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Módulo 4 Manejo da Lavoura 6 Olá! Receba nossas boas-vindas ao Módulo 4 do curso! Você já deve saber que, para ter uma lavoura com boa produtividade, não basta apenas plantar boas sementes. É preciso cultivá-las, ou seja, cuidar do seu crescimento em todas as etapas. Por isso, neste módulo, você vai aprender sobre diferentes tipos de adubação, para garantir os nutrien- tes necessários às plantas. Vai aprender também como fazer o controle de pragas e doenças por meio do manejo integrado e, por fim, como fazer as podas no cacaueiro. Tudo pronto para adquirir todo esse conhecimento? Então, avance para a Aula 1 e comece seus estu- dos! 7 Módulo 4 - Aula 1 Adubação 8 - Edu, tô impressionada com os resultados que a gente tem alcançado nessa trajetória. Am- pliamos a lavoura e estamos renovando a área que já tínhamos... Vi que várias vezes você mexeu com adubo, mas ainda não te perguntei sobre o assunto... - É verdade, Gabi. Se você quer uma lavoura altamente produtiva, não pode descuidar dos nutrientes que são oferecidos aos cacaueiros. Tenho aplicado adubos tanto na lavoura nova quanto na antiga, e tem técnica pra isso. Deixa eu te explicar melhor... podcast O resgate de Santo Isidoro Acesse o ambiente virtual de aprendizagem para ouvir esta história! A adubação é um processo de extrema importância numa plantação, pois é responsável pela qualidade dos produtos cultivados. A prática nutre a planta com substâncias necessárias para seu crescimento sau- dável, e isso se reflete na produtividade e na lucratividade do produtor. Nesta aula, você vai aprender sobre a nutrição dos cacaueiros e conhecer diferentes formas de aduba- ção. Adubação/nutrição de cacaueiros Você já sabe que, assim como os seres humanos, as plantas precisam estar nutridas para crescerem for- tes e saudáveis. Para a lavoura de cacau, como em muitas outras, o mais comum é o uso de fertilizantes. Seu uso tem relação com alguns aspectos, como: ⚫ o tipo de solo (disponibilidade de nutrientes e textura); ⚫ a produtividade esperada; e ⚫ a necessidade de reposição de nutrientes em cada ciclo ou safra. 9 No caso das plantas, os nutrientes essenciais podem ser de dois tipos, ambos essenciais para promover o desenvolvimento e a formação de flores e frutos saudáveis, veja a seguir: São requeridos em maior quantidade pela planta. Os principais são: nitrogênio (N), potássio (K), fósforo (P), cálcio (Ca), magné- sio(Mg) e enxofre (S). São necessários para os vegetais, mas em quantidade menor. Os principais são: boro (B), cloro (Cl), mo- libdênio (Mb), cobre (Cu), ferro (Fe), zinco (Zn) e manganês (Mn). Macronutrientes Micronutrientes N K PK Mg N Ca S P B Fe Zn Mg Cu Mb Cl A adubação é feita após a correção do pH do solo, no momento do plantio e durante o crescimento e o desenvolvimento da cultura em campo. Adubos orgânicos ou químicos, com diferentes teores de nu- trientes, podem ser usados como fertilizantes. Confira a diferença entre eles. Os adubos orgânicos são obtidos por meio de materiais de origem vegetal ou animal. São ricos em N, P e K e micronutrientes, disponíveis na for- ma de esterco, farinhas, bagaços, cascas e restos vegetais, decompostos ou em processo de decomposição. Eles melhoram a qualidade física, química e biológica do solo. Os adubos químicos são encontrados em três tipos principais. Confira: 10 Adubos químicos Outros Enxofre, boro, cobre, ferro, manganês, zinco Potássico Cloreto de potássio Sulfato de potássio Nitrogenados Ureia Sulfato de amônio Nitrocálcio Fosfatados Superfosfato simples Superfosfato triplo Monoamônio fosfatado Atenção! Não deixe de contar com o apoio especializado. Tanto a recomendação de correção de solo (com uso de calcário ou outro composto) quanto do fertilizante deverá ser feita pelo responsável técnico, engenheiro agrônomo ou técnico agrícola. Adubação de plantio ou fundação A matéria orgânica contida no solo é resultante de restos vegetais e animais que sofrem a ação de mi- crorganismos (fungos e bactérias) pelo processo conhecido como decomposição. É a parte mais rica do solo, porque a decomposição desses materiais resulta no fornecimento de nutrientes às plantas. Além disso, desempenha papel essencial na manutenção solo, pois influencia a estrutura e a estabilidade do solo, a retenção de água, a manutenção da biodiversidade, dentre outros. 11 Dada a diversidade de matéria orgânica existente, é neces- sário fazer a adubação com os macro e micronutrientes de acordo com a análise química do solo. Também é importante acrescentar uma fonte de matéria orgânica em estágio avançado de decomposição, como o húmus de minhocas. Neste tópico, você vai aprender a fazer a primeira adubação, confira: Em até três dias após o plantio das mudas de cacau, deve- -se abrir duas covas pequenas e rasas, chamadas covetas, a uma distância de 30 cm do caule do cacaueiro, onde serão aplicados fertilizantes que tenham fósforo (P). Esse ele- mento é fundamental para o desenvolvimento das raízes das mudas, e essa adubação é essencial, uma vez que os solos brasileiros são pobres em fósforo. Caso você tenha cacaueiros de baixa produtividade, pre- tenda fazer uma enxertia de topo e trazer novos clones para renovar o cultivo, faça a adubação de plantio em até 3 dias após o enxerto. Na prática 12 O cultivo intensivo de cacaueiros com o uso prolongado de fertilizantes químicos pode resultar numa necessidade maior de micronutrientes pela planta. Isso causa sintomas de deficiência nutricional pela falta de B, Mn, Fe e Cu. No sistema cabruca, por conta da maior diversidade de plantas e árvores, essa perda nutricional costuma ser menor. Para conhecer os sintomas da deficiência nutricional do cacaueiro, clique aqui e conheça o Manual de nutrição e adubação do cacaueiro. Vá além! Adubação de manutenção e de produção A adubação de plantio ou fundação é muito importante, mas não a única! Agora, conheça a adubação de manutenção e de produção. https://www.mercadodocacau.com.br/uploads/files/2022/07/manual-de-nutricao-e-adubacao-do-cacaueiro.pdf 13 Quer saber como é feita a adubação de manutenção e de produção? Então, acompanhe! A adubação de manutenção é feita durante os três primeiros anos de cultivo, utilizando adubos nitrogenados e potássicos, divididos em três parcelas e aplicados em cobertura depois que as mudas se estabeleceram na área, na projeção da copa. A primeira parcela deve ter quarenta por cento da dose total recomendada pelo agrôno- mo ou técnico, e é aplicada no início do período chuvoso. As demais devem ser colocadas em intervalos de cinquenta a sessenta dias, e cada parcela corresponde a trinta por cento da dose total. Caso use adubos de fonte de fósforo, a aplicação pode ser feita de uma única vez, no momento da primeira parcela de adubos contendo nitrogênio e potássio, porque a planta demora para absorver o fósforo. Nos dois primeiros anos, os fertilizantes devem ser incor- porados ao solo. Também são recomendadas as práticas de conservação do solo, como o uso de cobertura morta, como restos vegetais, na projeção da copa, para retenção de umidade e controle de plantas invasoras. A forma de aplicação depende da idade das plantas. Se tiver menos de dois anos, o adubo é depositado ao redor da coroa num raio de meio metro. Entre dois e três anos, num raio de um metro. Entre três e quatro anos, num raio de um metro e meio. A adubação de produção é feita após o quarto ano de cultivo, com adubos contendo nitro- gênio e potássio divididos em pelo menos três parcelas e aplicada a lanço, ou seja, não é necessário revolver a terra para incorporação. Fique atento! O adubo deve ser distribuído no quadrante formado pelas plantas, evitando o desperdício. Dessa maneira, as “ruas” não recebem adubo, gerando economia. A aplica- ção é feita conforme as recomendações citadas anteriormente: a primeira parcela, equiva-lente a quarenta por cento da dose total, é feita no período chuvoso e o restante em até sessenta dias. Muito bem! Agora você já sabe como é feita a adubação de manutenção e de produção. Videoaula De olho no horizonte Acesse o ambiente virtual de aprendizagem para assistir ao vídeo com este conteúdo. Adubação foliar A adubação foliar é importante, principalmente para evitar deficiências de micronutrientes que reduzem a produtividade, muito comum em regiões com solos de baixa fertilidade, como o sudeste da Bahia. 14 Além da análise de solo, é possível fazer a análise das folhas para conhecer os níveis de nutrientes absorvidos e a necessidade de suplementação. O método consiste na análise química que compara uma folha sadia (ou seja, com nutrição adequada) com outra com sintomas de deficiência. Conheça agora o passo a passo dessa adubação. Para isso, colete uma amostra de quatro folhas (amostra simples) de 10 plantas por gleba/talhão/hectare. A união de amostras simples é chamada amostra composta, que será analisada em laboratório. As folhas selecionadas devem ser a terceira da extremida- de de um ramo posicionado na altura mediana da árvore durante o verão (dezembro a janeiro). Evite aquelas com ataque de pragas, doenças, danos me- cânicos ou que tenham recebido produtos químicos. Na prática 15 As folhas devem ser acondicionadas em sacos de papel e enviadas para o laboratório no mesmo dia da coleta. Caso não seja possível fazer o envio em até 8 horas, as amostras devem ser mantidas em temperatura baixa (de 7 a 10 °C). Após a análise, você saberá o nível dos nutrientes presentes nas plantas, o que permitirá uma adubação mais precisa. Nos casos de deficiência de micronutrientes, é necessário fazer adubações mensais até que os sintomas desapareçam. Elas devem ser feitas em dias ensolarados até as 10h. Deve-se pulverizar a solução na parte inferior das folhas. Dos micronutrientes, o zinco é o que mais demanda atenção, já que sua deficiência pode causar a morte da planta. Por isso, consulte um técnico/agrônomo para saber a quantidade a aplicar. Alguns cuidados podem aumentar a eficiência da adubação e reduzir custos: Faça análise do solo e das folhas 1 Faça o controle de pragas e doenças 3 Aplique os adubos foliares em áreas de baixa incidência de ventos e com terreno pouco declivoso 5 Corrija o pH e a fertilidade do solo 2 Faça o manejo do sombreamento compatível com seu sistema de cultivo 4 16 Fertirrigação Uma opção para recuperar áreas dizimadas pela vassoura-de-bruxa é a produção de cacau com mudas clonais, com irrigação e fertirrigação, especialmente em regiões do Semiárido brasileiro. Mas você sabe o que é fertirrigação? Descubra agora! O que é fertirrigação? É o uso de fertilizantes diluídos em água e aplicados diretamente via água de irrigação. Essa é uma alternativa econômica porque otimiza o uso dos equipamentos, reduzindo o custo com a aplicação de agroquímicos. Com a técnica, é possível aumentar o peso das sementes, passando de 0,8 gramas para até 1,4 gramas. podcast Direto do campo Acesse o ambiente virtual de aprendizagem para ouvir esta explicação! Para a fertirrigação ser um sucesso, é preciso manter as condições de água ideais para o cacau e conhe- cer o nutriente mineral aplicado na cultura. Atente-se às necessidades nutricionais do cacaueiro. Agora que você já sabe que a fertirrigação é uma boa ideia, conheça outras vantagens: ⚫ suprimento ideal de nutrientes à cultura, disponibiliza- dos conforme a demanda de absorção da planta; ⚫ pouco desperdício de fertilizantes, já que os nutrientes são aplicados apenas na área irrigada; e ⚫ aplicação parcelada de adubos e, consequentemente, fornecimento uniforme de nutrientes. 17 Para que a fertirrigação seja bem-sucedida, a água deve ser de boa qualidade e os nutrientes usados devem ter alta solubilidade, pois a solução não deve formar precipitados (grumos), que podem entupir o sistema de irrigação. Use os sistemas por gotejamento ou microaspersão, pois a aplicação da água com fertilizante é feita na zona radicular do cacaueiro. A solução deve ter pH entre 5,0 e 6,3 para evitar a precipitação de nutrien- tes e o entupimento dos bicos de irrigação. A frequência de aplicação depende do clima, da textura do solo, da qualidade da água e da idade do cacaueiro, mas, normalmente, são feitas aplicações quinzenais. Confira a seguir a dose adequada de fertilizante. O nitrogênio é bastante requerido quando o cacaueiro está na fase de emis- são de folhas. Então, é necessário aplicar de 10 a 15% da dose total definida pelo agrônomo/técnico antes de cada emis- são foliar, quando as gemas ficam entume- cidas, inchadas. 20% da dose total de fósforo pode ser usada 30 dias após a floração; 70% nos quatro primeiros me- ses de formação dos frutos, e o restante, após esse período. No caso do potássio, 70% devem ser usa- dos no momento do plantio, e 30% aplica- do com o N e o K. Atenção! Elaborar um cronograma detalhado para a aplicação de fertilizantes é uma boa estratégia para alcançar altos rendimentos na lavoura. Não deixe de elaborar o seu! 18 Esta aula teve por objetivo apresentar como deve ser a adubação do ca- caueiro. Você aprendeu sobre: ⚫ A adubação/nutrição de cacaueiros; ⚫ A adubação de manutenção; ⚫ A adubação de produção; ⚫ A adubação foliar; e ⚫ A fertirrigação. Escreva sua resposta na caixa de texto abaixo. Salve este arquivo novamente em seu computador para registrar a reflexão. E na sua porteira? No meu caso, preciso planejar bem os momentos de adubação. A lavoura que está em recuperação pode ter necessidades dife- rentes da área que recebeu novas mudas. Vou precisar coordenar esses dois calendários de forma prática. Como estou em busca de alta produtividade, se eu me descuidar da adubação, não terei os resultados que preciso para a saúde financeira do sítio Santo Isidoro! Agora, diante do cenário apresentado e pensando na sua realidade, reflita: quais técnicas pre- cisam ser aprimoradas na sua propriedade? Agora, avance para a Aula 2 e aprenda a identificar as principais pragas e doenças do cacaueiro, como controlá-las e a importância do manejo integrado nesse processo. 19 Módulo 4 - Aula 2 Controle de pragas e doenças 20 - Edu, sei que a gente tá fazendo um ótimo trabalho e que você tá me acompanhando em cada detalhe. Mas preciso ser sincera: tenho tanto medo que a vassoura-de-bruxa retorne à lavoura e a gente acabe perdendo todo esse esforço... O que podemos fazer pra evitar isso? - Sabe, Gabi, na verdade não é só com a vassoura-de-bruxa que a gente tem que se preocu- par. Existem outras pragas e doenças que podem afetar os cacaueiros... Deixa eu te expli- car. podcast O resgate de Santo Isidoro Acesse o ambiente virtual de aprendizagem para ouvir esta história! No início deste curso, você aprendeu que a vassoura-de-bruxa foi uma das grandes responsáveis pelo declínio da produção de cacau no sul da Bahia. Você se lembra? As lavouras representam um grande atrativo para as pragas que, na maioria das vezes, se espalham rapidamente e cau- sam danos nas culturas. Como solução, temos o controle de pragas agrícolas que pode ser aplicado por meio de diversas técnicas. Nesta aula, você vai conhecer as principais pragas e doenças do cacaueiro, os métodos de controle e o manejo integrado delas. Controle de pragas e doenças O cacaueiro é uma planta bastante suscetível ao ataque de fitopatógenos (fungos e bactérias) e insetos 21 herbívoros. Uma produção sustentável parte da definição de manejos produtivos para prevenir o ataque dessas doenças e pragas. Mas o que é manejo integrado? Manejo integrado nada mais é do que um conjunto de técnicas que, quando unidas, garantem grande proteção aos cultivos contra doenças e pragas. Que tal darmos início ao assunto falando sobre como lidar com as principais pragas e doenças do ca- caueiro?Agora você vai saber mais sobre as pragas e as doenças que afetam o cacaueiro. Acompa- nhe! O cultivo de cacau possui uma diversidade de insetos associados às plantas, desde espé- cies que polinizam as flores até as que causam danos econômicos. No cacaueiro, os insetos herbívoros aparecem na época de lançamento das folhas novas e durante o crescimento dos frutos. No sistema pleno sol, esse momento coincide com temperaturas elevadas e falta de água, estimulando as pragas, que reduzem a produtividade e a qualidade das plan- tações. Por isso, quanto mais espécies vegetais diferentes plantadas em uma área de cultivo, menor a chance de um inseto se tornar uma praga agrícola, já que a diversidade de inimigos natu- rais estimula o equilíbrio entre os indivíduos. Isso torna os sistemas cabruca e agroflorestal mais vantajosos, não é? Mas não são apenas os insetos que causam preocupação! O cacaueiro é uma planta bastante suscetível ao ataque de bactérias e fungos causadores de doenças. Mas como evitá-los? Uma produção sustentável parte de manejos produtivos para prevenir o ataque dessas do- enças e pragas. A estratégia mais efetiva é optar por híbridos ou clones resistentes às principais ameaças no momento da seleção de mudas para cultivo. Outras ações, como a manutenção da diver- sidade vegetal e animal, o manejo do sombreamento, a nutrição das plantas, são fatores importantes para manter o cacaueiro sadio e diminuir os efeitos dos ataques em seu cultivo. Videoaula De olho no horizonte Acesse o ambiente virtual de aprendizagem para assistir ao vídeo com este conteúdo. 22 Porém, caso ainda ocorra a incidência de pragas e doenças na lavoura, é necessário entrar com práticas corretivas, como o uso de inseticidas e outros defensivos, na medida necessá- ria para controlar o problema. Os agroquímicos devem ser utilizados sob recomendação técnica! Quer conhecer em detalhes as principais doenças e pragas? Então, continue seus estudos! Principais doenças do cacaueiro e manejo integrado As doenças são anormalidades provocadas por bactérias, fungos, nematoides e vírus. Podem ser agrava- das por falta ou excesso de nutrientes, água e luz. Portanto, para que aconteça, são necessários: Agente causal (patógeno) Planta suscet�vel Planta �oente A��iente favorável 23 As principais doenças do cacaueiro são de origem fúngica, como: ⚫ a vassoura-de-bruxa (Moniliophthora perniciosa); ⚫ a podridão-parda (Phytophthora spp.); ⚫ o mal-do-facão (Crinipellis perniciosa); e ⚫ a monilíase (Moniliophthora roreri). Outras de impacto econômico são o mal-rosado (Erythricium salmonicolor), a podridão-de-raízes (Roselli- nia sp.), a antracnose (Colletotrichum gloeosporioides) e a morte-súbita (Verticillium dahliae). A seguir, você vai saber mais sobre as principais doenças. Vassoura-de-bruxa Muito já falamos sobre a vassoura-de-bruxa, mas, agora, vamos detalhá-la para que você possa reconhe- cê-la no campo. Por anos, a doença ficou restrita à Amazônia, mas se expandiu por todo o país, chegou aos grandes cen- tros produtores e ainda causa diversos problemas econômicos, sociais e ambientais. Com grande impac- to, pode causar perdas de até 90% da produtividade! Conheça agora os sintomas dessa doença: Os sintomas da vassoura-de-bruxa são a superbro- tação de folhas, o excesso de gemas laterais e o engrossamento (inchaço) dos ramos da planta, que causa o aparecimento de “vassouras”. 24 Elas podem ter forma e tamanho variados e alcançar o triplo do diâmetro, do tamanho e do volume de folhas de um ramo normal. Nos casos mais severos, há formação de tecido morto (necrose) e morte das gemas, sem que surja o aspec- to de vassoura. Pode também ocorrer a formação de flores anormais. Caso os frutos se desenvolvam a partir de flores in- fectadas, apresentam um formato que lembra o mo- rango e não crescem; a coloração também é alterada e passa do verde/vermelho para o preto. 25 Os sintomas da vassoura-de-bruxa são facilmente confundidos com a podridão-parda, doença que você conhecerá a seguir. Para diferenciá-las, apalpe o fruto infectado: o fungo ataca de dentro para fora, ao con- trário da podridão. Atenção! O manejo integrado consiste em impedir o aparecimento da vassoura-de-bruxa e o controle imediato logo quando aparecem os primeiros sintomas. Para isso, faça a poda constantemente, atente-se ao sombreamento e faça aplicação de defensivos à base de cobre. Além disso, ao renovar a lavoura, escolha mudas de híbridos e clones resistentes ao fungo. Podridão-parda Até 1989, era a principal doença do cacaueiro no sul da Bahia. O fungo atinge os frutos, as almofadas florais, os troncos e as raízes e causa o apodrecimento desses tecidos. A doença pode causar perdas que chegam a 30% da produção e ocorre em quase todas as regiões que cultivam o cacau pelo mundo. Os sintomas são pequenas lesões nos frutos, que com 14 dias, apodrecem completamente e apresentam um cheiro característico de peixe. Outras regiões da planta são afetadas: os ramos “chupões” e os lançamentos foliares apresentam lesões necróticas escuras. 26 O controle compreende o uso de medidas preventivas, como: ⚫ a aplicação de fungicidas protetores à base de cobre; ⚫ a retirada dos frutos infectados; ⚫ as colheitas frequentes; ⚫ a redução do sombreamento; ⚫ a poda; e ⚫ o uso de variedades resistentes. Monilíase Trata-se de uma doença muito grave, que ataca os frutos do cacau em qualquer fase do desenvolvimen- to e resulta em perdas totais da produção. Conheça mais sobre a doença: A monilíase está presente em todos os países da América Latina que produzem cacau. No Brasil, a doença ainda é quarentenária, o que significa que ela tem impacto econômico potencial, mas ainda não está amplamente distribuída nem oficialmente con- trolada. Atualmente temos focos detectados no Acre e no Amazonas. Nessas regiões, onde foi constatada o aparecimen- to da monilíase, os danos foram maiores do que os causados pela vassoura-de-bruxa e representam uma ameaça real aos cultivos de cacau no Brasil. 27 A disseminação da doença pode ocorrer pelo con- tato direto com plantios e material vegetal infectado ou pelo contato indireto, por meio de sacarias, equi- pamentos, roupas e até calçados. Observe os sintomas iniciais, que ocorrem nos frutos mais jovens, como a formação de inchaços e depres- sões. Durante o período de 5 a 12 dias após o surgi- mento dos primeiros sintomas, é possível observar a presença de um pó acinzentado na superfície dos frutos. Esse pó são os esporos do fungo, ou seja, as estruturas reprodutivas do patógeno, que vão disse- minar a doença por toda a área de cultivo. Cerca de 45 a 90 dias após a infecção, aparecem manchas cor-de-chocolate ou castanhas-escuras nos frutos. 28 Atenção! Atente-se e monitore seu cultivo, principalmente durante o período de frutificação, para observar se existe algum fruto com os sintomas listados acima. Caso encontre, não retire os frutos das árvores; isole a área e comunique imediatamente às autori- dades competentes: entre em contato com a Ceplac e a Superintendência Federal de Agricultura e Agências de Defesa Estadual (SFA). Lembre-se de que o contato com o fruto contaminado pode disseminar a doença por toda a área! A prevenção é a principal forma de evitar que a monilíase chegue ao seu plantio de cacau. Evite transitar com frutos, sementes e mudas de viveiro não certificados e sacarias. Para conhecer o Protocolo de Biossegurança da Monilíase, clique aqui e consulte as recomendações do Mapa. Vá além! Principais pragas do cacaueiro e manejo integrado Como vimos anteriormente, as pragas reduzem a produtividade e a qualidade das plantações ao se ali- mentarem do cultivo. Além disso, podem transmitir doenças. No caso do cacaueiro, as principais pragas do cultivo são: ⚫ monalônio (Monalonion spp.); ⚫ cigarrinha (Hoplophorionpertusum); ⚫ tripes (Selenothrips rubrocinctus); ⚫ vaquinha (Taimbezinhia theobromae, Percolaspis ornata e Colaspis spp.); e ⚫ ácaro-da-gema-do-cacaueiro (Aceria Reyesi). Selenothrips rubrocinctus http://www.adab.ba.gov.br/arquivos/File/ASCOM2019/Publicacoes2019/14_02_19_Protocolo_de_Biosseguranca.pdf 29 A seguir, você vai saber mais sobre as principais pragas, confira. Monalônio São percevejos conhecidos popular- mente como “chupança”. Os adultos e as formas jovens (ninfas) sugam a seiva dos ramos novos e dos frutos. Até mes- mo as folhas e os pecíolos são atacados por esses insetos, e, caso o ataque seja extremo, o crescimento dos ramos é paralisado, seguido da seca e da queda das folhas. Isso ocorre pois, ao se ali- mentarem, injetam toxinas que causam a necrose dos tecidos. O manejo integrado de pragas e doenças deve ser feito com o monito- ramento da área, por meio de amos- tragens quinzenais da planta durante a fase de lançamento dos frutos, a pré- -formação dos frutos e a frutificação. Atente-se ao sombreamento da lavou- ra: selecione vinte plantas por hectare e observe o aspecto dos frutos. Caso encontre frutos contaminados, aja ime- diatamente: ⚫ colete e queime os frutos danificados; ⚫ limpe a área a fim de eliminar as plan- tas invasoras e podar as plantas; ⚫ use inseticidas registrados no Mapa; e ⚫ opte por clones resistentes. O que é a praga Como fazer o manejo 30 Cigarrinha Os insetos adultos medem cerca de 11 mm de comprimento e são de colora- ção castanha. As fêmeas introduzem os ovos no tecido vegetal, próximo ao pecíolo das folhas mais velhas. As ninfas surgem após a eclosão dos ovos e se alimentam da seiva dos ramos, o que confere a coloração amarelada às folhas, que caem logo em seguida. O manejo integrado compreende o monitoramento quinzenal da seguinte forma: ⚫ observe a presença de adultos, ninfas ou ramos lesionados; ⚫ faça o manejo do sombreamento, pois temperaturas elevadas associadas a períodos de estiagem favorecem a proliferação dos insetos; e ⚫ faça podas de limpeza para eliminar ramos atacados e use inseticidas. O que é a praga Como fazer o manejo 31 Vaquinha As vaquinhas verdes e pretas têm com- primento de 3 a 5 mm e são os insetos que mais atacam as plantas de cacau. Alimentam-se das folhas jovens, sem consumir as nervuras, o que causa um aspecto chamado “rendilhamento”. Também destroem os lançamentos fo- liares, a casca e os frutos do cacaueiro. O monitoramento deve ser feito por meio da divisão da área em glebas com, no máximo 5 ha, da seleção de vinte plantas que tenham o dano de “rendi- lhamento”. Siga este passo a passo: ⚫ coloque um tecido branco estendido sob o cacaueiro e aplique o inseticida recomendado pelo agrônomo/técnico; ⚫ faça a contagem das vaquinhas qua- tro horas após a aplicação. Por ser um predador natural que pode combater diversos insetos-pragas, só causa danos econômicos ao atingir a média de dez indivíduos por planta; ⚫ aplique o defensivo a cada dez dias e suspenda o uso imediatamente ao observar uma redução populacional dos insetos para menos de dez por planta. O controle cultural consiste no uso do sombreamento ideal, que crie condi- ções desfavoráveis para o desenvolvi- mento da praga. O que é a praga Como fazer o manejo 32 Ácaro-da-gema É um inseto pequeno, com cerca de 0,2 mm de comprimento e coloração ama- relo-alaranjada. Em 1979, foi encontra- do pela primeira vez na Bahia, quando causou danos severos à cultura. Os sintomas são o surgimento de folhas cloróticas, com aspecto retorcido e alongadas. Após o ataque, o cacaueiro perde a dominância apical e os ramos passam a emitir várias gemas laterais. O inseto se localiza nas gemas e causa a atrofia da gema terminal, que resulta em diminuição dos entrenós e queda das folhas. A depender da intensidade do ataque, o cacaueiro pode morrer pela queda dos primórdios foliares. O manejo integra- do é feito com inseticidas/acaricidas es- pecíficos para o gênero Eriophyidae, pois não há registros no Mapa de produtos químicos específicos para essa praga. O que é a praga Como fazer o manejo Além das pragas citadas aqui, é importante que você conheça também os tripes. Clique aqui e conheça mais sobre esse inseto. Conheça também os manuais de Manejo Integrado de Pragas (MIP). É só clicar sobre os títulos a seguir: • Manejo Integrado de Pragas: tudo o que você precisa saber sobre ele • Manejo Integrado de Pragas do Cacaueiro Vá além! São muitas pragas e doenças que podem causar danos ao cacaueiro, não é mesmo? Por isso, é preciso atentar-se à lavoura e observar atentamente os cacaueiros para agir logo ao primeiro sinal de anormali- dade. Você viu também que, em alguns casos, há a orientação de aplicar defensivos agrícolas, sempre sob a orientação de um técnico especializado. Também é fundamental o uso de EPIs. Mas você sabe o que é isso? Descubra agora! https://www.researchgate.net/publication/343430490_Tripes-do-cacaueiro_Selenothrips_rubrocinctus_Giard https://blog.aegro.com.br/manejo-integrado-de-pragas/ https://biblioteca.incaper.es.gov.br/digital/bitstream/123456789/4123/1/Renan-queiroz-MIP-Cacaueiro.pdf 33 Para que usar EPIs? EPI significa Equipamento de Proteção Individual e se refere aos acessórios que garantem a segurança do trabalhador. Os principais EPIs na agricultura são as luvas, as máscaras, os óculos, uniforme cobrindo braços, peito e pernas e as botinas de proteção. Os itens devem ser aprovados pelo Ministério do Trabalho, garantindo que o EPI é capaz de resguardar o trabalhador dos riscos da atividade. podcast Direto do Campo Acesse o ambiente virtual de aprendizagem para ouvir esta explicação! Diz o Currículo… O Currículo de Sustentabilidade do Cacau traz algumas orientações específicas sobre o uso de defensivos agrícolas. Veja: ⚫ não manuseie e/ou aplique defensivos sem equipamento de proteção individual (EPI); ⚫ não use substâncias comerciais (químicas, biológicas ou orgânicas) para controle de pragas e doenças sem aprovação do Mapa/Anvisa no Brasil; ⚫ use apenas defensivos indicados por receituário agronômico, implemente estraté- gias de alternância de princípios ativos e respeite as dosagens propostas em bulas, o período de carência e o intervalo de reentrada nas áreas; ⚫ disponha de um lugar apropriado para tríplice lavagem (ou lavagem sob pressão em pulverizador) das embalagens vazias de defensivos. Armazene-as de maneira apropriada (lugar seguro, isolado e identificado) sempre lavadas e perfuradas, até sua correta devolução; ⚫ tenha um local adequado para manuseio de defensivos e misturas de caldas para aplicação; ⚫ não use embalagens de defensivos para qualquer outra finalidade; ⚫ mantenha os defensivos em condições adequadas de armazenamento, com iden- tificação de perigo e riscos, em ambiente fechado e ventilado, de acesso restrito e adequado à legislação; 34 ⚫ os locais de armazenamento de defensivos devem ter sistema de contenção de vazamento e respeitar as distâncias recomendadas de mananciais, residências e estradas; e ⚫ separe os produtos vencidos dos demais e armazene-os em local seguro até o mo- mento da devolução. As embalagens vazias de defensivos devem retornar correta- mente quando houver chances de devolução. Para tanto, mantenha arquivados os recibos de devolução. O trabalhador responsável por aplicar os defensivos agrícolas deve seguir os pro- cedimentos estabelecidos na Normativa Regulamentadora n.º 31. Ela estabelece o uso obrigatório de EPIs e a posse do certificado de treinamento para exercer essa função. Lembre-se: segurança em primeiro lugar! Vá além! https://www.gov.br/trabalho-e-previdencia/pt-br/composicao/orgaos-especificos/secretaria-de-trabalho/inspecao/seguranca-e-saude-no-trabalho/normas-regulamentadoras/nr-31-atualizada-2020.pdf 35 Esta aula teve por objetivo apresentar as principais pragas e doenças do cacaueiro.Você aprendeu sobre: ⚫ as principais pragas e doenças do cacaueiro; ⚫ os métodos de controle de pragas e doenças; e ⚫ o manejo integrado de pragas e doenças. Escreva sua resposta na caixa de texto abaixo. Salve este arquivo novamente em seu computador para registrar a reflexão. E na sua porteira? Realmente, há mais pragas que podem afetar minha lavoura do que a vassoura-de-bruxa. O monitoramento quinzenal, a observa- ção da lavoura e a busca por indícios de pragas ou doenças é algo que precisa entrar na minha rotina. E, caso eu identifique algo diferente, precisarei consultar esses materiais que o Edu sepa- rou para saber a forma mais adequada de agir. Preciso conseguir identificar a praga quando ela ainda não afetou grande parte da lavoura! Agora, diante do cenário apresentado e pensando na sua realidade, reflita: quais ações você poderia tomar para manter sua lavoura livre de pragas e doenças? Agora, avance para a Aula 3 e compreenda a importância das podas para o cacaueiro e os principais tipos usados. 36 Módulo 4 - Aula 3 Poda 37 - Edu, você comentou que semana que vem precisaremos fazer as podas dos cacaueiros que plantamos na área nova... Não seria melhor a gente deixar que a planta cresça natural- mente, pra ter mais galhos e produzir mais frutos? - Ah, Gabi, pra ter alta produtividade, as coisas não funcionam dessa maneira... Uma poda bem-feita faz com que a planta tenha mais equilíbrio, cresça com vigor e produza mais, além de manter a copa em uma altura que facilita o manejo. Vamos conversar mais sobre isso... podcast Direto do campo Acesse o ambiente virtual de aprendizagem para ouvir esta explicação! A poda da planta do cacau serve para dar forma e equilíbrio, além de melhores condições de produção, por meio de eliminação de ramos doentes, secos, sombreados e malformados. Sem ela, o cacaueiro pode atingir até oito metros de altura, como vimos lá no Módulo 2. Mas a altura descontrolada é um entrave tanto para a colheita comercial quanto para a distribuição nutri- cional da planta! Nesta aula, você vai aprender tudo sobre essa importante etapa do manejo da lavoura. Importância da poda do cacaueiro Poda é, basicamente, o ato de retirar parte de plantas e cortar ramos inúteis. No cacaueiro, ela é feita para dar forma à copa, promover melhor luminosidade e evitar o autossombreamento dos ramos, que prejudica o processo de fotossíntese. Veja algumas das vantagens dessa prática: 38 ⚫ contribui para o arejamento da plantação; ⚫ evita o aparecimento de doenças; ⚫ minimiza a invasão de copas por plantas vizinhas, que prejudica o manejo da cultura; e ⚫ garante que as plantas tenham uma altura que facilite o processo de colheita. Diz o Currículo… De acordo com o Currículo de Sustentabilidade do Cacau, é fundamental imple- mentar práticas de poda conforme recomendação técnica e que considerem a otimi- zação da luz, a nutrição e a fitossanidade a fim de visar à produtividade e à eficiência operacional. Agora que você já sabe por que a poda é importante, deve estar se perguntando como ela deve ser feita. Mas, primeiro, vamos falar das ferramentas usadas no processo. Quais as ferramentas utilizadas na poda do cacau? Para cortar ramos flexíveis sem causar danos à planta nem propiciar o desenvolvimento de doenças e pragas, utilize tesouras de podas, facão ou faca. Para ramos grossos, escolha o serrote. O corte deve ser sempre no formato “bisel” para evitar assim o acúmulo de água e apodrecimento do ramo. podcast Direto do campo Acesse o ambiente virtual de aprendizagem para ouvir esta explicação! 39 Quando a poda é feita em excesso ou sem critérios técnicos, com a retirada de ramos produtivos, sa- dios e expostos ao sol, podem ocorrer diversos problemas. Confira os principais no infográfico a seguir: Aumento da emissão de novos brotos e ramos no cacaueiro, o que dificulta e exige maior manejo e mão de obra Diminuição da produtividade, por causa da necessidade de nutrir ramos dispensáveis Aumento dos custos com controle, por causa da necessidade maior de roçagens Crescimento excessivo de plantas daninhas, devido à maior incidência de luz na área Problemas da poda malfeita Tipos de podas São quatro os tipos de poda para a manutenção do cacaueiro: de formação, de manutenção, de reabilita- ção e poda fitossanitária. Cada uma delas tem funções específicas e devem ser feitas conforme as orien- tações que você aprenderá a seguir. Poda de formação Também chamada de poda precoce, é feita nas plantas jovens, na fase de viveiro ou em áreas novas/em renovação. O objetivo é dar forma e equilíbrio à planta por meio da retirada de brotos e de galhos inde- sejáveis. Busca-se uma copa formada por 3 ou 4 galhos principais, em formato de cálice. Descubra como a poda de formação deve ser feita: 40 Os cacaueiros com idade média de 12 meses têm altura de 1,20 m. Nessa idade, o ramo principal tem o crescimento paralisado e emite de 3 a 5 ramos que vão formar a coroa. É a partir da coroa que inicia o processo de construção da arquitetura da copa, por meio da seleção dos ramos, que vão definir o equilíbrio da planta e eliminar os ramos com espessura diferenciada, que podem causar desequilíbrio ao cacau. A copa formada nessa etapa inicial de desenvolvimento do cacaueiro será a estrutura futura da árvore e, nos ramos primários, surgirão a maioria dos frutos. Nos anos seguintes (2.º e 3.º) são selecionados os ramos secundários e, assim, consecutivamente, até a formação da copa da árvore, em formato de taça. Os ramos que esti- verem muito próximos uns aos outros e os que crescerem no sentido interior da copa devem ser excluídos. Na prática 41 Algumas variedades, como a Criollo, tendem a ter uma ramificação voltada para baixo, que prejudica o sombrea- mento e a ventilação no interior da copa. Nesse caso, a poda de formação deve ser mais cautelosa, de modo a retirar ramos ou partes da planta que atingi- rem a superfície do solo para proporcionar o crescimento de ramos laterais fortes com direção ascendente. Poda de manutenção Esta poda busca formar uma planta com uma copa mais eficiente na captação de luz e favorecer a fase de reprodução (produção de flores e frutos). Também é feita para manter as plantas dentro do espaça- mento planejado inicialmente e evitar o autossombreamento. É feita quando o cacaueiro tem mais de 2 ou 3 anos de idade, por meio de uma poda leve, para retirar apenas os galhos mortos ou mal posicionados, uma ou duas vezes ao ano, no verão. Mas quais ramos devem ser retirados? Como vimos nas aulas anteriores, o cacaueiro produz ramos ortotrópicos (ramos com folhas que crescem no formato de leque ao longo da haste, de ambos os lados) e plagiotrópicos (conhecidos como “ramos chupeta” ou “chupão”, têm folhas que crescem ao redor do caule e surgem logo abaixo dos ramos orto- trópicos). Ambos são de grande importância no manejo da cultura, porque influenciam a arquitetura da copa da planta e a produtividade. 42 Ramos ortotrópicos Ramos plagiotrópicos A poda deve ser feita para retirar todos esses ramos abaixo do joguete. Se isso não for feito, o cresci- mento vertical será prejudicado e afetará todo o desenvolvimento e a produção de frutos. Ramos mortos, doentes, fracos, secos, que estão muito próximos uns aos ou- tros ou pendurados na árvore devem ser eliminados ainda novos. O objetivo é impedir o desvio de nutrientes destinados para os frutos. A poda estimula novos ramos vegetativos e busca alcançar um equilíbrio com a parte produti- va da planta. Evite remover ramos em leque. Poda de reabilitação A poda de reabilitação representa a reestruturação do cacaueiro que se tornou improdutivo, porque foi descuidado e cresceu livremente na área ou por abandono da plantação. Saiba agora como proceder nesses casos: 43 As podas devem ser parciais, manter os ramos mais vigo- rosos, com folhas bonitas e distribuiçãouniforme, que crescem no sentido da luz e não do solo. Mantenha o caule também, pois isso vai estimular o brota- mento de ramos ou “chupões” na parte basal da planta. Retire os ramos que não estejam bem-posicionados ou caídos ao solo e deixe apenas 25% dos ramos com melhor aspecto visual. Após o brotamento de novos ramos, os me- lhores rebentos serão selecionados para substituir a copa velha da árvore. Se a plantação estiver em péssimas condições, pode ser feita a poda completa do caule a uma altura média de 80 cm acima do solo e que deixe os rebentos ou “chupões” crescerem. Na prática 44 Atenção! Você sabia que a plantação de cacau costuma reagir muito bem à poda parcial? Quando associada a um bom manejo de adubação e a um programa eficiente de controle de pragas, doenças e plantas invasoras, a produtividade pode aumentar ano após ano. Poda fitossanitária Essa poda deve ser feita em todas as plantas, no viveiro ou no campo. Consiste em retirar todos os ramos ou as folhas doentes com o auxílio de uma tesoura de poda. Quando as plantas são adultas, pode-se eliminar toda a parte da planta atacada por doenças ou pragas, como folhas, botões florais, ramos ou frutos. A poda fitossanitária é primordial para o controle da vassoura-de-bruxa, pois remove os galhos atacados, verdes ou secos. Atente-se a essas orientações: ⚫ elimine os ramos contaminados para impedir a propaga- ção dos agentes infecciosos; ⚫ higienize as ferramentas usadas sempre que for passar de uma planta para outra, principalmente se houver incidência de mal-do-facão; ⚫ para isso, use uma solução de hipoclorito: água e água sanitária (100 ml de água sanitária para cada 1000 ml de água). 45 A desbrota (eliminação de ramos que não produzem frutos) e a limpeza geralmente são feitas ao fim da safra por meio do corte dos galhos secos e doentes. A desbrota é feita antes do período chuvoso (de setembro a no- vembro) e grande parte acontece durante a colheita dos frutos. Esta aula trouxe tudo o que você precisa saber sobre as podas, para que você possa manter os cacaueiros saudáveis e com alta produtividade! Você aprendeu sobre: ⚫ a importância da poda do cacaueiro; e ⚫ os tipos de podas: de formação, de manutenção, de reabilitação e a poda fitossanitária. Escreva sua resposta na caixa de texto abaixo. Salve este arquivo novamente em seu computador para registrar a reflexão. E na sua porteira? No meu caso, vejo que descuidamos das podas de manutenção na lavoura antiga. Precisaremos fazer uma poda de reabilitação nessa área para dar nova forma aos cacaueiros que não foram substituídos para, assim, aumentar a produtividade. Também preciso planejar direitinho meu cronograma para incluir podas fitossanitárias na lavoura antiga, na lavoura nova e até no viveiro de mudas. Agora, pense na realidade da propriedade em que você atua: as podas são feitas adequada- mente? Alguma técnica precisa ser revista? Muito bem! Depois de todo esse aprendizado, você já pode responder à próxima atividade. 46 Atividade de aprendizagem 47 Este é um momento de autoavaliação, em que você vai poder refletir e validar o que aprendeu neste módulo. Leia com atenção a pergunta e, no ambiente virtual de aprendizagem, escolha a resposta ade- quada. D) Para fazer a adubação foliar, é necessário fazer a amostragem periódica do solo para avaliar o teor de nutrientes disponíveis, principalmente os elementos N, P e K, bem como observar os aspectos físicos e químicos do solo para fazer a aplicação de adubo. C) A adubação de manutenção e de produção é feita a partir do primeiro ano de cultivo e consiste na aplicação de adubos ricos em N e K, aplicados a lanço ou in- corporados ao solo, de forma parcelada. B) Os micronutrientes (B, Mn, Fe e Cu) têm pouca importância para o cacau, pois a planta não necessita desses elementos para fazer os processos vitais de crescimen- to e desenvolvimento. Tampouco há expressão de sintomas na planta quando são escassos no solo. A) A adubação de plantio (fundação) é feita no momento do plantio por meio da abertura de covas rasas para aplicação de fertilizantes ricos em P. Este elemento químico tem função primordial nas fases iniciais de desenvolvimento do cacaueiro. E) A fertirrigação é uma prática muito comum em regiões do Semiárido brasileiro e consiste em fazer aplicações de adubos nitrogenados, potássicos e que contêm micronutrientes todas as vezes que for feita a rega das plantas. Questão 1 O fornecimento adequado de nutrientes é um aspecto crucial para se al- cançar bons rendimentos na lavoura de cacau. Assim, com base nos tipos de adubação do cacaueiro, assinale verdadeiro ou falso: Atividade de aprendizagem 48 D) As cigarrinhas ficam alojadas na face inferior das folhas e nas superfícies dos frutos e seu hábito de alimentação é do tipo raspador-sugador. Os sinais corres- pondem ao amarelecimento das folhas e a formação de frutos com coloração marrom. C) O monalônio é uma praga causada por vaquinhas que se alimentam das folhas e formam o efeito chamado “rendilhado”. O intenso ataque causa seca e queda das folhas e compromete o desenvolvimento e a produção de frutos. B) A podridão-parda pode causar perdas significativas, se não controlada no início. Os sintomas compreendem a formação de lesões nos frutos que apresentam odor fétido, parecido com o de peixe. Ramos e lançamentos foliares também são atingi- dos. A) A vassoura-de-bruxa foi, por muito tempo, a principal doença do cacaueiro. Hoje, não tem tanta importância. A doença, causada por uma bactéria, atinge ape- nas o fruto, o qual passa a ter uma coloração amarronzada. Questão 2 O cacaueiro é uma planta de clima tropical, nativa de florestas. Devido a essa característica, a cultura é bastante suscetível ao ataque de pragas e doenças que comprometem em até 100% as perdas de produtividade. A respeito das principais doenças e pragas do cacaueiro, assinale a alternati- va correta: Atividade de aprendizagem 49 D) A poda fitossanitária é feita apenas em viveiro e tem o objetivo de conduzir os ramos de forma a melhorar o sombreamento e a ventilação da área e, assim, criar condições desfavoráveis para o surgimento de pragas e doenças e retirar os ramos chupões que prejudicam o desenvolvimento da planta. C) A poda de reabilitação é indicada para áreas que se tornaram improdutivas. É feita com podas parciais, que mantêm os melhores ramos e caule, para estimular o brotamento de ramos ou “chupões” na parte basal da planta. B) A poda de manutenção é feita quando o cacau está na fase de produção de frutos e é feita para promover uma melhor ventilação no interior das copas das ár- vores. São retirados todos os galhos e os ramos desnecessários e mantidos apenas os ramos plagiotrópicos (chupões). A) A poda de formação é feita em mudas na fase de viveiro com o objetivo de con- trolar pragas e doenças por meio da remoção de partes infectadas. O corte pode ser feito com um canivete no formato de um ângulo reto. Questão 3 O cacaueiro é uma planta de crescimento dimórfico, o que demanda um calendário de poda bastante criterioso. A poda é feita para direcionar a arquitetura da copa e promover diversos benefícios à plantação. Sobre poda do cacaueiro, assinale verdadeiro ou falso: Atividade de aprendizagem Campo de texto 8: Campo de texto 11: Campo de texto 12: Campo de texto 18: Campo de texto 19: Campo de texto 20: Campo de texto 21: Campo de texto 22: Caixa de seleção 57: Off Caixa de seleção 58: Off Caixa de seleção 59: Off Caixa de seleção 60: Off Campo de texto 28: Campo de texto 29: Campo de texto 30: Campo de texto 31: