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Questões resolvidas

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Termos Essenciais
GR0257 - (Unesp)
Leia o soneto “Nasce o Sol, e não dura mais que um dia”,
do poeta Gregório de Matos (1636-1696).
 
Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em con�nuas tristezas a alegria.
 
Porém, se acaba o Sol, por que nascia?
Se é tão formosa a Luz, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?
 
Mas no Sol, e na Luz falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.
 
Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.
(Poemas escolhidos, 2010.)
 
O verso está reescrito em ordem direta, sem alteração do
seu sen�do original, em:
a) “Começa o mundo enfim pela ignorância,” (4ª estrofe) 
→ Pela ignorância, enfim, o mundo começa.
b) “Em tristes sombras morre a formosura,” (1ª estrofe) 
→ A formosura morre em tristes sombras.
c) “Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,” (1ª
estrofe) → O Sol não dura mais que um dia que
nasce.
d) “Depois da Luz se segue a noite escura,” (1ª estrofe) 
→ Segue-se a noite escura depois da Luz.
e) “Mas no Sol, e na Luz falte a firmeza,” (3ª estrofe) →
Mas falte a firmeza no Sol e na Luz.
GR0163 - (Cfn)
 
Indique, dentre as alterna�vas abaixo, a que possui o
mesmo �po de sujeito do verbo DIZER, presente no 1º
quadrinho do texto.
a) Faltou-me cautela naquele momento.
b) A�vidades �sicas e boa alimentação fazem bem à
saúde do corpo e da mente.
c) Estão à sua espera desde ontem.
d) Faz três semanas que não vou à praia.
e) Choveu muito no final de janeiro.
GR0270 - (Unesp)
Onde estou? Este sí�o desconheço:
Quem fez tão diferente aquele prado?
Tudo outra natureza tem tomado,
E em contemplá-lo, �mido, esmoreço.
 
Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço
De estar a ela um dia reclinado;
Ali em vale um monte está mudado:
Quanto pode dos anos o progresso!
 
Árvores aqui vi tão florescentes,
Que faziam perpétua a primavera:
Nem troncos vejo agora decadentes.
 
Eu me engano: a região esta não era;
Mas que venho a estranhar, se estão presentes
Meus males, com que tudo degenera!
(Cláudio Manuel da Costa. Obras, 2002.)
1@professorferretto @prof_ferretto
 
Está reescrito em ordem direta, sem prejuízo de seu
sen�do original, o seguinte verso:
a) “Quem fez tão diferente aquele prado?” (1a estrofe) 
→ Quem aquele prado fez tão diferente?
b) “Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço” (2a
estrofe) → Uma fonte houve aqui; eu não me
esqueço.
c) “Ali em vale um monte está mudado:” (2a estrofe) →
Ali está mudado um monte em vale.
d) “Tudo outra natureza tem tomado,” (1a estrofe) →
Tudo tem tomado outra natureza.
e) “Nem troncos vejo agora decadentes.” (3a estrofe) →
Nem troncos decadentes vejo agora.
GR0160 - (Cfn)
 
Na frase: “- Saiu agora mesmo com uma trouxinha” -
linha 30 – o sujeito é classificado como oculto. Assinale
abaixo a frase em que o mesmo ocorre.
a) Encontramos belas obras de arte.
b) Durante a noite, picharam a parede.
c) Existem mo�vos para inocentá-lo.
d) Entraram o prefeito e seus assessores.
e) Haviam sido realizadas todas as tarefas de casa.
2@professorferretto @prof_ferretto
GR0162 - (Insper)
O �tulo da chamada alude a um dos termos essenciais da
oração: o sujeito. No entanto, para que o sujeito seja
classificado como oculto, é necessário que haja certas
marcas linguís�cas, que podem ser iden�ficadas em
a) Foram criados novos aplica�vos que prometem
anonimato dos usuários.
b) No mercado há diversos aplica�vos que prometem
anonimato dos usuários.
c) Surgiram vários aplica�vos que prometem anonimato
dos usuários.
d) Desenvolvemos novos aplica�vos que prometem
anonimato dos usuários.
e) Cresce a oferta de aplica�vos que prometem
anonimato dos usuários.
GR0167 - (Unimep)
Leia:
I. Paulo está adoentado.
II. Paulo está no hospital.
a) O predicado é verbal em I e II.
b) O predicado é nominal em I e II.
c) O predicado é verbo-nominal em I e II.
d) O predicado é verbal em I e nominal em II.
e) O predicado é nominal em I e verbal em II.
GR0169 - (Eear)
Com relação aos �pos de predicado, assinale a alterna�va
que apresenta a sequência correta quanto à classificação
dos predicados das orações abaixo.
 
I- Os alunos foram informados da situação.
II- Os candidatos saíram da sala confiantes.
III- O professor parece despreocupado.
a) Predicado nominal – Predicado verbo-nominal –
Predicado verbal
b) Predicado verbal – Predicado nominal – Predicado
verbo-nominal
c) Predicado verbal – Predicado verbo-nominal –
Predicado nominal
d) Predicado verbo-nominal – Predicado verbal –
Predicado nominal
e) Predicado nominal – Predicado verbal – Predicado
verbo-nominal
GR0165 - (Unir)
A raça humana
A raça humana é
Uma semana
Do trabalho de Deus
 
A raça humana é ferida acesa
Uma beleza, uma podridão
O fogo eterno e a morte
A morte e a ressurreição
 
A raça humana é
Uma semana
Do trabalho de Deus
 
A raça humana é o cristal de lágrima
Da lavra da solidão
Da mina, cujo mapa
Traz na palma da mão
 
A raça humana é
Uma semana
Do trabalho de Deus
 
A raça humana risca, rabisca, pinta
A �nta, a lápis, a carvão, a giz
O rosto da saudade
Que traz do Gênesis
Dessa semana santa
 
Entre parênteses
Desse divino oásis
Da grande apoteose
3@professorferretto @prof_ferretto
Da perfeição divina
Na Grande Síntese
 
A raça humana é
Uma semana
Do trabalho de Deus
(GIL, Gilberto. CD Raça Humana.)
 
Sobre a construção sintá�ca do texto, marque V para as
afirma�vas verdadeiras e F para as falsas.
 
(__) Para conceituar a raça humana foi empregado o
predicado nominal, como em A raça humana é o cristal
de lágrima.
(__) Verbos transi�vos diretos foram empregados para
indicar o que a raça humana faz, a exemplo de A raça
humana risca, rabisca, pinta / A �nta, a lápis, a carvão, a
giz / O rosto da saudade.
(__) Na construção da metáfora em A raça humana é
ferida acesa, foi usado verbo de ligação e predica�vo do
sujeito.
(__) No refrão, a expressão de Deus funciona como
complemento nominal da palavra trabalho.
 
Assinale a sequência correta.
a) V, F, F, V
b) V, V, F, F
c) V, V, V, F
d) F, V, V, F
e) F, F, V, V
GR0168 - (Ufu)
“O sol entra cada dia mais tarde, pálido, fraco, oblíquo.”
“O sol brilhou um pouquinho pela manhã”. Pela ordem,
os predicados das orações acima classificam-se como:
a) nominal e verbo-nominal
b) verbal e nominal
c) verbal e verbo-nominal
d) verbo-nominal e nominal
e) verbo-nominal e verbal
GR0349 - (Puccamp)
Independência, em 7 de setembro de 1822,
foram marcados por agitações polí�cas e intensas
negociações sobre a criação da nação brasileira e a
definição de um perfil de Estado nacional. Era preciso
inves�r na formação de uma elite intelectual capaz de
gerir a pátria recém-emancipada, ins�tuindo-lhe uma
iden�dade própria, em oposição à portuguesa. Mais do
que novas leis, o país precisava de uma consciência
jurídica, que deveria emanar de cursos estabelecidos em
território nacional. Foram esses, entre outros, os
argumentos que deram o tom das discussões polí�cas
que culminaram nas duas primeiras faculdades de direito
do Brasil, em agosto de 1827, em São Paulo e Recife. “A
criação de escolas de direito nas regiões Sul e Norte,
como se dizia à época, pretendia integrar as diferentes
regiões do país, fortalecendo a unidade territorial”,
explica a advogada e historiadora Ana Paula Araújo de
Holanda, da Universidade de Fortaleza, Ceará.
A proposta de criação de um curso de direito foi
apresentada em 1823. Tratava-se de um pedido de
brasileiros matriculados na Universidade de Coimbra, em
Portugal, onde a maioria dos que pretendiam seguir nas
profissões jurídicas estudava. O projeto, apresentado
pelo advogado Fernandes Pinheiro, foi encaminhado para
debate na Assembleia, e logo iniciaram-se as divergências
sobre a localização dos cursos. Os debates transcorreram
de forma apaixonada. “Os parlamentares advogavam em
favor de suas províncias de origem, já que desses cursos
sairia a elite polí�ca do país”, comenta a advogada e
historiadoraBistra Stefanova Apostolova, da Faculdade
de Direito da Universidade de Brasília. O projeto
aprovado na Assembleia Geral, no entanto, não rompeu
totalmente com a tradição jurídica portuguesa. Houve
desencontros entre as intenções dos parlamentares e a
prá�ca, segundo Bistra. Adotaram-se provisoriamente os
Estatutos da Universidade de Coimbra.
Ambas as faculdades tornaram-se importantes
polos inspiradores das artes literárias e poé�cas
nacionais, contribuindo para a construção da iden�dade
nacional. As ins�tuições também foram importantes para
os principais movimentos cívicos, literários e polí�cos
que se seguiram ao longo das décadas no país, como os
que levaram à proclamação da República, em 1889, e à
Abolição, um ano antes.
(Adaptado de ANDRADE, Rodrigo de Oliveira. “Para
formar homens de lei”. Revista Pesquisa Fapesp,
out/2017)
 
que deveria emanar de cursos estabelecidos em
território nacional (1º parágrafo)
 
No contexto, o termo sublinhado acima exerce a mesma
função sintá�ca do termo sublinhado em:
4@professorferretto @prof_ferretto
a) Ambas as faculdades tornaram-se importantes
polos inspiradores das artes literárias e poé�cas
nacionais (3º parágrafo)
b) como os que levaram à proclamação da República ( 3º
parágrafo)
c) Os parlamentares advogavam em favor de suas
províncias de origem (2º parágrafo)
d) a maioria dos que pretendiam seguir nas profissões
jurídicas (2º parágrafo)
e) e logo iniciaram-se as divergências sobre a localização
dos cursos (2º parágrafo)
GR0156 - (Unesp)
... para quem quer tornar-se orador consumado não é
indispensável conhecer o que de fato é justo, mas sim o
que parece justo para a maioria dos ouvintes, que são os
que decidem; nem precisa saber tampouco o que é bom
ou belo, mas apenas o que parece tal ...
(Platão. Diálogos. Porto Alegre: Editora Globo, 1962.)
 
Neste trecho da tradução da segunda fala de Fedro,
observa-se uma frase com estruturas oracionais
recorrentes, e por isso plena de termos repe�dos, sendo
notável, a este respeito, a retomada do demonstra�vo
“o” e do pronome rela�vo “que” em “o que de fato é
justo, o que parece justo, os que decidem, o que é bom
ou belo, o que parece tal.”
 
Em todos esses contextos, o rela�vo que exerce a mesma
função sintá�ca nas orações de que faz parte. Indique-a.
a) Sujeito. 
b) Predica�vo do sujeito.
c) Adjunto adnominal.
d) Objeto direto.
e) Objeto indireto.
GR0155 - (Unifor)
O estresse é um inimigo do coração. As tensões
emocionais propiciam doenças cardiovasculares aos
montes. Já foi comprovado cien�ficamente que a alta
liberação de hormônios em situações estressantes
perturba o organismo, provocando
reações que englobam desde o aumento da pressão
arterial a um fulminante ataque cardíaco.
O termo em destaque acima é um pronome rela�vo, pois
retoma a função do termo antecedente na oração. Nas
orações abaixo, assinale a alterna�va em que o pronome
rela�vo (que) exerce uma função sintá�ca diferente da
exercida no texto.
a) Já foi comprovado cien�ficamente que a alta liberação
de hormônios em situações estressantes perturba o
organismo.
b) Quem vive uma ro�na estressante libera altos níveis
de hormônios que provocam instabilidade no
organismo.
c) O estresse libera hormônios que detonam o coração e
aumentam o risco de infarto.
d) Homens que passam por altos níveis de estresse
podem dobrar os riscos de desenvolverem diabetes
�po 2.
e) Em pessoas que têm histórico de doenças do coração,
o aumento nos níveis do cor�sol eleva o risco de
morte.
GR0322 - (Fuvest)
Mito, na acepção aqui empregada, não significa men�ra,
falsidade ou mis�ficação. Tomo de emprés�mo a
formulação de Hans Blumenberg do mito polí�co como
um processo con�nuo de trabalho de uma narra�va que
responde a uma necessidade prá�ca de uma sociedade
em determinado período. Narra�va simbólica que é, o
mito polí�co coloca em suspenso o problema da verdade.
Seu discurso não pretende ter validade factual, mas
também não pode ser percebido como men�ra (do
contrário, não seria mito). O mito polí�co confere um
sen�do às circunstâncias1 que2 envolvem os indivíduos:
ao fazê-los3 ver sua condição presente como parte de
uma história em curso, ajuda a compreender e suportar o
mundo em que vivem.
ENGELKE, Antonio. O anjo redentor. Piauí, ago. 2018, ed.
143, p. 24
 
Sobre o sujeito da oração “em que vivem” (sublinhado), é
correto afirmar:
a) Expressa indeterminação, cabendo ao leitor deduzir a
quem se refere a ação verbal.
b) Está oculto e visa evitar a repe�ção da palavra
“circunstâncias” (1º itálico).
c) É uma função sintá�ca preenchida pelo pronome
“que” (2º itálico).
d) É indeterminado, tendo em vista que não é possível
iden�ficar a quem se refere a ação verbal.
e) Está oculto e seu referente é o mesmo do pronome
“os” em “fazê-los” (3º itálico).
GR0389 - (Fuvest)
1 Tornando da malograda espera do �gre,
2 alcançou o capanga um casal de velhinhos, que
3 seguiam diante dele o mesmo caminho e conversa-
4 vam acerca de seus negócios par�culares. Das
5@professorferretto @prof_ferretto
5 poucas palavras que apanhara, percebeu Jão Fera
6 que des�navam eles uns cinquenta mil-réis, tudo
7 quanto possuíam, à compra de man�mentos, a fim
8 de fazer um moquirão*, com que pretendiam abrir
9 uma boa roça.
10 — Mas chegará, homem? perguntou a velha.
11 — Há de se espichar bem, mulher!
12 Uma voz os interrompeu:
13 — Por este preço dou eu conta da roça!
14 — Ah! É nhô Jão!
15 Conheciam os velhinhos o capanga, a quem
16 �nham por homem de palavra, e de fazer o que
17 prome�a. Aceitaram sem mais hesitação; e foram
18 mostrar o lugar que estava des�nado para o roçado.
19 — Acompanhou-os Jão Fera; porém, mal seus
20 olhos descobriram entre os utensílios a enxada, a
21 qual ele esquecera um momento no afã de ganhar a
22 soma precisa, que sem mais deu costas ao par de
23 velhinhos e foi-se deixando-os embasbacados.
(José de Alencar, Til.)
* moquirão = mu�rão (mobilização cole�va para auxílio
mútuo, de caráter gratuito)
 
Considere os seguintes comentários sobre diferentes
elementos linguís�cos presentes no texto:
I. Em “alcançou o capanga um casal de velhinhos” (L.2), o
contexto permite iden�ficar qual é o sujeito, mesmo este
estando posposto.
II. O verbo sublinhado no trecho “que seguiam diante
dele o mesmo caminho” (L. 2-3) poderia estar no
singular sem prejuízo para a correção grama�cal.
III. No trecho “que des�navam eles uns cinquenta mil
réis” (L. 6), pode-se apontar um uso informal do pronome
pessoal reto “eles”, como na frase “Você tem visto eles
por aí?”
 
Está correto o que se afirma em
a) I, apenas.
b) II, apenas.
c) III, apenas.
d) I e II, apenas.
e) I, II e III.
GR0157 - (Eear)
Há sujeito simples em qual alterna�va?
a) “Mais ao longe, numa volta da estrada, uma esperança
havia.”
b) “Nenhuma pedra poderia haver no caminho da
felicidade.”
c) “Nunca houve cometa igual, assim tão terrível,
desdenhoso e belo.”
d) “No lombo do cavalo baio, havia par�do minha
esperança de felicidade.”
GR0159 - (Unesp)
Leia o soneto “VII”, de Cláudio Manuel da Costa, para
responder à questão.
 
Onde estou? Este sí�o desconheço:
Quem fez tão diferente aquele prado?
Tudo outra natureza tem tomado,
E em contemplá-lo, �mido, esmoreço.
 
Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço
De estar a ela um dia reclinado;
Ali em vale um monte está mudado:
Quanto pode dos anos o progresso!
 
Árvores aqui vi tão florescentes,
Que faziam perpétua a primavera:
Nem troncos vejo agora decadentes.
 
Eu me engano: a região esta não era;
Mas que venho a estranhar, se estão presentes
Meus males, com que tudo degenera!
(Cláudio Manuel da Costa. Obras, 2002.)
 
Está reescrito em ordem direta, sem prejuízo de seu
sen�do original, o seguinte verso:
a) “Quem fez tão diferente aquele prado?” (1a estrofe)
→ Quem aquele prado fez tão diferente? 
b) “Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço” (2a
estrofe) → Uma fonte houve aqui; eu não me
esqueço. 
c) “Ali em vale um monte está mudado:” (2a estrofe) →
Ali está mudado um monte em vale.
d) “Tudo outra natureza tem tomado,” (1a estrofe) →
Tudo tem tomadooutra natureza. 
e) “Nem troncos vejo agora decadentes.” (3a estrofe) →
Nem troncos decadentes vejo agora.
GR0164 - (Faculdade Milton Campos)
A primeira morte
Eliane Brum
 
6@professorferretto @prof_ferretto
A no�cia veio em um exame de ro�na, aberto na
página do laboratório na internet enquanto tomava um
chocolate quente. Na verdade, leite com um chocolate
em pó cheio de porcarias que ele toma desde a infância
e, por isso, aos 43 anos, é uma fonte de alegria
permanente na prateleira da cozinha. Quando bateu na
minha porta, os olhos escancarados, avisando que �nha
uma má no�cia, eu pensei logo em câncer. No nosso
tempo, é o que a gente sempre pensa, mesmo que não
diga. “Meu colesterol está alto”, ele disse. “Muito acima
do péssimo.” Amoleci inteira e até esbocei um sorriso.
“Ah, mas isso não é tão grave.” Mas era. Eu não fui capaz
de perceber logo, mas era a primeira morte de meu
melhor amigo.
Não era uma doença incurável, não era um
drama humanitário, não era nada que alterasse a ordem
do mundo. Era só a pequena tragédia dele. Comezinha e
co�diana. A tragédia de um homem comum, com uma
vida comum, que sen�a a primeira fisgada do fim.
No percurso de uma vida, quando temos a sorte
de ter uma existência longa, passamos por várias
pequenas mortes e renascimentos. É importante que
partes de nós morram para que outras possam nascer –
ou apenas para que esses pedaços mofados de nossas
crenças sobre nós ou da crença de outros sobre nós
saiam do caminho. É triste quando alguém é uma coisa
só a vida toda – perdendo a chance de acolher todos os
outros de si. Quando alguém anda pela vida apertado em
uma roupa que nunca lhe serviu direito, mas que foi
ves�da nele ou nela por seus pais ainda na infância,
como se fosse o único modelo que lhe coubesse.
É importante que, em algum momento, de
preferência mais cedo do que tarde, a gente descubra
que essa roupa não serve – ou que apenas algumas
partes servem e outras precisam ser jogadas fora, para
que novas possam ser inventadas. É essencial que nos
libertemos dos dogmas impingidos sobre nós para
podermos criar uma vida que faça mais sen�do – e para
nos sen�rmos livres para recriá-la o tempo todo. O olhar
do outro sobre nós, a começar pelo dos nossos pais, às
vezes é redenção, em outras é prisão, em geral é ambos.
Por isso me parece que uma vida é mais rica
quando morremos e renascemos muitas vezes. Mas esta
é a existência psíquica, é o que se passa em nossas
porções invisíveis, naquela parte da nossa geografia que
não se pode tocar com as mãos. Poucas coisas ou
nenhuma são mais assustadoras do que ousar se libertar
de um jeito de ser cujo funcionamento conhecemos.
Porque ainda que esse jeito nos sequestre o desejo, nos
parece mais seguro do que enfrentar o vazio de descobrir
formas de viver mais próximas de nossos anseios. Mas, se
�vermos essa coragem que anda de mãos agarradas com
o medo, nós nos responsabilizamos pelas nossas
escolhas, seguimos e criamos e morremos e renascemos.
Muitas vezes.
Em algum momento, porém, o corpo anuncia
uma morte da qual não é possível renascer. A rigor,
começamos a morrer desde o nascimento. De fato, nosso
declínio �sico começa aos 20 e poucos anos, mas esses
sinais podem ser ignorados. E são. Por volta dos 40 – um
pouco depois, para quem tem mais sorte, um pouco
antes, para quem tem mais azar –, recebemos a no�cia
da primeira morte que não podemos ignorar. A primeira
morte do corpo.
Foi o que aconteceu com meu melhor amigo. Para não
morrer nos próximos anos de enfarte ou AVC por causa
das artérias entupidas de gordura, ele matou com um só
golpe um mundo inteiro dentro de si. Não é uma mera
mudança de hábitos, como médicos e nutricionistas
tentam nos convencer em consultas, reportagens e sites
da internet. É um mundo inteiro que se ex�ngue como se
o Sol explodisse de repente, muito antes dos bilhões de
anos calculados pelos astrônomos. Para quem vive nesse
planeta, é uma hecatombe. Para a imensidão do
universo, é um nada, estrelas morrem o tempo todo sem
que a ordem da vida dos outros se altere.
Para o planeta humano que é meu melhor
amigo, foi uma hecatombe. Acabaram-se as feijoadas, o
churrasco, a pizza, o hambúrguer, a batata frita, os
pastéis, os bolos, os bolinhos, as tortas, os chocolates.
Mas não só. Encerrou-se a possibilidade de renovar a
qualquer momento a memória de uma vida de afetos: a
receita de bacalhau da mãe que morreu, a torta de
morangos que só a sogra sabe fazer, o feijão gordo que a
mulher prepara toda quinta-feira e havia se tornado um
acontecimento, a noite com o amigo de infância
recheada de cumplicidade, chope e frituras.
Acabou-se a possibilidade de degustar territórios
ainda não desbravados. As experiências gastronômicas
com um amigo chefe de cozinha. O acesso às dores de
alma e as alegrias de outros povos e terras através da
comida, dos ingredientes e dos temperos, que o
ins�gavam a jamais perder nenhuma chance de viajar.
Suas próprias invenções com as panelas que reuniam os
mais próximos em alegres descobertas na mesa da
cozinha. Agora, ele terá de recusar pratos em almoços e
jantares – e será um problema na cozinha alheia.
Um mundo dentro do mundo morreu em um
segundo. E a no�cia dessa morte o lembra o tempo todo
de que é só a primeira das muitas que virão. “Tenho
medo de morrer de repente”, ele diz. Porque sente que
uma parte dele teve morte súbita tendo ele mesmo por
testemunha. “Eu não fumo, não uso drogas, só bebo em
ocasiões especiais”, ele diz, traído. Eu quase digo: “A vida
não dá garan�as”, mas me contenho a tempo.
Sei que dentro dele toca o réquiem de Verdi,
dramá�co e grandiloquente, mas só ele escuta. Porque
sua tragédia é prosaica, acontece com muitos, não é
no�cia nem na família. Ele é só mais um homem diante
do parapeito da ponte – sem vontade de a�rarse dali,
mas apavorado porque um dia vai estar lá embaixo.
7@professorferretto @prof_ferretto
Pesquisamos juntos na internet, tentamos
inventar receitas, descobrir novos ingredientes, criar um
mundo novo dentro do universo restrito ao qual ele foi
confinado. Cheiramos desconfiados uma linguiça de soja,
passamos retos pela manteiga, enchemos o carrinho de
coisas verdes. Depois vamos ao cinema para esquecer
seu pequeno drama diante da grandeza do drama maior
de um outro, mas, quando estaqueamos diante da
pipoca, o luto desce sobre ele, inexorável. Sabemos que é
preciso aceitar essa morte, assim como todas que virão,
com o excesso de perdas que ela contém. Em geral não
se morre de uma vez só, mas aos poucos. E é o corpo que
nos ensina a brutalidade dessa verdade.
O colesterol não encolheu apenas a largura das
artérias de meu melhor amigo, mas também a largura da
sua vida. Ele sabe que não pode escapar dos limites
impostos pelo corpo. Pode, como todos nós, no máximo
adiá-los. No exame do laboratório o tal do LDL avisa que
a juventude, aquele tempo no qual era possível fingir que
não havia limites, acabou. Mas a gordura que entulha as
artérias de meu melhor amigo não lhe obstrui o espírito.
Porque morreu e nasceu muitas vezes ao longo de seus
43 anos, há nele uma vida dentro da vida que se amplia
também nesse choque com os limites. Enquanto o corpo
falha, sua mente recolhe suas lágrimas, sua surpresa e
sua dor e os transforma em uma experiência a mais.
Sempre foi assim, afinal. É no confronto com a
miséria da condição humana que produzimos o melhor
do humano. Condenados eternamente ao fracasso de
nosso embate com a morte, inventamos essa vida dentro
da vida. Que, se �vermos a ousadia de morrer e nascer
várias vezes no espaço de uma existência, será uma vida
maior que a vida.
Não tenho dúvidas de que meu melhor amigo
seguirá suspirando de saudades de uma picanha gorda
ou de um feijão com costelinha de porco. Mas, nesse
úl�mo final de semana, ele já havia colado um cartaz
paté�co na cozinha, com imagens suas de a.C. e d.C. –
“C” não de Cristo, mas de colesterol. Estava entrouxado
de roupas porque acreditava que os 100 gramas que
�nha perdido desde que abriu o exame tornaram-no
“mais friorento”. E tentava inventar uma maionesecaseira sem ovos nem óleo.
Soube então que estava salvo. Não do colesterol,
mas de algo muito pior: uma vida pequena.
(Fonte: revistaepoca.globo.com)
 
Em todas as alterna�vas, foram destacados termos que
funcionam como núcleo do predicado, EXCETO em
a) “Eu não fui capaz de perceber logo...”
b) “Soube então que estava salvo.”
c) “É importante que partes de nós morram...”
d) “Um mundo dentro do mundo morreu em um
segundo.”
GR0158 - (Fuvest)
 
Em “Seu carisma seduziu a editora DC Comics, que impôs
o acréscimo de um quadrinho.” (L.12-13), o vocábulo
“que” possui a mesma função sintá�ca desempenhada
no texto por
a) “imóvel” (L. 2).
b) “Robin” (L. 5).
c) “seus pais” (L. 9).
d) “se” (L. 12).
e) “vivo” (L. 15).
GR0166 - (Efomm)
Bruno Lichtenstein
Rubem Braga
18 de Julho de 1939
 
Foi preso o menino Bruno Lichtenstein, que
arrombou a Faculdade de Medicina. O menino Bruno
Lichtenstein não é arrombador profissional. Apenas
acontece que o menino Bruno Lichtenstein tem um
amigo, e esse amigo é um cachorro, e esse cachorro ia
ser trucidado cien�ficamente, para estudos, na
Faculdade de Medicina. O poeta mineiro Djalma Andrade
tem um soneto que acaba mais ou menos assim:
"se entre os amigos encontrei cachorros,
entre os cachorros encontrei-te, amigo".
8@professorferretto @prof_ferretto
Mas com toda a certeza o menino Bruno
Lichtenstein jamais leu esses versos. Também com
certeza nunca lhe explicaram o que é vivissecção, nem
lhe disseram que seu cão ia ser vivisseccionado. Tudo o
que ele sabia é que lhe haviam carregado o cachorro e
que iam matá-Io. Se fosse pedi-Io, naturalmente, não o
dariam. Quem, neste mundo, haveria de se preocupar
com o pobre menino Bruno Lichtenstein e o seu pobre
cão? Mas o cachorro era seu amigo - e estava lá, me�do
em um porão, esperando a hora de morrer. E só uma
pessoa no mundo podia salvá-Ia: um menino pobre
chamado Bruno Lichtenstein. Com esse sobrenome de
principado, Bruno Lichtenstein é um garoto sem dinheiro.
Não pagará a licença de seu amigo. Mas Bruno
Lichtenstein havia de salvar a vida de seu amigo - de
qualquer jeito. E jeito só havia um: ir lá e �rar o cachorro.
De longe, Bruno Lichtenstein chorava, pensando ouvir o
ganido triste de um condenado à morte. via homens
cruéis metendo o bisturi na carne quente de seu amigo:
via sangue derramado. Horrível, horrível. Bruno
Lichtenstein sen�u que seria o úl�mo dos infames se não
agisse imediatamente.
Agiu. Escalou uma janela, arrebentou um vidro,
saltou. Estava dentro do edi�cio. Andando pelas salas
desertas, foi até onde estava o seu amigo. Sen�u que o
seu coração ba�a mais depressa. Deu um assovio, um
velho assovio de amizade.
Um vulto se destacou em um salto - e um
focinho e úmido lambeu a mão de Bruno Lichtenstein.
Agora era para a rua, para a liberdade, para a vida ... 
Bruno Lichtenstein, da cabeça aos pés, tremia de
susto e de alegria. Foi aí que ele ouviu uma voz áspera e
espantada de homem. Era o dr. Loforte. O dr. Loforte
surpreendeu o menino. Um menino podre, que tremia,
que havia arrombado a Faculdade. Só podia ser um
ladrão! Bruno Lichtenstein não explicou nada - e fez bem.
Para o dr. Loforte um cachorro não é um cachorro - é um
material de estudo como outro qualquer.
Na polícia apareceu o pai do menino. O pai, o
professor e o delegado conversaram longamente - e
Bruno Lichtenstein não ouvia nada. Só ouvia, lá longe, o
ganir de um condenado à morte.
Já te entregaram o cachorro, esse cachorro ia ser
trucidado cien�ficamente, para estudos, na Faculdade de
Medicina. Tu o mereceste, porque tu foste amigo. Não te
deram nem te darão medalha nenhuma - porque não há
medalha nenhuma para dis�nguir a amizade. Mas te
entregaram o teu cachorro, o cachorro que reivindicaste
como um pequeno herói. Tu é um homem, Bruno
Lichtenstein - um homem no sen�do decente da palavra,
muito mais homem que muito homem. Um aperto de
mão, Bruno Lichtenstein.
 
O texto acima foi extraído do livro "1939 - Um episódio
em Porto Alegre (Uma fada no front)", Ed. Record Rio de
Janeiro, 2002 - pág. 37. 
 
Lido o texto, observe atentamente cada quesito e
assinale somente UMA opção correta em cada questão.
Assinale a oração em que se encontra um predicado
nominal.
a) "Foi preso o menino Bruno Lichtenstein". (1°
parágrafo)
b) "( ...) esse cachorro ia ser trucidado cien�ficamente,
para estudos, na Faculdade de Medicina". (1°
parágrafo)
c) "( ... ) e estava lá, me�do em um porão, esperando a
hora de morrer". (2° parágrafo)
d) "Estava dentro do edi�cio". (3° parágrafo)
e) "Tu o mereceste, porque tu foste amigo". (7°
parágrafo)
GR0639 - (Uece)
9@professorferretto @prof_ferretto
 
 
Atente para as expressões destacadas nas sentenças a
seguir e assinale a que NÃO ocupa a função de sujeito.
a) “Para Antônio Prata, o assunto não o incomoda.”
(linhas 112-113).
b) “Ser poli�camente incorreto faz sen�do (...)” (linhas
102-103).
c) “(...) isso não é novo.” (linhas 131-132).
d) “(...) afirmou Prata, que também é roteirista.” (linhas
152-153).
GR0644 - (Uece)
Não Espere Pelo Fim
Foi com palavras aprazíveis e um ingênuo sorriso que
o homem de rosto enrugado e cabelos acinzentados
dirigiu-se à sua ranzinza colega de abrigo(17):
— A vida não acabou. Não é chegada a hora de
postar-se diante do túmulo como se a morte es�vesse à
espreita. É tempo de se renovar, tomar novas escolhas e
trilhar por novos caminhos. Alimente os sonhos! Seja
jovem novamente!
Tão rápido, naquele dia, nasceu uma inesperada
paixão entre os dois(18). Aquele carinho que Emanuel
sempre sen�ra por Maria das Dores enfim foi
retribuído(20).
Quem disse que os velhos não podem se apaixonar?
Maldito preconceito que cria raízes profundas,
inclusive na alma dos segregados!
E, assim, tão logo o tempo passou(19). Anos de risos
fáceis.
No entanto, não foi com lágrimas de arrependimento
que Maria fitou o epitáfio de Emanuel, mas sim com
olhos aquosos de saudade e uma profunda paz em seu
coração renovado.
JONES, Sebas�ão. Não Espere Pelo Fim. Disponível em:
. [online]. 2013.
Acesso em: 26 abr. 2019.
 
Dentre as expressões destacadas nas opções abaixo,
assinale a que NÃO tem a função sintá�ca de sujeito.
a) “[...] o homem de rosto enrugado e cabelos
acinzentados dirigiu-se à sua ranzinza colega de
abrigo” (17).
b) “Tão rápido, naquele dia, nasceu uma inesperada
paixão entre os dois” (18).
c) “E, assim, tão logo o tempo passou” (19).
d) “Aquele carinho que Emanuel sempre sen�ra por
Maria das Dores enfim foi retribuído” (20).
GR0646 - (Uece)
Poluição das águas con�nentais
A poluição das águas con�nentais, principalmente nos
grandes centros urbanos, é cada vez mais alarmante.
10@professorferretto @prof_ferretto
As perspec�vas futuras para as águas con�nentais são
bastante nega�vas. Muitos são os estudos que buscam
contemplar informações sobre a quan�dade e qualidade
da água disponível. A ONU (Organização das Nações
Unidas) elaborou uma série de estudos para obter um
parecer concreto da real situação no quadro hídrico do
planeta e ficou comprovado que, com o passar do tempo,
o comprome�mento das águas para o consumo humano,
para a manutenção de animais e para a irrigação na
agricultura ocorre de forma crescente.
Atualmente, vários fatores e seguimentos dis�ntos
contribuem para o processo de escassez desse recurso
indispensável a todo ser vivo, dentre os principais estão:
a a�vidade industrial, que u�liza os rios para escoar os
seus rejeitos; as mineradoras; a agricultura, que faz uso
de diversos insumos agrícolas (fer�lizantes, inse�cidas,
herbicidas e etc.), com intuito de aumentar a produção, a
fim de atender o mercado externo, ou seja, exportação;
entre outros.
Uma parte dos insumos agrícolas é levada pela
enxurrada da chuva, que chega a rios e córregos(04),
inserindo várias substâncias tóxicas. Essas mesmas
substâncias são absorvidas pelo solo e a�ngem o lençol
freá�co(01).
Das substâncias comumente encontradas como
agentes poluidores estão: restos de petróleo e derivados,chumbo, mercúrio e metais pesados, que são largamente
usados em indústrias e na extração de minérios.
Outro centro de difusão de poluição são os centros
urbanos, que, diariamente, em todo o planeta e,
principalmente nos países pobres(12), lançam esgotos
domés�cos sem nenhum �po de tratamento(11). O
esgoto a�nge rios e córregos(05), além do lençol
freá�co(02) (14), que estão nas proximidades das
cidades(06) (13). Isso acontece em vários lugares, no
entanto, a incidência é mais comum em pequenas
cidades que não possuem centros de tratamento do
esgoto domés�co.
O desmatamento é um fator direto que agrava a
questão da escassez da água, uma vez que ao re�rar a
cobertura vegetal para a ocupação urbana ou rural, o
solo fica exposto à água da chuva e vento. Com isso, o
solo vai sendo depositado nos mananciais, provocando o
assoreamento dos rios, esse processo promove
mudanças climá�cas e compromete a vida aquá�ca.
Os garimpos, que têm suas a�vidades às margens de
rios(10), provocam a dispersão de minerais pesados(09),
como o mercúrio, poluindo as águas que são consumidas
por comunidades.
Os portos realizam limpeza de cinco em cinco anos,
jogando uma imensa quan�dade de dejetos; os aterros
sanitários(07) são grandes agentes poluidores de águas,
principalmente do lençol freá�co(03), pois milhões de
toneladas de lixo acumulados liberam um líquido(16)
(chorume) que é absorvido pelo solo e a�nge as reservas
subterrâneas de água(08) (15).
Adaptado de FREITAS, Eduardo de. Poluição de Águas
Con�nentais. Brasil Escola. Disponível em:
. Acesso em: 20 de maio de
2019.
 
O sujeito de uma oração é o elemento que pra�ca a ação
ou sofre uma ação ou estado. Assinale a opção em que a
expressão sublinhada corresponde ao sujeito da oração
no texto 1.
a) “[...] provocam a dispersão de minerais pesados” (09)
— às margens do rio (10).
b) “[...] lançam esgotos domés�cos sem nenhum �po de
tratamento” (11) — países pobres (12).
c) “[...] estão nas proximidades das cidades” (13) —
lençol freá�co (14).
d) “[...] a�nge as reservas subterrâneas de água” (15) —
um líquido (16).
GR0683 - (Espm)
A Raiz da Corrupção
O tema da corrupção e de seu suposto combate volta
à pauta com intensidade de tempos em tempos e deverá
ser recorrente neste ano eleitoral. Ainda que debater a
corrupção seja de extrema importância, é essencial que
façamos, enquanto sociedade, uma discussão atualizada
e realista de suas implicações e que saibamos iden�ficar
onde ela de fato reside.
Antes, é preciso dizer que a corrupção é um
fenômeno milenarmente presente na vida social. Surge
com o sen�do atual que conhecemos, de apropriação
privada de patrimônio público, a par�r da modernidade,
quando o patrimônio do soberano, que se confundia com
o Estado, deixa de exis�r, e o patrimônio do Estado passa
a ser visto como propriedade pública.
No campo teórico, a corrupção não é só um conceito
jurídico e penal, mas também uma ideia que pertence ao
âmbito filosófico-polí�co e de Jus�ça. Trata-se de uma
iniquidade no plano moral e polí�co porque destrói a
capacidade de inves�mento no serviço público. Na
atualidade, o enfrentamento à corrupção é quase sempre
associado à ideia de combate, e não de controle. A
suposta guerra contra a corrupção é meramente retórica,
pois o Estado não pode entrar em guerra contra seus
próprios cidadãos.
A história mostra que as tenta�vas de controle da
corrupção por parte do Estado, valendo-se de seus
aparelhos de inves�gação, capturam hoje a corrupção de
ontem. Os grandes agentes de corrupção sistêmica são
pegos quando não têm mais força relevante nos sistemas
polí�co e econômico. A Lava Jato, que levou essa ideia de
combate à corrupção ao ápice, com todos os seus
abusos, fisgou corrupções pra�cadas por empreiteiros
11@professorferretto @prof_ferretto
num momento em que estes não �nham mais tanto
relevo na economia e na polí�ca.
Pouco se fala, mas a principal fonte das prá�cas
corruptas hoje, no mundo inteiro, é o mercado
financeiro. A corrupção, não no sen�do jurídico-penal,
mas como iniquidade moral, espraia-se por esse
ambiente de formas menos evidentes do que a corrupção
da obra superfaturada.
(Pedro Serrano, revista Carta Capital, 9 de fevereiro de
2022, p.31.)
 
No trecho inicial: “O tema da corrupção e de seu suposto
combate volta à pauta com intensidade de tempos em
tempos e deverá ser recorrente neste ano eleitoral.”, o
segmento sublinhado exerce a mesma função sintá�ca da
expressão:
a) “de tempos em tempos” (1º par.)
b) “uma discussão atualizada e realista de suas
implicações” (1º par.)
c) “um fenômeno milenarmente presente” (2º par.)
d) “o patrimônio do soberano” (2º par.)
e) “com o Estado” (2º par.)
GR0161 - (Famema)
Leia a charge do cartunista Duke para responder a
questão.
 
 
Nas perguntas do médico “Tem pra�cado a�vidades
�sicas? Mudou hábitos alimentares?”, o sujeito das
orações remete a “você”. Se os sujeitos fossem
“a�vidades �sicas” e “hábitos alimentares”, essas
perguntas assumiriam, em conformidade com a norma-
padrão, a seguinte redação:
a) Têm sido pra�cado a�vidades �sicas? Mudaram-se
hábitos alimentares?
b) Vêm-se pra�cando a�vidades �sicas? Mudou-se
hábitos alimentares?
c) Têm sido pra�cadas a�vidades �sicas? Mudaram-se
hábitos alimentares?
d) A�vidades �sicas tem sido pra�cadas? Mudou-se
hábitos alimentares?
e) A�vidades �sicas vem sendo pra�cadas? Mudou
hábitos alimentares?
GR0735 - (Pmesp)
Leia a crônica “Bandidos”, de Luis Fernando Verissimo.
Nos filmes e histórias em quadrinhos da nossa
infância recebíamos uma lição da qual só agora me dou
conta. Não era a que o Bem sempre vence o Mal, embora
o herói sempre vencesse o bandido. Quem dava a lição
era o bandido, e era esta: a morte precisa de uma certa
solenidade.
A vitória do herói sobre o bandido era banalizada pela
repe�ção. Para o mocinho, matar era uma coisa
corriqueira, uma decorrência da sua virtude. Já o bandido
era torturado pela ideia da morte, pela sua própria
vilania, pelo terrível poder que cada um tem de acabar
com a vida de outro. O bandido era incapaz de
simplesmente matar alguém, ou matar alguém
simplesmente. Para ele o ato de matar precisava ser
lento, trabalhado, ornamentado, erguido acima da sua
inaceitável vulgaridade — enfim, tão valorizado que dava
ao herói tempo de escapar e ainda salvar a mocinha. Pois
a verdade é que nenhum herói teria sobrevivido à sua
primeira aventura se não fosse esta compulsão do vilão
de fazer da morte uma arte demorada, um processo com
preâmbulo e apoteose, e significado. Nunca entendi por
que o bandido não dava logo um �ro na testa do herói
quando o �nha em seu poder, em vez de deixá-lo
suspenso sobre o poço dos jacarés por uma corda
besuntada que os ratos roeriam pouco a pouco,
enquanto o gramofone^1 tocava Wagner^2. Hoje sei que
o vilão queria dar tempo, ao mocinho e à plateia, de
refle�r sobre a finitude e a perversidade humanas.
Os vilões do meu tempo de ma�nês eram
invariavelmente “gênios do Mal”, paródias de intelectuais
e cien�stas cujas maquinações eram frustradas pelo
prá�co mocinho. A imaginação perdia para a ação porque
a imaginação, como a hesitação, é a ação retardada, a
ação precedida do pensamento, do pavor ou, no caso do
bandido, da volúpia do significado. O Mal era inteligência
demais, era a obsessão com a morte, enquanto o Bem —
o que ficava com a mocinha — era o que não pensava na
morte. Quando recapturava o mocinho, mesmo sabendo
que ele escapara da morte tão cuidadosamente
orquestrada com os ratos e os jacarés, o bandido ainda
não lhe dava o rápido e defini�vo �ro na testa, para ele
12@professorferretto @prof_ferretto
aprender. Deixava-o amarrado sobre uma tábua que
lentamente, solenemente, se aproximava de uma serra
circular, da qual o herói obviamente escaparia de novo. E,
se pegasse o mocinho pela terceira vez, nem assim o
bandido abandonaria sua missão didá�ca. Sucumbiria à
sua outra compulsão fatal, a de falar demais. Mesmo o
�ro na testa precisava de uma frase antes, uma
explicação,um jogo de palavras. Geralmente era o que
dava tempo para a chegada da polícia e a prisão do vilão,
derrotado pela literatura.
Pobres vilões. E nós, inconscientemente, torcíamos
pelos burros.
Luis Fernando Verissimo. O suicida e o computador, 1992.
 
1 gramofone: an�go toca-discos.
2 Wagner: Richard Wagner, compositor alemão do século
XIX.
 
“Lá vão os ladrões grandes enforcar os pequenos.”
 
Em ordem direta, o trecho sublinhado assume a seguinte
redação:
a) Os ladrões grandes os pequenos vão enforcar.
b) Vão enforcar os ladrões grandes os pequenos.
c) Os ladrões grandes vão enforcar os pequenos.
d) Vão enforcar os pequenos os ladrões grandes.
e) Os pequenos os ladrões grandes vão enforcar.
GR0745 - (Unesp)
Se um dia
Meu coração for consultado
Para saber se andou errado
Será di�cil negar
Meu coração tem mania de amor
Amor não é fácil de achar
A marca dos meus desenganos ficou, ficou
Só um amor pode apagar
 
Porém
Há um caso diferente
Que marcou um breve tempo
Meu coração para sempre
Era dia de carnaval
Eu carregava uma tristeza
Não pensava em novo amor
Quando alguém que não me lembro anunciou
Portela 1, Portela
O samba trazendo alvorada
Meu coração conquistou
 
Ah, minha Portela
Quando vi você passar
Sen� meu coração apressado
Todo o meu corpo tomado
Minha alegria a voltar
Não posso definir aquele azul
Não era do céu
Nem era do mar
Foi um rio que passou em minha vida
E meu coração se deixou levar
(www.paulinhodaviola.com.br).
 
1 Grêmio Recrea�vo Escola de Samba Portela (ou
simplesmente Portela): escola de samba brasileira da
cidade do Rio de Janeiro que adota como símbolo a águia
e as cores azul e branco.
 
Considerando o contexto em que se insere, está reescrito
em ordem direta o seguinte verso da canção:
a) “Meu coração conquistou” (2ª estrofe) → conquistou
meu coração.
b) “Meu coração for consultado” (1ª estrofe) → for
consultado meu coração.
c) “Só um amor pode apagar” (1ª estrofe) → pode
apagar só um amor.
d) “Há um caso diferente” (2ª estrofe)→ um caso
diferente há.
e) “Sen� meu coração apressado” (3ª estrofe) → meu
coração sen� apressado.
GR0748 - (U�)
 
Assinale a alterna�va CORRETA. Quando a mãe expressa
que é melhor: “não nos metermos!", o sujeito da oração
em destaque é
a) oculto.
b) simples.
c) composto.
d) indeterminado.
GR0750 - (Fcmscsp)
Leia o poema da escritora portuguesa Florbela
Espanca, publicado originalmente em 1919.
 
13@professorferretto @prof_ferretto
Vaidade
Sonho que sou a Poe�sa eleita,
Aquela que diz tudo e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade!
 
Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher todo o mundo! E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade!
Mesmo os de alma profunda e insa�sfeita!
 
Sonho que sou Alguém cá neste mundo...
Aquela de saber vasto e profundo
Aos pés de quem a terra anda curvada!
 
E quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho... E não sou nada!...
(Florbela Espanca. Poemas, 1996.)
 
O núcleo do sujeito do verbo “deleita” (2ª estrofe) é
a) “inspiração”.
b) “Poe�sa”.
c) “claridade”.
d) “mundo”.
e) “verso”.
GR0774 - (Eear)
Na oração Aurélia surgiu linda e radiante no baile da
corte, podemos afirmar que
 
I. O predicado é verbo-nominal.
II. O predicado é nominal.
III. O verbo surgir é intransi�vo.
IV. O verbo surgir é transi�vo indireto.
 
Estão corretas apenas as alterna�vas
a) I e II.
b) I e III.
c) II e IV.
d) III e IV.
GR0787 - (Fuvest)
 
O caso triste, e digno da memória
Que do sepulcro os homens desenterra,
Aconteceu da mísera e mesquinha
Que depois de ser morta foi rainha.
 
Para o correto entendimento destes versos de Camões, é
necessário saber que o sujeito do verbo desenterra é
a) os homens (por licença poé�ca).
b) ele (oculto).
c) o primeiro que.
d) o caso triste.
e) sepulcro.
GR0790 - (Eear)
Assinale a alterna�va em que não há predicado verbo-
nominal.
a) Elas admiravam as encantadas luzes da Cidade Eterna.
b) Elas admiravam as luzes da Cidade Eterna encantadas.
c) Encantadas, elas admiravam as luzes da Cidade Eterna.
d) Elas admiravam, encantadas, as luzes da Cidade
Eterna.
GR0926 - (Enem)
Volta e meia recebo car�nhas de fãs, e alguns são
bem jovens, contando como meu trabalho com a música
mudou a vida deles. Fico no céu lendo essas coisas e me
emociono quando escrevem que não são aceitos pelos
pais por serem diferentes, e como minhas músicas são
uma companhia e os libertam nessas horas de solidão.
Sinto que é mais complicado ser jovem hoje, já que
nunca �vemos essa superpopulação no planeta: haja
compe��vidade, culto à beleza, ter filho ou não, estudar,
ralar para arranjar trabalho, ser mal remunerado, ser
bombardeado com trocentas informações, lavagens
cerebrais...
Queria dar beijinhos e carinhos sem ter fim nessa
moçada e dizer a ela que a barra é pesada mesmo, mas
que a juventude está a seu favor e, de repente, a maré de
tempestade muda.
Diria também um monte de clichê: que vale a pena
estudar mais, pesquisar mais, ler mais. Diria que não é
sinal de saúde estar bem-adaptado a uma sociedade
doente, que o que é normal para uma aranha é o caos
para uma mosca.
Meninada, sintam-se beijados pela vovó Rita.
RITA LEE. Outra autobiografia. São Paulo: Globo
Livros, 2023.
 
Como estratégia para se aproximar de seu leitor, a autora
usa uma postura de empa�a explicitada em
14@professorferretto @prof_ferretto
a) “Volta e meia recebo car�nhas de fãs, e alguns são
bem jovens”.
b) “Fico no céu lendo essas coisas”.
c) “Sinto que é mais complicado ser jovem hoje”.
d) “Queria dar beijinhos e carinhos sem ter fim nessa
moçada”.
e) “Diria que não é sinal de saúde estar bem-adaptado a
uma sociedade doente”.
GR0931 - (Uece)
Padrão de beleza: mutante, mas sempre ao nosso redor
 
Fomos ensinadas a agradar e a nos preocupar com a
opinião alheia, a nos comportar de determinada maneira,
a nos ves�r com roupas específicas, ter um �po de cabelo
e por aí vai.
Quando não seguimos a car�lha, algumas pessoas se
sentem no direito de fazer comentários ou brincadeiras
sobre nossas caracterís�cas �sicas sem ninguém ter
pedido uma opinião. Ao longo dos anos, isso vai se
internalizando em nós. Passamos a ver como problema
algo que nem era uma questão, dando poder a palavras
destru�vas.
Bom, nós sabemos que mesmo racionalizando tudo
isso, muitas vezes nos pegamos inseguras por não
apresentarmos um conjunto de traços que sa�sfaçam
essas expecta�vas.
Por muito tempo, fomos ensinadas a agir dessa
maneira. Quando não somos magras o suficiente ou
temos estrias, nos culpamos e seguimos em busca de
melhorar a todo custo. Entender essa dinâmica é o
primeiro passo para construir uma mudança real e
significa�va em nossas vidas.
Se antes os grandes culpados eram os ensaios
fotográficos e as campanhas publicitárias estampados
nas revistas femininas, hoje somos bombardeadas por
centenas de imagens. Facebook, Instagram e Pinterest
estão aí para mostrar padrões de beleza corporal a todo o
momento. Ou seja, o padrão de beleza imposto pela
mídia agora também é encontrado nas redes sociais.
Uma das maiores problemá�cas desse ambiente é que,
mesmo dando preferência para seguir pessoas
conhecidas, ainda há uma tenta�va constante, por parte
de todas nós, de mostrarmos uma existência
maravilhosa.
São fotos e mais fotos de pessoas malhando
loucamente, sem estrias ou sinais de celulite. E
pensamos: por que não eu? Esse momento pode ser o
mais perigoso porque gera muitas frustrações.
Está tudo bem você querer perder uns quilinhos ou
seguir um es�lo mais saudável, desde que seja uma
escolha sua e com acompanhamento médico. E esse é o
X da questão. Muitas vezes, queremos alcançar níveis
surreais de magreza ou definição que não têm nada a ver
com a gente.
Começamos a perseguir uma vida que vemos em
nosso feed, mas cujos bas�dores não conhecemos.
Gastamos nosso salário em procedimentos esté�cos,
dietas e para quê? Muitas vezes, apenas para chegar a
alguma meta di�cil de ser alcançada e que não combina
com o nosso es�lo de vida e valores pessoais. [...]Se o seu ritmo é acordar mais cedo, correr, voltar para
a casa, comer uma tapioca e se arrumar para o trabalho,
ó�mo. Se você não é fã de uma ro�na regrada, gosta da
sua alimentação do jeito que ela é, tudo certo também. E
se um dia você acordar e quiser mudar tudo, não tem
nenhum problema!
Sabemos que estamos falando de um assunto
delicado. No entanto, insis�mos: escolha cuidar de você,
da sua saúde mental e da sua qualidade de vida em
primeiro lugar. E vamos nos apoiar nesta caminhada,
dando um passo por vez, cada uma no seu ritmo. Vamos
juntas, no agora ou no futuro, dizer: amo meu corpo do
jei�nho que ele é.
Texto adaptado. Disponível em
h�ps://www.pantys.com.br/blogs/pantys/padrao-de-
beleza-mutante-mas-sempre-ao-nosso-redor Acesso em
28 de maio de 2021.
 
A escolha pelo uso da primeira pessoa plural, no texto 2,
a) além de demonstrar que o texto foi escrito por uma
mulher, busca o engajamento de uma parcela de
público feminino.
b) é aleatória e não impacta na construção
argumenta�va do texto.
c) é uma forma de excluir deliberadamente o público
masculino dos leitores para perpetuar um tabu.
d) não imprime ao texto um tom panfletário que
requeira engajamento de alguma natureza.
15@professorferretto @prof_ferretto

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