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EXCELENTÍSSIMO(A) SENHOR(A) JUIZ(A) FEDERAL DA SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA 
DE SÃO JOÃO DEL REI – MG 
URGENTE: Candidato ilegalmente prejudicado em concurso público federal em andamento 
— Resultado final previsto para 28/02/2025. 
LUCAS MOREIRA MACHADO, brasileiro, casado, farmacêutico, portador do RG n° MG- 
171825525, SSPMG, inscrito no CPF sob o n° 106.338.306-40, residente e domiciliado à 
Avenida Pereira Teixeira, nº 554, apto. 104, em Barbacena-MG, CEP. 36.202-000, vem, 
respeitosamente, por meio de seu advogado abaixo assinado (procuração anexa), à presença de 
Vossa Excelência, propor: 
 
 
AÇÃO ANULATÓRIA DE ATO ADMINISTRATIVO COM PEDIDO DE TUTELA 
DE URGÊNCIA ANTECIPADA INCIDENTAL 
 
 
 
 
Em face da FUNDAÇÃO CESGRANRIO, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no 
CNPJ sob o n. 42.270.181/0001-16, com sede na Rua Santa Alexandrina, 1011 Rio Comprido, 
Rio de Janeiro/RJ, CEP 20261-235; e da 
 
UNIÃO FEDERAL, pessoa jurídica de direito público, inscrita no CNPJ/MF sob o n. 
00.394.411/0001-09, a ser citada na pessoa do Procurador- Geral da União em Brasília-DF, 
com endereço na SIG, Quadra 06, Lote 800, 20 Andar, Sala 225-F Ed. Palácio Alberto de Britto 
Pereira, pelos fatos e fundamentos jurídicos a seguir expostos: 
 
 
1. DA GRATUIDADE DA JUSTIÇA: 
O autor declara expressamente, conforme declaração de hipossuficiência anexa, 
que não possui condições de arcar com as despesas processuais e honorários advocatícios sem 
prejuízo de seu próprio sustento ou de sua família, nos termos do art. 50 LXXIV, da 
Constituição Federal e art. 98 do Código de Processo Civil. 
 
 
Atualmente, o autor é farmacêutico, percebendo remuneração mensal aproximada 
de R$ 5.000,00 reais, valor que é utilizado integralmente para custear suas despesas básicas, 
tais como moradia, alimentação, transporte e saúde. 
O autor é casado e atualmente está enfrentando um doloroso processo de divórcio 
que vem lhe causando prejuízos financeiros imensuráveis além de toda a divisão de seus bens 
e negociações acerca da pensão alimentícia que irá ter de arcar. 
Sendo assim, o autor necessita dedicar boa parte de seu tempo e de seus 
rendimentos em intermináveis reuniões de debates com advogados de ambos os conjuges. 
Portanto, a situação financeira do autor é delicada e instável, fazendo jus ao 
benefício da justiça gratuita, uma vez que não possui renda suficiente para cobrir as despesas 
processuais sem comprometer do seu sustento, nesse cenário, o autor faz jus ao deferimento da 
gratuidade da justiça. 
 
2. DO FORO COMPETENTE: 
Extrai-se do edital anexo que não há foro de eleição para eventuais demandas 
judiciais, de forma que, nos termos do art. 109, I e § 20 , da Constituição Federal compete à 
Justiça Federal processar e julgar a demanda, que poderá ser aforada na seção judiciária em 
que for domiciliado o autor. Tal disposição também está elencada no art. 51, parágrafo único, 
do CPC 
Assim, o foro competente para processar e julgar a presente ação é o da Subseção 
Judiciária de São João Del Rei/MG, conforme preconiza o ordenamento jurídico brasileiro, 
especialmente em razão de o domicílio do autoro localizado em Município abrangido por esta 
Subseção. 
 
3. DA COMPETÊNCIA DA VARA FEDERAL: 
No caso dos autos, o valor da causa é inferior ao teto dos Juizados. Contudo, 
conforme será melhor explicado, para o julgamento da causa é imprescindível a realização de 
perícia técnica, a fim de atestar erro grosseiro na correção das questões. 
Considerando que todas as questões objurgadas referem-se a temas complexos, de 
áreas específicas, os quais não podem ser identificados sem a realização de perícia técnica por 
profissional especialista na área, trata-se de causa complexa, a qual não é acobertada pela 
competência do Juizado Especial Federal. 
Além disso, por tratar-se de ação que objetiva a anulação de ato administrativo 
federal a competência do Juizado Especial Federal é afastada, conforme previsto no art. 30, §1 
0, III, da Lei n. 10.259/2001. Nesse sentido: 
PROCESSUAL CIVIL. CONFLITO DE COMPETÊNCIA. 
JUIZADO ESPECIAL FEDERAL E JUÍZO FEDERAL COMUM. 
CONCURSO PÚBLICO. ANULAÇÃO DE ATO 
ADMINISTRATIVO. VALOR DA CAUSA INFERIOR A 60 
(SESSENTA) SALÁRIOS MÍNIMOS. COMPETÊNCIA DO 
 
 
JUÍZO FEDERAL COMUM. 1. A competência dos Juizados 
Especiais Federais Cíveis é absoluta e fixada em função do valor da 
causa, excetuando-se da regra geral, todavia, as causas em que se 
pretende a anulação ou o cancelamento de ato administrativo federal, 
salvo o de natureza previdenciária e o de lançamento fiscal ( § 1 0 inciso 
III, do art. 30 
da Lei n. 10.259/2001). [...] 3. A jurisprudência desta Seção é no 
sentido de que as causas que têm como objeto 
participação/nomeaçäo/posse em concurso público estão excluídas da 
competência dos Juizados Especiais Federais, ainda que o valor da 
causa seja inferior a sessenta salários mínimos. 4. Conflito conhecido, 
declarando-se a competência do Juízo Federal da 4a Vara da Seção 
Judiciária do Distrito Federal o suscitado. (TRF-I CC: 
10101906820224010000, Relator: DESEMBARGADOR FEDERAL 
JAMIL ROSA DE JESUS OLIVEIRA, Data de Julgamento: 
28/06/2022, 3a Seção, Data de Publicação: PJe 28/06/2022 PAG PJe 
28/06/2022 PAG). (Grifou-se) 
Desse modo, esta Vara é competente para processar e julgar a demanda. 
4. SÍNTESE DOS FATOS: 
O autor inscreveu-se para o Concurso Público Nacional Unificado do Governo 
Federal para o Bloco 3 - Ambiental, agrário e biológicas, regido pelo Edital n. 03/2024. A 
prova foi elaborada pela banca Fundação CESGRANRIO. 
Assim, teve sua inscrição deferida e iniciou sua preparação, dedicando-se durante 
meses em árduos estudos para buscar o tão sonhado cargo público. 
Conforme o item 8 do Edital de Abertura, a prova objetiva de 70 questões foi 
aplicada em dois turnos. No turno da manhã, aplicou-se 20 questões de Conhecimentos Gerais 
e uma prova discursiva, e à tarde, 50 questões sobre conhecimentos específicos. 
Quanto à prova discursiva, de caráter eliminatório e classificatório, era composta 
de uma questão dissertativa, cuja nota compreende: (l) 50% o domínio dos conhecimentos 
específicos; e (II) 50%, o uso do idioma (item 7.1.2.8 do edital) 
Contudo, verificaram-se ilegalidades nesta etapa, dentre as quais: (1) Espelho de 
correção genérico, sem detalhar quanto vale cada comando da questão, nem quais os descontos 
por cada erro; e (2) Não foram apresentadas fundamentações ou justificativas quanto ao recurso 
administrativo interposto. 
Para a surpresa do autor, nenhum dos argumentos de seu recurso administrativo 
foi analisado, o qual foi apresentado a tempo e modo conforme previsão editalícia e anexa ao 
presente, para comprovação. A banca não apresentou fundamentação para manter a nota 
inalterada. Desse modo, foi completamente omissa em seu dever de fundamentar as decisões 
administrativas e anular as ilegalidades perpetradas na via administrativa. 
Em razão disso, não resta alternativa ao autor senão ingressar com a presente ação, 
pleiteando-se o controle judicial sobre as ilegalidades cometidas pelas rés. 
 
 
 
5. DO DIREITO: 
A) DO CONTROLE JUDICIAL DA LEGALIDADE DOS ATOS 
ADMINISTRATIVOS: 
É certo que, em atenção ao princípio da autotutela, a Administração Pública pode 
anular seus próprios atos quando eivados de ilegalidade, ante o teor das súmulas 346 1 e 4732 , 
ambas do STE 
Diante disso, em observância ao princípio do controle judicial ou da 
sindicabilidade, é certo que "o Poder judiciário detém ampla competência para investigar a 
legitimidade dos atos praticados pela Administração Pública, anulando-os em caso de 
ilegalidade (art. 50 inciso XXXV, da CIC: a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário 
lesão ou ameaça a direito" MAZZA, 2015, 5a edição, p. 142. 
Contudo, infelizmente, a banca tomou conhecimento acerca das ilegalidades 
perpetradas, através da interposição de recursos administrativos por diversos candidatos, 
incluindo o autor. Mas recusou-se a anular ou, ao menos, justificar,os motivos para 
manutenção das notas da prova discursiva. 
Em razão disso, imprescindível a intervenção do Poder Judiciário para que as 
ilegalidades sejam cessadas, assim como a violação aos direitos do candidato. 
Súmula 346/STF: A Administração Pública pode declarar a nulidade dos seus 
próprios atos. 
 
Súmula 473/STF: A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados 
de vícios que os tornam ilegais, porque dêles não se originam direitos; ou revogá-
los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos 
adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. 
 
Neste ponto, ressalta-se que a Constituição Federal é clara ao declarar que "a lei 
não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito' (Art. 50 , XXXV) 
Sobre a possibilidade de o judiciário realizar o controle de legalidade dos atos 
administrativos evolvendo concursos público, o Supremo Tribunal Federal em sede de 
Repercussão Geral (Tema 485), fixou que: 
Não compete ao Poder Judiciário substituir a banca examinadora para 
reexaminar o conteúdo das questões e os critérios de correçäo 
utilizados, salvo ocorrência de ilegalidade ou de inconstitucionalidade. 
[Tese definida no RE 632.853, rel. min. Gilmar Mendes, P, j. 23-4-
2015, DJE 125 de 29-6-2015, Tema 485.]" 
Destaca-se o seguinte posicionamento do Superior Tribunal de Justiça que 
compartilha do mesmo posicionamento: 
ADMINISTRATIVO. CONCURSO PÚBLICO. TÉCNICO 
JUDICIÁRIO AUXILIAR. QUESTÃO DE PROVA OBJETIVA. 
CONTEÚDO. VINCULAÇÃO AO EDITAL. AUSÊNCIA. 
ANÁLISE. POSSIBILIDADE. 1. O Superior Tribunal de Justiça 
firmou o entendimento no sentido de que a análise de questão objetiva 
 
 
pelo Poder Judiciário está diretamente ligada ao controle da legalidade 
e da vinculação ao edital do certame, não havendo que se falar em 
controle do mérito do ato administrativo. 2 Hipótese em que, diante da 
incompatibilidade do conteúdo da Questão n 42 da prova objetiva tipo 
I com o exigido no Edital n. 34/2014, não foi respeitado o princípio da 
vinculação da lei do certame, sendo de rigor sua anulação (da questão). 
3. Agravo interno desprovido. (Aglnt no RMS 49.918/SC, Rel. 
Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 
14/1 0/2019, DJe 17/10/2019). 
Com base nos supracitados julgados dos Tribunais Superiores é possível concluir 
que o Poder Judiciário pode analisar as questões discursivas das provas, pelo critério da 
legalidade bem como da vinculação ao instrumento convocatório (edital), porém iamais pelo 
mérito do ato administrativo. 
Ademais, destaca-se que o princípio da legalidade, previsto nos artigos 5 0 II, 37, 
caput, e 84, IV, da CF, assenta-se na própria estrutura do Estado de Direito e do sistema 
constitucional como um todo e, acima de tudo, constitui uma garantia fundamental do 
indivíduo, limitando o poder punitivo do Estado. 
Segundo as lições de Celso Antônio Bandeira de Mello, tal princípio 'consiste na 
consagração da ideia de que a Administração Púbica só pode ser exercida na conformidade 
com a lei e que, de conseguinte, a atividade administrativa é atividade sublegal, infralegal, 
consistente na expedição de comandos complementares à leÎ ' 
Neste sentido, é pacífico na jurisprudência dos tribunais superiores o entendimento 
de que o edital é a lei do concurso público, e vincula tanto os candidatos como a própria 
administração pública: 
ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM 
RECURSO ESPECIAL. CONCURSO PÚBLICO. MÉDICO. 
ESPECIALIZAÇÃO EM PSIQUIATRIA. PREVISÃO EDITALíClA. 
VINCULAÇÃO AO EDITAL. PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO AO 
EDITAL. 2. A jurisprudência do STJ é a de que o Edital é a lei do 
concurso, pois suas regras vinculam tanto a Administração quanto os 
candidatos. Assim, o procedimento do concurso público fica 
resguardado pelo princípio da vinculação ao edital.[...] 
 
Daí decorre o princípio da vinculação ao instrumento convocatório, segundo o qual 
tanto o candidato quanto a Administração Pública estão vinculados às regras expostas no edital 
com a ressalva de que, se houver um ato ilegal o poder judiciário poderá anulá-lo, já que o 
edital não está acima da lei e o judiciário deve garantir a sua aplicação. 
Desse modo, demonstrar-se-á exatamente em quais pontos o edital foi violado pelo 
ato praticado pelas rés e quais as ilegalidades cometidas. 
Excelência, não se está questionando o mérito do ato administrativo, mas sim, 
clama-se ao Poder Judiciário para que realize a anulação de ilegalidades perpetradas pela 
Administração Pública. 
 
 
 
 
B) ILEGALIDADES NA PROVA DISCURSIVA - REDAÇÄO: 
Apesar de poder estar melhor classificado, não fossem as flagrantes ilegalidades 
constatadas nas questões da prova objetiva, o autor obteve pontuação suficiente para 
classificar-se dentro da nota de corte e ter sua prova discursiva corrigida, conforme se observa: 
 
 
 
 
A prova discursiva, de caráter eliminatório e classificatório, era composta de uma questão 
dissertativa, cuja nota compreende (item 7.1.2.8 do edital): 
a) 50% - Conhecimentos específicos. Considerando-se a capacidade de lidar com 
os conceitos, as técnicas e as atividades próprias da área de conhecimento, aferindo a 
compreensão, o conhecimento, o desenvolvimento e a adequação desses conceitos, a conexão, 
a pertinência ao assunto abordado e o atendimento ao tópico solicitados; 
b) 50% da nota — Uso do idioma. Considerando-se a proficiência na 
instrumentalização de conhecimentos ortográficos, gramaticais adequados à norma-padräo e 
textuais (introdução, desenvolvimento, conclusão, observando-se 
 
 
coerência e coesão. 
Contudo, o autoro foi surpreendido com uma nota muito aquém do que imaginava 
em conhecimentos específicos, visto que sua redação foi redigida atendendo aos critérios 
estabelecidos no edital e preencheu todos os requisitos quanto aos conhecimentos específicos. 
Em razão disso, interpôs recurso administrativo contra o resultado preliminar (em 
anexo), completamente embasado e explicativo. Contudo, a banca não alterou seu 
posicionamento e nem mesmo justificou os motivos pelos quais a redação não se enquadra ao 
tema proposto. 
 
O enunciado da Questão Dissertativa dizia o seguinte: 
 
QUESTÃO DISSERTATIVA 
Considere os fragmentos a seguir. 
Este ano, todos os recordes de temperatura do planeta foram rompidos: 2023 
é o mais quente da história. 
O Brasil foi assolado, até este momento, por oito ondas de calor. Surge desse 
cenário dantesco a seguinte pergunta: essas temperaturas intensas têm a ver 
com atividades humanas? Depois de se debruçarem sobre a questão, 
pesquisadores concluíram: sim, há nisso um peso significativo das mudanças 
climáticas causadas pelo ser humano. 
ARMONA, M. B. Brasil 50 graus. Ondas de calor no contexto das mudanças 
climáticas. Ciência Hoje, n. 405, dez. 2023. Disponível em: 
https://cienciahoje.org.br/artigo/brasil-50-graus-ondas-de-calor-no-
contexto-das-mudancas-climaticas/. Acesso em: 27 fev. 2024. Adaptado. 
Clima atrapalha e derruba produtividade da soja 
Desempenho inferior tem a ver com o mesmo clima que, ironicamente, 
ajudou tanto na safra anterior. 
Resultado é melhor em áreas com irrigação, mas ainda assim está abaixo do 
esperado. 
CLIMA atrapalha e derruba produtividade da soja. G1, 25 fev. 2024. 
Disponível em: https://g1.globo.com/sp/sorocaba-jundiai/nosso--
campo/noticia/2024/02/25/clima-atrapalha-e-derruba-produtividade-da-
soja.ghtml. Acesso em: 27 fev. 2024. Adaptado. 
O enfrentamento às mudanças climáticas exige um engajamento abrangente 
e sistêmico, de modo que as medidas propostas impliquem mudanças 
estruturais e não apenas soluções individuais. 
Nesse contexto, considerando os fragmentos acima e usando como 
fundamentação os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil e a 
Política Nacional sobre Mudança Climática – PNMC (Lei no 12.187/2009), 
 
 
elabore um texto dissertativo contínuo de 35 a 40 linhas, relacionando 
criticamente os seguintes aspectos: 
• a relação entre mudança climáticae produção agrícola, e o quanto elas se 
afetam mutuamente; 
• um dilema a ser enfrentado pelas Políticas Públicas de um país em 
desenvolvimento, no contexto da 
chamada “Tragédia dos Bens Comuns”, ou simplesmente “Tragédias dos 
Comuns”, e os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil; 
• uma ação indicada para que o setor agrícola possa reduzir sua contribuição 
às mudanças climáticas e a explicação de como se dará essa redução. 
 
O cartão resposta com a redação original do autor segue em anexo. 
 
Da sua leitura, vê-se que o autor contemplou suficientemente todos os elementos 
propostos no enunciado, preenchendo todos os requisitos exigidos pelo critério dos 
conhecimentos específicos. 
A fim de melhor elucidar a adequação da redação ao tema e aos critérios propostos, 
o autor consultou um professor especialista em redações para concursos públicos para elaborar 
seu recurso a fim de verificar seu desempenho, o qual constatou a existência de inúmeras 
irregularidades na nota atribuída ao autor, dentre as quais: 
 
(1) Espelho de correção genérico, sem detalhar quanto vale cada comando 
da questão e nem quanto foi descontado por cada erro; e 
(2) Não foram apresentadas fundamentações ou justificativas quanto ao 
recurso administrativo interposto. 
 
É sabido que o agente público estabelece as regras e a modalidade de 
seleçäo dos candidatos que lhe interessam. Da mesma forma, há jurisprudência do STF no 
sentido de que o PODER JUDICIÁRIO não deve substituir as bancas nesse processo. 
Escudadas nesses argumentos, as empresas organizadoras de concursos 
públicos vêm cometendo uma série de irregularidades, em especial no tocante às redaçöes ou 
questões discursivas, pela complexidade do trabalho técnico exigido. 
O CONCURSO NACIONAL UNIFICADO, organizado pela 
CESGRANRIO, tornou evidente tais questões. Aqui vamos não só pontuar os graves 
problemas encontrados em todo o certame, mas também analisar o texto do candidato em tela. 
Há que lembrar que o texto, a redação, é apenas uma etapa de todo o processo. 
Ademais, cabe também ao agente público a adoção de critérios objetivos, 
em especial na avaliação das questões discursivas, a fim de que se cumpram não apenas a 
 
 
obrigatoriedade da motivação dos atos administrativos, mas também as condições plenas do 
exercício do contraditório por parte do candidato. 
Vale dizer, em última instância, que tais critérios objetivos permitem assegurar o 
respeito aos princípios como ISONOMIA, IMPESSOALIDADE, SEGURANÇA JURÍDICA, 
MORALIDADE E EFICIÊNCIA, haja vista que candidatos com o mesmo desempenho 
deverão receber as mesmas notas. 
Um ponto central é a transparência dos atos públicos. O certame está contaminado pela 
falta dela, desde o edital até a publicação das notas. 
O caso em tela não busca contestar os critérios de avaliação da questão discursiva deste 
certame, contudo contestam-se aqui estas falhas técnicas que comprometem todo o processo: 
1) EDITAL GENÉRICO, que não especifica os valores atribuídos a cada componente de 
nota. 
2) ESPELHO DE CORREÇÃO igualmente genérico, sem detalhar quando vale cada 
comando da questão. Um novo espelho que não está consoante ao anterior. 
3) FALTA DE JUSTIFICATIVA para os RECURSOS ADMINISTRATIVOS, com 
impedimento do exercício do contraditório. 
A Lei 9.784, determina, em seu Art. 50: 
Os atos administrativos deverão ser motivados com indicação dos fatos e dos 
fundamentos jurídicos, quando: 
III — decidam processos administrativos de concurso ou seleçäo pública. 
 
Se não há justificativas concretas que apontem as notas do texto produzido pelo 
candidato e apenas uma nota atribuída, se o candidato não toma conhecimento das razões de 
sua avaliação, se o edital não prescreve, determina, especifica o que de fato e como será feita 
a avaliação, estes atos administrativos não apontam a motivação. 
Portanto, não se trata, aqui, em absoluto, de ato discricionário. A banca 
CESGRANRIO, ao não especificar como seria avaliada a redação no edital e, posteriormente, 
como foi avaliada, com espelho detalhado da composição das notas, renunciou ao ato 
discricionário. Empregou não um régua analítica, mas total empirismo. 
Todos estes componentes comprometeram a lisura do processo e a eficiência técnica 
da correção dos textos, com profundas discrepâncias nas notas dos candidatos. 
O primeiro passo para um bom certame é o edital. Nele se estabelecem as regras e estas 
precisam estar já no início de todo o processo. 
 
 
 
 
 
O EDITAL 
Os critérios estabelecidos estão no item 7.1.2.8 do EDITAL CESGRANRIO 03/2024. 
 
7.1.2.8 - A avaliação da questão dissertativa, cujo número de linhas esperado será 
explicitado em seu enunciado, considerará: 
a) quanto aos Conhecimentos Específicos, atribuindo-se 50% (cinquenta por cento) 
do valor total da questão, a capacidade de idar com os conceitos, as técnicas e as 
atividades próprias das Áreas de Conhecimento abrangidas pelo Bloco 4, aferindo a 
compreensão, o conhecimento, o desenvolvimento e a adequação desses conceitos, a 
conexão e a pertinência ao assunto abordado e o atendimento aos tópicos solicitados; 
b) quanto ao uso do idioma, atribuindo-se 50% (cinquenta por cento) do valor total 
da questão, a proficiência na instrumentalização de conhecimentos ortográficos, 
gramaticais adequados à norma-padrão e textuais (introdução, desenvolvimento, 
conclusão, observando-se coerência e coesão). Caso a questão receba nota zero quanto 
aos Conhecimentos Específicos, não será avaliada quanto ao uso do idioma. 
A primeira informação relevante é de que se trata de texto DISSERTATIVO, muito 
comum neste tipo de avaliação e tipologia de texto largamente consagrada. A nota é dividida 
em duas etapas: CONTEÚDO e IDIOMA. 
 
No CONTEÚDO, são implicados conhecimento, compreensão, desenvolvimento e 
adequação aos conceitos, bem como a pertinência e o atendimento aos comandos da proposta. 
Temos aqui um conjunto amplo de conceitos. 
 
Sobre o IDIOMA, assinalados os conceitos de conhecimentos ortográficos, 
atendimento à norma padrão — o que já incorpora a ortografia, portanto, redundante - e avança 
no tipo de texto escolhido, além dos critérios de coerência e coesão. 
 
A esse conjunto todo é atribuída metade da nota (50 pontos). No entanto, não está 
especificado, como convém à lisura do processo, quanto vale cada um dos itens. Isso posto, 
sabe-se que, na gramática ou na norma culta, desvios de morfossintaxe e de ortografia 
descontam na nota final. Nessa medida, tais desvios são aparentes na superfície do texto, 
portanto revelam-se objetivos. Entretanto, no edital foram colocados juntos de outros 
compostos extremamente subjetivos, a coesão, a coerência. 
 
Em resumo: as réguas de correção são analíticas, ou seja, detalham item por item o que 
será avaliado e isto é EXTREMAMENTE IMPORTANTE, pois servirá de guia de correção 
para o profissional que examinará o texto. Sem um guia detalhado a nota será por conta do 
bom senso desse avaliador. 
 
A título de exemplo, examine-se o edital do CORPO DE BOMBEIROS DE SANTA 
CATARINA, publicado em 15 de dezembro de 2022, banca CONSULPLAN. Há uma 
exposição detalhada de como será feita a avaliação, inclusive com margem de discrepância 
(diferença de nota entre os avaliadores). A tabela prescreve quanto será o desconto de cada 
desvio, quanto vale cada item de avaliação. 
 
 
 
6.3.5. As redações serão corrigidas e serão avaliadas por dois professores, 
cada um atribuindo nota na escala de 0,00 (zero) a 10,00 (dez), com duas 
casas decimais. A nota da prova de redaçäo será igual à média aritmética 
das notas dos dois avaliadores. 
 
6.3.6. Quando as notas atribuídas pelos dois avaliadores apresentarem uma 
diferença de 3,00 (três) ou mais pontos, será realizada uma terceira 
avaliação por professor avaliador diferente. Neste caso, a nota da redação 
será a média aritmética das duas notas mais próximas. 
 
6.3.7. A avaliação da redação será considerada nos planos do conteúdo, da 
expressãoescrita e do manejo de linguagem quanto à (ao): 
 
 
 
Aspectos Avaliados Total de 
Pontos 
Critérios de 
Avaliação 
Argumentação e 
informatividade dentro do 
tema proposto - AI 
(originalidade, suficiência, 
correçäo, relevância e 
propriedade das 
informações) 
3 De O a 0,75 - 
Ruim 
De 0,76 a 1,5 - 
Regular 
De 1,6 a 2,25 - 
Bom 
De 2,26 a 3 - 
Muito Bom 
Coerência e Coesão - CC 
(organização adequada de 
parágrafos, continuidade e 
progressão de ideias, uso 
apropriado de 
articuladores) 
3 De O a 0,75 - 
Ruim 
De 0,76 a 1,5 - 
Regular 
De 1,6 a 2,25 - 
Bom 
De 2,26 a 3- 
Muito Bom 
Morfossintaxe - M 
(emprego de pronomes, 
relação entre as palavras, 
concordância verbal e 
nominal, organização e 
estruturação dos períodos e 
orações, emprego dos 
tempos e modos verbais e 
colocação de pronome) 
2 Desconto de 0,10 
ponto por erro 
Pontuação, acentuação e 
ortografia - PO 
2 Desconto de 0,10 
ponto por erro 
Valor total da Prova IO pontos 
 
 
Tais detalhamentos, com atribuição de pontos critério por critério não ocorreu os editais da 
CESGRANRIO para o CONCURSO NACIONAL UNIFICADO. Isso revela falta de cuidado, falta de 
primor técnico que levam a problemas posteriores. 
 
A tradição, mostrada largamente pelo ENEM, revela que devem ser duas avaliações de cada 
item. E a nota final será a média. Isso resulta em EQUILÍBRIO. Havendo diferença de mais de 20% entre 
as notas, poderá haver uma terceira avaliação. 
 
Isso quer dizer que, por medida de economia e agilidade, muitas bancas fazem apenas uma 
avaliação. Isso poupa trabalho e custos. 
 
No entanto, propicia notas injustas, o que compromete a lisura do certame. 
 
O caso em tela é exemplo claro disto: uma nota injusta tanto em IDIOMA quanto em 
CONTEÚDO. 
 
NOVOS CRITÉRIOS DE CORREÇÃO 
 
Em liminar concedida, a CESGRANRIO se manifestou anexando COMPROVANTE DE 
CUMPRIMENTO DE MEDIDA LIMINAR, no qual detalhou cada item de avaliação. 
 
Entretanto, estas informações não estavam no edital. Ao construírem seus recursos 
administrativos em relação à nota da questão discursiva, o candidato não tinha estas informações. Ora, 
bem se sabe que o edital traz as regras fundamentais do certame. Elas orientam os candidatos na sua 
preparação. 
 
Ao não fornecer este detalhamento no momento do recurso administrativo, impede-se, na prática, 
o exercício do contraditório. E o agente público não expõe o que lhe cabe: a motivação. 
 
Vejamos a nova régua oferecida posteriormente: 
 
Valoração dos aspectos a serem julgados na discursiva quanto ao uso do idioma 
(valor: 50 pontos) 
 
 
 
 
 
 
A nova régua agora detalha, por exemplo, o que se entende por IDIOMA, que foi dividido em 
três critérios, com a pontuação de cada um atribuída. Há algo mais próximo da régua analítica. Sabe-se 
que COESÃO TEXTUAL está em ASPECTOS TEXTUAIS e vale até 10 pontos. Os desvios gramaticais, 
por sua vez, valem metade da nota de IDIOMA, ou seja, 25 pontos. 
 
 
Atente-se como estas informações são importantes para a preparação do candidato. Por isso, é 
incompreensível que esta tabela não esteja no edital. É incompreensível que uma banca tão acostumada 
a grandes concursos não tenha produzido uma tabela como esta para empregar em seus editais. 
Essas medidas não estão no âmbito do ATO DISCRICIONÁRIO, mas no apuro técnico desta 
organização. 
 
 
 
A REDAÇÃO DO CANDIDATO – IDIOMA 
 
Examine-se agora, de acordo com medida liminar acima citada (Processo n o 1084325-
65.2024.4.01.3400), como a CESGRANRIO detalhou os que considera genericamente chamado de 
IDIOMA, que valia metade da nota, ou seja, 50 pontos. 
 
ASPECTOS GRAMATICAIS 25 pontos 
Domínio da norma-padrão da Língua Portuguesa adequação vocabular, concordância, 
regência, colocação. Pontuação (hierarquização de sintagmas) 
Para obter a nota máxima, o candidato não poderia cometer nenhum desvio gramatical. Em texto 
de 40 linhas, um desvio descontaria 5 pontos, que correspondem a 5% do total da prova. 
De outra parte, ficaria com 20 pontos se atendesse ao seguinte requisito: 
 
Pequeno índice de erros gramaticais de quaisquer tipos, mesmo que sejam sistemáticos: 
ortografia e acentuação, concordância, regência. Vocabulário informal, inadequado ao 
padrão escrito. 
 
Não se sabe com exatidão o que seja pequeno índice de erros gramaticais. De qualquer sorte, 
vamos ao texto: 
 
ASPECTOS GRAMATICAIS, desvios nas linhas 3 (crase); 17 (vírgula); 25 (crase); 25-26 
(concordância); 28 (vírgula). Contam-se CINCO desvios que devem ser enquadrados como pequeno 
índice, conquistando 20 pontos, em texto com 37 linhas. 
 
Por sua feita, o vocabulário está dentro do campo de significado do tema analisado, sem 
expressões da oralidade, informalidades, ou seja, de acordo com a NORMA PADRÃO 
 
ASPECTOS TEXTUAIS 10 PONTOS 
Conforme a nova tabela: 
Relação lógica entre as orações; articulação dos períodos e dos parágrafos. Processos de 
referenciação. Pontuação. 
Para atender à nota máxima, o candidato deveria: 
Texto bem articulado, demonstrando domínio 
• no emprego de conectores para expressar a relação lógica entre as ideias; 
 
 
• no emprego de marcas de referenciação 
• na articulação lógica entre os parágrafos, 
• na organização interna dos parágrafos. 
• na pontuação. 
Basicamente, este item analisa a COESÃO TEXTUAL. 
Abaixo são apontados os elementos coesivos que estão no texto. 
 
ASPECTOS ORTOGRÁFICOS 15 PONTOS 
 
A nota de idioma encerra neste componente. 
Ortografia: grafia de vogais e consoantes; maiúsculas e minúsculas; emprego do hífen 
acentuação gráfica. 
Para conquistar a nota máxima: Total domínio das regras ortográficas. 
Não há desvios ortográficos no texto em tela. 
 
CONCLUSÃO DA NOTA DE IDIOMA 
Feitas essas considerações, o desconto de IDIOMA deveria ser de 5 pontos, consoantes a régua 
estabelecida pela própria banca. A estrutura do texto revela parágrafo de abertura e outro de fechamento. 
De qualquer sorte, há de se tentar outra maneira de examinar o texto do candidato. Em alguns 
vestibulares do país (e os vestibulares em instituições públicas, pela visibilidade, possuem mais 
tecnologia, cuidado e técnica), empregam-se duas avaliações: a analítica e a holística. Esta com aquela 
visão geral um apanhado do texto para revelar em que nível colocar o candidato. 
Se fizermos isso, teremos um texto com boa sintaxe, paragrafação, boa pontuação, campo 
semântico consoante ao tema. Descontar 10 pontos em 50 equivale a 20% da nota de IDIOMA. 
 
A REDAÇÃO DO CANDIDATO - O CONTEÚDO 
 
A proposta era do tipo ESTUDO DE CASO. O comando emprega o modo imperativo com o 
verbo ELABORAR. 
Estas foram as justificativas de contexto da própria banca em liminar concedida na 14 a Vara 
Federal Cível SJDF, número 1080815-44.2024.4.01.3400. 
FUNDAMENTAÇÃO DA NOTA ATRIBUÍDA 
O cerne da questão refere-se à a relação entre mudança climática e produção agrícola, e o 
quanto elas se afetam mutuamente. É solicitado ao candidato que analise os fragmentos de 
textos expostos usando como fundamentação os compromissos internacionais assumidos 
pelo Brasil e a Política Nacional sobre Mudança Climática – PNMC (Lei no 12.187/2009). 
Portanto, simplificadamente, o que estava sendo cobrado dos candidatos é a RELAÇÃO entre os 
fragmentos de texto e a legislação que versa sobre os compromissos internacionais. Observa-se que a 
proposta estava consoante com as QUESTÕES DISCURSIVAS, que buscam conhecimento técnico, 
estabelecido no CONTEÚDO PROGRAMÁTICO. O candidato é refém dos limites da Constituição. 
Estamos diante de DISSERTAÇÃO EXPOSITIVA, na qual o autor do texto está submerso, limitado à 
Lei. 
 
 
 
É importante ter isso em vista para o que será exposto adiante. 
 
 
 
 
 
A resposta desejada implicava os compromissos internacionais assumidos e a política nacional 
sobre mudança climática. Curiosamente o comando não explicitava isto. Quando afirma relação, dilema, 
ação indicada, em verdade, o que se pediu foi a OPINIÃO do autor. E foi isso que ocorreu com boa partedos candidatos. Se o enunciado queria, de fato, a análise do aspecto legal deveria explicitar isso. 
Há uma sequência lógica nos comandos da questão e nos critérios avaliativos, vejamos: 
 
A mútua relação entre mudança climática e produção agrícola 
Ao analisar atentamente a redação, observa-se que, nas linhas 14 a 19, foram citados exemplos 
causadores de mudança climática, afirmando que o uso inadequado do solo, práticas de manejo 
inadequadas, excesso de pisoteio animal e excesso de revolvimento do solo são fatores que aceleram o 
processo de erosão. Quando ocorre esse processo, o solo perde sua fertilidade e sua cobertura vegetal 
(rica em matéria orgânica) resultando em queda da produção e consequentemente demanda por aberturas 
de novas áreas agricultáveis. 
De acordo com o Padrão de Resposta publicado pela Banca, seria atribuída a pontuação máxima 
referente ao quesito ao candidato que abordasse a relação entre mudança climática e produção agrícola, 
e o quanto elas se afetam mutuamente. 
Diante disso, era esperado que o candidato afirmasse que o clima afeta a produção agrícola, 
mesmo aquela baseada em alta tecnologia. Quanto maior for a previsibilidade climática, mais fácil é a 
 
 
gestão agrícola. Portanto, um aumento no número de eventos extremos dificulta o planejamento da 
atividade agrícola, podendo trazer grandes prejuízos ao agricultor. Além disso, há evidências científicas 
indicando que o ser humano está mudando o clima do planeta, principalmente ao lançar na atmosfera 
grandes quantidades de gases de efeito estufa (GEE). Entre esses gases estão o gás carbônico, o metano 
e o óxido nitroso. O gás carbônico é o principal causador desse efeito, e o aumento de sua concentração 
na atmosfera está diretamente relacionado com a queima de combustíveis de origem fóssil e com as 
queimadas. As queimadas têm como uma de suas causas a expansão da fronteira agrícola. 
Nesse sentido, quando foram mencionados no texto os referidos exemplos causadores da 
mudança climática, tais como uso inadequado do solo, práticas de manejo inadequadas, excesso de 
pisoteio animal e excesso de revolvimento do solo, foi feita clara alusão ao fato de que há uma mútua 
relação entre a mudança climática e a produção agrícola. Ademais, seguindo essa mesma lógica, quando 
foi afirmado que o uso indevido é o mesmo que fazer referência ao fato de que o ser humano está 
mudando o clima do planeta, principalmente ao lançar na atmosfera grandes quantidades de gases de 
efeito estufa (GEE). 
 
Dilemas no contexto da “Tragédia dos Bens Comuns” 
Diante da leitura minuciosa do texto elaborado, nota-se que, nas linhas 26 a 32, foi citada a 
diminuição do desmatamento, zerar o desmatamento ilegal na Amazônia até 2030, aumentar a utilização 
de fontes de energias renováveis, políticas públicas voltadas para colaborar com esse compromisso 
assumido pelo governo, no âmbito internacional. 
De acordo com o Padrão de Resposta publicado pela Banca, seria atribuída a pontuação máxima 
referente ao quesito ao candidato que apresentasse duas propostas de intervenção do poder público no 
combate a essas ameaças. 
Diante disso, era esperado que o candidato afirmasse o seguinte: 
• A principal dificuldade para a implementação de políticas públicas voltadas à redução de 
mudanças climáticas causadas pelo ser humano reside no fato de que não se pode lotear ou 
privatizar a atmosfera, o que caracteriza um exemplo típico de Tragédia dos Comuns, quando um 
bem de uso comum tende a ser utilizado para além de sua capacidade. 
• Controlar as mudanças climáticas é uma busca que só terá efetividade se houver um 
engajamento global, mesmo considerando-se que as mudanças climáticas não afetam igualmente 
todas as partes do mundo. 
• O Brasil assumiu diversos compromissos internacionais para combater as mudanças 
climáticas de origem antropogênica, de modo a reduzir a emissão de gases de efeito estufa. 
• A busca por essa redução se traduz em atender metas para a redução no desmatamento 
florestal, no incentivo à adoção de fontes de energia mais “limpas”, entre outras que estão 
desdobradas na Política Nacional sobre Mudança no Clima (PNMC) e seus instrumentos. 
• A PNMC (e seus instrumentos) aponta no sentido da busca por “padrões sustentáveis de 
produção e consumo”, e que “os objetivos da Política Nacional sobre Mudança do Clima deverão 
estar em consonância com o desenvolvimento sustentável, a fim de buscar o crescimento 
econômico, a erradicação da pobreza e a redução das desigualdades sociais.” 
• Os limites das propostas do ambientalismo preservacionista, sendo necessárias propostas 
de soluções de ordem sistêmica e de nova ordem de desenvolvimento econômico. 
• Um desdobramento da PNMC são os Planos Setoriais de mitigação e adaptação às 
mudanças climáticas. 
 
 
 
Nesse sentido, quando foi mencionada a questão das políticas públicas voltadas para colaborar 
com esse compromisso assumido pelo governo, no âmbito internacional, claramente foi feita referência 
ao fato de que o Brasil tem assumido compromissos internacionais como protocolo de Kyoto, que visa a 
redução dos gases do efeito estufa (GEE), foi abordado de forma correta e exatamente conforme dispõe 
o Padrão de Resposta disponibilizado pela Banca. 
 
Ação para o setor agrícola e explicação de como isso se dará 
Do mesmo modo que os itens anteriores, observa-se que, nas linhas 33 a 40, abordou-se a 
necessidade de desenvolver políticas públicas efetivas para o setor agropecuário. Além disso, o governo 
deve realizar o planejamento das políticas para o setor oferecendo aos produtores benefícios e incentivos 
para adotarem sistemas de produção com uso de tecnologias sustentáveis. 
Conforme estabelecido no referido Padrão de Resposta, era esperado que o candidato afirmasse 
que o setor agrícola possui metas a serem atendidas, as quais foram estabelecidas em 2012 no Plano 
Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia 
de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura. Dentre as várias ações possíveis estão a recuperação de 
pastagens degradadas, o uso de sistemas agroflorestais e a fixação biológica de nitrogênio. Nesses 
exemplos de ações, ocorre uma menor emissão de GEEs e/ou são implementados sumidouros que 
contribuem ainda para a fixação do carbono e nitrogênio atmosféricos. 
Nesse sentido, quando citadas as referidas medidas assertivas para mitigação e adaptação às 
mudanças climáticas, claramente foi feita alusão à necessidade de uma ação de recuperação das pastagens 
degradadas, conforme dispõe o Padrão de Resposta. 
 
Vale ressaltar que, sendo uma prova discursiva, acredita-se que os conhecimentos 
apresentados não devem ser desconsiderados durante a avaliação. Qualquer manifestação de 
entendimento sobre o tema deve ser valorizada e pontuada, ainda que a situação seja atípica e não 
se enquadre exatamente nos critérios de pontuação previamente estabelecidos no espelho de 
correção. 
 
Diante do exposto, torna-se nítido que o texto abordou exatamente o que consta nas respostas 
padrão. 
 
Mister ressaltar que o enunciado da questão trouxe uma certa ambiguidade, porque levou os 
candidato a suporem, a concluírem e esse não é o caso de DISSERTAÇÃO EXPOSITIVA, mas, sim, de 
DISSERTAÇÃO ARGUMENTATIVA, na qual o que importa é COMO o candidato defende seu ponto 
de vista. Por isso, questões desse tipo precisam ser apenas EXPOSITIVAS do conteúdo programático. 
 
Esta falha ou inabilidade técnica de formulação de questões não pode ser atribuída a ATO 
DISCRICIONÁRIO. 
 
Esses detalhamentos estavam na percepção de quem elaborou a questão. No entanto, o comando 
não sugeria isso. Uma questão discursiva não pode ser um exercício de adivinhação. É preciso fazer 
questões dentro de padrões técnicos, claros e objetivos. É fundamental que os critérios sejam dados de 
imediato ao concorrente. 
 
 
 
Além disso, é incompreensível que o espelho inicial tenha sofrido alteração dessa forma. Isso 
podeser chamado de ATO DISCRICIONÁRIO? 
 
Uma questão DISCURSIVA como esta cobra, pede, solicita o conhecimento do conteúdo 
programático. Por isso, a DISSERTAÇÃO É EXPOSITIVA, porque o autor do texto apenas expõe seu 
conhecimento acerca dos temas. 
Ao empregar o termo ARGUMENTAÇÃO, ao tirar conclusões próprias da legislação, a questão 
pediu elementos que extrapolavam a questão. 
 
Há aqui visivelmente um problema técnico de elaboração de questões discursivas em concursos 
dessa ordem. Não basta, portanto, ao elaborar tais questões, o conhecimento do tema abordado. Esse 
trabalho também é atravessado pela linguagem. Sem a linguagem, não haveria operadores do Direito, 
nem questões de concursos públicos. E esta linguagem foi contaminada por imprecisões graves que 
afetaram milhares de candidatos. 
 
A dúvida que fica nesta exigência de última hora para os candidatos é esta: qual regra deveria ser 
seguida? Esse procedimento da CESGRANRIO afeta, drasticamente, a transparência. 
 
Em função dessa nova régua de avaliação, foram descontados injustamente 50% dos pontos 
relativos ao quesito avaliativo “Conhecimentos específicos”. 
CONCLUSÃO 
O texto em tela recebeu 25 pontos em 50 possíveis, em CONTEÚDO. Não há descontos a serem 
feitos em conteúdo, devendo ser atribuída nota máxima. 
 
De outra parte, em IDIOMA, igualmente a nota foi injusta, pois puniu em 10 pontos quando, pela 
própria régua, ambígua, imprecisa, com dupla punição, deveria descontar apenas 5 pontos. 
 
Pela importância de um certame desta magnitude, os pontos retirados do candidato vão mudar 
significativamente seus planos, frustrando o cidadão, não por culpa sua, mas dos problemas técnicos aqui 
levantados. 
 
Uma questão mal formulada leva a avaliações malfeitas. Há uma cadeia de acontecimentos aqui 
que prejudicaram a lisura do certame. 
 
Problemas desse tipo se multiplicam nestes certames desde sempre. Isso implica dizer que os 
candidatos estão à mercê do que prescreve a banca, a título de ATO DISCRICIONÁRIO. O último 
recurso aos candidatos do país é a Justiça. Este é o freio necessário para que as bancas, de modo geral 
ajam dentro dos limites legais. 
 
Não se pode entender como a CESGRANRIO, ao elaborar um concurso tão complexo, não tenha 
tomado os mesmos procedimentos que, conforme se vê acima, são simples, organizados. 
 
 
 
Ao não tomar estas providências, a BANCA CESGRANRIO renunciou ao ato discricionário. 
 
Consoante jurisprudência do STF, o Poder Judiciário não pode substituir a banca examinadora na 
apreciação de questões de concursos públicos. Este procedimento somente poderia ser feito em flagrante 
ilegalidade ou evidente equívoco. 
 
As imprecisões técnicas, as exigências posteriores feitas pela banca estariam enquadradas em que 
situação? Além disso, a falta de motivação do ato público, ao não fornecer os motivos dos descontos, 
impediu o exercício pleno do contraditório. Fato é que as bancas de concursos público, escudadas em tal 
jurisprudência e em ato discricionário, cometem toda sorte de infrações, imprecisões técnicas, economia 
de tecnologia e de pessoal capacitado. 
Isso tudo com uma grande consequência: a frustração de milhares de candidatos a cargos 
públicos. 
 
Finalizemos com o mestre OTHON GARCIA (1983), professor de linguagem, advogado acerca 
do problema conceitual aqui apontado: a diferença entre DISSERTAÇÃO EXPOSITIVA E 
ARGUMENTATIVA: 
 
Nossos compêndios e manuais de língua portuguesa não costumam distinguir a dissertação 
da argumentação, considerando esta apenas "momentos" daquela. No entanto, uma e outra 
têm características próprias. Se a primeira tem como propósito principal expor ou explanar, 
explicar ou interpretar ideias, a segunda visa sobretudo a convencer, persuadir ou influenciar 
o leitor ou o ouvinte. Na dissertação, expressamos o que sabemos ou acreditamos saber a 
respeito de determinado assunto: externamos nossa opinião sobre o que é ou nos parece ser. 
Na argumentação, além disso, procuramos principalmente formar a opinião do leitor ou 
ouvinte, tentando convencê-lo de que a razão está conosco, de que nós é que estamos de 
posse da verdade. (grifo nosso) 
ANTÓNIO RICARDO ROSA RUSSO 
Licenciado em Letras pela PUC/RS, bacharel em Comunicação Social, Jornalismo, pela 
mesma instituição, mestre em Ciências da Linguagem, pela UNISUL, avaliador de 
redações do ENEM e professor universitário. 
http•//lattes.cnpq.br/3208464245142733 
BIBLIOGRAFIA 
GARCIA, Othon Moacir - Comunicação em Prosa Moderna — Ed. da Fundação Getúlio 
Vargas, 11 a edição, 1983, Rio de Janeiro, p. 370 
 
 
 
 
6. DA UTILIZAÇÃO DE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL PELA BANCA PARA CORREÇÃO 
DA PROVA DISCURSIVA: 
 
 
Excelência, há informações de que tanto as provas discursivas como os recursos 
administrativos interpostos pelos candidatos não foram corrigidos por um ser humano, mas sim por 
inteligência artificial. 
Isso porque a nota atribuída aos candidatos foi calculada somente considerando a inexistência 
de erros de gramática e se a dissertação continha as palavras chaves trazidas no espelho de correção. Isso 
significa que os candidatos que discorreram sobre o tema, mas não utilizaram a literalidade das palavras 
do espelho, tiveram pontos descontados. 
Isso explicaria os erros padronizados nas notas, que claramente não condizem com o 
conteúdo das redações, bem como, as respostas idênticas para todos os candidatos e a inexistência de 
justificativa para a correção dos recursos administrativos interpostos. 
Essa dúvida vem sendo levantada por vários candidatos, visto que não há indícios de que 
alguém obteve alteração em sua nota após a interposição do recurso administrativo. 
Em 07/11/2024, nos autos n. 5022681-30.2024.4.04.7002/PR, a 2 a Vara Federal de Foz do 
Iguaçu proferiu decisão reconhecendo que a correção da prova discursiva por uma inteligência artificial 
compromete a avaliação dos conhecimentos do candidato, dada a objetividade e limitação desse sistema. 
Nada obstante. no que diz respeito à correção da prova discursiva no caso 
concreto. entendo assistir razão à autora. pois a correção por IA pode 
comprometer a avaliação dos conhecimentos da candidata. dada a obietividade e 
limitações desse sistema. 
Ante o exposto, DEFIRO EM PARTE a tutela de urgência, para o fim de 
determinar às rés, em relação ao CONCURSO PÚBLICO NACIONAL 
UNIFICADO - CPNU 2024 objeto do Edital n 0 04/2024: a) anulação das 
questões 36 e 38 da prova de conhecimentos específicos; b) que a prova 
discursiva da autora seja corrigida por humano. 
Em razão disso, o autora requer que sua redação seja corrigida por seres humanos. 
 
7. DO CERCEAMENTO DE DEFESA E A GARANTIA DO CONTRADITÓRIO NA 
CORREÇÄO DOS RECURSOS DA PROVA DISCURSIVA: 
A omissão da banca examinadora consistente em não analisar e não fundamentar o recurso 
administrativo apresentado pelo autor configura uma violação ao dever legal de motivação dos atos 
administrativos, previsto no art. 50 da Lei no 9.784/1999. Além disso, essa omissão caracteriza 
cerceamento de defesa, uma vez que o impediu de conhecer os motivos pelos quais seus argumentos 
foram desconsiderados. 
Excelência, como se vê, os critérios de correção não foram apresentados ao candidato, nem 
previamente, nem depois que os recursos administrativos foram julgados. As decisões administrativas 
foram completamente genéricas. 
Diante disso, questiona-se: como é possível afirmar que o direito ao contraditório e a ampla 
defesa do candidato foi respeitado, se sequer sabe-se o motivo dos descontos que resultaram na nota? 
Evidente que não é possível! 
Ademais, qual a finalidade de apresentar um recurso administrativo se inexiste possibilidade 
de alteração da nota? É tratar o recurso como mera formalidade descartável. 
 
 
 
O resultado da redação, da forma como foi apresentado pela banca, é uma verdadeira violação 
ao dever de fundamentação dos atos administrativos, os quais, em se tratando de concursos públicos e da 
eliminação de um candidato, não podemser genéricos e arbitrários. 
Muito pelo contrário, por estar tratando do futuro de um candidato que muito se dedicou para 
o certame, através de anos de estudo, abdicação e dedicação, a correção somente deve se pautar por 
critérios objetivos e claros, possíveis de serem questionados e visualizados pelo candidato. 
Em razão disso, razão não assiste à banca, a qual deveria ter apresentado, pelo menos, 
os critérios esperados do candidato na redação, justificando-se a anulação da decisão 
administrativa que atribuiu a nota genérica ao autor. 
 
Ao invés de analisar os recursos e emitir uma decisão fundamentada, a banca limitou-se a 
omitir-se, violando o dever legal de motivação dos atos administrativos, conforme previsto na Lei n o 
9.784/1999. 
 
Esta foi a resposta apresentada pela banca: 
 
 
Somente essa foi a resposta da banca. 
 
 
 
Esse comportamento, além de ferir o direito ao contraditório e à ampla defesa, 
representa uma grave violação aos princípios que regem a atuação da Administração Pública, 
especialmente a legalidade e a motivação dos atos administrativos. 
O silêncio injustificado da banca, ao não fundamentar as decisões que manteve a nota do 
autor afeta diretamente o direito do candidato de ter seus argumentos adequadamente avaliados e coloca 
em risco a integridade e a transparência do certame. 
A Lei n o 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração 
Pública Federal é clara ao impor o dever de motivação para os atos administrativos, especialmente 
quando estes negam, limitam ou afetam direitos ou interesses dos administrados. O art. 50 da referida lei 
estabelece que: 
Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos 
fundamentos jurídicos, quando: 
I — neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; 
III — decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; V — 
decidam recursos administrativos. 
 
Além disso, o dever de fundamentação dos atos administrativos é um corolário do princípio 
da legalidade (art. 37, caput, da Constituição Federal), o qual exige que todos os atos praticados pela 
Administração sejam baseados na lei e devidamente justificados. 
 
Dessa forma, ao não analisar ou não fundamentar suas decisões quanto aos recursos 
administrativos apresentados pelo autor, a banca examinadora agiu em total descumprimento da 
lei. 
A omissão em responder ao recurso apresentado a tempo e modo conforme demonstra 
o comprovante em anexo configura um ato ilegal visto que a ausência de motivação impede o 
controle de legalidade e afeta diretamente o direito da candidata à ampla defesa e ao contraditório, 
princípios assegurados tanto na Constituição Federal (art. 50 LV) quanto no regime jurídico dos 
processos administrativos. 
 
O § 1 0 do art. 50 dispõe que a motivação deve ser explícita, clara e congruente, de modo que 
os administrados possam compreender as razões que levaram à decisão. 
 
Ao submeter, no prazo correto, recurso administrativo questionando a nota atribuída 
quanto aos conhecimentos específicos na prova discursiva, o autor exerceu seu direito de defesa, o 
que é parte integrante do processo de seleção pública. 
 
Em contrapartida, a banca examinadora tinha o dever legal de apreciar todo o recurso 
apresentado e fundamentar suas decisões de maneira adequada, conforme preceitua o inciso V do art. 50 
da Lei no 9.784/1999. 
 
 
 
Nesse contexto, a decisão da banca que se omitiu quanto à análise do recurso do autor 
deve ser declarada nula, uma vez que a ausência de motivação impede o candidato de entender os 
motivos pelos quais seus argumentos foram rejeitados, violando seu direito à defesa. 
Este é o entendimento do Tribunal Regional Federal da 3a Região: 
E M E N T A ADMINISTRATIVO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. INSS. 
NECESSIDADE DE MOTIVAÇÃO DAS DECISÕES. LEI 9.784/99. 
REMESSA OFICIAL IMPROVIDA. - Trata-se de mandado de segurança 
impetrado com o objetivo de determinar à autoridade impetrada que reabra o 
processo administrativo NB 199.399.044-2 a fim de reanalisá-lo e para emissão 
de nova decisão administrativa devidamente fundamentada - A Administração 
Pública tem o dever de pronunciar-se sobre os requerimentos que lhe são 
apresentados pelos administrados na defesa de seus interesses de forma 
fundamentada, sob pena de ofensa aos princípios norteadores da atividade 
administrativa, em especial, o da eficiência, previsto no do caput, do artigo 37, 
da Constituição da Republica. No mesmo sentido, exige o artigo 2 0 parágrafo 
único inciso VII, da Lei 9.784/99, a necessidade de motivação das decisões 
administrativas - No caso concreto, é nítida a ausência de fundamentação da 
decisão administrativa (ID 267042367), motivo pelo qual a r. sentença deve ser 
mantida - Remessa oficial improvida. (TRF-3 RemNecCiv: 
50090672820224036105 SP, Relator: Desembargador Federal 
MONICA AUTRAN MACHADO NOBRE, Data de Julgamento: 20/03/2023, 4a 
Turma, Data de Publicação: Intimação via sistema DATA: 28/03/2023) 
Este entendimento também é aplicado pelos Tribunais Regionais Federais no tocante a 
concursos públicos: 
ADMINISTRATIVO. MANDADO DE SEGURANÇA. CONCURSO. 
MOTIVAÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO CONCOMITANTE OU 
ANTERIOR AO ATO. A necessidade de fundamentação das decisões 
administrativas prévia ou concomitante ao ato constitui elemento básico do 
direito administrativo. A motivação posterior, mormente em se tratando de 
concurso público, inviabiliza a correta impugnação pelos candidatos e não atende 
ao princípio da devida motivação dos atos administrativos e aos princípios 
constitucionais da impessoalidade, isonomia, publicidade, transparência, do 
contraditório e da ampla defesa. (TRF_4 APL. 50566978920194047000 
5056697-89.2019.4.04.7000, Relator: MARGA INGE BARTH TESSLER Data 
de Julgamento: 30/06/2020, TERCEIRA TURMA) 
Assim, requer-se a anulação da decisão administrativa que indeferiu o recurso sem a 
devida fundamentação, assegurando-se o direito do autor de ter seu recurso analisado por decisão 
devidamente motivada pela banca examinadora, em observância aos princípios da legalidade, 
motivação, contraditório e ampla defesa. 
 
8. DA CONCESSÃO DA MEDIDA LIMINAR INAUDITA ALTERA PARS: 
Consoante se extrai do teor do artigo 300, caput, do NCPC, é cabível a concessão da tutela 
de urgência, mediante a comprovação de dois requisitos. In verbis: 
 
 
Art. 300. A tutela de urgência será concedida quando houver elementos que 
evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado 
útil do processo. 
No caso em tela, os dois requisitos estão presentes. 
Em relação à probabilidade do direito, percebe-se que, pelos argumentos apresentados na 
petição inicial, há flagrante ilegalidade quanto à redação, visto que inexistem critérios de avaliação 
específicos, determinando qual pontuação seria atribuída ou descontada para cada item. Além disso, 
constata-se que: 
1) A proposta de redação apresenta enunciado ambíguo, propiciando variada interpretação; 
2) O espelho de correção é igualmente genérico, sem detalhar quando vale cada comando da 
questão 
3) Não foram apresentadas fundamentações ou justificativas pela banca quanto aos 
RECURSOS ADMINISTRATIVOS 
4) A redação foi corrigida por inteligência artificial. 
 
Todos estes componentes comprometeram a eficiência técnica da correção dos textos, com 
profundas discrepâncias nas notas dos candidatos, especialmente o autor. 
 
Além disso, não houve resposta ao recurso administrativo interposto quanto à prova 
discursiva, em violação ao art. 50, I e III, da Lei no 9.784/1999 e ao dever de fundamentação dos atos 
administrativos. 
A omissão na análise desses recursos caracteriza ato ilegal gerando um prejuízo concreto e 
imediato ao autor, a qual terá sua nota e classificação majoradas caso as questões impugnadas sejam 
anuladas, possivelmente garantindo-lhe a aprovação. 
 
Por outro lado, o perigo de dano é evidente. Conforme demonstrado no cronograma anexo, 
a publicaçãodo resultado final do concurso será divulgada nos próximos dias. 
Caso as ilegalidades apontadas na prova impugnada não sejam corrigidas antes da conclusão 
dessas etapas, o autor estará inevitavelmente prejudicado, uma vez que sua nota atual resultante de 
questões incorretas, pode impedir sua aprovação. 
A simples manutenção dessas questões sem revisão coloca em risco todo o resultado do 
certame, comprometendo a possibilidade de correção dos erros e a chance do autor seguir nas próximas 
fases. 
Se a redação for devidamente anulada, é possível que o autor tenha sua nota 
significativamente aumentada, o que lhe permitirá participar das etapas subsequentes com maiores 
chances de ser aprovado. Isso evitará um prejuízo irreparável e garantirá que seu direito seja preservado 
durante o andamento do processo. 
Ressalta-se que não há qualquer risco de irreversibilidade da medida liminar solicitada, uma 
vez que a anulação provisória da prova discursiva e a reclassificação do autor não geram prejuízos 
irreparáveis à Administração Pública. Isso porque, se, ao final do processo, a ação for julgada 
improcedente, a simples reversão da classificação do candidato à posição anterior é suficiente para 
corrigir qualquer efeito da medida antecipatória. 
 
 
Além disso, o autor não possui interesse de tomar posse no cargo de forma precária. 
Diante de todo o exposto, estão presentes os requisitos para a concessão da tutela 
antecipada de urgência, conforme estabelece o artigo 300 do CPC. O direito do autor está 
claramente demonstrado pelas ilegalidades na prova discursiva, e o perigo de demora é evidente, 
dado o avançar do cronograma do concurso. 
 
Quanto à necessidade de observar o contraditório antes do deferimento liminar, 
ressalta-se que não é necessário, tendo em vista que a ré já está ciente dos argumentos apresentados 
através dos recursos administrativos. 
 
Este procurador analisou casos idêntico de liminares concedidas. em processos que tramitam 
na 2 a Vara Federal de Maringá/PR (n. 5018629-85.2024.4.04.7003/PR), 2ª Vara Federal de Ipatinga/MG 
(n. 6000674-94.2025.4.06.3814/MG), dentre outros, para determinar que a banca examinadora forneça 
o espelho de correção individual e reabra prazo para apresentar o recurso administrativo: 
 
 5018629-85.2024.4.04.7003/PR 
[...] Nessa linha, sem acesso ao espelho de correção individual da questão 
dissertativa, o autor realmente foi prejudicado no exercício do seu direito de 
recorrer, pois ficou impossibilitado de compreender as razões da banca e 
impugná-las de modo eficiente. 
Ante o exposto, defiro parcialmente a tutela provisória de urgência para 
determinar à FUNDAÇÃO CESGRANRIO que: 
(i) disponibilize ao autor (MANUEL LUIZ DIAS NETO), no prazo de até 5 
(cinco) dias, o espelho de correção individual da prova discursiva, com os 
critérios de correção e os exatos descontos de nota no seu texto; 
(ii) reabra o prazo para a interposição de recurso administrativo quanto à nota 
da prova discursiva (pedido de revisão de nota, conforme edital - 1.22); 
(iii) em caso de interposição de recurso (pedido de revisão de nota), profira 
decisão a respeito, deliberando sobre eventual modificação da nota inicial e 
consequente reposicionamento do autor em ordem de classificação. 
6000674-94.2025.4.06.3814/MG 
Ante o exposto, DEFIRO EM PARTE a liminar para: 
 
a) determinar à parte ré que aprecie de forma individualizada e devidamente 
fundamentada o recurso da parte autora, disponibilizando o espelho de correção 
individual da prova discursiva com os critérios de correção e de desconto de nota, 
sem que se utilize de decisões genéricas e padronizadas aos demais candidatos, 
no prazo de 05 dias; 
 
b) após a divulgação da correção menciona acima, a parte ré deverá reabrir o 
prazo para interposição de recurso administrativo. Em caso de interposição, 
deverá analisá-lo e deliberar sobre eventual modificação da nota e 
reposicionamento da autora na lista de classificação. 
 
 
 
Ainda, ressalta-se que a 1 a Vara Federal de Presidente Prudente/SP, proferiu decisão 
concedendo a tutela antecipada de urgência nos autos n. 5003084-56.2024.4.03.6112, referente ao 
presente certame, a fim de suspender a reprovação do candidato que questionou a ilegalidade de questões 
da prova, do mesmo modo que se pretende nesta ação: 
 
“Assim, a urgência do pedido — ou periculum in mora — envolve perecimento de 
direito de modo que tudo recomenda a adoção de providências cautelares para a sua 
asseguração ante a possibilidade de risco ao resultado útil do processo, naquilo que 
parte da doutrina chama de %teoria da gangorra em que a urgência se sobreleva à 
relevância dos argumentos — o fumus boni iuris —, ao menos na fase inicial da lide. 
Desse modo, hei por bem conceder a tutela provisória de urgência cautelar, cabendo; 
por ocasião da sentença, uma análise mais detalhada acerca da questão objeto desta 
lide, 
Desse modo, por esses fundamentos fica caracterizada a probabilidade do direito 
postulador 
Cumprido assim o primeiro pressuposto para a concessão da medida antecipatória. 
4. O segundo requisito para o deferimento do pedido de tutela provisória de urgência, 
que trata do perigo de dano, também se encontra presente; 
São notórios os potenciais riscos aos quais fica submetido o Autor ao não participar 
das demais fases do certame já que, se ao final restar reconhecido 0 direito postulado 
nesta lide, restará prejudicado por não ter tido a oportunidade de concorrer com os 
demais situação que não tem como ser reparada já que as Rés não poderiam elaborar 
provas somente para ele em da violação da isonomia. 
Por outra lado a concessão da medida cautelar não lhe garante qualquer direito à 
nomeação e posse, mesmo que aprovado nas demais fases do concurso, uma vez que 
essa medida continua sendo precária, é apenas assecuratória e não substitui a decisão 
de mérito, representada pela sentença. 
Atendido, portanto, 0 segundo requisito para a concessão da medida de urgência. 
5. Dessa forma, ante ao exposto, CONCEDO A TUTELA PROVISÓRIA DE 
URGÊNCIA 
CAUTELAR, nos termos do aro. 301 do cpc, para SUSPENDER reprovação do Autor, 
inscrito sob 
 
I 2410660902 (ID 343649980), na primeira etapa do Concurso Público Nacional 
Unificado, Edital no 04/2024, de 10 de janeiro de 2024 (ID 343649975), e desde logo 
DETERMINAR às Rés que viabilizem sua participação nas etapas seguintes desse 
certame, na condição sub Judice, vedada a nomeação e posse 
Intimem-se as Rés dessas determinações para ciência e cumprimento, com urgência.” 
 
 
Além disso, diversos tribunais pátrios deferiram liminares a respeito deste 
concurso, tanto em relação às ilegalidades perpetradas na prova objetiva, anulando-se 
provisoriamente as questões, como também em relação à prova discursiva, para que a 
banca apresente o espelho individual de correção. Nos seguintes casos: 
 1 . Decisão Liminar - Discursiva 1080815-44.2024.4.01.3400; 
2. Decisão Liminar - Discursiva - JFDF - 1086182-49.2024.4.01.3400; 
3. Decisão liminar - MS Discursiva - Bloco 4; 
4. Decisão Liminar - Questões - TRF4 5022681-30.2024.4.04.7002; 
5. Decisão Liminar - Questões - 5003084-56.2024.4.03.6112. 
 
As decisões encontram-se anexas. 
 
Isso posto, pugna-se pela concessão da medida liminar inaudita altera pars 
para anular a decisão que analisou o recurso administrativo do autor quanto à prova de 
redação, visto que carece dos elementos necessários de fundamentação, em violação ao 
art. 50, I e III, da Lei n. 9784/1999, devendo a banca ser intimada para apresentar nova 
correção, apresentando pormenorizadamente os critérios de correção adotados e 
indicando quais são os exatos descontos realizados. 
 
Nesse caso, requer-se a intimação da ré para retificar a nota e classificação do 
autor o mais rápido possível bem como caso seja considerado aprovado, possa ter 
assegurado sua nomeação e posse, sob pena de multa diária de R$ 500,00 
8. DOS PEDIDOS: 
Por todo o exposto, passa o autor a requerer:a) O recebimento da presente ação anulatória de ato administrativo com 
pedido de tutela de urgência antecipada incidental 
 
b) Conceder LIMINARMENTE TUTELA DE URGÊNCIA inaudita altera 
pars, para: 
 Quanto à prova discursiva: Determinar a anulação provisória da decisão que 
analisou o recurso administrativo do autor quanto à prova de redação, visto 
que carece dos elementos necessários de fundamentação, em violação ao 
art. 50, I e III, da Lei n. 9784/1999, sob pena de multa diária de R$ 500,00, 
 Determinar que a redação do autor seja corrigida por humano e não por 
inteligência artificial intimando-se a banca para disponibilizar o espelho de 
correção, com os critérios de correção individualizados, indicando-se quais 
 
 
são os exatos descontos realizados na redação. Após, requer-se a abertura 
de prazo para apresentação de novo recurso administrativo. Caso a nota 
seja majorada, requer-se a intimação da ré para retificar a nota e a 
classificação da candidata o mais rápido possível, bem como caso seja 
considerada aprovada, possa ter assegurada sua nomeação e posse ao final 
do processo, garantindo-o a retroatividade e a indenização das 
remunerações perdidas se assim ocorrer, sob pena de multa diária de R$ 
500,00; 
Se a nota for mantida e as ilegalidades persistam após a disponibilização dos 
critérios e a nova interposição e análise do novo recurso administrativo 
interposto pelo candidato, requer-se o prosseguimento do processo a fim de 
que seja possível a nomeação de um perito para analisar as ilegalidades, 
garantindo-se o direito ao contraditório e à ampla defesa. 
 
c) Nos termos do art. 319, VII, do CPC, opta-se pela não realização da 
audiência de conciliação, além de também não ser possível a autocomposição e por se tratar de 
direito indisponível 
 
d) Pugna provar o alegado por todos os meios de prova admitidos em direito, 
com a devida intimação para especificar as provas em momento oportuno, especialmente a 
nomeação de perito, sob pena de cerceamento de defesa. 
 
e) Ao final seja confirmada a eventual liminar concedida, julgando-se 
totalmente procedente a ação, para: 
e 1) A anulação definitiva da decisão que analisou o recurso administrativo do 
autor quanto à prova de redação, visto que carece dos elementos necessários de fundamentação, 
em violação ao art. 50, I e III, da Lei n. 9784/1999, determinando-se à banca que apresente 
nova correção, demonstrando pormenorizadamente os critérios de correção adotados e 
indicando quais são os exatos descontos realizados na redação da autora, de forma 
fundamentada. Após, deverá ser garantido o direito de contraditório quanto a nova correção 
realizada bem como a apresentação de novo recurso administrativo; 
e 2) Subsidiariamente, caso à época do julgamento não tenha sido concedida a 
tutela antecipada pretendida, seja determinada a imediata realização das fases do concurso que 
não pôde participar, em razão das ilegalidades cometidas pela Administração Pública, bem 
como, possa ser nomeado e empossado, no cargo pretendido caso logre as aprovações 
necessárias após o trânsito em julgado, assegurando sua progressão e seu posicionamento na 
carreira nas mesmas condições dos demais candidatos aprovados; 
 
f) A condenação das rés ao pagamento das custas, despesas processuais e 
honorários advocatícios e periciais, em valor a ser arbitrado por Vossa Excelência, nos termos 
da lei processual vigente. 
 
 
Dá-se à causa o valor de R$ 1.518.00 mil reais, meramente para fins fiscais, uma 
vez que, se o autor ganhar a ação, ele não terá direito à posse imediata, mas apenas o direito de 
prosseguir no concurso e participar das próximas etapas. 
Nesses termos, pede e espera deferimento. 
Barbacena/MG, 10 de fevereiro de 2025 
 
Wallace Henriques Moreira Pinto 
OAB/MG – 126.291 
 
Rol de documentos detalhado para facilitar a busca das provas: 
1.Petição inicial; 
2.Procuração; 
3.Identidade; 
4.Comprovante de Residência; 
5.Declaração de hipossuficiência; 
6.Edital Bloco 3; 
7. Espelho de redação; 
8.Recurso administrativo interposto; 
9. Comprovante Interposição Recurso Administrativo 
10.Resultado final prova discursiva; 
11. Decisão Liminar - Discursiva 1080815-44.2024.4.01.3400; 
12. Decisão Liminar - Discursiva - JFDF - 1086182-49.2024.4.01.3400; 
13. Decisão Liminar - Questões - TRF4 5022681-30.2024.4.04.7002; 
14. Decisão liminar - MS Discursiva - Bloco 4; 
15. Decisão Liminar - Questões - 5003084-56.2024.4.03.6112; 
16. Precedente Manuel

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