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Página | 1 Página | 2 SUMÁRIO Introdução Do Pré-Hospitalar................................................................................. 3 História Do APH....................................................................................................... 3 Principais Modelos De Atendimento Pré-Hospitalar............................................... 5 Constituição............................................................................................................ 6 Veículos De Atendimento Pré-Hospitalar (Portaria MS – 2048/02)....................... 7 Atendimento Pré-Hospitalar (APH)......................................................................... 10 Avaliações............................................................................................................... 11 Avaliação primária................................................................................................... 11 Avaliação secundária.............................................................................................. 15 Avaliação Clínica..................................................................................................... 16 Desfibrilador Externo Automático (DEA).................................................................. 21 OVACE..................................................................................................................... 22 Queimaduras........................................................................................................... 23 Choques................................................................................................................... 26 Evisceração............................................................................................................. 28 Fratura..................................................................................................................... 29 Sinais De Reconhecimento De TCE......................................................................... 31 Trauma Raquimedular TRM..................................................................................... 33 Página | 3 ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR Introdução Do Pré-Hospitalar É o serviço que procura chegar precocemente à vítima, após ter ocorrido agravo à saúde, atendê-la no local e transportá-la adequadamente a um serviço de saúde. História Do APH Barão Dominique Jean Larrey (1766 -1842) • Pai do APH • Rápido acesso ao paciente • Tratamento e estabilização no campo • Cuidados durante o transporte • Criador da Cruz Vermelha 1795 D.C - Médico Francês DOMINIQUE JEAN LARREY (Pai do Atendimento Pré-Hospitalar), cria um sistema de atendimento dos feridos nos locais de batalha, utilizando carruagens leves, tornando-se o cirurgião chefe das tropas napoleônicas. Primeira Guerra Mundial “American Red Cross” Página | 4 • Mundo o 1869 – Criação do serviço de ambulância (carruagens) o 1870. – Primeiro registro de transporte aeromédico (balão) o 1899. – Primeira ambulância motorizada o 1965. – Ministério de Saúde Francês cria o SAMU. Página | 5 • Brasil o 1983 - Lei que pretendia estabelecer o socorro médico em via pública em 1989 - Introdução do SAMU em 1990 - Início do APH por bombeiro Principais Modelos De Atendimento Pré-Hospitalar MODELO FRANCÊS Figura central: Médico. Filosofia: médico se desloca até o paciente. MODELO AMERICANO Figura central: paramédico Filosofia: 1ª intervenção pelo paramédico. Médico aguarda o paciente no hospital A Estrela da Vida Página | 6 CARACTERÍSTICAS DO POVO BRASILEIRO “Cultura do socorrer por socorrer” “rapidez é mais importante que a qualidade” Conselho Federal de Medicina (Resolução CFM nº 1451/95), define-se: Urgência: a ocorrência imprevista de agravo à saúde com ou sem risco potencial de vida, cujo portador necessita de assistência médica imediata. Emergência: a constatação médica de condições de agravo à saúde que impliquem em risco iminente de vida ou sofrimento intenso, exigindo, portanto, tratamento médico imediato. Constituição Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos Art. 5º- Todos são iguais perante a Lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: Da Saúde. Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. Página | 7 CÓDIGO PENAL Art. 135 - Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e iminente perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública: Pena - detenção, de 1 (um) a 6 (seis) meses, ou multa. Parágrafo único - A pena é aumentada , se da omissão resulta lesão corporal de natureza grave, e triplicada, se resulta a morte. Importante: O fato de chamar o socorro especializado, nos casos em que a pessoa não possui um treinamento específico ou não se sente confiante para atuar, já descaracteriza a ocorrência de omissão de socorro. ASPECTOS LEGAIS OMISSÃO DE SOCORRO (ART. 135º DO CÓDIGO PENAL) Todo cidadão é obrigado a prestar auxílio a quem esteja necessitando, tendo três formas para fazê-lo: ❖ Atender, Auxiliar quem esteja atendendo ou Solicitar auxílio. Exceções da lei (em relação a atender e/ou auxiliar): menores de 16 anos, maiores de 65, gestantes a partir do terceiro mês, deficientes visuais, mentais e físicos (incapacitados). Veículos de atendimento Pré-hospitalar (Portaria MS – 2048/02) Define-se ambulância como um veículo que se destine exclusivamente ao transporte de enfermos. Tipo A • Remoção simples e de caráter eletivo • Motorista, técnico ou auxiliar de enfermagem Tipo B (Condutor – Técnico de Enfermagem) • Suporte Básico de Vida • Transporte intra-hospitalar com risco de vida conhecido • Transporte sem necessidade de intervenção no local e/ou durante o transporte Veículos de atendimento Pré Hospitalar (Portaria MS – 2048/02) Página | 8 Tipo C (3 Bombeiros Militares e Auxiliares) • Resgate • vítimas de acidentes ou pacientes em locais de difícil acesso • Equipamentos de salvamento Tipo D (Condutor – Enfermeiro – Médico) • Suporte Avançado • Pacientes de alto risco em emergências pré-hospitalares e/ou de transporte intra-hospitalar que necessitam de cuidados médicos intensivos. Tipo E • Aeronave de asa fixa ou rotativa • Transporte intra-hospitalar de pacientes e resgate • Equipamentos homologados pelo DAC • Considerado como Suporte avançado • Piloto, médico e enfermeiro Página | 9 Tipo F • Transporte Médico destinado ao transporte por via marítima ou fluvial • Condutor de embarcação • Suporte básico: auxiliar/técnico de enfermagem • Suporte avançado: Médico e Enfermeiro Veículos IR (Intervenção rápida) • Transporte de médicos e equipamentos que oferecem suporte para as ambulâncias Tipo A, B, C e F. Página | 10 MT (Motolância) •Tripulados por Téc.Em enfermagem e ou Enfermeiros Profissionais atuantes no Central de Regulação ✓ Telefonistas, Rádio operadores, Enfermeiro Regulador e Médico (Regulador/ Intervencionista). ✓ Bases Descentralizadas ✓ Condutores, técnicos de Enfermagem, Enfermeiros e Médicos (todos Intervencionistas). Atendimento Pré-Hospitalar (APH) Uma atenção pré-hospitalar qualificada é de suma importância para uma sobrevida a vítima até a chegada ao hospital. Nos locais onde esse sistema é inadequado, a mortalidade hospitalar por trauma, por exemplo, é baixa, porque os pacientes graves vão a óbito no local do acidente, ou durante o transporte. 1. Avaliar cuidadosamente o cenário 2. Sinalizar o local 3. Acionar o serviço de apoio 4. Equipamento de proteção individual SEGURANÇA DE CENA Página | 11 SINALIZAÇÃO ACIONAR APOIO EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL AVALIAÇÕES A prioridade de atendimento é determinada basicamente pela gravidade da vítima. O exame é dividido em dois tempos principais: 1º. AVALIAÇÃO PRIMÁRIA (LOCAL). 2º. AVALIAÇÃO SECUNDÁRIA (VTR). Página | 12 Avaliação Primária (XABCDE) 1978 – DR. JIM STYNER X- (BLEEDING CONTROL) CONTROLE DE HEMORRAGIAS EXTERNAS GRAVES. A- (AIRWAY) vias aéreas; B- (BREATHING) respiração; C- (CIRCULATION) circulação; D- (DISABILITY) incapacidade; E- (EXPOSURE) exposição; Lembrando!!! O X.A.B.C.D.E. é apenas um ACRÔNIMO MNÊUMONICO com isso não pode ser denominado protocolo. Exame Céfalo-Podálico CABEÇA PESCOÇO OMBROS TÓRAX E MS ABDOMEM E PELVE MS INFERIORES Avaliação primária (X.A.B.C.D.E.) X – Controle de hemorragias externas graves, sangramento ativo podendo ser venoso ou arterial. Compressão direta; Elevação do membro; Página | 13 Compressão indireta (pontos de pressão); Torniquete; Arterial Venoso Capilar A – Vias aéreas , desobstrução e estabilização da cervical. Identificar obstrução de via aérea, risco de obstrução e necessidade de via aérea definitiva. Procedimento é intubação orotraqueal, dispositivos supra glóticos ou cricotireoidostomia se necessário, com o colar cervical B – Respiração, Verificação do padrão respiratório + ausculta Identificar pneumotórax aberto ou hipertensivo, tórax instável, hemotórax maciço. Procedimento é intubação orotraqueal, drenagem torácica se necessário Página | 14 C – Circulação, aferição de sinais vitais e ausculta cardíaca Identificar presença de pulso e sinais vitais, choque ou situações potenciais que podem evoluir, principalmente lesões abdominais Procedimento acesso venoso e reposição volêmica, contenção de hemorragias D – Neurológico, avaliação primário de nível de consciência + Escala de Coma de Glasgow Identificação e avaliação pupilar e escala de Coma de Glasgow Procedimento intubação orotraqueal, e ECG. E – exposição, possíveis traumas e prevenção de hipotermia Identificar demais lesões potencialmente graves e menos graves, e controle de hipotermia. Procedimento de retirada de vestes, cobertura de vítima e deslocamento Página | 15 Avaliação Secundária Nome, idade, telefone O que aconteceu? Isso já aconteceu antes? Algum problema de saúde? Está tomando algum remédio? Está fazendo algum tratamento de saúde? É alérgico a algum medicamento? Fez uso de algum tipo de droga? Qual o horário da última alimentação? O que você está sentindo? Sente dor em algum lugar? S A M P L A OU S A M P L E Escala de Coma de Glasgow Página | 16 A V D I ou A V D N Avaliação Clínica Pressão Arterial O primeiro, de maior valor, é chamado de sistólico e corresponde à pressão da artéria no momento em que o sangue foi bombeado pelo coração. Já o segundo número, de menor valor, é chamado de diastólico e corresponde à pressão na mesma artéria no momento em que o coração está relaxado após uma contração. Usamos “mmHg” para indicar quantos milímetros o mercúrio sobe no medidor do aparelho. Quando lhe dizem que sua pressão está “doze por oito”, por exemplo, significa a medida de 120x80 mmHg, onde 120 é a pressão nos vasos, quando o coração se contrai, e 80 é a pressão nos vasos, quando o coração relaxa. Tabela da P.A. Frequência respiratória A frequência respiratória em geral é mensurada através da observação da expansão torácica contando o número de inspirações por um minuto. O adulto normal, em repouso, respira confortavelmente 12 a 18 vezes por minuto. Em recém- nascidos, este valor chega até a 30 a 40 respirações por minuto, quase o dobro de um adulto em repouso e as crianças podem chegar a 25 até 30 respirações por minuto. O parâmetro de verificação é por mrm (Movimentos Respiratórios por Minuto), mas também é bem comum mpm (Movimentos Por Minuto). Página | 17 Tipos de ritmos respiratórios Existem hoje algumas classificações de tipos respiratórios e elencamos os três tipos mais comuns. São eles: ➢ Respiração de Cheyne-Stokes Caracteriza-se por uma fase de apnéia seguida de incursões inspiratórias cada vez mais profundas até atingir um máximo, para depois vir decrescendo até nova pausa. As causas mais frequentes desse tipo de respiração são insuficiência cardíaca, a hipertensão intracraniana, os AVEs e os traumatismos cranioencefálicos. ➢ Respiração de Biot A respiração apresenta-se com duas fases. A primeira a apnéia, seguida de movimentos inspiratórios e expiratórios anárquicos quanto ao ritmo e amplitude. Quase sempre este tipo de respiração indica grave comprometimento cerebral. As causas mais frequentes deste ritmo são as mesmas da respiração de Cheyne-Stokes. ➢ Respiração de Kussmaul Compõem-se de quatro fases: inspirações ruidosas, apnéia em inspiração, expiração ruidosa e apnéia em expiração. A acidose, principalmente a diabética é a sua principal causa. ➢ Bases de Frequência Respiratória Crianças respiram mais rápido do que adultos, então é preciso comparar o resultado de acordo com a taxa de respiração por minuto por grupo de idade. As taxas são as seguintes: 30 a 60 rpm para um bebê de zero a seis meses de idade. 24 a 30 rpm para um bebê de seis a 12 meses de idade. 20 a 30 rpm para uma criança de um a cinco anos de idade. 12 a 20 rpm para uma criança de seis a 11 anos de idade. 12 a 18 rpm para alguém com 12 anos de idade ou mais velho. Parâmetro normal: Mulher: 18 a 20 mrm; Homem: 16 a 18 mrm; Criança: 20 a 25 mrm; Lactantes: 30 a 40 mrm Ritmos Apnéia: é a ausência dos movimentos respiratórios; Dispnéia: dificuldade na execução dos movimentos respiratórios; Bradipneia: diminuição da frequência respiratória; Taquipnéia: aumento da frequência respiratória Página | 18 Pulso Delimitação palpável da corrente sanguínea na artéria. TAQUICARDIA = Coração TAQUISFIGMIA = Pulso BRADICARDIA = Coração BRADISFIGMIA = Pulso Número de pulso por minuto de 60 a 100 ppm. Locais de verificação de pulso: ✓ Radial ✓ Poplítea ✓ Apical ✓ Temporal ✓ Femoral ✓ Ulnar ✓ Carótida ✓ Dorsal do pé ✓ Tibial posterior Frequência Cardíaca A frequência cardíaca de uma pessoa varia ao longo de um mesmo dia, em virtude de diversos fatores, como alimentação, sono, medicamentos, atividades física ou mental, expectativa e até por crises de ansiedade. A quantidade normal de batimentos é de 50 a 90 batimentos por minuto (bpm). • Crianças de até 2 anos: 120 a 140 bpm. • De 8 até 17 anos: 80 a 100 bpm. • Mulheres de 18 a 65 anos: 73 a 78 bpm. • Homens de 18 a 65 anos: 70 a 76 bpm. A bradicardia representaum contingente baixo de batimentos cardíacos, um número reduzido dos batimentos, onde permanecem estacionados abaixo de 50 batimentos por minuto. A taquicardia já seria a situação oposta, quando os batimentos cardíacos ultrapassam e permanecem acima de 90 por minuto. A arritmia é mais abrangente, pois representa um descompasso do ritmo, uma desorganização dos batimentos. Uma arritmia pode estar associada com a bradicardia ou com a taquicardia, uma pessoa pode estar apresentando número reduzido de batimentos cardíacos e estes estarem muito desorganizados também. Esta condição seria definida como uma bradiarritmia. Saturação (SpO2) A saturação é um valor em porcentagem que representa a quantidade de oxigênio circulante no sangue. Na prática, o oxigênio (O2) entra nos pulmões junto com ar que é inspirado, passa pelos alvéolos e se liga à hemoglobina, uma proteína presente nos glóbulos vermelhos que tem a função de fixá-lo. Então, ele é levado para cada uma das células do corpo por meio da circulação sanguínea. Página | 19 É considerada uma saturação normal valores entre 100% e 95%. No entanto, alguns médicos consideram até 92%. Geralmente, entram nessa faixa pacientes fumantes, aqueles que estejam com gripes e resfriados ou com uma condição crônica como bronquite ou asma, não sendo motivo de preocupações. Temperatura Medida por meio de um termômetro, a temperatura demonstra o resultado entre ganho e perda de calor do corpo para o ambiente. O valor de referência é de 36,5ºC (graus Celsius), para qualquer idade. No entanto, existe uma variação aceitável, que fica entre 36,1ºC e 37,2ºC. A temperatura corporal é o equilíbrio entre a produção e a perda de calor do organismo, mediado, pelo centro termorregulador, portanto, pode ser verificada na região axilar, inguinal, bucal ou retal. • Hipotermia: temperatura abaixo de 35°C. • Afebril: 36,1 a 37,2°C. • Estado febril/subfebril: 37,3 a 37,7°C. • Febre/hipertermia: 37,8 a 38,9°C. • Pirexia: 39 a 40°C. • Temperatura oral: Valores normais para o adulto variam de 36 a 38°C. Parada Respiratória É a supressão súbita dos movimentos respiratórios, podendo acompanhar-se ou não de parada cardíaca. Diagnósticos se dá, pela ausência de movimentos respiratórios de cianose, midríase e perda de consciência. A ação a ser tomada é desobstrução das vias respiratórias e ventilação mecânica Ventilação mecânica com a Bolsa Válvula Máscara com uma frequência de 1 ventilação a cada 6 segundos. Página | 20 Parada Cardiorrespiratória (PCR) Parada cardiorrespiratória (PCR) é a interrupção inesperada e abrupta do trabalho cardíaco e da respiração, com consequente perda da consciência. O que se observa na maioria desses casos é que o evento não acontece por acaso, ele é o resultado da evolução de algum fator. Avaliação De Uma Parada Cardiorrespiratória (PCR) Avalia-se pulsação (carotídeo), de 5 a 10 segundos, aproximando o ouvido da região da face do paciente (cuidando a exposição a fluidos) e verificar expansão torácica. Confirmado a PCR, chame por auxílio especializado e inicia-se a RCP (Reanimação Cardiopulmonar). Inicia-se 30 compressões x 2 ventilações,(1 socorrista). De 100 a 120 bpm. Compressões em adultos com profundidade de 5 a 6 cm, em crianças de 3 a 4 cm. Formas De Compressões Página | 21 Desfibrilador Externo Automático (DEA) O DEA, ou desfibrilador Externo Automático, é um equipamento portátil destinado a reverter parada cardiorrespiratória através da detecção automática de ritmos chocáveis (fibrilação ventricular e taquicardia ventricular) e aplicação de pulso de desfibrilação bifásico. O DEA além de diagnosticar as arritmias cardíacas também é capaz de tratá-las através da desfibrilação, uma aplicação de corrente elétrica que para a arritmia, fazendo com que o coração retome o ciclo cardíaco normal Se a criança ou bebê estiver com menos de 60 batimentos por minuto com sinais de hipoperfusão, isso significa que ele está em PCR e temos que fazer a RCP. Afogamento Observação: RCP inicia com 5 ventilações de resgate após isso as compressões. Página | 22 Obstrução De Via Aérea Por Corpo Estranho (OVACE) Consiste na obstrução de vias aéreas causada por aspiração de corpo estranho, geralmente localizado na laringe ou traqueia. Essa condição pode ser um evento potencialmente fatal. Página | 23 Coloque o bebê de bruços em cima do seu braço e faça cinco tamponamento entre as escápulas (no meio das costas). Vire o bebê de barriga para cima em seu braço e efetue mais cinco compressões sobre o esterno (osso que divide o peito ao meio), na altura dos mamilos. Queimaduras Classificação Quanto à profundidade: 1º grau: atinge a epiderme (camada superficial da pele). Apresentação com vermelhidão sem bolhas e discreto inchaço local. A dor está presente. Página | 24 2º grau: atinge a epiderme e parte da derme (2ª camada da pele). Há presença de bolhas e a dor é acentuada. 3º grau: atinge todas as camadas da pele, apresenta com cor esbranquiçada ou escura. A dor é ausente, devido à profundidade da queimadura, que pode lesar todas as terminações nervosas responsáveis pela condução da sensação de dor. 4º grau: atinge todas as camadas da pele, músculos e ossos. Ocorre necrose da pele (morte do tecido), A dor é ausente, devido à profundidade da queimadura, que lesar todas as terminações nervosas responsáveis pela condução da sensação de dor. Agentes Físicos ➢ Térmicas: líquidos quentes, gordura quente, ferro quente, vapor e através do fogo; ➢ Elétricas: corrente de baixa voltagem (eletrodomésticos), alta tensão e raio; ➢ Radiantes: resultam da exposição à luz solar ou fontes nucleares. Agentes Químicos ➢ Substâncias químicas industriais, produtos de uso doméstico, como solventes, soda cáustica, alvejantes ou qualquer ácido ou álcalis. Agentes Biológicos ➢ Seres vivos: como por exemplos, taturanas, “água viva”, urtiga”. As queimaduras térmicas são as mais frequentes nas emergências, provocadas por fogo, líquidos superaquecidos (água ou leite ferventes, açúcar queimado, óleo de frituras), objetos quentes (canos de motos, ferro de passar, panelas, por exemplo) ou exposição ao sol. As queimaduras químicas ocorrem por contato com substâncias químicas, como soda cáustica, venenos, pilhas e baterias, que têm materiais corrosivos. As queimaduras elétricas são causadas pelo calor gerado na corrente elétrica durante um choque e interferem nos sistemas cardíaco e nervoso. TABELA DE PORCENTAGEM DE QUEIMADURAS NO CORPO Página | 25 Regra Dos Nove A regra dos nove é um método muito utilizado em adultos, mas que, em algumas situações, pode ser extrapolado para a pediatria. Possui como vantagem ser uma forma rápida e prática de quantificar a área corporal queimada, sendo muito útil nas emergências. No entanto, este método só deve ser utilizado em crianças acima de 14 anos, uma vez que não há diferenciação por faixa etária, e a avaliação corre o risco de ser feita erroneamente em uma criança muito pequena. Na regra dos nove, o corpo é dividido em menos segmentos, em relação ao método anterior, e cada segmento representa, em porcentagem, nove ou múltiplos de nove. Tabela da Regra dos 9 no Corpo Humano Regra Da Palma Da Mão Geralmente a palma da mão de um indivíduo representa 1% da superfície corporal.Assim pode ser estimada a extensão de uma queimadura calculando o “número de palmas de mão”. Regra da palma É uma regra muito usada na pediatria e pode ser utilizada para avaliar pacientes com queimaduras pequenas e irregulares, e com uma superfície corporal queimada menor do que 10%. Neste método, considera-se que a palma inteira (mão e dedos) da criança equivale a 1% da sua superfície corporal. Dessa forma, é possível estimar a extensão da queimadura de forma comparativa com o tamanho da palma do paciente, por exemplo, uma Página | 26 criança que apresenta uma queimadura que equivale a duas medidas da sua palma tem 2% de superfície corporal queimada. Choques O choque é uma condição potencialmente letal que se caracteriza por redução significativa da perfusão tecidual, resultando em inadequada oferta de oxigênio aos tecidos. Os tipos mais comuns de choque são: ➢ CARDIOGÊNICO (OBSTRUTIVO) ➢ DISTRIBUTIVO ➢ HIPOVOLÊMICO COMO O OXIGÊNIO CHEGA NOS TECIDOS? Choque Hipovolêmico É resultante da redução do volume intravascular secundário devido a perda de sangue ou fluídos e eletrólitos, gerando assim uma redução pré carga e consequentemente o débito cardíaco (DC). A resistência vascular sistêmica (RVS) aumenta numa tentativa de manter a perfusão de órgãos vitais. Hemorragias externas ou internas (trauma, hemorragias digestivas), Perdas cutâneas (queimaduras extensas), gastrointestinais (diarreias e vômitos) ou urinário Sequestro de líquido para terceiro espaço (pancreatite, peritonite). Página | 27 Choque Cardiogênico Ocorre em decorrência a uma falência da bomba cardíaca, resultando na incapacidade do coração de manter uma adequada perfusão tecidual, mesmo na presença de volume intravascular adequado. O infarto Agudo do Miocárdio, afeta o ventrículo esquerdo, representa 74,5% das causas. • IAM • Arritmia • Miocardiopatia • Causas mecânicas (defeito valvares, ruptura de septo, aneurisma) • Insuficiência mitral aguda Choque Distributivo É caracterizado pela presença de má distribuição do fluxo sanguíneo relacionado a uma inadequação entre a demanda tecidual e a oferta de oxigênio, fenômeno descrito como SHUNT. • Choque Séptico (infecção de foco pulmonar, urinário, infecção generalizada) • Choque Anafilático (reações de anafilaxia, alergias graves) • Choque Neurogênico (Trauma Raquimedular) • Insuficiência adrenal • Coma mixedematoso O Choque Séptico é o exemplo clássico, mais importante e mais prevalente no choque distributivo, levando a altas taxas de mortalidade, que variam entre 20 e 50%. Em outras causas estão ainda a Anafilaxia e o Choque Neurogênico. Resulta de uma obstrução mecânica do débito cardíaco causando a hipoperfusão. • Tromboembolismo pulmonar maciço • Tamponamento cardíaco • Pneumotórax hipertensivo • Hipertensão pulmonar Página | 28 Consequências ➢ HIPOTENSÃO ➢ OLIGÚRIA (pouca urina, insuficiência renal) ➢ ALTERAÇÃO DO ESTADO MENTAL (pouco O² no cérebro) ➢ ACIDOSE METABÓLICA (medida compensatória) ➢ MÁ PERFUSÃO PERIFÉRICA Estados Do Choque ✓ Agitação; ✓ Ansiedade (sinais de hipóxia cerebral); ✓ Cansaço; ✓ Sonolência; ✓ Confusão mental; ✓ Taquicardia e pulso filiforme; ✓ Respiração curta, rápida e superficial; ✓ Hipotensão arterial; ✓ Náusea; ✓ Sede; ✓ Sudorese; ✓ Pele fria, pálida e úmida; ✓ Câimbras; ✓ Mucosas esbranquiçadas; ✓ Enchimento capilar lento (perfusão periférica maior que 2 segundos) ou ausente; ✓ Hipotermia; ✓ Tremores; ✓ Perda gradual da consciência e coma. Evisceração É a protrusão de vísceras para fora da cavidade abdominal, como consequência de incisão abdominal entreaberta ou pós-trauma. É um trauma relativamente comum, ocasionado por armas brancas e acidentes automobilísticos. O socorrista realizará um curativo do tipo oclusivo, da seguinte maneira: 1º. Irrigar uma compressa estéril com soro fisiológico e colocá-la por cima, cobrindo as vísceras expostas. 2º. Aplicar uma bandagem ou plástico protetor, fixando-o no lugar com esparadrapo. ❖ É importante essa prevenção de contaminação, com a proteção adequada dos órgãos eviscerados. ❖ Evite a manipulação das vísceras ou reintroduzi-las para dentro da cavidade abdominal, pois esse procedimento será feito durante o ato cirúrgico. Página | 29 Fratura Embora sejam comuns no paciente traumatizado, as lesões de extremidades raramente apresentam risco de morte imediato. Quando leva à acentuada perda sanguínea, o trauma de extremidades pode pôr em risco a vida do paciente. Página | 30 Todo politraumatizado deve ser imobilizado em prancha longa e o mais próximo possível da posição anatômica. Como Proceder: 1º. Realizar exame primário. 2º. Realizar hemostasia (controle das hemorragias). 3º. Tratar o choque. 4º. No exame secundário, examinar os pulsos, coloração da pele, função motora e sensibilidade do membro com suspeita de fratura 5º. Imobilizar adequadamente todo o membro, usando talas ou outros materiais rígidos (a imobilização ajuda a conter a hemorragia e proporciona alívio da dor). 6º. Após a imobilização, aplicar bolsa de gelo ou compressa fria no local pode ajudar a reduzir a dor e o edema. 7º. Movimentar o membro lesado o mínimo possível. ✓ O Socorrista pode tentar realinhá-lo delicadamente, trazendo o membro à posição anatômica. ✓ Se houver resistência ou dor intensa, a tentativa deverá ser abandonada. ✓ É importante ressaltar que o fato de imobilizar o membro na posição normal melhora a dor e a circulação. Fratura Exposta O socorrista não deve tentar “recolocar os ossos no lugar”, especialmente quando se trata de fraturas expostas. Cobrir com curativo estéril as feridas abertas ou extremidades ósseas expostas. Remover joias e relógios (esses objetos podem prejudicar a circulação, quando o edema aumentar). Verificar pulso, sensibilidade e cor do membro, antes e após realizar a imobilização. Página | 31 Sinais de Reconhecimento de TCE ✓ Ferimento na cabeça; ✓ Exposição óssea ou de massa encefálica; ✓ Alterações do nível de consciência (agitação, confusão mental, desorientação, sonolência e coma); ✓ Cefaleia; ✓ Perda de liquor e/ou sangue pelo nariz e ouvido (rinorreia e otorreia, rinorragia e otorragia); ✓ Dor, náusea e vômito em jato (devido à hipertensão intracraniana); ✓ Edema e hematoma periorbital (“sinal de guaxinim”); ✓ Padrões respiratórios irregulares; ✓ Alterações pupilares (anisocoria); ✓ Posturas anormais (decorticação ou descerebração); ✓ Possível incontinência urinária ou fecal; ✓ Distúrbios visuais; ✓ Alterações da fala e da marcha; ✓ Hemiparesia, ✓ Convulsão etc. ➢ Dica: “Todo politraumatizado é um portador de lesão na coluna cervical, até que se prove o contrário!” Imobilização completa é imprescindível (prancha longa rígida, uso do colar cervical e imobilizador lateral de cabeça). A vítima deverá ser manipulada por equipe especializada, com as devidas técnicas e protocolos de atendimento ao traumatizado. O socorrista deverá monitorar os sinais vitais e nível de consciência e, caso exista extravasamento de fluidos pelo nariz e/ou boca (sangue ou liquor), não deve tentar contê-los. Página | 32 Página | 33 TRM Lesão Traumática da raqui(coluna) e medula espinal resultando algum grau de comprometimento temporário ou permanente das funções neurológicas Página | 34 Principais Causas Acidente de carro – Efeito Chicote Mergulho em águas rasas FAF FAB Quedas Esportes Suspeitar de TRM nos Seguintes Casos: Vítimas inconscientes que sofreram algum tipo de trauma; Dor ou deformidade em qualquer região da coluna vertebral; Traumatismo facial grave ou traumatismo de crânio fechado; "Formigamento" (anestesia) ou paralisia de qualquer parte do corpo abaixo do pescoço; Mergulho em água rasa Página | 35 Fratura Cervical (mais comum) Fratura Torácica (rara devido proteção de caixa torácica) Fratura Toracolombar (Comum em quedas com impacto dos pés e região glútea) Lombar baixa (Os traumas produzem ruptura de discos) Gravidade do Trauma DEPENDE SE A MEDULA É ATINGIDA • Lesão medular cervical é a mais comum – C2 e C3 • C4 a C7 – mais vulnerável a lesão • Torácica - proteção de costelas • Toracolombar – T11, T12 e L1 • Lesão estável ou instável • Difícil de avaliar no pré-hospitalar. • Considerar toda lesão instável até se prove o contrário FRATURA COM LUXAÇÃO COMPLETA TORÁCICA BAIXA INCOMPLETA Página | 36 TRM Penetrante Perfuração da coluna (arma branca, tiro ou estilhaço de bomba na coluna). Lesão medular completa ou incompleta, associada ou não a lesão dos nervos espinhais e/ou tronco dos plexos nervosos. Quadro neurológico é variável. Sintomas ✓ Dor ✓ Formigamento, fraqueza ✓ Dor com movimentação ✓ Dificuldade de respirar ✓ Deformidade ✓ Inchaço ✓ Laceração ou contusão ✓ Paralisia ou anestesia ✓ Incontinência ✓ Paraplegia – paralisia de ambas as pernas. ✓ Quadriplegia ou Tetraplegia – paralisia de ambos os braços e pernas. ✓ Hemiplegia – paralisia do braço e perna do mesmo lado Página | 37 Tipos De Lesão Partes moles. Lesão óssea (coluna) sem lesão medular. Lesão óssea (coluna) com lesão medular incompleta. Lesão óssea (coluna) com lesão medular completa Tratamento ✓ Restaurar vias aéreas; ✓ Ventilação adequada; ✓ Controle de hemorragia; ✓ Atenção ao choque medular ou neurogênico – hipotensão, bradicardia, vasodilatação; ✓ Imobilização antes mesmo de qualquer mobilização; ✓ Todos os pacientes com suspeita de TRM devem receber O²; ✓ Lesões cervicais e torácicas podem causar paralisia da musculatura da parede torácica e a respiração ser apenas diafragmática; ✓ Encaminhar a centro especializado.