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EMPREENDEDORISMO E-BOOK Criatividade e a ideia da empresa APRESENTAÇÃO Ser empreendedor tem uma importante ligação com identificar oportunidades, avaliar se estas são viáveis economicamente para se transformarem em um negócio e, caso sejam, desenvolver a estratégia adequada para a implementação desse negócio, colocando-o em funcionamento. Existem diversos conceitos e técnicas envolvidos nesse processo, que não pode ser realizado baseado somente na emoção ou em percepções. É necessário compreender quais são as principais necessidades que não estão sendo atendidas e que podem se transformar em boas fontes de inspiração para os bons negócios. Também é importante perceber quais são as tendências que o mercado está vivendo e que podem ser aproveitadas para se criar um bom negócio. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai conhecer diversos pontos muito importantes que vão colaborar com todo o processo de desenvolvimento de novos negócios, desde a sua concepção até formas de tornar sua implementação mais atrativa ao mercado. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Identificar as diversas fontes de ideias para novos empreendimentos.• Caracterizar o conceito de tendência.• Descobrir os métodos disponíveis para a geração de novas ideias de empreendimentos.• DESAFIO Os empreendedores devem ter em mente que sua concorrência também está trabalhando a todo vapor para identificar tendências e aproveitar as melhores oportunidades do mercado. Sete tendências podem oferecer oportunidades aos empreendedores: • Tendência verde (respeito socioambiental) • Tendência da energia limpa (geração de energias sustentáveis, carbono neutro, eólica, solar, etc) • Tendência dos alimentos orgânicos • Tendência econômica • Tendência social • Tendência de saúde • Tendência web Escolha uma tendência e identifique uma empresa ou um empreendedor que se baseou nela para ofertar produtos e serviços ao mercado. Você deverá produzir um texto descrevendo: a) A empresa ou empreendedor que você escolheu e seu negócio de atuação. b) O tipo de tendência em que a empresa ou o empreendedor se baseou para estruturar o negócio e as ações que a empresa tem realizado relacionadas a essa tendência. INFOGRÁFICO As tendências para as próximas décadas são uma importante fonte de inspiração para os novos negócios e também para repensar negócios existentes. No infográfico a seguir, serão discutidas algumas delas. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! CONTEÚDO DO LIVRO Todo empreendimento bem-sucedido necessita de um produto ou serviço a ser oferecido ao mercado consumidor. A ideia sobre um novo produto ou serviço pode ser gerada interna ou externamente por meio de diversas técnicas, no entanto, é importante que o empreendedor tenha conhecimento das principais. Entre as fontes de ideias para mais produtivas entre os novos empreendedores estão consumidores, produtos e serviços existentes, canais de distribuição, governo federal e pesquisa e desenvolvimento. Aprofunde seus conhecimentos com a leitura do capítulo Criatividade e a ideia da empresa, da obra Empreendedorismo. Boa leitura. EMPREENDEDORISMO Ligia Maria Fonseca Affonso Criatividade e a ideia da empresa Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Identificar as diversas fontes de ideias para novos empreendimentos. Caracterizar o conceito de tendência. Descobrir os métodos disponíveis para a geração de novas ideias de empreendimentos. Introdução As mudanças ocorrem a uma grande velocidade no mundo de hoje. O surgimento e o avanço de novas tecnologias, em intervalos cada vez menores de tempo, mudam também a forma como as pessoas intera- gem, consomem e vivem em sociedade. Produtos, serviços e negócios relativamente novos tornam-se rapidamente obsoletos, e a necessidade de renovação e adaptação para atender a novos desejos e necessidades é condição fundamental para a sobrevivência das empresas. Diante desse cenário, a criatividade e as ideias que podem gerar inovação são essenciais para que as empresas possam ter sucesso. Neste capítulo, você vai conhecer algumas fontes de ideias para novos empreendimentos; o conceito de tendência e os métodos disponíveis para a geração de novas ideias de empreendimentos. Fontes de ideias O empreendedorismo impulsiona a economia de um país, uma vez que a cria- ção de novas empresas aquece o mercado, gerando novas opções de produtos ou serviços. O empreendedorismo tem uma relação direta com a inovação, também considerada como a base do desenvolvimento econômico dos países desenvolvidos. No entanto, no Brasil, os empreendedores, experientes ou iniciantes, ainda não têm consciência da importância da inovação como ele- mento fundamental, não só para o desenvolvimento econômico do país, como também para o desenvolvimento e crescimento de seu negócio. Apesar de o povo brasileiro ser conhecido como criativo e com grande volume de ideias, essas não se convertem em inovações sustentáveis que possam ser consideradas como um diferencial de mercado (SANTOS, 2012). É papel do empreendedor fomentar a inovação, seja pela busca de soluções para problemas ainda não resolvidos, seja pelo aperfeiçoamento de soluções já existentes. Por isso, é necessário que mudem sua postura diante da inovação, uma vez que é ela que permite a sustentabilidade de seus negócios. Cabe lem- brar que nem todo empreendedor é inovador: muitos não criam coisas novas e diferentes para inserir no mercado em que já atuam ou que pretendem atuar, não tendo assim, condições de competir com a concorrência. Isso nos mostra que ser criativo não necessariamente é ser inovador. Uma ideia só se transforma em inovação quando é materializada e resolve os problemas de forma eficaz, fazendo com que as pessoas queiram adquiri-la e usá-la (DORNELAS, 2013). Um dos grandes desafios que os empreendedores enfrentam é definir algo que possa ser realmente novo, inédito, o que exige grande trabalho até chegar a um produto ou serviço viável e funcional, com pesquisa e desenvolvimento, criação de vários protótipos, testes de soluções, entre outros. O processo de criação exige grande esforço e investimento, além de muita pesquisa, conhe- cimento significativo do problema que se quer resolver e da técnica que leva à solução. Sem isso, inovar torna-se um processo bastante difícil. Ideias simples e incrementais são fáceis de ser copiadas e, se isso acontece, o em- preendedor não consegue se posicionar frente a seus concorrentes e deixa de ser competitivo (DORNELAS, 2013). Mesmo com tanto trabalho, não existem garantias de que todo o pro- cesso será positivo e trará retorno aos empreendedores. Por esse motivo é que dizem que criatividade apenas não é suficiente (Figura 1), ou melhor, é preciso ter preparo para transformar ideias criativas em oportunidades de negócios que agreguem valor ao cliente e tragam um diferencial competitivo ao empreendedor. Criatividade e a ideia da empresa2 Figura 1. Uma ideia criativa nem sempre leva à inovação. Fonte: Dornelas (2013). Ideia Criatividade Inovação E de onde vêm as ideias que podem se transformar em produtos, processos e serviços inovadores? Dentre as fontes consideradas pelos empreendedores como as mais produtivas podemos destacar produtos e serviços já existentes, pesquisa e desenvolvimento, canais de distribuição e os próprios consumidores. (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2014): Consumidores: é de extrema importância que os empreendedores monitorem seus possíveis consumidores, buscando identificar suas necessidades. Um cuidado necessário é se certificar de que tais neces- sidades justificam um novo empreendimento, isto é, de que o mercado é suficientemente grande para sustentar um novo empreendimento. Produtos e serviços existentes: a concorrência também deve ser mo- nitorada eé um aspecto muito importante na formação de um empreende- dor, ainda que não seja necessária para iniciar um negócio. Muitos negócios fracassam por falta de conhecimentos específicos dos empreendedores, por exemplo, conhecimentos nas áreas de finanças, marketing, planejamento estratégico e administração. Não é necessário ter uma especialização, mas a educação, nesse contexto, possibilita a integração de novos conhecimentos, o que permite a identificação de oportunidades e a avaliação e decisão sobre se estas são viáveis ou não, além de auxiliar os empreendedores a se adaptarem a novas e diferentes situações. Na verdade, apesar de a educação contribuir para que o empreendedor des- cubra novas oportunidades, ela não é decisiva na criação de um novo negócio para a exploração da oportunidade descoberta. Por outro lado, a educação fortalece a ação empreendedora, uma vez que faz com que os indivíduos acreditem em sua chance de se tornarem empreendedores. Ou seja, quanto mais os indivíduos acreditarem que sua educação torna a ação empreendedora mais viável, maior a chance de se tornarem empreendedores, conforme apontam Hisrich, Peters e Shepherd (2014). Por sua vez, a educação não formal diz respeito aos conhecimentos ad- quiridos pelo empreendedor ao longo de sua vida, por meio das experiências vividas, o que também é importante para a formação do empreendedor. Ou seja, o empreendedor utiliza sua experiência na criação de seu negócio, mas sente necessidade de maiores conhecimentos sobre finanças, marketing, pla- nejamento estratégico e administração, buscando-os em meios formais. A importância da educação para o empreendedor se reflete não apenas no nível educacional obtido por ele, mas também no fato de que ela desempenha constantemente um grande papel, uma vez que auxilia os empreendedores a lidarem com os problemas que enfrentam, conforme apontam Hisrich, Peters e Shepherd (2014). 3O perfil do empreendedor: histórico e características O capital humano de um empreendedor propicia a criação de conhecimento, aptidões e habilidades necessárias para solucionar problemas em diferentes situações, conforme apontam Hisrich, Peters e Shepherd (2014). A idade, tanto empreendedora como cronológica, é outro aspecto que in- fluencia a ação do empreendedor. A idade empreendedora reflete a experiência do empreendedor; quanto maior ela for, maiores as chances de sucesso do novo empreendimento, principalmente se este estiver relacionado à experiência prévia do empreendedor. Em relação à idade cronológica, muitos empreen- dedores iniciam seus negócios entre os 22 e 45 anos, o que não quer dizer que isso não possa acontecer antes ou depois, apesar de ser improvável, devido à falta de experiência, recursos e energia para criar e administrar um negócio. É bastante comum que os homens iniciem um novo negócio por volta dos 30 anos e as mulheres, por volta dos 35 anos. No entanto, é relevante ressaltar que muitos indivíduos se tornam empreendedores com idades mais avançadas, quando se aposentam, quando os filhos já saíram de casa, quando a situação financeira não é mais uma grande preocupação e quando, então, a vontade de realizar algo pelo resto de suas vidas fala mais alto, conforme lecionam Hisrich, Peters e Shepherd (2014). O histórico profissional também exerce influência na criação de um novo negócio e contribui para seu crescimento e sucesso. Ou seja, a experiência téc- nica do indivíduo é importante quando este decide empreender. Conhecimentos nas áreas de finanças, desenvolvimento de produtos ou serviços, produção e desenvolvimento de canais de distribuição também são necessários, pois, con- forme o negócio vai se estabelecendo, mais a experiência e os conhecimentos se tornam fundamentais para a sua sobrevivência, e, mais ainda, conforme o número de funcionários for aumentando. Ou seja, quanto maior for o número de funcionários no empreendimento, maior a exigência de habilidades admi- nistrativas, conforme apontam Hisrich, Peters e Shepherd (2014). O perfil do empreendedor: histórico e características4 Informações e experiências sobre como iniciar uma empresa, tomar decisões em situações e ambientes com alto nível de incerteza, construir a cultura da empresa, buscar recursos em outras fontes e gerenciar altos índices de crescimento também são importantes para o empreendedor, conforme Hisrich, Peters e Shepherd (2014). Cabe destacar que experiências em negócios anteriores também são de grande ajuda para decidir sobre novos negócios, pois proporcionam aos empre- endedores os conhecimentos exigidos para a administração de uma empresa independente. Além disso, as experiências anteriores também garantem pa- râmetros de referência que ajudem o empreendedor a identificar a verdadeira importância das novas oportunidades de entrada, agilizando o processo de criação do negócio e potencializando seu desempenho. Quanto maior for a segurança dos empreendedores em relação à sua experiência no alcance de bons resultados, mais fortes serão as intenções empreendedoras. Segundo Hisrich, Peters e Shepherd (2014), outras qualidades requeridas aos empre- endedores e que merecem atenção são: foco, ou seja, a dedicação integral ao negócio para alcançar e manter os objetivos do negócio; resiliência, ou seja, a capacidade de resistir a pressões, dificuldades e problemas; e integridade, ou seja, manter-se fiel aos princípios éticos e morais em sua conduta. Sistemas de apoio ao empreendedor Você já parou para pensar que, para alcançarmos tudo aquilo que desejamos, precisamos do apoio de outras pessoas? Por exemplo, para conseguir concluir uma graduação ou uma pós-graduação, precisamos de uma universidade, dos professores, secretários e colegas, e até de nossa família. Por mais que consigamos caminhar sozinho em busca de algo, em determinado momento 5O perfil do empreendedor: histórico e características precisaremos de outras pessoas. Ou seja, nenhum de nós consegue alcançar o sucesso, em qualquer empreendimento, sem a participação de outras pessoas. Assim acontece com o empreendedor, que ao longo de todas as fases de seu negócio necessita de um forte sistema de apoio e aconselhamento. Esse apoio é fundamental, principalmente, na fase inicial do negócio, quando os empreendedores necessitam de informações, conselhos e orientações sobre os mais variados aspectos, como a importância da pesquisa de mercado e da elaboração de um plano de negócios. Nesse momento, é recomendável que o empreendedor inicie uma rede de contatos e estabeleça conexões estratégicas que o apoiem na formação do novo empreendimento. O empreendedorismo no Brasil não é algo novo, mas foi alavancado com a reformulação do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), em 1990. A crise econômica pela qual o país passava no final dessa década, a instabilidade do emprego formal e a abertura dos mercados contri- buíram para esse movimento revolucionário no país. Desde 1972, o Sebrae vem trabalhando para estimular o empreendedorismo no país e possibilitar a competitividade e a sustentabilidade dos empreendimentos de micro e pequeno porte (SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS, 2018). O Sebrae é uma entidade privada sem fins lucrativos cujo objetivo é capacitar e promover o desenvolvimento de pequenos negócios de todo o país. Teve início em 1972 como Centro Brasileiro de Assistência Gerencial à Pequena Empresa (Cebrae) e foi transformado em Sebrae por meio do Decreto nº. 99.570, que complementa a Lei nº. 8.029, de 12 de abril de 1990 (BRITO; PEREIRA; LINARD, 2013; GLOBAL ENTREPRENEURSHIP MONITOR, 2017). Cabe destacar que os pequenos negócios são responsáveis por mais de um quarto do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. As micro e pequenas empresas são as principais geradoras de riqueza no comércio, com 53,4% do PIB desse setor. Na indústria, representam 22,5% do PIB, bem próximas das médias empresas, que representam 24,5% do PIB brasileiro.No setor de serviços, mais de um terço da produção nacional (36,3%) tem origem nos pequenos negócios. Os pequenos negócios representavam, em 2017, 98,5% dos empreendimentos no país, gerando a renda de 70% dos brasileiros ocupados no setor privado, o que O perfil do empreendedor: histórico e características6 comprova sua importância para a economia do país (SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS, 2018). A qualidade do empreendedorismo no Brasil vem melhorando bastante nos últimos anos. Isso se deve à ampliação do acesso às informações sobre criação e manutenção dos negócios, à atuação dos sistemas e redes de apoio aos negócios e à capacitação e às políticas públicas que vêm sendo desenvolvidas e adotadas nos últimos anos, como o Simples Nacional, a criação do Micro- empreendedor Individual (MEI) e a reformulação do Portal do Empreendedor (GLOBAL ENTREPRENEURSHIP MONITOR , 2017). Para saber mais sobre o Simples Nacional, o MEI e o Portal do Empreendedor, acesse os links a seguir: https://goo.gl/UEPK5K https://goo.gl/NHeTI Existem ainda outros portais, bem como revistas e programas que visam a apoiar os empreendedores na criação, manutenção e expansão de suas empresas; por exemplo, o Endeavor Brasil, a Revista de Empreendedorismo e Gestão de Pequenas Empresas e o Programa Instituição Amiga do Empreendedor, entre outros. Segundo o Sebrae (2018), toda essa rede de apoio tem por objetivo: desenvolver e ampliar as habilidades, os conhecimentos e as atitudes de empreendedores e estudantes; aperfeiçoar o perfil empreendedor e o ato de empreender; preparar o empreendedor para alcançar maiores índices de sucesso e sobrevivência de seus negócios e gerar riqueza; promover o comportamento e a mentalidade empresarial, ou seja, estimu- lar no empreendedor a criatividade, o espírito de iniciativa, a aceitação do risco, a autoconfiança, a independência, etc.; reduzir os riscos para o empreendedor. É importante destacar que, além dos sistemas e redes de apoio formais para os empreendedores, as redes informais para apoio moral e profissional 7O perfil do empreendedor: histórico e características também podem beneficiar o empreendedor, conforme apontam Hisrich, Peters e Shepherd (2014). Rede de apoio moral: inclui amigos e familiares (filhos, tios, sogros, etc.) que podem apoiar o empreendedor com sua torcida pelo sucesso do negócio ou em momentos difíceis e solitários pelos quais o empreendedor passa ao longo do processo de empreender. Muitos empreendedores veem em seus cônjuges a maior fonte de apoio, uma vez que estão sempre ao seu lado e lhes permitem dedicar o tempo necessário ao novo empreendimento. Os amigos também são importantes fontes de apoio, uma vez que sua opinião e crítica são sempre mais verdadeiras do que as de outras fontes externas. Rede de apoio profissional: esse apoio também é fundamental, uma vez que o empreendedor necessita de várias orientações no processo de criação e implementação do novo empreendimento. Mentores, sócios, associações comerciais, afiliações pessoais, entre outros, podem ser fontes de aconse- lhamento. O mentor, por exemplo, é o indivíduo que ajuda o empreendedor em suas atividades empresariais; é alguém com quem o empreendedor pode compartilhar problemas e sucessos e que precisa ser um especialista no ramo, ou seja, ser capacitado, para proporcionar o aconselhamento prático necessá- rio. As associações comerciais, por sua vez, podem auxiliar na manutenção da competitividade do novo empreendimento, uma vez que estão sempre informadas sobre tendências e novidades, com dados atuais sobre o setor. As afiliações pessoais do empreendedor (clubes, ações cívicas e grupos de ex- -colegas de faculdade) também são excelentes fontes de referências, conselhos e informações. Rede de associados ao negócio: aqui estamos falando de indivíduos au- tônomos que tenham a experiência em iniciar um negócio, clientes ou consu- midores do produto ou serviço oferecido pelo empreendimento, especialistas, como consultores, advogados ou contadores, e os fornecedores. Clientes ou consumidores são extremamente importantes, pois, além de representarem a fonte de lucro do negócio, se satisfeitos, atuam na divulgação do negócio por meio do boca a boca, o que ajuda na formação da reputação e imagem do negócio. Os fornecedores possuem papel não menos importante do que o dos consumidores, uma vez que são eles que vão disponibilizar matéria-prima e outros suprimentos para o funcionamento do negócio. Assim, é extremamente importante manter boas e confiáveis relações com eles, que também podem contribuir com informações valiosas sobre a concorrência no setor. O perfil do empreendedor: histórico e características8 Você sabia que os indivíduos cujo exemplo o empreendedor pode almejar e copiar são conhecidos como modelos de conduta? Isso mesmo! Um dos principais fatores que influenciam os empreendedores em sua carreira é a escolha do modelo de con- duta, representado pela figura de familiares, amigos ou empreendedores de sucesso, conforme lecionam Hisrich, Peters e Shepherd (2014). Dessa forma, é importante que o empreendedor possua sua rede de apoio moral e profissional, pois esses contatos transmitem confiança, segurança, amparo, conselhos e, sobretudo, informações, elemento crucial em qualquer negócio. A confiança estabelecida nessas redes pode, por exemplo, permitir ao empreendedor ter acesso a recursos altamente valiosos, como conhecimentos e informações de difícil acesso, ou a troca de produtos e serviços difíceis de se obter por meio de arranjos contratuais. Além disso, com esses grupos de apoio, é possível compartilhar problemas e soluções que atuem como base e apoio para o novo empreendimento, conforme lecionam Hisrich, Peters e Shepherd (2014). Assim, à medida que a rede de apoio dá ao indivíduo maior certeza sobre sua chance de alcançar resultados com sucesso, mais fortalecidas serão suas intenções empreendedoras. A força dos laços entre o empreendedor e qualquer indivíduo de suas redes de apoio está condicionada à frequência, ao nível e à reciprocidade do relacionamento entre eles. Ou seja, quanto maior a frequência e a profundidade desse relacionamento e os benefícios decorrentes dele, mais forte e duradoura será a conexão entre eles, segundo Hisrich, Peters e Shepherd (2014). 9O perfil do empreendedor: histórico e características Empreendedorismo sustentável O mundo vem passando por rápidas transformações nos âmbitos político, econômico, social, cultural e ambiental. A degradação do meio ambiente, as mudanças climáticas e a falta de água potável são exemplos de problemas com que as sociedades têm sido obrigadas a conviver e lidar. Isso explica a preocupação cada vez mais crescente da sociedade com o desenvolvimento sustentável do planeta. Esses problemas são irreversíveis e suas consequ- ências geram impactos na consciência e nas atitudes das pessoas, mudando seu comportamento em relação ao consumo de produtos e serviços de forma mais responsável, dando prioridade às empresas social e ambientalmente responsáveis, conforme aponta Degen (2009). As empresas, por sua vez, têm sido cada vez mais cobradas a participarem e se comprometerem com o desenvolvimento sustentável, contribuindo para o crescimento econômico por meio de geração de empregos e renda, inovação, investimentos e também ações que contribuam para o equilíbrio e a preser- vação ambiental. Esse movimento em prol do desenvolvimento sustentável trouxe consigo muitas questões, fazendo surgir novos segmentos de atuação e o termo empreendedorismo sustentável, que se refere à adoção de práticas que visem a reduzir os danos causados ao meio ambiente. É possível definir o empreendedorismo sustentável como uma forma de empreendedorismo com foco no mercado e na criação de valor, com respeito aos aspectos ambiental e social. O empreendedorismo sustentável é a combi- nação das dimensões econômica,social e ambiental do empreendedorismo. Ou seja, um empreendimento só pode ser considerado sustentável quando é ambientalmente, socialmente e economicamente sustentável, conforme lecionam os autores Pimentel; Reinaldo e Oliveira (2010) e Spence, Gherib e Biwolé (2011). Ou seja, o empreendedorismo sustentável tem seu foco na preservação da natureza e no suporte da vida e da comunidade, buscando oportunidades de criar novos produtos, processos e serviços para a geração de ganhos futuros, incluindo benefícios econômicos e não econômicos a indivíduos, à economia e à sociedade como um todo. Dessa forma, o empreendedor sustentável é aquele que busca alcançar seus lucros por meio de processos humanizados e que respeitem o meio ambiente, segundo Degen (2009) e Hisrich, Peters e Shepherd (2014). Em relação aos ganhos ambientais para terceiros, podemos citar a redução da poluição atmosférica, as melhorias na qualidade do ar ou da água potável e outros aspectos ligados à qualidade de vida. Como ganhos para a sociedade, O perfil do empreendedor: histórico e características10 podemos citar menores índices de mortalidade infantil, aumento da expectativa de vida, educação de qualidade, oportunidades igualitárias, etc. Outro ponto importante que deve ser lembrado é que a comunidade onde o empreendimento está inserido também deve ser beneficiada, conforme apontam Hisrich, Peters e Shepherd (2014). O empreendedor com maiores conhecimentos sobre meio ambiente, como biodiversi- dade e ecossistemas, possui maiores chances de perceber as mudanças e oportunidades no ambiente e agir em relação a elas, conforme Hisrich, Peters e Shepherd (2014). Nesse sentido, as empresas devem se preocupar em mudar seu modelo de gestão, buscando minimizar todo e qualquer impacto negativo que sua atividade possa causar no meio ambiente, sensibilizando também seus consumidores quanto à importância de questões ambientais. Vejamos algumas dicas para ser um empreendedor sustentável: Investir em capital humano, incentivando o desenvolvimento contínuo dos colaboradores e permitindo que eles apresentem suas ideias e ino- vações, contribuindo para os resultados da empresa; ouvir as pessoas e aceitar suas ideias é uma prática que envolve a sustentabilidade. Adotar processos ambientalmente corretos, sempre pensando em reduzir o impacto negativo ao meio ambiente. Isso vale para grandes e pequenas empresas, com ações como: troca de maquinários de alto consumo; redução do consumo de água, energia e combustível; eliminação da impressão de papel, etc. Ou seja, deve-se rever todos os processos que podem ser eliminados ou substituídos por processos mais econômicos e limpos. Estimular a consciência coletiva dos colaboradores sobre a impor- tância de suas ações para o meio ambiente, envolvendo-os em ações sustentáveis. Buscar conhecimentos sobre práticas de empreendedorismo sustentável adotadas em outras empresas do mercado nacional e internacional que deram certo e podem ser adotadas em sua empresa. 11O perfil do empreendedor: histórico e características Conversar com os consumidores para conhecer sua percepção em relação a formas de redução de impactos negativos e economia de recursos escassos. Procurar saber como eles produziriam o produto ou serviço que você oferece. Dessa forma, você pode conseguir boas ideias. Se o empreendimento estiver no estágio inicial, deve-se trazer na mala a cultura do empreendedorismo sustentável. Procurar inserir no mercado produtos e serviços compatíveis com as regras ambientais. Isso é um diferencial para o negócio, ou seja, produtos ambientalmente corretos possibilitam o crescimento da empresa em variados nichos de mercado. Cabe destacar que transformar uma empresa já estabelecida em uma em- presa sustentável pode levar um tempo, pois ninguém muda o comportamento da noite para o dia. Para se tornar uma empresa social e ambientalmente sustentável, é necessário o envolvimento de todos, ou seja, do empreendedor e de seus colaboradores, em todas as áreas e níveis da empresa. Cada vez mais as empresas necessitam da licença social para atuar, uma vez que a sociedade está mais consciente da necessidade de promover o desenvolvimento sustentável. Essa licença pode ser cassada caso as empresas desrespeitam o meio ambiente, com práticas abusivas e agressivas, conforme leciona Degen (2009). BRITO, A. M.; PEREIRA, P. S.; LINARD, A. P. Empreendedorismo. Juazeiro do Norte: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará – IFCE, 2013. DEGEN, R. J. O empreendedor: empreender como opção de carreira. São Paulo: Prentice- -Hall do Brasil, 2009. DOLABELA, F. O segredo de Luísa. Rio de Janeiro: Sextante, 2012. DORNELAS, J. Empreendedorismo para visionários: desenvolvendo negócios inovadores para um mundo em transformação. Rio de Janeiro: LTC, 2013. O perfil do empreendedor: histórico e características12 GLOBAL ENTREPRENEURSHIP MONITOR (GEM). Empreendedorismo no Brasil: 2016. Curi- tiba: IBQP, 2017. Disponível em: . Acesso em: 12 nov. 2018. HISRICH, R. D.; PETERS, M. P.; SHEPHERD, A. D. Empreendedorismo [dados eletrônico]. 9. ed. Porto Alegre: AMGH, 2014. PIMENTEL, T. A. B.; REINALDO, H. O. A.; OLIVEIRA, L. G. L. Empreendedorismo sustentável: uma análise da implementação da sustentabilidade empresarial em micro, pequenas e médias empresas industriais atendidas pelo PEIEX- no NUTEC. In: SIMPÓSIO DE AD- MINISTRAÇÃO DA PRODUÇÃO, LOGÍSTICA E OPERAÇÕES INTERNACIONAIS – SIMPOI, 13., 2010, São Paulo. Anais... São Paulo: SIMPOI, 2010. SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS (SEBRAE). Pequenos negócios em números. 2018. Disponível em Acesso em: 12 nov. 2018. SPENCE, M.; GHERIB, J. B. B.; BIWOLÉ, V. O. Sustainable entrepreneurship: is entrepre- neurial will enough? a north-south comparison. Journal of Business Ethics, v. 99, n. 3, p. 335–367, Mar. 2011. Leituras recomendadas ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR ISO 14001: sistema de gestão ambiental. Rio de Janeiro, 2015. BRASIL. Decreto nº 99.570, de 9 de outubro de 1990. Desvincula da Administração Pública Federal o Centro Brasileiro de Apoio à Pequena e Média Empresa (Cebrae), transfor- mando-o em serviço social autônomo. Brasília, DF, 1990a. Disponível em: . Acesso em: 12 nov. 2018. BRASIL. Lei nº 8029 de 12 de abril de 1990. Dispõe sobre a extinção e dissolução de entidades da administração Pública Federal, e dá outras providências. Brasília, DF, 1990b. Disponível em: . Acesso em: 12 nov. 2018. BRASIL. Portal do Empreendedor – MEI. [2018]. Disponível em: . Acesso em: 12 nov. 2018. BRASIL. Receita Federal. Simples Nacional. O que é Simples Nacional? [2018]. Disponível em: . Acesso em: 12 nov. 2018. LOPES, A. E. M. P.; MIRANDA, C. F. Empreendedorismo sustentável: uma oportunidade de estratégias competitivas. Ágora: R. Divulg. Cient., v. 22, n. 2, p. 45–65, jul./dez. 2017. 13O perfil do empreendedor: histórico e características Conteúdo: DICA DO PROFESSOR O vídeo a seguir apresenta o perfil empreendedor, os modelos de conduta e sistemas de apoio, e o empreendedorismo sustentável. Veja: Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) Embora algumas pessoas achem que os empreendedores têm menos educação formal do que a população em geral, algumas pesquisas indicam claramente que esse não é o caso. Considerando que a educação é importante na criação do empreendedor, assinale a alternativa INCORRETA: A) A educação não formal está relacionada aos conhecimentosque o empreendedor adquire ao longo de sua vida, através das experiências que vive, e também é importante na criação do empreendedor. B) As áreas em que os empreendedores demonstram mais necessidades de conhecimentos são finanças, marketing, planejamento estratégico e administração. C) Em geral, o capital humano de um empreendedor cria conhecimento, aptidões e habilidades para solucionar problemas, os quais são transferíveis para várias situações. D) Quanto mais os indivíduos acreditarem que sua educação torna a ação empreendedora mais viável, menor a chance de se tornarem empreendedores. E) Sua importância se reflete não só no nível educacional obtido, mas também no fato de que continua a desempenhar um grande papel ao auxiliar os empreendedores a lidar com os problemas que enfrentam. 2) Leia as seguintes afirmativas: (1) À medida que um empreendimento se estabelece e começa a crescer, a experiência e as habilidades administrativas se tornam mais importantes..., ... PORQUE... (2)... oferecem aos empreendedores uma segurança maior na sua possibilidade de alcançar resultados empreendedores, esse aumento da viabilidade percebida fortalece as intenções empreendedoras. No que diz respeito às duas afirmativas, assinale a alternativa correta: A) as duas afirmativas são verdadeiras e a segunda não justifica a primeira. B) as duas afirmativas são verdadeiras e a segunda justifica a primeira. C) a primeira afirmativa é verdadeira e a segunda falsa. D) a primeira afirmativa é falsa e a segunda verdadeira. E) as duas afirmativas são falsas. Quanto mais frequente, profundo e mutuamente benéfico for um relacionamento, mais forte e mais durável será a rede entre o empreendedor e outros indivíduos. Embora a maioria das redes não seja formalmente organizada, uma rede informal para apoio moral e profissional ainda beneficia muito o empreendedor. ,Com base nas redes, numere a segunda coluna de acordo com a primeira:, (1) Rede de apoio moral (2) Rede de apoio profissional ( ) A maioria dos empreendedores indica que seus cônjuges são seus maiores defensores e lhes permitem dedicar a enorme quantidade de tempo necessária para o novo empreendimento. 3) ( ) Conselhos obtidos por um mentor, associados, associações comerciais ou de filiações pessoais. ( ) Indivíduos que ajudam o empreendedor nas atividades empresariais. ( ) Os amigos desempenham um papel crucial na rede de apoio moral. Além de dar conselhos, que muitas vezes são mais honestos do que os recebidos de outras fontes, eles oferecem estímulo, compreensão e até assistência. ( ) Os parentes (filhos, pais, avós, tias e tios) podem ser fontes importantes dessa rede, especialmente se forem colegas empreendedores. Agora, assinale a sequência correta: A) 1-2-2-1-1 B) 1-2-1-2-1 C) 2-1-2-1-2 D) 2-2-1-1-2 E) 1-1-2-2-1 4) Os indivíduos cujo exemplo o empreendedor pode almejar e copiar são conhecidos como: A) Modelos de conduta. B) Benchmarking. C) Sistema de apoio. D) Financiadores. E) Patrocinadores. 5) Marque a alternativa que apresenta o conceito de empreendedorismo sustentável: A) É focado em preservar a natureza, o suporte de vida e a comunidade, em busca de oportunidades de criar novos produtos, processos e serviços no futuro para gerar ganho exclusivamente econômico a indivíduos, à economia e à sociedade. B) É focado em buscar ganhos exclusivamente econômicos para os indivíduos e a sociedade preservando a natureza, o suporte de vida e a comunidade. C) É focado em buscar ganhos exclusivamente econômicos para indivíduos, preservando a natureza. D) É focado em preservar a natureza, o suporte de vida e a comunidade, em busca de oportunidades de criar novos produtos, processos e serviços no futuro para gerar ganho, sendo ganho definido, em termos gerais, de modo a incluir benefícios econômicos e não econômicos a indivíduos, à economia e à sociedade. E) É focado em buscar ganhos exclusivamente econômicos para os indivíduos, preservando as comunidades em situação de risco. NA PRÁTICA Veja como as práticas empreendedoras estão presentes em nosso dia a dia: McDonald's - Normas de Conduta Empresarial: A Promessa dos Arcos Dourados. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Empreendedorismo no Brasil :2013 Neste artigo página 32-33: gráfico demonstra que no Brasil, no ano de 2013, houve um percentual de 71.3 de indivíduos empreendedores que declararam ter aberto uma empresa por oportunidade. Páginas 21; 32 (em diante); 119: você poderá encontrar informações sobre o empreendedorismo por necessidade. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Bota Pra Fazer - Michael Dell, Mario Chady e Eduardo Ourivio Vídeo sobre Mario Chady e Eduardo Ourivio, fundadores do Spoleto que hoje constituem um grupo que carrega as marcas Koni Store e Domino ́s Pizza. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! 9 dicas essenciais para novos empreendedores Artigo de Sam Bahreini para a Forbes Brasil mostrando 9 dicas essenciais para novos empreendedores Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Identificação e análise de oportunidades nacionais e internacionais APRESENTAÇÃO À medida que mais países se tornam orientados para o mercado e se desenvolvem, a distinção entre os mercados doméstico e estrangeiro é reduzida. O crescimento da globalização de mercado, fez com que a diferença entre concorrentes aumentasse, tornando os consumidores cada vez mais conscientes e exigentes. O que era produzido apenas domesticamente hoje é produzido em nível internacional. Como das consequências,cada vez mais as empresas se veem obrigadas a ampliar seu campo de atuação, buscando novas oportunidades não só no seu mercado de atuação além da expansão global. Nesta Unidade de Aprendizagem, você conhecerá os aspectos e a importância de identificar boas oportunidades de empreendimentos em nível nacional e internacional. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Perceber os aspectos e a importância de identificar boas oportunidades nacionais ou internacionais; • Reconhecer a importância do plano de avaliação de oportunidades;• Desenvolver um plano de avaliação de oportunidades.• DESAFIO Leia a seguir caso de sucesso, publicado pelo SEBRAE-MG, que apresenta a trajetória de uma pequena empresária que montou uma confecção de roupas cirúrgicas para cães. Bom pra cachorro Empresária cria roupas pós-cirúrgicas para pets e potencializa seu negócio no Campo das Vertentes. Unir duas paixões: os cães e a costura. Assim começa a história da Pet Show, confecção para pets criada pela administradora de empresas Débora Lacerda. Moradora de Carmópolis de Minas, no Campo das Vertentes, ela aprendeu a costurar quando criança e, já adulta, trabalhou como costureira em casa por muitos anos. Nesse período, foi proprietária de duas confecções, uma de moda e outra de uniformes, que, por falta de conhecimento em administração, fecharam as portas. Matéria completa. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Após fazer a leitura, considere que você é a empresária Débora no início de seu negócio, quando teve a ideia de montar a confecção de roupas cirúrgicas para cães. Você precisa avaliar melhor esta ideia para verificar se é lucrativa, para tanto, irá elaborar a primeira seção do plano de avaliação da oportunidade, o desenvolvimento do produto. Considere os seguintes itens e estrutura: a) Descrição do produto; b) Necessidade de mercado do produto; c) Aspectos específicos do produto; d) Produtos concorrentes; e) Empresa(s) concorrente(s); f) Proposições de vendas exclusivas do produto. INFOGRÁFICO O infográfico apresenta uma síntese sobre o plano de avaliação da oportunidade. Veja: CONTEÚDO DO LIVROO segredo do sucesso no empreendedorismo doméstico e internacional é desenvolver uma ideia direcionada a um mercado que necessita da ideia de produto concebida. O que se considera lucrativo varia de acordo com a ideia do produto ou serviço. A melhor maneira de determinar a lucratividade de um produto ou serviço é com o desenvolvimento de um plano de avaliação de oportunidades. Este plano é diferente de um plano de negócios. O plano de avaliação de oportunidades enfoca a oportunidade e não o empreendimento. Aprofunde seus conhecimentos com a leitura do capítulo Identificação e Análise de Oportunidades Nacionais e Internacionais, da obra Empreendedorismo. EMPREENDEDORISMO Ligia Maria Affonso Identificação e análise de oportunidades nacionais e internacionais Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Descrever os aspectos e a importância de identificar boas oportuni- dades nacionais ou internacionais. Reconhecer a importância do plano de avaliação de oportunidades. Desenvolver um plano de avaliação de oportunidades. Introdução A ampliação dos mercados, proporcionada pela globalização, fez com que a concorrência no mercado aumentasse, tornando os consumidores cada vez mais conscientes e exigentes. Desde então, as mudanças vêm ocorrendo em uma velocidade cada vez maior, gerando novas necessi- dades, tornando as empresas cada vez mais complexas, sem fronteiras e dependentes de uma gestão de qualidade que garanta seu crescimento e seu sucesso no mercado. Assim, as empresas se veem obrigadas a ampliar seu campo de atuação, buscando novas oportunidades não só no mercado nacional como também no mercado internacional. Neste capítulo, você vai estudar sobre a importância das oportuni- dades nacionais e internacionais de negócios. Você também vai verificar a importância do plano de avaliação de oportunidades e as etapas que o compõem. Oportunidades nacionais e internacionais Você já pensou em ser dono do próprio negócio? Não ter mais chefe e ganhar muito dinheiro fazendo aquilo que você gosta? Se você já imaginou isso, saiba que não está sozinho, pois esse é o quarto grande sonho dos brasileiros. É isso mesmo, ter o próprio negócio é o sonho de muitos brasileiros, depois da compra da casa própria, de poder viajar pelo Brasil e de comprar um automóvel (GLOBAL ENTREPRENEURSHIP MONITOR, 2017). Muitos são os motivos que levam alguém a empreender, como um sonho ou uma necessidade. Dessa forma, quando falamos em empreender, temos dois fatores motivadores dessa ação, a necessidade e a oportunidade, conforme aponta Dornelas (2013). Empreender por necessidade normalmente está ligado à busca de uma fonte de renda para a própria sobrevivência e a da família. Nesse caso, é comum vermos pessoas que perderam seus empregos e que encontram dificuldades para se inserir novamente no mercado de trabalho, seja por falta de qualificação profissional ou por um momento de crise econômica no país, o que reduz as oportunidades de trabalho em todos os setores. Empreender por oportunidade, por outro lado, surge da identificação de uma boa chance no mercado. Ou seja, os indivíduos decidem empreender porque vislumbram a possibilidade de realizar seu sonho e aumentar sua renda, além de conquistar sua independência financeira e profissional. Nesse contexto, situações como aposentadoria planejada e disponibilidade de recursos finan- ceiros, seja por herança, ganho em loterias, rescisão de contratos de trabalho, bonificação salarial, entre outros meios, podem ser o impulso necessário para que uma oportunidade seja aproveitada. Normalmente o empreendedor por oportunidade está sempre atento às oportunidades, possui um propósito, tem planejamento, visa ao crescimento e à geração de empregos, lucros e riquezas e sabe aonde quer chegar, conforme aponta Dornelas (2013). As oportunidades são a chance que os empreendedores possuem de alcançar o sucesso em seus negócios, atendendo às necessidades de mercado e obtendo lucro com isso. Uma oportunidade pode aparecer sob a forma de produtos ou serviços inovadores e diferenciados, que, além de gerar lucro, geram valor ao consumidor e contribuem para o sucesso de um negócio. Também pode surgir a oportunidade de abertura de um novo mercado, de implementar novos modelos de organização, de utilizar novas tecnologias, novos materiais e novas técnicas de produção, etc. Assim, as oportunidades beneficiam tanto os novos negócios como os negócios já existentes, conforme Baron e Shane (2011) e Hisrich, Peters e Shepherd (2014). Identificação e análise de oportunidades nacionais e internacionais2 Identificar oportunidades não é uma tarefa fácil e depende da capacidade do indivíduo em percebê-las no mercado e de meios adequados. Nesse contexto, segundo Picanço e Periotto (2017), identificar oportunidades é uma das principais características de um empreendedor bem-sucedido, ou seja, ele identifica a oportunidade e a transforma em lucro. Outro aspecto importante e que deve ser destacado é que as oportunidades podem ser descobertas após um período de avaliação e então exploradas, ou criadas e motivadas por mudanças tecnológicas, ou, ainda, devido a condições políticas, econômicas, sociais e demográficas que podem gerar algo novo, conforme apontam Shane e Venkataraman (2000) e Baron e Shane (2007). As oportunidades podem ser percebidas: a partir de uma necessidade, uma deficiência ou tendências identificadas no mercado; quando se tenta encontrar outras utilidades para produtos que já existem; a partir da identificação de algo semelhante com a atividade atual desempenhada pelo indivíduo; a partir de lançamentos realizados pela concorrência; a partir da intenção de empreender. Ou seja, o indivíduo que deseja realizar seu sonho abrindo um negócio e pensa em investir em um determinado setor vai buscar informações que lhe ajudem a verificar se o que pretende é viável ou não. Isso inclui a verificação de necessidades, deficiências, tendências e oportunidades no mercado, conforme Degen (2009) e Machado (2013). No entanto, identificar oportunidades de mercado e expandir o negócio para outros mercados ainda é algo bastante difícil para muitos empreendedo- res, principalmente quando falamos em mercados nacional e internacional. Conforme os países vão se desenvolvendo e se orientando para o mercado, a diferença entre os mercados domésticos e internacionais diminui. O mercado mudou, e muito do que era produzido no mercado nacional é hoje produzido em outros países, o que, em muitos casos, tem deixado de ser uma opção de competitividade, tornando-se uma questão de sobrevivência 3Identificação e análise de oportunidades nacionais e internacionais no mercado. Ou seja, os negócios internacionais assumem cada vez mais importância para empresas de todos os portes, uma vez que estas competem em um mercado global, extremamente competitivo (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2014; AMRCONSULT, 2017). Com o crescimento e o amadurecimento dos empreendimentos, novas habilidades administrativas são requeridas. No entanto, alguns empreendedores esquecem uma premissa básica dos negócios: a única constante é a mudança. Ou seja, é preciso admi- nistrar com eficiência as mudanças, conforme apontam Hisrich, Peters e Shepherd (2014). Você pode estar se perguntando: qual é a diferença entre empreendedorismo nacional e internacional? Apesar de os empreendedores domésticos e inter- nacionais terem em comum a preocupação com suas vendas, custos e lucros, a diferença entre eles está no nível de importância dos fatores envolvidos em cada decisão. As decisões empresariais internacionais, por exemplo, envolvem maior complexidade, uma vez que fatores como economia, política, cultura e tecnologia não podem ser controlados, fato que exige das empresas que pretendem se internacionalizar uma maior capacidade de adaptação a esses fatores, conformeHisrich, Peters e Shepherd (2014). Em relação à economia, no mercado doméstico as empresas precisam se preocupar apenas com a economia do país, já que o sistema econômico é único em todo o país e a moeda é a mesma. Ao atuar em outros países, por sua vez, as empresas precisam enfrentar e se adaptar a aspectos como: diferenças nos níveis de desenvolvimento econômico; valorização da moeda; leis e regulamentações do governo; atuação dos sistemas bancários; entre outros fatores que influenciam o plano de negócio internacional e a forma de o empreendedor fazer negócios. No mercado internacional, existem diferentes ambientes políticos, cada qual com suas diretrizes e estabilidade, influenciando as empre- sas, por exemplo, com a flutuação de preços. Os aspectos jurídicos também exercem influência sobre todas as estratégias de negócio do empreendedor, como exigências legais em relação a produtos, rótulos, ingredientes e embalagens. Identificação e análise de oportunidades nacionais e internacionais4 A cultura é outro aspecto que deve ser levado em consideração, pois aspectos como idioma, estrutura social, religião, educação, hábitos e costumes influenciam diretamente no empreendimento. Em relação ao idioma, por exemplo, ao se internacionalizar, a empresa deve ter alguém que fale o idioma do país em que o negócio será realizado, para estabelecer a comunicação com os envolvidos no negócio e para a busca e o entendimento de informações necessárias e importantes ao negócio. A tecnologia é outro aspecto que pode variar muito entre diferentes países e que influencia, por exemplo, a qualidade de um produto, de- pendendo das condições, disponibilidade e infraestrutura vigentes no país. Países desenvolvidos não apresentam tantos problemas para o empreendedor, como é o caso dos Estados Unidos, cujos produtos são mais padronizados e uniformes, atendendo aos padrões industriais, o que pode não acontecer em outros países. Ou seja, empreender internacionalmente requer, além de investimento, aspectos como: conhecimento profundo da legislação e das normas que re- gem o país ou a região; adaptação do produto ao tipo de mercado e à cultura; contratação de funcionários especializados em operação no mercado interna- cional; adaptação interna da empresa em relação aos recursos e capacidades. Por isso, é de fundamental importância que o empreendedor saiba avaliar as oportunidades internacionais, seus riscos e vantagens para o negócio, conforme apontam Barney e Hesterly (2010). Mas, como escolher o mercado a ser explorado? É preciso ter em mente que existem diferenças significativas entre os mercados nacional (domés- tico) e internacional (global). Para tomar essa decisão e optar, por exemplo, por entrar no mercado global, o empreendedor precisa reunir o máximo de informações possíveis de um período de pelo menos três anos, para que seja possível identificar as tendências. São vários os modelos existentes para a seleção de mercados, mas existem cinco passos que são, sem dúvida, os mais eficientes para essa ação, conforme apontam Hisrich, Peters e Shepherd (2014): 1. o desenvolvimento de indicadores adequados e corretos; 2. a conversão dos dados obtidos em indicadores comparáveis; 3. a definição adequada dos pesos de cada indicador; 4. a análise dos dados; 5. a seleção do mercado adequado nos rankings de mercados. 5Identificação e análise de oportunidades nacionais e internacionais Os dados obtidos e analisados para a seleção dos mercados também serão usados ao se desenvolver a estratégia de entrada e o plano de marketing adequados. Cabe destacar a importância de se conhecer, também, as características do mercado externo, como a concorrência internacional, que pode colocar tudo a perder, uma vez que é extremamente forte. Outro fator que deve ser considerado é que as empresas nacionais com certeza encontrarão outras empresas já consolidadas nesse mercado e que possuem como forte vantagem um relacionamento comercial com o exterior mais profundo, consolidado e integrado, conforme aponta Minervini (2008). O empreendedorismo internacional gera emprego e riqueza, beneficiando as pessoas e a economia das nações de todo o mundo. Atualmente, com o mercado extremamente competitivo e com a tecnologia mudando rapidamente, entrar em mercados que ultrapassem as fronteiras nacionais é fundamental. Segundo Hisrich, Peters e Shepherd (2014), o empreendedorismo internacional com- bina diversos aspectos do empreendedorismo doméstico com disciplinas como antropologia, economia, geografia, história, direito e linguística. Plano de avaliação de oportunidades Identifi car e explorar oportunidades nos mercados nacional e internacional exige do empreendedor certas habilidades e visão de futuro. É importante que o empreendedor possua a capacidade necessária para explorar as oportunidades, visando a não perder a chance de alavancar seu negócio e o manter sustentável. Uma oportunidade de negócio significa uma chance para o empreendedor atender com sucesso as necessidades existentes no mercado, obtendo lucro com isso. Cabe destacar que o reconhecimento de oportunidades é resultado Identificação e análise de oportunidades nacionais e internacionais6 da interação do empreendedor com o ambiente; ou seja, quanto mais ele es- tiver atento às movimentações do mercado, maior as chances de reconhecer oportunidades. No entanto, as oportunidades também podem surgir sem que o empreendedor se movimente no sentido de explorá-las. Veja na Figura 1 um modelo que identifica claramente os aspectos do processo de reconhecimento de oportunidades. Figura 1. Modelo de processo de reconhecimento de oportunidades. Fonte: Hisrich, Peters e Shepherd (2014, p. 86). Educação Experiência Experiência profissional Experiências pessoais Conhecimento prévio dos mercados e dos problemas dos clientes Resultado: reconhecimento de oportunidade bem-sucedido Alerta empreendedor Redes Como visto no modelo da Figura 1, geralmente o reconhecimento de uma oportunidade é resultado da combinação do conhecimento e da experiência que o empreendedor ou a empresa empreendedora possui. O conhecimento prévio é decorrente da combinação entre educação e experiência, e a expe- riência, por sua vez, é adquirida ao longo da vida, seja por meio do trabalho, da participação em diversos eventos e, até mesmo, das experiências pessoais. Para aplicar esses conhecimentos no reconhecimento de oportunidades, o empreendedor deve estar motivado e consciente de seu domínio. A atenção empreendedora e as redes empreendedoras são outros fatores importantes nesse processo, no qual a atenção empreendedora e o conhecimento prévio sobre o mercado (tendências, necessidades deficiências) interagem entre si. Reconhecer oportunidades relevantes é fundamental para os empreendedo- res, pois, além de auxiliá-los na elaboração do planejamento e desenvolvimento de produtos, serviços, processos e novos negócios, coloca-os em uma posição estratégica, conforme apontam Hisrich, Peters e Shepherd (2014). Nesse contexto, o conhecimento é um elemento essencial para o empre- endedor, tomando muitas vezes uma importância maior do que os recursos financeiros; ou seja, o conhecimento é um instrumento valioso de vantagem 7Identificação e análise de oportunidades nacionais e internacionais competitiva. A capacidade que o empreendedor possui de aprender contribui não só para o reconhecimento de oportunidades, mas também para a geração de ideias. Tais ideias podem ser transformadas em oportunidades com grande potencial de retorno financeiro, contribuindo para o sucesso do empreendi- mento nacional e internacional e para a sustentabilidade do modelo de negócio da empresa, produto ou serviço a ser criado, gerando receita e lucro e criando valor. Cabe destacar que tais ideias devem ser direcionadas para a satisfação de uma necessidade específica de mercado, aumentando o lucro do cliente, seja ele um negócio, umconsumidor ou um governo, segundo Dornelas (2013) e Hisrich, Peters e Shepherd (2014). A ideia de lucro pode sofrer variação, dependendo do produto ou serviço, principal- mente se for um produto industrial (mercado business-to-business) ou um produto para consumidores diretos (mercado business-to-consumer). Outro aspecto que vale ser lembrado é a atenção que o empreendedor deve ter para evitar a ocorrência de erros que podem levá-lo ao insucesso na hora de reconhecer oportunidades de negócio. O erro mais comum é a falta de objetivi- dade em relação à ideia para um negócio. Muitas vezes, existe uma contradição entre ousadia e excesso de cuidado, o que pode atrapalhar o empreendedor ao desenvolver a oportunidade identificada. É muito importante avaliar os riscos envolvidos na oportunidade e avaliar se poderão ser administrados. Outro erro bastante comum é desconhecer o mercado em que se pretende atuar, ou seja, é não estudar suficientemente a necessidade existente. Isso parece absurdo? Pois saiba que é muito comum. Muitos empreendedores, por exemplo, não conhecem seus clientes e iniciam seus negócios ou lançam novos produtos ou serviços motivados por aspectos como a boa localização do negócio, a facilidade de aquisição de matéria-prima, o aproveitamento de mão de obra, etc. Isso é muito comum em pequenos negócios, como padarias, lojas de roupa, academias de ginástica, etc. O empreendedor leva em consi- deração aspectos relevantes, mas desconsidera as necessidades dos clientes e, por isso, muitas vezes, deixa escapar oportunidades valiosas, deixando seu empreendimento propenso ao fracasso ou com rentabilidade abaixo das expectativas, conforme aponta Degen (2009). Identificação e análise de oportunidades nacionais e internacionais8 Para evitar esses e outros erros, a melhor forma de determinar se uma ideia pode ou não ser lucrativa é com o desenvolvimento de um plano de avaliação da oportunidade. Cabe destacar que o plano de avaliação da oportunidade não é o mesmo que um plano de negócio. Ao compararmos os dois, o plano de avaliação de oportunidade é mais curto, possui seu foco na oportunidade, e não no negócio, não requer a elaboração de planilhas eletrônicas e serve de base para decidir pelo aproveitamento da oportunidade ou por esperar o surgimento de outra ainda melhor, conforme Degen (2009). Segundo Degen (2009), para que uma oportunidade seja considerada viável, não basta apenas acreditar na ideia — é necessário avaliá-la e calcular seu potencial de mercado. Etapas do plano de avaliação de oportunidades O plano de avaliação da oportunidade tem quatro partes, de acordo com Hisrich, Peters e Shepherd (2014). A primeira e principal parte visa ao desenvolvimento da ideia do produto ou serviço, abrangendo a análise dos produtos e serviços da concorrência, a análise de empresas concorrentes e a identifi cação da exclusividade da ideia com relação às suas proposições de venda exclusivas. Essa etapa inclui as seguintes ações: descrição do produto ou serviço; identificação da necessidade de mercado do produto ou serviço; descrição dos aspectos específicos do produto ou serviço; relação dos produtos da concorrência que atendem à necessidade iden- tificada e seus recursos; descrição das empresas que atuam nesse espaço de mercado do produto; descrição das propostas de venda exclusivas do produto ou serviço. A segunda parte do plano de avaliação da oportunidade, tão importante quanto a primeira, visa a analisar aspectos do mercado, como seu tamanho, tendências, características e índice de crescimento. Essa etapa inclui as se- guintes ações: 9Identificação e análise de oportunidades nacionais e internacionais descrição da necessidade de mercado atendida; descrição da condição social que existe por trás da necessidade de mercado; descrição das dimensões, tendências e características do mercado do- méstico e/ou internacional; apresentação do índice de crescimento do mercado. A terceira parte tem seu foco no empreendedor e na equipe administrativa, incluindo histórico, educação, habilidades e experiências de cada um. Nessa etapa, as seguintes perguntas devem ser respondidas: Por que essa oportunidade o estimula? De que forma a ideia do produto ou serviço se adapta em seu histórico e em sua experiência pessoal? Quais habilidades de negócios são requeridas? Quais são suas habilidades de negócios? Você conhece alguém que possua tais habilidades? A quarta e última parte do plano de avaliação da oportunidade tem por finalidade desenvolver uma linha do tempo com a indicação das etapas neces- sárias para o lançamento do empreendimento com sucesso e para transformar a ideia em um negócio viável. Essa etapa, menor que as demais, inclui as seguintes ações: identificação de cada etapa; estabelecimento sequencial das atividades por ordem crítica de sucesso; identificação das ações necessárias em cada etapa; determinação do tempo e dos recursos financeiros necessários em cada etapa; determinação do total de tempo e recursos financeiros necessários; identificação da fonte dos recursos financeiros necessários. Nesse contexto, as informações também possuem um papel valioso, pois são elas que nos darão a base para decidir sobre a melhor e mais viável opor- tunidade. Ou seja, a informação é um elemento de vantagem competitiva, uma vez que, a partir dela, as decisões sobre oportunidades podem ser tomadas com maior grau de confiança e menores riscos. Informações sobre produtos e serviços oferecidos pela concorrência e sobre as empresas concorrentes, bem como as dimensões e características do mercado, podem ser colhidas Identificação e análise de oportunidades nacionais e internacionais10 pelo empreendedor em diversas fontes, auxiliando-o na identificação da opor- tunidade apropriada. Cabe destacar que a seleção de informações deve ser realizada com cuidado, pois muitas são de procedência duvidosa, ocasionada principalmente pelo aumento do fluxo e da quantidade de informações que circulam no mundo o tempo todo, conforme Hisrich, Peters e Shepherd (2014). São fontes de informação que podem ser utilizadas pelos empreendedores na elaboração de seu plano de avaliação de oportunidades: o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), que treina, capacita e auxilia o empreendedor com serviços de consul- toria em todo o país; fontes governamentais, como o Instituto de Pesquisa Econômica Apli- cada (IPEA), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o Portal do Empreendedor; sites na Internet como o Endeavor; revistas especializadas nacionais e internacionais que tratam sobre setores específicos, com informações sobre tendências, empresas e eventos, apresentando uma perspectiva mais local sobre o mercado específico e suas condições. As associações comerciais aqui no Brasil e em todo o mundo também são uma excelente fonte de dados sobre os setores de um determinado país, uma vez que algumas delas possuem o levantamento de atividades domésticas e internacionais de seus membros, bem como as normas que regem os setores, conforme apontam Hisrich, Peters e Shepherd (2014). Cabe ressaltar que a avaliação de oportunidades é uma atividade voltada para o futuro e não representa ainda a decisão de empreender. Ou seja, avaliar uma oportunidade representa a capacidade que o empreendedor possui de imaginar o futuro, de modo que consiga antecipar as necessidades do mercado e traçar um plano realista que possa ser colocado em prática. Antes de tomar a decisão sobre uma oportunidade, o empreendedor deve explorá-la mentalmente, de modo que consiga imaginar estratégias que o permitam entrar em novos mercados e alcançar diferentes resultados, conforme apontam Gaglio (2004) e Haynie, Shepherd e McMullen (2009). Outro ponto importante é que, entre a avaliação e a exploração da oportu- nidade, está a tomada de decisão. A ação dedecidir está relacionada à forma como o empreendedor combina seus desejos, representados por seus valores pessoais e objetivos, e suas crenças, representadas por suas expectativas e 11Identificação e análise de oportunidades nacionais e internacionais conhecimentos prévios. Nesse contexto, a tomada de decisão envolve três elementos, conforme Haynie, Shepherd e McMullen (2009): a escolha entre as possibilidades existentes; as crenças sobre os meios e as condições sob as quais os objetivos podem ser alcançados; e os desejos, os valores, a utilidade da decisão e suas consequências, associadas aos resultados de cada combinação de ação. Assim, qualquer decisão sobre uma oportunidade requer do empreendedor informação, seleção, análise e estimativa das consequências, para que possa tomar a decisão sobre se vai agir e como vai agir, dando a ele um sentido para a sua ação que reflita a sua vontade. AMRCONSULT. Adrego & Associados – Consultores de Gestão. Desafios da internacio- nalização. 2017. Disponível em: . Acesso em: 13 nov. 2018. BARNEY, J. B.; HESTERLY, W. S. Administração estratégica e vantagem competitiva: conceitos e casos. 3. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2010. (Edição do Kindle). BARON, R. A.; SHANE, S. A. Empreendedorismo: uma visão do processo. São Paulo: Thompson Learning, 2007. BARON, R. A.; SHANE, S. A. Empreendedorismo: uma visão do processo. São Paulo: Thomson, 2011. DEGEN, R. J. O empreendedor: empreender como opção de carreira. São Paulo: Prentice- -Hall do Brasil, 2009. DORNELAS, J. Empreendedorismo para visionários: desenvolvendo negócios inovadores para um mundo em transformação. Rio de Janeiro: LTC, 2013. GAGLIO, C. M. The role of mental simulations and counterfactual thinking in the op- portunity identification process. Entrepreneurship: Theory & Practice, v. 28, n. 6, p. 533–52, Dec. 2004. GLOBAL ENTREPRENEURSHIP MONITOR (GEM). Empreendedorismo no Brasil: 2016. Curi- tiba: IBQP, 2017. HAYNIE, J. M.; SHEPHERD, D. A.; MCMULLEN, J. S. An opportunity for me? The role of resources in opportunity evaluation decisions. Journal of Management Studies, v. 46, n. 3, p. 337–61, May 2009. Identificação e análise de oportunidades nacionais e internacionais12 HISRICH, R. D.; PETERS, M. P.; SHEPHERD, A. D. Empreendedorismo [recurso eletrônico]. 9. ed. Porto Alegre: AMGH, 2014. MACHADO, H. P. V. (Org.). Empreendedorismo, oportunidades e cultura: seleção de casos no contexto brasileiro. Maringá, PR: Eduem, 2013. MINERVINI, N. O exportador: ferramentas para atuar com sucesso no mercado interna- cional. 5. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2008. PICANÇO, F. C. 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Rio de Janeiro: LTC, 2013 13Identificação e análise de oportunidades nacionais e internacionais Conteúdo: DICA DO PROFESSOR Assista ao vídeo a seguir sobre a identificação e a análise de oportunidades. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) De acordo com os autores do livro "Empreendedorismo", existe um axioma básico nos negócios: a única constante é a mudança. Este axioma está relacionado a: A) Administrar com eficiência as mudanças. B) Resistir às mudanças. C) Como as mudanças trazem riscos, o melhor é optar por um negócio de baixo risco. D) Pensar em um negócio que não seja afetado por mudanças. E) Pensar em um negócio cujas mudanças sejam lentas e gradativas. 2) A internacionalização do empreendedorismo e dos negócios gera riqueza e emprego que beneficiam as pessoas e as nações no mundo todo. Marque a alternativa correta no que se refere ao processo de internacionalização: A) Têm sido raras as oportunidades empresariais internacionais interessantes e animadoras. B) A internacionalização do empreendedorismo tem gerado negócios apenas em países com economias emergentes. C) No mundo hipercompetitivo da atualidade, com a tecnologia mudando rapidamente, é muito difícil para um empreendedor tentar entrar em mercados além das fronteiras nacionais de sua empresa. D) O empreendedorismo internacional combina diversos aspectos do empreendedorismo doméstico com outras disciplinas, como Antropologia, Economia, Geografia, História, Direito e Linguística. E) Para internacionalizar o seu negócio é necessário que o empreendedor faça cursos específicos sobre o mercado global. 3) A melhor maneira de determinar se uma ideia pode ser lucrativa ou não é com o desenvolvimento de um plano de avaliação da oportunidade. De acordo com as sentenças a seguir, marque a alternativa correta que reúne as características do plano de avaliação da oportunidade: I. Não é o mesmo que um plano de negócio. II. É extenso e bem detalhado. III. Enfoca o empreendimento em todos os detalhes. IV. Serve de base para a tomada de decisão, seja ela de aproveitar a oportunidade ou de esperar o surgimento de outra melhor. V. Não apresenta planilhas eletrônicas. A) Somente as opções I, II e III estão corretas. B) Somente as opções I, IV e V estão corretas. C) Somente as opções I, III e IV estão corretas. D) Somente as opções II, IV e V estão corretas. E) Somente as opções II, III e IV estão corretas. 4) Marque a alternativa que corresponde à primeira seção do plano de avaliação da oportunidade: A) A necessidade do mercado atendida. B) A descrição do produto ou serviço. C) A condição social por trás das necessidades do mercado. D) As habilidades de negócios. E) Identificação de cada etapa para implantação do negócio. 5) Diversas fontes de informações sobre empresas e produtos/serviços concorrentes e sobre dimensões e características de mercado estão disponíveis para os empreendedores que buscam identificar uma oportunidade apropriada. Marque a alternativa que corresponde às fontes de informações: A) Plano de avaliação da oportunidade. B) Plano de negócio. C) Fontes governamentais e informações gerais. D) Histórico do empreendedor. E) Habilidades do empreendedor. NA PRÁTICA Conheça agora a história da empreendedora Belinda Guadarrama. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Como identificar oportunidades de negócio em 6 simples passos Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Quatro dicas para identificar oportunidades de negócio Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Acompanhe um trecho da obra Empreendedorismo, de Robert Hisrich, Michael Peters e Dean Shepherd. Inicie sua leitura no tópico "Introdução" até "Publicações especializadas" (páginas 100-105) e também do "Perfil de Abertura - Belinda Guadarrama - www.gcmicro.com" (página 153 e 154) Passo a passo para elaborar o plano de negócios de sua empresa Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! A proteção da ideia e outras questões legais para o empreendedor APRESENTAÇÃO O empreendedorismo tem forte vínculo com a criatividade, a inovação e a proposição de novos produtos e serviços. A obtenção da patente é a segurança que você precisa ter. Duranteum bom tempo, sua empresa produzirá produtos com exclusividade e a patente se faz importante para exploração comercial deste produto. O nome do seu empreendimento e das novas marcas que você criar, também devem ser registrados para sua segurança. Quando criamos algo novo precisamos conhecer a legislação envolvida naquilo que criamos, para que proteção dos nossos próprios direitos intelectuais para que não usurpemos o direito de outras pessoas. Nesta Unidade de Aprendizagem, você conhecerá o conceito de propriedade intelectual e sua importância para a proteção do negócio do empreendedor. Verá também as diversas formas de proteção da propriedade intelectual, como patentes, marcas registradas e segredos comerciais. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Reconhecer o conceito de propriedade intelectual;• Identificar quais são as questões legais no estabelecimento de uma organização;• Explicar as diversas formas de proteção da propriedade intelectual de um empreendimento.• DESAFIO Mary Ricci tem uma nova ideia de produto, a Beach Carrier, pronta para levar ao mercado. Ricci é criativa, otimista, entusiasmada, flexível e motivada, e está disposta a empregar boa parte de seu tempo para desenvolver e levar o projeto adiante. Embora necessite de capital, Ricci está relutando em licenciar ou vender o modelo a um fabricante; está determinada a manter o controle e a propriedade do produto durante as fases de introdução e penetração no mercado. Ela acredita que pode fazer muito dinheiro e se recusa a vender sua ideia de produto por uma taxa fixa. O Produto A Beach Carrier é uma sacola suficientemente grande para carregar tudo o que for necessário para um dia na praia, inclusive uma cadeira. Quando vazia, a sacola pode ser dobrada em um quadrado de 30 cm para fácil armazenagem. O tamanho da sacola, 90 cm × 90 cm, a alça de ombro acolchoada regulável e os bolsos de vários tamanhos a tornam ideal para levar cadeiras e outros objetos para a praia ou quaisquer atividades externas, como shows, piqueniques e churrascos. A sacola também serve para transportar itens, como botas de esqui, que são difíceis de carregar. Fabricada em um tecido leve, resistente, que não desbota e seca facilmente, a sacola estará disponível em várias cores, fluorescentes e tradicionais. Orientações: Neste trecho do texto é possível observar que Mary Ricci não está disposta a licenciar o produto e, além disso, pretende manter o controle e a propriedade do produto durante as fases de introdução e penetração no mercado. Deste modo, quais são as ações que ela deve fazer para conseguir uma vantagem competitiva para sua empresa? Redija um texto descrevendo as iniciativas que Ricci deve ter para conseguir proteger o seu negócio e buscar uma vantagem competitiva. INFOGRÁFICO Neste infográfico você verá um checklist simples que deve ser seguido pelo empreendedor para minimizar os riscos com as patentes. CONTEÚDO DO LIVRO Esta unidade apresenta algumas das principais preocupações sobre a propriedade intelectual do empreendedor, assim como outros aspectos jurídicos importantes. A propriedade intelectual, que abrange patentes, marcas registradas, direitos autorais e segredos comerciais, representa ativos importantes para o empreendedor. Os problemas com a propriedade intelectual tornaram-se mais complexos com o crescimento da Internet e exigem do empreendedor atenção e conhecimento para que possa proteger o seu negócio. Acompanhe um trecho da obra Empreendedorismo. Inicie sua leitura no tópico "A Proteção da Ideia e Outras Questões Legais para o Empreendedor" EMPREENDEDORISMO Ligia Maria Affonso A proteção da ideia e outras questões legais para o empreendedor Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Reconhecer o conceito de propriedade intelectual. Identificar quais são as questões legais no estabelecimento de uma organização. Explicar as diversas formas de proteção da propriedade intelectual de um empreendimento. Introdução O empreendedorismo tem forte vínculo com a criatividade, a inovação e a proposição de novos produtos e serviços. Quando criamos algo novo, porém, devemos conhecer a legislação envolvida na proteção e nos di- reitos de propriedades intelectuais. Da mesma forma, esse conhecimento também é necessário para que não usurpemos o direito de outras pessoas, usando indevidamente criações que não nos pertencem. Neste capítulo, você vai estudar o conceito de propriedade intelectual, as questões legais envolvidas no estabelecimento de uma organiza- ção e as diversas formas de proteção da propriedade intelectual de um empreendimento. Propriedade intelectual O empreendedorismo impulsiona a economia por meio da criação de novas empresas no mercado. Essas empresas por sua vez, atendem às necessidades dos consumidores. Podemos dizer que o empreendedorismo tem relação direta com a inovação, seja por meio do comércio ou do desenvolvimento e uso de novas tecnologias. A inovação pode gerar direitos de propriedade intelectual, e, mesmo que esse não seja o caso, as atividades realizadas por seu empreendimento podem de alguma forma impactar diretamente no direito de propriedade intelectual de terceiros, concorrentes ou outros agentes do mercado (ENDEAVOR, 2014). O empreendedor deve estar atento para não utilizar indevidamente os direitos de propriedade industrial e intelectual de terceiros, o que pode resultar em problemas legais e indenização ao titular por eventuais danos morais e materiais. O uso indevido e proposital dos direitos de terceiros com a intenção de confundir ou desviar consumidores, ou ainda para a união indevida aos direitos de terceiros, é considerado como um crime contra a concorrência e pode incorrer em penalidade. O empreendedor deve conhecer a legislação que trata de propriedade intelectual, a fim de proteger sua empresa e suas criações, e o direito de propriedade de terceiros. Você já deve ter ouvido falar em patentes, marcas registradas, direitos autorais e segredos comerciais. E propriedade intelectual, você sabe o que é? São vários os significados de propriedade, e vamos aqui destacar um deles: o direito de usar e dispor de bens, impedindo que sejam utilizados por quem não detém poder sobre eles, desde que esse uso não infrinja a lei. Intelectual, por sua vez, significa a posse de inteligência, de espírito. Dessa forma, pro- priedade intelectual possui um sentido mais amplo, referindo-se às criações vindas do espírito humano e o direito de proteção dessas criações. Tudo aquilo que é criado pelo intelecto humano pode ser chamado de propriedade intelectual, por exemplo, softwares, músicas, livros, obras de arte, marcas de produtos e serviços e todas as formas de criatividade humana que de alguma maneira podem ser materializadas e protegidas (FERREIRA; GUIMARÃES; CONTADOR, 2009; ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA PROPRIEDADE INTELECTUAL, 1967; INMETRO, [20--]). Propriedade intelectual é, então, o conjunto de direitos imateriais que incidem sobre o intelecto humano e que possuem valor econômico. Ideias não podem ser protegidas sob nenhum meio, mas a ideia materializada pode ser protegida de acordo com sua natureza (INMETRO, [20--]). A proteção da ideia e outras questões legais para o empreendedor2 Além de ser considerada um ativo importante para o empreendedor e para a economia de um país, a propriedade intelectual é um instrumento fundamental para proteger o conhecimento e para transformá-lo em benefícios sociais. Empresas preocupadas com a gestão do conhecimento reconhecem que o conhecimento mantido por apenas uma pessoa, não possui valor agregado. Nessas empresas, o compartilhamento do conhecimento tácito, isto é, aquele que a pessoa adquire ao longo de sua vida por meio de experiências vividas e que envolve crenças pessoais e sistemas devalor, vem sendo incentivado e, muitas vezes, padronizado por meio de manuais (TARAPANOFF, 2009). Inovar e proteger o conhecimento que gerou a inovação é fundamental. Uma empresa inovadora é aquela que transforma a propriedade intelectual em fonte de riqueza e benefícios para a sociedade, utilizando os conhecimentos produ- zidos. Assim, as principais atividades de uma empresa devem ser centradas na produção e distribuição de informações e conhecimentos. Cabe destacar que criar produtos/serviços e processos diferenciados é uma estratégia e, ao mesmo tempo, um grande desafio para empresas que desejam se inserir em outros mercados, nacionais ou internacionais (DRUCKER, 1993; BRANCO et al., 2011; HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2014). Para promover a inovação e gerar competitividade no mercado global, a propriedade intelectual precisa ser gerida por meio de atividades que envolvem a identificação de tecnologias que possam ser patenteadas; a negociação e contratação de licenças e utilização de marcas; o uso de desenhos industriais e patentes que aumentem o valor agregado e promovam a diferenciação com- petitiva (JUNGMANN; BONETT, 2010b). O sistema de proteção para inventores foi criado com o objetivo de incentivar a criação de novas invenções. Em troca, ao revelarem a solução para determinado problema, os inventores teriam o direito de explorá-las, excluindo a exploração por terceiros sem autorização. Esse é um conceito antigo, mas que permanece até os dias atuais, em que novas criações só são interessantes se gerarem algum ganho financeiro em troca (INMETRO, [20--]). Os direitos de propriedade intelectual garantem a proteção legal das cria- ções de qualquer ser humano, reconhecendo a obra e a sua possibilidade de exposição, disposição e exploração comercial. São direitos de propriedade 3A proteção da ideia e outras questões legais para o empreendedor intelectual: os fonogramas, transmissões, performances ou os artistas perfor- máticos; invenções em todos os campos de atividade; trabalhos e descobertas científicas, artísticos e literários; desenhos industriais; marcas de serviços e industriais; designações e nomes comerciais; proteção contra a concorrência desleal e todos os demais direitos referentes à atividade intelectual nos campos da arte, ciência, literatura e indústria (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA PROPRIEDADE INTELECTUAL, 1967, art. 2, VIII). A propriedade intelectual oferece retorno financeiro da comercialização das criações, que, uma vez protegidas legalmente, potencializam a competitividade, agregando valor à capacidade inovadora das empresas. Isso estimula a criação de novos métodos de produção e produtos, impulsionam a produtividade e o desenvolvimento das nações, gerando riquezas, enriquecendo o comércio internacional, e, consequentemente, melhorando a qualidade de vida das pessoas e empresas (JUNGMANN; BONETT, 2010a). A propriedade intelectual envolve patentes, marcas registradas, direitos autorais e segredos comerciais (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2014). Questões legais As mudanças no mundo e nas sociedades vêm acontecendo de forma rápida, tornando o mercado cada vez mais competitivo e os consumidores cada vez mais exigentes. Da mesma forma, produtos e serviços tornam-se obsoletos com maior rapidez, exigindo das empresas maior capacidade de inovação, no sentido de oferecer bens e serviços diferenciados e que atendam às necessidades do consumidor, de forma plena. Agora eu te pergunto: será que, para inovar, uma empresa precisa apenas de boas e novas ideias? Será que isso é suficiente? Qual será o valor de uma ideia? Bom, se a ideia não estiver disponível no mercado, e nem estiver protegida, provavelmente ela não possui qualquer valor. E a criatividade? Será mesmo que ela é tão importante para o sucesso das empresas? Sim, ela é importante e pode estar presente em várias áreas e locais, porém, para gerar valor para as empresas, precisa ser apoiada e encorajada. A proteção da ideia e outras questões legais para o empreendedor4 A ousadia e a coragem são outros aspectos fundamentais para o sucesso de empreendimentos novos e também dos antigos, uma vez que, se estimuladas, podem gerar novas oportunidades às empresas, permitindo que elas explorem novos caminhos. Assim, o ambiente empresarial deve estimular o processo de criação e apoiar a inovação, protegendo o conhecimento desenvolvido. Nesse sentido, a propriedade intelectual possui papel importante uma vez que atua como instrumento de proteção do conhecimento e de sua transformação em benefícios para a sociedade. Entretanto, tal lógica não é isenta de críticas: Paranaguá e Reis (2011) des- tacam que a proteção, por si só, pode ser um elemento gerador de problemas, devido aos privilégios que tal mecanismo proporciona, principalmente em países em desenvolvimento. Os autores apontam que a proteção seria uma severa limitação à livre concorrência e, portanto, prejudicial aos consumidores e ao livre comércio. Adicionalmente, inferem que tais problemas estariam relacionados à dificuldade de implantação de uma política nacional efetiva de proteção de interesses em relação às outras nações; ao desequilíbrio no desenvolvimento de tecnologias e na apropriação do conhecimento gerado, já que ambos exigem recursos financeiros altos e de risco; e também à desi- gualdade na distribuição dos lucros advindos das diversas formas de proteção para a sociedade. É importante lembrar que a propriedade intelectual se refere a ativos impor- tantes para o empreendedor, e, por isso, ele deve entendê-la para que possa ter direitos sobre sua propriedade e criações, respeitando os direitos de terceiros. Normalmente, por desconhecimento dos aspectos relacionados à propriedade intelectual, os empreendedores acabam pulando passos importantes ao requerer proteção para esses ativos (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2014). A busca por uma regulamentação em nível global da propriedade intelectual subsidiou o surgimento da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) criada em 1967, mediante a cooperação dos Estados em colaboração com outras organizações internacionais (PARANAGUÁ; REIS, 2011). No Brasil, a Constituição Federal (CF/88) destaca os direitos e as garantias funda- mentais relacionadas à propriedade intelectual em seu artigo 5º, inciso XXIX: - a lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário para sua utilização, bem como a proteção às criações industriais, à proprie- dade das marcas, aos nomes de empresas e outros signos distintos, tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do país (BRASIL, 1988, documento on-line). 5A proteção da ideia e outras questões legais para o empreendedor Todavia, a proteção não é irrestrita, visto que o mesmo artigo, no inciso XXIX, prevê que esta ocorra na medida em que (i) visar ao interesse social do país; (ii) favorecer o desenvolvimento tecnológico nacional; e (iii) favorecer o desenvolvimento econômico nacional. E, ainda, que “por esse entendi- mento, por exemplo, são inconstitucionais leis ou normas que abram mão do desenvolvimento de indústria nacional em favor de compras exclusivamente no mercado exterior” (BRASIL, 1988, documento on-line). Na Figura 1 você pode visualizar todos os direitos compreendidos pela propriedade intelectual. Figura 1. Direitos de propriedade intelectual. Fonte: Jungmann e Bonett (2010b, p. 20). Bom, agora que você já conhece todos os direitos de propriedade intelectual, veja a legislação que rege cada um deles (JUNGMANN; BONETT, 2010b): Direitos Autorais: Lei nº. 9.610, de 19 de fevereiro de 1998, que dispõe sobre a proteção dos direitos do autor sobre suas obras e dos direitos que lhes são conexos; Lei nº. 9.609, de 19.02.1998 (Lei do Software). Propriedade industrial: Lei nº. 9.279, de 14 de maio de 1996 que regu- lamenta os direitos e obrigações relacionados a propriedade industrial (invenção, modelo de utilidade, desenho industrial,avaliada por meio de métodos formais. Tal análise permite identificar que serviço ou produto novo possui maior potencial de mer- cado, de vendas e de lucro. Destaca-se que tantas empresas existentes, quanto empresas novas e futuras devem adotar esse procedimento. Canais de distribuição: são ótimas fontes de novas ideias, uma vez que possuem familiaridade com as necessidades do mercado. Além de sugestões sobre novos produtos, podem ajudar na comercialização de produtos recém-desenvolvidos pelo empreendedor. Pesquisa e desenvolvimento (P&D): sem dúvida são a maior fonte de novas ideias para o empreendedor. O P&D pode ser fomentado em conjunto com outros parceiros, utilizando, até mesmo, um laboratório informal ou uma garagem. 3Criatividade e a ideia da empresa Pesquisas mostram que os empreendedores brasileiros são os que menos inovam no mundo. Cerca de nove entre cada dez brasileiros não inovam. Em outras palavras, apenas um inova. A definição de inovação utilizada por essa pesquisa era o desenvolvimento de um produto ou serviço que seja novo no mercado de atuação do empreendedor ou no mercado como um todo (DORNELAS, 2013). Tendência Vivemos em um mundo marcado por rápidas transformações e, nesse cenário, o empreendedorismo se depara com oportunidades e desafi os, que devem ser aproveitados e superados, contribuindo para a sobrevivência e o crescimento de novos e antigos negócios. Importante destacar que os empreendedores tornam a economia do país mais dinâmica e competitiva, uma vez que geram novas oportunidades, inovações, mudanças, novos produtos ou serviços, assim como novos hábitos de consumo. Você já parou para pensar que empreender não necessariamente significa abrir um negócio próprio? No entanto, paradoxalmente, a forma mais comum de ser um empreendedor é criando uma empresa. São muitos os motivos que levam alguém a empreender, seja por necessidade, seja por oportunidade. Dentre os fatores que motivam o empreendedorismo por necessidade destacam-se: a falta do trabalho formal, por falta de capacitação ou alto índice de desemprego; a falta de recursos financeiros para sobrevivência própria e da família; a falta de conhecimento explícito, como baixa escolaridade e demissão. Esses são alguns dos motivos que podem levar ao empreendedorismo por necessidade. Nesses casos, empreender acaba sendo inevitável. Cabe destacar que o empre- endimento por necessidade pode ser o primeiro passo para o empreendimento de oportunidade (DORNELAS, 2013). O empreendedorismo por oportunidade, por sua vez, pode ser motivado por decisão deliberada e/ou planejada, ou seja, existe um planejamento prévio para o início de um negócio, com metas predefinidas e objetivos a serem alcançados. Pode ser motivado por uma ideia, descoberta ou inovação que ocorre a partir da vontade de solucionar um problema individual ou coletivo e, ao solucionar tal problema, tem-se uma empresa com base em inovação. Pode ser motivado Criatividade e a ideia da empresa4 por convite, e nesse caso o empreendedor convidado não é o dono original da ideia do negócio. No entanto, nada o impede de liderar o desenvolvimento da empresa, pela busca sistemática e pelo desejo de prosperar, o que leva algumas pessoas a perseguirem ideias que se transformem em grandes oportunidades de negócio (DORNELAS, 2013). Outras motivações para esse tipo de empreendimento são o desejo de autonomia, de ser independente e não ter que responder à chefes ou outros superiores; o ganho de recursos inesperados, como por ganho de boladas significativas de dinheiro ou heranças; a sucessão de empresa familiar, que passa de geração para geração; um projeto pós aposentadoria; e a “missão de vida”, com a intenção de gerar benefícios para a sociedade, deixando um legado inspirador para as próximas gerações (DORNELAS, 2013). O empreendedor, ao pensar em iniciar seu negócio, deve acreditar em sua capacidade técnica e profissional, além de usar o bom senso, ser cauteloso e prever todos os possí- veis riscos e tendências que lhe permitam alcançar o sucesso em seu empreendimento (BRITO; PEREIRA; LINARD, 2013). É importante destacar que o empreendedorismo, de necessidade e de opor- tunidade, pode ser motivado pelos fatores apresentados anteriormente ou por vários outros, pois empreender é um processo dinâmico, que pode ser realizado de várias formas, em diferentes momentos e circunstâncias ao longo da vida de uma pessoa. Independente da forma como o empreendimento é realizado, o essencial é que seja motivado por uma boa ideia que gere produtos ou serviços adequados às necessidades do público-alvo. Por isso, para que se tenha sucesso no empreendimento, é preciso avaliar e analisar oportunidades. Uma forma eficiente de fazer isso é analisar as ten- dências já que muitas vezes elas podem representar as melhores oportunidades para o início de um novo empreendimento. São tendências que oferecem boas oportunidades de negócio: a tendência verde; de energia limpa; de orienta- ção orgânica; econômica; social; de saúde e na web (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2014; SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS, 2018). Veja cada uma delas: 5Criatividade e a ideia da empresa Tendência verde: esse setor oferece várias oportunidades para empre- endedores do mundo todo, uma vez que os consumidores estão cada vez mais exigentes e conscientes, mostrando preocupação com questões ambientais e dispostos a pagar mais por produtos verdes e de empresas social e ambientalmente responsáveis, ou seja, há um crescimento do consumo mais responsável, sustentável e significativo. Negócios na área de irrigação e reciclagem, por exemplo, são boas oportunidades de negócio. Tendência de energia limpa: os consumidores têm refletido sobre seus valores e prioridades optando por um consumo mais consciente e que reduza os danos tanto para si como para o próximo. Com isso, negócios na área de energia limpa são promissores, como a instalação de painéis de energia solar. Tendência de orientação orgânica: a opção por produtos orgânicos tem aumentado e vem sendo estimulada pela redução da diferença de preços entre orgânico e não orgânico. A orientação orgânica está aumentando significativamente, com força especial no setor agrope- cuário e alimentício. Tendência econômica: o impacto da crise do crédito, das falências bancárias, da queda dos preços dos imóveis e da execução de hipotecas tem levado os consumidores a tomarem mais cuidado com os seus gastos. Isso favorece oportunidades de negócio em áreas de coaching de negócios, gestão de crédito, viagens, etc. Mas, cabe destacar que, apesar das crises que acontecem em vários países, a economia mundial continua com tendência de crescimento econômico. Tendência social: há crescente aumento na utilização de redes sociais e de networking, favorecendo o surgimento e aumento de oportunidades de negócios na Internet. As redes sociais são veículos importantes de venda e participação. Há destaque também para a possibilidade de transmissão ao vivo, que possibilita ao empreendedor se inserir em novos mercados e conquistar novos clientes que até então poderiam desconhecer a existência de seu negócio. Tendência de saúde: há crescente preocupação com a saúde e qualidade de vida, principalmente em decorrência do aumento da expectativa de vida, fazendo surgir oportunidades na área de procedimentos estéticos, expansão intelectual, academias, alimentação saudável, clínicas de saúde em locais convenientes e assessores de bem-estar, etc. Tendência Web: novas formas de comunicação e consumo fazem surgir novas e várias oportunidades de negócio. Por exemplo, consultoria de Criatividade e a ideia da empresa6 Web 2.0, blogs, vídeos online, aplicativos móveis (apps) e vendas de variados produtos. Considerar tendências é fundamental para o empreendedor, pois permite a ele ter uma visão mais ampla sobre o futuro do mercado, servindo de base paramarca, indicações geográficas). Proteção sui generis: Lei nº. 11.484, de 2007 (proteção da topografia de circuitos integrados); Lei nº. 9.456, de 25.04.1997 (proteção aos cultiva- A proteção da ideia e outras questões legais para o empreendedor6 res); Medida Provisória nº. 2.186, de 23 de agosto de 2001(patrimônio genético e proteção e acesso ao conhecimento tradicional associado). Outras legislações relacionadas à propriedade industrial e às inovações tecnológicas (BRANCO et al., 2011): Inovação e pesquisa científica e tecnológica: Lei nº. 10.973, de 2 de dezembro de 2004. Organismos geneticamente modificados e seus derivados (biossegu- rança): Lei nº. 11.105, de 25 de março de 2005. Inovação tecnológica: Lei nº. 11.196, de 21 de novembro de 2005. Cabe destacar que o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) é outro órgão que auxilia as empresas em seu crescimento e consolidação no mercado brasileiro, incentivando práticas de proteção ao patrimônio das empresas, a marca entre elas, ajudando na fidelização do consumidor e na identificação com produtos/serviços diferenciados. Afirma ainda que a patente protege a empresa contra cópias de produtos e serviços inventados ou melhorados por ela, impedindo que a concorrência comercialize ou usufrua de produtos ou processos nos quais nada investiu para criar ou desenvolver (BRANCO et al., 2011). Tipos de proteção intelectual A manutenção e o desenvolvimento de práticas inovadoras são protegidas pela legislação sobre propriedade industrial. Contudo, tal conceito não se aplica somente ao ambiente industrial. A proteção intelectual divide-se em direito autoral, propriedade industrial e proteção sui generis. Veja, na Figura 2, os campos de aplicação do direito autoral. Figura 2. Campos de aplicação do direito autoral. Fonte: Jungmann e Bonett (2010a, p. 55). 7A proteção da ideia e outras questões legais para o empreendedor Direitos autorais Você com certeza já ouviu falar em direitos autorais. São eles os responsáveis por proteger as obras originais de um autor. Ideias, por si só, não são protegidas e, por isso, podem ser utilizadas por terceiros, de uma forma diferente da intenção ou forma original. É o direito autoral que regula as relações jurídicas entre as criações artísticas, literárias e científi cas e a utilização econômica das mesmas, proporcionando ao dono da obra proteção por direito de criação intelectual, cujo uso é por ele controlado (PONTES et al., 2008; HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2014). Cabe destacar que o direito de autor nasce a partir do momento da criação da obra, independentemente da existência de registro ou formalidade. No entanto, o registro é importante, pois atua como facilitador na resolução de questões como disputas de titularidade e autoria, e também em transações financeiras, cessões, licenças e transferências de direitos (JUNGMANN; BONETT, 2010a). No Brasil, uma obra é protegida pelo direito autoral desde sua criação até 70 anos após o falecimento de seu criador (a partir do falecimento, os direitos são transferidos aos sucessores do autor), quando, então, cai em domínio público, podendo ser utilizada por qualquer pessoa, sem a necessidade de autorização específica do titular dos direitos de autor. Os direitos de autor podem ser de proteção patrimonial e proteção moral (PONTES et al., 2008) Direito patrimonial: permite que o autor ceda ou licencie sua obra, de forma definitiva ou temporária, podendo explorá-la economicamente como desejar. Por exemplo, o cantor José Musical pagou 20 milhões para Jackson Pera para ter os direitos sobre suas músicas, mas Jackson Pera continua sendo dono delas. Ainda assim, o direito de comercialização passou a ser de José Musical. Direito moral: são direitos pessoais, inalienáveis e intransferíveis. Mesmo que o autor ceda os direitos sobre a sua obra, ainda possui o direito moral de ver seu nome reconhecido e citado. Por exemplo, a música do Jackson Pera, mesmo quando é cantada pelo José Musical, será sempre do Jackson Pera (PONTES et al., 2008). Os direitos conexos protegem artistas, gravadoras e empresas de radiodi- fusão que interpretam, executam, gravam e veiculam criações. É um tipo de A proteção da ideia e outras questões legais para o empreendedor8 proteção ligada aos direitos de autor, mas que não exerce qualquer influência sobre as garantias já asseguradas. A diferença entre os direitos de autor e os direitos conexos está na proteção a pessoas diferentes. No caso de uma música, por exemplo, os direitos de autor são garantidos ao compositor da música e ao autor da letra, ao passo que os direitos conexos garantem proteção aos músicos e aos cantores que interpretam a música, bem como ao produtor da gravação sonora da música e à empresa de radiodifusão que transmite a música (JUNGMANN; BONETT, 2010a). Cabe lembrar que a validade dos direitos conexos é também de 70 anos, porém, com início em 1º de janeiro do ano seguinte após ser fixada, e a pe- nalidade por sua violação é de detenção de um a quatro anos e multa, como previsto também nos direitos de autor. A proteção a programas de computador, por sua vez, é a mesma que se dá às obras literárias pela Lei dos Direitos Autorais e conexos, a chamada Lei de Direito Autoral e Lei do Software (Lei nº. 9.609, de 19 de fevereiro de 1998) (BRASIL, 1998a). É importante destacar que questões ligadas ao acesso de obras pela Internet, no setor de entretenimento, na maioria das vezes acabam em grandes batalhas judiciais. É fato que ainda existe grande preocupação em relação à proteção dos direitos autorais relacionada à Internet, com regula- mentações que ainda necessitam ser esclarecidas. Em relação à violação dos direitos de autor de programa de computador, a penalidade é a mesma aplicada à violação dos direitos de autor e direitos conexos (JUNGMANN; BONETT, 2010a; HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2014). A Lei dos Direitos Autorais ganhou maior importância e notoriedade com o aumento significativo do acesso à Internet, principalmente em relação ao download de músicas, obras literárias, imagens, vídeos, etc. (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2014). Para saber mais sobre direitos autorais, acesse a Lei de Direitos Autorais no link a seguir. https://goo.gl/WNKvz 9A proteção da ideia e outras questões legais para o empreendedor Propriedade industrial A propriedade industrial refere-se a todas as criações aplicáveis em algum tipo de indústria. Dentre as três categorias de propriedade intelectual, essa é a mais abrangente e que envolve patentes de invenção ou modelos de utilidade, marcas registadas, desenhos industriais, indicações geográfi cas, segredos industriais e repressão à concorrência desleal (JUNGMANN; BONETT, 2010a). A patente de invenção é um contrato firmado entre governo e inventor, em que este possui exclusividade sobre a invenção por determinado período de tempo em troca da divulgação da invenção por parte do governo. Ao término desse período, a invenção é publicada e cai em domínio público. A patente impede a produção, o uso e a venda da invenção por parte de terceiros. É importante que o inventor conheça as diferenças entre patentes de utilidade, de design e internacionais, para que não viole, sem querer, os direitos de patentes alheios (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2014). Patentes de utilidade: é a proteção contra produção, uso e/ou venda da invenção identificada, por parte de terceiros e geralmente está relacio- nada a processos novos, úteis e não óbvios, por exemplo, a revelação de filmes, máquinas copiadoras, compostos químicos ou mistura de ingredientes e manufaturados, como o tubo de pasta de dentes. Patente de design: refere-se à aparência de um objeto, tem duração de 14 anos e impede que terceiros produzam, usem e vendam artigos que possuam aparência decorativa fixada aos desenhos incluídos na patente. Patente internacional: é uma estratégia de proteção contra imitações e falsificaçõesnos mercados globais. Os modelos de utilidade referem-se a uma modalidade de patente que visa a proteção de inovações com menor grau de carga inventiva, resultantes da atividade de operários ou artesãos (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2014). O registro da marca é a forma mais comum de proteção da propriedade intelectual. Registrar a marca da empresa permite ao empreendedor se proteger de marcas semelhantes ou idênticas, que confundam o consumidor em relação A proteção da ideia e outras questões legais para o empreendedor10 à origem de produtos ou serviços. Uma marca registrada pode ser um slogan, um desenho, uma palavra, um símbolo, um desenho, um som, ou ainda a combinação de todos esses elementos que permitem a identificação da fonte ou do patrocínio de determinados produtos ou serviços. A duração da marca registrada pode ser por tempo indeterminado, desde que a mesma mantenha o desempenho da função estabelecida (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2014). Outro ponto importante da marca registrada é que ela permite ao consumidor identificar aspectos importantes da empresa como o controle de qualidade, investimentos em pesquisa e desenvolvimento, ações sociais, qualificação dos quadros de funcionário, qualidade do design do produto e sua reputação junto à sociedade (JUNGMANN; BONETT, 2010a). São exemplos de marcas registradas relevantes: a etiqueta vermelha presa ao bolso traseiro esquerdo da calça Levi’s; os arcos dourados do McDonald’s; o rugido do leão nos filmes da Metro Goldwyn Mayer; o Dutch Boy, mascote famoso no mundo das tintas; e a maçã mordida da Apple (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2014). O desenho industrial está relacionado a uma grande variedade de produtos industrializados, como eletrodomésticos, eletrônicos, veículos, joias, moda, etc. Proteger um desenho industrial significa ter o direito de impedir que ele seja copiado ou imitado por terceiros, bem como que o produto seja produzido, vendido ou exportado sem a autorização do titular do desenho. Cabe destacar que a proteção do desenho industrial diz respeito apenas à aparência do objeto, não se estendendo às suas funções técnicas. O desenho industrial pode ser utilizado ou cedido a terceiros, pelo titular, por meio do pagamento de royalties. 11A proteção da ideia e outras questões legais para o empreendedor A indicação geográfica sinaliza a origem geográfica de produtos e serviços, o que pode indicar também a qualidade e a reputação dos mesmos. A indicação de procedência de um produto refere-se ao nome geográfico do país, cidade, região ou localidade de determinado território, conhecido como referência em extração, produção ou fabricação de determinado produto ou prestação de determinado serviço. Comunidades produtoras aqui no Brasil, que já possuem o registro de suas indicações de procedência, têm obtido significativa valorização de seus produtos e aumento de seu desempenho comercial. Tal registro é importante para impedir que produtos sejam falsificados, imitados e utilizados por terceiros sem a autorização do proprietário. Outro aspecto a ser destacado é que esse registro não possui prazo de vigência, tendo validade enquanto as razões pelas quais ele foi concedido forem mantidas. São exemplos de indicações geográficas: o queijo Roquefort, produzido na região de Roquefort-sur-Soulzon na França; o cristal Boemia, produzido na região da República Tcheca; ou o Champanhe, vinho espumante famoso, produzido somente na região de Champagne na França). O segredo industrial significa manter uma ideia ou um processo em estado confidencial, ou ainda vendê-los ou licenciá-los como segredo comercial. Sua duração depende do tempo em que ambos se mantiverem em segredo. Você já sabe que o conhecimento e a informação são ativos valiosos para as empresas que querem se manter no mercado e obter vantagem competitiva. Nesse con- texto, proteger informações é fundamental para que não sejam indevidamente apropriadas por terceiros, visando a obtenção de alguma vantagem, seja ela comercial, industrial, pessoal ou política (JUNGMANN; BONETT, 2010b). Há pouco tempo, tentar descobrir tal segredo era chamado de espionagem industrial, em que os indivíduos utilizavam máquinas fotográficas, gravadores, cópias de diversos documentos e outros meios capazes de obter informações preciosas da concorrência. Atualmente, são muitos e diversos os meios tecno- lógicos utilizados para esse fim. Você já se deparou com carros disfarçados ou camuflados circulando pelas ruas de sua cidade ou por estradas? Essa é uma forma de manter o modelo do carro em sigilo e é muito comum (BRANCO et al., 2011). A proteção da ideia e outras questões legais para o empreendedor12 Para saber mais sobre proteção industrial acesse o link a seguir e conheça o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), uma autarquia federal brasileira criada em 1970 e vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. https://goo.gl/EnuOl Os acordos de não concorrência ou repressão à concorrência desleal referem- -se ao impedimento de práticas desonestas na indústria ou no comércio, que influenciem no livre funcionamento da propriedade intelectual e na vanta- gem financeira que ela oferece. No passado, os empreendedores protegiam informações confidenciais ou sigilosas simplesmente não as compartilhando com terceiros. Atualmente, com a prática frequente do compartilhamento de informações com os funcionários para que eles sejam mais criativos e eficazes, um grande volume de informações fica disponível e, de certa forma, desprotegida (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2014). Nesse sentido, muitas empresas preparam documentos para que sejam assinados pelos funcionários, que se comprometem a não divulgar ou utilizar informações valiosas sobre o produto ou serviço, ideias de marketing e estra- tégias organizacionais. Cabe lembrar que a pena para quem pratica a concor- rência desleal é a detenção, que pode variar de três meses a um ano ou multa (JUNGMANN; BONETT, 2010b; HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2014). São exemplos de segredos industriais mais cobiçados no mundo: a fórmula da Coca- -Cola; do sorvete Häagen-Dazs; do perfume Chanel nº 5; do Nescafé e do uísque Johnnie Walker. 13A proteção da ideia e outras questões legais para o empreendedor Proteção sui generis A proteção sui generis abrange a topografi a de circuito integrado, cultivares, conhecimentos tradicionais e acesso ao patrimônio genético. Topografia de circuito integrado A topografi a de circuito integrado ou chip é aquela placa que existe na memória ou no processador de um computador, smartphones e correlatos. A proteção à topografi a de circuito só pode ser aplicada àquelas originais, resultantes do esforço intelectual de quem as criou e que não sejam comuns a técnicos, especialistas ou fabricantes de circuitos integrados, no momento de sua criação. O atual mercado tecnológico, formado, dentre outras coisas, por compu- tadores, Internet, navegação por satélite, telefonia sem fio, etc., movimenta centenas de bilhões de dólares todos os anos. A complexidade e intensidade tecnológica requerida para o desenho e industrialização de circuitos integra- dos, requer a proteção de propriedade intelectual, para garantir a titularidade dos direitos da empresa em suas transações comerciais e para manter sua competitividade no mercado (JUNGMAANN; BONETT, 2010b). Um aspecto importante é em relação ao requerimento do registro da to- pografia. Quem faz isso é o seu criador ou criadores, no caso de o mesmo ter sido desenvolvido por duas ou mais pessoas, sendo necessário o pedido ser requerido por todos ou por qualquer um deles, desde que sejam nomeados e qualificados para tal. Não obstante, se a criação desse chip for decorrente da natureza do trabalho, firmado em contrato de trabalho, de prestação de serviços ou de vínculo estatutário, havendo ainda a utilização de variados recursos para seu desenvolvimento, os direitos pertencem exclusivamenteao empregador. Esse procedimento também se estende a bolsistas, estagiários e assemelhados. Cabe lembrar que a concessão de proteção à topografia tem duração de dez anos, a partir da data do depósito ou da primeira exploração do mesmo. A proteção da ideia e outras questões legais para o empreendedor14 A violação dos direitos da topografia incorre em detenção de um a quatro anos e multa, se a violação envolver a reprodução, importação, venda, manutenção em estoque ou distribuição de topografia protegida ou de circuito integrado, para fins comerciais (JUNGMANN; BONETT, 2010b). Cultivares O cultivar é uma nova variedade de planta com características especifi cas que são provenientes de pesquisas em agronomia e biociências, ou seja, plantas que não são descobertas naturalmente na natureza, contando com a intervenção humana para a alteração de sua composição genética, com vistas a obter uma variedade não encontrada no meio ambiente. A proteção aos cultivares busca reconhecer o esforço empreendido pelos pesquisadores e os resultados das pesquisas na área, concedendo a seus cria- dores, por determinado período de tempo (15 ou 18 anos em todo o território brasileiro), um direito exclusivo. O sistema de proteção aos cultivares tem por objetivo incentivar o desenvolvimento de novas espécies de plantas que beneficiem a sociedade. Além disso, o direito exclusivo concedido ao criador dessa nova variedade de planta permite que este tenha a possibilidade de recuperar os custos financeiros envolvidos no processo de criação, que não são baixos, gerando receitas para investimentos futuros. Assim, sem tais direitos de proteção, a criação de novas variedades se torna difícil, pois não há impedimento legal para que terceiros multipliquem as sementes e as vendam sem que qualquer recompensa seja dada ao criador de fato. Estabelecer direitos exclusivos aos criadores, além de incentivar novas pesquisas, impulsiona o desenvolvimento de novas variedades vegetais para a agricultura, a horticultura e o reflorestamento (JUNGMANN; BONETT, 2010b). Cabe destacar que violação dos direitos do titular do cultivar incorre em indenização, determinada de acordo com regulamento específico, e em apre- ensão do material e pagamento de multa de 20% sobre o valor comercial do material apreendido, constituindo-se ainda como crime de violação dos direitos do criador/pesquisador. 15A proteção da ideia e outras questões legais para o empreendedor A proteção de cultivares permite ao seu titular a reprodução comercial em todo o território brasileiro. No entanto, se ele não tiver condições de exercer seus direitos sobre o material de multiplicação ou reprodução, ele pode conceder a autorização a terceiros e requerer o pagamento de royalties. Exemplo disso é quando um agricultor compra sementes com os royalties incluídos no preço (BRANCO et al., 2011). Conhecimentos tradicionais Os conhecimentos tradicionais são aqueles relacionados aos saberes empíri- cos, prática, crenças e costumes, que são passados de geração a geração nas comunidades indígenas ou em comunidades locais, em relação À utilização de vegetais, micro-organismos ou animais cujas amostras trazem informações de origem genética, o que justifi ca o acesso controlado, em todo o território nacional, para impedir o uso indevido em pesquisa e desenvolvimento de novos produtos ou bioprospecção para fi ns industriais e comerciais (JUNGMANN; BONETT, 2010b). Cabe ressaltar que a propriedade desses conhecimentos geralmente é mantida de forma coletiva e seus detentores buscam meios de resguardar seus interesses por meio do sistema de propriedade intelectual. Assim, os mantêm protegidos da apropriação indevida para fins econômicos, uma vez que o aperfeiçoamento de uma tecnologia antiga gera novos e valiosos produtos. Patrimônio genético Finalmente, o patrimônio genético refere-se à Informação de origem genética, contida em amostras do todo ou de parte de espécime vegetal, fúngico, microbiano ou animal, na forma de moléculas e substâncias provenientes do metabolismo destes seres vivos e de extratos obtidos destes organismos vivos ou mortos, encontrados em condições in situ, inclusive domesticados, ou mantidos em condições ex situ, desde que coletados in situ no território nacional, na plataforma continental ou na zona econômica exclusiva (BRASIL, 2001). A proteção da ideia e outras questões legais para o empreendedor16 O acesso ao patrimônio genético e ao conhecimento tradicional associado a ele é regulamentado no Brasil pelo Decreto nº. 4.946/03. Podemos concluir que patentear ou registrar produtos, serviços, marcas e processos são meios importantes de proteção ao patrimônio das empresas, pois, são uma forma de preservá-lo formalmente de reproduções roubos, venda e uso indevidos. BOCCHINO, L. O.; CONCEIÇÃO, Z.; GAUTHIER, F. A. O. Propriedade intelectual: principais conceitos e legislação. Curitiba: UTFPR, 2010. BRANCO, G. et al. Propriedade intelectual. Curitiba: Aymará, 2011. BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federal do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988. Brasília, DF, 1988. Disponível em: . Acesso em: 6 nov. 2018. BRASIL. Decreto nº. 4.946, de 31 de dezembro de 2003. Altera, revoga e acrescenta dispositivos ao Decreto no 3.945, de 28 de setembro de 2001, que regulamenta a Medida Provisória no 2.186-16, de 23 de agosto de 2001. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 5 de janeiro de 2004. BRASIL. Lei nº. 9.456, de 25 de abril de 1997. Institui a Lei de Proteção de Cultivares e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 28 abr. 1997. BRASIL. Lei nº. 9.609, de 19 de fevereiro de 1998. Dispõe sobre a proteção da propriedade intelectual de programa de computador, sua comercialização nos pais, e dá outras providencias. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 20 fev. 1998a. BRASIL. Lei nº. 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. Altera, atualiza e consolida a legislação sobre direitos autorais e dá outras providencias. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 20 fev. 1998b. BRASIL. Lei nº. 10.973, de 2 de dezembro de 2004. Dispõe sobre incentivos à inovação e à pesquisa científica e tecnológica no ambiente produtivo e dá outras providências. Brasília, DF, 2004. Disponível em: . Acesso em: 6 nov. 2018. 17A proteção da ideia e outras questões legais para o empreendedor BRASIL. Lei nº. 11.105, de 24 de março de 2005. Regulamenta os incisos II, IV e V do § 1o do art. 225 da Constituição Federal, estabelece normas de segurança e mecanismos de fiscalização de atividades que envolvam organismos geneticamente modificados – OGM e seus derivados, cria o Conselho Nacional de Biossegurança – CNBS, reestrutura a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – CTNBio, […], e dá outras providências. Brasília, DF, 2005a. Disponível em: . Acesso em: 6 nov. 2018. BRASIL. Lei nº. 11.196, de 21 de novembro de 2005. Institui o Regime Especial de Tributação para a Plataforma de Exportação de Serviços de Tecnologia da Informação - REPES, o Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para Empresas Exportadoras - RE- CAP e o Programa de Inclusão Digital; dispõe sobre incentivos fiscais para a inovação tecnológica [...]. Brasília, DF, 2005b. Disponível em: . Acesso em: 6 nov. 2018. BRASIL. Lei nº. 11.484, de 31 de maio de 2007. Dispõe sobre os incentivos às indústrias de equipamentos para TV Digital e de componentes eletrônicos semicondutores e sobre a proteção à propriedade intelectual das topografias de circuitos integrados [...]. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 31 maio 2007. BRASIL. Medida Provisória nº. 2.186-16, de 23 de agosto de 2001. Regulamentao inciso II do § 1º e o § 4º do art. 225 da Constituição, os arts. 1º, 8º, alínea “j”, 10, alínea “c”, 15 e 16, alíneas 3 e 4 da Convenção sobre Diversidade Biológica [...] e dá outras providências. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 23 ago. 2001. CHIARI, T. Todos querem a fórmula. Veja on-line, São Paulo, ed. 1680, 20 dez. 2000. DRUCKER, P. F. Post-capitalist society. New York: HarperCollins Publishers, 1993. ENDEAVOR BRASIL. Financie seu sonho: guia Endeavor de acesso a capital para empre- endedores. 2014. Disponível em . Acesso em: 6 nov. 2018. FERREIRA, A. A.; GUIMARÃES, E. R.; CONTADOR, J. C. Patente como instrumento com- petitivo e como fonte de informação tecnológica. Gest. Prod., São Carlos, v. 16, n. 2, p. 209–221, jun. 2009. HISRICH, R. D.; PETERS, M. P.; SHEPHERD, D. A. Empreendedorismo. 9. ed. Porto Alegre: AMGH, 2014. INMETRO. Diretoria de Inovação e Tecnologia (DITEC). Divisão de Estudos Prospectivos e de Propriedade Intelectual (DEPPI). Propriedade Intelectual e Inovação. Brasília: Inmetro, [20--]. Disponível em . Acesso em: 6 nov. 2018. JUNGMANN, D. M.; BONETT, E. A. A caminho da inovação: proteção e negócios com bens de propriedade intelectual: guia para o empresário. Brasília, DF: IEL, 2010a. JUNGMANN, D. M.; BONETT, E. A. Inovação e propriedade intelectual: guia para o docente. Brasília: SENAI, 2010b. A proteção da ideia e outras questões legais para o empreendedor18 ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA PROPRIEDADE INTELECTUAL (OMPI). Convenção de estabelecimento da Organização Mundial da Propriedade Intelectual. Estocolmo, 14 de julho de 1967. Disponível em: . Acesso em: 6 nov. 2018. PARANAGUÁ, P.; REIS, R. Patentes e criações industriais. Rio de Janeiro: FGV, 2011. PONTES, E. C. et al. Cartilha de propriedade intelectual: cartilha completa. Belo Horizonte: PUC Minas – Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação, 2008. TARAPANOFF, F. Tecnologia para gestão de pessoas. Ed. Segmento. ABRH-Nacional. Saber para todos, p. 40–41, 2009. Leituras recomendadas BARBOSA, C. R. Propriedade Intelectual: introdução à propriedade intelectual como informação. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009. BRASIL. Instituto Nacional da Propriedade Industrial. Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (INPI). 2018. Disponível em . Acesso em: 6 nov. 2018. PAESANI, L. M. Manual de propriedade intelectual. São Paulo: Atlas, 2012. 19A proteção da ideia e outras questões legais para o empreendedor Conteúdo: DICA DO PROFESSOR Assista ao vídeo a seguir sobre as questões legais para o empreendedor. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) Marque a alternativa correta no que se refere ao conceito de propriedade intelectual: A) Abrange apenas as patentes relacionadas a um novo produto. B) Por não ser um ativo importante para o empreendedor é frequentemente ignorada. C) Cabe ao empreendedor buscar por conta própria as formas de proteção do negócio. D) Abrange patentes, marcas registradas, direitos autorais e segredos comerciais. E) O empreendedor não necessita de assessoria para agir na proteção de negócio, pois o processo é simples e claro. No que se refere aos tipos de propriedade intelectual, podemos afirmar que: I. Em troca da divulgação da invenção, o governo concede ao empreendedor exclusividade sobre a invenção por um período de tempo específico. II. Variam muito em termos de uso e aplicação e representam ativos importantes para uma empresa. III. Durante a produção ou comercialização da invenção, ele poderá descobrir que está violando os direitos de patente alheios. IV. Pode ter duração indefinida, desde que continue a desempenhar a função indicada. 2) V. Pode ser uma palavra, um símbolo, um desenho ou uma combinação desses. VI. O empreendedor deve contratar um advogado para auxiliá-lo a redigir um acordo desse tipo. VII. Concede aos proprietários um direito negativo, pois impede que qualquer outra pessoa produza, use ou venda a invenção definida. A) As afirmativas I, V e VII dizem respeito a patentes. B) As afirmativas II e IV dizem respeito à marca registrada. C) As afirmativas VI e VII dizem respeito aos segredos comerciais. D) As afirmativas II e III dizem respeito à patente. E) As afirmativas III e IV dizem respeito à marca registrada. 3) Marque a alternativa que descreve o que é uma patente de utilidade: A) Concede ao proprietário proteção contra a produção, o uso e/ou a venda por terceiros da invenção identificada. B) Refere-se à aparência de um objeto. C) Representam uma área de interesse muito limitada, portanto são muito raras. D) Está relacionada ao processo de globalização da economia mundial. E) Está relacionada à proteção de um método de negócio criado por uma empresa. Nem todas as iniciativas terão um produto ou conceito patenteável, mas é possível o 4) empreendedor proteger o seu negócio de outras formas. De acordo com as afirmações a seguir, marque a alternativa correta: I. O empreendedor deve conhecer o ambiente competitivo para certificar-se das vantagens que podem existir. II. O empreendedor deve contratar um advogado para processar empresas que oferecem produtos similares. III. O empreendedor deve identificar se existem patentes vencidas relacionadas ao tipo de produto ou negócio que está lançando. IV. O empreendedor deve identificar uma estratégia de posicionamento única para que possa obter uma vantagem competitiva. V. O empreendedor deve atacar os concorrentes e depois obter um fluxo estável de receita procedente de royalties ou taxas de licenciamento. A) Apenas as afirmativas I e V são falsas. B) Apenas as afirmativas II e III são verdadeiras. C) Apenas as afirmativas IV e V são falsas. D) Apenas as afirmativas I e IV são verdadeiras. E) Apenas as afirmativas I e III são verdadeiras. Diversas marcas renomadas possuem registro e todos nós as conhecemos. Às vezes consideramos os significados de seus símbolos como “óbvios”, por representarem ativos importantes para a empresa. Veja abaixo a descrição de algumas marcas e assinale a alternativa correta., I. Nike: parece um sinal de “correto”, mas na realidade representa a asa da estátua da deusa grega da vitória. II. Audi: arcos dourados. III. Adidas: três listras paralelas. IV. Apple: maçã mordida. V. McDonald’s: rugido do leão. 5) VI. Metro-Goldwin-Mayer: quatro argolas unidas. A) Apenas as alternativas I e II estão corretas. B) Apenas as alternativas I e III estão erradas. C) Apenas a alternativa VI está correta. D) Apenas as alternativas I, III e IV estão corretas. E) Apenas as alternativas V e VI estão corretas. NA PRÁTICA Veja agora algumas marcas que tornaram-se valiosas em 2017. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Lei da Propriedade Intelectual - Leandro Karnal Leandro Karnal é professor Doutor na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) , desde 1996. Graduado em História pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (RS) e Doutor em História Social pela Universidade de São Paulo (USP). Possui pós doutorados pela UNAM, México, e pelo CNRS de Paris. Sua formação cruza História Cultural, Antropologia e Filosofia. Fala em entrevista sobre a perspectiva histórica e o futuro da Propriedade Intelectual. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Propriedade Intelectual e empreendedorismo: o que todo empresário deve saber. Não existe um processo padronizado para criar e por em prática um empreendimento.Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Estratégia Empreendedora: geração e exploração de novas entradas APRESENTAÇÃO Nesta Unidade de Aprendizagem você conhecerá uma das ações básicas do empreendedorismo, denominada de nova entrada, que pode ser baseada em um novo produto, novo mercado ou nova organização. Você aprenderá que as estratégias empreendedoras representam o conjunto de decisões, ações e reações que primeiramente geram e, depois, exploram, no decorrer do tempo, uma nova entrada, de modo a maximizar os benefícios da novidade e minimizar seus custos. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Entender que a ação básica do empreendedorismo abrange uma nova entrada.• Identificar como os recursos estão envolvidos na geração de oportunidades.• Analisar como uma empresa pode criar um pacote de recursos valioso, raro e inimitável.• INFOGRÁFICO O infográfico ilustra os componentes importantes de uma estratégia empreendedora, que possui três estágios principais: (1) a geração de uma nova oportunidade de entrada, (2) a exploração de uma nova oportunidade de entrada e (3) uma malha de realimentação de informações sobre a geração e a exploração de uma nova entrada voltada para o estágio 1. CONTEÚDO DO LIVRO As estratégias empreendedoras representam o conjunto de decisões, ações e reações que primeiramente geram e, depois, exploram, no decorrer do tempo, uma nova entrada, de modo a maximizar os benefícios da novidade e minimizar seus custos. A geração de uma nova entrada resulta de uma combinação de conhecimento e outros recursos em um pacote que seus criadores esperam que seja valioso, raro e de difícil imitação. Portanto, quem deseja gerar uma inovação deve examinar as experiências exclusivas e o conhecimento existente de si mesmo e de suas equipes. Acompanhe o capítulo Estratégia empreendedora: geração e exploração de novas entradas da obra Empreendedorismo, que é a base teórica desta Unidade de Aprendizagem. Boa leitura. EMPREENDEDORISMO Ligia Maria Affonso Estratégia empreendedora: geração e exploração de novas entradas Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Reconhecer que a ação básica do empreendedorismo abrange uma nova entrada. Identificar como os recursos estão envolvidos na geração de oportunidades. Analisar como uma empresa pode criar um pacote de recursos valioso, raro e inimitável. Introdução O ambiente turbulento, a volatilidade dos mercados, as mudanças de comportamento do consumidor, os ciclos de vida mais curtos de pro- dutos e serviços, o avanço da tecnologia e o crescente aprimoramento da concorrência exigem das empresas atitudes proativas no sentido de lançar novidades que atendam às necessidades do mercado, saindo na frente e se destacando junto à concorrência. No entanto, as empresas devem estar atentas a todos os aspectos que envolvem a geração e a exploração de novas entradas, uma vez que qualquer falha nesse sentido pode expor o empreendedor a um grande risco, tornando o novo produto, serviço ou empresa inviável financeiramente. Neste capítulo, você vai estudar aspectos relacionados à nova entrada de um produto, serviço ou empresa no mercado. Você vai também verificar o papel dos recursos na geração de oportunidades e como a empresa pode criar um pacote de recursos valioso, raro e inimitável. Empreendedorismo e a nova entrada O cenário atual tem sido marcado por muitas transformações, que acontecem em um ritmo cada vez mais acelerado e que afetam diretamente a vida das pessoas, das sociedades e das empresas. Tais transformações têm modifi cado também a forma como as pessoas consomem produtos e serviços, que se tornam ultrapassados mais rapidamente, gerando nos consumidores novas necessidades a serem atendidas. Essas necessidades exigem das empresas maior capacidade de adaptação e de inovação e novas formas de fazer negócio. Nesse sentido, todo o esforço direcionado para a satisfação das necessidades do mercado é fundamental para a sobrevivência e competitividade das empresas. Ou seja, todo esforço empreendido pode ser considerado estratégico e necessário para que a empresa continue no mercado. Estratégia é a ação ou o caminho que guia as decisões e ações da empresa no sentido de seus objetivos. Ou seja, sua explicitação mostra o que se deseja para o futuro da empresa e os meios para alcançar o objetivo desejado, conforme lecionam Nickels e Wood (1999). Por sua vez, a competitividade é a capacidade que a empresa possui de elaborar e implementar estratégias que lhe permitam ampliar ou conservar, de forma duradoura, sua sustentabilidade no mercado frente à concorrência, conforme apontam Ferraz, Kupfer e Haguenauer (1995). Assim, a criação de algo novo é o que alimenta a expectativa de as empresas aumentarem sua participação no mercado e sua lucratividade. Cabe destacar que a vantagem competitiva de uma empresa está diretamente relacionada à sua capacidade de introduzir algo novo no mercado que atraia a atenção dos consumidores e que remunere os investimentos feitos pela empresa, conforme leciona Baxter (2003). Mas, você sabe o que é vantagem competitiva? Vamos destacar aqui duas definições do termo: Para Maximiano (2012), trata-se do conjunto de atributos da empresa e de seus produtos e serviços que influenciam a decisão do cliente, ou seja, é o motivo pelo qual os clientes preferem um produto ou serviço, em vez de outro. Estratégia empreendedora: geração e exploração de novas entradas2 Para Porter (1985), a vantagem competitiva é o resultado do valor que a empresa cria para seus clientes em oposição ao custo que tem para criá-la. Dessa forma, a elaboração de uma estratégia competitiva é essencial para a empresa criar uma posição única e valiosa. Cabe destacar que a empresa pode obter vantagem competitiva pelos se- guintes meios: inovação, eficiência na administração de custos, eficácia de suas ope- rações e qualidade de seus produtos, serviços e processos; informação e conhecimentos disponíveis; tecnologia; relacionamento que mantém com seus clientes; estratégias de diferenciação de produtos e serviços; entre outros. Obter vantagem competitiva por meio da diferenciação de produtos e serviços, por exemplo, é oferecer produtos ou serviços que agreguem valor ao cliente e que atendam exatamente às suas necessidades — nem mais, nem menos do que elas. É também trabalhar com preços que aumentem a lucratividade da empresa — compreendendo todos os custos envolvidos — e, principalmente, criar um diferencial que seja difícil de ser imitado, conforme apontam Kotler e Keller (2007). A diferenciação, em sua forma mais básica, refere-se aos atributos que um produto possui e que o distinguem do produto da concorrência, tornando-o único e difícil de ser copiado, conforme lecionam Kotler e Keller (2007). Você já sabe que o empreendedorismo possui papel importante na economia de um país, uma vez que a criação de novas empresas impulsiona o mercado, gerando novas opções de produtos ou serviços que atendam às necessidades dos consumidores. Nesse sentido, podemos definir empreendedorismo como a capacidade de reconhecer uma oportunidade para a criação de algo novo, um novo mercado, um novo modo de produção ou o uso de uma nova matéria- -prima, conforme lecionam Baron e Shane (2007). 3Estratégia empreendedora: geração e exploração de novas entradas Assim, conforme Hisrich, Peters e Shepherd (2014), a nova entrada é con- siderada umas das ações mais básicas do empreendedorismo e se refere à: oferta de um novo produto em um novo mercado ou em um mercado já existente; oferta de um produto existente em um mercado novo; ou criação de uma nova empresa. É preciso ter em mente que o “novo”, seja um produto, um mercado ou uma empresa, possui dois lados antagônicos.De um lado, o “novo” representa a possibilidade de a empresa se diferenciar da concorrência. Por outro lado, o “novo” pode ser um desafio para o empreendedor, pois gera incerteza em torno do novo produto ou serviço, requerendo a mobilização de mais recursos que permitam que a nova entrada seja explorada com sucesso, conforme lecionam Hisrich, Peters e Shepherd (2014). A criação de algo novo, seja um produto, serviço ou empresa, ou a extensão destes em uma nova versão, deve representar uma melhoria radical das opções atuais, capaz de captar novos clientes e mercados, não se limitando a substituí-las, conforme apontam Norton e Kaplan (1997). Cabe destacar que, para gerar e explorar uma nova entrada, é necessário ter uma estratégia empreendedora, que podemos definir como um conjunto de decisões, ações e reações cujo foco está nos benefícios do novo produto, serviço, mercado ou empresa, bem como na redução de seus custos, segundo Hisrich, Peters e Shepherd (2014). Veja na Figura1 os componentes de uma estratégia empreendedora e seus principais estágios. Estratégia empreendedora: geração e exploração de novas entradas4 Figura 1. Estratégia empreendedora: geração e exploração de oportunidades de novas entradas. Fonte: Hisrich, Peters e Shepherd (2014, p. 47). Estágio 3: malha de realimentação de recursos Estágio 1: geração da nova entrada Estágio 2: exploração da nova entrada Conhecimento Outros recursos Pacote de recursos Estratégia de entrada Avaliação da nova oportunidade de entrada Estratégia de redução de riscos Organização Desempenho da empresa Ainda de acordo com Hisrich, Peters e Shepherd (2014), os principais estágios da estratégia empreendedora são: Estágio 1 — geração de uma nova oportunidade de entrada: é decorrente da combinação de conhecimentos e outros recursos que o empreendedor possui, que gera um pacote raro, valioso e difícil de ser imitado. Estágio 2 — exploração de uma nova oportunidade de entrada: exige uma estratégia de entrada e de redução de riscos e depende da organi- zação da empresa e da competência do empreendedor e de sua equipe administrativa para o bom desempenho nesse sentido. Estágio 3 — malha que retroalimenta as informações sobre a geração e a exploração de uma nova entrada voltada para o estágio 1: o empreen- dedor deve estar sempre preparado para gerar e explorar várias novas entradas ao longo do tempo, pois, ao se limitar a apenas uma nova entrada, corre o risco de levar a empresa a uma situação de declínio, quando o ciclo de vida útil do produto entrar na maturidade e decair. Isso quer dizer que as empresas precisam introduzir continuamente algo novo para evitar que concorrentes mais agressivos tomem parte de seu mercado, conforme aponta Baxter (2003). 5Estratégia empreendedora: geração e exploração de novas entradas Segundo Porter (1985), não existe uma receita ou método padrão para as empresas alcançarem vantagem competitiva, mas é preciso saber onde buscar os ingredientes. Recursos na geração de novas oportunidades Você sabe que uma empresa não funciona sem recursos, certo? São eles os elementos básicos para que qualquer empresa possa ter um desempenho satisfatório e sustentável. Podemos defi nir recurso como uma força que ajuda a empresa a por em prática suas estratégias competitivas. Trata-se de ativos tangíveis e intangíveis de uma empresa, como os profi ssionais e a cultura organizacional, respectivamente, que ajudam no alcance dos objetivos de forma efi ciente e efi caz. Assim, é possível dizer que os recursos são fontes de vantagem competitiva, uma vez que exercem impacto direto na atratividade da empresa, levando a mesma a alcançar altos níveis de rentabilidade, conforme apontam Barney e Hesterly (2010) e Oliver (1997). Você pode estar se perguntando: de que forma os recursos podem influen- ciar a rentabilidade da empresa? Existem quatro pontos de vista que podem explicar esse fato, segundo Wernerfelt (1984): Recursos como inputs (entradas): a produção e o controle a montante dos recursos por um número reduzido de produtores (ou mesmo por um grupo monopolista) leva à redução dos retornos para quem adquire/ utiliza tais recursos. Recursos como outputs (saídas): a empresa que utiliza determinado recurso para atender a um único mercado de escoamento (ou seja, um único cliente) ganha menos do que ganharia caso tivesse mais clientes a quem vender o seu produto. Recursos alternativos fazem com que os retornos esperados do detentor de determinado recurso sejam diminuídos. O fato de uma empresa dispor de um recurso ainda não disponível aos seus concorrentes (ou seja, a posição de pioneiro) cria vantagens competitivas na forma de custos adicionais e/ou limitação nos bene- Estratégia empreendedora: geração e exploração de novas entradas6 fícios para os adquirentes posteriores, caracterizando-se como uma proteção ou barreira de posição do recurso, permitindo, assim, retornos potencialmente elevados. Assim, quanto maior for a capacidade de um recurso, de forma direta ou indireta, de aumentar as dificuldades dos concorrentes, aumentar os ganhos da empresa que o detém e gerar vantagem competitiva, maior será sua atrati- vidade. A experiência de produção, as patentes e a liderança tecnológica são exemplos de recursos, conforme aponta Wernerfelt (1984). Os recursos podem ser classificados de diversas formas. Veja a classificação de acordo com Grant et al. (2006): recursos financeiros; físicos; humanos; tecnológicos; reputação; organizacionais. Barney e Hesterly (2010), por sua vez, subdivide os recursos em três grupos: recursos físicos, que são os equipamentos, máquinas e materiais; recursos humanos, que são as pessoas, com suas experiências e relações; e recursos organizacionais, como o planejamento, a coordenação, etc. Com relação aos atributos dos recursos, conforme lecionam Dierickx e Cool (1989), para que os recursos sejam capazes de atingir vantagem competitiva, eles devem ser não comercializáveis, sendo produzidos e criados internamente na empresa, não imitáveis, ou seja, difíceis de serem imitados, e não substituí- veis, ou seja, serem únicos. Já para Grant et al. (2006), os recursos devem ser: duradouros, ou seja, demorar a perder sua utilidade; ocultos, dificultando sua cópia pela concorrência; não transferíveis, ou seja, difíceis de serem adquiridos; não imitáveis, sendo desenvolvidos internamente pela empresa. No entanto, para que os recursos atuem como vantagem competitiva sus- tentável para uma empresa, ou seja, para que se forme um pacote de recursos que leve a empresa a um desempenho superior, segundo Barney e Hesterly (2010) e Hisrich, Peters e Shepherd (2014), tais recursos devem ser: 7Estratégia empreendedora: geração e exploração de novas entradas Valiosos: devem possibilitar a busca de oportunidades, minimizando os efeitos das ameaças, bem como permitir que a empresa ofereça produtos ou serviços com valor agregado aos clientes e aumentar a rentabilidade da empresa, reduzindo os custos. Raros: devem ser escassos, ou seja, disponíveis a poucos ou a nenhum concorrente ou possível concorrente. Inimitáveis: devem ser difíceis de serem reproduzidos, ou onerosos demais para a concorrência ou os possíveis concorrentes. Não substituíveis: ou seja, devem ser únicos. Cabe destacar que esses recursos, para que se traduzam em um pacote de recursos significativo para o empreendedor, devem ser combinados. Isso quer dizer, por exemplo, que uma equipe de profissionais altamente experien- tes e competentes, combinada a uma cultura organizacional que estimule o trabalho em equipe, a comunicação e a criatividade, pode gerar um impacto muito maior na empresa. Ou seja, os recursos assumem maior amplitude se combinados adequadamente. Em resumo, para que contribuam para o alto desempenho de uma empresa, destacando-se como um diferencial competitivo junto à concorrênciae por um longo período de tempo, os recursos devem ser valiosos, raros, inimitáveis e insubstituíveis, conforme lecionam Barney e Hesterly (2010) e Hisrich, Peters e Shepherd (2014). Segundo Hisrich, Peters e Shepherd (2014), o termo recurso empreendedor corresponde à possibilidade de se obter e, depois, recombinar os recursos em um pacote valioso, raro e inimitável. Pacote de recursos Você já viu que os recursos são componentes fundamentais para o sucesso de qualquer empreendimento, seja ele pequeno, médio ou grande, principalmente quando estes são combinados e bem administrados, formando um pacote de recursos valioso, raro e inimitável. Porém, você já se perguntou qual seria a Estratégia empreendedora: geração e exploração de novas entradas8 base desse recurso empreendedor tão relevante e essencial nos dias de hoje? Se você respondeu que é o conhecimento, acertou! O conhecimento é a base do recurso empreendedor e, por si só, já é valioso. O conhecimento adquirido ao longo do tempo, por meio da experiência, e que está na mente do empreendedor, é diferenciado, ou seja, é único na vida dessas pessoas e, por isso, é raro. Este é um conhecimento difícil de ser transmitido a outras pessoas e, por isso, é mais difícil de ser copiado. Isso explica o por- quê de o conhecimento ser tão importante para gerar um pacote de recursos que possibilite que um novo empreendimento seja criado com sucesso e se mantenha sustentável. Mas, você pode estar se perguntando: apenas os empreendedores e/ou em- presas experientes é que geram as novas entradas? Claro que não! Pesquisas afirmam que as inovações mais radicais surgem no ambiente externo às empresas. Cabe destacar que o conhecimento formal também é importante para o empre- endedor, pois o reconhecimento de uma oportunidade resulta da combinação entre conhecimentos formais e as experiências que o empreendedor possui. Assim, o conhecimento é importante não só no processo de reconheci- mento de uma oportunidade como também na geração de novas entradas. Geralmente, ao pensar em criar algo novo, o empreendedor recorre primeiro ao conhecimento adquirido com a experiência, aquele que está nele, que é único e não está em nenhum manual ou sala de aula, conforme lecionam Hisrich, Peters e Shepherd (2014). O empreendedor precisa ter o hábito de pesquisar e buscar conhecimentos na área em que atua para poder inovar. A criatividade, sozinha, não é capaz de transformar boas ideias em oportunidades de negócios e boas oportunidades em novas entradas que criem um diferencial competitivo e gerem valor ao cliente, conforme aponta Dornelas (2013). Agora eu lhe pergunto: que tipo de conhecimento é relevante para a geração de novas entradas? Se você respondeu que é o conhecimento do mercado e da tecnologia, você está correto. Conhecer o mercado significa possuir infor- mações, tecnologia, know-how e competência necessárias para analisá-lo e aos seus clientes. Conhecer o mercado e os clientes desse mercado possibilita 9Estratégia empreendedora: geração e exploração de novas entradas uma análise mais aprofundada, necessária para a identificação dos problemas dos clientes em relação aos produtos ou serviços existentes. Isso vai permitir aos empreendedores a criação de algo novo, que solucione o problema, ou seja, algo novo que satisfaça por completo às necessidades dos consumidores. É importante destacar que esse conhecimento que o empreendedor deve ter sobre o mercado deve ser mais amplo do que aquele que se obtém por meio da pesquisa de mercado. Esta possui uma eficiência limitada, uma vez que, geralmente, é difícil para os clientes apontarem os problemas básicos enfrentados com um produto ou serviço. Assim, é condição fundamental para os empreendedores conhecer o mercado, os consumidores, suas atitudes e seu comportamento, para que oportunidades atraentes para novos produtos, serviços ou mercados possam ser criadas, conforme lecionam Hisrich, Peters e Shepherd (2014). O conhecimento tecnológico também é uma base essencial para gerar novas oportunidades de negócio e também requer do empreendedor informações, tecnologia, know-how e competência necessárias para que uma análise mais aprofundada possa ser realizada e novas formas de criar conhecimento pos- sam ser identificadas. Ou seja, o conhecimento tecnológico pode gerar nova tecnologia, que servirá de base para a criação de uma nova entrada, mesmo que a sua aplicação no mercado não seja óbvia. Um exemplo disso é o laser, inventado há mais de 30 anos e que estimulou o surgimento de novas opor- tunidades de negócio, uma vez que quem possui conhecimento sobre a sua tecnologia pode adaptá-la para ser utilizada em várias áreas, como navegação, cirurgias, fibra óptica, entre outras. Ou seja, o empreendedor que conhece sobre tecnologia terá mais chances de fazer uso das que já existem para criar algo novo e que atenda às necessidades dos consumidores, conforme apontam Hisrich, Peters e Shepherd (2014). O empreendedor não precisa ser um expert em tecnologia, mas, para poder identificar e explorar boas oportunidades e novas entradas, precisa ser curioso e buscar informações sobre tendências, estando atento aos problemas que a evolução tecnológica vem gerando, para que possa sair na frente e buscar soluções. Ou seja, mesmo que o mundo da tecnologia não seja a área em que o empreendedor deseja investir, é necessário ter a consciência de que a evo- lução da tecnologia impacta diretamente em seu trabalho e negócio. Por isso, é recomendável que o empreendedor acompanhe de perto os acontecimentos na área, para não se tornar refém dessa evolução que vem transformando o mundo, conforme leciona Dornelas (2013). Quanto maior for o conhecimento prévio que o empreendedor possui do mercado e da tecnologia utilizada para criar um possível novo negócio, Estratégia empreendedora: geração e exploração de novas entradas10 maior sua capacidade de avaliar se o novo é atrativo ou não. Dessa forma, o empreendedor pode aumentar seu conhecimento por meio de pesquisas. Quanto maior for seu conhecimento, mais eficiente será seu processo de pesquisa, uma vez que saberá onde buscar as informações necessárias para transformá-las em conhecimento útil para a avaliação. Em relação ao tempo de pesquisa, quanto maior for o período de pesquisa, maiores as chances de o empreendedor obter informações seguras que o permitam avaliar se seus recursos são valiosos, raros e inimitáveis. Ou seja, a maior quantidade de informações permite ao empreendedor avaliar com precisão a quantidade necessária do produto e impedir que a concorrência o imite. Por outro lado, quanto maior for o tempo gasto com pesquisa, maiores os custos financeiros e de tempo, pois o tempo que o empre- endedor gasta pesquisando para tomar a melhor decisão quanto à atratividade do produto pode fazê-lo perder uma oportunidade promissora. Isso quer dizer que as oportunidades surgem e, se não forem aproveitadas, o empreendedor poderá perdê-las. É a chamada janela de oportunidades. Segundo Hisrich, Peters e Shepherd (2014), quando a janela de oportunidades se abre, significa que o ambiente está propício à exploração de algo novo ou de um novo mercado para algo que já existe. No entanto, essa janela pode se fechar, tornando o ambiente desfavorável para a exploração de oportunidades. Assim, após combinar recursos, verificar seu valor e avaliar o poder de atração do produto, serviço ou mercado, o empreendedor pode explorar a oportunidade e desenvolvê-la. Lembrando que todas essas ações dependem do nível de informações obtidas pelo empreendedor ao longo de suas pesquisas, possibilitando a tomada de decisão mais precisa, conforme lecionam Hisrich, Peters e Shepherd (2014). Podemos dizer, então, que a base de sustentação para um novo negócio é um pacote de recursos valioso, raro e inimitável, formado pelo empreendedor a partir de seus conhecimentos sobre o mercado e sobre a tecnologia, que, combinadosa outros recursos, permitem à empresa alcançar um desempenho superior. 11Estratégia empreendedora: geração e exploração de novas entradas BARNEY, J. B.; HESTERLY, W. S. Administração estratégica e vantagem competitiva: conceitos e casos. 3. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2010. (Edição do Kindle). BARON, R. A.; SHANE, S. A. Empreendedorismo: uma visão do processo. São Paulo: Thompson Learning, 2007. BAXTER, M. Projeto de produto: guia prático para o design de novos produtos. 2. ed. São Paulo: Edgard Blucher, 2003. DIERICKX, I.; COOL, K. Asset stock accumulation and sustainability of competitive advantage. Management Science, v. 35, n. 12, p. 1504–1511, Dec. 1989. DORNELAS, J. Empreendedorismo para visionários: desenvolvendo negócios inovadores para um mundo em transformação. Rio de Janeiro: LTC, 2013. FERRAZ, J. C.; KUPFER, D. S.; HAGUENAUER, L. Made in Brasil: desafios competitivos para a indústria. Rio de Janeiro: Campus, 1995. GRANT, R. M. et al. Dirección estratégica. 1st ed. Cizur Menor, Navarra: Thomson Civitas, 2006. HISRICH, R. D.; PETERS, M. P.; SHEPHERD, A. D. Empreendedorismo [recurso eletrônico]. 9. ed. Porto Alegre: AMGH, 2014. KOTLER, P.; KELLER, K. L. Administração de marketing. 12. ed. São Paulo: Pearson, 2007. MAXIMIANO, A. C. A. Teoria Geral da administração: da revolução urbana à revolução digital. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2012. NICKELS, W. G.; WOOD, M. B. Marketing: relacionamentos, qualidade, valor. Rio de Janeiro: LTC, 1999. NORTON, D.; KAPLAN, R. A estratégia em ação: Balanced Scorecard. Rio de Janeiro: Campus, 1997. OLIVER, C. Sustainable competitive advantage: combining institutional and resource- -based views. Strategic Management Journal, v. 18, n. 9, p. 697–713, Dec. 1997. PORTER, M. E. Competitive advantage. 1st ed. New York: Free Press, 1985. WERNERFELT, B. A resource-based view of the firm. Strategic Management Journal, v. 5, n. 2, p. 171–180, Apr./June, 1984. Leituras recomendadas DORNELAS, J. Empreendedorismo: transformando ideias em negócios. 7. ed. São Paulo: Empreende, 2018. SILVA, F. A. Geração de valor. Rio de Janeiro: Sextante, 2014. Estratégia empreendedora: geração e exploração de novas entradas12 Conteúdo: DICA DO PROFESSOR Assista ao vídeo a seguir e veja algumas estratégias empreendedoras. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) As afirmações abaixo representam o que pode ser considerado em uma nova entrada: I. Oferecer um produto novo a um mercado já estabelecido. II. Oferecer um produto já estabelecido a um mercado já estabelecido. III. Oferecer um produto já estabelecido a um mercado novo. IV. Criar uma nova organização. V. Expandir o portfólio de produtos ofertados. Marque a alternativa correta: A) Somente as alternativas I, II e III estão corretas. B) Somente as alternativas II, IV e V estão corretas. C) Somente as alternativas I, II e V estão corretas. D) Somente as alternativas I, III, IV estão corretas E) Somente as alternativas III e V estão corretas. Os recursos são os componentes básicos para o funcionamento e desempenho de uma empresa. Esses recursos podem ser combinados de várias maneiras, o que 2) denominamos pacote de recursos. Para que um pacote de recursos seja a base para um desempenho superior de uma empresa em relação aos concorrentes durante um período de tempo prolongado, os recursos devem ser valiosos, raros e inimitáveis. Marque a alternativa correta: A) Um recurso pode ser considerado valioso quando permite que a empresa busque oportunidades, neutralize ameaças e ofereça produtos e serviços valorizados pelos clientes. B) Um recurso pode ser considerado valioso quando a réplica desta combinação de recursos seria difícil ou dispendiosa para os possíveis concorrentes. C) Um recurso pode ser considerado valioso quando é possuído por poucos ou por nenhum dos concorrentes. D) Um recurso pode ser considerado raro quando a réplica desta combinação de recursos seria difícil ou dispendiosa para os possíveis concorrentes. E) Um recurso pode ser considerado inimitável quando é possuído por poucos ou por nenhum dos concorrentes. 3) A possibilidade de obter e, depois, recombinar os recursos em um pacote valioso, raro e inimitável trata-se de: A) Um recurso empreendedor. B) O conhecimento do mercado. C) Uma estratégia empreendedora. D) Uma nova entrada. E) Um conhecimento tecnológico. 4) O conhecimento particularmente relevante para a geração de novas entradas é aquele relacionado a: A) Questões técnicas sobre o produto que se deseja ofertar. B) Mercado e tecnologia. C) Administração de empresas. D) Legislação de pessoal. E) Legislação ambiental. 5) O conhecimento do mercado por parte do empreendedor é mais abrangente do que aquele que poderia ser assimilado em uma pesquisa de mercado, porque: A) Devido aos altos custos de realização de uma pesquisa de mercado, ela acaba sendo inacessível ao empreendedor. B) A pesquisa de mercado tem uma eficiência limitada porque geralmente é difícil para os clientes apontar os problemas básicos enfrentados com um produto ou serviço. C) O conhecimento de mercado não leva em consideração as experiências pessoais do empreendedor. D) O conhecimento de mercado não possibilita que o empreendedor faça uma análise profunda dos problemas enfrentados pelos clientes com os produtos atuais do mercado. E) A pesquisa de mercado não é bem aceita pelos empreendedores. NA PRÁTICA De faxineiro a bilionário, conheça a história do criador do WhatsApp. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Gestão da Inovação e Desenvolvimento de Novos Produtos Trott, Paul J. Capítulo 1. Finanças e Estratégias de Negócios para Empreendedores Rogers, Steven Gestão da Inovação e Competitividade no Brasil - Da Teoria para a Prática Proença, Adriano; Lacerda, Daniel Pacheco; Antunes Júnior, José Antonio Valle; Távora Junior, José Lamartine; Salerno, Mario Sergio Capítulo 9. Empreendedorismo corporativo APRESENTAÇÃO Nesta Unidade de Aprendizagem, apresentaremos o conceito de intraempreendedorismo ou empreendedorismo corporativo. Os indivíduos que acreditam fortemente em seus próprios talentos com frequência desejam criar algo seu: querem assumir responsabilidades e têm uma grande necessidade de expressão individual e de mais liberdade em seu ambiente de trabalho. O empreendedorismo corporativo trata-se de uma ação empreendedora dentro de uma organização já estabelecida. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Identificar o conceito de empreendedorismo corporativo;• Diferenciar as empresas administradas de modo tradicional daquelas administradas de modo empreendedor; • Analisar os desafios vividos pelas empresas no estabelecimento de uma cultura empreendedora. • DESAFIO Que tal fazer uma reflexão sobre o nível em que se encontra a cultura empreendedora na empresa em que você trabalha ou de alguma outra empresa que você conhece bem? Você não precisa identificar o nome do empreendimento, mas deve apresentar qual é o setor de atuação. Você considera que a empresa incentiva os funcionários a terem um comportamento empreendedor? 1) Como você classifica a orientação estratégica da empresa? Está mais voltada para a percepção e busca de novas oportunidades ou está focada no controle dos recursos, sejam eles humanos, materiais ou financeiros? 2) Como é a estrutura administrativa desta empresa? Há uma forte hierarquia, com níveis hierárquicos bem definidos, ou apresenta uma estrutura simples, com várias redes informais? 3) Quanto à orientação para o desenvolvimento da empresa, o foco é um crescimento rápido e o risco é aceito para atingir este crescimento, ou a empresa está mais focada em um crescimento seguro,lento e firme? Baseando-se nas questões apresentadas produza um texto apresentando a sua análise. INFOGRÁFICO A administração empreendedora difere da tradicional em oito dimensões: (1) orientação estratégica; (2) comprometimento com a oportunidade; (3) comprometimento de recursos; (4) controle de recursos; (5) estrutura administrativa; (6) filosofia de recompensas; (7) orientação para o crescimento; e (8) cultura empreendedora. Neste infográfico você verá a natureza das diferenças entre essas dimensões. CONTEÚDO DO LIVRO As empresas estabelecidas podem criar condições ambientais para motivar as pessoas de suas organizações a agir de modo empreendedor, mas cabe ressaltar que o empreendedorismo corporativo exige uma abordagem administrativa empreendedora. Aprofunde seu conhecimento com a leitura do capítulo Empreendedorismo Corporativo, da obra Empreendedorismo. Boa leitura. EMPREENDEDORISMO Ligia Maria Fonseca Affonso Empreendedorismo corporativo Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Identificar o conceito de empreendedorismo corporativo. Diferenciar as empresas administradas de modo tradicional daquelas administradas de modo empreendedor. Analisar os desafios vividos pelas empresas no estabelecimento de uma cultura empreendedora. Introdução O ambiente competitivo tem sido marcado por várias e rápidas mu- danças decorrentes principalmente da grande popularização de novas tecnologias e do desenvolvimento de novos modelos de negócios que possibilitaram o acesso à inovação, contribuindo para aumentar a com- petição entre as empresas. Nesse contexto, empresas que não criarem produtos ou serviços que substituam aquilo que o mercado já oferece ficarão para trás, e outras empresas tomarão seu lugar no mercado. Para que a inovação seja possível, as empresas precisam proporcionar aos funcionários um ambiente propício ao desenvolvimento de novos projetos, com auto- nomia e independência. Neste capítulo, você vai estudar o conceito de empreendedorismo corporativo, verificando as diferenças entre empresas administradas tradicionalmente e empresas administradas de modo empreendedor e os desafios para as empresas que desejam estabelecer uma cultura empreendedora. Empreendedorismo corporativo O empreendedorismo possui várias defi nições, mas, em síntese, podemos dizer que se trata de um processo de criação de algo novo ou diferente, que pode ser um produto, um serviço ou mesmo uma nova empresa, ou, ainda, a adição de algo novo a alguma coisa que já existe. Podemos dizer, então, que o empreendedorismo é um termo relacionado à inovação, ao risco, à criatividade, à organização e à riqueza., O empreendedorismo vem assumindo importância crescente no Brasil e no mundo e é considerado como meio de desenvolvimento econômico e social, uma vez que a criação de novas empresas, além de aquecer o mercado, gerando novos produtos ou serviços, gera também emprego e renda. É a atividade empreendedora que contribui para o desenvolvimento de um país, uma vez que gera riqueza por meio da inovação, e também é considerada como a base do desenvolvimento econômico dos países desenvolvidos, por meio do aumento da produtividade, conforme Dornelas (2013). A globalização ampliou os mercados e derrubou barreiras econômicas, e o resultado disso foi o aumento da concorrência, cada vez mais acirrada. Essa ampliação do mercado e a grande concorrência possibilitaram o acesso dos consumidores a um maior número de opções de produtos e serviços, fazendo com que esses consumidores se tornassem cada vez mais conscientes e exigentes em suas escolhas. Desde então, as mudanças vêm ocorrendo em uma velocidade cada vez maior, gerando novas necessidades e tornando as empresas cada vez mais complexas, sem fronteiras e dependentes de uma gestão de qualidade, que garanta seu crescimento e seu sucesso no mercado. Quando falamos em empreendedorismo, não podemos deixar de falar no empreendedor, figura de igual importância no desenvolvimento da economia de um país, uma vez que produz novas ideias por meio de sua imaginação e criatividade. Assim, podemos definir um empreendedor como aquele que cria e inicia uma novidade, que enxerga oportunidades onde ninguém vê, que é determinado e não tem medo de correr riscos. Ou seja, é do empreendedor o papel principal de fazer com que a inovação aconteça, por meio da busca de soluções para problemas ainda sem resolução, ou pelo aperfeiçoamento de soluções já existentes, conforme aponta Dolabela (2012). Empreendedorismo corporativo2 É a inovação que permite a sustentabilidade dos negócios. No entanto, uma ideia só se transforma em inovação quando é materializada e resolve os problemas de forma eficaz, fazendo com que as pessoas queiram adquiri-la e usá-la, segundo Dornelas (2013). Diante de todo esse cenário, a necessidade de as empresas inovarem conti- nuamente para ampliar seu potencial competitivo e manter sua sobrevivência no mercado vem aumentando. Tal fato exige dos gestores a busca e a imple- mentação de práticas gerenciais capazes de estimular e ampliar a capacidade de inovação de produtos, serviços, processos e modelos de gestão e a criação de novos negócios e novos mercados. Assim, é importante que os gestores criem um ambiente interno que favoreça as práticas de empreendedorismo corporativo. Podemos entender empreendedorismo corporativo como o processo de criação e inovação de produtos, serviços e negócios complementares aos já existentes na empresa ou que promovam a renovação de seu negócio prin- cipal, desenvolvido e executado por funcionários dessa empresa. Ou seja, o empreendedorismo corporativo resulta da ação de funcionários, que criam uma nova organização ou estimulam a renovação ou inovação dentro de uma organização existente. Cabe destacar que o empreendedorismo corporativo também é chamado de intraempreendedorismo, que significa a capacidade de os funcionários de uma empresa agirem como empreendedores, conforme apontam os autores Dornelas (2013) e Vilas Boas e Santos (2014). A inovação e a atitude empreendedora podem ser comuns em todos os níveis de uma empresa; ou seja, cada funcionário é capaz de inovar e ser um empreendedor a partir de suas próprias experiências e recursos, conforme Vilas Boas e Santos (2014). 3Empreendedorismo corporativo O empreendedorismo corporativo é um meio de a organização estimular e aproveitar os indivíduos que acham que algo pode ser feito de um modo diferente e melhor. Dessa forma, estimular nos funcionários o espírito empre- endedor é fundamental para o crescimento e a inovação de uma empresa. Cabe destacar que flexibilidade e criatividade são significativamente importantes para que as empresas possam alcançar desempenho eficiente no mercado competitivo, conforme apontam Hisrich, Peters e Shepherd (2013). Assim, ao estimular o empreendedorismo interno, as empresas têm a possibilidade de alavancar competências existentes, ampliar o aprendizado sobre novos conhecimentos e novas habilidades e desenvolver competências inovadoras que a permitam superar suas expectativas em relação aos ganhos financeiros, estando também preparadas para competir em ambientes cada vez mais concorridos e dinâmicos, segundo Andreassi (2005). São as pressões sociais e culturais e a alta competitividade no mercado que fazem o empreendedorismo corporativo crescer, de acordo com Hisrich, Peters e Shepherd (2013). Empresa tradicional x empresa empreendedora O ato de empreender é motivado pela percepção da viabilidade de criar algo novo para realizar uma oportunidade, que é a chance que os empreendedores ou empresas possuem de alcançar o sucesso em seus negócios, satisfazendo às necessidades de mercado e obtendo lucro com isso. Isso vale para o empreen- dedorismo individual, para as empresas iniciantes e para as já estabelecidas. Ou seja, as oportunidades benefi ciam tanto osnovos negócios como também os negócios já existentes. Empreendedorismo corporativo4 Segundo Hisrich, Peters e Shepherd (2013), uma oportunidade pode estar em um produto ou serviço inovador e diferenciado — que gera lucro e valor ao consumidor e contribui para o sucesso de um negócio —, na abertura de um novo mercado, em novos modelos de empresa, na utilização de novas tecnologias, novos materiais e novas técnicas de produção. Para que o empreendedorismo possa ser praticado em uma empresa, é preciso que a mesma crie um ambiente que favoreça e estimule o potencial criativo e inovador dos colaboradores. Ou seja, a administração deve criar um ambiente que encoraje o funcionário a perceber que o comportamento empreendedor é desejável, bem como criar uma cultura corporativa que in- centive a geração de novas ideias. É esse ambiente que pode gerar a intenção empreendedora, que, quanto mais forte, maior a chance de virar realidade. A prática empreendedora nas organizações requer uma mudança de com- portamento, envolvendo a criação de uma cultura empreendedora que permita e apoie o surgimento de inovações e a agilidade para a implementação dos novos projetos. Cabe destacar que a criação de uma cultura empreendedora exige das empresas uma orientação diferente em relação à sua administração. Assim, apesar dos benefícios que o empreendedorismo corporativo pode gerar para as empresas, muitas delas ainda adotam práticas gerenciais que inibem a criatividade e a inovação, conforme apontam Hisrich, Peters e Shepherd (2013). Podemos traçar um diferencial entre empresas com gestão tradicional e empresas com gestão empreendedora a partir dos seguintes aspectos, segundo Hisrich, Peters e Shepherd (2013): orientação estratégica, comprometimento com a oportunidade, comprometimento com recursos, controle de recursos, estrutura administrativa, sistema de recompensas, orientação para o cresci- mento e cultura empreendedora. A orientação estratégica em empresas geridas no modelo tradicional é voltada para a utilização eficiente dos recursos da empresa. Ou seja, o futuro da empresa é pensado a partir do tipo e da quantidade de recursos que a empresa possui ou que pode acessar rapidamente. Nesse modelo de gestão, as oportunidades devem ser buscadas de forma eficiente e com base nos recursos existentes. Por sua vez, essa orientação, na gestão empreendedora, é voltada para a geração ou existência de oportunidades de novas entradas, 5Empreendedorismo corporativo sem a preocupação com os recursos necessários para buscá-las. Ou seja, a obtenção e a organização dos recursos necessários para buscar uma oportu- nidade fazem parte de uma etapa secundária, como a etapa da elaboração da implementação das oportunidades descobertas. Isso quer dizer que os recursos não restringem o pensamento estratégico de uma empresa administrada de modo empreendedor, conforme Hisrich, Peters e Shepherd (2013). Novas entradas: podem ser representadas pela oferta de um novo produto em um novo mercado ou em um mercado já existente, pela oferta de um produto existente em um mercado novo ou pela criação de uma nova empresa. As novas entradas são consideradas como parte das ações mais básicas do empreendedorismo, conforme Hisrich, Peters e Shepherd (2013). Em relação ao comprometimento com a oportunidade, podemos dizer que empresas geridas de modo tradicional costumam avaliar bem a oportunidade antes de se decidir por ela. Para isso, se baseiam na coleta de dados e informa- ções, bem como na projeção do retorno sobre os recursos que serão distribu- ídos com a escolha de determinada oportunidade. Ao decidir por ela, há um investimento inicial superior e a intenção de explorá-la por muito tempo. Já as empresas administradas de modo empreendedor buscam as oportunidades de modo muito mais rápido, aproveitando todas as suas janelas de possibilidades. Assim como distribuem recursos, também podem retirá-los rapidamente se verificarem que certa oportunidade não é favorável à empresa, minimizando as perdas da busca inicial, segundo Hisrich, Peters e Shepherd (2013). Em relação ao comprometimento com os recursos voltados à oportunidade, é importante refletir sobre eles, sobre como privilegiam a busca de oportunidades e como podem ser minimizados na busca de uma oportunidade específica. Ou seja, ao minimizar os recursos necessários para investir na busca inicial de uma oportunidade, a empresa também minimiza o volume de recursos que colocará em risco se a oportunidade não for bem-sucedida. Empresas geridas pelo modo tradicional, quando decidem por uma opor- tunidade, comprometem grande volume de recursos ao estudarem todas as possibilidades, riscos, etc. Ou seja, essas empresas utilizam uma análise detalhada das informações disponíveis para seguir em frente, ou não, em uma Empreendedorismo corporativo6 oportunidade e, quando o fazem, é difícil reverter os recursos investidos. As empresas com perfil empreendedor, por sua vez, costumam comprometer uma pequena parte de recursos em cada etapa da exploração de uma oportunidade, o que lhes dá flexibilidade de realizar mudanças rápidas conforme forem surgindo informações sobre a oportunidade ou o ambiente. Ou seja, como elas investem poucos recursos, caso mudem de rumo, as perdas são menores, conforme apontam Hisrich, Peters e Shepherd (2013). Quando o assunto é controle dos recursos, as empresas administradas de modo tradicional têm seu foco na posse e no acúmulo de mais recursos, acreditando que sua independência se dá por meio do controle destes. O pensamento é que a posse dos recursos permite que estes sejam distribuídos de modo mais eficaz, favorecendo a empresa. As empresas empreendedoras, por sua vez, têm preocupação com o capital financeiro e intelectual, as expe- riências e competências e o acesso a recursos alheios, ou seja, ao investimento de outros, que pode favorecer a empresa na medida em que esta distribui esses recursos, trazendo ganhos também para o investidor. A estrutura administrativa de empresas administradas de modo tradicional segue uma hierarquia formal, com funções e responsabilidades bem definidas, com rotinas formais de trabalho e pessoas para gerenciar a utilização dos recursos, que são controlados. Sua estrutura interna é focada na eficiência, e não na detecção e na ação rápida diante das mudanças ocorridas no am- biente externo. Já as empresas com perfil empreendedor são marcadas por uma estrutura administrativa menos burocrática e por redes informais de comunicação, com menor distância entre a alta administração e os clientes. Assim, conseguem se comunicar com o ambiente externo com maior faci- lidade, captando informações necessárias para a descoberta, a geração e a exploração de oportunidades. Ou seja, elas utilizam tanto suas redes internas (canais de comunicação informais no trabalho) quanto as redes externas (os compradores, os fornecedores e as instituições financeiras) para obterem as informações sobre recursos e oportunidades, de acordo com Hisrich, Peters e Shepherd (2013). A filosofia de recompensas em empresas tradicionais prevê a recompensa aos gerentes e aos funcionários de acordo com suas responsabilidades, que, por sua vez, são estabelecidas de acordo com os recursos que cada um deles controla. Quanto mais recursos os funcionários e gerentes controlam, maiores são as recompensas. Na empresa administrada de modo empreendedor, as recompensas são oferecidas aos funcionários com base em sua contribuição para a descoberta, a geração e a exploração de oportunidades; ou seja, nesse 7Empreendedorismo corporativo modelo de gestão, os funcionários possuem liberdade para testar as possíveis oportunidades e são recompensados por isso. Em relação à orientação ao crescimento, empresas administradas de modo tradicional optam por um crescimento mais lento e gradual, que possa ser ad- ministrado sem desestabilizar a empresa, colocando os recursos que controlam em riscoentender o movimento e o comportamento dos consumidores, assim como identificar novas ideias, oportunidades de negócio e oportunidades de posicionamento. As tendências devem ser monitoradas pelos empreendedores com bastante cuidado e atenção para que seja possível identificar que ideias e oportunidades cabem melhor a seu negócio (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2014). Métodos de geração de ideias Os avanços tecnológicos vêm transformando a forma de criação, distribui- ção e consumo de produtos e serviços, fazendo surgir novas relações entre empresas e consumidores. As rotas de mercado foram reinventadas com a Internet e hoje, com apenas um clique, é possível comprar tudo aquilo de que necessitamos. No entanto, a rapidez com que as tecnologias se renovam e com que os produtos e serviços se tornam obsoletos, preocupam as empresas que não conseguem acompanhar tantas mudanças, gerando uma crise de inovação dentro delas (SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS, 2018). Dessa forma, é importante adotar novas metodologias e ferramentas que fomentem a geração de ideias e a inovação e que estimulem o potencial criativo das pessoas. Assim, o primeiro passo deve ser a incorporação do espírito inovador nas estratégias da organização, como a implementação de equipes multidisciplinares especializadas e dedicadas à inovação. 7Criatividade e a ideia da empresa A criatividade pode diminuir com o passar do tempo, por motivos como idade e falta de estímulo, e pode ser sufocada devido a fatores culturais e organizacionais. No entanto, pode ser desbloqueada por meio de qualquer técnica de solução criativa de problemas. Existem muitas fontes disponíveis para geração de ideias, dentre elas destacamos os grupos de discussão, o brainstorming (tempestade de ideias), a análise de inventário de problemas e a solução criativa de problemas, com suas diversas técnicas (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2014; SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS, 2018). O grupo de discussão é um método utilizado desde os anos 1950 para uma série de finalidades. No contexto de geração de ideias ele funciona da seguinte forma: é liderado por um moderador que, ao invés de perguntar e solicitar respostas, dirige uma discussão aberta e aprofundada, estimulando a participação de todos os membros (normalmente entre 8 a 14 pessoas) no sentido de conceituarem e desenvolverem, de forma criativa, a ideia de um novo produto ou serviço que atenda as necessidades do mercado. Cabe destacar que, além de ser um método bastante útil para a geração de ideias de novos produtos, o grupo de discussão também atua na triagem de ideias e conceitos. O brainstorming é um método que estimula as pessoas a gerarem a maior quantidade de ideias que elas conseguirem, sem a preocupação se serão usadas ou não, se são lógicas ou não. É uma forte ferramenta de incentivo à criati- vidade, uma vez que permite a quebra dos bloqueios mentais, criados pelas pessoas, que inibem o potencial criativo. Normalmente, em um brainstorming as ideias iniciais tendem a ser óbvias e previsíveis, no entanto, com o tempo e a prática, as ideias geradas tornam-se mais criativas. A descontração natural pelo hábito do trabalho em grupo faz com que, gradualmente, a criatividade assuma lugar de destaque nas reuniões para solução de problemas (MATTAR; SANTOS, 2003; HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2014). A utilização desse método impõe cinco regras básicas: Críticas ou comentários negativos a membros do grupo não são permitidas. A improvisação deve ser estimulada. Criatividade e a ideia da empresa8 Deve haver estímulo à geração de grande número de ideias, pois, quanto maior o número, maior as chances de surgirem boas ideias. As ideias devem ser combinadas, estimulando o surgimento de novas ideias. A sessão de brainstorming deve ser divertida, sem ninguém dominando ou inibindo a discussão. O termo brainstorming foi criado por Alex Osborn em 1953, em seu livro Applied Ima- gination, lançado no Brasil como “O Poder Criador da Mente”, em 1975 (BAXTER, 2008). O brainwriting é uma evolução do brainstorming, que conserva suas van- tagens e busca reduzir suas desvantagens. Como funciona? As ideias são escritas de forma individual até que se esgotem. Após o esgotamento de ideias de um dos membros do grupo, este consulta os papéis de outro participante, e então parte-se para a sessão convencional de brainstorming, em busca de uma nova ideia. Cabe destacar que no brainwriting a geração de ideias, além de acontecer de forma escrita, acontece de forma silenciosa, e os participantes (geralmente seis) escrevem suas ideias em formulários que vão passando de participante a participante. Para cada um é solicitada a geração de pelo menos três ideias novas. Essa seção é monitorada por um líder que controla o tempo, podendo aumenta-lo ou diminui-lo, de acordo com as necessidades do grupo. Outro ponto que merece destaque é que esse método pode ser realizado com participantes separados geograficamente, cujas planilhas circulam de modo eletrônico (MATTAR; SANTOS, 2003). 9Criatividade e a ideia da empresa O brainwriting foi criado por Bernd Rohrbach no final dos anos 1960, com o nome de Método 635. Além de estimular a geração de ideias por escrito, concede mais tempo aos participantes para que possam pensar e expressar suas ideias de forma espontânea (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2014). A análise de inventário de problemas é outro método de geração de ideias, no entanto, ao invés de formar grupos de discussão para gerar ideias de novos produtos, são os consumidores que recebem uma lista de problemas em uma categoria geral de produtos. Seu trabalho é identificar e discutir sobre os problemas dos produtos, até chegar à ideia de um novo produto, ao invés de gerar uma ideia totalmente inédita. Esse método também pode ser utilizado para testar a ideia de um novo produto, todavia, seus resultados devem ser avaliados criteriosamente, uma vez que existe a possibilidade de não refle- tirem realmente uma nova oportunidade de negócio (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2014). A solução criativa de problemas é um método que permite a obtenção de novas ideias com concentração em parâmetros. Dentre as várias técnicas de solução criativa de problemas destacamos aqui o brainstorming inverso; o método Gordon; o método de livre associação; o método de anotações coletivas e o método de análise de parâmetros (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2014): Brainstorming inverso: se assemelha ao brainstorming comum, mas, permite críticas. A técnica consiste em descobrir falhas utilizando a seguinte pergunta: “de que modo essa ideia pode fracassar?”. É um método cujo foco se concentra nos aspectos negativos de um produto, serviço ou ideia, e que pode ser utilizado eficazmente antes de outras técnicas criativas visando estimular o pensamento criativo. Na maioria das vezes apresenta resultados compensadores, pois criticar uma ideia é mais fácil do que apresentar uma nova. Cabe destacar que por conta da permissão de críticas, é necessário tomar cuidado para manter o moral do grupo elevado. Método Gordon: é um método em que os membros do grupo não pos- suem, inicialmente, informações sobre a natureza do problema, o que garante que a solução não seja influenciada por ideias preconcebidas ou Criatividade e a ideia da empresa10 por padrões de comportamento. A seção inicia com o grupo expressando ideias relacionadas ao conceito geral associado ao problema, com a orientação do líder. Após a apresentação de diversas ideias, o problema é revelado, permitido sugestões para o aperfeiçoamento da ideia final. Livre associação: dentre todos é o mais simples e mais eficaz na geração de novas ideias. É útil no desenvolvimento de uma visão totalmente inédita do problema e sua dinâmica consiste na escrita de uma palavra ou expressão relacionada ao problema, seguida de várias outras, acres- centadas de algo novo, come não arriscando, assim, os cargos e o poder da alta administração. Já as empresas com administração empreendedora visam ao crescimento acelerado da organização. A cultura organizacional é outro aspecto que diferencia as empresas admi- nistradas de modo tradicional das empresas administradas de modo empre- endedor. As empresas tradicionais, apesar de possuírem interesse por ideias, têm os recursos como centro de seus negócios, o que reflete em sua cultura organizacional. Dessa forma, seu interesse é por ideias que girem em torno dos recursos que elas controlam, restringindo o horizonte de oportunidades. A cultura organizacional em empresas com orientação empreendedora, por sua vez, estimula a geração de ideias e experimentos e a participação dos funcionários em outras atividades que possam estimular sua criatividade, cujos resultados são muito valorizados, por serem fonte de oportunidades de novas entradas. Ou seja, empresas administradas de modo empreendedor têm seu foco nas oportunidades, conforme Hisrich, Peters e Shepherd (2013). Desafios da cultura empreendedora Vimos anteriormente que o empreendedorismo corporativo, também chamado de intraempreendedorismo, pode alavancar os negócios de uma empresa, aumentando seu potencial inovador, sua competitividade no mercado e, con- sequentemente, sua lucratividade. Vimos também que, apesar dos benefícios gerados, ainda existem empresas que adotam práticas que inibem a ação em- preendedora, ou seja, não estimulam o potencial criativo de seus colaboradores. É importante ter em mente que, para que as empresas sobrevivam nesse mercado cada vez mais competitivo, elas precisam inovar em seus produtos, serviços, processos e, até mesmo, em seu modelo de gestão. Elas precisam estar preparadas para enfrentar as rápidas mudanças que têm ocorrido no ambiente externo e que impactam em seu ambiente interno e para atender às necessidades do mercado. Para isso, precisam inovar e, para inovar, devem contar com pessoas capazes de transformar ideias em realidade. Para que o empreendedorismo corporativo aconteça, é fundamental a ma- nutenção de um ambiente favorável à criação, ao compartilhamento de ideias Empreendedorismo corporativo8 e à inovação. Para começar, é fundamental promover uma mudança na cultura da organização. Ou seja, é importante adotar uma cultura empreendedora. Segundo Hisrich, Peters e Shepherd (2013), um bom ambiente empreendedor necessita de: tecnologia avançada para a prática de pesquisa e o desenvolvimento de novos produtos, estimulando e apoiando novas ideias; experimentação, ou seja, a tentativa e erro não devem ser punidos — uma empresa empreendedora deve permitir erros e fracassos no desenvolvimento de inovações, já que aprender com a experiência é importante para o empreendedor e para a empresa; certificar-se de que não existem obstáculos que inibam a criatividade no desenvolvimento de um novo produto; recursos suficientes e de fácil acesso; incentivo ao trabalho em equipe, formando equipes de trabalho mul- tidisciplinares, com a participação das pessoas necessárias, indepen- dentemente da área a que pertençam; estímulo ao espírito empreendedor, ou seja, permitir que este se desen- volva sem pressão e de forma voluntária entre as pessoas da organização; sistema de recompensa ao empreendedor corporativo, que precisa ser recompensado de forma adequada pela energia, esforço e riscos em- preendidos na criação de um novo empreendimento; patrocinadores e defensores em toda a empresa que apoiem o processo criativo e que sejam flexíveis no planejamento, ao estabelecerem novos objetivos e direções, quando necessário; apoio e aceitação da alta administração, participando fisicamente do processo e também disponibilizando recursos humanos e financeiros necessários — esse talvez seja o principal aspecto para a criação de um ambiente empreendedor de sucesso. É recomendável que o estabelecimento de um ambiente empreendedor seja realizado por alguém externo à organização, para facilitar o processo, principalmente se este se der em uma empresa tradicional e com histórico de poucas mudanças e poucos lançamentos de novos produtos, apontam Hisrich, Peters e Shepherd (2013). 9Empreendedorismo corporativo Ao falarmos em empreendedorismo corporativo, não podemos deixar de falar no empreendedor corporativo e nas características necessárias para que este tenha sucesso, conforme Hisrich, Peters e Shepherd (2013): conhecer o ambiente — além de ser criativo, é necessário conhecer muito bem os ambientes internos e externos da organização; ser visionário e sonhar alto — ou seja, ser um líder visionário, que enxergue o futuro, que possua um sonho e que não meça esforços para superar obstáculos para sua concretização, fazendo com que os outros sonhem seus sonhos; criar opções administrativas e ser flexível — não pode ser estático, deve ser dinâmico, ser aberto a novas ideias, iniciativas e mudanças; encorajar o trabalho em equipe — ou seja, utilizar uma abordagem multidisciplinar; estimular a discussão aberta — incentivar o diálogo e a discussão aberta para fortalecer uma equipe criativa; a equipe deve ter liberdade para discordar e criticar ideias, até chegar à melhor solução; o grau de abertura e liberdade entre os integrantes da equipe vai depender do grau de abertura e liberdade dado pelo líder empreendedor; construir uma coalizão de patrocinadores — ou seja, contar com o comprometimento de todos da equipe no novo empreendimento, es- pecialmente nos momentos difíceis; o empreendedor deve conseguir isso sem contar com fatores motivadores, e sim com sua capacidade de influenciar; ser persistente — apesar da frustração e dos obstáculos comuns que existem ao longo do processo de estabelecimento de um empreendi- mento, é preciso ser persistente para que o novo empreendimento possa ser concluído com sucesso. Para implementar uma cultura empreendedora em uma organização, é fundamental o apoio e o interesse da alta administração em relação à criação e ao desenvolvimento de novas ideias, bem como o comprometimento dos demais níveis da organização. Só assim será possível passar por todas as etapas do processo de mudança cultural. Empreendedorismo corporativo10 Segundo Hisrich, Peters e Shepherd (2013) e Vilas Boas e Santos (2014), são imprescindíveis para a sustentação de uma cultura empreendedora, que estimule, apoie e promova o desenvolvimento de novas ideias: recursos materiais, humanos e financeiros necessários, disponíveis e de fácil acesso; tecnologia avançada; treinamento dos funcionários; novas formas de se aproximar dos clientes; ser produtiva com menos recursos e distribuir o controle destes aos funcionários, em todos os níveis da organização; adotar comportamento flexível e inovador, com maior autoridade sobre gastos e recursos; adoção de sistemas de recompensa justos; incentivos e reconhecimento que estimulem o processo empreendedor; tolerância ao erro; autonomia para experimentação de novos métodos de organizar e exe- cutar o trabalho; e um sistema de avaliação que permita expandir atitudes bem-sucedidas e eliminar as fracassadas. Cabe destacar que, apesar de várias pesquisas realizadas na área que com- provam que ações de empreendedorismo corporativo são ampliadas quando existem nas empresas práticas gerenciais que apoiam, estimulam e promovem as iniciativas dessa natureza, como apresentado anteriormente, o empreende- dorismo corporativo ainda enfrenta vários desafios e exige diversos atributos, como os apresentados no parágrafo anterior. Para finalizarmos, destacamos como desafios para o empreendedor a dificuldade de a organização manter um comprometimento de longo prazo com a cultura empreendedora, a falta de liberdade dos funcionários para tomar decisões autônomas e o ambiente restritivo, que inibe as práticas criativas e inovadoras, segundo Hisrich, Peters eShepherd (2013). 11Empreendedorismo corporativo ANDREASSI, T. Empreendedorismo corporativo. Fator humano: empreendedorismo corporativo, v. 4, n. 3, p. 63–67, ago./out., 2005. DOLABELA, F. O Segredo de Luísa. Rio de Janeiro: Sextante, 2012. DORNELAS, J. Empreendedorismo para visionários: desenvolvendo negócios inovadores para um mundo em transformação. Rio de Janeiro: LTC, 2013. HISRICH, R. D.; PETERS, M. P.; SHEPHERD, A. D. Empreendedorismo [recurso eletrônico]. 9. ed. Porto Alegre: AMGH, 2013. VILAS BOAS, E. P.; SANTOS, S. A. Empreendedorismo corporativo: estudo de casos múltiplos sobre as práticas promotoras em empresas atuantes no Brasil. Rev. Adm., São Paulo, v. 49, n. 2, p. 399–414, abr./maio/jun. 2014. Leituras recomendadas DORNELAS, J. C. A. Empreendedorismo Corporativo. 3. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2016. HASHIMOTO, M. et al. Práticas de empreendedorismo: casos e planos de negócios. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012. Empreendedorismo corporativo12 DICA DO PROFESSOR O vídeo a seguir trata do empreendedorismo corporativo. Veja: Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) Marque a alternativa que apresenta as razões do crescente interesse, demonstrado pelas organizações existentes, pelo empreendedorismo: A) Falta de interesse dos indivíduos em seguir o próprio caminho. B) O empreendedorismo corporativo é um meio de estimular e aproveitar os indivíduos em uma organização que acham que algo pode ser feito de um modo diferente. C) Aumento dos prejuízos das empresas, forçando-as a buscar alternativas. D) Falta de produtividade nas empresas. E) Manter ou instigar o espírito empreendedor dentro das empresas não é algo possível. Existem diversas maneiras pelas quais as empresas existentes podem buscar oportunidades de novos empreendimentos, e o papel da equipe administrativa é fundamental. I. A administração deve incentivar o funcionário a se desligar da empresa para montar seu próprio negócio. II. A administração deve criar um ambiente que encoraje o funcionário a perceber que o comportamento empreendedor é desejável. III. A administração deve criar uma cultura corporativa que seja avessa ao risco. IV. A administração deve criar uma cultura corporativa que incentive a geração de 2) novas ideias. V. A administração da empresa deve focar nas regras, regulamentos e elaborar e disseminar o código de ética aos funcionários. Marque a alternativa correta: A) Somente as afirmativas II e IV estão corretas. B) Somente as afirmativas I e II estão corretas. C) Somente as afirmativas III e IV estão corretas. D) Somente as afirmativas I e V estão corretas. E) Somente as afirmativas IV e V estão corretas. 3) Marque a alternativa que apresenta os dois primeiros fatores que ajudam a distinguir as empresas administradas de modo mais empreendedor daquelas administradas de modo mais tradicional: A) Estrutura administrativa e cultura empreendedora. B) Orientação estratégica e comprometimento com a oportunidade. C) Comprometimento de recursos e orientação estratégica. D) Orientação para o crescimento e filosofia de recompensas. E) Controle de recursos e estrutura administrativa. 4) No que se refere à orientação estratégica de uma organização no processo empreendedor, podemos afirmar que: A) A orientação estratégica não pode ser interpretada como a missão da empresa. B) A estratégia da gestão empreendedora é orientada pela presença ou geração de oportunidades de novas entradas. C) A estratégia de uma gestão empreendedora é orientada pelos recursos necessários para buscar novas oportunidades. D) Obter e organizar os recursos necessários para empreender é prioridade na gestão empreendedora. E) Os recursos restringem o pensamento estratégico de uma empresa administrada de modo empreendedor. 5) Marque a alternativa correta no que se refere às características das empresas administradas de modo tradicional: A) As reflexões sobre os recursos privilegiam a análise de como a empresa pode minimizar os recursos necessários na busca de uma oportunidade específica. B) Comprometem uma pequena quantidade de recursos em várias etapas. C) Usa a análise detalhada das informações disponíveis para seguir em frente ou não. D) Consideram menos a posse dos recursos e se preocupam mais com o acesso aos recursos. A estrutura organizacional tem menos camadas de burocracia entre a alta administração e E) o cliente. NA PRÁTICA Veja a seguir um exemplo de empreendedorismo corporativo: Os 10 princípios da inovação 3M. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Os desafios da inovação e os aprendizados da 3M. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Intra-empreendedorismo: mais um modismo corporativo? – Sandro Magaldi Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! A importância do empreendedorismo corporativo. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Endeavor. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Fontes de capital APRESENTAÇÃO Um dos problemas mais difíceis no processo de criação de um novo empreendimento é obter financiamento. Para o empreendedor, o financiamento disponível precisa ser considerado a partir da perspectiva de dívida versus capital próprio e do uso de recursos internos versus recursos externos. Nesta Unidade de Aprendizagem, você entenderá a importância do financiamento para o empreendedor alavancar o seu negócio e conhecerá os diferentes tipos de financiamento existentes adequados a cada realidade de empreendimento. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Reconhecer o papel dos financiamentos para o empreendedor;• Definir os conceitos de financiamento por endividamento e financiamento por capital próprio; • Identificar os tipos de recursos internos e externos.• DESAFIO Você é um empreendedor que está iniciando um negócio de venda de alimentos orgânicos: frutas, verduras e legumes. Você identificou a tendência de os consumidores estarem cada vez mais preocupados com uma alimentação mais saudável e dispostos a pagar um preço um pouco mais alto, desde que tenham a certeza de que o alimento é de fato orgânico e de uma boa procedência. Sua ideia é montar uma espécie de loja de conveniência de alimentos orgânicos, com uma identidade visual diferenciada, em um ambiente com um pouco mais de sofisticação que os mercados tradicionais. Os produtos serão vendidos já embalados em pequenas porções e as embalagens também serão diferenciadas, todas recicláveis e com a identificação clara da origem do produto e de qual o produtor que forneceu. Você já tem uma rede de contatos com produtores locais de alimentos orgânicos, já identificou uma empresa que irá fornecer as embalagens e já localizou o ponto em que irá montar a loja. O ponto está localizado em um bairro da Zona Sul da cidade, em um local de grande movimento. O valor do aluguel é alto, mas você considera que valerá a pena, pois a loja será montada em um bairro onde as pessoas possuem maior poder aquisitivo e terão mais condições de investir em uma alimentação saudável e diferenciada. O problema é que mesmo utilizando as economias que juntou ao longo dos últimos anos, durante o período em que trabalhou com gerente de marketing em uma grande empresa, você concluiu que seus recursos serão insuficientes para montar o negócio da forma que está planejando e será necessário encontrar mais recursos para investir na implantação do negócio. Reflita sobre esta situação e responda as perguntas abaixo: 1) Neste caso, quais são as opções que você pode tentar para obter mais recursos para montar o seu negócio? Identifique pelo menos duas opções. 2) Quais são as vantagens e desvantagens de cada opção que você pensou? INFOGRÁFICO O infográficoa seguir apresenta os tipos de financiamento para o empreendedor, uma breve descrição e as principais considerações sobre cada um deles. Veja: CONTEÚDO DO LIVRO Todos os empreendimentos exigem capital. Embora o capital seja necessário no decorrer do tempo de vida da empresa, o novo empreendedor enfrenta muitas dificuldades para a aquisição de capital no estágio inicial. Porém, antes de procurar financiamento externo, o empreendedor deve explorar todos os métodos de financiamento interno usando lucros, vendendo os ativos não utilizados, reduzindo o capital de giro, obtendo crédito junto aos fornecedores e cobrando as contas a receber imediatamente. Depois que todas as fontes internas forem exauridas, o empreendedor talvez considere necessário buscar recursos por meio do financiamento externo, o que é efetivado na forma de dívida ou de capital próprio. Ao considerar o financiamento externo, é preciso levar em conta a duração, o custo e o nível de controle de cada alternativa de acordo financeiro. Acompanhe um trecho da obra Empreendedorismo. Inicie sua leitura no tópico Fontes de Capital. Boa leitura. EMPREENDEDORISMO Ligia Maria Affonso Fontes de capital Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Reconhecer o papel dos financiamentos para o empreendedor. Definir os conceitos de financiamento por endividamento e financia- mento por capital próprio. Identificar os tipos de recursos internos e externos. Introdução Neste capítulo vamos tratar de um dos problemas mais difíceis quando da criação de um novo empreendimento: a obtenção de financiamento. O empreendedor deve considerar a possibilidade de dois tipos de financia- mento: o financiamento por endividamento e o financiamento por capital próprio. O financiamento por endividamento envolve um instrumento com juros, em geral um empréstimo, cujo pagamento está apenas indi- retamente relacionado com as vendas e os lucros do empreendimento. O financiamento por endividamento (também chamado financiamento baseado em ativos) costuma exigir que algum ativo (como automóvel, casa, fábrica, máquina ou terreno) seja usado como garantia. Já o financiamento por capital próprio não exige garantias e oferece ao investidor alguma forma de participação no empreendimento. A decisão por um ou outro tipo de financiamento pode depender da dis- ponibilidade de recursos, dos ativos do empreendimento e das taxas de juros em vigor. Com frequência, o empreendedor satisfaz as necessidades financeiras do negócio empregando uma combinação de financiamento por endividamento e por capital próprio. Papel do financiamento A importância do empreendedorismo para a economia brasileira e mundial vem crescendo ao longo do tempo, uma vez que ele tem sido responsável pela geração de empregos e renda, além da criação de produtos e serviços que atendam às necessidades dos consumidores, cada vez mais exigentes e conscientes sobre seus desejos e sua forma de consumo. Podemos dizer que empreender consiste na identificação, análise e explo- ração de oportunidades, com foco na inovação e na criação de valor. Isso se torna possível por meio da criação de produtos ou serviços, de novas abordagens de produtos e serviços já existentes, da criação de novas empresas ou de uma nova configuração para empresas já existentes, ou ainda por meio da criação de um novo mercado, da inserção de um novo produto em um mercado já existente, entre outros meios, conforme Dornelas (2013). No entanto, é preciso destacar que nada disso seria possível sem o empre- endedor, considerado como aquele que enxerga oportunidades onde ninguém vê e que não tem medo de correr riscos. Um empreendedor normalmente é aquele que ama o que faz, possui iniciativa e utiliza os recursos disponíveis de forma criativa, contribuindo para a transformação social e econômica do meio onde está inserido. O empreendedor é aquele que destrói a ordem econômica vigente, por meio da introdução de novos produtos e serviços, da criação de novas formas de organização e da exploração de novos recursos e materiais, conforme Schumpeter (1949 apud DORNELAS, 2013). Você sabe como acontece o processo empreendedor? Ele tem início quando as aptidões pessoais do empreendedor se aliam a fatores externos ambientais e sociais. Veja mais sobre esses fatores na Figura 1. Fontes de capital2 Figura 1. Fatores que influenciam o processo empreendedor. Fonte: Adaptada de Dornelas (2001). Fatores Pessoais • realização pessoal • assumir riscos • valores pessoais • educação • experiência Ambiente • oportunidade • criatividade • modelos (pessoas) de sucesso implementação crescimento Ambiente • competição • recursos • incubadoras • políticas públicas Ambiente • competidores • clientes • fornecedores • bancos • advogados • recursos • políticas públicas Fatores Pessoais • assumir riscos • insatisfação com o trabalho • ser demitido • educação • idade Fatores Sociológicos • networking • equipes • influência dos pais • família • modelos (pessoas) de sucesso Fatores Pessoais • empreendedor • líder • gerente • visão Fatores Organizacionais • equipe • estratégia • estrutura • cultura • produtos inovação evento inicial crescimento Ao falarmos em inovação, peça-chave do processo empreendedor, não podemos deixar de falar em pessoas, tecnologia, conhecimento e capital. As pessoas são fundamentais nesse processo, pois são as responsáveis por fazer o negócio funcionar. Você pode ter todos os recursos necessários para operar, mas, sem as pessoas, eles não valem nada. São elas que dão vida aos recursos e imprimem a eles esforço, inteligência, criatividade e qualidade, aumentando a produtividade da empresa. A tecnologia é um aspecto tão importante quanto as pessoas; aliás, ambos estão relacionados e são fundamentais para a administração de qualquer empresa. A tecnologia pode diferenciar as empresas em relação a seus con- correntes e, quanto mais avançada for, maior o diferencial competitivo e a independência em relação a fornecedores, por exemplo. Além de utilizada para a inovação de produtos, serviços e processos, a tecnologia é fundamental na pesquisa do ambiente externo, uma vez que sua evolução exerce impacto direto nas empresas, conforme Dornelas (2013). O conhecimento, além de valioso, é a base do recurso empreendedor. Ou seja, o conhecimento é um recurso que pode gerar vantagem competitiva sustentável às empresas e, por isso, deve ser constantemente atualizado, espe- cialmente em relação ao cenário e aos desafios atuais e futuros. Nesse sentido, além dos conhecimentos formais e daqueles adquiridos ao longo da vida, por meio das experiências, o empreendedor deve possuir o conhecimento sobre o mercado externo, pois geralmente é nesse mercado que estão as oportunidades que geram inovações mais radicais e novas entradas, segundo Hisrich, Peters e Shepherd (2013). 3Fontes de capital As novas entradas são vistas como uma das ações mais básicas do empreendedorismo e podem se apresentar como a oferta de um novo produto em um novo mercado ou em um mercado já existente, a oferta de um produto existente em um mercado novo ou a criação de uma nova empresa, de acordo com Hisrich, Peters e Shepherd (2013). O capital, por sua vez, é o recurso mais necessário a um empreendimento. Sem ele, nenhum negócio pode ser iniciado ou se sustentar. Na economia, o capital é definido como qualquer bem econômico utilizado na produção de outros bens e serviços, ao lado da terra e do trabalho. Para ser capital, segundo a Endeavor Brasil (2015a), os bens devem: ser utilizados na produção de outros bens; ser produzidos por humanos; não se esgotar imediatamente ao processo de produção, como ocorre com matérias-primas e bens intermediários (materiais utilizados na produção de produtos finais, ou seja, dos produtos que chegam ao consumidor). O capitalestá associado à riqueza financeira, ou seja, ao conjunto de recursos, valores e bens mobilizados (maquinários, edifícios, etc.) que com- põem um patrimônio, podendo assumir a forma de papel moeda, depósitos bancários, cheques, etc. Se você está se perguntando como os empreendedores podem ter acesso ao capital, saiba que essa é uma pergunta que eles também se fazem, uma vez que é por meio do capital ou da captação de recursos que eles podem realizar o sonho de ter uma empresa e fazê-la crescer e se desenvolver, conforme Endeavor Brasil (2014). Dentre as várias formas de o empreendedor ter acesso ao capital ou captar recursos, podemos destacar os créditos bancários, ou seja, os financiamentos. Muitas vezes, o empreendedor se depara com a falta de recursos para investir em tecnologia, para contratar um profissional que o ajude a alavancar o negócio, para investir no marketing da empresa, para investir em um novo produto ou serviço, entre outras ações. Dessa forma, o financiamento é uma opção que o empreendedor tem disponível para iniciar seu negócio ou para acelerar o crescimento de um negócio já existente. Fontes de capital4 Não podemos esquecer que hoje as empresas atuam em um cenário cada vez mais competitivo, com o aumento acelerado da concorrência e a exigência crescente dos consumidores, o que torna o mercado dinâmico, forçando as empresas a se adaptarem para enfrentar os desafios e acompanhar as mudanças. E, para isso, o empreendedor precisa ter disponíveis os recursos necessários para seu crescimento e sustentabilidade. Para saber mais sobre as fontes de captação de recursos, acesse o link ou código a seguir. https://goo.gl/erfbCQ Financiamento por endividamento e financiamento por capital próprio Ao pensar em captar recursos, o empreendedor deve tomar alguns cuidados, principalmente quando se trata de recursos fi nanceiros, pois esse é um pro- cesso lento e que requer atenção, cuidado e foco. O processo não é simples, e a prova disso é que muitas empresas, quando buscam esse tipo de recurso, não conseguem obtê-lo. Assim, é fundamental verifi car alguns aspectos antes de decidir, por exemplo, por um fi nanciamento. Segundo a Endeavor Brasil (2014), o empreendedor precisa se perguntar: Será a hora certa de buscar capital para o empreendimento, ou a em- presa consegue se manter com os recursos que possui, evitando riscos desnecessários e negociações desvantajosas? A empresa conhece bem o tamanho do mercado? Possui um produto atrativo e um plano de retorno de investimento claro? Quanto custa adquirir um cliente? A empresa possui condição de satisfazer as ne- cessidades e expectativas dos stakeholders? 5Fontes de capital Stakeholders: público que tem interesses na empresa e com o qual ela se relaciona, como clientes, acionistas, fornecedores (ENDEAVOR BRASIL, 2015b). Onde a empresa deve investir os recursos captados? Quais serão os impactos desses recursos na empresa? Se o empreendedor não obtiver respostas para tais perguntas, é sinal de que não está pronto para buscar recursos financeiros. A empresa conhece o montante que será distribuído na participação dos seus proprietários? Qual será a dívida da empresa para obter os recursos necessários e quanto pagará de juros? A obtenção de financiamento para a criação de um novo empreendimento é um dos maiores problemas do empreendedor. Existem dois tipos de financiamento disponíveis: o financiamento por endividamento e o financiamento por capital próprio. Vamos ver cada um deles? O financiamento por endividamento, também conhecido como financia- mento baseado em ativos, é um tipo de financiamento geralmente em forma de empréstimo, com juros, cujo pagamento está relacionado às vendas e aos lucros da empresa, mesmo que de forma indireta. Cabe destacar que, para a concessão desse financiamento, é exigido um ativo como garantia, como uma casa, um terreno, um automóvel, etc. Ou seja, algo de valor que possa cobrir o montante do empréstimo, caso o empreendedor não consiga cumprir com tal pagamento da forma como foi acertada com o banco. No financiamento por endividamento, o empreendedor deve pagar a quantia de recursos que tomou emprestado, acrescido de uma taxa de juros, e uma possível taxa adicional, chamada de pontos, cobrada para a obtenção e o uso do dinheiro. Esse financiamento pode ser de curto prazo ou de longo prazo, segundo Hisrich, Peters e Shepherd (2013). Fontes de capital6 Financiamento de curto prazo: quando falamos em curto prazo, estamos falando de um período de menos de um ano. Nesse caso, normalmente o dinheiro é obtido para gerar capital de giro para financiamento de estoque, contas a receber e demais operações da empresa. Os fundos são pagos com as vendas e os lucros obtidos pela empresa durante o ano. Financiamento de longo prazo: quando falamos em longo prazo, estamos falando em um período maior do que um ano. Esse tipo de financiamento é utilizado para a compra de ativos como um edifício, um terreno, máquinas, entre outros. Esse financiamento usualmente cobre de 50 a 80% do valor total dos ativos. Capital de giro: também chamado de ativo circulante, diz respeito aos valores que a empresa utiliza para custear e manter as despesas operacionais do dia a dia, tanto as que são fixas, referentes à estrutura da empresa, quanto àquelas que se referem aos gastos utilizados na produção e comercialização de bens ou na prestação de serviços. Trata-se, portanto, de uma reserva de recursos necessários, que são renovados rapidamente e são utilizados para atender às necessidades da gestão financeira ao longo do tempo, como contas a receber, estoque, caixa/bancos, conforme aponta a Endeavor Brasil (2017). Um aspecto que merece destaque é que, no financiamento por endivida- mento, quando as taxas de juros são baixas, o empreendedor pode reter uma parte maior da propriedade individual no negócio, obtendo um retorno maior sobre o patrimônio líquido. O termo endividamento pode remeter a algo negativo. No entanto, nem sempre ter dívidas é sinal de problema. Isso quer dizer que, se o endividamento for contraído visando ao crescimento e desenvolvimento da empresa, possibilitando um aumento no faturamento, podemos dizer que é um endividamento saudável (SERVIÇO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS, 2016). 7Fontes de capital No entanto, é preciso ter cuidado, pois, se a dívida for muito alta, além de dificultar ou inviabilizar o pagamento dos juros regulares, pode prejudicar o crescimento e o desenvolvimento do negócio, podendo levá-lo à falência. Nesse contexto, quanto maior for o grau de alavancagem (processo de utilização de dívidas para financiamento), maior é o risco que o empreendimento corre. Ou seja, quanto mais dívidas por ativos totais a empresa tiver, maiores serão os riscos, conforme Hisrich, Peters e Shepherd (2013). O financiamento por capital próprio, por sua vez, permite que o investidor, de alguma forma, tenha participação no negócio e não exige garantias, como na modalidade por endividamento. Assim, o investidor também possui parti- cipação nos lucros da empresa e nos ativos pertencentes a ela, de acordo com o percentual investido. Ou seja, o financiamento por capital próprio significa obter recursos para a empresa em troca de participação na propriedade. A escolha por um ou outro tipo de financiamento vai depender dos recursos e ativos de que a empresa dispõe, bem como da taxa de juros praticada por cada um deles. Cabe destacar que, geralmente, o empreendedor faz uso dos dois tipos de financiamento para suprir as necessidades de recursos financeiros. É certo que todo negócio deve contar com capital próprio, seja ele de pessoa física ou jurídica e que a quantidade de recurso de capital próprio envolvido vai depender do tipo e do tamanho do negócio, conforme apontam Hisrich, Peters e Shepherd (2013). O primeiro passo do empreendedor deve ser analisar as possíveis fontes de financia- mentoe se perguntar se estará disposto a contrair uma dívida, ou se vai usar recursos próprios, ou seja, se utilizará recursos do próprio negócio ou externos ao negócio. Dessa forma, ele precisa avaliar dívida × capital próprio e recursos internos × recursos externos, de acordo com Hisrich, Peters e Shepherd (2013). No entanto, existem casos em que o capital investido no negócio é totalmente do proprietário, por exemplo, um carrinho de sorvetes em um shopping, uma boutique pet, etc. Ou seja, em empreendimentos menores, o uso de capital próprio é mais comum. No caso de empreendimentos maiores, são necessários vários proprietários, incluindo investidores particulares e/ou investidores de risco. São os recursos de capital próprio que oferecem a base para os fundos Fontes de capital8 por endividamento, que formam a estrutura do capital do empreendimento, conforme Hisrich, Peters e Shepherd (2013). O financiamento pode ser a solução para o crescimento e o desenvolvimento de um negócio, ou pode ser sua ruína. Saber financiar o empreendimento é fundamental para não colocá-lo em risco e para honrar compromissos assumidos (SERVIÇO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS, 2016). Recursos internos e externos Um empreendimento pode contar também com fi nanciamento obtido por meio de recursos internos ou externos. Você deve estar se perguntando: o que são os recursos internos? Pois bem, os recursos internos são aqueles encontrados no interior da empresa, como os lucros, a venda de ativos, a prorrogação de prazos de pagamentos, as contas a receber e a redução do capital de giro. O lucro alcançado, por exemplo, em um empreendimento iniciante, deve ser reaplicado na própria empresa, pois todo empreendimento demora um tempo para gerar o retorno daquilo que foi investido, mesmo aqueles que utilizam os recursos externos. A venda de ativos pouco utilizados é outra fonte de recurso interno. Por exemplo, se a empresa possui um galpão fechado, este pode ser vendido. No entanto, é recomendável que, em vez de possuir ativos próprios, a empresa os alugue, ou utilize leasing com opção de compra. Claro que isso é indicado se estivermos em um cenário de inflação estabilizada e as condições de aluguel ou leasing forem favoráveis ao negócio. Outro aspecto que merece destaque é que, sempre que possível, as atividades devem ser terceirizadas, o que ajuda o empreendedor a reter recursos, prática especialmente importante na fase inicial de um empreendimento, conforme apontam Hisrich, Peters e Shepherd (2013). Outra fonte de recurso interno é a redução de ativos de curto prazo, que são os estoques, o caixa e outros elementos do capital de giro. O empreendedor pode conseguir isso prorrogando os prazos de pagamento aos fornecedores, por exemplo. Ou seja, para gerar capital para um período de 30 a 60 dias, o empreendedor negocia com os fornecedores a prorrogação dos prazos de 9Fontes de capital pagamento. É claro que isso deve ser feito dentro dos limites da boa relação com estes, uma vez que são fontes constantes de suprimentos necessários ao funcionamento do empreendimento. Dessa forma, ao negociar a extensão do prazo de pagamento, a empresa estará gerando recursos necessários de curto prazo, conforme explicam Hisrich, Peters e Shepherd (2013). Por fim, outra forma de gerar recursos internos é adiantar as contas a receber. No entanto, a maioria dos grandes negociadores adota como prática o pagamento de suas contas em 60 ou 90 dias, independentemente da política de contas a receber da empresa fornecedora, do tamanho da empresa ou do desconto oferecido no pagamento à vista. Ou seja, muitos clientes possuem uma prática de pagamento já determinada e não abrem mão disso, mesmo que o pagamento à vista gere alguma vantagem. Dessa forma, é preciso ter cuidado para não se indispor com eles. Se a empresa quiser continuar mantendo suas relações comerciais com grandes negociadores, terá que se adaptar ao seu cronograma e à forma de pagamento, de acordo com Hisrich, Peters e Shepherd (2013). Além de buscar recursos para a empesa em fontes internas, o empreendedor também pode buscá-los em fontes externas. Ou seja, após esgotar todas as fontes de recursos internos, o empreendedor talvez ainda tenha a necessidade de buscar recursos externos, por meio de financiamento, o que pode acontecer por meio de dívida ou de capital próprio. No entanto, antes de optar por qualquer um dos recursos externos dispo- níveis, o empreendedor precisa avaliar: Em quanto tempo esses recursos estarão liberados para uso? Quanto esses recursos vão custar? Quanto de controle a empresa perderá com a aquisição desses recursos? Hisrich, Peters e Shepherd (2013), Endeavor Brasil (2014) e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (2017) apontam as seguintes fontes de recursos externos, que devem ser avaliadas considerando-se os três aspectos apresentados acima: Recursos próprios: são chamados de patrimônio de sangue, cujas fontes mais comuns são a poupança, os seguros de vida ou as hipotecas de casa ou carro. Trata-se dos recursos com menores custos e que são fundamentais para atrair financiamento externo, principalmente quando se trata de bancos, investidores particulares e investidores de risco. Ou seja, são os fundos menos dispendiosos em termos de custo e controle. Fontes de capital10 Recursos da família e de amigos: é um tipo de recurso de acesso faci- litado, uma vez que são de pessoas próximas ao empreendedor e que o conhecem bem. No entanto, a obtenção desses recursos deve ser tratada da mesma forma que um financiamento vindo de um investidor desco- nhecido. Ou seja, os empréstimos devem especificar a taxa de juros e a forma como os recursos serão devolvidos ao investidor, incluindo o pagamento de juros e o montante principal. Recursos de bancos comerciais: são recursos de curto prazo e que envol- vem uma garantia. Ou seja, são concedidos em forma de financiamento por endividamento e exigem algum bem de valor como garantia, como terreno, maquinário, casa, carro, ações ou títulos do empreendedor ou do avalista e que possuam valor superior à quantia emprestada. Os empréstimos bancários se baseiam nos bens ou no fluxo de caixa do empreen- dimento. A base de ativos para empréstimos geralmente se constitui em contas a receber, estoque, equipamentos ou imóveis. Esses ativos são a base para a concessão de empréstimos bancários que visam a assegurar a devolução do montante emprestado, conforme Hisrich, Peters e Shepherd (2013). Recursos de investidores privados: também chamados de investidores- -anjos, que podem ser parentes, amigos ou pessoas com capital disponível para investir. Para isso, utiliza-se o serviço de consultores, contadores, técnicos especializados, planejadores financeiros ou advogados, para ajudá-los a decidir sobre onde investir. Recursos de sociedades limitadas para pesquisa e desenvolvimento: são indicados para empreendimentos na área de alta tecnologia e que envolvem um alto grau de risco e despesas significativas para a reali- zação da pesquisa básica e do desenvolvimento. Esses recursos vêm de investidores que buscam se proteger de impostos e que possuem uma empresa patrocinada que desenvolve a tecnologia. Recursos de programas de empréstimo e subsídios do governo: podem ser utilizados para lançar uma ideia inovadora que traga impactos positivos para a economia do país. Nesse sentido temos a dívida de fomento e a subvenção econômica. 11Fontes de capital Dívida de fomento: linha de crédito especial com prazo e burocracia muito maiores e mais rigorosos do que os praticados por bancos privados. No entanto, oferece várias opções com juros menores do que os praticados no mercado privado, uma vez que é parcialmente subsidiada pelo governo. Subvenção econômica: alocação de recursos do governo que visa a cobrir os déficits de inovação no mercado privado, com custos quase zero, para que empresasprivadas invistam em pesquisa e desenvolvimento (ENDEAVOR BRASIL, 2014). Recursos de capital de risco e de concessões particulares: são recursos obtidos junto a instituições financeiras que vendem participação na sociedade de empresas que vão crescer e que ainda não possuem seu capital aberto na bolsa de valores. São os recursos mais caros dentre os recursos externos, uma vez que a participação na sociedade que foi vendida pode ter uma alta valorização, mudando a dinâmica de controle da empresa e afetando a liberdade do empreendedor. Tal participação pode se dar de forma direta ou por meio de fundos de investiment Hisrich, Peters e Shepherd. O capital de risco pode ser de três tipos (BANCO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL, 2017): capital semente (seed capital), que são investimentos voltados a empresas pequenas, com perfil inovador e tecnológico; venture capital (séries A, B, C ou growth investments), que são voltados a micro, pequenas e médias empresas, novas ou já existentes e com grande potencial de crescimento; private equity, que são os investimentos voltados às grandes empresas já consolida- das no mercado e que faturam milhões de reais, na forma de fusões e aquisições de empresas. Fontes de capital12 Seja qual for a fonte externa de recursos escolhida pelo empreendedor, ele não deve jamais se esquecer de dar continuidade e atenção aos aspectos básicos do negócio. Vale destacar ainda que, sem crédito, nenhum negócio pode se desenvolver ou existir. Ou seja, o crédito é fundamental para em- preendimentos iniciais e já estabelecidos. No entanto, sua utilização deve ter caráter estratégico, não deixando que as dívidas se tornem um pesadelo, em vez de uma solução para as empresas. Por isso, qualquer tipo de crédito merece atenção especial do empreendedor. BANCO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL (BNDES). A impor- tância do capital de risco para inovação. 2017. Disponível em: . Acesso em: 26 nov. 2018. DORNELAS, J. C. A. Empreendedorismo: transformando ideias em negócios. Rio de Janeiro: Campos, 2001. DORNELAS, J. C. A. Empreendedorismo para visionários: desenvolvendo negócios ino- vadores para um mundo em transformação. Rio de Janeiro: LTC, 2013. ENDEAVOR BRASIL. Capital de giro: saiba como calcular e controlar. 2017. Disponível em: . Acesso em: 26 nov. 2018. ENDEAVOR BRASIL. Financie seu sonho: guia Endeavor de acesso a capital para empre- endedores. 2014. Disponível em: . Acesso em: 26 nov. 2018. ENDEAVOR BRASIL. Noções básicas sobre capital. 2015a. Disponível em: . Acesso em: 26 nov. 2018. ENDEAVOR BRASIL. Stakeholders: eles devem ser engajados com o seu negócio. 2015b. Disponível em: . Acesso em: 26 nov. 2018. HISRICH, R. D.; PETERS, M. P.; SHEPHERD, A. D. Empreendedorismo [recurso eletrônico]. 9. ed. Porto Alegre: AMGH, 2013. SERVIÇO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS (SEBRAE). Livre sua empresa do endividamento. São Paulo: SEBRAE–SP, 2016. 13Fontes de capital Leituras recomendadas ENDEAVOR BRASIL. Financie seu sonho: guia Endeavor de acesso a capital para empre- endedores. 2014. Disponível em: . Acesso em: 26 nov. 2018. SERVIÇO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS (SEBRAE). Cartilha do empreen- dedor. 3. ed. rev. e ampl. Salvador: SEBRAE–BA, 2009. Fontes de capital14 Conteúdo: DICA DO PROFESSOR Assista ao vídeo a seguir sobre as fontes de capital disponíveis para o empreendedor. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) Um dos problemas mais difíceis no processo de criação de um novo empreendimento é obter financiamento. Marque a alternativa que apresenta o que o empreendedor deve considerar ao analisar as possibilidades de financiamento: A) Dívida x capital próprio e recursos internos x recursos externos. B) Reputação do banco de onde tomará o empréstimo. C) Tipo de participação que o investidor deseja ter no negócio. D) Tipo de participação que familiares e amigos desejam ter no negócio. E) Retorno do investimento. 2) Marque a alternativa que apresenta as características de um financiamento por endividamento: A) Envolve a participação do investidor nos lucros da empresa. B) Não exige garantias do empreendedor. C) Envolve alguma participação do financiador no negócio. D) Envolve a venda de ativos. E) Método de financiamento que envolve um empréstimo com juros. 3) Marque a alternativa que apresenta somente as opções de financiamento com recursos internos: A) Lucros, venda de ativos e recursos próprios. B) Lucros, venda de ativos e redução no capital de giro. C) Lucros, venda de ativos e recursos de familiares. D) Lucros, venda de ativos e prorrogação nos prazos para receber os pagamentos dos clientes. E) Lucros, venda de ativos e aumento do estoque de mercadorias. 4) Marque a alternativa que apresenta as características da utilização de recursos pessoais no financiamento de um empreendimento: A) Os investidores desconfiam do empreendedor que utiliza recursos pessoais no empreendimento. B) Não atraem investimentos externos. C) São os fundos menos dispendiosos em termos de custo e controle. D) São fundos mais dispendiosos em termos de investimento, pois exigem um grande comprometimento do empreendedor. E) São fundos que exigem o respaldo de um investidor ou banco. 5) Marque a alternativa que apresenta as características da utilização de empréstimos bancários como fonte de financiamento: A) Baseiam-se nos bens ou no fluxo de caixa do empreendimento. B) Não necessitam de garantia tangível. C) Só é possível usar empréstimos bancários utilizando o estoque como garantia quando este traz dificuldade para ser vendido. D) Os equipamentos só podem ser utilizados como garantia em um empréstimo bancário quando o empréstimo for de curto prazo. E) Os imóveis não podem ser utilizados como garantia em um empréstimo bancário. NA PRÁTICA Conheça agora um exemplo de empreendimento que está crescendo no Brasil com a injeção de recursos vindos de investidores. Clique na peça abaixo, para ler a reportagem: Moovit recebe US$ 50 mi e pretende dobrar no Brasil na integra. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Onde buscar Recursos Financeiros para Alavancar o seu Negócio Todo empreendedor de alto impacto tem o sonho de tirar uma ideia ou projeto do papel e transformá-lo em algo grande. Mas, onde conseguir os recursos necessários para chegar lá? Acesse o link para ler mais. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Como financiar o meu negócio Como financiar o meu negócio, na qual a consultora da Aliança Empreendedora Lina Useche fala sobre as opções de financiamento disponíveis no mercado para financiar um negócio. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Inovação e Empreendedorismo Este livro tem o objetivo de reintegrar esses dois campos, unificando seu estudo e prática. O texto analisa e sintetiza as principais teorias e pesquisas sobre inovação e empreendedorismo e as aplica em contextos amplos e contemporâneos, leia a parte II do livro, capitúlos 5,6 e 7 a respeito de criatividade empreendedora. Empreendedorismo O livro Empreendedorismo desvenda o processo de formular, planejar e implementar um novo negócio. Estudos de caso acompanham os conceitos apresentados em cada capítulo e fornecem exemplos aprofundados de muitos tipos de empresas empreendedoras, leia a parte I dolivro, capítulos 1,2 e 3. Acessando recursos para o crescimento em fontes externas APRESENTAÇÃO Muito além da boa administração dos próprios recursos, os empreendedores podem usar os recursos (financeiros, conhecimento, etc.) alheios para ajudar o negócio a crescer. Isso é possibilitado por joint ventures, aquisições e fusões. Nesta Unidade de Aprendizagem, serão abordados esses modos de crescimento e também a franquia, que é uma forma de o empreendedor expandir sua empresa fazendo outras pessoas pagarem pelo uso do nome, processo, produto, serviço, etc. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Reconhecer as principais estratégias de crescimento com base em recursos de fontes externas ao negócio; • Explicar como joint ventures joint ventures ajudam um empreendedor a expandir sua empresa; • Listar os prós e os contras do uso de aquisições, fusões e franquias para expandir uma empresa. • DESAFIO Letícia sempre gostou de cozinhar desde a adolescência e, ao longo de sua vida, fez diversos cursos de culinária no Brasil e no exterior, inclusive durante o curso de Administração e durante o seu mestrado. O que começou como um hobby se tornou um negócio bastante promissor. Há 10 anos atrás, aos 30 anos, ela trabalhava como professora universitária quando começou a fazer bolos de festas para os amigos. Os bolos que fazia eram diferenciados, pois eram bonitos e saborosos, algo que não era muito comum, pois geralmente os bolos eram muito bonitos, mas não tinham sabor, ou o contrário. Ela foi se aperfeiçoando, contratou ajudantes e após 2 anos fazendo bolos de forma improvisada, abriu a sua primeira loja de bolos. Coincidiu com a moda dos cupcakes, os bolinhos decorados que faziam sucesso nas festas. Ela fez cursos no segmento de bolos, especialmente os cupcakes, fez um MBA em Gestão de Estabelecimentos Gastronômicos, e passou a oferecer cupcakes também. Em seguida veio a moda dos naked cakes, os bolos sem cobertura, apenas com o recheio, e Letícia rapidamente passou a oferecer o produto, que fez o maior sucesso. Letícia tinha muito cuidado na escolha dos ingredientes para seus bolos, pois para ela a qualidade dos produtos que oferecia era fundamental. Ela já tinha identificado fornecedores que ofereciam insumos de qualidade e já tinha estabelecido uma boa relação comercial com eles. Também já tinha um sistema de vendas e entregas dos bolos muito bem planejado. Ela possuía cinco lojas na cidade em diferentes bairros, frequentados por um público das classes A e B. Todas as lojas possuíam exatamente a mesma identidade visual e a mesma decoração, que reproduzia uma casa de chá inglês. Como Letícia tinha amigos em outras cidades e estados do país, dois deles, ao perceberem o sucesso do negócio de Letícia, propuseram que ela abrisse uma franquia da loja e que eles fossem seus franqueados. Letícia, então, passou a analisar esta possibilidade como uma forma interessante de expandir seu negócio. Responda de forma sucinta a pergunta abaixo: Quais são as vantagens de expandir um negócio por meio do estabelecimento de franquias? INFOGRÁFICO O infográfico a seguir apresenta as estratégias de crescimento que um empreendedor pode optar ao utilizar recursos externos como fonte. Veja: CONTEÚDO DO LIVRO Muito além da boa administração dos próprios recursos, os empreendedores podem usar os recursos (financeiros, conhecimento, etc.) alheios para ajudar o negócio a crescer. Isso é possibilitado por joint ventures, aquisições e fusões. Com o aumento dos riscos empresariais, da superconcorrência e das falências, as joint ventures têm ocorrido com mais regularidade e frequentemente envolvem uma ampla variedade de participantes. Uma joint venture é uma entidade separada que envolve a parceria entre dois ou mais participantes ativos. Às vezes chamadas alianças estratégicas, as joint ventures envolvem diversos parceiros, inclusive universidades, organizações sem fins lucrativos, empresas e o setor público. Outro modo de um empreendedor expandir o seu negócio é pela aquisição de um negócio existente. As aquisições oferecem uma excelente forma de expandir um negócio por meio da entrada em novos mercados ou em novas áreas de produtos. A aquisição é a compra de toda uma empresa ou de parte dela. Outra alternativa de crescimento dos negócios é a franquia, que é definida como um acordo em que o fabricante ou único distribuidor de um produto ou serviço de marca registrada concede direitos exclusivos de distribuição local para lojistas independentes em troca do pagamento de royalties e em conformidade com procedimentos operacionais padronizados. A pessoa que oferece a franquia é conhecida como franqueador. O franqueado é a pessoa que compra a franquia e tem a oportunidade de ingressar em um novo negócio com maior chance de sucesso do que começando um empreendimento desde o início. Há vantagens e desvantagens da franquia para o franqueado e para o franqueador. Acompanhe um trecho da obra Empreendedorismo. Inicie sua leitura no tópico "Acessando Recursos para o Crescimento em Fontes Externas". EMPREENDEDORISMO Ligia Maria Fonseca Acessando recursos para o crescimento em fontes externas Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Reconhecer as principais estratégias de crescimento com base em recursos de fontes externas ao negócio. Explicar como joint ventures ajudam um empreendedor a expandir sua empresa. Listar os prós e os contras do uso de aquisições, fusões e franquias para expandir uma empresa. Introdução Abrir uma empresa, ser o próprio patrão e ser bem-sucedido na escolha do negócio são sonhos para muitas pessoas. Todos que iniciam um negócio carregam consigo planos, desejos e ambições. No entanto, a realidade pode ser muito diferente desses sonhos, se o empreendedor não tomar os cuidados necessários para iniciar e manter seu negócio. No cenário atual, são vários os desafios a serem enfrentados pelos empreendedores: o aumento da concorrência, novas regras a serem seguidas e as exigências dos consumidores, cada vez mais dinâmicas. Nesse sentido, para acompanhar as mudanças que vêm ocorrendo no mercado o empreendedor precisa ter disponíveis os recursos necessários para seu crescimento e sustentabilidade. Neste capítulo você vai conhecer algumas estratégias de crescimento com base em recursos de fontes externas; o conceito de joint ventures e de aquisições, fusões e franquias. Estratégias de crescimento e fontes externas ao negócio Empreender signifi ca produzir novas ideias por meio da imaginação e da criatividade; é ver aquilo que ninguém vê; é sair na frente dos outros e da zona de conforto. Empreender é realizar sonhos, é transforma-los em realidade e em oportunidades, gerando valor para si e para a sociedade. Você é um empreendedor ou conhece alguém com essas características? O olhar do empreendedor está constantemente voltado para o futuro e seu pensamento está na inovação, na criação de algo novo que traga melhorias para a vida das pessoas, com soluções criativas e sustentáveis, sem medo de correr riscos. Um empreendedor também consegue trazer inovação a algo que já existe, dando-lhe nova funcionalidade (DORNELAS, 2013). Características do empreendedor: desejo de auto realização, de assumir riscos e res- ponsabilidades, de conquistar independência. Normalmente é criativo, autocrítico, controlado, determinado, organizado, possui facilidade de liderar pessoas e de conhecer tecnicamente etapas e processos (DORNELAS 2013). Como resultado de atividades e ações empreendedoras espera-se a geração de valor e a transformação do ambiente que nos cerca. Assim, podemos dizer que os empreendedores além de impulsionarem o desenvolvimento econômico, transformam o mundo. Entretanto, para ser um empreendedor de sucesso, é necessário,além de buscar constantemente novas e boas oportunidades, buscar informações e conhecimentos para o êxito do negócio. O conhecimento é um recurso valioso para o empreendedor. Não só aquele que ele adquiriu ao longo do tempo e por meio da experiência individual e coletiva com os gerentes e funcionários, mas também, o conhecimento vindo de fontes externas à empresa, geralmente aqueles que contribuem para inova- ções mais radicais. Cabe destacar que, para a geração de novas entradas, os conhecimentos mais importantes são os relacionados ao mercado e à tecnologia (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2014): Conhecimento do mercado: referente a informações sobre tecnologia, know-how e competência do mercado e de clientes. Conhecer o mercado Acessando recursos para o crescimento em fontes externas2 e os clientes permite uma análise profunda sobre os problemas e as oportunidades, essenciais ao empreendedor. Conhecimento tecnológico: fundamental na geração de novas oportu- nidades de negócio, também relacionado à informações, tecnologia, know-how e competência que permitem ao empreendedor analisar meios para a criação de novos conhecimentos. Dessa forma, o conhecimento é um recurso que pode gerar vantagem competitiva sustentável às empresas e deve ser constantemente atualizado, principalmente em relação ao cenário e aos desafios presentes e futuros. O empreendedorismo, apesar de não ser algo novo, ganhou maior destaque aqui no Brasil, a partir dos anos 1990, impulsionado pela abertura da economia, decorrente da globalização; pelo aumento do desemprego e pela popularização da internet (DORNELAS 2013). Os recursos são elementos básicos para o bom funcionamento e desempenho de uma empresa. Além do conhecimento, podemos dizer que os demais recur- sos são aqueles relacionados à produção de bens ou serviços, como maquinas e equipamentos, e os que ajudam a empresa a crescer, como funcionários capacitados e competentes e os recursos financeiros. É a combinação desses recursos que permitirá à empresa atingir um desempenho superior. Cabe destacar que os recursos devem ser valiosos, raros e inimitáveis. São valiosos quando permitem à empresa buscar oportunidades, neutralizando ameaças e oferecendo produtos e serviços que os clientes valorizam. São raros quando poucos ou nenhum concorrente os possuem. E são inimitáveis quando sua imitação é difícil e/ou dispendiosa para a concorrência (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2014). O cenário atual, com mudanças na sociedade e no mundo ocorrendo ra- pidamente; com o mercado cada vez mais competitivo; com inovações quase que diárias; com produtos e serviços se tornando obsoletos com maior rapidez; e com consumidores cada vez mais exigentes e descartando o que não lhes interessa mais, em uma velocidade nunca antes vista, tem levado os empre- endedores a buscar meios para crescer e acompanhar a evolução do mercado, recorrendo muitas vezes a recursos em fontes externas (DORNELAS, 2013). 3Acessando recursos para o crescimento em fontes externas É importante ter em mente que captar recursos, mais precisamente os financeiros, exige alguns cuidados, pois trata-se de um processo demorado, que exige atenção, cuidado e foco. Cabe destacar que muitas empresas que buscam esse tipo de recurso, não conseguem. Dessa forma, antes de tomar essa decisão, é importante verificar alguns aspectos (ENDEAVOR, 2014): Até onde a empresa pode caminhar com os recursos que possui, evi- tando correr riscos desnecessários e entrar em negociações desvan- tajosas? Quando é a hora certa de buscar recursos externos para o empreendimento? A empresa tem um produto? Possui conhecimento sobre seu tamanho no mercado? Possui um plano de retorno de investimento claro? Conhece o custo de aquisição de clientes? Desconhecer essas informações pode trazer problemas à empresa, como não satisfazer as expectativas dos stakeholders. A empresa está certa de onde investirá os recursos captados? Para cres- cer, a empresa investirá em tecnologia, em marketing ou em pessoal? A empresa possui conhecimento sobre como tais recursos podem impactar no negócio? Caso não saiba responder a essas questões a empresa ainda não está pronta para captar recursos externos. A empresa possui conhecimento sobre: o montante que será diluído na participação dos seus proprietários? Quanto terá que se endividar para obter os recursos externos? Quanto pagará de juros? É importante que a empresa conheça as várias fontes externas de captação de recursos e os custos de cada uma, para pode escolher. Seja qual for a fonte de captação de recursos financeiros escolhida, todas precisam ser estudadas, pois todos os processos que as envolvem não são fáceis (ENDEAVOR, 2014). Dentre as principais fontes de acesso a capital destacam-se o capital de risco, as dívidas bancárias, as dívidas de fomento e a subvenção econômica (ENDEAVOR, 2014). O capital de risco refere-se a instituições financeiras que ajudam as em- presas a crescerem, vendendo participação na sociedade de empresas que irão crescer e que ainda não possuem seu capital aberto na bolsa de valores. Essa Acessando recursos para o crescimento em fontes externas4 participação pode se dar diretamente ou por meio de fundos de investimento. Existem três classificações do capital de risco (BRASIL, 2017): Capital semente (seed capital): investimentos voltados a empresas pequenas, que estão iniciando e cujo perfil é inovador e tecnológico. Venture capital (séries A, B, C ou growth investments): investimentos voltados a micro, pequenas e médias empresas, novas ou em operação, com grande potencial de crescimento. Private equity: investimentos voltados a grandes empresas, já consoli- dadas no mercado e que faturam milhões de reais. Nessa modalidade os investimentos ocorrem normalmente por meio de fusões e aquisições das empresas. Dentre as opções de recursos externos o capital de risco é o que possui maior custo, uma vez que a participação na sociedade, que foi vendida, pode vir a sofrer alta valorização, acarretando mudanças na dinâmica de controle da empresa, o que pode afetar a liberdade do empreendedor. Empresas inovadoras e com base tecnológica são importantes para o crescimento econômico e a competitividade internacional de um país. Por isso, é fundamental que se encontrem meios de garantir o capital que elas necessitam. Nesse contexto, o principal desafio está em atrair investimentos em projetos e empreendimentos com alto grau de risco e incerteza (BRASIL, 2017). A dívida bancária é outra forma de captação de recursos e uma das mais conhecidas. Nesse caso, o banco concede um empréstimo à empresa, que deverá pagá-lo em várias parcelas, com juros. Mas antes disso, a empresa passa por uma análise criteriosa do banco para identificação de seu potencial para arcar com a dívida que pretende contrair. São várias as linhas de crédito voltadas para empresas em crescimento e que requerem das empresas garantias patrimoniais e de fluxo de caixa, que são concedidas com base nos números do negócio (ENDEAVOR, 2014). Assim, a dívida bancária é uma boa opção para empresas que possuem potencial de crescimento e condições de pagar juros. Cabe destacar que, ainda 5Acessando recursos para o crescimento em fontes externas assim, a construção de linhas de crédito para essas empresas pode levar anos para serem construídas com um banco. É interessante para a empresa, ao optar pela obtenção de recursos por meio da dívida bancária, ter a certeza de que seu crescimento é mais rápido do que os juros que terá que pagar. Um aspecto que deve ser considerado também, ao optar por essa modalidade, é que quanto maior forem as garantias oferecidas ao banco, menores serão os juros cobrados por ele. A dívida de fomento, por sua vez, apesar de ser parecida com a dívida bancária, possui prazo e burocracia muito maiores e rigorosos do que os praticados por bancos privados. Essa é uma linha de crédito especial, cujoobjetivo é alavancar o desenvolvimento de empresas com grande potencial para gerar impactos positivos na economia do país. Apesar do rigor do pro- cesso para liberação do capital, a modalidade oferece várias opções com juros menores que os praticados no mercado privado, uma vez que são parcialmente subsidiadas pelo governo (ENDEAVOR, 2014). São exemplos de linhas de dívida de fomento: o Centro de Inovação, Empreendedo- rismo e Tecnologia (CIETEC), entidade gestora da Incubadora de Empresas de Base Tecnológica de São Paulo USP, e o CRIATEC, fundo de investimento de capital semente, voltado à aplicação de investimentos em empresas inovadoras e em estágio inicial (ENDEAVOR, 2014). A subvenção econômica refere-se à alocação de recursos do governo cuja finalidade é cobrir os déficits de inovação no mercado privado. Em outras palavras, o governo oferece recursos com custos quase zero, para que empresas privadas invistam em pesquisa e desenvolvimento. Esse é um instrumento político do governo muito utilizado em países desenvolvidos, sempre respei- tando as normas da Organização Mundial do Comércio. No Brasil teve início em 2006 e ainda hoje segue o formato de editais. Cabe destacar que se trata de um processo altamente burocrático, acompanhado de perto pelo governo, mas sem exigência de grandes garantias e com custo de capital muito baixo (ENDEAVOR, 2014). Acessando recursos para o crescimento em fontes externas6 Toda empresa é única e cada tipo de fonte de recurso possui suas especificidades. É necessário, então, conhecer as características e limites de cada um para escolher aquele que melhor se adapta à empresa e suas condições (ENDEAVOR, 2014). Joint ventures Você já sabe que o empreendedor vive constantemente em busca de oportuni- dades, e que essas se apresentam muitas vezes como fonte de incerteza. Criar novas empresas, ou fazer as já existentes crescerem, envolve esforço, dedicação e risco, ou seja, exige que o empreendedor assuma a responsabilidade e os riscos dessas ações, principalmente se a intenção for expandir os negócios para o mercado internacional. Dessa forma, empreender signifi ca agir diante de uma oportunidade com potencial para ser trabalhada. O cenário atual, marcado pelo aumento da concorrência, falências e riscos, tem levado muitas empresas a recorrer com mais frequência às joint ventures. Você sabe o significado de joint venture? A expressão é de origem inglesa e basicamente significa a associação de duas ou mais empresas, que já existem no mercado, com a finalidade de explorar um novo mercado em conjunto. São chamadas também de alianças estratégicas, com a participação de diversos parceiros, incluindo universidades, organizações sem fins lucrativos, empresas privadas e o setor público. Cabe destacar que as joint ventures vêm sendo utilizadas há muito tempo pelas empresas, como instrumento de crescimento e de entrada para o mer- cado mundial e que, apesar da possibilidade de existir vários acordos de joint venture, o mais comum ainda é o que acontece entre duas ou mais empresas do setor privado. 7Acessando recursos para o crescimento em fontes externas Empresas como a General Motors e a Toyota, a General Eletric e a Westinghouse, grandes rivais, recorreram a joint ventures para ingressar no mercado internacional (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2014). Dá para imaginar a complexidade que envolve esse negócio? Pense que são duas ou mais empresas com características e culturas diferentes que irão se unir em busca de um objetivo comum, o lucro. A complexidade e as diferenças entre elas exigem que o negócio seja muito bem elaborado, contribuindo para o crescimento das empresas envolvidas. Dessa forma, elas precisam estar em sintonia e dialogar, como em um relacionamento, pois apesar do sucesso da maioria dos joint ventures realizadas, problemas existem, e nem todas são bem-sucedidas (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2014; EDEAVOR, 2014). Isso justifica a necessidade de o empreendedor avaliar esse método de crescimento com muito cuidado antes de decidir, buscando entender quais são os fatores que podem lhe ajudar a garantir o sucesso do negócio e a iden- tificar os problemas relacionados a esse processo. Veja os fatores essenciais para o sucesso das joint ventures (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2014; EDEAVOR, 2014): A avaliação minuciosa das partes envolvidas: permite identificar a me- lhor forma de administrar a nova empresa. Obviamente, a joint venture será mais eficaz se os administradores trabalharem bem em conjunto. A “química” entre eles é importante, pois, do contrário, há chances de a joint venture apresentar dificuldades e não dar certo. O grau de harmonia entre os parceiros: os administradores de cada empresa e da empresa nova devem compartilhar dos mesmos objetivos e empreender esforços e recursos no mesmo nível. Nesse caso, um empreender mais que os outros é problema na certa. Expectativas em relação aos resultados da joint venture: devem ser realistas e razoáveis. Não é prudente que os parceiros acreditem que a joint venture seja a solução para todos os problemas da empresa. Exatidão no senso de oportunidade: é preciso verificar se a joint venture realmente funcionará como uma oportunidade de crescimento e de ingresso a novos mercados. É preciso avaliar os riscos envolvidos na Acessando recursos para o crescimento em fontes externas8 formação de uma joint venture, principalmente em ambientes mutáveis, hostis e com riscos crescentes. A joint venture é uma estratégia de crescimento e uma das várias opções disponíveis para que as empresas complementem seus recursos e reajam de forma rápida aos desafios competitivos e às oportunidades de mercado. Para saber mais sobre os riscos de uma joint venture, acesse o link a seguir. https://goo.gl/xsbLun Aquisições, fusões e franquias: prós e contras Outras formas estratégicas de crescimento que podem ser utilizadas pelas empresas são as aquisições, fusões e franquias. As aquisições são consideradas um excelente instrumento de expansão do negócio, uma vez que possibilitam às empresas entrar em novos mercados ou em novas áreas de produtos. A aquisição significa a compra de uma empresa em sua totalidade ou parte dela. Assim, a empresa passa a não existir mais de modo independente uma vez que foi completamente absorvida por outra empresa. Cabe destacar que a aquisição pode acontecer de várias formas, mas, isso depende do tipo de empresa, das metas estabelecidas, da quantidade de capital investido, etc. Outro ponto a ser destacado é que o mais importante nesse acordo é a sua estrutura e nem tanto o valor monetário envolvido, isto é, apesar de o preço da negociação ser relevante, o que determinará o sucesso da aquisição é o acordo de funcionamento da nova aquisição. É fundamental, por exemplo, que o empreendedor garanta que a empresa e o novo empreendimento estejam em equilíbrio, que a empresa se adapte à direção e às estruturas gerais do plano estratégico do atual empreendimento. 9Acessando recursos para o crescimento em fontes externas Veja algumas vantagens de uma aquisição para o empreendedor (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2014): Empresa constituída: essa talvez seja a vantagem mais significativa na aquisição de uma empresa, pois, ela já está formada, possui história e uma imagem consolidada. Mais vantajoso ainda será se ela for lucrativa, pois o trabalho do empreendedor será dar continuidade à estratégia adotada, mantendo ou aumentando o sucesso, om base nos clientes já existentes. Localização estabelecida: o que não exige que os cientes se familiarizem com novo local. Estrutura de marketing definida: com toda a estrutura de vendas e distri- buição; cartela de fornecedores, atacadistas, varejistas e representantes industriais conhecidos, o trabalho do empreendedor é aproveitá-la e manter o foco na melhoria e expansão da empresa adquirida. O custo: é uma vantagem quando o custo real da aquisiçãoé menor que o custo de outras opções de crescimento. Funcionários: esses são os principais e mais valiosos ativos de uma empresa, no processo de aquisição. São eles que fazem o negócio fun- cionar e levam a empresa ao sucesso, uma vez que conhecem todos os processos, clientes, fornecedores e distribuidores que trabalham também junto quando a empresa for assumida pelo novo proprietário. Por dispor de todas essas bases já consolidadas e não ter a preocupação de construí-las, o empreendedor tem mais tempo para se dedicar à avaliação de oportunidades de crescimento ou de fortalecimento da atual empresa. Apesar de tantas vantagens, esse negócio também apresenta algumas desvantagens: Histórico marginal de sucesso: a empresa pode apresentar um histórico inverídico quanto a seu desempenho. Por isso é fundamental avaliar minuciosamente seu histórico e seu potencial de crescimento para o futuro. Existem aspectos que podem ser renovados sem grandes custos ou esforço. Outros, porém, se muito dispendiosos, não valem a pena e, nesse caso, é melhor recorrer a outra fonte de recursos para a expansão. Excesso de confiança: imaginar que o sucesso pode ser alcançado onde outros fracassaram e confiar em excesso na capacidade de superar as diferenças culturais existentes entre a empresa atual e a que está sendo adquirida pode ser um risco, pois mesmo que o empreendedor possua ideias novas e qualidade administrativa, o novo empreendimento pode Acessando recursos para o crescimento em fontes externas10 não ter sucesso, devido à existência de aspectos impossíveis de serem corrigidos. Perda de funcionários: normalmente em uma aquisição, muitos fun- cionários deixam a empresa quando esta passa a ser comandada por outros. Essa perda pode ser avassaladora para o empreendedor, uma vez que, com a saída desses funcionários, a empresa perde, dentre outras coisas, conhecimento e expertise. Por isso é importante que o empreendedor converse com os funcionários-chave, informando a eles suas intenções, sua importância para o negócio e os incentivos que lhes serão concedidos, visando garantir sua permanência na empresa. Supervalorização: é importante que o empreendedor avalie o investi- mento que será necessário para a aquisição da empresa; o potencial de lucro e o prazo do retorno desse investimento. Muitas vezes o valor de compra é alto e não justifica o investimento. É preciso pesar os prós e os contras e chegar a um preço justo para a negociação. Como você viu, apesar das muitas vantagens, as aquisições apresentam desvantagens também e ambas devem ser avaliadas cuidadosamente em relação a outras opções de crescimento. A fusão é outro meio para expandir um empreendimento. É um negócio que envolve duas ou mais empresas das quais, apenas uma sobrevive e cuja preocupação principal é a legalidade da compra. A opção pela fusão pode ser motivada pela necessidade de sobrevivência de uma empresa, quando esta se encontra limitada tecnicamente e vem perdendo mercado e capital; para protegê-la de infrações, de inovações de produtos ou de uma aquisição sem garantias; para diversificar sua atuação e promover seu crescimento em relação ao mercado, à tecnologia, administração e capital. A fusão exige do empreendedor, planejamento e avaliação criteriosa das empresas envolvidas com o intuito de verificar se os pontos fracos de ambas são semelhantes e se o modelo de administração adotado é capaz de promover o desenvolvimento e o sucesso da empresa formada. Cabe destacar que os objetivos da fusão devem estar claros, principalmente em relação ao lucro; os ganhos de cada proprietário devem ser explicados de forma detalhada, bem como a determinação do valor e a adequação dos recursos disponíveis. Outro aspecto importante é a criação de um clima de confiança entre as partes, pois isso minimiza os riscos de conflitos administrativos. 11Acessando recursos para o crescimento em fontes externas Para optar pela fusão como uma opção estratégica o empreendedor deve avaliar, dentre outras coisas, os benefícios e custos da fusão, os problemas relacionados à contabilidade, às leis, aos tributos e à complexidade que envolve a integração de toda uma empresa em suas operações atuais (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2014). As fusões podem acontecer de cinco formas diferentes: Fusão horizontal: união de duas (ou mais) empresas que produzem um ou mais produtos do mesmo tipo ou de produtos relacionados à mesma região geográfica. Tem como intuito a economia de escala da produção, logística, marketing e comercialização dos produtos. Fusão de ampliação de mercado: similar à fusão horizontal, mas na situação em que os produtos do mesmo tipo são vendidos em merca- dos geográficos diferentes. Busca-se combinar economicamente as capacidades e competências administrativas, de produção e marketing das empresas. Fusão vertical: união de duas (ou mais) empresas que atuam em pontos diferentes de uma cadeia de suprimentos, tendo entre elas a relação cliente–fornecedor. Visa estabilizar e dar robustez à cadeia, propiciando melhor controle das interfaces nas relações de fornecimento. Fusão de extensão de produtos: caracteriza-se pelo fato de que as empre- sas envolvidas atuam na produção e/ou distribuição e comercialização de produtos que não são concorrentes. Fusão de atividades diversificadas: fusão de empresas não relacionadas, como alternativa de investimento e utilização, assim como excedentes de caixa. As fusões são uma opção estratégica interessante para um empreendedor quando existe sinergia, responsável por fazer com que duas empresas tenham mais valor juntas do que separadas. As fusões alavancam o processo de cresci- mento da empresa, independente do setor em que esta atua, a nível nacional e internacional, e trabalham para conquistar uma fatia maior do mercado, mais clientes ou consumidores (MARTA FILHO et al., 2016). Acessando recursos para o crescimento em fontes externas12 São vantagens da fusão: ganhos com economia de escala e outras formas de sinergia; crescimento da empresa em prazo mais curto e com custos redu- zidos; implantação de nova linha de produtos em menor tempo e com menores riscos; aumento do poder de mercado frente aos clientes, distribuidores e fornecedores; eliminação de potenciais concorrentes e de barreiras para entrar em novos mercados. A fusão proporciona um ganho de mercado, o aumento da produção e valorização da marca, fortalecendo a empresa em relação à concorrência (MARTELANC; PASSIN; PEREIRA, 2010). Economia de escala: acontece quando o custo médio de produção fica mais barato conforme o volume de produção aumenta (SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS, 2015). Em relação às desvantagens da fusão podemos destacar a alocação malfeita de capital; o alto investimento requerido; a lentidão e a burocracia, caracte- rísticas de empresas muito grandes; a elevação do preço dos produtos aos consumidores; a perda de produtividade por falta de comprometimento de funcionários que não conseguem assimilar a ideia da fusão, etc. Exemplos de fusões de sucesso: Unibanco com o Itaú; Rede Insinuante com a Ricardo Eletros; Sadia e Perdigão (MARTA FILHO et al., 2016). A franquia, por sua vez, é um acordo firmado entre o franqueador, que pode ser um fabricante ou um único distribuidor de um produto ou serviço, e os franqueados, lojistas independentes. O franqueador possui uma marca registrada e cede ao franqueado os direitos exclusivos de distribuição local de seu produto ou serviço, de acordo com procedimentos padronizados de operação e em troca do pagamento de royalties. Assim, o franqueado tem a oportunidade de ingressar em um novo mercado com maiores chances 13Acessando recursos para o crescimento em fontes externas de sucesso do que se fosse iniciar um empreendimento do zero (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2014). Existem vários tipos de franquias e o empreendedor pode optar por aquela que melhoro intuito de criar uma cadeia de ideias que permitam chegar a criação de um novo produto. Método de anotações coletivas: consiste na distribuição de pequenos cadernos de bolso que trazem, além de páginas em branco, a afirma- ção do problema e dados históricos sobre ele. Assim, os participantes registram as possíveis soluções para o problema, de preferência três vezes ao dia. Depois de uma semana, as melhores ideias são listadas juntamente com as sugestões. Análise de parâmetros: método que envolve a identificação de parâme- tros e a síntese criativa. O primeiro passo é identificar os parâmetros e consiste na análise das variáveis da situação, determinando sua impor- tância relativa. Identificadas as principais questões, o próximo passo é verificar as relações existentes entre os parâmetros identificados, para desenvolver uma ou mais soluções, processo chamado de síntese criativa (Figura 2). Figura 2. Análise de parâmetros – processo de invenção. Fonte: Hisrich, Peters e Shepherd (2014, p. 82). Cabe lembrar que todas as ideias geradas, independentemente do método utilizado, devem ser recolhidas e organizadas por tópicos e categorias, combi- nando as ideias semelhantes e selecionando as melhores para serem analisadas, 11Criatividade e a ideia da empresa aperfeiçoadas e aproveitadas, por meio de um processo de planejamento e desenvolvimento. Outro ponto que merece atenção é a seleção das ideias, processo mais sistemático e que exige maior disciplina e rigor em relação aos procedimentos de geração de ideias. A finalidade é identificar, dentre as diversas ideias geradas, aquelas com maior potencial de desenvolvimento. Essas, passam pelas etapas de conceituação, desenvolvimento do produto, teste de mercado e, posteriormente, a comercialização (BAXTER, 2008; HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2014). BAXTER, M. Projeto de produto: guia prático para o design de novos produtos. São Paulo: Edgard Blucher, 2008. BRITO, A. M. B.; PEREIRA, P. S.; LINARD, A. P. Empreendedorismo. Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará – IFCE, 2013. v. 1. DORNELAS, J. Empreendedorismo para Visionários: desenvolvendo negócios inovadores para um mundo em transformação. Rio de Janeiro: LTC, 2013. HISRICH, R. D.; PETERS, M. P.; SHEPHERD, D. Empreendedorismo. 9. ed. Porto Alegre: AMGH, 2014. MATTAR, F.; SANTOS, D. Gerência de produtos: como tornar seu produto um sucesso. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2003. SANTOS, C. A. (Coord.). Pequenos negócios: desafios e perspectivas: inovação. Brasília: SEBRAE, 2012. v. 3. SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS (SEBRAE). Caderno tendências: tendências para novos negócios 2018/2019. Curitiba: Sebrae, PR. 2018. Leituras recomendadas BARBIERE, J. C.; ÁLVARES, A. C. T.; CAJAZEIRA, J. E. R. Gestão de ideias para inovação contínua. Porto Alegre: Bookman, 2008. OECH, R. V. Um chute na rotina: os quatro papéis essenciais no processo criativo. São Paulo: Cultura, 1998. OECH, R. V. Um toc na cuca: técnicas para quem quer ter mais criatividade na vida. São Paulo: Cultura, 1988. SOLEDADE, S. Gestão e empreendedorismo: módulo 1: gestão empresarial. São Paulo: APRO, 2015. (Guia audiovisual: programa de capacitação de empres Brito, Andréia Matos). Criatividade e a ideia da empresa12 DICA DO PROFESSOR Assista ao vídeo a seguir sobre a criatividade e a ideia da empresa. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) As tendências muitas vezes representam as melhores oportunidades para iniciar um novo empreendimento, especialmente quando o empreendedor pode estar presente no princípio de uma tendência duradoura. De acordo com a obra Empreendedorismo, de Robert Hisrich, Michael Peters e Dean Shepherd, que serve de texto-base para esta Unidade de Aprendizagem, observe as afirmações a seguir e marque a alternativa correta: I. A tendência de orientação orgânica está aumentando significativamente, com força especial no setor agropecuário e alimentício. II. A tendência econômica tende a se preocupar com o meio ambiente, considerando- o como o mais urgente entre os consumidores, pequenas empresas e residências, representando desta forma um mercado potencial gigantesco. III. A tendência social está evidente em todo o mundo, com cada vez mais eventos e oportunidades de networking acontecendo frequentemente. IV. O impacto da crise do crédito, das falências bancárias, da queda dos preços dos imóveis e da execução de hipotecas forçou os consumidores a tomarem mais cuidado com os seus gastos. V. A tendência social está relacionada aos consumidores, que estão cada vez mais dispostos a pagar mais por produtos e serviços de empresas que seguem esta tendência. A) Somente as alternativas I, II e III estão corretas. B) Somente as alternativas I, III e IV estão corretas. C) Somente as alternativas I, III e V estão incorretas. D) Somente as alternativas I, II e V estão incorretas. E) Somente as alternativas, I, II e IV estão incorretas. 2) De acordo com Empreendedorismo, de Robert Hisrich, Michael Peters e Dean Shepherd, existem diversas fontes de novas ideias para o empreendedor. Marque a alternativa que corresponde a essas fontes: I. Consumidores. II. Canais de distribuição. III. Produtos e serviços existentes. IV. Grupos de discussão. V. Brainstorming. A) Somente as alternativas I, II e III estão corretas. B) Somente as alternativas I, III e IV estão corretas. C) Somente as alternativas II, III e IV estão corretas. D) Somente as alternativas III, IV e V estão corretas. E) Somente as alternativas I, IV e V estão corretas. 3) De acordo com Robert Hisrich, Michael Peters e Dean Shepherd, o método de geração de ideias é uma metodologia na qual um moderador lidera um grupo de pessoas em uma discussão aberta e aprofundada. Com base no exposto, assinale a alternativa que melhor elucida este método: A) Brainstorming. B) Grupos de discussão. C) Brainwriting. D) Análise do inventário de problemas. E) Brainstorming inverso. 4) Leia as sentenças a seguir e marque a alternativa que corresponda às principais regras para se realizar uma sessão de brainstorming de acordo com a obra Empreendedorismo, de Robert Hisrich, Michael Peters e Dean Shepherd. I. Nenhuma crítica é permitida. II. São estimuladas as combinações e aperfeiçoamento de ideias. III. Os participantes não devem se comunicar oralmente, somente por escrito. IV. Incentiva-se que seja apresentado um número reduzido de ideias, mas com muita qualidade. V. A improvisação não é estimulada. A) Somente as alternativas I e II estão corretas. B) Somente as alternativas I e V estão corretas. C) Somente as alternativas II e III estão corretas. D) Somente as alternativas IV e V estão corretas. E) Somente as alternativas III e V estão corretas. A criatividade é um importante atributo de um empreendedor de sucesso. Marque a alternativa correta no que se refere à criatividade, de acordo com 5) Empreendedorismo, de Robert Hisrich, Michael Peters e Dean Shepherd: A) A criatividade tende a aumentar com a idade, educação, falta de uso e burocracia. B) A criatividade aumenta em etapas, a partir do momento em que a pessoa passa a frequentar a escola. C) A criatividade dá um salto na adolescência, fase em que desponta no indivíduo. D) As ideias e inovações criativas podem ser geradas com o emprego de técnicas de soluções criativas de problemas. E) A criatividade aumenta progressivamente com as idades de 30, 40 e 50 anos. NA PRÁTICA Cada vez mais os clientes e as organizações estão demonstrando a necessidade de se ter preocupação genuína com as questões vinculadas à sustentabilidade nos negócios. Uma empresa brasileira é considerada referência nesse tema e tem em toda a sua estratégia de negócio demonstrações da seriedade em lidar com esse tema. Vamos conhecer, a seguir, alguns dos pontos da visão de Sustentabilidade 2050 da Natura. SAIBA MAIS Parase adapte à sua estratégia de crescimento, considerando também o local de atuação e as responsabilidades que pretende transferir. Veja alguns modelos de franquia (SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS, 2018): Franquia unitária: o franqueado tem o direito de abrir uma unidade, sendo exclusivo no local de atuação determinado pelo franqueador. Cabe destacar que o franqueado tem a possibilidade de abrir outras franquias unitárias, o que vai depender de sua capacidade financeira, do desempenho alcançado com a franquia já existente e com o plano de expansão do franqueador. Franquia master: o franqueado tem o direito de implantar e até terceirizar unidades franqueadas em regiões específicas, recebendo parte do valor da taxa de franquia e dos royalties cobrados dos outros franqueados, sendo também responsáveis pelo treinamento e apoio a eles. Esse é o modelo mais comum utilizado nos planos de internacionalização de franquias e em países de grandes dimensões geográficas, como o Brasil. Franquia de desenvolvimento de área: o franqueado tem o direito de explorar determinada região, abrindo mais de uma unidade em um espaço de tempo determinado. Para cada unidade aberta é assinado um contrato. Ele também pode receber parte do valor da taxa de franquia e royalties vendendo unidades em sua região. Para saber mais sobre franquia, acesse o link a seguir. https://goo.gl/9jns7w Veja algumas vantagens da franquia para o franqueado (HISRICH; PE- TERS; SHEPHERD, 2014): Acessando recursos para o crescimento em fontes externas14 Não correr os riscos inerentes à criação de uma empresa, relacionados à aceitação do produto, à imagem da marca e à necessidade de capital. Contar com apoio administrativo do franqueador, que oferece programas de treinamento relacionados a todos os aspectos da franquia como contabilidade, administração de pessoas, produção e marketing. Menor investimento de capital e tempo do que em um empreendimento novo. Com a franquia poupa-se tempo em buscar localização, pesquisar o mercado, concorrência etc., pois isto é feito pelo franqueador, que também, em alguns casos, financia o investimento inicial exigido. Um plano detalhado e continuamente atualizado contendo informações sobre o mercado, perfil do cliente, estratégias a serem adotadas, etc. A padronização de produtos e serviços, que facilita o controle das operações e da estrutura, garantindo também os padrões de qualidade. São exemplos de franquias de sucesso: McDonald’s, Merry Maids, Jiffy Lube, Burger King, KFC, Boston Market, Subway, Holiday Inn, Mail Boxes, Midas (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2014). Mas você deve estar se perguntando: e quais são as vantagens da franquia para o franqueador? As vantagens obtidas pelo franqueador com a franquia es- tão relacionadas ao risco de expansão, às necessidades de capital e às vantagens de custos. Cabe destacar que, para que o franqueador utilize a franquia como instrumento de crescimento, ele precisa ter consolidado o valor e a credibilidade do negócio para que consiga atrair compradores para seu negócio. A principal vantagem da franquia é a expansão rápida e relativamente barata do negócio: o capital necessário é bem menor do que o exigido para iniciar um negócio novo. O franqueador pode expandir sua empresa nacional ou internacionalmente, quando autoriza e vende as franquias em locais selecionados. Outra vantagem é que as franquias requerem menor número de funcionários, contando apenas com os que são necessários para atender as demandas dos franqueados o que reduz custos com folhas de pagamento. A compra de suprimentos em grandes quantidades também permite a economia de escala que, de outra forma, não seria possível. Outra vantagem ainda é a contribuição do franqueado com 15Acessando recursos para o crescimento em fontes externas porcentagem de vendas de 1% a 2% para propaganda, o que dilui o alto custo com publicidade (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2014). Todavia, assim como todos os negócios, desvantagens também existem e dentre elas podemos destacar problemas de relacionamento entre franqueador e franqueado; incapacidade do franqueador em oferecer serviços, propaganda e locais; descumprimento do contrato de franquia; falência do franqueador por má administração do negócio, apesar dos treinamentos recebidos; e a dificuldade de controles rigorosos por consequência do aumento do número de franqueados. Isso nos faz chegar à conclusão de que nem sempre a franquia é a melhor opção para o empreendedor. Assim como as demais formas de estratégias de crescimento, a franquia também exige do empreendedor um estudo minucioso sobre todas as condições envolvidas no negócio, pesando os prós e os contras e evitando negócios malsucedidos. BRASIL. Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES). A importância do capital de risco para inovação. 2017. Disponível em: . Acesso em: 6 nov. 2018. DORNELAS, J. Empreendedorismo para visionários: desenvolvendo negócios inovadores para um mundo em transformação. Rio de Janeiro: LTC, 2013. ENDEAVOR BRASIL. Financie seu sonho: guia Endeavor de acesso a capital para em- preendedores. 2014. Disponível em: . Acesso em: 6 nov. 2018. HISRICH, R. D.; PETERS, M. P.; SHEPHERD, D. A. Empreendedorismo. 9. ed. Porto Alegre: AMGH, 2014. MARTA FILHO, J. et al. Fusões & aquisições no brasil: vantagens e desvantagens para as empresas brasileiras. Revista Científica UNAR, Araras, SP, v. 12, n. 1, p. 68–76, 2016. MARTELANC, R.; PASSIN, R.; PEREIRA, F. Avaliação das empresas: um guia para fusões & aquisições e private equity. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2010. SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS (SEBRAE). Conheça os tipos de franquias. Sebrae Nacional, mar. 2018. Disponível em: . Acesso em: 6 nov. 2018. Acessando recursos para o crescimento em fontes externas16 SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS (SEBRAE). Economia de escala: gaste menos e produza mais. Sebrae Nacional, nov. 2015 Disponível em: . Acesso em: 6 nov. 2018. Leituras recomendadas COMO crescer: estratégia, gestão e recursos para sua empresa. São Paulo: Ernest & Young Terco, 2013. ENDEAVOR BRASIL. Alguém pediu sua empresa em joint venture?: o que analisar antes do ‘sim’. 2016. Disponível em: . Acesso em: 6 nov. 2018. INMETRO. Diretoria de Inovação e Tecnologia (DITEC). Divisão de Estudos Prospectivos e de Propriedade Intelectual (DEPPI). Propriedade Intelectual e Inovação. Brasília: Inmetro, s. d. Disponível em: . Acesso em: 6 nov. 2018. REIS, E. P.; ARMOND, A. C. Empreendedorismo. Curitiba: IESD Brasil, 2012. SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS (SEBRAE). Cartilha do empreendedor. 3. ed. rev. e ampl. Salvador: Sebrae Bahia, 2009. 17Acessando recursos para o crescimento em fontes externas Conteúdo: DICA DO PROFESSOR Assista ao vídeo a seguir que mostra como o empreendedor pode acessar recursos para o crescimento de seu negócio em fontes externas. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) Leia as alternativas abaixo e, em seguida, escolha aquela que apresenta o conceito de joint venture: A) Duas ou mais empresas se unem formando uma nova empresa. B) Duas ou mais empresas que se fundem. C) Uma empresa que adquire outra empresa menor. D) Dois ou mais empreendedores que se tornam sóciosem um negócio. E) Uma empresa que licencia seu produto para outra empresa. 2) Leia as alternativas abaixo e responda qual é o tipo mais comum de joint venture que podemos observar no mercado: A) Entre duas ou mais empresas privadas de um mesmo país. B) Entre empresas e governos. C) Entre duas ou mais empresas privadas de diferentes países. D) Entre universidades e governos. E) Entre universidades e empresas privadas. 3) Leia as alternativas abaixo e, em seguida, marque aquela que apresenta o conceito amplo de aquisição. A) Transac ̧ão envolvendo duas ou, possivelmente, mais empresas em que só uma delas sobrevive. B) Quando o empreendedor (ou um grupo de funciona ́rios) utiliza recursos de empréstimo para comprar um empreendimento existente com dinheiro. C) Compra de toda uma empresa ou parte dela. D) Duas ou mais empresas formando uma nova empresa. E) Acordo em que o fabricante de um produto concede direitos exclusivos de distribuição para lojistas independentes em troca de pagamento de royalties. 4) Leia as alternativas abaixo e marque a alternativa que apresenta uma das vantagens da franquia para o franqueado: A) Receber investimentos de fundos de capital. B) Não assume despesas para iniciar a franquia. C) O empreendimento se expande rapidamente e com pouco capital. Oportunidade de ingressar em um novo D) negócio com maior chance de sucesso do que começando um empreendimento desde o início. E) Capacidade de destinar mais recursos para propaganda. 5) Leia as alternativas e, em seguida, marque aquela que apresenta um dos tipos de franquia existentes: A) O revendedor é aquele tipo de franquia em que os fabricantes utilizam franquias para treinar seus franqueados. B) O tipo mais comum de franquia é aquele em que se oferecem o nome, a imagem e o método de fazer negócios. C) O tipo mais comum de franquia é do tipo revendedor. D) Um dos tipos de franquia existentes é a fusão de empresas. E) As joint ventures representam um tipo de franquia que vêm crescendo muito recentemente. NA PRÁTICA Veja um exemplo de estratégia para a expansão de um empreendimento. Ex-estudante de medicina ganha R$ 1,5 milhão vendendo doces. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Vigor fecha acordo com Arla para ficar com 100% da Dan Vigor Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Plano de negócio: criando e dando início ao empreendimento APRESENTAÇÃO Nesta Unidade de Aprendizagem, você conhecerá a importância do planejamento para o empreendedor. Há diferentes tipos de planos que podem fazer parte de uma operação empresarial. O planejamento é um processo que nunca termina em uma empresa. Ele é extremamente importante nos estágios iniciais de qualquer empreendimento, quando o empreendedor precisa preparar um plano de negócio preliminar. O plano estará finalizado quando o empreendedor conhecer melhor o mercado, os produtos ou serviços a serem comercializados, a equipe administrativa e as necessidades financeiras do novo empreendimento. À medida que o empreendimento evolui de uma empresa iniciante para uma empresa madura, o planejamento continuará enquanto a administração busca atingir suas metas de curto ou longo prazo. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Identificar o planejamento como parte da operação empresarial.• Definir o que é o plano de negócio e como este deve ser elaborado e avaliado.• Entender o escopo e o valor do plano de negócio para investidores, financiadores, funcionários, fornecedores e clientes. • DESAFIO Se imaginarmos o plano de negócio como um mapa da estrada, entenderemos melhor o seu significado. Suponhamos que você esteja decidindo como ir da cidade de Belo Horizonte para a cidade do Rio de Janeiro em um motor home. Há várias rotas possíveis, cada uma exigindo planejamento de tempo e custos diferentes. Assim como o viajante, o empreendedor deve tomar decisões importantes e reunir informações antes de preparar o plano. O plano de viagem consideraria fatores externos, como a existência de oficinas para consertos de emergência, as condições do tempo, as condições das estradas, as paisagens para admirar e a disponibilidade de lugares para acampar. Esses fatores em si não podem ser controlados pelo viajante, mas devem ser considerados no plano, do mesmo modo como o empreendedor consideraria fatores externos, como as novas regulamentações, a economia, a concorrência, mudanças sociais, mudanças nas necessidades do consumidor ou uma nova tecnologia. Por outro lado, o viajante tem alguma ideia de quanto dinheiro tem à disposição, de quanto tempo dispõe e das opções de rodovias, estradas, campings, paisagens, etc. De modo semelhante, o empreendedor tem algum controle sobre a fabricação, o marketing e o quadro de pessoal do novo empreendimento. O viajante deve considerar todos esses fatores ao determinar quais estradas tomar, em que camping ficar, quanto tempo permanecer nos lugares escolhidos, quanto tempo e dinheiro ele dispõe para a manutenção do veículo, quem vai dirigir, etc. Assim, o plano de viagem responde a três perguntas: Onde estou agora? Para onde estou indo? Como chegarei lá? O viajante, em nosso exemplo, ou o empreendedor, assunto desta disciplina, será capaz de determinar quanto dinheiro será necessário, a partir de fontes novas ou existentes, para realizar o plano. Levando em consideração o exemplo apresentado no texto, elabore um plano de viagem fictício, considerando que você irá se deslocar de motor home (trailer) de São Paulo para o Rio de Janeiro. Você deverá responder as seguintes questões: 1) Existem oficinas no percurso caso sejam necessários consertos de emergência no motor home? 2) Quais serão as condições do tempo durante o período da viagem? 3) Que rodovia irá percorrer? Quais são as condições desta rodovia? 4) Existem acampamentos ou lugares adequados para dar uma pausa na viagem? 5) Quanto dinheiro será necessário utilizar durante a viagem? 6) Quais são os riscos desta viagem? INFOGRÁFICO A elaboração do plano de negócios irá exigir do empreendedor diversas habilidades. Para ajudar a determinar se deve contratar um consultor ou fazer uso de outros recursos, o empreendedor pode fazer uma avaliação objetiva de suas próprias habilidades. Neste infográfico você verá uma lista de habilidades, as quais poderá avaliar, classificando quais estão faltando e em que medida. CONTEÚDO DO LIVRO O plano de negócio, frequentemente criticado por ser um sonho de glória, é o documento mais importante para o empreendedor no estágio inicial. É provável que os investidores em potencial não pensem em investir em um novo empreendimento enquanto o plano de negócio não estiver concluído. Além disso, ele ajuda o empreendedor a sustentar a perspectiva sobre o que é preciso ser realizado. O desenvolvimento e a preparação de um plano de negócio envolvem vários obstáculos e exigem um firme compromisso do empreendedor para que ele seja efetivamente concluído e, depois, implementado. Boa leitura. EMPREENDEDORISMO Léia Maria Erlich Plano de negócio: dando início ao empreendimento Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Identificar o planejamento como parte da operação empresarial. Definir o que é o plano de negócio e como este deve ser elaborado e avaliado. Descrever o escopo e o valor do plano de negócio para investidores, financiadores, funcionários, fornecedores e clientes. Introdução O plano de negócio consiste em uma ferramenta indispensável para o cotidiano do empreendedor. Um negócio planejado tem mais chances de sucesso; por isso, os empreendedores precisam saber planejar suas ações e delinear as estratégias da empresanascente ou em desenvolvimento. Nesse sentido, para gerenciar o empreendimento e apresentar sua ideia para investidores, bancos, clientes, entre outros, um plano de ne- gócio bem elaborado é fundamental. Neste capítulo, você vai estudar o planejamento como parte elemen- tar da operação empresarial, verificando o conceito de plano de negócio e como este deve ser estruturado. Além disso, você vai compreender como o plano de negócio é representativo para a tomada de decisão e para esclarecer todos os stakeholders envolvidos com o negócio. O planejamento do empreendimento No atual cenário competitivo vivenciado pelas organizações contemporâneas, estabelecer objetivos e metas organizacionais é uma premissa a ser alcançada tanto por parte de empreendimentos já existentes como para um novo negócio, sendo uma condição necessária para o sucesso e a prosperidade. Nesse sentido, destaca-se o planejamento como elemento importante, não só por constituir uma ferramenta formal para estruturar o plano de negócio ou business plan, mas também como um subsídio com capacidade para viabilizar a sobrevivência e a manutenção da empresa no mercado. Para Hisrich, Peters e Shepherd (2014), o planejamento é um processo que nunca termina em uma organização ou empreendimento, sendo fundamental tanto nas fases iniciais do negócio, quando o empreendedor necessita esta- belecer um plano de negócio preliminar, como nos seus estágios vindouros. Ainda conforme Hisrich, Peters e Shepherd (2014, p. 155): “[…] à medida que o empreendimento evolui de uma empresa iniciante para uma empresa madura, o planejamento continuará, enquanto a administração busca atingir suas metas de curto e longo prazo”. O planejamento exerce papel de destaque e importância quando se trata de novos empreendimentos, em especial, quando se trata da capacidade e sustentabilidade do negócio. É ele que proporciona a sustentação e o dire- cionamento para que se estabeleça a melhor direção a ser seguida para o alcance dos objetivos buscados pelo empreendimento. Além disso, um bom planejamento proporciona um norte na busca de informações necessárias para o desenvolvimento do plano de negócios, especialmente sobre o ramo de atuação do negócio, os produtos e serviços que serão oferecidos, os clientes, os fornecedores e os concorrentes do negócio e os pontos fortes e fracos, contribuindo para a viabilidade da ideia a empreender. Assim, por meio do plano de negócio, os empreendedores/gestores podem traçar objetivos que o negócio necessita atingir e delinear os caminhos para que isso aconteça, compreendendo que, sem uma definição clara de objeti- vos e metas e sem o desenho de um caminho para alcançar as mesmas, fica impossível mensurar recursos (humanos, técnicos e financeiros) necessários, bem como ter o controle dos resultados alcançados. Cabe ainda destacar que o planejamento promove o envolvimento de todos da organização ou do empreendimento (gestores, colaboradores, etc.), pois aumenta a compreensão sobre as atividades, as metas, os valores, a missão e a visão do negócio. Além disso, proporciona apoio para antecipar problemas e oportunidades, favorecendo o direcionamento das estratégias. Assim, conforme Hisrich, Peters e Shepherd (2014), a elaboração do plano de negócio deve levar em conta três perspectivas distintas: 1. perspectiva do empreendedor (expondo de maneira clara e objetiva o que é o empreendimento); Plano de negócio: dando início ao empreendimento142 2. perspectiva do marketing (buscando a percepção do empreendimento pela visão do cliente); e 3. perspectiva dos investidores (demonstrando as projeções financeiras para o negócio). O artigo Planejamento estratégico e empreendedorismo: uma combinação para alcançar bons resultados, disponível no link a seguir, aborda a combinação das características empreendedoras com as técnicas de planejamento estratégico e seu enorme potencial de sucesso. https://goo.gl/w2wUqw O plano de negócio O plano de negócio consiste em um documento formal que contém informações acerca do conceito do negócio, dos riscos, dos concorrentes, do perfi l dos clientes, das estratégias de marketing e, ainda, de todo o plano fi nanceiro que vai viabilizar o novo negócio. De acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE, 2011), trata-se também de um ótimo instrumento para a apresentação do negócio para os interessados, como no caso do empreendedor que procura um sócio ou um investidor. O plano de negócios permite ainda organizar as ideias para o início de um novo empreendimento, ou orientar a expansão de empresas em atividade, apoiar a gestão do negócio delineando suas estratégias, proporcionar e faci- litar a comunicação entre os stakeholders e viabilizar a captação de recursos financeiros, humanos e parcerias. O plano de negócios é o documento elaborado pelo empreendedor com a descrição de todos os elementos internos e externos relevantes para o novo empreendimento. Segundo os autores, este “[…] é o documento mais importante para o empreendedor em estágio inicial” (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2014, p. 150) e responde às seguintes perguntas: onde estou agora? Para onde estou indo? Como chegarei lá? Assim, é por meio do plano de negócio que o empreendedor tem a possi- bilidade de construir um retrato fiel do mercado, do produto ou serviço e das 143Plano de negócio: dando início ao empreendimento atitudes do empreendedor — o que proporciona maior segurança ao iniciar uma empresa, com melhores condições de êxito, ou mesmo ao ampliar ou promover inovações em um negócio já existente, conforme Rosa (2007). Para a elaboração do plano de negócio, o empreendedor pode consultar as mais variadas fontes — advogados, consultores de marketing, contadores e até engenheiros são úteis na preparação do plano. Há ainda uma ampla gama de informações, modelos e esboços para o planejamento empresarial que se encontram disponíveis na internet. Dornelas (2017) destaca que o plano de negócio é uma ferramenta que se aplica tanto em casos de lançamento de novos empreendimentos quanto no planejamento de empresas maduras. Para esse autor, espera-se que o plano de negócio seja uma ferramenta propícia para que o empreendedor possa expor suas ideias, utilizando uma linguagem que os leitores entendam, e, especialmente, que demonstre a viabilidade e a probabilidade de sucesso do negócio em seu mercado. Para tanto, o plano de negócio deve se constituir tendo como conceito básico o planejamento. O autor alerta ainda o seguinte: “O plano de negócio é uma ferramenta dinâmica, que deve ser atualizada constantemente, pois o ato de planejar é dinâmico e constitui um processo cíclico” (DORNELAS, 2017, p. 94). O plano de negócios não segue uma estrutura rígida e específica, visto que cada negócio tem suas particularidades. Dessa forma, não é possível definir um único modelo padrão de plano de negócios que possa ser aplicado universalmente (lembrando que, por exemplo, uma empresa de serviços é diferente de uma empresa que fabrica produtos ou outros bens). Entretanto, qualquer plano de negócio deve ser esclarecedor e apresentar alguns elementos mínimos, de forma a proporcionar um entendimento completo do negócio. Terribili Filho (2012) sugere que a elaboração do plano de negócios pode ser feita a partir de alguns passos específicos: 1. Realização de pesquisa de mercado como forma de validar a ideia com potenciais clientes. 2. Definição clara do produto/serviço e investigação da legislação pertinente. 3. Análises SWOT, das cinco forças de Porter e PEST (Política, Econômica, Social e Tecnológica). 4. Elaboração do plano de marketing. 5. Confecção de estudo de viabilidade econômico-financeira. 6. Análise de riscos e elaboração de planos de ação para sua eliminação ou mitigação. Plano de negócio: dando início ao empreendimento144 7. Construção de cronograma (plano de implementação). 8. Elaboração do sumário executivo etomada de decisão (Utilizar recursos próprios? Buscar financiamento? Ou desistir do negócio nascente?). Um plano de negócio pode contar com sumário executivo, análise de mer- cado, plano de marketing, plano operacional, plano financeiro, construção de cenários e avaliação de estratégias. Cada uma dessas etapas conta com uma série de atividades a realizar, que, por sua vez, vão auxiliar o empreendedor a compreender de forma exata o que será realizado e o que ele fará para que isso ocorra. Aqui, mais uma vez, destaca-se a coleta de informações como elemento fundamental para que o referido plano traga uma projeção da realidade esperada, da forma mais verdadeira possível. O plano de negócios deve ser elaborado em diversas seções de conteúdo. Veja no Quadro 1 uma sugestão de plano de negócio para pequenas empresas manufatureiras em geral, que pode ser adaptado ou modificado de acordo com a realidade do empreendimento/organização a que se refere. 1. Capa Primeira parte que se destaca para quem vai ler o plano; deve ser feita de maneira enxuta e trazer informações necessárias e pertinentes. 2. Sumário Deve conter o título de cada seção do plano de negócios e o número da página em que se encontra, para facilitar ao leitor encontrar rapidamente o que lhe interessa. 3. Sumário executivo É a principal seção de um plano de negócio, pois fará com que o leitor continue ou não a leitura do documento. Deve ser elaborado com cuidado e atenção e revisado várias vezes — além de se dirigir ao público-alvo do documento. 4. Análise estratégica Nessa seção são definidos os rumos da empresa, bem como visão e missão, situação atual, potencialidades e ameaças externas, forças e fraquezas, objetivos e metas do negócio. Essa seção serve como base para a realização das demais partes do plano, que vêm a seguir. Quadro 1. Plano de negócios — estrutura sugerida (Continua) 145Plano de negócio: dando início ao empreendimento 5. Descrição da empresa Nessa seção é feita a descrição da empresa, com seu histórico, crescimento, faturamento dos últimos anos, razão social, impostos, estrutura organizacional e jurídica, localização, parcerias, certificações, serviços terceirizados, etc. 6. Produtos e serviços Esta é a seção destinada ao esclarecimento sobre os produtos e serviços da empresa, descrevendo como são produzidos, o ciclo de vida, a tecnologia envolvida, o processo de pesquisa e desenvolvimento, os principais clientes, a detenção de marcas e patentes, etc. Também são apresentadas aqui (se for o caso) pesquisas com nível de satisfação dos clientes com produtos ou serviços da empresa. 7. Plano operacional Essa seção apresenta as ações que a empresa planeja para seu sistema produtivo. Deve conter informações como: lead time do produto ou serviço, percentual de entregas a tempo, rotatividade do inventário, índice de refugo, lead time de desenvolvimento de produto ou serviço, etc. 8. Plano de recursos humanos Contempla os planos de desenvolvimento e treinamento de pessoal na empresa, indicando os esforços para a formação de pessoal adequado para o negócio. 9. Análise de mercado Nessa seção deve ficar claro o conhecimento sobre o mercado consumidor de seu produto/serviço (por meio de pesquisas de mercado), por exemplo: como está segmentando, como se dá o seu crescimento, as características do consumidor e onde se localiza, a sazonalidade existente e as ações para esse caso, as análises da concorrência, da participação no mercado, dos principais concorrentes, etc. 10. Plano/ estratégia de marketing Essa seção deve demonstrar de que maneira a empresa pretende vender seu produto/serviço e conquistar clientes, além de manter seu interesse e ainda aumentar a demanda. Deve-se trazer informações sobre os métodos de comercialização, os diferenciais do produto/serviço para o cliente, a política de preços, os principais clientes, os canais de distribuição, as estratégias de promoção/comunicação e publicidade, as projeções de vendas, entre outras. Quadro 1. Plano de negócios — estrutura sugerida (Continuação) (Continua) Plano de negócio: dando início ao empreendimento146 É possível destacar que, na fase de elaboração do plano de negócio, a con- sulta a especialistas se destaca como uma prática saudável, uma vez que estes podem proporcionar uma visão externa diferenciada e detalhes importantes para o sucesso do negócio. Depois de delinear todas as seções acima para constituir o plano de negócio, é necessário que o empreendedor avalie também como foi o seu planejamento, tendo em vista que um plano bem estruturado e elaborado constitui um ins- trumento adequado para trazer um retrato real do mercado, do produto e das ações a serem realizadas. Além disso, a elaboração e o entendimento dessas seções proporcionam uma maior segurança para o empreendedor, no sentido de possibilitar maiores chances de êxito, bem como a modificação ou inovação do negócio — quando necessária. O plano de negócios deve ser utilizado de maneira dinâmica, com atua- lizações periódicas em função das mudanças ocorridas no ambiente externo e nas políticas internas da empresa. Cabe ainda destacar que não existe um tamanho específico para o plano de negócios. Deve-se elaborar o mesmo tendo em vista o público-alvo que vai ler o documento. Fonte: Adaptado de Dornelas (2017). 11. Plano financeiro A seção de finanças apresenta os números referentes a todas as ações planejadas para a empresa e as projeções futuras para que se alcance o propósito do negócio. Deve conter: demonstrativo de fluxo de caixa, com horizonte de, pelo menos, três anos; balanço patrimonial; análise do ponto de equilíbrio; necessidade de investimento; demonstrativo de resultados; margem e faturamento previsto; prazo de retorno sobre o investimento inicial (payback); entre outros aspectos. 12. Anexos Informações adicionais consideradas essenciais para o melhor entendimento do plano de negócio. Quadro 1. Plano de negócios — estrutura sugerida (Continuação) 147Plano de negócio: dando início ao empreendimento No link abaixo, você pode assistir ao vídeo Como elaborar um plano de negócio, produzido pelo Sebrae/MG, que apresenta as etapas mais importantes para a elaboração desse documento tão fundamental para o empreendedor, no sentido de minimizar os riscos relacionados à abertura, expansão ou consolidação do negócio. https://goo.gl/7rCckc O escopo e os públicos-alvo do plano de negócio O plano de negócio pode ser considerado um documento que possui fl exibilidade, uma vez que pode ser apresentado de diversas formas, levando-se em considera- ção o público-alvo. Dornelas (2005) destaca que o plano de negócios pode ser: Completo: é o plano de negócios a ser utilizado quando se postula uma grande quantidade de recursos financeiros, ou nas situações em que é necessário apresentar uma visão completa do empreendimento. Esse modelo pode conter de 15 a 40 páginas, mais materiais em anexo. Resumido: é o plano de negócios utilizado nas situações que necessitam da apresentação de informações resumidas, como a apresentação a um investidor, com a finalidade de chamar a atenção para que o mesmo solicite visualizar o plano de negócios completo. Nesse caso, geralmente a elaboração conta com 10 a 15 páginas. O plano de negócio deve deixar claro o quanto necessita ser investido, quem são os empreendedores, qual é o produto, qual é o mercado, como funciona o processo de produção, como é a estrutura da empresa, quais são as suas projeções financeiras, entre outros detalhes. Trata-se de informações e características importantes para diversos públicos-alvo. Hisrich, Peters e Shepherd (2014) apontam que o plano de negócio é im- portante para o empreendedor, para potenciais investidores e até para novos colaboradores, que podem se familiarizar com o empreendimento, suas metas e seus objetivos propostos. Ainda segundoesses autores, como cada grupo de interessados faz a leitura do plano de negócio com diferentes propósitos, Plano de negócio: dando início ao empreendimento148 o empreendedor necessita elaborar o documento abordando ao máximo as questões e preocupações desses grupos. Os autores apontam ainda que a profundidade e os detalhes do plano de negócio são proporcionais à dimensão e ao escopo do novo empreendimento proposto, ou seja, ao tipo de empreendimento: se é de serviços, se envolve fabricar algo ou se é um produto de consumo ou produto industrial. Ainda conforme Hisrich, Peters e Shepherd (2014, p. 157), “[...] a extensão do mercado, a concorrência e a possibilidade de crescimento também afetam o escopo do plano de negócio”. O Quadro 2 destaca os públicos-alvo com interesse no plano de negócio de um empreendimento/empresa. Quem são? Exemplos Mantenedores de incubadoras Sebrae, universidades, prefeituras, governo, associações e outras entidades — para fornecer financiamentos. Parceiros Entidades ou pessoas que vão contribuir para o sucesso do negócio (mas que não são nem funcionários nem fornecedores) — para definir as estratégias conjuntas e formas de interação entre as partes. Bancos Instituições financeiras diversas — para o financiamento de equipamentos, capital de giro, imóveis, expansão da empresa, entre outros. Investidores Interessados em investir no negócio (empresas de capital de risco, bancos de investimentos, investidores-anjo e outros) — para investimentos. Fornecedores Pessoa física ou pessoa jurídica que atende a empresa com atividades de produção, distribuição ou comercialização de produtos ou serviços. Público interno Os indivíduos diretamente relacionados com o andamento e bem-estar da empresa — para comunicação da gerência com o conselho de administração e funcionários. Clientes Pessoa ou instituição que consome os produtos ou serviços da empresa — para venda do produto ou serviço e publicidade para o negócio. Quadro 2. Públicos-alvo do plano de negócio (Continua) 149Plano de negócio: dando início ao empreendimento O plano de negócio pode ser utilizado para os diversos públicos citados como uma espécie de cartão de visitas ou ferramenta para apresentação do negócio de forma condensada, mas englobando todas as suas características principais. Cabe destacar que o plano de negócio apresenta diversas funções, que vão desde o nível de planejamento até o nível operacional, buscando definir o negócio, suas metas e como alcançar as mesmas. Pereira e Santos (1995) apontam como principais funções do plano de negócio: avaliar o empreendimento nascente pelas perspectivas mercadológica, técnica, financeira, jurídica e organizacional; avaliar, de forma retrospectiva, a evolução do negócio no decorrer de sua implantação (comparando o previsto com o realizado); e trazer facilidade para que o empreendedor possa obter capital de ter- ceiros quando o seu próprio capital não for suficiente para cobrir os investimentos iniciais do negócio. Por fim, enquanto instrumento de planejamento, o plano de negócio pro- move uma autoavaliação e reflexão sobre questões importantes como: “[...] a ideia faz sentido? Ela vai funcionar? Quem é o meu cliente? A ideia satisfaz às necessidades do cliente? Que tipo de proteção posso ter contra a imitação dos concorrentes? Sei administrar esse tipo de negócio? Com quem vou competir?” (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2014, p. 157–158). Esses questionamentos fazem com que o empreendedor reflita sobre diversas perspectivas e contemple os obstáculos que poderiam impedir o sucesso do negócio. Assim, ele pode Fonte: Adaptado de Dornelas (2017). Quem são? Exemplos Sócios Aqueles que se associam à empresa — para convencer pessoas a participarem do empreendimento e formalizarem a sociedade. Gerentes de marketing Responsáveis pelas estratégias de marketing — para desenvolver seus planos. Executivos de alto nível Funcionários de alto nível com poder de decisão — para aprovar e alocar recursos. Quadro 2. Públicos-alvo do plano de negócio (Continuação) Plano de negócio: dando início ao empreendimento150 planejar formas de evitar os obstáculos identificados. Se isso não for possível, e os obstáculos inviabilizarem o empreendimento, é melhor interromper o esforço empresarial enquanto ainda está no papel. Não é o resultado esperado de um plano de negócio, mas é uma advertência a ser considerada antes que sejam investidos mais tempo e dinheiro. DORNELAS, J. C. Empreendedorismo: transformando ideias em negócios. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005. DORNELAS, J. C. Empreendedorismo: transformando ideias em negócios. 6. ed. São Paulo: Empreende/Atlas, 2017. HISRICH, R. D.; PETERS, M. P.; SHEPHERD, A. D. Empreendedorismo. 9. ed. Porto Alegre: Bookman, 2014. PEREIRA, H. J.; SANTOS, S. A. Criando seu próprio negócio: como desenvolver o potencial empreendedor. Brasília: SEBRAE, 1995. ROSA, C. A. Como elaborar um plano de negócio. Brasília: SEBRAE, 2007. SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS (SEBRAE). Como elaborar um plano de negócio. 2011. Disponível em: . Acesso em: 14 nov. 2018. TERRIBILI FILHO, A. Plano de negócios: um caminho de 8 passos para transformar uma boa ideia em realidade. Qualimetria FAAP, São Paulo, n. 254, p. 58–63, out. 2012. 151Plano de negócio: dando início ao empreendimento DICA DO PROFESSOR Assista ao vídeo a seguir sobre a importância e a estrutura do plano de negócios. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) Quanto ao plano de negócios, podemos afirmar que: A) O plano de negócios é extremamente importante nos estágios iniciais de qualquer empreendimento. B) O plano de negócios estará finalizado quando o empreendedor encontrar alguém para investir em seu negócio. C) À medida que o empreendimento evolui de uma empresa iniciante para uma empresa madura, torna-se menos necessário realizar o planejamento. D) Os planos de negócios são sempre estratégicos e consideram o horizonte de longo prazo. E) Elaborar um plano de negócios bem feito irá garantir o sucesso do empreendimento. Quanto ao plano de negócios, leia as afirmações a seguir e marque a alternativa CORRETA. I. É um documento preparado pelo empreendedor, no qual são descritos todos os elementos externos e internos relevantes para o início de um novo empreendimento. II. Enfoca a oportunidade percebida pelo empreendedor e não o empreendimento. III. É com frequência uma integração de planos funcionais, como os de marketing, finanças, produção e recursos humanos. 2) IV. Necessita ser desenvolvido por especialistas em planos de negócio. V. É necessário ser apresentado aos possíveis investidores para que possam avaliar a viabilidade de investirem no negócio. A) As afirmativas I, III e V estão corretas. B) As afirmativas I, II e V estão corretas. C) As afirmativas II, III e V estão erradas. D) As afirmativas I, IV e V estão corretas. E) As afirmativas IV e V estão corretas. 3) Três perspectivas devem ser consideradas ao elaborar o plano de negócios: a perspectiva do empreendedor, a perspectiva de marketing e a perspectiva do investidor. Quanto a estas perspectivas, podemos afirmar que: I. Na perspectiva do empreendedor, o plano de negócios deve ser capaz de expor claramente o que é o empreendimento. II. Na perspectiva do investidor, o plano de negócios deve considerar o mercado e se há clientes interessados em comprar o produto ou serviço. III. Na perspectiva do investidor, o plano de negócios deve apresentar boas projeções financeiras. IV. A perspectiva de marketing do plano de negócios significa apresentar a criatividade envolvida no empreendimento. V. A perspectiva de marketing do plano de negócios apresenta a criatividadee a tecnologia envolvidas no novo empreendimento. A) As alternativas I e II estão corretas. B) As alternativas I e III estão corretas. C) As alternativas II e V estão corretas. D) As alternativas III e IV estão erradas. E) A alternativa V está correta. 4) O plano de negócio é muito importante para o empreendedor, para os investidores em potencial e até para os novos funcionários, que estão tentando se familiarizar com o empreendimento e com suas metas e objetivos. O plano de negócio é importante para essas pessoas porque: A) Ajuda a determinar a viabilidade do empreendimento em um mercado específico. B) Apenas com o plano de negócios é possível um empreendimento obter êxito. C) É um documento que enfoca a oportunidade, não o empreendimento. D) Apresenta normas, regras regulamentos para os funcionários da empresa. E) É um documento estável, que necessita ser revisado. 5) Quanto aos diferentes públicos que irão avaliar o plano de negócios, podemos afirmar que: A) Os fornecedores podem querer ver o plano de negócios antes de assinar um contrato para a produção de peças ou de produtos acabados, ou mesmo para o fornecimento de grandes quantidades de material em consignação. B) Os fornecedores de capital podem querer revisar o plano de negócios antes de comprar um produto que exija um compromisso significativo de longo prazo. C) Os clientes podem querer ver o plano de negócios para verificar a viabilidade financeira do empreendimento. D) Os fornecedores de capital podem querer ver o plano de negócios, pois estão interessados principalmente na capacidade criativa do novo empreendimento. E) Os prováveis funcionários podem ver o plano de negócios para conhecer a capacidade financeira do empreendimento. NA PRÁTICA Conheça agora uma ferramenta fácil de ser utilizada no dia a dia e que pode ajudá-lo na estruturação do seu negócio. Como utilizar o modelo canvas para elaborar seu negócio: Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Gestão da inovação: Integrando Tecnologia, Mercado e Mudança Organizacional. Capítulo 1 e 2. Canvas: como estruturar seu modelo de negócio Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Endeavor Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Como elaborar um plano de negócios Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Planejamento Estratégico APRESENTAÇÃO O planejamento estratégico é um processo pelo qual as empresas se preparam para o futuro, de maneira que consigam garantir a continuidade do negócio. É a elaboração de caminhos para chegar ao objetivo. Uma empresa que não sabe onde quer chegar não terá como fazer um planejamento estratégico. Nesta Unidade de Aprendizagem, você irá compreender como funciona o planejamento estratégico e o planejamento da controladoria. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Apresentar as etapas do planejamento estratégico empresarial.• Evidenciar a importância do planejamento estratégico dentro da controladoria.• Diferenciar o planejamento estratégico organizacional do planejamento de controladoria.• INFOGRÁFICO O infográfico mostra a sequência das etapas do planejamento estratégico. Todas as etapas são importantes e uma depende da outra para completar o fluxo de informações necessárias ao planejamento. Confira! CONTEÚDO DO LIVRO O capítulo Planejamento estratégico, trecho selecionado do livro Controladoria, apresenta informações sobre o planejamento estratégico, as dimensões organizacionais e o planejamento da controladoria. Voce verá que a diferença entre o planejamento estratégico organizacional e o da controladoria se resume aos objetivos, pois as etapas são as mesmas. Porém, no caso da controladoria, o profissional controller é envolvido diretamente nas decisões. Boa leitura! CONTROLADORIA Vaniza Pereira 120 INTRODUÇÃO Planejamento Estratégico é um processo pelo qual as empresas se preparam para o futuro, de maneira que consigam garantir a continuidade do negócio. É saber exatamente onde está e até onde quer chegar. “É um processo que prepara a empresa para o que está por vir. ” Padozeve (2003, p.96) OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM Ao final desta aula unidade, você deverá ser capaz de: • Evidenciar passo a passo as etapas do Planejamento Estratégico empresarial; • Mostrar a importância do PE dentro da controladoria. PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO O planejamento estratégico nasce das ideias dos gestores sobre como realizar as atividades empresariais, como executa-las e como propiciar as condições necessárias para atingir objetivos. Ele pode ser entendido como a forma de pensar do gestor organizacional. A finalidade do planejamento estratégico é tornar a gestão da empresa mais fácil e por meio dele estabelecer os objetivos que podem ser alcançados. O uso dos recursos disponíveis da maneira mais eficiente possível faz parte das premissas dos planos e das ferramentas de gestão utilizadas para executa-lo. A área de finanças da empresa tem grande importância e participação no planejamento estratégico, pois e ela que se responsabiliza pelo fornecimento e gestão dos recursos necessários à sua execução. 121 O Planejamento Estratégico e as Dimensões Organizacionais O planejamento é a forma mais básica de todas as funções gerenciais, e o modo como é desenvolvido e pode determinar o sucesso da empresa. Figura 01 – Planejamento e as Dimensões Organizacionais - Fonte: autor De maneira geral o planejamento estratégico pode ser dividido em cinco diferentes etapas: 1. Estabelecimento dos objetivos da organização – aonde a empresa quer chegar. 2. Avaliação de seu cenário atual – projeção de como a empresa ficará. 3. Análise de seus recursos – solução para que a gestão tenha um maior controle sobre recursos escassos, por exemplo. 4. Determinação da estratégia – finalidade de atingir os objetivos estabelecidos. 5. Delimitação de metas a serem alcançadas nos programas de curto e longo prazos inclusive com a utilização de recursos como o orçamento, por exemplo. PLANEJAMENTO IMPLEMENTAÇÃO CONTROLE Planejamento Institucional Planejamento dos Centros Planejamento do Dpto. Planejamento das Áreas Organizar dados Analizar os dados Implantar decisões Mensurar os resultados Avaliar os resultados Adotar ações corretivas 122 PLANEJAMENTO DA CONTROLADORIA O planejamento da controladoria, por sua vez, envolve a participação ativa do controller nas diretrizes e decisões estratégicas juntamente com os gestores das demais áreas da empresa. Dentro desse contexto, podemos encontrar os seguintes tipos de planejamento: Tabela 01 – Planejamento da Controladoria - Fonte: autor Execução e controle Dentro da controladoria, encontramos as fases de execução e controle. Vejamos as características der cada uma delas: Execução É o momento em que os gestores implementam, de fato, as ações planejadas, processando os recursos e transformando-os em bens e serviços. Essa etapa pode ser caracterizada pelos seguintes aspectos: • Auxílio às diversas unidades e funções organizacionais para a correta aplicação dos recursos planejados; • Suporte às unidades e funções na implementação de projetos; PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO PLANEJAMENTO EMPRESARIAL Atende objetivos empresariais Define politicas e os objetivos operacionais da empresa. É voltado para o desempenho da empresa Tem como produtos do processo o orçamento empresarial. Fornece uma visão especifica do futuro da empresa Busca o equilíbrio entre os subsistemas internos Utiliza a análise SWOT Pode ocorrer tanto a curto quanto a médio prazo. 123 • Coordenação de esforços de gestores das diversas áreas e com inúmeras funções para atingir os objetivos tanto da controladoria quanto da empresa como um todo; • Apoio ao andamento dos planos em ação;• Tomada de decisão; • Direcionamento e coordenação das atividades. Controle Essa fase ocorre de forma contínua. Ela corresponde à avaliação do grau de aderência entre os planos da empresa e sua efetiva execução. Essa etapa pode ser caracterizada pelos seguintes aspectos: • Geração de informações relativas a eventos planejados e, de fato, concretizados; • Elaboração de relatórios indicando desvios do que foi planejado e realizado; • Coordenação de processos; • Revisão periódica das ações em andamento para a correção ou manutenção dos processos. Sugestões para o planejamento estratégico Para facilitar a elaboração do planejamento estratégico, seguem algumas sugestões de perguntas a serem respondidas de acordo com Oliveira (2013): • Qual será o setor de atuação da empresa? • Quais os mercados em que ela irá competir? • Quais os competidores no mercado? • Quais produtos e serviços a empresa oferecerá? • Quem e como são os clientes? • Que valores oferecerão a seus clientes? • Quais vantagens ela terá no longo prazo? • Qual será ou deverá ser o seu porte? • Qual será ou deverá ser a sua rentabilidade? • Quanto será agregado de valor aos acionistas? 124 REFERÊNCIAS OLIVEIRA, L. M. de; PEREZ JÚNIOR, J. H. de; SILVA, C. A. dos S. Controladoria estratégica – textos e casos práticos com solução. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2011. PADOVEZE, C. L. Controladoria básica. 2. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2010. OLIVEIRA, Djalma Pinho Rebouças de. Planejamento Estratégico - Conceitos, Metodologia e Práticas, 8.ed. São Paulo: Atlas, 2013. DICA DO PROFESSOR O vídeo a seguir foi elaborado para apresentar a você um roteiro para o planejamento estratégico. Confira! Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) O planejamento estratégico é um processo pelo qual as empresas se preparam para o futuro, de maneira que consigam garantir a continuidade do negócio. A finalidade do planejamento estratégico é: A) Medir a satisfação dos colaboradores durante os últimos anos. B) Elaborar e traçar novas viagens dos executivos a longo prazo. C) Produzir com mais qualidade e alcançar novos mercados. D) Auxiliar a gestão da empresa a controlar os gastos com viagens. E) Tornar a gestão da empresa mais fácil e estabelecer os objetivos que podem ser alcançados. 2) A área de finanças da empresa tem grande importância e participação no planejamento estratégico. Por quê? A) Porque a empresa nunca tem dinheiro pra investir em planejamento estratégico. Porque é ela que se responsabiliza pelo fornecimento e pela gestão dos recursos B) necessários à execução do planejamento estratégico. C) Porque é a área mais importante da empresa. D) Porque os diretores e sócios estão envolvidos com os resultados financeiros, e as outras áreas não despertam interesse. E) Porque a constante instabilidade do mercado econômico deixa grandes margens de riscos e incertezas. 3) O planejamento estratégico é a forma mais básica de todas as funções gerenciais, e o modo como é desenvolvido pode determinar: A) O sucesso da empresa. B) O custo do produto. C) A quantidade de produtos ou serviços a serem produzidos. D) A motivação dos colaboradores. E) O comissionamento da equipe de vendas e os impostos a pagar. 4) O planejamento estratégico pode ser dividido em cinco diferentes etapas: 1. Estabelecimento dos objetivos da organização. 2. Avaliação do cenário atual. 3. Análise de seus recursos. 4. Determinação da estratégia. 5. Delimitação de metas a serem alcançadas nos programas de curto e longo prazos. Podemos afirmar que a análise dos recursos é: A) Projeção de como a empresa ficará. B) Solução para que a gestão tenha um maior controle sobre seus recursos, como os escassos, por exemplo. C) Atingir os objetivos estabelecidos. D) Onde a empresa quer chegar. E) Utilização de recursos, como o orçamento. 5) O planejamento da controladoria envolve a participação ativa do controller nas __________ e ___________, juntamente com os gestores das demais áreas da empresa. Qual alternativa completa as lacunas da afirmação? A) Urgências; redução de custos. B) Despesas; custos. C) Inovações; desenvolvimento de produtos. D) Diretrizes; decisões estratégicas. E) Visão; missão. NA PRÁTICA O planejamento estratégico deve ser baseado nos valores que norteiam a empresa, nos objetivos, na missão e na visão. Veja o case da Danone: Em 2005, a Danone apresentava resultados negativos no Brasil. Com a concorrência acirrada, não conseguia manter sua margem de lucros ou partir para novos investimentos. Para fugir da crise, a Danone criou em seu planejamento estratégico o DNA DANONE, que consistia em diversas ações para impulsionar o crescimento da empresa com benefícios a todos: funcionários, fornecedores e clientes. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Análise SWOT Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Planejamento Estratégico: Erros e Acertos Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Planejamento estratégico: como construir e executar com maestria Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Plano de marketing APRESENTAÇÃO Nesta Unidade de Aprendizagem, você conhecerá a importância do plano de marketing para o planejamento de um novo empreendimento. Antes de preparar o plano de marketing, o empreendedor deve concluir a seção de análise do setor do plano de negócio. O foco básico da análise do setor é apresentar um conhecimento suficiente do ambiente (mercado nacional e local) que influencie a tomada de decisão da estratégia de marketing. O empreendedor deve entender as diferenças entre o plano de marketing e o plano de negócio. O plano de marketing enfoca todas as atividades de marketing do empreendimento por um ano ou mais, variando significativamente dependendo do setor, mercado-alvo e tamanho e escopo da organização. Ele é uma parte essencial do plano de negócio, mas também é um documento independente que precisa ser administrado no curto prazo para determinar se a organização está cumprindo suas metas e objetivos. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Identificar a relevância da análise do setor e da concorrência para o processo de planejamento de mercado; • Perceber a diferença entre plano de negócio e plano de marketing;• Reconhecer as etapas da preparação do plano de marketing.• DESAFIO Food truck: como atuar neste modelo de negócio Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Imagine que você é um empreendedor que deseja montar um food truck. Você já foi gerente de um pequeno restaurante de comida a quilo e percebeu que o mercado de comida de rua está em franca expansão. Você iniciou a elaboração do plano de negócio e já concluiu a análise deste setor, inclusive fez uma análise detalhada da concorrência. Os dados são animadores e em uma análise preliminar você decide prosseguir. O próximo passo é a elaboração do plano de marketing e você percebeu que será necessário fazer uma pesquisa de mercado para colher mais informações que subsidiarão o plano de marketing. Faça o planejamento de como irá realizar a pesquisa de mercado para colher informações para a elaboração do plano de marketing, respondendo as seguintes perguntas: 1. Quais são os objetivos da pesquisa de mercado sobre o comércio de food truck? 2. Como e onde você poderá obter dados de fontes secundárias? 3. Como e onde você poderá obter dados de fontes primárias? 4. Apresente uma análise preliminar dos dados obtidos. INFOGRÁFICO O empreendedor tem de elaborar um plano de marketing antes de tomar quaisquer decisões relacionadas à produção ou fabricação, a mudanças de pessoal ou a recursos financeiros necessários. Esse plano é anual e será a base para planejar outros aspectos da empresa edesenvolver orçamentos para o ano. Acompanhe no infográfico um esboço do plano de marketing e os vários estágios para sua elaboração. CONTEÚDO DO LIVRO Antes de iniciar a seção do plano de marketing, o empreendedor deve realizar um exame detalhado e uma avaliação completa das tendências do setor e do mercado nos níveis nacional e local. Além disso, precisa ser documentada uma avaliação abrangente das estratégias dos concorrentes e de seus pontos fortes e fracos. A partir dessa análise, o empreendedor pode começar a formular a seção do plano de marketing. Esse plano responde a três perguntas: Onde estamos? Para onde vamos? Como chegaremos lá? Para de fato responder a essas perguntas, em geral é necessário que o empreendedor faça uma pesquisa de marketing. Essa pesquisa pode englobar fontes secundárias ou um processo de coleta de dados primários. As informações da pesquisa são muito importantes para determinar os fatores do mix de marketing ou a estratégia de marketing a ser implementada no plano. Com os avanços da tecnologia, os empreendedores têm mais oportunidades de conduzir pesquisas utilizando ferramentas de questionário via Internet e redes sociais. O plano de marketing implica uma série de etapas importantes. Primeiro, é fundamental fazer uma análise da situação para avaliar a pergunta "Onde estamos?". Os segmentos do mercado precisam ser definidos, e as oportunidades, identificadas. Isso ajudará o empreendedor a determinar um perfil do cliente. É necessário definir metas e objetivos realistas e detalhados (se possível, quantificados). Em seguida, a estratégia de marketing e os programas de ação serão estabelecidos. Novamente, estes têm de ser detalhados o suficiente, de modo que o empreendedor entenda como o empreendimento chegará onde pretende. EMPREENDEDORISMO Ligia Maria Affonso Plano de marketing Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Identificar a relevância da análise do setor e da concorrência para o processo de planejamento de mercado. � Perceber a diferença entre plano de negócio e plano de marketing. � Reconhecer as etapas da preparação do plano de marketing. Introdução Neste texto, você aprenderá sobre o plano de marketing e entenderá sua importância para o planejamento de um novo empreendimento. Para que você possa elaborá-lo, precisa antes passar pelas etapas do plano de negócios que buscam analisar o setor. Com isso, você vai entender melhor o mercado e tomar decisões que estejam de acordo com a es- tratégia de marketing. Também é importante que você compreenda as diferenças entre o plano de marketing e o plano de negócio. O plano de marketing inclui todas as atividades de marketing do empreendimento por um ano ou mais. Ele varia bastante dependendo do setor, do mercado-alvo e do tamanho da organização. É uma parte essencial do plano de negócio, mas também é um documento independente que você precisa administrar no curto prazo para determinar se a organização está cumprindo suas metas e objetivos. Por fim, você conhecerá os conceitos de sistema e mix de marketing e verá como eles relacionam com o plano de marketing. Relevância da análise do setor e da concorrência para o processo de planejamento de mercado O plano de negócios lhe dá uma boa ideia sobre o mercado e a forma como você pode obter informações sobre ele. Por exemplo, imagine que você queira chegar aos objetivos de mercado ou saber o posicionamento dele. Para alcançar essas informações, você primeiramente deve conhecer os seguintes aspectos: � pontos fortes e fracos da concorrência local; � tendências locais do setor; � tendências locais ambientais e demográficas; � tendências nacionais do setor; � tendências gerais ambientais e demográficas. Nessa análise do setor, você, como empreendedor, ganha vantagem, pois passa a conhecer os pontos fortes e fracos dos concorrentes. Isso facilita seu posicionamento em relação aos produtos e serviços de seu negócio. Neste ponto de análise, você deve considerar a concorrência como uma fonte de informações relevante. Inicialmente, você pode catalogar, isto é, relacionar, as estratégias de seus concorrentes mais importantes. O Quadro 1 vai ajudá-lo a organizar essas informações que estejam acessíveis e públicas. Depois, você vai complementá-las com a pesquisa de marketing. Com as informações do Quadro 1, você pode criar estratégias de posicio- namento para seu novo negócio. Assim, você vai ter mais tranquilidade para tomar decisões baseadas ou nos concorrentes ou nas necessidades do mercado ainda não atendidas. O que você já desenvolveu no plano de marketing agora ganha corpo, pois as análises ficam mais concretas. Portanto, como você pode notar, o plano de marketing faz parte do plano de negócios. Antes de estabelecer o plano de marketing, você precisa definir algumas etapas. Empreendedorismo130 Etapas do plano de marketing Para o plano de marketing, talvez você precise realizar uma pesquisa de mar- keting. Para isso, deve coletar dados, por exemplo: � quem vai comprar o produto ou serviço; � qual é a dimensão ( o tamanho ) do mercado em potencial; � que preço deve ser cobrado; � qual é o canal de distribuição mais adequado; � qual é a estratégia de promoção mais eficiente. Fonte: Hisrich, Peters e Shepherd ( 2014, p. 198 ). Concorrente A Concorrente B Concorrente C Estratégias de produtos ou serviços Estratégias de preços Estratégias de distribuição Estratégias de promoção Pontos fortes e fracos Quadro 1. Avaliação de estratégias de marketing de concorrentes e pontos fortes e fracos. 131Plano de marketing Etapa 1 Na primeira etapa da pesquisa de marketing, você deve definir o propósito ou objetivos. Você pode investigar um dos objetivos perguntando aos clientes ou possíveis clientes o que eles acham do produto e se o comprariam. Outros objetivos que você pode pesquisar são: � Quanto os possíveis clientes estariam dispostos a pagar pelo produto ou serviço? � Onde os possíveis clientes prefeririam comprar o produto ou serviço? � Onde o cliente esperaria ouvir falar ou ficar sabendo sobre o produto ou serviço? Etapa 2 Na segunda etapa, você deve coletar dados de fontes secundárias. Elas ser- vem de base para análise do setor e se referem ao plano de negócios. Conheça algumas fontes secundárias: � revistas especializadas; � artigos de jornais; � bibliotecas; � órgãos governamentais; � internet. Seu objetivo ao acessar as fontes secundárias é coletar informações que vão ajudá-lo a tomar as melhores decisões sobre a comercialização de seu produto ou serviço. Etapa 3 Na terceira etapa, você deve coletar informações de fontes primárias. Veja alguns exemplos de fontes primárias: � observação; � rede de relacionamentos; � entrevistas; � grupos de discussão ou experimentação; � instrumento de coleta de dados ( questionário ). Empreendedorismo132 Empreendedores usam questionários com frequência. Ao elaborar um questionário, você deve incluir questões especificas, fáceis e claras. Essas questões devem ter a finalidade de atingir um ou mais dos objetivos listados por você anteriormente. Etapa 4 Na quarta etapa, você deve analisar e interpretar os resultados obtidos. Uma forma de fazer isso pode ser comparando os resultados de questões da pesquisa entre diferentes grupos de idade, sexo, ocupação, localização, etc. Com essa avaliação, você pode chegar a conclusões valiosas, principalmente sobre a segmentação do mercado. Diferença entre plano de negócios e plano de marketing Você deve preparar o plano de marketing a cada ano, avaliando as metas e os objetivos do próximo ano e integrando-o, isto é, incorporando-o, ao plano estratégico, que é de longo prazo da empresa. Você vai elaborar o plano de marketing com base em muitas informações já coletadas para o plano denegócios. Porém, para o plano de marketing, você seguirá outra linha de desenvolvimento, abordando pontos específicos e particulares do escopo desse plano. Nesse sentido, você deve buscar responder a três questões: 1. Onde estamos? 2. Para onde queremos ir ( em curto prazo )? 3. Como chegaremos lá? Para responder à primeira questão, você deve utilizar o plano como rota de plano operacional. Portanto, é necessário que você conheça a empresa, seus pontos fortes e fracos, o ambiente externo, etc. 133Plano de marketing Como você viu, o plano de marketing pode ser integrado ao plano de negócios, então você já terá as informações da segunda pergunta. Esse questionamento se refere aos objetivos e metas do marketing do novo empre- endimento nos próximos 12 meses. Na terceira questão, você deve definir: � a estratégia de marketing específica a ser utilizada; � quando essa estratégia vai ocorrer; e � quem será responsável pelo monitoramento das atividades. Aqui, lembre-se de que as respostas podem vir da pesquisa de marketing. Plano, sistema e mix de marketing O Quadro 2, a seguir, mostra o que faz parte de um esboço de plano de mar keting. Fonte: Hisrich, Peters e Shepherd ( 2014, p. 206 ). � Análise da situação ■ Histórico do empreendimento ■ Pontos fortes e fracos do empreendimento ■ Oportunidades e ameaças do mercado ■ Análise da concorrência � Objetivos e metas de marketing � Estratégia de marketing e programas de ação � Orçamentos � Controles Quadro 2. Esboço de um plano de marketing. Empreendedorismo134 O Quadro 3 mostra as informações que você precisa para elaborar o pla- nejamento de mercado. Fonte: Hisrich, Peters e Shepherd ( 2014, p. 207 ). � Quem são os usuários, onde estão localizados, quanto compram, de quem compram e por quê? � Como a promoção e a propaganda são utilizadas e qual é a abordagem mais eficiente? � Quais são as mudanças de preço no mercado, quem iniciou essas mudanças e por quê? � Quais são as atitudes do mercado em relação aos produtos concorrentes? � Que canais de distribuição suprem os consumidores e como funcionam? � Quem são os concorrentes, onde estão localizados e quais são suas vantagens e desvantagens? � Que técnicas de marketing são usadas pelos concorrentes mais bem-sucedidos? E pelos concorrentes malsucedidos? � Quais são os objetivos gerais da empresa para o próximo ano e para os cinco anos posteriores? � Quais são os pontos fortes da empresa? E os pontos fracos? � Qual é a capacidade de produção por produto? Quadro 3. Informações necessárias para o planejamento de merca-do. Plano de marketing: Declaração por escrito dos objetivos, das estratégias e das atividades de marketing a serem seguidos no plano de negócio 135Plano de marketing Ao compreender o plano de marketing, você percebe a relevância de ir além e entender o que é o sistema de marketing e como ele se relaciona na empresa. Veja a Figura 1. Figura 1. Sistema de marketing. Fonte: Hisrich, Peters e Shepherd ( 2014, p. 207 ). Ambiente externo Economia Cultura Tecnologia Demanda Considerações legais Matérias-primas Concorrência Ambiente interno Recursos financeiros Fornecedores Metas e objetivos Equipe administrativa Empreendedor Decisões de planejamento de mercado Estratégias de marketing direcionadas aos clientes Decisões de compra dos clientes Decisões do mix de marketing Feedback Sistema de marketing: Fatores internos e externos, em interação, que afetam a capacidade do empreendimento de oferecer produtos e serviços que atendam às necessidades dos clientes. A Figura 1 mostra que os ambientes, tanto externo quanto interno, são decisivos para o desenvolvimento do plano de marketing. Eles vão lhe dar suporte para colher informações que o ajudarão a tomar as decisões do mix de marketing. Empreendedorismo136 Mix de marketing: Combinação de produto, preço, promoção, distribuição e de outras atividades de marketing necessárias para atender aos objetivos de marketing. O mix de marketing, ou composto de marketing, inclui os 4Ps: � produto; � preço; � praça ( canais de distribuição ); � promoção. O mix de marketing orienta toda a estratégia a ser definida pela empresa e pelo plano de marketing. No Quadro 4, você pode ver uma síntese do que faz parte de cada “P” do composto. Fonte: Hisrich, Peters e Shepherd ( 2014, p. 209 ). Variável do mix de marketing Decisões cruciais Produto Qualidade dos componentes ou materiais, estilo, características, opções, nome de marca, embalagem, tamanhos, disponibilidade de serviços e garantias Preço Imagem de qualidade, preços, quantidade, descontos, reservas para pagamento rápido, condições de crédito e período de pagamento Canais de distribuição Uso de vendas por atacado ou a varejo, tipo de atacadistas ou de varejistas, quantidade de canais, extensão do canal, cobertura geográfica, estoque, transporte e uso de canais eletrônicos Promoção Alternativas de mídia, mensagem, orçamento de mídia, papel da venda pessoal, promoção de vendas ( expositores, cupons, etc. ), uso de redes sociais, design do site e interesse da mídia na divulgação Quadro 4. Decisões cruciais para o mix de marketing. 137Plano de marketing 1. Depois de reunir todas as informações necessárias, o empreendedor pode começar a preparar o plano de marketing. Marque a alternativa que descreve o que é o plano de marketing. a) Tem foco em todos os detalhes do empreendimento. b) Apresenta a descrição e as questões técnicas do produto ou serviço. c) Representa um elemento importante do plano de negócios e deve responder às seguintes perguntas: “Onde estamos?”, “Para onde queremos ir?”, “Como chegaremos lá?”. d) Apresenta as proposições de vendas exclusivas do produto. e) Apresenta projeções financeiras detalhadas. 2. O plano de marketing é um guia para implementar as decisões de marketing. Dessa forma, ele deve: a) descrever em detalhes a concepção do produto ou serviço. b) apresentar todos os detalhes da oportunidade pensada pelo empreendedor. c) ser feito considerando um tempo longo, de 5 a 10 anos. d) ser baseado em suposições vagas sobre o mercado. e) documentar e descrever formalmente os detalhes de marketing que vão fazer parte do processo de decisão do empreendedor. 3. O desenvolvimento do plano de marketing pode exigir alguma pesquisa de marketing para obter informações como: quem comprará o produto ou serviço; qual é a dimensão do mercado em potencial; que preço deve ser cobrado; qual é o canal de distribuição mais adequado; e qual é a estratégia de promoção mais eficiente para informar e atingir os possíveis clientes. Marque a alternativa que apresenta a ordem das etapas da pesquisa de marketing. a) Definição do propósito da pesquisa, coleta de dados de fontes primárias, coleta de informações de fontes secundárias, análise e interpretação dos resultados. b) Definição do propósito da pesquisa, coleta de dados de fontes secundárias, coleta de informações de fontes primárias, análise e interpretação dos resultados. c) Definição do propósito da pesquisa, coleta de dados de fontes primárias, análise e interpretação dos resultados, coleta de informações de fontes secundárias. d) Coleta de dados de fontes primárias, definição do propósito da pesquisa, coleta de dados de fontes secundárias, análise e interpretação dos resultados. e) Coleta de dados de fontes secundárias, definição do propósito da pesquisa, coleta de dados de fontes primárias, análise e interpretação dos resultados. Empreendedorismo138 4. As verdadeiras decisões de marketing de curto prazo no plano de marketing vão se basear em quatro variáveis principais: produto ou serviço, preço, praça ou distribuição e promoção. Esses quatro fatores são denominados: a) sistema de marketing b) planejamentoestratégico de marketing c) mix de marketing d) pesquisa de mercado e) análise da situação de marketing 5. Existem vários estágios na elaboração do plano de marketing. Cada um dos estágios, quando concluído, lhe dá as informações necessárias para preparar formalmente tal plano. Leia as afirmações a seguir e, em seguida, marque a resposta correta. I. A análise da situação é uma revisão de onde o empreendedor, ou seja, você, está. Para responder de vez a essa pergunta, você deve revisar o desempenho anterior do produto e da empresa. Se for um novo empreendimento, o histórico será mais pessoal, descrevendo como o produto ou serviço foi desenvolvido e por quê. II. Sua primeira ação ao elaborar o plano de marketing deve ser definir o mercado-alvo. III. No estágio de definição do mercado-alvo, é necessário que você realize a segmentação do mercado, que é o processo de dividir o mercado em grupos definíveis e mensuráveis ( ou seja, que podem ser medidos, calculados ) para orientar a estratégia de marketing. IV. Uma importante etapa do plano de marketing é a análise dos pontos fracos e fortes da concorrência. V. Após estabelecer as metas e os objetivos de marketing, você pode começar a desenvolver a estratégia de marketing e o plano de ação para atingi-los. a) Somente as alternativas I e II estão corretas. b) Somente as alternativas I, III e V estão corretas. c) Somente as alternativas III e IV estão corretas. d) Somente as alternativas III e V estão erradas. e) Somente as alternativas I e V estão erradas. 139Plano de marketing HISRICH, R. D.; PETERS, M. P.; SHEPHERD, D. A. Empreendedorismo. 9. ed. Porto Alegre: AMGH, 2014. Leituras recomendadas BESSANT, J.; TIDD, J. Inovação e empreendedorismo. Porto Alegre: Bookman, 2009. ROGERS, S. Finanças e estratégias de negócios para empreendedores. Porto Alegre: Bookman, 2011. Referência Empreendedorismo140 Conteúdo: DICA DO PROFESSOR Assista ao vídeo a seguir sobre a elaboração do plano de marketing. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) Após reunir todas as informações necessárias, o empreendedor pode começar a preparar o plano de marketing. Marque a alternativa abaixo que descreve o que é o plano de marketing: A) Tem foco em todos os detalhes do empreendimento. B) Apresenta a descrição e questões técnicas do produto ou serviço. C) Representa um elemento importante do plano de negócios e deve responder às seguintes perguntas: Onde estamos? Para onde queremos ir? Como chegaremos lá? D) Apresenta as proposições de vendas exclusivas do produto. E) Apresenta projeções financeiras detalhadas. 2) O plano de marketing é um guia para se implementar as decisões de marketing. Desta forma, ele deve: A) Descrever em detalhes a concepção do produto ou serviço. B) Apresentar todos os detalhes da oportunidade pensada pelo empreendedor. C) Ser feito considerando um horizonte temporal longo, de 5 a 10 anos. D) Ser concebido com base em suposições vagas sobre o mercado. E) Documentar e descrever formalmente os detalhes de marketing que farão parte do processo de decisão do empreendedor. 3) As informações para o desenvolvimento do plano de marketing podem determinar a necessidade de alguma pesquisa de marketing, a fim de obter informações como: quem comprará o produto ou serviço, qual é a dimensão do mercado em potencial, que preço deveria ser cobrado, qual é o canal de distribuição mais adequado e qual é a estratégia de promoção mais eficiente para informar e atingir os possíveis clientes. Marque a alternativa que apresenta a sequência das etapas da pesquisa de marketing. A) Definição do propósito da pesquisa, coleta de dados de fontes primárias, coleta de informações de fontes secundárias, análise e interpretação dos resultados. B) Definição do propósito da pesquisa, coleta de dados de fontes secundárias, coleta de informações de fontes primárias, análise e interpretação dos resultados. C) Definição do propósito da pesquisa, coleta de dados de fontes primárias, análise e interpretação dos resultados, coleta de informações de fontes secundárias. D) Coleta de dados de fontes primárias, definição do propósito da pesquisa, coleta de dados de fontes secundárias, análise e interpretação dos resultados. E) Coleta de dados de fontes secundárias, definição do propósito da pesquisa, coleta de dados de fontes primárias, análise e interpretação dos resultados. As verdadeiras decisões de marketing de curto prazo no plano de marketing 4) consistirão em quatro variáveis principais: produto ou serviço, preço, distribuição e promoção. Esses quatro fatores são denominados: A) Sistema de marketing. B) Planejamento estratégico de marketing. C) Mix de marketing. D) Pesquisa de mercado. E) Análise da situação de marketing. 5) Existem vários estágios na elaboração do plano de marketing. Cada um dos estágios, quando concluído, fornecerá as informações necessárias para preparar formalmente tal plano. Leia as afirmações a seguir e, em seguida, marque a resposta correta: I. A análise da situação é uma revisão de onde o empreendedor está. Para responder de vez a essa pergunta, o empreendedor fará uma revisão do desempenho anterior do produto e da empresa. Se for um novo empreendimento, o histórico será mais pessoal, descrevendo como o produto ou serviço foi desenvolvido e por que. II. A primeira ação do empreendedor ao elaborar o plano de marketing é definir o mercado-alvo. III. No estágio de definição do mercado-alvo é necessário que o empreendedor realize a segmentação do mercado, que é o processo de dividir o mercado em grupos definíveis e mensuráveis para orientar a estratégia de marketing. IV. Uma importante etapa do plano de marketing é a análise dos pontos fracos e fortes da concorrência. V. Após estabelecer as metas e os objetivos de marketing, o empreendedor pode começar a desenvolver a estratégia de marketing e o plano de ação para atingi-los. A) Somente as alternativas I e II estão corretas. B) Somente as alternativas I, III e V estão corretas. C) Somente as alternativas III e IV estão corretas. D) Somente as alternativas III e V estão erradas. E) Somente as alternativas I e V estão erradas. NA PRÁTICA Conheça agora algumas ferramentas que permitem ao empreendedor entender os hábitos de consumo de seus clientes. Você vem sempre aqui? Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Como elaborar um plano de marketing Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Empreendedorismo Affonso, Ligia Maria Fonseca; Ruwer, Léia Maria Erlich; Giacomelli, Giancarlo Plano financeiro APRESENTAÇÃO Nesta Unidade de Aprendizagem, você entenderá o papel do plano financeiro para o empreendedor. O plano financeiro fornece ao empreendedor um panorama da quantidade de recursos financeiros que estão entrando na empresa, o momento em que entram, para onde estão indo, quanto está disponível e a posição financeira projetada pela empresa. Oferece, também, a base de curto prazo para o controle orçamentário e ajuda a prevenir um dos problemas mais comuns nos novos empreendimentos: a falta de dinheiro. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Reconhecer a importância do planejamento financeiro para a sobrevivência dos negócios.• Identificar o papel dos orçamentos na preparação de demonstrativos pro forma.• Construir o fluxo de caixa, rendimento, balanço patrimonial e demonstrativos de origens e aplicações de recursos pro forma. • DESAFIO Para que um empreendedor tenha condições de realizar um planejamento financeiro adequado de seu empreendimento, é importante iniciar fazendo um planejamento financeiro pessoal. Este hábito é muito útil,ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: 7 Nichos Mais Lucrativos para 2019 e 2020 Assista neste vídeo algumas sugestões de negócios que podem trazer um bom resultado, pois são os nichos que mais vendem online. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Brainstorming ou Brainwriting? Descubra a melhor forma de provocar a criatividade na sua equipe Formas que incentivam a geração de ideias inovadoras: Neste texto você vai ler a respeito do Brains Storming e do Brain Writing, duas técnicas que colaboram com a criatividade. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Criatividade e inovação nas empresas A Criatividade e a Inovação traduzem-se na exploração bem-sucedida de novas ideias, essenciais para sustentar a competitividade e a geração de riquezas. Leia mais. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! O empreendedorismo e a mentalidade empreendedora APRESENTAÇÃO As mudanças que o mundo vem sofrendo ao longo dos anos geram na sociedade grande insegurança econômica e preocupação em relação a que caminho seguir. Apesar de tantas incertezas, o empreendedorismo cresce no Brasil já tem alguns anos. Em 2016, 48 milhões de brasileiros com idade entre 18 a 64 anos eram donos de seu próprio negócio, ou estavam envolvidos na criação de um. Conforme artigos publicados em 2018, com o aumento do desemprego, muitas pessoas investiram no empreendedorismo como fonte de renda no pais inteiro. Isso sem falar dos profissionais que aderiram a o "microempreendedor individual o MEI" para prestar serviços à grandes empresas que também conhecemos como freelancer. Nesta Unidade de Aprendizagem, apresentaremos o conceito de empreendedorismo e como ocorre o processo de empreender. Você conhecerá como trabalha a mente do empreendedor em seu processo criativo. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Identificar o conceito de empreendedorismo.• Explicar o processo de ação empreendedora.• Definir os estágios de uma ação empreendedora.• DESAFIO A maioria de nós está acostumada e foi incentivada a pensar de modo racional, mas nem sempre os empreendedores agem dessa forma quando estão estruturando o seu empreendimento. Nem sempre eles esmiúçam um problema de modo a começar com um resultado almejado e se concentrar nos meios para alcançar este resultado. Este processo é conhecido como processo causal. Ao invés disso, os empreendedores usam um processo de efetuação, ou seja, eles fazem uso do que têm – quem são, o que conhecem e quem conhecem – e escolhem entre os possíveis resultados. Você provavelmente conhece um empreendedor, alguém que tenha montado seu próprio negócio. O seu desafio é: 1) Escolher um empreendedor para entrevistar e descrever qual é o seu negócio. 2) Produzir um texto com a descrição de como foi o processo de tomada de decisões dele para montar o negócio. 3) Classificar se o processo foi causal (iniciou com um resultado almejado e se concentra nos meios para gerar esse resultado), de efetuação (iniciou com o que se tem e seleciona entre os possíveis resultados), ou ambos. Justifique sua resposta. INFOGRÁFICO O infográfico a seguir apresenta o modelo McMullen-Shepherd (2006), que explica como o conhecimento e a motivação influenciam dois estágios da ação empreendedora. CONTEÚDO DO LIVRO O empreendedorismo tem papel importante na criação e no crescimento dos negócios, assim como no crescimento e prosperidade de nações e regiões. As ações empreendedoras começam no ponto em que uma oportunidade lucrativa encontra um indivíduo empreendedor. Os empreendedores são movidos por dois fatores: conhecimento e motivação. Além disso, os empreendedores possuem uma forma muito peculiar de estruturar seu pensamento e usar sua criatividade. Leia o capítulo O empreendedorismo e a mentalidade empreendedora da obra Empreendedorismo, base teórica desta Unidade de Aprendizagem. Boa leitura. EMPREENDEDORISMO Ligia Maria Fonseca Affonso O empreendedorismo e a mentalidade empreendedora Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Identificar o conceito de empreendedorismo. Explicar o processo de ação empreendedora Definir os estágios de uma ação empreendedora. Introdução As mudanças políticas, sociais, econômicas e tecnológicas que o mundo vem sofrendo ao longo dos últimos anos geram na sociedade grande insegurança e preocupação em relação a que caminho seguir. Apesar desse cenário repleto de incerteza, o empreendedorismo vem crescendo no Brasil. Em 2016, 48 milhões de brasileiros com idade entre 18 a 64 anos eram donos de seu próprio negócio, ou estavam envolvidos na criação de um, ou seja, envolvidos em uma ação empreendedora. Neste capítulo, você vai conhecer o conceito de empreendedorismo; o processo e os estágios da ação empreendedora. Empreendedorismo Apesar de não possuir uma defi nição única, o empreendedorismo é considerado como um processo de criação de algo novo ou diferente, que agrega valor, que exige dedicação e esforço, e que incorre em riscos fi nanceiros, psicológicos e sociais, cujo retorno, na maioria das vezes, é a satisfação econômica e pessoal. É um termo então, relacionado à inovação, ao risco, à criatividade, à organização e à riqueza (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2014). O empreendedorismo vem se fortalecendo no Brasil e no mundo como um aspecto significativo e de grande importância para o desenvolvimento econômico e social, principalmente no que se refere à geração de emprego e renda. A atividade empreendedora contribui para o desenvolvimento de um país, uma vez que gera riqueza por meio da inovação e do aumento da produtividade (DORNELAS, 2013). No Brasil o empreendedorismo começou a alavancar a partir dos anos 1990, com a abertura da economia e também pela grande instabilidade dos vínculos empregatícios gerada pela crise econômica do final do século (BRITO; PEREIRA; LINARD, 2013). Cabe destacar que todas as empresas, sejam elas grandes, micro, pequenas ou médias, são importantes para o desenvolvimento econômico de um país. Em alguns países, as microempresas individuais ou familiares chegam a representar 50% de seu Produto Interno Bruto (PIB) (DOLABELA, 2012). O PIB representa a soma de todos os bens e serviços produzidos em um país ao longo de um ano. Trata-se de um dos principais indicadores econômicos de um país, criado pelo economista Richard Stone. No Brasil, o PIB é calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e seus resultados permitem que o governo, por meio de políticas públicas, se mobilize para promover um crescimento maior do país (TREMEA, 2011). Aqui no Brasil a criação de empresas duradouras e a diminuição de sua taxa de mortalidade são fatores importantes para o desenvolvimento do em- preendedorismo. Para estimular esse desenvolvimento é necessário diminuir a burocracia dos processos de abertura das empresas; criar linhas de crédito mais acessíveis e com menores taxas de juros aos empresários; tornar a le- gislação brasileira menos complexa e ampliar a disseminação da educação empreendedora, em todos os níveis de ensino. Essas são algumas medidas O empreendedorismo e a mentalidade empreendedora2 que podem facilitar a vida dos empreendedores, pois, quanto menor o tempo perdido com processos burocráticos e, maior o crédito concedido, mais tempo e recursos o empreendedor terá para se dedicar ao negócio, gerando benefícios à sociedade (GLOBAL ENTREPRENEURSHIP MONITOR, [2016?]; 2017). É importante destacar que a qualidade do empreendedorismo no Bra- sil teve um salto significativo nos últimos anos. Isso se deve, dentre outros motivos, à ampliação do acesso à informação sobre negócios, à atuação das organizações que apoiam a capacitação dos empreendedores e às políticas públicasmas são poucas as pessoas que o fazem. Leia o artigo a seguir: Como se planejar financeiramente de acordo com cada idade. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Agora, responda: a) Quanto à idade, em que estágio de vida você se encontra? b) Quais são os maiores desafios que você vive atualmente? c) Você já fez ou tem o hábito de fazer um planejamento financeiro pessoal, detalhando suas receitas e suas despesas? Como foi a experiência? Que dificuldades sentiu? Dica: experimente fazer o seu planejamento financeiro durante um mês. Crie uma planilha e nela coloque suas receitas (salário, por exemplo) e todas as despesas. Você ficará surpreso ao perceber que gasta mais do que deveria! INFOGRÁFICO O infográfico a seguir apresenta exemplos de três itens que compõem o plano financeiro: o demonstrativo de resultados pro forma, o fluxo de caixa pro forma e o balanço patrimonial pro forma. Veja: CONTEÚDO DO LIVRO O plano financeiro deve explicar para qualquer investidor em potencial como o empreendedor pretende cumprir todas as obrigações financeiras e manter sua liquidez para pagar dívidas ou oferecer um bom retorno sobre o investimento. Em geral, o plano financeiro precisará da projeção de dados financeiros por três anos para agradar aos investidores externos. O primeiro ano deve refletir os dados mensais. Esta Unidade de Aprendizagem apresenta os principais itens que devem estar incluídos no plano financeiro: demonstrativo de resultados pro forma, fluxo de caixa pro forma, balanço patrimonial pro forma e análise do ponto de equilíbrio. Boa leitura. EMPREENDEDORISMO Léia Maria Erlich Plano financeiro Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Reconhecer a importância do planejamento financeiro para a sobre- vivência dos negócios. � Identificar o papel dos orçamentos na preparação de demonstrativos pro forma. � Construir o fluxo de caixa, o balanço patrimonial e os demonstrativos de origens e aplicações de recursos pro forma. Introdução Neste texto, você vai entender a importância que o plano financeiro tem para você, empreendedor. O plano financeiro lhe dará uma ideia dos seguintes aspectos sobre seu empreendimento: quantidade de recursos financeiros que estão entrando; o momento em que entram; para onde estão indo; quanto está disponível; e qual é a posição financeira projetada pela empresa. Esse plano vai servir de base de curto prazo para o controle orçamentário e ajudá-lo a prevenir um dos problemas mais comuns nos novos empreendimentos: a falta de dinheiro. A partir deste texto, você também vai entender o papel dos orça- mentos e saber quais são as ferramentas necessárias para que as tarefas financeiras sejam desenvolvidas e geridas com eficácia e eficiência. A importância do planejamento financeiro para a sobrevivência dos negócios Até aqui, você já aprendeu sobre a lógica dos planos de negócios e de marketing e do planejamento organizacional; agora, é a vez do planejamento financeiro. Com o planejamento financeiro, você esclarece e deixa transparente o cum- primento das obrigações financeiras de seu novo empreendimento. Nele, você deve informar inclusive como será obtido o retorno sobre o investimento (ROI). Dentro da ideia de atrair e manter investidores, é prudente que seu plano financeiro projete três anos de atividades. Em seu plano financeiro, você deve incluir: � os recursos financeiros que entram na empresa, � quando eles entram na empresa; � como é sua distribuição; � quanto está disponível para as demandas internas e externas; � qual é a posição da empresa em relação a esses valores. O planejamento financeiro deve servir de base para o controle orçamentário. Além disso, ele precisa prevenir possíveis faltas dos recursos financeiros. O planejamento financeiro vai ajudá-lo a atingir as metas de sua empresa, pois ele organiza e dá visibilidade aos recursos financeiros disponíveis. Dessa forma, esse planejamento é fundamental para suas tomadas de decisões sobre a distribuição e alocação dos recursos financeiros no investimento em melhorias na organização. Para você, empreendedor, o planejamento financeiro torna-se ainda mais gerencial ao lhe dar uma boa ideia, na projeção dos primeiros anos, se você terá lucro ou prejuízo (Figura 1). Com esse planejamento, você pode estar no comando de tudo o que entra e sai, utilizando controles de gestão. Figura 1. Plano financeiro e o auxílio à gestão. Empreendedorismo152 Você precisa aprender a lidar com os recursos financeiros de seu empre- endimento, e o plano financeiro é a opção para isso. A falta dessa ferramenta pode deixar sua gestão mais amadora, causando os seguintes problemas: � dificuldade de trabalhar a alocação dos recursos para o progresso da organização; � falta de conhecimento sobre quanto você paga e quanto recebe, por não ter noção de seu fluxo de caixa; � incapacidade de perceber se você tem lucro ou prejuízo; � impossibilidade de planejar e executar controles, por não conhecer os valores. O papel dos orçamentos na preparação de demonstrativos pro forma Quando você elabora um plano de negócios, deve incluir também os demons- trativos pro forma. Eles apresentam aos possíveis investidores um cenário futuro sobre a saúde financeira da empresa. Demonstrativo de resultados pro forma: Projeção do lucro líquido, calculado a partir da receita projetada menos os custos e as despesas previstos. O demonstrativo de resultados pro forma projeta, em primeiro lugar, as vendas do mês. É o plano de marketing que as dirige, pois é importante consi- derar questões como, por exemplo, sazonalidade (ou seja, aquilo que acontece sempre na mesma época do ano) ou as próprias estratégias de marketing. Nos primeiros meses, talvez as vendas provoquem alguns custos que as projetem para uma maior proporção. Isso não deve assustá-lo; no início, isso pode ser normal. Porém, com o planejamento financeiro, você vai entender a situação e estar no comando, projetando um equilíbrio logo à frente. Para os demonstrativos pro forma, você deve preparar orçamentos de operação e de capital. A preparação dos orçamentos deve estar de acordo com a constituição da empresa. 153Plano financeiro Caso você seja o único responsável pela gestão do empreendimento, você vai decidir sobre a preparação dos orçamentos. Caso sua empresa seja no formato de sociedade, funcionários específicos podem ficar responsáveis por orçar os demonstrativos. Porém, quem decide e responde sobre a finalização é você, o empreendedor. Orçamento de vendas O primeiro item que você deve considerar é o orçamento de vendas, que deve conter: � as vendas projetadas; � o estoque final almejado; � o disponível para venda; � a produção total necessária. Descontando o disponível para venda do estoque inicial, você chegará à produção total necessária. Veja um exemplo na Tabela 1. Fonte: Hisrich, Peters e Shepherd (2014, p. 233). Jan Fev Mar Vendas projetadas (unidades) 5.000 8.000 12.000 Estoque final almejado 100 200 300 Disponível para venda 5.100 8.200 12.300 Menos: estoque inicial 0 100 200 Produção total necessária 5.100 8.100 12.100 Tabela 1. Exemplo de orçamento de produção para os três primei-ros meses. Na Tabela 1, a partir do volume de venda projetada, você pode ter uma noção, por exemplo, da projeção dos custos da produção interna necessários para esta venda, bem como os da produção terceirizada. Outro fator que você pode observar são os estoques necessários em função da demanda. Portanto, o próximo passo é concentrar forças nos custos operacionais, elaborando uma lista de despesas fixas. Empreendedorismo154 Orçamento de operação Seu próximo passo é concentrar forças nos custos operacionais, elaborando uma lista de despesas fixas: � aluguel; � eletricidade; � água; � salários; � publicidade; � depreciação;implementadas e aperfeiçoadas, como o Simples e a criação do Microempreendedor Individual (MEI). Dentre as principais vantagens do empreendedorismo podemos destacar (BRITO, 2013): Geração de emprego e renda. Aumento do crescimento econômico. Estímulo à competição saudável, gerando produtos e serviços de maior qualidade. Estímulo ao desenvolvimento de novos mercados. Estímulo ao uso da tecnologia em pequena escala. Estímulo às pesquisas e ao desenvolvimento de máquinas e equipa- mentos modernos para uso doméstico. Estímulo ao surgimento de novos empreendedores, ao desenvolvimento de qualidades e atitudes empreendedoras. Redução da economia informal e menor dependência do emprego formal. Possibilidade de grande retorno financeiro, caso o empreendedor esteja preparado e consciente de suas limitações e potencial. Dentre as principais desvantagens ou dificuldades relacionadas ao empre- endedorismo podemos destacar a necessidade de maior dedicação e esforço mental, emocional e, algumas vezes, físico, bem como muitas horas de tra- balho. Também deve ser mencionada a preocupação e a tensão em dirigir e fazer dar certo um negócio próprio e, por isso, uma maior responsabilidade com os processos de trabalho, além da constante ameaça da concorrência, da possibilidade de insucesso e a convivência contínua com os riscos inerentes a qualquer negócio (BRITO, 2013). Apesar de todas as dificuldades que você acabou de conhecer e que se im- põem à abertura de novos negócios no país, a taxa total de empreendedorismo no Brasil, em 2017, foi de 36,4%, o que significa que entre 100 brasileiros, 36 estavam ou criando e aprimorando um negócio novo, ou trabalhando na manutenção de um negócio já existente. Você sabe o que isso significa? Quase 3O empreendedorismo e a mentalidade empreendedora 50 milhões de brasileiros já possuíam seu negócio ou estavam trabalhando na criação de um novo negócio em um futuro próximo (GLOBAL ENTREPRE- NEURSHIP MONITOR, [2018?]). Veja, na Figura 1, as etapas do processo empreendedor, que tem início com a intenção das pessoas em iniciar um negócio e passam pelas etapas de criação, fases iniciais de desenvolvimento (nascentes e novos) até o estabelecimento do empreendimento (GLOBAL ENTREPRENEURSHIP MONITOR, [2016?]). Figura 1. Processo empreendedor. Fonte: Adaptada de GEM ([2016?], p. 22). Contexto empreendedor Estabelecidos Novos Nascentes Intenções • Vê oportunidades • Tem conhecimento e habilidades • Não tem medo de fracasso • Atitude positiva Potencial empreendedor Características do indivíduo Postura da sociedade Ambiente institucional Descontinuidade Fases do empreendimento Processos de ação empreendedora Você já sabe que o empreendedorismo possui papel importante na economia e contribui para o desenvolvimento, crescimento e sustentabilidade de uma nação, por meio da criação de novas empresas no mercado e da inovação apresentada por elas. O empreendedorismo é o motor da economia e o desenvolvimento da economia depende de empreendedores, de crédito e de novas combinações de produtos (SCHUMPETER, 1982; ENDEAVOR, 2014). Você sabia que ser dono do próprio negócio é o quarto principal sonho dos brasileiros? Isso mesmo, esse sonho perde apenas para o desejo de possuir a casa própria, de viajar pelo Brasil e de comprar um automóvel (GLOBAL ENTREPRENEURSHIP MONITOR, [2016?]). Mas, qual é o momento de empreender? Na verdade, não há um momento certo para isso. São muitos os motivos que disparam essa iniciativa, como o momento econômico favorável O empreendedorismo e a mentalidade empreendedora4 ou não, a simples vontade de ter um negócio, ou ainda por circunstâncias alheias à vontade do indivíduo (DORNELAS, 2013). Cabe destacar que essa iniciativa pode ser provocada por um conjunto de fatores ou por apenas um, alguns claros e facilmente definidos e outros, nem tanto. Prova disso é que algumas pessoas se lembram do momento em que decidiram empreender e outras não conseguem se lembrar. O fato é que o empreendedorismo pode ser motivado por oportunidade ou por necessidade. Veja, na Figura 2, alguns dos fatores que motivam o empreendedorismo por necessidade e por oportunidade. Figura 2. Modos de empreender. Fonte: Adaptada de Dornelas (2013). Convite Ideia/descoberta inovaçao Decisão deliberada e/ou planejada Carece de conhecimento explícito Não tem acesso a oportunidade de trabalho formal Necessita de dinheiro para sobreviver Foco: sobrevivência/renda mínima Busca sistemática (quer ganhar dinheiro, realização) Foco: realizar sonho Ganha recurso inesperado Recebe herança/patrimônio, participa de sucessão de empresa familiar Missão de vida/quer deixar legado Pós-carreira aposentadoria Desejo de autonomia Demissão/ desemprego Empreendedor de necessidade Empreendedor de oportunidade O empreendedorismo por necessidade é aquele no qual as pessoas acabam sendo levadas a empreender para a sua sobrevivência e de sua família. Essa necessidade ocorre, por exemplo, pela falta de emprego formal, seja por falta de preparo, de formação ou de capacitação do indivíduo; seja por um momento desfavorável na economia de um país, gerando um cenário de desemprego, ou ainda, pela perda do emprego formal. Nesse contexto, o trabalho informal se torna uma rotina no dia a dia do empreendedor de necessidade, que precisa prover o mínimo de recursos para sua sobrevivência e, nesses casos, empreender torna-se inevitável. Cabe destacar que, para alguns, o empreendedorismo por necessidade também pode representar o primeiro passo para o empreendedo- rismo de oportunidade (DORNELAS, 2013). O empreendedorismo por oportunidade, assim como o empreendedorismo por necessidade, pode ser motivado por diversos fatores. Alguns desses mo- tivos podem ser: o desejo ou sonho de ter um negócio próprio e perceber as vantagens para a sua realização; um convite recebido de amigos para formar 5O empreendedorismo e a mentalidade empreendedora uma sociedade; uma sucessão familiar; a disponibilidade de recursos para aplicação, proveniente de demissão, aposentadoria, loteria ou herança; a vontade de oferecer soluções para os problemas das pessoas ou para seus próprios problemas, criando um produto ou serviço inovador; a vontade de alcançar independência financeira, autonomia e realização profissional; entre outros (DORNELAS, 2013). Assim, independente da motivação, pode-se dizer que o empreendedo- rismo exige uma ação empreendedora. O fato é que a ação empreendedora tem início com o surgimento de uma oportunidade, e sem oportunidade não existe empreendedorismo. A ação empreendedora ocorre por meio da criação de novos produtos e processos e/ou da entrada em novos mercados por empresas recém-criadas ou por empresas já estabelecidas (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2014). Dessa forma, o processo da ação empreendedora é composto pelo reco- nhecimento ou criação de uma oportunidade, seguido por avaliação, seleção e exploração de uma oportunidade, por meio do desenvolvimento de um produto ou serviço, ou ainda da combinação dos dois, que pode acontecer em uma empresa já existente ou com a criação de uma. A ação empreendedora passa então pela geração da ideia; pela criação de valor, isto é, pelo desenvolvimento de um produto ou serviço; pela criação de uma empresa; pela captura de valor com a comercialização da inovação e pelo compartilhamento do valor capturado com fornecedores e/ou outros atores (SALERNO; GOMES, 2018). Oportunidades empreendedoras são aquelas pelas quais produtos, serviços, recursos materiais e métodos organizacionais podem ser inseridos no mercado e gerar valor financeiro para o empreendedor (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2014). O empreendedorismo e a mentalidade empreendedora6 Estágios da ação empreendedora Você viu anteriormente que sem oportunidade não existe empreendedorismo, Mas o que é uma oportunidade? Na verdade, não existe uma defi nição única sobreo que seja uma oportunidade. Veja, no Quadro 1, algumas defi nições de oportunidade identifi cadas por Hansen, Shrader e Monllor (2011). Fonte: Adaptado de Hansen, Shrader e Monllor (2011). Visão 1: uma oportunidade é a possibilidade de introduzir um novo produto no mercado, com o intuito de obter lucro. Visão 2: uma oportunidade é uma situação na qual os empreendedores visualizam ou criam novos frameworks do tipo meios–fins. Visão 3: uma oportunidade é uma ideia que deve ser desenvolvida na forma de um negócio. Visão 4: uma oportunidade é a percepção de um empreendedor de meios viáveis para obter e atingir benefícios. Visão 5: uma oportunidade é a habilidade de um empreendedor em criar uma solução para um problema. Visão 6: uma oportunidade é a possibilidade de servir os consumidores diferentemente e melhor. Quadro 1. Entendimentos sobre oportunidades Veja que as visões apresentadas, apesar de diferentes, possuem em comum a oportunidade como um problema de mercado ou uma necessidade dos consumidores e como a necessidade de mobilizar e combinar recursos para o desenvolvimento de um produto ou serviço. É importante destacar que, diante das potenciais oportunidades, os em- preendedores devem ter discernimento para decidir se essas valem a pena ou não. Cabe destacar que a dúvida pode interferir na ação empreendedora. Dessa forma, avaliar o nível de incerteza de uma oportunidade é fundamental para o sucesso da ação empreendedora, bem como conhecer a disposição do empreendedor em enfrentá-la. Nesse sentido, o conhecimento prévio do empreendedor também pode reduzir o nível de incerteza em sua decisão e sua motivação representa sua disposição para enfrentá-la (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2014). 7O empreendedorismo e a mentalidade empreendedora Para reconhecer uma oportunidade e decidir explorá-la, os empreendedo- res precisam combinar seus conhecimentos e motivações com informações complementares, uma vez que possuir informações prévias e capacidade cognitiva necessária para avaliar as oportunidades contribui para o sucesso da escolha (SHANE; VENKATARAMAN, 2000; AUTIO; DAHLANDER; FREDERIKSEN, 2013). O processo de reconhecimento de uma oportunidade envolve duas etapas: a de identificação, em que um conjunto de problemas e um conjunto de informações são apresentados aos empreendedores ao mesmo tempo, permitindo que eles imaginem possíveis soluções aos problemas e então possam identificar as oportunidades; e a etapa de avaliação, em que os empreendedores se imaginam em ação e, dessa forma, decidem se a oportu- nidade é viável ou não (MCMULLEN; SHEPHERD, 2006). O modelo teórico desenvolvido por McMullen e Shepherd (2006) explica como o conhecimento e a motivação atuam nos dois estágios da ação empre- endedora: o estágio de atenção e o estágio de evolução. Estágio de atenção: tem o conhecimento prévio como fonte de infor- mação e as estratégias pessoais como fatores motivacionais. Nessa fase as incertezas são muitas devido à ignorância do empreendedor, que resulta em uma oportunidade para uma terceira pessoa. O resultado aqui é a percepção do empreendedor de que há uma oportunidade a ser aproveitada por alguém. Estágio de evolução: o empreendedor é levado a esse estágio quando reconhece a oportunidade. O conhecimento é gerado a partir da avalia- ção da viabilidade e a motivação, a partir da avaliação de conveniência. Essa combinação leva o empreendedor a identificar oportunidades para si próprio e as incertezas, se são pontuais e se podem ser superadas por ele, dotado de conhecimento e motivação, por meio da ação empreendedora. Aqui o empreendedor decide se a oportunidade é viável para ele. Dessa forma, entendemos que aqueles que possuem conhecimento sobre o mercado e as tecnologias, são capazes de identificar mudanças no ambiente externo, principalmente se estiverem motivados para processar essas informa- ções, tendo maiores chances de identificar uma oportunidade para explorar ou não. Empreender significa, então, agir diante de uma oportunidade que vale a pena ser aproveitada. É importante entendermos que, além de pensarem de forma diferente dos outros, os empreendedores possuem um raciocínio diferente para cada situação, não sendo raro tomarem decisões em ambientes altamente inseguros, O empreendedorismo e a mentalidade empreendedora8 com altos níveis de risco e pressão. É normal que, em ambientes com essas características, nossas decisões em relação a problemas sejam diferentes daquelas que normalmente tomaríamos em uma situação normal, na qual se tem tempo e conhecimento para solucioná-los. Dependendo do ambiente de tomada de decisões em que o empreendedor se encontra ele pode (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2014): Pensar estruturalmente: a ação do empreendedor parte de seu conhe- cimento prévio sobre mercados existentes para a inserção de produtos/ serviços com nova tecnologia, capazes de satisfazer as necessidades desse mercado ou do conhecimento sobre uma tecnologia em um novo mercado que se beneficiaria de sua introdução. A conexão entre um novo produto ou serviço e seu mercado alvo pode ser apoiada pelas chamadas semelhanças superficiais e estruturais entre a fonte (mercado) e o destino (tecnologia). O conhecimento sobre um mercado ou uma tecnologia pode facilitar a capacidade de reconhecer as oportunidades empreendedoras. Semelhanças superficiais: acontecem quando os elementos básicos (fáceis de observar) da tecnologia se assemelham aos elementos básicos do mercado. Semelhanças estruturais: acontecem quando os mecanismos fundamentais da tecno- logia se assemelham ou correspondem aos mecanismos fundamentais do mercado (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2014). Adotar a bricolagem: refere-se a combinar recursos disponíveis para aplicar a novos problemas e oportunidades. Em outras palavras: experi- mentar, remendar, reembalar e/ou reenquadrar os recursos disponíveis para que possam ser utilizados de um modo para o qual não foram projetados ou concebidos inicialmente. Isso quer dizer que os empre- endedores conseguem improvisar para criar oportunidades. Efetuar: significa utilizar todas as informações que possui para imaginar diversos cenários para a empresa e, então, decidir, sem necessaria- mente precisar optar pela ideia inicial de negócio. A efetuação ajuda os empreendedores a raciocinarem em um ambiente altamente incerto, 9O empreendedorismo e a mentalidade empreendedora algo comum nos dias atuais, uma vez que as organizações atuam em ambientes complexos e dinâmicos, cada vez mais caracterizados por mudanças rápidas, substanciais e descontínuas, o que exige dos empre- endedores uma mentalidade empreendedora para que consigam adaptar suas empresas a esse contexto. Mentalidade empreendedora: capacidade que o empreendedor possui para detectar e agir rapidamente, principalmente em condições incertas (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2014). Adaptar-se de modo cognitivo: significa refletir, entender e controlar o pensamento e a aprendizagem sobre as atividades, situações e seus ambientes, para poder decidir sobre as oportunidades. Os empreende- dores precisam ser dinâmicos, flexíveis, autorreguladores e engajados em seu processo de decisão, identificando e processando as mudanças em seus ambientes, que irão guiá-lo depois de sua ocorrência. Quanto maior a adaptabilidade cognitiva, maior a possibilidade de adaptação a novas situações, e maior a criatividade e o raciocínio. Pensamento empreendedor: processo mental que ajuda o empreendedor a superar sua ignorância para decidir sobre uma oportunidade para alguém e/ou para reduzir suas dúvidas quanto a essa oportunidade (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2014). É importante destacar também que toda ação empreendedora é intencional. Empreendedores buscam determinadas oportunidades e entrar em novos mercados, além de oferecer novos produtos e serviços, de forma intencional. Quanto mais forte for a intenção de se empenhar em um comportamento,maior será a probabilidade colocá-lo em prática. O empreendedorismo e a mentalidade empreendedora10 Intenções empreendedoras: fatores motivantes que influenciam as pessoas a buscar resultados empreendedores (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2014). Como você viu, na maioria das vezes as pessoas se tornam empreendedoras porque têm essa vontade e, quanto mais forte for a vontade de empreender, maior será a probabilidade de que isso aconteça. Quando as pessoas enxergam que empreender é viável, suas intenções se fortalecem. Cabe destacar que essa vontade é influenciada pela experiência e pelas características de cada um, como valores, crenças, experiências pessoais e profissionais. A ação empreendedora pode gerar ganhos econômicos para o empreendedor, sua família e para a sociedade em geral. Você sabia que a paranoia, no ambiente de negócios é importante? Para Andrew S. Grove, presidente e CEO da Intel Corp., em Santa Clara, Califórnia, ser paranoico consiste em não descansar sobre as vitórias passadas e ser detalhista em relação aos aspectos mais importantes do negócio (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2014). AUTIO, E.; DAHLANDER, L.; FREDERIKSEN, L. Information exposure, opportunity evalua- tion and entrepreneurial action: an empirical investigation of an online user community. Academy of Management Journal, v. 56, n. 5, p. 1348–1371, jan. 2013. BRITO, A. M.; PEREIRA, P. S.; LINARD, A. P. Empreendedorismo. Juazeiro do Norte: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará – IFCE, 2013. DOLABELA, F. O Segredo de Luísa. Rio de Janeiro: Sextante, 2012. DORNELAS, J. Empreendedorismo para visionários: desenvolvendo negócios inovadores para um mundo em transformação. Rio de Janeiro: LTC, 2013. 11O empreendedorismo e a mentalidade empreendedora ENDEAVOR BRASIL. Financie seu sonho: guia Endeavor de acesso a capital para empre- endedores. 2014. Disponível em: . Acesso em: 5 nov. 2018. GLOBAL ENTREPRENEURSHIP MONITOR (GEM). Empreendedorismo no Brasil: 2015. Curi- tiba: IBQP, [2016?]. Disponível em: . Acesso em: 5 nov. 2018. GLOBAL ENTREPRENEURSHIP MONITOR (GEM). Empreendedorismo no Brasil: 2016. Curi- tiba: IBQP, 2017. Disponível em: . Acesso em: 5 nov. 2018. GLOBAL ENTREPRENEURSHIP MONITOR (GEM). Empreendedorismo no Brasil: 2017. Curi- tiba: IBQP, [2018?]. Disponível em: . Acesso em: 5 nov. 2018. HANSEN, D. J.; SHRADER, R.; MONLLOR, J. Defragmenting definitions of entrepreneurial opportunity. Journal of Small Business Management, v. 49, n. 2, p. 283–304, Apr. 2011. HISRICH, R. D.; PETERS, M. P.; SHEPHERD, A. D. Empreendedorismo. 9. ed. Porto Alegre: Bookman, 2014. MCMULLEN, J. S.; SHEPHERD, D. A. Entrepreneurial action and the role of uncertainty in the theory of the entrepreneur. Academy of Management Review, v. 31, n. 1, p. 132–52, 2006. SALERNO, M. S.; GOMES, L. A. V. Gestão da inovação mais radical. Rio de janeiro: Elsevier, 2018. SCHUMPETER, J. A. A teoria do desenvolvimento econômico. São Paulo: Nova Cultural, 1982. (Série "Os Economistas”). SHANE, S.; VENKATARAMAN, S. The promise of entrepreneurship as a field of research. Academy of Management Review, v. 25, n. 1, p. 217–226, jan. 2000. TREMEA, N. J. C. As exportações e o produto interno bruto do Brasil no período de 2000 a 2009. Revista ADMpg Gestão Estratégica, v. 4, n. 1, 2011. Leitura recomendada DEGEN, R. J. O empreendedor: empreender como opção de carreira. São Paulo: Prentice- -Hall do Brasil, 2009. O empreendedorismo e a mentalidade empreendedora12 Conteúdo: DICA DO PROFESSOR O vídeo a seguir trata da importância do empreendedorismo. Veja: Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) Marque a alternativa que se refere ao conceito de ação empreendedora: A) Uma ação empreendedora está relacionada à criação de novos produtos/ processos e/ou à entrada em novos mercados, que pode ocorrer por meio de uma organização recém-criada ou dentro de uma organização estabelecida. B) Uma ação empreendedora está relacionada à criação de novos produtos/processos e/ou à entrada em novos mercados, que pode ocorrer apenas por meio de uma organização recém- criada. C) Uma ação empreendedora está relacionada à criação de novos produtos/processos e/ou à entrada em novos mercados, que pode ocorrer apenas por meio de uma organização estabelecida. D) Uma ação empreendedora está relacionada a situações nas quais novos bens, serviços, matérias-primas e métodos organizacionais podem ser introduzidos e vendidos por um valor maior do que o seu custo de produção. E) Uma ação empreendedora está relacionada a situações nas quais novos bens, serviços, matérias-primas e métodos organizacionais podem ser introduzidos e vendidos por um valor igual ao seu custo de produção. Dada a natureza do ambiente de tomada de decisões de um empreendedor, este deve 2) assumir diferentes formas de pensar dependendo da situação: pensar estruturalmente, adotar a bricolagem, executar ou se adaptar de modo cognitivo. Responda a questão a seguir, considerando como os empreendedores pensam. Os processos mentais com que o indivíduo supera a ignorância para decidir se um sinal representa uma oportunidade para alguém e/ou reduz dúvidas quanto a esta oportunidade podem ser identificados como: A) Pensamento estrutural. B) Bricolagem. C) Execução de uma ideia. D) Efetuação. E) Pensamento empreendedor. 3) Dornelas (2013) trata do tema do Empreendedorismo e da Mentalidade Empreendedora. Para ele, conforme apresentado nas discussões desta UA, o chamado Empreendedor de Oportunidade possui alguns motivadores para que ele desenvolva seu negócio. Indique qual a alternativa que contém SOMENTE motivadores para um Empreendedor de Oportunidade. A) Necessita de dinheiro para sobreviver, Demissão/ desemprego, Desejo de autonomia B) Ideia/descoberta/inovação, Missão de vida/quer deixar legado, Não tem acesso a oportunidade de trabalho formal C) Ganha recurso inesperado, Pós-carreira aposentadoria, Carece de conhecimento explícito. D) Desejo de autonomia, Recebe herança/patrimônio, participa de sucessão de empresa familiar, Busca sistemática (quer ganhar dinheiro, realização) E) Convite, Busca sistemática (quer ganhar dinheiro, realização), Necessita de dinheiro para sobreviver 4) No que se refere ao pensamento estrutural do empreendedor ao pensar um negócio, quando elementos básicos da tecnologia se assemelham aos elementos básicos do mercado, podemos afirmar que existem: A) Semelhanças estruturais. B) Semelhanças superficiais. C) Oportunidade no mercado. D) Salto mental criativo. E) Pensamento empreendedor. 5) Geralmente, a ação empreendedora é intencional. Os empreendedores tencionam buscar certas oportunidades, entrar em mercados novos e oferecer novos produtos – e raramente esse processo é de conduta não intencional. As intenções capturam os fatores motivantes que influenciam um comportamento. Elas indicam a intensidade com que as pessoas desejam tentar, o quanto pretendem se esforçar para agir de uma determinada maneira. Em geral, quanto mais forte a intenção de se empenhar em um comportamento, maior será a probabilidade de praticá-lo. Marque a afirmativa que se refere ao conceito de intenção empreendedora. A) São fatores motivantes que influenciam as pessoas a buscarem resultados empreendedores. B) São convicções de que é possível executar com êxito o processo empreendedor. C) São percepções de viabilidade de execução de um empreendimento. D) São percepções da capacidade pessoal de realizardeterminado trabalho ou conjunto de tarefas. E) É uma avaliação favorável ou desfavorável dos possíveis resultados empreendedores. NA PRÁTICA Veja agora um exemplo de como o empreendedor Jim Boothe pensou na criação de seu negócio. Trata-se de um exemplo de salto mental criativo, que originou-se de uma tecnologia existente e inventada por ele para chegar a um mercado que se beneficiará dela. Para ler na íntegra, veja o Caso 2 - Jim Boothe, Inventor, disponível junto ao Conteúdo do Livro. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: O que é ser empreendedor Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! O processo empreendedor em empresas criadas por necessidade Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Mentalidade empreendedora brasileira. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! O perfil do empreendedor: histórico e características APRESENTAÇÃO Nesta Unidade de Aprendizagem, apresentaremos as características do empreendedor no que se refere à educação, idade e histórico profissional. Você também conhecerá o que são modelos de conduta dos empreendedores e os sistemas de apoio com que devem contar para o êxito de seu empreendimento, considerando os conceitos do empreendedorismo sustentável. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Definir as principais características do empreendedor;• Reconhecer os sistemas de apoio para o empreendedor;• Identificar o conceito de empreendedorismo sustentável.• DESAFIO Empreendedores são indivíduos que sempre atraem a nossa atenção, pois se lançaram ao desafio de montar o próprio negócio. Identifique um empreendedor que você conhece e converse com ele para conhecer as características do seu perfil empreendedor. No que se refere à educação formal e informal: qual é a escolaridade dele? Que cursos já fez? Quais são os seus principais interesses? Com que idade ele iniciou o negócio? Qual a idade dele hoje? No que se refere ao histórico profissional: em que trabalhava antes de montar o seu negócio? Como esta experiência anterior o influenciou na iniciativa de montar o negócio? Para realizar este desafio, você deverá atender aos seguintes itens: 1) Descreva objetivamente qual o negócio do empreendedor. 2) Realize a entrevista com o empreendedor e responda as questões solicitadas produzindo um texto. INFOGRÁFICO Um dos principais fatores que influenciam os empreendedores em sua carreira é a escolha do modelo de conduta. Também é importante estabelecer uma rede de apoio moral de familiares e amigos, uma espécie de torcida organizada que lhes permitem dedicar a enorme quantidade de tempo necessária para o novo empreendimento. Veja o infográfico: CONTEÚDO DO LIVRO O perfil dos empreendedores é influenciado por três características: educação, idade e histórico profissional. Eles se espelham em modelos de conduta e necessitam de sistemas de apoio durante a implantação e existência de seu empreendimento. Muitos empreendedores consideram a sustentabilidade como um ponto chave, que abrange os benefícios econômicos e não econômicos para ele (o empreendedor), para a economia e a sociedade. Aprofunde seu conhecimento com o capítulo Histórico e características do empreendedor, do livro Empreendedorismo, base teórica para esta Unidade de Aprendizagem EMPREENDEDORISMO Ligia Maria Affonso O perfil do empreendedor: histórico e características Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Definir as principais características do empreendedor. Reconhecer os sistemas de apoio para o empreendedor. Identificar o conceito de empreendedorismo sustentável. Introdução O mercado empresarial vem passando por várias mudanças ao longo dos anos, acarretadas pelas alterações ocorridas em todos os aspectos da vida humana e em todo o mundo. Diante da instabilidade que toda mudança provoca, é preciso buscar meios de se adaptar a elas e, então, buscar a sobrevivência em um ambiente de incertezas. Muitas vezes, um novo negócio ou um negócio já existente são o meio que as pessoas encontram para sobreviver, conseguindo, ao mesmo tempo, realizar um sonho. Neste capítulo, você vai estudar as principais características do em- preendedor. Você também vai verificar os principais sistemas de apoio ao empreendedor e o conceito de empreendedorismo sustentável. Características do empreendedor Assim como o empreendedorismo, o empreendedor também possui papel importante no desenvolvimento da economia de um país. É ele quem produz novas ideias por meio de sua imaginação e criatividade, motivado pelo desejo de se realizar, de assumir responsabilidades e de conquistar sua independência. Em uma defi nição básica, o empreendedor é aquele que cria e inicia algo novo, que sai na frente dos outros, que enxerga oportunidades onde ninguém vê; é determinado e não tem medo de correr riscos, conforme aponta Dolabela (2012). Há tempos pesquisadores tentam definir um padrão de perfil para o em- preendedor e descobrir o que ele pensa e como ele age. Apesar de não existir uma definição única, algumas características ou traços empreendedores são sempre citados pelos pesquisadores como muito comuns aos empreendedo- res, segundo Dornelas (2013). Dentre as características mais comuns de um empreendedor, podemos destacar: o otimismo e a visão de futuro; a capacidade de transformar crises em oportunidades e influenciar pessoas, no sentido de guiá-las em direção às suas ideias; a habilidade para inovar criando algo novo ou inovando o que já existe; a busca incessante por novos negócios e oportunidades; a preocupação em melhorar produtos e serviços; o interesse nas necessidades do mercado. A autoavaliação, a autocrítica e o autocontrole são características do empreendedor que busca seu desenvolvimento, conforme aponta Dornelas (2013). A imaginação, a determinação e a habilidade de organizar, de liderar pessoas e de conhecer tecnicamente etapas e processos também são aspectos importantes de um empreendedor. É necessário que o indivíduo desenvolva suas habilidades empreendedoras, conhecendo bem os fatores externos à empresa, como o mercado e a concorrência, e os fatores internos, como as forças e fraquezas do negócio. Segundo Dornelas (2013), outras características comumente atribuídas aos empreendedores são: Motivação: geralmente os empreendedores são movidos pela motivação que possuem para cumprir uma missão ou realizar um sonho. Ou seja, a realização do empreendedor está além do ganho financeiro. Iniciativa: é uma característica forte nos empreendedores que se an- tecipam às situações e não esperam acontecer; ou seja, eles chegam primeiro e vão atrás daquilo em que acreditam. Paixão: empreendedores são otimistas e apaixonados pelo que fazem, principalmente quando o negócio é a realização de um sonho. Networking: relacionamento é fundamental para os empreendedores; assim, é necessário desenvolver uma rede de contatos extensa, com os mais variados tipos de pessoas. Esse networking é o alicerce das relações que o empreendedor carregará por toda a vida e será útil ao seu desenvolvimento pessoal e empresarial. O perfil do empreendedor: histórico e características2 Trabalho em equipe: necessário para a sustentação do negócio, uma vez que, sozinho, o empreendedor não consegue realizar seu sonho e alcançar o sucesso no negócio. Planejamento: também é fundamental para a manutenção do negócio, pois, se o empreendedor não sabe aonde quer chegar, dificilmente conseguirá ter sucesso no empreendimento. Outros aspectos importantes quando falamos em empreender são a educa- ção, a idade e o histórico profissional do indivíduo, conforme apontam Hisrich, Peters e Shepherd (2014). A educação formal, ao contrário do que muitos imaginam,