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Programas de Saúde: Saúde do Trabalhador, da Criança, do Adolescente, da Mulher, do Homem, da Pessoa Idosa e Saúde Mental, Estratégia de Saúde da Família Conteudista Prof. Me. Sérgio Ricardo Boff Revisão Textual Denise Costa 2 Objetivos da Unidade ............................................................................................................3 Saúde do Trabalhador .......................................................................................................... 4 Trabalho x Adoecimento ..................................................................................................... 5 Acidente de Trabalho .........................................................................................................................6 Vigilância da Saúde do Trabalhador (VISAT) .................................................................. 9 Saúde da Criança e do Adolescente ................................................................................. 9 Políticas e Programas de Saúde da Criança ...................................................................13 Saúde da Mulher ...................................................................................................................15 Saúde do Homem ................................................................................................................16 Saúde da Pessoa Idosa ........................................................................................................19 Saúde Mental ....................................................................................................................... 23 Estratégia de Saúde da Família ........................................................................................ 26 Em Síntese .............................................................................................................................31 Material Complementar..................................................................................................... 32 Atividades de Fixação ........................................................................................................ 35 Referências ........................................................................................................................... 36 Gabarito ................................................................................................................................38 Sumário 3 Atenção, estudante! Aqui, reforçamos o acesso ao conteúdo on-line para que você assista à videoaula. Será muito importante para o entendimento do conteúdo. Este arquivo PDF contém o mesmo conteúdo visto on-line. Sua disponibili- zação é para consulta off-line e possibilidade de impressão. No entanto, re- comendamos que acesse o conteúdo on-line para melhor aproveitamento. • Discutir as ações de promoção, proteção, vigilância e assistência à saúde; • Compreender o contexto histórico do surgimento e da implantação de políti- cas que objetivam a garantia da saúde da criança e do adolescente, da mulher, do homem, da pessoa idosa e da saúde mental; • Conhecer a estratégia de reorientação do modelo assistencial a partir da aten- ção básica, ilustradas na Estratégia da Saúde da Família; • Obter informações sobre esses assuntos e, para aprofundar seus conhecimen- tos, a sugestão é sempre estar buscando atualizações no portal da saúde, site disponibilizado pelo do Ministério da Saúde. Objetivos da Unidade 4 Saúde do Trabalhador A Saúde do Trabalhador é a área responsável pelo estudo, pela prevenção, assistên- cia e vigilância aos agravos à saúde relacionados ao trabalho. Portanto, em resumo, pode-se dizer que são as relações entre o trabalho e o processo saúde doença. Em 1990, por meio das Leis Orgânicas da Saúde (LOS) é atribuído às três esferas do SUS (federal, estadual e municipal) um olhar especial aos usuários trabalhadores, visando à integralidade da atenção dispensada. Mais tarde, em 2002, foi criada a Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador (RENAST), por meio da portaria 1679/GM, com objetivo de disseminar as ações de vigilância, prevenção e promoção de saúde do trabalhador. Site Programas de Atenção à Saúde O Ministério da Saúde possui políticas e ações com o objetivo de promover a saúde dos diver- sos segmentos da população brasileira. Todas essas políticas têm como base os princípios do Sistema Único de Saúde de integralidade e universalidade. São diversos os segmentos: seja uma criança, uma pessoa com deficiência ou um trabalhador, entre outros perfis que se- rão abordados individualmente. Recentemente, pela Portaria 1.823, de 23 de agosto de 2012, por meio do artigo 1º: “Fica instituída a Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora.”, que tem como finalidade o que está expresso em seu Art. 2º. VOCÊ SABE RESPONDER? Qual é a importância da Estratégia da Saúde da Família na reorientação do modelo assistencial de saúde e como ela contribui para a promoção, proteção e assistência à saúde da população? http://bit.ly/402fOG8 http://bit.ly/402fOG8 5 A Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora tem como finalida- de definir os princípios, as diretrizes e as estratégias a serem observados pelas três esferas de gestão do Sistema Único de Saúde (SUS), para o desenvolvimento da atenção integral à saúde do trabalhador, com ênfase na vigilância, visando a pro- moção e a proteção da saúde dos trabalhadores e a redução da morbimortalidade decorrente dos modelos de desenvolvimento e dos processos produtivos. Fonte: Brasil, 2012, n.p. A atenção primária à saúde é responsável pelo cuidado integral à saúde dos trabalha- dores que deve ser realizada por meio de: • Análise da situação de Saúde do Trabalhador; • Planejamento das ações por meio do estabelecimento de prioridades para atuação, dispensando maior atenção aos problemas de saúde de maior fre- quência, risco e vulnerabilidade; • Assistência ao trabalhador vítima de acidente ou doenças relacionadas ao trabalho; • Ações educativas de promoção da saúde e orientação dos usuários trabalhadores. Trabalho x Adoecimento Algumas enfermidades ou acidentes podem ter estreita relação com a atividade de- senvolvida durante a execução de um trabalho, essas atividades somadas aos outros fatores de risco (estilo de vida, sexo, idade, perfil genético) podem determinar o perfil de adoecimento ou morte dos membros de uma sociedade. Schilling (1984) classifica as doenças relacionadas ao trabalho de acordo com três grupos: Tabela 1 – Classificação das doenças segundo sua relação com o trabalho Categoria Exemplos I – Trabalho como causa necessária • Intoxicação por chumbo; • Silicone; • Doenças profissionais legalmente reconhecidas. II – Trabalho como fator contributivo, mas não necessário • Doença coronariana; • Doenças do aparelho locomotor; • Câncer; • Varizes dos membros inferiores. 6 Ao observar a tabela, pode-se concluir que o trabalho é considerado um fator de risco, ou seja, um aumento da probabilidade de ocorrência de uma doença, e nem sempre um fator causal. A eliminação dos fatores de risco reduz a incidên- cia da doença. Os fatores de risco para a saúde e segurança dos trabalhadores, presentes ou rela- cionados ao trabalho, podem ser classificados em cinco grandes grupos: Tabela 2 – Riscos Riscos físicos Ruído, vibrações, pressões anormais, radiações ionizantes, radiações não-ionizantes (microondas, ultrassom, radiofrequências, raio laser etc.), temperaturas extremas (calor e frio). Riscos químicos Bactérias, vírus, protozoários, fungos e parasitas em geral. Riscos decorrentes da organização do trabalho Jornadas de trabalho longas, trabalho penoso, ritmo intenso de trabalho, trabalho noturno ou em rodízio de turnos, monotonia, excesso de responsabilidade, demandas excessivas por produtividade, relações de trabalho autoritárias, falhas no treinamento e na supervisão de trabalhadores, equipamentos, máquinasou mobiliários inadequados, más condições de ventilação e conforto, exigências de posturas e posições desconfortáveis. Riscos mecânicos e de acidentes Inadequação em arranjo físico, ordem e limpeza do ambiente, proteção de máquinas, sinalização de máquinas e áreas perigosas, rotulagem de produtos químicos, proteção de instalações elétricas e outras situações que podem levar a acidentes de trabalho. Fonte: Elaborada pelo conteudista I – Trabalho como provocador de um distúrbio latente, ou agravador de doença já estabelecida • Bronquite crônica; • Dermatite de contato alérgica; • Asma; • Doenças mentais. Fonte: Adaptada de Schiling, 1984 Acidente de Trabalho Sempre que ocorrer um acidente de trabalho deve-se adotar algumas condutas com o objetivo de dar a devida atenção ao trabalhador que foi a vítima, entre essas con- dutas, destacamos que, além de encaminhar o trabalhador ao Centro de Referência de Saúde para atendimento no âmbito do SUS, deve-se: 7 • Emitir Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), nos casos de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho dos que possuem carteira assinada, em até 24 horas. O preenchimento é de responsabilidade do empregador, mas, em caso de recusa, tanto o serviço de saúde, como o próprio trabalhador, seus familiares, podem realizar essa notificação; • Notificar o SINAN – Sistema de informação de agravos de notificação, sem- pre que for confirmado caso de agravo relacionado ao trabalho de notificação compulsória. Dentre eles: A ficha de notificação está disponível em todos os postos e centros de saúde. Tabela 3 – Agravos de notificação compulsória Agravos de notificação compulsória I Acidente de Trabalho Fatal. II Acidentes de Trabalho com Mutilações. III Acidente com Exposição a Material Biológico. IV Acidentes do Trabalho em Crianças e Adolescentes. V Dermatoses Ocupacionais. VI Intoxicações Exógenas (por substâncias químicas, incluindo agrotóxicos, gases tóxicos e metais pesados). VII Lesões por Esforços Repetitivos (LER), Distúrbios Osteomusculares Relacionadas ao Trabalho (DORT). VIII Pneumoconioses. IX Perda Auditiva Induzida por Ruído – PAIR. X Transtornos Mentais Relacionados ao Trabalho. XI Câncer relacionado ao Trabalho. Fonte: Elaborada pelo conteudista 8 Saiba Mais O XXII Congresso Mundial de Segurança e Saúde do Trabalho ocorreu no Canadá, realizado entre os dias 20 e 23 de setembro de 2021. Esse evento é uma tradição que remonta a 1954, acon- tecendo a cada três anos em diferentes países, e desempenha um papel de destaque como um fórum essencial para a intera- ção entre especialistas de todo o globo. Para obter uma visão abrangente do que se desenrolou ao longo dos quatro dias do congresso, é importante destacar alguns dos tópicos em destaque: • Trabalho remoto, seus desafios e suas oportunidades; • Inovações na governança de SST; • Violência e assédio no ambiente ocupacional; • Saúde mental no trabalho; • Tecnologia da informação e comunicação em SST; • Resiliência e sustentabilidade de SST nas empresas; • Lições da pandemia de Covid-19; • Novas ideias para enfrentamento do câncer ocupacional; • Novas ferramentas digitais para tomada de decisão em SST; • Prevenção e proteção nas cadeias de abastecimento globais; • Segurança nas estradas na era dos veículos automatizados; • Armadilhas da economia informal; • Inúmeras experiências em SST dos países participantes; • Visão de SST dos jovens trabalhadores; • Realização do Fórum Global para Seguro de Acidentes do Trabalho; • Utilização da liderança na promoção da cultura da prevenção; • Apresentação dos 18 pré-selecionados do Festival Internacional de Mídia para a Prevenção. (Safe, 2021). 9 Vigilância da Saúde do Trabalhador (VISAT) A Vigilância em Saúde do Trabalhador (VISAT) é um dos componentes do Sistema Nacional de Vigilância em Saúde. Visa à promoção da saúde e à redução da mor- bimortalidade da população trabalhadora, por meio da integração de ações que intervenham nos agravos e seus determinantes decorrentes dos modelos de desen- volvimento e processos produtivos. Saúde da Criança e do Adolescente Um período que merece destaque no desenvolvimento do ser humano é a infância, todas as ações para essa faixa etária devem buscar um futuro aumento das poten- cialidades humanas, porém qualquer alteração negativa poderá acarretar em graves consequências para indivíduos e comunidades. Os documentos que tratam da infância também abordam a adolescência, portanto esses dois ciclos de vida serão tratados juntos e, ao serem colocados em uma linha do tempo, algumas datas merecem destaques: Segundo a Secretaria de Vigilância em saúde as ações da VISAT são: • Vigilância da situação de saúde dos trabalhadores – levantamentos, monitoramentos de risco à saúde dos trabalhadores e de populações expostas, acompanhamento e registro de casos, inquéritos epidemio- lógicos e estudos da situação de saúde a partir dos territórios; • Intervenção nos fatores determinantes dos riscos e agravos à saúde da população trabalhadora – Inspeção Sanitária; • Monitoramento da intervenção; • Divulgação sistemática de informações; • Educação em saúde do trabalhador. 10 Maior destaque será dado à Portaria Nº 1.130, DE 5 DE AGOSTO DE 2015 que Institui a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança (PNAISC) no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Para fins da PNAISC, considera-se: • Criança: pessoa na faixa etária de 0 (zero) a 9 (nove) anos, ou seja, de 0 (zero) a 120 (cento e vinte) meses; e • Primeira infância: pessoa na faixa etária de 0 (zero) a 5 (cinco) anos, ou seja, de 0 (zero) a 72 (setenta e dois) meses. Parágrafo único. Para fins de atendimento em serviços de pediatria no SUS, a PNAISC contemplará crianças e adolescentes até a idade de 15 (quinze) anos, ou seja, 192 meses, sendo este limite etário passível de alteração de acordo com as normas e rotinas do estabelecimento de saúde responsável pelo atendimento. 1959 Declaração dos Direitos da Criança, a criança passou a ser vista como sujeito de direitos (nela estão contidos os direitos e liberdades de toda e qualquer criança). 1989 Convenção sobre os Direitos da Criança, documento que foi oficializado no ano seguinte como lei internacional. Promulgada pelo governo brasileiro, por meio do Decreto no 99.710, de 21 de novembro de 1990. 1990 Aprovação do Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA. 2000 Foram estabelecidas as metas do milênio (0DM) pela Organização das Nações Unidas (ONU) e a quinta meta é a de reduzir a mortalidade infantil. 2015 Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança (PNAISC) no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Leitura Saiba mais sobre os objetivos de desenvolvi- mento do milênio. http://bit.ly/48Clx9c http://bit.ly/48Clx9c 11 Figura 1 – Diretrizes Fonte: Freepik Tabela 4 – Princípios e Diretrizes Princípios da PNAISC Diretrizes da PNAISC I – Direito à vida e à saúde; I – Gestão Interfederativa das ações de saúde da criança; II – Prioridade absoluta da criança; II – Organização das ações e serviços na rede de atenção; III – Acesso universal à saúde; III – Promoção da saúde; IV – Integralidade do cuidado; IV – Fomento à autonomia do cuidado e da corresponsabilidade da família; V – Equidade em saúde; V – Qualificação da força de trabalho do SUS; VI – Ambiente facilitador à vida; VI – Planejamento e desenvolvimento de ações; VII – Humanização da atenção VII – Incentivo à pesquisa e à produção de conhecimento; VIII – Gestão participativa e controle social. VIII – Monitoramento e avaliação; e IX – intersetorialidade. Fonte: Elaborada pelo conteudista 12 Art. 6º A PNAISC se estrutura em 7 (sete) eixos estratégicos, com a finalidade de orientar e qualificar as ações e serviços de saúde da criança no território nacional, considerando os determinantes sociais e condicionantes para garantir o direito à vida e à saúde, visando à efetivação de medidas que permitam onascimento e o pleno desenvolvimento na infância, de forma saudável e harmoniosa, bem como a redução das vulnerabilidades e dos riscos para o adoecimento e outros agravos, à prevenção das doenças crônicas na vida adulta e da morte prematura de crianças, a seguir relacionados: Saúde Integral da Criança Vigilância e prevenção do óbito infantil, fetal e materno Atenção à saúde de crianças com de�ciência ou em situações especí�cas e de vulnerabilidade Atenção humanizada e quali�cada: na gestação, no parto, ao recém-nascido Atenção integral à criança em situação de violências Promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno Atenção integral a crianças com agravos prevalentes na infância e com doenças crônicas Promoção e acompanhamento do crescimento e do desenvolvimento integral da criança Figura 2 – Saúde Integral da Criança Fonte: Acervo do conteudista #ParaTodosVerem: esquema composto por vários círculos que se conectam, em que se apresentam os seguin- tes elementos, a partir do centro: Saúde integral da criança; Atenção humanizada e qualificada: na gestação, no parto, ao recém-nascido; Promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno; Vigilância e prevenção do óbito infantil, fetal e materno; Promoção e acompanhamento do crescimento e do desenvolvimento integral da criança; Atenção à saúde de crianças com deficiência ou em situações específicas e de vulnerabilidade; Atenção integral a crianças com agravos prevalentes na infância e com doenças crônicas; Atenção integral à criança em situação de violências. Fim da descrição. 13 Políticas e Programas de Saúde da Criança Abaixo são colocadas algumas políticas de saúde para a infância e a adolescência. • O Pacto de Redução da Mortalidade Materna e Neonatal; • Programa de Atenção Integral à Saúde da Criança – PAISC; • Programa Nacional de Imunizações – PNI; • Atenção Integral às Doenças Prevalentes na Infância – AIDPI; • Atenção Integral às Doenças Prevalentes na Infância no período Neonatal – AIDPI; • Iniciativa Hospital Amigo da Criança – IHAC; • Programa Nacional de Alimentação Escolar – PNAE; • Política de Atenção Humanizada ao Recém-Nascido de Baixo Peso – Método Canguru; • Estratégia Amamenta e Alimenta Brasil; • Rede Amamenta Brasil; • Programa Saúde na Escola (PSE); • Brasil Carinhoso; • Saúde do Adolescente e do Jovem. O Ministério da Saúde, por meio Secretaria de Atenção à Saúde, formulou uma agenda de compromissos para a saúde integral da criança e redução da mortalidade infantil. 14 Figura 3 – Atenção integral à saúde da criança e redução da mortalidade infantil Fonte: Ministério da Saúde #ParaTodosVerem: esquema em formatos retangulares, branco e azul, no qual se relacionam os seguintes ele- mentos: saúde da mulher; Vigilância à saúde da criança; Planejamento familiar; Allimentação e hábitos sau- dáveis; Pré-natal; Saúde bucal; Parto; Saúde mental; Imunização; Nascimento saudável; Aleitamento materno; Triagem neonatal: teste do pezinho, triagem auditiva; crescimento/desenvolvimento; puerpério; criança com deficiência; Saúde da mulher; Distúrbios nutricionais: desnutrição, sobrepeso/obesidade, anemias carenciais; Doenças Infecto-parasitárias: diarréias, sífilis congênita, HIV/aids; Doenças respiratórias: pneumonias, asma, alergias; Violências: maus-tratos, acidentes, trabalho infantil; vigilância da mortalidade infantil. Fim da descrição. Importante No portal da Saúde do Ministério da Saúde, é possível encontrar: • Diretrizes Nacionais para a Atenção Integral à Saúde de Adolescentes e Jovens na promoção, proteção e recupera- ção da saúde; • Caderneta da Saúde do (a) adolescente; • Política Nacional de Atenção Integral à Saúde de Adolescentes em conflito com a lei, em regime de internação provisória; • Plano de Ação Nacional de Atenção Integral à Saúde de Adolescentes e Jovens. Neste espaço do Portal Saúde, você encontra também informações voltadas para a promoção, proteção e recuperação da saúde de jovens e adolescentes. Entre os da- dos disponíveis, destacam-se aqueles sobre crescimento e desenvolvimento; saúde sexual e reprodutiva; e redução da mortalidade por violência e acidentes. 15 Saúde da Mulher O primeiro programa com foco nas mulheres foi o Programa “Assistência Integral à Saúde da Mulher”, que era focado no controle da natalidade, devido à explosão demográfica em 1983. Esse documento foi considerado histórico, pois, anteriormente, só havia programas destinados às mulheres relacionados com a amamentação. Em 2003, teve início a construção da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher, que foi lançada em 2004 e construída a partir da proposição do SUS e respeitando as características da nova política de saúde. O PAISM tem como princípios norteadores a reforma sanitária, a ideia de des- centralização, hierarquização, regionalização, equidade na atenção, bem como de participação social. Confere maior autonomia e controle da saúde, do corpo e da vida às mulheres, além disso o Saúde das Mulheres aborda desde o pré-natal, puerpério e aleitamento materno, até o planejamento reprodutivo, climatério e atenção às mulheres em situação de violência doméstica e sexual. Contempla, ainda, a abordagem dos problemas/queixas e a prevenção dos cânceres que mais acometem a população feminina. As estratégias e atuações para cada área da saúde da mulher descrito na PNAISM são: • Promoção da atenção obstétrica e neonatal, qualificada e humanizada, com ênfase na redução da morte materna, incluindo a assistência ao abortamento em condições inseguras e previsto em lei para mulheres e adolescentes, tendo como estratégia a Rede Cegonha; • Promoção, conjuntamente com o PN-DST/AIDS/MS, da prevenção e do controle das doenças sexualmente transmissíveis, da infecção pelo HIV/aids e Hepatites Virais nas mulheres; • Redução da morbimortalidade por câncer na população feminina; • Implementação da saúde sexual e reprodutiva, no âmbito da atenção integral à saúde da mulher; • Implementação da saúde da mulher idosa, no âmbito da atenção inte- gral à saúde da mulher; • Apoio na Implementação das ações no campo da Saúde no Programa Mulher Viver sem Violência. 16 Saiba Mais Dados da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, divulgada pelo IBGE em 2022, indicam que no Brasil há 104,55 milhões de mulheres, o equivalente a 51,5% da população. Em 2019, 76,2% da população (159,6 milhões) havia consultado um médico nos 12 meses anteriores à entrevista – um au- mento considerável em relação a 2013 (71,2%). A proporção de mulheres (82,3%) que consultou um médico foi superior à dos homens 69,4%) (IBGE, 2022). Em 2016, o Ministério da Saúde publicou os protocolos da Atenção Básica – Saúde da mu- lher, que, em síntese, é um compacto das ações para uma abordagem integral da mulher, com conteúdo que abrange desde o acolhimento até as ações de promoção e atenção integral. Trata-se de um instrumento potente para a implementação de boas práticas e deve funcionar efetivamente como material de consulta no dia a dia dos profissionais de saúde, podendo ser adotado em sua íntegra ou adaptado pelos gestores locais. A publicação conta com diversos protocolos e, em todos eles, são considerados os aspectos biológicos, psíquicos, socioeconômicos, culturais, espirituais e ambientais que exercem determinação sobre o processo saúde-doença dos indivíduos. Reflita A questão da saúde da mulher não deve se resumir às questões gineco-obstétricas. A mulher ocupa hoje uma posição social e cultural que foi alcançada com muita luta política, portanto a questão da saúde da mulher deve ser compreendida como par- te da construção de um mundo fraterno e solidário. Saúde do Homem Em 2009, ano em que se comemora 20 anos do SUS, o Ministério da Saúde lança a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNSAIH), que visa quali- ficar a saúde da população masculina reconhecendo os agravos do sexo masculino e resguardandoa integralidade da atenção. 17 Muitas doenças podem ser prevenidas quando os homens procuram os serviços de saúde regularmente. Portanto, um dos objetivos da PNSAIH é incentivar os homens a irem rotinei- ramente às unidades de saúde, pois, segundo dados do Ministério da Saúde, dos homens que participaram de um inquérito telefônico realizado pela Vigitel, em 2015, 31% deles não têm o hábito de ir ao médico. Desses que não vão, 55% afirmam que não precisam. Nota-se que aproximadamente 75% das enfermidades e agravos dessa popula- ção estão concentrados em 5 (cinco) grandes áreas especializadas: Cardiologia, Urologia, Saúde mental, Gastroenterologia e Pneumologia. Além disso, o homem é mais vulnerável à violência, pois os óbitos atingem o dobro em relação às mulheres. Importante Os principais fatores de risco que acometem a saúde do homem, se- gundo os dados do Vigitel 2015, são a obesidade (57%), o alcoolismo (25%), o tabagismo (13%). E as principais causas de morte entre os homens, segundo dados do Sistema de Informação de Mortalidade, são as causas externas, como acidentes de trânsito, acidentes de tra- balho e lesões por violência. Em segundo lugar, estão as doenças do aparelho circulatório (como infarto agudo do miocárdio), seguida das neoplasias (brônquios e pulmões). Para atingir o seu objetivo geral de promover a melhoria das condições de saúde da população masculina adulta – 20 a 59 anos – do Brasil, a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH) é desenvolvida a partir de cinco eixos temáticos: A Política de Atenção Integral à Saúde do Homem é destinada a população masculina na faixa etária de 25 a 59 anos, e está alinhada com a Política Nacional de Atenção Básica e em con- sonância com os princípios do SUS. 18 Eixos temáticos da PNAISH Prevenção de Violências e Acidentes Doenças prevalentes na população masculina Saúde Sexual e Reprodutiva Paternidade e Cuidado Acesso e Acolhimento Figura 4 – Eixos temáticos da PNAISH Fonte: Acervo do conteudista #ParaTodosVerem: esquema composto por vários círculos, em que se apresentam as seguintes informações a partir do centro: Eixos temáticos da PNAISH; Prevenção de Violências e acidentes; Doenças prevalentes na po- pulação masculina; Paternidade e cuidado; Acesso e acolhimento; Saúde sexual e reprodutiva. Fim da descrição. Merecem destaque alguns avanços no SUS que têm permitido a maior participação do homem: • Lei do Acompanhante (11.108/2005): garante o direito a acompanhante du- rante todo o período de trabalho de parto, parto e pós-parto; • Marco Legal da Primeira Infância (Lei 13.257/2016): ampliação da licença paternidade para 20 dias, direito a acompanhamento de consultas médicas e exames complementares durante o período de gravidez da esposa ou compa- nheira e a garantia de um dia por ano para acompanhar filho de até seis anos em consulta médica; • Em janeiro de 2017, o Ministério da Saúde passa a disponibilizar a vacina con- tra o HPV para a população masculina de 12 a 13 anos na rotina do Calendário Nacional de Vacinação do Sistema Único de Saúde (SUS). 19 Saúde da Pessoa Idosa Uma das maiores conquistas culturais de um povo é o envelhecimento de sua popu- lação, o que reflete uma melhoria das condições de vida. De acordo com projeções das Nações Unidas (Fundo de Populações), “uma em cada 9 pessoas no mundo tem 60 anos ou mais, e estima-se um crescimento para 1 em cada 5 por volta de 2050”. Figura 5 – Evolução dos grupos etários 2000-2023 Fonte: IBGE #ParaTodosVerem: gráfico em que se apresenta as seguinte informações: eixo vertical – 0 a 100 %; eixo horizon- tal – 2000 a 2023; 2017 – Idosos (65 anos ou mais): 8,46%; Legenda: jovens (10 a 14 anos); PIA (15 a 64 anos); Idosos (65 anos ou mais). Fim da descrição. Saiba Mais No Brasil, é considerado idoso a pessoa com 60 anos ou mais, enquanto que nos países desenvolvidos idoso é aquele que tem 65 anos ou mais (OMS). Dois marcos legais nacionais merecem destaque, por favorecer a questão do enve- lhecimento: a Constituição Federal de 1988 e a Política Nacional do Idoso, estabele- cida em 1994 (Lei 8.842). Em uma linha do tempo pode-se conhecer um pouco da trajetória das Políticas de Saúde voltadas à pessoa idosa: 20 1994 – Política Nacional do Idoso Lei 8.842 Garante os direitos sociais e amplo amparo legal a pessoa idosa e estabelece as condições para promover sua integração, autonomia e partici- pação efetiva na sociedade. Objetiva atender às necessidades básicas da po- pulação idosa como: a educação, saúde, habitação e urbanismo, esporte, tra- balho, assistência social e previdência, justiça, direitos sociais à pessoa idosa, autonomia, integração e participação efetiva na sociedade e reafirmando o direito à saúde nos diversos níveis de atendimento do SUS. 1999 – Portaria Ministerial no 1.395/99 Determina que os órgãos do Ministério da Saúde promovam a elaboração ou a adequação de planos, projetos e ações em conformidade com as diretrizes e responsabilidades estabelecidas na Política Nacional do Idoso. 2002 – Portaria GM/MS no 702/2002 Em seu Art. 2. “Determinar às Secretarias de Saúde dos estados, do Distrito Federal e dos municípios em Gestão Plena do Sistema Municipal de Saúde que, de acordo com as respectivas condições de gestão e a divisão de responsabi- lidades definida na Norma Operacional de Assistência à Saúde – NOAS/2002, a adoção das providências necessárias à implantação das Redes Estaduais de Assistência à Saúde do Idoso e à organização/habilitação e cadastramento dos Centros de Referência que integrarão estas redes. 21 2003 – Estatuto do Idoso Considerado uma das maiores conquistas sociais da população idosa em nos- so país, ampliando a resposta do Estado e da sociedade às necessidades da população idosa. Art 15: É assegurada a atenção integral à saúde do idoso, por intermédio do Sistema Único de Saúde – SUS, garantindo-lhe o acesso univer- sal e igualitário, em conjunto articulado e contínuo das ações e serviços, para prevenção, promoção, proteção e recuperação da saúde, incluindo a atenção especial às doenças que afetam preferencialmente os idosos. 2006 – Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa Representando, assim, a atualização da antiga portaria (n. 1935/94). Com ob- jetivo de “recuperar, manter e promover a autonomia e a independência das pessoas idosas, direcionando medidas coletivas e individuais de saúde para esse fim, em consonância com os princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde. É alvo dessa política todo cidadão e cidadã brasileiros com 60 anos ou mais de idade”. 2006 – Pacto pela Saúde que contempla o Pacto pela Vida. Neste documento, a saúde da pessoa idosa aparece como uma das seis prio- ridades pactuadas entre as três esferas de governo, sendo apresentada uma série de ações que visam, em última instância, à implementação de algumas das diretrizes da Política Nacional de Atenção à Saúde do Idoso. 2009 – Decreto no 6.800 A Coordenação da Política Nacional do Idoso passa a ser de responsabilidade da Secretaria Especial dos Direitos Humanos. 22 Merecem destaque algumas conquistas relacionadas com o público de pessoas idosas: • Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa • Onde é possível identificar todas as situações de risco da saúde da Pessoa Idosa. • Caderno de Atenção Básica • Protocolos clínicos em relação à saúde da pessoa idosa de forma a facilitar a prática diária dos profissionais que atuam na Atenção Básica. • Produção de material gráfico para o Programa Chapéu de Palha “Atenção à Saúde do Idoso: Manual do Agente Comunitário de Saúde”. E só em 2016, é possível encontrar no site da Fiocruz diversas ações destinadas a esse público-alvo, entre elas: Site Saúde da pessoa idosa – Boas práticas. • Serviço especializado de geriatria e gerontologia vinculado à atenção primária à saúde; • Núcleo de Atenção Gerontológica (NAG); • Alfabetização para pessoas idosas: ferramenta na construção do processode saúde; 2022 – Estatuto do Idoso passa a ser chamado Estatuto da Pessoa Idosa O projeto foi aprovado pela Comissão de Direitos Humanos do Senado em abril de 2019 e pela Câmara dos Deputados em junho de 2022. A lei já foi san- cionada e publicada no Diário Oficial. http://bit.ly/48TofGT http://bit.ly/48TofGT 23 • Ações para obtenção do selo inicial do programa hospital amigo da pessoa idosa; • Adequação do cuidado às pessoas idosas e às pessoas portadoras de deficiência; • Alfabetização para pessoas idosas: ferramenta na construção do processo de saúde; • Amigos, o grupo da digna idade; • Assistência integral à saúde da pessoa idosa – estratégias preventivas e de pro- moção da saúde; • Atendimento odontológico a pessoa idosa; • Autocuidado: teorias e práticas do bom envelhecer. Saúde Mental De acordo com a Organização Mundial da Saúde, saúde mental é um estado de bem- -estar no qual o indivíduo é capaz de usar suas próprias habilidades, recuperar-se do estresse rotineiro, ser produtivo e contribuir com a sua comunidade. Durante muitos anos, a realidade das pessoas com transtornos mentais era passar a vida em manicômios, realidade essa rompida com a criação da Política Nacional de Saúde Mental, apoiada na Lei n. 10.216/02 que busca uma mudança do modelo de tratamento: no lugar do isolamento, o convívio com a família e a comunidade. Entre os equipamentos substitutivos ao modelo manicomial, podemos citar: os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), os Serviços Residenciais Terapêuticos (SRT), os Centros de Convivência (Cecos), as Enfermarias de Saúde Mental em hos- pitais gerais, as oficinas de geração de renda, entre outros. Portanto, A RAPS (Rede de Atenção Psicossocial), instituída com a Portaria GM/MS nº 3.088, de 23 de de- zembro de 2011, é dividida pelos seguintes componentes: 24 Tabela 5 – Componentes e pontos de atenção Componente Pontos de atenção Atenção Básica em Saúde Unidade Básica de Saúde Núcleo de Apoio a Saúde da Família Consultório na Rua Apoio aos Serviços do componente Atenção Residencial de Caráter Transitório Centros de Convivência e Cultura Atenção Psicossocial Estratégica Centros de Atenção Psicossocial, nas suas diferentes modalidades Atenção de Urgência e Emergência SAMU 192 Sala de Estabilização UPA 24 horas e portas hospitalares de atenção à urgência/ pronto socorro, Unidades Básicas de Saúde Atenção Residencial de Caráter Transitório Unidade de Acolhimento Serviço de Atenção em Regime Residencial Atenção Residencial de Caráter Transitório Unidade de Acolhimento Serviço de Atenção em Regime Residencial Atenção Hospitalar Enfermeira especializada em Hospital Geral Serviço Hospitalar de Referência para atenção às pessoas com sofrimento ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas 25 São direitos da pessoa portadora de transtorno mental: Estratégias de Desinstitucionalização Serviços Residenciais Terapêuticos Programa de Volta para Casa Estratégias de Reabilitação Psicossocial Iniciativas de Geração de Trabalho e Renda Empreendimentos Solidários e Cooperativas Sociais Fonte: Portal da Saúde Tabela 6 – Direitos da pessoa portadora de transtorno mental Direitos da Pessoa Portadora de Transtorno Mental I – Ter acesso ao melhor tratamento do sistema de saúde, consentâneo às suas necessidades; II – Ser tratada com humanidade e respeito e no interesse exclusivo de beneficiar sua saúde, visando alcançar sua recuperação pela inserção na família, no trabalho e na comunidade; III – Ser protegida contra qualquer forma de abuso e exploração; IV – Ter garantia de sigilo nas informações prestadas; V – Ter direito à presença médica, em qualquer tempo, para esclarecer a necessidade ou não de sua hospitalização involuntária; VI – Ter livre acesso aos meios de comunicação disponíveis; VII – Receber o maior número de informações a respeito de sua doença e de seu tratamento; VIII – Ser tratada em ambiente terapêutico pelos meios menos invasivos possíveis; IX – Ser tratada, preferencialmente, em serviços comunitários de saúde mental. Fonte: Elaborada pelo conteudista 26 Estratégia de Saúde da Família A Estratégia Saúde da Família é definida pelo Ministério de Saúde como uma forma de ex- pansão, qualificação e consolidação de uma atenção básica mais resolutiva e humanizada. A família é a escolhida por assumir um papel importante na promoção da saúde e no controle de doenças, influenciando conceitos e comportamentos ligados à saúde. Alguns antecedentes históricos da Atenção em Saúde com foco na família mere- cem destaque: A Rede de Cuidados em Saúde Mental, Crack, Álcool e outras Drogas obje- tiva ampliar a atenção à saúde para pessoas com sofrimento ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, no âmbito do Sistema Único de Saúde, tem como objetivo pro- mover o vínculo entre os usuários de crack, álcool e outras drogas e suas famílias, além de garantir a atenção à saúde por meio do acolhimento, do acompanhamento contínuo e da atenção às urgências. OMS – Informe Técnico no 257 – Formação do médico da família. Retrata a preocupação com a superespecialização do trabalho médico, o que acarreta um alto custo financeiro e a deterioração da relação humana com os pacientes. 1963 EUA – Medicina familiar – especialidade médica. 1969 54 programas de residência aprovados. 1970 27 O termo Programa de Saúde da família foi utilizado até o ano de 2006, quando as- sociaram o termo “programa” como sendo de enfoque reducionista, desenvolvido de forma centralizada e vertical. E passou-se a utilizar a denominação “estratégia” por ser considerada reorganização do processo de trabalho, com plena aplicação dos princípios do SUS (universalidade, integralidade, equidade e controle social). A Estratégia da Saúde da Família (ESF) realiza ações de prevenção, promoção e recu- peração da saúde das pessoas, de forma integral e contínua. O atendimento deve ser sempre realizado por uma equipe multiprofissional e segue alguns princípios bá- sicos, entre eles: • Caráter substitutivo: Não significa a criação de novas estruturas de serviços, exceto em áreas desprovidas, e sim a substituição das práticas convencionais de assistência por um novo processo de trabalho, cujo eixo está centrado na vigilância à saúde; Expansão do modelo no Canadá, México e alguns países europeus. Década de 1970 Criação do Programa de Saúde da Família (PSF). 1994 Implantação em escala nacional do programa médico de família em Cuba, no qual toda a população é atendida, no nível primário, em policlínicas organizadas a partir das especialidades médicas e odontológicas básicas. 1984 Foi criado, no Brasil, o Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PAEs) tendo a família como unidade de ação programática. Esse programa melhora os indicadores de saúde, principalmente a redução dos índices de mortalidade infantil e impulsiona a criação do PSF. 1991 28 • Integralidade e hierarquização: A Unidade de Saúde da Família está inserida no primeiro nível de atenção, ou seja, na Atenção Básica. A população será encaminhada para os outros níveis do sistema, sempre que for requerida maior densidade tecnológica para resolução de problemas identificados na atenção básica, garantindo-se assim a atenção integral às famílias do território sob res- ponsabilidade de cada equipe; • Territorialização e cadastramento da clientela: As atividades serão desenvolvi- das para atender a população residente em um território de abrangência. Sendo a equipe responsável pelo cadastramento e acompanhamento da população. Saiba Mais Cada equipe de Saúde da Família deve ser responsável por, no máxi- mo, 4.000 pessoas, sendo a média recomendada de 3.000 pessoas. O número de ACS deve ser suficiente para cobrir 100% da população cadastrada, com um máximo de 750 pessoas por ACS e de 12 ACS por equipe de Saúde da Família, não ultrapassando o limite máximorecomendado de pessoas por equipe. 29 • Equipe multiprofissional 1 Auxiliar de Enfermagem 4 a 6 Agentes Comunitários de Saúde 1 Médico Generalista (ou médico de família) 1 Enfermeiro Equipe Ampliada Equipe Mínima Equipe mínima 1 Cirurgião-dentista 1 Auxiliar de Saúde Bucal (ASB)* 1 Técnico em Saúde Bucal (TSB)* Figura 7 – Equipe mínima e equipe máxima Fonte: Acervo do conteudista #ParaTodosVerem: dois esquemas em formatos circulares em que se relacionam os seguintes elementos a partir do centro: Equipe mínima – 1 auxiliar de enfermagem; 1 enfermeiro; 4 a 5 agentes comunitários de saúde; 1 médico generalista (ou médico de família). Equipe ampliada – Equipe mínima; 1 auxiliar de saúde bucal (ASB); 1 cirurgião-dentista; 1 técnico em saúde bucal (TSB). Fim da descrição. Saiba Mais Cada profissional de saúde pode ser cadastrado em apenas uma ESF, exceção feita somente ao profissional médico que poderá atuar em no máximo duas ESF e com carga horária total de 40 horas semanais. 30 Bases de Atuação da Estratégia Saúde da Família É fundamental promover a participação da comunidade no planejamento, na exe- cução e na avaliação das ações de saúde, uma vez que o sucesso de uma Estratégia de Saúde da Família (ESF) está intrinsecamente ligado às interações com a comuni- dade, o que vai além do fornecimento de assistência clínica adequada, englobando também o uso eficaz de abordagens relacionais (Patussi et al., 2008). Planejamento das ações “...desenvolver habilidade de conhecer o território estando atento também para descobrir os aspectos positivos e o potencial da comunidade para resolver os problemas de saúde.” Saúde, promoção e vigilância à saúde. “...é fundamental entender a saúde como produção social e como um processo de responsabilidade compartilhada das ações, incluindo a articulação entre diferentes e a população.” Trabalho interdisci- plinar em Equipe “...buscar a possibilidade da prática de um profissional se reconstruir na prática de outro, transformando ambas.” Abordagem integral da família “...ver as pessoas em seus contextos socioeconômico e cultural, com ética, compromisso, respeito...conceber o ser humano como sujeito social capaz de traçar seus próprios projetos.” 31 Ao longo desse processo de exploração e aprendizado, discutimos e analisamos as diversas ações de promoção, proteção, vigilância e assistência à saúde, abrangendo uma ampla gama de grupos populacionais, como crianças, adolescentes, mulheres, homens, pessoas idosas e aqueles que necessitam de cuidados em saúde mental. Compreendemos a importância da contextualização histórica que deu origem e im- pulsionou as políticas de saúde voltadas para esses grupos. Além disso, adquirimos um conhecimento profundo sobre a Estratégia da Saúde da Família como um modelo fundamental na reorientação da assistência à saúde, enfo- cando a atenção básica como um pilar essencial desse processo de transformação. A importância de buscar atualizações constantes no portal da saúde disponibilizado pelo Ministério da Saúde ficou clara, pois a evolução das políticas e práticas de saúde exige conhecimento contínuo e atualizado para fornecer assistência de qualidade à população. Este processo de aprendizado nos equipou com informações valiosas e direcionamentos para manter nosso conhecimento atualizado e aprimorar nossa compreensão dos desafios e práticas em saúde no Brasil. Em Síntese 32 Vídeo do Conecta SUS sobre a Saúde do Trabalhador Neste vídeo, você poderá entender um pouco mais sobre a saúde do traba- lhador e como o SUS atua nesse segmento. https://youtu.be/PUnVIrMk5qg Linha de Cuidado para Atenção Integral à Saúde de Crianças, Adolescentes e suas Famílias Este vídeo destaca a importância dos direitos humanos das crianças e ado- lescentes, destacando a implementação de políticas de saúde. A abordagem de cuidados é uma estratégia que estabelece as quatro dimensões do atendi- mento: acolhimento, tratamento, registro e acompanhamento na rede. https://youtu.be/_a0YoTPzra0 Vídeo do Conexão SUS sobre a Estratégia de Saúde da Família Este vídeo contém uma breve discussão sobre a Estratégia de Saúde da Fa- mília no Brasil. https://youtu.be/lT3VmVbdxsU Vídeo da Rede SP Saudável – Saúde em Ação: Conheça o Programa Estra- tégia Saúde da Família A Estratégia Saúde da Família, também conhecida como PSF, foi iniciada na cidade de São Paulo em 2002. Essas equipes operam nas unidades básicas de saúde, concentrando seus esforços em áreas em que a população enfrenta maior vulnerabilidade em questões de saúde. https://youtu.be/wvDtTHdTrzM Vídeos Material Complementar Saúde do Trabalhador Cadernos de Atenção Básica – Saúde do Trabalhador Este documento faz parte dos esforços do Ministério da Saúde para a rees- truturação da atenção básica à saúde no Brasil. https://bit.ly/47E2ZnF Leituras 33 Saúde da Criança Síntese de Evidências para Políticas de Saúde: Promoven- do o Desenvolvimento na Primeira Infância A fase inicial da vida é crucial para o progresso nos aspectos cognitivos, so- cioemocionais e físicos. O apoio ao desenvolvimento infantil (DI) e as políticas voltadas para a primeira infância são embasados em diversos fundamentos. https://bit.ly/47D0li2 Saúde da Mulher Protocolos da Atenção Básica: Saúde das Mulheres Os Protocolos da Atenção Básica (PAB) abordam questões clínicas e de ges- tão do cuidado, desempenhando um papel significativo na orientação das decisões dos profissionais de saúde. Eles fornecem informações essenciais para garantir a prestação de cuidados de qualidade na Atenção Básica. http://bit.ly/2l3bT6Q Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher: Princípios e Diretrizes Este documento adota uma perspectiva de gênero, priorizando a abordagem integral e a promoção da saúde como princípios orientadores. Além disso, busca fortalecer os progressos no âmbito dos direitos sexuais e reprodutivos. https://bit.ly/3u07k6T Saúde do Homem CNSH – Coordenação Nacional de Saúde dos Homens O objetivo da PNAISH é promover a melhoria das condições de saúde da população masculina brasileira, contribuindo, de modo efetivo, para a redu- ção da morbidade e da mortalidade dessa população, abordando de maneira abrangente os fatores de risco e vulnerabilidades associados. https://bit.ly/3U4wcoy Saúde do Idoso Envelhecimento e Saúde da Pessoa Idosa. Cadernos de Atenção Básica A longevidade é, indiscutivelmente, um feito notável. No entanto, é impor- tante destacar que existem diferenças significativas entre as nações desen- volvidas e aquelas em desenvolvimento. http://bit.ly/1iUGItV Material Complementar Leituras 34 Saúde Mental Cadernos da Atenção Básica: Saúde Mental Apresenta e discute as principais demandas em saúde mental, os fatores de proteção e de risco à saúde mental, os planos de intervenção e os métodos de acompanhamento dos casos. http://bit.ly/2lyQqVc Estratégia da Saúde da Família Guia Prático do Programa de Saúde da Família Convidamos você a examinar este guia minuciosamente e a incorporar a Es- tratégia Saúde da Família como meio para assegurar uma vida saudável a todos os cidadãos brasileiros. https://bit.ly/4aUTPpP Material Complementar Leituras 35 1 – No Portal Saúde do Ministério da Saúde, as informações sobre a saúde da mulher e do homem abordam diversos aspectos, incluindo questões sociais, econômicas e culturais que influenciam diretamente a saúde de ambos os sexos. Considerando o contexto atual, selecione a alternativa correta que melhor descreve os elemen- tos abordados nas informações disponíveis: a) Aspectos econômicos, sociais e culturais que impactam a saúde, bem como es- tratégias para a promoção da saúde das mulheres e dos homens, incluindo a im- portância da prevenção de doenças e o acesso aos serviços de saúde. b) Análises demográficas detalhadas sobre a saúde da mulher e do homem, desta- cando estatísticas específicas, como taxas de mortalidade por gênero e expecta- tivade vida. c) Recomendações específicas sobre alimentação saudável, práticas de exercícios físicos e cuidados preventivos relacionados à saúde feminina, com foco nas ques- tões relacionadas à gestação e ao parto. d) Diretrizes para abordagens de promoção de saúde direcionadas a mulheres, in- cluindo informações detalhadas sobre saúde sexual, reprodutiva e orientações para a prevenção de doenças de transmissão sexual. 2 – Qual das seguintes alternativas é um dos princípios fundamentais da Estratégia de Saúde da Família (ESF) descritos no texto? a) Descentralização e integração da assistência, estabelecendo estruturas de saúde autônomas em cada comunidade. b) Foco na superespecialização do trabalho médico, visando a alta qualidade no atendimento. c) Criação de estruturas de serviços de saúde totalmente novas em todas as áreas desprovidas de assistência médica. d) A ESF não realiza ações de prevenção, promoção e recuperação da saúde, apenas encaminha pacientes para outras instâncias de atenção. Atividades de Fixação Atenção, estudante! Veja o gabarito desta atividade de fixação no fim deste conteúdo. 36 BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Assistência à Saúde. Coordenação de Saúde da Comunidade. Saúde da Família: uma estratégia para a reorientação do modelo assistencial. Brasília: Ministério da Saúde, 1997. p. 36. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas da Saúde. Departamento de Atenção Básica. A implantação da Unidade de Saúde da Família. Brasília: Ministério da Saúde, 2000. p. 44. BRASIL. Ministério da Saúde. Organização Pan-Americana da Saúde no Brasil. Doenças relacionadas ao trabalho: manual de procedimentos para serviços de saúde. Série A. Normas e Manuais Técnicos; n114. Brasília: Ministério da Saúde, 2001. p. 580. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Departamento de Atenção Básica Área Técnica de Saúde do Trabalhador. Saúde do trabalhador. Cadernos de Atenção Básica. Programa Saúde da Família; 5. Brasília: Ministério da Saúde, 2002. p. 63. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher: princípios e diretrizes. Brasília: Ministério da Saúde, 2004. p. 82. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Envelhecimento e saúde da pessoa idosa. Cadernos de Atenção Básica n.19. Brasília: Ministério da Saúde, 2006. p. 192. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde da criança: nutrição infantil: aleitamento materno e alimenta- ção complementar. Cadernos de Atenção Básica n. 23. Brasília: Ministério da Saúde, 2009. p. 112. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas Saúde Mental. Cadernos de Atenção Básica n.34. Brasília: Ministério da Saúde, 2013. p. 176. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Departamento de Ciência e Tecnologia. Síntese de evidências para políticas de saúde: promovendo o desenvolvimento na primeira infância. Brasília: Ministério da Saúde, 2016. p. 64. Referências 37 BRASIL. Ministério da Saúde. Instituto Sírio-Libanês de Ensino e Pesquisa. Protocolos da atenção básica: saúde das mulheres. Brasília: Ministério da Saúde, 2016. p. 230. COSTA, D.; LACAZ, F. A. D. C.; JACKSON FILHO, J. M.; VILELA; R. A. G. Saúde do Trabalhador no SUS: desafios para uma política pública. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, São Paulo, 38 (127): 11-30, 2013. COSTA, E. M. A.; CARBONE, M. H. Saúde da Família: uma abordagem multidiscipli- nar. 2. ed. Rio de Janeiro: Editora Rubio, 2009. GOMES, S., MUNHOL, M. E.; DIAS, E. Políticas públicas para a pessoa idosa: marcos legais e regulatórios. Secretaria Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social. Fundação Padre Anchieta, 2009. LIMA, T. J. V. D., ARCIERI, R. M., GARBIN, C. A. S.; MOIMAZ, S. A. S. Humanização na atenção à saúde do idoso. Saúde Soc., v.19, n.4, p.866-877, 2010. MENDONÇA, C. S. Saúde da família, agora mais do que nunca. Ciência e Saúde co- letiva, v. 14, Supl. 1, p. 1493- 1497, 2009. PAIM, J.; TRAVASSOS, C.; ALMEIDA, C.; BAHIA, L.; MACINKO, J. O sistema de saúde brasileiro: história, avanços e desafios. v. 377, n. 9779, p. 1778-97, 2011. PATUSSI, M. P. et al. A influência do capital social no contexto da Estratégia Saúde da Família. In: MOYSÉS, S. T.; KRIGER, L.; MOYSÉS, S. J. (orgs.). Saúde Bucal das Famílias: trabalhando com evidências. Artes Médicas, p.207- 215, 2008. SAFE. Veja o que foi discutido no XXII Congresso Mundial de Segurança e Saúde no trabalho – 2021. 01/12/2021. Disponível em: . Acesso em: 17/01/2024. ROSA, W. A. G.; LABETE, R. C. Programa saúde da família: a construção de um novo modelo de assistência. Rev Latino-am Enfermagem, v.13(6), p. 1027-34, 2005. SCHILLING, R. S. F. More effective prevention in occupational health practice? J Soc Occup Med. 1984;34:71-9. 38 Questão 1 a. Aspectos econômicos, sociais e culturais que impactam a saúde, bem como estratégias para a promoção da saúde das mulheres e dos homens, incluindo a importância da prevenção de doenças e o acesso aos serviços de saúde. Justificativa: Esta alternativa é correta, pois reflete uma abordagem holística da saúde que considera fatores econômicos, sociais e culturais. O Portal Saúde do Ministério da Saúde geralmente abrange informações que vão além de diretrizes clínicas específicas, reconhecendo como diversos fatores influenciam a saúde de homens e mulheres. Isso inclui estratégias de promoção da saúde e prevenção de doenças, ressaltando a importância do acesso equitativo aos serviços de saúde. As outras alternativas, embora possam conter elementos verdadeiros, são mais limi- tadas em escopo ou não refletem completamente a abrangência das informações disponibilizadas pelo Portal Saúde. Questão 2 a. Descentralização e integração da assistência, estabelecendo estruturas de saúde autônomas em cada comunidade. Justificativa: A Estratégia de Saúde da Família (ESF) é fundamentada no princípio da descentralização e integração da assistência à saúde. Ela visa levar os serviços de saúde para mais perto da comunidade, estabelecendo unidades que podem atender as necessidades locais de forma mais eficaz. Essa abordagem permite uma melhor coordenação dos cuidados de saúde e facilita o acesso a serviços de saúde de qualidade, adaptados às necessidades específicas de cada comunidade. As outras alternativas não representam corretamente os princípios da ESF. A su- perespecialização do trabalho médico (B) e a criação de estruturas de saúde total- mente novas em todas as áreas (C) não são focos principais da ESF, e a afirmação de que a ESF não realiza ações de prevenção, promoção e recuperação da saúde (D) é incorreta, pois estas são, de fato, componentes essenciais da Estratégia de Saúde da Família. Gabarito