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Termos Essenciais GR0257 - (Unesp) Leia o soneto “Nasce o Sol, e não dura mais que um dia”, do poeta Gregório de Matos (1636-1696). Nasce o Sol, e não dura mais que um dia, Depois da Luz se segue a noite escura, Em tristes sombras morre a formosura, Em con�nuas tristezas a alegria. Porém, se acaba o Sol, por que nascia? Se é tão formosa a Luz, por que não dura? Como a beleza assim se transfigura? Como o gosto da pena assim se fia? Mas no Sol, e na Luz falte a firmeza, Na formosura não se dê constância, E na alegria sinta-se tristeza. Começa o mundo enfim pela ignorância, E tem qualquer dos bens por natureza A firmeza somente na inconstância. (Poemas escolhidos, 2010.) O verso está reescrito em ordem direta, sem alteração do seu sen�do original, em: a) “Começa o mundo enfim pela ignorância,” (4ª estrofe) → Pela ignorância, enfim, o mundo começa. b) “Em tristes sombras morre a formosura,” (1ª estrofe) → A formosura morre em tristes sombras. c) “Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,” (1ª estrofe) → O Sol não dura mais que um dia que nasce. d) “Depois da Luz se segue a noite escura,” (1ª estrofe) → Segue-se a noite escura depois da Luz. e) “Mas no Sol, e na Luz falte a firmeza,” (3ª estrofe) → Mas falte a firmeza no Sol e na Luz. GR0163 - (Cfn) Indique, dentre as alterna�vas abaixo, a que possui o mesmo �po de sujeito do verbo DIZER, presente no 1º quadrinho do texto. a) Faltou-me cautela naquele momento. b) A�vidades �sicas e boa alimentação fazem bem à saúde do corpo e da mente. c) Estão à sua espera desde ontem. d) Faz três semanas que não vou à praia. e) Choveu muito no final de janeiro. GR0270 - (Unesp) Onde estou? Este sí�o desconheço: Quem fez tão diferente aquele prado? Tudo outra natureza tem tomado, E em contemplá-lo, �mido, esmoreço. Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço De estar a ela um dia reclinado; Ali em vale um monte está mudado: Quanto pode dos anos o progresso! Árvores aqui vi tão florescentes, Que faziam perpétua a primavera: Nem troncos vejo agora decadentes. Eu me engano: a região esta não era; Mas que venho a estranhar, se estão presentes Meus males, com que tudo degenera! (Cláudio Manuel da Costa. Obras, 2002.) 1@professorferretto @prof_ferretto Está reescrito em ordem direta, sem prejuízo de seu sen�do original, o seguinte verso: a) “Quem fez tão diferente aquele prado?” (1a estrofe) → Quem aquele prado fez tão diferente? b) “Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço” (2a estrofe) → Uma fonte houve aqui; eu não me esqueço. c) “Ali em vale um monte está mudado:” (2a estrofe) → Ali está mudado um monte em vale. d) “Tudo outra natureza tem tomado,” (1a estrofe) → Tudo tem tomado outra natureza. e) “Nem troncos vejo agora decadentes.” (3a estrofe) → Nem troncos decadentes vejo agora. GR0160 - (Cfn) Na frase: “- Saiu agora mesmo com uma trouxinha” - linha 30 – o sujeito é classificado como oculto. Assinale abaixo a frase em que o mesmo ocorre. a) Encontramos belas obras de arte. b) Durante a noite, picharam a parede. c) Existem mo�vos para inocentá-lo. d) Entraram o prefeito e seus assessores. e) Haviam sido realizadas todas as tarefas de casa. 2@professorferretto @prof_ferretto GR0162 - (Insper) O �tulo da chamada alude a um dos termos essenciais da oração: o sujeito. No entanto, para que o sujeito seja classificado como oculto, é necessário que haja certas marcas linguís�cas, que podem ser iden�ficadas em a) Foram criados novos aplica�vos que prometem anonimato dos usuários. b) No mercado há diversos aplica�vos que prometem anonimato dos usuários. c) Surgiram vários aplica�vos que prometem anonimato dos usuários. d) Desenvolvemos novos aplica�vos que prometem anonimato dos usuários. e) Cresce a oferta de aplica�vos que prometem anonimato dos usuários. GR0167 - (Unimep) Leia: I. Paulo está adoentado. II. Paulo está no hospital. a) O predicado é verbal em I e II. b) O predicado é nominal em I e II. c) O predicado é verbo-nominal em I e II. d) O predicado é verbal em I e nominal em II. e) O predicado é nominal em I e verbal em II. GR0169 - (Eear) Com relação aos �pos de predicado, assinale a alterna�va que apresenta a sequência correta quanto à classificação dos predicados das orações abaixo. I- Os alunos foram informados da situação. II- Os candidatos saíram da sala confiantes. III- O professor parece despreocupado. a) Predicado nominal – Predicado verbo-nominal – Predicado verbal b) Predicado verbal – Predicado nominal – Predicado verbo-nominal c) Predicado verbal – Predicado verbo-nominal – Predicado nominal d) Predicado verbo-nominal – Predicado verbal – Predicado nominal e) Predicado nominal – Predicado verbal – Predicado verbo-nominal GR0165 - (Unir) A raça humana A raça humana é Uma semana Do trabalho de Deus A raça humana é ferida acesa Uma beleza, uma podridão O fogo eterno e a morte A morte e a ressurreição A raça humana é Uma semana Do trabalho de Deus A raça humana é o cristal de lágrima Da lavra da solidão Da mina, cujo mapa Traz na palma da mão A raça humana é Uma semana Do trabalho de Deus A raça humana risca, rabisca, pinta A �nta, a lápis, a carvão, a giz O rosto da saudade Que traz do Gênesis Dessa semana santa Entre parênteses Desse divino oásis Da grande apoteose 3@professorferretto @prof_ferretto Da perfeição divina Na Grande Síntese A raça humana é Uma semana Do trabalho de Deus (GIL, Gilberto. CD Raça Humana.) Sobre a construção sintá�ca do texto, marque V para as afirma�vas verdadeiras e F para as falsas. (__) Para conceituar a raça humana foi empregado o predicado nominal, como em A raça humana é o cristal de lágrima. (__) Verbos transi�vos diretos foram empregados para indicar o que a raça humana faz, a exemplo de A raça humana risca, rabisca, pinta / A �nta, a lápis, a carvão, a giz / O rosto da saudade. (__) Na construção da metáfora em A raça humana é ferida acesa, foi usado verbo de ligação e predica�vo do sujeito. (__) No refrão, a expressão de Deus funciona como complemento nominal da palavra trabalho. Assinale a sequência correta. a) V, F, F, V b) V, V, F, F c) V, V, V, F d) F, V, V, F e) F, F, V, V GR0168 - (Ufu) “O sol entra cada dia mais tarde, pálido, fraco, oblíquo.” “O sol brilhou um pouquinho pela manhã”. Pela ordem, os predicados das orações acima classificam-se como: a) nominal e verbo-nominal b) verbal e nominal c) verbal e verbo-nominal d) verbo-nominal e nominal e) verbo-nominal e verbal GR0349 - (Puccamp) Independência, em 7 de setembro de 1822, foram marcados por agitações polí�cas e intensas negociações sobre a criação da nação brasileira e a definição de um perfil de Estado nacional. Era preciso inves�r na formação de uma elite intelectual capaz de gerir a pátria recém-emancipada, ins�tuindo-lhe uma iden�dade própria, em oposição à portuguesa. Mais do que novas leis, o país precisava de uma consciência jurídica, que deveria emanar de cursos estabelecidos em território nacional. Foram esses, entre outros, os argumentos que deram o tom das discussões polí�cas que culminaram nas duas primeiras faculdades de direito do Brasil, em agosto de 1827, em São Paulo e Recife. “A criação de escolas de direito nas regiões Sul e Norte, como se dizia à época, pretendia integrar as diferentes regiões do país, fortalecendo a unidade territorial”, explica a advogada e historiadora Ana Paula Araújo de Holanda, da Universidade de Fortaleza, Ceará. A proposta de criação de um curso de direito foi apresentada em 1823. Tratava-se de um pedido de brasileiros matriculados na Universidade de Coimbra, em Portugal, onde a maioria dos que pretendiam seguir nas profissões jurídicas estudava. O projeto, apresentado pelo advogado Fernandes Pinheiro, foi encaminhado para debate na Assembleia, e logo iniciaram-se as divergências sobre a localização dos cursos. Os debates transcorreram de forma apaixonada. “Os parlamentares advogavam em favor de suas províncias de origem, já que desses cursos sairia a elite polí�ca do país”, comenta a advogada e historiadoraBistra Stefanova Apostolova, da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília. O projeto aprovado na Assembleia Geral, no entanto, não rompeu totalmente com a tradição jurídica portuguesa. Houve desencontros entre as intenções dos parlamentares e a prá�ca, segundo Bistra. Adotaram-se provisoriamente os Estatutos da Universidade de Coimbra. Ambas as faculdades tornaram-se importantes polos inspiradores das artes literárias e poé�cas nacionais, contribuindo para a construção da iden�dade nacional. As ins�tuições também foram importantes para os principais movimentos cívicos, literários e polí�cos que se seguiram ao longo das décadas no país, como os que levaram à proclamação da República, em 1889, e à Abolição, um ano antes. (Adaptado de ANDRADE, Rodrigo de Oliveira. “Para formar homens de lei”. Revista Pesquisa Fapesp, out/2017) que deveria emanar de cursos estabelecidos em território nacional (1º parágrafo) No contexto, o termo sublinhado acima exerce a mesma função sintá�ca do termo sublinhado em: 4@professorferretto @prof_ferretto a) Ambas as faculdades tornaram-se importantes polos inspiradores das artes literárias e poé�cas nacionais (3º parágrafo) b) como os que levaram à proclamação da República ( 3º parágrafo) c) Os parlamentares advogavam em favor de suas províncias de origem (2º parágrafo) d) a maioria dos que pretendiam seguir nas profissões jurídicas (2º parágrafo) e) e logo iniciaram-se as divergências sobre a localização dos cursos (2º parágrafo) GR0156 - (Unesp) ... para quem quer tornar-se orador consumado não é indispensável conhecer o que de fato é justo, mas sim o que parece justo para a maioria dos ouvintes, que são os que decidem; nem precisa saber tampouco o que é bom ou belo, mas apenas o que parece tal ... (Platão. Diálogos. Porto Alegre: Editora Globo, 1962.) Neste trecho da tradução da segunda fala de Fedro, observa-se uma frase com estruturas oracionais recorrentes, e por isso plena de termos repe�dos, sendo notável, a este respeito, a retomada do demonstra�vo “o” e do pronome rela�vo “que” em “o que de fato é justo, o que parece justo, os que decidem, o que é bom ou belo, o que parece tal.” Em todos esses contextos, o rela�vo que exerce a mesma função sintá�ca nas orações de que faz parte. Indique-a. a) Sujeito. b) Predica�vo do sujeito. c) Adjunto adnominal. d) Objeto direto. e) Objeto indireto. GR0155 - (Unifor) O estresse é um inimigo do coração. As tensões emocionais propiciam doenças cardiovasculares aos montes. Já foi comprovado cien�ficamente que a alta liberação de hormônios em situações estressantes perturba o organismo, provocando reações que englobam desde o aumento da pressão arterial a um fulminante ataque cardíaco. O termo em destaque acima é um pronome rela�vo, pois retoma a função do termo antecedente na oração. Nas orações abaixo, assinale a alterna�va em que o pronome rela�vo (que) exerce uma função sintá�ca diferente da exercida no texto. a) Já foi comprovado cien�ficamente que a alta liberação de hormônios em situações estressantes perturba o organismo. b) Quem vive uma ro�na estressante libera altos níveis de hormônios que provocam instabilidade no organismo. c) O estresse libera hormônios que detonam o coração e aumentam o risco de infarto. d) Homens que passam por altos níveis de estresse podem dobrar os riscos de desenvolverem diabetes �po 2. e) Em pessoas que têm histórico de doenças do coração, o aumento nos níveis do cor�sol eleva o risco de morte. GR0322 - (Fuvest) Mito, na acepção aqui empregada, não significa men�ra, falsidade ou mis�ficação. Tomo de emprés�mo a formulação de Hans Blumenberg do mito polí�co como um processo con�nuo de trabalho de uma narra�va que responde a uma necessidade prá�ca de uma sociedade em determinado período. Narra�va simbólica que é, o mito polí�co coloca em suspenso o problema da verdade. Seu discurso não pretende ter validade factual, mas também não pode ser percebido como men�ra (do contrário, não seria mito). O mito polí�co confere um sen�do às circunstâncias1 que2 envolvem os indivíduos: ao fazê-los3 ver sua condição presente como parte de uma história em curso, ajuda a compreender e suportar o mundo em que vivem. ENGELKE, Antonio. O anjo redentor. Piauí, ago. 2018, ed. 143, p. 24 Sobre o sujeito da oração “em que vivem” (sublinhado), é correto afirmar: a) Expressa indeterminação, cabendo ao leitor deduzir a quem se refere a ação verbal. b) Está oculto e visa evitar a repe�ção da palavra “circunstâncias” (1º itálico). c) É uma função sintá�ca preenchida pelo pronome “que” (2º itálico). d) É indeterminado, tendo em vista que não é possível iden�ficar a quem se refere a ação verbal. e) Está oculto e seu referente é o mesmo do pronome “os” em “fazê-los” (3º itálico). GR0389 - (Fuvest) 1 Tornando da malograda espera do �gre, 2 alcançou o capanga um casal de velhinhos, que 3 seguiam diante dele o mesmo caminho e conversa- 4 vam acerca de seus negócios par�culares. Das 5@professorferretto @prof_ferretto 5 poucas palavras que apanhara, percebeu Jão Fera 6 que des�navam eles uns cinquenta mil-réis, tudo 7 quanto possuíam, à compra de man�mentos, a fim 8 de fazer um moquirão*, com que pretendiam abrir 9 uma boa roça. 10 — Mas chegará, homem? perguntou a velha. 11 — Há de se espichar bem, mulher! 12 Uma voz os interrompeu: 13 — Por este preço dou eu conta da roça! 14 — Ah! É nhô Jão! 15 Conheciam os velhinhos o capanga, a quem 16 �nham por homem de palavra, e de fazer o que 17 prome�a. Aceitaram sem mais hesitação; e foram 18 mostrar o lugar que estava des�nado para o roçado. 19 — Acompanhou-os Jão Fera; porém, mal seus 20 olhos descobriram entre os utensílios a enxada, a 21 qual ele esquecera um momento no afã de ganhar a 22 soma precisa, que sem mais deu costas ao par de 23 velhinhos e foi-se deixando-os embasbacados. (José de Alencar, Til.) * moquirão = mu�rão (mobilização cole�va para auxílio mútuo, de caráter gratuito) Considere os seguintes comentários sobre diferentes elementos linguís�cos presentes no texto: I. Em “alcançou o capanga um casal de velhinhos” (L.2), o contexto permite iden�ficar qual é o sujeito, mesmo este estando posposto. II. O verbo sublinhado no trecho “que seguiam diante dele o mesmo caminho” (L. 2-3) poderia estar no singular sem prejuízo para a correção grama�cal. III. No trecho “que des�navam eles uns cinquenta mil réis” (L. 6), pode-se apontar um uso informal do pronome pessoal reto “eles”, como na frase “Você tem visto eles por aí?” Está correto o que se afirma em a) I, apenas. b) II, apenas. c) III, apenas. d) I e II, apenas. e) I, II e III. GR0157 - (Eear) Há sujeito simples em qual alterna�va? a) “Mais ao longe, numa volta da estrada, uma esperança havia.” b) “Nenhuma pedra poderia haver no caminho da felicidade.” c) “Nunca houve cometa igual, assim tão terrível, desdenhoso e belo.” d) “No lombo do cavalo baio, havia par�do minha esperança de felicidade.” GR0159 - (Unesp) Leia o soneto “VII”, de Cláudio Manuel da Costa, para responder à questão. Onde estou? Este sí�o desconheço: Quem fez tão diferente aquele prado? Tudo outra natureza tem tomado, E em contemplá-lo, �mido, esmoreço. Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço De estar a ela um dia reclinado; Ali em vale um monte está mudado: Quanto pode dos anos o progresso! Árvores aqui vi tão florescentes, Que faziam perpétua a primavera: Nem troncos vejo agora decadentes. Eu me engano: a região esta não era; Mas que venho a estranhar, se estão presentes Meus males, com que tudo degenera! (Cláudio Manuel da Costa. Obras, 2002.) Está reescrito em ordem direta, sem prejuízo de seu sen�do original, o seguinte verso: a) “Quem fez tão diferente aquele prado?” (1a estrofe) → Quem aquele prado fez tão diferente? b) “Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço” (2a estrofe) → Uma fonte houve aqui; eu não me esqueço. c) “Ali em vale um monte está mudado:” (2a estrofe) → Ali está mudado um monte em vale. d) “Tudo outra natureza tem tomado,” (1a estrofe) → Tudo tem tomadooutra natureza. e) “Nem troncos vejo agora decadentes.” (3a estrofe) → Nem troncos decadentes vejo agora. GR0164 - (Faculdade Milton Campos) A primeira morte Eliane Brum 6@professorferretto @prof_ferretto A no�cia veio em um exame de ro�na, aberto na página do laboratório na internet enquanto tomava um chocolate quente. Na verdade, leite com um chocolate em pó cheio de porcarias que ele toma desde a infância e, por isso, aos 43 anos, é uma fonte de alegria permanente na prateleira da cozinha. Quando bateu na minha porta, os olhos escancarados, avisando que �nha uma má no�cia, eu pensei logo em câncer. No nosso tempo, é o que a gente sempre pensa, mesmo que não diga. “Meu colesterol está alto”, ele disse. “Muito acima do péssimo.” Amoleci inteira e até esbocei um sorriso. “Ah, mas isso não é tão grave.” Mas era. Eu não fui capaz de perceber logo, mas era a primeira morte de meu melhor amigo. Não era uma doença incurável, não era um drama humanitário, não era nada que alterasse a ordem do mundo. Era só a pequena tragédia dele. Comezinha e co�diana. A tragédia de um homem comum, com uma vida comum, que sen�a a primeira fisgada do fim. No percurso de uma vida, quando temos a sorte de ter uma existência longa, passamos por várias pequenas mortes e renascimentos. É importante que partes de nós morram para que outras possam nascer – ou apenas para que esses pedaços mofados de nossas crenças sobre nós ou da crença de outros sobre nós saiam do caminho. É triste quando alguém é uma coisa só a vida toda – perdendo a chance de acolher todos os outros de si. Quando alguém anda pela vida apertado em uma roupa que nunca lhe serviu direito, mas que foi ves�da nele ou nela por seus pais ainda na infância, como se fosse o único modelo que lhe coubesse. É importante que, em algum momento, de preferência mais cedo do que tarde, a gente descubra que essa roupa não serve – ou que apenas algumas partes servem e outras precisam ser jogadas fora, para que novas possam ser inventadas. É essencial que nos libertemos dos dogmas impingidos sobre nós para podermos criar uma vida que faça mais sen�do – e para nos sen�rmos livres para recriá-la o tempo todo. O olhar do outro sobre nós, a começar pelo dos nossos pais, às vezes é redenção, em outras é prisão, em geral é ambos. Por isso me parece que uma vida é mais rica quando morremos e renascemos muitas vezes. Mas esta é a existência psíquica, é o que se passa em nossas porções invisíveis, naquela parte da nossa geografia que não se pode tocar com as mãos. Poucas coisas ou nenhuma são mais assustadoras do que ousar se libertar de um jeito de ser cujo funcionamento conhecemos. Porque ainda que esse jeito nos sequestre o desejo, nos parece mais seguro do que enfrentar o vazio de descobrir formas de viver mais próximas de nossos anseios. Mas, se �vermos essa coragem que anda de mãos agarradas com o medo, nós nos responsabilizamos pelas nossas escolhas, seguimos e criamos e morremos e renascemos. Muitas vezes. Em algum momento, porém, o corpo anuncia uma morte da qual não é possível renascer. A rigor, começamos a morrer desde o nascimento. De fato, nosso declínio �sico começa aos 20 e poucos anos, mas esses sinais podem ser ignorados. E são. Por volta dos 40 – um pouco depois, para quem tem mais sorte, um pouco antes, para quem tem mais azar –, recebemos a no�cia da primeira morte que não podemos ignorar. A primeira morte do corpo. Foi o que aconteceu com meu melhor amigo. Para não morrer nos próximos anos de enfarte ou AVC por causa das artérias entupidas de gordura, ele matou com um só golpe um mundo inteiro dentro de si. Não é uma mera mudança de hábitos, como médicos e nutricionistas tentam nos convencer em consultas, reportagens e sites da internet. É um mundo inteiro que se ex�ngue como se o Sol explodisse de repente, muito antes dos bilhões de anos calculados pelos astrônomos. Para quem vive nesse planeta, é uma hecatombe. Para a imensidão do universo, é um nada, estrelas morrem o tempo todo sem que a ordem da vida dos outros se altere. Para o planeta humano que é meu melhor amigo, foi uma hecatombe. Acabaram-se as feijoadas, o churrasco, a pizza, o hambúrguer, a batata frita, os pastéis, os bolos, os bolinhos, as tortas, os chocolates. Mas não só. Encerrou-se a possibilidade de renovar a qualquer momento a memória de uma vida de afetos: a receita de bacalhau da mãe que morreu, a torta de morangos que só a sogra sabe fazer, o feijão gordo que a mulher prepara toda quinta-feira e havia se tornado um acontecimento, a noite com o amigo de infância recheada de cumplicidade, chope e frituras. Acabou-se a possibilidade de degustar territórios ainda não desbravados. As experiências gastronômicas com um amigo chefe de cozinha. O acesso às dores de alma e as alegrias de outros povos e terras através da comida, dos ingredientes e dos temperos, que o ins�gavam a jamais perder nenhuma chance de viajar. Suas próprias invenções com as panelas que reuniam os mais próximos em alegres descobertas na mesa da cozinha. Agora, ele terá de recusar pratos em almoços e jantares – e será um problema na cozinha alheia. Um mundo dentro do mundo morreu em um segundo. E a no�cia dessa morte o lembra o tempo todo de que é só a primeira das muitas que virão. “Tenho medo de morrer de repente”, ele diz. Porque sente que uma parte dele teve morte súbita tendo ele mesmo por testemunha. “Eu não fumo, não uso drogas, só bebo em ocasiões especiais”, ele diz, traído. Eu quase digo: “A vida não dá garan�as”, mas me contenho a tempo. Sei que dentro dele toca o réquiem de Verdi, dramá�co e grandiloquente, mas só ele escuta. Porque sua tragédia é prosaica, acontece com muitos, não é no�cia nem na família. Ele é só mais um homem diante do parapeito da ponte – sem vontade de a�rarse dali, mas apavorado porque um dia vai estar lá embaixo. 7@professorferretto @prof_ferretto Pesquisamos juntos na internet, tentamos inventar receitas, descobrir novos ingredientes, criar um mundo novo dentro do universo restrito ao qual ele foi confinado. Cheiramos desconfiados uma linguiça de soja, passamos retos pela manteiga, enchemos o carrinho de coisas verdes. Depois vamos ao cinema para esquecer seu pequeno drama diante da grandeza do drama maior de um outro, mas, quando estaqueamos diante da pipoca, o luto desce sobre ele, inexorável. Sabemos que é preciso aceitar essa morte, assim como todas que virão, com o excesso de perdas que ela contém. Em geral não se morre de uma vez só, mas aos poucos. E é o corpo que nos ensina a brutalidade dessa verdade. O colesterol não encolheu apenas a largura das artérias de meu melhor amigo, mas também a largura da sua vida. Ele sabe que não pode escapar dos limites impostos pelo corpo. Pode, como todos nós, no máximo adiá-los. No exame do laboratório o tal do LDL avisa que a juventude, aquele tempo no qual era possível fingir que não havia limites, acabou. Mas a gordura que entulha as artérias de meu melhor amigo não lhe obstrui o espírito. Porque morreu e nasceu muitas vezes ao longo de seus 43 anos, há nele uma vida dentro da vida que se amplia também nesse choque com os limites. Enquanto o corpo falha, sua mente recolhe suas lágrimas, sua surpresa e sua dor e os transforma em uma experiência a mais. Sempre foi assim, afinal. É no confronto com a miséria da condição humana que produzimos o melhor do humano. Condenados eternamente ao fracasso de nosso embate com a morte, inventamos essa vida dentro da vida. Que, se �vermos a ousadia de morrer e nascer várias vezes no espaço de uma existência, será uma vida maior que a vida. Não tenho dúvidas de que meu melhor amigo seguirá suspirando de saudades de uma picanha gorda ou de um feijão com costelinha de porco. Mas, nesse úl�mo final de semana, ele já havia colado um cartaz paté�co na cozinha, com imagens suas de a.C. e d.C. – “C” não de Cristo, mas de colesterol. Estava entrouxado de roupas porque acreditava que os 100 gramas que �nha perdido desde que abriu o exame tornaram-no “mais friorento”. E tentava inventar uma maionesecaseira sem ovos nem óleo. Soube então que estava salvo. Não do colesterol, mas de algo muito pior: uma vida pequena. (Fonte: revistaepoca.globo.com) Em todas as alterna�vas, foram destacados termos que funcionam como núcleo do predicado, EXCETO em a) “Eu não fui capaz de perceber logo...” b) “Soube então que estava salvo.” c) “É importante que partes de nós morram...” d) “Um mundo dentro do mundo morreu em um segundo.” GR0158 - (Fuvest) Em “Seu carisma seduziu a editora DC Comics, que impôs o acréscimo de um quadrinho.” (L.12-13), o vocábulo “que” possui a mesma função sintá�ca desempenhada no texto por a) “imóvel” (L. 2). b) “Robin” (L. 5). c) “seus pais” (L. 9). d) “se” (L. 12). e) “vivo” (L. 15). GR0166 - (Efomm) Bruno Lichtenstein Rubem Braga 18 de Julho de 1939 Foi preso o menino Bruno Lichtenstein, que arrombou a Faculdade de Medicina. O menino Bruno Lichtenstein não é arrombador profissional. Apenas acontece que o menino Bruno Lichtenstein tem um amigo, e esse amigo é um cachorro, e esse cachorro ia ser trucidado cien�ficamente, para estudos, na Faculdade de Medicina. O poeta mineiro Djalma Andrade tem um soneto que acaba mais ou menos assim: "se entre os amigos encontrei cachorros, entre os cachorros encontrei-te, amigo". 8@professorferretto @prof_ferretto Mas com toda a certeza o menino Bruno Lichtenstein jamais leu esses versos. Também com certeza nunca lhe explicaram o que é vivissecção, nem lhe disseram que seu cão ia ser vivisseccionado. Tudo o que ele sabia é que lhe haviam carregado o cachorro e que iam matá-Io. Se fosse pedi-Io, naturalmente, não o dariam. Quem, neste mundo, haveria de se preocupar com o pobre menino Bruno Lichtenstein e o seu pobre cão? Mas o cachorro era seu amigo - e estava lá, me�do em um porão, esperando a hora de morrer. E só uma pessoa no mundo podia salvá-Ia: um menino pobre chamado Bruno Lichtenstein. Com esse sobrenome de principado, Bruno Lichtenstein é um garoto sem dinheiro. Não pagará a licença de seu amigo. Mas Bruno Lichtenstein havia de salvar a vida de seu amigo - de qualquer jeito. E jeito só havia um: ir lá e �rar o cachorro. De longe, Bruno Lichtenstein chorava, pensando ouvir o ganido triste de um condenado à morte. via homens cruéis metendo o bisturi na carne quente de seu amigo: via sangue derramado. Horrível, horrível. Bruno Lichtenstein sen�u que seria o úl�mo dos infames se não agisse imediatamente. Agiu. Escalou uma janela, arrebentou um vidro, saltou. Estava dentro do edi�cio. Andando pelas salas desertas, foi até onde estava o seu amigo. Sen�u que o seu coração ba�a mais depressa. Deu um assovio, um velho assovio de amizade. Um vulto se destacou em um salto - e um focinho e úmido lambeu a mão de Bruno Lichtenstein. Agora era para a rua, para a liberdade, para a vida ... Bruno Lichtenstein, da cabeça aos pés, tremia de susto e de alegria. Foi aí que ele ouviu uma voz áspera e espantada de homem. Era o dr. Loforte. O dr. Loforte surpreendeu o menino. Um menino podre, que tremia, que havia arrombado a Faculdade. Só podia ser um ladrão! Bruno Lichtenstein não explicou nada - e fez bem. Para o dr. Loforte um cachorro não é um cachorro - é um material de estudo como outro qualquer. Na polícia apareceu o pai do menino. O pai, o professor e o delegado conversaram longamente - e Bruno Lichtenstein não ouvia nada. Só ouvia, lá longe, o ganir de um condenado à morte. Já te entregaram o cachorro, esse cachorro ia ser trucidado cien�ficamente, para estudos, na Faculdade de Medicina. Tu o mereceste, porque tu foste amigo. Não te deram nem te darão medalha nenhuma - porque não há medalha nenhuma para dis�nguir a amizade. Mas te entregaram o teu cachorro, o cachorro que reivindicaste como um pequeno herói. Tu é um homem, Bruno Lichtenstein - um homem no sen�do decente da palavra, muito mais homem que muito homem. Um aperto de mão, Bruno Lichtenstein. O texto acima foi extraído do livro "1939 - Um episódio em Porto Alegre (Uma fada no front)", Ed. Record Rio de Janeiro, 2002 - pág. 37. Lido o texto, observe atentamente cada quesito e assinale somente UMA opção correta em cada questão. Assinale a oração em que se encontra um predicado nominal. a) "Foi preso o menino Bruno Lichtenstein". (1° parágrafo) b) "( ...) esse cachorro ia ser trucidado cien�ficamente, para estudos, na Faculdade de Medicina". (1° parágrafo) c) "( ... ) e estava lá, me�do em um porão, esperando a hora de morrer". (2° parágrafo) d) "Estava dentro do edi�cio". (3° parágrafo) e) "Tu o mereceste, porque tu foste amigo". (7° parágrafo) GR0639 - (Uece) 9@professorferretto @prof_ferretto Atente para as expressões destacadas nas sentenças a seguir e assinale a que NÃO ocupa a função de sujeito. a) “Para Antônio Prata, o assunto não o incomoda.” (linhas 112-113). b) “Ser poli�camente incorreto faz sen�do (...)” (linhas 102-103). c) “(...) isso não é novo.” (linhas 131-132). d) “(...) afirmou Prata, que também é roteirista.” (linhas 152-153). GR0644 - (Uece) Não Espere Pelo Fim Foi com palavras aprazíveis e um ingênuo sorriso que o homem de rosto enrugado e cabelos acinzentados dirigiu-se à sua ranzinza colega de abrigo(17): — A vida não acabou. Não é chegada a hora de postar-se diante do túmulo como se a morte es�vesse à espreita. É tempo de se renovar, tomar novas escolhas e trilhar por novos caminhos. Alimente os sonhos! Seja jovem novamente! Tão rápido, naquele dia, nasceu uma inesperada paixão entre os dois(18). Aquele carinho que Emanuel sempre sen�ra por Maria das Dores enfim foi retribuído(20). Quem disse que os velhos não podem se apaixonar? Maldito preconceito que cria raízes profundas, inclusive na alma dos segregados! E, assim, tão logo o tempo passou(19). Anos de risos fáceis. No entanto, não foi com lágrimas de arrependimento que Maria fitou o epitáfio de Emanuel, mas sim com olhos aquosos de saudade e uma profunda paz em seu coração renovado. JONES, Sebas�ão. Não Espere Pelo Fim. Disponível em: . [online]. 2013. Acesso em: 26 abr. 2019. Dentre as expressões destacadas nas opções abaixo, assinale a que NÃO tem a função sintá�ca de sujeito. a) “[...] o homem de rosto enrugado e cabelos acinzentados dirigiu-se à sua ranzinza colega de abrigo” (17). b) “Tão rápido, naquele dia, nasceu uma inesperada paixão entre os dois” (18). c) “E, assim, tão logo o tempo passou” (19). d) “Aquele carinho que Emanuel sempre sen�ra por Maria das Dores enfim foi retribuído” (20). GR0646 - (Uece) Poluição das águas con�nentais A poluição das águas con�nentais, principalmente nos grandes centros urbanos, é cada vez mais alarmante. 10@professorferretto @prof_ferretto As perspec�vas futuras para as águas con�nentais são bastante nega�vas. Muitos são os estudos que buscam contemplar informações sobre a quan�dade e qualidade da água disponível. A ONU (Organização das Nações Unidas) elaborou uma série de estudos para obter um parecer concreto da real situação no quadro hídrico do planeta e ficou comprovado que, com o passar do tempo, o comprome�mento das águas para o consumo humano, para a manutenção de animais e para a irrigação na agricultura ocorre de forma crescente. Atualmente, vários fatores e seguimentos dis�ntos contribuem para o processo de escassez desse recurso indispensável a todo ser vivo, dentre os principais estão: a a�vidade industrial, que u�liza os rios para escoar os seus rejeitos; as mineradoras; a agricultura, que faz uso de diversos insumos agrícolas (fer�lizantes, inse�cidas, herbicidas e etc.), com intuito de aumentar a produção, a fim de atender o mercado externo, ou seja, exportação; entre outros. Uma parte dos insumos agrícolas é levada pela enxurrada da chuva, que chega a rios e córregos(04), inserindo várias substâncias tóxicas. Essas mesmas substâncias são absorvidas pelo solo e a�ngem o lençol freá�co(01). Das substâncias comumente encontradas como agentes poluidores estão: restos de petróleo e derivados,chumbo, mercúrio e metais pesados, que são largamente usados em indústrias e na extração de minérios. Outro centro de difusão de poluição são os centros urbanos, que, diariamente, em todo o planeta e, principalmente nos países pobres(12), lançam esgotos domés�cos sem nenhum �po de tratamento(11). O esgoto a�nge rios e córregos(05), além do lençol freá�co(02) (14), que estão nas proximidades das cidades(06) (13). Isso acontece em vários lugares, no entanto, a incidência é mais comum em pequenas cidades que não possuem centros de tratamento do esgoto domés�co. O desmatamento é um fator direto que agrava a questão da escassez da água, uma vez que ao re�rar a cobertura vegetal para a ocupação urbana ou rural, o solo fica exposto à água da chuva e vento. Com isso, o solo vai sendo depositado nos mananciais, provocando o assoreamento dos rios, esse processo promove mudanças climá�cas e compromete a vida aquá�ca. Os garimpos, que têm suas a�vidades às margens de rios(10), provocam a dispersão de minerais pesados(09), como o mercúrio, poluindo as águas que são consumidas por comunidades. Os portos realizam limpeza de cinco em cinco anos, jogando uma imensa quan�dade de dejetos; os aterros sanitários(07) são grandes agentes poluidores de águas, principalmente do lençol freá�co(03), pois milhões de toneladas de lixo acumulados liberam um líquido(16) (chorume) que é absorvido pelo solo e a�nge as reservas subterrâneas de água(08) (15). Adaptado de FREITAS, Eduardo de. Poluição de Águas Con�nentais. Brasil Escola. Disponível em: . Acesso em: 20 de maio de 2019. O sujeito de uma oração é o elemento que pra�ca a ação ou sofre uma ação ou estado. Assinale a opção em que a expressão sublinhada corresponde ao sujeito da oração no texto 1. a) “[...] provocam a dispersão de minerais pesados” (09) — às margens do rio (10). b) “[...] lançam esgotos domés�cos sem nenhum �po de tratamento” (11) — países pobres (12). c) “[...] estão nas proximidades das cidades” (13) — lençol freá�co (14). d) “[...] a�nge as reservas subterrâneas de água” (15) — um líquido (16). GR0683 - (Espm) A Raiz da Corrupção O tema da corrupção e de seu suposto combate volta à pauta com intensidade de tempos em tempos e deverá ser recorrente neste ano eleitoral. Ainda que debater a corrupção seja de extrema importância, é essencial que façamos, enquanto sociedade, uma discussão atualizada e realista de suas implicações e que saibamos iden�ficar onde ela de fato reside. Antes, é preciso dizer que a corrupção é um fenômeno milenarmente presente na vida social. Surge com o sen�do atual que conhecemos, de apropriação privada de patrimônio público, a par�r da modernidade, quando o patrimônio do soberano, que se confundia com o Estado, deixa de exis�r, e o patrimônio do Estado passa a ser visto como propriedade pública. No campo teórico, a corrupção não é só um conceito jurídico e penal, mas também uma ideia que pertence ao âmbito filosófico-polí�co e de Jus�ça. Trata-se de uma iniquidade no plano moral e polí�co porque destrói a capacidade de inves�mento no serviço público. Na atualidade, o enfrentamento à corrupção é quase sempre associado à ideia de combate, e não de controle. A suposta guerra contra a corrupção é meramente retórica, pois o Estado não pode entrar em guerra contra seus próprios cidadãos. A história mostra que as tenta�vas de controle da corrupção por parte do Estado, valendo-se de seus aparelhos de inves�gação, capturam hoje a corrupção de ontem. Os grandes agentes de corrupção sistêmica são pegos quando não têm mais força relevante nos sistemas polí�co e econômico. A Lava Jato, que levou essa ideia de combate à corrupção ao ápice, com todos os seus abusos, fisgou corrupções pra�cadas por empreiteiros 11@professorferretto @prof_ferretto num momento em que estes não �nham mais tanto relevo na economia e na polí�ca. Pouco se fala, mas a principal fonte das prá�cas corruptas hoje, no mundo inteiro, é o mercado financeiro. A corrupção, não no sen�do jurídico-penal, mas como iniquidade moral, espraia-se por esse ambiente de formas menos evidentes do que a corrupção da obra superfaturada. (Pedro Serrano, revista Carta Capital, 9 de fevereiro de 2022, p.31.) No trecho inicial: “O tema da corrupção e de seu suposto combate volta à pauta com intensidade de tempos em tempos e deverá ser recorrente neste ano eleitoral.”, o segmento sublinhado exerce a mesma função sintá�ca da expressão: a) “de tempos em tempos” (1º par.) b) “uma discussão atualizada e realista de suas implicações” (1º par.) c) “um fenômeno milenarmente presente” (2º par.) d) “o patrimônio do soberano” (2º par.) e) “com o Estado” (2º par.) GR0161 - (Famema) Leia a charge do cartunista Duke para responder a questão. Nas perguntas do médico “Tem pra�cado a�vidades �sicas? Mudou hábitos alimentares?”, o sujeito das orações remete a “você”. Se os sujeitos fossem “a�vidades �sicas” e “hábitos alimentares”, essas perguntas assumiriam, em conformidade com a norma- padrão, a seguinte redação: a) Têm sido pra�cado a�vidades �sicas? Mudaram-se hábitos alimentares? b) Vêm-se pra�cando a�vidades �sicas? Mudou-se hábitos alimentares? c) Têm sido pra�cadas a�vidades �sicas? Mudaram-se hábitos alimentares? d) A�vidades �sicas tem sido pra�cadas? Mudou-se hábitos alimentares? e) A�vidades �sicas vem sendo pra�cadas? Mudou hábitos alimentares? GR0735 - (Pmesp) Leia a crônica “Bandidos”, de Luis Fernando Verissimo. Nos filmes e histórias em quadrinhos da nossa infância recebíamos uma lição da qual só agora me dou conta. Não era a que o Bem sempre vence o Mal, embora o herói sempre vencesse o bandido. Quem dava a lição era o bandido, e era esta: a morte precisa de uma certa solenidade. A vitória do herói sobre o bandido era banalizada pela repe�ção. Para o mocinho, matar era uma coisa corriqueira, uma decorrência da sua virtude. Já o bandido era torturado pela ideia da morte, pela sua própria vilania, pelo terrível poder que cada um tem de acabar com a vida de outro. O bandido era incapaz de simplesmente matar alguém, ou matar alguém simplesmente. Para ele o ato de matar precisava ser lento, trabalhado, ornamentado, erguido acima da sua inaceitável vulgaridade — enfim, tão valorizado que dava ao herói tempo de escapar e ainda salvar a mocinha. Pois a verdade é que nenhum herói teria sobrevivido à sua primeira aventura se não fosse esta compulsão do vilão de fazer da morte uma arte demorada, um processo com preâmbulo e apoteose, e significado. Nunca entendi por que o bandido não dava logo um �ro na testa do herói quando o �nha em seu poder, em vez de deixá-lo suspenso sobre o poço dos jacarés por uma corda besuntada que os ratos roeriam pouco a pouco, enquanto o gramofone^1 tocava Wagner^2. Hoje sei que o vilão queria dar tempo, ao mocinho e à plateia, de refle�r sobre a finitude e a perversidade humanas. Os vilões do meu tempo de ma�nês eram invariavelmente “gênios do Mal”, paródias de intelectuais e cien�stas cujas maquinações eram frustradas pelo prá�co mocinho. A imaginação perdia para a ação porque a imaginação, como a hesitação, é a ação retardada, a ação precedida do pensamento, do pavor ou, no caso do bandido, da volúpia do significado. O Mal era inteligência demais, era a obsessão com a morte, enquanto o Bem — o que ficava com a mocinha — era o que não pensava na morte. Quando recapturava o mocinho, mesmo sabendo que ele escapara da morte tão cuidadosamente orquestrada com os ratos e os jacarés, o bandido ainda não lhe dava o rápido e defini�vo �ro na testa, para ele 12@professorferretto @prof_ferretto aprender. Deixava-o amarrado sobre uma tábua que lentamente, solenemente, se aproximava de uma serra circular, da qual o herói obviamente escaparia de novo. E, se pegasse o mocinho pela terceira vez, nem assim o bandido abandonaria sua missão didá�ca. Sucumbiria à sua outra compulsão fatal, a de falar demais. Mesmo o �ro na testa precisava de uma frase antes, uma explicação,um jogo de palavras. Geralmente era o que dava tempo para a chegada da polícia e a prisão do vilão, derrotado pela literatura. Pobres vilões. E nós, inconscientemente, torcíamos pelos burros. Luis Fernando Verissimo. O suicida e o computador, 1992. 1 gramofone: an�go toca-discos. 2 Wagner: Richard Wagner, compositor alemão do século XIX. “Lá vão os ladrões grandes enforcar os pequenos.” Em ordem direta, o trecho sublinhado assume a seguinte redação: a) Os ladrões grandes os pequenos vão enforcar. b) Vão enforcar os ladrões grandes os pequenos. c) Os ladrões grandes vão enforcar os pequenos. d) Vão enforcar os pequenos os ladrões grandes. e) Os pequenos os ladrões grandes vão enforcar. GR0745 - (Unesp) Se um dia Meu coração for consultado Para saber se andou errado Será di�cil negar Meu coração tem mania de amor Amor não é fácil de achar A marca dos meus desenganos ficou, ficou Só um amor pode apagar Porém Há um caso diferente Que marcou um breve tempo Meu coração para sempre Era dia de carnaval Eu carregava uma tristeza Não pensava em novo amor Quando alguém que não me lembro anunciou Portela 1, Portela O samba trazendo alvorada Meu coração conquistou Ah, minha Portela Quando vi você passar Sen� meu coração apressado Todo o meu corpo tomado Minha alegria a voltar Não posso definir aquele azul Não era do céu Nem era do mar Foi um rio que passou em minha vida E meu coração se deixou levar (www.paulinhodaviola.com.br). 1 Grêmio Recrea�vo Escola de Samba Portela (ou simplesmente Portela): escola de samba brasileira da cidade do Rio de Janeiro que adota como símbolo a águia e as cores azul e branco. Considerando o contexto em que se insere, está reescrito em ordem direta o seguinte verso da canção: a) “Meu coração conquistou” (2ª estrofe) → conquistou meu coração. b) “Meu coração for consultado” (1ª estrofe) → for consultado meu coração. c) “Só um amor pode apagar” (1ª estrofe) → pode apagar só um amor. d) “Há um caso diferente” (2ª estrofe)→ um caso diferente há. e) “Sen� meu coração apressado” (3ª estrofe) → meu coração sen� apressado. GR0748 - (U�) Assinale a alterna�va CORRETA. Quando a mãe expressa que é melhor: “não nos metermos!", o sujeito da oração em destaque é a) oculto. b) simples. c) composto. d) indeterminado. GR0750 - (Fcmscsp) Leia o poema da escritora portuguesa Florbela Espanca, publicado originalmente em 1919. 13@professorferretto @prof_ferretto Vaidade Sonho que sou a Poe�sa eleita, Aquela que diz tudo e tudo sabe, Que tem a inspiração pura e perfeita, Que reúne num verso a imensidade! Sonho que um verso meu tem claridade Para encher todo o mundo! E que deleita Mesmo aqueles que morrem de saudade! Mesmo os de alma profunda e insa�sfeita! Sonho que sou Alguém cá neste mundo... Aquela de saber vasto e profundo Aos pés de quem a terra anda curvada! E quando mais no céu eu vou sonhando, E quando mais no alto ando voando, Acordo do meu sonho... E não sou nada!... (Florbela Espanca. Poemas, 1996.) O núcleo do sujeito do verbo “deleita” (2ª estrofe) é a) “inspiração”. b) “Poe�sa”. c) “claridade”. d) “mundo”. e) “verso”. GR0774 - (Eear) Na oração Aurélia surgiu linda e radiante no baile da corte, podemos afirmar que I. O predicado é verbo-nominal. II. O predicado é nominal. III. O verbo surgir é intransi�vo. IV. O verbo surgir é transi�vo indireto. Estão corretas apenas as alterna�vas a) I e II. b) I e III. c) II e IV. d) III e IV. GR0787 - (Fuvest) O caso triste, e digno da memória Que do sepulcro os homens desenterra, Aconteceu da mísera e mesquinha Que depois de ser morta foi rainha. Para o correto entendimento destes versos de Camões, é necessário saber que o sujeito do verbo desenterra é a) os homens (por licença poé�ca). b) ele (oculto). c) o primeiro que. d) o caso triste. e) sepulcro. GR0790 - (Eear) Assinale a alterna�va em que não há predicado verbo- nominal. a) Elas admiravam as encantadas luzes da Cidade Eterna. b) Elas admiravam as luzes da Cidade Eterna encantadas. c) Encantadas, elas admiravam as luzes da Cidade Eterna. d) Elas admiravam, encantadas, as luzes da Cidade Eterna. GR0926 - (Enem) Volta e meia recebo car�nhas de fãs, e alguns são bem jovens, contando como meu trabalho com a música mudou a vida deles. Fico no céu lendo essas coisas e me emociono quando escrevem que não são aceitos pelos pais por serem diferentes, e como minhas músicas são uma companhia e os libertam nessas horas de solidão. Sinto que é mais complicado ser jovem hoje, já que nunca �vemos essa superpopulação no planeta: haja compe��vidade, culto à beleza, ter filho ou não, estudar, ralar para arranjar trabalho, ser mal remunerado, ser bombardeado com trocentas informações, lavagens cerebrais... Queria dar beijinhos e carinhos sem ter fim nessa moçada e dizer a ela que a barra é pesada mesmo, mas que a juventude está a seu favor e, de repente, a maré de tempestade muda. Diria também um monte de clichê: que vale a pena estudar mais, pesquisar mais, ler mais. Diria que não é sinal de saúde estar bem-adaptado a uma sociedade doente, que o que é normal para uma aranha é o caos para uma mosca. Meninada, sintam-se beijados pela vovó Rita. RITA LEE. Outra autobiografia. São Paulo: Globo Livros, 2023. Como estratégia para se aproximar de seu leitor, a autora usa uma postura de empa�a explicitada em 14@professorferretto @prof_ferretto a) “Volta e meia recebo car�nhas de fãs, e alguns são bem jovens”. b) “Fico no céu lendo essas coisas”. c) “Sinto que é mais complicado ser jovem hoje”. d) “Queria dar beijinhos e carinhos sem ter fim nessa moçada”. e) “Diria que não é sinal de saúde estar bem-adaptado a uma sociedade doente”. GR0931 - (Uece) Padrão de beleza: mutante, mas sempre ao nosso redor Fomos ensinadas a agradar e a nos preocupar com a opinião alheia, a nos comportar de determinada maneira, a nos ves�r com roupas específicas, ter um �po de cabelo e por aí vai. Quando não seguimos a car�lha, algumas pessoas se sentem no direito de fazer comentários ou brincadeiras sobre nossas caracterís�cas �sicas sem ninguém ter pedido uma opinião. Ao longo dos anos, isso vai se internalizando em nós. Passamos a ver como problema algo que nem era uma questão, dando poder a palavras destru�vas. Bom, nós sabemos que mesmo racionalizando tudo isso, muitas vezes nos pegamos inseguras por não apresentarmos um conjunto de traços que sa�sfaçam essas expecta�vas. Por muito tempo, fomos ensinadas a agir dessa maneira. Quando não somos magras o suficiente ou temos estrias, nos culpamos e seguimos em busca de melhorar a todo custo. Entender essa dinâmica é o primeiro passo para construir uma mudança real e significa�va em nossas vidas. Se antes os grandes culpados eram os ensaios fotográficos e as campanhas publicitárias estampados nas revistas femininas, hoje somos bombardeadas por centenas de imagens. Facebook, Instagram e Pinterest estão aí para mostrar padrões de beleza corporal a todo o momento. Ou seja, o padrão de beleza imposto pela mídia agora também é encontrado nas redes sociais. Uma das maiores problemá�cas desse ambiente é que, mesmo dando preferência para seguir pessoas conhecidas, ainda há uma tenta�va constante, por parte de todas nós, de mostrarmos uma existência maravilhosa. São fotos e mais fotos de pessoas malhando loucamente, sem estrias ou sinais de celulite. E pensamos: por que não eu? Esse momento pode ser o mais perigoso porque gera muitas frustrações. Está tudo bem você querer perder uns quilinhos ou seguir um es�lo mais saudável, desde que seja uma escolha sua e com acompanhamento médico. E esse é o X da questão. Muitas vezes, queremos alcançar níveis surreais de magreza ou definição que não têm nada a ver com a gente. Começamos a perseguir uma vida que vemos em nosso feed, mas cujos bas�dores não conhecemos. Gastamos nosso salário em procedimentos esté�cos, dietas e para quê? Muitas vezes, apenas para chegar a alguma meta di�cil de ser alcançada e que não combina com o nosso es�lo de vida e valores pessoais. [...]Se o seu ritmo é acordar mais cedo, correr, voltar para a casa, comer uma tapioca e se arrumar para o trabalho, ó�mo. Se você não é fã de uma ro�na regrada, gosta da sua alimentação do jeito que ela é, tudo certo também. E se um dia você acordar e quiser mudar tudo, não tem nenhum problema! Sabemos que estamos falando de um assunto delicado. No entanto, insis�mos: escolha cuidar de você, da sua saúde mental e da sua qualidade de vida em primeiro lugar. E vamos nos apoiar nesta caminhada, dando um passo por vez, cada uma no seu ritmo. Vamos juntas, no agora ou no futuro, dizer: amo meu corpo do jei�nho que ele é. Texto adaptado. Disponível em h�ps://www.pantys.com.br/blogs/pantys/padrao-de- beleza-mutante-mas-sempre-ao-nosso-redor Acesso em 28 de maio de 2021. A escolha pelo uso da primeira pessoa plural, no texto 2, a) além de demonstrar que o texto foi escrito por uma mulher, busca o engajamento de uma parcela de público feminino. b) é aleatória e não impacta na construção argumenta�va do texto. c) é uma forma de excluir deliberadamente o público masculino dos leitores para perpetuar um tabu. d) não imprime ao texto um tom panfletário que requeira engajamento de alguma natureza. 15@professorferretto @prof_ferretto