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CAAML-1206 OSTENSIVO MANUAL DE PRIMEIROS SOCORROS MARINHA DO BRASIL HOSPITAL NAVAL MARCÍLIO DIAS CENTRO DE ADESTRAMENTO ALMIRANTE MARQUES DE LEÃO 2008 OSTENSIVO CAAML-1206 OSTENSIVO -I- REV 1 MANUAL DE PRIMEIROS SOCORROS MARINHA DO BRASIL HOSPITAL NAVAL MARCÍLIO DIAS CENTRO DE ADESTRAMENTO ALMIRANTE MARQUES DE LEÃO 2008 FINALIDADE: TÉCNICA 1ª REVISÃO OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO - III - REV I FOLHA DE REGISTRO DE ALTERAÇÕES NÚMERO DA MODIFICAÇÃO EXPEDIENTE QUE A DETERMINOU E RESPECTIVA DATA PÁGINA (S) AFETADA (S) DATA DA INTRODUÇÃO RUBRICA DO OFICIAL QUE A INSERIU OSTENSIVO CAAML-1206 OSTENSIVO - II - REV 1 ATO DE APROVAÇÃO Aprovo, para emprego na MB, a revisão da publicação CAAML-1206 – MANUAL DE PRIMEIROS SOCORROS, elaborado em parceria com a Escola de Saúde do Hospital Naval Marcílio Dias. NITERÓI, RJ. Em 10 de setembro de 2008. ALIPIO JORGE RODRIGUES DA SILVA Capitão-de-Mar-e-Guerra Comandante ASSINADO DIGITALMENTE AUTENTICADO RUBRICA PELO ORC Em ______/______/______ CARIMBO OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 IV ÍNDICE PAGINA Folha de Rosto.......................................................................................................... I Ato de Aprovação..................................................................................................... II Folha de Registro de Alterações............................................................................... III Índice......................................................................................................................... IV Introdução................................................................................................................. IX CAPÍTULO 1 - PRIMEIROS SOCORROS 1.1- Conceito................................................................................................. 1-1 1.2- Generalidades......................................................................................... 1-1 1.3- O socorrista............................................................................................ 1-1 1.3.1- Iniciativa..................................................................................... 1-3 1.3.2- Preparo........................................................................................ 1-4 1.3.3- Poder de improvisação................................................................ 1-4 1.3.4- Não esperar reconhecimento........................................................ 1-5 CAPÍTULO 2 – ANATOMIA E FISIOLOGIA 2.1 – Introdução............................................................................................. 2-1 2.2 – Sistema circulatório.............................................................................. 2-1 2.3 – Sistema respiratório............................................................................. 2-2 2.4 – Sistema músculo-esquelético............................................................... 2-2 2.5 – Sistema tegumentar.............................................................................. 2-3 CAPÍTULO 3 - AVALIAÇÃO INICIAL NO TRAUMA 3.1 - Abordagem inicial do trauma................................................................ 3-1 3.1.1 – Mecanismo da lesão................................................................... 3-1 3.1.2- Segurança do local....................................................................... 3-1 3.1.3 - Bio-proteção................................................................................ 3-2 3.1.4 – Número de vítimas..................................................................... 3-2 3.2 -Avaliação primária do trauma................................................................ 3-2 3.2.1 - Avaliação do nível de consciência.............................................. 3-3 3.2.2 - Avaliação e manutenção de vias aéreas com proteção cervical.. 3-4 3.2.3 - Avaliação da respiração.............................................................. 3-5 3.2.4 - Avaliação da circulação.............................................................. 3-6 3.2.5 - Exame físico............................................................................... 3-7 3.3 - Intervenções críticas e decisão de transporte........................................ 3-10 3.4 - Avaliação secundária de trauma........................................................... 3-11 3.4.1 - Registro....................................................................................... 3-11 3.4.2 - Obtenha um breve histórico da lesão ou trauma......................... 3-12 3.4.3 – Reavaliação................................................................................ 3-12 CAPÍTULO 4 - HEMORRAGIA 4.1 – Conceito............................................................................................... 4-1 4.2 – Generalidades....................................................................................... 4-1 4.3 – Classificação da hemorragia quanto a localização............................... 4-1 4.3.1 - Hemorragia externa.................................................................. 4-1 OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 V 4.3.2 - Hemorragia interna................................................................... 4-1 4.4 - Classificação da hemorragia quanto ao tipo do vaso rompido............. 4-1 4.4.1 - Hemorragia arterial................................................................... 4-1 4.4.2 - Hemorragia venosa................................................................... 4-2 4.4.3 - Hemorragia capilar................................................................... 4-2 4.5 - Conseqüências das hemorragias........................................................... 4-2 4.6 - Sinais e sintomas .................................................................................. 4-2 4.7 – Conduta................................................................................................ 4-3 4.7.1 - Conduta na hemorragia interna................................................ 4-3 4.7.2 - Conduta na hemorragia externa............................................... 4-3 4.8 - Tipos especiais de hemorragias............................................................ 4-7 4.8.1 – Hemoptise................................................................................ 4-7 4.8.2 – Hematêmese............................................................................. 4-7 4.8.3 – Epistaxe.................................................................................... 4-8 CAPÍTULO 5 - ESTADO DE CHOQUE 5.1 – Conceito............................................................................................... 5-1 5.2 - Principais causas do estado de choque.................................................. 5-1 a) Choque hipovolêmico.......................................................... 5-1 b) Choque cardiogênico........................................................... 5-1 c) Choque por vasodilatação....................................................seja administrado um tratamento adequado, a vítima evolui rapidamente para um estado de inconsciência e óbito. OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 6-2 No caso da vítima emitir sons, a obstrução não será completa, possibilitando assim, uma respiração suficiente para mantê-la viva, devendo ser estimulada a tossir e observada atentamente em suas tentativas de expelir o objeto. Caso apresente uma respiração ineficiente desde o início, ou haja a impossibilidade da desobstrução pela própria vítima, devem ser realizadas, pelo socorrista, manobras de desobstrução. 6.3.1.1 - Manobras para desobstrução de vias aéreas causada por corpo estranho Existem algumas manobras a serem utilizadas pelo socorrista ao se deparar com uma vítima que apresente uma obstrução de vias aéreas. São elas: 6.3.1.2 - Golpes dorsais Golpes nas costas ajudam a criar uma pressão no tórax que contribui para desobstruir as vias aéreas, devendo ser utilizado somente em bebês e crianças. Deve-se apoiar a vítima com a barriga para baixo, sobre o antebraço do socorrista, ficando a cabeça mais baixa que o tórax. Usando a base da mão livre, deverão ser dados alguns golpes dorsais na linha média das costelas, entre as saliências da escápula. 6.3.1.3 - Compressões abdominais (Manobra de Heimlich) Por meio de compressões abdominais, o socorrista cria uma pressão intratorácica, estimulando uma tosse artificial, o que poderá contribuir para a desobstrução, não devendo ser praticado em pacientes grávidas e em crianças. Se o paciente com uma obstrução de vias aéreas está consciente, o socorrista deverá: � Posicionar-se por trás do paciente; � Passar os braços por baixo das axilas do paciente; � Fechar uma das mãos e colocá-la na linha média entre o abdome e o tórax; � Espalmar a outra mão e colocá-la sobre a mão fechada aplicando uma compressão, como uma punhalada, para dentro e para cima do abdome. Repetir o procedimento até que as vias aéreas estejam desobstruídas ou até que o paciente se torne inconsciente. OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 6-3 Figura 6.2 � Caso o paciente com obstrução nas vias aéreas esteja inconsciente ou entrando no estado de inconsciência, posicioná-lo deitado e realizar a manobra ajoelhado ao seu lado. Figura 6.3 OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 6-4 Observações: Pode acontecer o caso da vítima sofrer edema das vias aéreas, como o que ocorre no caso de algumas queimaduras de face, ou como resultado de doenças ou lesões traumáticas. Nestes casos, em que há impossibilidade de respirar, uma das alternativas é a cricotireoidotomia, um procedimento médico. Uma forma ideal para eliminar a possibilidade de obstrução de vias aéreas pela própria língua, é fazer uso da “Cânula de Guedel”, também conhecida como Tubo de Mayo, conforme figura abaixo. Figura 6.4 6.4 - Insuficiência de oxigênio (O2) no ar Esta situação ocorre nos casos de pessoas submetidas a grandes altitudes e compartimentos não ventilados (como em certas dependências de bordo) onde o teor de oxigênio é menor e nos incêndios em compartimentos fechados, onde a formação de gases tóxicos reduz o oxigênio do ambiente, causando asfixia. 6.5 - Paralisia do centro respiratório As causas mais freqüentes desta situação são o choque elétrico e grande ingestão de álcool e / ou drogas, produzindo asfixia e parada respiratória. 6.6 - Compressão do tórax São situações em que os movimentos respiratórios são impedidos por forte pressão externa, como nos casos de soterramento. A morte por asfixia pode ocorrer mesmo com as vias aéreas desobstruídas. OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 6-5 O princípio básico do atendimento visa manter as vias aéreas permeáveis e, posteriormente, iniciar a respiração artificial, se necessário. 6.7 - Respiração artificial Quando executada a abertura das vias aéreas, o paciente ainda não apresentar respiração, será necessário instituir uma ventilação sob pressão positiva. Ventilar é insuflar ar nos pulmões. A ventilação é feita com o ar exalado pelo socorrista, que contém aproximadamente 16% de oxigênio, que é uma concentração menor que a do ar atmosférico, que possui 21%. As manobras de ventilação, sempre que possível, devem ser realizadas obedecendo aos critérios de proteção individual, devido aos riscos a que se expõe o socorrista. 6.7.1 - Ventilação Boca-a-Boca � Abra as vias aéreas utilizando a inclinação da cabeça (desde que descartadas todas as possibilidades de lesão cervical) ou execute a elevação da mandíbula modificada (recomendada para vítimas que sofreram algum trauma). � Pince as narinas do paciente. � Mantenha em posição próteses dentárias completas. � Remova próteses dentárias incompletas, que estejam deslocadas. � Aplique a boca sobre a da vítima. Figura 6.5 � Efetue duas ventilações completas com a duração aproximada de dois segundos (respirações rápidas causam distensão do estômago). OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 6-6 � Observe a expansão do tórax da vítima. � Efetue as ventilações posteriores em intervalos de cinco segundos no adulto, resultando na freqüência aproximada de 12 respirações por minuto. Observações: Parte do ar utilizado para a respiração artificial segue o caminho do esôfago, produzindo a distensão do estômago, situação que só será revertida caso venha a interferir na respiração, como acontece nos casos em que a vítima vomita, correndo o risco de broncoaspirar as secreções. O socorrista deverá estar monitorando a freqüência cardíaca pois, persistindo a parada respiratória, a situação evoluirá para uma parada cardiopulmonar, situação que trataremos a seguir. OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 7-1 CAPÍTULO 7 RESSUSCITAÇÃO CARDIOPULMONAR 7.1 - Conceito Ressuscitação Cardiopulmonar, ou RCP é um procedimento de emergência aplicado quando as atividades do coração e do pulmão param. Socorristas do mundo inteiro têm salvado incontáveis vidas utilizando este procedimento. É pouco provável que você tenha a oportunidade de realizar a RCP, porém, se a ocasião aparecer, saber o que fazer pode representar a diferença entre a vida e a morte para o paciente. 7.2 - Causas Podem ser divididas em dois grupos, e é de grande importância, pois a conduta do socorrista varia de acordo com a sua causa. a) Causas primárias Deve-se a um problema do próprio coração, causando uma arritmia cardíaca, geralmente a fibrilação ventricular. A causa principal é a isquemia cardíaca (chegada de quantidade insuficiente de sangue oxigenado ao coração). São as principais causas de parada cardíaca no adulto que não foi vítima de traumatismos. b) Causas secundárias A disfunção do coração é causada por problemas respiratórios ou por causa externa, e são as principais causas em crianças e vítimas de traumatismos. Podem ser causadas por: • Oxigenação deficiente: obstrução de vias aéreas • Transporte inadequado de oxigênio: hemorragia grave, estado de choque e intoxicação pelo monóxido de carbono. • Ação de fatores externos sobre o coração: drogas e descargas elétricas. 7.3 - Sinais e sintomas Durante a avaliação primária, assunto já abordado, poderemos constatar alguns sinais que nos indicarão a necessidade imediata de uma RCP. São eles � Ausência de pulso em grande artéria (principal sinal); � Ausência de respiração; OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 7-2 � Inconsciência; � Dilatação das pupilas; e � Aparência de morte 7.4 – Conduta • Para que os procedimentos de RCP sejam eficazes, a vítima deve ser posicionada sobre uma superfície plana e rígida em decúbito dorsal. A cabeça não deve ficar mais alta que os pés, para não prejudicar o fluxo sangüíneo cerebral. • Com a mão percorra todo o esterno até identificar o apêndice xifóide; • Coloque dois dedos acima do apêndicexifóide (atualmente utiliza-se também encontrar um ponto médio entre os mamilos); • Apóie a palma de uma das mãos sobre a metade inferior do esterno; • Coloque a outra mão sobre a primeira. Os dedos podem ficar estendidos ou entrelaçados, mas não devem ficar em contato com o esterno; • A compressão deve ser feita diretamente sobre o esterno. A força da compressão deve ser provida pelo peso do seu tronco e não pela força de seus braços; e • Inicie a RCP com duas ventilações completas, e logo após as massagens propriamente ditas. Observação: As massagens (compressões) cardíacas e as respirações (ventilações) devem ser combinadas para que a RCP seja eficaz. De modo geral, no paciente adulto, realiza- se 30x2 (trinta compressões para duas ventilações) fazendo aproximadamente de 2 a 3 ciclos para atingir um número de 100 compressões por minuto. Na impossibilidade de realizar as ventilações (ex: trauma de face, ausência de bio-proteção), o socorrista deverá executar apenas as compressões. 7.5 - Reavaliação • Verificar pulso carotídeo a cada 2 (dois) minutos. • Sendo a pulsação restaurada, verificar a eficácia da respiração. • Respiração presente: administrar oxigênio suplementar, se disponível, e observar o paciente. • Respiração ausente: manter a ventilação com a freqüência de 12/min com oxigênio suplementar, se disponível. OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 7-3 • Se pulso ausente, reiniciar a RCP. 7.6 - Interrupção da RCP a) Por ordem médica; b) Exaustão do socorrista; c) Restabelecimento dos sinais vitais (respiração e circulação); d) No START em vítimas com dificuldade de ressuscitação; e e) Quando local onde estiver sendo realizada a manobra deixar de oferecer segurança para a equipe e vítima. OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 8-1 CAPÍTULO 8 CHOQUE ELÉTRICO 8.1 – Conceito Descargas elétricas e a conversão destas em calor, durante a passagem pelos tecidos (órgãos, músculos, etc.), causam lesões graves podendo levar a morte da vítima. A severidade do trauma depende do tipo de corrente, da magnitude da energia aplicada, resistência, duração do contato e caminho percorrido pela eletricidade. A corrente de alta tensão geralmente causa danos mais graves, porém lesões fatais podem ocorrer mesmo com a baixa voltagem das residências. A PCR é a principal causa de óbito após um choque elétrico, podendo ocorrer parada respiratória causada pela passagem da corrente pelo cérebro, levando à inibição da função do centro respiratório, com conseqüente paralisia do diafragma. Podem ocorrer queimaduras, principalmente nas extremidades por terem menor diâmetro e resultarem num maior fluxo de corrente. Lembre-se que as queimaduras por choque elétrico são normalmente mais graves do que as por agentes térmicos em virtude da maior lesão muscular e pelo fato de não poder se estimar a área queimada (queimaduras “internas”). Podemos citar ainda as lesões secundárias causadas pela queda ou projeção da vítima contra superfícies rígidas 8.2 – Conduta a) A segurança na cena é prioridade. Desalimente a corrente elétrica, antes de tocar à vítima; b) Realize a avaliação do paciente (avaliação inicial); c) Execute a manobra de RCP (se necessário); d) Trate das possíveis lesões, ferimentos de entrada e saída da corrente elétrica; e e) Procure auxílio médico. OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 9-1 CAPÍTULO 9 AFOGAMENTO 9.1 – Conceito Trata-se de uma insuficiência respiratória aguda causada pela penetração de líquido nas vias aéreas. É uma forma de asfixia obstrutiva, sendo a prevenção o principal meio de redução de casos de afogamentos em crianças e adultos jovens. 9.2 - Tipos de afogamento Afogado molhado: está intimamente ligado a aspiração de líquido para os pulmões, reservando assim os piores prognósticos, responsável por 85% dos casos de afogamentos fatais. Afogado seco: Não apresenta aspiração pulmonar de líquidos em conseqüência ao espasmo da musculatura da laringe. Quando resgatados a tempo, as vítimas que não aspiram líquidos geralmente respondem melhor ao tratamento. 9.3 - Natureza do líquido Do ponto de vista prático, o meio em que ocorreu o afogamento (água doce ou salgada), para o socorrista, não é tão importante, pois o quadro apresentado pela vítima é idêntico em ambos os casos, uma vez que é pequena a quantidade de líquido aspirado. No entanto, é indispensável que o socorrista informe à equipe médica as características do meio (temperatura da água, condições de poluição, se doce ou salgada). 9.4 - Mecanismo do afogamento Salvo os casos em que a vítima encontra-se inconsciente, a maioria dos casos segue um padrão comum. Primeiramente surge um período de pânico em que a vítima tenta se manter em apnéia, enquanto tenta, desesperadamente, emergir. A ingestão de água é freqüente, sendo a causa de distensão gástrica e vômitos. A aspiração de quantidades variáveis de água deve-se a respirações involuntárias originadas da falta de oxigenação.O líquido, ao passar pela laringe, causa inicialmente um intenso laringoespasmo, visando não permitir a passagem de maiores quantidades. Alia-se a isto, o tempo de permanência em águas frias, ocasionando uma hipotermia, fator complicador em um afogamento. OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 9-2 9.5 – Sinais e sintomas � Cansaço muscular; � Frio; � Ansiedade; � Periférica; � Palidez; � Tremores; � Espasmos musculares; e � Vômitos e náuseas. 9.6 - Conduta Observar os procedimentos preconizados no atendimento inicial à vítima, detalhados no início deste manual. Em suma, deve-se aquecer o paciente, tranqüilizando-o. Observação por aproximadamente 2h. Cuidados especiais com idoso e aqueles com doença prévia. Já vítimas com sintomas mais graves, mantenha as vias aéreas livres, garantindo assistência respiratória, oferecendo O2 ou realizando respiração artificial, se necessário. Aquecer o paciente e procurar auxílio médico imediatamente. A incidência de óbitos chega a 44% dos casos. Como regra geral no atendimento ao afogado, não fazer compressão abdominal ou torácica para expelir a água aspirada. OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 10-1 CAPITULO 10 SÍNDROMES TÉRMICAS 10.1 - Hipertermia Diz-se que há hipertermia quando a temperatura corporal é superior a 37,2º C. Quando esta é maior que 40º C, podem ocorrer às síndromes de lesão pelo calor. Sendo ainda maior que 41º C, indica um mau prognóstico. Ocorre quando o principal mecanismo de perda de calor (evaporação do suor) está bloqueado. Nas síndromes de lesão pelo calor, ocorre freqüentemente falência de múltiplos sistemas, associada a significativas taxas de morbidade e mortalidade. Muitas vezes, vítimas com doenças causadas pelo calor precisam ser internadas em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Há dois tipos principais de lesão pelo calor: Insolação - é um estado em que ocorre uma súbita temperatura corporal, em conseqüência de uma ação prolongada dos raios solares diretamente sobre o indivíduo; e Intermação - estado decorrente da ação indireta do calor sobre o indivíduo, elevando a temperatura corporal Além da temperatura elevada, a umidade do ar, os exercícios físicos excessivos e a alimentação exagerada, representam outros fatores que contribuem para a instalação de uma síndrome hipertérmica. 10.1.1 – Sinais e sintomas � Pulsação forte e acelerada (podendo atingir 160 bpm), seguido por pulso rápido e fraco; � Respiração rápida e profunda, seguidas por respiração superficial; � Pele quente, seca ou úmida; � Severas câimbras musculares nas pernas e abdome; � Esgotamento, vertigem, fadiga; e � Súbita perda de consciência. OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 10-2 Observação: O espasmo doloroso dos principais grupos musculares é característico das câimbras pelo calor. Estas são vistastipicamente em atletas ou trabalhadores jovens, não aclimatados, que se exercitam excessivamente num clima quente. As vítimas queixam-se de náuseas, vômitos e fadiga, além de câimbras musculares, podendo ocorrer alterações no nível de consciência. O início dos sintomas ocorre geralmente algumas horas depois da vítima ter sido submetida aos fatores que acarretam a síndrome. 10.1.2 - Conduta O objetivo principal do tratamento é a redução da temperatura corporal, evitando danos cerebrais e até mesmo a morte. • Afrouxe as roupas da vítima; • Coloque-a em um local fresco e arejado; • Resfrie a vítima de qualquer maneira (a temperatura corporal deve ser abaixada rapidamente), utilize compressas frias ou gelo (nas axilas, punhos, virilhas e pescoço da vítima); • Eleve as pernas da vítima ou mantenha a cabeça dela mais baixa que o nível do corpo; e • A encaminhe para avaliação médica, caso as medidas acima não surtam efeito. 10.2 – Hipotermia e Congelamento O esfriamento geral do corpo humano é conhecido como hipotermia. A exposição ao frio reduz a temperatura do corpo, com o tempo ele fica incapaz de manter sua temperatura interna. Já o congelamento é uma severa forma de resfriamento local, com a exposição ao frio seco, ou seja, aquele que atinge temperaturas muito baixas. A pele e as camadas inferiores dos tecidos são congeladas, causando lesões profundas. 10.2.1 – Sinais e sintomas � Calafrios; � Sensação dormência nos membros; � Respiração e pulso no inicio da exposição são rápidos e lentos quando expostos por muito tempo; e OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 10-3 � Pele da face, orelhas e dedos inicialmente ficam vermelhos e depois se tornam cianóticos ou esbranquiçados, por fim, evoluem para cinza-azulados 10.2.2 – Conduta • Retire a vítima do frio, levando-a para um local com ar quente e retire as roupas molhadas; • Aqueça rapidamente as extremidades afetadas, tendo o cuidado para não queimar os tecidos dormentes, a temperatura ideal varia entre 33º C à 34º C; • Oriente a vítima para movimentar as extremidades, visando um aquecimento natural pelo maior fluxo de sangue, quando se tratar de hipotermia. Nos casos de congelamento, não faça massagens ou movimentos, simplesmente imobilize e cubra o local; e • Se a vítima estiver consciente, você poderá oferecer bebidas quentes como achocolatados que auxiliam na recuperação do calor. Não ofereça bebidas alcoólicas ou cafeinadas, elas podem provocar vasoconstricção e restringir o fluxo de sangue às regiões afetadas. OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 11-1 CAPÍTULO 11 QUEIMADURAS 11.1 - Conceito Queimadura é uma lesão produzida no tecido de revestimento do organismo por agentes térmicos, produtos químicos, radiação ionizante, etc. A pele tem por finalidade a proteção do corpo contra invasão de microrganismos, a regulação da temperatura do organismo através da perda de água para o exterior e a conservação do líquido interno. 11.2 - Classificação das queimaduras As queimaduras se classificam pela sua profundidade, extensão e localização anatômica e as relações entre estes fatores determinam sua gravidade. 11.2.1 - Quanto à profundidade a) Queimaduras de 1º grau Atinge somente a epiderme e são as mais comuns. Uma queimadura de 1º grau, geralmente, deixa a pele avermelhada, provocando ardor e ressecamento. Este tipo de queimadura nem sempre é grave. Porém, se ela atingir uma grande extensão do corpo, poderá agravar o estado da vítima. A queimadura de 1º grau é produzida geralmente por exposição prolongada à luz solar ou por contato breve com líquidos ferventes. b) Queimaduras de 2º grau Figura 11.1 OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 11-2 As queimaduras de 2º grau são aquelas que atingem camadas um pouco mais profundas da pele, atingindo a epiderme e a derme. Caracterizam-se pela formação de bolhas (flictenas) e desprendimento das camadas superficiais da pele com a formação de feridas avermelhadas que são muito dolorosas. São geralmente produzidas por contato ou imersão em líquidos ferventes, chamuscamento por explosões (álcool, gasolina e gás) e por substâncias cáusticas (ácidos, removedores, detergentes, tintas, etc.). Essas queimaduras são mais graves que as de 1º grau porque aumentam sensivelmente a possibilidade de infecção, além de permitir extravasamento de líquidos corporais. c) Queimaduras de 3º grau. Figura 11.2 As queimaduras de 3º grau são aquelas em que todas as camadas da pele são atingidas, podendo ainda alcançar os músculos e ossos. Estas queimaduras apresentam-se secas, esbranquiçadas ou de aspecto carbonizado (preto). A pele se assemelha ao couro, diferentemente da superfície macia das queimaduras de 1º e 2º graus. Os locais com queimaduras de 3º grau não são muito dolorosos, pois há destruição das terminações nervosas, que transmitem a sensação de dor. A dor normalmente é provocada por queimaduras de 1º e 2º graus associadas. Este tipo de queimadura é produzida normalmente por contato direto com chamas, líquidos inflamáveis ou eletricidade, sendo, portanto, as mais graves e por isso representa sério risco de vida para a vítima, sobretudo se atingirem grandes extensões do corpo. OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 11-3 11.2.2 - Quanto à extensão Para calcularmos, em um adulto, a percentagem aproximada de superfície de pele queimada, levamos em conta os seguintes dados, considerando as partes em relação ao todo: Figura 11.2 Nota: Como sabemos, nem sempre a queimadura se apresenta de forma que possamos calcular a área queimada utilizando a regra dos nove. Para tanto, podemos realizar a mensuração da queimadura usando a palma da mão da vítima (sem os dedos) que corresponde a 1% da SCQ. De uma forma geral, será considerado um grande queimado todo adulto que tiver um comprometimento de 15% ou mais de superfície corporal queimada. 11.2.3 - Quanto à localização anatômica Pacientes com queimaduras de face, mãos, pés, períneo ou vias aéreas apresentam maior probabilidade de morte em pouco tempo, bem como uma maior incidência de seqüelas, classificando assim a queimadura como grave. OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 11-4 11.3 - Conduta • Examine seu paciente retirando ou cortando suas roupas, não devendo ser retiradas às partes que, eventualmente, estejam aderidas à pele. • Retire anéis e pulseiras da vítima, para não estrangularem as extremidades dos membros, devido ao edema (inchaço) que possa ocorrer. • Lave sempre as mãos antes de lidar com uma queimadura. Isto ajuda a prevenir uma possível infecção. • Resfrie o local da queimadura com água fria, soro fisiológico ou compressas frias úmidas. Este procedimento visa reduzir a temperatura no local do ferimento, interrompendo assim o processo de queimadura. • Nunca fure as bolhas nem toque na parte queimada, pois isso poderá provocar uma infecção. • Não aplique nenhuma substância ou remédio sobre a queimadura. Este procedimento será realizado em uma enfermaria ou hospital sob orientação médica. • Proteja a queimadura com um curativo ou pano limpo. • Ofereça água para hidratar a vítima, caso esta esteja consciente. • Procure auxílio médico. OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 12-1 CAPÍTULO 12 FERIDAS 12.1 – Conceito São lesões em que há rompimento dos tecidos (solução de continuidade) 12.2 - Classificação das feridas: a)Quanto ao tempo: • Agudas – que se instalam recentemente. • Crônicas – instaladas há mais tempo, sem tendência a cicatrização. b) Quanto ao objeto causador: • Incisivas ou cortantes – causadas por objetos de corte (lâminas, facas, navalhas, vidros, etc.), apresentando bordos regulares; sangram e são doloridas, porém de fácil cicatrização. • Contusas – Causadas por objetos contundentes (martelo, pedra, etc.),apresentam bordos irregulares. • Punctórias ou punctiformes – produzidas por objetos de ponta (prego, agulhas, etc.). • Lacerativas ou por arrancamento – quando houver perda de substância, pela atuação de forma violenta do agente traumático. c) Quanto ao caminho percorrido pelo agente físico: • Transfixantes – é quando os tecidos são atravessados em toda a sua espessura pelo agente traumático, havendo um orifício de entrada e um de saída. • Penetrantes – o agente causal penetra em uma cavidade fechada do organismo como a abdominal, torácica ou craniana, provocando lesões em tecidos ou órgãos internos. • Perfurante – o agente apenas perfura alguma parte do organismo humano, mas sem atingir cavidades ou órgãos internos. 12.3 - Conduta O tratamento das feridas deverá ser feito nas primeiras seis (6) horas após o traumatismo. Na realidade, a ação de um socorrista se limita a conter uma hemorragia ativa e proteção do ferimento. As feridas se fecham, ou melhor, se curam, pela cicatrização induzida ou não. OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 12-2 12.4 - Tipos especiais de feridas 12.4.1 - Feridas com objetos fixados ao corpo Nunca tente retirar um objeto fixado ao corpo de um acidentado, pois tal procedimento agrava a lesão podendo causar hemorragia interna de difícil controle. Um objeto de tamanho moderado pode dificultar o transporte da vítima devendo, neste caso, ser cortado e fixado, pois um aparente pequeno movimento pode ter projeções bem maiores na extremidade interna ao corpo. 12.4.2 - Ferida penetrante de tórax Este tipo de ferimento é considerado grave, pois envolve uma área de importância vital para a vítima por conter órgãos como o pulmão, coração, artérias de grande calibre, etc., que se lesionados podem levar ao óbito em poucos minutos. Alguns pontos importantes devem ser observados: • Realize um curativo de três pontas que possibilite a saída de ar por ocasião da inspiração e sirva como tamponamento quando da expiração. • Faça uma rigorosa inspeção à procura de outros ferimentos, bem como de um orifício de saída. • Lembre-se, este é um paciente grave, que necessita urgentemente de cuidados médicos. Figura 12.1 12.4.3 Ferida abdominal com evisceração Este ferimento consiste da saída das vísceras, em geral das alças intestinais, de sua cavidade normal após um trauma. Alguns pontos importantes devem ser observados: • Não tente repor as vísceras ao lugar de origem. • Flexione as pernas da vítima, o que reduz a tensão abdominal. OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 12-3 • Envolva as vísceras com bandagens largas umedecidas com soro fisiológico ou água potável. • Lateralize a vítima para o lado contra-lateral ao ferimento (posição fetal). OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO ORIGINAL 13-1 CAPÍTULO 13 TRAUMATISMOS CRÂNIO ENCEFÁLICO E RAQUI-MEDULAR 13.1.1 – Generalidades do TCE Os TCE são as principais causas de óbitos nas vítimas de acidentes automobilísticos, compreendendo uma faixa etária entre 15 e 24 anos. Outras causas são a violência, os acidentes de trabalho e os desportivos. Os traumatismos da cabeça podem envolver, isoladamente ou em qualquer combinação, o couro cabeludo, crânio e encéfalo. Estes, quando não levam a morte, podem causar seqüelas graves, incompatíveis com a vida produtiva. Sendo este assunto potencialmente vasto e complexo, nosso objetivo é traçar uma linha de ação que vise manter a vítima com vida, atenuando possíveis seqüelas, até que se encontre sob cuidados médicos específicos. 13.1.2 - Lesão de couro cabeludo Podem causar hemorragias importantes devido a sua intensa vascularização. Por vezes podem causar choque em crianças, mas nunca em adultos. 13.1.3 - Fraturas de crânio As fraturas de crânio não implicam, necessariamente, em presença de lesão encefálica, mas indicam a severidade do trauma. Podem ser classificadas em: • Fraturas simples (ou lineares) • Fraturas abertas • Fraturas deprimidas • Fraturas de base de crânio 13.1.4 - Lesões cerebrais O TCE inclui um amplo espectro de alterações patológicas com graus variáveis de severidade. Estas lesões podem apresentar danos diretos, como os que ocorrem nos traumatismos penetrantes, ou danos indiretos, ocasionado por aceleração-desaceleração (forma mais comum). OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO ORIGINAL 13-2 13.1.5 - Avaliação e intervenções pré-hospitalares • Observe os pontos abordados em avaliação do trauma, assunto já abordado anteriormente. • Observe o mecanismo da lesão • Esteja atento ao nível de consciência • Mantenha a permeabilidade das vias aéreas • Observar cuidados adicionas com a coluna cervical. De 5 a 10% dos casos, há lesão. • Mantenha os padrões respiratórios com administração obrigatória de oxigênio. • Esteja atento a sinais que indicam fraturas de crânio como otorragia (sangramento pelos ouvidos), rinorragia (sangramento pelas narinas) e olhos de guaxinim (hematoma em torno dos olhos). • Estado de choque deve sugerir sangramento abdominal ou torácico, pois é um evento terminal no TCE. • Esteja atento e preparado para possíveis episódios de vômito, muito comuns nestes casos. • Procure atendimento médico o mais breve possível. Observações: • A anisocoria é um sinal de lesão cerebral grave com possível indicação de cirurgia. • A midríase bilateral fixa (pupilas não fotorreagentes) indica hipóxia cerebral. Anisocoria Midríase Figura 13.1 13.2.1- Generalidades do TRM O traumatismo da coluna vertebral e da medula espinhal é denominado traumatismo raquimedular (TRM). A maioria dessas lesões é causada por acidentes automobilísticos, quedas, acidentes desportivos, principalmente, mergulhos em águas rasas e ferimentos por arma de fogo. OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO ORIGINAL 13-3 Lesões ósseas vertebrais podem estar presentes sem que haja lesões de medula espinhal aparente, por isso a vítima deve ser imobilizada quando há qualquer suspeita de lesão de coluna, protegendo a medula de ser lesada com a mobilização inadequada. Tal imobilização deve ser mantida em uma maca de policarbonato, com imobilizadores até ser, afastada (radiologicamente) qualquer suspeita de fraturas ou luxações. 13.2.2- Sinais e Sintomas (dependem do nível da lesão e do comprometimento neurológico) � alterações motoras: perda da força muscular (paralisias) ou apenas diminuição de força muscular (paresias); � alterações sensitivas: ausência de sensibilidade (anestesia), diminuição da sensibilidade (hipoestesia) e formigamento ou dormências (parestesias). Para avaliar melhor sua vítima consciente você deve: � Solicitar que movimente suas extremidades, para testar sua força muscular, sempre comparando um lado com o outro e nunca movimentando membros fraturados. � Testar a sensibilidade sempre em sentido ascendente e comparando um lado com o outro. Para testar a sensibilidade, pode-se usar o objeto pontiagudo ou mesmo uma gaze, perguntando a vítima se está sentido o objeto, caso contrário, testar mais acima até o momento em que a mesma comece a sentir o toque do objeto, dessa forma consegue-se localizar o nível da lesão (lombar, torácica ou cervical). Observação: Nas vítimas inconscientes, lesões de coluna cervical podem levar à parada respiratória, devido à paralisia da musculatura respiratória (o diafragma). Neste caso, o socorrista deve estar muito atento se a vítima está apresentando hipoventilação. Nas luxações cervicais, pode ocorrer desvio cervical com torcicolo, não se deve tentar corrigir este desvio com rotação para a colocação do colar cervical. 13.2.3- Conduta a) Proceda a avaliação inicial e exame primário da vítima; OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO ORIGINAL 13-4 b) Atente para prevenção do agravamento de lesões jáexistentes (devido ao manuseio inadequado); b).Aplique colar cervical ou improvise uma imobilização do pescoço, utilizando materiais como cobertor e tala de papelão. c) Prenda a vítima na maca rígida (recomendada a prancha de policarbonato) utilizando o imobilizador lateral de cabeça; e d) Transporte imediatamente para o hospital mais próximo. OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 14-1 CAPÍTULO 14 TRAUMATISMOS MÚSCULO-ESQUELÉTICOS 14.1 - Generalidades Nunca deixe que extremidades deformadas ou feridas ocupem sua atenção quando houver lesões que ameacem a vida. Estas lesões são fácies de identificar ao primeiro contato com o paciente e raramente apresentam risco de vida imediato. É importante rever os passos iniciais de atendimento ao acidentado (avaliação primária de trauma) e só então se preocupar com o tratamento ou imobilização dessas lesões. O Choque Hipovolêmico é um perigo em potencial em poucas lesões músculo- esqueléticas. Somente a laceração direta de artérias, como a que ocorre nas amputações traumáticas e as fraturas de pelve e / ou de fêmur se associam comumente com suficiente sangramento para causar um estado de choque. As lesões dos nervos e vasos sangüíneos que nutrem os pés e as mãos são as complicações mais comuns de fraturas, entorse e luxação. Sendo assim, a avaliação da sensibilidade e da circulação distal de tais lesões é de suma importância. 14.2 – Fratura 14.2.1 - Conceito Fratura é a ruptura de um osso. Esta ruptura pode ser completa, isto é, abranger toda a espessura do osso, ou incompleta, quando só compreende uma parte do mesmo. Fratura incompleta pode ser uma simples FISSURA (rachadura). Uma fratura recebe o nome de SIMPLES OU FECHADA , sempre que os ossos não perfurarem a pele. Já quando o osso fraturado entra em contato com o meio externo, seja através do ferimento causado por suas arestas irregulares, seja através de um trajeto que permita que o osso entre em contato como o meio, recebe o nome de EXPOSTA OU ABERTA . OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 14-2 Fratura Exposta Fratura Simples Figura 14.1 14.2.2 - Classificação quanto à origem a) Traumática – quando originada por um agente traumático (acidente). b) Patológica – é aquela em que o traço de fratura surge sem a presença do traumatismo, podendo ser mediante a uma enfermidade. Ex. raquitismo, osteomielite, osteoporose, etc. 14.2.3 - Sinais e sintomas � Dor intensa; � Edema (inchação) no local que poderá ter a cor arroxeada quando ocorrer rompimento de vasos e acúmulo de sangue sob a pele; � Impotência funcional ou incapacidade ou limitação dos movimentos; e � Crepitação. 14.2.4 - Conduta • Mantenha o membro fraturado na posição mais natural possível, sem causar desconforto para a vítima; • Improvise talas com o material disponível no momento: revista grossa, madeira ou galhos de árvore; OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 14-3 • Acolchoe as talas com panos ou qualquer outro material macio, afim de não ferir a pele. Utilize talas que ultrapassem as articulações acima e abaixo da fratura e sustentem o membro atingido; • Amarre as talas com tiras de pano em torno do membro fraturado. Não amarre no local da fratura. Sempre que imobilizar um membro fraturado, deixe os dedos livres para verificar qualquer alteração. Estando eles inchados, roxos ou adormecidos, as tiras devem ser afrouxadas; e • No caso de fratura exposta, proteja o ferimento com gaze ou pano limpo antes de imobilizar, a fim de evitar a penetração de poeira ou qualquer outra substância que favoreça uma infecção. Observações: Algumas fraturas são ditas “especiais” por trazerem consigo complicações que podem agravar muito o estado da vítima. Podemos citar a fratura da coluna vertebral que poderá causar lesões na medula espinhal cujas conseqüências vão de paralisia até a morte. Especial atenção deve ser dada ao transporte desse tipo de vítima, o que será abordado em outro capítulo. Não menos importante, temos a fratura de crânio onde bem pouco se pode fazer num primeiro momento. Nestes casos o que o paciente mais precisa é de atendimento médico de urgência. Um outro tipo de fratura especial é a fratura da pelve ou bacia, que trás consigo a possibilidade de uma grande hemorragia interna (cerca de 500ml/minuto), podendo levar a vítima ao estado de choque em pouco tempo. O mesmo ocorre nas fraturas bilaterais de fêmur. Nunca tente repor o osso ao seu local de origem, em uma fratura exposta. Esteja atento aos sinais de insuficiência circulatória e a perda de sensibilidade nas extremidades de um membro fraturado. 14.3 - ENTORSE 14.3.1 - Conceito Os ossos do esqueleto humano estão unidos uns aos outros por meio dos músculos e as superfícies de contato são mantidas umas às outras através de ligamentos. Quando um ângulo de determinado movimento é excedido, pode ocorrer um estiramento ou até mesmo uma ruptura dos ligamentos daquela articulação, ou seja, uma OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 14-4 entorse, que é a perda momentânea das superfícies articulares com lesão das partes moles. 14.3.2 - Sinais e sintomas � Dor intensa na articulação afetada; � Edema; � Equimose (pontos avermelhados) causada por rompimento de pequenos vasos sangüíneos, que evolui para manchas arroxeadas; e � Impotência funcional. 14.3.3 - Conduta • Gelo ou compressas frias (sem restrição), protegendo a pele para evitar lesões causadas pelo frio; • Imobilização da área afetada; e • Encaminhamento para avaliação médica. Observações: Onde há uma entorse, pode haver uma fratura. Trate como tal. Não permita que outras pessoas movimentem ou “puxem” a articulação afetada. 14.4 - Luxação 14.4.1 - Conceito Lesão em que as superfícies articulares deixam de se tocar de forma permanente, podendo ser completa, quando há separação total das superfícies articulares, ou incompleta, quando a articulação ainda mantém algum ponto de contato. Figura 14.3 OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 14-5 14.4.2 - Classificação quanto à origem • Traumática – Ocorre após um trauma ou um movimento extremo. • Patológica – Ocorre devido a algumas doenças que acometem as articulações. • Congênita – Ocorre durante a gestação. 14.4.3 - Sinais e sintomas � Dor intensa; � Deformidade ao nível da articulação; � Perda da mobilidade; � Impotência funcional; e � Equimose. 14.4.4 - Conduta • Gelo ou compressas frias (sem restrição). Tenha cuidado quanto às lesões causadas pelo frio; • Imobilize apenas a área afetada; e • Encaminhe a vítima para avaliação médica. Observação: Não tente reduzir (“colocar no lugar”) a luxação. Isso pode agravar ainda mais a patologia, além de causar grande dor. Poderá haver fratura combinada com a luxação. Trate como se fosse uma fratura. A maioria das luxações não ameaça a vida, porém são verdadeiras emergências pelo comprometimento neurovascular que pode até conduzir a uma amputação da extremidade afetada, se não tratado rapidamente. 14.5 - Distensão 14.5.1 - Conceito É uma laceração (estiramento ou ruptura) parcial ou total do músculo, do tendão ou de ambos. Os principais sintomas são a dor e a limitação de movimentos. OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 14-6 14.5.2 - Sinas e sintomas � Dores no músculo ou tendão lesionado; � Fraqueza do membro; e � Tumefação ao nível da ruptura, caso ocorra. 14.5.3 - Conduta • Não há necessidade de fazer imobilização, porém aconselhe a vítima à não executar movimentos bruscos ou forçar o músculo afetado; • Aplique gelo ou compressas frias; e • A não ser em casos de traumatismos sem importância, o paciente deverá ser examinado por um médico na primeira oportunidade.14.6 - Contusão 14.6.1 - Conceito É uma lesão de tecidos moles, produzida pela força de uma pancada (soco, batida, queda). 14.6.2 - Sinais e sintomas: � Dor; � Equimose; e � Hematoma. 14.6.3 - Conduta: • Aplicar compressa de gelo no local; • Colocar o paciente em posição confortável. OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 15-1 CAPITULO 15 IMOBILIZAÇÕES 15.1 - Generalidades Com o propósito de conter os movimentos e estabilizar um determinado seguimento, as imobilizações podem ser realizadas por talas ou bandagens, improvisadas ou não. Como socorrista, sua prioridade será detectar e controlar os problemas que possam ameaçar a vida da vítima. As lesões de extremidades serão atendidas ou imobilizadas num segundo momento, uma vez que seu paciente esteja estável. Lembre-se: nunca atrase a remoção de um paciente grave em função de uma imobilização de uma extremidade. 15.2 - Regras para imobilização Sempre que for necessário realizar uma imobilização, o socorrista deverá atentar para os seguintes pontos: • Tranqüilize a vítima, explicando o que será feito; • Remova ou recorte as roupas do paciente para que o local da lesão seja exposto; • Remover jóias que possam comprometer a circulação em caso de edema; • Cuide das lesões abertas controlando hemorragias presentes e protegendo-as com bandagens estéreis; • Realinhe para a posição anatômica um membro com desvio, facilitando assim sua imobilização. Caso haja resistência, imobilizar na posição encontrada; • Acolchoe imobilizadores e talas para evitar ferimentos em pontos de pressão com a pele. • Não tentar reduzir fraturas ou luxações; • Verifique pulso distal e sensibilidade antes e depois da imobilização. Caso o pulso esteja ausente, reposicione ou afrouxe os imobilizadores; • Imobilize as articulações proximais (acima) e distal (abaixo) à lesão, nos casos de fraturas e somente a articulação afetada quando se tratar de entorse ou luxação; • Deixe as pontas dos dedos expostas, permitindo a observação da circulação; e OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 15-2 • Eleve a extremidade lesada após a imobilização, se possível. 15.3 - Materiais utilizados na imobilização • Bandagens – Muitas vezes tornam-se a única opção pré-hospitalar para imobilização de alguns tipos de fraturas como de clavícula, úmero e escápula, podendo ser utilizadas na forma de tipóia. Figura 15.1 • Talas rígidas – Podem ser de madeira, alumínio, papelão ortopédico, arame ou plástico, sendo facilmente adaptadas ou improvisadas. Figura 15.2 • Talas infláveis – Indicadas na imobilização de antebraço e pernas. São de fácil manuseio e transporte, permitindo realizar hemostasia por compressão. OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 15-3 Figura 15.3 15.4 - Técnicas de imobilização É importante que o socorrista entenda que não poderá ter habilidade em imobilização apenas lendo. Por este motivo reservamos para a parte prática dos cursos e adestramentos a familiarização, bem como o uso da técnica na utilização de imobilizadores e talas nas lesões mais comuns. OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 16-1 CAPITULO 16 TRANSPORTE DE FERIDOS 16.1 – Conceito Há momentos em que você deverá transportar uma vítima. Essas situações são chamadas de emergência. Vários tipos de transporte podem ser utilizados no atendimento a vítimas de trauma ou emergência clínica, porém você não deve retardar o transporte em função da inexistência ou demora na chegada da maca. Improvise uma maca ou faça o transporte sem ela (tome cuidado de avaliar a real necessidade de mobilizar a vítima). 16.1.2 – Transporte com maca Você deverá familiarizar-se com as macas disponíveis em seu local de trabalho, pois um transporte mal realizado pode resultar em risco para o paciente. É de sua responsabilidade a segurança da vítima durante seu translado, bem como a reavaliação constante de seu estado geral até chegarem a um centro médico. Os tipos de macas existentes a bordo são Prancha longa para resgate; OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 16-2 Neil-Robertson; Off-Shore; Stokes; e OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 16-3 Campanha. 16.1.2 – Transporte sem maca Existem várias maneiras de se transportar uma vítima, de forma segura, sem a utilização de uma maca. Veja algumas delas: • Transporte de apoio Utilizado quando paciente não conseguir caminhar sozinho, sem um apoio. Fique ao lado da vítima, coloque o braço da vítima sobre o seu pescoço e a segure pela cintura. Você poderá utilizar outra pessoa para lhe ajudar. OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 16-4 • Transporte com levantamento de bombeiro Utilizado para fazer uma extricação rápida de ambientes inóspitos. a) Inicie o levantamento flexionando as pernas da vítima; b) Pegue-a pelos punhos e ponha uma de suas pernas entre as pernas dela; c) Levante a parte superior do corpo da vítima. Abaixe-se um pouco para deixar seu ombro posicionado na altura da cintura dela. Em seguida, puxe-a para cima de seus ombros. Lembre-se de segurar um dos punhos; e d) Coloque o seu braço entre as pernas da vítima e segure-a por uma coxa. A vítima será carregada no seu ombro. • Transporte com a vítima pendurada Também pode ser utilizado para extricação rápida. OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 16-5 • Levantamento pelos membros Utilizado para vítima em emergência clínica que não tenha traumas: craniano, no pescoço, na coluna vertebral, no ombro ou no joelho. a) Você deverá se ajoelhar atrás da cabeça da vítima, colocando suas mão em baixo dos ombros. Peça para o seu ajudante posicionar-se aos pés da vítima e segurar os punhos dela, enquanto você a segura pelos ombros; b) Deslize seus braços por baixo das axilas da vítima e pegue os punhos dela. Depois, peça para seu ajudante agachar-se de costas e pegar as pernas da vítima por trás dos joelhos; c) Oriente seu ajudante para que ambos façam o movimento de levantar ao mesmo tempo. • Levantamento direto do solo ou em bloco OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 16-6 Transporte não utilizado para vítimas com traumas ou possíveis lesões na coluna espinhal (principalmente a cervical). Deve-se utilizar no mínimo três pessoas para realizar este procedimento. a) A vítima deverá estar deitada de barriga para cima, com os braços dobrados sobre o tórax. Você e seus ajudantes devem estar alinhados, lado a lado. Você será o responsável pela estabilização e mobilização da cabeça da vítima, os demais deverão estar distribuídos uniformemente. Cada um deve colocar um joelho no chão (sendo o mesmo para todos); b) Sob o seu comando, todos devem levantar a vítima de chão, até a altura dos joelhos; c) Novamente, sob seu comando, todos devem trazer a vítima contra o peito; e d) Sob seu comando, todos devem ficar de pé. OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 17-1 CAPITULO 17 TRIAGEM EM ACIDENTES COM MÚLTIPLAS VÍTIMAS 17.1 - Generalidades Todo sistema organizado para atendimento às emergências deve ter um plano estabelecido para fazer frente a um acidente com múltiplas vítimas. Este plano deve estabelecer a forma mais eficiente de oferecer, simultaneamente, socorro a todos os acidentados, o que muitas vezes, por alguns minutos ou eventualmente horas, isto não é possível. Na impossibilidade, a primeira equipe que chegar ao local deve iniciar um processo chamado “Triagem de Vítimas”. 17.2 - Conceito Triagem é a classificação das vítimas em categorias, levando em conta não só agravidade, mas também o tempo que poderá ser gasto no atendimento, uma vez que o número de vítimas exceda a capacidade de atendimento. 17.3 - Objetivos O objetivo é otimizar a ação do socorro, salvando o maior número possível de vítimas que, a partir da triagem, possam receber o atendimento em um local seguro. 17.4 – Processo de triagem Na cena do desastre, a triagem deve ser considerada um processo contínuo, ou seja, constantemente deve ser repetida em cada vítima, mesmo para as que já receberam um socorro inicial, pois a situação pode alterar-se e uma vítima considerada de baixa prioridade pode, em alguns minutos, necessitar de cuidados imediatos para que se mantenha viva. A princípio, vítimas são todas as pessoas envolvidas no acidente e não apenas as que apresentam lesões ou queixas. Observação: Este processo poderá ter sua ordem de prioridade invertida conforme a determinação do comando, se em estado de guerra ou necessidade imediata do ferido em sua função, sendo esta de vital importância, a qual garantirá a flutuabilidade e navegabilidade da embarcação. 17.5 - START (Simple Triage And Rapid Treatment) No processo de triagem, um dos métodos mais utilizados é o START que identifica as vítimas por cartões coloridos de triagem. OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 17-2 Observação: Na falta ou insuficiência dos cartões, a OM poderá providenciar a identificação dos locais onde as vítimas devem ser encaminhadas conforme os cartões que deveriam receber (Exp.: ÁREA DE ATENDIMENTO VERMELHA , ÁREA DE ATENDIMENTO AMARELA , ÁREA DE ATENDIMENTO VERDE E ÁREA DE ATENDIMENTO PRETA), predeterminando uma equipe (médico, enfermeiros ou socorristas) para executarem o atendimento. 17.5.1 - Cartão de triagem vermelho Cartão que indica primeira prioridade ou prioridade imediata. É utilizado em vítimas que requerem atenção imediata no local ou tem prioridade no transporte. Incluem-se: � Vítima com hemorragia externa importante. � Vítima que, encontrada em parada respiratória, respira após uma manobra de abertura das vias aéreas. � Vítima que respira com freqüência respiratória maior que 30 irpm. � Vítima que respira e apresenta enchimento capilar superior a 2 segundos ou ausência de pulso radial. � Vítima que respira com freqüência abaixo de 30 irpm, apresenta pulso radial e enchimento capilar em até 2 segundos, mas não responde a ordens simples. Observação: Estas situações geralmente correspondem a vítimas com traumas graves, dificuldade respiratória, trauma de crânio, hemorragia com choque, queimaduras severas, etc. 17.5.2 - Cartão de triagem amarelo Cartão que indica segunda prioridade ou prioridade secundária. O socorro deve ser rápido, devendo aguardar o atendimento de vítimas de maior gravidade. São vítimas sem indicativo de que virão a morrer nos próximos minutos se não forem socorridas. Devem ser incluídas, na categoria amarela, as vítimas que não se enquadrarem nos critérios anteriores, que não deambularem e que estejam orientadas, conseguindo cumprir ordens simples. OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 17-3 17.5.3 - Cartão de triagem verde Cartão que indica terceira prioridade ou prioridade tardia . É utilizado em vítimas deambulando, com lesões menores e que não requerem atendimento imediato. Não devem ser consideradas isentas de lesão. Apenas não são prioritárias naquele momento. 17.5.4 - Cartão de triagem preto Cartão que indica prioridade zero ou última prioridade . São vítimas consideradas em morte óbvia ou em grande dificuldade para reanimação. Neste último caso, só pode ser considerada cor preta se não houver socorristas suficientes. Caso haja, todo esforço deve ser feito para reverter o quadro da vítima, excetuando-se apenas aquelas em morte óbvia. Modelo de cartão: Frente Verso MARINHA DO BRASIL OM: HORA: ___:___ Data: __/___/__ NOME: Hora: Pulso: Resp.: HISTÓRICO: ____________________________________ ____________________________________ ____________________________________ ____________________________________ ____________________________________ ____________________________________ ____________________________________ ____________________________________ ____________________________________ ____________________________________ Pressão: / / / VERMELHO VERMELHO AMARELO AMARELO VERDE VERDE PRETO PRETO OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 17-4 17.5.5 - Fluxograma START Para a rápida e fácil aplicação do método START, podemos seguir o fluxograma abaixo. Lembramos sempre que um método perfeito não existe, sendo este fluxograma um modelo de linha de ação. Lembre-se que o bom senso deve ser seu guia quando da triagem de múltiplas vítimas, e que não existe “fórmula mágica” para enquadrar todo e qualquer tipo de situação. Aplique para cada vítima encontrada a seguinte seqüência, colocando a identificação de forma visível, mesmo as que não aparentem ter sofrido lesão alguma. VERDE SIM PRETA NÃO VERMELHA SIM RESPIRA APÓS ABRIR VIAS AÉREAS? NÃO VERMELHA CONTROLE HEMORRAGIA EC > 2Seg OU PULSO AUSENTE VERMELHA NÃO AMARELA SIM CUMPRE ORDENS SIMPLES? ESTADO DE CONSCIÊNCIA EC 30 RPM SIM RESPIRA? NÃO DEAMBULANDO? OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 18-1 CAPÍTULO 18 EMERGENCIAS CLÍNICAS 18.1 – Conceito As emergências clínicas abrangem um largo espectro de doenças e condições. Elas podem ser produzidas por micróbios, falência de órgãos (coração, pulmões) ou sistemas (respiratório, circulatório) ou por algum agente externo como substâncias tóxicas. No primeiro momento você deverá cuidar dos ferimentos da vítima, se existirem. Porém, o problema clínico da vítima deve ser identificado. A avaliação inicial, executada de maneira rápida, lógica e dirigida a uma suspeita da existência de uma emergência clínica, lhe ajudará a identificar o problema. Atente para os sinais e sintomas eles são os seus aliados. Sinais: são anormalidades que você detecta quando examina a vítima; e Sintomas: são anormalidades que a vítima relata. 18.2 – Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) Quando um tecido ou órgão recebe uma quantidade menor de sangue, portanto de nutrientes e oxigênio, ocorre uma alteração em seu metabolismo, ocasionando um evento denominado de ISQUEMIA. Caso este baixo fluxo de sangue persistir (exemplo: obstrução do vaso por arterosclerose), a isquemia evoluirá para necrose, ou seja, a morte do tecido, a qual denominamos de infarto. Quando o tecido afetado é o coração, dizemos que o miocárdio está infartando. Pode haver infartos em outros órgãos como cérebro, pele, pulmões, intestinos, etc, porém bem menos freqüentes. 18.2.1 - Sinais e Sintomas � Dor ou sensação de aperto, volume, peso, pressão ou esmagamento no peito. A vítima pode colocar a mão sobre uma área do peito, geralmente no ponto do desconforto. Às vezes, a dor não está no tórax, mas nos braços ou próxima à OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 18-2 mandíbula. Freqüentemente a dor se irradia do peito para o pescoço e braços, freqüentemente, o braço esquerdo, com duração superior a 20 minutos; � Sudorese; � Respiração rápida; � Náuseas, fraqueza; e � Inquietação. Observação: Muitas condições podem sugerir um “ataque cardíaco”, tais como: dores musculares no tórax, pneumonia, doenças digestivas como gastrite ou esofagite, etc. Como socorrista, você não está apto a distinguir estas diferenças e, portanto, não deverá tentar diagnosticar o problema. Isto é tarefa do médico. É melhor transportar todas as vítimas que apresentam este quadro e, descobrir que nem todas estavam infartando, do que achar que a vítima não está e privá-lo de atendimento adequado. 18.2.2 – Condutaa) Mantenha a vítima em repouso, evitando esforços desnecessários como caminhar, falar; b) Verifique as vias aéreas, respiração e pulsos. c) Afrouxe as roupas apertadas da vítima e, em caso de clima frio, cubra-a para conservar o calor do corpo; d) Verifique com a vítima (se estiver consciente) ou com alguém que a conheça, se ela tem problemas de coração e se faz uso de algum medicamento. Informe ao médico ou equipe de resgate (se em via pública) os dados que você colheu, com base nesses dados eles dirão o que você deverá fazer (se a vítima deverá ou não tomar o remédio usual); e) Esteja preparado para intervir em uma possível parada cardiorrespiratória; e f) Controle os sinais vitais da vítima enquanto aguarda remoção para o hospital. 18.3 - Acidente Vascular Cerebral (AVC) Se um vaso sangüíneo da irrigação cerebral é obstruído ou se houver rompimento, ocorre um derrame. Durante o derrame, o cérebro é danificado. A lesão acontece nas áreas OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 18-3 cerebrais que não recebem quantidade suficiente de oxigênio. Este dano pode ser suficientemente grande para causar a morte. Derrames são também chamados de acidente vascular cerebral (AVC). 18.3.1 - Sinais e Sintomas (vão variar de acordo com a região afetada no cérebro) � Dor de cabeça (pode ser o único sinal); � Adormecimento ou formigamento e paralisia (nas extremidades e/ou face); � Alteração do nível de consciência (confusão); � Dificuldade em falar e, eventualmente, em ver ou até respirar; � Síncope (desmaio); � Pupilas de tamanhos diferentes; e � Convulsão. 18.3.2 - Conduta a) Mantenha as vias aéreas livres ou permeáveis (esteja preparado para respiração artificial ou RCP), verifique respiração e pulsos; b) Mantenha a vítima em repouso com a cabeça, pescoço e ombros ligeiramente elevados; c) Não ofereça líquidos ou remédios por via oral; e d) Encaminhe o mais rápido possível para um hospital. 18.4 - Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) É uma doença caracterizada pela obstrução crônica (parcial e irreversível) das vias aéreas inferiores (traquéia e brônquios). Os pacientes com DPOC poderão desenvolver Bronquite Crônica ou Enfisema Pulmonar, ambas relacionadas à exposição à fumaça do tabaco. Normalmente, as vítimas portadoras de DPOC são de meia idade ou idosos. Crianças e adolescentes não terão DPOC, mas sim uma entidade clínica denominada de Asma, caracterizada pelas crises de falta de ar e chiado no peito. 18.4.1 - Sinais e Sintomas � Tosse persistente, preferencialmente, pela manhã. OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 18-4 � Dificuldade para respirar (dispnéia), cansando-se com facilidade. Às vezes a vítima inspira como que para tomar fôlego, com lábios contraídos, e tenta respirar melhor assumindo a posição sentada e erguendo-se com as mãos e cotovelos apoiados. Em estágios mais avançados, a vítima só consegue dormir na posição sentada. � Chiado no peito; � Pulso rápido e irregular; e � Coloração azulada da pele, lábios e unhas. 18.4.2 - Conduta a) Mantenha as vias aéreas livres ou permeáveis (tendo certeza que o quadro não é de origem obstrutiva pela língua da vítima ou outra obstrução mecânica), verifique respiração e pulsos; b) Afrouxe as roupas apertadas; c) Mantenha a vítima na posição mais confortável possível; e d) Encaminhe o mais rápido possível para um hospital. 18.5 - Hiperglicemia O alto nível de açúcar no sangue é conhecido por hiperglicemia. Esta se instala gradualmente, levando vários dias para se desenvolver, podendo, se não diagnosticada e tratada, ocasionar o coma diabético. Se um indivíduo diabético não receber insulina suficiente ou ingerir grande quantidade de açúcar (carboidrato) para ou se a diabetes não for diagnosticada, o coma diabético poderá se instalar. 18.5.1 - Sinais e Sintomas � Dificuldade respiratória – a vítima apresenta respiração rápida e profunda, suspirando freqüentemente e sua respiração apresenta odor doce ou de fruta (hálito cetônico) Observação: Só ofereça oxigênio para esta vítima quando orientado por um médico e tenha atenção para não exceder o volume recomendado. OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 18-5 � Pulso rápido e fraco; � Pele quente e seca; � Boca seca; � Olhos profundos; e � A vítima inicia um quadro de apatia, evoluindo para indiferença ao meio e entra num quadro de coma. Observação: Cuidado para não confundir este tipo de vítima com quadros compatíveis com embriaguez. Constate os sinais óbvios de abuso de bebidas alcoólicas, descartando o coma diabético. 18.5.2 - Conduta a) Mantenha a vítima deitada e pergunte-a (se estiver consciente) se é diabética, se tomou insulina ou se comeu recentemente; b) Esteja atento às vias aéreas e sua permeabilidade, verifique respiração e pulsos; c) Faça o exame físico para ter certeza dos sinais e sintomas; e d) Caso não tenha certeza se está diante de um quadro de coma diabético ou hipoglicemia, administre açúcar por meio de sucos ou refrigerantes. Para vítimas inconscientes, o açúcar pode ser administrado em porções em baixo da língua. 18.6 - Hipoglicemia O baixo nível de açúcar no sangue é conhecido por hipoglicemia. Este quadro se desenvolve em diabéticos que receberam insulina em excesso, ingeriram pouco alimento ou fizeram exercícios físicos exagerados, desencadeando um quadro clínico que se instala rapidamente. 18.6.1 - Sinais e Sintomas � Respiração de normal a superficial e sem odores; � Pulso rápido; � Pele pálida, pegajosa, úmida e fria; � A vítima pode se tornar desorientada e desenvolver convulsões e coma; OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 18-6 � Vertigem; e � Dor de cabeça. 18.6.2 - Conduta a) Mantenha a vítima deitada; b) Verifique as vias aéreas, respiração e pulsos. c) Dê açúcar sob a forma de sucos, refrigerantes, balas, chocolates, mel, etc. Lembre-se de não dar líquidos à vítima inconscientes; e c) Solicite ajuda médica o quanto antes. 18.7 - Abuso de Álcool e Drogas Em todas as situações que envolvem vítimas sob influência de álcool ou drogas, avalie inicialmente o local. Sua segurança é o mais importante. Ao considerar que você poderá aproximar-se da vítima, informe-o do que você quer e o que pretende fazer antes do inicio do seu procedimento (avaliação inicial). Você poderá modificar seu modo de aproximação e suas técnicas de comunicação para que possa determinar se a situação é uma emergência clínica ou um trauma. Poderá ser difícil executar o exame físico detalhado ou qualquer procedimento, até que você consiga acalmar a vítima e conquistar sua confiança. O abuso de álcool ou qualquer outra droga pode conduzir a enfermidades, acidentes, envenenar o corpo (overdose), determinar comportamento anti-social e morte. Uma pessoa sob influência do álcool ou drogas pode se ferir e ferir outras pessoas direta ou indiretamente. 18.7.1 - Sinais e Sintomas Os sinais e sintomas podem varia de indivíduo para indivíduo e o tipo de substância usada. OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 18-7 a) ÁLCOOL Odor característico no hálito ou suas roupas; falta de equilíbrio; náuseas; vômitos; suor e queixa de calor. b) ALUCINÓGENOS LSD , Maconha , Haxixe Pulso rápido, pupilas dilatadas e face úmida; a vítima relata “ver coisas” e “ouvir vozes ou sons” que não existem; ansiedade e medo; agressividade aliada à tentativa de fuga. c) NARCÓTICOS Ópio, Heroína , Morfina, Meperidina Pulso e respiração diminuídos; temperatura corporal baixa; pupilas diminuídas; músculos relaxados; sudorese intensa; sono, falta de vontade para fazer qualquer coisa; em “overdose” poderá haver coma e parada respiratória. d) ESTIMULANTES Anfetaminas, Cocaína , CRACK Excitação; pulso e respiração aumentados; fala rápida; boca seca; pupilas dilatadas; sudorese; erelato de estar sem dormir por muito tempo. 18.7.2 - Conduta a) Conquiste a confiança da vítima e se mantenha alerta; b) Monitore os sinais vitais; c) Proteja a vitima de danos adicionais (exemplo: mantenha-a longe de materiais perfuro-cortantes para não se ferir ou ferir alguém); d) Caso a vítima se torne agressiva, afaste-se e não insista em ajudá-la, acompanhe de longe até que chegue ajuda para contê-la; e f) Após atendimento médico ou o fim dos sinais e sintomas, encaminhe a vítima para o CEDEQ – HCM. OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 18-8 18.8 -Vertigem É a impressão de que o ambiente à sua volta está rodando. Pode ser causada por alturas elevadas, variação brusca de altitude ou de pressão atmosférica, mudanças bruscas de posição, labirintite, etc. O paciente mantém-se consciente. 18.8.1- Sinais e Sintomas � Tontura; � Náuseas; e � Vômitos. 18.8.2- Conduta a) Coloque a vítima deitada com as pernas elevadas, evite movimento brusco, principalmente, com a cabeça; b) Afrouxe as roupas apertadas; c) Verifique os sinais vitais; e d) Peça atendimento médico. 18.9 - Desmaio e Sensação de Desmaio: É a perda súbita e temporária da consciência, normalmente relacionada à baixa oxigenação momentânea do cérebro, devido a processos que levam a diminuição da pressão arterial. De um modo geral, são eventos transitórios e sem gravidade, que podem ocorrer por uma série de fatores como, falta de alimentação, calor intenso, aglomerações, emoção súbita, cansaço extremo, perda sanguínea importante ou dificuldades na respiração. 18.9.1- Sinais e Sintomas � A vítima pode sentir que irá desmaiar, avisando; � Palidez; � Suor frio; � Tontura; e � Fraqueza. OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 18-9 18.9.2-Conduta Na sensação de desmaio: a) Coloque a vítima sentada numa cadeira, evitando aglomerações e curiosos, pois estes só irão aumentar a ansiedade da mesma; b) Coloque a mão na nuca da vítima sentada e force suavemente para baixo, enquanto a mesma faz força para cima, isto aumentará a pressão arterial, melhorando a sensação do desmaio; c) Outra boa alternativa é colocar sal embaixo da língua (contra indicado para vítimas com história de hipertensão arterial). No desmaio: Caso a vítima já seja encontrada desmaiada, deve ser tratada como qualquer outra vítima que encontramos desacordada, ou seja, aplicar o ABC da avaliação primária do trauma. De um modo geral, em poucos minutos, o desmaiado recobra a consciência. Observação: É desaconselhável tentar acordar uma vítima inconsciente com atitudes como jogar- lhe água fria, sacudi-la, dar-lhe tapas no rosto ou tentar colocá-la de pé. 18.10 - Crise Convulsiva São contrações involuntárias e repetidas, de todo o corpo ou de apenas alguns grupos musculares, com ou sem perda da consciência, e com duração geralmente inferior a 90 segundos. Existem várias causas para as crises convulsivas, as mais comuns são epilepsia, febre nas crianças, traumatismo crânio-encefálico (TCE), derrames, intoxicações exógenas, tumores cerebrais, infecções neurológicas, etc. 18.10.1- Sinais e Sintomas (da crise convulsiva generalizada) � Auras (conjunto de sintomas que antecedem as crises): dormências, visão de pontos brilhantes, náuseas, queimação no estômago, etc; � Contrações Tônicas (contração de toda musculatura); OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 18-10 � Dificuldade para respirar, podendo ocorrer coloração azulada nas pontas dos dedos; � Contrações Clônicas (abalos de toda musculatura); � Salivação intensa; � Perda do controle do esfíncter urinário; e � Estado de confusão mental que pode durar de 15 a 30 minutos depois da crise, a vítima desperta se queixando de muita dor muscular e cansaço. 18.10.2- Conduta a) Não tente impedir as contrações de acontecerem (segurando os braços e as pernas, por exemplo), pois a vítima o fará com muita força, o que pode provocar lesão ainda maior. b) Se possível, coloque um pedaço de pano entre os dentes da vítima, impedindo-a de morder a língua. Cuidado para não asfixiá-la. c) Não tente abri, forçosamente, a boca da vítima convulsionando. Se os dentes já estiverem cerrados, NÃO FORCE sua abertura, pois, mesmo que consiga abri-la (muito difícil), existe a chance da vítima te morder, involuntariamente, com muita força. d) Segure a cabeça da vítima com as duas mãos na região lateral, de modo a promover a elevação da mandíbula, evitando a queda da língua e asfixia, assim como evitando os choques da cabeça contra o chão. Outra alternativa, porém mais difícil pelos movimentos da vítima, seria colocá-la de lado, também como medida de proteção das vias aéreas; e d) Encaminhar a vítima para atendimento médico. Observação: crises convulsivas não são contagiosas. Não tenha medo de entrar em contato com a saliva ou secreções da vítima se isto for necessário. OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 19-1 CAPÍTULO 19 ACIDENTES COM ANIMAIS PEÇONHENTOS 19.1 - Generalidades Os acidentes com animais peçonhentos estão em quinto lugar entre os problemas de saúde mais freqüentes no Brasil, perdendo apenas para malária, tuberculose, dengue e hanseníase. No entanto, as informações disponíveis sobre o assunto são precárias, não contemplam variáveis ambientais e sócio-econômicas e dificultam a obtenção de dados como número de óbitos e local do acidente. Veja abaixo os animais peçonhentos mais comumente encontrados. 19.2 – Cobras Existem no Brasil 60 espécies de cobras venenosas, mas são as jararacas as responsáveis pelo maior número de ataques - cerca de 85% do total. As cascavéis, com o característico chocalho na extremidade da cauda e as surucucus que atingem o comprimento máximo de 4,5 metros, causam pouco mais de 10% dos acidentes. As cobras corais, apesar da fama de perigosas, precisam ser muito provocadas ou pisoteadas para dar o bote. Elas respondem por menos de 1% das ocorrências e são facilmente confundidas com as falsas corais, suas primas inofensivas. O veneno de todas essas serpentes pode matar uma pessoa em pouco tempo. (Fonte: Instituto Butantã – 2003) 19.2.1 - Conduta • Faça a avaliação inicial; • Mantenha a vítima deitada em repouso absoluto; • Imobilize e mantenha a extremidade abaixo do nível do coração; OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 19-2 • Afrouxe as roupas, remova anéis e braceletes que podem interromper a circulação da extremidade após desenvolvimento do edema; • Se possível, leve a cobra ao hospital para identificação; • Esteja atento para o desenvolvimento do estado de choque ou parada respiratória; • Providencie a aplicação do soro antiofídico; e • Transporte à vítima para o hospital o mais rápido possível. 19.2.2 - Diferenças entre cobras venenosas e não venenosas CARACTERÍSTICA VENENOSA NÃO VENENOSA Cabeça Triangular Arredondados Olhos Pequenos Grandes Fosseta loreal Tem Não tem Escamas Pequenas Em placas Cauda Curta, afina bruscamente. Longa, afina gradativamente. Dentes Presas Dentes pequenos e iguais Picada Com uma ou mais marcas profundas Orifícios pequenos e mais ou menos iguais OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 19-3 19.3 – Escorpiões Os escorpiões mais perigosos do Brasil são os amarelos e os de coloração vermelho- escura, quase pretos. Encontram-se, principalmente, nos estados de Minas Gerais, Goiás e Bahia, vivendo em casas velhas, sob montes de folhas, telhas, pedras e madeiras úmidas. O escorpião inocula seu veneno na pele do indivíduo através do aguilhão, que geralmente trás curvado para frente. Os escorpiões amarelos e pretos estão entre os dois tipos mais venenosos - um ataque pode ser fatal, principalmente em crianças. 19.3.1 - Sinais e sintomas� Dor intensa no local da picada, que se difunde rapidamente para as regiões vizinhas; � Inchaço e vermelhidão; � Palidez e sudorese; e � Mal-estar geral com dor de cabeça e vertigens. 19.3.2 - Conduta • Mantenha a vítima em repouso; • Aplique compressas frias ou bolsa de gelo imediatamente após a picada, a fim de retardar a disseminação do veneno na corrente sangüínea; e • Procurar auxílio médico. OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 19-4 19.4 – Aranhas Entre as aranhas, a mais perigosa é a Loxosceles, também conhecida como aranha marrom. Com cerca de três centímetros de tamanho, ela causa em suas vítimas sensação de queimadura e formação de ferida no local da picada. As caranguejeiras, apesar dos grandes ferrões, têm o veneno pouco ativo. E as folclóricas viúvas-negras, com manchas vermelhas no abdome, são pouco encontradas aqui. O maior número de acidentes é provocado pela Aranha Armadeira, por ser agressiva. Seu habitat são as residências. A Aranha Marrom é considerada a mais venenosa. As aranhas peçonhentas não fazem teias, exceto a Aranha Marrom, sua teia é irregular e semelhante a um chumaço de algodão. 19.4.1 - Sinais e sintomas � Dor intensa no local da picada, que se difunde rapidamente para as regiões vizinhas; � Inchaço e vermelhidão; � Calor, prurido (coceira) e sensação de queimação; � Câimbras generalizadas pelo corpo; � Palidez e sudorese; e � Mal-estar geral com dor de cabeça e vertigens. 19.4.2 - Conduta • Mantenha a vítima em repouso; • Aplique compressas frias ou bolsa de gelo imediatamente após a picada, a fim de retardar a disseminação do veneno na corrente sangüínea; e • Procure auxílio médico. OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 1 GLOSSÁRIO A Adiposa Gordurosa, gorda. Aguilhão A ponta de ferro da aguilhada; ferrão. Aguilhada AIDS Síndrome da Imunodeficiência Adquirida. Anisocoria Diferença de diâmetro entre as duas pupilas. Apêndice Xifóide Apêndice alongado e cartilagiloso que termina inferiormente no esterno. Artéria Ilíaca Grande vaso sanguíneo situado na pelve. Arterosclerose Endurecimento das artéria por depósito de gordura. Aspirar Retirar, absorver (ex:aspirar secreções). B Bronquite Inflamação dos brônquios. C Cianose Coloração azul, por vezes, escura ou lívida da pele, resultante da oxigenação insuficiente do sangue. Constricção Pressão circular que reduz o diâmetro de um objeto. Aperto, compressão. Crepitação Ato ou efeito de crepitar; estalo, estalido. Cristas Ilíacas Designação comum às saliências estreitas e alongadas do osso da bacia (cintura pélvica). D Decúbito Posição de quem está deitada. Deficit Falta, diminuição. OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 2 Derme Segunda camada da pele; é rica em vasos sanguíneos e nervos, encontra-se abaixo da epiderme. Diagnóstico Conhecimento ou determinação de uma doença pelos sinais e sintomas da mesma. Diástole Movimento de dilatação do coração, após a fase de contração. Distal Que se localiza longe do ponto da origem ou da base. Dorsal Relativo ou pertencente ao dorso. Costas Drenagem Ato ou efeito de drenar. E Edema Inchaço devido a acúmulo de líquidos nos tecidos. Encéfalo Parte do sistema nervoso contido no crânio. Enfisema Doença crônica na qual os pulmões sofrem uma perda progressiva da elasticidade. Epiderme Camada superficial da pele, pouco vascularizada, que recobre a derme. Estéril Livre de microorganismos. Excreção Ação pela qual se expelem do corpo os resíduos inúteis. F Fator RH Antígeno do sangue. Fadiga Cansaço Filiforme Semelhante a fio, bem fino. Flictemas Elevações circunscritas da epiderme, que contem líquido ceroso ou hemorrágicas (bolhas). Fossas Nasais Refere-se às narinas. Fotorreação Reação pupilar a incidência da luz sobre o olho. OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 3 Função Motora Ação própria ou natural de um órgão, relativo a músculos. H Hemodinâmico Estudo dos movimentos e condições físicas do sangue dentro dos vasos e das forças que o regulam. Hepatite B Doença que inflama e danifica o fígado, causado por vírus da hepatite B. Hipoderme Tecido situado abaixo da derme. Hipoestesia Diminuição geral da sensibilidade. Hipotensão Diminuição da pressão arterial. Hipoventilação Diminuição da freqüência respiratória Hipovolemia Diminuição do volume sanguíneo Hipóxia Inadequado suprimento de oxigênio aos tecidos do corpo. I Intratorácica Relativo ao interior do tórax. Isquemia Diminuição do fluxo de sangue para um órgão ou tecido causando alterações metabólicas específicas. L Laringoespasmo Espasmo muscular da laringe (parte das vias aéreas entre a garganta e a traquéia). Lesionar Causar lesão, ofender fisicamente, prejudicar. M Midríase Aumento dos diâmetros ou dilatação das pupilas. N Neurológica Relativo à neurologia ou sistema nervoso. Normovolêmico Relativo ao volume sanguíneo normal. OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 4 O Osteomielite Inflamação da medula do osso. Osteoporose Aumento anormal da porosidade do osso, devido à diminuição progressiva da massa óssea. Otorragia Hemorragia no ouvido. P Paresia Perda discreta da força muscular, paralisia moderada. Parestesia Sensações cutâneas subjetivas (ex., frio, calor, formigamento, pressão, etc.) que são vivenciadas espontaneamente na ausência de estimulação. Peçonha Secreção venenosa de alguns animais; veneno. Pelve Cavidade óssea que termina inferiormente o esqueleto do tronco e lhe serve de base. Perfusão Fluxo constante de sangue pelos vasos. Permeável Que pode permear; transpassar, deixar passar. Pérvio Que dá passagem; transitável. Politraumatizado Indivíduo com várias lesões corporais ocorridas em função de um trauma. Pressão Diastólica Pressão Arterial Mínima. Pressão Sistólica Pressão Arterial Máxima. Prognóstico Juízo médico, baseado no diagnóstico, acerca da duração, evolução e término de uma doença. Proximal Que se localiza perto do ponto da origem ou da base. Pupilas Orifício situado na parte média da íris por onde há passagem dos raios luminosos; “menina dos olhos”. R Raquitismo Doença produzida por distúrbios do metabolismo do cálcio e do fósforo, por efeito de carência da vitamina D, e que se manifesta, sobretudo, por alterações e deformidades do esqueleto. OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 5 Reação Somática Somatização, desordem de caráter psíquico que se manifesta através de sinais e sintomas orgânicos. Rinorragia Hemorragia nasal. S Sebácea Referente a glândula sebácea que secreta o sebo. Simetria Correspondência, em grandeza, forma e posição relativa, de partes situadas em lados opostos de uma linha ou plano médio. Sistêmica Referente ou conforme o sistema; ou corpo inteiro. Sístole Estado de contração das fibras musculares do coração. Subcutâneo Embaixo da pele (Epiderme e derme). Sudorípara Referente a glândula que produz suor. T Tegumentar Referente a pele. Tumefação Inchaço. V VA Vias Aéreas Veias Cavas Referente a veia cava superior e inferior que drenam ao coração todo o sangue da parte superior (cabeça, pescoço, membros superiores e tórax) e da parte inferior (membros inferiores, vísceras abdominais e pélvicas) Vísceras Órgãos. .5-1 5.3 - Sinais e sintomas ................................................................................. 5-1 5.4 – Conduta................................................................................................ 5-2 CAPÍTULO 6 - ASFIXIA 6.1 – Generalidades....................................................................................... 6-1 6.2 - Causas da asfixia................................................................................... 6-1 6.3 - Obstrução de vias aéreas....................................................................... 6-1 6.3.1 - Obst. de V.A. por corpo estranho em vítimas consciente........ 6-1 6.3.1.1 - Manob. Desobst. de VA causada por corpo estranho........... 6-2 6.3.1.2 - Golpes dorsais....................................................................... 6-2 6.3.1.3 - Compressões abdominais (Manobra de Heimlich)............... 6-2 6.4 - Insuficiência de oxigênio no ar............................................................ 6-4 6.5 - Paralisia do centro respiratório............................................................ 6-4 6.6 - Compressão do tórax............................................................................ 6-4 6.7 - Respiração artificial.............................................................................. 6-5 6.7.1 - Ventilação boca-a-boca............................................................ 6-5 CAPÍTULO 7 - RESSUSCITAÇÃO CARDIOPULMONAR 7.1 – Conceito............................................................................................... 7-1 7.2 – Causas.................................................................................................. 7-1 7.3 - Sinais e sintomas.................................................................................. 7-1 7.4 – Conduta................................................................................................ 7-2 7.5 – Reavaliação.......................................................................................... 7-2 7.6 - Interrupção da RCP.............................................................................. 7-3 CAPÍTULO 8 - CHOQUE ELÉTRICO OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 VI 8.1 – Conceito............................................................................................... 8-1 8.2 – Conduta.............................................................................................. 8-1 CAPÍTULO 9 – AFOGAMENTO 9.1 – Conceito............................................................................................... 9-1 9.2 - Tipos de afogamento............................................................................. 9-1 9.3 - Natureza do líquido............................................................................... 9-1 9.4 - Mecanismo do afogamento................................................................... 9-1 9.5 – Sinais e sintomas.................................................................................. 9-2 9.6 – Conduta............................................................................................... 9-2 CAPÍTULO 10 - SÍNDROMES TÉRMICAS 10.1 – Hipertermia........................................................................................ 10-1 10.1.1 – Sinais e sintomas................................................................. 10-1 10.1.2 – Conduta............................................................................... 10-2 10.2 – Hipotermia e congelamento............................................................... 10-2 10.2.1 – Sinais e sintomas................................................................. 10-2 10.2.2 – Conduta............................................................................... 10-3 CAPÍTULO 11 - QUEIMADURAS 11.1 – Conceito............................................................................................. 11-1 11.2 - Classificação das queimaduras........................................................... 11-1 11.2.1 - Quanto a profundidade.............................................................. 11-1 11.2.2 - Quanto a extensão..................................................................... 11-3 11.2.3 - Quanto a localização anatômica............................................... 11-3 11.3 – Conduta.............................................................................................. 11-4 CAPÍTULO 12 – FERIDAS 12.1 – Conceito............................................................................................. 12-1 12.2 - Classificação das feridas..................................................................... 12-1 12.3 – Conduta.............................................................................................. 12-2 12.4 –Tipos especiais de feridas.................................................................... 12-2 12.3.1 - Feridas com objetos fixados ao corpo...................................... 12-2 12.3.2 - Feridas penetrantes de tórax..................................................... 12-2 12.3.3 - Ferida abdominal com evisceração........................................... 12-3 CAPÍTULO 13 - TRAUMATISMO CRÂNIO-ENCEFÁLICO E RAQUI - MEDULAR 13.1.1 – Generalidades.................................................................................. 13-1 13.1.2 - Lesão de couro cabeludo.................................................................. 13-1 13.1.3 - Fraturas de crânio............................................................................. 13-1 13.1.4 - Lesões cerebrais............................................................................... 13-1 13.1.5 – Avaliação e intervenções pré – hospitalares................................... 13-2 13.2.1 – Generalidades do TRM .................................................................. 13-2 13.2.2 – Sinais e sintomas............................................................................. 13-3 13.2.3 – Conduta........................................................................................... 13-3 OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 VII CAPÍTULO 14 - TRAUMATISMOS MÚSCULOS-ESQUELÉTICOS 14.1 – Generalidades..................................................................................... 14-1 14.2 – Fraturas............................................................................................... 14-1 14.2.1 – Conceito................................................................................... 14-1 14.2.2 - Classificação quanto a origem.................................................. 14-2 14.2.3 - Sinais e sintomas...................................................................... 14-2 14.2.4 – Conduta.................................................................................... 14-2 14.3 – Entorse................................................................................................ 14-3 14.3.1 – Conceito................................................................................... 14-3 14.3.2 - Sinais e sintomas...................................................................... 14-4 14.3.3 – Conduta.................................................................................... 14-4 14.4 – Luxação.............................................................................................. 14-4 14.4.1 – Conceito................................................................................... 14-4 14.4.2 - Classificação quanto a origem.................................................. 14-5 14.4.3 - Sinais e sintomas...................................................................... 14-5 14.4.4 – Conduta.................................................................................... 14-5 14.5 – Distensão............................................................................................14-5 14.5.1 – Conceito................................................................................... 14-5 14.5.2 - Sinais e sintomas...................................................................... 14-6 14.5.3 – Conduta................................................................................... 14-6 14.6 – Contusão............................................................................................ 14-6 14.6.1 – Conceito................................................................................... 14-6 14.6.2 - Sinais e sintomas...................................................................... 14-6 14.6.3 – Conduta................................................................................... 14-6 CAPÍTULO 15 – IMOBILIZAÇÕES 15.1 – Generalidades..................................................................................... 15-1 15.2 - Regras para imobilização.................................................................... 15-1 15.3 - Materiais utilizados na imobilização.................................................. 15-2 15.4 - Técnica de imobilização..................................................................... 15-3 CAPÍTULO 16 – TRANSPORTE DE FERIDOS 16.1 – Conceito............................................................................................. 16-1 16.1.1 - Transporte com maca................................................................ 16-1 16.1.2 – Transporte sem maca............................................................... 16-3 CAPÍTULO 17 - TRIAGEM EM ACIDENTES COM MÚLTIPLAS VÍTIMAS 17.1 – Generalidades..................................................................................... 17-1 17.2 – Conceito............................................................................................. 17-1 17.3 – Objetivos............................................................................................ 17-1 17.4 - Processo de triagem............................................................................ 17-1 17.5 – START............................................................................................... 17-1 17.5.1 - Cartão de triagem vermelho...................................................... 17-2 17.5.2 - Cartão de triagem amarelo........................................................ 17-2 17.5.3 - Cartão de triagem verde............................................................ 17-3 17.5.4 - Cartão de triagem preto............................................................. 17-3 OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 VIII 17.5.5 - Fluxograma START................................................................. 17-4 CAPÍTULO 18 – EMERGÊNCIAS CLÍNICAS 18.1 – Conceito............................................................................................. 18-1 18.2 – Infarto Agudo do Miocárdio (IAM).................................................. 18-1 18.3 – Acidente Vascular Cerebral (AVC)................................................... 18-2 18.4 – Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica............................................... 18-3 18.5 – Hiperglicemia..................................................................................... 18-4 18.6 – Hipoglicemia...................................................................................... 18-5 18.7 – Abuso de Álcool e Drogas................................................................. 18-6 18.8 – Vertigem............................................................................................. 18-8 18.9 – Desmaio e sensação de desmaio......................................................... 18-8 18.10 – Crise convulsiva............................................................................... 18-9 CAPÍTULO 19 – ACIDENTES COM ANIMAIS PEÇONHENTOS 19.1 – Generalidade...................................................................................... 19-1 19.2 – Cobras................................................................................................ 19-1 19.2.1 – Conduta................................................................................... 19-1 19.2.2 – Diferenças entre cobras venenosas e não venenosas............... 19-2 19.3 – Escorpiões......................................................................................... 19-3 19.3.1 - Sinais e sintomas...................................................................... 19-3 19.3.2 – Conduta.................................................................................... 19-3 19.4 – Aranhas............................................................................................. 19-4 19.4.1 - Sinais e sintomas...................................................................... 19-4 19.4.2 – Conduta.................................................................................. 19-4 GLOSSÁRIO 1 a 5 OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO IX REV 1 I N T R O D U Ç Ã O 1 – PROPÓSITO Estabelecer, padronizar e consolidar os procedimentos para administração de primeiros socorros, no ambiente pré-hospitalar. 2 – DESCRIÇÃO O CAAML - 1206 está dividido em 19 capítulos: no capítulo 1, são apresentadas as características fundamentais do socorrista; no capítulo 2, são apresentadas as noções básicas de anatomia e fisiologia humanas; no capítulo 3, é descrita uma seqüência padronizada de procedimentos que visam à eliminação de possíveis riscos encontrados na cena do acidente e ao atendimento da vítima; nos capítulos 4 a 19, são apresentados os diversos tipos de traumas e emergências, procedimentos e intervenções adotadas especificamente para cada situação. 3 – CLASSIFICAÇÃO Esta publicação é classificada, de acordo com o EMA 411 - Manual de Publicações da Marinha, em PMB, não controlada, ostensiva, técnica e manual. 4 – SUBSTITUIÇÃO Esta publicação substitui a publicação CAAML 1206 – Manual de Primeiros Socorros em Combate (1ª Edição), editado em 2003. 5 – ALTERAÇÃO DA PUBLICAÇÃO Sugestões de alteração ou dúvidas sobre a publicação deverão ser encaminhadas para a caixa postal: caaml-125/caleao/mar. OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 1-1 CAPÍTULO 1 PRIMEIROS SOCORROS 1.1 - Conceito É o tratamento imediato e provisório ministrado a uma vítima de trauma ou doença, fora do ambiente hospitalar, com o objetivo de, prioritariamente, evitar o agravamento das lesões ou até mesmo a morte, e estende-se até que a vítima esteja sob cuidados médicos. 1.2 - Generalidades Todos a bordo devem estar capacitados a prestar atendimento de Primeiros Socorros em situações de emergência. Nas diversas estações devem existir alguns militares especialmente treinados e qualificados a prestar os primeiros socorros, sendo conhecidos como socorristas. Porém, a existência desses militares não exime a tripulação em geral de saber os princípios básicos de primeiros socorros para aplicá-los em eventos emergenciais, iniciando o tratamento de lesões no próprio corpo ou realizando uma avaliação inicial de outro acidentado até a chegada de auxílio especializado. Para que o socorro especializado seja aplicado sem demora, recomenda- se que 1/5 (um quinto) da guarnição e oficialidade possua habilitação em primeiros socorros. Segundo a Portaria nº 824 de 24 de junho de 1999 do Ministério da Saúde - “Reconhece-se que, na urgência-emergência, principalmente na área do trauma, deverá haver uma ação integrada com outros profissionais, visando viabilizar a implantação de serviços de atendimento pré-hospitalar em nosso país, os chamados socorristas - profissionais não- médicos, habilitados para prestar atendimento de urgência-emergênciaem nível pré- hospitalar, sob supervisão e coordenação médica”. 1.3 - O Socorrista “Indivíduo leigo habilitado para prestar atendimento pré-hospitalar e credenciado para integrar a guarnição de atendimento pré-hospitalar. Faz intervenção conservadora (não- invasiva) no atendimento pré-hospitalar, sob supervisão médica direta ou à distância, fazendo uso de materiais e equipamentos especializados”, que é identificado (boné, escudo, ou plaqueta) de forma a se destacar dos demais membros. O treinamento e preparação do socorrista são muito importantes, pois é muito triste assistir a perda de uma vida, especialmente se isto ocorre por que os cuidados prestados não foram suficientes, ou aplicados demasiadamente tarde. Para um acidentado com uma lesão severa, cada segundo é OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 1-2 essencial. Estudos realizados mostram que quando uma vítima de acidente tem acesso a um atendimento mais especializado na primeira hora após o trauma, sua taxa de sobrevivência aumenta em aproximadamente 85%, o que nos leva a entender que cada minuto é demais precioso para a vítima. Lembre-se, você estará utilizando minutos importantes para cada ato realizado antes do tratamento definitivo, o que significa que cada ação deve ter o propósito de salvar a vida. Para isto, devemos desenvolver o hábito de tratar todo paciente de trauma de maneira planejada e com caráter lógico e seqüencial. Sendo a primeira pessoa a se deparar com um acidentado, você é uma peça importantíssima no sucesso do tratamento. O prognóstico do paciente dependerá da velocidade, conhecimento e habilidades de suas ações. O momento crítico, para a vítima, começa no momento em que esta se lesionar e não no momento em que chegamos ao local. PERFIL DO SOCORRISTA : � Maior de dezoito anos; � Disposição pessoal para a atividade; � Equilíbrio emocional e autocontrole; � Disposição para cumprir ações orientadas; � Disponibilidade para recredenciamento periódico (Bienal); � Capacidade de trabalhar em equipe. Competências: � Avaliação da cena com identificação de mecanismo do trauma; � Conhecer os equipamentos de bio-proteção individual e sua necessidade de utilização; � Realizar manobras de extricação manual e com equipamentos próprios; � Garantir sua segurança pessoal e das vítimas no local do atendimento e realizar o exame primário, avaliando condições de vias aéreas, circulação e estado neurológico; � Ser capaz de transmitir, via rádio, ao coordenador médico, a correta descrição da vítima e da cena; � Conhecer as técnicas de transporte do politraumatizado; � Saber observar sinais diagnósticos, cor da pele, tamanho das pupilas, reação das pupilas à luz, nível de consciência, habilidade de movimentação e reação à dor; � Medir e avaliar sinais vitais, pulso e respiração e situar o estado da vítima na escala de trauma e de coma, se for o caso; OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 1-3 � Identificar situações de gravidade em que a tentativa de estabilização do paciente no local deve ser evitada em face da urgência da intervenção hospitalar (exemplo: ferida perfurante de tórax); � Colher informações do paciente e da cena do acidente, procurando evidências de mecanismos de lesão; � Manter vias aéreas permeáveis com manobras manuais e com equipamentos disponíveis (cânulas orofaríngeas); � Administrar oxigênio e realizar ventilação artificial utilizando meios naturais e equipamentos disponíveis no veículo de emergência (cânulas, máscaras, ambú, cilindro de oxigênio); � Realizar circulação artificial pela massagem cardíaca externa; � Controlar sangramento externo evidente, por pressão direta, elevação do membro e ponto de pressão, utilizando curativos e bandagens; � Mobilizar e remover pacientes com proteção da coluna cervical, utilizando tábuas e outros equipamentos de imobilização e transporte; � Reavaliar os sinais vitais e completar o exame do paciente; � Aplicar curativos e bandagens, incluindo-se queimaduras e ferimentos nos olhos; � Imobilizar coluna e membros fraturados, utilizando os equipamentos disponíveis no veículo de emergência; � Oferecer o primeiro atendimento a traumatismos específicos (curativos em três pontos, curativo abdominal, olhos e orelhas, queimaduras, etc.); � Realizar abordagem inicial (conforme itens anteriores) e oferecer atendimento a pacientes especiais, doentes mentais, alcoólatras e suicidas; � Estabelecer contato com a Central, a fim de repassar dados e seguir obrigatoriamente suas determinações; � Ser capaz de repassar as informações pertinentes ao atendimento à equipe médica do hospital ou instituição de saúde que receberá o paciente. Veremos a seguir os principais aspectos a serem considerados para função de um socorrista. 1.3.1 - Iniciativa Às vezes, diante de cenas que não estamos acostumados a ver, ficamos estarrecidos ou mesmo sem ação. Há uma tendência natural das pessoas se aproximarem de um acidente, OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 1-4 movidas pela curiosidade, sem se disponibilizarem a fazer algo, talvez pelo despreparo e falta de conhecimento. Com base nos conhecimentos adquiridos, desde os primeiros momentos de nossa carreira, devemos e podemos nos voluntariar a agir em prol da vida de outrem. 1.3.2 - Preparo Para agirmos com confiança é imprescindível que tenhamos conhecimentos e prática para realizar os procedimentos necessários. O objetivo de nosso curso é exatamente este: prepará-lo para, quando necessário, pôr em prática os conhecimentos que podem fazer a diferença entre a vida e a morte. 1.3.3 - Poder de Improvisação Nem sempre teremos à nossa disposição os materiais tidos como “clássicos”, ou seja, aqueles apropriados para o atendimento a acidentados. Haverá ocasiões em que teremos que improvisar usando objetos que podem ser adaptados com segurança. Estes últimos são tidos como material de “fortuna”, o que deverá ser abordado nos adestramentos e cursos, sempre que possível. Observação: Material Clássico sugerido para compor um Kit de Primeiros Socorros: • Maleta ou Bolsa de primeiros socorros; • Prancha longa (madeira tipo naval ou em policarbonato) com imobilizador lateral de cabeça; • Colar cervical - tamanho M e G (plástico variável); • Máscara individual para ventilação artificial boca-máscara; • Compressa de gaze 7,5cm x 9 fios com 100 unidades hidrófila; • Atadura crepom 10cm x 13 fios (pacote - 12 un); • Luvas de procedimentos descartáveis (caixa com 100 unidades com talco) tamanho G; • Esparadrapo 10 cm x 4,5m; • Soro fisiológico 125 ml e 500ml; • Tesoura reta sem ponta; • Kit ou Conjunto de Cânulas de Guedel; • Talas (rígidas) ou “Mult Splint”; • Óculos de proteção - plástico transparente; e OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 1-5 • Cartões de triagem (modelo no Cap.17.5.4). 1.3.4 - Não esperar reconhecimento Em primeiros socorros, devemos atuar exclusivamente pelo valor que uma vida possui. Não devemos esperar reconhecimento, principalmente por que, na maioria das vezes, ele não vem e poderemos nos tornar frustrados, se agirmos com este intuito. OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 2-1 CAPÍTULO 2 ANATOMIA E FISIOLOGIA 2.1 - Introdução Os conhecimentos básicos de anatomia e fisiologia são de grande valia para a formação do socorrista. Eles são necessários para compor a base do aprendizado que o socorrista necessitará ter, a fim de preparar o mesmo para reconhecer os traumas e as emergências clínicas e, com isso, executar as condutas pertinentes ao atendimento pré- hospitalar. Neste capítulo, abordaremos de forma muito sucinta os principais sistemas orgânicos. 2.2 - Sistema Circulatório O sistema circulatório humano é um sistema fechado constituído pelo coração (órgão muscular que funciona como uma bomba), os pulmões (órgão que oxigena todo o sangue) e os vasos sanguíneos(artérias e veias). As artérias transportam o sangue rico em oxigênio do coração para todo o organismo e as veias transportam o sangue rico em gás carbônico de todo o organismo para o coração. A sistema circulatório é dividido em dois grandes circuitos: a pequena circulação e a grande circulação. Na pequena circulação, também chamada de circulação pulmonar, o sangue segue o trajeto “coração ► pulmões ► coração ” para ser oxigenado. Já na grande circulação, ou circulação sistêmica, o sangue segue o trajeto “coração ► sistemas corporais ► coração”, levando oxigênio e nutrientes, essenciais a manutenção da vida, a todas as células do corpo. Um homem jovem de 70 kg tem, em média, 5 litros de sangue em seu organismo. Esse volume é todo bombeado pelo coração a cada 1 minuto. A freqüência cardíaca é o número de batimentos em 1 minuto. Sendo o normal, o mínimo é 60 e o máximo 100 bpm (batimentos por minuto). 2.3 - Sistema Respiratório O sistema respiratório humano é constituído pelas fossas nasais, a boca, a faringe, a laringe, a traquéia, os brônquios e os pulmões. Ele é responsável por uma operação vital e ininterrupta, a ventilação pulmonar que supre todo o organismo de oxigênio e elimina o gás carbônico. OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 2-2 A cada inspiração, inalamos cerca de 600 ml de ar rico em oxigênio numa concentração de 21%. O oxigênio nos pulmões será difundindo para o sangue, a fim de ser transportado a todo o organismo. O oxigênio é utilizado pelas células para aproveitar substâncias nutritivas e gerar energia para as funções que precisam ser executadas pelos diversos sistemas do corpo. O gás carbônico, substância tóxica, é o resíduo desse trabalho celular que precisa ser eliminado rapidamente. A cada expiração, o gás carbônico que voltou aos pulmões pelo retorno venoso, será eliminado, para o meio ambiente, pela via respiratória. Em relativo repouso, a freqüência respiratória normal é no mínimo 12 e no máximo 20 incursões respiratórias por minuto (irpm). 2.4 - Sistema Músculo-Esquelético Formado por 206 ossos, o esqueleto humano permite a locomoção, produz células sanguíneas e atua como depósito de cálcio. Ele é constituído por um conjunto de ossos, cartilagens e articulações que dão sustentação ao corpo humano, determinando sua forma. É uma estrutura rígida, mas ao mesmo tempo flexível, que protege os órgãos internos, como o encéfalo e os pulmões, e atua como uma alavanca para os músculos, permanecendo unido graças aos ligamentos e tendões. Junto com as articulações (sistema articular) e com os músculos (sistema muscular), constitui o aparelho locomotor. O esqueleto humano pode ser dividido em duas partes: o esqueleto axial formado pela caixa craniana, coluna vertebral e caixa torácica e o esqueleto apendicular formado pela cintura escapular (escápulas e clavículas), cintura pélvica (ossos ilíacos - da bacia) e o esqueleto dos membros superiores e inferiores. OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 2-3 Figura 2.1 2.5- Sistema Tegumentar O tegumento humano, mais conhecido como pele, é formado por duas camadas distintas, firmemente unidas entre si: a epiderme e a derme. A epiderme é a camada mais superficial da pele. A derme está abaixo da epiderme e é constituída por vasos sangüíneos, terminações nervosas e glândulas (sebáceas e sudoríparas). Sob a pele, está o tecido subcutâneo rico em células que armazenam gordura (células adiposas). A camada subcutânea, denominada hipoderme, atua como reserva energética, protege contra choques mecânicos e funciona como isolante térmico. OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 3-1 CAPÍTULO 3 AVALIAÇÃO INICIAL NO TRAUMA Antes de ser tomada qualquer atitude no atendimento às vítimas, devemos obedecer a uma seqüência padronizada de procedimentos (protocolo), que visa não apenas o atendimento à vítima, mas também cuidados a serem tomados pelos socorristas, objetivando atenuar possíveis riscos encontrados na cena do acidente. A avaliação inicial no trauma passa por aspectos importantes que não devem ser menosprezados ou esquecidos. Esses aspectos dizem respeito às fases da avaliação a serem seguidas, a saber: 3.1 - Abordagem inicial do trauma 3.1.1 - - Mecanismo da lesão A cena do acidente pode oferecer informações preciosas quanto ao mecanismo de trauma (o quê e como ocorreu), o que irá direcionar suas ações. Uma vítima caída ao pé de uma escada sugere que a mesma pode ter lesões músculos-esqueléticas e trauma craniano; uma vítima de explosão sugere comprometimentos em órgãos internos e traumas associados. Em outras palavras, mesmo que sua vítima não fale, a observação da cena do acidente pode ser de grande auxílio no seu diagnóstico. A maioria dos acidentes ocorre devido ao movimento. Seja este uma queda, explosão, acidentes automobilísticos, atropelamentos, etc. 3.1.2 – Segurança do local Ao socorrer uma vítima a primeira preocupação que devemos ter é a segurança do local do acidente. Visando assegurar um atendimento seguro tanto para a vítima quanto para o socorrista, devemos avaliar, de maneira rápida, a cena do acidente em busca de dados que sejam sugestivos de risco. Podemos citar como exemplo uma vítima em um compartimento com fumaça ou gás tóxico, em local com risco de explosão ou desabamento, vítima de choque elétrico em contato com a fonte ainda alimentada, etc. OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 3-2 Antes de iniciar um atendimento, faça o seguinte questionamento: é seguro aproximar-se da vítima? Não se ponha ao perigo agindo impulsivamente. Pense antes de atuar! Caso haja perigo iminente no local, deverá ser adotado o procedimento de extricação (retirada) rápida, ou seja, retirada rápida da vítima do local do acidente, observando, se possível, os padrões mínimos de segurança para a vítima. 3.1.3 - Bio-proteção O socorrista não pode se transformar em uma nova vítima. Todas as precauções devem ser tomadas durante o exame e a manipulação da vítima para evitar lesões corporais ao socorrista ou sua contaminação por agentes biológicos ou substâncias tóxicas. O socorrista deve sempre fazer uso de luvas de procedimentos durante a manipulação da vítima, devido ao risco de contaminação com vírus como o da hepatite B, AIDS e outros. Os óculos de proteção e as máscaras ou protetores faciais são fundamentais quando do atendimento de politraumatizados graves com hemorragias, principalmente em vias aéreas. 3.1.4 - Número de vítimas É sempre muito importante para o socorrista assegurar-se do número de vítimas no local do acidente, pois essa informação será importante para a solicitação de apoio e disponibilização de meios para o atendimento e transporte. 3.2 - Avaliação primária de trauma Esta é uma avaliação rápida para determinarmos as condições que ameaçam a vida do acidentado. As informações obtidas nessa fase são utilizadas para tomar decisões a respeito das intervenções a serem realizadas e sobre o momento mais apropriado para o transporte. Essa avaliação deve ser completada em até 02 (dois) minutos, sendo tão importante que não deve ser interrompida, exceto se houver uma obstrução de vias aéreas (VA), parada respiratória ou cardiorrespiratória. A dificuldade respiratória não é uma indicação para interromper a avaliação, mesmo por que a causa desta geralmente se detecta com a continuidade do exame. Lembre-se que o tratamento do doente no pré-hospitalar deve ser constituído de um exame rápido e objetivo. O processo da avaliação consiste do Tratado Internacional conhecido pela sigla “ABC”, como veremos a seguir. OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 3-3 3.2.1 - Avaliação do nível de consciência O líder da equipe deve aproximar-se da vítima tentando estabelecer contato verbal. Esta aproximação deve ser realizada de frente, evitando, assim, que a mesma não tenha que voltara cabeça para vê-lo, o que poderia agravar possíveis lesões em sua coluna cervical. Nessa abordagem deve-se tocar, de maneira gentil, em seus ombros, apresentando-se e perguntando: “Ei, você está bem?”, “o que ocorreu?”, “o que está sentindo?”, “Qual o seu nome?”. Deve-se ter cuidado para evitar manipular a vítima mais do que o necessário. A resposta do paciente provê informações imediatas acerca das vias aéreas e nível de consciência. Se a vítima responde de alguma forma aos questionamentos, você pode presumir que as vias aéreas estão permeáveis e ainda avaliar seu nível de consciência, sem contar no que lhe pode ser revelado verbalmente. Nesta fase, realiza-se uma avaliação neurológica rápida. Este exame é realizado para se estabelecer o nível de consciência do doente. Uma maneira rápida para se avaliar o estado neurológico da vítima é o método “AVDI”: A – Alerta – vítima que encontrada falando, chorando e cooperativa; V - Resposta ao estímulo verbal – vítima que abre os olhos e/ou responde a um questionamento. Observação: se a vítima não responder a este estímulo, classifique-a como vítima inconsciente e solicite que um auxiliar proceda a estabilização da cabeça da vítima (* ). D – Só responde a Dor – vítima que abre os olhos ou se move após o estímulo doloroso aplicado na técnica (fricção do esterno, torção dos mamilos, etc.); e I – Inconsciência. O rebaixamento do nível de consciência pode representar diminuição da oxigenação e/ou na perfusão cerebral ou ser resultado de um trauma direto ao cérebro. Álcool e outras drogas podem alterar o nível de consciência do paciente, o que não significa a inexistência de uma lesão mais séria. Não se deixe enganar! No entanto, se a vítima não responder ou está impossibilitada de falar, devemos iniciar a avaliação adicional conhecida como “ABC”, que trataremos a seguir. * - O líder da turma de socorrista deverá designar um socorrista para estabilizar o pescoço da vítima em posição neutra. Para estabilizar o pescoço, você ou outra pessoa designada deverá posicionar-se com a cabeça da vítima entre os joelhos ou segurá-la com as mãos. Havendo dor ou resistência ao seu alinhamento, estabilizá-la na posição que se OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 3-4 encontrar. Esse socorrista, encarregado desta tarefa, somente poderá ser liberado depois de aplicado um dispositivo adequado de estabilização cervical. Somente podemos considerar uma coluna cervical imobilizada após o acidentado estar sobre uma maca rígida, fazendo uso de imobilizador de cabeça. 3.2.2 - Avaliação e Manutenção de Vias Aéreas (o “A” do “ABC”) Durante o exame primário do doente traumatizado, as vias aéreas devem ser avaliadas em primeiro lugar para assegurar sua permeabilidade, tomando o cuidado para que as manobras realizadas sejam feitas com a proteção da coluna cervical. Estando a vítima inconsciente, abra sua boca à procura de objetos estranhos que possam obstruir a passagem de ar para os pulmões, como: prótese dentária deslocada, dentes quebrados, balas, etc. A principal causa de asfixia em vítimas inconscientes é a obstrução pela própria língua. Lembre-se: uma vítima não poderá respirar se suas vias aéreas não forem desobstruídas. Figura 3.1 A manobra para abertura das vias aéreas, revertendo à condição de obstrução pela língua, pode ser realizada de dois modos: A) Elevação do queixo e rotação da cabeça Estando este método totalmente contra-indicado para vítimas com suspeita de lesão cervical (APLICADO EM VÍTIMA DE EMERGÊNCIA CLÍNICA), consiste em elevar suavemente o queixo da vítima, empurrando a cabeça com a palma da mão, fazendo-a realizar uma suave rotação. OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 3-5 Figura 3.2 B) Elevação da mandíbula modificada Para as vitimas com suspeita de lesão cervical, deve-se empregar o método conhecido como elevação da mandíbula modificada, na qual o socorrista, posicionando-se ajoelhado atrás da cabeça da vítima, coloca os polegares na região zigomática (maçã do rosto), os indicadores na mandíbula e os demais dedos na nuca, exercendo tração em sua direção. Enquanto traciona, os indicadores posicionados nos ângulos da mandíbula, empurram-na para cima ou posicionado atrás da cabeça da vítima, põe os polegares na base da mandíbula e os demais dedos na nuca, elevando a mandíbula simulando uma alavanca. Figura 3.3 Uma vítima que se encontra inconsciente, como resultado de um acidente, é portadora de trauma na coluna vertebral até que se prove em contrário. 3.2.3 - Avaliação da respiração (o “B” do “ABC”) A permeabilidade das vias aéreas, por si só, não significa ventilação adequada. Uma troca de gases é necessária para que seja possível a oxigenação e a eliminação de dióxido de carbono num grau máximo. Uma boa ventilação exige um funcionamento adequado dos OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 3-6 pulmões, da parede torácica e do diafragma. Cada componente deve ser avaliado e examinado rapidamente. Esta avaliação consiste em olhar, sentir e escutar. Para que haja respiração é necessário que se tenha movimentos torácicos que podem ser observados olhando-se diretamente sobre o peito da vítima (em algumas pessoas, o movimento abdominal é predominante). Um outro modo seguro é aproximar o ouvido das VA da vítima de modo a ouvir o som oriundo da passagem de ar. Podemos ainda apoiar o braço ou a mão sobre o peito da vítima, o que permitir-nos-á visualizar e sentir os movimentos respiratórios. A combinação dessas três técnicas permitirá ao socorrista assegurar-se da situação respiratória da vítima. Se a vítima estiver respirando espontaneamente, podemos avançar para o próximo item. Caso não haja respiração, realizar duas ventilações e a seguir checar a circulação. O tempo estimado para avaliação da respiração deve ser de aproximadamente 10 segundos. 3.2.4 - Avaliação da Circulação (o “C” do “ABC”) Tão logo tenha verificado a permeabilidade das vias aéreas e avaliado a respiração, devemos avaliar a situação circulatória do paciente. Observe inicialmente os elementos que fornecem uma rápida idéia do estado hemodinâmico do paciente. São eles: a) Nível de Consciência - quando o volume sanguíneo está diminuído, a perfusão cerebral pode estar prejudicada, resultando em alteração do nível de consciência. Contudo, um paciente consciente também pode ter perdido uma quantidade significativa de sangue. b) Cor e temperatura da pele - pode ser importante na avaliação de um doente traumatizado hipovolêmico. Um doente traumatizado com pele de coloração rósea, especialmente na face e nas extremidades, raramente está criticamente hipovolêmico. Já a coloração acinzentada da face e a pele esbranquiçada e fria, principalmente nas extremidades, são sinais evidentes de hipovolêmia. c) Pulso – inicialmente, o socorrista deverá atentar para o pulso radial, o que lhe dará uma idéia de como está a situação hemodinâmica do acidentado. Um pulso radial presente significa uma condição de pressão arterial sistólica de no mínimo 80 mmHg. Examine também o pulso central (carotídeo) simultaneamente, observando sua qualidade, freqüência e regularidade. Pulsos periféricos cheios, lentos e regulares, são, usualmente, sinais de normovolêmia. Já um pulso rápido e filiforme é habitualmente um sinal de OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 3-7 hipovolêmia, embora possa ter outras causas. Uma freqüência normal de pulso não é garantia que o doente esteja normovolêmico. Quando irregular, o pulso costuma ser um alerta para uma potencial disfunção cardíaca. Observação: I - Você também poderá avaliar a respiração e circulação simultaneamente, posicionando dois dedos sobre a artéria carótida e aproximando seu ouvido do nariz e boca da vítima. Assim, você terá uma noção mais rápida da respiração e circulação, poupandotempo. II - Ainda nessa fase da avaliação, ao constatar a presença de grandes hemorragias arteriais, o líder dos socorristas deverá de pronto providenciar para que seja feita sua contenção, utilizando-se de um de seus auxiliares. Estando sozinho, deverá usar o bom senso avaliando a real necessidade do procedimento a ser executado, uma vez que implicará na interrupção da avaliação primária. 3.2.5 – Exame Físico Ao examinar determinados seguimentos do corpo de uma vítima, devemos saber o que estamos procurando, pois do contrário os sinais aparecerão e passarão desapercebidos podendo levar a complicações diversas ou até mesmo ao óbito. Comece expondo a vítima sem causar constrangimentos desnecessários. Será melhor cortar suas roupas do que realizar movimentos que podem agravar possíveis lesões. Durante o exame da vítima, devemos realizar uma Inspeção seguida de palpação. Inspeção: • Deformidade D • Contusão C • Abrasão A • Penetração P • Queimadura Q • Laceração L • Edema E Palpação: • Sensibilidade S OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 3-8 • Instabilidade I • Crepitação C • Pulso P • Motricidade M O exame da cabeça aos pés consiste em uma avaliação mais detalhada, seguindo uma seqüência lógica, ou seja, iniciando pelas partes mais nobres do corpo. a) Cabeça Traumas no crânio podem passar desapercebidos pelo fato dos cabelos poderem esconder as lesões. Apalpe toda superfície com as pontas dos dedos e observe a drenagem de sangue ou líquidos pelos ouvidos ou nariz. Observe ainda o diâmetro, simetria e fotorreação (diâmetro) das pupilas. Traumatismos faciais podem estar associados à obstrução de vias aéreas devido a edemas e sangramentos. Caso contrário, só devem ser tratados após completa estabilização do doente, ou seja, depois de observadas as lesões que trazem riscos de vida. Fique atento! b) Coluna Cervical e Pescoço Vítimas com trauma na cabeça devem ser considerados como portadores de lesão instável de coluna cervical (fraturas e/ou lesões de ligamentos), e seu pescoço deve ser imobilizado e cuidadosamente examinado à procura de anormalidades como o desvio de traquéia (que indicará problemas nos pulmões) ou veias distendidas e palpáveis (que indicarão uma Insuficiência Cardíaca Congestiva – ICC). A ausência de déficit neurológico não exclui a possibilidade de lesão cervical. 20% das vítimas com traumas na coluna chegam andando ao hospital. Em vítimas que fazem uso de dispositivo de proteção de cabeça (capacete) deverão ser observados cuidados adicionais quando da retirada. c) Tórax Por possuir em seu interior órgãos de extrema importância, devemos ser minuciosos à procura de sinais de lesões internas. Havendo qualquer dificuldade com a respiração, faça revisão da inspeção em busca de sensibilidade ao tato e instabilidade. Lesões no tórax normalmente são muito graves exigindo decisões rápidas. O socorrista terá suas ações limitadas a fazer curativo de três pontas em perfurações, fixar objetos OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 3-9 empalados, estabilizar um seguimento instável, oferecer oxigênio se disponível e ajudar na ventilação da vítima. d) Abdome Rapidamente exponha, observe e apalpe o abdome em busca de dor e sensibilidade ao tato, bem como aos sinais já descritos anteriormente. Dores à palpação e distensão abdominal podem sugerir lesões internas importantes que deverão ser avaliadas o quanto antes por um serviço médico. e) Pelve Examine de maneira rápida a pelve. Uma fratura nesta área poder conter uma volumosa hemorragia, devido às fraturas poderem lesar os vasos calibrosos que passam na região; todo o sangue do corpo pode passar pela região em cerca de apenas cinco minutos, e uma lesão nestes vasos (artérias ilíacas e veia cava) fará com que a vítima rapidamente evolua para o óbito se medidas não forem tomadas. Fique atento aos sinais de hemorragia e verifique se há instabilidade neste seguimento. Encontrando instabilidade ou suspeitando dela, providencie a imobilização antes de mudar a vítima de decúbito (lado ou posição). Uma boa forma de estabilizar e imobilizar a pelve é pressionar as cristas ilíacas (ossos da cintura) contra o chão, quando o paciente estiver em decúbito dorsal. f) Membros Inferiores e Superiores Comece examinando os membros inferiores seguidos pelos superiores. Faça uma busca à procura dos sinais citados anteriormente, observando a simetria entre eles e apalpe-os em busca de crepitação. Verifique se existe pulsação, função motora, sensibilidade e esteja atento aos sinais de insuficiência circulatória. Por ocasião do exame dos membros superiores, não esqueça de observar as axilas. g) Dorso É comum encontrar socorristas que não atentam para esta etapa do exame, deixando-a passar despercebida. Para examinar esta área, você deverá movimentar a vítima como um todo, ou seja, em bloco, lateralizando-a, o que se torna muito difícil quando se está só. Deve-se aproveitar este momento para transferir a vítima para uma maca ou prancha previamente preparada por um dos socorristas auxiliares. Deite a vítima na maca, ponha o colar cervical e proceda a imobilização completa. OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 3-10 Observações: Relação temperatura/umidade da pele A tabela abaixo apresenta algumas alterações quanto à umidade e temperatura da pele. Apresentação da pele Possíveis causas Pele fria e úmida Choque, sangramento e perda de calor corporal Pele fria e seca Exposição ao frio Pele fria e suor pegajoso Choque, ataque cardíaco e ansiedade Pele quente e seca Febre alta e exposição ao calor Pele quente e úmida Infecção Características apresentadas pelas pupilas após um trauma A tabela abaixo apresenta as alterações pupilares e suas possíveis causas. Apresentação da pupila Possíveis causas Dilatadas e não reagentes Inconsciência, choque, parada cardíaca e trauma craniano Contraídas e não reagentes Lesão do Sistema Nervoso Central (SNC) Assimétricas ou anisocóricas Traumas cranianos e Acidente Vascular Cerebral Reflexos lentos e olhos sem brilho Choque e coma 3.3 - Intervenções Críticas e Decisão de Transporte Durante o exame primário deve ser avaliada a necessidade de transferência do paciente assim como o mecanismo a ser empregado para tal. Para decidir se o paciente deve ser removido após a avaliação primaria, você deve determinar se a vítima apresenta qualquer uma das lesões ou condições críticas abaixo: • Nível de consciência diminuído; • Circulação anormal (estado de choque); • Traumas torácicos produzindo respiração anormal; OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 3-11 • Abdômen sensível e distendido; • Instabilidade pélvica. • Fraturas bilaterais de fêmur Se a vítima apresentar alguma das condições descritas anteriormente, transfira-o de imediato para um hospital ou enfermaria. Em caso de vítimas graves, os procedimentos para salvar a vida não devem retardar o transporte. Existem poucos procedimentos que devem ser realizados no local do acidente. Podemos citar o manejo da vias aéreas, controle de um sangramento abundante, tamponamento de uma ferida penetrante/transfixante de tórax, estabilidade manual de um seguimento instável e ressuscitação cardio-pulmonar. Lembre-se: as manobras de reanimação necessárias para preservar a vida do doente devem ser iniciadas tão logo os problemas sejam identificados, e não ao término do exame primário. Assegure-se que o procedimento valha a pena e comunique o fato ao serviço responsável em receber a vítima, a fim de estar preparado. Caso a avaliação primária não revele uma situação crítica de trauma, proceda a “Avaliação Secundária”. 3.4 – Avaliação Secundária de Trauma Nos pacientes em estado crítico, esta avaliação se realiza durante o transporte para o hospital. Já quando este seencontrar estável, desenvolva-a na cena do acidente, não devendo transcorrer mais de 8 (oito) minutos. Tenha atenção, pois um paciente estável pode se tornar crítico ou instável rapidamente. A avaliação secundária nada mais é que revisar todos os pontos observados por ocasião da avaliação primária, sendo que de uma maneira mais detalhada. Devemos ainda observar os seguintes pontos: 3.4.1 - Registro O registro meticuloso com documentação cronológica de todos os eventos é muito importante para que a equipe médica que irá realizar o tratamento definitivo tenha uma idéia das causas e possíveis patologias associadas às lesões do acidentado. O registro deverá conter dados como: o local , o mecanismo do acidente, a posição do acidentado, seu estado ao ser encontrado, a evolução do doente durante o atendimento, dados pessoais (nome, tipo sanguíneo, fator Rh) e os sinais vitais básicos (pulso, respiração e pressão arterial) que devem ser verificados da maneira correta. OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 3-12 3.4.2 - Obtenha um breve histórico da lesão ou trauma Faça sua observação pessoal ou determine a outro membro da equipe para realizar esta tarefa. Para facilitar este procedimento, utilize a sigla SAMPLE que significa: A – Alergia – questione aos acompanhantes se a vítima é alérgica a alguma coisa, que possa ter desencadeado o fato; M - Medicamento – verifique se a vítima possui algum cartão médico que indique o uso de medicamentos de uso contínuo; P – Patologia prévia – pergunte à vítima se possui alguma doença, mesmo que, por ela, seja considerada de pouca importância; L – Líquidos/alimentos – indague quando foi sua última refeição e, se sólida ou líquida; e A – Acontecimentos que antecederam o trauma. S – Sintomas – obtenha informações sobre os sintomas iniciais da vítima; 3.4.3 - Reavaliação Monitorize e reavalie continuamente o paciente, se necessário inicie novamente o “ABC” uma segunda vez. Em caso de apresentar ou evoluir para uma situação crítica de trauma, descrita anteriormente, transporte-o imediatamente. Sempre que possível ofereça oxigênio à vítima. Lembre-se: “Vítima de trauma é igual a O2”. Devemos checar alguns procedimentos importantes como: Verificar se o fluxo de O2 está correto (se disponível); Checar se o acesso venoso está pérvio (se realizado); Observar se os curativos estão empapados de sangue; Observar o selamento de ferimentos abertos de tórax; Observar o posicionamento de talas e imobilizadores; e Inclinação para a esquerda de pacientes grávidas. OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 4-1 CAPÍTULO 4 HEMORRAGIA 4.1 - Conceito É o derramamento de sangue para fora dos vasos que devem contê-lo com repercussão clínica ou laboratorial (exames), por menor que seja. 4.2 - Generalidades Sendo utilizado para transportar oxigênio, nutrientes para as células, bem como gás carbônico e outras excretas para os órgãos de eliminação, o sangue constitui-se como o meio de inquestionável importância, tanto na respiração, nutrição e excreção, como na regulação corpórea, transportando hormônios, água e sais minerais para a manutenção de seu equilíbrio. O volume circulante em um adulto varia em torno de 5 a 6 litros, levados em conta a relação de 70ml por Kg de peso corporal, o que corresponde, por exemplo, a 4.900ml de sangue em uma pessoa de 70Kg. Havendo uma diminuição brusca do volume circulante, como a que ocorre em uma grande hemorragia, o coração poderá ter sua ação como bomba comprometida, o que chegando a determinados níveis, levará a vítima a um colapso circulatório, podendo resultar em morte. 4.3 - Classificação da hemorragia quanto à localização 4.3.1 - Hemorragia externa Sangramento “exterior ao corpo”; normalmente é facilmente visualizada. Pode ser oriunda de estruturas superficiais, ou mesmo de áreas mais profundas através de aberturas ou orifícios artificiais (comuns nos traumas). Normalmente pode ser controlada utilizando-se técnicas de primeiros socorros. 4.3.2 - Hemorragia interna Hemorragia das estruturas mais profundas podendo ser oculta ou exteriorizada, como ocorre em sangramento no estômago, em que a vítima expele o sangue pela boca. A hemorragia interna é mais grave devido ao fato de não podermos visualizá-la, o que faz com que não saibamos a extensão das lesões. O tratamento necessariamente deve ser realizado em ambiente hospitalar, cabendo ao socorrista apenas algumas manobras que visam evitar que o estado de choque se instale. 4.4 - Classificação da hemorragia quanto ao tipo do vaso rompido 4.4.1 - Hemorragia arterial OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 4-2 O sangramento acontece em jatos intermitentes, no mesmo ritmo das contrações cardíacas. Sua coloração é um vermelho claro. A pressão arterial torna este tipo de hemorragia mais grave que um sangramento venoso devido à velocidade da perda sangüínea. 4.4.2 - Hemorragia venosa Sangramento contínuo de coloração vermelho escuro, pobre em oxigênio e rico em gás carbônico. 4.4.3 - Hemorragia capilar Sangramento contínuo com fluxo lento, como visto em arranhões e cortes superficiais da pele. Observação: considerando que as artérias estão localizadas mais profundamente na estrutura do corpo, as hemorragias venosa e capilar são mais comuns do que a do tipo arterial. 4.5 - Conseqüências das hemorragias Uma grande hemorragia não tratada pode conduzir a vítima a um estado de choque e conseqüentemente à morte. Já sangramentos lentos e crônicos podem causar anemia (baixa quantidade de glóbulos vermelhos). 4.6 - Sinais e sintomas Os sinais e sintomas da hemorragia, apresentados por uma vítima, variam de acordo com a quantidade de sangue perdida e a velocidade deste sangramento. OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 4-3 4.7 - Conduta O tratamento de uma hemorragia consiste na realização da hemostasia (processo de interrupção de um sangramento). 4.7.1 - Conduta na hemorragia interna Como já foi descrito anteriormente, pouco pode ser feito pelo socorrista no caso de haver uma hemorragia interna. O transporte rápido para uma unidade médica é fundamental, cabendo ao socorrista a realização de manobras que venham prevenir ou retardar a instalação do estado de choque, assunto abordado em um capítulo próprio. 4.7.2 - Conduta na hemorragia externa Uma vez observado os procedimentos iniciais da avaliação da vítima, ao ser constatado uma determinada hemorragia, o socorrista deverá optar por um dos quatro principais métodos de contenção de hemorragia: a) Compressão direta ou local – Hemorragias externas, na maioria das vezes, são controladas por uma compressão diretamente sobre o ferimento com o uso de um curativo estéril ou pano limpo. Esta compressão não deve ser interrompida até a coagulação, o que pode ocorrer de 6 a 8 minutos nas hemorragias mais intensas. Caso seja interrompida precocemente, poderá ocorrer a remoção do coágulo semi formado iniciando novamente a hemorragia. Figura 4.1 Observações: Ao realizar uma compressão direta, fazer o uso de luvas de procedimentos, evitando assim o contato direto com o sangue da vítima. Atente para o pulso distal para que a compressão não venha comprometer a circulação dos tecidos vizinhos. Caso isto ocorra, a compressão exercida deverá ser diminuída. OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 4-4 Mantenha no local as compressas encharcadas de sangue. Caso necessário, sobreponha novas compressas secas. Fixe as compressas sobre o ferimento com bandagens, se disponíveis. A compressão direta é o método mais rápido e mais efetivo para controlar uma hemorragia. b) Elevação de membros – pode ser combinada com a compressão direta em hemorragias em membros, desde que não haja suspeita de fraturas. Os efeitos da gravidade diminuema pressão sangüínea na parte afetada reduzindo assim a intensidade do sangramento. O ferimento deve ficar acima do nível do coração para que os efeitos desejados sejam alcançados. Figura 4.2 c) Compressão indireta ou à distância – Esta técnica consiste em comprimir uma artéria que irriga uma determinada área que sangra. Para tanto, há necessidade de conhecimento anatômico, ou seja, saber por onde passa a artéria a ser comprimida. O corpo humano possui vários pontos para compressão de artérias que podem ser usados para controlar um sangramento, como mostra a figura 4.3. Observação: A aplicação de pressão sobre uma determinada artéria deve ser vista como uma medida drástica, que somente deve ser utilizada após os recursos de compressão direta (com ou sem elevação de membros) não terem sido eficazes. OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 4-5 . Figura 4.3 d) Torniquete - A real necessidade do uso deste método deve ser considerada por se tratar de um procedimento extremo de último recurso para controlar uma hemorragia grave, pelos riscos que o cercam. Muitas vezes um curativo compressivo é a melhor opção. Em uma situação onde ocorra uma amputação traumática, o sangramento pode ser pequeno, ao contrário do que se espera, pois a artéria envolvida entra em constricção pela ação reflexa dos nervos simpáticos. Tal fato justifica o uso da compressão direta ao invés de um torniquete. Sendo inevitável o uso deste procedimento, ou seja, após todos os métodos citados anteriormente falharem, o socorrista deverá estar atento aos cuidados que envolvem esta técnica, pois, quando mal realizada, poderá induzir a uma OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 4-6 eventual perda do membro afetado, quando não se tratar de amputação total. Os cuidados são: • O torniquete deverá ser aplicado entre o ferimento e o coração a uma distância de aproximadamente 5 cm da lesão. • Deve-se posicionar um pacote de curativo ou um rolo de pano sobre a artéria a ser comprimida. • Utilize um cinto longo, gravata, meia ou outro material que não venha provocar estrangulamento dos membros, para envolver o local dando um nó sobre o pacote de curativo. • Improvise uma haste firme, como um pedaço de madeira ou barra de metal (canetas e lápis podem se quebrar facilmente) que deve ser colocada sobre o nó onde será aplicado um outro. • Gire a haste até que o sangramento pare ou esteja semelhante a um sangramento capilar, fixando-a convenientemente. • Não solte ou alivie o torniquete até a chegada ao hospital. • Registre o horário de aplicação do torniquete em local visível., se possível na própria vítima (exemplo: TQ – 13:20). • Não cubra o torniquete para que não passe despercebido pelos que darão continuidade aos cuidados prestados ao paciente. Figura 4.4 OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 4-7 4.8 - Tipos especiais de hemorragias 4.8.1 - Hemoptise Figura 4.5 Tipo de hemorragia proveniente do pulmão, caracterizada por acesso de tosse com eliminação de sangue vermelho rutilante e espumoso por meio de golfadas, onde deverão ser observados os seguintes procedimentos: • Coloque a vítima em repouso e recostada • Acalme-a; não a deixe falar • Procure auxílio médico 4.8.2 – Hematêmese Figura 4.6 Hemorragia proveniente do estômago, manifestando-se através de enjôo, náuseas, vômitos com sangue tipo “borra de café” e palidez, onde deverão ser observados os seguintes procedimentos: • Deite o paciente de costas • Aplique gelo ou compressas geladas na altura do estômago • Procure auxílio médico OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 4-8 4.8.3 – Epistaxe Figura 4.7 Conhecido como sangramento nasal, onde deverão ser observados os seguintes procedimentos: • Sente o paciente com a cabeça para trás • Aperte a narina que sangra durante cinco minutos • Aplique compressas geladas ou saco de gelo sobre o nariz OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 5-1 CAPÍTULO 5 ESTADO DE CHOQUE 5.1 - Conceito: É o quadro clínico que resulta da incapacidade do sistema cardiovascular de prover circulação sangüínea suficiente para os órgãos. O fluxo sangüíneo que chega aos tecidos periféricos é inadequado para manter a vida tissular. Para que a célula humana receba o oxigênio, através do sangue, necessita de três elementos: o coração, os vasos sangüíneos (veias, artérias e capilares) e o sangue. Quando temos uma bomba cardíaca normal, estando os vasos sangüíneos íntegros e o sangue na sua quantidade e viscosidade normal, dizemos que o organismo encontra-se num estado de equilíbrio e boa vitalidade orgânica. Observação: não confundir com reação somática decorrente, geralmente, de severa descarga emocional como as que ocorrem nos sustos, notícias desagradáveis, medo, etc. 5.2 - Principais causas do Estado de Choque O choque pode ser secundário à insuficiência do volume intravascular, à função cardíaca inadequada, ao tônus vasomotor inadequado, ou à combinação destes. Tipos de Estado de Choque: a) Choque Hipovolêmico – causado principalmente por hemorragias ou outras causas que levem a uma grande perda de líquido. b) Choque Cardiogênico – causado por uma incapacidade miocárdica de contração e caracterizado pela diminuição do débito cardíaco. c) Choque por Vasodilatação – é considerado por alguns como Choque Hipovolêmico Relativo, uma vez que o volume sangüíneo é normal, porém insuficiente para o enchimento cardíaco adequado. Várias condições podem determinar dilatação vascular generalizada, entre elas, traumas cerebrais severos (choque neurogênico), ingestão de certas drogas ou venenos, ou ainda, a associação com uma infecção bacteriana (choque séptico). 5.3 - Sinais e sintomas � Alteração do nível de consciência � Palidez � Pulso acelerado OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 5-2 � Sudorese � Sede � Pressão arterial baixa 5.4 - Conduta A princípio resume-se em controlar a hemorragia (se presente), administrar oxigênio (caso disponível) e transportá-lo imediatamente, como prescrito na avaliação inicial do trauma. Outros cuidados podem ser tomados enquanto se aguarda o transporte ou durante este. • Eleve as pernas da vítima para concentrar um maior volume sangüíneo nos órgãos vitais. • Cubra a vítima com a finalidade de evitar a perda de calor e não com intuito de aumentar sua temperatura corporal, ou seja, evite colocar cobertores. • Esteja atento às vias aéreas caso a vítima evolua para os estado de inconsciência.e se isto ocorrer monitore a função respiratória e circulatória constantemente. • Se estiver sozinho e a vítima não for de trauma, você poderá deixá-la na posição lateral de segurança enquanto procura ajuda. Esta posição evita que a língua obstrua as VA se ela vier a evoluir para inconsciência. OSTENSIVO CAAML 1206 OSTENSIVO REV 1 6-1 CAPÍTULO 6 ASFIXIA 6.1 - Conceito Quando a vítima deixa de receber um suprimento mínimo necessário de oxigênio (O2). 6.2 - Causas da asfixia Uma asfixia pode ocorrer devido a uma das complicações abaixo: • Obstrução de Vias Aéreas; • Insuficiência de Oxigênio; • Paralisia do Centro Respiratório; e • Compressão do Tórax. 6.3 - Obstrução das vias aéreas Esta obstrução ocorre nos casos de afogamento, excesso de secreções, hemorragias, corpos estranhos, estrangulamento e, principalmente, pela queda da língua em vítimas inconscientes, como mostra a figura abaixo. Figura 6.1 6.3.1 - Obstrução de vias aéreas por corpo estranho em vítima consciente Os sinais clínicos das obstruções completas são bem característicos. A vítima mostra-se agitada, com grave dificuldade respiratória, cianótica, estando incapaz de tossir, respirar e falar, assumindo a postura típica de colocar as mãos ao redor do pescoço. Caso não