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NR 01 - DISPOSIÇÕES GERAIS e
GERENCIAMENTO DE RISCOS
OCUPACIONAIS
1.1 Objetivo
1.1.1 O objetivo desta Norma é estabelecer as
disposições gerais, o campo de aplicação, os
termos e as definições comuns às Normas
Regulamentadoras - NR relativas à segurança
e saúde no trabalho e as diretrizes e os
requisitos para o gerenciamento de riscos
ocupacionais e as medidas de prevenção em
Segurança e Saúde no Trabalho - SST.
1.2 Campo de aplicação
1.2.1 As NR obrigam, nos termos da lei,
empregadores e empregados, urbanos e
rurais.
1.2.1.1 As NR são de observância obrigatória
pelas organizações e pelos órgãos públicos da
administração direta e indireta, bem como
pelos órgãos dos Poderes Legislativo,
Judiciário e Ministério Público, que possuam
empregados regidos pela Consolidação das
Leis do Trabalho -
1.2.1.2 Nos termos previstos em lei, aplica-se
o disposto nas NR a outras relações jurídicas.
1.2.2 A observância das NR não desobriga as
organizações do cumprimento de outras
disposições que, com relação à matéria, sejam
incluídas em códigos de obras ou
regulamentos sanitários dos Estados ou
Municípios, bem como daquelas oriundas de
convenções e acordos coletivos de trabalho.
1.3 Competências e estrutura
1.3.1 A Secretaria de Trabalho - STRAB, por
meio da Subsecretaria de Inspeção do
Trabalho - SIT, é o órgão de âmbito nacional
competente em matéria de segurança e saúde
no trabalho para:
a) formular e propor as diretrizes, as normas
de atuação e supervisionar as atividades da
área de segurança e saúde do trabalhador;
b) promover a Campanha Nacional de
Prevenção de Acidentes do Trabalho -
CANPAT;
c) coordenar e fiscalizar o Programa de
Alimentação do Trabalhador - PAT;
d) promover a fiscalização do cumprimento
dos preceitos legais e regulamentares sobre
Segurança e Saúde no Trabalho - SST em todo
o território nacional;
e) participar da implementação da Política
Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho -
PNSST; e
f) conhecer, em última instância, dos recursos
voluntários ou de ofício, das decisões
proferidas pelo órgão regional competente em
matéria de segurança e saúde no trabalho,
salvo disposição expressa em contrário.
1.3.2 Compete à SIT e aos órgãos regionais a
ela subordinados em matéria de Segurança e
Saúde no Trabalho, nos limites de sua
competência, executar:
g) fiscalização dos preceitos legais e
regulamentares sobre segurança e saúde no
trabalho; e
h) as atividades relacionadas com a CANPAT e
o PAT.
1.3.3 Cabe à autoridade regional competente
em matéria de trabalho impor as penalidades
cabíveis por descumprimento dos preceitos
legais e regulamentares sobre segurança e
saúde no trabalho.
1.4 Direitos e deveres
1.4.1 Cabe ao empregador:
a) cumprir e fazer cumprir as disposições
legais e regulamentares sobre segurança e
saúde no trabalho;
b) informar aos trabalhadores:
I. os riscos ocupacionais existentes nos locais
de trabalho;
II. as medidas de prevenção adotadas pela
empresa para eliminar ou reduzir tais riscos;
III. os resultados dos exames médicos e de
exames complementares de diagnóstico aos
quais os próprios trabalhadores forem
submetidos; e
IV. os resultados das avaliações ambientais
realizadas nos locais de trabalho.
c) elaborar ordens de serviço sobre segurança
e saúde no trabalho, dando ciência aos
trabalhadores;
d) permitir que representantes dos
trabalhadores acompanhem a fiscalização
dos preceitos legais e regulamentares sobre
segurança e saúde no trabalho;
e) determinar procedimentos que devem ser
adotados em caso de acidente ou doença
relacionada ao trabalho, incluindo a análise
de suas causas;
f) disponibilizar à Inspeção do Trabalho todas
as informações relativas à segurança e saúde
no trabalho; e
g) implementar medidas de prevenção,
ouvidos os trabalhadores, de acordo com a
seguinte ordem de prioridade:
I. eliminação dos fatores de risco;
II. minimização e controle dos fatores de
risco, com a adoção de medidas de proteção
coletiva;
III. minimização e controle dos fatores de
risco, com a adoção de medidas
administrativas ou de organização do
trabalho; e
IV. adoção de medidas de proteção
individual.
1.4.1.1 As organizações obrigadas a constituir
CIPA nos termos da NR-05 devem adotar as
seguintes medidas, além de outras que
entenderem necessárias, com vistas à
prevenção e ao combate ao assédio sexual e
às demais formas de violência no âmbito do
trabalho: (Portaria MTP nº 4.219, de 20 de
dezembro de 2022 - Item e alíneas entram em
vigor no dia 20 de março de 2023)
a) inclusão de regras de conduta a respeito
do assédio sexual e de outras formas de
violência nas normas internas da empresa,
com ampla divulgação do seu conteúdo aos
empregados e às empregadas;
b) fixação de procedimentos para
recebimento e acompanhamento de
denúncias, para apuração dos fatos e,
quando for o caso, para aplicação de sanções
administrativas aos responsáveis diretos e
indiretos pelos atos de assédio sexual e de
violência, garantido o anonimato da pessoa
denunciante, sem prejuízo dos procedimentos
jurídicos cabíveis; e
c) realização, no mínimo a cada 12 (doze)
meses, de ações de capacitação, de
orientação e de sensibilização dos
empregados e das empregadas de todos os
níveis hierárquicos da empresa sobre temas
relacionados à violência, ao assédio, à
igualdade e à diversidade no âmbito do
trabalho, em formatos acessíveis,
apropriados e que apresentem máxima
efetividade de tais ações.
1.4.2 Cabe ao trabalhador:
a) cumprir as disposições legais e
regulamentares sobre segurança e saúde no
trabalho, inclusive as ordens de serviço
expedidas pelo empregador;
b) submeter-se aos exames médicos
previstos nas NR;
c) colaborar com a organização na aplicação
das NR; e
d) usar o equipamento de proteção
individual fornecido pelo empregador.
1.4.2.1 Constitui ato faltoso a recusa
injustificada do empregado ao cumprimento
do disposto nas alíneas do subitem anterior.
1.4.3 O trabalhador poderá interromper suas
atividades quando constatar uma situação de
trabalho onde, a seu ver, envolva um risco
grave e iminente para a sua vida e saúde,
informando imediatamente ao seu superior
hierárquico.
1.4.3.1 Comprovada pelo empregador a
situação de grave e iminente risco, não
poderá ser exigida a volta dos trabalhadores
à atividade enquanto não sejam tomadas as
medidas corretivas.
1.4.4 Todo trabalhador, ao ser admitido ou
quando mudar de função que implique em
alteração de risco, deve receber informações
sobre:
a) os riscos ocupacionais que existam ou
possam originar-se nos locais de trabalho;
b) os meios para prevenir e controlar tais
riscos;
c) as medidas adotadas pela organização;
d) os procedimentos a serem adotados em
situação de emergência; e
e) os procedimentos a serem adotados, em
conformidade com os subitens 1.4.3 e 1.4.3.1.
1.4.4.1 As informações podem ser
transmitidas:
f) durante os treinamentos; e
g) por meio de diálogos de segurança,
documento físico ou eletrônico.
1.5 Gerenciamento de riscos ocupacionais
1.5.1 O disposto neste item deve ser utilizado
para fins de prevenção e gerenciamento dos
riscos ocupacionais.
1.5.2 Para fins de caracterização de atividades
ou operações insalubres ou perigosas, devem
ser aplicadas as disposições previstas na
NR-15 – Atividades e operações insalubres e
NR-16 – Atividades e operações perigosas.
1.5.3 Responsabilidades
1.5.3.1. A organização deve implementar, por
estabelecimento, o gerenciamento de riscos
ocupacionais em suas atividades.
1.5.3.1.1 O gerenciamento de riscos
ocupacionais deve constituir um Programa de
Gerenciamento de Riscos - PGR.
1.5.3.1.1.1 A critério da organização, o PGR
pode ser implementado por unidade
operacional, setor ou atividade.
1.5.3.1.2 O PGR pode ser atendido por
sistemas de gestão, desde que estes cumpram
as exigências previstas nesta NR e em
dispositivos legais de segurança e saúde no
trabalho.
1.5.3.1.3 O PGR deve contemplar ou estar
integrado complanos, programas e outros
documentos previstos na legislação de
segurança e saúde no trabalho.
1.5.3.2 A organização deve:
a) evitar os riscos ocupacionais que possam
ser originados no trabalho;
b) identificar os perigos e possíveis lesões ou
agravos à saúde;
c) avaliar os riscos ocupacionais indicando o
nível de risco;
d) classificar os riscos ocupacionais para
determinar a necessidade de adoção de
medidas de prevenção;
e) implementar medidas de prevenção, de
acordo com a classificação de risco e na
ordem de prioridade estabelecida na alínea
“g” do subitem 1.4.1; e
f) acompanhar o controle dos riscos
ocupacionais.
1.5.3.2.1 A organização deve considerar as
condições de trabalho, nos termos da NR-17.
1.5.3.3 A organização deve adotar
mecanismos para:
a) consultar os trabalhadores quanto à
percepção de riscos ocupacionais, podendo
para este fim ser adotadas as manifestações
da Comissão Interna de Prevenção de
Acidentes e de Assédio - CIPA, quando
houver; e (Portaria MTP nº 4.219, de 20 de
dezembro de 2022 - redação que entra em
vigor no dia 20 de março de 2023)
b) comunicar aos trabalhadores sobre os
riscos consolidados no inventário de riscos e
as medidas de prevenção do plano de ação
do PGR.
1.5.3.4 A organização deve adotar as medidas
necessárias para melhorar o desempenho em
SST.
1.5.4 Processo de identificação de perigos e
avaliação de riscos ocupacionais
1.5.4.1 O processo de identificação de perigos
e avaliação de riscos ocupacionais deve
considerar o disposto nas Normas
Regulamentadoras e demais exigências legais
de segurança e saúde no trabalho.
1.5.4.2 Levantamento preliminar de perigos
1.5.4.2.1 O levantamento preliminar de
perigos deve ser realizado:
a) antes do início do funcionamento do
estabelecimento ou novas instalações;
b) para as atividades existentes; e
c) nas mudanças e introdução de novos
processos ou atividades de trabalho.
1.5.4.2.1.1 Quando na fase de levantamento
preliminar de perigos o risco não puder ser
evitado, a organização deve implementar o
processo de identificação de perigos e
avaliação de riscos ocupacionais, conforme
disposto nos subitens seguintes.
1.5.4.2.1.2 A critério da organização, a etapa
de levantamento preliminar de perigos pode
estar contemplada na etapa de identificação
de perigos.
1.5.4.3 Identificação de perigos
1.5.4.3.1 A etapa de identificação de perigos
deve incluir:
a) descrição dos perigos e possíveis lesões ou
agravos à saúde;
b) identificação das fontes ou circunstâncias;
e
c) indicação do grupo de trabalhadores
sujeitos aos riscos.
1.5.4.3.2 A identificação dos perigos deve
abordar os perigos externos previsíveis
relacionados ao trabalho que possam afetar a
saúde e segurança no trabalho.
1.5.4.4 Avaliação de riscos ocupacionais
1.5.4.4.1 A organização deve avaliar os riscos
ocupacionais relativos aos perigos
identificados em seu(s) estabelecimento(s), de
forma a manter informações para adoção de
medidas de prevenção.
1.5.4.4.2 Para cada risco deve ser indicado o
nível de risco ocupacional, determinado pela
combinação da severidade das possíveis
lesões ou agravos à saúde com a
probabilidade ou chance de sua ocorrência.
1.5.4.4.2.1 A organização deve selecionar as
ferramentas e técnicas de avaliação de riscos
que sejam adequadas ao risco ou
circunstância em avaliação.
1.5.4.4.3 A gradação da severidade das lesões
ou agravos à saúde deve levar em conta a
magnitude da consequência e o número de
trabalhadores possivelmente afetados.
1.5.4.4.3.1 A magnitude deve levar em conta
as consequências de ocorrência de acidentes
ampliados.
1.5.4.4.4 A gradação da probabilidade de
ocorrência das lesões ou agravos à saúde
deve levar em conta:
a) os requisitos estabelecidos em Normas
Regulamentadoras;
b) as medidas de prevenção implementadas;
c) as exigências da atividade de trabalho; e
d) a comparação do perfil de exposição
ocupacional com valores de referência
estabelecidos na NR-09.
1.5.4.4.5 Após a avaliação, os riscos
ocupacionais devem ser classificados,
observado o subitem 1.5.4.4.2, para fins de
identificar a necessidade de adoção de
medidas de prevenção e elaboração do plano
de ação.
1.5.4.4.6 A avaliação de riscos deve constituir
um processo contínuo e ser revista a cada
dois anos ou quando da ocorrência das
seguintes situações:
a) após implementação das medidas de
prevenção, para avaliação de riscos residuais;
b) após inovações e modificações nas
tecnologias, ambientes, processos,
condições, procedimentos e organização do
trabalho que impliquem em novos riscos ou
modifiquem os riscos existentes;
c) quando identificadas inadequações,
insuficiências ou ineficácias das medidas de
prevenção;
d) na ocorrência de acidentes ou doenças
relacionadas ao trabalho;
e) quando houver mudança nos requisitos
legais aplicáveis.
1.5.4.4.6.1 No caso de organizações que
possuírem certificações em sistema de gestão
de SST, o prazo poderá ser de até 3 (três)
anos.
1.5.5. Controle dos riscos
1.5.5.1. Medidas de prevenção
1.5.5.1.1 A organização deve adotar medidas
de prevenção para eliminar, reduzir ou
controlar os riscos sempre que:
a) exigências previstas em Normas
Regulamentadoras e nos dispositivos legais
determinarem;
b) a classificação dos riscos ocupacionais
assim determinar, conforme subitem
1.5.4.4.5;
c) houver evidências de associação, por meio
do controle médico da saúde, entre as lesões
e os agravos à saúde dos trabalhadores com
os riscos e as situações de trabalho
identificados.
1.5.5.1.2 Quando comprovada pela
organização a inviabilidade técnica da adoção
de medidas de proteção coletiva, ou quando
estas não forem suficientes ou
encontrarem-se em fase de estudo,
planejamento ou implantação ou, ainda, em
caráter complementar ou emergencial,
deverão ser adotadas outras medidas,
obedecendo-se a seguinte hierarquia:
a) medidas de caráter administrativo ou de
organização do trabalho; e
b) utilização de equipamento de proteção
individual - EPI.
1.5.5.1.3 A implantação de medidas de
prevenção deverá ser acompanhada de
informação aos trabalhadores quanto aos
procedimentos a serem adotados e limitações
das medidas de prevenção.
1.5.5.2. Planos de ação
1.5.5.2.1 A organização deve elaborar plano
de ação, indicando as medidas de prevenção a
serem introduzidas, aprimoradas ou mantidas,
conforme o subitem 1.5.4.4.5.
1.5.5.2.2 Para as medidas de prevenção deve
ser definido cronograma, formas de
acompanhamento e aferição de resultados.
1.5.5.3 Implementação e acompanhamento
das medidas de prevenção
1.5.5.3.1 A implementação das medidas de
prevenção e respectivos ajustes devem ser
registrados.
1.5.5.3.2 O desempenho das medidas de
prevenção deve ser acompanhado de forma
planejada e contemplar:
a) a verificação da execução das ações
planejadas;
b) as inspeções dos locais e equipamentos de
trabalho; e
c) o monitoramento das condições
ambientais e exposições a agentes nocivos,
quando aplicável.
1.5.5.3.2.1 As medidas de prevenção devem
ser corrigidas quando os dados obtidos no
acompanhamento indicarem ineficácia em seu
desempenho.
1.5.5.4 Acompanhamento da saúde
ocupacional dos trabalhadores
1.5.5.4.1 A organização deve desenvolver
ações em saúde ocupacional dos
trabalhadores integradas às demais medidas
de prevenção em SST, de acordo com os riscos
gerados pelo trabalho.
1.5.5.4.2 O controle da saúde dos
empregados deve ser um processo
preventivo planejado, sistemático e
continuado, de acordo com a classificação de
riscos ocupacionais e nos termos da NR-07.
1.5.5.5. Análise de acidentes e doenças
relacionadas ao trabalho
1.5.5.5.1 A organização deve analisar os
acidentes e as doenças relacionadas ao
trabalho.
1.5.5.5.2 As análises de acidentes e doenças
relacionadas ao trabalho devem ser
documentadas e:
a) considerar as situações geradoras dos
eventos, levando em conta as atividades
efetivamente desenvolvidas, ambiente de
trabalho, materiais e organizaçãoda
produção e do trabalho;
b) identificar os fatores relacionados com o
evento; e
c) fornecer evidências para subsidiar e revisar
as medidas de prevenção existentes.
1.5.6. Preparação para emergências
1.5.6.1 A organização deve estabelecer,
implementar e manter procedimentos de
respostas aos cenários de emergências, de
acordo com os riscos, as características e as
circunstâncias das atividades.
1.5.6.2 Os procedimentos de respostas aos
cenários de emergências devem prever:
d) os meios e recursos necessários para os
primeiros socorros, encaminhamento de
acidentados e abandono; e
e) as medidas necessárias para os cenários de
emergências de grande magnitude, quando
aplicável.
1.5.7 Documentação
1.5.7.1 O PGR deve conter, no mínimo, os
seguintes documentos:
a) inventário de riscos; e
b) plano de ação.
1.5.7.2 Os documentos integrantes do PGR
devem ser elaborados sob a responsabilidade
da organização, respeitado o disposto nas
demais Normas Regulamentadoras, datados e
assinados.
1.5.7.2.1 Os documentos integrantes do PGR
devem estar sempre disponíveis aos
trabalhadores interessados ou seus
representantes e à Inspeção do Trabalho.
1.5.7.3 Inventário de riscos ocupacionais
1.5.7.3.1 Os dados da identificação dos
perigos e das avaliações dos riscos
ocupacionais devem ser consolidados em um
inventário de riscos ocupacionais.
1.5.7.3.2 O Inventário de Riscos Ocupacionais
deve contemplar, no mínimo, as seguintes
informações:
a) caracterização dos processos e ambientes
de trabalho;
b) caracterização das atividades;
c) descrição de perigos e de possíveis lesões
ou agravos à saúde dos trabalhadores, com a
identificação das fontes ou circunstâncias,
descrição de riscos gerados pelos perigos, com
a indicação dos grupos de trabalhadores
sujeitos a esses riscos, e descrição de medidas
de prevenção implementadas;
d) dados da análise preliminar ou do
monitoramento das exposições a agentes
físicos, químicos e biológicos e os resultados
da avaliação de ergonomia nos termos da
NR-17.
e) avaliação dos riscos, incluindo a
classificação para fins de elaboração do plano
de ação; e
f) critérios adotados para avaliação dos riscos
e tomada de decisão.
1.5.7.3.3 O inventário de riscos ocupacionais
deve ser mantido atualizado.
1.5.7.3.3.1 O histórico das atualizações deve
ser mantido por um período mínimo de 20
(vinte) anos ou pelo período estabelecido em
normatização específica.
1.5.8 Disposições gerais do gerenciamento de
riscos ocupacionais
1.5.8.1 Sempre que várias organizações
realizem, simultaneamente, atividades no
mesmo local de trabalho devem executar
ações integradas para aplicar as medidas de
prevenção, visando à proteção de todos os
trabalhadores expostos aos riscos
ocupacionais.
1.5.8.2 O PGR da empresa contratante poderá
incluir as medidas de prevenção para as
empresas contratadas para prestação de
serviços que atuem em suas dependências ou
local previamente convencionado em contrato
ou referenciar os programas d contratadas.
1.5.8.3 As organizações contratantes devem
fornecer às contratadas informações sobre os
riscos ocupacionais sob sua gestão e que
possam impactar nas atividades das
contratadas.
1.5.8.4 As organizações contratadas devem
fornecer ao contratante o Inventário de Riscos
Ocupacionais específicos de suas atividades
que são realizadas nas dependências da
contratante ou local previamente
convencionado em contrato.
1.6 Da prestação de informação digital e
digitalização de documentos
1.6.1 As organizações devem prestar
informações de segurança e saúde no
trabalho em formato digital, conforme modelo
aprovado pela STRAB, ouvida a SIT.
1.6.1.1 Os modelos aprovados pela STRAB
devem considerar os princípios de
simplificação e desburocratização.
1.6.2 Os documentos previstos nas NR
podem ser emitidos e armazenados em meio
digital com certificado digital emitido no
âmbito da Infraestrutura de Chaves Públicas
Brasileira (ICP-Brasil), normatizada por lei
específica.
1.6.3 Os documentos físicos, assinados
manualmente, inclusive os anteriores à
vigência desta NR, podem ser arquivados em
meio digital, pelo período correspondente
exigido pela legislação própria, mediante
processo de digitalização conforme disposto
em Lei.
1.6.3.1 O processo de digitalização deve ser
realizado de forma a manter a integridade, a
autenticidade e, se necessário, a
confidencialidade do documento digital, com
o emprego de certificado digital emitido no
âmbito da Infraestrutura de Chaves Públicas
Brasileira (ICP-Brasil).
1.6.3.2 Os empregadores que optarem pela
guarda de documentos prevista no caput
devem manter os originais conforme previsão
em lei.
1.6.4 O empregador deve garantir a
preservação de todos os documentos nato
digitais ou digitalizados por meio de
procedimentos e tecnologias que permitam
verificar, a qualquer tempo, sua validade
jurídica em todo território nacional,
garantindo permanentemente sua
autenticidade, integridade, disponibilidade,
rastreabilidade, irretratabilidade, privacidade
e interoperabilidade.
1.6.5 O empregador deve garantir à Inspeção
do Trabalho amplo e irrestrito acesso a todos
os documentos digitalizados ou nato digitais.
1.6.5.1 Para os documentos que devem estar
à disposição dos trabalhadores ou dos seus
representantes, a organização deverá prover
meios de acesso destes às informações, de
modo a atender os objetivos da norma
específica.
1.7 Capacitação e treinamento em Segurança
e Saúde no Trabalho
1.7.1 O empregador deve promover
capacitação e treinamento dos
trabalhadores, em conformidade com o
disposto nas NR.
1.7.1.1 Ao término dos treinamentos inicial,
periódico ou eventual, previstos nas NR, deve
ser emitido certificado contendo o nome e
assinatura do trabalhador, conteúdo
programático, carga horária, data, local de
realização do treinamento, nome e
qualificação dos instrutores e assinatura do
responsável técnico do treinamento.
1.7.1.2 A capacitação deve incluir:
a) treinamento inicial;
b) treinamento periódico; e
c) treinamento eventual.
1.7.1.2.1 O treinamento inicial deve ocorrer
antes de o trabalhador iniciar suas funções
ou de acordo com o prazo especificado em
NR.
1.7.1.2.2 O treinamento periódico deve
ocorrer de acordo com periodicidade
estabelecida nas NR ou, quando não
estabelecido, em prazo determinado pelo
empregador.
1.7.1.2.3 O treinamento eventual deve
ocorrer:
a) quando houver mudança nos
procedimentos, condições ou operações de
trabalho, que impliquem em alteração dos
riscos ocupacionais;
b) na ocorrência de acidente grave ou fatal,
que indique a necessidade de novo
treinamento; ou
c) após retorno de afastamento ao trabalho
por período superior a 180 (cento e oitenta)
dias.
1.7.1.2.3.1 A carga horária, o prazo para sua
realização e o conteúdo programático do
treinamento eventual deve atender à situação
que o motivou.
1.7.1.3 A capacitação pode incluir:
a) estágio prático, prática profissional
supervisionada ou orientação em serviço;
b) exercícios simulados; ou
c) habilitação para operação de veículos,
embarcações, máquinas ou equipamentos.
1.7.2 O tempo despendido em treinamentos
previstos nas NR é considerado como de
trabalho efetivo.
1.7.3 O certificado deve ser disponibilizado ao
trabalhador e uma cópia arquivada na
organização.
1.7.4 A capacitação deve ser consignada nos
documentos funcionais do empregado.
1.7.5 Os treinamentos previstos em NR
podem ser ministrados em conjunto com
outros treinamentos da organização,
observados os conteúdos e a carga horária
previstos na respectiva norma
regulamentadora.
Aproveitamento de conteúdos de treinamento
na mesma organização
1.7.6 É permitido o aproveitamento de
conteúdos de treinamentos ministrados na
mesma organização desde que:
a) o conteúdo e a carga horária requeridos no
novo treinamento estejam compreendidos
no treinamento anterior;
b) o conteúdo do treinamento anterior tenha
sido ministrado no prazo inferiorao
estabelecido em NR ou há menos de 2 (dois)
anos, quando não estabelecida esta
periodicidade; e
c) seja validado pelo responsável técnico do
treinamento.
1.7.6.1 O aproveitamento de conteúdos deve
ser registrado no certificado, mencionando o
conteúdo e a data de realização do
treinamento aproveitado.
1.7.6.1.1 A validade do novo treinamento
passa a considerar a data do treinamento mais
antigo aproveitado.
Aproveitamento de treinamentos entre
organizações
1.7.7 Os treinamentos realizados pelo
trabalhador podem ser avaliados pela
organização e convalidados ou
complementados.
1.7.7.1 A convalidação ou complementação
deve considerar:
a) as atividades desenvolvidas pelo
trabalhador na organização anterior, quando
for o caso;
b) as atividades que desempenhará na
organização;
c) o conteúdo e carga horária cumpridos;
d) o conteúdo e carga horária exigidos; e
e) que o último treinamento tenha sido
realizado em período inferior ao estabelecido
na NR ou há menos de 2 (dois) anos, nos casos
em que não haja prazo estabelecido em NR.
1.7.8 O aproveitamento de treinamentos
anteriores, total ou parcialmente, não exclui a
responsabilidade da organização de emitir a
certificação da capacitação do trabalhador,
devendo mencionar no certificado a data da
realização dos treinamentos convalidados ou
complementados.
1.7.8.1 Para efeito de periodicidade de
realização de novo treinamento, é
considerada a data do treinamento mais
antigo convalidado ou complementado.
Dos treinamentos ministrados na modalidade
de ensino a distância ou semipresencial
1.7.9 Os treinamentos podem ser ministrados
na modalidade de ensino a distância ou
semipresencial, desde que atendidos os
requisitos operacionais, administrativos,
tecnológicos e de estruturação pedagógica
previstos no Anexo II desta NR.
1.7.9.1 O conteúdo prático do treinamento
pode ser realizado na modalidade de ensino a
distância ou semipresencial, desde que
previsto em NR específica.
1.8 Tratamento diferenciado ao
Microempreendedor Individual - MEI, à
Microempresa - ME e à Empresa de Pequeno
Porte - EPP
1.8.1 O Microempreendedor Individual - MEI
está dispensado de elaborar o PGR
1.8.1.1 A dispensa da obrigação de elaborar o
PGR não alcança a organização contratante
do MEI, que deverá incluí-lo nas suas ações
de prevenção e no seu PGR, quando este
atuar em suas dependências ou local
previamente convencionado em contrato.
1.8.2 Serão expedidas pela Secretaria Especial
de Previdência e Trabalho – SEPRT fichas com
orientações sobre as medidas de prevenção a
serem adotadas pelo MEI.
1.8.3 As microempresa e empresas de
pequeno porte que não forem obrigadas a
constituir SESMT e optarem pela utilização de
ferramenta(s) de avaliação de risco a serem
disponibilizada(s) pela SEPRT, em alternativa
às ferramentas e técnicas previstas no subitem
1.5.4.4.2.1, poderão estruturar o PGR
considerando o relatório produzido por esta(s)
ferramenta(s) e o plano de ação.
1.8.4 As microempresas e empresas de
pequeno porte, graus de risco 1 e 2, que no
levantamento preliminar de perigos não
identificarem exposições ocupacionais a
agentes físicos, químicos e biológicos, em
conformidade com a NR9, e declararem as
informações digitais na forma do subitem
1.6.1, ficam dispensadas da elaboração do
PGR.
1.8.4.1 As informações digitais de segurança e
saúde no trabalho declaradas devem ser
divulgadas junto aos trabalhadores.
1.8.5 A dispensa prevista nesta Norma é
aplicável quanto à obrigação de elaboração do
PGR e não afasta a obrigação de cumprimento
por parte do MEI, ME e EPP das demais
disposições previstas em NR.
1.8.6 O MEI, a ME e a EPP, graus de risco 1 e
2, que declararem as informações digitais na
forma do subitem 1.6.1 e não identificarem
exposições ocupacionais a agentes físicos,
químicos, biológicos e riscos relacionados a
fatores ergonômicos, ficam dispensados de
elaboração do Programa de Controle Médico
de Saúde Ocupacional - PCMSO.
1.8.6.1 A dispensa do PCMSO não desobriga
a empresa da realização dos exames médicos
e emissão do Atestado de Saúde Ocupacional
- ASO.
1.8.7 Os graus de riscos 1 e 2 mencionados
nos subitens 1.8.4 e 1.8.6 são os previstos na
Norma Regulamentadores nº 04 - Serviços
Especializados em Engenharia de Segurança e
em Medicina do Trabalho - SESMT.
1.8.8 O empregador é o responsável pela
prestação das informações previstas nos
subitens 1.8.4 e 1.8.6.
1.9 Disposições finais
1.9.1 O não-cumprimento das disposições
legais e regulamentares sobre segurança e
saúde no trabalho acarretará a aplicação das
penalidades previstas na legislação
pertinente.
1.9.2 Os casos omissos verificados no
cumprimento das NR serão decididos pela
Secretaria de Trabalho, ouvida a SIT.
Anexo I da NR-01
Termos e definições
Agente biológico: Microrganismos, parasitas
ou materiais originados de organismos que,
em função de sua natureza e do tipo de
exposição, são capazes de acarretar lesão ou
agravo à saúde do trabalhador. Exemplos:
bactéria Bacillus anthracis, vírus linfotrópico
da célula T humana, príon agente de doença
de Creutzfeldt-Jakob, fungo Coccidioides
immitis.
Agente físico: Qualquer forma de energia
que, em função de sua natureza, intensidade
e exposição, é capaz de causar lesão ou
agravo à saúde do trabalhador. Exemplos:
ruído, vibrações, pressões anormais,
temperaturas extremas, radiações ionizantes,
radiações não ionizantes.
Observação: Critérios sobre iluminamento,
conforto térmico e conforto acústico da NR-17
não constituem agente físico para fins da
NR-09.
Agente químico: Substância química, por si
só ou em misturas, quer seja em seu estado
natural, quer seja produzida, utilizada ou
gerada no processo de trabalho, que em
função de sua natureza, concentração e
exposição, é capaz de causar lesão ou agravo
à saúde do trabalhador. Exemplos: fumos de
cádmio, poeira mineral contendo sílica
cristalina, vapores de tolueno, névoas de
ácido sulfúrico.
Canteiro de obra: área de trabalho fixa e
temporária, onde se desenvolvem operações
de apoio e execução à construção, demolição
ou reforma de uma obra.
Empregado: a pessoa física que presta
serviços de natureza não eventual a
empregador, sob a dependência deste e
mediante salário.
Empregador: a empresa individual ou coletiva
que, assumindo os riscos da atividade
econômica, admite, assalaria e dirige a
prestação pessoal de serviços. Equiparam-se
ao empregador as organizações, os
profissionais liberais, as instituições de
beneficência, as associações recreativas ou
outras instituições sem fins lucrativos, que
admitam trabalhadores como empregados.
Estabelecimento: local privado ou público,
edificado ou não, móvel ou imóvel, próprio
ou de terceiros, onde a empresa ou a
organização exerce suas atividades em
caráter temporário ou permanente.
Evento perigoso: Ocorrência ou
acontecimento com o potencial de causar
lesões ou agravos à saúde.
Frente de trabalho: área de trabalho móvel e
temporária. Local de trabalho: área onde são
executados os trabalhos.
Obra: todo e qualquer serviço de engenharia
de construção, montagem, instalação,
manutenção ou reforma.
Ordem de serviço de segurança e saúde no
trabalho: instruções por escrito quanto às
precauções para evitar acidentes do trabalho
ou doenças ocupacionais. A ordem de serviço
pode estar contemplada em procedimentos
de trabalho e outras instruções de SST.
Organização: pessoa ou grupo de pessoas com
suas próprias funções com responsabilidades,
autoridades e relações para alcançar seus
objetivos. Inclui, mas não é limitado a
empregador, a tomador de serviços, a
empresa, a empreendedor individual,
produtor rural, companhia, corporação, firma,
autoridade, parceria, organização de caridade
ou instituição, ou parte ou combinação
desses, seja incorporada ou não, pública ou
privada.
Perigo ou fator de risco ocupacional/ Perigo
ou fonte de risco ocupacional: Fonte com o
potencial de causar lesões ou agravosà
saúde. Elemento que isoladamente ou em
combinação com outros tem o potencial
intrínseco de dar origem a lesões ou agravos
à saúde.
Prevenção: o conjunto das disposições ou
medidas tomadas ou previstas em todas as
fases da atividade da organização, visando
evitar, eliminar, minimizar ou controlar os
riscos ocupacionais.
Responsável técnico pela capacitação:
profissional legalmente habilitado ou
trabalhador qualificado, conforme disposto
em NR específica, responsável pela
elaboração das capacitações e treinamentos.
Risco ocupacional: Combinação da
probabilidade de ocorrer lesão ou agravo à
saúde causados por um evento perigoso,
exposição a agente nocivo ou exigência da
atividade de trabalho e da severidade dessa
lesão ou agravo à saúde.
Setor de serviço: a menor unidade
administrativa ou operacional compreendida
no mesmo estabelecimento.
Trabalhador: pessoa física inserida em uma
relação de trabalho, inclusive de natureza
administrativa, como os empregados e outros
sem vínculo de emprego.
Anexo II
(Pessoal, esse anexo é de difícil cobrança em
provas, não vale a pena ler.)
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