua inscrição deferida e iniciou sua preparação, dedicando-se durante meses em árduos estudos para buscar o tão sonhado cargo público. Conforme o item 8 do Edital de Abertura, a prova objetiva de 70 questões foi aplicada em dois turnos. No turno da manhã, aplicou-se 20 questões de Conhecimentos Gerais e uma prova discursiva, e à tarde, 50 questões sobre conhecimentos específicos. Quanto à prova discursiva, de caráter eliminatório e classificatório, era composta de uma questão dissertativa, cuja nota compreende: (l) 50% o domínio dos conhecimentos específicos; e (II) 50%, o uso do idioma (item 7.1.2.8 do edital) Contudo, verificaram-se ilegalidades nesta etapa, dentre as quais: (1) Espelho de correção genérico, sem detalhar quanto vale cada comando da questão, nem quais os descontos por cada erro; e (2) Não foram apresentadas fundamentações ou justificativas quanto ao recurso administrativo interposto. Para a surpresa do autor, nenhum dos argumentos de seu recurso administrativo foi analisado, o qual foi apresentado a tempo e modo conforme previsão editalícia e anexa ao presente, para comprovação. A banca não apresentou fundamentação para manter a nota inalterada. Desse modo, foi completamente omissa em seu dever de fundamentar as decisões administrativas e anular as ilegalidades perpetradas na via administrativa. Em razão disso, não resta alternativa ao autor senão ingressar com a presente ação, pleiteando-se o controle judicial sobre as ilegalidades cometidas pelas rés. 5. DO DIREITO: A) DO CONTROLE JUDICIAL DA LEGALIDADE DOS ATOS ADMINISTRATIVOS: É certo que, em atenção ao princípio da autotutela, a Administração Pública pode anular seus próprios atos quando eivados de ilegalidade, ante o teor das súmulas 346 1 e 4732 , ambas do STE Diante disso, em observância ao princípio do controle judicial ou da sindicabilidade, é certo que "o Poder judiciário detém ampla competência para investigar a legitimidade dos atos praticados pela Administração Pública, anulando-os em caso de ilegalidade (art. 50 inciso XXXV, da CIC: a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito" MAZZA, 2015, 5a edição, p. 142. Contudo, infelizmente, a banca tomou conhecimento acerca das ilegalidades perpetradas, através da interposição de recursos administrativos por diversos candidatos, incluindo o autor. Mas recusou-se a anular ou, ao menos, justificar,os motivos para manutenção das notas da prova discursiva. Em razão disso, imprescindível a intervenção do Poder Judiciário para que as ilegalidades sejam cessadas, assim como a violação aos direitos do candidato. Súmula 346/STF: A Administração Pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos. Súmula 473/STF: A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque dêles não se originam direitos; ou revogá- los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. Neste ponto, ressalta-se que a Constituição Federal é clara ao declarar que "a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito' (Art. 50 , XXXV) Sobre a possibilidade de o judiciário realizar o controle de legalidade dos atos administrativos evolvendo concursos público, o Supremo Tribunal Federal em sede de Repercussão Geral (Tema 485), fixou que: Não compete ao Poder Judiciário substituir a banca examinadora para reexaminar o conteúdo das questões e os critérios de correçäo utilizados, salvo ocorrência de ilegalidade ou de inconstitucionalidade. [Tese definida no RE 632.853, rel. min. Gilmar Mendes, P, j. 23-4- 2015, DJE 125 de 29-6-2015, Tema 485.]" Destaca-se o seguinte posicionamento do Superior Tribunal de Justiça que compartilha do mesmo posicionamento: ADMINISTRATIVO. CONCURSO PÚBLICO. TÉCNICO JUDICIÁRIO AUXILIAR. QUESTÃO DE PROVA OBJETIVA. CONTEÚDO. VINCULAÇÃO AO EDITAL. AUSÊNCIA. ANÁLISE. POSSIBILIDADE. 1. O Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento no sentido de que a análise de questão objetiva pelo Poder Judiciário está diretamente ligada ao controle da legalidade e da vinculação ao edital do certame, não havendo que se falar em controle do mérito do ato administrativo. 2 Hipótese em que, diante da incompatibilidade do conteúdo da Questão n 42 da prova objetiva tipo I com o exigido no Edital n. 34/2014, não foi respeitado o princípio da vinculação da lei do certame, sendo de rigor sua anulação (da questão). 3. Agravo interno desprovido. (Aglnt no RMS 49.918/SC, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 14/1 0/2019, DJe 17/10/2019). Com base nos supracitados julgados dos Tribunais Superiores é possível concluir que o Poder Judiciário pode analisar as questões discursivas das provas, pelo critério da legalidade bem como da vinculação ao instrumento convocatório (edital), porém iamais pelo mérito do ato administrativo. Ademais, destaca-se que o princípio da legalidade, previsto nos artigos 5 0 II, 37, caput, e 84, IV, da CF, assenta-se na própria estrutura do Estado de Direito e do sistema constitucional como um todo e, acima de tudo, constitui uma garantia fundamental do indivíduo, limitando o poder punitivo do Estado. Segundo as lições de Celso Antônio Bandeira de Mello, tal princípio 'consiste na consagração da ideia de que a Administração Púbica só pode ser exercida na conformidade com a lei e que, de conseguinte, a atividade administrativa é atividade sublegal, infralegal, consistente na expedição de comandos complementares à leÎ ' Neste sentido, é pacífico na jurisprudência dos tribunais superiores o entendimento de que o edital é a lei do concurso público, e vincula tanto os candidatos como a própria administração pública: ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONCURSO PÚBLICO. MÉDICO. ESPECIALIZAÇÃO EM PSIQUIATRIA. PREVISÃO EDITALíClA. VINCULAÇÃO AO EDITAL. PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO AO EDITAL. 2. A jurisprudência do STJ é a de que o Edital é a lei do concurso, pois suas regras vinculam tanto a Administração quanto os candidatos. Assim, o procedimento do concurso público fica resguardado pelo princípio da vinculação ao edital.[...] Daí decorre o princípio da vinculação ao instrumento convocatório, segundo o qual tanto o candidato quanto a Administração Pública estão vinculados às regras expostas no edital com a ressalva de que, se houver um ato ilegal o poder judiciário poderá anulá-lo, já que o edital não está acima da lei e o judiciário deve garantir a sua aplicação. Desse modo, demonstrar-se-á exatamente em quais pontos o edital foi violado pelo ato praticado pelas rés e quais as ilegalidades cometidas. Excelência, não se está questionando o mérito do ato administrativo, mas sim, clama-se ao Poder Judiciário para que realize a anulação de ilegalidades perpetradas pela Administração Pública. B) ILEGALIDADES NA PROVA DISCURSIVA - REDAÇÄO: Apesar de poder estar melhor classificado, não fossem as flagrantes ilegalidades constatadas nas questões da prova objetiva, o autor obteve pontuação suficiente para classificar-se dentro da nota de corte e ter sua prova discursiva corrigida, conforme se observa: A prova discursiva, de caráter eliminatório e classificatório, era composta de uma questão dissertativa, cuja nota compreende (item 7.1.2.8 do edital): a) 50% - Conhecimentos específicos. Considerando-se a capacidade de lidar com os conceitos, as técnicas e as atividades próprias da área de conhecimento, aferindo a compreensão, o conhecimento, o desenvolvimento e a adequação desses conceitos, a conexão, a pertinência ao assunto abordado e o atendimento ao tópico solicitados; b) 50% da nota — Uso do idioma. Considerando-se a proficiência na instrumentalização de conhecimentos ortográficos, gramaticais adequados à norma-padräo e textuais (introdução, desenvolvimento, conclusão, observando-se coerência e coesão. Contudo, o autoro foi surpreendido com uma nota muito aquém do que imaginava em conhecimentos específicos, visto que sua redação foi redigida atendendo aos critérios estabelecidos no edital e preencheu todos os requisitos quanto aos conhecimentos específicos. Em razão disso, interpôs recurso administrativo contra o resultado preliminar (em anexo), completamente embasado e explicativo. Contudo, a banca não alterou seu posicionamento e nem mesmo justificou os motivos pelos quais a redação não se enquadra ao tema proposto. O enunciado da Questão Dissertativa dizia o seguinte: QUESTÃO DISSERTATIVA Considere os fragmentos a seguir. Este ano, todos os recordes de temperatura do planeta foram rompidos: 2023 é o mais quente da história. O Brasil foi assolado, até este momento, por oito ondas de calor. Surge desse cenário dantesco a seguinte pergunta: essas temperaturas intensas têm a ver com atividades humanas? Depois de se debruçarem sobre a questão, pesquisadores concluíram: sim, há nisso um peso significativo das mudanças climáticas causadas pelo ser humano. ARMONA, M. B. Brasil 50 graus. Ondas de calor no contexto das mudanças climáticas. Ciência Hoje, n. 405, dez. 2023. Disponível em: https://cienciahoje.org.br/artigo/brasil-50-graus-ondas-de-calor-no- contexto-das-mudancas-climaticas/. Acesso em: 27 fev. 2024. Adaptado. Clima atrapalha e derruba produtividade da soja Desempenho inferior tem a ver com o mesmo clima que, ironicamente, ajudou tanto na safra anterior. Resultado é melhor em áreas com irrigação, mas ainda assim está abaixo do esperado. CLIMA atrapalha e derruba produtividade da soja. G1, 25 fev. 2024. Disponível em: https://g1.globo.com/sp/sorocaba-jundiai/nosso-- campo/noticia/2024/02/25/clima-atrapalha-e-derruba-produtividade-da- soja.ghtml. Acesso em: 27 fev. 2024. Adaptado. O enfrentamento às mudanças climáticas exige um engajamento abrangente e sistêmico, de modo que as medidas propostas impliquem mudanças estruturais e não apenas soluções individuais. Nesse contexto, considerando os fragmentos acima e usando como fundamentação os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil e a Política Nacional sobre Mudança Climática – PNMC (Lei no 12.187/2009), elabore um texto dissertativo contínuo de 35 a 40 linhas, relacionando criticamente os seguintes aspectos: • a relação entre mudança climáticae produção agrícola, e o quanto elas se afetam mutuamente; • um dilema a ser enfrentado pelas Políticas Públicas de um país em desenvolvimento, no contexto da chamada “Tragédia dos Bens Comuns”, ou simplesmente “Tragédias dos Comuns”, e os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil; • uma ação indicada para que o setor agrícola possa reduzir sua contribuição às mudanças climáticas e a explicação de como se dará essa redução. O cartão resposta com a redação original do autor segue em anexo. Da sua leitura, vê-se que o autor contemplou suficientemente todos os elementos propostos no enunciado, preenchendo todos os requisitos exigidos pelo critério dos conhecimentos específicos. A fim de melhor elucidar a adequação da redação ao tema e aos critérios propostos, o autor consultou um professor especialista em redações para concursos públicos para elaborar seu recurso a fim de verificar seu desempenho, o qual constatou a existência de inúmeras irregularidades na nota atribuída ao autor, dentre as quais: (1) Espelho de correção genérico, sem detalhar quanto vale cada comando da questão e nem quanto foi descontado por cada erro; e (2) Não foram apresentadas fundamentações ou justificativas quanto ao recurso administrativo interposto. É sabido que o agente público estabelece as regras e a modalidade de seleçäo dos candidatos que lhe interessam. Da mesma forma, há jurisprudência do STF no sentido de que o PODER JUDICIÁRIO não deve substituir as bancas nesse processo. Escudadas nesses argumentos, as empresas organizadoras de concursos públicos vêm cometendo uma série de irregularidades, em especial no tocante às redaçöes ou questões discursivas, pela complexidade do trabalho técnico exigido. O CONCURSO NACIONAL UNIFICADO, organizado pela CESGRANRIO, tornou evidente tais questões. Aqui vamos não só pontuar os graves problemas encontrados em todo o certame, mas também analisar o texto do candidato em tela. Há que lembrar que o texto, a redação, é apenas uma etapa de todo o processo. Ademais, cabe também ao agente público a adoção de critérios objetivos, em especial na avaliação das questões discursivas, a fim de que se cumpram não apenas a obrigatoriedade da motivação dos atos administrativos, mas também as condições plenas do exercício do contraditório por parte do candidato. Vale dizer, em última instância, que tais critérios objetivos permitem assegurar o respeito aos princípios como ISONOMIA, IMPESSOALIDADE, SEGURANÇA JURÍDICA, MORALIDADE E EFICIÊNCIA, haja vista que candidatos com o mesmo desempenho deverão receber as mesmas notas. Um ponto central é a transparência dos atos públicos. O certame está contaminado pela falta dela, desde o edital até a publicação das notas. O caso em tela não busca contestar os critérios de avaliação da questão discursiva deste certame, contudo contestam-se aqui estas falhas técnicas que comprometem todo o processo: 1) EDITAL GENÉRICO, que não especifica os valores atribuídos a cada componente de nota. 2) ESPELHO DE CORREÇÃO igualmente genérico, sem detalhar quando vale cada comando da questão. Um novo espelho que não está consoante ao anterior. 3) FALTA DE JUSTIFICATIVA para os RECURSOS ADMINISTRATIVOS, com impedimento do exercício do contraditório. A Lei 9.784, determina, em seu Art. 50: Os atos administrativos deverão ser motivados com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: III — decidam processos administrativos de concurso ou seleçäo pública. Se não há justificativas concretas que apontem as notas do texto produzido pelo candidato e apenas uma nota atribuída, se o candidato não toma conhecimento das razões de sua avaliação, se o edital não prescreve, determina, especifica o que de fato e como será feita a avaliação, estes atos administrativos não apontam a motivação. Portanto, não se trata, aqui, em absoluto, de ato discricionário. A banca CESGRANRIO, ao não especificar como seria avaliada a redação no edital e, posteriormente, como foi avaliada, com espelho detalhado da composição das notas, renunciou ao ato discricionário. Empregou não um régua analítica, mas total empirismo. Todos estes componentes comprometeram a lisura do processo e a eficiência técnica da correção dos textos, com profundas discrepâncias nas notas dos candidatos. O primeiro passo para um bom certame é o edital. Nele se estabelecem as regras e estas precisam estar já no início de todo o processo. O EDITAL Os critérios estabelecidos estão no item 7.1.2.8 do EDITAL CESGRANRIO 03/2024. 7.1.2.8 - A avaliação da questão dissertativa, cujo número de linhas esperado será explicitado em seu enunciado, considerará: a) quanto aos Conhecimentos Específicos, atribuindo-se 50% (cinquenta por cento) do valor total da questão, a capacidade de idar com os conceitos, as técnicas e as atividades próprias das Áreas de Conhecimento abrangidas pelo Bloco 4, aferindo a compreensão, o conhecimento, o desenvolvimento e a adequação desses conceitos, a conexão e a pertinência ao assunto abordado e o atendimento aos tópicos solicitados; b) quanto ao uso do idioma, atribuindo-se 50% (cinquenta por cento) do valor total da questão, a proficiência na instrumentalização de conhecimentos ortográficos, gramaticais adequados à norma-padrão e textuais (introdução, desenvolvimento, conclusão, observando-se coerência e coesão). Caso a questão receba nota zero quanto aos Conhecimentos Específicos, não será avaliada quanto ao uso do idioma. A primeira informação relevante é de que se trata de texto DISSERTATIVO, muito comum neste tipo de avaliação e tipologia de texto largamente consagrada. A nota é dividida em duas etapas: CONTEÚDO e IDIOMA. No CONTEÚDO, são implicados conhecimento, compreensão, desenvolvimento e adequação aos conceitos, bem como a pertinência e o atendimento aos comandos da proposta. Temos aqui um conjunto amplo de conceitos. Sobre o IDIOMA, assinalados os conceitos de conhecimentos ortográficos, atendimento à norma padrão — o que já incorpora a ortografia, portanto, redundante - e avança no tipo de texto escolhido, além dos critérios de coerência e coesão. A esse conjunto todo é atribuída metade da nota (50 pontos). No entanto, não está especificado, como convém à lisura do processo, quanto vale cada um dos itens. Isso posto, sabe-se que, na gramática ou na norma culta, desvios de morfossintaxe e de ortografia descontam na nota final. Nessa medida, tais desvios são aparentes na superfície do texto, portanto revelam-se objetivos. Entretanto, no edital foram colocados juntos de outros compostos extremamente subjetivos, a coesão, a coerência. Em resumo: as réguas de correção são analíticas, ou seja, detalham item por item o que será avaliado e isto é EXTREMAMENTE IMPORTANTE, pois servirá de guia de correção para o profissional que examinará o texto. Sem um guia detalhado a nota será por conta do bom senso desse avaliador. A título de exemplo, examine-se o edital do CORPO DE BOMBEIROS DE SANTA CATARINA, publicado em 15 de dezembro de 2022, banca CONSULPLAN. Há uma exposição detalhada de como será feita a avaliação, inclusive com margem de discrepância (diferença de nota entre os avaliadores). A tabela prescreve quanto será o desconto de cada desvio, quanto vale cada item de avaliação. 6.3.5. As redações serão corrigidas e serão avaliadas por dois professores, cada um atribuindo nota na escala de 0,00 (zero) a 10,00 (dez), com duas casas decimais. A nota da prova de redaçäo será igual à média aritmética das notas dos dois avaliadores. 6.3.6. Quando as notas atribuídas pelos dois avaliadores apresentarem uma diferença de 3,00 (três) ou mais pontos, será realizada uma terceira avaliação por professor avaliador diferente. Neste caso, a nota da redação será a média aritmética das duas notas mais próximas. 6.3.7. A avaliação da redação será considerada nos planos do conteúdo, da expressãoescrita e do manejo de linguagem quanto à (ao): Aspectos Avaliados Total de Pontos Critérios de Avaliação Argumentação e informatividade dentro do tema proposto - AI (originalidade, suficiência, correçäo, relevância e propriedade das informações) 3 De O a 0,75 - Ruim De 0,76 a 1,5 - Regular De 1,6 a 2,25 - Bom De 2,26 a 3 - Muito Bom Coerência e Coesão - CC (organização adequada de parágrafos, continuidade e progressão de ideias, uso apropriado de articuladores) 3 De O a 0,75 - Ruim De 0,76 a 1,5 - Regular De 1,6 a 2,25 - Bom De 2,26 a 3- Muito Bom Morfossintaxe - M (emprego de pronomes, relação entre as palavras, concordância verbal e nominal, organização e estruturação dos períodos e orações, emprego dos tempos e modos verbais e colocação de pronome) 2 Desconto de 0,10 ponto por erro Pontuação, acentuação e ortografia - PO 2 Desconto de 0,10 ponto por erro Valor total da Prova IO pontos Tais detalhamentos, com atribuição de pontos critério por critério não ocorreu os editais da CESGRANRIO para o CONCURSO NACIONAL UNIFICADO. Isso revela falta de cuidado, falta de primor técnico que levam a problemas posteriores. A tradição, mostrada largamente pelo ENEM, revela que devem ser duas avaliações de cada item. E a nota final será a média. Isso resulta em EQUILÍBRIO. Havendo diferença de mais de 20% entre as notas, poderá haver uma terceira avaliação. Isso quer dizer que, por medida de economia e agilidade, muitas bancas fazem apenas uma avaliação. Isso poupa trabalho e custos. No entanto, propicia notas injustas, o que compromete a lisura do certame. O caso em tela é exemplo claro disto: uma nota injusta tanto em IDIOMA quanto em CONTEÚDO. NOVOS CRITÉRIOS DE CORREÇÃO Em liminar concedida, a CESGRANRIO se manifestou anexando COMPROVANTE DE CUMPRIMENTO DE MEDIDA LIMINAR, no qual detalhou cada item de avaliação. Entretanto, estas informações não estavam no edital. Ao construírem seus recursos administrativos em relação à nota da questão discursiva, o candidato não tinha estas informações. Ora, bem se sabe que o edital traz as regras fundamentais do certame. Elas orientam os candidatos na sua preparação. Ao não fornecer este detalhamento no momento do recurso administrativo, impede-se, na prática, o exercício do contraditório. E o agente público não expõe o que lhe cabe: a motivação. Vejamos a nova régua oferecida posteriormente: Valoração dos aspectos a serem julgados na discursiva quanto ao uso do idioma (valor: 50 pontos) A nova régua agora detalha, por exemplo, o que se entende por IDIOMA, que foi dividido em três critérios, com a pontuação de cada um atribuída. Há algo mais próximo da régua analítica. Sabe-se que COESÃO TEXTUAL está em ASPECTOS TEXTUAIS e vale até 10 pontos. Os desvios gramaticais, por sua vez, valem metade da nota de IDIOMA, ou seja, 25 pontos. Atente-se como estas informações são importantes para a preparação do candidato. Por isso, é incompreensível que esta tabela não esteja no edital. É incompreensível que uma banca tão acostumada a grandes concursos não tenha produzido uma tabela como esta para empregar em seus editais. Essas medidas não estão no âmbito do ATO DISCRICIONÁRIO, mas no apuro técnico desta organização. A REDAÇÃO DO CANDIDATO – IDIOMA Examine-se agora, de acordo com medida liminar acima citada (Processo n o 1084325- 65.2024.4.01.3400), como a CESGRANRIO detalhou os que considera genericamente chamado de IDIOMA, que valia metade da nota, ou seja, 50 pontos. ASPECTOS GRAMATICAIS 25 pontos Domínio da norma-padrão da Língua Portuguesa adequação vocabular, concordância, regência, colocação. Pontuação (hierarquização de sintagmas) Para obter a nota máxima, o candidato não poderia cometer nenhum desvio gramatical. Em texto de 40 linhas, um desvio descontaria 5 pontos, que correspondem a 5% do total da prova. De outra parte, ficaria com 20 pontos se atendesse ao seguinte requisito: Pequeno índice de erros gramaticais de quaisquer tipos, mesmo que sejam sistemáticos: ortografia e acentuação, concordância, regência. Vocabulário informal, inadequado ao padrão escrito. Não se sabe com exatidão o que seja pequeno índice de erros gramaticais. De qualquer sorte, vamos ao texto: ASPECTOS GRAMATICAIS, desvios nas linhas 3 (crase); 17 (vírgula); 25 (crase); 25-26 (concordância); 28 (vírgula). Contam-se CINCO desvios que devem ser enquadrados como pequeno índice, conquistando 20 pontos, em texto com 37 linhas. Por sua feita, o vocabulário está dentro do campo de significado do tema analisado, sem expressões da oralidade, informalidades, ou seja, de acordo com a NORMA PADRÃO ASPECTOS TEXTUAIS 10 PONTOS Conforme a nova tabela: Relação lógica entre as orações; articulação dos períodos e dos parágrafos. Processos de referenciação. Pontuação. Para atender à nota máxima, o candidato deveria: Texto bem articulado, demonstrando domínio • no emprego de conectores para expressar a relação lógica entre as ideias; • no emprego de marcas de referenciação • na articulação lógica entre os parágrafos, • na organização interna dos parágrafos. • na pontuação. Basicamente, este item analisa a COESÃO TEXTUAL. Abaixo são apontados os elementos coesivos que estão no texto. ASPECTOS ORTOGRÁFICOS 15 PONTOS A nota de idioma encerra neste componente. Ortografia: grafia de vogais e consoantes; maiúsculas e minúsculas; emprego do hífen acentuação gráfica. Para conquistar a nota máxima: Total domínio das regras ortográficas. Não há desvios ortográficos no texto em tela. CONCLUSÃO DA NOTA DE IDIOMA Feitas essas considerações, o desconto de IDIOMA deveria ser de 5 pontos, consoantes a régua estabelecida pela própria banca. A estrutura do texto revela parágrafo de abertura e outro de fechamento. De qualquer sorte, há de se tentar outra maneira de examinar o texto do candidato. Em alguns vestibulares do país (e os vestibulares em instituições públicas, pela visibilidade, possuem mais tecnologia, cuidado e técnica), empregam-se duas avaliações: a analítica e a holística. Esta com aquela visão geral um apanhado do texto para revelar em que nível colocar o candidato. Se fizermos isso, teremos um texto com boa sintaxe, paragrafação, boa pontuação, campo semântico consoante ao tema. Descontar 10 pontos em 50 equivale a 20% da nota de IDIOMA. A REDAÇÃO DO CANDIDATO - O CONTEÚDO A proposta era do tipo ESTUDO DE CASO. O comando emprega o modo imperativo com o verbo ELABORAR. Estas foram as justificativas de contexto da própria banca em liminar concedida na 14 a Vara Federal Cível SJDF, número 1080815-44.2024.4.01.3400. FUNDAMENTAÇÃO DA NOTA ATRIBUÍDA O cerne da questão refere-se à a relação entre mudança climática e produção agrícola, e o quanto elas se afetam mutuamente. É solicitado ao candidato que analise os fragmentos de textos expostos usando como fundamentação os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil e a Política Nacional sobre Mudança Climática – PNMC (Lei no 12.187/2009). Portanto, simplificadamente, o que estava sendo cobrado dos candidatos é a RELAÇÃO entre os fragmentos de texto e a legislação que versa sobre os compromissos internacionais. Observa-se que a proposta estava consoante com as QUESTÕES DISCURSIVAS, que buscam conhecimento técnico, estabelecido no CONTEÚDO PROGRAMÁTICO. O candidato é refém dos limites da Constituição. Estamos diante de DISSERTAÇÃO EXPOSITIVA, na qual o autor do texto está submerso, limitado à Lei. É importante ter isso em vista para o que será exposto adiante. A resposta desejada implicava os compromissos internacionais assumidos e a política nacional sobre mudança climática. Curiosamente o comando não explicitava isto. Quando afirma relação, dilema, ação indicada, em verdade, o que se pediu foi a OPINIÃO do autor. E foi isso que ocorreu com boa partedos candidatos. Se o enunciado queria, de fato, a análise do aspecto legal deveria explicitar isso. Há uma sequência lógica nos comandos da questão e nos critérios avaliativos, vejamos: A mútua relação entre mudança climática e produção agrícola Ao analisar atentamente a redação, observa-se que, nas linhas 14 a 19, foram citados exemplos causadores de mudança climática, afirmando que o uso inadequado do solo, práticas de manejo inadequadas, excesso de pisoteio animal e excesso de revolvimento do solo são fatores que aceleram o processo de erosão. Quando ocorre esse processo, o solo perde sua fertilidade e sua cobertura vegetal (rica em matéria orgânica) resultando em queda da produção e consequentemente demanda por aberturas de novas áreas agricultáveis. De acordo com o Padrão de Resposta publicado pela Banca, seria atribuída a pontuação máxima referente ao quesito ao candidato que abordasse a relação entre mudança climática e produção agrícola, e o quanto elas se afetam mutuamente. Diante disso, era esperado que o candidato afirmasse que o clima afeta a produção agrícola, mesmo aquela baseada em alta tecnologia. Quanto maior for a previsibilidade climática, mais fácil é a gestão agrícola. Portanto, um aumento no número de eventos extremos dificulta o planejamento da atividade agrícola, podendo trazer grandes prejuízos ao agricultor. Além disso, há evidências científicas indicando que o ser humano está mudando o clima do planeta, principalmente ao lançar na atmosfera grandes quantidades de gases de efeito estufa (GEE). Entre esses gases estão o gás carbônico, o metano e o óxido nitroso. O gás carbônico é o principal causador desse efeito, e o aumento de sua concentração na atmosfera está diretamente relacionado com a queima de combustíveis de origem fóssil e com as queimadas. As queimadas têm como uma de suas causas a expansão da fronteira agrícola. Nesse sentido, quando foram mencionados no texto os referidos exemplos causadores da mudança climática, tais como uso inadequado do solo, práticas de manejo inadequadas, excesso de pisoteio animal e excesso de revolvimento do solo, foi feita clara alusão ao fato de que há uma mútua relação entre a mudança climática e a produção agrícola. Ademais, seguindo essa mesma lógica, quando foi afirmado que o uso indevido é o mesmo que fazer referência ao fato de que o ser humano está mudando o clima do planeta, principalmente ao lançar na atmosfera grandes quantidades de gases de efeito estufa (GEE). Dilemas no contexto da “Tragédia dos Bens Comuns” Diante da leitura minuciosa do texto elaborado, nota-se que, nas linhas 26 a 32, foi citada a diminuição do desmatamento, zerar o desmatamento ilegal na Amazônia até 2030, aumentar a utilização de fontes de energias renováveis, políticas públicas voltadas para colaborar com esse compromisso assumido pelo governo, no âmbito internacional. De acordo com o Padrão de Resposta publicado pela Banca, seria atribuída a pontuação máxima referente ao quesito ao candidato que apresentasse duas propostas de intervenção do poder público no combate a essas ameaças. Diante disso, era esperado que o candidato afirmasse o seguinte: • A principal dificuldade para a implementação de políticas públicas voltadas à redução de mudanças climáticas causadas pelo ser humano reside no fato de que não se pode lotear ou privatizar a atmosfera, o que caracteriza um exemplo típico de Tragédia dos Comuns, quando um bem de uso comum tende a ser utilizado para além de sua capacidade. • Controlar as mudanças climáticas é uma busca que só terá efetividade se houver um engajamento global, mesmo considerando-se que as mudanças climáticas não afetam igualmente todas as partes do mundo. • O Brasil assumiu diversos compromissos internacionais para combater as mudanças climáticas de origem antropogênica, de modo a reduzir a emissão de gases de efeito estufa. • A busca por essa redução se traduz em atender metas para a redução no desmatamento florestal, no incentivo à adoção de fontes de energia mais “limpas”, entre outras que estão desdobradas na Política Nacional sobre Mudança no Clima (PNMC) e seus instrumentos. • A PNMC (e seus instrumentos) aponta no sentido da busca por “padrões sustentáveis de produção e consumo”, e que “os objetivos da Política Nacional sobre Mudança do Clima deverão estar em consonância com o desenvolvimento sustentável, a fim de buscar o crescimento econômico, a erradicação da pobreza e a redução das desigualdades sociais.” • Os limites das propostas do ambientalismo preservacionista, sendo necessárias propostas de soluções de ordem sistêmica e de nova ordem de desenvolvimento econômico. • Um desdobramento da PNMC são os Planos Setoriais de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. Nesse sentido, quando foi mencionada a questão das políticas públicas voltadas para colaborar com esse compromisso assumido pelo governo, no âmbito internacional, claramente foi feita referência ao fato de que o Brasil tem assumido compromissos internacionais como protocolo de Kyoto, que visa a redução dos gases do efeito estufa (GEE), foi abordado de forma correta e exatamente conforme dispõe o Padrão de Resposta disponibilizado pela Banca. Ação para o setor agrícola e explicação de como isso se dará Do mesmo modo que os itens anteriores, observa-se que, nas linhas 33 a 40, abordou-se a necessidade de desenvolver políticas públicas efetivas para o setor agropecuário. Além disso, o governo deve realizar o planejamento das políticas para o setor oferecendo aos produtores benefícios e incentivos para adotarem sistemas de produção com uso de tecnologias sustentáveis. Conforme estabelecido no referido Padrão de Resposta, era esperado que o candidato afirmasse que o setor agrícola possui metas a serem atendidas, as quais foram estabelecidas em 2012 no Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura. Dentre as várias ações possíveis estão a recuperação de pastagens degradadas, o uso de sistemas agroflorestais e a fixação biológica de nitrogênio. Nesses exemplos de ações, ocorre uma menor emissão de GEEs e/ou são implementados sumidouros que contribuem ainda para a fixação do carbono e nitrogênio atmosféricos. Nesse sentido, quando citadas as referidas medidas assertivas para mitigação e adaptação às mudanças climáticas, claramente foi feita alusão à necessidade de uma ação de recuperação das pastagens degradadas, conforme dispõe o Padrão de Resposta. Vale ressaltar que, sendo uma prova discursiva, acredita-se que os conhecimentos apresentados não devem ser desconsiderados durante a avaliação. Qualquer manifestação de entendimento sobre o tema deve ser valorizada e pontuada, ainda que a situação seja atípica e não se enquadre exatamente nos critérios de pontuação previamente estabelecidos no espelho de correção. Diante do exposto, torna-se nítido que o texto abordou exatamente o que consta nas respostas padrão. Mister ressaltar que o enunciado da questão trouxe uma certa ambiguidade, porque levou os candidato a suporem, a concluírem e esse não é o caso de DISSERTAÇÃO EXPOSITIVA, mas, sim, de DISSERTAÇÃO ARGUMENTATIVA, na qual o que importa é COMO o candidato defende seu ponto de vista. Por isso, questões desse tipo precisam ser apenas EXPOSITIVAS do conteúdo programático. Esta falha ou inabilidade técnica de formulação de questões não pode ser atribuída a ATO DISCRICIONÁRIO. Esses detalhamentos estavam na percepção de quem elaborou a questão. No entanto, o comando não sugeria isso. Uma questão discursiva não pode ser um exercício de adivinhação. É preciso fazer questões dentro de padrões técnicos, claros e objetivos. É fundamental que os critérios sejam dados de imediato ao concorrente. Além disso, é incompreensível que o espelho inicial tenha sofrido alteração dessa forma. Isso podeser chamado de ATO DISCRICIONÁRIO? Uma questão DISCURSIVA como esta cobra, pede, solicita o conhecimento do conteúdo programático. Por isso, a DISSERTAÇÃO É EXPOSITIVA, porque o autor do texto apenas expõe seu conhecimento acerca dos temas. Ao empregar o termo ARGUMENTAÇÃO, ao tirar conclusões próprias da legislação, a questão pediu elementos que extrapolavam a questão. Há aqui visivelmente um problema técnico de elaboração de questões discursivas em concursos dessa ordem. Não basta, portanto, ao elaborar tais questões, o conhecimento do tema abordado. Esse trabalho também é atravessado pela linguagem. Sem a linguagem, não haveria operadores do Direito, nem questões de concursos públicos. E esta linguagem foi contaminada por imprecisões graves que afetaram milhares de candidatos. A dúvida que fica nesta exigência de última hora para os candidatos é esta: qual regra deveria ser seguida? Esse procedimento da CESGRANRIO afeta, drasticamente, a transparência. Em função dessa nova régua de avaliação, foram descontados injustamente 50% dos pontos relativos ao quesito avaliativo “Conhecimentos específicos”. CONCLUSÃO O texto em tela recebeu 25 pontos em 50 possíveis, em CONTEÚDO. Não há descontos a serem feitos em conteúdo, devendo ser atribuída nota máxima. De outra parte, em IDIOMA, igualmente a nota foi injusta, pois puniu em 10 pontos quando, pela própria régua, ambígua, imprecisa, com dupla punição, deveria descontar apenas 5 pontos. Pela importância de um certame desta magnitude, os pontos retirados do candidato vão mudar significativamente seus planos, frustrando o cidadão, não por culpa sua, mas dos problemas técnicos aqui levantados. Uma questão mal formulada leva a avaliações malfeitas. Há uma cadeia de acontecimentos aqui que prejudicaram a lisura do certame. Problemas desse tipo se multiplicam nestes certames desde sempre. Isso implica dizer que os candidatos estão à mercê do que prescreve a banca, a título de ATO DISCRICIONÁRIO. O último recurso aos candidatos do país é a Justiça. Este é o freio necessário para que as bancas, de modo geral ajam dentro dos limites legais. Não se pode entender como a CESGRANRIO, ao elaborar um concurso tão complexo, não tenha tomado os mesmos procedimentos que, conforme se vê acima, são simples, organizados. Ao não tomar estas providências, a BANCA CESGRANRIO renunciou ao ato discricionário. Consoante jurisprudência do STF, o Poder Judiciário não pode substituir a banca examinadora na apreciação de questões de concursos públicos. Este procedimento somente poderia ser feito em flagrante ilegalidade ou evidente equívoco. As imprecisões técnicas, as exigências posteriores feitas pela banca estariam enquadradas em que situação? Além disso, a falta de motivação do ato público, ao não fornecer os motivos dos descontos, impediu o exercício pleno do contraditório. Fato é que as bancas de concursos público, escudadas em tal jurisprudência e em ato discricionário, cometem toda sorte de infrações, imprecisões técnicas, economia de tecnologia e de pessoal capacitado. Isso tudo com uma grande consequência: a frustração de milhares de candidatos a cargos públicos. Finalizemos com o mestre OTHON GARCIA (1983), professor de linguagem, advogado acerca do problema conceitual aqui apontado: a diferença entre DISSERTAÇÃO EXPOSITIVA E ARGUMENTATIVA: Nossos compêndios e manuais de língua portuguesa não costumam distinguir a dissertação da argumentação, considerando esta apenas "momentos" daquela. No entanto, uma e outra têm características próprias. Se a primeira tem como propósito principal expor ou explanar, explicar ou interpretar ideias, a segunda visa sobretudo a convencer, persuadir ou influenciar o leitor ou o ouvinte. Na dissertação, expressamos o que sabemos ou acreditamos saber a respeito de determinado assunto: externamos nossa opinião sobre o que é ou nos parece ser. Na argumentação, além disso, procuramos principalmente formar a opinião do leitor ou ouvinte, tentando convencê-lo de que a razão está conosco, de que nós é que estamos de posse da verdade. (grifo nosso) ANTÓNIO RICARDO ROSA RUSSO Licenciado em Letras pela PUC/RS, bacharel em Comunicação Social, Jornalismo, pela mesma instituição, mestre em Ciências da Linguagem, pela UNISUL, avaliador de redações do ENEM e professor universitário. http•//lattes.cnpq.br/3208464245142733 BIBLIOGRAFIA GARCIA, Othon Moacir - Comunicação em Prosa Moderna — Ed. da Fundação Getúlio Vargas, 11 a edição, 1983, Rio de Janeiro, p. 370 6. DA UTILIZAÇÃO DE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL PELA BANCA PARA CORREÇÃO DA PROVA DISCURSIVA: Excelência, há informações de que tanto as provas discursivas como os recursos administrativos interpostos pelos candidatos não foram corrigidos por um ser humano, mas sim por inteligência artificial. Isso porque a nota atribuída aos candidatos foi calculada somente considerando a inexistência de erros de gramática e se a dissertação continha as palavras chaves trazidas no espelho de correção. Isso significa que os candidatos que discorreram sobre o tema, mas não utilizaram a literalidade das palavras do espelho, tiveram pontos descontados. Isso explicaria os erros padronizados nas notas, que claramente não condizem com o conteúdo das redações, bem como, as respostas idênticas para todos os candidatos e a inexistência de justificativa para a correção dos recursos administrativos interpostos. Essa dúvida vem sendo levantada por vários candidatos, visto que não há indícios de que alguém obteve alteração em sua nota após a interposição do recurso administrativo. Em 07/11/2024, nos autos n. 5022681-30.2024.4.04.7002/PR, a 2 a Vara Federal de Foz do Iguaçu proferiu decisão reconhecendo que a correção da prova discursiva por uma inteligência artificial compromete a avaliação dos conhecimentos do candidato, dada a objetividade e limitação desse sistema. Nada obstante. no que diz respeito à correção da prova discursiva no caso concreto. entendo assistir razão à autora. pois a correção por IA pode comprometer a avaliação dos conhecimentos da candidata. dada a obietividade e limitações desse sistema. Ante o exposto, DEFIRO EM PARTE a tutela de urgência, para o fim de determinar às rés, em relação ao CONCURSO PÚBLICO NACIONAL UNIFICADO - CPNU 2024 objeto do Edital n 0 04/2024: a) anulação das questões 36 e 38 da prova de conhecimentos específicos; b) que a prova discursiva da autora seja corrigida por humano. Em razão disso, o autora requer que sua redação seja corrigida por seres humanos. 7. DO CERCEAMENTO DE DEFESA E A GARANTIA DO CONTRADITÓRIO NA CORREÇÄO DOS RECURSOS DA PROVA DISCURSIVA: A omissão da banca examinadora consistente em não analisar e não fundamentar o recurso administrativo apresentado pelo autor configura uma violação ao dever legal de motivação dos atos administrativos, previsto no art. 50 da Lei no 9.784/1999. Além disso, essa omissão caracteriza cerceamento de defesa, uma vez que o impediu de conhecer os motivos pelos quais seus argumentos foram desconsiderados. Excelência, como se vê, os critérios de correção não foram apresentados ao candidato, nem previamente, nem depois que os recursos administrativos foram julgados. As decisões administrativas foram completamente genéricas. Diante disso, questiona-se: como é possível afirmar que o direito ao contraditório e a ampla defesa do candidato foi respeitado, se sequer sabe-se o motivo dos descontos que resultaram na nota? Evidente que não é possível! Ademais, qual a finalidade de apresentar um recurso administrativo se inexiste possibilidade de alteração da nota? É tratar o recurso como mera formalidade descartável. O resultado da redação, da forma como foi apresentado pela banca, é uma verdadeira violação ao dever de fundamentação dos atos administrativos, os quais, em se tratando de concursos públicos e da eliminação de um candidato, não podemser genéricos e arbitrários. Muito pelo contrário, por estar tratando do futuro de um candidato que muito se dedicou para o certame, através de anos de estudo, abdicação e dedicação, a correção somente deve se pautar por critérios objetivos e claros, possíveis de serem questionados e visualizados pelo candidato. Em razão disso, razão não assiste à banca, a qual deveria ter apresentado, pelo menos, os critérios esperados do candidato na redação, justificando-se a anulação da decisão administrativa que atribuiu a nota genérica ao autor. Ao invés de analisar os recursos e emitir uma decisão fundamentada, a banca limitou-se a omitir-se, violando o dever legal de motivação dos atos administrativos, conforme previsto na Lei n o 9.784/1999. Esta foi a resposta apresentada pela banca: Somente essa foi a resposta da banca. Esse comportamento, além de ferir o direito ao contraditório e à ampla defesa, representa uma grave violação aos princípios que regem a atuação da Administração Pública, especialmente a legalidade e a motivação dos atos administrativos. O silêncio injustificado da banca, ao não fundamentar as decisões que manteve a nota do autor afeta diretamente o direito do candidato de ter seus argumentos adequadamente avaliados e coloca em risco a integridade e a transparência do certame. A Lei n o 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal é clara ao impor o dever de motivação para os atos administrativos, especialmente quando estes negam, limitam ou afetam direitos ou interesses dos administrados. O art. 50 da referida lei estabelece que: Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I — neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; III — decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; V — decidam recursos administrativos. Além disso, o dever de fundamentação dos atos administrativos é um corolário do princípio da legalidade (art. 37, caput, da Constituição Federal), o qual exige que todos os atos praticados pela Administração sejam baseados na lei e devidamente justificados. Dessa forma, ao não analisar ou não fundamentar suas decisões quanto aos recursos administrativos apresentados pelo autor, a banca examinadora agiu em total descumprimento da lei. A omissão em responder ao recurso apresentado a tempo e modo conforme demonstra o comprovante em anexo configura um ato ilegal visto que a ausência de motivação impede o controle de legalidade e afeta diretamente o direito da candidata à ampla defesa e ao contraditório, princípios assegurados tanto na Constituição Federal (art. 50 LV) quanto no regime jurídico dos processos administrativos. O § 1 0 do art. 50 dispõe que a motivação deve ser explícita, clara e congruente, de modo que os administrados possam compreender as razões que levaram à decisão. Ao submeter, no prazo correto, recurso administrativo questionando a nota atribuída quanto aos conhecimentos específicos na prova discursiva, o autor exerceu seu direito de defesa, o que é parte integrante do processo de seleção pública. Em contrapartida, a banca examinadora tinha o dever legal de apreciar todo o recurso apresentado e fundamentar suas decisões de maneira adequada, conforme preceitua o inciso V do art. 50 da Lei no 9.784/1999. Nesse contexto, a decisão da banca que se omitiu quanto à análise do recurso do autor deve ser declarada nula, uma vez que a ausência de motivação impede o candidato de entender os motivos pelos quais seus argumentos foram rejeitados, violando seu direito à defesa. Este é o entendimento do Tribunal Regional Federal da 3a Região: E M E N T A ADMINISTRATIVO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. INSS. NECESSIDADE DE MOTIVAÇÃO DAS DECISÕES. LEI 9.784/99. REMESSA OFICIAL IMPROVIDA. - Trata-se de mandado de segurança impetrado com o objetivo de determinar à autoridade impetrada que reabra o processo administrativo NB 199.399.044-2 a fim de reanalisá-lo e para emissão de nova decisão administrativa devidamente fundamentada - A Administração Pública tem o dever de pronunciar-se sobre os requerimentos que lhe são apresentados pelos administrados na defesa de seus interesses de forma fundamentada, sob pena de ofensa aos princípios norteadores da atividade administrativa, em especial, o da eficiência, previsto no do caput, do artigo 37, da Constituição da Republica. No mesmo sentido, exige o artigo 2 0 parágrafo único inciso VII, da Lei 9.784/99, a necessidade de motivação das decisões administrativas - No caso concreto, é nítida a ausência de fundamentação da decisão administrativa (ID 267042367), motivo pelo qual a r. sentença deve ser mantida - Remessa oficial improvida. (TRF-3 RemNecCiv: 50090672820224036105 SP, Relator: Desembargador Federal MONICA AUTRAN MACHADO NOBRE, Data de Julgamento: 20/03/2023, 4a Turma, Data de Publicação: Intimação via sistema DATA: 28/03/2023) Este entendimento também é aplicado pelos Tribunais Regionais Federais no tocante a concursos públicos: ADMINISTRATIVO. MANDADO DE SEGURANÇA. CONCURSO. MOTIVAÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO CONCOMITANTE OU ANTERIOR AO ATO. A necessidade de fundamentação das decisões administrativas prévia ou concomitante ao ato constitui elemento básico do direito administrativo. A motivação posterior, mormente em se tratando de concurso público, inviabiliza a correta impugnação pelos candidatos e não atende ao princípio da devida motivação dos atos administrativos e aos princípios constitucionais da impessoalidade, isonomia, publicidade, transparência, do contraditório e da ampla defesa. (TRF_4 APL. 50566978920194047000 5056697-89.2019.4.04.7000, Relator: MARGA INGE BARTH TESSLER Data de Julgamento: 30/06/2020, TERCEIRA TURMA) Assim, requer-se a anulação da decisão administrativa que indeferiu o recurso sem a devida fundamentação, assegurando-se o direito do autor de ter seu recurso analisado por decisão devidamente motivada pela banca examinadora, em observância aos princípios da legalidade, motivação, contraditório e ampla defesa. 8. DA CONCESSÃO DA MEDIDA LIMINAR INAUDITA ALTERA PARS: Consoante se extrai do teor do artigo 300, caput, do NCPC, é cabível a concessão da tutela de urgência, mediante a comprovação de dois requisitos. In verbis: Art. 300. A tutela de urgência será concedida quando houver elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo. No caso em tela, os dois requisitos estão presentes. Em relação à probabilidade do direito, percebe-se que, pelos argumentos apresentados na petição inicial, há flagrante ilegalidade quanto à redação, visto que inexistem critérios de avaliação específicos, determinando qual pontuação seria atribuída ou descontada para cada item. Além disso, constata-se que: 1) A proposta de redação apresenta enunciado ambíguo, propiciando variada interpretação; 2) O espelho de correção é igualmente genérico, sem detalhar quando vale cada comando da questão 3) Não foram apresentadas fundamentações ou justificativas pela banca quanto aos RECURSOS ADMINISTRATIVOS 4) A redação foi corrigida por inteligência artificial. Todos estes componentes comprometeram a eficiência técnica da correção dos textos, com profundas discrepâncias nas notas dos candidatos, especialmente o autor. Além disso, não houve resposta ao recurso administrativo interposto quanto à prova discursiva, em violação ao art. 50, I e III, da Lei no 9.784/1999 e ao dever de fundamentação dos atos administrativos. A omissão na análise desses recursos caracteriza ato ilegal gerando um prejuízo concreto e imediato ao autor, a qual terá sua nota e classificação majoradas caso as questões impugnadas sejam anuladas, possivelmente garantindo-lhe a aprovação. Por outro lado, o perigo de dano é evidente. Conforme demonstrado no cronograma anexo, a publicaçãodo resultado final do concurso será divulgada nos próximos dias. Caso as ilegalidades apontadas na prova impugnada não sejam corrigidas antes da conclusão dessas etapas, o autor estará inevitavelmente prejudicado, uma vez que sua nota atual resultante de questões incorretas, pode impedir sua aprovação. A simples manutenção dessas questões sem revisão coloca em risco todo o resultado do certame, comprometendo a possibilidade de correção dos erros e a chance do autor seguir nas próximas fases. Se a redação for devidamente anulada, é possível que o autor tenha sua nota significativamente aumentada, o que lhe permitirá participar das etapas subsequentes com maiores chances de ser aprovado. Isso evitará um prejuízo irreparável e garantirá que seu direito seja preservado durante o andamento do processo. Ressalta-se que não há qualquer risco de irreversibilidade da medida liminar solicitada, uma vez que a anulação provisória da prova discursiva e a reclassificação do autor não geram prejuízos irreparáveis à Administração Pública. Isso porque, se, ao final do processo, a ação for julgada improcedente, a simples reversão da classificação do candidato à posição anterior é suficiente para corrigir qualquer efeito da medida antecipatória. Além disso, o autor não possui interesse de tomar posse no cargo de forma precária. Diante de todo o exposto, estão presentes os requisitos para a concessão da tutela antecipada de urgência, conforme estabelece o artigo 300 do CPC. O direito do autor está claramente demonstrado pelas ilegalidades na prova discursiva, e o perigo de demora é evidente, dado o avançar do cronograma do concurso. Quanto à necessidade de observar o contraditório antes do deferimento liminar, ressalta-se que não é necessário, tendo em vista que a ré já está ciente dos argumentos apresentados através dos recursos administrativos. Este procurador analisou casos idêntico de liminares concedidas. em processos que tramitam na 2 a Vara Federal de Maringá/PR (n. 5018629-85.2024.4.04.7003/PR), 2ª Vara Federal de Ipatinga/MG (n. 6000674-94.2025.4.06.3814/MG), dentre outros, para determinar que a banca examinadora forneça o espelho de correção individual e reabra prazo para apresentar o recurso administrativo: 5018629-85.2024.4.04.7003/PR [...] Nessa linha, sem acesso ao espelho de correção individual da questão dissertativa, o autor realmente foi prejudicado no exercício do seu direito de recorrer, pois ficou impossibilitado de compreender as razões da banca e impugná-las de modo eficiente. Ante o exposto, defiro parcialmente a tutela provisória de urgência para determinar à FUNDAÇÃO CESGRANRIO que: (i) disponibilize ao autor (MANUEL LUIZ DIAS NETO), no prazo de até 5 (cinco) dias, o espelho de correção individual da prova discursiva, com os critérios de correção e os exatos descontos de nota no seu texto; (ii) reabra o prazo para a interposição de recurso administrativo quanto à nota da prova discursiva (pedido de revisão de nota, conforme edital - 1.22); (iii) em caso de interposição de recurso (pedido de revisão de nota), profira decisão a respeito, deliberando sobre eventual modificação da nota inicial e consequente reposicionamento do autor em ordem de classificação. 6000674-94.2025.4.06.3814/MG Ante o exposto, DEFIRO EM PARTE a liminar para: a) determinar à parte ré que aprecie de forma individualizada e devidamente fundamentada o recurso da parte autora, disponibilizando o espelho de correção individual da prova discursiva com os critérios de correção e de desconto de nota, sem que se utilize de decisões genéricas e padronizadas aos demais candidatos, no prazo de 05 dias; b) após a divulgação da correção menciona acima, a parte ré deverá reabrir o prazo para interposição de recurso administrativo. Em caso de interposição, deverá analisá-lo e deliberar sobre eventual modificação da nota e reposicionamento da autora na lista de classificação. Ainda, ressalta-se que a 1 a Vara Federal de Presidente Prudente/SP, proferiu decisão concedendo a tutela antecipada de urgência nos autos n. 5003084-56.2024.4.03.6112, referente ao presente certame, a fim de suspender a reprovação do candidato que questionou a ilegalidade de questões da prova, do mesmo modo que se pretende nesta ação: “Assim, a urgência do pedido — ou periculum in mora — envolve perecimento de direito de modo que tudo recomenda a adoção de providências cautelares para a sua asseguração ante a possibilidade de risco ao resultado útil do processo, naquilo que parte da doutrina chama de %teoria da gangorra em que a urgência se sobreleva à relevância dos argumentos — o fumus boni iuris —, ao menos na fase inicial da lide. Desse modo, hei por bem conceder a tutela provisória de urgência cautelar, cabendo; por ocasião da sentença, uma análise mais detalhada acerca da questão objeto desta lide, Desse modo, por esses fundamentos fica caracterizada a probabilidade do direito postulador Cumprido assim o primeiro pressuposto para a concessão da medida antecipatória. 4. O segundo requisito para o deferimento do pedido de tutela provisória de urgência, que trata do perigo de dano, também se encontra presente; São notórios os potenciais riscos aos quais fica submetido o Autor ao não participar das demais fases do certame já que, se ao final restar reconhecido 0 direito postulado nesta lide, restará prejudicado por não ter tido a oportunidade de concorrer com os demais situação que não tem como ser reparada já que as Rés não poderiam elaborar provas somente para ele em da violação da isonomia. Por outra lado a concessão da medida cautelar não lhe garante qualquer direito à nomeação e posse, mesmo que aprovado nas demais fases do concurso, uma vez que essa medida continua sendo precária, é apenas assecuratória e não substitui a decisão de mérito, representada pela sentença. Atendido, portanto, 0 segundo requisito para a concessão da medida de urgência. 5. Dessa forma, ante ao exposto, CONCEDO A TUTELA PROVISÓRIA DE URGÊNCIA CAUTELAR, nos termos do aro. 301 do cpc, para SUSPENDER reprovação do Autor, inscrito sob I 2410660902 (ID 343649980), na primeira etapa do Concurso Público Nacional Unificado, Edital no 04/2024, de 10 de janeiro de 2024 (ID 343649975), e desde logo DETERMINAR às Rés que viabilizem sua participação nas etapas seguintes desse certame, na condição sub Judice, vedada a nomeação e posse Intimem-se as Rés dessas determinações para ciência e cumprimento, com urgência.” Além disso, diversos tribunais pátrios deferiram liminares a respeito deste concurso, tanto em relação às ilegalidades perpetradas na prova objetiva, anulando-se provisoriamente as questões, como também em relação à prova discursiva, para que a banca apresente o espelho individual de correção. Nos seguintes casos: 1 . Decisão Liminar - Discursiva 1080815-44.2024.4.01.3400; 2. Decisão Liminar - Discursiva - JFDF - 1086182-49.2024.4.01.3400; 3. Decisão liminar - MS Discursiva - Bloco 4; 4. Decisão Liminar - Questões - TRF4 5022681-30.2024.4.04.7002; 5. Decisão Liminar - Questões - 5003084-56.2024.4.03.6112. As decisões encontram-se anexas. Isso posto, pugna-se pela concessão da medida liminar inaudita altera pars para anular a decisão que analisou o recurso administrativo do autor quanto à prova de redação, visto que carece dos elementos necessários de fundamentação, em violação ao art. 50, I e III, da Lei n. 9784/1999, devendo a banca ser intimada para apresentar nova correção, apresentando pormenorizadamente os critérios de correção adotados e indicando quais são os exatos descontos realizados. Nesse caso, requer-se a intimação da ré para retificar a nota e classificação do autor o mais rápido possível bem como caso seja considerado aprovado, possa ter assegurado sua nomeação e posse, sob pena de multa diária de R$ 500,00 8. DOS PEDIDOS: Por todo o exposto, passa o autor a requerer:a) O recebimento da presente ação anulatória de ato administrativo com pedido de tutela de urgência antecipada incidental b) Conceder LIMINARMENTE TUTELA DE URGÊNCIA inaudita altera pars, para: Quanto à prova discursiva: Determinar a anulação provisória da decisão que analisou o recurso administrativo do autor quanto à prova de redação, visto que carece dos elementos necessários de fundamentação, em violação ao art. 50, I e III, da Lei n. 9784/1999, sob pena de multa diária de R$ 500,00, Determinar que a redação do autor seja corrigida por humano e não por inteligência artificial intimando-se a banca para disponibilizar o espelho de correção, com os critérios de correção individualizados, indicando-se quais são os exatos descontos realizados na redação. Após, requer-se a abertura de prazo para apresentação de novo recurso administrativo. Caso a nota seja majorada, requer-se a intimação da ré para retificar a nota e a classificação da candidata o mais rápido possível, bem como caso seja considerada aprovada, possa ter assegurada sua nomeação e posse ao final do processo, garantindo-o a retroatividade e a indenização das remunerações perdidas se assim ocorrer, sob pena de multa diária de R$ 500,00; Se a nota for mantida e as ilegalidades persistam após a disponibilização dos critérios e a nova interposição e análise do novo recurso administrativo interposto pelo candidato, requer-se o prosseguimento do processo a fim de que seja possível a nomeação de um perito para analisar as ilegalidades, garantindo-se o direito ao contraditório e à ampla defesa. c) Nos termos do art. 319, VII, do CPC, opta-se pela não realização da audiência de conciliação, além de também não ser possível a autocomposição e por se tratar de direito indisponível d) Pugna provar o alegado por todos os meios de prova admitidos em direito, com a devida intimação para especificar as provas em momento oportuno, especialmente a nomeação de perito, sob pena de cerceamento de defesa. e) Ao final seja confirmada a eventual liminar concedida, julgando-se totalmente procedente a ação, para: e 1) A anulação definitiva da decisão que analisou o recurso administrativo do autor quanto à prova de redação, visto que carece dos elementos necessários de fundamentação, em violação ao art. 50, I e III, da Lei n. 9784/1999, determinando-se à banca que apresente nova correção, demonstrando pormenorizadamente os critérios de correção adotados e indicando quais são os exatos descontos realizados na redação da autora, de forma fundamentada. Após, deverá ser garantido o direito de contraditório quanto a nova correção realizada bem como a apresentação de novo recurso administrativo; e 2) Subsidiariamente, caso à época do julgamento não tenha sido concedida a tutela antecipada pretendida, seja determinada a imediata realização das fases do concurso que não pôde participar, em razão das ilegalidades cometidas pela Administração Pública, bem como, possa ser nomeado e empossado, no cargo pretendido caso logre as aprovações necessárias após o trânsito em julgado, assegurando sua progressão e seu posicionamento na carreira nas mesmas condições dos demais candidatos aprovados; f) A condenação das rés ao pagamento das custas, despesas processuais e honorários advocatícios e periciais, em valor a ser arbitrado por Vossa Excelência, nos termos da lei processual vigente. Dá-se à causa o valor de R$ 1.518.00 mil reais, meramente para fins fiscais, uma vez que, se o autor ganhar a ação, ele não terá direito à posse imediata, mas apenas o direito de prosseguir no concurso e participar das próximas etapas. Nesses termos, pede e espera deferimento. Barbacena/MG, 10 de fevereiro de 2025 Wallace Henriques Moreira Pinto OAB/MG – 126.291 Rol de documentos detalhado para facilitar a busca das provas: 1.Petição inicial; 2.Procuração; 3.Identidade; 4.Comprovante de Residência; 5.Declaração de hipossuficiência; 6.Edital Bloco 3; 7. Espelho de redação; 8.Recurso administrativo interposto; 9. Comprovante Interposição Recurso Administrativo 10.Resultado final prova discursiva; 11. Decisão Liminar - Discursiva 1080815-44.2024.4.01.3400; 12. Decisão Liminar - Discursiva - JFDF - 1086182-49.2024.4.01.3400; 13. Decisão Liminar - Questões - TRF4 5022681-30.2024.4.04.7002; 14. Decisão liminar - MS Discursiva - Bloco 4; 15. Decisão Liminar - Questões - 5003084-56.2024.4.03.6112; 16. Precedente Manuel