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Prévia do material em texto

Saúde Coletiva
Dra. Marcela Demitto Furtado
Dra. Raquel Gusmão Oliveira
DIREÇÃO UNICESUMAR
Reitor Wilson de Matos Silva, Vice-Reitor e 
Pró-Reitor de Administração, Wilson de Matos 
Silva Filho, Pró-Reitor Executivo de EAD William 
Victor Kendrick de Matos Silva, Pró-Reitor de 
Ensino de EAD Janes Fidélis Tomelin Presidente 
da Mantenedora Cláudio Ferdinandi.
NEAD - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
Diretoria Executiva Chrystiano Mincoff, James 
Prestes, Tiago Stachon , Diretoria de Design 
Educacional Débora Leite, Diretoria de Graduação 
e Pós-graduação Kátia Coelho, Diretoria de 
Permanência Leonardo Spaine, Head de Produção 
de Conteúdos Celso Luiz Braga de Souza Filho, 
Head de Metodologias Ativas Thuinie Daros, 
Gerência de Projetos Especiais Daniel F. Hey, 
Gerência de Produção de Conteúdos Diogo 
Ribeiro Garcia, Supervisão do Núcleo de Produção 
de Materiais Nádila de Almeida Toledo, Projeto 
Gráfico José Jhonny Coelho e Thayla Guimarães 
Cripaldi, Fotos Shutterstock.
Coordenador de Conteúdo Lilian Rosana dos 
Santos Moraes.
Designer Educacional Amanda Peçanha dos 
Santos e Janaína de Souza Pontes.
Revisão Textual Érica Fernanda Ortega.
Editoração Isabela Mezzaroba Belido.
Ilustração Mateus Calmon.
Realidade Aumentada Kleber Ribeiro, Leandro 
Naldei e Thiago Surmani.
C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação 
a Distância; FURTADO, Marcela Demitto; OLIVEIRA, Raquel 
Gusmão. 
Saúde Coletiva. Marcela Demitto Furtado; Raquel Gusmão 
Oliveira. 
Maringá-PR.: Unicesumar, 2019. Reimpresso em 2024.
152 p.
“Graduação - EAD”.
1. Saúde. 2. Coletiva. 3. EaD. I. Título.
ISBN 978-85-459-1725-0
CDD - 22 ed. 610
CIP - NBR 12899 - AACR/2
NEAD - Núcleo de Educação a Distância
Av. Guedner, 1610, Bloco 4 - Jardim Aclimação
CEP 87050-900 - Maringá - Paraná
unicesumar.edu.br | 0800 600 6360
Impresso por:
PALAVRA DO REITOR
WILSON DE MATOS SILVA
REITOR
Em um mundo global e dinâmico, nós trabalha-
mos com princípios éticos e profissionalismo, não 
somente para oferecer uma educação de qualida-
de, mas, acima de tudo, para gerar uma conversão 
integral das pessoas ao conhecimento. Baseamo-
-nos em 4 pilares: intelectual, profissional, emo-
cional e espiritual.
Iniciamos a Unicesumar em 1990, com dois 
cursos de graduação e 180 alunos. Hoje, temos 
mais de 100 mil estudantes espalhados em todo 
o Brasil: nos quatro campi presenciais (Maringá, 
Curitiba, Ponta Grossa e Londrina) e em mais de 
300 polos EAD no país, com dezenas de cursos de 
graduação e pós-graduação. Produzimos e revi-
samos 500 livros e distribuímos mais de 500 mil 
exemplares por ano. Somos reconhecidos pelo 
MEC como uma instituição de excelência, com 
IGC 4 em 7 anos consecutivos. Estamos entre os 
10 maiores grupos educacionais do Brasil.
A rapidez do mundo moderno exige dos 
educadores soluções inteligentes para as ne-
cessidades de todos. Para continuar relevante, a 
instituição de educação precisa ter pelo menos 
três virtudes: inovação, coragem e compromisso 
com a qualidade. Por isso, desenvolvemos, para 
os cursos de Engenharia, metodologias ativas, as 
quais visam reunir o melhor do ensino presencial 
e a distância.
Tudo isso para honrarmos a nossa missão que é 
promover a educação de qualidade nas diferentes 
áreas do conhecimento, formando profissionais 
cidadãos que contribuam para o desenvolvimento 
de uma sociedade justa e solidária.
Vamos juntos!
BOAS-VINDAS
WILLIAM DE MATOS SILVA
PRÓ-REITOR EXECUTIVO DE EAD
Prezado(a) Acadêmico(a), bem-vindo(a) à Co-
munidade do Conhecimento. 
Essa é a característica principal pela qual a 
Unicesumar tem sido conhecida pelos nossos alu-
nos, professores e pela nossa sociedade. Porém, é 
importante destacar aqui que não estamos falando 
mais daquele conhecimento estático, repetitivo, 
local e elitizado, mas de um conhecimento dinâ-
mico, renovável em minutos, atemporal, global, 
democratizado, transformado pelas tecnologias 
digitais e virtuais.
De fato, as tecnologias de informação e comu-
nicação têm nos aproximado cada vez mais de 
pessoas, lugares, informações, da educação por 
meio da conectividade via internet, do acesso 
wireless em diferentes lugares e da mobilidade 
dos celulares. 
As redes sociais, os sites, blogs e os tablets ace-
leraram a informação e a produção do conheci-
mento, que não reconhece mais fuso horário e 
atravessa oceanos em segundos.
A apropriação dessa nova forma de conhecer 
transformou-se hoje em um dos principais fatores de 
agregação de valor, de superação das desigualdades, 
propagação de trabalho qualificado e de bem-estar. 
Logo, como agente social, convido você a saber 
cada vez mais, a conhecer, entender, selecionar e 
usar a tecnologia que temos e que está disponível. 
Da mesma forma que a imprensa de Gutenberg 
modificou toda uma cultura e forma de conhecer, 
as tecnologias atuais e suas novas ferramentas, 
equipamentos e aplicações estão mudando a nossa 
cultura e transformando a todos nós. Então, prio-
rizar o conhecimento hoje, por meio da Educação 
a Distância (EAD), significa possibilitar o contato 
com ambientes cativantes, ricos em informações 
e interatividade. É um processo desafiador, que 
ao mesmo tempo abrirá as portas para melhores 
oportunidades. Como já disse Sócrates, “a vida 
sem desafios não vale a pena ser vivida”. É isso que 
a EAD da Unicesumar se propõe a fazer.
Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você 
está iniciando um processo de transformação, 
pois quando investimos em nossa formação, seja 
ela pessoal ou profissional, nos transformamos e, 
consequentemente, transformamos também a so-
ciedade na qual estamos inseridos. De que forma 
o fazemos? Criando oportunidades e/ou estabe-
lecendo mudanças capazes de alcançar um nível 
de desenvolvimento compatível com os desafios 
que surgem no mundo contemporâneo. 
O Centro Universitário Cesumar mediante o 
Núcleo de Educação a Distância, o(a) acompa-
nhará durante todo este processo, pois conforme 
Freire (1996): “Os homens se educam juntos, na 
transformação do mundo”.
Os materiais produzidos oferecem linguagem 
dialógica e encontram-se integrados à proposta 
pedagógica, contribuindo no processo educa-
cional, complementando sua formação profis-
sional, desenvolvendo competências e habilida-
des, e aplicando conceitos teóricos em situação 
de realidade, de maneira a inseri-lo no mercado 
de trabalho. Ou seja, estes materiais têm como 
principal objetivo “provocar uma aproximação 
entre você e o conteúdo”, desta forma possibilita 
o desenvolvimento da autonomia em busca dos 
conhecimentos necessários para a sua formação 
pessoal e profissional.
Portanto, nossa distância nesse processo de 
crescimento e construção do conhecimento deve 
ser apenas geográfica. Utilize os diversos recursos 
pedagógicos que o Centro Universitário Cesumar 
lhe possibilita. Ou seja, acesse regularmente o Stu-
deo, que é o seu Ambiente Virtual de Aprendiza-
gem, interaja nos fóruns e enquetes, assista às aulas 
ao vivo e participe das discussões. Além disso, 
lembre-se que existe uma equipe de professores e 
tutores que se encontra disponível para sanar suas 
dúvidas e auxiliá-lo(a) em seu processo de apren-
dizagem, possibilitando-lhe trilhar com tranquili-
dade e segurança sua trajetória acadêmica.
APRESENTAÇÃO
Caro(a) aluno(a), seja bem-vindo(a)!
Este material foi cuidadosamente preparado para você! Tendo como ob-
jetivo introduzir alguns temas da Saúde Coletiva em uma perspectiva 
atualizada, buscando ajudá-lo(a) na compreensão acerca da temática e 
subsidiar sua prática como Profissional da Saúde.
Este material está dividido em cinco Unidades:
A Unidade 1 busca discutir o binômio saúde-doença, em uma perspectiva 
atualizada, discutindo as mudanças e a evolução do conceito de saúde ao 
longo dos tempos e os modelos de saúde preventivista e de promoção à 
saúde; também discute os fatores condicionantes e determinantes no pro-
cesso saúde-doença e seu impacto na realidade brasileira; e, ainda nesse 
sentido, apresenta os modelos de Atenção à(SUS). 
Internacionalmente, foi consultor da Organização 
Pan-Americana de Saúde (Opas), atuando em 
vários países da América Latina.
Fonte: adaptado de Fiocruz ([2018], on-line)1.
A Reforma Sanitária diz respeito a “…um processo 
de transformação da norma legal e do aparelho 
institucional que regulamenta e se responsabiliza 
pela proteção à saúde dos cidadãos”.
(Sonia Fleury Teixeira )
ao INAMPS, agora, era repassado às secretarias 
estaduais de saúde (ANDRADE; SOARES; JU-
NIOR, 2001).
O SUDS possuía como principais diretrizes a 
universalização e equidade no acesso aos serviços 
de saúde; a descentralização das ações de saúde, 
como citado anteriormente; a integralidade do 
cuidado; e a implementação de distritos sanitários 
(ANDRADE; SOARES; JUNIOR, 2001).
Em 1988, é promulgada a Constituição da Re-
pública, denominada Constituição Cidadã, a qual 
foi fundamental na definição de ações prioritárias 
na área de saúde pública (BRASIL, 2000a). Vamos 
relembrar que foi nessa Constituição que ficou 
estabelecido que “a saúde é direito de todos e dever 
do Estado”.
A criação do Sistema Único de Saúde (SUS) 
se deu em 19 de setembro de 1990, por meio da 
lei 8.080, que “dispõe sobre as condições para a 
promoção, proteção e recuperação da saúde, a 
organização e o funcionamento dos serviços cor-
respondentes” (BRASIL, 8.080/1990). De forma 
geral, essa primeira lei do SUS detalha sobre os 
objetivos e diretrizes do SUS, os quais serão dis-
cutidos no próximo tópico.
Logo em seguida, em dezembro de 1990, foi 
criada a lei 8.142, que “dispõe sobre a participação 
da comunidade na gestão do Sistema Único de 
Saúde (SUS) e sobre as transferências intergover-
namentais de recursos financeiros na área da saúde 
e dá outras providências” (BRASIL, 8.142/1990). 
Essas duas leis (8.080 e 8.142), denominadas 
“Leis Orgânicas de Saúde”, foram objeto de muita 
disputa política.
Assim, finalmente estava construído o arca-
bouço jurídico do Sistema Único de Saúde. Po-
rém, novas lutas ainda estavam por vir e, claro, 
inúmeras conquistas também!
48 História da Saúde Pública no Brasil
Entendendo o SUS
Nesse tópico, vamos abordar, especialmente, os 
objetivos e princípios do SUS, bem como alguns 
marcos importantes que irão facilitar a sua com-
preensão acerca dessa política pública de saúde.
De acordo com a lei 8.080, já abordada ante-
riormente, os objetivos do SUS são: a identificação 
e divulgação dos fatores condicionantes e determi-
nantes da saúde; a formulação de políticas de saú-
de; a assistência às pessoas por intermédio de ações 
de promoção, proteção e recuperação da saúde, 
com realização integrada das ações assistenciais e 
das atividades preventivas (BRASIL, 8.080/1990).
Em relação aos princípios do SUS, os que com-
põem a sua base, referindo-se aos objetivos fina-
lísticos do sistema de saúde, são denominados de 
doutrinários (ou éticos), sendo eles: universalida-
de, equidade e integralidade (PAIM; SILVA, 2010).
O princípio de universalidade reafirma o que 
já foi previsto na Constituição de 1988, que a saú-
de é um direito de todos e dever do Poder Público; 
é a garantia de atenção à saúde de todos os cida-
dãos. “No SUS, universalidade supõe que todos os 
brasileiros tenham acesso igualitário aos serviços 
de saúde e respectivas ações, sem qualquer barrei-
ra de natureza legal, econômica, física ou cultural” 
(PAIM; SILVA, 2010, p. 114).
49UNIDADE 2
 “
A integralidade diz respeito a atender as 
necessidades específicas de cada indivíduo 
ou grupo de pessoas, de modo a garantir e 
promover ações de prevenção, promoção, 
assistência e reabilitação. De certa forma, 
é, também, compreender o homem como 
um ser integral, biopsicossocial, o que irá 
proporcionar um atendimento holístico 
(MACHADO et al., 2007).
A Integralidade é o próprio caminho que vai 
transformando as pessoas e construindo algo 
melhor. Busca uma assistência ampliada, trans-
formadora, centrada no indivíduo e não aceita 
a redução deste nem à doença, nem ao aspecto 
biológico. Além do atendimento integral, envolve 
a valorização do cuidado e o acolhimento (FON-
TOURA; MAYER, 2006, p. 532-533).
O princípio de equidade está atrelado à ne-
cessidade de diminuir as desigualdades, sejam 
elas sociais e/ou econômicas, muito presentes em 
nosso país quando, por exemplo, comparamos 
diferentes regiões. Porém, a equidade não é o mes-
mo que igualdade, visto que as pessoas, por serem 
diferentes, possuem necessidades diferentes. Logo, 
esse princípio busca suprir a necessidade de as-
sistência de saúde de acordo com a igualdade de 
condições (PAIM; SILVA, 2010).
Figura 1 - Igualdade e Equidade
Fonte: Marta - O meu canto (2017, on-line)2.
50 História da Saúde Pública no Brasil
Os princípios que regem a organização do SUS 
são chamados de Organizacionais ou Operati-
vos, são eles: Regionalização, Hierarquização, 
Resolubilidade, Descentralização e Participação 
comunitária (BRASIL, 2001a).
O entendimento dos princípios de regiona-
lização e hierarquização diz respeito à forma de 
organização dos serviços entre si e com a popu-
lação. A regionalização vai além da delimitação 
rígida de uma base territorial, usuários e serviços; 
leva-se em conta, também, a divisão político-ad-
ministrativa do país (OLIVEIRA et al., 2009).
A hierarquização significa que a organização 
do sistema de saúde deve acontecer em níveis 
crescentes de complexidade, considerando as ca-
racterísticas específicas de cada área geográfica e 
de cada cliente (OLIVEIRA et al., 2009).
Sabendo que o usuário do serviço de saúde 
pode percorrer por vários níveis de atenção du-
rante seu atendimento é que se faz necessário 
incorporar o sistema de referência e contrarre-
ferência, a fim de integrar as redes de saúde e, as-
sim, obter maior eficiência no cuidado ao usuário 
(SERRA; RODRIGUES, 2010).
A resolubilidade diz respeito à necessidade do 
serviço de saúde apresentar-se resolutivo até o 
nível de sua competência para aquilo que é pro-
posto (BRASIL, 1990).
O princípio de descentralização pode ser 
entendido como uma forma de redistribuir as 
responsabilidades sobre a saúde da população 
entre as três esferas do governo, acreditando que 
quanto mais perto a solução estiver do problema, 
maior serão as chances de acerto.
De acordo com Palha e Villa (2003), a des-
centralização dos serviços de saúde tem sido 
o eixo norteador para a operacionalização dos 
princípios organizativos e diretivos do SUS. Nesse 
sentido, a descentralização tem ênfase na munici-
palização, ou seja, os municípios assumindo um 
papel cada vez mais importante na prestação e 
gerenciamento dos serviços de saúde (BARATA; 
TANAKA; MENDES, 2004).
E, por fim, a participação da comunidade re-
fere-se à valorização da população nos processos 
decisórios do país, o que refletiu no chamado 
“movimento sanitário”, o qual contou com a par-
ticipação de intelectuais, usuários e trabalhadores 
de saúde na luta pela reforma do sistema de saúde.
Com o objetivo de colocar em prática a par-
ticipação social na saúde é que a lei 8.142 (Lei 
Complementar da Saúde) propôs a formação dos 
Conselhos de Saúde, os quais devem acontecer 
nas três esferas do governo e contar com a pre-
sença de representantes do governo, prestadores 
de serviços, profissionais de saúde e usuários 
(BRASIL, 8.142/1990).
A organização operacional do SUS se deu pela 
criação das Normas Operacionais Básicas (NOB), 
as quais possuem três edições (1991, 1993 e 1996), 
devido à necessidade de aperfeiçoamento ao lon-
go dos anos (BRASIL, 2000b).
Para atender ao princípio de descentralização, 
as negociações e pactuações acerca da saúde se 
dão nos três níveis de governo (nacional, esta-
dual e municipal). Nesse sentido, em 1991, foram 
criadas a Comissão de Intergestores Tripartite 
(CIT) – com representação do Ministério da Saú-
de (MS), do Conselho Nacional de Secretários 
Estaduais de Saúde (CONASS) e do Conselho 
Nacional de Secretários Municipais de Saúde 
(CONASEMS) – e a Comissão Intergestores Bi-
partite (CIB),representada por integrantes da 
Secretaria Estadual de Saúde (SES) e do Conse-
lho Estadual de Secretários Municipais de Saúde 
(COSEMS) ou órgão equivalente (BRASIL, 2000).
Buscando colocar em prática os princípios 
do SUS, várias estratégias foram formuladas, 
como a criação dos distritos sanitários, dos sis-
temas locais de saúde e do Programa de Agentes 
Comunitários de Saúde (PACS) (ESPÍNOLA; 
COSTA, 2006).
51UNIDADE 2
O agente comunitário de saúde é aquele pro-
fissional que faz o acompanhamento das famílias 
que vivem no seu território de abrangência; ele faz 
uma ponte entre o serviço de saúde e a população, 
auxiliando nas ações de prevenção e promoção da 
saúde (BRASIL, 2001b).
Outro marco muito importante que buscou 
reorganizar o SUS no âmbito da atenção básica de 
saúde foi a criação, em 1994, do Programa de Saúde 
da Família (PSF), posteriormente intitulado Estra-
tégia de Saúde da Família (ESF) (SOUZA, 2000).
A operacionalização dos objetivos e princípios 
do SUS, bem como das diversas políticas criadas 
no decorrer da sua história, não é uma tarefa fácil 
e encontra inúmeros obstáculos, como: dificulda-
de de financiamento, burocracia no gerenciamen-
to público, perfil profissional incompatível com o 
exigido pelo sistema, dentre muitos outros. Porém, 
o SUS também é motivo de muitas conquistas que 
repercutiram em melhores condições de vida para 
o brasileiro.
O SUS ainda está em processo de construção 
e isso se dá a cada dia. De acordo com Cunha J. e 
Cunha R. (1998, p. 11), o SUS “se constrói no coti-
diano de todos aqueles interessados na mudança 
da saúde no Brasil. Entendê-lo é uma boa forma 
de fortalecer a luta pela sua construção”.
O SUS depende da atuação concreta dos 
trabalhadores para que as ações de saúde 
em defesa da vida tornem-se realidade para 
a sociedade. É preciso que você, enquanto 
profissional da saúde, pense sobre o que está ao se 
alcance para a concretização dos princípios do SUS.
52 História da Saúde Pública no Brasil
Pactos pela Saúde
Como já discutimos anteriormente, a gestão do 
SUS é de responsabilidade dos três níveis de go-
verno (União, Estados e Municípios), e as Normas 
Operacionais Básicas (NOB) é que vinham regu-
lamentando as relações entre eles até 2006. Nesse 
ano, foi instituído o Pacto pela Saúde como um 
conjunto de normas institucionais, com o objetivo 
de fortalecer a gestão do SUS (BRASIL, 2006).
O Pacto pela Saúde se dá num cenário em que se 
busca a operacionalização do SUS, especialmente 
no que tange à consolidação da equidade social. 
Nesse sentido, os profissionais assumiram com-
promissos em três dimensões: Pacto pela Vida, em 
Defesa do SUS e de Gestão, os quais serão aborda-
dos brevemente neste tópico (FADEL et al., 2009).
No Pacto pela Vida, as metas são firmadas em 
torno das necessidades prioritárias que geram im-
pacto na saúde da população brasileira. São seis as 
prioridades pactuadas: Saúde do Idoso; Controle 
do câncer do colo do útero e da mama; Redução 
da mortalidade infantil e materna; Fortalecimento 
da capacidade de resposta às doenças emergentes e 
endemias, com ênfase na dengue, hanseníase, tuber-
culose, malária e influenza; Promoção da Saúde; e 
Fortalecimento da Atenção Básica (BRASIL, 2006).
53UNIDADE 2
O Pacto em Defesa do SUS busca discutir o sis-
tema a partir dos seus princípios fundamentais, 
além de ampliar o diálogo com a sociedade, fa-
zendo com que a população se aproxime mais 
do SUS (CEAP, 2009). As diretrizes desse Pacto, 
segundo o Ministério da Saúde foram:
 “
1. Repolitização da saúde, como um movi-
mento que retoma a Reforma Sanitária Bra-
sileira aproximando-a dos desafios atuais 
do SUS; 2. Promoção da Cidadania como 
estratégia de mobilização social tendo a 
questão da saúde como um direito; 3.Ga-
rantia de financiamento de acordo com as 
necessidades do Sistema (BRASIL, 2006).
Na dimensão do Pacto de Gestão, são aborda-
das as seguintes diretrizes: Descentralização; 
Regionalização; Financiamento; Planejamento; 
Programação Pactuada e Integrada – PPI; Regu-
lação; Participação e Controle Social; Gestão do 
Trabalho e Educação na Saúde (BRASIL, 2006).
Cabe destacar que, no Pacto de Gestão do SUS, 
é reafirmada a importância da participação da 
comunidade na maneira de gerir o sistema. As 
decisões sobre a saúde não devem mais estar cen-
tralizadas na “mão” dos gestores.
 “
Para que a participação da comunidade te-
nha melhores condições de atuação, o Pacto 
propõe um conjunto de ações e reconhece 
o dever dos gestores de destinar orçamento, 
cooperando técnica e financeiramente para 
sua qualificação (CEAP, 2009, p. 14).
Assim, acredita-se que o Pacto pela Saúde, consi-
derando as suas três dimensões, representa mais 
uma luta no sentido de reafirmar a saúde como 
um direito de todos e dever do Estado, buscando 
garantir as conquistas do SUS até o momento.
A Política Nacional de Promoção da Saúde (PNPS) foi aprovada, em 2006, como estratégia que visa 
a organização da gestão e das práticas de saúde. 
Em 2015, a PNPS foi revisada, visando destacar a necessidade de articulação com outras políticas 
públicas, incluindo a participação social e movimentos populares, no sentido de se fortalecer para 
o enfrentamento dos determinantes sociais de saúde.
Dentro da PNPS, foram elencados temas transversais, que auxiliam na formulação de agendas de 
promoção da saúde e adoção de estratégias, os quais são: Determinantes Sociais da Saúde (DSS), 
Equidade e respeito à diversidade; Desenvolvimento sustentável; Produção de saúde e cuidado; 
Ambientes e territórios saudáveis; Vida no trabalho; e Cultura da paz e direitos humanos.
Para concretizar as ações de promoção da saúde, foram estabelecidos eixos operacionais: Territoria-
lização; Articulação e cooperação intrassetorial e intersetorial; Rede de Atenção à Saúde; Participação 
e controle social; Gestão; Educação e formação; Vigilância, monitoramento e avaliação; Produção e 
disseminação de conhecimentos e saberes; e Comunicação social e mídia. 
Fonte: Brasil (2015).
54 História da Saúde Pública no Brasil
Redes de Atenção 
à Saúde
Com base em tudo que já foi explanado até aqui, 
ainda observa-se, na gestão de saúde, a presença de 
sistemas hierarquizados, fragmentados e medicaliza-
dos, o que não atende adequadamente às demandas 
de saúde da população. Nesse sentido, o SUS propõe 
a estratégia de Redes de Atenção em Saúde (RAS), 
a fim de operacionalizar todos os seus princípios, 
especialmente o da integralidade no cuidado à saúde.
De acordo com Eugênio Vilaça Mendes, as 
RAS significam:
 “
[...] uma nova forma de organizar o sistema 
de atenção à saúde em sistemas integrados 
que permitam responder, com efetividade, 
eficiência, segurança, qualidade e equidade, 
às condições de saúde da população brasi-
leira (MENDES, 2011, p. 18).
A discussão sobre as RAS já é de longa data em 
países como Estados Unidos e Canadá. No Brasil, 
o tema vem sendo abordado a partir do final dos 
anos 90 e, mesmo recente, já é possível vislumbrar 
avanços decorrentes desse modelo de atenção, 
como é o caso do Programa Mãe Paranaense, 
Rede Cegonha, Rede de Atenção à Urgência e 
Emergência, entre outras (BRASIL, 2012).
55UNIDADE 2
Curitiba implantou o Programa Mãe Curitibana, em 1999, sendo um exemplo de rede de atenção 
voltada à saúde materno-infantil, que apresenta resultados positivos na assistência à saúde com 
queda nas taxas de mortalidade infantil e aumento dos índices de aleitamento materno.
Fonte: Mendes (2011).
Dos Sistemas Fragmentados para as Redes de Atenção à Saúde
Alta
Complexidade
Média
Complexidade
APS
Atenção
Básica
Figura 2 - Dos sistemas Fragmentados para as Redes de 
Atenção à Saúde
Fonte: Mendes (2011).
Nesse momento, você pode estar se perguntando: 
afinal como se organiza uma RAS?
De acordo com a World Health Organization, 
os serviços que dependem de menor aporte tec-
nológico, a exemplo da atenção primária à saúde, 
devem apresentar-se dispersos; ao contrário, os 
serviços mais complexos, comohospitais e uni-
dades diagnósticas, tendem a estar mais concen-
trados (WHO, 2000).
 “
A organização das RASs, para ser feita de 
forma efetiva, eficiente e com qualidade, 
tem de estruturar-se com base nos seguintes 
fundamentos: economia de escala, disponi-
bilidade de recursos, qualidade e acesso; in-
tegração horizontal e vertical; processos de 
substituição; territórios sanitários; e níveis 
de atenção (MENDES, 2011, p. 71).
Cabe, aqui, discutir brevemente sobre os níveis de 
complexidade. Erroneamente, a população, bem 
como gestores e profissionais da saúde, muitas ve-
zes, possuem uma visão distorcida sobre o assunto, 
supervalorizando os níveis terciário e secundário 
em detrimento do nível primário. 
A atenção primária não é menos complexa que 
os outros níveis. Na verdade, é ela que pode resol-
ver em torno de 85% dos problemas de saúde da 
população, ofertando serviços de alta complexi-
dade, por exemplo as atividades grupais, as quais 
buscam a promoção e reabilitação da saúde e pre-
venção de doenças. Os níveis secundário e terciá-
rio constituem-se pela necessidade de tecnologia, 
mas não são mais complexos (MENDES, 2011).
Assim, a noção hierárquica e piramidal deve ser 
substituída pelas redes, as quais permitem relações 
horizontais, possuindo como centro de comuni-
cação a atenção primária à saúde, como pode ser 
ilustrado pela figura a seguir (MENDES, 2011).
Redes de Atenção à Saúde
56 História da Saúde Pública no Brasil
São três os elementos que constituem as RAS: 
uma população, uma estrutura operacional e um 
modelo de atenção à saúde. A presença de uma 
população é a razão de ser da RAS. Esta precisa 
ser devidamente conhecida (condições de saú-
de, fatores de riscos), registrada e cadastrada em 
sistemas de informação. O segundo elemento é a 
estrutura operacional, a qual é constituída pela 
atenção primária à saúde; os pontos de atenção 
à saúde secundários e terciários; os sistemas de 
apoio; os sistemas logísticos; e o sistema de go-
vernança (MENDES, 2011).
Em relação ao terceiro elemento, que é o mo-
delo de atenção, este pode ser definido como:
 “
[...] um sistema lógico que organiza o fun-
cionamento das RASs, articulando, de for-
ma singular, as relações entre a população 
e suas subpopulações estratificadas por ris-
cos, os focos das intervenções do sistema 
de atenção à saúde e os diferentes tipos de 
intervenções sanitárias, definido em função 
da visão prevalecente da saúde, das situa-
ções demográfica e epidemiológica e dos 
determinantes sociais da saúde, vigentes 
em determinado tempo e em determinada 
sociedade (MENDES, 2011, p. 209).
São muitos os desafios a serem superados para 
a implementação das RAS, os quais vão desde o 
financiamento, orientação dos serviços com base 
nas necessidades sanitárias da população, bem 
como a valorização da atenção primária à saúde 
por parte de todos (BRASIL, 2012).
De acordo com o Ministério da Saúde, outros 
entraves ainda podem ser elencados: falha na cul-
tura e na prática de trabalho em rede; pactos com 
foco maior na captação de recurso do que em 
intervenções nas práticas assistenciais; ineficiente 
capacitação e qualificação profissional; e restrito, 
monitoramento e avaliação dos resultados por 
meio de sistema de informações de alta qualidade 
(BRASIL, 2014).
Diante do exposto, percebe-se que, para a efetiva 
implementação das RAS, faz-se necessário o esforço 
de todos: gestores (em todas as esferas do governo), 
profissionais da saúde e população em geral. 
Nesta unidade, conseguimos relembrar alguns 
marcos importantes da história do Brasil, além de 
rever alguns elementos marcantes da economia, 
da política e da sociedade de forma geral ao longo 
de cada época.
Entendemos que a história das políticas públi-
cas de saúde no nosso país sempre esteve atrelada 
ao contexto histórico e social do momento em 
que ocorreu e, por isso, foi necessário voltarmos 
no tempo e vermos tudo o que aconteceu no de-
correr dos anos.
Compreendemos o cenário em que se deu a 
criação de um dos maiores sistemas públicos de 
saúde do mundo, o Sistema Único de Saúde (SUS), 
um momento marcante em nosso país, de desper-
tar democrático, de lutas e de muitas conquistas. 
Conhecemos seu processo de construção, seus 
principais objetivos e princípios doutrinários e 
organizativos.
Observamos que, para a operacionalização do 
SUS, foram necessárias algumas pactuações entre 
os gestores das esferas governamentais. Assim, 
estudamos o Pacto pela Saúde e as três dimensões 
que ele englobou: Pacto pela Vida, em Defesa do 
SUS e de Gestão.
Discutimos sobre a necessidade de mudan-
ça de um modelo de assistência à saúde hierar-
quizado e fragmentado para uma assistência em 
rede. Nesse sentido, abordamos sobre as Redes de 
Atenção à Saúde (RAS), seus conceitos, elementos 
que a compõem e sua forma de organização, acre-
ditando que as RAS, por permitirem relações ho-
rizontais, tendo como centro a atenção primária, 
podem contribuir para a integralidade no cuidado 
à saúde – um dos princípios do SUS.
57UNIDADE 2
Assim, terminamos a nossa 
viagem no tempo! Espero que 
você possa ter compreendido 
melhor e um pouco mais sobre 
o nosso sistema público de saú-
de, seus avanços e desafios.
Muitos desafios ainda temos 
pela frente, quando trabalhamos 
no contexto do SUS, e você fará 
parte dele como profissional da 
saúde, ajudando a construir um 
pouco mais na história do SUS.
Bons estudos! E continue...
58
1. No início do século XX, o Rio de Janeiro se deparou com a epidemia da febre 
amarela e varíola, doenças que fizeram milhares de vítimas. Nesse período, a 
obrigatoriedade da vacina contra a varíola e a remodelação da região portuária 
e do centro da cidade geraram descontentamento na população. Considerando 
esse contexto histórico, assinale a alternativa correta.
a) O alargamento das ruas da área central contribuiu para um ambiente mais 
arejado, com vistas a reduzir os casos de febre amarela, que é uma doença 
transmitida pelo ar.
b) A população pobre se revoltou, pois tinha consciência da necessidade da vacina 
para a erradicação da varíola.
c) A reforma não aconteceu apenas nas regiões dos portos e área central, mas 
também nas moradias populares e cortiços, a fim de eliminar os focos de 
transmissão das doenças.
d) A Revolta da vacina ocorreu no governo de Rodrigues Alves em um contexto de 
reurbanização do centro do Rio de Janeiro e da necessidade de saneamento básico.
e) A insatisfação da população não estava relacionada com a modernização urbana 
autoritária, e sim com as péssimas condições sanitárias.
2. Sobre os princípios doutrinários e organizacionais do Sistema Único de Saúde 
(SUS), analise as afirmativas a seguir.
I) O princípio da equidade no SUS tem seu maior foco na atenção primária à 
saúde, por ser este um serviço de menor complexidade e baixo custo. 
II) A integralidade da assistência à saúde refere-se a um conjunto de ações e 
serviços voltados para a promoção, prevenção e reabilitação, individuais e 
coletivos, em todos os níveis de complexidade.
III) São princípios organizacionais: Regionalização, Hierarquização, Resolubilidade, 
Descentralização e Participação comunitária.
IV) A valorização da população em questões decisórias sobre a saúde e a for-
mação dos Conselhos de Saúde dizem respeito ao princípio de Participação 
comunitária.
Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução.
59
Assinale a alternativa correta.
a) Apenas I e II estão corretas.
b) Apenas II e III estão corretas.
c) Apenas I está correta.
d) Apenas II, III e IV estão corretas.
e) Nenhuma das alternativas está correta.
3. Sobre os principais objetivos do Sistema Único de Saúde, assinale a alternativa 
correta.
a) Formulação de políticas de saúde destinadas a ações curativas, especialmente 
nas áreas de endemia.
b) Assistência às pessoas por intermédio de ações de promoção, proteção e 
recuperação da saúde, com realização integrada das ações assistenciais e das 
atividades preventivas.
c)Promover ações de alta complexidade nas regiões de maior vulnerabilidade 
social.
d) Assistência às pessoas, com base nas diretrizes do sistema privado.
e) Identificar, em cada região, os fatores determinantes das doenças, considerando 
o processo patológico o foco para a prestação da assistência à saúde.
4. O Pacto pela Saúde, firmado em 2006, refere-se ao compromisso assumido entre 
as três esferas de gestão (União, Estados e Municípios), com o objetivo de estabe-
lecer ajustes e promover inovações no processo de gestão, para, assim, atender 
com maior qualidade às demandas do SUS. Explique o que foi o Pacto pela Vida.
5. Um sistema de saúde hierarquizado, “estilo piramidal”, não consegue suprir as 
demandas de saúde da população. É nesse sentido que surgem discussões sobre 
as Redes de Atenção à Saúde (RAS). Explique o que são as RAS e como elas se 
organizam.
60
História da saúde pública no Brasil
Cláudio Bertolli Filho
Editora: Ática
Sinopse: o livro apresenta a história da saúde pública no Brasil, suscitando que 
o leitor faça uma reflexão sobre a relação da saúde com as políticas sociais de 
cada período.
LIVRO
Caminhos da Saúde Pública no Brasil
Jacobo Finkelman
Editora: FIOCRUZ
Sinopse: o livro traz a evolução das políticas públicas de saúde, contextualizando 
com a história do Brasil. Destaca os principais acontecimentos que contribuíram 
para o desenvolvimento de ações e programas voltados para a melhoria da 
saúde do povo brasileiro.
LIVRO
SICKO - SOS Saúde
Ano: 2007
Sinopse: O documentário descreve o sistema de saúde americano e o compara 
com o de outros países, como Cuba, Canadá, França e Inglaterra. Apesar de 
não mostrar o Sistema de Saúde do Brasil – o SUS – é possível compará-lo com 
relação ao que é apresentado no filme.
FILME
61
ANDRADE, L. O. M.; PONTES, R. J. S.; JUNIOR, T. M. A descentralização no marco da reforma sanitária no 
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Sistema Único de Saúde (SUS) e sobre as transferências intergovernamentais de recursos financeiros na área 
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62
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http://www.scielosp.org/cgi-bin/wxis.exe/iah/?IsisScript=iah/iah.xis&base=article%5Edlibrary&format=iso.pft&lang=i&nextAction=lnk&indexSearch=AU&exprSearch=MACHADO,+MARIA+DE+FATIMA+ANTERO+SOUSAhttp://www.scielosp.org/cgi-bin/wxis.exe/iah/?IsisScript=iah/iah.xis&base=article%5Edlibrary&format=iso.pft&lang=i&nextAction=lnk&indexSearch=AU&exprSearch=MACHADO,+MARIA+DE+FATIMA+ANTERO+SOUSA
63
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2Em: . Acesso em: 19 out. 2018.
64
1. D.
2. D.
3. B.
4. O Pacto pela Vida refere-se a um dos pactos que compõe o Pacto pela Saúde, sendo os outros dois: em 
Defesa do SUS e de Gestão do SUS. O Pacto pela Vida foi constituído a partir da análise da situação de 
saúde do país e das necessidades prioritárias que geram impacto na saúde da população brasileira. São 
seis as prioridades pactuadas: Saúde do Idoso; Controle do câncer do colo do útero e da mama; Redução 
da mortalidade infantil e materna; Fortalecimento da capacidade de resposta às doenças emergentes e 
endemias, com ênfase na dengue, hanseníase, tuberculose, malária e influenza; Promoção da Saúde; e 
Fortalecimento da Atenção Básica.
5. As RAS são sistemas organizativos de ações e serviços de saúde que se articulam, atendendo diferentes 
níveis de complexidade e necessidades tecnológicas que, de forma integrada, permitem atender, com 
qualidade, a saúde da população brasileira. A noção hierárquica e piramidal deve ser substituída pelas 
redes, as quais permitem relações horizontais e de interdependência entre os pontos da rede, possuindo 
como centro de comunicação a atenção primária à saúde. A organização das RAS estrutura-se com base nos 
seguintes fundamentos: economia de escala, disponibilidade de recursos, qualidade e acesso; integração 
horizontal e vertical; processos de substituição; territórios sanitários; e níveis de atenção. 
65
66
PLANO DE ESTUDOS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
• Compreender o conceito de vigilância em saúde e os prin-
cipais sistemas de vigilância em saúde. 
• Conhecer o Sistema de Vigilância Epidemiológica.
• Conhecer os sistemas de informação de interesse na saúde.
• Apresentar os principais indicadores de saúde.
• Discutir os desafios atuais da Vigilância em Saúde.
Vigilância em saúde
Vigilância epidemiológica Indicadores de saúde
Alguns desafios da
vigilância em saúde
Sistema de informação
em saúde
Dra. Raquel Gusmão Oliveira
Vigilância em Saúde
Vigilância 
em Saúde
Temos visto que a saúde e o cuidado à saúde têm 
sido uma grande preocupação de toda a huma-
nidade ao longo da história e dos tempos, a busca 
da compreensão do fenômeno saúde e doença 
tem desafiado estudiosos no sentido de superar 
os desafios de ter uma sociedade mais saudável.
No Brasil, a criação do Sistema Único de Saúde 
(SUS) é considerada um marco positivo no con-
texto da saúde em nosso país, buscando, por meio 
de princípios e diretrizes, a organização de ações 
e serviços que efetivamente atendam às necessi-
dades de saúde de todos os brasileiros.
Recentemente, a criação das Redes de Atenção 
à Saúde contextualiza que a Vigilância em saúde 
deve ser organizada em forma de rede, como uma 
estratégia na organização dos serviços na atenção 
e promoção à saúde, estabelecendo, assim, dire-
trizes e orientações aos profissionais de saúde, na 
busca de auxiliar na organização e operacionali-
zação da rede de Vigilância.
Nesse sentido, acreditamos que é fundamen-
tal aos profissionais de saúde compreenderem os 
principais conceitos e os diferentes sistemas que 
abrangem o Sistema de Vigilância brasileiro.
69UNIDADE 3
Dentre os diversos Sistemas de Vigilância, des-
tacamos, nesta unidade, o Sistema de Vigilância 
Epidemiológica, pois acreditamos que ele tem um 
amplo impacto nas ações dos profissionais de saúde.
Também apresentaremos os principais sistemas 
de informações de interesse na saúde e os indicado-
res de saúde mais utilizados, considerando que, tanto 
um quanto outro são fundamentais para subsidiar a 
tomada de decisão no contexto dos serviços de saúde.
Finalmente, buscamos discutir alguns desafios 
atuais da Vigilância em saúde, acreditando que tais 
desafios constituem espaços de crescimento e de-
senvolvimento para os profissionais de saúde.
Então, vamos começar...
A doença sempre esteve presente na história da 
humanidade, como, por exemplo, a peste, a varíola, 
a cólera e muitas outras que foram registradas ao 
longo dos tempos em diferentes contextos. Você já 
ouviu falar delas?
E na atualidade? De Quais doenças você pode 
lembrar? Dengue, zika, H1N1 etc. 
Essas doenças causam um grande impacto na 
saúde e na vida da população, sem falar em outros 
agravos que parecem atingir a sociedade e prejudi-
car a vida das pessoas, como é o caso da violência.
O que fazer para evitar que essas doenças se 
espalhem ou afetem negativamente a vida das pes-
soas? Como reconhecê-las ou, até mesmo, barrá-
-las? Que ações devem ser feitas?
Nesse contexto, surge o termo “vigilância em 
saúde” que tem por objetivo a observação e análise 
permanente da situação de saúde da população, 
articulando-se em um conjunto de ações destinadas 
a controlar determinantes, riscos e danos à saúde de 
populações que vivem em determinados territórios, 
garantindo a integralidade da atenção – o que inclui 
tanto a abordagem individual como coletiva dos 
problemas de saúde (BRASIL, 2010).
Vamos entender um pouco mais desse conceito.
Quando falamos de Vigilância em saúde, três 
ações estão implícitas (BOCCATTO, 2012):
• A observação da situação de saúde.
• A análise dessa situação.
• O conjunto de ações destinadas a controlar 
os determinantes das doenças e dos agravos.
A vigilância em saúde deve estar cotidianamente 
inserida em todos os níveis de atenção da saúde. A 
partir de suas específicas ferramentas, as equipes 
de saúde da atenção primária podem desenvolver 
habilidades de programação e planejamento, de 
maneira a organizar os serviços com ações progra-
madas de atenção à saúde das pessoas, aumentan-
do o acesso da população a diferentes atividades e 
ações de saúde (BRASIL, 2010).
Nesse sentido, o conceito de vigilância em saú-
de inclui: a vigilância e o controle das doenças 
transmissíveis, a vigilância das doenças e agra-
vos não transmissíveis, a vigilância da situação de 
saúde, vigilância ambiental em saúde, vigilância 
da saúde do trabalhador e a vigilância sanitária 
(BRASIL, 2010).
O Quadro 1, a seguir, explica um pouco das par-
ticularidades de cada uma delas; mas, apesar das 
diferenças, Boccatto (2012) indica alguns princípios 
norteadores comuns, tais como:
• A manutenção da qualidade na coleta de 
dados.
• A consolidação desses dados em informa-
ções fidedignas.
• A ampla disseminação dessas referidas in-
formações a todos aqueles que as geraram e 
que delas necessitam tomar conhecimento, 
servindo de ferramenta para:
 » A elaboração de programas, a identifi-
cação de fatores de risco e a aplicação de 
medidas de controle.
• A capacitação e o aprimoramento de 
pessoal.
• A aquisição de equipamentos e tecnologias.
• O desenvolvimento de produções cien-
tíficas.
70 Vigilância em Saúde
Nesse sentido, vale destacar que, para a operacio-
nalização da Vigilância em Saúde, é necessária a 
colaboração e a coparticipação de todos os gestores, 
técnicos, tra balhadores de todos os níveis e atores 
sociais, e a adaptação aos inovadores modelos de 
gestão dos serviços públicos e privados, principal-
mente aqueles decunho social, sem perder suas 
características inerentes (BOCATTO, 2012).
Atualmente, o Decreto 7508 (2011) estabelece 
que a Vigilância em Saúde faz parte da rede regio-
nalizada e hierarquizada de serviços junto com a 
Atenção Primária, urgência e emergência, atenção 
psicossocial, atenção ambulatorial especializada e 
hospitalar. 
A Portaria n° 104, de 25 de janeiro de 2011, do 
Ministério da Saúde, define as terminologias adota-
das em legislação nacional, conforme o disposto no 
Regulamento Sanitário Internacional de 2005, a rela-
ção de doenças, agravos e eventos em saúde pública 
de notificação compulsória em todo o território na-
cional e estabelece fluxo, critérios, responsabilidades 
e atribuições aos profissionais e serviços de saúde.
Quadro 1 - Áreas de atuação da Vigilância em Saúde
Vigilância 
Epidemiológica
Realiza um conjunto de ações que proporcionam o conhecimento, a detecção ou 
a prevenção de qualquer mudança nos fatores determinantes e condicionantes 
de saúde individual ou coletiva, com a finalidade de recomendar e adotar medidas 
de prevenção e controle de doenças ou agravos. Trabalha com doenças sexual-
mente transmissíveis agudas e crônicas; doenças transmissíveis agudas; doenças 
transmissíveis crônicas; doenças imunopreveníveis; investigações e respostas a 
casos e surtos e epidemias; doenças emergentes; agravos inusitados; inclui, tam-
bém, o Programa Nacional de Imunização (PNI), descentralizado aos municípios.
Vigilância 
Ambiental
Desencadeia um conjunto de atividades relativas às zoonoses e questões sa-
nitárias ligadas ao meio ambiente e riscos à saúde (água, ar e solo), com ações 
integradas com as subprefeituras e outras secretarias, devendo participar na 
formulação da política e na execução de ações de saneamento básico.
Vigilância da 
Saúde do 
trabalhador
Desencadeia um conjunto de atividades que, por meio das ações de vigilância epi-
demiológica e vigilância sanitária, destinam-se à promoção e à proteção à saúde 
dos trabalhadores, assim como visa recuperação e reabilitação da saúde dos tra-
balhadores submetidos aos riscos e agravos advindos das condições de trabalho.
Vigilância 
Sanitária
Realiza um conjunto de ações capaz de eliminar, diminuir ou prevenir riscos à 
saúde e de intervir nos problemas sanitários decorrentes do meio ambiente, da 
produção e circulação de bens e da prestação de serviços de interesse da saúde.
Vigilância da 
Situação de 
Saúde
Desenvolve ações de monitoramento contínuo do país/estado/região/município/
território, por meio de estudos e análises que revelem o comportamento dos 
principais indicadores de saúde, priorizando questões relevantes e contribuindo 
para um planejamento de saúde mais abrangente.
Fonte: Boccatto (2012).
“Doenças reemergentes” são doenças já conhecidas que haviam sido controladas, mas que voltaram a 
representar ameaça à saúde humana; registra-se no Brasil a dengue, a cólera e a leishmaniose visceral.
(Francisco Antônio Zancan Paz e Marilina Assunta Bercini)
71UNIDADE 3
Vigilância 
Epidemiológica
Quando falamos em Vigilância epidemiológica, 
adotamos o conceito: 
 “
[...] um conjunto de ações que proporcio-
nam o conhecimento, a detecção ou a pre-
venção de qualquer mudança nos fatores 
determinantes e condicionantes de saúde 
individual ou coletiva, com a finalidade 
de recomendar e adotar medidas de pre-
venção e controle de doenças ou agravos 
(BOCCATTO, 2012).
Vamos conhecer um pouco mais sobre a 
VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA.
O Sistema Nacional de Vigilância Epidemioló-
gica (SNVE) foi criado, no Brasil, em 1975, junto 
ao Ministério da Saúde, abrangendo, exclusiva-
mente, doenças infecciosas de notificação com-
pulsória e agravos inusitados à saúde. Em 1990, 
implantou-se o sistema de vigilância de eventos 
adversos pós vacinação e, a partir daí, outros siste-
mas de vigilância foram sendo incorporados, tais 
como a farmacovigilância, sistema de informação 
de agravos de notificação, vigilância ambiental, vi-
72 Vigilância em Saúde
gilância de traumas e lesões, vigilância das doenças 
crônicas e vigilância global para respostas rápidas 
a doenças emergentes (WALDMAN et al., 2012).
Vejamos um pouco a respeito delas:
• Vigilância de doenças infecciosas: ana-
lisa o comportamento das doenças (impre-
visível e impacto global), influenciada pelo 
comportamento humano.
• Farmacovigilância: aplica-se à identi-
ficação, análise, compreensão de eventos 
adversos associados ao uso de medica-
mentos, com a finalidade de estabelecer 
as bases técnicas para a sua prevenção 
(medicamentos, vacinas, hemoderivados, 
produtos biológicos, plantas medicinais, 
medicina tradicional e complementar e 
equipamentos médicos).
• Vigilância ambiental: coleta, analisa e 
dissemina informações sobre exposições 
ambientais potencialmente de risco e des-
fechos, estabelece associação entre os des-
fechos e especificas exposições ambientais 
potencialmente de risco.
• Vigilância de traumas e lesões: moni-
tora a incidência, causas e circunstâncias 
em que ocorrem casos fatais e não fatais, 
intencionais e não intencionais – classifi-
cação internacional de doenças por cau-
sas externas (um dos maiores e relevantes 
problemas de saúde pública - 10ª causa de 
morte no mundo).
• Vigilância de doenças crônicas: o siste-
ma de vigilância de fatores de risco e pro-
teção para doenças crônicas por inquérito 
telefônico (VIGITEL) faz parte das ações 
do Ministério da Saúde para estruturar a 
vigilância de doenças crônicas não trans-
missíveis (DCNT) no país. 
• Vigilância global para respostas rápi-
das às doenças emergentes: em resposta 
à rápida urbanização, consumo de alimen-
tos industrializados, novas técnicas de cria-
ção intensiva de animais, uso inadequado 
de antibióticos, alterações ambientais, cor-
rentes migratórias e intercâmbio mundial 
e transportes de massa intercontinental, 
elaborou-se o Regulamento Sanitário In-
ternacional com respostas a possíveis epi-
demias com rápida disseminação.
Os diferentes sistemas de vigilância têm suas es-
pecificidades, no entanto, têm em comum os se-
guintes objetivos (WALDMAN et al., 2012):
• Identificar novas doenças ou eventos ad-
versos à saúde.
• Detectar epidemias e documentar a disse-
minação de doenças.
• Estimar a magnitude da morbidade e da 
mortalidade causadas por determinados 
agravos.
• Identificar grupos e fatores de risco en-
volvendo a ocorrência de doenças, assim 
como resíduos de fonte de infecção e de 
suscetíveis.
• Recomendar, com base objetivas e cientí-
ficas, as medidas necessárias para prevenir 
ou controlar a ocorrência de específicos 
agravos à saúde.
• Avaliar o impacto de medidas de interven-
ção e a adequação das táticas e estratégias 
aplicadas.
• Revisar práticas antigas e atuais de sistema 
de vigilância, com o objetivo de propor no-
vos instrumentos metodológicos.
73UNIDADE 3
A Vigilância Epidemiológica 
atualizou, em 2016, a lista na-
cional de notificação compul-
sória referente a doenças, agra-
vos e eventos de impor tância 
para a saúde pública, por meio 
da Portaria 204/2016. Essa lista 
tem abrangência nacional em 
toda a rede de saúde, pública e 
privada e, obrigatoriamente, as 
doenças devem ser regis tradas 
e notificadas no Sistema de In-
formação de Agravos de Notifi-
cação (SINAN), obedecendo às 
normas e rotinas estabelecidas 
pela Secretaria de Vigilância em 
Saúde do Ministério da Saúde 
(BOCCATTO, 2012).
Os termos doença, agravo e evento são muito utilizados no con-
texto da saúde, você conhece o significado deles?
• Doença: significa enfermidade ou estado clínico, independente-
mente de origem ou fonte, que repre sente ou possa representar 
um dano significativo para os seres humanos.
• Agravo: significa qualquer dano à integridade física, mental 
e social dos indivíduos, provocado por cir cunstâncias nocivas, 
como acidentes, intoxicações, abuso de drogas e lesões auto ou 
heteroinfligidas.
• Evento: significa manifestação de doença ou uma ocorrência 
que apresente potencial para causar doença.
 Fonte: Brasil (104/2011).
Quadro 2 - Lista Nacional de Notificação Compulsória
Notificação Imediata (≤ 24 horas)
- Acidente de trabalho: grave, fatal 
e em crianças e adolescentes
- Acidente por animal peçonhento
- Acidente por animal potencial-
mente transmissor da raiva
- Botulismo
- Cólera
- Coqueluche
- Dengue - óbitos
- Difteria 
- Doença aguda pelo vírus Zika 
em gestantes
- Doença de chagas aguda
- Doença invasiva por: “haemo-
philus influenzae”
- Doença meningocócica e outras 
meningites
- Doenças com suspeita de disse-
minação intencional:
a. Antraz pneumônico
b. Tularemia
c. Varíola
- Doenças Exantemáticas:
a. Sarampo
b. Rubéola
- Doenças Febris Hemorrágicas
Emergentes/Reemergentes:
a. Arenavírus
b. Ebola
c. Marburg
- Eventos adversos graves ou 
óbitos pós-vacinação
- Evento de saúde pública (ESP) 
que se constitua ameaça à saú-
de pública (ver definição no ar-
tigo 2º desta portaria)
- Febre amarela
- Febre de Chikungunya em 
áreas sem transmissão
- Óbito com suspeita de febre 
de Chikungunya
- Febre no Nilo ocidental e ou-
tras Arboviroses de importância 
em saúde pública
- Febre Maculose e outras Ri-
quetisioses
- Febre Tifóide
- Hantavírus
- Influenza humana produzida 
por novo subtivo viral
- Leptospirose
- Malária na região Extra Ama-
zônica
- Poliomielite por poliovírus sel-
vagem
- Peste
- Raiva humana
- Síndrome da Rubéola Congênita
- Síndrome da paralisia flácida 
aguda
- Síndrome respiratória aguda 
grave associada a coronavírus
a. Sars- Cov
b. Mers- Cov
- Tétano:
a. Acidental
b. Neonatal
- Varicela - caso grave internado 
ou óbito
- Violência sexual e tentativa de 
suicídio
74 Vigilância em Saúde
Notificação Semanal
- Acidente de trabalho com expo-
sição a material biológico
- Dengue - casos
- Doença aguda causadas pelo 
vírus Zika
- Doença de Creutzfeldt-jacob 
(DCJ)
- Esquistossomose 
- Febre de Chikungunya
- Hanseníase
- Hepatites Virais
- HIV/Aids - Infecção pelo vírus da Imu-
nodeficiência Adquirida
- Infecção pelo HIV em gestante, partu-
riente ou puérpera e criança exposta 
ao risco de transmissão vertical do HIV
- Infecção pelo vírus da imunodeficiên-
cia humana (HIV)
- Intoxicação exógena (por substâncias 
químicas, incluindo agrotóxicos, gases 
tóxicos e metais pesados
- Leishmaniose Tegumentar Americana
- Leishmaniose Visceral
- Malária na região Amazônica
- Óbito
a. Infantil 
b. Materno
- Sífilis
a. Adquirida
b. Congênita
c. Em gestantes
- Toxoplasmose gestacional 
e congênita
- Tuberculose
- Violência: Doméstica e/ou 
outras violências
Fonte: Prefeitura do Rio - Portaria GM/MS 204/2016 (2016, on-line)1.
A notificação compulsória, como o nome diz, é obrigatória a todos os profissionais de saúde: enfer-
meiros, médicos, odontólogos, mé dicos veterinários, biólogos, biomédicos, farmacêuticos e outros 
no exercício da profissão, bem como os responsáveis por organizações e estabelecimentos públicos e 
particulares de saúde e ensino.
O Guia de Vigilância em Saúde dissemina procedimentos de fluxos, prazos, instrumentos, defini-
ções de casos suspeitos e confirmados, funcionamento dos sistemas de informação em saúde, 
condutas, medidas de controle e demais diretrizes técnicas para operacionalização do Sistema 
Nacional de Vigilância em Saúde.
Fonte: Brasil (2016).
75UNIDADE 3
Sistema de 
Informação 
em Saúde
O aperfeiçoamento do Sistema de Vigilância em 
Saúde, na década de 90, acompanhou o desen-
volvimento das tecnologias de informática em 
nosso país, tornando possível o acesso ágil a bases 
de dados com informações variadas e desagre-
gadas sobre diversos registros, sendo esses dados 
utilizados em pesquisas científicas, avaliação e 
planejamento dos serviços de saúde e no ensino.
A informação na saúde é imprescindível para 
que se tomem as decisões corretas para melhorar 
o nível de saúde de uma determinada população. 
Nesse sentido, surgem os sistemas de informa-
ção em saúde, definidos, por Medronho (2008), 
como um conjunto de componentes que atuam 
integrada e articuladamente e que tem como pro-
pósito obter e selecionar dados e transformá-los 
em informação entendida como necessária para 
o processo de decisão, próprio das organizações e 
indivíduos que planejam, financiam, administram, 
provêm, medem e avaliam os serviços de saúde.
Tais sistemas devem ter como característica:
• Serem articulados nos três níveis de gestão: 
sistemas municipais, estaduais e federais. 
76 Vigilância em Saúde
• Serem utilizados por todos os envolvidos 
no planejamento, gestão e avaliação dos 
serviços de saúde.
• Utilizar a informação como meio para 
melhorar o nível de saúde das populações.
• Disponibilizar, aos usuários dos serviços, as 
informações obtidas.
A operacionalização dos sistemas de saúde deve 
ser sistematizadas e organizadas; os procedi-
mentos de coleta devem estar normatizados; os 
manuais de operação devem prever todas as si-
tuações; as pessoas responsáveis devem conhecer 
a importância do que fazem e deve haver super-
visão e assessoria adequada.
Nesse sentido, o processo dos sistemas de in-
formação em saúde são organizados nas seguintes 
etapas:
Coleta Processamento Decisão e
Controle
Figura 1 - Etapas de organização do processo dos sistemas 
de informação em saúde
Os dados coletados são armazenados em um 
banco de dados, em que ocorre o registro e onde 
é possível fazer a sua recuperação para que pos-
sam ser processados, analisados e, assim, gerar 
informações para a tomada de decisão e o con-
trole de ações.
Dados - é a matéria-prima da informação, ou seja, são valores ainda não trabalhados.
Indicadores - quantificação da realidade, permitem comparar níveis de saúde entre diferentes po-
pulações; ao longo do tempo, derivam dos dados e geram informações.
Informações - tradução dos dados após eles serem trabalhados, de forma a permitir alterar o co-
nhecimento de outras pessoas, descreve uma situação real associada a um referencial explicativo.
Fonte: Cordoni Jr. (2001).
Existem inúmeros sistemas de informações, mas 
queremos destacar os sistemas de informação de 
interesse à saúde e os Sistemas Nacionais de In-
formação em Saúde.
Dentre os sistemas de interesse à saúde, pode-
mos relacionar, entre outros:
• Instituto Brasileiro de Geografia e Estatís-
tica (IBGE), que tem atribuições ligadas 
às geociências e estatísticas sociais, demo-
gráficas e econômicas, o que inclui realizar 
censos e organizar as informações obtidas 
nesses censos para suprir órgãos das esferas 
governamentais federal, estadual e muni-
cipal, e para outras instituições e o público 
em geral (BRASIL, [2018], on-line)2.
• Pesquisa Nacional por Amostra de Do-
micílio (PNAD) que obtém informações 
anuais sobre características demográficas 
e socioeconômicas da população, como 
sexo, idade, educação, trabalho e rendi-
mento, características dos domicílios e, 
com periodicidade variável, informações 
sobre migração, fecundidade, nupciali-
dade, entre outras, tendo como unidade 
de coleta os domicílios. Temas específicos 
abrangendo aspectos demográficos, sociais 
e econômicos também são investigados 
(BRASIL, [2018], on-line)2.
• Ao Instituto de Pesquisa Econômica Apli-
cada (IPEA), que é uma fundação pública 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ci%C3%AAncias_da_Terra
https://pt.wikipedia.org/wiki/Estat%C3%ADstica
https://pt.wikipedia.org/wiki/Demografia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Demografia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Economia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Censo_demogr%C3%A1fico
77UNIDADE 3
federal, vinculada ao Ministério do Plane-
jamento, Desenvolvimento e Gestão, o qual 
realiza pesquisas que fornecem suporte 
técnico e institucional às ações governa-
mentais para a formulação e reformulação 
de políticas públicas e programas de desen-
volvimento brasileiros (BRASIL, [2018], 
on-line)3.
O departamento de Informática do Sistema Único 
de Saúde (DATASUS), criado em 1991, organiza o 
Sistema Nacional de Informação, dando suporte 
aos órgãos do SUS no processo de planejamento, 
operação e controle.
O quadro, a seguir, sintetizaos principais Sis-
temas de Informação: Sistema de informação de 
mortalidade (SIM), Sistema Nacional de nascidos 
vivos (SINASC), Sistema Nacional de notificação 
(SINAN), Sistema de Informação hospitalar (SIH) 
e Sistema de informação ambulatorial (SIA), bem 
como os dados referenciais, forma de coleta, sua 
origem e algumas observações.
Quadro 3 - Características dos principais sistemas de informação em saúde
SISTEMA REFERÊNCIA
FORMA DE 
DADOS
ORIGEM OBS.
SIM Óbitos
Declara-
ção de 
óbito (DO)
Hospitais
Médicos
IML
(1975)- DO- causa básica baseado no Códi-
go Internacional de Doenças CID 10 (2007).
1990- implantou DO na Secretaria de esta-
do de saúde em 3 vias (1 Serviço de saúde, 
1 cartório, 1 unidade notificadora).
Indicadores: mortalidade proporcional por 
causa, faixa etária, taxa geral, causas es-
pecíficas, mortalidade infantil, mortalidade 
materna.
SINASC Nascidos 
vivos
Declara-
ção de 
nascidos 
vivos 
(DNV)
Hospitais
Cartórios
3 vias DNV (branca, serviço de saúde; ama-
rela, cartório; e rosa, unidade de saúde.
Indicadores: taxa bruta de fecundidade e 
natalidade, taxa de mortalidade infantil e 
materna, proporção de mães adolescentes 
e partos cesáreos.
SINAN Agravos 
notificáveis
Fichas de 
notificação 
e investi-
gação
UBS, hospi-
tais, clínicas, 
ambulatórios e 
consultórios
(1990-1993) Doenças de notificação obri-
gatória, incidência, prevalência e letalidade, 
áreas de risco, tendência dos agravos. 
Perfil epidemiológico dos agravos.
Lista de doenças de notificação obrigatória, 
estados e municípios podem acrescentar 
na lista.
Doenças crônicas transmissíveis (AIDS, es-
quistossomose, hanseníase e tuberculose) 
e não transmissíveis (desnutrição grave), 
agudas transmissíveis (cólera, dengue e 
imunoprevenível) e não transmissíveis 
(acidentes com animais peçonhentos e 
intoxicações por agrotóxico).
Ficha individual de notificação (suspeita 
clínica) e de investigação (serviço de VE).
78 Vigilância em Saúde
SISTEMA REFERÊNCIA
FORMA DE 
DADOS
ORIGEM OBS.
SIH Informação 
hospitalar
Autoriza-
ção de in-
ternação 
hospitalar 
(AIH)
Hospitais con-
veniados ao 
SUS
(1990) AIH preenchida para toda internação 
do SUS - 90% das internações, reembolso 
realizado pelo mecanismo de pagamento fixo 
por procedimento realizado.
Indicadores - tempo médio de permanência 
geral ou específica, valor médio da interna-
ção, proporção de internação por causa ou 
procedimento, mortalidade hospitalar geral 
ou causa ou procedimento.
SIA
Informação 
ambulato-
rial
Boletim de 
produção 
de serviços 
ambulato-
riais (BPA)
Serviços ambu-
latoriais cadas-
trados pelo SUS
Não verifica morbidade e sim procedimentos, 
auxiliando no controle, auditoria, avaliação e 
planejamento.
Fonte: adaptado de Cordoni JR (2001).
Além desses bancos de dados, podemos destacar:
• SISVAN - Sistema de Vigilância Alimentar 
e Nutricional de crianças e gestantes.
• SIAB - Sistema de Informação da Atenção 
Básica -, consolida dados da população ads-
crita nos Programa de Saúde da Família. 
• SISCAT - Sistema de Informação Sobre 
Acidentes de Trabalho -, acidente no local 
ou no trajeto ou adoecem devido ao tra-
balho (CAT).
• SI-PNI- Sistema de Informação do Pro-
grama Nacional de Imunização - avalia a 
cobertura das diferentes vacinas em todos 
os municípios brasileiros.
Existe uma grande necessidade de ampliar a uti-
lização de dados produzidos pelos sistemas de 
informação, no sentido de subsidiar a tomada de 
decisão de gestores e ações dos profissionais de 
saúde, acreditando que as informações, se ade-
quadamente utilizadas, podem contribuir para 
a redução de desigualdades e melhoria das ações 
de saúde em nosso país.
É de responsabilidade de todo profissional 
zelar pela qualidade da informação prestada em 
seus atendimentos, orientar a equipe na coleta, 
no processamento, na tomada de decisão e no 
controle dos dados produzidos.
A publicação de documentos com os indicadores brasileiros tem como objetivo subsidiar, com 
informações relevantes, os processos de formulação, estruturação e avaliação de políticas e ações 
públicas de importantes estratégias para o sistema de saúde.
(Ministério da Saúde)
79UNIDADE 3
Indicadores 
de Saúde
Como você já viu, os Indicadores são a quanti-
ficação da realidade, permitem comparar níveis 
de saúde entre diferentes populações ao longo 
do tempo, os quais derivam dos dados e geram 
informações de saúde.
Em uma linguagem mais técnica, eles são des-
critos como medidas de razões (frequências re-
lativas) em forma de proporções (fatia do total 
de casos ou morte), coeficientes/taxas (risco do 
evento ocorrer) ou índice (não expressa risco), 
sintetizando o efeito de determinantes de natureza 
variada sobre o estado de saúde de uma população.
Os indicadores têm como objetivo prover 
dados necessários ao planejamento e avaliação 
dos serviços; identificar os fatores determinantes 
das doenças e permitir sua prevenção; avaliar os 
métodos usados no controle das doenças; des-
crever as histórias das doenças e classificá-las; 
colocar à disposição do homem conhecimento 
e tecnologia que possam promover a saúde indi-
vidual por meio de medidas de alcance coletivo 
(CORDONI JR., 2001).
Para que sejam considerados um bom indi-
cador, algumas características são necessárias, 
tais como:
80 Vigilância em Saúde
• O dado tem que estar disponível.
• A técnica de manejo e entendimento deve 
ser simples. 
• Deve ser uniforme.
• Ter a capacidade de ser sintético.
• Ter poder discriminatório.
Quanto à natureza dos indicadores, eles po-
dem ser positivos ou negativos. 
Os indicadores positivos de saúde são os ín-
dices de vida, ou seja, as condições demográficas, 
alimentação e nutrição, educação, alfabetização, 
condições de trabalho, situação de emprego, trans-
porte, consumo e economias gerais, habitações 
e condições de moradia com inclusão de sanea-
mento básico, vestuário, lazer, segurança social e 
liberdade humana. No entanto, esses dados são 
mais difíceis de mensurar.
Os indicadores positivos mais utilizados na 
saúde são a taxa de natalidade, a taxa de fecun-
didade e a esperança de vida ao nascer. Já os in-
dicadores negativos quantificam e descrevem 
a ocorrência de determinados agravos à saúde, 
doença e morte, para conhecer quantos adoecem 
e quantos morrem.
Quando queremos saber quantos adoecem 
(morbidade), ou seja, como se dá a manifesta-
ção de doença nas populações, a epidemiologia 
utiliza duas medidas principais: a prevalência e a 
incidência.
A incidência considera os casos novos das 
doenças ou ocorridos recentemente em determi-
nada região, já a prevalência refere-se ao total de 
casos de uma região (novos e antigos), contados 
em um tempo limitado.
Ambas são calculadas em termos de coeficien-
tes, que determina o risco do evento ocorrer e 
auxilia na comparação entre regiões, seguindo 
a fórmula:
Coeficiente de Incidência
C.I = nº casos novos da doença X 1000________________________________
população sob risco
Coeficiente de Prevalência
C.I = nº casos conhecidos de uma doença X 1000________________________________________
população
C.L = nº óbitos por determinada doença/período___________________________________
nº de casos da doença/período
Vale ressaltar que existem outros fatores que 
podem aumentar a prevalência dos casos, tais 
como a melhora na detecção de novos casos 
(aprimoramento diagnóstico), a maior duração 
da doença e aumento da sobrevida (melhora no 
tratamento, como o caso da AIDS), a imigração 
dos casos e emigração dos sadios; mas, por outro 
lado, alguns fatores podem diminuir a prevalên-
cia, como o aumento da letalidade, diminuição 
de incidência e o impacto das políticas públicas 
e emigração de casos e imigração de sadios (ME-
NEGUEL, 2015).
Outro coeficiente que se calcula a partir do 
número de casos de uma doença é a letalidade 
(CL), expressa pela fórmula a seguir, que mede 
o risco de uma pessoa morrer quando acometi-
da por uma doença, ou seja, a gravidade de uma 
doença ou agravo. 
Quandoqueremos saber quantas pessoas mor-
reram por determinada causa, utilizamos indi-
cadores de mortalidade proporcional (MP) e 
coeficientes de mortalidade (geral, mortalidade 
infantil, mortalidade segundo causas, mortalidade 
materna, mortalidade por grupo etário).
O coeficiente geral de mortalidade (CGM) 
calcula o risco de óbito em uma comunidade, 
81UNIDADE 3
podendo ser possível relacionar o nível de saúde 
de diferentes áreas, no tempo. O CGM, em uma 
população, fica em torno de 6-12 óbitos/1000 
hab, se o cálculo fica abaixo disso, indica pou-
ca fidedignidade dos dados. A fórmula para o 
cálculo é:
Número de óbitos especificados (por causa, idade, etc)
x 100Número total de óbitos (ou também especificados)
Também é possível fazer o cálculo de mortalidade proporcional dentro de um grupo determinado, tal 
como por grupos etários, sexo ou por causa de morte. Vejamos a seguir.
Mortalidade Proporcional Segundo Grupo Etário
Quando se calcula a mortalidade segundo os grupos etários, é possível observar a distribuição percen-
tual dos óbitos por faixa etária na população residente em determinado território no ano considerado. 
Ela é calculada com a seguinte expressão:
Na análise da mortalidade do conjunto dos grupos etários, utiliza-se a CURVA DE NELSON DE 
MORAES, construída a partir da distribuição proporcional dos óbitos por grupos etários: menor de 
1 ano; 1 a 4 anos; 5 a 19; 20 a 49 anos; e 50 anos ou mais, em que é possível observar 4 tipos de curvas.
Po
rc
en
ta
ge
m
Po
rc
en
ta
ge
m
Po
rc
en
ta
ge
m
Po
rc
en
ta
ge
m
40
40
40
40
50
50
60
80
60
30
3020
20
20
10
10
0
0
30
20
10
0
0
Idade
cia, implica-se o acesso à elevada gama de infor-
mações, especialmente as relativas à morbidade, à 
mortalidade, à estrutura demográfica, ao estado 
imunitário e nutricional da população, à situação 
socioeconômica e ao saneamento ambiental, sendo 
que a saúde, atualmente, tem sido a porta de entra-
da para vários sistemas, tendo íntima relação com 
a situação social regional. Dessa forma, é necessá-
rio integrar todas as Unidades de Atendimento à 
Saúde – tam bém intersetorialmente e intersecre-
tarialmente (SETA; REIS; DELAMARQUE, 2010).
A utilização das informações para tomada da 
decisão requer que todo o processo de Vigilância, 
da coleta, consolidação, planejamento, controle e 
disseminação de informações seja monitorado e 
conte com um sistema de informação consistente 
e integrado.
Ainda existe uma grande necessidade de am-
pliar a utilização de dados produzidos pelos sis-
temas de informação, no sentido de subsidiar a 
tomada de decisão de gestores e ações dos profis-
sionais de saúde, acreditando que as informações, 
se adequadamente utilizadas, podem contribuir 
para a redução de desigualdades e melhoria das 
ações de saúde em nosso país.
É de responsabilidade de todo profissional 
zelar pela qualidade da informação prestada em 
seus atendimentos, orientar a equipe na coleta, 
no processamento, na tomada de decisão e no 
controle dos dados produzidos. 
2. Estruturação e qualificação das 
equipes
A colaboração e a coparticipação de gestores, 
técnicos, tra balhadores de todos os níveis e ato-
res sociais é essencial para o desenvolvimento 
do trabalho na Vigilância em saúde, bem como 
ter pessoal suficiente e com qualificação para 
o desenvolvimento das ações. Tal necessidade 
se dá devido à dinâmica do processo de traba-
lho da Vigilância, exigindo, também, educa-
ção permanente dos profissionais envolvidos, 
que deve ser planejada de forma estratégica e 
integral, visando à melhoria da promoção da 
saúde, à prevenção das doenças, ao diagnós-
tico, ao tratamento e a medidas de controle, 
debelando surtos e epidemias e melhorando a 
qualidade de vida e de saúde da comunidade 
(BOCATTO, 2012).
Nesse sentido, o profissional da saúde deve 
desenvolver uma dinâmica de aprendizagem e 
inovação, cujo primeiro passo deve ser a capa-
cidade crescente de adaptação às mudanças, 
comprometimento, busca de trabalho integrado, 
saber propor e desenvolver projetos, bem como 
competência técnica e disciplina.
3. A pesquisa e a produção do 
conhecimento
A cooperação entre serviços, universidades e ins-
titutos de pesquisa no desenvolvimento de pes-
quisas e na formação de recursos humanos para 
a vigilância em saúde constitui um desafio.
86 Vigilância em Saúde
A pesquisa em saúde mobiliza muitos atores 
de origens diversas, com visões, interesses e lin-
guagens distintas; nesse sentido, construir uma 
agenda de prioridades para pesquisa na área de 
saúde é uma tarefa árdua, que pressupõe estabe-
lecer consensos e compartilhar recursos; mas, por 
outro lado, um campo rico de possibilidades, em 
que o profissional pode articular saberes, pessoas 
e instituições, buscando a melhoria do serviço e 
da qualidade de vida das pessoas.
Ao pontuar esses desafios, queremos que estes 
sejam encarados de forma estratégica pelo ges-
tor, no sentido de que estes possam ser encarados 
como novas oportunidades, e que os momentos 
de crise podem e devem ser vistos como espaços 
de crescimento e desenvolvimento dos serviços 
e das pessoas. 
Você conhece o modelo atual das práticas em 
Vigilância adotado em seu município? Que de-
safios eles enfrentam? Quais as fragilidades dos 
sistemas de Vigilância de seu município?
A Vigilância em Saúde, como parte da Rede de 
Atenção à Saúde, está incluída no campo de ação 
do SUS, desenvolvendo uma série de ações e pro-
gramas relevantes para a prevenção e controle de 
doenças e agravos, contribuindo para o trabalho do 
gestor no estabelecimento de prioridades, na alo-
cação de recursos, nas orientações programá ticas, 
entre outras, em várias áreas do trabalho na saúde.
Quando consideramos o contexto da atuação 
do profissional da saúde, é fundamental desta-
car, entre os diversos sistemas de vigilância, o 
contexto da Vigilância epidemiológica, pois ela 
sistematiza inúmeras ações, com a finalidade de 
subsidiar e proporcionar conhecimento, detec-
tar ou prevenir qualquer mudança nos fatores 
determinantes e condicionantes de saúde indi-
vidual ou coletiva e, ainda, com a finalidade de 
recomendar e adotar medidas de prevenção e 
controle de doenças ou agravos.
Para que as ações propostas pela Vigilância 
sejam concretizadas, é necessário acesso a um 
elevado e complexo conjunto de informações: 
relativas à morbidade, mortalidade, situação so-
cioeconômica e demográfica das pessoas, entre 
muitas outras. Dessa forma, o Ministério da Saú-
de conta com o Departamento de Informática 
do SUS (DATASUS).
O DATASUS reúne diversos sistemas de infor-
mações, como diferentes informações de saúde, com 
a finalidade de fornecer dados aos gestores para 
que estes possam subsidiar a tomada de decisão. 
Entretanto, não basta apenas ter acesso aos dados, o 
profissional deve ser capaz de transformar os dados 
em informações, bem como desenvolver uma dinâ-
mica de aprendizagem e inovação, cujo primeiro 
passo deve ser a capacidade crescente de adaptação 
às mudanças, comprometimento, busca de trabalho 
integrado, saber propor e desenvolver projetos.
Essa tarefa é um grande desafio para todos os 
profissionais envolvidos no trabalho da Vigilância 
em Saúde!
87
1. Conjunto de ações que proporcionam o conhecimento, a detecção ou prevenção 
de qualquer mudança nos fatores determinantes e condicionantes de saúde 
individual e coletiva. Tem como finalidade recomendar e adotar as medidas de 
prevenção e controle das doenças ou agravos. Assinale a alternativa correta.
a) Vigilância Epidemiológica. 
b) Vigilância Sanitária.
c) Vigilância da Saúde.
d) Vigilância Ambiental.
e) Vigilância Cultural.
2. Quanto às afirmações a seguir, assinale a alternativa correta.
I) As ações da vigilância epidemiológica são desenvolvidas nos sistemas locais de 
saúde para agilizar a identificação e o controle dos eventos adversos à saúde.
II) A vigilância epidemiológica constitui importante instrumento para planejar, 
organizar e operacionalizar serviços de saúde.
III) Informações oriundas da imprensa sobre possíveis surtos de doenças não 
devem ser consideradas para investigação, pois a mídia, constantemente, faz 
sensacionalismo sobre o caso, alarmando a comunidade.
IV) Durante o período de investigação de caso de doença, independentemente 
do tipo da doença, devem-se adotar medidas rigorosas de isolamento.
Estão corretas:
a) Apenas I e II estão corretas.
b) Apenas II e III estão corretas.
c) Apenas I está correta.
d) Apenas II, III e IV estão corretas.
e) Nenhuma das alternativas está correta.
Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução.
88
3. Analise os indicadores de saúde, a seguir, que têm como base de divisão o nú-
mero de habitantes do local.
I) Mortalidade geral.
II) Coeficiente de incidência acumulada.
III) Mortalidade infantil.
IV) Mortalidade materna.
Assinale a alternativa correta. 
a) I, II, III e IV estão corretas.
b) Apenas I e II estão corretas.
c) Apenas I e III estão corretas.
d) Apenas I, III e IV estão corretas.
e) Nenhuma das alternativas está correta.
4. No conjunto dos sistemas de notificação e vigilância epidemiológica e sanitária 
no Brasil, o responsável por coletar e processar dados sobre agravos de notifi-
cação em todo o território nacional é o:
a) Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM).
b) Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica (SNVE).
c) Sistema Nacional de Agravos de Notificação (Sinan).
d) Sistema de Informação da Atenção Básica (SIAB).
e) Sistema de Informação em Vigilância Sanitária (SIVISA).
89
5. Observe a curva de mortalidade por idades e, de acordo com seu formato, in-
dique em que nível de saúdesaúde no Brasil.
A Unidade 2 trata da História da Saúde Pública no Brasil, tendo como marco 
o Sistema Único de Saúde (SUS), descrevendo seu período antecedente, seus 
processos de construção, destacando interesses, conflitos e necessidades 
sociais que deram origem ao SUS, seus princípios e diretrizes, bem como 
as diretrizes do pacto pela Saúde e as Redes de Atenção à saúde.
A Unidade 3 discute Vigilância em saúde, os sistemas de informação em 
saúde, indicadores de saúde e os desafios atuais diante do trabalho no 
contexto da vigilância.
A Unidade 4 sintetiza as principais políticas de saúde no Brasil, relaciona-
das à Saúde da mulher, da criança, do adulto e idoso, bem como políticas 
voltadas às populações vulneráveis e à saúde mental.
Finalmente, a Unidade 5 destaca os objetivos e princípios da Política Na-
cional de Humanização (PNH), bem como suas diretrizes e os dispositivos, 
relacionando-os aos direitos e a segurança do paciente, à saúde do traba-
lhador e aos desafios de sua operacionalização no contexto hospitalar.
Nossa intenção não é esgotar o assunto, mas abrir as portas para a ampliação 
do seu conhecimento, estimulando novas buscas para que possa enriquecer 
sua área de atuação e torná-lo(a) um profissional mais crítico e reflexivo, 
capaz de atuar de forma eficiente em seu contexto de trabalho.
Um grande abraço e uma ótima leitura!
CURRÍCULO DOS PROFESSORES
Dra. Marcela Demitto Furtado
Doutora pelo Programa de Pós-Graduação do Departamento de Enfermagem da UEM. Mestre 
pelo Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da UEM. Pós-graduada em Enfermagem 
Pediátrica pelo Departamento de Enfermagem da Universidade Estadual de Londrina - UEL 
(modalidade: Residência em Enfermagem em Saúde da Criança). Enfermeira graduada pela 
Universidade Estadual de Maringá - UEM (2007). Atualmente é professora adjunta do depar-
tamento de enfermagem da UEM, na área de saúde de criança.
Currículo Lattes disponível em: .
Dra. Raquel Gusmão Oliveira
Doutora pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto – Universidade de São Paulo (2018). 
Mestre em Ciências da Saúde pela Universidade Estadual de Maringá (2005). Graduada em 
Enfermagem pela Universidade Estadual de Maringá (2000). Docente do Curso de Medicina 
do Unicesumar - Maringá. Tem exercido docência no ensino superior nos últimos 10 anos, 
com ênfase em Saúde Coletiva, Saúde da Família e Gestão de Serviços de Saúde.
Currículo Lattes disponível em: .
Saúde e Doença - 
uma Perspectiva 
Atualizada
 13
História da Saúde 
Pública no Brasil
 41
Vigilância em Saúde
 67
Políticas Públicas 
de Saúde no Brasil
 95
Política Nacional de 
Humanização (PNH)
125
55 Redes de Atenção à Saúde
Utilize o aplicativo 
Unicesumar Experience 
para visualizar a 
Realidade Aumentada.
PLANO DE ESTUDOS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
Dra. Raquel Gusmão Oliveira
• Discutir as mudanças e a evolução do conceito de saúde 
e doença. 
• Conhecer os modelos de saúde preventivista e de pro-
moção à saúde. 
• Compreender o conceito da determinação social na saúde. 
• Apresentar os principais determinantes sociais da saúde 
e seu impacto na realidade brasileira.
• Conhecer os modelos de Atenção à saúde no Brasil.
Conceito de 
saúde e doença 
O modelo preventivista e o 
modelo de promoção à saúde
Os principais determinantes 
sociais de saúde no Brasil
Organização dos serviços 
de saúde no Brasil
Fatores condicionantes e 
determinantes no processo 
saúde-doença
Saúde e Doença - uma 
Perspectiva Atualizada
Conceito de Saúde
e Doença
Quando decidimos ser profissionais da área da saú-
de, muitas preocupações vem a nossa mente, nos 
preocupamos com as ações de saúde que podemos 
realizar, que recursos temos disponíveis, como me-
lhorar a vida das pessoas e como contribuir para 
um mundo melhor e com saúde. Isso é muito im-
portante!
Contudo, muito além de nos preocuparmos 
com tudo isso, precisamos estar cientes e com-
preender, antes de realizar ou propor qualquer 
ação, que por trás de toda ação existe um conceito 
ou um modo de entender a realidade, tendo como 
pressuposto básico que ela é dinâmica, sujeita a 
modificações, influenciadas pela cultura, política 
e momento histórico.
Vamos observar, nesta unidade, que, ao longo 
da história humana, a saúde das pessoas sempre foi 
alvo de preocupação, por isso convidamos você para 
dar uma volta na história, tanto antiga quanto atual, 
e reconhecer pensamentos e ações acerca da saúde.
O conceito de saúde sofreu mudanças no decor-
rer dos tempos, várias explicações foram dadas e, 
ainda hoje, vários entendimentos coexistem quando 
buscamos entender o processo saúde-doença.
Entretanto, queremos destacar no texto dois 
modelos explicativos acerca do processo saúde-
15UNIDADE 1
-doença: um com características biologicistas e 
outro buscando compreender o ser humano de 
forma integral, considerando sua história, cultura, 
contexto e estilos de vida.
Buscamos, também, ampliar o entendimento 
do conceito de saúde e os seus determinantes so-
ciais (estilos de vida, rede sociais e comunitárias e 
as condições de vida e de trabalho), visando uma 
compreensão da evolução do cenário da saúde da 
população brasileira e da estruturação e organização 
dos serviços de saúde ao longo dos anos.
Vamos juntos, então, nos aproximar desse uni-
verso de conhecimento tão fundamental para o 
trabalho de um profissional da saúde.
Para começar, gostaria de fazer uma pergunta: 
– O que significa ter saúde para você? Pense nisso 
por alguns minutos…
Pergunte para algumas pessoas próximas a você: 
o que é ter saúde? 
Agora, compare as respostas. Você, certamente, 
vai perceber que a ideia de saúde entre as pessoas é 
diferente, cada uma possui um entendimento acerca 
do que é ter saúde.
Ao longo da história, muitas explicações foram 
dadas acerca do que é ter saúde ou estar doente: as 
explicações mágico-religiosas, a explicação natu-
ralística, o olhar bacteriológico, a explicação mul-
ticausal e a produção social da saúde e da doença.
Vejamos um pouco dessas explicações. 
As Explicações 
Mágico-religiosas
Na Antiguidade, acreditava-se que as doenças 
poderiam ser causadas por elementos naturais 
ou sobrenaturais. Nesse período, a compreensão 
das doenças era por meio da filosofia religiosa, 
partiam do princípio de que ela era resultado de 
ação de forças alheias ao organismo, eram conse-
quência de pecado ou de maldição, um sinal de 
desobediência ao mandamento divino. Tal ideia 
perdurou por muito tempo e teve seu ápice na 
Idade Média (SCLIAR, 2007).
Na Idade Média europeia, a influência da reli-
gião cristã manteve a concepção da doença como 
resultado do pecado e a cura como questão de fé; o 
cuidado de doentes estava, em boa parte, entregue 
a ordens religiosas, que administravam, inclusive, 
o hospital, o qual era visto não como um lugar de 
cura, mas de abrigo e de conforto para os doentes 
(SCLIAR, 2007).
A Unicausalidade
No início da modernidade, a concepção religiosa 
foi superada devido ao desenvolvimento do co-
nhecimento na época. A evolução da mecânica 
influenciou as ideias de René Descartes (1596-
1650), no século XVII, que postulava um dualismo 
mente-corpo e o funcionamento do corpo como 
uma máquina. Com o desenvolvimento da ana-
tomia, identificou-se que a doença era localizada 
nos órgãos (SCLIAR, 2007). No final do século 
XIX, os estudos de Louis Pasteur (1822-1895) e a 
descoberta do microscópio revelou a existência de 
micro-organismos causadores de doença, possibi-
litando a introdução de soros e vacinas. 
Foi uma revolução, pois, pela primeira vez, fa-
tores causais, até então desconhecidos, estavam 
sendo identificados; as doenças, agora, poderiam 
ser prevenidas e curadas. Para cada doença, um 
agente etiológico deverá ser identificado e com-
batido por meio de vacinas ou produtos químicos 
(SCLIAR, 2007). 
16 Saúde e Doença - uma Perspectiva Atualizada
A Multicausalidade
A insuficiênciaestá a população.
a) Tipo I: nível de saúde muito baixo.
b) Tipo II: nível de saúde baixo.
c) Tipo III: nível de saúde regular.
d) Tipo IV: nível de saúde elevado.
e) Tipo V: nível de saúde muito elevado.
90
Yesterday
Ano: 2004
Sinopse: Filme sul africano, no qual as questões de gênero, raça e classe acom-
panham a jornada de uma mulher afetada pelo HIV, em busca de um tratamento 
digno para sua enfermidade.
FILME
Epidemiologia: exercícios indisciplinados
Stela Nazareth Meneghel
Editora: Tomo
Sinopse: o livro “Epidemiologia: exercícios indisciplinados” é uma obra que 
objetiva discutir alguns dos principais temas da epidemiologia no contexto da 
saúde coletiva e das políticas públicas de saúde. Destina-se a estudantes da 
graduação dos diferentes cursos do campo da saúde e a trabalhadores de ser-
viços e instituições, motivados pelo estudo da epidemiologia e pela aplicação de 
seus métodos. O texto traz o cinema, a arte e a literatura como coadjuvantes do 
conhecimento epidemiológico e mistura textos teóricos com exercícios (indiscipli-
nados) pautados em dados reais, nos sistemas de informação de saúde do país; 
mas, também, em notícias de jornal e da Internet. Espera que se possa auxiliar 
os leitores a problematizar algumas das questões epidemiológicas do cotidiano 
dos cursos e serviços, assim como ajudar a organização de indicadores de saú-
de e elaboração de perfis de saúde/doença e de estudos epidemiológicos. Em 
suma, contribuir para a análise da situação de saúde da população (Rede Unida).
LIVRO
91
BOCCATTO, M. Vigilância em saúde. São Paulo: Unifesp, 2012.
BRASIL. Decreto n° 7.508, de 28 de junho de 2011. Regulamenta a Lei no 8.080, de 19 de setembro de 1990, 
para dispor sobre a organização do Sistema Único de Saúde - SUS, o planejamento da saúde, a assistência à saúde 
e a articulação interfederativa, e dá outras providências. Brasília: Presidência da República, 2011.
______. Diretrizes Nacionais da Vigilância em Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância 
à Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, 2010.
______. Guia de Vigilância em Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, 
Coordenação-Geral de Desenvolvimento da Epidemiologia em Serviços, 2016.
______. Indicadores e dados básicos para saúde. Ministério da Saúde. Secretaria Técnica da Ripsa, 2001.
______. Portaria nº 104, de 25 de janeiro de 2011. Define as terminologias adotadas em legislação nacional, 
conforme o disposto no Regulamento Sanitário Internacional 2005 (RSI 2005), a relação de doenças, agravos e 
eventos em saúde pública de notificação compulsória em todo o território nacional e estabelece fluxo, critérios, 
responsabilidades e atribuições aos profissionais e serviços de saúde. Brasília: Presidência da República, 2011.
CORDONI JR., L. Bases da Saúde Coletiva. Londrina: Uel, 2001.
MEDRONHO, R. et al. Epidemiologia. São Paulo: Atheneu, 2008.
MENEGHEL, S. N. Epidemiologia: exercícios indisciplinados. Porto Alegre: Tomo, 2015.
SETA, M. H.; REIS, L. G. C.; DELAMARQUE, E. Gestão da Vigilância à Saúde. Especialização em Gestão em 
Saúde. Florianópolis: Departamento de Ciências da Administração/UFSC, 2010.
WALDMAN, E. A. et al. (Orgs). Vigilância como prática de saúde pública. Tratado de saúde coletiva. Rio 
de Janeiro: Fiocruz, 2012. 
REFERÊNCIAS ON-LINE
1 Em: . Acesso em: 
22 out. 2018.
2 Em: . Acesso em: 22 out. 2018.
3 Em: . Acesso em: 22 out. 2018.
92
1. A.
2. A.
3. C.
4. C.
5. C.
93
94
PLANO DE ESTUDOS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
• Compreender as principais políticas públicas de saúde 
voltadas à saúde da mulher.
• Entender as políticas públicas de atenção à saúde da 
criança.
• Estudar as políticas públicas com foco na saúde do adulto 
e da pessoa idosa.
• Compreender a organização do sistema de saúde na aten-
ção à populações vulneráveis.
• Debater sobre as políticas públicas voltadas à saúde mental.
Atenção à saúde
da mulher
Políticas de atenção 
à saúde da criança
Políticas de saúde e 
populações vulneráveis
Políticas públicas 
de saúde mental
Políticas públicas de saúde 
do adulto/idoso
Dra. Marcela Demitto Furtado
Políticas Públicas 
de Saúde no Brasil
Atenção à Saúde 
da Mulher
Olá, caro(a) aluno(a), estudamos, até aqui, aspectos 
fundamentais para a compreensão da saúde públi-
ca brasileira, abordando desde conceitos de saúde e 
doença, marcos históricos que antecederam o Sis-
tema Único de Saúde e que levaram a sua criação, 
assistência à saúde no modelo de Redes de Atenção, 
até a operacionalização da vigilância em saúde.
Entendemos que é a partir do levantamento 
das reais necessidades da população que se criam 
as políticas públicas, as quais devem elaborar pla-
nos de ação com o objetivo de minimizar e/ou 
resolver os problemas da sociedade.
Nesta unidade, discutiremos as políticas pú-
blicas de saúde, separando-as de acordo com o 
seu público alvo, como: mulher, criança, adulto 
e idoso, populações vulneráveis e saúde mental. 
Assim, em cada tópico, você irá se deparar com 
uma área da saúde, as quais compõem eixos im-
portantes da saúde pública brasileira.
O conhecimento das políticas públicas de saú-
de específicas para cada público a ser assistido é 
extremamente relevante quando se deseja analisar 
a situação da saúde atual, além de permitir uma 
visão mais ampliada sobre as conquistas alcança-
das, desafios e rumos a serem trilhados.
97UNIDADE 4
Iremos perceber que as políticas públicas de 
saúde buscam atender as demandas de cuidado da 
população, levando em consideração o contexto 
do momento e indicadores de resultado, além de 
buscar o cumprimento dos objetivos e princípios 
do SUS em suas ações.
Enquanto futuro profissional da saúde, você 
poderá se deparar com situações que envolvam 
clientelas diversas, por isso a importância de de-
bater sobre as políticas públicas de saúde separa-
damente para cada área.
Nota-se que abordaremos assuntos bem diver-
sos em cada tópico, assim, abasteça-se de muito 
ânimo, determinação e vontade de seguir em frente.
Para iniciar este tópico, precisamos recordar 
que, ao longo da história da humanidade, a mu-
lher exerceu, por muito tempo, o papel social de 
mãe e cuidadora dos afazeres domésticos. A visão 
restrita sobre a mulher, considerando-a apenas 
como reprodutora, acabava por gerar uma ima-
gem frágil, delicada. A subordinação da mulher 
ao homem, o qual era o provedor do lar e possuía 
a sua figura associada à autoridade, também foi 
outra característica bastante presente na história 
e que deu origem às sociedades patriarcais.
Com relação à saúde, apenas nas primeiras 
décadas do século XX é que a saúde da mulher 
recebeu um olhar diferenciado dos gestores e, en-
tão, passou a fazer parte das políticas nacionais 
de saúde. No entanto, até a década de 70, os pro-
gramas ainda possuíam como embasamento esse 
conhecimento limitado e fragmentado da mulher 
e sua saúde. O enfoque central dos programas 
era a saúde da criança e da gestante (materno-
-infantis), por considerá-las grupos com maior 
vulnerabilidade (BRASIL, 2004a).
Com o movimento feminista brasileiro, em mea-
dos da década de 60, que propunha, entre outras 
coisas, a igualdade de gênero, foi possível ampliar o 
conceito de saúde da mulher, entendendo a saúde se-
xual e reprodutiva como um direito (GIFFIN, 2002).
Outros assuntos também relacionados à mu-
lher, e não apenas àqueles ligados à vida reprodu-
tiva, começaram a ser discutidos, como prevenção 
das doenças sexualmente transmissíveis, métodos 
contraceptivos, sexualidade, excesso de trabalho 
e desigualdades (BRASIL, 2004a).
Foi nesse cenário que, em 1983, o Ministério 
da Saúde lançou o Programa de Assistência Inte-
gral à Saúde da Mulher (PAISM), buscando in-
tegralizar a assistência a essa clientela com ações 
educativas, de promoção, prevenção, diagnóstico 
etratamento.
 “
O PAISM incorporou como princípios e 
diretrizes as propostas de descentralização, 
hierarquização e regionalização dos servi-
ços, bem como a integralidade e a equidade 
da atenção, num período em que, paralela-
mente, no âmbito do Movimento Sanitário, 
se concebia o arcabouço conceitual que em-
basaria a formulação do Sistema Único de 
Saúde (SUS) (BRASIL, 2004a, p. 16).
Em 2004, foi elaborada a Política Nacional de 
Atenção Integral à Saúde da Mulher (PNAISM), 
a fim de atender às reais necessidades das mulhe-
res brasileiras e, nesse sentido, reduzir índices de 
morbidade e mortalidade por causas evitáveis.
 “
Esta nova política foi formulada tendo por 
base a avaliação das políticas anteriores e, a 
partir de então, buscou preencher as lacu-
nas deixadas, como: climatério/menopausa; 
queixas ginecológicas; infertilidade e repro-
dução assistida; saúde da mulher na ado-
lescência; doenças crônico-degenerativas; 
saúde ocupacional; saúde mental; doenças 
infecto-contagiosas, bem como a atenção 
às mulheres rurais, com deficiência, negras, 
indígenas, presidiárias e lésbicas (FREITAS 
et al., 2009, p. 427).
98 Políticas Públicas de Saúde no Brasil
As mudanças no papel social da mulher, sua in-
serção no mercado de trabalho atrelada a novos 
hábitos e estilo de vida, sobrecarga de responsa-
bilidades e estresse da vida moderna, acabou por 
provocar mudanças no perfil epidemiológico das 
mulheres (BRASIL, 2004a).
Doenças antes com pouco significado passam 
a chamar a atenção devido a sua elevada preva-
lência, como é o caso das doenças crônicas não 
transmissíveis (DCNT), como Diabetes Mellitus, 
Hipertensão Arterial e o Câncer.
A epidemiologia do câncer em mulheres no 
Brasil, especialmente o câncer de mama e colo 
uterino, e sua magnitude social também são focos 
importantes quando se discute sobre a saúde da 
mulher. Por isso, muitas estratégias são pensadas 
e implementadas no sentido de controlar essas 
doenças. Sabe-se que quando diagnosticadas pre-
cocemente, possuem grandes chances de cura, o 
que destaca a importância do rastreamento e ado-
ção de condutas terapêuticas em tempo oportuno 
(BRASIL, 2013a).
De acordo com o Ministério da Saúde, o rastreamento refere-se à realização de um exame em um 
indivíduo saudável, não doente, cujo objetivo é identificar sinais indicativos/sugestivos de câncer e, 
quando necessário, encaminhá-lo para uma investigação mais aprofundada e/ou tratamento. Para 
o câncer de mama, a principal forma de rastreamento é a mamografia, e para o câncer de colo de 
útero o exame citopatológico/Preventivo/Papanicolau. 
 Fonte: Brasil (2013a).
A operacionalização da PNAISM se deu, na prá-
tica, por meio da elaboração de diversas ações 
consideradas prioritárias no atendimento à saúde 
dessa clientela. Nesse sentido, foram estabelecidos 
Pactos, Programas e Políticas. Algumas delas serão 
apresentadas em seguida.
Primeiramente, podemos citar o Pacto Nacio-
nal pela Redução da Mortalidade Materna e Neo-
natal, realizado em 2004, cuja meta estabelecida foi 
a redução anual de 5% da mortalidade materna 
e neonatal. Para tanto, foram estabelecidas uma 
série de ações estratégicas, como (BRASIL, 2004b):
• Efetivação de pactos municipais e esta-
duais.
• Qualificação e humanização da atenção à 
saúde da mulher e da criança.
• Acolhimento ao parto.
• Garantia do direito ao acompanhante e ao 
alojamento conjunto.
• Resolutividade à atenção ao parto e ao nas-
cimento.
• Garantia de atenção humanizada ao aborto. 
• Organização de acesso e adequação da 
oferta de serviços.
• Qualificação do atendimento às urgências/
emergências.
• Melhoria da rede hospitalar e ampliação 
dos centros de parto normal.
• Expansão da atenção à saúde da mulher 
e da criança.
• Ampliação das ações de planejamento 
familiar.
• Redução da transmissão vertical do 
HIV/aids.
99UNIDADE 4
• Proteção à saúde da mulher trabalhadora. 
• Atenção às mulheres e recém-nascidos ne-
gros e indígenas, respeitando as suas parti-
cularidades étnicas e culturais.
• Acompanhamento de planos e seguros pri-
vados de saúde.
• Promoção à educação permanente dos 
profissionais envolvidos com a atenção 
obstétrica e neonatal.
• Garantia à vigilância ao óbito materno e 
infantil.
• Fortalecimento dos projetos de premiação 
de serviços exemplares.
Em 2005, foi lançada a Política Nacional de 
Atenção Obstétrica e Neonatal com o obje-
tivo de desenvolver ações voltadas à atenção 
pré-natal, parto, recém-nascido, acompanha-
mento no pós-parto imediato, atendimentos às 
principais intercorrências obstétricas e neona-
tais e atenção no puerpério no âmbito do SUS 
(BRASIL, 1.067/2005).
Em 2013, o Ministério da Saúde instituiu a Po-
lítica Nacional para a Prevenção e Controle do 
Câncer na Rede de Atenção à Saúde das Pessoas 
com Doenças Crônicas no âmbito do Sistema 
É importante que se pense em um modelo de 
atenção à saúde que possua uma efetiva comu-
nicação e articulação nos diferentes níveis de 
atenção. A garantia de acesso aos serviços e as-
sistência integral à mulher é fundamental.
Único de Saúde (SUS), buscando reduzir os ín-
dices de mortalidade e incapacidades provocadas 
pelo câncer, além de melhorar a qualidade de vida 
dos usuários com a doença (BRASIL, 2014a).
Atualmente, é possível verificar que a po-
pulação de mulheres é superior a dos homens, 
com maior expectativa de vida e que adoecem 
com maior frequência, o que justifica a saúde da 
mulher ser entendida como prioridade no Brasil 
(BRASIL, 2004a). 
Nesse sentido, é fundamental pensarmos em 
ações de saúde, no âmbito da promoção, prevenção 
e tratamento, que compreendam a mulher como 
um todo, entendendo-a como um ser biopsicos-
social inserido num contexto e não mais de forma 
fragmentada como no início do século passado.
100 Políticas Públicas de Saúde no Brasil
Para iniciarmos este tópico, faço a seguinte per-
gunta: você já ouviu dizer ou mesmo já disse que 
a criança é um adulto em miniatura?
Na área da saúde, por muito tempo, as crianças 
foram tratadas como adultos ou, conforme colo-
cado na pergunta, como “adultos em miniatura”, 
ignorando aspectos específicos da infância, tais 
como seu crescimento e desenvolvimento, além 
de características individuais presentes nessa fase.
Isso se deve ao fato de que, ao longo da história, 
a criança ocupou diferentes posições na socie-
dade. No período colonial, muitas crianças eram 
vistas, pela própria família, como mão de obra 
barata; submetidas a castigos/torturas ou, ainda, 
abandonadas em casas de caridade ou hospitais 
(RIBEIRO, 2006).
As condições sanitárias da época eram pés-
simas, atreladas à má alimentação; e a falta de 
assistência qualificada no parto fazia as taxas de 
mortalidade infantil crescerem cada vez mais.
Políticas de Atenção 
à Saúde da Criança
101UNIDADE 4
No século XVII, a criança passou a ter repre-
sentatividade nas famílias, as quais começaram a 
demonstrar afeto por elas. No entanto, no século 
XVIII, muitas crianças continuam sendo abando-
nadas, uma situação ainda aceita pela sociedade 
(ARIÈS, 2011).
A separação das crianças de seus pais ainda 
acontecia no século XIX, quando elas eram en-
viadas para os colégios internos ou internatos e 
lá eram cuidadas e educadas (RIBEIRO, 2006).
A família não entendia qual o seu papel na 
vida da criança. Apenas quando ela começou a 
compreender a sua importância para a formação 
e desenvolvimento de um indivíduo e os serviços 
públicos assumiram a sua responsabilidade assis-
tencial é que a criança começou a ser respeitada e 
valorizada. Foi então que começaram a ser criadas 
as políticas públicas de atenção à saúde da criança 
(ARAÚJO et al., 2014).
Na década de 20, surgem os primeiros deba-
tes sobre o aleitamento materno, na busca de es-
tratégias para a sua promoção, já que bebês não 
amamentados adoecem mais frequentemente e 
isso representava maior absenteísmo de mulheres 
no trabalho. Nos próximos anos, foram criados 
programas cujo foco era a maternidade, infância 
e adolescência;no entanto, todos ainda com um 
olhar fragmentado e curativo acerca da criança 
(SILVA, 2006).
Mesmo com a implantação, em 1970, do Pro-
grama Nacional de Saúde Materno-Infantil, que 
possuía como objetivo principal reduzir a mor-
bimortalidade de mães e bebês, o panorama geral 
de saúde das crianças mantinha-se crítico (SILVA, 
2006).
Pensando em uma assistência integral à saúde 
da criança, ou seja, que considerasse suas diversas 
dimensões, valorizando-a como um ser único e 
que não pode ser dissociado de sua família, é que, 
em 1984, foi criado o Programa de Assistência 
Integral à Saúde da Criança (PAISC).
O PAISC possuía como objetivo promover 
ações de saúde, de modo a priorizar as crianças 
com maior risco de adoecer. As ações de saúde 
englobavam: acompanhamento do crescimen-
to e desenvolvimento; incentivo ao aleitamento 
materno; controle das doenças diarreicas e das 
Infecções Respiratórias Agudas (IRAs) e a imu-
nização (BRASIL, 1984).
Em 1990, foi aprovada a lei 8.069, que dispõe 
sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente 
(ECA), o qual garante amplos direitos de proteção 
à vida e à saúde destes.
Em 1991, foi instituído o Programa de Assis-
tência à Saúde Perinatal (PROASP), com vistas a 
uma assistência de maior qualidade voltada ao 
binômio mãe-feto e recém-nascido. Nesse pe-
ríodo, muito se discutiu sobre a importância do 
alojamento conjunto e do aleitamento materno 
(COSTA et al., 2010).
Na busca por uma assistência humanizada à 
criança no âmbito hospitalar e que valorizasse a 
amamentação é que, em 1995, o Ministério da 
Saúde implantou a Iniciativa Hospital Amigo da 
Criança (IHAC).
Já em 1996, foi adotada a Atenção Integrada às 
Doenças Prevalentes na Infância (AIDPI), uma es-
tratégia que buscou fortalecer e organizar a aten-
ção primária à saúde, capacitando os profissionais 
para o cuidado e tratamento das doenças mais 
frequentes em crianças menores de cinco anos.
Considerando o número significativo de nas-
cimentos prematuros e com baixo peso, o Minis-
tério da Saúde lançou, em 2000, o Método Mãe 
Canguru - Atenção Humanizada ao recém-nas-
cido de baixo peso. 
O método propicia o contato pele a pele entre 
a mãe ou outro membro da família e o recém-
-nascido, contribuindo para o estabelecimento e 
fortalecimento do vínculo afetivo, além de outros 
inúmeros benefícios já comprovados na literatura 
(PINHEIRO et al., 2014).
102 Políticas Públicas de Saúde no Brasil
Ainda em 2000, foi criado o Programa Nacio-
nal de Humanização do pré-natal e nascimento, 
buscando assegurar a integralidade da assistência 
desde o pré-natal, incluindo gestantes de baixo e 
alto risco, parto, transcorrendo pelo puerpério até 
o período neonatal.
Em 2004, foi lançada a Agenda de compro-
missos para a saúde integral e redução da mor-
talidade infantil, a qual destacou a importância 
de ações que fortaleçam o nascimento saudável, 
contribuam para o crescimento e desenvolvi-
mento e combatam os principais agravos nu-
tricionais e doenças mais comuns na infância 
(SILVA et al., 2009).
Seguindo a proposta das Redes de Atenção em 
Saúde (RAS), tema já abordado na Unidade 2, é 
que em 2011 foi implantada a Rede Cegonha e, 
em 2012, a Rede Mãe Paranaense. Essas RAS têm 
como proposta a organização da atenção mater-
no-infantil, à medida que permitem a integração 
de ações e serviços de saúde.
Em agosto de 2015, o Ministério da Saúde ins-
tituiu a Política Nacional de Atenção Integral à 
Saúde da Criança (PNAISC) no âmbito do SUS, 
a qual apresenta sete eixos estratégicos (BRASIL, 
1.130/2015):
• Atenção humanizada e qualificada à ges-
tação, parto, nascimento e recém-nascido.
• Aleitamento materno e alimentação com-
plementar saudável.
• Promoção e acompanhamento do cresci-
mento e desenvolvimento integral.
• Atenção a crianças com agravos prevalen-
tes na infância e com doenças crônicas.
• Atenção à criança em situação de violên-
cias, prevenção de acidentes e promoção 
da cultura de paz.
• Atenção à saúde de crianças com defi-
ciência ou em situações específicas e de 
vulnerabilidade.
• Vigilância e prevenção do óbito infantil, 
fetal e materno.
Percebe-se que, ao longo da história, as políti-
cas públicas de saúde voltadas à criança foram 
se transformando, adequando-se tanto ao papel 
social exercido pela criança como ao perfil epide-
miológico e às demandas de saúde de cada época.
As políticas públicas de saúde da criança estão em constante construção. Buscam uma assistência integral 
que inclua a família, migrando do modelo centrado na doença para o modelo de construção de redes.
(Juliane Pagliari Araújo)
103UNIDADE 4
Políticas Públicas de 
Saúde do Adulto/Idoso
Neste tópico, iremos abordar alguns aspectos 
das políticas públicas de saúde voltadas ao adul-
to e ao idoso. 
Mas quem é o adulto?
Podemos considerar o adulto aquele que en-
contra-se na faixa etária entre 18 e 60 anos de 
idade. De acordo com o Estatuto do Idoso, con-
sidera-se pessoa idosa aquela com idade igual 
ou superior a 60 anos (BRASIL, 1.074/2003), e 
para o Estatuto da Criança e do Adolescente, a 
adolescência se encerra aos 18 anos (BRASIL, 
8.069/1990).
Já é conhecido que na atualidade ocorre uma 
queda das taxas de fecundidade e de mortalidade 
infantil, bem como um aumento da expectativa de 
vida. Assim, os adultos representam uma porção 
significativa da população e, portanto, merecem 
atenção por parte das políticas públicas de saúde.
Para o planejamento de ações de saúde, tanto 
individuais como coletivas, voltadas ao adulto, é 
fundamental conhecer o perfil epidemiológico 
dessa população. Nesse sentido, podem ser desta-
cadas algumas condições específicas, como: hiper-
tensão arterial, diabetes mellitus, tuberculose, han-
seníase e a saúde do homem (PERALBA, 2012).
104 Políticas Públicas de Saúde no Brasil
Em 2008, foi criada a Política Nacional de 
Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH), 
a fim de reconhecer os determinantes sociais 
que expõem essa parcela da população a riscos 
de adoecer, evidenciando os principais fato-
res que contribuem para a morbimortalidade 
(BRASIL, 2008).
 “
Um dos principais objetivos desta Política 
é promover ações de saúde que contribuam 
significativamente para a compreensão da 
realidade singular masculina nos seus diver-
sos contextos socioculturais e político-eco-
nômicos; outro, é o respeito aos diferentes 
níveis de desenvolvimento e organização 
dos sistemas locais de saúde e tipos de ges-
tão. Este conjunto possibilita o aumento da 
expectativa de vida e a redução dos índices 
de morbimortalidade por causas prevení-
veis e evitáveis nessa população (BRASIL, 
2008, p. 3). 
No cenário atual, referente à saúde do adulto, no-
ta-se que as políticas públicas estão alinhadas a 
uma busca pela assistência integral do indivíduo. 
Para isso, muito se discute sobre a reorganização 
das Redes de Atenção em Saúde (RAS), de forma 
que elas se articulem/comuniquem-se para aten-
der as demandas dessa população. Aliado a isso, 
o Ministério da Saúde tem investido na linha do 
cuidado voltado às doenças crônicas (GARCIA; 
FONSÊCA, 2014).
As doenças crônicas não transmissíveis 
(DCNT) configuram-se como sério problema 
de saúde pública. Considerando sua magnitude 
em todo o território brasileiro, foi elaborado o 
Plano de Ações Estratégicas para o Enfrenta-
mento das Doenças Crônicas Não Transmissí-
veis (DCNT), 2011-2022.
Fazem parte do Plano os quatro principais gru-
pos de DCNT, os quais são: circulatórias, câncer, 
respiratórias crônicas e diabetes. Os fatores de 
risco em comum modificáveis para essas doenças 
são: tabagismo, álcool, inatividade física, alimen-
tação não saudável e obesidade; sobre os quais 
busca-se ações integradas, visando a melhoria das 
DCNT em geral (BRASIL, 2011).
Melhorar as condições de vida do adulto é 
pensar em idosos mais saudáveis, com maior 
qualidade de vida. 
O envelhecimento pode ser considerado como 
um processo natural da vida que, em condições 
normais, não acarreta nenhum tipo de problema 
(senescência).Já a senilidade refere-se à exposição 
do indivíduo a doenças, por exemplo, o que exige 
assistência de saúde (BRASIL, 2007). 
Todos nós estamos envelhecendo a cada dia, 
logo, hoje somos mais velhos do que ontem. E 
pensar no envelhecimento suscita uma série de 
ações de promoção da saúde – grande foco das 
políticas públicas.
O termo “envelhecimento ativo” passou a ser 
utilizado no final dos anos 90, com o intuito de 
expandir os fatores que afetam o envelhecimento 
para além da saúde. As políticas públicas passa-
ram, então, a pensar em ações que abordassem a 
alimentação saudável, prática de atividade física, 
combate às situações de violência familiar e ur-
bana, redução do consumo do tabaco e álcool etc. 
(BRASIL, 2007). 
Em 1994, é criada a Política Nacional do Idoso, 
a qual propõe ações em diversas áreas, como traba-
lho, lazer, habitação e saúde. Nesta última, a política 
busca garantir ao idoso a assistência nos diferentes 
níveis de atenção à saúde (BRASIL, 8.842/1994).
No ano de 2003, por meio da lei n° 10.741, foi 
instituído o Estatuto do Idoso, o qual dispõe sobre 
o papel da família, da comunidade, bem como 
105UNIDADE 4
dos gestores públicos, em garantir os direitos da 
pessoa idosa. O Estatuto do Idoso vem somar com 
a Política Nacional do Idoso e vai além no sentido 
de oferecer punições quando os direitos não são 
assegurados (BRASIL, 2003).
Em outubro de 2006, é aprovada a Política Na-
cional de Saúde da Pessoa Idosa (PNSPI), cuja 
finalidade principal é:
 “
[...] recuperar, manter e promover a autono-
mia e a independência dos indivíduos idosos, 
direcionando medidas coletivas e individuais 
de saúde para esse fim, em consonância com 
os princípios e diretrizes do Sistema Único 
de Saúde (BRASIL, 2.528/2006, p. 3).
Como já foi abordado em outra unidade, a saúde do 
idoso foi uma das seis prioridades pactuadas em 2006 
entre as três esferas do governo – Pacto pela Vida. 
A discussão sobre a saúde do idoso dentro do 
contexto do Sistema Único de Saúde é ampla e 
se insere em outras políticas públicas de saúde, 
como as Políticas Nacionais de:
• Atenção Básica.
• Promoção da Saúde.
• Humanização no SUS. 
Percebe-se que as políticas públicas de saúde vol-
tadas ao adulto e ao idoso respondem ao pano-
rama epidemiológico de cada período, buscando 
atender as necessidades de saúde da população 
alvo e, assim, permitir um envelhecimento cada 
vez mais saudável.
106 Políticas Públicas de Saúde no Brasil
Políticas de Saúde e 
Populações Vulneráveis
Para começar esse tópico, pergunte-se: o que sig-
nifica estar vulnerável? Vulnerável em relação a 
que? Qual a relação entre vulnerabilidade e saúde? 
Quais são as populações vulneráveis?
Mas o que é vulnerabilidade?
Para Bertolozzi et al., (2009, p. 1327) “o termo 
vulnerabilidade é comumente empregado para 
designar suscetibilidades das pessoas a problemas 
e danos de saúde”.
Na saúde, a utilização do termo “vulnerabilida-
de” se deu no contexto da epidemia da AIDS/HIV, 
quando percebeu-se que a utilização de “grupos 
de risco” possuía um caráter restritivo e, por vezes, 
preconceituoso. Logo, o conceito de vulnerabili-
dade parecia ser mais amplo e, no caso da AIDS, 
demonstrava que todos os indivíduos sociais es-
tavam vulneráveis à doença. 
De forma geral, uma pessoa vulnerável é aque-
la que está exposta a riscos. Nesse contexto, é pos-
sível destacar condições que favorecem maior ou 
menor risco para o indivíduo, como, por exemplo: 
aspectos comportamentais do indivíduo e/ou do 
coletivo, além da possibilidade e formas para o 
seu enfrentamento.
Assim, conhecer as vulnerabilidades de uma 
107UNIDADE 4
determinada população permite a realização de 
diagnósticos, com vistas à elaboração de ações 
específicas voltadas às necessidades do grupo.
Atualmente, inserem-se nos grupos de popula-
ções vulneráveis: pessoas com deficiência, pessoas 
em situação de rua, pessoas negras, pessoas idosas 
e grupo LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis 
e transexuais).
Iremos abordar, de forma pontual, alguns as-
pectos importantes das políticas públicas de saúde 
para cada grupo, exceto para as pessoas idosas, 
visto que o tema já foi discutido em outro tópico.
Pessoas com Deficiência
Diante da necessidade de incluir as pessoas com 
deficiência na rede de serviços do SUS, de forma 
a atender integralmente suas complexas deman-
das de saúde, é que, em 2002, foi criada a Política 
Nacional de Saúde da Pessoa com Deficiência.
Em 2012, é instituído no âmbito do SUS a Rede 
de Cuidados à Saúde da Pessoa com Deficiência 
(Portaria 793, de 24/04/12), estabelecendo dire-
trizes para o cuidado às pessoas com deficiência 
temporária ou permanente; progressiva; regressi-
va ou estável; intermitente ou contínua.
A organização e funcionamento dos servi-
ços de saúde, com comunicação entre as redes 
de atenção, articulando prevenção, promoção e 
reabilitação, é fundamental para uma assistência 
de qualidade a esse grupo vulnerável.
Em julho de 2015, foi criada a Lei Brasileira de 
Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da 
Pessoa com Deficiência), a qual prevê uma série 
de direitos, entre eles o direito à saúde. 
Pessoas em Situação de Rua
O número de Pessoas em Situação de Rua (PSR) 
cresce a cada ano no Brasil e isso é reflexo das con-
dições sociais da população, como: desemprego, 
pobreza, formação de grandes centros urbanos, 
rápida urbanização de algumas localidades, entre 
outras (BRASIL, 2014b). 
“O Bicho 
Vi ontem um bicho 
Na imundície do pátio 
Catando comida entre os detritos. 
Quando achava alguma coisa, 
Não examinava nem cheirava: 
Engolia com voracidade. 
O bicho não era um cão,
 Não era um gato, 
Não era um rato.
 O bicho, meu Deus, era um homem”. 
O poema de Manuel Bandeira retrata a triste realidade das PSR, grupo que ganhou visibilidade nos 
últimos anos, o que permitiu uma série de avanços na área.
Fonte: Bandeira (1993).
108 Políticas Públicas de Saúde no Brasil
A invisibilidade desse grupo é um problema que 
impede que seus direitos enquanto cidadãos se-
jam reconhecidos e garantidos.
Nesse sentido, em 2009, instituiu-se a Política 
Nacional para População em Situação de Rua, a 
partir da qual:
 “
considera-se população em situação de rua o 
grupo populacional heterogêneo que possui 
em comum a pobreza extrema, os vínculos 
familiares interrompidos ou fragilizados e a 
inexistência de moradia convencional regu-
lar, e que utiliza os logradouros públicos e as 
áreas degradadas como espaço de moradia 
e de sustento, de forma temporária ou per-
manente, bem como as unidades de acolhi-
mento para pernoite temporário ou como 
moradia provisória (BRASIL, 2014b, p. 11).
São vários os objetivos dessa política, entre eles 
(BRASIL, 2014b):
• Assegurar o acesso amplo, simplificado 
e seguro aos serviços e programas que 
integram as políticas públicas de saúde, 
educação, previdência, assistência social, 
moradia, segurança, cultura, esporte, lazer, 
trabalho e renda.
• Garantir a formação e a capacitação per-
manente de profissionais para atuação 
no desenvolvimento de políticas públicas 
intersetoriais, transversais e intergoverna-
mentais direcionadas às pessoas em situa-
ção de rua.
• Desenvolver ações educativas permanen-
tes que contribuam para a formação de 
cultura de respeito, ética e solidariedade 
entre a População em Situação de Rua e 
os demais grupos sociais.
• Implantar centros de defesa dos direitos hu-
manos para a População em Situação de Rua. 
• Criar meios de articulação entre o Sistema 
Único de Assistência Social (SUAS) e o Sis-
tema Único de Saúde (SUS) para qualificar 
a oferta de serviços.
• Implementar ações de segurança alimen-
tar e nutricional suficientes para propor-
cionar acesso permanente à alimentação 
pela População em Situação de Rua, com 
qualidade.
• Disponibilizar programas de qualificação 
profissional para as pessoas em situação 
de rua, com o objetivo de propiciar o seu 
acesso ao mercado de trabalho.
Na área da saúde, um grande avançoaconteceu, 
também, em 2009, com a criação do Comitê Téc-
nico de Saúde para a população em situação de 
rua, por meio da Portaria MS/GM n° 3.305.
Em 2013, foi publicado o Plano Operativo para 
Implementação de Ações em Saúde da População em 
Situação de Rua. Nesse plano, as ações de promoção 
da saúde voltadas a essa população foram agrupadas 
em cinco eixos, os quais são (BRASIL, 2014b):
1. Inclusão da PSR no escopo das redes de 
atenção à saúde.
2. Promoção e Vigilância em Saúde.
3. Educação Permanente em Saúde na abor-
dagem da Saúde da PSR.
4. Fortalecimento da Participação e do Con-
trole Social.
5. Monitoramento e avaliação das ações de 
saúde para a PSR.
109UNIDADE 4
Pessoas Negras
Em 2009, o Ministério da Saúde instituiu a Política 
Nacional de Saúde Integral da População Negra, 
em resposta às desigualdades em saúde que aco-
metem essa população, que grande parte se deve 
ao contexto histórico desse grupo no Brasil.
 “
Seu propósito é garantir maior grau de 
equidade no que tange a efetivação do di-
reito humano à saúde, em seus aspectos de 
promoção, prevenção, atenção, tratamento e 
recuperação de doenças e agravos transmis-
síveis e não transmissíveis, incluindo aque-
les de maior prevalência nesse segmento 
populacional (BRASIL, 2013b, p. 7).
Essa política tem um caráter transversal das ações 
de saúde da população negra, à medida que reali-
za articulações entre as secretarias do Ministério 
da Saúde, cuja intencionalidade é a promoção de 
equidade – um dos princípios do SUS.
Grupo LGBT
Na 13º Conferência Nacional de Saúde, realizada 
em 2013, muito se discutiu sobre orientação se-
xual e identidade de gênero como determinantes 
sociais de saúde. Nesse sentido, foram elencadas 
algumas estratégias:
• O desenvolvimento de ações interseto-
riais de educação em direitos humanos e 
respeito à diversidade, efetivando campa-
nhas e currículos escolares que abordem 
os direitos sociais. 
• A sensibilização dos profissionais a respei-
to dos direitos de LGBT, com inclusão do 
tema da livre expressão sexual na política 
de educação permanente no SUS. 
• A inclusão dos quesitos de identidade de 
gênero e de orientação sexual nos formulá-
rios, prontuários e sistemas de informação 
em saúde.
• A ampliação da participação dos movimen-
tos sociais LGBT nos conselhos de saúde. 
O consultório na rua (CnaR) é uma estratégia voltada ao atendimento dessa população, que vive 
“sem endereço, e nem moradia fixa”. 
As equipes que atuam nos CnaR são formadas por profissionais de diversas áreas, que atuam de 
forma itinerante, buscando garantir o acesso dessa população à saúde. Destaca-se que essa não é 
a única “porta de entrada” da PSR no SUS. Sua entrada pode se dar, também, por meio das Unidade 
Básica de Saúde e Unidades de Pronto Atendimento.
Fonte: Brasil (2014b).
110 Políticas Públicas de Saúde no Brasil
• O incentivo à produção de pesquisas cien-
tíficas, inovações tecnológicas e comparti-
lhamento dos avanços terapêuticos. 
• A garantia dos direitos sexuais e reprodu-
tivos e o respeito ao direito à intimidade e 
à individualidade. 
• O estabelecimento de normas e protocolos 
de atendimento específicos para as lésbicas 
e travestis.
• A manutenção e o fortalecimento de ações 
da prevenção das DST/aids, com especial 
foco nas populações LGBT.
• O aprimoramento do Processo Transexua-
lizador. 
• A implementação do protocolo de atenção 
contra a violência, considerando a iden-
tidade de gênero e a orientação sexual 
(BRASIL, 2013c, p. 12).
Em 2011, foi definida a Política Nacional de Saúde 
Integral dos LGBT, visando a inclusão social desse 
grupo vulnerável. 
De acordo com o Ministério da Saúde, a Polí-
tica tem como principal objetivo:
 “
[...] promover a saúde integral de lésbicas, 
gays, bissexuais, travestis e transexuais, eli-
minando a discriminação e o preconceito 
institucional, bem como contribuindo para 
a redução das desigualdades e a consolida-
ção do SUS como sistema universal, integral 
e equitativo (BRASIL, 2013c, p. 18).
A garantia de atendimento à saúde é um direito 
de todo cidadão, devendo-se respeitar as suas es-
pecificidades, sejam elas quais forem. Para tanto, 
foram criadas as políticas públicas de saúde para 
as populações vulneráveis.
111UNIDADE 4
Políticas Públicas 
de Saúde Mental
Antes de iniciar este tópico, é importante nos per-
guntarmos: o que é saúde mental? Quem são os 
doentes mentais? Por que a criação de políticas 
públicas direcionadas à saúde mental?
Mais uma vez, precisamos retomar a história para 
compreendermos todas essas questões. Vamos lá!
Considerando que a loucura existe desde o 
princípio da humanidade, vários eram os locais 
destinados para se tratar os loucos: igrejas ou tem-
plos, domicílio e asilos. As instituições psiquiátri-
cas, propriamente ditas, surgiram em meados do 
século VXIII (FOUCAULT, 1995).
A abordagem ao indivíduo com doença mental 
era autoritária, agressiva, violenta e totalmente ex-
cludente. O indivíduo era mantido em hospícios 
ou manicômios, longe dos familiares. Muito se 
falava em choques como método de tratamento e 
as famosas “camisas de força” para contenção nos 
momentos de crise, quando não eram acorrenta-
dos e trancados em salas escuras.
O descontentamento da comunidade psiquiá-
trica, indivíduos com transtorno mental, familia-
res e a sociedade de forma geral, com o modelo 
de assistência na área de saúde mental, é que fo-
mentou o processo de Reforma.
112 Políticas Públicas de Saúde no Brasil
A Reforma Psiquiátrica, propriamente dita, 
iniciou-se internacionalmente. O médico italiano 
Franco Basaglia foi seu precursor na década de 60, 
lutando por melhores condições das instalações 
que atendiam as pessoas com transtornos men-
tais, melhor tratamento clínico e, mais para frente, 
criticando o modelo hospitalocêntrico.
Em 1978, aconteceu, no Rio de Janeiro, o I 
Simpósio Internacional de Psicanálise, Grupos 
e Instituições, o qual contou com a presença do 
Dr. Basaglia. A partir desse Simpósio, a luta an-
timanicomial e a reforma psiquiátrica no Brasil 
se fortaleceu.
Na década de 70, inicia-se o processo de Re-
forma Psiquiátrica no Brasil. A partir desse pe-
ríodo, vários acontecimentos marcam a história 
da saúde mental.
Em 1978, o Movimento dos Trabalhadores de 
Saúde Mental (MTSM) mostra seu desconten-
tamento com a assistência prestada ao paciente 
com transtorno mental, criticando o modelo cen-
trado nos hospitais, além de destacar as péssimas 
condições de trabalho e a privatização da atenção 
psiquiátrica.
Esse movimento social foi um dos responsá-
veis pela criação, em 1986, do primeiro Centro 
de Atenção Psicossocial (CAPS), localizado no 
município de São Paulo.
O objetivo do CAPS é:
 “
[...] oferecer atendimento à população de sua 
área de abrangência, realizando o acompa-
nhamento clínico e a reinserção social dos 
usuários pelo acesso ao trabalho, lazer, exer-
cício dos direitos civis e fortalecimento dos 
laços familiares e comunitários. É um serviço 
de atendimento de saúde mental criado para 
ser substitutivo às internações em hospitais 
psiquiátricos (BRASIL, 2004c, p. 13).
Em 1987, acontece a I Conferência Nacional de 
Saúde Mental, a qual contou com membros de 
diversos segmentos da sociedade.
 “
A realização da I Conferência Nacional 
de Saúde Mental, em desdobramento à 8ª 
Conferência Nacional de Saúde, representa 
um marco histórico na psiquiatria brasilei-
ra, posto que reflete a aspiração de toda a 
comunidade científica da área, que entende 
que a política nacional de saúde mental ne-
cessita estar integrada à política nacional de 
desenvolvimento social do Governo Federal 
(BRASIL, 1988, p. 9). 
No mesmo ano, na cidade de Bauru-SP, ocorre 
o I Encontro Nacional do Movimento de Traba-
lhadores de Saúde Mental. O lema criado nesse 
período – “Por uma sociedade sem manicômios” 
Quem já ouviu a expressão “ficou pinel”? Ela significa “ficou louco” e faz referência ao sobrenome de 
um médico que marcou a história da saúde mental.
No contextoda Revolução Francesa, Philippe Pinel, médico psiquiatra, foi considerado o primeiro 
reformador da assistência psiquiátrica. Por muitos é considerado o pai da psiquiatria. Em 1798, in-
dignado com as péssimas condições de tratamento, ele liberou asilados presos há mais de 30 anos. 
Seus pensamentos e atitudes influenciaram a revolução psiquiátrica em diversos países.
Fonte: Foucault (1995).
113UNIDADE 4
– sugere a necessidade de discutir sobre a saúde 
mental e uma nova assistência psiquiátrica por 
parte da sociedade.
Um fato importante foi a intervenção na Casa 
de Saúde Anchieta, localizada em Santos-SP. A 
intervenção foi o fechamento do hospício, pela 
prefeitura, e a criação de centros de atenção psi-
cossocial.
Em 1990, foi divulgado, pela Organização Pan-
-Americana de Saúde e a Organização Mundial 
da Saúde, um documento intitulado: “a reestru-
turação da atenção psiquiátrica na América La-
tina: uma nova política para os serviços de Saúde 
Mental”, mais conhecido como Declaração de Ca-
racas, cuja proposta central é a reestruturação da 
assistência psiquiátrica.
Nesse contexto, acreditava-se que o modelo 
de assistência vigente não conseguiria atender 
o indivíduo com transtorno mental em sua in-
tegralidade. O modelo hospitalocêntrico, como 
única alternativa de cuidado, acaba por provocar 
isolamento social e da própria família.
Em 2001, a Lei nº 10.216, conhecida como a 
Lei da Reforma Psiquiátrica, apresenta uma nova 
direção para o modelo assistencial em saúde men-
tal, garantindo proteção e direitos às pessoas por-
tadoras de transtornos mentais. 
De acordo com a lei, são direitos da pessoa 
portadora de transtorno mental:
I. ter acesso ao melhor tratamento do sis-
tema de saúde, consentâneo às suas ne-
cessidades;
II. ser tratada com humanidade e respeito e 
no interesse exclusivo de beneficiar sua 
saúde, visando alcançar sua recuperação 
pela inserção na família, no trabalho e na 
comunidade;
III. ser protegida contra qualquer forma de 
abuso e exploração;
IV. ter garantia de sigilo nas informações 
prestadas;
V. ter direito à presença médica, em qualquer 
tempo, para esclarecer a necessidade ou 
não de sua hospitalização involuntária;
VI. ter livre acesso aos meios de comunicação 
disponíveis;
VII. receber o maior número de informações a 
respeito de sua doença e de seu tratamento;
VIII. ser tratada em ambiente terapêutico pelos 
meios menos invasivos possíveis;
IX. ser tratada, preferencialmente, em serviços 
comunitários de saúde mental (BRASIL, 
10.216/2001, p. 1).
Com base na Lei 10.216 é se que se deu a criação 
da Política Nacional de Saúde Mental.
De acordo com a Portaria do Ministério da 
Saúde nº 399/GM, de 22 de fevereiro de 2006, 
destaca-se que a saúde mental foi incluída como 
prioridade no Pacto pela Vida, em 2007.
É claro que ainda há um longo caminho a ser 
percorrido na área de saúde mental, de modo que 
as políticas públicas de saúde realmente consigam 
atender esse público de forma integral em todas 
as demandas. No entanto, é notório as conquistas 
alcançadas ao longo da história.
Com a desinstitucionalização, busca-se inserir 
a pessoa com transtorno mental na sociedade, 
permitindo sua (re)inserção no mercado de tra-
balho, nos estudos, nas práticas de lazer, além de 
permitir seu convívio com a família e a sua de-
sestigmatização.
Nesse novo modelo de assistência em saúde 
mental, a família é considerada coparticipante 
no processo de reabilitação do indivíduo com 
transtorno mental, precisando ser amparada e 
capacitada pelos profissionais de saúde.
Em 2011, foi instituída a Rede de Atenção Psi-
cossocial para pessoas com sofrimento ou trans-
torno mental e com necessidades decorrentes do 
uso de crack, álcool e outras drogas, no âmbito do 
Sistema Único de Saúde (SUS).
114 Políticas Públicas de Saúde no Brasil
A articulação dessa Rede, com valorização 
para os CAPS como serviço estratégico em saú-
de mental, é um dos pontos importante para a 
garantia de acesso, integralidade do cuidado, além 
de resolutividade e qualidade no serviço prestado.
Assim, faz-se necessário um olhar avaliativo 
para as políticas de saúde vigentes. Elas corres-
pondem aos motivos pelos quais foram criadas? 
O Brasil apresenta inúmeras políticas públi-
cas de saúde. Nesta unidade, abordamos alguns 
marcos importantes e características de algumas 
políticas voltadas a grupos específicos, como: 
mulher, criança, adulto e idoso, saúde do idoso e 
populações vulneráveis.
É importante destacar que as políticas públi-
cas de saúde buscam atender às necessidades da 
comunidade em determinado momento, por isso 
elas não são estáticas, pelo contrário, são dinâ-
micas, estão em constante transformação. Afinal, 
a sociedade, de forma geral, vive em constante 
transformação, seja ela econômica, cultural ou 
política. Assim, o estudo sobre a temática tem um 
começo, mas não um ponto final! 
Além disso, as políticas públicas de saúde 
vão se adequando às discussões que emergem 
em cada época, tanto pela sociedade como pelos 
profissionais envolvidos. Os modelos de assistên-
cia à saúde, por exemplo, apresentaram grandes 
mudanças ao longo da história. Atualmente, é 
enfatizada a busca por uma assistência que preze 
pela integralidade do indivíduo, considerando-o 
um ser biopsicossocial e, nesse sentido, as políti-
cas foram sendo (re)construídas.
É um grande desafio para os profissionais 
da saúde, em todas as esferas de governo, cum-
prirem com as propostas pactuadas por meio 
das políticas públicas. É necessário que elas as-
segurem, na prática, os direitos constitucionais 
do cidadão.
Por isso, é importantíssimo um bom preparo 
do aluno na academia para o exercício da pro-
fissão. As bases teóricas, no caso desta unidade, 
embasadas pela política e marcadas pela história, 
são relevantes para a compreensão da atualidade.
Logo, a capacitação profissional de qualidade 
é fundamental na área da saúde, a fim de formar 
profissionais que implementem políticas públicas 
de saúde de acordo com as reais demandas da 
população, além de garantir, na prática, a opera-
cionalização dos princípios do SUS.
115
1. Sobre as políticas públicas de saúde, no Brasil, voltadas à mulher, analise as 
questões a seguir.
I) As políticas públicas de saúde direcionadas a esse público iniciaram nas 
primeiras décadas do século XIX.
II) Por um longo período, os programas de saúde materno-infantis refletiram a 
visão limitada da sociedade em relação à mulher, destacando o biológico e 
seu papel social de mãe e doméstica.
III) O Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher (PAISM) foi lançado 
pelo Ministério da Saúde em 1983 e incorporou os princípios que nortearam 
a reforma sanitária.
IV) A humanização e a qualificação da atenção em saúde são princípios norteado-
res da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher, criada em 2004.
Assinale a alternativa correta.
a) Somente as afirmativas I, II e III são verdadeiras.
b) Somente as afirmativas I e IV são verdadeiras.
c) Somente as afirmativas II, III e IV são verdadeiras.
d) Todas as afirmativas são verdadeiras.
e) Nenhuma das afirmativas são verdadeiras.
Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução.
116
2. As políticas públicas voltadas à saúde da criança avançaram ao longo da história. 
Buscam uma assistência à saúde por meio da construção de redes e que garanta 
a integralidade do cuidado. Sobre o assunto, assinale a alternativa correta.
a) Desde os primórdios da humanidade, a figura da criança sempre foi permeada 
de afeto, especialmente dentro do contexto familiar.
b) O Programa de Assistência Integral à Saúde da Criança (PAISC) criado em 1984, 
possuía como objetivo promover ações de saúde, priorizando crianças com 
maior risco de adoecer.
c) A Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância (AIDPI) buscou for-
talecer e organizar a atenção primária à saúde, tendo como foco o cuidado e 
tratamento das doenças mais frequentes em crianças até 10 anos.
d) As Redes de Atençãoem Saúde é uma realidade em diversas áreas da saúde, 
exceto na saúde materno-infantil.
e) Os eixos estratégicos da Política Nacional de Atenção Integral à saúde da Criança 
(PNAISC), desconsidera os determinantes sociais e condicionantes da saúde 
da criança.
117
3. O envelhecimento da população é uma realidade mundial. Nesse sentido, é 
necessário criar estratégias de promoção da saúde e prevenção de doenças 
ao longo da vida, a fim de possibilitar uma velhice com maior qualidade de 
vida. Sobre as políticas públicas de saúde voltadas ao adulto e idoso, analise as 
questões abaixo.
I) Um dos objetivos da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem 
(PNAISH) é aproximar a população masculina do serviço de saúde, tendo a 
atenção primária como porta de entrada, já que muitos adentram o sistema 
de saúde pela atenção especializada.
II) O Estatuto do idoso representou uma grande conquista da população idosa 
brasileira, garantindo a eles direitos em diversas áreas, inclusive o direito à 
saúde por meio do SUS.
III) O processo de transição epidemiológica que acontece no Brasil é marcado pelo 
aumento das mortes por doenças infectocontagiosas e queda progressiva das 
mortes por doenças crônicas, a exemplo das neoplasias e hipertensão arterial.
IV) A Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa (PNSPI), criada pelo Ministério 
da Saúde, em 2006, destaca a necessidade de se considerar essa população 
igual às demais, sem distinção de grupos ou estratos, a fim de não gerar 
discriminação.
Assinale a alternativa correta.
a) Apenas I e II estão corretas.
b) Apenas II e III estão corretas.
c) Apenas I está correta.
d) Apenas II, III e IV estão corretas.
e) Nenhuma das alternativas está correta.
118
4. Sobre as políticas públicas de saúde mental, assinale a alternativa correta:
a) A Reforma Psiquiátrica no Brasil ainda está em processo de consolidação, visto 
que muitos hospitais psiquiátricos ainda não aumentaram o número de leitos.
b) São objetivos dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS): acolher os pacientes 
com transtornos mentais, auxiliá-los na sua integração familiar e na sociedade, 
além de encorajá-los na busca pela autonomia.
c) A Política Nacional de Saúde Mental propõe uma série de mudanças direciona-
das à saúde das pessoas com transtorno mental; no entanto, mantém o mesmo 
modelo assistencial praticado no século XVIII.
d) A Declaração de Caracas, divulgada em 1990, fortaleceu a ideia de que pessoas 
com transtorno mental eram perigosas e precisavam ser tratadas em institui-
ções psiquiátricas.
e) A Rede de Atenção Psicossocial para pessoas com sofrimento ou transtorno 
mental possui como ponto estratégico os hospitais psiquiátricos.
5. Conhecer a vulnerabilidade de determinada população faz-se necessário para 
a elaboração de estratégias assertivas de promoção da saúde e prevenção de 
doenças. Sobre as políticas públicas de saúde direcionadas às populações vul-
neráveis (pessoas com deficiência, pessoas em situação de rua, pessoas negras, 
pessoas idosas e grupo LGBT), assinale a alternativa correta.
a) O Estatuto da Pessoa com Deficiência garante, entre outros fatores, o direito 
à saúde, sem, contudo, abordar sobre o acesso aos serviços de habilitação e 
de reabilitação.
b) Uma estratégia encontrada para a assistência à saúde das pessoas em situação 
de rua foi a criação do Consultório na Rua, o qual está vinculado a uma assis-
tência exclusivamente curativa.
c) A Política Nacional de Saúde Integral dos LGBT tem muitos objetivos, entre 
eles destacam-se: a eliminação da discriminação e preconceito, bem como 
contribuição para a redução das desigualdades e a consolidação do SUS como 
sistema universal, integral e equitativo.
d) As desigualdades sociais observadas na população negra em nada se relacionam 
com o acesso desse grupo às questões relativas à saúde.
e) O termo vulnerabilidade pode ser entendido como sinônimo de incapacidade 
quando se aborda o processo de envelhecimento da pessoa idosa.
119
Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher 
Princípios e Diretrizes
Editora: Ministério da Saúde
Sinopse: o manual do Ministério da Saúde apresenta a Política Nacional de Aten-
ção Integral à Saúde da Mulher, com destaque para seus objetivos e princípios.
LIVRO
Ilha do Medo
Ano: 2010
Sinopse: Trata-se de um suspense que acontece em uma prisão psiquiátrica 
para detentos de alta periculosidade, a qual fica localizada em uma ilha. Leo-
nardo DiCaprio representa um agente federal que é encaminhado a essa ilha 
para investigar a morte de uma interna. O personagem faz críticas à instituição, 
dado a forma como os pacientes psiquiátricos eram tratados.
FILME
Nise, o coração da loucura
Ano: 2016
Sinopse: Filme nacional que conta a história da psiquiatra Nise da Silveira, inter-
pretada pela atriz Glória Pires. A médica propõe uma nova forma de tratamento 
aos pacientes que sofrem da esquizofrenia, eliminando o eletrochoque e loboto-
mia. Seus colegas de trabalho discordam do seu meio de tratamento e a isolam, 
restando a ela assumir o abandonado Setor de Terapia Ocupacional, em que dá 
início a uma nova forma de lidar com os pacientes, por meio do amor e da arte.
FILME
120
ARAÚJO, J. P. et al. História da saúde da criança: conquistas, políticas e perspectivas. Rev Bras Enferm. v. 67, 
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123
1. C.
2. B.
3. A.
4. B.
5. C.
124
PLANO DE ESTUDOS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
• Compreender a criação da PNH, seus objetivos e princípios.
• Conhecer as diretrizes e dispositivos da PNH.
• Estudar sobre a segurança e direito do paciente.
• Entender as políticas de saúde voltadas ao trabalhador.
• Discutir os principais desafios para a humanização nos 
serviços de saúde.
Conhecendo a PNH
Diretrizes e 
dispositivos da PNH
Atenção à saúde 
do trabalhador
Desafios para a 
humanização nos 
serviços da saúde
Segurança e direito 
 do paciente
Dra. Marcela Demitto Furtado
Política Nacional de 
Humanização (PNH)
Conhecendo 
a PNH
Olá, caro(a) aluno(a), estamos quase chegando 
na reta final. Percorremos um longo caminho até 
aqui. Nesse percurso, acredito que você conseguiu 
compreender os diversos aspectos que tornam a 
saúde pública tão ampla e complexa e, ao mesmo 
tempo, tão fascinante.
Conseguimos preparar uma bagagem bastan-
te vasta de conhecimento, a qual será de grande 
relevância para o melhor entendimento do tema 
que abordaremos. 
Nesta unidade, iremos discutir sobre a huma-
nização, um termo bastante utilizado na área da 
saúde atualmente, mas que ainda gera dúvidas 
quanto ao seu significado e operacionalização. 
Talvez porque o assunto ultrapasse as questões 
técnicas e instrumentais, alçando dimensões po-
lítico-filosóficas.
A humanização é um aspecto fundamental 
nas políticas de saúde, por isso foi criada a Políti-
ca Nacional de Humanização (PNH), que surgiu 
para reconstruir o modelo de assistência à saúde, 
bem como a gestão dos processos de trabalho. 
127UNIDADE 5
Assim, uma das propostas de estudo para esse 
momento é conhecer a PNH, seus objetivos, prin-
cípios, diretrizes e dispositivos. Iremos abordar, 
também, aspectos relativos à segurança e direitos 
do paciente, saúde do trabalhador, bem como os 
principais desafios para que a humanização acon-
teça, de fato, nas instituições de saúde.
A reflexão sobre a humanização na prática as-
sistencial em saúde, desde a elaboração de políti-
cas públicas, gestão e cogestão, nos processos de 
trabalho, até a realização do cuidado ao usuário, 
extrapolando as relações e afetando também as 
estruturas, sejam elas físicas ou não, é um exercício 
muito importante para todos os profissionais na 
área da saúde (Médicos, Dentistas, Tecnólogos em 
Estética e Cosmética, Biomédicos, Enfermeiros, 
Podólogos, Fisioterapeutas, Terapeutas Integrativos 
e Complementares, Psicólogos, Nutricionistas, Fo-
noaudiólogos, Terapeutas Ocupacionais e outros).
Então, sugiro que você aproveite esse momento 
não só para se apropriar da temática, mas também 
para repensar sobre o profissional que você deseja 
ser. Precisamos ser a mudança que queremos ver 
nos serviços de saúde. 
Dessa forma, desejo força de vontade, dedi-
cação e organização para aproveitar ao máximo 
essa oportunidade.
Antes de conhecermos a Política Nacional de 
Humanização (PNH), é importante refletirmos 
sobre o significado da palavra humanização. 
Pare um instante e tente responder às seguintes 
questões: o que é humanização? Como huma-
nizar o humano? O que eu entendo sobre hu-
manização na saúde?
De acordo com o Dicionário da Língua Portuguesa, humanização significa o “ato ou efeito de huma-
nizar”. E humanizar é “tornar humano, tornar tratável, civilizar” (BUENO, 2007).
Na área da saúde, o termo “humanização” começou a ser utilizado a partir do século XXI, partindo 
de discussões e recomendações realizadas pelo Ministério da Saúde. Humanizar a saúde é bastante 
complexo, pois envolve uma série de questões, como: respeito à unicidade de cada indivíduo; políti-
cas públicas, no sentido de garantir igualdade de acesso aos serviços; envolve processo de trabalho; 
competência profissional; cuidado voltado àquele que cuida, como uma das formas de valorizar o 
trabalhador etc. (BERMEO, 2008).
Fonte: adaptado de Bueno (2007) e Bermeo (2008).
Em 2000, o Ministério da Saúde instituiu o Pro-
grama Nacional de Humanização da Atenção 
Hospitalar(PNHAH), cujo objetivo principal 
é aprimorar as relações entre usuários e profis-
sionais, entre os próprios profissionais e entre o 
serviço hospitalar e a comunidade. A intenção do 
Programa é promover uma nova forma de “fazer” 
saúde, que impacte na qualidade da assistência 
prestada pelas instituições vinculadas ao SUS.
Em 2003, a humanização, antes considerada 
programa, passa a ser uma política – A Política 
Nacional de Humanização da atenção e gestão 
do SUS (PNH), também conhecida como Hu-
manizaSUS.
128 Política Nacional de Humanização (PNH)
A humanização, enquanto 
política do SUS, não se relacio-
na apenas a pessoas (usuários, 
trabalhadores, gestores) e suas 
ações, mas também envolve a 
relação existente entre elas e 
o ambiente em que atuam. A 
PNH suscita modos de ser e 
fazer saúde.
De acordo com o Ministério 
da Saúde, a humanização pode 
ser compreendida como:
 “
[...] valorização dos 
diferentes sujeitos im-
plicados no processo 
de produção de saúde: 
usuários, trabalhadores 
e gestores; Fomento da 
autonomia e do prota-
gonismo desses sujeitos; 
Aumento do grau de 
corresponsabilidade na 
produção de saúde e de 
sujeitos; Estabelecimen-
to de vínculos solidários 
e de participação coleti-
va no processo de gestão; 
Identificação das neces-
sidades sociais de saúde; 
Mudança nos modelos 
de atenção e gestão dos 
processos de trabalho, 
tendo como foco as ne-
cessidades dos cidadãos 
e a produção de saúde; 
Compromisso com a 
ambiência, melhoria das 
condições de trabalho e 
de atendimento (BRA-
SIL, 2004, p. 15).
A PNH propõe uma nova forma de gerir e cuidar a partir de três 
princípios básicos:
• Transversalidade. O caráter transversal da PNH refere-se 
ao fato de que ela deve estar inserida em todas as políticas 
e programas do SUS, ampliando a comunicação dentro dos 
grupos e entre eles;
• Indissociabilidade entre atenção e gestão. A gestão e a forma 
de gerir saúde está intimamente ligada à atenção prestada. 
Tanto os usuários como os trabalhadores, além de conhecer 
a forma de gestão dos serviços de saúde, precisam ser ativos 
no processo de tomada de decisão. 
• Protagonismo, corresponsabilidade e autonomia dos sujeitos 
e coletivos. No SUS humanizado, cada um (usuário, traba-
lhador e gestor) tem o seu papel bem definido, seus direitos 
e suas responsabilidades na construção da saúde.
A PNH pode ser implantada em qualquer serviço de saúde: uma 
Unidade Básica de Saúde, Unidade de Pronto Atendimento, hos-
pitais e secretarias de saúde, ou seja, em toda a rede pública, desde 
que seja firmado um compromisso entre gestores, trabalhadores e 
usuários para a reorganização das práticas de saúde, aceitando as 
propostas da PNH.
Dentro desta reorganização das práticas de saúde, podemos 
observar a inserção pelo Ministério da Saúde, de novas propostas 
de tratamentos, com a criação da Política Nacional de Práticas In-
tegrativas e Complementares (PNPIC) no SUS, com a aprovação 
da Portaria Nº 971, de 03 de maio de 2006, que visava garantir a 
população condições de bem-estar físico, mental e social, ofertando 
cinco procedimentos na área de tratamentos holísticos (Medicina 
Tradicional Chinesa/Acupuntura, Homeopatia, Plantas Medici-
nais e Fitoterapia, Medicina Antroposófica e Termalismo Social/
Crenoterapia).
Em 2017, foram incluídos ao SUS mais 14 terapias, somando 19 
práticas disponíveis à população, sendo estas: ayurveda, arteterapia, 
biodança, dança circular, meditação, musicoterapia, naturopatia, 
osteopatia, quiropraxia, reflexoterapia, reiki, shantala, terapia co-
munitária integrativa e yoga.
Com o aumento da procura destas técnicas de tratamento, devi-
do a evidências científicas dos benefícios do tratamento integrado 
entre medicina convencional e práticas integrativas e complemen-
tares, em 21 de março de 2018, foram acrescentadas mais dez novas 
129UNIDADE 5
práticas na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complemen-
tares – PNPIC, através da Portaria N° 702, alterando a Portaria de 
Consolidação nº 2/GM/MS, de 28 de setembro de 2017.
Estas dez técnicas introduzidas (aromaterapia, apiterapia, bioe-
nergética, constelação familiar, cromoterapia, geoterapia, hipnote-
rapia, imposição de mãos, ozonioterapia, terapia de florais), fez do 
Brasil o país líder na oferta dessa modalidade na atenção básica, 
pois passa a contar com 29 práticas integrativas pelo SUS.
Mas qual é o caminho/método a ser percorrido para a opera-
cionalização da PNH?
O Ministério da Saúde propõe que a PNH deva caminhar no 
sentido da inclusão de diferentes agentes nos processos de produção 
da saúde, denominado “método de tríplice inclusão” (BRASIL, 2008).
Quadro 1 - Método de tríplice inclusão
Inclusão dos 
gestores, usuários 
e trabalhadores 
na produção 
de autonomia 
protagonismo e 
corresponsabilidade. 
Inclusão de 
fenômenos que 
promovam o 
pensamento 
crítico e analítico 
sobre os modelos 
de atenção 
e gestão, no 
sentido de gerar 
mudanças.
Inclusão do 
coletivo, seja dos 
trabalhadores de 
saúde, quando em 
trabalho grupal, 
seja do movimento 
social organizado.
Fonte: Brasil (2008).
A valorização do sujeito pela PNH implica em incluí-lo no processo 
de trabalho como um agente capaz de identificar lacunas e construir 
estratégias para saná-las. Cuidar do cuidador/trabalhador de saúde 
é possibilitar a construção conjunta de estratégias para “aliviar as 
dores”/sofrimentos, muitas vezes ocasionados pela forma de gestão e 
organização do trabalho (PASCHE; PASSOS; HENNINGTON, 2011).
130 Política Nacional de Humanização (PNH)
Diretrizes e 
Dispositivos 
da PNH
As diretrizes da PNH referem-se às orientações 
gerais acerca dessa política pública de saúde, 
que serão apresentadas brevemente no quadro 2 
(BRASIL, 2008).
Os dispositivos da PNH são meios de colocar 
em prática as diretrizes que serão apresentadas a 
seguir. São eles (BRASIL, 2008): 
• Acolhimento e Classificação de Risco (ACR).
• Colegiado Gestor.
• Contrato de Gestão.
• Equipe Transdisciplinar de Referência e de 
Apoio Matricial.
• Grupo de Trabalho de Humanização 
(GTH) e Câmara Técnica de Humaniza-
ção (CTH).
• Programa de Formação em Saúde e Tra-
balho (PFST) e Comunidade Ampliada de 
Pesquisa (CAP).
• Projeto memória do SUS que dá certo.
• Projeto Terapêutico Singular (PTS) e Pro-
jeto de Saúde Coletiva.
• Projetos cogeridos de ambiência.
• Sistemas de escuta qualificada para usuá-
rios e trabalhadores da saúde: gerência de 
porta aberta, ouvidorias, grupos focais e 
pesquisas de satisfação.
• Visita aberta e direito à acompanhante. 
131UNIDADE 5
Quadro 2 - Diretrizes da PNH
Clínica 
ampliada
Envolve uma abordagem clínica da doença e do sofrimento que vai além do 
patológico. Isso permite uma visão ampliada do sujeito, pois considera suas ou-
tras dimensões dentro do processo saúde-doença. Considera o indivíduo como 
único, busca pela integralidade, combate o modelo fragmentado de assistência 
em saúde. Por meio do diálogo, entre os sujeitos é possível a construção de deci-
sões compartilhadas e comprometidas com a autonomia.
Cogestão
Refere-se à inclusão de novos sujeitos no modo de gerir, bem como a ampliação 
de tarefas da gestão. Envolve a interação de pessoas e recursos para se alcançar 
os objetivos e metas.
Acolhimento
Remete ao reconhecimento da legitimidade da necessidade do outro, o que envol-
ve escuta ativa e qualificada, criação de vínculo. O acolhimento realizado a partir da 
necessidade do sujeito permite o acesso àquilo que ele realmente precisa, além de 
permitir que situações de maior vulnerabilidade sejam atendidas com prioridade.
Valorização do 
trabalho e do 
trabalhador 
Destaca a importância do trabalhador na tomada de decisão; considerando sua 
capacidade de análise crítica, reflexiva e de geração de mudanças.
Defesa dos 
Direitos do 
Usuário
Os usuários possuem uma série de direitos e cabe aos profissionais e serviços 
de saúde divulgar esse conhecimento, bem como contribuir para que eles sejam 
cumpridos.
Fomento das 
grupalidades,coletivos e 
redes
Considera o grupo não apenas como um conjunto de indivíduos, é muito mais 
do que isso. O grupo é de um coletivo que está em constante transformação, 
compondo uma rede na qual o processo de produção de saúde se realiza. 
A reorganização da gestão e assistência à saúde só faz sentido se partir do cole-
tivo, ou seja, dos atores do processo; é o que o torna democrático.
A construção das redes foi uma das estratégias para ampliar a comunicação 
entre os serviços, de modo a melhorar a qualidade da assistência prestada.
Construção da 
memória do 
SUS que dá 
certo
A história do SUS revela inúmeros desafios, porém muitas conquistas foram 
alcançadas e devem ser divulgadas. Buscar a memória do SUS, os pontos-chaves 
e marcos importantes podem auxiliar a repensar o presente e planejar o futuro.
Fonte: adaptado de Brasil (2008).
A Ambiência na saúde é um termo bastante usado no contexto da humanização dos serviços, pois 
refere-se ao tratamento do espaço/território físico de modo que ele seja acolhedor, confortável.
Nesse sentido, é fundamental valorizar os componentes do ambiente, como cor, cheiro, luz, texturas 
e sons, por acreditar que um bom espaço físico possa otimizar o encontro entre pessoas e ser um 
facilitador do processo de trabalho.
Vale destacar que a ambiência extrapola a ideia de uma estruturação físico-funcional. Envolve as-
pectos culturais e de modo de vida, como, por exemplo, a privacidade do indivíduo; acessibilidade e 
acesso sem discriminação; aspectos relativos à ergonomia, conforto térmico e acústico.
Fonte: Brasil (2010).
132 Política Nacional de Humanização (PNH)
Segurança e Direito 
do Paciente
A preocupação em discutir sobre a segurança do 
paciente nas instituições de saúde acontece em 
nível global. Trata-se de um componente impor-
tantíssimo para a qualidade da assistência; logo, 
é um indicador de saúde que deve ser analisado 
criteriosamente pelos profissionais de saúde e 
gestores nesta área.
Quando um erro acontece, infringindo a segu-
rança do paciente, os prejuízos podem ser diversos 
para ele, podendo se estender para sua família; 
na maioria das vezes, prolonga-se o tempo de in-
ternação, o que também pode gerar novos riscos, 
além de elevar os custos hospitalares; a morte, 
infelizmente, pode ser também uma consequên-
cia. Diante de um erro praticado, destacam-se, 
ainda, os efeitos psicológicos traumáticos na vida 
dos profissionais de saúde que prestam o cuidado 
(DE CARVALHO; VIEIRA, 2002).
Foi nos Estados Unidos, a partir do relatório 
do Institute of Medicine, no final do século XX, 
que se iniciou um movimento sobre a segurança 
do paciente. O relatório mostrou dados sobre a 
assistência à saúde no país, identificando taxas 
alarmantes de eventos adversos que culmina-
ram em mortes após a internação de pacientes 
(KOHN; CORRIGNAN; DONALDSON, 2001).
133UNIDADE 5
A partir do ano 2000, o mundo todo passa a 
reconhecer a segurança do paciente como uma 
dimensão da qualidade da assistência em saú-
de. Nesse sentido, surgem muitas pesquisas, bem 
como a criação de institutos e associações voltadas 
à segurança do paciente (CASSIANI, 2005).
Frente à magnitude do problema, a Organização 
Mundial de Saúde estabeleceu, em 2004, a Aliança 
Mundial para a Segurança do Paciente (World Al-
liance for Patient Safety). Trata-se de um compro-
misso firmado entre diversos países, com o intuito 
de definir e identificar prioridades acerca da segu-
rança do paciente (WHO, 2008).
Em 2013, o Ministério da Saúde, por meio da 
portaria GM/MS nº 529, instituiu o Programa 
Nacional de Segurança do Paciente (PNSP), cujo 
objetivo principal é melhorar a qualidade do cui-
dado em saúde nos estabelecimentos nacionais.
Ainda em 2013, foram aprovados seis proto-
colos básicos de segurança do paciente:
• Identificação do Paciente.
• Prevenção de úlcera por pressão.
• Segurança na prescrição, uso e administra-
ção de medicamentos.
• Cirurgia segura.
• Prática de higiene das mãos em serviços 
de saúde.
• Prevenção de quedas.
Mesmo com tantas ações mundiais em prol da 
segurança do paciente, ainda há muito o que fazer. 
Uma pesquisa realizada em cinco países da amé-
rica latina, entre 2007 e 2009, mostrou que 10,5% 
dos pacientes hospitalizados sofreram algum tipo 
de evento adverso, sendo que 58,9% poderiam ter 
sido evitados (ANVISA, 2013).
Em relatório realizado em mais de 30 mil hos-
pitais da Europa, em 2013, foi evidenciado que 
um em cada 18 pacientes apresenta infecção as-
sociada à assistência em saúde, o que alerta para 
a necessidade urgente de estratégias que tentem 
sanar esse sério problema de saúde pública (FA-
RIA; MOREIRA; PINTO, 2013).
De acordo com Silva (2010), o grande desafio 
dessa temática está na compreensão de que as 
causas dos eventos adversos são multifatoriais e 
que todos os profissionais de saúde são suscetíveis 
a cometer erros, especialmente quando o proces-
so de trabalho é complexo e/ou encontra-se mal 
organizado.
Quantas vezes já ouvimos na mídia sobre casos 
de pacientes que foram lesados devido a erros 
provocados por profissionais de saúde? Erros na 
administração de medicação, troca de pacientes 
submetidos a um procedimento cirúrgico, falhas 
na prescrição médica, entre muitos outros.
James Reason, professor de psicologia da 
Universidade de Manchester, Reino Unido, ten-
tou explicar o caráter multifatorial das falhas 
de segurança por meio da teoria sobre o erro 
humano, também conhecida como “queijo suíço”. 
Ele compara as fragilidades do sistema de saú-
de aos buracos do queijo. O alinhamento entre 
vários furos do queijo suíço é que irá culminar 
em perdas ou danos (REASON; CARTHEY; DE 
LEVAL, 2001).
134 Política Nacional de Humanização (PNH)
Pensando no Modelo do Queijo Suíço aplicado 
à área da saúde, que estratégias poderiam ser im-
plementadas para evitar o desencadeamento de 
um evento adverso?
Donabedian (1980) tenta explicar a ocorrência 
dos eventos adversos por meio da tríade – estrutu-
ra - processo - resultado. A estrutura relaciona-se 
a aspectos mais estáveis, como os profissionais, os 
instrumentos de trabalho, os locais e modelos de 
organização dos serviços. O processo envolve as 
ações realizadas pelos profissionais em direção ao 
paciente, bem como as respostas destes àquilo que 
foi realizado. O resultado pode ser representado 
pela efetividade e eficiência das atividades pratica-
das, bem como pelo grau de satisfação do paciente.
Existem muitos estudos de campo que buscam 
investigar as causas dos eventos adversos na área 
da saúde. Muitos deles relacionados a erros de 
medicação.
Estudo de revisão sobre erros de medicação 
entre profissionais de enfermagem mostrou que 
entre as principais causas estão a sobrecarga de 
trabalho, cansaço e estresse do profissional (DOS 
SANTOS et al., 2014).
Independentemente de qualquer situação, é 
sabido que o paciente tem o direito de receber 
uma assistência em saúde segura, o que consiste 
em um desdobramento do direito à vida, já que a 
falta de segurança pode ocasionar a morte.
Em 2009, o Conselho Nacional de Saúde 
aprovou a Carta dos Direitos dos Usuários da 
Saúde, a qual apresenta seis princípios básicos 
(BRASIL, 2011):
• Todo cidadão tem direito ao acesso or-
denado e organizado aos sistemas de 
saúde.
• Todo cidadão tem direito a tratamento 
adequado e efetivo para seu problema.
• Todo cidadão tem direito ao atendimento 
humanizado, acolhedor e livre de qualquer 
discriminação.
• Todo cidadão tem direito a atendimento 
que respeite a sua pessoa, seus valores e 
seus direitos.
Modelo de causa de acidente - Queijo Suiço
Sucessivas camadas de defesas, 
barreiras e proteções
Perdas
Perigos
Outros buracos 
devido às condições 
latentes (falha de 
equipamento, falta 
de treinamento ou 
experiência da 
Alguns buracos 
devido a falha 
ativa (erro, 
violações de 
procedimento)
Figura 1 - Modelo do Queijo Suíço
Fonte: Reason (2006).
135UNIDADE 5
• Todo cidadão também tem responsabili-
dades para que seu tratamento aconteçada formulação unicausal só ficou evidente no início 
do séc. XX, devido ao processo de mudanças ocorridas na sociedade 
e na insuficiência de dar explicações sobre a saúde e a doença das 
pessoas e das comunidades, bem como o efeito da transição epide-
miológica - fenômeno no qual evidencia a diminuição de doenças 
infecciosas e o aumento de doenças crônicas degenerativas, em que 
o homem passa a ser considerado como um ser biopsicossocial. 
Nesse sentido, a saúde e a doença são reconhecidas como o 
equilíbrio e/ou desequilíbrio entre o ambiente, o agente e o hos-
pedeiro, envolvendo dimensões subjetivas e não apenas biologica-
mente científicas e objetivas. No entanto, a crítica a tal explicação 
se dá ao fato de não considerar as variações das doenças verificadas 
historicamente, em relação ao seu aparecimento e desaparecimen-
to, aumento ou diminuição de sua frequência, da menor ou maior 
importância, que adquirem nas variadas formas de organização 
social (BACKES et al., 2009).
Uma nova proposta de consenso sobre saúde ocorreu em 7 de 
abril de 1948 (desde então, o Dia Mundial da Saúde), implicando 
o reconhecimento do direito à saúde e da obrigação do Estado na 
promoção e proteção da saúde. “Saúde é o estado do mais com-
pleto bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de 
enfermidade” (SCLIAR, 2007). 
O conceito da Organização Mundial da Saúde (OMS) reflete, 
de um lado, uma aspiração nascida dos movimentos sociais do 
pós-guerra: o fim do colonialismo, a ascensão do socialismo. Saúde 
deveria expressar o direito a uma vida plena, sem privações, um 
conceito amplamente difundido, mas que carrega em si um estado 
inatingível de equilíbrio em um cenário de neutralidade, que o 
torna pouco operacional e prático (BACKES et al., 2009).
O livro de Moacyr Scliar, intitulado Do Mágico ao Social: trajetória da 
saúde pública, apresenta, de uma forma mais detalhada, os caminhos 
percorridos pela condição humana no contexto da saúde e da doença, 
em uma perspectiva histórica, apontando olhares e características das 
matrizes do pensamento sobre o paradoxo saúde-doença.
17UNIDADE 1
A Produção Social 
da Saúde e da Doença
Um novo paradigma surge diante da crise de 
desenvolvimento das sociedades modernas: o 
reconhecimento de que tudo o que existe é pro-
duto da ação humana. 
A saúde de um indivíduo, de um grupo de indi-
víduos ou de uma comunidade, depende, também, 
de coisas que o homem criou e faz, das interações 
dos grupos sociais, das políticas adotadas pelo go-
verno, inclusive os próprios mecanismos de aten-
ção à doença, do ensino voltado para os cursos da 
área da saúde, da educação e das intervenções sobre 
o meio ambiente (SANTOS; WESTPHAL, 1999). 
Nesse sentido, Santos e Westphal (1999) res-
saltam que ter saúde não pode ser apenas não 
estar doente, significa, também, a possibilidade 
de atuar, de produzir a sua própria saúde, quer 
mediante cuidados tradicionalmente conheci-
dos, quer por ações que influenciam o seu meio 
– ações políticas para a redução de desigualdades, 
educação, cooperação intersetorial, participação 
da sociedade civil nas decisões que afetam sua 
existência – para, usando uma expressão bem 
conhecida, o exercício da cidadania. 
Para que uma população possa ser saudável, 
no paradigma da história social da saúde, é ne-
cessário: paz (contrário de violência); habitação 
adequada em tamanho por habitante, em condi-
ções adequadas de conforto térmico; educação, 
pelo menos fundamental; alimentação imprescin-
dível para o crescimento e desenvolvimento das 
crianças e necessária para a reposição da força de 
trabalho; renda decorrente da inserção no mer-
cado de trabalho, adequada para cobrir as neces-
sidades básicas de alimentação, vestuário e lazer; 
ecossistema saudável preservado e não poluído; 
justiça social e equidade, garantindo os direitos 
fundamentais dos cidadãos (DE OTAWA, 1986).
No Brasil, o movimento de Reforma Sanitária, 
articulado nos anos 80, formulou um “conceito 
ampliado de saúde” e passou a entendê-la como 
um estado resultante das condições de alimenta-
ção, habitação, educação, renda, meio ambiente, 
trabalho, transporte, emprego, lazer, liberdade, 
acesso à terra e aos serviços de saúde, apontan-
do, assim, para a determinação social e cultural 
da saúde e da doença.
Para operar com o conceito ampliado de saúde, precisamos pensar na saúde como um processo em 
detrimento da concepção de saúde como um atributo (tenho/não tenho).
(Stela Nazareth Meneghel)
18 Saúde e Doença - uma Perspectiva Atualizada
O Modelo 
Preventivista 
e o Modelo de 
Promoção à Saúde 
É possível verificar que o conceito de saúde foi 
influenciado, no decorrer dos tempos, por ques-
tões sociais, culturais e econômicas. Vale destacar 
que as ações de saúde e a forma de organização da 
assistência também acompanham as mudanças 
do conceito de saúde.
Na tentativa de explicar essas mudanças, di-
versos autores propuseram modelos explicativos 
do processo saúde-doença. Vejamos dois deles: 
o modelo de Atenção à Saúde Preventivista e o 
Modelo da Promoção à Saúde.
O Modelo Preventivista
O modelo preventivista surge devido à crise do 
capitalismo e à incapacidade dos governos de ar-
carem com os custos da saúde no contexto médi-
co hospitalar, com base na proposta de Leavell e 
Clarck do modelo da história natural da doença 
(evolução natural da doença).
19UNIDADE 1
Quadro 1 - Modelo da História Natural da Doença
Período pré-patogênese Patogênese precoce Patogênese avançada Recuperação, 
incapacidade ou morte
Interação entre agente e 
hospedeiro
Doença subclínica
Horizonte clínico
Alterações celulares
Doença com manifes-
tação clínica
Ultrapassagem do ho-
rizonte clínico
Prevenção primária Prevenção secundária Prevenção terciária
Promoção 
à saúde
Proteção 
específica Diagnóstico Precoce Limitação do dano Reabilitação
Fonte: Meneghel (2015).
O modelo pressupõe que toda doença tem um percurso natural 
de pré-patogênese, patogênese e de recuperação, e que, para cada 
momento da história natural da doença, preconiza ações sanitárias 
que correspondem aos três níveis de prevenção: primário, secun-
dário e terciário (MENEGHEL, 2015).
No período pré-patogênico, os agentes causadores de doenças 
e o indivíduo vivem em equilíbrio com o ambiente. No perío-
do patogênico, inicialmente, não há sinais e sintomas da doença, 
também chamado de período de incubação, só então aparecem 
as manifestações clínicas da doença, que podem evoluir para re-
cuperação, incapacidade ou morte.
As intervenções nos diferentes estágios da doença são chama-
das de prevenção primária, secundária e terciária e têm como obje-
tivo prevenir doenças ou seu agravamento. As ações de prevenção 
primária podem ser medidas gerais e educativas de resistência 
e bem-estar geral dos indivíduos; as de prevenção secundária 
buscam a redução de fatores de risco; e as de prevenção terciária 
reduzem e intervêm nas sequelas de doenças.
A crítica a esse modelo se dá pelo fato dele não considerar os 
efeitos positivos e negativos das condições de vida e de trabalho e 
a inserção social dos indivíduos nos níveis de saúde da população, 
o que reduz o conceito de saúde como estritamente biológico, ig-
norando a dimensão social que envolve o processo saúde-doença 
(MENEGHEL, 2015). 
20 Saúde e Doença - uma Perspectiva Atualizada
O Modelo de Promoção 
à Saúde
Com as mudanças ocorridas na sociedade pós-
-guerra, os estudiosos descreveram um fenômeno 
denominado de transição demográfica e epidemio-
lógica no mundo todo. 
Tal fenômeno apontou para incapacidade do 
Modelo da história natural da doença dar expli-
cações para várias doenças e agravos, como as 
doenças crônicas, os acidentes, a crescente violên-
cia, entre outros. Diante disso, diversas propostas 
foram elaboradas no sentido de buscar uma visão 
e atenção mais integral da saúde. 
Discussões acerca do tema “saúde integral” 
foram realizadas no cenário Internacional. A 
Conferência realizada em Alma-Ata, em 1978, éda forma adequada.
• Todo cidadão tem direito ao comprome-
timento dos gestores da saúde para que os 
princípios anteriores sejam cumpridos. 
É importante destacar que a Carta dos Direitos 
dos Usuários da Saúde é um dos dispositivos da 
Política Nacional de Humanização, tema discutido 
nos tópicos anteriores. Acredita-se que promover 
uma assistência de qualidade a todos os cidadãos, 
com alta resolutividade, em ambiente acolhedor, 
faça parte de um atendimento humanizado.
Embora exista a constituição que garanta os 
direitos do paciente, é notório o distanciamento 
entre o que está em lei e a prática dos serviços de 
saúde. Muitos pacientes desconhecem seus direi-
tos, e outros, por medo de represália das institui-
ções e/ou profissionais de saúde, negam-se a exi-
gi-los, omitem-se (VELOSO; SPINDOLA, 2005).
Nesse sentido, a criação de espaços democrá-
ticos criados pela sociedade são importantes para 
exigir dos gestores políticas públicas e uma admi-
nistração que busque por medidas de proteção aos 
direitos do paciente (CHAUÍ, 2006).
De acordo com Gomes et al. (2008, p. 774) “a 
educação mostra-se como uma possibilidade de 
acesso à informação e consciência política em 
direção a uma mudança nas práticas de saúde que 
ferem a dignidade humana”.
É relevante, também, que os profissionais de 
saúde se sintam responsabilizados em fornecer 
informações aos pacientes sobre os seus direi-
tos. A partir da apropriação desse conhecimento, 
é possível maior controle social e participação 
coletiva nas ações e processos de gerir a saúde. 
Lembrando que aspectos relativos à autonomia 
e corresponsabilidade fazem parte da PNH, pro-
posta pelo Ministério da Saúde.
136 Política Nacional de Humanização (PNH)
Atenção à Saúde 
do Trabalhador
Sabemos que, na nossa sociedade, o trabalho não diz 
respeito apenas a uma fonte de renda que permite 
que as pessoas possuam coisas, mas relaciona-se, 
ainda, com reconhecimento, honra e realizações.
Além disso, é preciso considerar que o trabalho 
também pode gerar problemas que afetam a saú-
de, ocasionados pelo estresse ou pela exposição a 
condições perigosas, entre muitas outras situações. 
Este esgotamento causado pelo estresse em um 
grande número na população é que incentivou 
o aumento da oferta das Práticas Integrativas e 
Complementares (PICS), pelo SUS. 
Nesse tópico, iremos tratar sobre a saúde do 
trabalhador; mas, o que significa esse termo? E 
por que discutir esse assunto na saúde pública?
De acordo com o Ministério da Saúde, o termo 
Saúde do Trabalhador refere-se “a um campo do sa-
ber que visa compreender as relações entre o traba-
lho e o processo saúde/doença” (BRASIL, 2001, p. 7).
 “
A gente não quer só comer 
A gente quer prazer pra aliviar a dor 
A gente não quer só dinheiro,
 A gente quer dinheiro e felicidade 
A gente não quer só dinheiro,
 A gente quer inteiro e não pela metade 
(Arnaldo Antunes)
137UNIDADE 5
O trecho da música “Comida”, de Arnaldo Antu-
nes, interpretada pela banda Titãs, é quase que 
uma reivindicação para um olhar mais atento 
ao trabalhador, que possui múltiplas dimensões 
e, consequentemente, necessidades distintas, as 
quais precisam ser valorizadas.
Os trabalhadores estão expostos a uma série 
de riscos ambientais e organizacionais em função 
de sua inserção nos processos de trabalho. Logo, 
o setor da saúde necessita incorporar esses indi-
víduos em estratégias de promoção, prevenção e 
recuperação da saúde.
Foi apenas a partir da década de 80 que a visão 
em relação ao trabalhador começou a se modifi-
car; ele passa a ser reconhecido como sujeito e não 
apenas como consumidor dos serviços de saúde. 
A própria Constituição Brasileira de 1988, 
na seção de Direitos à Saúde, artigo 200, des-
taca como competência do SUS, entre outras 
atribuições, “executar as ações de vigilância sa-
nitária e epidemiológica, bem como as de saúde 
do trabalhador”.
Em 1990, a Lei Orgânica de Saúde (Lei n° 
8080) regulamentou o SUS e suas competências 
no campo da Saúde do Trabalhador, reconhecen-
do o trabalho como um importante determinante 
de saúde.
Nesta mesma década, muitas iniciativas foram 
registradas no sentido de consolidar a área de saú-
de do trabalhador, como:
• 1994 - 2ª Conferência Nacional de Saúde 
do Trabalhador.
• 1998 - Elaboração da Norma Operacional 
de Saúde do Trabalhador (NOST).
• 1998 - Instrução Normativa de Vigilância 
em Saúde do Trabalhador.
• 1999 - Listagem de Doenças Relacionadas 
ao Trabalho.
Dada a dispersão das ações voltadas à saúde do 
trabalhador é que, em 2002, foi criada a Rede Na-
cional de Atenção Integral à Saúde do Trabalha-
dor (RENAST), cujo objetivo principal é realizar 
a articulação das ações em saúde do trabalha-
dor no contexto do SUS. Para tanto, existem os 
Centros de Referência em Saúde do Trabalhador 
(CEREST).
 “
Um modelo de atenção integral à saúde dos 
trabalhadores implica em qualificar as prá-
ticas de saúde, envolvendo o atendimento 
dos acidentados do trabalho, dos trabalha-
dores doentes, das urgências e emergências 
às ações de promoção e proteção da saúde 
e de vigilância, orientadas por critério epi-
demiológico. Para que isso ocorra de modo 
efetivo, faz-se necessária abordagem inter-
disciplinar e a utilização de instrumentos, 
saberes, tecnologias originadas de diferentes 
áreas do conhecimento, colocados a serviço 
das necessidades dos trabalhadores (BRA-
SIL, 2006, p. 17).
Em 2011, a partir do Decreto 7.602, foi criada a 
Política Nacional de Segurança e Saúde no Tra-
balho (PNSST), na busca de articular ações de 
diferentes setores, como Trabalho, Previdência 
Social, Saúde e Meio Ambiente.
As diretrizes que regem a PNSST são:
 “
[...] inclusão de todos trabalhadores brasi-
leiros no sistema nacional de promoção e 
proteção da saúde; harmonização da legis-
lação e a articulação das ações de promoção, 
proteção, prevenção, assistência, reabilitação 
e reparação da saúde do trabalhador; ado-
ção de medidas especiais para atividades 
138 Política Nacional de Humanização (PNH)
laborais de alto risco; estruturação de rede 
integrada de informações em saúde do tra-
balhador; promoção da implantação de sis-
temas e programas de gestão da segurança e 
saúde nos locais de trabalho; reestruturação 
da formação em saúde do trabalhador e em 
segurança no trabalho e o estímulo à capaci-
tação e à educação continuada de trabalha-
dores; e promoção de agenda integrada de 
estudos e pesquisas em segurança e saúde 
no trabalho (BRASIL, 2011, p. 1).
O Ministério da Saúde, em 2012, instituiu a Política 
Nacional de Saúde do Trabalhador e da Traba-
lhadora (PNST), por meio da Portaria GM/MS 
n° 1.823. Esta se alinha a todas as outras políticas 
de saúde do SUS, o que confere a ela o caráter de 
transversalidade.
A saúde do trabalhador, enquanto área do co-
nhecimento, encontra-se em construção. Muitas 
conquistas foram alcançadas, mas ainda há um 
longo caminho pela frente. 
A integralidade da assistência à saúde do traba-
lhador precisa ser colocada em prática e, para isso, 
entre outras coisas, é preciso extrapolar a esfera 
biológica e individual, interferindo nas questões 
relativas ao processo de trabalho.
Com a globalização; aumento da competiti-
vidade; crise financeira em diversos setores, que 
acaba por culminar em elevadas taxas de desem-
prego; crescimento dos trabalhadores informais e 
temporários ocorre uma série de transformações 
na vida do trabalhador que, com certeza, impac-
tam em sua saúde (SILVEIRA, 2009).
As reais condições de trabalho precisam ser 
identificadas e analisadas profundamente, a fim 
de “reverter a cultura de que o trabalho é bom 
independentemente das condições em que é rea-
lizado” (LOURENÇO; BERTANI, 2007, p. 125).
A Previdência Social garante uma série de be-
nefícios a trabalhadores com carteira assinada 
vítimas de acidentes e doenças relacionadas ao 
trabalho, desde que comprovada a incapacidade 
para o trabalho por parte da perícia médica. 
São exemplos de benefícios previstos pela legis-
lação previdenciária:auxílio-doença, aposenta-
doria por invalidez, auxílio-acidente, pensão por 
morte e reabilitação profissional. 
Em casos de acidentes ou doenças relaciona-
das ao trabalho, mesmo que esses eventos não 
tenham gerado incapacidades, faz-se necessá-
rio o preenchimento de uma ficha denominada 
“Comunicação de Acidente de Trabalho” (CAT), a 
qual é utilizada para fins estatísticos e epidemio-
lógicos, bem como para assegurar alguns direitos 
previstos em lei. 
Fonte: adaptado de Silveira (2009).
139UNIDADE 5
Desafios para a 
Humanização nos 
Serviços da Saúde
Como já foi abordado anteriormente, o tema hu-
manização tem conquistado um espaço signifi-
cativo na área da saúde e tem sido considerado 
como um dos caminhos para transformações no 
SUS, com vistas à melhora na qualidade assisten-
cial e nos processos de trabalho e gestão.
A humanização visa romper com a fragmenta-
ção do cuidado, do trabalho e da rede de assistên-
cia à saúde. Não refere-se a uma maquiagem nos 
serviços de saúde, como utilizar cores e desenhos 
nas paredes, ser gentil e educado com o usuário 
ou, ainda, bonificar o profissional por bom de-
sempenho. Vai além.
Por tudo isso, percebe-se que a operaciona-
lização da humanização no SUS possui uma 
série de desafios.
Um deles, segundo Martins (2010), refere-se a 
desconstruir os processos hierárquicos para, então, 
trabalhar em redes. As redes de atenção à saúde 
são formadas por diversos pontos (serviços), que 
se conectam/se comunicam na construção da in-
tersetorialidade e da integralidade. No entanto, 
as redes também podem ser compostas de afetos, 
vivências, políticas, um emaranhado de aspectos 
de grande relevância para a produção de saúde.
140 Política Nacional de Humanização (PNH)
Considerando que a humanização envolve tam-
bém o relacionamento entre usuários e profis-
sionais de saúde, faz-se necessário romper com 
o mecanicismo, muito vezes inerente às relações 
de trabalho. Nesse sentido, é preciso repensar em 
novas formas de interação entre os atores (gesto-
res, usuários e profissionais), de forma que estes 
atuem como sujeitos ativos de um processo e não 
sendo submissos a ele (BRASIL, 2010).
 A literatura destaca como desafio o exercício 
de não colocar a PNH como verdade absoluta, 
imutável, mas que ela possa ser uma forma de 
pensar e fazer saúde, que ela sirva para fazermos 
uma reflexão crítica e, a partir dela, tornar o pro-
cesso dinâmico e inovador (HECKERT; PASSOS; 
BARROS, 2009).
Estudo aponta como dificuldades para se colo-
car em prática a proposta da humanização aspec-
tos como: influência direta do modelo organiza-
cional, dos desenhos da missão institucional, do 
envolvimento e aderência dos gerentes à proposta, 
da capacitação e sensibilidade dos profissionais 
(DIAS; DOMINGUES, 2005).
Os desafios da humanização podem ser supe-
rados, desde que os problemas e soluções sejam 
construídos de forma coletiva entre usuários, pro-
fissionais e gestores. 
 “
O trabalho multidisciplinar, a participação 
efetiva do usuário, a democratização da ges-
tão, as ações de educação permanente, as re-
flexões sobre os processos de trabalho, dentre 
várias outras ofertas da PNH, demonstram 
que há estratégias para melhorar as relações 
de trabalho, aumentar o diálogo entre seus 
atores e criar novos modos de produção do 
cuidado (MARTINS, 2010, p. 92).
Continuamente, faz-se necessária a realização de 
cursos, oficinas de formação, a fim de discutir 
os processos de trabalho, as diretrizes e dispo-
sitivos da PNH. A partir da vivência no dia a 
dia de trabalho, é preciso se reinventar, criando 
espaços coletivos que valorizem a autonomia e a 
corresponsabilidade dos profissionais de saúde 
no trabalho e dos usuários no cuidado de si, ex-
Uma pesquisa qualitativa, realizada em uma enfermaria de Pediatria de um instituto de referência 
no cuidado da Saúde da Mulher, Criança e Adolescente, tendo como sujeitos a equipe de enferma-
gem, usuários e acompanhantes, identificou que os princípios fundamentais da humanização não 
ocorrem de forma efetiva na relação entre os sujeitos. 
Destacou-se como princípios da humanização: acolhimento, autonomia, protagonismo e correspon-
sabilidade. O estudo apontou, ainda, a presença de lacunas na compreensão da proposta de um 
projeto de humanização para o serviço.
Para a equipe de saúde, a humanização está atrelada a prestar uma assistência de qualidade, no 
entanto sem refletir sobre como ela pode ser prestada, nem tampouco se indagar sobre quais as 
possibilidades de mudanças na prática. O estudo destaca, como estratégia para essa situação, a cria-
ção de um projeto de Educação Continuada, de modo a preparar profissionais e usuários a construir 
coletivamente o cenário de práticas.
Fonte: Alves, Deslandes e Mitre (2009).
141UNIDADE 5
tinguindo atitudes e práticas desumanizadoras 
(BRASIL, 2013).
Nesta unidade, foi possível abordar sobre a 
humanização e como esse termo vem sendo em-
pregado na área da saúde. Discutir sobre a Política 
Nacional de Humanização (PNH), seus objeti-
vos, diretrizes e dispositivos é fundamental para 
a compreensão do tema.
A proposta da PNH é bastante ousada por pro-
por uma nova forma de fazer saúde, rompendo 
com o modelo de assistência fragmentado, cen-
trado na doença e hierarquizado. Busca fomentar 
a autonomia e protagonismo dos usuários, traba-
lhadores e gestores, de modo que estes construam, 
coletivamente, modos de assistir e gerir em saúde.
Essa discussão permite a reflexão sobre onde 
estamos e aonde desejamos chegar!
Assim como nas outras unidades, nesta tam-
bém foi necessário, em alguns momentos, fazer 
um resgate histórico acerca das políticas públicas, 
a fim de nos situarmos no tempo e entendermos 
que muitos obstáculos foram ultrapassados para 
chegarmos até aqui.
Discutimos, ainda, sobre a segurança e direitos 
do paciente, aspectos de grande relevância para 
a saúde pública. A segurança do paciente é um 
importante indicador de saúde, que reflete a qua-
lidade da assistência prestada. Quanto aos direitos 
do paciente, estes devem ser assegurados em toda 
e qualquer situação.
A saúde do trabalhador também foi discutida 
nesta unidade e mostra-se uma área em constru-
ção. O trabalho pode ser uma fonte de desgaste 
da saúde, acarretando inúmeros problemas que 
devem ser valorizados pelos serviços públicos. 
A partir da discussão de todos esses assuntos, 
conseguimos visualizar um aspecto muito impor-
tante da PNH, que é a transversalidade, caracte-
rizada pela inserção dessa política em todas as 
outras existentes no âmbito do SUS. 
A implantação de um novo modelo de assistên-
cia, o qual exige uma nova perspectiva de cuidado, 
sem dúvida é um grande desafio. Para tanto, é pre-
ciso continuar caminhando, vislumbrando alterna-
tivas para que a humanização realmente aconteça 
na prática assistencial e nos processos de gestão. 
142
1. De acordo com os princípios do HumanizaSUS, definidos pelo Ministério da 
Saúde, a transversalidade trata-se de:
a) Corresponsabilidade entre gestores, usuários e a participação coletiva nos 
processos e na gestão.
b) Concepções e práticas que atravessam as diferentes ações e instâncias que 
aumentam o grau de abertura de comunicação intra e intergrupos.
c) Práticas interdependentes e complementares que precisam ser entendidas 
para que ocorra a humanização.
d) Participação do Município e do Estado, em conjunto com a União, buscando 
um SUS melhor.
e) Práticas interdependentes e complementares, corresponsabilidade entre ges-
tores, usuários.
2. Sobre a cultura de segurança descrita na Política Nacional de Segurança do 
Paciente, assinale a alternativa correta.
a) Cultura que prioriza as metas financeiras e operacionais acima de segurança.
b) Comprometimento da estrutura ou função do corpo e/ou qualquer efeito dele 
oriundo, incluindo doenças, lesão, sofrimento, morte, incapacidade ou disfun-
ção, podendo, assim, ser físico, social ou psicológico.
c) Cultura na qual todos os trabalhadores, incluindo profissionais envolvidosno 
cuidado e gestores, assumem responsabilidade pela sua própria segurança, 
pela segurança de seus colegas, pacientes e familiares.
d) Evento ou circunstância que poderia ter resultado, ou resultou, em dano des-
necessário ao paciente.
e) Promoção de processos de capacitação de gerentes, profissionais e equipes 
de saúde em segurança do paciente.
Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução.
143
3. De acordo com o Ministério da Saúde, “a Política Nacional de Humanização (PNH) 
busca pôr em prática os princípios do SUS no cotidiano dos serviços de saúde, 
produzindo mudanças nos modos de gerir e cuidar”. Sobre o tema, assinale a 
alternativa incorreta.
a) A “Transversalidade” é um dos princípios da PNH que significa ampliar a co-
municação entre os sujeitos envolvidos nos processos de produção de saúde, 
quebrando paradigmas do poder e do saber. 
b) Uma das diretrizes da PNH é a “Clínica Ampliada”, seu conceito está relaciona-
do à ampliação e garantia de acesso ao usuário a todos os níveis de atenção.
c) O termo “ambiência” não refere-se apenas à criação de espaços saudáveis, 
acolhedores e confortáveis, mas também de um ambiente social e de relações 
interpessoais.
d) O “Acolhimento”, diretriz da PNH, sustenta a relação entre equipes/serviços e 
usuários/populações, devendo ser construída de forma coletiva.
e) A PNH possui, como um dos eixos de ação, a integração de seus princípios aos 
processos de Educação Permanente nos serviços de Saúde. 
4. O credenciamento dos serviços, como Sentinela de Notificação Compulsória 
de Acidentes e Doenças Relacionados ao Trabalho, será feito de acordo com as 
diretrizes e orientações referentes à(ao):
a) Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador (RENAST).
b) Lei Orgânica da Saúde (LOS).
c) Norma Operacional de Saúde do Trabalhador (NOST).
d) Constituição Federal Brasileira (CFB).
e) Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST).
144
5. Quanto à Política de Saúde do trabalhador, é correto afirmar: 
a) Fazem parte da melhoria do ambiente de trabalho e controle das condições 
de risco para a saúde: identificação no trabalho das condições de risco para 
a saúde; caracterização da exposição e quantificação das condições de risco; 
discussão e definição das alternativas de eliminação ou controle das condições 
de risco; implementação e avaliação das medidas adotadas.
b) Produtos vendidos sob nomes comerciais, sem informação detalhada quanto 
à composição química. Geralmente, criam problemas para o reconhecimento 
de riscos. Essas informações não cabem ser exigidas dos fabricantes e for-
necedores, devendo-se solicitar a análise das amostras, que garante maior 
confiabilidade e menor custo.
c) O profissional encontra, com facilidade, os dados para o estabelecimento do 
nexo ou da relação trabalho-doença, principalmente pela precisão na identi-
ficação de fatores de risco e/ou situações a que o trabalhador está ou esteve 
exposto a condições potencialmente lesivas para sua saúde.
d) O médico e a equipe de saúde, responsáveis pelo atendimento do trabalhador, 
devem buscar um relacionamento de cooperação com os colegas do paciente. 
Considerando a natureza harmoniosa dessas relações, torna-se desnecessário 
que os procedimentos sejam registrados e documentados.
e) Estabelecida a relação causal ou o nexo entre a doença e o trabalho desempe-
nhado pelo doente, o profissional ou a equipe responsável pelo atendimento 
deve passar a responsabilidade ao profissional adequado, isentando-se de 
demais responsabilidades.
145
Humanização na saúde
Fernanda Reis
Editora: DOC
Sinopse: o livro aborda a humanização, em todas as suas vertentes, nas insti-
tuições voltadas aos cuidados da saúde, como questão prioritária para o trata-
mento do doente.
LIVRO
Portaria nº 1.820, de 13 de agosto de 2009. Dispõe sobre os direitos e deveres 
dos usuários da saúde. 
WEB
146
ALVES, C. A.; DESLANDES, S. F.; MITRE, R. M. A. Desafios da humanização no contexto do cuidado da enfer-
magem pediátrica de média e alta complexidade. Interface - Comunic., Saúde, Educ., v. 13, supl. 1, p. 581-94, 
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Acesso em: 23 out. 2018.
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149
1. B.
2. C.
3. B.
4. A.
5. A. 
150
151
152 Política Nacional de Humanização (PNH)
CONCLUSÃO
Prezado(a) aluno(a)! Esperamos que este livro tenha contribuído para uma 
boa compreensão do cenário da Saúde Coletiva no contexto brasileiro.
O destaque aos pontos principais dessa trajetória passa pela evolução do 
conceito de saúde ao longo dos tempos e a influência histórica cultural nos 
modelos de atenção à saúde, culminando na determinação social e cultural 
da saúde e doença.
Enfatizamos a importância do profissional da saúde conhecer o Sistema 
Único de Saúde (SUS), a rede de saúde e os serviços oferecidos, no intuito 
de ajudar na orientação e intervenção contextualizada, bem como dar 
subsídios e ferramentas para atuar no contexto da Vigilância em Saúde.
Igualmente, destaca os principais aspectos das políticas de saúde voltadas 
ao ciclo de vida e as orientações aos profissionais de saúde no sentido da 
necessidade de humanização nos serviços de saúde.
Conforme enfatizamos, no decorrer do livro, a definição do processo saú-
de doença e da organização de serviços e políticas públicas da população 
brasileira é influenciado pela compreensão do momento histórico, político 
e social do tempo em que ocorre.
Dessa forma, o indivíduo deve estar atento aos condicionantes e deter-
minantes de saúde que, no caso do Brasil, apesar de muitos avanços na 
qualidade de vida e da saúde da população, o país ainda enfrenta grandes 
desafios na área de distribuição de renda, recursos e estrutura.
São muitos os desafios do trabalho no contexto da Saúde Pública: a constru-
ção histórica e coletiva, as mudanças sociais e tecnológicas, a administração 
de recursos e, principalmente, a compreensão da importância de humanizar 
os serviços e acolher as necessidades da população.
Muitas mudanças ocorreram e muitas ainda estão por vir. Esperamos que o 
estudo proposto neste livro tenha ajudado na compreensão e na melhoria 
da qualidade do seu trabalho e que você possa abrir novos horizontes e 
fazer a diferença na sua trajetória profissional. Sucesso!
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	U01.pdf
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	expediente
	Redes de Atenção à Saúde
	História da Saúde
Pública no Brasil
	Vigilância em Saúde
	Políticas Públicas
de Saúde no Brasil
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Pública no Brasil
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Humanização (PNH)
	SAÚDE COLETIVA_A_HIBRIDO
	Button 1:considerada um marco para a discussão de uma 
visão de saúde integral, pois reconhece, em seu 
relatório, que a saúde é um direito; também vale 
destacar a I Conferência Internacional de Pro-
moção à Saúde, realizada no Canadá, em 1986, 
que redigiu a Carta de Otawa, a qual propõe um 
conceito amplo de saúde, relacionando-a ao bem-
-estar dos indivíduos e na ampla causalidade do 
processo saúde doença, em que a saúde é consi-
derada um recurso para a vida e não objetivo de 
vida (WESTPHAL, 2012).
Em uma visão ampliada da saúde, considera-se 
os fatores socioambientais na produção e determi-
nação da saúde e da doença, sendo que a promoção à 
saúde prevê uma visão holística e socioambiental do 
mesmo processo, colocando-se como uma prática 
emancipatória e um imperativo ético, com foco no 
cidadão, na família, na coletividade, nas condições 
de vida, nas iniquidades e potencialidades do territó-
rio em que vivem e trabalham (WESTPHAL, 2012).
A teoria da transição epidemiológica, proposta por Omran (1971), foca nas complexas mudanças 
dos padrões saúde-doença e nas interações entre eles, determinantes demográficos, econômicos e 
sociais, e suas consequências. As ideias a seguir destacam em sua teoria:
I. O processo de mudanças nos padrões de mortalidade e adoecimento são longos, as pandemias 
por doenças infecciosas são gradativamente substituídas pelas doenças degenerativas e agravos.
II. As mais profundas mudanças nos padrões de saúde-doença ocorrem nas crianças e nas mu-
lheres jovens.
III. As mudanças são fortemente associadas às transições demográfica e socioeconômica que cons-
tituem o complexo da modernização.
IV. As variações peculiares no padrão, no ritmo, nos determinantes e nas consequências das mu-
danças na população diferenciam três modelos básicos de transição epidemiológica: o modelo 
clássico ou ocidental, o modelo acelerado e o modelo contemporâneo ou prolongado.
Fonte: Duarte e Barreto (2012).
21UNIDADE 1
Quadro 2 - Visão socioambiental da saúde, determinantes 
e estratégias e programas de saúde
Conceitos 
de saúde
Bem-estar biopsicossocial.
Necessidades de saúde.
Determi-
nantes de 
saúde
Condições de riscos diversas.
Estratégias
Ação política, espaços sau-
dáveis, empoderamento da 
população, desenvolvimento 
de habilidades e reorientação 
de serviços.
Desenvol-
vimento 
de progra-
mas
Comunidade em diálogo crítico 
com profissionais e agências.
Fonte: Westphal (2012).
A agenda 2030 da ONU prevê 17 medidas para 
a transformação do mundo, a terceira trata da 
saúde - Assegurar uma vida saudável e promover 
o bem-estar para todos, em todas as idades.
A promoção de saúde é considerada uma estra-
tégia fundamental para enfrentar as iniquidades 
sociais e de saúde. Juntamente com outras 16 
medidas, dando a ideia de um conceito ampliado 
de saúde.
(Organização das Nações Unidas)
22 Saúde e Doença - uma Perspectiva Atualizada
Fatores Condicionantes 
e Determinantes do 
Processo Saúde-Doença
Porque as pessoas adoecem?
Desde as primeiras investigações acerca da saú-
de de grupos e populações, foi possível identificar as 
diferenças sociais existentes das condições de vida 
e da situação de trabalho, dentre estas destacam-se 
Engels, que investigou os trabalhadores ingleses; 
Snow, que descobriu a cólera em Londres; Louis, 
trabalhadores na França; e Virchow, o Tifo na Si-
lésia, ressaltando o excesso de risco de adoecer e 
morrer entre as camadas mais pobres da população 
(BARATA, 2012).
Na América Latina, estudos sobre desigualdades 
sociais e saúde são recentes, datam da segunda meta-
de do século XX, surgindo devido às consequências 
da globalização sobre as condições de vida e a situa-
ção de saúde dos povos sob a ótica da exclusão social.
O Processo Saúde Doença – está diretamente 
atrelado à forma como o ser humano, no decor-
rer de sua existência, apropria-se da natureza para 
transformá-la, buscando o atendimento às suas ne-
cessidades, representando um conjunto de relações 
e variáveis que produz e condiciona o estado de 
saúde e doença de uma população, que se modifica 
nos diversos momentos históricos e do desenvol-
vimento científico da humanidade; não sendo um 
23UNIDADE 1
conceito abstrato, ele varia segundo a época em que vivemos, assim como os interesses dos diversos grupos 
sociais (GUALDA; BERGAMASCO, 2004).
Diante disso, é necessário conhecer os determinantes mais complexos do comportamento humano, 
além das condições materiais de vida, para que seja possível a efetivação das práticas de promoção e 
prevenção da saúde e a diminuição das desigualdades, visto que o Brasil ocupa a 11ª posição entre os 
lugares mais desiguais do mundo (COMISSÃO NACIONAL, 2008, on-line)2.
Redes Sociais e Comunitárias
Idade, Sexo e
Fatores hereditários
Produção
Agrícola de
Alimentos
Educação
Ambiente 
de Trabalho
Condições de Vida
e de Trabalho
Desemprego
Água e
Esgoto
Serviços
Sociais de
Saúde
Habitação
Condiçõ
es Socioeconômicas, Culturais e Ambientais e Gerais
Es
tilo
s de Vida dos Indivíduos
Idade, Sexo e
Fatores hereditários
Produção
Agrícola de
Alimentos
Educação
Ambiente 
de Trabalho
Condições de Vida
e de Trabalho
Desemprego
Água e
Esgoto
Serviços
Sociais de
Saúde
Habitação
Figura 1 - Modelo de determinação social da saúde proposto por Dahlgren e Whitehead
Fonte: Comissão Nacional (2008, on-line)2.
Há uma vasta literatura sobre aspectos concei-
tuais e modelos de referência relacionados aos de-
terminantes sociais e iniquidades em saúde.
A Comissão Nacional de Determinantes So-
ciais de Saúde os define como “fatores sociais, eco-
nômicos, culturais, étnicos/raciais, psicológicos e 
comportamentais que influenciam a ocorrência 
de problemas de saúde e seus fatores de risco na 
população” (BUSS; PELLEGRINI FILHO, 2007, p. 
78). E adotou o modelo de determinação social 
da saúde proposto por Dahlgren e Whitehead 
(WESTPHAL, 2012). 
Desigualdades sociais em saúde
Diferença na inserção social dos indivíduos, re-
partição do poder e propriedade.
Positiva = valores de cooperação e solidariedade.
Negativa = exploração, dominação e produção 
de doença.
(Rita Barradas Barata)
O modelo entende que a saúde compreende três 
dimensões: a biológica, a social e cultural (BA-
RATA, 2012).
A dimensão biológica compreende as caracte-
rísticas biológicas marcadas pela interação genó-
tipo-fenótipo, ou seja, a genética e a modulação 
das potencialidades são herdadas pelas condi-
ções concretas da existência que irão resultar nas 
manifestações fenotípicas, como a idade/sexo e 
fatores hereditários X estilo de vida. Na dimen-
são social, inclui os grupos sociais e as formas 
de consciência e condutas resultantes de suas 
interações, bem como a forma de constituição 
dessas comunidades.
24 Saúde e Doença - uma Perspectiva Atualizada
A dimensão cultural inclui as condições de 
vida e de trabalho e suas formas de organização 
que compreende as condições socioeconômicas, 
culturais e ambientais gerais.
O relatório da Comissão Nacional de determi-
nantes sociais de saúde (COMISSÃO NACIONAL, 
2008, on-line)2, ao analisar a situação de saúde de 
uma população, relacionando os Determinantes 
sociais de saúde, considera os seguintes itens:
1. Situação e tendências da evolução de-
mográfica, social e econômica do país: 
traça um panorama geral de referência 
para a análise da situação de saúde, des-
crevendo a evolução desses macrodeter-
minantes, particularmente nas últimas 
quatro décadas. Inclui dados sobre cresci-
mento populacional, fecundidade, morta-
lidade, migrações, urbanização, estrutura 
do mercado de trabalho, distribuição de 
renda e educação.
2. A estratificação socioeconômica e a saú-
de: apresenta a situação atual e tendências 
da situação de saúde no país, destacando 
as desigualdades de saúde segundo va-
riáveis de estratificação socioeconômica, 
como renda, escolaridade, gênero e local 
de moradia.
3. Condições de vida, ambiente e traba-
lho: apresenta as relações entre situação 
de saúde e condições de vida, ambientee trabalho, com ênfase nas relações entre 
saneamento, alimentação, habitação, am-
biente de poluição, acesso à informação e 
serviços de saúde e seu impacto nas con-
dições de saúde dos diversos grupos da 
população.
4. Redes sociais, comunitárias e saúde: 
inclui evidências sobre a organização co-
munitária e redes de solidariedade e apoio 
para a melhoria da situação de saúde, des-
tacando, particularmente, o grau de de-
senvolvimento dessas redes nos grupos 
sociais mais desfavorecidos.
5. Comportamentos, estilos de vida e saú-
de: inclui evidências existentes no Brasil 
sobre condutas de risco, como hábito de 
fumar, alcoolismo, sedentarismo, die-
ta inadequada, entre outros, segundo os 
diferentes estratos socioeconômicos da 
população.
6. Saúde materno-infantil e saúde indí-
gena: por sua importância social e por 
apresentarem necessidades específicas de 
políticas públicas, são dedicadas seções 
especiais sobre saúde materno-infantil e 
saúde indígena.
Além disso, podem ser incluídos: saúde e am-
biente nas grandes cidades; seguridade social e 
saúde; cultura e promoção da saúde; distribuição, 
acesso e utilização de serviços de saúde em áreas 
urbanas; violência e saúde; iniciativas comunitá-
rias de promoção e proteção da saúde; desempre-
go e saúde, entre outros.
A COMISSÃO NACIONAL SOBRE OS DETERMINANTES SOCIAIS DA SAÚDE foi criada, em 2006, para 
produção de conhecimentos e informações sobre os determinantes sociais e de saúde (DSS), bem 
como revisão e análise de políticas e programas de intervenção sobre os DSS e comunicação sobre 
a importância e possibilidades de atuação sobre eles.
Fonte: Comissão Nacional (2008, on-line)2.
25UNIDADE 1
Os Principais 
Determinantes 
Sociais de Saúde 
no Brasil 
E a saúde do Brasil, como vai? 
A situação de saúde, vida e trabalho da po-
pulação brasileira vem passando por grandes 
transformações nas quatro últimas décadas, in-
fluenciadas pelas mudanças econômicas, sociais 
e demográficas ocorridas no país, é o que mostra 
o Relatório elaborado pela Comissão Nacional 
sobre os Determinantes Sociais da Saúde.
A seguir, elaboramos uma síntese com base 
no Relatório, destacando os principais aspec-
tos que marcam a evolução demográfica, social 
e econômica relacionadas à saúde, questões de 
vida, ambiente e trabalho, as redes sociais e o 
comportamento e estilo de vida dos brasileiros, 
agrupados em três grandes itens: 1) Tendências 
demográfica, social e econômica; 2) Redes socias, 
e 3) Condições de vida e de saúde (COMISSÃO 
NACIONAL, 2008, on-line)2. 
26 Saúde e Doença - uma Perspectiva Atualizada
1. Tendências demográficas, social e 
econômica
A urbanização foi apontada como um fator impor-
tante de mudanças, em que, a partir da década de 
70, influenciada pela industrialização, promoveu 
mudanças no setor econômico e na forma de viver 
das pessoas que, saindo do campo para viver na ci-
dade, buscavam trabalho e melhores condições de 
vida; no entanto, a oferta de infraestrutura e servi-
ços urbanos não acompanhou a grande demanda, 
a tal ponto que, em 1980, havia 38,2 milhões de 
moradores em domicílios urbanos inadequados.
O PIB per capita passou de 2.060 dólares, em 
1960, para 5.250, em 2000 e 5.720, em 2006. En-
tretanto, esse extraordinário aumento da riqueza 
produzida e a modernização da economia não 
significaram melhoria na distribuição e urbaniza-
ção; o crescimento do transporte e das indústrias, 
assim como a expansão da fronteira agrícola, cria-
ram as condições propícias para uma permanente 
exposição de contingentes populacionais, pro-
gressivamente maiores à poluição atmosférica e 
dos corpos hídricos. 
Alterações na fecundidade: a taxa média geo-
métrica de crescimento anual da população pas-
sou de 2,89%, no período 1960/1970, para 1,64%, 
no período 1991/2000. A taxa de fecundidade, que 
se mantinha estável desde 1940, passou a cair de 
maneira acelerada a partir de 1960.
Envelhecimento da população e aumento da 
expectativa de vida: a proporção de jovens de 0 a 
14 anos que era de 42,6%, em 1960, passou para 
30%, em 2000, e deverá atingir 18% em 2050, en-
quanto que a de idosos maiores de 65 anos, que 
era de 2,7%, em 1960, passou para 5,4%, em 2000, 
e no ano de 2050 deverá superar a de jovens, al-
cançando 19%.
Quanto à esperança de vida ao nascer, houve um 
ganho de mais de 20 anos, entre 1960 e 2006, para 
o Brasil como um todo. O valor de 72,4 anos, em 
2006, é 9 anos inferior ao do Japão, país com a maior 
expectativa de vida ao nascer em todo o mundo. 
O crescimento rápido do peso relativo dos ido-
sos tem um impacto importante na economia e 
na sociedade, obrigando a definição de políticas 
públicas que possam fazer frente a esse fenômeno 
sem paralelo na experiência mundial.
O Brasil gasta 7% do Produto Interno Bruto 
(PIB) em saúde, cerca de 530 dólares per capita, 
abaixo de Argentina (US$ 1.045), Chile (US$ 827) 
e Uruguai (US$ 781), para citar alguns países do 
Cone Sul.
2. Redes sociais
Diversos estudos mostram que não são as socie-
dades mais ricas que possuem melhores níveis 
de saúde, mas as que são mais igualitárias e com 
alta coesão social. Nessas sociedades, as pessoas 
são mais envolvidas com a vida pública, vivem 
mais, são menos violentas e avaliam melhor sua 
própria saúde.
Um importante indicador da riqueza do ca-
pital social é relação de confiança entre as pes-
soas. Segundo dados da Pesquisa Social Brasileira 
(PSB), que realizou 2.363 entrevistas entre julho 
e outubro de 2002, as relações de confiança, no 
Brasil, são extremamente débeis, praticamente 
limitando-se à confiança em familiares; enquanto 
84% das pessoas confiam na família, apenas 15% 
confiam na maioria das pessoas.
3. Condições de vida e de saúde
Os índices de cobertura dos serviços de água e 
esgoto, no período de 1999 a 2004, têm aumentado. 
Entretanto, enquanto nas regiões Sul e Sudeste, res-
pectivamente, 83% e 91% da população estava co-
berto pela rede geral de abastecimento de água, na 
região Norte, a cobertura desses serviços alcançava 
apenas 54,8% da população, e no Nordeste 72%. Es-
27UNIDADE 1
tudos apontam para o fato que 53% da população 
brasileira ainda não teria acesso a um saneamento 
adequado, e no atual ritmo de ampliação do acesso 
à universalização só se daria em 115 anos.
Quanto à educação, em 1940, 56% da popula-
ção brasileira era analfabeta, percentual que cai 
para 40%, em 1960, e 13,6%, no ano 2000. No nível 
fundamental, a cobertura é quase universal, en-
tre 7 a 14 anos em todas as regiões, tanto na área 
urbana como rural; já no ensino médio, a taxa 
de frequência entre 15 a 17 anos ainda é bastan-
te baixa para o Brasil como um todo; no ensino 
superior, é possível observar que quanto maior a 
renda, maior é o acesso ao ensino superior público 
em todas as regiões.
Os efeitos do nível de instrução se manifestam 
das mais diferentes formas: na percepção dos 
problemas de saúde; na capacidade de entendi-
mento das informações sobre saúde; na adoção 
de estilos de vida saudáveis; no consumo e uti-
lização dos serviços de saúde; e na adesão aos 
procedimentos terapêuticos.
O acesso equitativo aos serviços de saúde é de 
grande importância para a qualidade de vida e de 
saúde de um país; os números do SUS impressio-
nam pela magnitude. No ano de 2005, foram reali-
zadas cerca de 450 milhões de consultas médicas; 
11,8 milhões de internações; 2,6 milhões de partos; 
250 milhões de exames laboratoriais; 40 milhões 
de vacinações; 80 mil cirurgias cardíacas e 20 mil 
transplantes de órgãos. 
O Programa de saúde da família, iniciado em 
1994, conta, em 2008, com cerca de 27,5 mil equi-
pes (mais de 150 mil profissionais) atuando em 
5.131 municípios (92% do total de municípios 
brasileiros, com cobertura de 44% da população). 
O Programa Nacional de Imunização (PNI) al-
cançou uma cobertura praticamente universal 
em menores de um ano de idade, a partir de 1999, 
quando chegou a 94,7%, enquanto que, em 1978, 
atingia somente 40% das crianças.
No entanto, o relatórioaponta que, apesar des-
ses inegáveis avanços na produção de serviços e 
dos princípios de universalidade e equidade que 
regem o SUS, ainda se observam importantes de-
sigualdades na oferta de recursos e serviços, assim 
como uma forte influência da posição social dos 
indivíduos no acesso, utilização e qualidade dos 
serviços de saúde.
Quanto à situação de saúde, a taxa de mor-
talidade infantil (TMI), que era de 124 óbitos no 
primeiro ano de vida para cada mil nascidos vivos, 
em 1960, caiu para 48,3, em 1990; 35,26, em 2000; 
e 25,1, em 2006. 
A proporção de mortes de menores de um 
ano de idade, sobre o total de óbitos, reduziu-se 
de 24%, em 1980, para 5%, em 2005, variando de 
11,3%, na Região Norte, a 3,4%, na Região Sul. Em 
2003, 58% dos óbitos informados ocorreram na 
faixa de 60 ou mais anos de idade, com variações 
de 43%, na Região Norte, a 62%, na Região Sul.
Quanto à mortalidade masculina e a feminina, 
entre 1960 e 2006, a sobremortalidade masculina 
cresceu acentuadamente, principalmente na faixa 
dos 20 aos 24 anos de idade: em 1960, a chance de 
um homem com 20 anos de idade morrer antes 
de passar para o grupo etário seguinte (25 a 29 
anos) era 1,1 vez maior que a de uma mulher do 
mesmo grupo etário. 
Em 2006, a chance masculina, na mesma com-
paração com a chance feminina, no mesmo grupo 
etário (20 a 24 anos), aumentou para 4,1 vezes. A 
principal causa do aumento da sobremortalidade 
masculina são os óbitos por causas externas (ou 
violentos).
Nas regiões Sudeste e Sul, pela primeira vez, a 
mortalidade por doenças cardiovasculares superou 
a mortalidade por doenças infecciosas, o que viria 
a ocorrer nas Regiões Norte, Nordeste e Centro-
-Oeste duas décadas depois, durante os anos 80. 
Observa-se um processo de transição nutri-
cional, que consiste na substituição de um pa-
28 Saúde e Doença - uma Perspectiva Atualizada
drão alimentar, baseado no consumo de cereais, 
feijões, raízes e tubérculos, por uma alimentação 
mais rica em gorduras (especialmente hidroge-
nadas) e açúcares, além da crescente ingestão de 
ingredientes químicos, aumentando o risco de 
sobrepeso e obesidade, aparecimento de doenças 
crônicas e incapacidades.
Os fatores relacionados a comportamentos e 
estilos de vida, como tabagismo, baixo consumo 
de frutas, de legumes e de verduras e o consumo 
de álcool são os principais fatores de risco para 
morte por câncer em países de baixa e média ren-
da, o que é o caso brasileiro. 
Estima-se que o tabagismo seja responsável 
por 18% das mortes por câncer; o baixo consumo 
de frutas, legumes e verduras por 6%; e o consumo 
de álcool por 5%. 
A saúde do trabalhador também é uma preo-
cupação, pois os problemas de saúde dos traba-
lhadores estão intimamente relacionados com o 
grau de desenvolvimento alcançado por um país 
ou uma região. 
A esses problemas se associam o deteriora-
mento das condições de trabalho e crescentes da-
nos ambientais. Os acidentes de trabalho são um 
dos subprodutos dessas tendências, juntamente 
com uma grande carga de doenças profissionais 
e doenças relacionadas ao trabalho, cujas con-
sequências contribuem para o agravamento dos 
problemas sociais que o país enfrenta.
No Brasil, verifica-se a presença de algumas 
doenças já controladas em países desenvolvidos, 
como a silicose e outras pneumoconioses, enve-
nenamento por chumbo, asbestose, síndrome do 
túnel do carpo, doenças dermatológicas causadas 
por compostos químicos, além dos sintomas e 
desordens mentais relacionadas ao stress, como 
a síndrome do Burnout. 
A poluição também é uma preocupação, devi-
do aos efeitos adversos sobre a saúde das popula-
ções expostas. Estima-se que o número de mortes 
causadas por problemas decorrentes da poluição 
atmosférica no mundo é de cerca de 3 milhões por 
ano, o que representa 5% do total de 55 milhões 
de mortes que ocorrem anualmente no mundo. 
Em algumas populações, cerca de 30% a 
40% dos casos de asma e 20% a 30% de todas as 
doenças respiratórias podem ser relacionadas à 
poluição atmosférica. Outros efeitos referem-se 
a perdas econômicas, aumento no absenteísmo 
escolar, dias de trabalho perdidos e nebulizações.
Busque saber sobre os membros da Comis-
são Nacional de Determinantes Sociais de Saú-
de (CNDSS) e reflita sobre a importância da 
diversidade de olhares sobre os determinantes 
de saúde.
Para saber mais e se inteirar, acesse o relatório da comissão nacional sobre os determinantes sociais 
da saúde, intitulado “As causas sociais das iniquidades em saúde no Brasil”.
Fonte: Comissão Nacional (2008, on-line)2.
29UNIDADE 1
É possível observar as mudanças ocorridas nas 
condições de vida e de saúde da população bra-
sileira, condicionadas aos fatores econômicos, 
socioculturais e políticos, ao longo dos anos.
Agora, quando tomamos como foco os servi-
ços de saúde no Brasil, é possível observar mudan-
ças significativas no decorrer dos anos, do mesmo 
modo, influenciados por fatores econômicos, so-
cioculturais e políticos.
Diversos autores fazem análises e escrevem 
sobre o sistema de saúde brasileiro, mas tomamos 
por referência a análise de Carvalho, Martin e 
Cordoni Jr (2001), os quais identificaram quatro 
tendências: Sanitarismo Campanhista, período de 
Transição, Modelo médico assistencial privatista 
e o Modelo plural.
Vejamos um pouco de cada uma dessas ten-
dências.
Organização dos Serviços 
de Saúde no Brasil
30 Saúde e Doença - uma Perspectiva Atualizada
1. Sanitarismo Campanhista
Tal tendência vigorou no país do início do século 
XX até 1945 e recebeu esse nome porque tinha, 
nas campanhas sanitárias, sua principal estratégia 
de saneamento.
O Brasil tinha sua economia baseada na agri-
cultura e na exportação do café; o comércio e o es-
paço nos portos era prioridade, devendo ser livre 
de doenças e saneados. Devido a isso, o sistema de 
saúde adotado foi o modelo das campanhas sanitá-
rias, com foco no combate das endemias urbanas e 
rurais. A assistência individual era privada, hospitalar 
com caráter de assistência social e as Santa Casas de 
Misericórdia atendiam quem não podia pagar. 
Em 1923, com a Lei Elói Chaves, surge a as-
sistência previdenciária no país e a criação das 
Caixas de Aposentadoria e Pensão nas empresas 
de estradas de ferro para os empregados, as quais 
ofereciam benefícios de aposentadorias e pen-
sões, assistência médica e farmacêutica; logo em 
seguida, os portuários e marítimos criaram seus 
Institutos de Previdência, nascendo uma nova 
estrutura de previdência social por categoria de 
trabalhadores, denominadas de Institutos de Apo-
sentadorias e Pensão (IAP). 
Em 1930, o ministério da Educação e Saúde 
passa a coordenar as ações de saúde coletiva. 
2. Período de Transição
Esse período é compreendido entre 1945 a 1960, 
marcado pelo pós-guerra e a crise previdenciária. 
Nesse período, a previdência social passa a ter 
grande importância e a ser utilizada como instru-
mento político; também foi nesse período que o 
Ministério da Saúde foi criado (1953). 
Ocorre, também, a unificação dos Institutos 
(IAPs), em 1967, e a criação do Instituto Nacional 
de Previdência Social (INPS), marcada pela exclusão 
de trabalhadores e empregados da gestão pela cres-
cente influência da indústria farmacêutica, médico 
hospitalares e os proprietários de hospitais. 
3. Modelo médico assistencial privatista
O modelo médico assistencial privatista marca o 
período entre 1960 a 1980, caracterizado pela prá-
tica médica curativa, individual, assistencialista e 
especializada em detrimento da saúde pública e 
a criação com intervenção estatal de um comple-
xo médico privado, organizando o estado como 
financiador, o setor privado nacional como pres-
tador de serviços e o setor privado internacional 
como produtor de insumos. 
O Brasil vivia o período da ditadura militar, 
marcado por atos institucionais e decretos pre-
sidenciais de cunho arbitrário e que alteravam 
direitos de cidadania, informação, organização 
social e política. 
A saúde, que estava ligadaà assistência social, 
tem sua ampliação na década de 70, com a cober-
tura para os trabalhadores rurais, as empregadas 
domésticas e os trabalhadores autônomos domés-
ticos. Em 1974, cria-se o Ministério da Previdência 
e Assistência Social, que atua no atendimento mé-
dico assistencial individualizado e o Ministério da 
Saúde se volta ao atendimento coletivo e vigilância 
sanitária. 
Com a crise econômica no final da década de 
70, foi impulsionado o Movimento da Reforma 
Sanitária que discutia reformas nas políticas de saú-
de, surgindo as ideias de medicina comunitária e 
o conceito de Atenção Primária à Saúde (OMS). 
O Movimento da Reforma Sanitária ajuda a 
fortalecer o processo de Transição democrática, 
ocorrido em 1984 com a 8° conferência Nacional 
de Saúde, em 1986, em que se discutiu a criação 
do Sistema Único de Saúde (SUS) e culminou 
com sua promulgação na Constituição em 1988. 
31UNIDADE 1
4. Modelo plural
A partir de 1988, o Sistema Único de Saúde (SUS) 
foi incluído ao sistema de saúde brasileiro privado, 
garantindo acesso universal e igualitário às ações e 
serviços de saúde a todos os brasileiros, colocando 
a saúde como direito de todos e dever do estado. 
O setor lucrativo privado de atenção médica 
supletiva, que iniciou-se em 1954, fortalece na dé-
cada de 80 pela precariedade dos serviços públicos, 
criando, assim, a medicina de grupo, as cooperati-
vas médicas, e os seguro saúde. Regulamentados 
e fiscalizados pelo Estado, aliado ao setor não lu-
crativo, as instituições filantrópicas (Santas Casas) 
configuram o sistema de saúde atual brasileiro. 
Em síntese, gostaria de trazer o pensamento de 
Cohn (2012) acerca da política de saúde brasileira, 
o qual considera que tanto sua configuração e 
implementação são processos complexos de jo-
gos de interesses e valores múltiplos existentes 
na sociedade e que, em nossa sociedade desigual, 
as políticas sociais e de saúde devem priorizar os 
segmentos socialmente mais vulneráveis, com a 
lógica da universalização, integralidade e da equi-
dade da atenção à saúde, o que depende tanto 
da vontade política dos governantes quanto da 
sociedade, para que os direitos sociais se consti-
tuam como uma realidade marcada com maior 
justiça social.
Ao prestar a assistência ao indivíduo, à família 
ou à comunidade, deve ser considerado quem é 
ou quem são os usuários, como se apresentam na 
situação de necessidade de saúde, seus direitos, 
deveres, valores e prerrogativas. O ser humano é 
complexo e não há como abranger sua totalidade 
por uma única definição. Mesmo que a pessoa seja 
considerada um ser biopsicossocial e espiritual, 
não consegue expressar toda sua individualidade 
e singularidade. Os profissionais da saúde apren-
dem sobre estrutura e função humana por meio 
do estudo da anatomia, da fisiologia, da psicolo-
gia, da sociologia e da patologia, além das várias 
maneiras de assistir, de abordar e se relacionar 
profissionalmente com o indivíduo, a família ou 
a comunidade.
Para saber mais da história do sistema brasileiro 
de saúde, leia o texto de Paim et al(2011) “O 
sistema de saúde brasileiro: história, avanços 
e desafios”, disponível em: . Acesso em: 19 out. 2018.
O artigo, publicado em 2011 pelo periódico The 
Lancet, faz parte de uma série de publicações que 
analisam as melhorias nas condições de saúde e 
na expectativa de vida da população brasileira. 
Nesse artigo, é apresentado um panorama das 
principais conquistas e desafios relativos às 
políticas públicas de saúde no Brasil, com especial 
destaque ao Sistema Único de Saúde (SUS).
32 Saúde e Doença - uma Perspectiva Atualizada
Não podemos nos esquecer de que o am-
biente é o local onde a pessoa se encontra com 
as coisas ao seu redor e que exercem nela in-
fluências, afetando-a de várias maneiras. É ne-
cessário compreender as condições impostas 
como passíveis de interferência e atentar para 
não culpar os indivíduos quando tais condições 
forem insalubres e interferirem em seu estilo 
de vida. Trabalhar com as condições de vida 
impostas requer um trabalho interdisciplinar 
e intersetorial. A área da saúde, sozinha, não 
consegue assegurar qualidade de vida e, conse-
quentemente, de saúde. É na esfera da ética que 
compreenderemos a necessidade do empenho 
de parte significativa da sociedade para assegu-
rar a dignidade da vida humana.
Cabe aos profissionais da saúde rever em sua 
prática, buscando entender que não basta traba-
lhar com as doenças, é necessário compreender 
o indivíduo no todo como alguém que vive a ex-
periência da necessidade, do adoecimento, carre-
gada de valores e significados subjetivos, únicos, 
capazes de interferir na qualidade do cuidado 
prestado. Assim, resta-nos, como profissionais da 
saúde, enfrentar o desafio de construir estratégias 
para conceber a saúde no âmbito da atenção bá-
sica de forma mais solidária e menos punitiva na 
convivência com os estilos de vida individuais.
33
1. O grande desafio do conceito ampliado de saúde é a operacionalização de suas 
particularidades pelos trabalhadores da saúde, em especial aqueles que lidam 
diretamente com a população. Diante disso, em relação às premissas a seguir, 
assinale a alternativa que possibilita a concretude e expressão do conceito nas 
práticas cotidianas dos serviços.
a) Criando ambientes favoráveis à saúde, reforçando a ação comunitária, aumen-
tando o número de serviços de saúde.
b) Reforçando a ação comunitária, desenvolvendo habilidades pessoais e forman-
do um maior número de profissionais de saúde.
c) Criando ambientes favoráveis à saúde, reforçando a ação comunitária, desen-
volvendo habilidades pessoais.
d) Reforçando a ação comunitária, educando a população e formando um maior 
número de profissionais de saúde.
e) Aumentando o número de serviços de saúde, formando mais profissionais de 
saúde e criando ambientes favoráveis à saúde.
2. Procure uma música ou um filme que traga uma percepção da situação de saú-
de ou noção de saúde, ou que retrate a “cara” da sociedade em que vivemos, 
registre em seu caderno e justifique a escolha com base nos determinantes 
sociais de saúde.
3. De acordo com a Visão Socioambiental da saúde, descreva o conceito de saúde, 
seus determinantes, as estratégias e os programas de saúde.
4. Explique o modelo de determinação social da saúde proposto por Dahlgren e 
Whitehead.
5. Qual a crítica ao Modelo Plural de saúde brasileiro?
Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução.
34
Tratado de Saúde Coletiva
Gastão Wagner de Sousa Campos
Editora: Hucitec
Sinopse: o livro apresenta um panorama dos principais assuntos de que se 
ocupa a saúde coletiva, estabelecendo um diálogo com docentes e discentes 
de graduação e pós-graduação das profissões de saúde.
LIVRO
Visite o portal da saúde do Ministério da Saúde. Você encontrará: Blog da saúde, 
Web rádio saúde e Canal saúde, que contribuem com informações e notícias 
sobre a saúde, aberto a todos os cidadãos, trabalhadores e gestores de saúde 
e Ministério da Saúde.
Para acessar, use seu leitor de QR Code.
WEB
35
Políticas de saúde no brasil: Um século de luta pelo direito à saúde
Ano: 2006
Sinopse: O documentário conta a história das políticas de saúde em nosso país, 
mostrando como ela se articulou com a história política brasileira, destacando 
os mecanismos que foram criados para sua implementação, desde as Caixas 
de Aposentadorias e Pensões até a implantação do SUS. Sua narrativa central 
mostra que a saúde era considerada, no início do século XX, um dever da po-
pulação, com as práticas sanitárias implantadas autoritariamente pelo Estado, 
de modo articulado aos interesses do capital, e como, no decorrer do século, 
por meio da luta popular, essa relação se inverteu, passando a ser considerada, 
a partir da Constituição de 1988, um direito do cidadão e um dever do Estado. 
Toda essa trajetória é contada por meio de uma narrativa ficcional, vivida por 
atores,com reconstrução de época, apoiada por material de arquivo. Para tor-
nar a narrativa mais leve e atraente, o filme se vale da linguagem dos meios de 
comunicação dominantes em cada época, como o jornal, o rádio, a TV Preto e 
branco, a TV colorida e, por fim, a internet. 
O filme foi realizado por iniciativa da Secretaria de Gestão Estratégica e Partici-
pativa, do Ministério da Saúde, em parceria com a Organização Pan-Americana 
da Saúde - OPAS e a Universidade Federal Fluminense/UFF. A obra, de caráter 
formativo, terá distribuição gratuita em todo o país, dirigida especialmente aos 
Conselhos de Saúde, instituições de ensino e movimentos sociais ligados à saúde. 
Estimula-se que o filme seja utilizado nas etapas municipais e estaduais da 13ª 
Conferência Nacional de Saúde. Uma versão legendada em espanhol e inglês 
está sendo discutida com a OPAS, para divulgação junto a países da América 
Latina, Caribe e África, que buscam no SUS uma referência. O documentário 
é composto por 5 capítulos, que podem ser assistidos em sequência, com 60 
minutos de duração, ou separadamente; cobrindo os seguintes períodos: 1900 
a 1930; 1930 a 1945; 1945 a 1964; 1964 a 1988; e 1988 a 2006.
FILME
36
BACKES, M. T. S. et al. Conceitos de saúde e doença ao longo da história sob o olhar epidemiológico e antro-
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1Em: . Acesso em: 18 out. 2018.
2Em: . Acesso em: 18 out. 2018.
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1. C.
2. O aluno é livre na escolha, mas deve justificá-la relacionando os determinantes sociais de saúde (biológico, 
social e cultural).
3. 
Conceitos de saúde
Bem-estar biopsicossocial.
Necessidades de saúde.
Determinantes de 
saúde Condições de riscos diversas.
Estratégias
Ação política, espaços saudáveis, empoderamento 
da população, desenvolvimento de habilidades, reo-
rientação de serviços.
Desenvolvimento 
de programas
Comunidade em diálogo crítico com profissionais 
e agências.
4. O modelo entende que a saúde compreende três dimensões: a biológica, a social e cultural.
A dimensão biológica compreende as características biológicas marcadas pela interação genótipo-fenótipo, 
ou seja, a genética e a modulação das potencialidades são herdada pelas condições concretas da existência 
que irão resultar nas manifestações fenotípicas, como exemplo, a idade/sexo e fatores hereditários X estilo 
de vida. Na dimensão social, inclui os grupos sociais e as formas de consciência e condutas resultantes de 
suas interações, bem como a forma de constituição dessas comunidades. A dimensão cultural inclui as 
condições de vida e de trabalho, suas formas de organização que compreende as condições socioeconô-
micas, culturais e ambientais gerais.
5. “E um sistema público de saúde dual, políticas de saúde centralizadas e verticalizadas, tradição histórica 
da saúde vinculada ao mercado de trabalho, o sistema privado prestador com origem na década de 20 
como fruto da política previdenciária, distribuição de equipamentos de saúde altamente desigual, modelo 
de atenção comandado pela lógica médica e hospitalocêntrico, duplo comando da previdência social que 
prestava serviços de assistência à saúde e o Ministério da Saúde relativos a ações coletivas, dualidade 
na assistência dos trabalhadores por categorias (década de 30), e na diferenciação do acesso segundo a 
posição no mercado de trabalho (década de 70), herança de um setor privado de produção de assistência 
médica que se constituiu sob as sombras e financiamento do Estado”.
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PLANO DE ESTUDOS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
• Conhecer brevemente a história que antecedeu o SUS.
• Identificar os interesses, conflitos e necessidades sociais 
que deram origem ao SUS.
• Conhecer os objetivos e princípios do SUS.
• Descrever as diretrizes contidas nos pactos intergestores: 
Pacto pela vida, Pacto em defesa do SUS e Pacto de gestão.
• Compreender o conceito de rede de atenção e seus com-
ponentes.
Antecedentes do SUS
O processo de construção do SUS Pactos pela saúde
Redes de atenção à saúdeEntendendo o SUS
Dra. Marcela Demitto Furtado
História da Saúde 
Pública no Brasil
Antecedentes do SUS
Olá, caro(a) aluno(a). Já demos o primeiro passo 
na compreensão do processo saúde-doença quan-
do estudamos, na unidade anterior, um pouco 
sobre alguns conceitos, os fatores determinantes 
e condicionantes do processo saúde-doença e a 
realidade brasileira, bem como os modelos de 
Atenção à Saúde.
Para compreendermos um pouco mais como 
esse processo se dá na atualidade, é fundamen-
tal resgatarmos um pouco de história, afinal, to-
dos nós somos frutos de um passado e de uma 
história, sofremos influências ao longo da vida, 
fazemos escolhas, e tudo isso contribuiu para a 
formação da pessoa que somos hoje.
Da mesma forma, o setor saúde também foi 
construído com base na história. O contexto po-
lítico-social, a economia, o desenvolvimento da 
ciência e pesquisa e a situação geral do Brasil, bem 
como acontecimentos a nível mundial, ao longo 
dos anos, refletiram diretamente na saúde e cons-
trução das políticas públicas.
43UNIDADE 2
Nesta unidade, estudaremos a história e a evo-
lução da saúde pública no Brasil, destacando a cria-
ção do Sistema Único de Saúde (SUS), que é um 
dos maiores sistemas públicos de saúde do mundo. 
Abordaremos seus objetivos e suas diretrizes fi-
losóficas e organizativas, bem como as reformas 
institucionais que deram origem aos Pactos pela 
Saúde, além de discutirmos sobre as mudanças no 
modelo de atenção com a implantação das Redes 
de Atenção à Saúde.
O conhecimento adquirido aqui será funda-
mental para a compreensão das demais unidades, 
além de permitir uma visão mais ampliada e crítica 
sobre a organização dos serviços de saúde no Brasil, 
contexto no qual o profissional da saúde irá atuar.
Vamos, então, mergulhar nessa linha do tempo, 
buscando entender um pouco mais desse uni-
verso tão vasto de informações no contexto da 
Saúde Pública.
Para conhecer a história da saúde no Brasil pre-
cisamos entender um pouco da história do nosso 
país, já que os acontecimentos sociais, políticos e 
econômicos refletiram diretamente na construção 
da saúde pública. 
Como é de conhecimento de todos,em meados 
de 1500, a saúde retratava a brutalidade imposta 
pela colonização portuguesa: abandono social do 
homem livre, extermínio de bandeirantes e civili-
zações indígenas, escravidão dos negros africanos, 
os quais viviam em senzalas, sob tortura e sem con-
dições mínimas de higiene.
As doenças, nesse período, eram vistas, muitas 
vezes, como castigos divinos pelo pecado do ho-
mem. Para o tratamento, as pessoas procuravam 
por feiticeiros, curandeiros, boticários e, também, 
pelas Casas de Saúde filantrópicas ligadas à Igreja 
Católica ou aos militares. Tudo isso custava di-
nheiro, logo, quem não podia pagar ficava sem 
assistência. A estratégia de controle adotada nessa 
época para as doenças pestilenciais, como lepra e 
varíola, era o confinamento, tratando-se, portanto, 
de uma medicina de exclusão.
Você sabia que a lepra é uma das doenças mais antigas do mundo, mas que hoje tem tratamento e cura?
A lepra, também conhecida como hanseníase, é uma doença infecciosa, contagiosa, causada por uma 
bacilo chamado Mycobacterium leprae, que afeta nervos e pele. A transmissão se dá pelas vias aéreas, 
como secreções nasais, gotículas da fala, tosse e espirro de pacientes considerados bacilíferos, ou 
seja, sem tratamento. Antigamente, as pessoas doentes ficavam nos leprosários, isoladas da socie-
dade. Hoje, todos os casos têm tratamento e cura. Os pacientes podem ser tratados gratuitamente 
no Sistema Único de Saúde. 
Fonte: Brasil (2008).
44 História da Saúde Pública no Brasil
A partir do século XIX, com a vinda da família 
real ao Brasil, é que se começou a pensar em po-
líticas públicas de saúde; afinal, era preciso uma 
estrutura sanitária mínima que pudesse dar su-
porte ao poder que se instalava na cidade do Rio 
de Janeiro (POLIGNANO, 2001).
Até meados de 1850, a saúde pública estava 
limitada às juntas municipais e ao controle de na-
vios e saúde dos portos (BERTOLOZZI; GRECO, 
1996).
Com a Proclamação da República, em 1889, o 
país adotou uma forma de organização capitalista. 
O período compreendido entre 1889 e 1930, deno-
minando de Primeira República, foi marcado pelo 
surgimento das primeiras indústrias e investimen-
to estrangeiro (BERTOLOZZI; GRECO, 1996).
Com a falta de um modelo sanitário, a saúde 
tornou-se caótica, caracterizada pelo predomínio 
de diversas doenças graves, como tuberculose, sífi-
lis, varíola, febre amarela, entre outras. Tal situação 
gerou sérias consequências, tanto para a saúde 
coletiva quanto para o setor do comércio exterior, 
já que os navios estrangeiros não queriam mais 
atracar no porto do Rio de Janeiro (POLIGNA-
NO, 2001).
Nesse período, Rodrigues Alves, o atual pre-
sidente do Brasil, nomeou Oswaldo Cruz como 
Diretor do Departamento Federal de Saúde Pú-
blica, com a finalidade de erradicar a epidemia da 
febre amarela. Assim, várias condutas arbitrárias 
e que não haviam sido esclarecidas à população 
foram tomadas para combater o mosquito que 
transmite a doença, o que gerou insatisfação e re-
volta da população. Esse modelo de intervenção 
ficou conhecido como campanhista (SINGER; 
CAMPOS, 1978).
Somado a isso, em 1904, a Lei federal n° 1.261 
instituiu a vacinação obrigatória anti-varíola para 
todo o território nacional, o que culminou com 
vários conflitos entre a população e as forças do 
governo (policiais e militares). Essa manifestação 
popular ficou conhecida como Revolta da Vacina 
(SINGER; CAMPOS, 1978).
Mesmo permeado por abusos, o modelo cam-
panhista obteve conquistas no controle das epide-
mias, conseguindo, por exemplo, erradicar a febre 
amarela do Rio de Janeiro. Ainda nesse período, 
foi incorporado o registro demográfico que per-
mitiu conhecer a população e suas necessidades, 
o laboratório para auxiliar no diagnósticos das 
doenças e a fabricação de produtos profiláticos 
(BERTOLLI FILHO, 1996). 
Com a 1° Guerra Mundial (1914-1918), envol-
vendo as grandes potências do mundo, o Brasil so-
freu consequências na sua economia, o que gerou 
desemprego, redução de salários e elevação do cus-
to de vida. Atrelado a isso, as péssimas condições 
de trabalho e a falta de direitos trabalhistas deram 
origem às greves gerais (BERTOLLI FILHO, 1996).
A partir de então, os trabalhadores passam a 
conquistar alguns direitos sociais que, a princípio, 
relacionam-se apenas ao trabalho e depois abran-
gem a questão da saúde. 
Discutiremos esse assunto no próximo tópico!
45UNIDADE 2
Uma série de eventos, cujas datas serão apresen-
tadas a seguir, contribuíram para a construção do 
SUS como a principal política pública de saúde 
do Brasil. 
Em 1923, foi criada a lei Eloy Chaves – que 
estabelece as Caixas de Aposentadoria e Pensões 
(CAPs) –, marco inicial da Previdência Social no 
Brasil. Tal lei visava garantir pensão aos trabalha-
dores em caso de algum acidente ou afastamento 
do trabalho por doença, e uma futura aposenta-
doria. Com as CAPs, inicia-se o debate sobre a 
importância de atender às necessidades dos traba-
lhadores (ANDRADE; SOARES; JUNIOR, 2001).
Na Era Vargas, foram criados o Ministério da 
Educação e da Saúde Pública e o Ministério do 
Trabalho; este último com o intuito de atender os 
direitos dos trabalhadores, o que, até o momento, 
era inexistente (BERTOLLI FILHO, 1996).
Em 1932, buscando ampliar o papel das CAPs, 
foram criados os Institutos de Aposentadoria e 
Pensões (IAPs), os quais eram organizados por 
categoria profissional. Assim, foram criados o Ins-
tituto de Aposentadoria e Pensões dos Marítimos 
(IAPM), dos Bancários (IAPB), dos Comerciários 
(IAPC), dentre outros; e o Estado passou a parti-
O Processo de 
Construção do SUS
46 História da Saúde Pública no Brasil
cipar da sua administração, controle e financia-
mento (ANDRADE; PONTES; JUNIOR, 2000).
Nesse período, ainda se mantinha o formato do 
vínculo contributivo formal do trabalhador para a 
garantia do benefício, ou seja, aquele que não con-
tribuísse estava excluído do sistema de proteção, o 
que se configurava como uma injustiça social, já 
que não havia o mesmo direito para todos.
Em 1966, com a unificação dos IAPs, foi criado 
o Instituto Nacional de Previdência Social (INPS), 
que permitia que todo trabalhador urbano com 
carteira assinada se tornasse, automaticamente, 
contribuinte e beneficiário do sistema. Tal órgão 
gerou uma certa insatisfação nos contribuintes 
dos institutos com mais benefícios, pois, com a 
unificação, os mais pobres iriam receber mais be-
nefícios (ANDRADE; SOARES; JUNIOR, 2001).
Em 1977, foi criado o Instituto Nacional de As-
sistência Médica e Previdência Social (INAMPS), 
grande órgão governamental que prestava assis-
tência médica apenas aos trabalhadores da eco-
nomia formal, com carteira assinada, e seus de-
pendentes. Tal assistência à saúde estava atrelada 
basicamente à custa de compra de serviços médi-
co hospitalares e especializados do setor privado 
(BAPTISTA, 2003). 
A década de 80 foi marcada por movimentos 
de contestação ao sistema de saúde. Um evento 
que marcou a história foi a realização da VIII 
Conferência de Saúde, que aconteceu em março 
de 1986, presidida pelo médico Sérgio Arouca, 
contudo, pela primeira vez, com a participação 
da comunidade (ANDRADE; PONTES; JU-
NIOR, 2000).
47UNIDADE 2
A VIII Conferência Nacional de Saúde difundiu 
a proposta da reforma sanitária, consagrando um 
conceito ampliado de saúde e reconhecendo esta 
como direito universal e dever do Estado.
Em 1987, ocorreu a implantação do Sistema Uni-
ficado e Descentralizado de Saúde (SUDS), um 
convênio entre o INAMPS e os governos esta-
duais. O SUDS avançou na política de descentra-
lização da saúde, bem como na descentralização 
orçamentária, ocorrendo o que chamamos de 
“estadualização”, ou seja, todo o poder conferido 
Sérgio Arouca é considerado um dos principais 
teóricos e líderes do movimento da reforma 
sanitária. Falecido em agosto de 2003, aos 61 
anos, devido a um câncer no intestino, Arouca 
é reconhecido por sua importante participação 
na construção do Sistema Único de Saúde

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