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Prévia do material em texto

Histologia do tecido nervoso, sanguínio
e sistema cardiovascular
Principais funções e morfologia básica do tecido nervoso, do tecido sanguíneo e do sistema
cardiovascular.
Profa. Gabriela Cardoso Caldas
1. Itens iniciais
Propósito
Compreender as características morfológicas e funções dos tecidos sanguíneo e nervoso, bem como
entender o funcionamento do sistema cardiovascular, conhecer os componentes do sangue e a estrutura de
diversos vasos sanguíneos. Esses conhecimentos são importantes para iniciar os estudos relacionados às
histologias básica e aplicada, os estudos de patologia, especialmente distúrbios de circulação, e os estudos
de imunologia.
Objetivos
Reconhecer os diferentes componentes, a estrutura geral e a função do sistema nervoso
Descrever as características gerais, a função e os componentes do tecido sanguíneo, bem como a
estrutura da medula óssea
Descrever a estrutura dos diferentes vasos sanguíneos, bem como a histologia básica do coração e a
importância do sistema vascular linfático
Introdução
Os tecidos do corpo humano representam a conformação e a união harmônica de diferentes células com
funções e características morfológicas distintas.
 
Neste conteúdo, iniciaremos nossa jornada pelo tecido nervoso. Você verá como são interessantes a
organização e os componentes do sistema nervoso central, sistema nervoso periférico e do sistema nervoso
autônomo — que, apesar do nome, é altamente influenciado pelo sistema nervoso central.
 
Em seguida, veremos o tecido sanguíneo, que é uma especialização do tecido conjuntivo. Conheceremos os
principais componentes do sangue, os elementos figurados e o plasma, bem como suas respectivas funções.
Além disso, conversaremos um pouco sobre a estrutura da medula óssea e sua importante função como fonte
das células hematopoiéticas.
 
Por último, estudaremos o sistema cardiovascular, apresentando a estrutura dos principais tipos de vasos
sanguíneos, os aspectos histológicos básicos da bomba — o coração —, e as características do sistema
vascular linfático, que conduz a linfa.
 
Prepare-se para uma jornada longa, mas muito instigante e encantadora. Vamos começar?
Atenção
Em nosso material, unidades de medida e números são escritos juntos (ex.: 25km) por questões de
tecnologia e didáticas. No entanto, o Inmetro estabelece que deve existir um espaço entre o número e a
unidade (ex.: 25 km). Logo, os relatórios técnicos e demais materiais escritos por você devem seguir o
padrão internacional de separação dos números e das unidades. 
• 
• 
• 
1. Sistema nervoso
Características gerais, origem e funções do sistema
nervoso
O tecido nervoso, que constitui o sistema nervoso, é distribuído pelo organismo, formando uma rede
interligada de comunicação. Esse sistema é responsável por detectar, transmitir e processar os estímulos
sensoriais do ambiente, como calor, luz e modificações químicas, e é encarregado de coordenar o
funcionamento de quase todas as funções do organismo. Desse modo, o sistema nervoso gerencia o
funcionamento do nosso corpo, como a pressão sanguínea, o pH do sangue, a tensão de O2 e CO2, e a
reprodução e a interação com outros seres à nossa volta.
O sistema nervoso gerencia o funcionamento do nosso organismo.
As complexas funções desempenhadas pelo sistema nervoso dependem da geração de seus muitos tipos de
células — neuronais e gliais — em quantidades e localização adequadas. A neurogênese, processo de origem
e desenvolvimento do sistema nervoso, começa na terceira semana de vida do embrião humano, já com a
formação dos folhetos embrionários.
 
No início da neurogênese embrionária, a placa neural sofre um processo de invaginação, formando o tubo
neural, uma estrutura que se estende por topo o corpo do embrião. Por sua vez, o tubo neural desenvolve-se
e dá origem ao encéfalo e à medula espinhal.
Encéfalo
O encéfalo é um conjunto de estruturas que estão anatomicamente e fisiologicamente conectadas. Entre
essas estruturas, estão o bulbo raquidiano, o hipotálamo, o corpo caloso, o tálamo e o cerebelo.
O tecido nervoso é composto por uma complexa rede de células nervosas especializadas, como os neurônios,
os oligodendrócitos, os astrócitos e as células da micróglia. Para entendermos como a sistema nervoso
funciona, podemos dividi-lo em:
Sistema nervoso central (SNC)
É como um sistema operacional que coordena
as ações, sendo formado pelas diferentes
partes do encéfalo (cérebro e cerebelo) e
medula espinhal.
Sistema Nervoso Periférico (SNP)
É a ramificação do sistema nervoso pelo corpo,
formado pelos nervos e por agrupamentos de
células nervosas, os gânglios nervosos. Os
nervos são constituídos principalmente pelos
prolongamentos dos neurônios, situados no
sistema nervoso central ou nos gânglios.
O cérebro fica localizado na cavidade craniana e a medula espinhal está contida na cavidade vertebral da
coluna. A comunicação nervosa do encéfalo com as partes mais distantes do sistema nervoso periférico é
feita através dos neurônios que se prolongam. Alguns podem medir mais de um metro de comprimento.
Curiosidade
O sistema nervoso periférico tem esse nome porque está na periferia, ou seja, além do cérebro e da
medula espinhal. 
Sistema nervoso central (em laranja) e o sistema nervoso periférico (em azul).
Os neurônios têm como função principal a condução do impulso elétrico, e seu formato alongado é facilmente
distinguível dos demais tipos celulares do tecido nervoso. As células da micróglia, neuróglia ou simplesmente
glia, desempenham várias funções, incluindo a de sustentação e nutrição dos neurônios.
 
A morfologia dos neurônios permite a divisão básica em corpo celular e prolongamentos, de modo que
encontramos no sistema nervoso central a substância branca e a substância cinzenta. Não se preocupe,
veremos esses conceitos mais detalhadamente adiante.
Ilustração do encéfalo mostrando a substância branca e a substância cinzenta.
Saiba mais
Atualmente, já existem muitas evidências de que o processo de neurogênese ocorre ao longo de toda a
vida. Acredita-se que duas regiões do cérebro, a zona subventricular e o hipocampo, atuem como berço
de novos neurônios, gerando precursores neuronais que se desenvolvem e se especializam no
cumprimento da função de coordenar e comunicar o corpo. A prática da atividade física regular é vista
como um grande estímulo para a geração e sobrevivência de novos neurônios, ao mesmo tempo que o
alcoolismo e o envelhecimento parecem contribuir para a morte e perda de função dos neurônios. 
Composição e morfologia do sistema nervoso
No funcionamento do sistema nervoso, os neurônios (ou células nervosas) têm a atribuição de receber,
transmitir e processar os estímulos. Quando estimulados, podem liberar moléculas mensageiras chamadas de 
neurotransmissores, que conseguem estimular outros neurônios e outros tipos celulares.
 
Existem muitos tipos de neurônios, especializados em funções específicas, mas todos possuem uma
morfologia que pode ser basicamente dividida em corpo celular ou pericárdio, dendritos e axônio.
Estrutura do neurônio. As setas vermelhas indicam a orientação do impulso nervoso.
Conheceremos, então, a morfologia básica dos neurônios. Para facilitar o seu entendimento e memorização,
tente desenhar um neurônio delimitando suas partes.
 
O corpo celular de um neurônio contém basicamente o núcleo e o citoplasma da célula, com diferentes
organelas. Além de ser o centro trófico celular, apresenta função receptora e integradora de estímulos,
recebendo estímulos excitatórios ou inibitórios gerados em outras células nervosas.
 
Na maioria dos neurônios, o núcleo é esférico e pouco corado, devido à distensão cromossômica.
Outro aspecto morfológico importante é a presença de abundante retículo endoplasmático rugoso, cujas
cisternas são entremeadas por polirribossomos livres.
Saiba mais
Observamos uma maior quantidade de retículo endoplasmático rugoso particularmente nos neurônios
motores (têm longos que se estendem do SNS a músculos, órgão e glândulas).fibras
colágenas e redes de fibras elásticas.
4. Conclusão
Considerações finais
Após um longo caminho, chegamos ao fim da nossa conversa sobre o tecido sanguíneo, o tecido nervoso e o
sistema cardiovascular. Inicialmente, estudamos o incrível tecido nervoso, que forma o sistema nervoso.
Fomos apresentados aos principais tipos celulares e suas funções, bem como à estrutura geral e organização
dos sistemas nervosos central, periférico e autônomo.
 
Por último, aprendemos sobre as funções dos diferentes componentes do sangue, que são os elementos
figurados e o plasma, e aprendemos sobre a importância e a estrutura da medula óssea. Discutimos acerca da
estrutura e função dos principais vasos sanguíneos, os aspectos histológicos do coração e características
importantes do sistema vascular linfático, que drena o líquido intersticial e desemboca nas grandes veias
próximas ao coração.
Podcast
Agora, a conteudista Gabriela Cardoso Caldas encerra abordando os principais assuntos do tema.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para ouvir o áudio.
Explore+
Navegue pelos batimentos cardíacos e fluxo sanguíneo nos vídeos Circulação sanguínea e Trajeto do
fluxo sanguíneo pelo coração, disponíveis respectivamente nos canais Hemocentro RP e Alila Medical
Media em português, no YouTube.
Revise e aprofunde seus conhecimentos a respeito dos componentes do sangue no vídeo Histologia
Sistêmica – Células do Sangue, disponível no canal Reabilitação Cardiovascular com Otávio Plazzi, no
YouTube.
Leia sobre a cardiomiopatia hipertrófica, doença cardíaca que dificulta o bombeamento do coração, no
artigo de Silméia Bazan e colaboradores chamado Cardiomiopatia Hipertrófica – Revisão, disponível na
plataforma SciELO.
Aprenda sobre as transformações cerebrais na adolescência no vídeo Adolescência: o cérebro em
transformação | Neurociência na Educação, publicado no canal Ciências e Cognição, no YouTube.
Referências
JUNQUEIRA, L. C.; CARNEIRO, J. Histologia básica: texto e atlas. 12. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,
2013.
 
KIERSZENBAUM, A. L. Histologia e biologia celular: uma introdução à patologia. 2 ed. Rio de Janeiro: Elsevier,
2008.
 
LENT, R. Cem bilhões de neurônios. 1. ed. São Paulo: Atheneu, 2001.
 
• 
• 
• 
• 
ROSS, M. H.; PAWLINA, W. Ross Histologia: texto e atlas. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016.
	Histologia do tecido nervoso, sanguínio e sistema cardiovascular
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Objetivos
	Introdução
	Atenção
	1. Sistema nervoso
	Características gerais, origem e funções do sistema nervoso
	Sistema nervoso central (SNC)
	Sistema Nervoso Periférico (SNP)
	Curiosidade
	Saiba mais
	Composição e morfologia do sistema nervoso
	Saiba mais
	Atenção
	Conhecemos a estrutura de um neurônio, mas e agora, como são os outros tipos celulares? Vamos conhecê-los?
	Células da glia, micrógila ou neuroglia
	Astrócitos
	Células microgliais ou micróglia
	Células ependimárias
	Oligodendrócitos e células de Schwann
	Neurônios bipolares
	Neurônios multipolares
	Neurônios pseudounipolares
	Atenção
	Curiosidade
	Organização dos sistemas nervosos central, periférico e autônomo
	Primeira camada
	Segunda camada
	Terceira camada
	Dura-máter
	Aracnoide
	Pia-máter
	Curiosidade
	Saiba mais
	O sistema nervoso autônomo pode ser dividido em dois ramos:
	Sistema nervoso simpático
	Sistema nervoso parassimpático
	Potencial de membrana e sinapse
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	As complexas funções desempenhadas pelo sistema nervoso dependem da geração de seus muitos tipos de células — neuronais e gliais — em quantidades e localização adequadas. Em relação às características celulares desse sistema, é correto afirmar que
	O sistema nervoso central, formado pelo encéfalo e pela medula espinhal, é como um sistema operacional que coordena as ações do nosso organismo. Em relação à sua organização, é correto afirmar que:
	2. Tecido sanguíneo e a estrutura da medula óssea
	Características gerais e função do sistema sanguíneo
	Curiosidade
	1ª camada
	2ª camada
	3ª camada
	Curiosidade
	Saiba mais
	Sangue: elementos figurados e plasma
	Albumina
	Globulinas
	Fibrinogênio
	Elementos figurados
	Saiba mais
	Neutrófilos
	Eosinófilos
	Basófilos
	Linfócitos
	Monócitos
	Plaquetas
	Medula óssea: estrutura, localização e função
	Mas qual é a importância da medula óssea amarela?
	Atenção
	Aspectos iniciais da hematopoiese
	Conteúdo interativo
	Fala, mestre!
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	Os leucócitos abrangem um grupo de células esféricas que tem os tecidos como destino, onde atuam no combate de agentes patogênicos e substâncias nocivas. Em relação aos leucócitos, assinale a alternativa correta.
	No indivíduo adulto, a medula óssea produz por dia cerca de 2,5 bilhões de eritrócitos, 2,5 bilhões de plaquetas e 1 bilhão de granulócitos por quilograma de peso corporal. Em relação à estrutura desse órgão volumoso, analise as afirmativas a seguir:I. A medula óssea amarela contém uma grande quantidade de adipócitos e é capaz de, em alguns casos, transformar-se em medula óssea hematógena.II. Após o nascimento, com avançar da idade, a medula vermelha fica restrita a locais como o esterno, vértebras, costela e na díploe dos ossos do crânio.III. Em ambos os tipos de medula existem acúmulos de linfócitos — os nódulos linfáticos — e vasos linfáticos.É correto o que se afirma em:
	3. Vasos sanguíneos, a histologia básica do coração e o sistema vascular linfático
	Introdução ao sistema cardiovascular
	Atenção
	Túnica íntima
	Túnica média
	Túnica adventícia
	Curiosidade
	Estrutura e função dos vasos sanguíneos
	Atenção
	Saiba mais
	Tipos de capilares sanguíneos
	Conteúdo interativo
	Aspectos histológicos do coração
	Vias de circulação
	Estrutura
	Endocárdio
	Miocárdio
	Pericárdio
	Sistema gerador e condutor do impulso
	Relembrando
	Sistema vascular linfático
	Verificando o aprendizado
	Vimos que a maioria dos vasos compartilham das mesmas características estruturais, com um plano geral de construção formado por três camadas: a íntima, a média e a adventícia. Sobre as características morfológica dessas camadas, analise as afirmativas a seguir e assinale a alternativa correta:
	Vimos que as vênulas e veias apresentam algumas diferenças morfológicas importantes que estão diretamente relacionadas à função desses vasos sanguíneos. A respeito da organização das vênulas e veias, assinale a alternativa correta:
	4. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore+
	ReferênciasO conjunto de cisternas
do retículo e polirribossomos é visto ao microscópio de campo claro como manchas basofílicas
espalhadas pelo citoplasma, denominadas corpúsculo de Nissl. 
Desenho com base em micrografias eletrônicas.
O complexo de Golgi está presente exclusivamente no corpo celular, no qual também podemos encontrar uma
quantidade moderada de mitocôndrias. Entretanto, há maior abundância destas organelas no terminal axônico.
O citoplasma do corpo celular e dos prolongamentos também apresenta neurofilamentos, que são filamentos
intermediários, e microtúbulos semelhantes aos de outros tipos celulares.
 
Os dendritos são prolongamentos em forma de ramos ou galhos de árvore especializados na recepção dos
estímulos vindos do ambiente ou de outros neurônios. A maioria dos neurônios apresenta numerosos
dendritos, que aumentam significativamente a área celular e, consequentemente, a quantidade de conexões e
ligações que o neurônio conseguirá fazer com os axônios das outras células nervosas. Os dendritos vão se
tornando mais delgados à medida que se ramificam.
 
Há ainda neurônios que possuem apenas um dendrito, os neurônios bipolares, mas são pouco frequentes e
localizam-se em áreas específicas do sistema nervoso.
Muitos dos impulsos que chegam ao neurônio são recebidos por pequenas projeções dendríticas, chamadas 
espinhas ou gêmulas. Essas abundantes estruturas são o local inicial de processamento dos impulsos
nervosos que chegam ao neurônio e participam da plasticidade dos neurônios relacionada à adaptação,
memória e aprendizado.
 
O centro de processamento dos sinais recebidos fica localizado em um complexo proteico preso à superfície
interna da membrana pós-sináptica, como você pode ver a seguir:
Principais aspectos funcionais das duas partes da sinapse: o terminal axônico, pré-
sináptico, e a membrana do neurônio pós-sináptico.
O axônio é um prolongamento único, cuja função é conduzir os impulsos que transmitem informações do
neurônio para outras células. Cada neurônio contém apenas um único axônio, que apresenta comprimento e
diâmetros variáveis de acordo com o tipo neuronal. Na maioria dos casos, porém, o axônio é mais longo do
que os dendritos da mesma célula.
 
O corpo do axônio é revestido por uma substância de natureza lipídica chamada de mielina, produzida pelos
oligodendrócitos no sistema nervoso central e pelas células de Schwann no sistema nervoso periférico. A 
bainha de mielina reveste o axônio em segmentos e permite a condução mais rápida dos impulsos nervosos.
As fibras nervosas amielínicas, ou seja, sem o revestimento de mielina, apresentam uma velocidade menor de
transmissão do impulso elétrico. Os pontos de secção da bainha de mielina são conhecidos por nódulos de
Ranvier.
Divisão do neurônio. Note os nódulos de Ranvier.
Geralmente, o axônio deriva do cone de implantação, uma estrutura piramidal do corpo celular. Nos neurônios
que possuem axônios mielinizados, a região entre o cone de implantação e o início da bainha de mielina é
denominada segmento inicial. Esse local recebe muitos estímulos, dos quais pode se originar um potencial de
ação cuja propagação é o impulso nervoso.
 
Além disso, encontramos muitos canais iônicos no segmento inicial, que são importantes para a geração do
impulso.
Atenção
Não é frequente a presença de organelas no citoplasma do axônio, também conhecido por axoplasma. A
parte mais terminal de um axônio, ou telodentro, costuma ser bem ramificada para aumentar a área de
contato e assim facilitar a comunicação com outras células. 
Traumas que acarretem a lesão parcial ou total do axônio podem levar o indivíduo à perda da sensibilidade ou
até, em casos mais graves, a paralisias permanentes.
 
Conhecemos a estrutura de um neurônio, mas e agora, como são os outros tipos celulares? Vamos
conhecê-los?
Células da glia, micrógila ou neuroglia
A neuróglia compreende vários tipos celulares encontrados no sistema nervoso central, ao lado dos neurônios.
De maneira geral, estima-se a existência de 10 células da glia para cada neurônio, de modo a fornecer um
microambiente adequado para as células nervosas, além de cumprirem outras funções.
 
Na figura a seguir, vemos os tipos celulares encontrados no SNC.
As células do sistema nervoso central.
Então, a partir de agora, conheceremos esses tipos celulares e os papéis que desempenham.
Astrócitos
São células de morfologia estrelada, com múltiplas projeções no corpo celular. Apresentam feixes de
filamentos intermediários, constituídos pela proteína fibrilar ácida da glia, que reforçam a estrutura celular. Os
astrócitos conectam os neurônios aos capilares sanguíneos e a uma camada delgada que reveste o sistema
nervoso central, a pia-máter. Além de cumprirem a função de sustentação, também participam do controle da
composição iônica e molecular do ambiente extracelular dos neurônios.
 
Outras funções dos astrócitos incluem a regulação de várias atividades neuronais e a comunicação com
outros astrócitos por meio das junções comunicantes, formando uma rede pela qual informações podem
transitar de um local a outro e alcançar regiões distantes do sistema nervoso central.
Corte histológico mostrando astrócitos ao redor dos capilares sanguíneos.
Células microgliais ou micróglia
São células pequenas e alongadas, de prolongamentos curtos e irregulares. São facilmente identificadas nas
lâminas histológicas, pois apresentam núcleos escuros e alongados, ao contrário dos núcleos esféricos das
outras células. Eventos inflamatórios no sistema nervoso central estão fortemente associados a ativação
dessas células, que retraem seus prolongamentos e assumem a morfologia de macrófagos, fagocitando os
agentes estranhos e apresentando antígenos.
 
Essas células também produzem mediadores inflamatórios, como citocinas, e atuam no processo de reparo
tecidual.
Ilustração da micróglia (A) e corte histológico (B) mostrando os núcleos das células
microgliais (setas).
Células ependimárias
São células epiteliais colunares, às vezes ciliadas, que facilitam o movimento do líquido cefalorraquidiano.
Revestem os ventrículos cerebrais e o canal da medula espinhal.
Corte histológico mostrando as células ependimárias na superfície, ciliadas.
Oligodendrócitos e células de Schwann
São células que possuem prolongamentos que envolvem os axônios, produzindo a bainha de mielina, um
isolante elétrico para os neurônios do sistema nervoso central. Tanto os oligodendrócitos quanto as células de
Schwann possuem a mesma função, a única diferença é que os oligodendrócitos envolvem as fibras do
sistema nervoso central e as células de Schwann envolvem as fibras periféricas.
Os oligodendrócitos, células que emitem prolongamentos que recobrem o axônio de
neurônios do SNC.
As células nervosas e seus prolongamentos possuem dimensões e formas muito variáveis. De acordo com a
morfologia, os neurônios podem ser classificados em:
Ilustração simplificada da morfologia dos três tipos principais de neurônios.
Neurônios bipolares
Possuem um dendrito e um axônio.
Neurônios multipolares
Possuem mais de dois prolongamentos celulares.
Neurônios pseudounipolares
Possuem prolongamento dividido em dois, sendo um ramo para a periferia e outro para o sistema
nervoso central.
Atenção
A grande maioria dos neurônios é do tipo multipolar. Os neurônios bipolares são geralmente
especializados em funções sensoriais, como a visão e o olfato, e estão localizados nos gânglios
vestibular e coclear. Os neurônios pseudounipolares são encontrados nas áreas sensoriais da medula
espinhal e participam da percepção sensorial do ambiente, como o calor e frio. 
O neurônio de Purkinje
No córtex cerebelar (região interna do cerebelo), encontramos um tipo interessante de neurônio multipolar, a 
célula de Purkinje. Esse tipo celular apresenta uma extensa composição dendrítica, semelhante a uma árvore,
e possui a função de regulação motora, liberando neurotransmissores inibitórios.
Os neurônios também podem ser classificados de acordo com a suafunção. Aqueles que regulam órgãos
efetores, como músculos e glândulas, são classificados como neurônios motores.
O neurônio motor.
Curiosidade
Os axônios dos neurônios motores da medula espinhal, que inervam os músculos do pé, possuem cerca
de 1 metro de comprimento! 
Já os neurônios sensoriais têm a capacidade de perceber e reagir a estímulos internos e externos, tais como a
temperatura e a luz. Existem ainda, os interneurônios, que estabelecem a comunicação entre os demais
neurônios, formando uma rede complexa e interligada.
Organização dos sistemas nervosos central, periférico e
autônomo
Como você já sabe, o sistema nervoso central é formado pelo cérebro, pelo cerebelo e pela medula espinhal.
Quando essas estruturas são seccionadas, percebemos uma região esbranquiçada, a substância branca, e
uma região acinzentada, a substância cinzenta.
 
Essa diferença de coloração deve-se à presença da mielina, que veremos mais adiante.
Predominante na superfície do cérebro e cerebelo (córtex), é na substância cinzenta que ocorrem as sinapses
do sistema nervoso central. As partes mais centrais são ocupadas pela substância branca, na qual
encontramos grupos de neurônios formando ilhas de substância cinzenta.
 
Em algumas regiões do córtex cerebral, os neurônios sensoriais recebem e processam impulsos aferentes, já
em outras áreas, os neurônios motores (eferentes) geram impulsos que controlarão os movimentos
voluntários. O córtex cerebelar apresenta três camadas:
Primeira camada
A molecular, mais externa e formada por células esparsas.
Segunda camada
A central, com grandes células de Purkinje.
Terceira camada
A granulosa, mais interna e formada pelos menores neurônios do organismo.
Corte histológico com as três camadas do córtex cerebelar.
Substância branca 
Não possui corpos de neurônios, sendo
formada somente pelos axônios
mielinizados, oligodendrócitos e outras
células da glia.
Substância cinzenta 
É formada pelos corpos neuronais,
dendritos, células da glia e a porção
inicial não mielinizada dos axônios.
Na medula espinhal seccionada transversalmente, vemos a substância branca na parte externa e a substância
cinzenta mais interna, na forma da letra H. O traço horizontal apresenta um orifício, corte do canal central
medular, revestido por células ependimárias. Os traços verticais formam os cornos anteriores, que contêm
neurônios motores, e os cornos posteriores, que recebem as fibras sensoriais dos neurônios situados nos
gânglios dos nervos espinhais.
 
O sistema nervoso central está contido e protegido pela caixa craniana e pelo canal vertebral. Além disso, é
revestido por membranas de tecido conjuntivo, as meninges, formadas por três camadas:
Dura-máter
Camada mais externa, constituída por tecido conjuntivo denso e contínuo com o periósteo dos ossos
cranianos.
Aracnoide
Camada central, formada por tecido conjuntivo avascular, com uma parte membranosa em contato
com a dura-máter e outra parte constituída por traves conjuntivas, que a ligam à pia-máter. O espaço
subaracnóideo, cheio de líquor, constitui um colchão hidráulico que protege contra traumatismos no
sistema nervoso.
Pia-máter
Camada mais interna e ricamente vascularizada, aderente ao sistema nervoso, mas sem contato
direto com as células ou fibras nervosas.
Meninges.
Curiosidade
Os plexos coroides são dobras da pia-máter ricas em capilares fenestrados e dilatados que penetram os
ventrículos cerebrais. A principal função dos plexos coroides é secretar continuamente o líquor, que
ocupa as cavidades dos ventrículos, o canal central da medula, o espaço subaracnóideo e os espaços
perivasculares. O líquor é importantíssimo para o metabolismo do sistema nervoso central e oferece
proteção contra traumatismos. 
Os vasos sanguíneos penetram o tecido nervoso pelos túneis revestidos por pia-máter, os espaços
perivasculares, que desaparecem antes da transição para os capilares, totalmente envolvidos pelos
prolongamentos dos astrócitos.
Esquema ilustrando a irrigação sanguínea no tecido nervoso do SNC.
Ainda como mecanismo importante de proteção ao sistema nervoso, temos a barreira hematoencefálica,
composta principalmente por células endoteliais que possuem fortes junções oclusivas. Devido à menor
permeabilidade dos capilares sanguíneos do tecido nervoso, a barreira hematoencefálica controla
estritamente a entrada ou saída de substâncias, como antibióticos, toxinas e agentes químicos. A seletividade
é tão sofisticada que, em casos de meningite bacteriana, apenas algumas classes específicas de antibióticos
conseguem atravessar a barreira e combater a infecção.
Barreira hematoencefálica.
As fibras nervosas são constituídas por um axônio e as bainhas que o envolvem. O conjunto das fibras forma
os feixes do sistema nervoso central e os nervos no sistema nervoso periférico. Todos os axônios do tecido
nervoso maduro são envolvidos por dobras únicas ou múltiplas de uma célula envoltória: a célula de Schwann,
nas fibras periféricas, e os oligodendrócitos, no sistema nervoso central.
Quando os axônios são envolvidos por apenas uma única dobra, temos as fibras nervosas amielínicas. Por
outro lado, abundantes envoltórios concêntricos revestem os axônios com maior diâmetro, formando a bainha
de mielina das fibras mielínicas. Portanto, a mielina é constituída por diversas camadas de membrana celular,
que contém uma maior proporção lipídica que as membranas em geral.
O epineuro reveste o nervo, o perineuro reveste o feixe de fibras e o endoneuro
reveste as fibras nervosas.
O sistema nervoso periférico é composto pelos gânglios, pelos nervos e por suas terminações. Os nervos
estabelecem a comunicação entre os centros nervosos e os órgãos efetores e sensoriais. A maioria dos
nervos é misto, composto por fibras aferentes, que levam as informações internas e externas para os centros
nervosos e por fibras eferentes, que levam os impulsos do centro nervoso para os órgãos efetores
comandados por ele. Entretanto, os nervos sensoriais contêm apenas fibras aferentes e os nervos motores
são formados apenas por fibras eferentes.
 
O agrupamento de neurônios fora do sistema nervoso central constitui os gânglios nervosos. Essas estruturas,
geralmente esféricas, são associadas aos nervos e protegidas por cápsulas conjuntivas. Os gânglios são muito
importantes para a comunicação nervosa, pois funcionam como estações de conexão entre as partes do
sistema nervoso no organismo. Conforme a direção do impulso nervoso, os gânglios podem ser aferentes ou
eferentes.
 
Por último, apresentaremos o sistema nervoso autônomo, que é anatomicamente formado por aglomerados de
células nervosas localizadas no sistema nervoso central, pelas fibras derivadas dos nervos cranianos e
espinhais e pelos gânglios situados no curso dessas fibras.
Saiba mais
Apesar do nome, o sistema nervoso autônomo é influenciado pela atividade do sistema nervoso central e
atua principalmente na regulação de algumas atividades involuntárias do organismo, como o ritmo
cardíaco e a secreção glandular, mantendo a hemostasia. 
O sistema nervoso autônomo pode ser dividido em dois ramos:
Sistema nervoso simpático
As estruturas que formam o sistema nervoso
simpático se localizam nas regiões torácica e
lombar da medula espinhal.
Sistema nervoso parassimpático
Os núcleos do sistema nervoso parassimpático
podem ser encontrados nas regiões cranial e
sacral (porção final da coluna vertebral).
Sistema nervoso simpático e parassimpático.
Potencial de membrana e sinapse
Assista a este vídeo em que a especialista Gabriela Cardoso Caldas fala sobre as características gerais do
potencial de membrana das células nervosas e transmissão sináptica.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Verificando o aprendizado
Questão 1
As complexas funções desempenhadas pelo sistema nervoso dependem da geração de seus
muitos tipos de células — neuronais e gliais — em quantidades e localização adequadas. Em
relação às características celulares desse sistema, é corretoafirmar que
A
a mielina que reveste o axônio dos neurônios é produzida pelas células de Schwann, no sistema nervoso
central, e pelos oligodendrócitos no sistema nervoso periférico.
B
a micróglia corresponde às células epiteliais colunares ciliadas, que facilitam o movimento do liquor.
C
os astrócitos participam do controle da composição iônica e molecular do ambiente extracelular dos
neurônios.
D
eventos inflamatórios no sistema nervoso central estão fortemente associados à ativação dos
oligodendrócitos.
E
as células ependimárias são facilmente identificadas nas lâminas histológicas pelos núcleos escuros e
alongados.
A alternativa C está correta.
Além da função de sustentação, os astrócitos participam da regulação de várias atividades neuronais, da
comunicação com outros astrócitos e do controle da composição iônica e molecular do ambiente
extracelular dos neurônios.
Questão 2
O sistema nervoso central, formado pelo encéfalo e pela medula espinhal, é como um sistema
operacional que coordena as ações do nosso organismo. Em relação à sua organização, é
correto afirmar que:
A
no corte transversal da medula espinhal, vemos a substância branca na parte externa e a substância cinzenta
na parte mais interna.
B
as partes mais centrais são ocupadas pela substância cinzenta, na qual encontramos grupos de neurônios
formando ilhas de substância cinzenta.
C
a substância branca é formada pelos corpos de neurônios, axônios mielinizados e células da glia.
D
a pia-máter é a camada mais interna das meninges, com contato direto com as células ou fibras nervosas.
E
a aracnoide é a camada central das meninges, altamente vascularizada, que recebe todo o suprimento
sanguíneo do SNC.
A alternativa A está correta.
Na medula espinhal seccionada transversalmente, vemos que a substância branca está localizada
externamente e a substância cinzenta internamente, formando um H. O traço horizontal apresenta um
orifício, corte do canal central medular, revestido por células ependimárias. Os traços verticais formam os
cornos anteriores, que contêm neurônios motores, e os cornos posteriores, que recebem as fibras
sensoriais.
2. Tecido sanguíneo e a estrutura da medula óssea
Características gerais e função do sistema sanguíneo
O sangue é uma das especializações do tecido conjuntivo e é constituído por células sanguíneas — hemácias,
plaquetas e vários tipos de leucócitos — e pelo plasma, parte líquida na qual as células estão suspensas.
Curiosidade
Em um adulto de 70 quilogramas, o volume sanguíneo total é de aproximadamente 5 litros,
correspondendo a 7% do peso corporal. O sistema circulatório, como veremos mais adiante, mantém o
movimento regular e unidirecional do sangue para o restante do corpo a partir das contrações rítmicas
do coração, principalmente. 
Esses componentes podem ser separados por centrifugação, caso o sangue seja colocado na presença de
anticoagulantes (heparina, por exemplo). Nesse processo, é possível visualizar a formação de várias camadas
que refletem a diversidade dos componentes:
1ª camada
A camada sobrenadante, translúcida e amarelada correpondente ao plasma. O plasma é composto de
água + proteínas + glicose + hormônios.
2ª camada
A camada localizada imediatamente abaixo (1% do volume do sangue), de cor acinzentada, contém os
leucócitos.
3ª camada
A camada inferior (35% a 50% do volume total do sangue), de cor avermelhada, corresponde às
hemácias. As plaquetas ocupam uma pequena camada acima dos leucócitos, mas não são
distinguíveis a olho nu.
Curiosidade
O hematócrito é o resultado obtido pela sedimentação sanguínea e é realizado em tubos de vidro com
dimensões padronizadas. A análise do hematócrito possibilita estimar o volume de sangue ocupado
pelos eritrócitos (hemácias) em relação ao sangue total. 
A principal função do sangue é atuar como meio de transporte. Os leucócitos, como veremos com mais
detalhes, desempenham várias funções de defesa do corpo e são a primeira barreira contra agentes invasores
e nocivos. Por intermédio do sangue, essas células percorrem o corpo, atravessam por diapedese a parede
dos vasos e se concentram nos tecidos inflamados ou infeccionados.
Diapedese
Saída ativa de leucócitos do sistema circulatório, por movimentos ameboides.
Leucócitos e hemácias na corrente sanguínea.
Além dos leucócitos, o sangue transporta outras várias substâncias e moléculas. É o caso do oxigênio, ligado
à hemoglobina das hemácias, e do gás carbônico, ligado à hemoglobina e a outras proteínas dos eritrócitos,
ou dissolvido no plasma. O plasma também transporta nutrientes, distribuindo-os pelo organismo, e resíduos
metabólicos, que são levados até os órgãos de excreção para serem removidos.
 
O sangue é veículo de distribuição de hormônios e outras substâncias reguladoras, possibilitando a troca de
mensagens químicas entre órgãos distantes. Atua, ainda, no equilíbrio acidobásico, osmótico e térmico do
organismo.
Saiba mais
No entanto, nem tudo é vantagem: células cancerosas também podem ser transportadas para longe de
seus locais de origem pela corrente sanguínea, causando metástase. 
Sangue: elementos figurados e plasma
O plasma é uma solução aquosa que contém componentes de pequeno e elevado peso molecular, incluindo
proteínas, gases, hormônios e nutrientes. As proteínas plasmáticas correspondem a 7% do plasma e os sais
inorgânicos a 0,9%, sendo o restante formado por compostos orgânicos diversos, tais como aminoácidos, 
vitaminas, hormônios e glicose.
 
Todos esses solutos ajudam na manutenção da hemostasia, um estado de equilíbrio dinâmico que oferece pH
e osmolaridade ideais para o metabolismo celular.
Componentes do plasma
Água
91 –
92%
Proteínas (albumina, globulinas, fibrinogênio) 7 – 8%
Outros solutos
Eletrólitos (Na+, K+, Ca2+, Mg2+, Cl-, HCO 3-, PO4
3-, SO4
2-)
Substâncias nitrogenadas não proteicas (ureia, ácido úrico, creatina,
creatinina, sais de amônio)
Nutrientes (glicose, lipídios, aminoácidos)
Gases (oxigênio, dióxido de carbono, nitrogênio)
Hormônios, enzimas
1 – 2%
Composição do plasma.
Adaptado de Sangue. ROSS, M. H.; PAWLINA, W. Ross Histologia: texto e atlas. 7. ed, p. 442.
As proteínas plasmáticas consistem principalmente em albumina, globulinas (alfa, beta e gama) e fibrinogênio.
• 
• 
• 
• 
• 
Albumina
É a menor proteína plasmática e o principal constituinte proteico do plasma, representando cerca de
metade do total de proteínas plasmáticas. É produzida no fígado, atua como transportadora de
hormônios, como a tiroxina, e de metabólitos, como a bilirrubina e fármacos. Essa proteína também é
responsável por exercer o gradiente de concentração entre o sangue e o líquido extracelular tecidual.
Mas como isso acontece?
As proteínas plasmáticas como a albumina são responsáveis por exercer uma importante pressão
sobre a parede dos vasos sanguíneos, chamada de pressão osmótica ou pressão coloidosmótica.
Essa pressão é essencial para regular e manter o equilíbrio entre os fluidos existentes no meio intra e
extracelular, nesse caso, entre sangue e volume de líquido tecidual (chamado de intersticial).
Caso uma quantidade significativa de albumina extravase dos vasos sanguíneos ou se perca para a
urina, a pressão coloidosmótica do sangue diminui e o resultado é o acúmulo de líquido nos tecidos, o 
edema.
Globulinas
Incluem as imunoglobulinas (gamaglobulinas) e as globulinas não imunes (alfa e betaglobulinas). As
imunoglobulinas são os anticorpos, moléculas do sistema imune secretadas pelos plasmócitos.
Ilustração de uma imunoglobulina.
Já as globulinas não imunes são secretadas pelo fígado e ajudam a manter a pressão osmótica dentro
do sistema circulatório. Também transportam substâncias como o cobre, o ferro e a proteína
hemoglobina. As lipoproteínas, fatores de coagulação e outras moléculas pertencem à classe das
globulinas não imunes.
Fibrinogênio
É produzido no fígado e representa a maior proteína plasmática. No processo de coagulação, o
fibrinogênio solúvel é transformado na proteína insolúvel, afibrina. Quando o sangue é removido da
circulação, ele coagula imediatamente. O coágulo consiste em um aglomerado de eritrócitos e
plaquetas envolvido em uma rede de fibrina.
Durante a coleta de sangue, para impedir a coagulação, utilizam-se tubos com anticoagulante na
coleta, como o citrato ou heparina. O citrato liga-se aos íons cálcio, essenciais para o início da
coagulação; a heparina desativa os fatores de coagulação presentes no plasma. O plasma sem os
fatores de coagulação é denominado soro.
Elementos figurados
Geralmente, estudamos as células sanguíneas a partir de esfregaços sanguíneos, nos quais uma gota de
sangue é espalhada sobre uma lâmina e as células ficam separadas. Esses esfregaços são corados com
misturas de corantes especiais, que contém eosina (corante ácido), azul de metileno (corante básico) e azures
(corantes básicos de cor púrpura). Com isso, as estruturas acidófilas coram-se de rosa, as basófilas coram-se
de azul e as que fixam os azures, as azurófilas, de roxo. Você verá que essas características são importantes
para identificarmos as células sanguíneas.
Esfregaço sanguíneo mostrando alguns leucócitos (em roxo) e as numerosas
hemácias (em rosa) ao fundo.
Os eritrócitos, ou hemácias nos mamíferos, são células anucleadas desprovidas das organelas típicas. Em
condições normais, essas células não saem do sistema circulatório, permanecendo sempre no interior dos
vasos. Contêm grande quantidade de hemoglobina, uma proteína transportadora de O2 e CO2. A hemoglobina
liga-se ao oxigênio para distribuí-los aos tecidos e, posteriormente, liga-se ao dióxido de carbono para sua
remoção. Como a hemoglobina é uma proteína básica, os eritrócitos são acidófilos e coram-se pela eosina.
 
As hemácias humanas apresentam morfologia de disco bicôncavo, o que proporciona uma grande superfície
celular e, consequentemente, facilita as trocas gasosas.
Ilustração das hemácias, mostrando com detalhes a morfologia de disco bicôncavo.
Saiba mais
Outra característica importante é a flexibilidade, pois as hemácias sofrem deformações para passar com
facilidade pelos capilares mais finos, sem se romper. O tempo de vida dos eritrócitos é de
aproximadamente 120 dias e estima-se que, diariamente, 1% dos eritrócitos sejam removidos da
circulação. A maioria das células velhas são fagocitadas por macrófagos do baço, do fígado e da medula
óssea, órgão que também produz continuamente novos eritrócitos para repor as células perdidas. 
Os leucócitos representam um grupo de células esféricas, produzidas na medula óssea ou em tecidos
linfoides, que permanecem temporariamente no sangue. O destino dessas células são os tecidos, onde atuam
no combate de agentes patogênicos e substâncias nocivas. Eles são classificados em dois grupos, os 
granulócitos e os agranulócitos, que vamos conhecer melhor a seguir:
Conheceremos a seguir cada uma dessas células.
Neutrófilos
São os leucócitos mais abundantes e também os granulócitos mais
comuns. No esfregaço sanguíneo, são facilmente identificados pelos 
núcleos multilobados, formados por dois a cinco lóbulos (mais
frequentemente formados por três) e, por isso, são também chamados de
polimorfonucleares. O citoplasma do neutrófilo apresenta
predominantemente grânulos azurófilos (lisossomos), que contêm
proteínas que atuarão na digestão e morte de microrganismos, e grânulos
específicos, envolvidos no combate a microrganismos, reposição da
membrana e proteção contra antioxidantes.
O neutrófilo é uma célula em estágio final de diferenciação e realiza
pouca síntese proteica. Por isso, apresenta retículo endoplasmático
rugoso e complexo de Golgi pouco desenvolvidos, raros ribossomos
livres e poucas mitocôndrias.
Eosinófilos
Constituem apenas 1% a 3% do total de leucócitos. São ligeiramente
maiores que os neutrófilos, com núcleo geralmente bilobado. Além do
núcleo, as granulações ovoides são uma das principais características
para identificação dos eosinófilos, devido ao tamanho dessas
granulações, geralmente maiores que as dos neutrófilos, e ao fato de
serem acidófilas (coradas pela eosina). São células que atuam nas
reações alérgicas, inflamações crônicas e no combate a infecções
parasitárias (helmintos e protozoários, principalmente). Possuem retículo
endoplasmático, mitocôndrias e complexo de Golgi pouco desenvolvidos.
Granulócitos 
Apresentam grânulos citoplasmáticos e
núcleo de formato irregular, e são divididos
em neutrófilos, eosinófilos e basófilos.
Agranulócitos 
Não possuem granulações específicas
e apresentam núcleo mais regular. São
divididos em linfócitos e monócitos.
Basófilos
São células de núcleo volumoso, com forma irregular e geralmente com
aspecto de S. Os basófilos são difíceis de serem encontrados nos
esfregaços sanguíneos, pois constituem menos de 2% dos leucócitos.
Apresentam citoplasma repleto de grânulos, geralmente maiores que os
do neutrófilo e do eosinófilo, que acabam muitas vezes escondendo o
núcleo. Os grânulos são metacromáticos (apresentam uma cor diferente
da cor do corante utilizado), por conta da heparina, mas também contêm
histamina e fatores quimiotáticos (fatores químicos que orientam a
locomoção de células através de um gradiente de concentração) para os
outros granulócitos. Além das proteínas contidas nos grânulos, os
basófilos também secretam outros mediadores inflamatórios, como
citocinas, e estão envolvidos nas reações de hipersensibilidade e na
anafilaxia.
Linfócitos
São células que apresentam citoplasma escasso, demonstrado nos
esfregaços como um anel delgado em volta do núcleo esférico. O
citoplasma é pobre em organelas, com uma quantidade moderada de
ribossomos livres. Apresentam discreta basofilia, corando-se em azul
claro.
Os linfócitos possuem tempo de sobrevivência variável, podendo ser de
alguns dias até muitos anos. Ao contrário dos demais leucócitos, que não
retornam ao sangue após a atuação nos tecidos, os linfócitos recirculam
continuamente. Dependendo das moléculas de superfície, podem ser
separados em linfócitos B, linfócitos T e células natural killer (NK).
As células natural killer são programadas durante o seu desenvolvimento
para matar determinadas células infectadas por vírus e alguns tipos de
células tumorais. São maiores que os linfócitos B e T e exibem vários
grânulos azurófilos citoplasmáticos grandes, facilmente identificados
pela microscopia óptica. Desse modo, são também denominados grandes
linfócitos granulares.
Como agentes de defesa imunológica, os linfócitos combatem os agentes
infecciosos principalmente por meio da produção de imunoglobulinas
(linfócitos B) e resposta citotóxica mediada por células (linfócitos T e
células NK).
Monócitos
São os maiores leucócitos circulantes e apresentam núcleo ovoide, em
forma de ferradura ou de rim, mais claro que o dos linfócitos. O
citoplasma é basófilo e apresenta vários grânulos azurófilos (lisossomos)
quase imperceptíveis ao microscópio de campo claro. Possuem muitas
mitocôndrias pequenas, retículo endoplasmático rugoso pouco
desenvolvido e grande complexo de Golgi, que participa da formação dos
grânulos. A superfície celular mostra muitas microvilosidades e vesículas
de pinocitose. Os monócitos permanecem poucos dias no sangue e logo
penetram nos tecidos, transformando-se em macrófagos.
Plaquetas
As plaquetas são fragmentos citoplasmáticos anucleados derivados de
células gigantes e poliploides da medula óssea, os megacariócitos.
Possuem forma de disco e atuam na vigilância contínua dos vasos
sanguíneos, na formação do coágulo sanguíneo e no reparo do tecido
lesado. As plaquetas permanecem no sangue por 10 dias e tendem a
aparecer aglutinadas nos esfregaços sanguíneos. Apresentam grânulos
corados em púrpura, os cromômeros, contido numa parte azul-clara, o
hialômero.
Medula óssea: estrutura, localização e função
A medula óssea, encontrada no canal medular dos ossos longos e nas cavidades dos ossos esponjosos, é um
órgão volumoso e muito ativo. No indivíduo adulto, ela produz por dia cerca de 2,5 bilhões de eritrócitos, 2,5
bilhões deplaquetas e 1 bilhão de granulócitos por quilograma de peso corporal. Essa notável produção de
elementos figurados do sangue é altamente regulada e ajustada de acordo com as necessidades do
organismo.
 
Existem dois tipos de medula óssea:
Mas qual é a importância da medula óssea amarela?
 
Ela retém células-tronco e em alguns casos, como intoxicação, irradiação ou hemorragias, pode se
transformar em medula vermelha e retornar à produção de células sanguíneas!
 
Entenda a diferença da coloração da medula óssea no decorrer da sua vida:
Vermelha 
Ou hematógena, denominada dessa forma
por conta dos numerosos eritrócitos em
diferentes estágios de maturação.
Amarela 
Que não produz células sanguíneas e
contém grande quantidade de
adipócitos.
 
No recém-nascido, toda a medula óssea é vermelha, destinada à produção das células sanguíneas.
Porém, com o avançar da idade, ocorre a substituição para a medula amarela, ficando a medula
vermelha restrita a locais como o esterno, vértebras, costela e na díploe dos ossos do crânio.
Em adultos jovens, ainda podemos encontrar a medula vermelha nas epífises proximais do fêmur e do
úmero.
Atenção
Em ambos os tipos de medula existem acúmulos de linfócitos, os chamados nódulos linfáticos, mas não
existem vasos linfáticos. 
A medula óssea vermelha apresenta dois compartimentos: o compartimento do estroma medular e o 
compartimento das células hematopoiéticas .
 
O estroma medular é uma rede constituída por células adiposas, fibroblastos, células estromais, células
endoteliais, macrófagos e vasos sanguíneos. As células endoteliais, as células estromais e os fibroblastos são
fonte dos fatores para o crescimento hematopoiético e das citocinas que regulam a produção das células
sanguíneas. Além disso, as células endoteliais funcionam como uma barreira seletiva, impedindo que células
em estágios imaturos deixem a medula e permitindo que células maduras cheguem à corrente sanguínea. Os
adipócitos atuam como uma fonte local de energia, mas também sintetizam fatores de crescimento. Já os
macrófagos removem as células apoptóticas e resíduos de células envelhecidas.
 
Os vasos sanguíneos chegam à medula óssea perfurando a superfície do osso. A artéria nutridora entra no
meio da diáfise de um osso longo e se ramifica na artéria longitudinal central, que origina o plexo capilar
medular contínuo com os sinusoides medulares. Os extensos sinusoides desembocam na veia longitudinal
central, fazendo com que as células hematopoiéticas maduras alcancem a circulação sanguínea.
Células hematopoiéticas
Células tronco que dão origem às células sanguíneas.
• 
• 
• 
Vascularização da medula óssea.
O compartimento das células hematopoiéticas consiste em três principais populações celulares:
 
as células-tronco hematopoiéticas, que dão origem às células sanguíneas e são capazes de
autorrenovação;
as células precursoras comprometidas, células-tronco responsáveis pela geração das linhagens
celulares (linhagem mieloide e linhagem linfoide);
e células em diferentes estágios de maturação, que se desenvolvem a partir de células chamadas 
unidades formadoras de colônia (UFC).
 
Para entender melhor esse cenário, observe a imagem a seguir:
Diferentes populações hematopoiéticas medulares e seus estágios de diferenciação.
Você viu que as células-tronco comprometidas com a linhagem mieloide originam as unidades formadoras de
colônia responsáveis pela geração dos eritrócitos, plaquetas, basófilos e eosinófilos. Os monócitos e
neutrófilos derivam de uma UFC comum granulócito-macrófago. A célula-tronco linfoide gera a população de
linfócitos B, na medula, e de células T, que completam seu estado de maturação no timo.
Aspectos iniciais da hematopoiese
Assista a este vídeo em que a especialista Gabriela Cardoso Caldas fala sobre os aspectos básicos da
formação dos elementos figurados do sangue.
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Fala, mestre!
Neste vídeo, a Dra. Alice Ornelas, doutora em genética, ensina como visualizar células sanguíneas utilizando
um kit de coloração de panótico. O processo inclui a higienização das lâminas com álcool 70%, coleta de
amostra sanguínea com uma lanceta, realização do esfregaço sanguíneo a 45° e a coloração utilizando 3
soluções: metanol, eosina e azul de metileno. Após secagem, a coloração é completada com água destilada.
Para a visualização das células sanguíneas, utiliza-se um microscópio ótico, começando com menores
aumentos até os maiores, ajustando o foco com os botões macro e micrométricos. No aumento de 100x, com
• 
• 
• 
óleo de imersão, são observados neutrófilos, identificados pelo núcleo lobulado. O vídeo finaliza sugerindo
que os espectadores desenhem as células encontradas.
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Os leucócitos abrangem um grupo de células esféricas que tem os tecidos como destino,
onde atuam no combate de agentes patogênicos e substâncias nocivas. Em relação aos
leucócitos, assinale a alternativa correta.
A
Como a hemoglobina é uma proteína ácida, os eritrócitos são acidófilos e coram-se pela hematoxilina.
B
Ao contrário dos demais leucócitos, que não retornam ao sangue após atuação nos tecidos, os linfócitos
recirculam continuamente.
C
Os monócitos apresentam grânulos metacromáticos e participam das reações de hipersensibilidade.
D
Os eosinófilos possuem núcleo regular e citoplasma com granulações ovoides e basofílicas.
E
Os monócitos permanecem poucos dias no sangue e logo penetram nos tecidos, transformando-se em
plasmócitos.
A alternativa B está correta.
Os leucócitos permanecem temporariamente no sangue e têm os tecidos corporais como destino. Porém,
os linfócitos, ao contrário dos demais leucócitos, retornam à corrente sanguínea após sua atividade
tecidual, recirculando continuamente.
Questão 2
No indivíduo adulto, a medula óssea produz por dia cerca de 2,5 bilhões de eritrócitos, 2,5
bilhões de plaquetas e 1 bilhão de granulócitos por quilograma de peso corporal. Em relação à
estrutura desse órgão volumoso, analise as afirmativas a seguir:
I. A medula óssea amarela contém uma grande quantidade de adipócitos e é capaz de, em
alguns casos, transformar-se em medula óssea hematógena.
II. Após o nascimento, com avançar da idade, a medula vermelha fica restrita a locais como o
esterno, vértebras, costela e na díploe dos ossos do crânio.
III. Em ambos os tipos de medula existem acúmulos de linfócitos — os nódulos linfáticos — e
vasos linfáticos.
É correto o que se afirma em:
A
I.
B
II.
C
III.
D
I e II.
E
I e III.
A alternativa D está correta.
A medula óssea é dividida em vermelha, devido aos numerosos eritrócitos presentes em diferentes estágios
de maturação, e amarela, pela grande quantidade de adipócitos existentes e células-tronco. Essas células
permitem que, em casos de intoxicação, exposição à radiação ou hemorragias, a medula amarela se
transforme em vermelha e retorne à produção de células sanguíneas. Em ambos os tipos de medula,
existem acúmulos de linfócitos, os chamados nódulos linfáticos, mas não existem vasos linfáticos. Após o
nascimento, com avançar da idade, a medula vermelha fica restrita a locais como o esterno, vértebras,
costela e na díploe dos ossos do crânio.
3. Vasos sanguíneos, a histologia básica do coração e o sistema vascular linfático
Introdução ao sistema cardiovascular
O sistema circulatório abrange o sistema vascular sanguíneo e o sistema vascular linfático. O sistema vascular
sanguíneo é um sistema fechado formado pelo coração e pelos vasos sanguíneos, e é por meio desse sistema
que o sangue circula continuamente. Já o sistema vascular linfático é formado por tubos de fundo cego que se
juntam continuamente e desembocam no sistema vascular sanguíneo, nas grandes veias próximas ao coração.
 
A parede dos vasos sanguíneos apresenta uma camada de tecido epitelial especializado, o endotélio, uma
camada de tecido muscular e uma camadade tecido conjuntivo. Todos esses tecidos são encontrados em
diferentes proporções nas paredes dos vasos, exceto nos capilares e nas vênulas pós-capilares, que são
formados apenas pelo endotélio e sua membrana basal. A quantidade e a organização desses tecidos no
sistema circulatório são determinadas por fatores mecânicos como a pressão sanguínea e fatores metabólicos
que refletem a necessidade local dos tecidos.
 
Conforme já citamos, o endotélio é um tipo especial de epitélio pavimentoso que reveste a superfície interna
de todos os vasos sanguíneos e linfáticos. Originado do mesênquima, funciona como uma barreira
semipermeável, que medeia e monitora ativamente as trocas bidirecionais de pequenas moléculas e impede o
transporte de macromoléculas.
Corte histológico mostrando um capilar e eritrócitos em seu interior. Os núcleos das
células endoteliais, revestindo o vaso, aparecem corados em roxo.
As células endoteliais não são homogêneas e apresentam características funcionais de acordo com o vaso
que revestem. Elas atuam na manutenção da hemostasia, do tônus vascular, na angiogênese, nas inflamações
e, além disso, são locais de transferência de O2, CO2, água, solutos e outros metabólitos do sangue para os
tecidos e vice-versa.
Atenção
Veremos mais adiante que, com exceção dos capilares e vênulas pericíticas (vênulas pós capilares),
podemos encontrar células musculares lisas na túnica média de todos os vasos sanguíneos, organizadas
em camadas helicoidais. Cada célula muscular é envolta por uma lâmina basal e por uma quantidade
variável de tecido conjuntivo. As células musculares lisas, principalmente das arteríolas e das pequenas
artérias, frequentemente apresentam junções comunicantes. 
Já os componentes do tecido conjuntivo são encontrados em proporções e quantidades variáveis, de acordo
com as necessidades funcionais dos vasos sanguíneos.
 
As fibras de colágeno são elementos abundantes na parede do sistema vascular e são encontradas entre as
células musculares, na camada adventícia (revestimento externo) e na camada subepitelial de alguns vasos.
 
As fibras elásticas fornecem resistência ao estiramento promovido pela expansão da parede e predominam
nas grandes artérias, onde se organizam em lamelas paralelas.
 
Já a substância fundamental forma um gel heterogêneo nos espaços extracelulares das paredes vasculares
que provavelmente afeta a difusão e permeabilidade de moléculas.
 
Corte histológico da artéria aorta. Observe a quantidade de fibras elásticas (em
rosa), que fornecem resistência ao estiramento do vaso.
A maioria dos vasos compartilham das mesmas características estruturais, com um plano geral de construção.
Veremos mais adiante, entretanto, que um mesmo tipo de vaso apresenta variações estruturais ao longo de
seu percurso. Por isso, a distinção entre diferentes vasos nem sempre é uma tarefa fácil, uma vez que a
transição de um tipo para outro se dá de maneira gradual.
De maneira geral, os vasos sanguíneos são compostos por três camadas ou túnicas: a íntima, a média e a
adventícia. Vamos conhecê-las a seguir.
Diagrama de uma artéria muscular de médio calibre, apresentando suas camadas.
Túnica íntima
É a camada mais interna do vaso, constituída por uma camada de células endoteliais, sua respectiva 
lâmina basal e uma camada subendotelial de tecido conjuntivo frouxo, que pode conter algumas
células musculares lisas. Nas artérias, a túnica íntima está separada da túnica média por uma camada
semelhante a um folheto, denominada lâmina elástica interna. Essa camada é composta
principalmente por elastina e contém fenestrações que possibilitam a difusão de nutrientes para as
células mais profundas da parede do vaso.
Túnica média
Consiste principalmente em camadas concêntricas de células musculares lisas, entremeadas por
quantidades variáveis de fibras, lamelas elásticas, fibras reticulares (colágeno do tipo III) e
proteoglicanos produzidos por essas próprias células. Nas artérias, a camada média é relativamente
espessa, estendendo-se da lâmina elástica interna até a lâmina elástica externa, que a separa da
túnica adventícia. As lâminas de material elástico, fenestradas e dispostas em camadas concêntricas,
predominam na túnica média das artérias elásticas.
Túnica adventícia
É a camada mais externa de tecido conjuntivo, formada principalmente por fibras colágenas do tipo I
e algumas fibras elásticas dispostas longitudinalmente. Esses componentes fundem-se gradualmente
com o tecido conjuntivo frouxo que circunda o vaso. Sua espessura varia, desde relativamente fina na
maior parte das artérias até bem espessa nas veias e vênulas, nas quais constitui o principal
componente da parede vascular.
Vasos grandes possuem vasa vasorum (vaso dos vasos), um sistema de arteríolas, capilares e vênulas que se
ramificam na adventícia e, em menor quantidade, na porção externa da média. A função dos vasa vasorum é
prover essas camadas vasculares de metabólitos, uma vez que, em vasos maiores, elas são muito espessas
para serem nutridas somente por difusão a partir do sangue que circula no lúmen do vaso. Esse sistema,
entretanto, é mais frequente em veias do que em artérias.
 
Nas artérias de diâmetro intermediário e grande, a túnica íntima e a região mais interna da túnica média não
apresentam vasa vasorum, sendo assim nutridas por difusão de nutrientes advindos do sangue circulante no
lúmen.
Lúmen
Também chamado de luz, refere-se ao interior do vaso.
Corte histológico de uma artéria elástica. Observe os vasa vasorum na adventícia,
indicados pelas setas.
Curiosidade
A maioria dos vasos sanguíneos que contém músculo liso em suas paredes é provida por uma rede de
nervos autônomos, os nervos vasculares, cujos neurotransmissores são a norepinefrina. A descarga de
norepinefrina pelas terminações nervosas resulta em vasoconstrição. 
Estrutura e função dos vasos sanguíneos
Do ponto de vista histológico, os vários tipos de artérias e veias distinguem-se uns dos outros por diferenças
na espessura da parede e na composição das túnicas. Iniciaremos o estudo da estrutura dos diferentes vasos
sanguíneos a partir das artérias, que tradicionalmente são divididas em artérias elásticas, musculares e
arteríolas, e veremos as veias e vênulas em seguida.
 
Vamos lá?
 
As artérias de grande calibre, ou artérias elásticas, atuam principalmente como tubos de condução sanguínea,
facilitando também o movimento contínuo e uniforme do sangue ao longo do tubo. Incluem a aorta e as 
artérias pulmonares, que transportam o sangue do coração para a circulação sistêmica e pulmonar,
respectivamente, e seus principais ramos — o tronco braquiocefálico, as artérias carótidas comuns, a
subclávia e a ilíaca comum.
 
A túnica íntima das artérias elásticas é rica em fibras elásticas e é mais espessa que a das artérias
musculares. A túnica média consiste em uma série de lâminas elásticas concêntricas, que contribuem para a
uniformidade do fluxo sanguíneo e dão a cor amarelada desse tipo de artéria. Durante a contração ventricular
(sístole), essas lâminas elásticas estão distendidas, reduzindo a variação de pressão. No relaxamento
ventricular (diástole), a pressão no ventrículo cai consideravelmente, mas as lâminas elásticas ajudam a
manter a pressão arterial. Entre as lâminas elásticas, podemos encontrar células musculares lisas, fibras de
colágeno, proteoglicanos e glicoproteínas.
 
A túnica adventícia é relativamente pouco desenvolvida.
Á esquerda - Diagrama e a direita - micrografia de uma artéria elástica.
As artérias de calibre médio ou artérias musculares representam a maioria do que conhecemos por artérias e
controlam o fluxo sanguíneo para os órgãos, contraindo ou relaxando as células musculares lisas da túnica
média. Apresentam uma camada subendotelial um pouco mais espessa que a das arteríolas e uma lâmina
elástica interna proeminente. A túnica média é formada essencialmente por várias camadas de células
musculares lisas, entremeadas por lamelas elásticas, fibras reticulares e proteoglicanos,componentes
sintetizados pelas próprias células. A lâmina elástica externa só é encontrada nas artérias musculares maiores.
A adventícia consiste em tecido conjuntivo frouxo, vasos capilares linfáticos, vasa vasorum e nervos da
adventícia, que podem alcançar até a porção mais externa da túnica média.
Diagrama e a direita - micrografia de uma artéria muscular.
As artérias de pequeno calibre e as arteríolas distinguem-se umas das outras pelo número de camadas de
células musculares lisas na túnica média: enquanto as arteríolas apresentam apenas uma ou duas camadas, as
artérias de pequeno calibre podem apresentar até oito camadas de músculo liso. A túnica íntima de uma
artéria de pequeno calibre apresenta uma membrana elástica interna, que não está presente na arteríola. A
adventícia consiste em uma camada delgada e pouco definida de tecido conjuntivo, que se mistura com o
tecido de mesmo tipo que envolve esses vasos.
Atenção
As arteríolas controlam o fluxo sanguíneo para as redes de capilares por meio da contração das células
musculares lisas. 
Micrografia eletrônica de transmissão de uma arteríola.
Os capilares são os vasos sanguíneos de menor diâmetro, geralmente menor que o diâmetro de um eritrócito,
compostos por uma única camada de células endoteliais (até três células) que se enrolam em forma de tubo.
Essas células estão sobre uma lâmina basal e prendem-se lateralmente umas às outras por zônulas de
oclusão. Essas estruturas desempenham um papel importante na fisiologia do sistema circulatório, uma vez
que apresentam permeabilidade variável a macromoléculas.
 
Os capilares formam uma abundante rede vascular que possibilita a troca de metabólitos, gases e moléculas
entre os tecidos e o sangue em ambos os sentidos.
 
Ao longo dos capilares e das vênulas pós-capilares, células de origem mesenquimal, com grandes projeções
citoplasmáticas, envolvem as células endoteliais e são chamadas de pericitos. Essas células são as células-
tronco mesenquimatosas indiferenciadas, que possuem estreita relação com as células endoteliais,
promovendo a mútua proliferação e sobrevida.
 
Após uma lesão tecidual, os pericitos podem se diferenciar para formar novos vasos sanguíneos e novas
células do tecido conjuntivo.
Micrografia eletrônica de um capilar.
As vênulas pós-capilares coletam o sangue da rede de capilares, numa transição que ocorre gradualmente. A
parede dessas vênulas é composta por uma camada de células endoteliais, sua lâmina basal e os pericitos.
Essas vênulas apresentam características comuns aos capilares, como a participação em processos
inflamatórios e trocas de moléculas entre o sangue e os tecidos.
 
As vênulas musculares (até 0,1mm de diâmetro), que representam a maioria das vênulas, localizam-se
distalmente às vênulas pós-capilares na rede venosa de retorno. Enquanto as vênulas pós-capilares não
apresentam túnica média verdadeira, as vênulas musculares apresentam uma a duas camadas delgadas de
músculo liso. Geralmente, não encontramos pericitos nas vênulas musculares e a túnica adventícia também é
bastante delgada.
 
As veias de pequeno calibre (0,1 a 1mm de diâmetro) são continuações das vênulas musculares. Apresentam
túnica média geralmente formada por duas ou três camadas de músculo liso e adventícia mais espessa.
 
As veias de calibre médio (até 10mm de diâmetro) apresentam túnica íntima delgada; túnica média muito mais
fina que a das artérias de médio calibre, composta por várias camadas de células musculares entremeadas
por fibras colágenas e elásticas; e túnica adventícia bem espessa e desenvolvida, com fibras colágenas e
redes de fibras elásticas.
Á esquerda - Diagrama e a direita micrografia de uma veia de médio calibre.
As veias de grande calibre (diâmetro superior a 10mm), como as veias cavas superior e inferior e a veia porta
do fígado, apresentam características semelhantes às das veias de calibre médio, com a túnica adventícia
bem espessa. As túnicas das veias de médio e grande calibre não são tão distintas quanto aquelas
observadas nas artérias.
Á esquerda - Diagrama e a direita micrografia de uma veia de grande calibre.
Além disso, essas veias geralmente acompanham as artérias de médio e grande calibre, assim como as
arteríolas e vênulas musculares, que eventualmente seguem o percurso juntas. As veias possuem paredes
mais finas que as das artérias que as acompanham e também possuem lúmen maior.
Saiba mais
Uma característica importante das veias, particularmente daquelas que transportam o sangue contra a
gravidade (nos membros inferiores, por exemplo) é a presença de válvulas, que impedem o movimento
retrógrado do sangue decorrente da gravidade. As válvulas são revestidas por endotélio e compostas de
tecido conjuntivo rico em fibras elásticas. 
Tipos de capilares sanguíneos
Assista a este vídeo em que a especialista Gabriela Cardoso Caldas fala sobre as características e diferenças
dos principais tipos de capilares sanguíneos.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Aspectos histológicos do coração
O coração localiza-se obliquamente no mediastino médio, que é o espaço delimitado pelo esterno, pela coluna
vertebral, pelo diafragma e pelos pulmões. Contém quatro câmaras nas quais o sangue é bombeado: átrio
direito, átrio esquerdo, ventrículo direito e ventrículo esquerdo.
As saídas das câmaras apresentam válvulas, que impedem o refluxo sanguíneo. Os lados direito e esquerdo
são separados por um septo interatrial e um septo interventricular.
Vias de circulação
O coração e os vasos sanguíneos formam duas vias de circulação: a circulação pulmonar transporta o sangue
vindo do coração para os pulmões e dos pulmões para o coração; a circulação sistêmica transporta o sangue
do coração para os demais tecidos do corpo e desses tecidos para o coração.
Ilustração esquemática do coração e os fluxos de sangue (setas amarelas).
O lado direito do coração bombeia sangue pela circulação pulmonar. A partir das veias cavas inferior e
superior, o átrio direito recebe o sangue que retorna do corpo e o direciona para o ventrículo direito, que
bombeia esse sangue para os pulmões pelas artérias pulmonares para ser oxigenado.
 
O lado esquerdo do coração é responsável por bombear o sangue pela circulação sistêmica: o átrio esquerdo
recebe o sangue oxigenado dos pulmões pelas quatro veias pulmonares e o direciona para o ventrículo
esquerdo, que o bombeia pela aorta para ser distribuído para todo o corpo.
Estrutura
A organização estrutural da parede do coração é contínua nos átrios e ventrículos e apresenta três túnicas: a
interna, o endocárdio; a média, chamada de miocárdio; e a externa, o pericárdio. Além disso, o coração possui
uma região fibrosa central, chamada de esqueleto fibroso, que é local de origem e inserção das células
musculares cardíacas e serve de apoio para as valvas.
Endocárdio
É constituído por endotélio, que repousa sobre uma camada delgada de tecido conjuntivo frouxo
contendo fibras elásticas, colágenas e algumas células musculares lisas. A camada subendotelial
conecta-se ao miocárdio por uma camada de tecido conjuntivo que contém veias, nervos e ramos do
sistema de condução do impulso do coração, as células de Purkinje.
Miocárdio
É a camada mais espessa do coração e é composta por células musculares cardíacas organizadas em
camadas que envolvem as câmaras cardíacas como uma espiral. Muitas dessas camadas se inserem
no esqueleto fibroso. O arranjo das células é extremamente variado e, mesmo em uma área pequena,
podemos ver células orientadas em várias direções.
Pericárdio
É a camada mais externa do coração e consiste em um epitélio pavimentoso simples (mesotélio)
apoiado em uma fina camada de tecido conjuntivo (epicárdio), que contém os vasos sanguíneos e
nervos que suprem o coração. Circundando essas estruturas, encontramos tecido adiposo, que
funciona como uma espécie de colchão. Entre as camadas visceral (epicárdio) e parietal do
pericárdio, existe um fluido que facilita os movimentos cardíacos.
Cortehistológico da parede do ventrículo esquerdo. Observe o endocárdio (pontas
de seta), miocárdio e epicárdio.
Ao observarmos a imagem, vemos que os vasos sanguíneos bem visíveis se localizam no epicárdio e são
circundados por tecido adiposo (A). Em (B), observamos a área indicada pelo retângulo em visualização
aumentada, mostrando as características do endocárdio.
 
Observe a camada interna pavimentosa de endotélio (End), uma camada média de tecido conjuntivo denso
(TCD) subendotelial contendo células musculares lisas (CML) e uma camada subendocárdica mais profunda
contendo fibras de Purkinje (FP). O miocárdio contém fibras musculares cardíacas (FMC) e está à esquerda.
 
O esqueleto fibroso é composto por tecido conjuntivo denso não modelado e apresenta três principais
componentes: septo membranoso, trígonos fibrosos e anéis fibrosos, além de nódulos de cartilagem fibrosa
em determinadas regiões. Para o miocárdio do átrio e do ventrículo, ele proporciona locais de fixação
independentes, atuando também como um isolante elétrico que impede o fluxo livre de impulsos elétricos.
 
As válvulas cardíacas, também chamadas de valvas, prendem-se aos anéis fibrosos do esqueleto fibroso e
consistem em uma parte central de tecido conjuntivo denso revestida em ambos os lados por endotélio.
Ilustração do esqueleto fibroso do coração.
Sistema gerador e condutor do impulso
O coração possui um sistema gerador de estímulo rítmico próprio, que se espalha por todo o miocárdio. Esse
sistema é constituído por dois nodos atriais, o nodo sinoatrial e o nodo atrioventricular, e pelo feixe
atrioventricular. O nodo sinoatrial é formado por células musculares cardíacas especializadas, que são
fusiformes, menores que as células atriais e apresentam menos miofibrilas.
Esquema mostrando o sistema gerador e condutor dos impulsos cardíacos.
O nodo atrioventricular assemelha-se ao sinoatrial, mas suas células são ramificadas e emitem projeções
citoplasmáticas, formando uma rede. O feixe atrioventricular se origina no nodo atrioventricular e se ramifica
para os ventrículos. Suas células são semelhantes às do nodo, entretanto, as localizadas mais distalmente são
maiores e assumem um formato característico: são as chamadas células de Purkinje, que contêm um ou dois
núcleos centrais, escassas miofibrilas e citoplasma rico em mitocôndria e glicogênio.
Relembrando
Como já comentamos, os ramos do feixe atrioventricular penetram na espessura do ventrículo e
alcançam o miocárdio. Essa configuração é importante pois torna possível que o estímulo penetre as
camadas mais internas da musculatura ventricular. As células do sistema gerador e condutor do impulso
do coração estão funcionalmente conectadas por junções do tipo gap. 
Sistema vascular linfático
Além dos vasos sanguíneos que acabamos de estudar, o corpo humano possui um sistema de canais de
paredes finas, revestidas por endotélio, que coleta o fluido intersticial — a linfa. Diferentemente dos vasos
sanguíneos, que transportam sangue para os tecidos e a partir deles, os vasos do sistema vascular linfático
são unidirecionais, transportando a linfa apenas a partir dos tecidos.
 
Esses capilares convergem em vasos coletores cada vez maiores, denominados vasos linfáticos.
Estruturalmente, os vasos linfáticos são semelhantes às veias, exceto pelas paredes mais finas e pela
indistinção das túnicas. Além disso, apresentam um número maior de válvulas em seu interior, que impedem o
fluxo retrógrado da linfa.
 
Os menores vasos linfáticos são os capilares linfáticos, tubos de extremidade cega (fundo de saco) que
apresentam uma única camada de endotélio e uma lâmina basal incompleta. Os capilares linfáticos possuem
maior permeabilidade que os capilares sanguíneos, atuando na captação de moléculas inflamatórias e células
imunes, por exemplo.
Fluido intersticial
Fluido localizado entre a pele e os demais órgãos, tecidos, músculos e o sistema circulatório. A linfa,
assim como o sangue, contribui com o transporte e remoção de substâncias em diversas partes do
corpo.
Esquema mostrando a coleta do fluido intersticial (setas verdes) pelos capilares
linfáticos.
Os vasos linfáticos convergem gradualmente e finalmente unem-se para formar dois troncos principais, o
ducto torácico e o ducto linfático direito, que desembocam nas veias de grande calibre situadas na base do
pescoço. A linfa, então, entra no sistema circulatório nas junções das veias jugular interna e subclávia.
 
Antes de retornar ao sangue, a linfa atravessa os linfonodos, nos quais é exposta às células do sistema imune.
 
Também chamados de gânglios linfáticos, os linfonodos são órgãos formados por tecido linfoide e estão
distribuídos por todo o corpo. Estão localizados, por exemplo, nas axilas, na virilha e no pescoço e estão
ligados a vasos linfáticos.
 
Por isso, os vasos linfáticos atuam não só no sistema circulatório, mas também são componentes integrais do
sistema imune. Os vasos linfáticos são encontrados na maioria dos órgãos, exceto no sistema nervoso central
e na medula óssea.
Esquema mostrando a circulação linfática e a estrutura dos vasos linfáticos. Note o
fundo cego do vaso linfático.
Ao contrário do sistema sanguíneo, não há uma bomba central no sistema linfático. A linfa move-se
lentamente, impulsionada principalmente pela compressão dos vasos linfáticos realizada pelos
músculos esqueléticos ao redor. A contração da camada de músculo liso que circunda os vasos
linfáticos também pode auxiliar na condução da linfa.
Verificando o aprendizado
Questão 1
Vimos que a maioria dos vasos compartilham das mesmas características estruturais, com um
plano geral de construção formado por três camadas: a íntima, a média e a adventícia. Sobre
as características morfológica dessas camadas, analise as afirmativas a seguir e assinale a
alternativa correta:
A
A túnica íntima é a camada mais interna do vaso, constituída por uma camada de células endoteliais, sua
respectiva lâmina basal e uma camada subendotelial, de tecido adiposo.
B
Nas veias, a camada média é relativamente espessa, estendendo-se da lâmina elástica interna até a lâmina
elástica externa, que a separa da túnica íntima.
C
A túnica adventícia é a camada mais externa de tecido conjuntivo, formada principalmente por fibras
colágenas do tipo II e algumas fibras reticulares.
D
Vasos grandes, artérias mais frequentemente que veias, possuem vasa vasorum, responsável pela nutrição
dessas artérias.
E
A lâmina elástica interna, composta principalmente por elastina, contém fenestrações que possibilitam a
difusão de nutrientes para as células mais profundas da parede do vaso.
A alternativa E está correta.
Nas artérias, a túnica íntima está separada da túnica média pela lâmina elástica interna que é composta
principalmente por elastina e contém fenestrações que possibilitam a difusão de nutrientes para as células
mais profundas da parede do vaso.
Questão 2
Vimos que as vênulas e veias apresentam algumas diferenças morfológicas importantes que
estão diretamente relacionadas à função desses vasos sanguíneos. A respeito da organização
das vênulas e veias, assinale a alternativa correta:
A
A parede das vênulas pós-capilares é semelhante à dos capilares, exceto pela ausência de pericitos.
B
A túnica média das veias de médio calibre é bem mais fina que a túnica média das artérias de médio calibre.
C
Assim como as vênulas pós-capilares, as vênulas musculares não apresentam túnica média verdadeira.
D
As veias de grande calibre, como as veias cavas superior e inferior, possuem túnica adventícia bem delgada
E
As válvulas venosas são revestidas por endotélio e compostas de tecido muscular liso e tecido conjuntivo
denso.
A alternativa B está correta.
As veias de calibre médio apresentam túnica íntima delgada e a túnica média muito mais fina que a das
artérias de médio calibre, composta por várias camadas de células musculares entremeadas por fibras
colágenas e elásticas. Apresentam também a túnica adventícia bem espessa e desenvolvida, com

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