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Módulo 4
Manejo da Lavoura
6
Olá! Receba nossas boas-vindas ao Módulo 4 do curso!
 
Você já deve saber que, para ter uma lavoura com boa produtividade, não basta apenas plantar boas 
sementes. É preciso cultivá-las, ou seja, cuidar do seu crescimento em todas as etapas.
 
Por isso, neste módulo, você vai aprender sobre diferentes tipos de adubação, para garantir os nutrien-
tes necessários às plantas. Vai aprender também como fazer o controle de pragas e doenças por meio do 
manejo integrado e, por fim, como fazer as podas no cacaueiro.
 
 
Tudo pronto para adquirir todo esse conhecimento? Então, avance para a Aula 1 e comece seus estu-
dos!
7
Módulo 4 - Aula 1
Adubação
8
- Edu, tô impressionada com os resultados que a gente tem alcançado nessa trajetória. Am-
pliamos a lavoura e estamos renovando a área que já tínhamos... Vi que várias vezes você 
mexeu com adubo, mas ainda não te perguntei sobre o assunto...
 
- É verdade, Gabi. Se você quer uma lavoura altamente produtiva, não pode descuidar dos 
nutrientes que são oferecidos aos cacaueiros. Tenho aplicado adubos tanto na lavoura nova 
quanto na antiga, e tem técnica pra isso. Deixa eu te explicar melhor...
podcast 
O resgate de Santo Isidoro
Acesse o ambiente virtual de aprendizagem para ouvir esta história!
 
A adubação é um processo de extrema importância numa plantação, pois é responsável pela qualidade 
dos produtos cultivados. A prática nutre a planta com substâncias necessárias para seu crescimento sau-
dável, e isso se reflete na produtividade e na lucratividade do produtor.
 
Nesta aula, você vai aprender sobre a nutrição dos cacaueiros e conhecer diferentes formas de aduba-
ção.
Adubação/nutrição de cacaueiros
 
Você já sabe que, assim como os seres humanos, as plantas precisam estar nutridas para crescerem for-
tes e saudáveis. Para a lavoura de cacau, como em muitas outras, o mais comum é o uso de fertilizantes. 
Seu uso tem relação com alguns aspectos, como:
 
 ⚫ o tipo de solo (disponibilidade de nutrientes e textura);
 ⚫ a produtividade esperada; e
 ⚫ a necessidade de reposição de nutrientes em cada ciclo 
ou safra.
 
9
No caso das plantas, os nutrientes essenciais podem ser de dois tipos, ambos essenciais para promover o 
desenvolvimento e a formação de flores e frutos saudáveis, veja a seguir:
 
São requeridos em 
maior quantidade pela 
planta. Os principais 
são: nitrogênio (N), 
potássio (K), fósforo 
(P), cálcio (Ca), magné-
sio(Mg) e enxofre (S).
São necessários para 
os vegetais, mas em 
quantidade menor. Os 
principais são: boro 
(B), cloro (Cl), mo-
libdênio (Mb), cobre 
(Cu), ferro (Fe), zinco 
(Zn) e manganês (Mn).
Macronutrientes Micronutrientes 
N
K
PK
Mg N
Ca
S
P
B
Fe
Zn
Mg
Cu
Mb
Cl
 
A adubação é feita após a correção do pH do solo, no momento do plantio e durante o crescimento e o 
desenvolvimento da cultura em campo. Adubos orgânicos ou químicos, com diferentes teores de nu-
trientes, podem ser usados como fertilizantes. Confira a diferença entre eles.
 
Os adubos orgânicos são obtidos por meio de materiais de 
origem vegetal ou animal.
 
São ricos em N, P e K e micronutrientes, disponíveis na for-
ma de esterco, farinhas, bagaços, cascas e restos vegetais, 
decompostos ou em processo de decomposição.
 
Eles melhoram a qualidade física, química e biológica do 
solo.
Os adubos químicos são encontrados em três tipos principais. Confira:
10
 
Adubos químicos
Outros
Enxofre, boro, 
cobre, ferro, 
manganês, zinco
Potássico
Cloreto de 
potássio
Sulfato de 
potássio
Nitrogenados
Ureia
Sulfato de 
amônio
Nitrocálcio
Fosfatados
Superfosfato 
simples
Superfosfato 
triplo
Monoamônio 
fosfatado
Atenção!
Não deixe de contar com o apoio especializado. Tanto a recomendação de correção 
de solo (com uso de calcário ou outro composto) quanto do fertilizante deverá ser 
feita pelo responsável técnico, engenheiro agrônomo ou técnico agrícola.
 
Adubação de plantio ou fundação
 
A matéria orgânica contida no solo é resultante de restos vegetais e animais que sofrem a ação de mi-
crorganismos (fungos e bactérias) pelo processo conhecido como decomposição. É a parte mais rica do 
solo, porque a decomposição desses materiais resulta no fornecimento de nutrientes às plantas. Além 
disso, desempenha papel essencial na manutenção solo, pois influencia a estrutura e a estabilidade do 
solo, a retenção de água, a manutenção da biodiversidade, dentre outros.
 
 
11
Dada a diversidade de matéria orgânica existente, é neces-
sário fazer a adubação com os macro e micronutrientes de 
acordo com a análise química do solo.
 
Também é importante acrescentar uma fonte de matéria 
orgânica em estágio avançado de decomposição, como o 
húmus de minhocas.
 
 Neste tópico, você vai aprender a fazer a primeira adubação, confira:
 
 
Em até três dias após o plantio das mudas de cacau, deve-
-se abrir duas covas pequenas e rasas, chamadas covetas, a 
uma distância de 30 cm do caule do cacaueiro, onde serão 
aplicados fertilizantes que tenham fósforo (P). Esse ele-
mento é fundamental para o desenvolvimento das raízes 
das mudas, e essa adubação é essencial, uma vez que os 
solos brasileiros são pobres em fósforo.
Caso você tenha cacaueiros de baixa produtividade, pre-
tenda fazer uma enxertia de topo e trazer novos clones 
para renovar o cultivo, faça a adubação de plantio em até 
3 dias após o enxerto.
Na prática
 
12
O cultivo intensivo de cacaueiros com o uso prolongado 
de fertilizantes químicos pode resultar numa necessidade 
maior de micronutrientes pela planta. Isso causa sintomas 
de deficiência nutricional pela falta de B, Mn, Fe e Cu.
No sistema cabruca, por conta da maior diversidade de 
plantas e árvores, essa perda nutricional costuma ser 
menor.
 
Para conhecer os sintomas da deficiência nutricional do cacaueiro, clique aqui e 
conheça o Manual de nutrição e adubação do cacaueiro.
Vá além!
 
Adubação de manutenção e de produção
 
A adubação de plantio ou fundação é muito importante, mas não a única! Agora, conheça a adubação de 
manutenção e de produção.
 
https://www.mercadodocacau.com.br/uploads/files/2022/07/manual-de-nutricao-e-adubacao-do-cacaueiro.pdf
13
Quer saber como é feita a adubação de manutenção e de produção? Então, acompanhe! 
A adubação de manutenção é feita durante os três primeiros anos de cultivo, utilizando 
adubos nitrogenados e potássicos, divididos em três parcelas e aplicados em cobertura 
depois que as mudas se estabeleceram na área, na projeção da copa.
 
A primeira parcela deve ter quarenta por cento da dose total recomendada pelo agrôno-
mo ou técnico, e é aplicada no início do período chuvoso. As demais devem ser colocadas 
em intervalos de cinquenta a sessenta dias, e cada parcela corresponde a trinta por cento 
da dose total.
 
Caso use adubos de fonte de fósforo, a aplicação pode ser feita de uma única vez, no 
momento da primeira parcela de adubos contendo nitrogênio e potássio, porque a planta 
demora para absorver o fósforo. Nos dois primeiros anos, os fertilizantes devem ser incor-
porados ao solo. Também são recomendadas as práticas de conservação do solo, como 
o uso de cobertura morta, como restos vegetais, na projeção da copa, para retenção de 
umidade e controle de plantas invasoras.
 
A forma de aplicação depende da idade das plantas. Se tiver menos de dois anos, o adubo é 
depositado ao redor da coroa num raio de meio metro. Entre dois e três anos, num raio de 
um metro. Entre três e quatro anos, num raio de um metro e meio.
 
A adubação de produção é feita após o quarto ano de cultivo, com adubos contendo nitro-
gênio e potássio divididos em pelo menos três parcelas e aplicada a lanço, ou seja, não é 
necessário revolver a terra para incorporação.
 
Fique atento! O adubo deve ser distribuído no quadrante formado pelas plantas, evitando 
o desperdício. Dessa maneira, as “ruas” não recebem adubo, gerando economia. A aplica-
ção é feita conforme as recomendações citadas anteriormente: a primeira parcela, equiva-lente a quarenta por cento da dose total, é feita no período chuvoso e o restante em até 
sessenta dias.
 
Muito bem! Agora você já sabe como é feita a adubação de manutenção e de produção.
Videoaula 
De olho no horizonte
Acesse o ambiente virtual de aprendizagem para assistir ao vídeo 
com este conteúdo.
Adubação foliar
 
A adubação foliar é importante, principalmente para evitar deficiências de micronutrientes que reduzem 
a produtividade, muito comum em regiões com solos de baixa fertilidade, como o sudeste da Bahia.
 
14
Além da análise de solo, é possível fazer a análise das folhas para conhecer os níveis de nutrientes 
absorvidos e a necessidade de suplementação. O método consiste na análise química que compara uma 
folha sadia (ou seja, com nutrição adequada) com outra com sintomas de deficiência. Conheça agora o 
passo a passo dessa adubação.
 
Para isso, colete uma amostra de quatro folhas (amostra 
simples) de 10 plantas por gleba/talhão/hectare. A união 
de amostras simples é chamada amostra composta, que 
será analisada em laboratório.
As folhas selecionadas devem ser a terceira da extremida-
de de um ramo posicionado na altura mediana da árvore 
durante o verão (dezembro a janeiro).
Evite aquelas com ataque de pragas, doenças, danos me-
cânicos ou que tenham recebido produtos químicos.
Na prática
 
15
As folhas devem ser acondicionadas em sacos de papel e 
enviadas para o laboratório no mesmo dia da coleta. Caso 
não seja possível fazer o envio em até 8 horas, as amostras 
devem ser mantidas em temperatura baixa (de 7 a 10 °C).
Após a análise, você saberá o nível dos nutrientes presentes nas plantas, o que permitirá uma adubação 
mais precisa. Nos casos de deficiência de micronutrientes, é necessário fazer adubações mensais até que 
os sintomas desapareçam. Elas devem ser feitas em dias ensolarados até as 10h. Deve-se pulverizar a 
solução na parte inferior das folhas.
 
Dos micronutrientes, o zinco é o que mais demanda atenção, já que sua deficiência pode causar a morte 
da planta. Por isso, consulte um técnico/agrônomo para saber a quantidade a aplicar.
 
Alguns cuidados podem aumentar a eficiência da adubação e reduzir custos:
 
Faça análise do solo e 
das folhas
1
Faça o controle de 
pragas e doenças
3
Aplique os adubos foliares 
em áreas de baixa 
incidência de ventos e com 
terreno pouco declivoso
5
Corrija o pH e a 
fertilidade do solo
2
Faça o manejo do 
sombreamento compatível 
com seu sistema de cultivo
4
 
 
16
Fertirrigação
Uma opção para recuperar áreas dizimadas pela vassoura-de-bruxa é a produção de cacau com mudas 
clonais, com irrigação e fertirrigação, especialmente em regiões do Semiárido brasileiro. Mas você sabe o 
que é fertirrigação? Descubra agora!
 
O que é fertirrigação?
 
É o uso de fertilizantes diluídos em água e aplicados diretamente via água de irrigação. Essa 
é uma alternativa econômica porque otimiza o uso dos equipamentos, reduzindo o custo 
com a aplicação de agroquímicos. Com a técnica, é possível aumentar o peso das sementes, 
passando de 0,8 gramas para até 1,4 gramas.
podcast 
Direto do campo
Acesse o ambiente virtual de aprendizagem para ouvir esta explicação!
 
 Para a fertirrigação ser um sucesso, é preciso manter as condições de água ideais para o cacau e conhe-
cer o nutriente mineral aplicado na cultura. Atente-se às necessidades nutricionais do cacaueiro.
 
Agora que você já sabe que a fertirrigação é uma boa ideia, conheça outras vantagens:
 
 
 ⚫ suprimento ideal de nutrientes à cultura, disponibiliza-
dos conforme a demanda de absorção da planta; 
 ⚫ pouco desperdício de fertilizantes, já que os nutrientes 
são aplicados apenas na área irrigada; e 
 ⚫ aplicação parcelada de adubos e, consequentemente, 
fornecimento uniforme de nutrientes.
17
Para que a fertirrigação seja bem-sucedida, a água deve ser de boa qualidade e os nutrientes usados 
devem ter alta solubilidade, pois a solução não deve formar precipitados (grumos), que podem entupir o 
sistema de irrigação.
 
Use os sistemas por gotejamento ou microaspersão, pois a aplicação da água com fertilizante é feita na 
zona radicular do cacaueiro. A solução deve ter pH entre 5,0 e 6,3 para evitar a precipitação de nutrien-
tes e o entupimento dos bicos de irrigação.
 
A frequência de aplicação depende do clima, da textura do solo, da qualidade da água e da idade do 
cacaueiro, mas, normalmente, são feitas aplicações quinzenais. Confira a seguir a dose adequada de 
fertilizante.
 
O nitrogênio é 
bastante requerido 
quando o cacaueiro 
está na fase de emis-
são de folhas. Então, 
é necessário aplicar 
de 10 a 15% da dose 
total definida pelo 
agrônomo/técnico 
antes de cada emis-
são foliar, quando as 
gemas ficam entume-
cidas, inchadas.
20% da dose total 
de fósforo pode ser 
usada 30 dias após 
a floração; 70% nos 
quatro primeiros me-
ses de formação dos 
frutos, e o restante, 
após esse período.
No caso do potássio, 
70% devem ser usa-
dos no momento do 
plantio, e 30% aplica-
do com o N e o K.
Atenção!
 Elaborar um cronograma detalhado para a aplicação de fertilizantes é uma boa 
estratégia para alcançar altos rendimentos na lavoura. Não deixe de elaborar o seu!
18
 
Esta aula teve por objetivo apresentar como deve ser a adubação do ca-
caueiro. Você aprendeu sobre:
 
 ⚫ A adubação/nutrição de cacaueiros;
 ⚫ A adubação de manutenção;
 ⚫ A adubação de produção;
 ⚫ A adubação foliar; e
 ⚫ A fertirrigação.
Escreva sua resposta na caixa de texto abaixo. 
Salve este arquivo novamente em seu computador para registrar a reflexão. 
E na sua porteira?
No meu caso, preciso planejar bem os momentos de adubação. 
A lavoura que está em recuperação pode ter necessidades dife-
rentes da área que recebeu novas mudas. Vou precisar coordenar 
esses dois calendários de forma prática. Como estou em busca 
de alta produtividade, se eu me descuidar da adubação, não terei 
os resultados que preciso para a saúde financeira do sítio Santo 
Isidoro!
Agora, diante do cenário apresentado e pensando na sua realidade, reflita: quais técnicas pre-
cisam ser aprimoradas na sua propriedade?
 
Agora, avance para a Aula 2 e aprenda a identificar as principais pragas e doenças do cacaueiro, como 
controlá-las e a importância do manejo integrado nesse processo.
19
Módulo 4 - Aula 2
Controle de pragas 
e doenças
20
 
- Edu, sei que a gente tá fazendo um ótimo trabalho e que você tá me acompanhando em 
cada detalhe. Mas preciso ser sincera: tenho tanto medo que a vassoura-de-bruxa retorne à 
lavoura e a gente acabe perdendo todo esse esforço... O que podemos fazer pra evitar isso?
 
- Sabe, Gabi, na verdade não é só com a vassoura-de-bruxa que a gente tem que se preocu-
par. Existem outras pragas e doenças que podem afetar os cacaueiros... Deixa eu te expli-
car.
podcast 
O resgate de Santo Isidoro
Acesse o ambiente virtual de aprendizagem para ouvir esta história!
 
No início deste curso, você aprendeu que a vassoura-de-bruxa foi uma das grandes responsáveis pelo 
declínio da produção de cacau no sul da Bahia. Você se lembra?
 
As lavouras representam um grande atrativo para as pragas 
que, na maioria das vezes, se espalham rapidamente e cau-
sam danos nas culturas. Como solução, temos o controle de 
pragas agrícolas que pode ser aplicado por meio de diversas 
técnicas.
 
Nesta aula, você vai conhecer as principais pragas e doenças do cacaueiro, os métodos de controle e o 
manejo integrado delas.
 
Controle de pragas e doenças
O cacaueiro é uma planta bastante suscetível ao ataque de fitopatógenos (fungos e bactérias) e insetos 
21
herbívoros. Uma produção sustentável parte da definição de manejos produtivos para prevenir o ataque 
dessas doenças e pragas. Mas o que é manejo integrado?
 
Manejo integrado nada mais é do que um conjunto de técnicas que, quando unidas, garantem grande 
proteção aos cultivos contra doenças e pragas.
 
Que tal darmos início ao assunto falando sobre como lidar com as principais pragas e doenças do ca-
caueiro?Agora você vai saber mais sobre as pragas e as doenças que afetam o cacaueiro. Acompa-
nhe!
 
O cultivo de cacau possui uma diversidade de insetos associados às plantas, desde espé-
cies que polinizam as flores até as que causam danos econômicos. No cacaueiro, os insetos 
herbívoros aparecem na época de lançamento das folhas novas e durante o crescimento 
dos frutos. No sistema pleno sol, esse momento coincide com temperaturas elevadas e 
falta de água, estimulando as pragas, que reduzem a produtividade e a qualidade das plan-
tações.
 
Por isso, quanto mais espécies vegetais diferentes plantadas em uma área de cultivo, menor 
a chance de um inseto se tornar uma praga agrícola, já que a diversidade de inimigos natu-
rais estimula o equilíbrio entre os indivíduos. Isso torna os sistemas cabruca e agroflorestal 
mais vantajosos, não é?
 
Mas não são apenas os insetos que causam preocupação! O cacaueiro é uma planta bastante 
suscetível ao ataque de bactérias e fungos causadores de doenças. Mas como evitá-los? 
Uma produção sustentável parte de manejos produtivos para prevenir o ataque dessas do-
enças e pragas.
 
A estratégia mais efetiva é optar por híbridos ou clones resistentes às principais ameaças 
no momento da seleção de mudas para cultivo. Outras ações, como a manutenção da diver-
sidade vegetal e animal, o manejo do sombreamento, a nutrição das plantas, são fatores 
importantes para manter o cacaueiro sadio e diminuir os efeitos dos ataques em seu cultivo.
Videoaula 
De olho no horizonte
Acesse o ambiente virtual de aprendizagem para assistir ao vídeo 
com este conteúdo.
22
Porém, caso ainda ocorra a incidência de pragas e doenças na lavoura, é necessário entrar 
com práticas corretivas, como o uso de inseticidas e outros defensivos, na medida necessá-
ria para controlar o problema. Os agroquímicos devem ser utilizados sob recomendação 
técnica!
 
Quer conhecer em detalhes as principais doenças e pragas? Então, continue seus estudos!
 
 
Principais doenças do cacaueiro 
e manejo integrado
 
As doenças são anormalidades provocadas por bactérias, fungos, nematoides e vírus. Podem ser agrava-
das por falta ou excesso de nutrientes, água e luz. Portanto, para que aconteça, são necessários:
 
 
Agente causal 
(patógeno)
Planta 
suscet�vel 
Planta �oente
A��iente 
favorável
 
23
As principais doenças do cacaueiro são de origem fúngica, 
como:
 
 ⚫ a vassoura-de-bruxa (Moniliophthora perniciosa); 
 ⚫ a podridão-parda (Phytophthora spp.); 
 ⚫ o mal-do-facão (Crinipellis perniciosa); e 
 ⚫ a monilíase (Moniliophthora roreri).
 
Outras de impacto econômico são o mal-rosado (Erythricium salmonicolor), a podridão-de-raízes (Roselli-
nia sp.), a antracnose (Colletotrichum gloeosporioides) e a morte-súbita (Verticillium dahliae).
 
A seguir, você vai saber mais sobre as principais doenças.
 
 
Vassoura-de-bruxa
 
Muito já falamos sobre a vassoura-de-bruxa, mas, agora, vamos detalhá-la para que você possa reconhe-
cê-la no campo.
 
Por anos, a doença ficou restrita à Amazônia, mas se expandiu por todo o país, chegou aos grandes cen-
tros produtores e ainda causa diversos problemas econômicos, sociais e ambientais. Com grande impac-
to, pode causar perdas de até 90% da produtividade! Conheça agora os sintomas dessa doença:
 
Os sintomas da vassoura-de-bruxa são a superbro-
tação de folhas, o excesso de gemas laterais e o 
engrossamento (inchaço) dos ramos da planta, que 
causa o aparecimento de “vassouras”.
 
 
24
 
Elas podem ter forma e tamanho variados e alcançar 
o triplo do diâmetro, do tamanho e do volume de 
folhas de um ramo normal.
 
Nos casos mais severos, há formação de tecido morto 
(necrose) e morte das gemas, sem que surja o aspec-
to de vassoura. Pode também ocorrer a formação de 
flores anormais.
 
Caso os frutos se desenvolvam a partir de flores in-
fectadas, apresentam um formato que lembra o mo-
rango e não crescem; a coloração também é alterada 
e passa do verde/vermelho para o preto.
 
 
25
 
Os sintomas da vassoura-de-bruxa são facilmente 
confundidos com a podridão-parda, doença que você 
conhecerá a seguir. Para diferenciá-las, apalpe o fruto 
infectado: o fungo ataca de dentro para fora, ao con-
trário da podridão.
 
Atenção!
O manejo integrado consiste em impedir o aparecimento da vassoura-de-bruxa e 
o controle imediato logo quando aparecem os primeiros sintomas. Para isso, faça a 
poda constantemente, atente-se ao sombreamento e faça aplicação de defensivos à 
base de cobre. Além disso, ao renovar a lavoura, escolha mudas de híbridos e clones 
resistentes ao fungo.
 
Podridão-parda
Até 1989, era a principal doença do cacaueiro no sul da Bahia. O fungo atinge os frutos, as almofadas 
florais, os troncos e as raízes e causa o apodrecimento desses tecidos. A doença pode causar perdas que 
chegam a 30% da produção e ocorre em quase todas as regiões que cultivam o cacau pelo mundo.
 
Os sintomas são pequenas lesões nos frutos, que com 14 
dias, apodrecem completamente e apresentam um cheiro 
característico de peixe.
 
Outras regiões da planta são afetadas: os ramos “chupões” 
e os lançamentos foliares apresentam lesões necróticas 
escuras.
26
 
O controle compreende o uso de medidas preventivas, como:
 
 ⚫ a aplicação de fungicidas protetores à base de cobre;
 ⚫ a retirada dos frutos infectados;
 ⚫ as colheitas frequentes;
 ⚫ a redução do sombreamento;
 ⚫ a poda; e
 ⚫ o uso de variedades resistentes.
 
Monilíase
 
Trata-se de uma doença muito grave, que ataca os frutos do cacau em qualquer fase do desenvolvimen-
to e resulta em perdas totais da produção. Conheça mais sobre a doença:
 
A monilíase está presente em todos os países da 
América Latina que produzem cacau. No Brasil, a 
doença ainda é quarentenária, o que significa que 
ela tem impacto econômico potencial, mas ainda não 
está amplamente distribuída nem oficialmente con-
trolada. Atualmente temos focos detectados no Acre 
e no Amazonas.
 
Nessas regiões, onde foi constatada o aparecimen-
to da monilíase, os danos foram maiores do que os 
causados pela vassoura-de-bruxa e representam uma 
ameaça real aos cultivos de cacau no Brasil.
27
A disseminação da doença pode ocorrer pelo con-
tato direto com plantios e material vegetal infectado 
ou pelo contato indireto, por meio de sacarias, equi-
pamentos, roupas e até calçados.
 
Observe os sintomas iniciais, que ocorrem nos frutos 
mais jovens, como a formação de inchaços e depres-
sões. Durante o período de 5 a 12 dias após o surgi-
mento dos primeiros sintomas, é possível observar 
a presença de um pó acinzentado na superfície dos 
frutos. Esse pó são os esporos do fungo, ou seja, as 
estruturas reprodutivas do patógeno, que vão disse-
minar a doença por toda a área de cultivo.
 
Cerca de 45 a 90 dias após a infecção, aparecem 
manchas cor-de-chocolate ou castanhas-escuras nos 
frutos.
 
 
 
28
Atenção!
Atente-se e monitore seu cultivo, principalmente durante o período de frutificação, 
para observar se existe algum fruto com os sintomas listados acima. Caso encontre, 
não retire os frutos das árvores; isole a área e comunique imediatamente às autori-
dades competentes: entre em contato com a Ceplac e a Superintendência Federal 
de Agricultura e Agências de Defesa Estadual (SFA). Lembre-se de que o contato 
com o fruto contaminado pode disseminar a doença por toda a área!
 
 
A prevenção é a principal forma de evitar que a monilíase chegue ao seu plantio de 
cacau. Evite transitar com frutos, sementes e mudas de viveiro não certificados e 
sacarias. Para conhecer o Protocolo de Biossegurança da Monilíase, clique aqui e 
consulte as recomendações do Mapa.
Vá além!
 
Principais pragas do cacaueiro 
e manejo integrado
 
Como vimos anteriormente, as pragas reduzem a produtividade e a qualidade das plantações ao se ali-
mentarem do cultivo. Além disso, podem transmitir doenças.
 
No caso do cacaueiro, as principais pragas do cultivo são:
 
 ⚫ monalônio (Monalonion spp.);
 ⚫ cigarrinha (Hoplophorionpertusum);
 ⚫ tripes (Selenothrips rubrocinctus);
 ⚫ vaquinha (Taimbezinhia theobromae, Percolaspis ornata e 
Colaspis spp.); e
 ⚫ ácaro-da-gema-do-cacaueiro (Aceria Reyesi).
Selenothrips rubrocinctus
http://www.adab.ba.gov.br/arquivos/File/ASCOM2019/Publicacoes2019/14_02_19_Protocolo_de_Biosseguranca.pdf
29
A seguir, você vai saber mais sobre as principais pragas, confira.
 
Monalônio
 
São percevejos conhecidos popular-
mente como “chupança”. Os adultos e 
as formas jovens (ninfas) sugam a seiva 
dos ramos novos e dos frutos. Até mes-
mo as folhas e os pecíolos são atacados 
por esses insetos, e, caso o ataque seja 
extremo, o crescimento dos ramos é 
paralisado, seguido da seca e da queda 
das folhas. Isso ocorre pois, ao se ali-
mentarem, injetam toxinas que causam 
a necrose dos tecidos.
O manejo integrado de pragas e 
doenças deve ser feito com o monito-
ramento da área, por meio de amos-
tragens quinzenais da planta durante a 
fase de lançamento dos frutos, a pré-
-formação dos frutos e a frutificação.
 
Atente-se ao sombreamento da lavou-
ra: selecione vinte plantas por hectare 
e observe o aspecto dos frutos. Caso 
encontre frutos contaminados, aja ime-
diatamente:
 
 ⚫ colete e queime os frutos danificados; 
 ⚫ limpe a área a fim de eliminar as plan-
tas invasoras e podar as plantas;
 ⚫ use inseticidas registrados no Mapa; e
 ⚫ opte por clones resistentes.
 
O que é a praga Como fazer o manejo
 
30
Cigarrinha
Os insetos adultos medem cerca de 11 
mm de comprimento e são de colora-
ção castanha. As fêmeas introduzem 
os ovos no tecido vegetal, próximo 
ao pecíolo das folhas mais velhas. As 
ninfas surgem após a eclosão dos ovos 
e se alimentam da seiva dos ramos, o 
que confere a coloração amarelada às 
folhas, que caem logo em seguida.
O manejo integrado compreende o 
monitoramento quinzenal da seguinte 
forma:
 
 ⚫ observe a presença de adultos, ninfas 
ou ramos lesionados; 
 ⚫ faça o manejo do sombreamento, 
pois temperaturas elevadas associadas 
a períodos de estiagem favorecem a 
proliferação dos insetos; e 
 
 ⚫ faça podas de limpeza para eliminar 
ramos atacados e use inseticidas.
O que é a praga Como fazer o manejo
31
Vaquinha
 
As vaquinhas verdes e pretas têm com-
primento de 3 a 5 mm e são os insetos 
que mais atacam as plantas de cacau. 
Alimentam-se das folhas jovens, sem 
consumir as nervuras, o que causa um 
aspecto chamado “rendilhamento”. 
Também destroem os lançamentos fo-
liares, a casca e os frutos do cacaueiro.
O monitoramento deve ser feito por 
meio da divisão da área em glebas com, 
no máximo 5 ha, da seleção de vinte 
plantas que tenham o dano de “rendi-
lhamento”. Siga este passo a passo:
 
 ⚫ coloque um tecido branco estendido 
sob o cacaueiro e aplique o inseticida 
recomendado pelo agrônomo/técnico; 
 
 ⚫ faça a contagem das vaquinhas qua-
tro horas após a aplicação. Por ser um 
predador natural que pode combater 
diversos insetos-pragas, só causa danos 
econômicos ao atingir a média de dez 
indivíduos por planta; 
 ⚫ aplique o defensivo a cada dez dias 
e suspenda o uso imediatamente ao 
observar uma redução populacional dos 
insetos para menos de dez por planta.
 
O controle cultural consiste no uso do 
sombreamento ideal, que crie condi-
ções desfavoráveis para o desenvolvi-
mento da praga.
O que é a praga Como fazer o manejo
 
 
32
Ácaro-da-gema
É um inseto pequeno, com cerca de 0,2 
mm de comprimento e coloração ama-
relo-alaranjada. Em 1979, foi encontra-
do pela primeira vez na Bahia, quando 
causou danos severos à cultura.
 
Os sintomas são o surgimento de folhas 
cloróticas, com aspecto retorcido e 
alongadas. Após o ataque, o cacaueiro 
perde a dominância apical e os ramos 
passam a emitir várias gemas laterais. 
O inseto se localiza nas gemas e causa 
a atrofia da gema terminal, que resulta 
em diminuição dos entrenós e queda 
das folhas.
A depender da intensidade do ataque, o 
cacaueiro pode morrer pela queda dos 
primórdios foliares. O manejo integra-
do é feito com inseticidas/acaricidas es-
pecíficos para o gênero Eriophyidae, pois 
não há registros no Mapa de produtos 
químicos específicos para essa praga.
O que é a praga Como fazer o manejo
Além das pragas citadas aqui, é importante que você conheça também os tripes. 
Clique aqui e conheça mais sobre esse inseto.
Conheça também os manuais de Manejo Integrado de Pragas (MIP). É só clicar sobre 
os títulos a seguir:
 
• Manejo Integrado de Pragas: tudo o que você precisa saber sobre ele
 
• Manejo Integrado de Pragas do Cacaueiro
 
Vá além!
São muitas pragas e doenças que podem causar danos ao cacaueiro, não é mesmo? Por isso, é preciso 
atentar-se à lavoura e observar atentamente os cacaueiros para agir logo ao primeiro sinal de anormali-
dade.
 
Você viu também que, em alguns casos, há a orientação de aplicar defensivos agrícolas, sempre sob a 
orientação de um técnico especializado. Também é fundamental o uso de EPIs. Mas você sabe o que é 
isso? Descubra agora!
 
https://www.researchgate.net/publication/343430490_Tripes-do-cacaueiro_Selenothrips_rubrocinctus_Giard
https://blog.aegro.com.br/manejo-integrado-de-pragas/
https://biblioteca.incaper.es.gov.br/digital/bitstream/123456789/4123/1/Renan-queiroz-MIP-Cacaueiro.pdf
33
 Para que usar EPIs?
 
EPI significa Equipamento de Proteção Individual e se refere aos acessórios que garantem 
a segurança do trabalhador. Os principais EPIs na agricultura são as luvas, as máscaras, os 
óculos, uniforme cobrindo braços, peito e pernas e as botinas de proteção. Os itens devem 
ser aprovados pelo Ministério do Trabalho, garantindo que o EPI é capaz de resguardar o 
trabalhador dos riscos da atividade.
podcast 
Direto do Campo
Acesse o ambiente virtual de aprendizagem para ouvir esta explicação!
 
 
Diz o Currículo…
O Currículo de Sustentabilidade do Cacau traz algumas orientações específicas 
sobre o uso de defensivos agrícolas. Veja:
 
 ⚫ não manuseie e/ou aplique defensivos sem equipamento de proteção individual 
(EPI);
 ⚫ não use substâncias comerciais (químicas, biológicas ou orgânicas) para controle de 
pragas e doenças sem aprovação do Mapa/Anvisa no Brasil;
 ⚫ use apenas defensivos indicados por receituário agronômico, implemente estraté-
gias de alternância de princípios ativos e respeite as dosagens propostas em bulas, 
o período de carência e o intervalo de reentrada nas áreas; 
 ⚫ disponha de um lugar apropriado para tríplice lavagem (ou lavagem sob pressão 
em pulverizador) das embalagens vazias de defensivos. Armazene-as de maneira 
apropriada (lugar seguro, isolado e identificado) sempre lavadas e perfuradas, até 
sua correta devolução;
 ⚫ tenha um local adequado para manuseio de defensivos e misturas de caldas para 
aplicação;
 ⚫ não use embalagens de defensivos para qualquer outra finalidade; 
 ⚫ mantenha os defensivos em condições adequadas de armazenamento, com iden-
tificação de perigo e riscos, em ambiente fechado e ventilado, de acesso restrito e 
adequado à legislação;
34
 
 ⚫ os locais de armazenamento de defensivos devem ter sistema de contenção de 
vazamento e respeitar as distâncias recomendadas de mananciais, residências e 
estradas; e
 ⚫ separe os produtos vencidos dos demais e armazene-os em local seguro até o mo-
mento da devolução. As embalagens vazias de defensivos devem retornar correta-
mente quando houver chances de devolução. Para tanto, mantenha arquivados os 
recibos de devolução.
O trabalhador responsável por aplicar os defensivos agrícolas deve seguir os pro-
cedimentos estabelecidos na Normativa Regulamentadora n.º 31. Ela estabelece o 
uso obrigatório de EPIs e a posse do certificado de treinamento para exercer essa 
função. Lembre-se: segurança em primeiro lugar!
Vá além!
https://www.gov.br/trabalho-e-previdencia/pt-br/composicao/orgaos-especificos/secretaria-de-trabalho/inspecao/seguranca-e-saude-no-trabalho/normas-regulamentadoras/nr-31-atualizada-2020.pdf
35
Esta aula teve por objetivo apresentar as principais pragas e doenças do 
cacaueiro.Você aprendeu sobre:
 
 ⚫ as principais pragas e doenças do cacaueiro;
 ⚫ os métodos de controle de pragas e doenças; e
 ⚫ o manejo integrado de pragas e doenças.
 
Escreva sua resposta na caixa de texto abaixo. 
Salve este arquivo novamente em seu computador para registrar a reflexão. 
E na sua porteira?
Realmente, há mais pragas que podem afetar minha lavoura do 
que a vassoura-de-bruxa. O monitoramento quinzenal, a observa-
ção da lavoura e a busca por indícios de pragas ou doenças é algo 
que precisa entrar na minha rotina. E, caso eu identifique algo 
diferente, precisarei consultar esses materiais que o Edu sepa-
rou para saber a forma mais adequada de agir. Preciso conseguir 
identificar a praga quando ela ainda não afetou grande parte da 
lavoura!
Agora, diante do cenário apresentado e pensando na sua realidade, reflita: quais ações você 
poderia tomar para manter sua lavoura livre de pragas e doenças?
Agora, avance para a Aula 3 e compreenda a importância das podas para o cacaueiro e os principais 
tipos usados.
 
36
Módulo 4 - Aula 3
Poda
37
- Edu, você comentou que semana que vem precisaremos fazer as podas dos cacaueiros 
que plantamos na área nova... Não seria melhor a gente deixar que a planta cresça natural-
mente, pra ter mais galhos e produzir mais frutos?
 
- Ah, Gabi, pra ter alta produtividade, as coisas não funcionam dessa maneira... Uma poda 
bem-feita faz com que a planta tenha mais equilíbrio, cresça com vigor e produza mais, 
além de manter a copa em uma altura que facilita o manejo. Vamos conversar mais sobre 
isso...
podcast 
Direto do campo
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A poda da planta do cacau serve para dar forma e equilíbrio, além de melhores condições de produção, 
por meio de eliminação de ramos doentes, secos, sombreados e malformados. Sem ela, o cacaueiro pode 
atingir até oito metros de altura, como vimos lá no Módulo 2.
 
Mas a altura descontrolada é um entrave tanto para a colheita comercial quanto para a distribuição nutri-
cional da planta!
 
Nesta aula, você vai aprender tudo sobre essa importante etapa do manejo da lavoura.
 
 
Importância da poda do cacaueiro
 
Poda é, basicamente, o ato de retirar parte de plantas e cortar ramos inúteis. No cacaueiro, ela é feita 
para dar forma à copa, promover melhor luminosidade e evitar o autossombreamento dos ramos, que 
prejudica o processo de fotossíntese.
 
Veja algumas das vantagens dessa prática:
 
 
38
 ⚫ contribui para o arejamento da plantação;
 ⚫ evita o aparecimento de doenças;
 ⚫ minimiza a invasão de copas por plantas vizinhas, que 
prejudica o manejo da cultura; e
 ⚫ garante que as plantas tenham uma altura que facilite o 
processo de colheita.
 
Diz o Currículo…
De acordo com o Currículo de Sustentabilidade do Cacau, é fundamental imple-
mentar práticas de poda conforme recomendação técnica e que considerem a otimi-
zação da luz, a nutrição e a fitossanidade a fim de visar à produtividade e à eficiência 
operacional.
 
 
Agora que você já sabe por que a poda é importante, deve estar se perguntando como ela deve ser feita. 
Mas, primeiro, vamos falar das ferramentas usadas no processo.
 
Quais as ferramentas utilizadas na poda do cacau?
 
Para cortar ramos flexíveis sem causar danos à planta nem propiciar o desenvolvimento de 
doenças e pragas, utilize tesouras de podas, facão ou faca. Para ramos grossos, escolha o 
serrote. O corte deve ser sempre no formato “bisel” para evitar assim o acúmulo de água e 
apodrecimento do ramo.
podcast 
Direto do campo
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39
Quando a poda é feita em excesso ou sem critérios técnicos, com a retirada de ramos produtivos, sa-
dios e expostos ao sol, podem ocorrer diversos problemas. Confira os principais no infográfico a seguir:
 
 
Aumento da emissão de novos brotos e ramos no 
cacaueiro, o que dificulta e exige maior manejo e 
mão de obra
Diminuição da produtividade, por causa da 
necessidade de nutrir ramos dispensáveis
Aumento dos custos com controle, por causa 
da necessidade maior de roçagens
Crescimento excessivo de plantas daninhas, 
devido à maior incidência de luz na área
Problemas da 
poda malfeita
Tipos de podas
 
São quatro os tipos de poda para a manutenção do cacaueiro: de formação, de manutenção, de reabilita-
ção e poda fitossanitária. Cada uma delas tem funções específicas e devem ser feitas conforme as orien-
tações que você aprenderá a seguir.
 
 
Poda de formação
 
Também chamada de poda precoce, é feita nas plantas jovens, na fase de viveiro ou em áreas novas/em 
renovação. O objetivo é dar forma e equilíbrio à planta por meio da retirada de brotos e de galhos inde-
sejáveis. Busca-se uma copa formada por 3 ou 4 galhos principais, em formato de cálice. Descubra como 
a poda de formação deve ser feita:
 
40
Os cacaueiros com idade média de 12 meses têm altura de 
1,20 m. Nessa idade, o ramo principal tem o crescimento 
paralisado e emite de 3 a 5 ramos que vão formar a coroa.
É a partir da coroa que inicia o processo de construção da 
arquitetura da copa, por meio da seleção dos ramos, que 
vão definir o equilíbrio da planta e eliminar os ramos com 
espessura diferenciada, que podem causar desequilíbrio 
ao cacau.
A copa formada nessa etapa inicial de desenvolvimento do 
cacaueiro será a estrutura futura da árvore e, nos ramos 
primários, surgirão a maioria dos frutos.
Nos anos seguintes (2.º e 3.º) são selecionados os ramos 
secundários e, assim, consecutivamente, até a formação 
da copa da árvore, em formato de taça. Os ramos que esti-
verem muito próximos uns aos outros e os que crescerem 
no sentido interior da copa devem ser excluídos.
 
Na prática
41
Algumas variedades, como a Criollo, tendem a ter uma 
ramificação voltada para baixo, que prejudica o sombrea-
mento e a ventilação no interior da copa.
Nesse caso, a poda de formação deve ser mais cautelosa, 
de modo a retirar ramos ou partes da planta que atingi-
rem a superfície do solo para proporcionar o crescimento 
de ramos laterais fortes com direção ascendente.
Poda de manutenção
 
Esta poda busca formar uma planta com uma copa mais eficiente na captação de luz e favorecer a fase 
de reprodução (produção de flores e frutos). Também é feita para manter as plantas dentro do espaça-
mento planejado inicialmente e evitar o autossombreamento.
 
É feita quando o cacaueiro tem mais de 2 ou 3 anos de idade, por meio de uma poda leve, para retirar 
apenas os galhos mortos ou mal posicionados, uma ou duas vezes ao ano, no verão.
 
Mas quais ramos devem ser retirados?
 
Como vimos nas aulas anteriores, o cacaueiro produz ramos ortotrópicos (ramos com folhas que crescem 
no formato de leque ao longo da haste, de ambos os lados) e plagiotrópicos (conhecidos como “ramos 
chupeta” ou “chupão”, têm folhas que crescem ao redor do caule e surgem logo abaixo dos ramos orto-
trópicos). Ambos são de grande importância no manejo da cultura, porque influenciam a arquitetura da 
copa da planta e a produtividade.
 
 
42
Ramos 
ortotrópicos 
Ramos 
plagiotrópicos
 
A poda deve ser feita para retirar todos esses ramos abaixo do joguete. Se isso não for feito, o cresci-
mento vertical será prejudicado e afetará todo o desenvolvimento e a produção de frutos.
 
 
Ramos mortos, doentes, fracos, secos, que estão muito próximos uns aos ou-
tros ou pendurados na árvore devem ser eliminados ainda novos. O objetivo 
é impedir o desvio de nutrientes destinados para os frutos. A poda estimula 
novos ramos vegetativos e busca alcançar um equilíbrio com a parte produti-
va da planta. Evite remover ramos em leque.
 
Poda de reabilitação
 
A poda de reabilitação representa a reestruturação do cacaueiro que se tornou improdutivo, porque foi 
descuidado e cresceu livremente na área ou por abandono da plantação. Saiba agora como proceder 
nesses casos:
 
43
As podas devem ser parciais, manter os ramos mais vigo-
rosos, com folhas bonitas e distribuiçãouniforme, que 
crescem no sentido da luz e não do solo.
Mantenha o caule também, pois isso vai estimular o brota-
mento de ramos ou “chupões” na parte basal da planta.
Retire os ramos que não estejam bem-posicionados ou 
caídos ao solo e deixe apenas 25% dos ramos com melhor 
aspecto visual. Após o brotamento de novos ramos, os me-
lhores rebentos serão selecionados para substituir a copa 
velha da árvore.
Se a plantação estiver em péssimas condições, pode ser 
feita a poda completa do caule a uma altura média de 80 
cm acima do solo e que deixe os rebentos ou “chupões” 
crescerem.
Na prática
 
44
Atenção!
Você sabia que a plantação de cacau costuma reagir muito bem à poda parcial? 
Quando associada a um bom manejo de adubação e a um programa eficiente de 
controle de pragas, doenças e plantas invasoras, a produtividade pode aumentar 
ano após ano.
Poda fitossanitária
 
Essa poda deve ser feita em todas as plantas, no viveiro ou no campo. Consiste em retirar todos os ramos 
ou as folhas doentes com o auxílio de uma tesoura de poda. Quando as plantas são adultas, pode-se 
eliminar toda a parte da planta atacada por doenças ou pragas, como folhas, botões florais, ramos ou 
frutos.
 
A poda fitossanitária é primordial para o controle da vassoura-de-bruxa, pois remove os galhos atacados, 
verdes ou secos. Atente-se a essas orientações:
 
 
 ⚫ elimine os ramos contaminados para impedir a propaga-
ção dos agentes infecciosos;
 ⚫ higienize as ferramentas usadas sempre que for passar 
de uma planta para outra, principalmente se houver 
incidência de mal-do-facão;
 ⚫ para isso, use uma solução de hipoclorito: água e água 
sanitária (100 ml de água sanitária para cada 1000 ml de 
água).
 
 
 
 
 
45
A desbrota (eliminação de ramos que não produzem frutos) e a limpeza 
geralmente são feitas ao fim da safra por meio do corte dos galhos secos e 
doentes. A desbrota é feita antes do período chuvoso (de setembro a no-
vembro) e grande parte acontece durante a colheita dos frutos.
 
Esta aula trouxe tudo o que você precisa saber sobre as podas, para que 
você possa manter os cacaueiros saudáveis e com alta produtividade! 
Você aprendeu sobre:
 
 ⚫ a importância da poda do cacaueiro; e
 ⚫ os tipos de podas: de formação, de manutenção, de reabilitação e a 
poda fitossanitária.
Escreva sua resposta na caixa de texto abaixo. 
Salve este arquivo novamente em seu computador para registrar a reflexão. 
E na sua porteira?
No meu caso, vejo que descuidamos das podas de manutenção 
na lavoura antiga. Precisaremos fazer uma poda de reabilitação 
nessa área para dar nova forma aos cacaueiros que não foram 
substituídos para, assim, aumentar a produtividade. Também 
preciso planejar direitinho meu cronograma para incluir podas 
fitossanitárias na lavoura antiga, na lavoura nova e até no viveiro 
de mudas.
 
Agora, pense na realidade da propriedade em que você atua: as podas são feitas adequada-
mente? Alguma técnica precisa ser revista?
 
Muito bem!
Depois de todo esse aprendizado, você já pode responder à próxima atividade.
46
Atividade 
de aprendizagem
47
Este é um momento de autoavaliação, em que você vai poder refletir e validar o que aprendeu neste 
módulo. Leia com atenção a pergunta e, no ambiente virtual de aprendizagem, escolha a resposta ade-
quada.
 
D) Para fazer a adubação foliar, é necessário fazer a amostragem periódica do solo 
para avaliar o teor de nutrientes disponíveis, principalmente os elementos N, P e 
K, bem como observar os aspectos físicos e químicos do solo para fazer a aplicação 
de adubo.
C) A adubação de manutenção e de produção é feita a partir do primeiro ano de 
cultivo e consiste na aplicação de adubos ricos em N e K, aplicados a lanço ou in-
corporados ao solo, de forma parcelada.
B) Os micronutrientes (B, Mn, Fe e Cu) têm pouca importância para o cacau, pois a 
planta não necessita desses elementos para fazer os processos vitais de crescimen-
to e desenvolvimento. Tampouco há expressão de sintomas na planta quando são 
escassos no solo.
A) A adubação de plantio (fundação) é feita no momento do plantio por meio da 
abertura de covas rasas para aplicação de fertilizantes ricos em P. Este elemento 
químico tem função primordial nas fases iniciais de desenvolvimento do cacaueiro.
E) A fertirrigação é uma prática muito comum em regiões do Semiárido brasileiro 
e consiste em fazer aplicações de adubos nitrogenados, potássicos e que contêm 
micronutrientes todas as vezes que for feita a rega das plantas.
Questão 1
O fornecimento adequado de nutrientes é um aspecto crucial para se al-
cançar bons rendimentos na lavoura de cacau. Assim, com base nos tipos 
de adubação do cacaueiro, assinale verdadeiro ou falso:
Atividade de aprendizagem
 
 
 
 
 
 
48
D) As cigarrinhas ficam alojadas na face inferior das folhas e nas superfícies dos 
frutos e seu hábito de alimentação é do tipo raspador-sugador. Os sinais corres-
pondem ao amarelecimento das folhas e a formação de frutos com coloração 
marrom.
C) O monalônio é uma praga causada por vaquinhas que se alimentam das folhas e 
formam o efeito chamado “rendilhado”. O intenso ataque causa seca e queda das 
folhas e compromete o desenvolvimento e a produção de frutos.
B) A podridão-parda pode causar perdas significativas, se não controlada no início. 
Os sintomas compreendem a formação de lesões nos frutos que apresentam odor 
fétido, parecido com o de peixe. Ramos e lançamentos foliares também são atingi-
dos.
A) A vassoura-de-bruxa foi, por muito tempo, a principal doença do cacaueiro. 
Hoje, não tem tanta importância. A doença, causada por uma bactéria, atinge ape-
nas o fruto, o qual passa a ter uma coloração amarronzada.
Questão 2
O cacaueiro é uma planta de clima tropical, nativa de florestas. Devido a 
essa característica, a cultura é bastante suscetível ao ataque de pragas e 
doenças que comprometem em até 100% as perdas de produtividade. A 
respeito das principais doenças e pragas do cacaueiro, assinale a alternati-
va correta:
Atividade de aprendizagem
 
49
D) A poda fitossanitária é feita apenas em viveiro e tem o objetivo de conduzir os 
ramos de forma a melhorar o sombreamento e a ventilação da área e, assim, criar 
condições desfavoráveis para o surgimento de pragas e doenças e retirar os ramos 
chupões que prejudicam o desenvolvimento da planta.
C) A poda de reabilitação é indicada para áreas que se tornaram improdutivas. É 
feita com podas parciais, que mantêm os melhores ramos e caule, para estimular o 
brotamento de ramos ou “chupões” na parte basal da planta.
B) A poda de manutenção é feita quando o cacau está na fase de produção de 
frutos e é feita para promover uma melhor ventilação no interior das copas das ár-
vores. São retirados todos os galhos e os ramos desnecessários e mantidos apenas 
os ramos plagiotrópicos (chupões).
A) A poda de formação é feita em mudas na fase de viveiro com o objetivo de con-
trolar pragas e doenças por meio da remoção de partes infectadas. O corte pode 
ser feito com um canivete no formato de um ângulo reto.
Questão 3
O cacaueiro é uma planta de crescimento dimórfico, o que demanda um 
calendário de poda bastante criterioso. A poda é feita para direcionar a 
arquitetura da copa e promover diversos benefícios à plantação. Sobre 
poda do cacaueiro, assinale verdadeiro ou falso:
Atividade de aprendizagem
 
	Campo de texto 8: 
	Campo de texto 11: 
	Campo de texto 12: 
	Campo de texto 18: 
	Campo de texto 19: 
	Campo de texto 20: 
	Campo de texto 21: 
	Campo de texto 22: 
	Caixa de seleção 57: Off
	Caixa de seleção 58: Off
	Caixa de seleção 59: Off
	Caixa de seleção 60: Off
	Campo de texto 28: 
	Campo de texto 29: 
	Campo de texto 30: 
	Campo de texto 31:

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