Prévia do material em texto
OS PRAZOS DA COROA DE MOÇAMBIQUE Jussara Ngwenya & Keval Ramniclal • Unidade política e territorial criada, pelos portugueses como forma de colonização; concessão de terras no vale de Zambeze (5 léguas - cerca de 25 km2) • Eram formadas por terras ocupadas por colonos portugueses e indianos – arrendadas à Coroa portuguesa, por intermédio do Vice-rei da Índia Daí o nome “Prazo” – eram arrendadas a longo prazos ( 1, 2 ou 3 gerações ) Os Prazos da Coroa - O que eram? - Localização ■ Os Prazos ficavam localizados ao longo do rio Zambeze, entre Quelimane e Zumbo, com o objetivo de controlar rotas comerciais; ■ Cada Prazo tinham uma área de cerda de 5 léguas (cerca de 25km) quadrados ■ Os Prazos mais conhecidos – devido ao seu tamanho e influencia – eram: Massango, Massingire, Gorongosa, Makololo, Mangaja, Carazimamba, Kanemba, Makaga e Matakenya. Os Prazos da Coroa Titulares: Senhores prazeiros • Os prazeiros denominados de Prazeiros (Muzungos ou Donas) acabavam por enraizar-se localmente em termos culturais e políticos Muitos criavam alianças com famílias locais e linhagem no o domínio do comércio e agricultura locais • Esta fusão cultural e política acabava por ceder- lhes muito poder sobre a população. Formação dos Prazos Os prazos surgiram no séc. XVI – Após à chegada dos primeiros comerciantes portugueses, que, legal ou ilegalmente, negociavam ao longo do vale Zambeze, até à atual Tete. Em 1618, a Coroa portuguesa regulamentou a lei sobre a concessão das terras, passando a reconhecer os direitos e privilégios destes colonizadores; Tornando-se oficialmente “Prazos da Coroa”; A Coroa reconhecia a um prazo determinado a posse de terra a quem legalizasse, indiferentemente da forma de obtenção. Deveres dos Prazos Os prazeiros tinham de obedecer certas leis/regras determinadas pela Coroa; ■ Reger-se pelas leis régias nos seus territórios; ■ Expandir a civilização portuguesa e a fé cristã; ■ Proteger os habitantes africanos residentes nos Prazos; ■ Pagar um imposto/renda anual de 1/10 do rendimento do prazo – Foro; Problemas e dificuldades no Prazos Ao longo da formação e desenvolvimento dos Prazos, surgiram vários dilemas: ■ A divergência de interesses dos Prazos e da coroa portuguesa – Grande parte dos prazeiros cumpriam penas de degredo; ■ O reduzido de numero prazeiros portugueses face às necessidades da Coroa – Principalmente em termos de divulgação cultural; ■ Reduzido controlo sobre os prazos – Devido à distância relativamente à localização das autoridades portuguesas e ao o crescimento do poder dos prazos; ■ Independência que os prazos tinham em relação à autoridade portuguesa – Devido às alianças com os chefes locais e ao seu desenvolvimento comercial e militar, muitos tornaram-se hostis à intervenção das autoridades portuguesas. Base económica ■ Os prazos tinham como base económica o comércio mercantil - servia, de bolsas de escoamento de mercadorias (ouro, marfim e ouro) – Os comerciantes aproveitavam as condições naturais do rio Zambeze para escoar os produtos até à costa litoral do Índico; ■ Cobravam impostos sobre a população residente – “Mussoco” – pagamento em cereais; ■ A pilhagem era também uma fonte de rendimento – eram feitas em incursões militares ao prazeiros; A localização dos prazos davam muitas vantagens, como o domínio sobre as populações locais. Eles lideravam exércitos privados, com soldados recrutados entre os escravos domésticos e elementos da população A-Chicunda. Estrutura social e administrativa ■ Eram chefiados pelos senhores dos prazos ou prazeiros; ■ Existiam “colonos livres” que também tinham o mesmo domínio; ■ Sob posse dos chefes estavam os escravos e A- Chicundas; Exércitos, organizados em pequenas companhias, chefiadas por um sachicunda; ■ Uma parte dos escravos, os Mussambazes, controlavam o comércio; ■ Para administração, continham várias fortificações – Aringas; Aparato ideológico Imbuídos da cultura local e como forma de dominar a população os senhores dos prazos assumiam também funções religiosas - invocação dos cultos: ■ Muavi – culto aos espíritos; ■ Cerimónias de invocação das chuvas; Estes eram mecanismos de garantia de reprodução das relações produtivas e sociais existentes – mecanismo de controlo da população. Decadência Os prazos começaram a entrar em decadência no inicio do séc. XIX. Por várias razões: ■ Fragilidade estrutural institucional – Devido à ausência de legitimidade do poder dos prazeiros ■ Crise de produção agrícola - Devido ao elevado consumo na população ■ Elevadas cobranças de impostos a população, que aumentavam ao longo do tempo; ■ Ineficácia da administração portuguesa – Devido a falta de força militar ■ A contínua comercialização de escravos – Sacrificando os seu próprios camponeses e escravos (achicundas)