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Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil Autor: Ricardo Torques 06 de Maio de 2023 39471799600 - Naldira Luiza Vieria Ricardo Torques Aula 16 Índice ..............................................................................................................................................................................................1) Recursos - Teoria Geral dos Recursos 6 ..............................................................................................................................................................................................2) Recursos - Apelação 31 ..............................................................................................................................................................................................3) Recursos - Agravos 43 ..............................................................................................................................................................................................4) Recursos - Embargos de Declaração 61 ..............................................................................................................................................................................................5) Recursos - Recurso Ordinário 73 ..............................................................................................................................................................................................6) Recursos - Recurso Extraordinário e Recurso Especial 78 ..............................................................................................................................................................................................7) Recursos - Embargos de Divergência 94 ..............................................................................................................................................................................................8) Questões Comentadas - Recursos - Teoria Geral dos Recursos - CEBRASPE 99 ..............................................................................................................................................................................................9) Questões Comentadas - Recursos - Teoria Geral dos Recursos - CONSULPLAN 122 ..............................................................................................................................................................................................10) Questões Comentadas - Recursos - Teoria Geral dos Recursos - FCC 128 ..............................................................................................................................................................................................11) Questões Comentadas - Recursos - Teoria Geral dos Recursos - FGV 153 ..............................................................................................................................................................................................12) Questões Comentadas - Recursos - Teoria Geral dos Recursos - VUNESP 174 ..............................................................................................................................................................................................13) Questões Comentadas - Recursos - Teoria Geral dos Recursos - OUTRAS BANCAS 202 ..............................................................................................................................................................................................14) Questões Comentadas - Recursos - Apelação - CEBRASPE 242 ..............................................................................................................................................................................................15) Questões Comentadas - Recursos - Apelação - FCC 244 ..............................................................................................................................................................................................16) Questões Comentadas - Apelação - FGV 250 ..............................................................................................................................................................................................17) Questões Comentadas - Recursos - Agravos - CEBRASPE 255 ..............................................................................................................................................................................................18) Questões Comentadas - Recursos - Agravos - CONSULPLAN 260 ..............................................................................................................................................................................................19) Questões Comentadas - Recursos - Agravos - FCC 261 ..............................................................................................................................................................................................20) Questões Comentadas - Recursos - Agravos - FGV 269 ..............................................................................................................................................................................................21) Questões Comentadas - Recursos - Agravos - VUNESP 273 ..............................................................................................................................................................................................22) Questões Comentadas - Recursos - Agravos - OUTRAS BANCAS 281 ..............................................................................................................................................................................................23) Questões Comentadas - Recursos - Embargos de Declaração - CEBRASPE 289 ..............................................................................................................................................................................................24) Questões Comentadas - Recursos - Embargos de Declaração - FCC 293 ..............................................................................................................................................................................................25) Questões Comentadas - Recursos - Embargos de Declaração - FGV 298 ..............................................................................................................................................................................................26) Questões Comentadas - Recursos - Embargos de Declaração - VUNESP 300 ..............................................................................................................................................................................................27) Questões Comentadas - Recursos - Embargos de Declaração - OUTRAS BANCAS 308 ..............................................................................................................................................................................................28) Questões Comentadas - Recurso Ordinário - CEBRASPE 314 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 2 478 Ricardo Torques Aula 16 Índice ..............................................................................................................................................................................................29) Questões Comentadas - Recurso Ordinário - VUNESP 315 ..............................................................................................................................................................................................30) Questões Comentadas - Recursos - Recurso Extraordinário e Recurso Especial - CEBRASPE 320 ..............................................................................................................................................................................................31)significa custear as despesas inerentes ao seu processamento, aí incluído o porte de remessa e de retorno. De toda forma, o preparo constitui pressuposto de admissibilidade extrínseco do recurso. Vamos às informações importantes: São dispensados de preparo os recursos interpostos pelo Ministério Público e pelas entidades da Administração Pública Direta (União, Distrito Federal, Estados, Municípios), respectivas autarquias desses entes da Administração Direta e pelas partes que gozem de isenção legal de custas, ou seja, aqueles beneficiados pela gratuidade judiciária. 11 MARINONI, Luiz Guilherme, ARENHART, Sérgio Cruz e MITIDIERO, Daniel. Código de Processo Civil Comentado, 2ª edição, rev., ampl. e atual., São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2016, p. 1065. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 27 478 Nos processos eletrônicos é dispensado o pagamento das taxas referentes à remessa e ao retorno do processo, uma vez que tais custos são inexistentes em face da tramitação digital do processo. O pagamento das taxas de preparo deve ser comprovado nos autos no ato de interposição do recurso. Caso não haja tal comprovação, o magistrado determinará a intimação da parte recorrente para comprovar o pagamento desses valores sob pena de não admitir o recurso. Note que, ao contrário do que tínhamos na sistemática processual anterior, a falta de preparo não implica diretamente a não admissão do recurso, mas a determinação de intimação para pagamento do preparo sob pena de, em não atendendo a determinação judicial, ser considerado não admitido o recurso. Há, entretanto, uma sanção: O PREPARO DEVERÁ SER EFETUADO EM DOBRO! A hipótese de pagamento do preparo a menor implica a intimação da parte para que, no prazo de 5 dias, efetue a complementação do valor faltante. Note que há distinção entre o não pagamento e a insuficiência. O não pagamento implica a sanção de pagamento em dobro, ao passo que a insuficiência, implica a obrigatoriedade de complementação no prazo de 5 dias. Assim: D IS P EN SA D O S D E P R EP A R O E D E P O R TE E R EM ES SA Ministério Público Administração Pública Direta (União, Distrito Federal, Estados, Municípios) Autarquias Gratuidade da Justiça Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 28 478 A não admissão do recurso por falta de preparo poderá ser relevada quando a parte demonstrar a impossibilidade de efetuar o preparo. Nesses casos, reconhecido esse justo motivo, a parte será intimada para, no prazo de 5 cinco dias, efetuar o preparo. O equívoco no preenchimento da guia também não gerará deserção. Nesse caso, a parte será intimada para sanar o vício, no prazo de 5 dias, em caso de dúvida. Por fim, cumpre observar que, em regra, os recursos dependem de preparo. Há, contudo, algumas exceções: Vamos sintetizar as principais informações referentes ao preparo?! NÃO PAGAMENTO DO PREPARO NO PRAZO a parte será intimada para pagar o preparo em dobro, sob pena de deserção PAGAMENTO A MENOR a parte será intimada para complementar o preparo no prazo de 5 dias, sob pena de deserção INDEPENDEM DE PREPARO embargos de declaração agravo em REsp e RExt embargos infringentes na LEF recursos do ECA Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 29 478 PREPARO CONCEITO: custas do recurso + valor de porte e de remessa (esse último não tem se o recurso for eletrônico) DISPENSADOS DO PREPARO: ➢ MP ➢ Administração Direta (União, DF, Estados e Municípios) ➢ Autarquias Insuficiência/ausência: ➢ NÃO PAGAMENTO DO PREPARO NO PRAZO: a parte será intimada para pagar o preparo em dobro, sob pena de deserção ➢ PAGAMENTO A MENOR: a parte será intimada para complementar o preparo no prazo de 5 dias, sob pena de deserção Não admissão do recurso por falta de preparo poderá ser relevada quando a parte demonstrar a impossibilidade de efetuar o preparo (reconhecido esse justo motivo, a parte será intimada para, no prazo de 5 cinco dias, efetuar o preparo) O equívoco no preenchimento da guia também não gerará deserção (sanar o vício, no prazo de 5 dias, em caso de dúvida) Independem de Preparo ➢ embargos de declaração ➢ agravo em REsp e RExt ➢ embargos infringentes na LEF ➢ recursos do ECA Para finalizar a parte relativa à teoria geral dos recursos, confira o art. 1.008, do CPC: Art. 1.008. O julgamento proferido pelo tribunal substituirá a decisão impugnada no que tiver sido objeto de recurso. Esse dispositivo trata do caráter substitutivo do recurso de apelação em relação à sentença recorrida. O acórdão, no que diferir da sentença, irá substituir a decisão impugnada. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 30 478 APELAÇÃO A disciplina da apelação está entre os arts. 1.009 e 1.014, todos do CPC. É o recurso mais relevante e exigido em provas objetivas de concurso público, em relação aos recursos em espécie. A apelação é o recurso que cabe contra sentenças no Direito Processual Civil brasileiro, representando o exercício do duplo grau de jurisdição. Trata-se, portanto, da espécie recursal mais corriqueira na Justiça Comum. De acordo com a doutrina, a apelação constitui1 o recurso que se interpõe das sentenças dos juízes de primeiro grau de jurisdição para levar a causa ao reexame dos tribunais de segundo grau, visando obter uma reforma total ou parcial da decisão impugnada, ou mesmo sua invalidação. Sigamos! Cabimento De acordo com o art. 1.009, caput, do CPC, caberá apelação das sentenças, sejam elas terminativas (art. 485, do CPC) ou definitivas (art. 487, do CPC). Assim, toda vez que a decisão puser fim ao processo, caberá o recurso de apelação, em respeito ao duplo grau de jurisdição. Art. 1.009. Da sentença cabe apelação. Há, entretanto, algumas exceções, ou seja, algumas sentenças contra as quais não cabe recurso de apelação. São três: 1ª EXCEÇÃO: da sentença no Juizado Especial Cível temos a possibilidade de recurso inominado e não recurso de apelação, conforme prevê o art. 41, da Lei nº 9.099/1995. 2ª EXCEÇÃO: a sentença proferida em sede de execução fiscal (quando limitadas a 50 OTNs) está sujeita a recurso de embargos infringentes e não a recurso de apelação, segundo o que disciplina o art. 34, da Lei nº 6.830/1980. 3ª EXCEÇÃO: contra sentença proferida nos processos em que forem partes estados estrangeiros versus município ou pessoa residente ou domiciliada no Brasil caberá recurso ordinário constitucional e não recurso de apelação, conforme prevê o art. 1.027, II, “b”, do CPC. 1 WAMBIER, Luiz Rodrigues e TALAMINI, Eduardo. Curso Avançado de Processo Civil, vol. 2, 16ª edição, reform. e ampl. com o novo CPC, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2016, 529. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 31 478 Cabe recurso de apelação, ainda, no indeferimento da inicial (art. 312, do CPC) e nas hipóteses de improcedência liminar do pedido (art. 332, do CPC), pois são efetivamente decisões que colocam fim à fase de conhecimento. E são, portanto, sentenças! Nessas duas situações caberá juízo de retratação, ou seja, com a apresentação da petição do recurso de apelação, o juiz sentenciante poderá rever a decisão prolatada. Nos §§ do art. 1.009, abaixo citados, temos uma regra importante. Aapelação tem por finalidade atacar a decisão que põe fim à fase de conhecimento, quando o juiz profere uma sentença terminativa ou definitiva. Contudo, ao longo do procedimento podemos ter diversas decisões interlocutórias que resolvem incidentes no curso processo. Embora não ponham fim ao processo, essas decisões não constituem meros despachos e são dotados de conteúdo decisório. Dessas decisões interlocutórias cabe, em regra, o recurso de agravo de instrumento disciplinado no art. 1.015, do CPC, que estabelece as hipóteses de cabimento desse recurso. Não obstante a previsão desse recurso, o rol descrito no art. 1.015 é taxativo. Dito de outra forma, fora daquelas hipóteses não será admissível o recurso de agravo. Nesse contexto, preveem os §§ 1º a 3º, do art. 1.009, que se determinado assunto for decidido de forma interlocutória no curso do processo e dessa decisão NÃO COUBER RECURSO DE AGRAVO DE INSTRUMENTO na forma do art. 1.015, do CPC, a parte poderá, quando da apelação, suscitar nova análise desses pontos julgados por decisão interlocutória no curso do processo. Para tanto, deverá trazer essas matérias em sede de preliminar de apelação para que o tribunal profira nova decisão. Assim, essa matéria deve ser levantada pelo recorrente em preliminar de apelação. Por outro lado, se deduzida pelo recorrido, a matéria deverá ser suscitada nas contrarrazões. Nesse segundo caso – ou seja, de discussão de decisões interlocutórias nas contrarrazões ao recurso de apelação –, prevê o CPC que a parte recorrente deverá ser intimada para se manifestar no prazo de 15 dias, antes do envio dos autos ao Tribunal. Veja: § 1o As questões resolvidas na fase de conhecimento, se a decisão a seu respeito não comportar agravo de instrumento, não são cobertas pela preclusão e devem ser suscitadas em preliminar de apelação, eventualmente interposta contra a decisão final, ou nas contrarrazões. § 2o Se as questões referidas no § 1o forem suscitadas em contrarrazões, o recorrente será intimado para, em 15 (quinze) dias, manifestar-se a respeito delas. § 3o O disposto no caput deste artigo aplica-se mesmo quando as questões mencionadas no art. 1.015 integrarem capítulo da sentença. Assim: Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 32 478 Veja uma questão de prova: (DPE-ES - 2016) Sobre o sistema recursal no novo Código de Processo Civil, julgue: As decisões interlocutórias que não se enquadram nas hipóteses de cabimento do agravo de instrumento são irrecorríveis, razão pela qual podem ser atacadas por mandado de segurança contra ato judicial. Comentários A assertiva está incorreta. As decisões interlocutórias que não se enquadram nas hipóteses de cabimento do agravo de instrumento não são irrecorríveis, apenas não são impugnáveis de imediato. Essas decisões não se sujeitam à preclusão e podem ser impugnadas, posteriormente, no recurso de apelação. É o que dispõe o art. 1.009, §1º. Procedimento A interposição do recurso de apelação – cujo prazo é de 15 dias úteis – se dá perante o juiz que proferiu a decisão recorrida. Assim, o recurso de apelação é interposto perante o juiz de primeiro grau de jurisdição, que não mais tem a responsabilidade de analisar a admissibilidade do recurso, ou seja, o juiz que sentenciou (sentenciante) não mais precisa observar o preenchimento dos pressupostos de admissibilidade (intrínsecos ou extrínsecos) antes de determinar a apresentação das contrarrazões e o envio ao tribunal. CABE RECURSO DE APELAÇÃO da sentença da decisão interlocutória que não seja passível de recurso de agravo de instrumento Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 33 478 Além disso, como o juiz de primeiro grau não tem mais competência para o juízo de admissibilidade recursal, também não tem mais competência para analisar os efeitos em que recebe o recurso de apelação, ou seja, se em efeito meramente devolutivo ou se em efeito suspensivo. Na sequência, pergunta-se: Cabe juízo de retratação da apelação? Conforme dissemos acima, prevê o CPC a possibilidade de juízo de retratação em duas espécies de sentenças: 1ª POSSIBILIDADE DE RETRATAÇÃO: sentenças de indeferimento da petição inicial. 2ª POSSIBILIDADE DE RETRATAÇÃO: sentenças de improcedência liminar do pedido. Não podemos esquecer de uma terceira hipótese, prevista no art. 487, §7º, do CPC: 3ª POSSIBILIDADE DE RETRATAÇÃO: sentenças terminativas, com a extinção do processo sem resolução do mérito, quando recorridas admitem juízo de retratação pelo magistrado prolator da sentença. Assim, fora essas situações específicas, não cabe juízo de retratação nos recursos de apelação. O art. 1.010, do CPC, arrola o que deve conter na petição que apresenta o recurso de apelação. Devemos saber esses requisitos, portanto, leia atentamente: Art. 1.010. A apelação, interposta por petição dirigida ao juízo de primeiro grau, conterá: I - os nomes e a qualificação das partes; II - a exposição do fato e do direito; III - as razões do pedido de reforma ou de decretação de nulidade; IV - o pedido de nova decisão. Ainda em relação ao peticionamento do recurso de apelação, devemos aplicar duas regras importantes, previstas nos arts. 180 e 229, ambos do CPC. No art. 229 temos a regra dos litisconsortes com advogados de sociedades de advogados distintas atuando para cada um dos litisconsortes. Nesses casos, o prazo para interposição do recurso de apelação ou para contrarrazões será contado em dobro. O art. 180, do CPC, prevê o prazo em dobro para o Ministério Público tanto para interpor quanto para contra- arrazoar recursos de apelação. Sigamos! Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 34 478 Uma vez apresentado o recurso de apelação, o recorrido (ou o apelado) será intimado para apresentar as contrarrazões no prazo de 15 dias, segundo prevê o §1º abaixo: § 1o O apelado será intimado para apresentar contrarrazões no prazo de 15 (quinze) dias. O §2º, do art. 1.010, prevê a possibilidade de recurso de apelação adesivo. Assim, se o autor recorrer dos pontos que lhe são desfavoráveis e o réu não o fizer, quando da apresentação das contrarrazões o réu poderá recorrer adesivamente ao recurso de apelação apresentado pela parte autora. Nesse caso, a parte autora será intimada para contra-arrazoar o recurso de apelação adesivamente interposto. § 2o Se o apelado interpuser apelação adesiva, o juiz intimará o apelante para apresentar contrarrazões. O §3º prevê que, juntadas as contrarrazões, os autos serão remetidos ao tribunal, a quem competirá efetuar o juízo de admissibilidade. § 3o Após as formalidades previstas nos §§ 1o e 2o, os autos serão remetidos ao tribunal pelo juiz, INDEPENDENTEMENTE DE JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE. Ao chegar no tribunal, o recurso será imediatamente distribuído a um relator, que irá decidir pela decisão monocrática ou colegiada. Veja, o relator fará uma pré-análise dos autos para decidir se poderá julgar monocraticamente a apelação ou se é caso de elaboração do voto e remessa dos autos a julgamento pelo tribunal. São duas as possibilidades, portanto: 1ª POSSIBILIDADE: decidir o processo monocraticamente. O relator poderá decidir o recurso de apelação monocraticamente nas seguintes hipóteses: não admitir o recurso por ausência dos pressupostos de admissibilidade do recurso ou quando prejudicado ou não tiver impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida. negar provimento a recurso que for contrário: a) à súmula do STF, do STJ ou do próprio tribunal que faça parte o relator; b) aoacórdão proferido pelo STF ou pelo STJ em julgamento de recursos repetitivos; Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 35 478 ==1365fc== c) ao entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas (IRDR) ou de assunção de competência; depois de facultada a apresentação de contrarrazões, dar provimento ao recurso se a decisão recorrida for contrária: a) à súmula do STF, do STJ ou do próprio tribunal que faça parte o relator; b) ao acórdão proferido pelo STF ou pelo STJ em julgamento de recursos repetitivos; c) ao entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas (IRDR) ou de assunção de competência; Importante registrar que, em relação a essa decisão monocrática, a parte poderá interpor o recurso de agravo interno. 2ª POSSIBILIDADE: elaborar seu voto para julgamento do recurso pelo órgão colegiado do tribunal. Confira: Art. 1.011. Recebido o recurso de apelação no tribunal e distribuído imediatamente, o relator: I - decidi-lo-á monocraticamente apenas nas hipóteses do art. 932, incisos III a V; II - se não for o caso de decisão monocrática, elaborará seu voto para julgamento do recurso pelo órgão colegiado. Importante registrar, ainda, que o recurso de apelação não comporta revisor, pelo que, após o voto do relator, os autos serão encaminhados para a Secretaria Judiciária para providenciar a inclusão do processo na pauta de julgamento. O art. 1.012 trata do efeito suspensivo da apelação, que é estabelecido como regra: Art. 1.012. A apelação terá efeito suspensivo. Assim, uma vez interposta a apelação, o relator efetuará a análise de admissibilidade do recurso. Em regra, o recurso de apelação impede a produção de efeitos da sentença, em face do efeito suspensivo (efeito suspensivo ope legis). Contudo, no §1º temos situações nas quais o legislador veda a concessão de efeito suspensivo ao recurso. Nesse caso, a sentença produzirá plenos efeitos não obstante o recurso interposto. Confira: § 1o Além de outras hipóteses previstas em lei, começa a produzir efeitos imediatamente após a sua publicação a sentença que: Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 36 478 I - homologa divisão ou demarcação de terras; II - condena a pagar alimentos; III - extingue sem resolução do mérito ou julga improcedentes os embargos do executado; IV - julga procedente o pedido de instituição de arbitragem; V - confirma, concede ou revoga tutela provisória; VI - decreta a interdição. Para a prova... Não obstante a previsão de que, nas exceções acima listadas, o recurso terá mero efeito devolutivo (ou não terá efeito suspensivo), admite-se que a parte pleiteie a concessão judicial de tal efeito (efeito suspensivo EFEITO SUSPENSIVO regra o recurso de apelação possui tal efeito exceções homologação de divisão ou demarcação de terras condenação em alimentos extinção do processo sem resolução de mérito improcedência dos embargos procedência de pedido de instituição de arbitragem confirmação, concessão ou revogação de tutela provisória decreto de interdição Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 37 478 ope judicis). Para tanto, deve apresentar petição específica dirigida ao tribunal entre a apelação e a distribuição. Caso já distribuído o processo, a petição será apresentada ao relator da apelação. Em um ou em outro caso, a análise dos efeitos com que o recurso será recebido será efetuada pelo relator a ser designado ou já designado para o processo. Nos casos acima, a parte vencedora poderá promover a execução provisória. § 2o Nos casos do § 1o, o apelado poderá promover o pedido de cumprimento provisório depois de publicada a sentença. § 3o O pedido de concessão de efeito suspensivo nas hipóteses do § 1o poderá ser formulado por requerimento dirigido ao: I - tribunal, no período compreendido entre a interposição da apelação e sua distribuição, ficando o relator designado para seu exame prevento para julgá-la; II - relator, se já distribuída a apelação. § 4o Nas hipóteses do § 1o, a eficácia da sentença poderá ser suspensa pelo relator se o apelante demonstrar a probabilidade de provimento do recurso ou se, sendo relevante a fundamentação, houver risco de dano grave ou de difícil reparação. Além do efeito suspensivo, temos no art. 1.013, do CPC, a previsão do efeito devolutivo, o qual está presente em todo o recurso de apelação. Em termos objetivos, o efeito devolutivo implica a devolução da matéria recorrida ao tribunal para que efetue nova análise dos pedidos formulados, atacando a sentença prolatada. Todo recurso tem essa finalidade! Veja: Art. 1.013. A apelação devolverá ao tribunal o conhecimento da matéria impugnada. § 1o Serão, porém, objeto de apreciação e julgamento pelo tribunal todas as questões suscitadas e discutidas no processo, ainda que não tenham sido solucionadas, desde que relativas ao capítulo impugnado. § 2o Quando o pedido ou a defesa tiver mais de um fundamento e o juiz acolher apenas um deles, a apelação devolverá ao tribunal o conhecimento dos demais. Veja uma questão de prova: Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 38 478 (MPE-PR - 2016) Sobre os recursos no Código de Processo Civil de 2015, julgue o item subsequente: A apelação do Código de Processo Civil de 2015 devolve ao tribunal apenas a matéria decidida na sentença, não havendo possibilidade de que o tribunal analise outros assuntos analisados em decisões interlocutórias. Comentários A assertiva está incorreta. Segundo o art. 1.013, §1º, do CPC, a apelação devolverá ao tribunal o conhecimento da matéria impugnada, ou seja, aquilo que for alegado pelo recorrente. Trata-se do efeito devolutivo, do princípio tantum devolutum quantum appellatum. O tribunal apreciará, ainda, todas as questões discutidas durante o processo. Sigamos! É possível o julgamento imediato de mérito pelo tribunal no julgamento da apelação, em razão da Teoria da Causa Madura. De acordo com a doutrina2: Causa madura é aquela cujo processo já se encontra com todas as alegações necessárias e todas as provas admissíveis colhias. Assim, o que realmente interessa para a aplicação do art. 1.013, §3º, CPC, é que a causa comporte imediato julgamento pelo tribunal – por já se encontrar devidamente instruída. Estando madura a causa – observada a necessidade de um processo justo no seu amadurecimento (art. 5º, LIV, CF) – nada obsta que o tribunal, conhecendo da apelação, avance sobre questões não versadas na sentença para resolvê-la no mérito. É justamente isso que trata o §3º, do art. 1.013, do CPC: § 3o Se o processo estiver em condições de imediato julgamento, o tribunal deve decidir desde logo o mérito quando: I - reformar sentença fundada no art. 485; II - decretar a nulidade da sentença por não ser ela congruente com os limites do pedido ou da causa de pedir; III - constatar a omissão no exame de um dos pedidos, hipótese em que poderá julgá-lo; IV - decretar a nulidade de sentença por falta de fundamentação. Vamos analisar cada uma das hipóteses: 2 MARINONI, Luiz Guilherme, ARENHART, Sérgio Cruz e MITIDIERO, Daniel. Código de Processo Civil Comentado, 2ª edição, rev., ampl. e atual., São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2016, p. 1072. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - NaldiraLuiza Vieria 39 478 Nas hipóteses em que o juiz de primeiro grau decidir sem o conhecimento do mérito, é admissível que, se conhecido o recurso de apelação e a causa estiver madura, ou seja, com toda a produção das provas necessárias para o conhecimento da lide, o tribunal, desde logo, anule a sentença de primeiro grau e analise o mérito da causa. Por exemplo, na origem o juiz entende que a parte não tem legitimidade e interesse para pleitear aquela ação. Após todo o trâmite processual e produção das provas, o juiz profere sentença sem resolução do mérito. Em decorrência disso, o autor interpõe apelação. O relator entende que é caso de provimento do recurso de apelação e envia o processo para julgamento. Com a anulação da sentença terminativa, o colegiado do tribunal decide também os pedidos de mérito formulados, por entender que todo o trâmite já transcorreu regularmente e a causa está madura. Se o tribunal decretar a nulidade da sentença por incongruência em relação aos limites do pedido ou da causa de pedir e o processo estiver em condições de julgamento, o próprio colegiado passará a analisar o mérito dos pedidos que foram anulados. Ä Se for constatada a omissão do magistrado na análise de alguns dos pedidos formulados e a causa estiver madura, o tribunal irá julgar o pedido. Se decretada a nulidade da sentença por falta de fundamentação e o processo estiver em condições de julgamento, compete ao tribunal efetuar a análise dos pedidos com a devida fundamentação. Para a prova: Confira, por fim, os §§ 4º e 5º, do art. 1.013, do CPC, cuja leitura é o suficiente. § 4o Quando reformar sentença que reconheça a decadência ou a prescrição, o tribunal, se possível, julgará o mérito, examinando as demais questões, sem determinar o retorno do processo ao juízo de primeiro grau. JULGAMENTO DESDE LOGO DA APELAÇÃO “MADURA” decisão sem o conhecimento do mérito decreto de nulidade da sentença por incongruência omissão do juízo “a quo” falta de fundamentação Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 40 478 § 5o O capítulo da sentença que confirma, concede ou revoga a tutela provisória é impugnável na apelação. Para encerar os dispositivos do CPC sobre o recurso de apelação, confira o art. 1.014: Art. 1.014. As questões de fato não propostas no juízo inferior poderão ser suscitadas na apelação, SE a parte provar que deixou de fazê-lo por motivo de força maior. O dispositivo acima trata da possibilidade de trazer fatos novos no bojo da apelação. Primeiramente, cabe esclarecer que fatos novos não são tão somente os fatos supervenientes. Os fatos serão novos porque ainda não foram levados à apreciação pelo Poder Judiciário, ainda que ocorridos antes da prolação da sentença. De acordo com a doutrina, em leitura ao art. 1.014, temos quatro situações em que esses fatos novos configuram um motivo de força maior. Atenção! 1ª HIPÓTESE: fatos ocorridos após a publicação da sentença; 2ª HIPÓTESE: ignorância do fato pela parte, desde que ela apresente um motivo sério e objetivo para que a parte desconheça o fato; 3ª HIPÓTESE: impossibilidade de a parte comunicar o fato ao advogado, desde que exista uma causa objetiva para justificar a omissão; e 4ª HIPÓTESE: a impossibilidade de o próprio advogado comunicar o fato ao juízo, desde que demonstrado que a sua omissão foi causada por obstáculo insuperável e alheio à sua vontade. Nesses casos teremos, inclusive, a produção probatória em relação a esses fatos, com intimação para contraditório da parte contrária. Em síntese, do recurso de apelação, é fundamental para a nossa prova: RECURSO DE APELAÇÃO ● CONCEITO: o recurso que se interpõe das sentenças dos juízes de primeiro grau de jurisdição para levar a causa ao reexame dos tribunais de segundo grau, visando obter uma reforma total ou parcial da decisão impugnada, ou mesmo sua invalidação. ● CABIMENTO: Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 41 478 de sentença; de decisões interlocutórias das quais não cabe agravo de instrumento. ● JUÍZO DE RETRATABILIDADE – apenas: indeferimento de inicial improcedência liminar do pedido sentenças terminativas ● PRAZO: 15 dias ● ADMITE INTERPOSIÇÃO NA FORMA ADESIVA ● COM A CHEGADA NO TRIBUNAL, O RELATOR: decide monocraticamente ou elabora voto. decidir o processo monocraticamente (cabe agravo interno). ➢ não admitir o recurso por ausência dos pressupostos de admissibilidade do recurso ou quando prejudicado ou que não tiver impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida. ➢ negar provimento a recurso que for contrário: a) à súmula do STF, do STJ ou do próprio tribunal que faça parte o relator; b) ao acórdão proferido pelo STF ou pelo STJ em julgamento de recursos repetitivos; c) ao entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas (IRDR) ou de assunção de competência; ➢ depois de facultada a apresentação de contrarrazões, dar provimento ao recurso se a decisão recorrida for contrária: a) à súmula do STF, do STJ ou do próprio tribunal que faça parte o relator; b) ao acórdão proferido pelo STF ou pelo STJ em julgamento de recursos repetitivos; c) ao entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas (IRDR) ou de assunção de competência; elaborar seu voto para julgamento do recurso pelo órgão colegiado do tribunal. ● EFEITO SUSPENSIVO LEGAL (ope legis) – exceções: homologação de divisão ou demarcação de terras condenação em alimentos extinção do processo sem resolução de mérito improcedência dos embargos procedência de pedido de instituição de arbitragem confirmação, concessão ou revogação de tutela provisória decreto de interdição ● EFEITO DEVOLUTIVO: todas as questões suscitadas e discutidas no processo, ainda que não tenham sido solucionadas, desde que relativas ao capítulo impugnado (profundidade). ● JULGAMENTO DESDE LOGO DA APELAÇÃO “MADURA”: decisão sem o conhecimento do mérito decreto de nulidade da sentença por incongruência omissão do juízo “a quo” falta de fundamentação Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 42 478 AGRAVOS NO CPC Vamos analisar os agravos previstos no CPC, que são três: agravo de instrumento – voltado para atacar decisões interlocutórias; agravo interno – cabível contra decisões interlocutórias monocráticas do relator no tribunal; agravo em REsp e RExt – que tem por finalidade propiciar a análise de admissibilidade pelo órgãos superiores, viabilizando a análise dos recursos especiais e extraordinários. TODOS esses agravos devem ser interpostos no prazo de 15 dias. É importante registrar que não temos mais a figura do agravo retido. Além das três espécies citadas, existe também o agravo específico, previsto na Lei nº 12.016/2009 (Lei do Mandado de Segurança), que é cabível contra a decisão monocrática do relator que, a requerimento de pessoa jurídica de direito público interessada ou do MP, e para evitar grave lesão à ordem, à saúde, à segurança, à economia pública, suspende a eficácia da liminar ou da sentença impugnada pelo recurso cabível. Esse agravo específico está previsto no art. 15 da Lei do Mandado de Segurança e será interposto no prazo de 5 dias. Vamos analisar, na sequência, as três formas de agravo que estão previstas no CPC. Agravo de Instrumento Conceito O agravo de instrumento é o recurso adequado para atacar decisões interlocutórias proferidas no curso do processo. São decisões que resolvem incidentes e não põe fim ao processo. A decisão interlocutóriaconstitui o pronunciamento judicial que tem conteúdo decisório a ser proferido no curso do procedimento, mas que não tem o condão de pôr fim à fase de conhecimento ou à execução. Contra essas decisões, é cabível o agravo de instrumento. Cabimento Em relação ao cabimento, devemos sabe que o rol previsto no art. 1.015, do CPC, é restritivo (taxativo), vale dizer, o agravo de instrumento cabe tão somente nas hipóteses abaixo listadas. Art. 1.015. Cabe agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias que versarem sobre: I - tutelas provisórias; Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 43 478 II - mérito do processo; III - rejeição da alegação de convenção de arbitragem; IV - incidente de desconsideração da personalidade jurídica; V - rejeição do pedido de gratuidade da justiça ou acolhimento do pedido de sua revogação; VI - exibição ou posse de documento ou coisa; VII - exclusão de litisconsorte; VIII - rejeição do pedido de limitação do litisconsórcio; IX - admissão ou inadmissão de intervenção de terceiros; X - concessão, modificação ou revogação do efeito suspensivo aos embargos à execução; XI - redistribuição do ônus da prova nos termos do art. 373, § 1o; XII - (VETADO); XIII - outros casos expressamente referidos em lei. Parágrafo único. Também caberá agravo de instrumento contra decisões interlocutórias proferidas na fase de liquidação de sentença ou de cumprimento de sentença, no processo de execução e no processo de inventário. Antes de analisarmos cada uma das hipóteses, é importante registrar que o inc. XIII deixa claro que o CPC, e também a legislação extravagante, podem prever outras hipóteses de cabimento de agravo de instrumento. De acordo com a doutrina1, no CPC, temos a possibilidade do agravo de instrumento contra: “i) decisão que extingue parcialmente o processo (art. 354, parágrafo único, CPC); e ii) decisão que julga antecipadamente parcela do mérito (art. 356, §5º, CPC)”. Na legislação extravagante temos o agravo de instrumento, por exemplo, no art. 100, da Lei nº 11.101/2005 (Lei de Recuperação e Falência), no art. 10, §7º, da Lei nº 8.429/1992 (Lei de Improbidade Administrativa) e no art. 19, §1º, da Lei nº 4.717/1965 (Lei de Ação Popular). Retornando às hipóteses do CPC, vejamos: 1 MARINONI, Luiz Guilherme, ARENHART, Sérgio Cruz e MITIDIERO, Daniel. Código de Processo Civil Comentado, 2ª edição, rev., ampl. e atual., São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2016, p. 1074. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 44 478 Cabe agravo contra decisões interlocutórias de tutelas provisórias. Independentemente da espécie de tutela provisória (de urgência ou de evidência) a decisão que concede a antecipação é atacável por intermédio de agravo de instrumento. Cabe agravo de instrumento caso o juiz decida questões de mérito do processo, tal como ocorre no caso de decisões parciais de mérito previstas no art. 356, do CPC. Essa é a mesma redação que temos no §5º, do art. 356, do CPC. Cabe agravo de instrumento caso o juiz rejeite a alegação da parte quanto à existência de convenção de arbitragem. Nessa hipótese, a parte alega que o processo deve ser extinto sem julgamento de mérito, por existir cláusula de convenção de arbitragem, de forma que o processo não deve ser analisado no contencioso judicial, mas em uma Câmara de arbitragem. Ä Cabe agravo de instrumento da decisão do juiz em incidentes de desconsideração da personalidade jurídica. Cabe agravo de instrumento quando o juiz rejeita o pedido de gratuidade da justiça ou acolhe pedido de revogação da gratuidade. É a mesma redação que temos no art. 101 do CPC. Aqui, contudo, cumpre uma observação. Se o juiz indeferir o pedido de justiça gratuita, irá intimar a parte para que pague as custas do processo, não irá extinguir sem resolução do mérito. Somente adotará a sentença terminativa (sem resolução do mérito) caso a parte intimada a pagar as custas não o faça (art. 317, do CPC). Do indeferimento do pedido de custas, cabe agravo de instrumento (art. 1.015, V, do CPC). Da sentença de extinção sem julgamento do processo pela não regularização de pressuposto do processo (adiantamento das despesas) temos a possibilidade de a parte apresentar apelação. Cabe agravo de instrumento contra decisão que determina a exibição ou posse de documento ou coisa. Cabe agravo de instrumento caso o juiz determine a exclusão de litisconsorte. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 45 478 ==1365fc== Cabe agravo de instrumento caso o juiz rejeite pedido de limitação do litisconsórcio multitudinário. Cabe agravo de instrumento caso o juiz decida pela admissão ou inadmissão de intervenção de terceiros. Cabe agravo de instrumento caso o juiz decida pela concessão, modificação ou revogação do efeito suspensivo aos embargos à execução. Cabe agravo de instrumento caso o juiz trate da redistribuição dos ônus da prova. Cabe agravo de instrumento contra decisões interlocutórias proferidas na fase de liquidação de sentença ou de cumprimento de sentença, no processo de execução e no processo de inventário. Para a prova... Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 46 478 Procedimento Por se tratar de um recurso cabível contra decisões interlocutórias, o processo seguirá seu trâmite regular, mesmo pendente o julgamento do agravo de instrumento. Assim, faz-se necessário formar o instrumento para processamento do agravo. Formar o instrumento significa formar autos apartados para o processamento do agravo. Esse instrumento prevê alguns requisitos e alguns documentos que devem ser acostados no agravo. O art. 1.016, do CPC, prevê os requisitos do agravo de instrumento. Leia com atenção: Art. 1.016. O agravo de instrumento será dirigido diretamente ao tribunal competente, por meio de petição com os seguintes requisitos: H IP Ó TE SE S D E C A B IM EN TO tutelas provisórias mérito do processo, que não põe fim ao processo rejeição da alegação de convenção de arbitragem incidente de desconsideração da personalidade jurídica rejeição do pedido de gratuidade da justiça ou acolhimento do pedido de sua revogação exibição ou posse de documento ou coisa exclusão de litisconsorte rejeição do pedido de limitação do litisconsórcio admissão ou inadmissão de intervenção de terceiros concessão, modificação ou revogação do efeito suspensivo aos embargos à execução redistribuição do ônus da prova decisões interlocutórias proferidas na fase de liquidação de sentença ou de cumprimento de sentença, no processo de execução e no processo de inventário. outros casos expressamente referidos em lei. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 47 478 I - os nomes das partes; II - a exposição do fato e do direito; III - as razões do pedido de reforma ou de invalidação da decisão e o próprio pedido; IV - o nome e o endereço completo dos advogados constantes do processo. Mais importante que os requisitos da petição de agravo de instrumento é conhecer as peças que obrigatoriamente devem instruir o pedido: Art. 1.017. A petição de agravo de instrumento será instruída: I - OBRIGATORIAMENTE, com cópias da petição inicial, da contestação, da petição que ensejou a decisão agravada, da própriadecisão agravada, da certidão da respectiva intimação ou outro documento oficial que comprove a tempestividade e das procurações outorgadas aos advogados do agravante e do agravado; II - com declaração de inexistência de qualquer dos documentos referidos no inciso I, feita pelo advogado do agravante, sob pena de sua responsabilidade pessoal; III - facultativamente, com outras peças que o agravante reputar úteis. O art. 1.017, do CPC, prevê: PEÇAS OBRIGATÓRIAS NO AGRAVO DE INSTRUMENTO petição inicial petição que ensejou a decisão agravada decisão agravada certidão de intimação das partes da decisão agravada ou outro documento que comprove a tempestividade procurações outorgadas aos advogados das partes Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 48 478 Caso não seja juntado algum dos documentos acima descritos, o advogado da parte deverá fazer uma certidão de inexistência de qualquer desses documentos. Não obstante a legislação informar que esses documentos são obrigatórios, o entendimento predominante na doutrina é no sentido de que a não juntada de um desses documentos não importa, necessariamente, a não admissão do recurso, por se tratar de um vício sanável. Assim, o relator do processo deve oportunidade à parte a possibilidade de corrigi-lo. Veja2: Rigorosamente, em um processo organizado a partir da ideia de colaboração do juiz para com as partes (art. 6º, CPC), próprio do Estado Constitucional, é vedado ao tribunal – qualquer que seja o tribunal – não conhecer de recurso por deficiências formais sanáveis (arts. 932, parágrafo único, e 1.017, §3º, CPC). É por essa razão que os viola os deveres de auxílio de prevenção para com os litigantes o órgão jurisdicional que não admite recurso sem possibilidade a prévia regularização formal do instrumento. Além dos documentos obrigatórios, a parte poderá acostar ao instrumento outros que entender úteis. Além da petição e dos documentos (obrigatórios, declaração de inexistência – se for o caso – e facultativos), a parte deverá juntar documentos que comprovem o pagamento de custas e do porte e do retorno, quando devidos. § 1o Acompanhará a petição o comprovante do pagamento das respectivas custas e do porte de retorno, quando devidos, conforme tabela publicada pelos tribunais. Assim... No §2º, do art. 1.017, temos relacionadas as diversas forma de interposição do agravo de instrumento. § 2o No prazo do recurso, o agravo será interposto por: 2 MARINONI, Luiz Guilherme, ARENHART, Sérgio Cruz e MITIDIERO, Daniel. Código de Processo Civil Comentado, 2ª edição, rev., ampl. e atual., São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2016, p. 1076. NA FORMAÇÃO DO INSTRUMENTO TEMOS: petição de agravo documentos obrigatórios (petição inicial, petição que gerou a decisão, decisão agravada, certidão de intimação das partes e procurações) ou declaração comprovante do pagamento de custas e de porte de retorno (se devido) Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 49 478 I - protocolo realizado diretamente no tribunal competente para julgá-lo; II - protocolo realizado na própria comarca, seção ou subseção judiciárias; III - postagem, sob registro, com aviso de recebimento; IV - transmissão de dados tipo fac-símile, nos termos da lei; V - outra forma prevista em lei. Note que a regra é que o agravo de instrumento seja diretamente protocolizado no tribunal. Contudo, admite-se o protocolo na comarca, na seção ou na subseção judiciária que formulou a decisão interlocutória recorrida. Além disso, o agravo de instrumento poderá ser enviado por intermédio dos Correios ou, ainda, por fax. Assim: Importante destacar que, na sistemática atual, se a parte agravante não juntar alguma das peças obrigatórias deverá ser intimada para juntá-la no prazo de 5 dias. Observe-se que, na sistemática anterior, o CPC73 previa a preclusão consumativa caso a parte não juntasse o documento e, consequentemente, teríamos a não admissão do agravo. Note que o fundamento desse entendimento está no princípio da primazia de mérito, de forma que, ao invés de simplesmente não admitir o recurso, o relator deve oportunizar à parte a possibilidade de juntar o documento obrigatório antes de extinguir o processo. Portanto, NÃO TEMOS MAIS A PRECLUSÃO CONSUMATIVA PELA NÃO JUNTADA DE ALGUM DOS DOCUMENTOS OBRIGATÓRIOS. O A G R A V O P O D E SE R IN TE R P O ST O diretamente no tribunal no juízo de origem pelos Correios via Fax por outras formas previstas em lei Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 50 478 Aplicamos, portanto, a regra do parágrafo único do art. 932, do CPC, segundo a qual “antes de considerar inadmissível o recurso, o relator concederá o prazo de 5 dias ao recorrente para que seja sanado vício ou complementada a documentação exigível. É isso que temos previsto no art. §3º, do art. 1.017, abaixo citado: § 3o Na falta da cópia de qualquer peça ou no caso de algum outro vício que comprometa a admissibilidade do agravo de instrumento, DEVE o relator aplicar o disposto no art. 932, parágrafo único. Veja, ainda, os §§ 4º e 5º: § 4o Se o recurso for interposto por sistema de transmissão de dados tipo fac-símile ou similar, as peças devem ser juntadas no momento de protocolo da petição original. § 5o Sendo eletrônicos os autos do processo, dispensam-se as peças referidas nos incisos I e II do caput, facultando-se ao agravante anexar outros documentos que entender úteis para a compreensão da controvérsia. De acordo com os dispositivos acima, nos processos eletrônicos não há necessidade de juntar as peças obrigatórias ou de apresentar a declaração quando os documentos não existirem nos autos da decisão agravada. Isso ocorre porque eles são facilmente acessíveis pelo tribunal. Veja uma questão de prova: (MPE-PR/2016) Sobre os recursos no Código de Processo Civil de 2015, julgue o item subsequente: No processo eletrônico, a juntada de cópia das razões do agravo de instrumento é uma faculdade da parte recorrente. Comentários A assertiva está correta, pois está de acordo como o §2º, do art. 1.018, do CPC. Observe-se que o recorrente não está obrigado a juntar aos autos do processo a cópia de petição de agravo, por isso a questão fala em faculdade. Em frente! No CPC73, o agravante devia comunicar a interposição do agravo de instrumento no juízo de origem, no prazo de 3 dias, sob pena de não admissão do recurso. Então, como que fica essa questão no CPC? O art. 1.018 responde: Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 51 478 Art. 1.018. O agravante PODERÁ requerer a juntada, aos autos do processo, de cópia da petição do agravo de instrumento, do comprovante de sua interposição e da relação dos documentos que instruíram o recurso. § 1o Se o juiz comunicar que reformou inteiramente a decisão, o relator considerará prejudicado o agravo de instrumento. § 2o NÃO sendo eletrônicos os autos, o agravante TOMARÁ a providência prevista no caput, no PRAZO DE 3 (TRÊS) DIAS a contar da interposição do agravo de instrumento. § 3o O DESCUMPRIMENTO da exigência de que trata o § 2o, DESDE QUE ARGUIDO E PROVADO PELO AGRAVADO, importa inadmissibilidade do agravo de instrumento. Da leitura do art. 1.018 extraímos uma situação bastante peculiar, qual seja: há uma obrigatoriedade de informar o juízo de origem da interposição do agravo, mas a inadmissibilidade do recurso por falta de comunicaçãodepende de provocação da parte agravada. Assim, podemos ter as seguintes situações: 1ª hipótese: uma das partes agrava diretamente no tribunal e comunica o juízo na origem. Nesse caso, se presentes os requisitos, o agravo será admitido (se presentes os demais requisitos). Nada poderá fazer a parte contra quem se agravou. 2ª hipótese: uma das partes agrava diretamente no tribunal, não comunica o juízo na origem e a parte agravada nada alega. Nesse caso, devido à inércia do agravado, o recurso de agravo de instrumento será admitido (se presentes os demais requisitos). 3ª hipótese: uma das partes agrava diretamente no tribunal, não comunica o juízo na origem e a parte agravada prova a não comunicação no prazo de 3 dias. Nesse caso, o recurso de agravo de instrumento não será admitido. Assim, tal como a doutrina aponta, trata-se de um ônus imperfeito, na medida em que o agravante somente sofrerá consequências, na hipótese de alegação e de comprovação da não informação, no prazo legal de 3 dias, pelo agravado. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 52 478 O art. 1.019, do CPC, trata da distribuição imediata do agravo de instrumento. Uma vez distribuído, o relator poderá não conhecer do agravo de instrumento se: não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida. negar provimento a recurso que for contrário: a) à súmula do STF, do STJ ou do próprio tribunal; b) ao acórdão proferido pelo STF ou pelo STJ em julgamento de recursos repetitivos; c) ao entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas ou de assunção de competência; Se não verificar uma das hipóteses acima, o relator terá prazo de 5 dias para: atribuir efeito suspensivo ao recurso; analisar eventual requerimento de antecipação de tutela; determinar a intimação do agravado para apresentar a contraminuta no prazo de 15 dias; determinar a intimação do Ministério Público para que, na qualidade de fiscal da ordem jurídica, se manifeste no prazo de 15 dias. Confira: Art. 1.019. Recebido o agravo de instrumento no tribunal e distribuído imediatamente, se não for o caso de aplicação do art. 932, incisos III e IV, o relator, no prazo de 5 (CINCO) DIAS: I - poderá atribuir efeito suspensivo ao recurso ou deferir, em antecipação de tutela, total ou parcialmente, a pretensão recursal, comunicando ao juiz sua decisão; II - ordenará a intimação do agravado pessoalmente, por carta com aviso de recebimento, quando não tiver procurador constituído, ou pelo Diário da Justiça ou por carta com aviso de recebimento dirigida ao seu advogado, para que responda no prazo de 15 (QUINZE) DIAS, facultando-lhe juntar a documentação que entender necessária ao julgamento do recurso; III - determinará a intimação do Ministério Público, preferencialmente por meio eletrônico, quando for o caso de sua intervenção, para que se manifeste no prazo de 15 (QUINZE) DIAS. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 53 478 Ultimadas as determinações acima, o relator deverá pedir data para a inserção do processo em pauta de julgamento que deve ocorrer em prazo não superior a um mês a contar da intimação do agravado. Art. 1.020. O relator solicitará dia para julgamento em prazo NÃO superior a 1 (UM) MÊS da intimação do agravado. Com isso, encerramos o estudo do agravo de instrumento. Podemos sintetizar as principais informações do agravo de instrumento da seguinte forma: AGRAVO DE INSTRUMENTO ● CONCEITO: é o recurso adequado para atacar decisões interlocutórias proferidas no curso do processo. ● HIPÓTESES DE CABIMENTO tutelas provisórias mérito do processo, que não põe fim ao processo rejeição da alegação de convenção de arbitragem incidente de desconsideração da personalidade jurídica rejeição do pedido de gratuidade da justiça ou acolhimento do pedido de sua revogação exibição ou posse de documento ou coisa exclusão de litisconsorte rejeição do pedido de limitação do litisconsórcio admissão ou inadmissão de intervenção de terceiros concessão, modificação ou revogação do efeito suspensivo aos embargos à execução redistribuição do ônus da prova decisões interlocutórias proferidas na fase de liquidação de sentença ou de cumprimento de sentença, no processo de execução e no processo de inventário. outros casos expressamente referidos em lei. ● FORMAÇÃO DO INSTRUMENTO peças obrigatórias: ➢ petição inicial ➢ petição que ensejou a decisão agravada ➢ decisão agravada ➢ certidão de intimação das partes da decisão agravada ou outro documento que comprove a tempestividade ➢ procurações outorgadas aos advogados das partes facultativas + declaração: a parte poderá juntar outras peças e deverá declarar se não existir nos autos algumas das peças obrigatórias. ● NÃO HÁ PRECLUSÃO CONSUMATIVA PELA NÃO JUNTADA DE ALGUM DOS DOCUMENTOS OBRIGATÓRIOS: parte deve ser intimada para se manifestar. ● INTERPOSIÇÃO: ocorre diretamente no tribunal. informação do juízo “a quo” da interposição: há uma obrigatoriedade de informar o juízo de origem da interposição do agravo, mas a inadmissibilidade do recurso por falta de comunicação depende de provocação da parte agravada. • 1ª hipótese: uma das partes agrava diretamente no tribunal e comunica o juízo na origem. Nesse caso, se presentes os requisitos, o agravo será admitido (se presentes os demais requisitos). Nada poderá fazer a parte contra quem se agravou. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 54 478 • 2ª hipótese: uma das partes agrava diretamente no tribunal, não comunica o juízo na origem e a parte agravada nada alega. Nesse caso, devido à inércia do agravado, o recurso de agravo de instrumento será admitido (se presentes os demais requisitos). • 3ª hipótese: uma das partes agrava diretamente no tribunal, não comunica o juízo na origem e a parte agravada prova a não comunicação no prazo de 3 dias. Nesse caso, o recurso de agravo de instrumento não será admitido. ● CONHECIMENTO DO AGRAVO: NEGATIVO: não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida. IMPROVIMENTO LIMINAR: negar provimento a recurso que for contrário: a) à súmula do STF, do STJ ou do próprio tribunal; b) ao acórdão proferido pelo STF ou pelo STJ em julgamento de recursos repetitivos; c) ao entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas ou de assunção de competência; POSITIVO: Se não verificar uma das hipóteses acima, o relator terá prazo de 5 dias para: ➢ atribuir efeito suspensivo ao recurso; ➢ analisar eventual requerimento de antecipação de tutela; ➢ determinar a intimação do agravado para apresentar a contraminuta no prazo de 15 dias; ➢ determinar a intimação do Ministério Público para que, na qualidade de fiscal da ordem jurídica, se manifeste no prazo de 15 dias. Agravo Interno O agravo interno, por sua vez, possui disciplina singela no CPC. Trata-se de expediente recursal utilizado para se insurgir contra decisões interlocutórias do relator de processos que tramitam em tribunais. O relator, ao longo do trâmite do recurso no tribunal, poderá tomar decisões monocráticas de caráter interlocutório que podem ser desafiadas por intermédio do agravo interno. A finalidade desse expediente é deslocar essa decisão para o colegiado do tribunal. Art. 1.021. Contra decisão proferida pelo relator caberá agravo interno para o respectivo órgão colegiado, observadas, quantoao processamento, as regras do regimento interno do tribunal. § 1º Na petição de agravo interno, o recorrente impugnará especificadamente os fundamentos da decisão agravada. O agravo interno deverá impugnar de forma específica a decisão agravada e deve ser dirigido ao próprio relator do processo que determinará a intimação do agravado para se manifestar no prazo de 15 dias. Em seguida, o relator poderá retratar a decisão e, se não for o caso, determinará a inclusão dos autos em pauta para julgamento do agravo. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 55 478 § 2º O agravo será dirigido ao relator, que intimará o agravado para manifestar-se sobre o recurso no PRAZO DE 15 (QUINZE) DIAS, ao final do qual, não havendo RETRATAÇÃO, o relator levá-lo-á a julgamento pelo órgão colegiado, com inclusão em pauta. O §3º VEDA que o relator reproduza os fundamentos da decisão agravada para preparar a minuta do voto do acórdão do agravo. Ou seja, o relator deve atacar os pontos específicos levantados no agravo interno e não meramente reproduzir o que já decidiu. Trata-se da aplicação do princípio da motivação das decisões judiciais, que permeia todo o CPC. § 3º É vedado ao relator limitar-se à reprodução dos fundamentos da decisão agravada para julgar improcedente o agravo interno. Veja uma questão de prova: (MPE-PR - 2016) Sobre os recursos no Código de Processo Civil de 2015, julgue o item subsequente: No agravo interno, entendo o relator pela manutenção da decisão monocrática recorrida, poderá o acórdão limitar-se à reprodução dos fundamentos da decisão agravada para julgar improcedente o agravo interno. Comentários A assertiva está incorreta. Com base no §3º, do art. 1.021, do CPC, a hipótese descrita é vedada. A admissibilidade do agravo retido está condicionada à impugnação específica. Dessa forma, a fundamentação da decisão também deve ser específica. Sigamos! Os §§ 4º e 5º tratam da multa pela interposição de agravo interno manifestamente inadmissível, com a finalidade de evitar a banalização desse recurso § 4º Quando o agravo interno for declarado manifestamente inadmissível ou improcedente em VOTAÇÃO UNÂNIME, o órgão colegiado, em decisão fundamentada, condenará o agravante a pagar ao agravado MULTA fixada entre um e cinco por cento do valor atualizado da causa. § 5º A interposição de qualquer outro recurso está condicionada ao depósito prévio do valor da multa prevista no § 4o, à EXCEÇÃO da Fazenda Pública e do beneficiário de gratuidade da justiça, que farão o pagamento ao final. Alguns elementos necessários para configuração da MULTA: Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 56 478 decisão que é considerada manifestamente inadmissível por todo o colegiado (unânime); valor de 1 a 5% sobre o valor atualizado da causa; reverte em favor da parte agravada; e o pagamento da multa é condicionante para a interposição de outros recursos. Encerramos, com isso, o estudo do agravo interno. Para a prova... AGRAVO INTERNO ● CONCEITO: expediente recursal utilizado para se insurgir contra decisões interlocutórias do relator de processos que tramitam em tribunais. ● PRAZO: 15 dias ● ADMITE JUÍZO DE RETRATAÇÃO ● MULTA POR AGRAVO INTERNO MANIFESTAMENTE INADMISSÍVEL decisão que é considerada manifestamente inadmissível por todo o colegiado (unânime); valor de 1 a 5% sobre o valor atualizado da causa; reverte em favor da parte agravada; e o pagamento da multa é condicionante para a interposição de outros recursos. Agravo em Recurso Especial e em Recurso Extraordinário Conceito e cabimento De acordo com o entendimento doutrinário3: 3 WAMBIER, Luiz Rodrigues e TALAMINI, Eduardo. Curso Avançado de Processo Civil, vol. 2, 16ª edição, reform. e ampl. com o novo CPC, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2016, 618. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 57 478 O primeiro juízo de admissibilidade dos recursos excepcionais [leia-se: recurso especial e extraordinário] se faz no órgão de onde emanou a decisão de que se quer recorrer. Sendo negativa esta decisão, a depender do fundamento da inadmissão, caberá recurso para o respectivo tribunal superior. Trata-se do “agravo em recurso especial ou extraordinário, previsto no art. 1.042. O agravo em REsp ou RExt é cabível contra decisão do Presidente ou vice-Presidente do Tribunal de segunda instância que não admitir o REsp ou RExt, a não ser quando a decisão estiver fundada em entendimento firmado em regime de repercussão geral ou em julgamento de recursos repetitivos. Conforme reza o art. 1.029, do CPC, o recurso especial e o recurso extraordinário devem ser propostos perante o Presidente ou o Vice-Presidente do tribunal recorrido, que fará a análise de admissibilidade dos recursos. Caso negue seguimento aos recursos, caberá o agravo. A finalidade desse agravo é deslocar a análise de admissibilidade do recurso para o STJ ou STF. Contudo, em duas situações, mesmo não admitido o recurso de REsp ou de RExt pelo Tribunal a quo (de segunda instância), NÃO será admissível o agravo: se a decisão estiver fundamentada em regime de repercussão geral; ou se a decisão estiver fundada no julgamento de recursos repetitivos. Veja: Art. 1.042. Cabe agravo contra decisão do presidente ou do vice-presidente do tribunal recorrido que inadmitir recurso extraordinário ou recurso especial, SALVO quando fundada na aplicação de entendimento firmado em regime de repercussão geral ou em julgamento de recursos repetitivos. (Redação dada pela Lei nº 13.256, de 2016) I e II (com respectivas alíneas) revogados. Lembre-se de que o prazo do agravo em REsp ou RExt é de 15 dias. Procedimento A petição de agravo em RExt e REsp será dirigida diretamente ao Presidente ou ao vice-Presidente do Tribunal agravado, sem a necessidade de pagamento de custas ou valores referentes de porte e de remessa. Interposto o recurso, o Presidente ou vice-Presidente do tribunal determinará a intimação do agravado para, no prazo de 15 dias, apresentar contraminuta. Escoado o prazo para resposta ou apresentada a contraminuta, o Presidente ou vice-Presidente poderá se retratar e, caso mantenha a decisão recorrida, determinará a remessa dos autos ao Tribunal Superior. Essas regras estão fixadas nos §§ abaixo: Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 58 478 § 2º A petição de agravo será dirigida ao presidente ou ao vice-presidente do tribunal de origem e independe do pagamento de custas e despesas postais, aplicando-se a ela o regime de repercussão geral e de recursos repetitivos, inclusive quanto à possibilidade de sobrestamento e do juízo de retratação. (Redação dada pela Lei nº 13.256, de 2016) § 3o O agravado será intimado, de imediato, para oferecer resposta no prazo de 15 (QUINZE) DIAS. § 4o Após o prazo de resposta, não havendo retratação, o agravo será remetido ao tribunal superior competente. A priori, o agravo que estudamos tem a finalidade de deslocar a admissibilidade para o Tribunal. Não se tem a pretensão de, por intermédio do agravo em RExt ou REsp, analisar o mérito do acórdão recorrido. Em face disso, prevê o §5º que se o RExt ou REsp estiverem em condições de julgamento e o agravo for conhecido e provido, o Tribunal poderá, desde logo, efetuar o julgamento do recurso desde que propicie a oportunidade de sustentação oral à parte e observe as regras de processamento do recuso.§ 5o O agravo poderá ser julgado, conforme o caso, conjuntamente com o recurso especial ou extraordinário, assegurada, neste caso, sustentação oral, observando-se, ainda, o disposto no regimento interno do tribunal respectivo. Como os recursos extraordinário e especial possuem finalidades diversas e ambos podem ser interpostos em face da mesma decisão (acórdão do tribunal de segunda instância), temos a possibilidade de recurso conjunto. Vale dizer, intimada do acórdão, a parte poderá, desde logo, ajuizar o RExt e o REsp. Se não conhecido um desses recursos, a parte poderá apresentar o agravo em face do recurso não admitido. Por outro lado, segundo o que prevê o §6º, abaixo citado, se ambos os recursos não forem conhecidos, a parte, se desejar, deverá ajuizar um agravo para o RExt e outro para o REsp. § 6o Na hipótese de interposição conjunta de recursos extraordinário e especial, o agravante deverá interpor um agravo para cada recurso não admitido. Além disso, no caso de interposição de dois agravos – um para admissibilidade do RExt no STF e outro para admissibilidade do REsp no STJ – o Presidente ou vice-Presidente do tribunal recorrido determinará o envio dos autos ao STJ, pois o STF é a última instância e poderá não ser julgado a depender da decisão do STJ. Pense, por exemplo, no caso de provimento da pretensão em sede REsp. Nesse caso, o RExt resta prejudicado por perda do objeto. Veja, para encerrar os §§ que tratam sobre o tema: § 7o Havendo apenas um agravo, o recurso será remetido ao tribunal competente, e, havendo interposição conjunta, os autos serão remetidos ao Superior Tribunal de Justiça. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 59 478 § 8o Concluído o julgamento do agravo pelo Superior Tribunal de Justiça e, se for o caso, do recurso especial, independentemente de pedido, os autos serão remetidos ao Supremo Tribunal Federal para apreciação do agravo a ele dirigido, salvo se estiver prejudicado. Em síntese... AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO E ESPECIAL ● CONCEITO: expediente recursal voltado a forçar a admissibilidade do RExt ou REsp no juízo “ad quem”. ● NÃO SERÁ ADMISSÍVEL O AGRAVO: se a decisão estiver fundamentada em regime de repercussão geral; ou se a decisão estiver fundada no julgamento de recursos repetitivos. ● PRAZO: 15 dias ● PROCEDIMENTO: interposto, o Presidente ou vice-Presidente do Tribunal determinará a intimação do agravo para contraminuta no prazo de 15 dias. se negativo o juízo de retratação, será determinado o envio dos autos ao STF/STJ. O agravo poderá ser julgado, conforme o caso, conjuntamente com o recurso especial ou extraordinário, assegurada, neste caso, sustentação oral, observando-se, ainda, o disposto no regimento interno do tribunal respectivo. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 60 478 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Os embargos de declaração estão disciplinados no CPC entre os arts. 1.022 a 1.026. Trata-se de recurso que, diferentemente dos demais, não tem por finalidade cassar ou reformar a decisão proferida. Pretende-se, com os embargos de declaração, esclarecer, integrar, corrigir oui completar a decisão prolatada. Segundo o entendimento doutrinário, essa espécie recursal está intimamente relacionada com: o princípio da inafastabilidade do controle jurisdicional, com fundamento no art. 5º, XXXV, da CF; e o dever de fundamentação das decisões judiciais, prescrito no art. 93, IX, da CF. Cabimento Os embargos de declaração são cabíveis contra toda e qualquer decisão, seja ela sentença ou decisão interlocutória, no prazo de 5 dias. Observe que esse é o único prazo diferente para recursos no CPC, todos os demais prazos de interposição são de 15 dias. Assim: Note que essa espécie recursal não é cabível tão somente em face de sentença, mas também diante de decisões interlocutórias. Nesse sentido, nos ensina a doutrina1 que: Todo e qualquer pronunciamento jurisdicional pode ser objeto de embargos de declaração: despachos, decisões interlocutórias e sentenças, em primeiro grau, decisões monocráticas e acórdãos, nos Tribunais. Note que, para o autor acima citado, todo pronunciamento judicial é passível de embargos de declaração, inclusive, os despachos que não possuem cunho decisórios. Contudo, esse não parece ser o entendimento majoritário, para os quais cabe embargos tão somente de pronunciamentos decisórios. Veja: Art. 1.022. Cabem embargos de declaração contra qualquer decisão judicial para: 1 WAMBIER, Luiz Rodrigues e TALAMINI, Eduardo. Curso Avançado de Processo Civil, vol. 2, 16ª edição, reform. e ampl. com o novo CPC, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2016, 574. PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO 5 DIAS Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 61 478 I - esclarecer obscuridade ou eliminar contradição; II - suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento; III - corrigir erro material. São, portanto, quatro hipóteses de cabimento dos embargos de declaração: Vamos citar os conceitos de cada uma das hipóteses acima. ESCLARECER OBSCURIDADE: Decisão obscura é a decisão a que falta clareza. A obscuridade concerne à redação da decisão. A obscuridade compromete a adequada compreensão da ideia exposta na decisão judicial2. ELIMINAR CONTRADIÇÃO: A decisão é contraditória quando encerra duas ou mais proposições ou dois ou mais enunciados inconciliáveis. A contradição ocorre entre proposições e os enunciados que se encontram dentro da mesma decisão3. SUPRIR OMISSÃO: A apreciação que o órgão jurisdicional deve fazer dos fundamentos levantados pelas partes em seus arrazoados tem de ser completa. Vale dizer: a motivação 2 MARINONI, Luiz Guilherme, ARENHART, Sérgio Cruz e MITIDIERO, Daniel. Código de Processo Civil Comentado, 2ª edição, rev., ampl. e atual., São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2016, p. 1082. 3 MARINONI, Luiz Guilherme, ARENHART, Sérgio Cruz e MITIDIERO, Daniel. Código de Processo Civil Comentado, 2ª edição, rev., ampl. e atual., São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2016, p. 1082. CABIMENTO DO EMBARGOS DE DECLARAÇÃO esclarecer obscuridade eliminar contradição suprir omissão corrigir erro material Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 62 478 da decisão deve ser completa – razão pela qual cabem embargos declaratório quando for omitido ponto sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento4. As hipóteses descritas no parágrafo único do art. 1.022, do CPC, são consideradas inclusas no conceito de omissão. Parágrafo único. Considera-se omissa a decisão que: I - deixe de se manifestar sobre tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em incidente de assunção de competência aplicável ao caso sob julgamento; II - incorra em qualquer das condutas descritas no art. 489, § 1º [hipóteses de não fundamentação do ato decisório]. Pelo inc. I, considera-se omissa a decisão que deixar de se manifestar em relação a teses trazidas por uma das partes em a julgados de casos repetitivos ou de incidentes de assunção de competência. Se esses julgados não forem analisados na sentença, considera-se a decisão omissa e, portanto, passível de embargos de declaração. No inc. II, por sua vez, temos a omissão configurada pela ausência de fundamentação da decisão. Essas hipóteses estão previstas no art. 489,§1º, do CPC. Vamos, rapidamente, retratar as hipóteses aqui: CORRIGIR ERRO MATERIAL Cabem embargos de declaração para sanação de erro material, assim entendidos os erros de cálculo e as inexatidões materiais (art. 494, I, CPC). Erro de cálculo consiste no erro aritmético (não se confunde, porém, com o erro quanto a critério de cálculo ou elementos 4 MARINONI, Luiz Guilherme, ARENHART, Sérgio Cruz e MITIDIERO, Daniel. Código de Processo Civil Comentado, 2ª edição, rev., ampl. e atual., São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2016, p. 1083. • apenas indicar, reproduzir ou parafrasear o ato normativo sem relacioná-lo com as questões a serem decididas. • empregar conceitos jurídicos indeterminados sem explicar a incidência no caso concreto. • invocar motivos genéricos, que possam justificar qualquer outra decisão no processo. • não enfrentar todos os argumentos apresentados pelas partes capazes de contrariar a tese adotada pelo julgador. • apenas fizer referência a determinado precedente ou súmula, sem demonstrar que o caso concreto se amolda aos fundamentos do julgado ou súmula. • pelo contrário, deixar de seguir súmula, jurisprudência ou precedentes invocados pela parte sem demonstrar a inaplicabilidade ao caso concreto ou a superação do entendimento anteriormente adotado. NÃO SE CONSIDERA FUNDAMENTADA A SENTENÇA QUE Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 63 478 do cálculo, que constituem erros de julgamento a respeito do cálculo). Inexatidão material constitui erro na redação da decisão – e não no julgamento nela exprimido5. Em todas as hipóteses acima, pela ausência de fundamentação, considera-se a sentença omissa e, portanto, passível de embargos de declaração. O art. 1.023, do CPC, prevê que os embargos interrompem outros recursos. Portanto: Art. 1.023. Os embargos serão opostos, no PRAZO DE 5 (CINCO) DIAS, em petição dirigida ao juiz, com indicação do erro, obscuridade, contradição ou omissão, e NÃO se sujeitam a preparo. § 1o Aplica-se aos embargos de declaração o art. 229. § 2o O juiz intimará o embargado para, querendo, manifestar-se, no prazo de 5 (cinco) dias, sobre os embargos opostos, caso seu eventual acolhimento implique a modificação da decisão embargada. O §2º, que será melhor analisado na parte final do tópico, se refere aos embargos declaratórios com efeito modificativo. Cumpre registrar que, se os embargos de declaração forem intempestivos, não terão efeito interruptivo. 5 MARINONI, Luiz Guilherme, ARENHART, Sérgio Cruz e MITIDIERO, Daniel. Código de Processo Civil Comentado, 2ª edição, rev., ampl. e atual., São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2016, p. 1083. oposto o recurso de embargos de declaração, o prazo para interposição de outros recursos é INTERROMPIDO e, após o julgamento, o prazo será integralmente devolvido à parte para apresentação do recurso Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 64 478 ==1365fc== Procedimento O procedimento dos embargos de declaração está descrito no art. 1.024, do CPC: Art. 1.024. O juiz julgará os embargos em 5 (CINCO) DIAS. Para começar, anote: Esse prazo acima aplica-se ao julgamento de embargos no primeiro grau de jurisdição. No tribunal temos tratamento diferente. Além disso, a forma de análise e de julgamento dos embargos é distinta a depender da decisão, se monocrática ou colegiada. NO CASO DE DECISÃO COLEGIADA: Caso os embargos sejam opostos no tribunal, o relator do processo deve apresentar o recurso em mesa, na sessão subsequente, já com o seu voto. Caso não seja julgado nessa sessão subsequente, teremos a inclusão do processo em pauta. NO CASO DE DECISÃO MONOCRÁTICA: Se a decisão impugnada for proferida, ainda que no âmbito do tribunal, de forma monocrática, a decisão dos embargos não será dada pelo órgão colegiado, mas por quem monocraticamente proferiu a decisão embargada. Confira os §§ 1º e 2º, que retratam as regras acima: § 1o Nos tribunais, o relator apresentará os embargos em mesa na sessão subsequente, proferindo voto, e, não havendo julgamento nessa sessão, será o recurso incluído em pauta automaticamente. § 2o Quando os embargos de declaração forem opostos contra decisão de relator ou outra decisão unipessoal proferida em tribunal, o órgão prolator da decisão embargada decidi- los-á monocraticamente. 5 DIAS prazo para opor os embargos de declaração prazo para a parte contrária se manifestar quanto aos embargos opostos (se infringentes) prazo para o magistrado julgar os embargos Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 65 478 O §3º trata da fungibilidade do recurso quando a parte opor embargos, mas, na realidade, pretender a modificação do mérito da decisão monocrática. Como sabemos, o agravo é utilizado para atacar decisões interlocutórias proferidas ao longo do processo. Quando essas decisões forem dadas no curso do trâmite de um recurso esse agravo é denominado de agravo interno. Assim, identificado o erro da parte, o órgão julgador conhecerá os embargos opostos como agravo interno. Para tanto, determinará a intimação do então embargante para complementar as razões do recurso no prazo de 5 dias. § 3o O órgão julgador conhecerá dos embargos de declaração como agravo interno se entender ser este o recurso cabível, DESDE QUE determine previamente a intimação do recorrente para, no prazo de 5 (CINCO) DIAS, complementar as razões recursais, de modo a ajustá-las às exigências do art. 1.021, § 1o. O §4º será citado e analisado abaixo, quando tratarmos dos embargos modificativos. Para encerrar o art. 1.024, veja o §5º, o qual trata da desnecessidade de retificação do recurso, quando interposto antes dos embargos de declaração, que foi rejeitado ou que não tenha alterado a conclusão do julgamento. § 5o Se os embargos de declaração forem rejeitados ou não alterarem a conclusão do julgamento anterior, o recurso interposto pela outra parte antes da publicação do julgamento dos embargos de declaração será processado e julgado independentemente de ratificação. Esse dispositivo coaduna com a Súmula STJ 579: Súmula STJ 579 Não é necessário ratificar o recurso especial que foi interposto na pendência dos embargos de declaração quando inalterado o julgamento anterior O entendimento anterior a essa súmula pelos tribunais era no sentido de que o recurso especial interposto antes dos embargos de declaração da parte contrária tornava o recurso especial extemporâneo, de forma que a validade desse recurso, após a decisão dos embargos de declaração, fazia-se necessária a ratificação pelo recorrente. Esse era o entendimento da Súmula STJ 418, atualmente cancelada. O entendimento anterior consagrava a tese do recurso prematuro que não mais subsiste no CPC. De modo que, independentemente de uma das partes ter interposto o recurso especial e, em seguida, a parte contrária embargar de declaração, não é necessária qualquer ratificação posterior. A ratificação apenas ocorrerá caso, em face do julgamento dos embargos, haja modificação na conclusão do ato decisório impugnado no recurso previamente interposto. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 66 478 Prequestionamento Uma questão importante a ser analisada é a possibilidade de interposição de recurso de embargos de declaração para fins de prequestionamento. O prequestionamento constitui exigência do objeto do recurso especial ou do recurso extraordinário. ÉQuestões Comentadas - Recursos - Recurso Extraordinário e Recurso Especial - FCC 321 ..............................................................................................................................................................................................32) Questões Comentadas - Recursos - Recurso Extraordinário e Recurso Especial - FGV 326 ..............................................................................................................................................................................................33) Questões Comentadas - Recursos - Recurso Extraordinário e Recurso Especial - VUNESP 327 ..............................................................................................................................................................................................34) Questões Comentadas - Recursos - Recurso Extraordinário e Recurso Especial - OUTRAS BANCAS 331 ..............................................................................................................................................................................................35) Questões Comentadas - Recursos - Embargos de Divergência - CEBRASPE 337 ..............................................................................................................................................................................................36) Questões Comentadas - Recursos - Embargos de Divergência - VUNESP 338 ..............................................................................................................................................................................................37) Questões Comentadas - Recursos - Embargos de Divergência - OUTRAS BANCAS 340 ..............................................................................................................................................................................................38) Lista de Questões - Recursos - Teoria Geral dos Recursos - CEBRASPE 341 ..............................................................................................................................................................................................39) Gabarito - Recursos - Teoria Geral dos Recursos - CEBRASPE 350 ..............................................................................................................................................................................................40) Lista de Questões - Recursos - Teoria Geral dos Recursos - CONSULPLAN 351 ..............................................................................................................................................................................................41) Gabarito - Recursos - Teoria Geral dos Recursos - CONSULPLAN 354 ..............................................................................................................................................................................................42) Lista de Questões - Recursos - Teoria Geral dos Recursos - FCC 355 ..............................................................................................................................................................................................43) Gabarito - Recursos - Teoria Geral dos Recursos - FCC 364 ..............................................................................................................................................................................................44) Lista de Questões - Recursos - Teoria Geral dos Recursos - FGV 365 ..............................................................................................................................................................................................45) Gabarito - Recursos - Teoria Geral dos Recursos - FGV 374 ..............................................................................................................................................................................................46) Lista de Questões - Recursos - Teoria Geral dos Recursos - VUNESP 375 ..............................................................................................................................................................................................47) Gabarito - Recursos - Teoria Geral dos Recursos - VUNESP 385 ..............................................................................................................................................................................................48) Lista de Questões - Recursos - Teoria Geral dos Recursos - OUTRAS BANCAS 386 ..............................................................................................................................................................................................49) Gabarito - Recursos - Teoria Geral dos Recursos - OUTRAS BANCAS 400 ..............................................................................................................................................................................................50) Lista de Questões - Recursos - Apelação - CEBRASPE 401 ..............................................................................................................................................................................................51) Gabarito - Recursos - Apelação - CEBRASPE 402 ..............................................................................................................................................................................................52) Lista de Questões - Recursos - Apelação - FCC 403 ..............................................................................................................................................................................................53) Gabarito - Recursos - Apelação - FCC 405 ..............................................................................................................................................................................................54) Lista de Questões - Recursos - Apelação - FGV 406 ..............................................................................................................................................................................................55) Gabarito - Recursos - Apelação - FGV 408 ..............................................................................................................................................................................................56) Lista de Questões - Recursos - Apelação - VUNESP 409 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 3 478 Ricardo Torques Aula 16 Índice ..............................................................................................................................................................................................57) Gabarito - Recursos - Apelação - VUNESP 412 ..............................................................................................................................................................................................58) Lista de Questões - Recursos - Apelação - OUTRAS BANCAS 413 ..............................................................................................................................................................................................59) Gabarito - Recursos - Apelação - OUTRAS BANCAS 416 ..............................................................................................................................................................................................60) Lista de Questões - Recursos - Agravos - CEBRASPE 417 ..............................................................................................................................................................................................61) Gabarito - Recursos - Agravos - CEBRASPE 419 ..............................................................................................................................................................................................62)necessário que a matéria já tenha sido objeto de decisão prévia por tribunais inferiores. A ideia é simples: deve constar pré-análise e julgamento prévio pelos tribunais de segunda instância da matéria que se pretende recorrer. A exigência do prequestionamento tem por finalidade impedir que seja analisado o recurso especial ou o extraordinário, quando nele houver matéria que não foi anteriormente analisada pelo tribunal de segunda instância. O STJ sumulou entendimento no sentido da inadmissibilidade do recurso especial quando a questão que, apesar da oposição dos embargos de declaração, não foi apreciada pelo tribunal interior (Súmula STJ 211). Veja: Súmula STJ 211 Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo tribunal “a quo”. O STF, por sua vez, tinha entendimento diverso. A Corte Constitucional entendia que o simples fato de apresentação dos embargos de declaração contra decisão omissa, independentemente do resultado desse julgamento, já criava no caso concreto o prequestionamento (Súmula STF 356). Veja: Súmula STF 356 O ponto omisso da decisão, sobre o qual não foram opostos embargos declaratórios, não pode ser objeto de recurso extraordinário, por faltar o requisito do prequestionamento. O CPC adotou o entendimento do STF! O art. 1.025 prevê: Art. 1.025. Consideram-se incluídos no acórdão os elementos que o embargante suscitou, para fins de pré-questionamento, ainda que os embargos de declaração sejam inadmitidos ou rejeitados, caso o tribunal superior considere existentes erro, omissão, contradição ou obscuridade. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 67 478 Assim, a mera interposição dos embargos de declaração já é suficiente para prequestionar a matéria, independentemente de rejeição dos embargos pelo tribunal de segundo grau. Desse modo, perde força a Súmula do STJ. O art. 1.026, do CPC, trata do efeito meramente devolutivo do recurso de embargos e ratifica a regra de que o recurso de embargos interrompe o prazo para interposição de outros recursos. Embora o recurso de embargos de declaração não possua, em regra, efeito suspensivo, a parte recorrente poderá requerer tal efeito se: demonstrar a probabilidade de provimento do recurso; ou relevante a fundamentação, houver risco de dano grave ou de difícil reparação. Veja: Art. 1.026. Os embargos de declaração NÃO possuem efeito suspensivo e interrompem o prazo para a interposição de recurso. § 1o A eficácia da decisão monocrática ou colegiada poderá ser suspensa pelo respectivo juiz ou relator se demonstrada a probabilidade de provimento do recurso ou, sendo relevante a fundamentação, se houver risco de dano grave ou de difícil reparação. Veja uma questão de prova: (MPE-PR - 2016) Sobre os recursos no Código de Processo Civil de 2015, julgue o item subsequente: Os embargos de declaração possuem efeito suspensivo e interrompem o prazo para a interposição de recurso. Comentários A assertiva está incorreta. De acordo com o art. 1.026, do CPC, os embargos de declaração não possuem efeito suspensivo. Todavia, a segunda parte da alternativa está correta, pois os embargos interrompem o prazo para interposição de recurso. Vamos em frente! Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 68 478 Embargos de declaração protelatórios Nota-se, no CPC, esforço no sentido de evitar a oposição de embargos protelatórios. Quando a parte opor o recurso de embargos com a pretensão apenas de protelar os efeitos da decisão final, há a possibilidade de o juiz ou tribunal multarem a parte. Além disso, a multa será majorada no caso de reincidência e caso, ao longo do procedimento, a parte sofra duas condenações, ficará obstada e não poderá mais embargar de declaração. Veja: § 2o Quando manifestamente protelatórios os embargos de declaração, o juiz ou o tribunal, em decisão fundamentada, condenará o embargante a pagar ao embargado MULTA NÃO excedente a dois por cento sobre o valor atualizado da causa. § 3o Na reiteração de embargos de declaração manifestamente protelatórios, a multa será elevada a até dez por cento sobre o valor atualizado da causa, E a interposição de qualquer recurso ficará condicionada ao depósito prévio do valor da multa, à EXCEÇÃO da Fazenda Pública e do beneficiário de gratuidade da justiça, que a recolherão ao final. § 4o NÃO serão admitidos novos embargos de declaração se os 2 (dois) anteriores houverem sido considerados protelatórios. Sistematizando as informações acima, temos: 1ª EMBARGOS PROTELATÓRIOS: multa não excedente a 2% sobre o valor atualizado da causa. 2ª EMBARGOS PROTELATÓRIOS: multa não excedente a 10% sobre o valor atualizado da causa. Se condenada duas vezes, a parte NÃO PODERÁ MAIS OPOR EMBARGOS no mesmo processo. Para a prova... Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 69 478 Embargos de declaração atípicos (modificativos ou com efeitos infringentes) Os embargos de declaração se prestam a esclarecer, complementar ou corrigir erro material da decisão. Não possuem finalidade de invalidar ou de reformar a decisão. Assim, A REGRA é que os embargos de declaração NÃO TENHAM EFEITO MODIFICATIVO (ou infringente). Não existe a possibilidade desses embargos serem utilizados puramente com a pretensão de se obter a reforma da decisão. Se esse fosse o objetivo, a parte deveria se valer de outros recursos, como a apelação ou o agravo de instrumento. Contudo, na prática, ao efetuar o esclarecimento, complementação ou correção de erro material em sede de embargos de declaração, há a possibilidade de que decorra alguma alteração no bojo daquilo que foi decidido, hipótese excepcional em que os embargos terão efeitos infringentes. Nos embargos de declaração modificativos, dentro das hipóteses previstas no art. 1.022, do CPC, se o magistrado entender que o provimento do recurso possa alterar o conteúdo da decisão, deverá intimar a parte contrária para o exercício do contraditório. Confira, sobre os embargos com efeitos modificativos, o art. 1.024, §4º, do CPC: § 4o Caso o acolhimento dos embargos de declaração implique modificação da decisão embargada, o embargado que já tiver interposto outro recurso contra a decisão originária tem o direito de complementar ou alterar suas razões, nos exatos limites da modificação, no PRAZO DE 15 (QUINZE) DIAS, contado da intimação da decisão dos embargos de declaração. Esses embargos são cabíveis quando a decisão for teratológica, quando a decisão estiver com erro evidente e, nesse caso, os embargos têm por finalidade corrigir esses vícios. Cite-se, como exemplo, erro manifesto de contagem de prazo ou ausência de citação de um dos réus do processo. EM B A R G O S D E D EC LA R A Ç Ã O M ER A M EN TE P R O TE LA TÓ R IO 1ª interposição: multa até 2% 2ª interposição: multa até 10% 3ª interposição: inadmissibilidade imediata OBS.: valor calculado sobre o valor atualizado da causa OBS.: reverte em favor da parte contrária Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 70 478 Assim, se for o caso de embargos com efeitos infringentes, haverá a necessidade de intimação do embargado para complementar o recurso no prazo de cinco dias, na forma do art. 1.023, §2º, do CPC. Após, intima-se a parte contrária para o exercício do contraditório. Veja uma questão de prova, que é importante apenas para evitaruma confusão! (DPE-ES - 2016) Sobre o sistema recursal no novo Código de Processo Civil, julgue: São cabíveis embargos infringentes contra acórdão não unânime que tenha reformado, em grau de apelação, a sentença de mérito, ou houver julgado procedente ação rescisória. Comentários A assertiva está incorreta. Os embargos infringentes foram excluídos pelo CPC, que passou a não mais prever essa espécie recursal. Assimila-se a este recurso a técnica do julgamento ampliado prevista no art. 942. Observe-se, ainda, que os embargos de declaração poderão ter efeitos infringentes. Finalizamos, assim, o estudo dos embargos de declaração conforme o CPC. Em síntese... EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ● CONCEITO: não tem por finalidade cassar ou reformar a decisão proferida. Pretende-se, com os embargos de declaração, esclarecer, integrar, corrigir ou completar a decisão prolatada. ● PRAZO: 5 dias ● CABIMENTO: sentenças e decisões interlocutórias, para: esclarecer obscuridade: falta clareza na redação da decisão, afetando a compreensão da ideia exposta. eliminar contradição: há duas ou mais proposições ou enunciados inconciliáveis na sentença. suprir omissão: verificação de omissão na análise de algum dos pedidos formulados. Considera-se omissa a decisão que ➢ deixar de se manifestar em relação a teses trazidas por uma das partes em julgados de casos repetitivos ou de incidentes de assunção de competência. ➢ Faltar fundamentação, tal como: o apenas indicar, reproduzir ou parafrasear o ato normativo sem relacioná-lo com as questões a serem decididas. o que empregar conceitos jurídicos indeterminados sem explicar a incidência no caso concreto. o que invocar motivos genéricos, que possam justificar qualquer outra decisão no processo. o que não enfrentar todos os argumentos apresentados pelas partes capazes de contrariar a tese adotada pelo julgador. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 71 478 o que apenas fizer referência a determinado precedente ou súmula, sem demonstrar que o caso concreto se amolda aos fundamentos do julgado ou súmula. o que, pelo contrário, deixar de seguir súmula, jurisprudência ou precedentes invocados pela parte sem demonstrar a inaplicabilidade ao caso concreto ou a superação do entendimento anteriormente adotado. corrigir erro material ● INTERRUPÇÃO DO PRAZO: oposto o recurso de embargos de declaração, o prazo para interposição de outros recursos é INTERROMPIDO e, após o julgamento, o prazo será integralmente devolvido à parte para apresentação do recurso ● 5 DIAS prazo para opor os embargos de declaração prazo para a parte contrária se manifestar quanto aos embargos opostos (se infringentes) prazo para o magistrado julgar os embargos. ● DECISÃO colegiada: quando impugnada decisão do tribunal monocrática: quando impugnada decisão do juízo ou no caso de decisão monocrática no tribunal. ● PRESQUESTIONAMENTO EM EMBARGOS DE DECLARAÇÃO: para que o recurso especial ou extraordinário sejam conhecidos, deve constar pré-análise e julgamento prévio pelos tribunais de segunda instância da matéria que se pretende recorrer. a mera interposição dos embargos de declaração já é suficiente para prequestionar a matéria, independentemente de rejeição dos embargos pelo tribunal de segundo grau. ● EFEITO SUSPENSIVO: não há, como regra a parte recorrente poderá requerer tal efeito se (ope judicis): ➢ demonstrar a probabilidade de provimento do recurso; ou ➢ relevante a fundamentação, houver risco de dano grave ou de difícil reparação ● EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PROTELATÓRIOS 1ª interposição: multa até 2% 2ª interposição: multa até 10% 3ª interposição: inadmissibilidade imediata valor calculado sobre o valor atualizado da causa reverte em favor da parte contrária ● EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ATÍPICOS (modificativos ou com efeitos infringentes): CONCEITO: ao efetuar o esclarecimento, a complementação ou a correção de erro material em sede de embargos de declaração, há a possibilidade de que decorra alguma alteração no bojo daquilo que foi decidido, hipótese excepcional em que os embargos terão efeitos infringentes. CONTRADITÓRIO: necessidade de intimar o embargado para complementar as razões (no prazo de 15 dias) e a parte contrária para se manifestar (prazo de 5 dias). Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 72 478 RECURSO ORDINÁRIO Está disciplinado no art. 1.027 e no art. 1.028, do CPC, e, também, na Constituição Federal, nos artigos 102, II e no art. 105, II, ambos da CF. Conceito e cabimento Trata-se de uma “apelação em segundo grau”, segundo ensina a doutrina, a ser interposta no prazo de 15 dias. Trata-se de recurso que visa garantir a efetividade do duplo grau de jurisdição. Isso porque, nos recursos de competência originária, a “primeira análise” se dá diretamente no tribunal. Assim, para o exercício do duplo grau de jurisdição, temos a figura do recurso ordinário constitucional, que torna o STJ e o STF exercentes da reanálise constitucional obrigatória dos casos decididos originariamente em tribunais. Note que nesses recursos não há uma fundamentação vinculada, pois as partes recorrentes podem alegar qualquer matéria, não havendo prequestionamento. Ademais, à parte é conferida a prerrogativa, inclusive, de pedir a reanálise de questões e de fatos. Além disso, o efeito devolutivo é amplo, pois as partes podem atacar tanto a matéria constitucional como a legislação federal ou direito local. Vamos analisar as hipóteses?! recurso ordinário constitucional para o STF: II - julgar, em recurso ordinário: a) o habeas corpus, o mandado de segurança, o habeas data e o mandado de injunção decididos em única instância pelos Tribunais Superiores, se denegatória a decisão; b) o crime político; São duas as hipóteses previstas na CF de cabimento do recurso ordinário constitucional para o STF. A primeira hipótese envolve as ações constitucionais. No caso de ações constitucionais decididas originariamente no âmbito de Tribunal Superior, do acórdão do tribunal de segunda instância é cabível recurso ordinário para o STF. Atenção! São recursos que se iniciam perante o Tribunal Superior e, em face desse acórdão, a parte prejudicada pela decisão tem a prerrogativa de “apelar” por intermédio do recurso ordinário constitucional ao STF. Assim, esse recurso é cabível apenas em face de julgamento de ações constitucionais originárias do STJ (Superior Tribunal de Justiça), TSE (Tribunal Superior Eleitoral), TST (Tribunal Superior do Trabalho) ou STM (Superior Tribunal Militar). A segunda hipótese envolve o julgamento de crimes políticos. De acordo com a doutrina, considera-se crime político aquele que envolve atos ou omissões que prejudicam os interesses do Estado, do governo ou do Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 73 478 sistema político. Esse crime político pode ser considerado “próprio” quando ameaça a ordem institucional vigente ou “impróprio” quando é conexo a um crime político. Vejamos as hipóteses de cabimento do recurso ordinário constitucional para o STJ, que estão disciplinados no art. 105, II, da CF. recurso ordinário constitucional para o STJ: II - julgar, em recurso ordinário: a) os habeas corpus decididos em única ou última instância pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando a decisão for denegatória; b) os mandados de segurança decididos em única instância pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do DistritoFederal e Territórios, quando denegatória a decisão; c) as causas em que forem partes Estado estrangeiro ou organismo internacional, de um lado, e, do outro, Município ou pessoa residente ou domiciliada no País; Temos, aqui, duas hipóteses de cabimento. Primeira, como estudado acima, o STF é competente para analisar os recursos em face de acórdãos em ações constitucionais originárias de Tribunais Superiores. O STJ, por sua vez, detém competência para processar recurso em face desses acórdãos de ações constitucionais originárias de tribunais de segunda instância. Abrange, portanto, os TRFs (Tribunais Regionais Federais) e os TJs (Tribunais de Justiça). Além disso, temos duas informações fundamentais: 1ª INFORMAÇÃO: estão abrangidos apenas os recursos em face de acórdãos em habeas corpus e em mandado de segurança. 2ª INFORMAÇÃO: aplica-se apenas às decisões denegatórias. Veja que esses dois requisitos restritivos não estão presentes nas hipóteses de cabimento do recurso ordinário para o STF. A segunda hipótese envolve recurso de acórdãos em decisões de tribunais em que tivermos Estado estrangeiro ou organismo internacional versus município ou pessoa residente ou domiciliada no Brasil. Justifica-se o recurso ordinário constitucional para o STJ nesse caso, pois o Superior Tribunal de Justiça é o órgão judiciário que detém a competência judicial para tratar de questões que envolvem interesses da federação. Em síntese: Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 74 478 Essas regras de cabimento são simplesmente reproduzidas no CPC, pelo que citamos, para conhecimento, os dispositivos do código: Art. 1.027. Serão julgados em recurso ordinário: I - pelo Supremo Tribunal Federal, os mandados de segurança, os habeas data e os mandados de injunção decididos em única instância pelos tribunais superiores, quando denegatória a decisão; II - pelo Superior Tribunal de Justiça: a) os mandados de segurança decididos em única instância pelos tribunais regionais federais ou pelos tribunais de justiça dos Estados e do Distrito Federal e Territórios, quando denegatória a decisão; b) os processos em que forem partes, de um lado, Estado estrangeiro ou organismo internacional e, de outro, Município ou pessoa residente ou domiciliada no País. Note que, muito embora não haja referência ao crime político, devemos considerá-lo como hipótese de recurso para o STF em face da previsão expressa na CF. Os §§ 1º e 2º do dispositivo em análise trazem duas outras regras importantes: § 1º Nos processos referidos no inciso II, alínea “b”, contra as decisões interlocutórias caberá agravo de instrumento dirigido ao Superior Tribunal de Justiça, nas hipóteses do art. 1.015. § 2º Aplica-se ao recurso ordinário o disposto nos arts. 1.013, § 3o, e 1.029, § 5o. No caso de recurso ordinário em face de acórdão contra organismo ou estado estrangeiro contra pessoa residente/domiciliada no Brasil ou município brasileiro, das decisões interlocutórias proferidas ao longo do trâmite recursal perante o STJ, cabe recurso de agravo de instrumento para o órgão pleno do STJ, aplicando- • acórdão em ações constitucionais originárias de habeas corpus e mandado de segurança oriundas do TRF ou do TJ, quando denegatória a decisão • acórdãos de decisões de tribunais que envolvam ações de estado estrangeiro ou organismo internacional contra pessoa residente/domiciliada no Brasil ou município brasileiro. CABE RECURSO ORDINÁRIO PARA O STJ Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 75 478 ==1365fc== se, inclusive, as regras procedimentais estudadas em agravo de instrumento contra não admissão de RExt e REsp, segundo prevê o §1º, do art. 1.028, do CPC. Além disso, em relação ao recurso ordinário como um todo (ou seja, tanto os direcionados ao STF como ao STJ) aplicamos as regras de decisão imediata quando a causa estiver madura para decidir sem julgamento de mérito, para decretar nulidade de sentença, para constatar a omissão no exame de um dos pedidos e para decretar a nulidade de sentença por falta de fundamentação. Nas hipóteses em que o juiz de primeiro grau decidir sem o conhecimento do mérito, é admissível que, se conhecido o recurso de apelação e a causa estiver madura, ou seja, com todos a produção das provas necessárias para o conhecimento da lide, o tribunal, desde logo, anule a sentença de primeiro grau e analise o mérito da causa. Se o tribunal decretar a nulidade da sentença por incongruência em relação aos limites do pedido ou da causa de pedir e o processo estiver em condições de julgamento, o próprio colegiado passará a analisar o mérito dos pedidos que foram anulados. Se for constatada a omissão do magistrado na análise de alguns dos pedidos formulados e a causa estiver madura, o tribunal irá julgar o pedido. Se decretada a nulidade da sentença por falta de fundamentação e o processo estiver em condições de julgamento, compete ao tribunal efetuar a análise dos pedidos com a devida fundamentação. Procedimento As regras de processamento do recurso ordinários são remissivas. De acordo com o art. 1.028, do CPC, aplicam-se as regras procedimentais no que diz respeito aos requisitos de admissibilidade e ao procedimento como um todo, os quais vimos em relação ao recurso de apelação. Uma vez interposto o recurso ordinário constitucional – que observa o prazo de 15 dias a contar da intimação do acórdão recorrido – o Presidente ou o vice-Presidente do tribunal determinará a intimação da parte contrária para que apresente contrarrazões (em iguais 15 dias). Nessa espécie recursal não temos juízo de admissibilidade, pelo que, escoado o prazo ou acostadas as contrarrazões, os autos serão encaminhados ao STF ou ao STJ, conforme o caso. Art. 1.028. Ao recurso mencionado no art. 1.027, inciso II, alínea “b”, aplicam-se, quanto aos requisitos de admissibilidade e ao procedimento, as disposições relativas à apelação e o Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. § 1o Na hipótese do art. 1.027, § 1o, aplicam-se as disposições relativas ao agravo de instrumento e o Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. § 2o O recurso previsto no art. 1.027, incisos I e II, alínea “a”, deve ser interposto perante o tribunal de origem, cabendo ao seu presidente ou vice-presidente determinar a intimação do recorrido para, em 15 (QUINZE) DIAS, apresentar as contrarrazões. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 76 478 § 3o Findo o prazo referido no § 2o, os autos serão remetidos ao respectivo tribunal superior, INDEPENDENTEMENTE DE JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE. Com isso, finalizamos o estudo do recurso ordinário constitucional. RECURSO ORDINÁRIO CONSTITUCIONAL ● CONCEITO: “apelação em segundo grau” contra decisões originárias dos tribunais. ● HIPÓTESES DE CABIMENTO: STF: ➢ o habeas corpus, o mandado de segurança, o habeas data e o mandado de injunção decididos em única instância pelos Tribunais Superiores, se denegatória a decisão. ➢ o crime político. STJ: ➢ o habeas corpus e os mandados de segurança decididos em única instância pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando denegatória a decisão; ➢ as causas em que forem partes Estado estrangeiro ou organismo internacional, de um lado, e, do outro, Município ou pessoa residente ou domiciliada no País. ● PRAZO: 15 dias Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br39471799600 - Naldira Luiza Vieria 77 478 RECURSO EXTRAORDINÁRIO E RECURSO ESPECIAL O recurso extraordinário (RExt) e o recurso especial (REsp) possuem caráter excepcional e assumem uma nova importância no CPC, com a valorização dos precedentes. Ao estudarmos as várias espécies de recursos notamos que há diversas possibilidades, inclusive de forma monocrática, de pôr fim ao recurso devido ao fato de que a decisão impugnada está de acordo com a jurisprudência dos tribunais superiores ou até mesmo dar provimento ao recurso quando a sentença estiver dissonante do entendimento do STJ e do STF. Nesse contexto, o RExt e REsp apresentam-se como espécies recursais que não estão voltadas para o reexame de matéria já decidida no contexto interpartes. Não se colocam para analisar a justiça da decisão de segundo grau. São recursos voltados para tutelar o sistema, o direito objetivo, não diretamente o direito das partes. Ambos os recursos possuem algumas características importantes: são recursos excepcionais, de modo que somente podem ser interpostos se esgotadas as vias ordinárias. Se do acórdão que se pretende recorrer, a parte puder apresentar outra espécie de recurso que não o RExt ou REsp, deverá apresentá-lo. Esses recursos excepcionais somente podem ser interpostos quando não houver mais outras possibilidades recursais. todas as decisões são recorríveis. Independentemente de se tratar de uma decisão final ou interlocutória, cabe o RE ou REsp, desde que exauridas as demais formas ordinárias de recurso. são recursos que não se prestam a corrigir a injustiça da decisão em razão da inadequada interpretação dos fatos na decisão recorrida. São recursos que tem por objetivo tutelar a correta interpretação da legislação federal e da Constituição. Tutela-se, portanto, o direito objetivo. À luz dessa característica temos sedimentado o entendimento de que esses recursos não podem revisar a matéria de fato. Veja: Súmula STJ 7 A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial. Súmula STF 279 Para simples reexame de prova não cabe recurso extraordinário. não são providos, pela legislação (ope legis), de efeito suspensivo. Assim, esses recursos não impedem que a decisão impugnada produza efeitos, a não ser que o efeito suspensivo seja concedido à luz do caso concreto (ope judicis). exigem prequestionamento, vale dizer, para que sejam admitidos os RExt e REsp é necessário que haja enfrentamento no acórdão de questões fundamentadas em norma constitucional ou em legislação federal. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 78 478 À luz das características acima, conclui a doutrina: As Cortes Supremas galgaram o posto de cortes de interpretação e de precedentes, cuja missão está não apenas na guarda da Constituição e do direito federal, mas na sua efetiva reconstrução interpretativa, decidindo-se quais os significados devem prevalecer a respeito das dúvidas interpretativas suscitadas pela prática forense, e na sua vocação de guia interpretativo para todos os envolvidos na administração da Justiça Civil e para a sociedade como um todo. Cabimento O cabimento desses recursos possui sede constitucional. Cabimento de recurso extraordinário O RExt tem as hipóteses de cabimento descritas no art. 102, III, da CF: III - julgar, mediante recurso extraordinário, as causas decididas em única ou última instância, quando a decisão recorrida: a) contrariar dispositivo desta Constituição; b) declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal; c) julgar válida lei ou ato de governo local contestado em face desta Constituição. d) julgar válida lei local contestada em face de lei federal. (Incluída pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) Vamos analisar brevemente cada uma das hipóteses: Cabe RExt quando a decisão contrariar algum dispositivo da CF. Se o acórdão prolatado pelos demais tribunais ordinários ou especiais (inclui-se aqui o STJ, TSE, STM e TST) contrariar algum dispositivo da Constituição, poderá ser impugnado mediante recurso extraordinário. Cabe RExt quando a decisão declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal. Cabe ao STF a “última palavra” em relação à interpretação da legislação frente à Constituição. Assim, se uma decisão considerar um tratado internacional, que, devidamente internalizado, constitui lei federal em nosso ordenamento, ou se uma lei federal for considerada inconstitucional, caberá reanálise objetiva da norma para averiguar a efetiva inconstitucionalidade por intermédio do RExt. Cabe RExt quando a decisão julgar válida lei ou ato de governo local contestado em face da Constituição. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 79 478 ==1365fc== Nessa hipótese, temos o contrário. Ao invés de analisar a inconstitucionalidade da legislação federal, busca- se verificar se a interpretação que privilegiou o ordenamento local ou ato de governo local não está contrário à Constituição. Cabe RExt quando a decisão julgar válida lei local contestada em face de lei federal. Nessa última hipótese de cabimento do recurso extraordinário verifica-se a harmonização da legislação federal. Somente será da competência do STF se, entre uma lei federal e uma lei estadual ou municipal, a decisão optar pela aplicação da última por entender que a norma central regulou a matéria de competência local. Nesse caso, como a repartição de competência é constitucionalmente prevista, ao deixar de aplicar a lei federal, conclui-se obliquamente que a lei federal é inconstitucional, pois invadiu a esfera de competência de lei estadual ou local. Cabimento do recurso especial O recurso especial encontra cabimento nas hipóteses do art. 105, III, da CF: III - julgar, em recurso especial, as causas decididas, em única ou última instância, pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando a decisão recorrida: a) contrariar tratado ou lei federal, ou negar-lhes vigência; b) julgar válido ato de governo local contestado em face de lei federal; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) c) der a lei federal interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro tribunal. Vamos analisar cada uma das hipóteses: Cabe REsp quando a decisão contrariar tratado ou lei federal ou negar a vigência a essa lei ou tratado. Aqui está a principal regra de competência do STJ em termos recursais, no exercício do controle da legislação federal e com a finalidade de garantir a uniformidade de sua interpretação e perfeita vigência. Cabe REsp quando a decisão julgar válido ato de governo local contestado em face de lei federal. Nessa hipótese deixa-se de aplicar determinada lei federal em face de ato de governo local, de forma que ao STJ cabe analisar se tal afastamento da legislação federal está correto. Cabe REsp para fins de uniformização de jurisprudência quanto à intepretação da legislação federal. Procedimento O CPC disciplina o procedimento dos recursos especial e extraordinário. Para fins da nossa prova é importante que conheçamos a literalidade dos dispositivos do CPC. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 80 478 O art. 1.029 prevê que tanto o RExt como o REsp são interpostos mediante petição dirigida ao Presidente do tribunal recorrido, devendo conter: exposição do fato e do direito; demonstração de que o recurso está dentro das hipóteses de cabimento acima estudadas; e razões do pedido. Veja: Art. 1.029. O recurso extraordinário e o recurso especial,nos casos previstos na Constituição Federal, serão interpostos perante o presidente ou o vice-presidente do tribunal recorrido, em petições distintas que conterão: I - a exposição do fato e do direito; II - a demonstração do cabimento do recurso interposto; III - as razões do pedido de reforma ou de invalidação da decisão recorrida. Os §§ do art. 1.029 trazem algumas regras específicas referentes à interposição desses recursos. Com a finalidade de facilitar a compreensão, citaremos os dispositivos e, em seguida, faremos alguns apontamentos: § 1o Quando o recurso fundar-se em dissídio jurisprudencial, o recorrente fará a prova da divergência com a certidão, cópia ou citação do repositório de jurisprudência, oficial ou credenciado, inclusive em mídia eletrônica, em que houver sido publicado o acórdão divergente, ou ainda com a reprodução de julgado disponível na rede mundial de computadores, com indicação da respectiva fonte, devendo-se, em qualquer caso, mencionar as circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos confrontados. § 2º Revogado pela Lei nº 13.256, de 2016. § 3o O Supremo Tribunal Federal ou o Superior Tribunal de Justiça poderá desconsiderar vício formal de recurso tempestivo ou determinar sua correção, DESDE QUE não o repute grave. § 4o Quando, por ocasião do processamento do incidente de resolução de demandas repetitivas, o presidente do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça receber requerimento de suspensão de processos em que se discuta questão federal constitucional ou infraconstitucional, poderá, considerando razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, estender a suspensão a todo o território nacional, até ulterior decisão do recurso extraordinário ou do recurso especial a ser interposto. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 81 478 § 5o O pedido de concessão de efeito suspensivo a recurso extraordinário ou a recurso especial poderá ser formulado por requerimento dirigido: I – ao tribunal superior respectivo, no período compreendido entre a publicação da decisão de admissão do recurso e sua distribuição, ficando o relator designado para seu exame prevento para julgá-lo; (Redação dada pela Lei nº 13.256, de 2016) II - ao relator, se já distribuído o recurso; III – ao presidente ou ao vice-presidente do tribunal recorrido, no período compreendido entre a interposição do recurso e a publicação da decisão de admissão do recurso, assim como no caso de o recurso ter sido sobrestado, nos termos do art. 1.037. (Redação dada pela Lei nº 13.256, de 2016) Vamos compreender os estritos termos desse dispositivo?! Quando o RExt ou REsp basear-se em dissídio jurisprudencial, a parte deverá efetuar prova da existência desse julgado, que poderá ser feito de variadas formas: certidão, cópia, citação de repositório jurisprudencial, mídia eletrônica ou reprodução do julgado disponível na internet. Ao interpor um recurso, a parte deve se atentar para os requisitos intrínsecos e extrínsecos do processo. Vimos que, se esses requisitos não forem observados ou não puderem ser corrigidos, o recurso não será admitido. Assim, por exemplo, se a parte interpor um recurso de apelação (cujo prazo é de 15 dias úteis), no 20º dia útil não há como sanar o vício e o recurso intempestivo não será admitido. Por outro lado, se o vício for sanável, por exemplo, faltar a juntada de algum documento ou de preparo, desde que não seja grave, permite-se a correção do vício formal para que o recurso seja processado. No curso do RExt ou do REsp é possível que seja formado incidente de resolução de demandas repetitivas quando for verificada a existência de diversos processos que discutam a mesma questão jurídica ou na hipótese de haver risco à isonomia ou à segurança jurídica, a partir de decisões conflitantes. Assim, quando o Presidente do STJ ou do STF receber requerimento para a suspensão de algum processo para instauração de um incidente de resolução de demandas repetitivas (IRDR), determinará a suspensão daquele RExt ou REsp, respectivamente, e, além disso, poderá estender a suspensão a todos os processos que tramitam no território nacional até decisão ulterior do RExt ou REsp no qual o IRDR foi suscitado. Em regra, o RExt e o REsp possuem tão somente efeito devolutivo. Contudo, é possível que haja pedido formulado pela parte interessada para que o efeito suspensivo seja concedido judicialmente (efeito suspensivo ope judicis). Nesse caso, o requerimento de suspensão dos efeitos deverá ser efetuado: Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 82 478 Na petição de RExt ou REsp... ...quando da interposição do recurso. Ao Presidente ou vice-Presidente do tribunal recorrido... ...quando estiver no período compreendido entre a interposição do recurso e a publicação da decisão que admite o recurso. Ao STF ou STJ, a depender do caso,... ...no período entre a publicação da decisão de admissão do recurso e a distribuição. Ao relator... ...quando já distribuído o recurso. Note que, a depender da autoridade perante a qual o recurso esteja, é determinado quem será responsável por analisar o requerimento de concessão de efeito suspensivo ao recurso. Veja uma questão de prova: (MPE-PR - 2016) Sobre os recursos no Código de Processo Civil de 2015, julgue o item subsequente: Determina o Código de Processo Civil que os vícios formais ensejam a imediata inadmissibilidade dos recursos extraordinário e especial. Comentários A assertiva está incorreta. Vejamos o §3º, do art. 1.029, do CPC. A função dos Tribunais superiores é a de prover a adequada interpretação do Direito. Dessa forma, ainda que possuam vícios formais, os recursos poderão ser apreciados. Sigamos! Vamos tratar do processamento inicial do REsp ou do RExt. Com o CPC, tivemos importante alteração na legislação processual, em vista da ideia de julgamento coletivo desses recursos, a fim de que tenhamos maior uniformidade na legislação. Além disso, esses recursos podem ter o processamento restringido em face de outros julgados sobre o mesmo assunto, caso em que o RExt e o REsp poderão não ser conhecidos. A fim de facilitar a compreensão de vocês, vamos tratar do art. 1.030 de forma analítica, abordando todas as possibilidades. Após, citaremos o dispositivo legal para que você se habitue com a redação do legislador. Recebida a petição do recurso pela secretaria do tribunal recorrido, determina-se a intimação da parte contrária para que apresente, no prazo de 15 dias, as contrarrazões. Após, os autos serão enviados ao Presidente ou vice-Presidente do tribunal para análise de admissibilidade do recurso extraordinário ou especial. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 83 478 Dessa decisão podemos ter várias possibilidades. Vamos analisá-las: 1ª POSSIBILIDADE: negativa de seguimento São duas as situações de negativa de seguimento do recurso: a) Se o RExt discutir questão constitucional sobre a qual não foi reconhecida a repercussão geral ou esteja contrário à repercussão geral já reconhecida. b) Se o RExt ou REsp estiverem em contradição com acórdão do STF ou do STF decidido em recursos repetitivos. Nesses dois casos, o RExt e o REsp não serão conhecidos. Da decisão do Presidente ou do vice-Presidente (decisão monocrática) do tribunal recorrido é cabível agravo interno para que seja reanalisada a admissibilidade pelo órgão colegiado no tribunal. 2ª POSSIBILIDADE: encaminhar os autos ao colegiado para juízo de retratação Se o Presidente do tribunalrecorrido entender que o julgamento do juízo a quo está contrário ao julgamento do STF ou do STJ em recurso com repercussão geral ou recurso repetitivo, enviará o processo para juízo de retratação pelos tribunais em segunda instância. 3ª POSSIBILIDADE: sobrestar o processo Caso, relativamente à mesma matéria, haja IRDR em trâmite, o recurso ficará sobrestado até decisão do STF ou do STJ no RExt ou REsp que contenha o incidente de resolução de demandas repetitivas. Da decisão do Presidente ou do vice-Presidente (decisão monocrática) é cabível agravo interno para que seja reanalisado o sobrestamento pelo órgão colegiado no tribunal. 4ª POSSIBILIDADE: selecionar o recurso para envio ao STF ou ao STJ como processo paradigma de recursos especiais ou extraordinários repetitivos. O art. 1.036, do CPC, trata do julgamento de RExt e REsp repetitivos. No §1º desse dispositivo há a possiblidade de os tribunais de segunda instância informarem ao STF ou ao STJ a existência de recursos repetitivos no respectivo tribunal. Para tanto irão destacar dois Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 84 478 desses processos para serem considerados paradigmas e representativos da controvérsia, os quais serão encaminhados ao STF ou ao STJ para julgamento coletivo. 5ª POSSIBILIDADE: juízo de admissibilidade e envio ao STF/STJ Se não for o caso de julgamento anterior (1ª possibilidade), se não for o caso de retratação pelo órgão julgador (2ª possibilidade), se não for o caso de sobrestamento (3ª possibilidade) ou de seleção para julgamento de RExt ou REsp repetitivo (4ª possibilidade), o Presidente ou o vice-Presidente fará o juízo de admissibilidade. Temos duas possibilidades: A) Se o juízo de admissibilidade for positivo (houve conhecimento do recurso), os autos serão enviados ao tribunal superior para processamento. B) Se o juízo de admissibilidade for negativo (não for conhecido o recurso por ausência dos pressupostos processuais), a parte poderá pedir agravo na forma do art. 1.042, do CPC, que já estudamos. Ufa! Veja como ficou mais fácil a compreensão do dispositivo do CPC: Art. 1.030. Recebida a petição do recurso pela secretaria do tribunal, o recorrido será intimado para apresentar contrarrazões no prazo de 15 (QUINZE) DIAS, findo o qual os autos serão conclusos ao presidente ou ao vice-presidente do tribunal recorrido, que deverá: (Redação dada pela Lei nº 13.256, de 2016) I – NEGAR SEGUIMENTO: (Incluído pela Lei nº 13.256, de 2016) a) a recurso extraordinário que discuta questão constitucional à qual o Supremo Tribunal Federal não tenha reconhecido a existência de repercussão geral ou a recurso extraordinário interposto contra acórdão que esteja em conformidade com entendimento do Supremo Tribunal Federal exarado no regime de repercussão geral; (Incluída pela Lei nº 13.256, de 2016) b) a recurso extraordinário ou a recurso especial interposto contra acórdão que esteja em conformidade com entendimento do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, respectivamente, exarado no regime de julgamento de recursos repetitivos; (Incluída pela Lei nº 13.256, de 2016) II – encaminhar o processo ao órgão julgador para realização do JUÍZO DE RETRATAÇÃO, se o acórdão recorrido divergir do entendimento do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça exarado, conforme o caso, nos regimes de repercussão geral ou de recursos repetitivos; (Incluído pela Lei nº 13.256, de 2016) Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 85 478 III – SOBRESTAR o recurso que versar sobre controvérsia de caráter repetitivo ainda não decidida pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme se trate de matéria constitucional ou infraconstitucional; (Incluído pela Lei nº 13.256, de 2016) IV – SELECIONAR O RECURSO COMO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA constitucional ou infraconstitucional, nos termos do § 6º do art. 1.036; (Incluído pela Lei nº 13.256, de 2016) V – realizar o JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE e, se positivo, remeter o feito ao Supremo Tribunal Federal ou ao Superior Tribunal de Justiça, desde que: (Incluído pela Lei nº 13.256, de 2016) a) o recurso ainda não tenha sido submetido ao regime de repercussão geral ou de julgamento de recursos repetitivos; (Incluída pela Lei nº 13.256, de 2016) b) o recurso tenha sido selecionado como representativo da controvérsia; ou (Incluída pela Lei nº 13.256, de 2016) c) o tribunal recorrido tenha refutado o juízo de retratação. (Incluída pela Lei nº 13.256, de 2016) § 1º Da decisão de inadmissibilidade proferida com fundamento no inciso V [juízo de admissibilidade] caberá agravo ao tribunal superior, nos termos do art. 1.042. (Incluído pela Lei nº 13.256, de 2016) § 2º Da decisão proferida com fundamento nos incisos I e III [negativa de seguimento e sobrestamento] caberá agravo interno, nos termos do art. 1.021. (Incluído pela Lei nº 13.256, de 2016) Veja uma questão de prova: (DPE-ES - 2016) Sobre o sistema recursal no novo Código de Processo Civil, julgue: O recurso especial tem seu juízo de admissibilidade realizado exclusivamente pelo próprio Superior Tribunal de Justiça. Comentários A assertiva está incorreta. Em relação ao recurso especial, o juízo de admissibilidade recursal não é realizado única e exclusivamente pelo STJ, mas, também, pelo órgão que prolatou a decisão recorrida. Com base no art. 1.030, a admissibilidade do recurso especial permanece sendo competência do Presidente ou do Vice- Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 86 478 Presidente do tribunal recorrido, contudo, é cabível recurso da decisão que nega a admissibilidade do recurso. Sigamos! Você deve ter notado que tanto o recurso especial como o recurso extraordinário são interpostos em face da mesma decisão. Isso ocorre porque a competência recursal do STF (no RExt) é específica e diferente da competência recursal do STJ (no REsp), que possui hipóteses de cabimento próprias. Conforme estudamos no início desse capítulo, o STF é o “guardião da CF” ao passo que o STJ é “guardião do ordenamento jurídico”. Como não há hierarquia entre os dois tribunais – que possuem esfera de atuação distintas – se estiverem adequadas as hipóteses de cabimento, é possível interpor conjuntamente o RExt e o REsp. Contudo, o recurso extraordinário somente será julgado após o recurso especial. Isso ocorre porque o texto constitucional se sobrepõe hierarquicamente em relação a todo o ordenamento. Assim, se tivermos a violação de uma norma infraconstitucional e constitucional, o que irá prevalecer é o entendimento conforme o texto constitucional. Veja, não é uma questão de hierarquia entre órgãos judiciários', mas da hierarquia normativa da CF em face da legislação infraconstitucional! Em face disso, se a parte interpor ambos os recursos (RExt e REsp), os autos serão enviados ao STJ para processamento do recurso especial conforme expressamente determina o art. 1.031 do CPC. Art. 1.031. Na hipótese de interposição conjunta de recurso extraordinário e recurso especial, os autos serão remetidos ao Superior Tribunal de Justiça. Concluído o julgamento do REsp, se não estiver prejudicado o RExt, os autos serão enviados ao STF para conhecimento e processamento do RExt. Por exemplo, a parte recorre em relação a determinado pedido que fora negado nas instâncias ordinárias. Entende a parte recorrente que o seu pedido encontra fundamento tanto na legislação infraconstitucional que fora desrespeitada quanto no Texto Constitucional,também violado pelas decisões nas instâncias ordinárias. Em face disso, a parte interporá ambos os recursos. O RExt ficará aguardando o julgamento do REsp. Se o REsp não foi provido, os autos serão encaminhados ao STF para julgamento do RExt. Por outro lado, se o pedido da parte for acolhido no julgamento do REsp não faz sentido enviar o RExt para julgamento. Nesse caso, o RExt está prejudicado. Veja: § 1o Concluído o julgamento do recurso especial, os autos serão remetidos ao Supremo Tribunal Federal para apreciação do recurso extraordinário, se este não estiver prejudicado. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 87 478 Portanto, em regra, a ordem será, primeiramente, o julgamento do REsp, seguida do julgado do RExt se não estiver prejudicado. Há a possibilidade, contudo, de inversão de ordem. O relator do processo no STJ poderá entender que a análise da matéria constitucional é prejudicial à análise da violação à legislação federal. Nesse caso, o relator poderá determinar o envio do processo ao STF. No STF, o relator do recurso poderá acolher a prejudicialidade e determinar o processamento do RExt ou, negá-la, e determinar o retorno para o processamento do REsp no STJ. § 2o Se o relator do recurso especial considerar prejudicial o recurso extraordinário, em decisão irrecorrível, sobrestará o julgamento e remeterá os autos ao Supremo Tribunal Federal. § 3o Na hipótese do § 2o, se o relator do recurso extraordinário, em DECISÃO IRRECORRÍVEL, rejeitar a prejudicialidade, devolverá os autos ao Superior Tribunal de Justiça para o julgamento do recurso especial. Como vimos no início da aula, embora os processos sejam julgados interpartes, o RExt e o REsp destinam-se, segundo a doutrina1, a outorgar adequada interpretação ao direito e à formação de precedentes. Assim, o juízo de admissibilidade dos recursos tem de ser lido no influxo de sua nova função. Dito de forma simples, não obstante a parte ter ingressado com um REsp, se o relator no STJ entender que o recurso versa sobre questão constitucional, determinará a intimação da parte recorrente para que, no prazo de 15 dias, demonstre a repercussão geral e se manifeste sobre a questão constitucional. Após isso, o então REsp será encaminhado ao STF para que seja julgado como recurso extraordinário. Isso mesmo! Não obstante o interesse das partes, reputa-se que o interesse da coletividade, com correta interpretação constitucional da matéria, se sobreporia, razão pela qual o recurso será julgado como extraordinário pelo STF. Art. 1.032. Se o relator, no Superior Tribunal de Justiça, entender que o recurso especial versa sobre questão constitucional, deverá conceder PRAZO DE 15 (QUINZE) DIAS para que o recorrente demonstre a existência de repercussão geral e se manifeste sobre a questão constitucional. Parágrafo único. Cumprida a diligência de que trata o caput, o relator remeterá o recurso ao Supremo Tribunal Federal, que, em juízo de admissibilidade, poderá devolvê-lo ao Superior Tribunal de Justiça. 1 MARINONI, Luiz Guilherme, ARENHART, Sérgio Cruz e MITIDIERO, Daniel. Código de Processo Civil Comentado, 2ª edição, rev., ampl. e atual., São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2016, p. 1106. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 88 478 Ainda sobre o dispositivo acima, prevê o parágrafo único que o relator do processo no STF poderá negar admissibilidade ao recurso extraordinário e devolvê-lo para processamento como recurso especial perante o STJ. Veja uma questão de prova: (DPE-ES - 2016) Sobre o sistema recursal no novo Código de Processo Civil, julgue: O Superior Tribunal de Justiça deverá negar seguimento ao recurso especial que suscite o conhecimento de questão constitucional. Comentários A assertiva está incorreta. Com base no art. 1.032, do CPC, se o relator, no STJ, entender que o recurso especial versa sobre questão constitucional, deverá abrir prazo ao recorrente para se manifestar sobre a questão constitucional. Cumprida a diligência, o relator remeterá os autos ao STF. Dessa forma, está incorreto falar que o STJ negará seguimento ao recurso. Em frente! O art. 1.033, do CPC, faz o caminho inverso. Se no art. 1.032 temos a possibilidade de que o relator do REsp no STJ entenda que a matéria tem caráter constitucional e, em face disso, determina o envio dos autos para que seja processado como recurso RExt; no art. 1.033 temos a possibilidade de o STF entender que o recurso envolve diretamente legislação federal (ainda que reflexamente aborde assunto constitucional) e determine, portanto, a remessa dos autos ao STJ para que efetue o processamento do recurso como especial. Art. 1.033. Se o Supremo Tribunal Federal considerar como reflexa a ofensa à Constituição afirmada no recurso extraordinário, por pressupor a revisão da interpretação de lei federal ou de tratado, remetê-lo-á ao Superior Tribunal de Justiça para julgamento como recurso especial. Quanto ao art. 1.034, do CPC, a leitura atenta é o suficiente para a prova. Art. 1.034. Admitido o recurso extraordinário ou o recurso especial, o Supremo Tribunal Federal ou o Superior Tribunal de Justiça julgará o processo, aplicando o direito. Parágrafo único. Admitido o recurso extraordinário ou o recurso especial por um fundamento, devolve-se ao tribunal superior o conhecimento dos demais fundamentos para a solução do capítulo impugnado. Para encerrarmos a análise dos recursos excepcionais vamos analisar o art. 1.035, do CPC, que se aplica apenas aos RExt. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 89 478 Vimos na leitura acima que os recursos que tramitam perante o STF devem demonstrar a repercussão geral. Isso não ocorre em relação ao REsp, mas apenas em relação ao RExt. A demonstração da repercussão geral é considerada pela doutrina como requisito intrínseco de admissibilidade do RExt. A repercussão geral tende a selecionar para julgamento pelo STF tão somente os processos cuja matéria discutida transcende aquele caso concreto, revestindo-se de interesse institucional. De acordo com o art. 1.035, do CPC, ao analisar determinado processo, o STF poderá entender que determinado RExt não tem repercussão geral. Segundo a doutrina2: O recurso apenas poderá ser inadmitido se dois terços dos membros do tribunal reputarem que a questão não tem tal relevância geral. Ou seja, a manifestação negando a existência de repercussão geral precisará provir do Plenário do STF, que reúne todos os seus membros. O relator isoladamente ou mesmo a Turma não poderão negar conhecimento ao recurso esse fundamento, enquanto não houver pronunciamento nesse sentido do próprio Plenário. Veja: Art. 1.035. O Supremo Tribuna l Federal, em decisão irrecorrível, NÃO conhecerá do recurso extraordinário quando a questão constitucional nele versada não tiver repercussão geral, nos termos deste artigo. § 1o Para efeito de repercussão geral, será considerada A EXISTÊNCIA OU NÃO DE QUESTÕES RELEVANTES DO PONTO DE VISTA ECONÔMICO, POLÍTICO, SOCIAL OU JURÍDICO QUE ULTRAPASSEM OS INTERESSES SUBJETIVOS DO PROCESSO. § 2o O recorrente deverá demonstrar a existência de repercussão geral para apreciação exclusiva pelo Supremo Tribunal Federal. Assim, considera-se com repercussão geral o recurso que aborda questões relevantes do ponto de vista econômico, político, social ou jurídico que ultrapassa os interesses subjetivos do processo. Além disso, de acordo com o §3º, considera-se dotado de repercussão geral sempre que o recurso impugnar acórdão que: contrariar súmulade jurisprudência do STF; tenha reconhecido a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal. Veja: 2 WAMBIER, Luiz Rodrigues e TALAMINI, Eduardo. Curso Avançado de Processo Civil, vol. 2, 16ª edição, reform. e ampl. com o novo CPC, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2016, 607. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 90 478 § 3o Haverá repercussão geral sempre que o recurso impugnar acórdão que: I - contrarie súmula ou jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Federal; II – Revogado pela Lei nº 13.256, de 2016) III - tenha reconhecido a inconstitucionalidade de tratado ou de lei federal, nos termos do art. 97 da Constituição Federal. Sintetizando: Veja, na sequência, os demais §§ do art. 1.035: § 4o O relator poderá admitir, na análise da repercussão geral, a manifestação de terceiros, subscrita por procurador habilitado, nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. § 5o Reconhecida a repercussão geral, o relator no Supremo Tribunal Federal determinará a suspensão do processamento de todos os processos pendentes, individuais ou coletivos, que versem sobre a questão e tramitem no território nacional. § 6o O interessado pode requerer, ao presidente ou ao vice-presidente do tribunal de origem, que exclua da decisão de sobrestamento e inadmita o recurso extraordinário que tenha sido interposto intempestivamente, tendo o recorrente o prazo de 5 (cinco) dias para manifestar-se sobre esse requerimento. § 7º Da decisão que indeferir o requerimento referido no § 6º ou que aplicar entendimento firmado em regime de repercussão geral ou em julgamento de recursos repetitivos caberá agravo interno. (Redação dada pela Lei nº 13.256, de 2016) REPERCUSSÃO GERAL CONCEITO: questões relevantes do ponto de vista econômico, político, social ou jurídico que ultrapassem os interesses subjetivos do processo CONSIDERA-SE COM REPERCUSSÃO GERAL O ACÓRDÃO QUE contrariar súmula do STF reconhecer a inconstitucionalidade de lei federal (+ tratado) Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 91 478 § 8o Negada a repercussão geral, o presidente ou o vice-presidente do tribunal de origem negará seguimento aos recursos extraordinários sobrestados na origem que versem sobre matéria idêntica. § 9o O recurso que tiver a repercussão geral reconhecida deverá ser julgado no prazo de 1 (um) ano e terá preferência sobre os demais feitos, RESSALVADOS os que envolvam réu preso e os pedidos de habeas corpus. § 10. Revogado pela Lei nº 13.256, de 2016. § 11. A súmula da decisão sobre a repercussão geral constará de ata, que será publicada no diário oficial e valerá como acórdão. De acordo com os §§ acima, alguns pontos são relevantes para a prova: Admite-se a manifestação de terceiros por decisão do relator para fins de aferição da repercussão geral. Reconhecida a repercussão geral de determinada matéria, o relator do processo no STF irá determinar a suspensão de todos os processos no território nacional que envolvam a mesma questão. Se houver determinação de sobrestamento em RExt que esteja intempestivo, o interessado poderá requerer ao Presidente do tribunal de origem que inadmita o recurso interposto fora do prazo. Para tanto, primeiramente, irá determinar a intimação da parte recorrente para que se manifeste no prazo de 5 dias. Note que a finalidade aqui é evitar o estado de sobrestamento do processo sem qualquer utilidade. Independentemente de a matéria ser a mesma da que foi reconhecida com repercussão geral, o processo não chegará a ser analisado porque é intempestivo. Assim, pode-se prosseguir com eventual execução definitiva no processo de origem. Se for negada a repercussão geral, todos os processos sobrestados que penderem de análise de admissibilidade também serão considerados automaticamente não admitidos. Os processos que tiverem repercussão geral conhecida têm prioridade de trâmite, com exceção daqueles processos no STF que envolvam réu preso e pedidos de habeas corpus. Não obstante essa regra, eles devem ser julgados no prazo de um ano. Com isso encerramos a análise dos recursos excepcionais, ou seja, do recurso extraordinário e do recurso especial. Sintetizando o que há de mais relevante em relação aos recursos extraordinário e especial... Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 92 478 RECURSO EXTRAORDINÁRIO E ESPECIAL ● CONCEITO: espécies recursais que não estão voltadas para o reexame de matéria já decidida no contexto interpartes. Não se colocam para analisar a justiça da decisão de segundo grau. São recursos voltados para tutelar o sistema e o direito objetivo, não diretamente o direito das partes. ● CARACTERÍSTICAS: são recursos excepcionais, interponíveis se esgotadas as vias ordinárias. cabíveis contra decisões interlocutórias e sentenças. visam tutelar a correta interpretação da legislação federal. não são providos de efeito suspensivo (ope legis), mas admitem concessão judicial (ope judicis) Ä exigem prequestionamento. ● CABIMENTO cabimento do RExt: ➢ Decisão contrária a dispositivo desta Constituição; ➢ Decisão que declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal; ➢ Decisão que julgar válida lei ou ato de governo local contestado em face desta Constituição. ➢ Decisão que julgar válida lei local contestada em face de lei federal. cabimento do REsp: ➢ Decisão que contrariar tratado ou lei federal, ou negar-lhes vigência; ➢ Decisão que julgar válido ato de governo local contestado em face de lei federal; ➢ Decisão que der à lei federal uma interpretação divergente da que lhe tenha atribuído outro tribunal. ● INTERPOSTO O RECURSO, O PRESIDENTE/VICE DO TRIBUNAL PODERÁ 1ª POSSIBILIDADE: negativa de seguimento a) Se o RExt discutir questão constitucional sobre a qual não foi reconhecida a repercussão geral ou esteja contrário à repercussão geral já reconhecida. b) Se o RExt ou REsp estiverem em contradição com acórdão do STF ou do STF decidido em IRDR. 2ª POSSIBILIDADE: encaminhar os autos ao colegiado para juízo de retratação 3ª POSSIBILIDADE: sobrestar o processo 4ª POSSIBILIDADE: selecionar o recurso para envio ao STF ou ao STJ como processo paradigma de recursos especiais ou extraordinários repetitivos 5ª POSSIBILIDADE: juízo de admissibilidade e envio ao STF/STJ A) Se o juízo de admissibilidade for positivo (houve conhecimento do recurso), os autos serão enviados ao tribunal superior para processamento. B) Se o juízo de admissibilidade for negativo (não for conhecido o recurso por ausência dos pressupostos processuais), a parte poderá agravar de instrumento na forma do art. 1.042 do CPC, o qual já estudamos. ● O recurso extraordinário somente será julgado após o recurso especial. ● REPERCUSSÃO GERAL: questões relevantes do ponto de vista econômico, político, social ou jurídico que ultrapassem os interesses subjetivos do processo CONSIDERA-SE COM REPERCUSSÃO GERAL O ACÓRDÃO QUE ➢ contrariar súmula do STF ➢ reconhecer a inconstitucionalidade de lei federal (+ tratado) Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 93 478 EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RESP E REXT São dois os dispositivos: art. 1.043 e 1.044 do CPC. O primeiro dispositivo trata das hipóteses de cabimento e o segundo dispositivo trata do procedimento dos embargos de divergência. Cabimento Trata-se de recurso que tem por finalidade uniformizar a jurisprudência dos tribunaissuperiores. De acordo com a doutrina1: Quando o art. 1.043, CPC, arrola a hipóteses de cabimento dos embargos de divergência, o que está por detrás dessa previsão é a viabilização de uma oportunidade de debate institucional para que uma determinada questão constitucional ou federal possa ser definida pela corte responsável em dar a última palavra a respeito de dignidade do direito para toda a administração da Justiça Civil. Os embargos de divergência constituem, portanto, meio apropriado para formação de precedentes. Originariamente, o art. 1.043, do CPC, continha quatro hipóteses de cabimento, hoje, são apenas duas, pois duas delas foram revogadas pela Lei nº 13.256/2016. Confira: Art. 1.043. É embargável o acórdão de órgão fracionário que: I - em recurso extraordinário ou em recurso especial, divergir do julgamento de qualquer outro órgão do mesmo tribunal, sendo os acórdãos, embargado e paradigma, de mérito; II - Revogado pela Lei nº 13.256, de 2016 III - em recurso extraordinário ou em recurso especial, divergir do julgamento de qualquer outro órgão do mesmo tribunal, sendo um acórdão de mérito e outro que não tenha conhecido do recurso, embora tenha apreciado a controvérsia; IV - Revogado pela Lei nº 13.256, de 2016 Vamos analisar essas duas hipóteses de cabimento com calma. Antes disso, uma observação: Os embargos de divergência têm por finalidade a uniformização de jurisprudência, logo, para a caracterização dessa espécie recursal sempre serão necessários dois acórdãos. Um deles será a decisão 1 MARINONI, Luiz Guilherme, ARENHART, Sérgio Cruz e MITIDIERO, Daniel. Código de Processo Civil Comentado, 2ª edição, rev., ampl. e atual., São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2016, p. 1122. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 94 478 contra a qual se pretende recorrer e o outro será a decisão paradigma, que será usada como parâmetro para demonstrar a divergência em relação à decisão que prejudicou a parte. Basicamente, temos a situação na qual a parte é surpreendida com um acórdão que diverge dos acórdãos de que se tem conhecimento a respeito da matéria por aquele Tribunal Superior. Assim, ela pugna pela uniformização do entendimento jurisprudencial, o que confere maior segurança e confiabilidade na atuação judiciária. Além disso, é importante destacar que os embargos de divergência são interponíveis no âmbito do STF e do STJ. Esses Tribunais Superiores são divididos em turmas, seções e órgão plenário. Logo, para manter a uniformidade de decisões dentro do STF e dentro do STJ as decisões dos órgãos fracionários (turmas e seções) podem ser questionadas em face de decisões de outras turmas, seções ou até mesmo do pleno, a fim de que o órgão pleno do STF ou do STJ decida qual será o posicionamento uniforme a ser adotado no âmbito da instância superior. Disso, decorre outra conclusão importante: os embargos de divergência são decididos pela composição plena do STF ou do STJ. Em síntese, toda vez que um acórdão do STF ou do STJ divergir de outros acórdãos do mesmo Tribunal Superior, a parte prejudicada pela decisão poderá interpor embargos de divergência para o órgão pleno do respectivo tribunal superior. Feita essa observação, vejamos as hipóteses de cabimento: os embargos de divergência são cabíveis contra decisões que divergirem de outras decisões do mesmo órgão. Nessa hipótese, tanto o acórdão embargado como o acórdão paradigma devem ter analisado o mérito. Assim, a divergência não deve se cingir apenas a extinção do processo sem julgamento de mérito (art. 485, do CPC), mas em relação ao mérito das respectivas decisões. A segunda também envolve a divergência entre dois acórdãos do mesmo Tribunal Superior. A diferença é que, nesse caso, um dos acórdãos analisou o mérito e o outro, embora não tenha conhecido do recurso, apreciou a controvérsia. Isso ocorre porque muitas vezes, nesses pronunciamentos de admissibilidade, os tribunais superiores enfrentam o mérito recursal, averiguando a existência à violação ao direito federal infraconstitucional ou constitucional, apresentados como decisões negativas de conhecimento do recurso. Em razão disso, ainda que não tenha enfrentado o mérito, o acórdão poderá ser considerado para fins de divergência com outro acórdão que tenha enfrentado o mérito da causa. Ainda em relação às hipóteses de cabimento, temos algumas regras aplicáveis a essa espécie de recurso. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 95 478 A primeira delas, prevista no §1º, informa que as decisões embargadas ou a paradigma podem ser acórdãos originários, acórdãos em face de recurso ordinário constitucional e recursos especiais ou extraordinários, desde que sejam da mesma instância. A divergência poderá se pautar, segundo informa o §2º, tanto em aspectos de Direito Material como em aspectos de Direito Processual. Ä Podemos ter a situação de divergência entre acórdãos da mesma turma do STJ ou do STF. Nesse caso, devemos verificar se houve alteração na composição da turma, ou seja, se os Ministros que julgaram o acórdão paradigma são os mesmos da decisão embargada. Assim: 1ª HIPÓTESE: se forem os mesmos, não caberá embargos de divergência, pois o caso envolve superação do entendimento anterior pela Turma. Ela mesma passou a entender de forma diversa em relação àquele tema. É importante destacar que o órgão julgador não está necessariamente vinculado às decisões que já proferiu, sendo natural a evolução do pensamento e, consequentemente, a modificação do teor das decisões. 2ª HIPÓTESE: se houver mudança nos Ministros que compõem a turma, fica evidente o confronto de entendimentos e não a superação de entendimento, razão pela qual será cabível o recurso de embargos de divergência. Outra regra específica, prevista no §4º, é a que estabelece a forma de demonstração da divergência. Basicamente, essa demonstração se dá com a juntada da petição de embargos do acórdão paradigma, seja por certidão, cópia, referência à repositório de jurisprudência, mídia eletrônica que contenha a publicação ou a reprodução nos autos do julgado com indicação precisa da fonte (meio mais comum). Feito isso, leia os dispositivos legais: § 1o Poderão ser confrontadas teses jurídicas contidas em julgamentos de recursos e de ações de competência originária. § 2o A divergência que autoriza a interposição de embargos de divergência pode verificar- se na aplicação do direito material ou do direito processual. § 3o Cabem embargos de divergência quando o acórdão paradigma for da mesma turma que proferiu a decisão embargada, DESDE QUE sua composição tenha sofrido alteração em mais da metade de seus membros. § 4o O recorrente provará a divergência com certidão, cópia ou citação de repositório oficial ou credenciado de jurisprudência, inclusive em mídia eletrônica, onde foi publicado o acórdão divergente, ou com a reprodução de julgado disponível na rede mundial de computadores, indicando a respectiva fonte, e mencionará as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados. § 5o - Revogado pela Lei nº 13.256, de 2016. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 96 478 ==1365fc== Procedimento Em relação ao procedimento dos embargos de divergência, temos um dispositivo remissivo. O art. 1.044, do CPC, explicita que deve ser observada a disciplina específica do regimento interno do STF e do STJ, respectivamente. Há, apenas, duas regras no dispositivo abaixo citado: A interposição dos embargos de divergência interrompe o prazo para interposiçãodo recurso extraordinário por qualquer uma das partes. Se os embargos de divergência forem desprovidos ou não alterarem o conteúdo do julgamento anterior, o recurso extraordinário interposto pela outra parte antes da publicação do julgamento dos embargos de divergência será processado regularmente, sem a necessidade de ratificação. Por fim, confira o dispositivo: Art. 1.044. No recurso de embargos de divergência, será observado o procedimento estabelecido no regimento interno do respectivo tribunal superior. § 1o A interposição de embargos de divergência no Superior Tribunal de Justiça interrompe o prazo para interposição de recurso extraordinário por qualquer das partes. § 2o Se os embargos de divergência forem desprovidos ou não alterarem a conclusão do julgamento anterior, o recurso extraordinário interposto pela outra parte antes da publicação do julgamento dos embargos de divergência será processado e julgado independentemente de ratificação. Com isso encerramos a análise dos embargos de divergência em RExt e REsp. Em síntese... EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSOS EXTRAORDINÁRIO E ESPECIAL ● CONCEITO: expediente uniformizador de jurisprudência dos tribunais superiores. ● HIPÓTESES DE CABIMENTO em recurso extraordinário ou em recurso especial divergir do julgamento de qualquer outro órgão do mesmo tribunal, sendo os acórdãos, embargado e paradigma, de mérito. em recurso extraordinário ou em recurso especial divergir do julgamento de qualquer outro órgão do mesmo tribunal, sendo um acórdão de mérito e outro que não tenha conhecido do recurso, embora tenha apreciado a controvérsia. ● ACÓRDÃOS IMPUGNADO OU PARADIGMA: acórdãos originários, acórdãos em face de recurso ordinário constitucional e recursos especiais ou extraordinários, desde que da mesma instância. ● DIVERGÊNCIA: pode ser de direito material ou processual. ● DEMONSTRAÇÃO DA DIVERGÊNCIA: com a juntada da petição de embargos do acórdão paradigma, seja por certidão, cópia, referência à repositório de jurisprudência, mídia eletrônica que contenha a publicação ou a reprodução nos autos do julgado com indicação precisa da fonte (meio mais comum). Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 97 478 ● interrompe o prazo para demais recursos cabíveis. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 98 478 QUESTÕES COMENTADAS CESPE 1. (CESPE/PGE-RJ - 2022) Considerando que o processo judicial é composto pelas fases postulatória, instrutória, decisória, recursal e de cumprimento de sentença, julgue os itens a seguir. Encerra-se a fase recursal diante do trânsito em julgado da decisão em face da impossibilidade de interposição de recurso. Comentários Correto. A fase recursal se inicia com a prolação de decisão e segue até que haja o trânsito em julgado. Com o trânsito em julgado, não é mais possível a interposição de recursos, motivo pelo qual se encerra a fase recursal. A assertiva está Certa. 2. (CESPE/PGE-RJ - 2022) Julgue os seguintes itens, a respeito do processo de execução contra a fazenda pública. Diante de ausência de manifestação da fazenda pública ou transitada em julgado a decisão que a rejeitas, expedir-se-á precatório ou requisição de pequeno valor em favor do exequente. Comentários É precisamente o que diz o art. 910, § 1º, do CPC/2015: se não houver embargos opostos pela fazenda ou se forem rejeitados, o juiz deve determinar a expedição de precatório ou de requisição de pequeno valor em favor do exequente: Art. 910. [...] § 1º Não opostos embargos ou transitada em julgado a decisão que os rejeitar, expedir-se- á precatório ou requisição de pequeno valor em favor do exequente, observando-se o disposto no art. 100 da Constituição Federal . Assertiva Certa. 3. (CESPE/PGE-RJ - 2022) Julgue os seguintes itens, a respeito do processo de execução contra a fazenda pública. Em execução fundada em título extrajudicial, a fazenda pública será citada para apresentar contestação no prazo de trinta dias. Comentários No geral, está correta a assertiva, no entanto, a fazenda é citada para opor embargos à execução. Não se fala em contestação no processo de execução. É o que diz o caput do art. 910: Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 99 478 Art. 910. Na execução fundada em título extrajudicial, a Fazenda Pública será citada para opor embargos em 30 (trinta) dias. Assertiva Errada. 4. (CESPE/DP-DF - 2019) Acerca do pedido, da tutela provisória, da citação, da suspeição e dos recursos, julgue o item que se segue. Ao reformar sentença que reconheceu a prescrição, o tribunal deve determinar a devolução do processo ao juízo de primeiro grau, para julgamento e instrução, se for o caso. Comentários A assertiva está incorreta. Nos termos do art. 1.013, §4º do Código de Processo Civil: "Quando reformar sentença que reconheça a decadência ou a prescrição, o tribunal, se possível, julgará o mérito, examinando as demais questões, sem determinar o retorno do processo ao juízo de primeiro grau." O parágrafo mencionado refere-se à Teoria da Causa Madura que permite ao Tribunal, sempre que possível, julgar a causa sem remetê-la ao juízo originário. 5. (CESPE/TCE-PA - 2019) Ainda a propósito de prolação de uma decisão judicial, assinale a opção correta. a) A regência da interposição do recurso cabível não será em função da data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. b) Admite-se o recebimento de um recurso por outro quando houver dúvida objetiva quanto ao recurso cabível na espécie, inexistência de erro grosseiro e observância da tempestividade do recurso; a dúvida objetiva ocorre quando existe na doutrina ou na jurisprudência controvérsia na identificação do recurso adequado. c) Se for um acórdão proferido por um tribunal de justiça, não se admite a propositura de medida cautelar para concessão de efeito suspensivo a recurso especial ainda não admitido, ainda que o intuito seja o de evitar teratologias ou obstar os efeitos de decisão contrária à jurisprudência pacífica do STJ. d) Haveria interesse recursal quando a substituição da decisão, nos termos pretendidos, importe em melhoria na situação do recorrente, quando, por exemplo, for evitar a formação de um precedente jurisprudencial. e) O Ministério Público não terá legitimidade para recorrer em caso de discussão que se relacione a direitos individuais disponíveis e em que as partes estejam devidamente representadas, ainda que seja obrigatória a sua intervenção como custos legis. Comentários A alternativa A está incorreta. O STJ entende exatamente o oposto: "No que toca ao recurso cabível e à forma de sua interposição, o STJ consolidou o entendimento de que, em regra, a lei regente é aquela vigente à data da publicação da decisão impugnada, ocasião em que o sucumbente tem a ciência da exata compreensão dos fundamentos do provimento jurisdicional que pretende combater." (REsp 1.679.909/RS, Rel. Ministro Luís Felipe Salomão, 4ª Turma, julgado em 14/11/2017, DJe 01/02/2018) Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 100 478 A alternativa B está correta e é o gabarito da questão. Trata-se do Princípio da Fungibilidade Recursal, admitido amplamente no Direito Brasileiro, e exposto no seguinte posicionamento do Superior Tribunal de Justiça: "O princípio da fungibilidade recursal reclama, para sua aplicação, a inexistência de erro grosseiro, dúvida objetiva do recurso cabível, observando-se,Lista de Questões - Recursos - Agravos - CONSULPLAN 420 ..............................................................................................................................................................................................63) Gabarito - Recursos - Agravos - CONSULPLAN 421 ..............................................................................................................................................................................................64) Lista de Questões - Recursos - Agravos - FCC 422 ..............................................................................................................................................................................................65) Gabarito - Recursos - Agravos - FCC 425 ..............................................................................................................................................................................................66) Lista de Questões - Recursos - Agravos - FGV 426 ..............................................................................................................................................................................................67) Gabarito - Recursos - Agravos - FGV 428 ..............................................................................................................................................................................................68) Lista de Questões - Recursos - Agravos - VUNESP 429 ..............................................................................................................................................................................................69) Gabarito - Recursos - Agravos - VUNESP 432 ..............................................................................................................................................................................................70) Lista de Questões - Recursos - Agravos - OUTRAS BANCAS 433 ..............................................................................................................................................................................................71) Gabarito - Recursos - Agravos - OUTRAS BANCAS 436 ..............................................................................................................................................................................................72) Lista de Questões - Recursos - Embargos de Declaração - CEBRASPE 437 ..............................................................................................................................................................................................73) Gabarito - Recursos - Embargos de Declaração - CEBRASPE 439 ..............................................................................................................................................................................................74) Lista de Questões - Recursos - Embargos de Declaração - FCC 440 ..............................................................................................................................................................................................75) Gabarito - Recursos - Embargos de Declaração - FCC 443 ..............................................................................................................................................................................................76) Lista de Questões - Recursos - Embargos de Declaração - FGV 444 ..............................................................................................................................................................................................77) Gabarito - Recursos - Embargos de Declaração - FGV 445 ..............................................................................................................................................................................................78) Lista de Questões - Recursos - Embargos de Declaração - VUNESP 446 ..............................................................................................................................................................................................79) Gabarito - Recursos - Embargos de Declaração - VUNESP 450 ..............................................................................................................................................................................................80) Lista de Questões - Recursos - Embargos de Declaração - OUTRAS BANCAS 451 ..............................................................................................................................................................................................81) Gabarito - Recursos - Embargos de Declaração - OUTRAS BANCAS 453 ..............................................................................................................................................................................................82) Lista de Questões - Recurso Ordinário - CEBRASPE 454 ..............................................................................................................................................................................................83) Gabarito - Recurso Ordinário - CEBRASPE 455 ..............................................................................................................................................................................................84) Lista de Questões - Recurso Ordinário - VUNESP 456 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 4 478 Ricardo Torques Aula 16 Índice ..............................................................................................................................................................................................85) Gabarito - Recurso Ordinário - VUNESP 458 ..............................................................................................................................................................................................86) Lista de Questões - Recursos - Recurso Extraordinário e Recurso Especial - CEBRASPE 459 ..............................................................................................................................................................................................87) Gabarito - Recursos - Recurso Extraordinário e Recurso Especial - CEBRASPE 460 ..............................................................................................................................................................................................88) Lista de Questões - Recursos - Recurso Extraordinário e Recurso Especial - FCC 461 ..............................................................................................................................................................................................89) Gabarito - Recursos - Recurso Extraordinário e Recurso Especial - FCC 463 ..............................................................................................................................................................................................90) Lista de Questões - Recursos - Recurso Extraordinário e Recurso Especial - FGV 464 ..............................................................................................................................................................................................91) Gabarito - Recursos - Recurso Extraordinário e Recurso Especial - FGV 465 ..............................................................................................................................................................................................92) Lista de Questões - Recursos - Recurso Extraordinário e Recurso Especial - VUNESP 466 ..............................................................................................................................................................................................93)ademais, a tempestividade do inconformismo." (REsp 1.184.047/ES, Rel. Ministro Luiz Fux, 1ª Turma, julgado em 13/04/2010, DJe 03/05/2010) A alternativa C está incorreta. O STJ apresenta posicionamento em sentido oposto: "Firmou-se no Superior Tribunal de Justiça o entendimento de que, somente em casos excepcionalíssimos, é possível conferir efeito suspensivo a Recursos Especiais ainda não admitidos no Tribunal de origem, sendo necessário, para tanto, que esteja claramente evidenciado que a decisão impugnada seja absurda ou que esteja em manifesto confronto com a jurisprudência dominante desta Corte, objetivando-se com isso evitar-se lesão irreparável ou de difícil reparação. Para restarem superados os óbices previstos nas Súmulas 634 e 635/STF, a excepcionalidade da hipótese deve ser visível primo ictu oculi, o que não ocorre no presente caso" (STJ. AgRg na MC 21.218 / MG. Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho. DJe 06/09/2019). A alternativa D está incorreta. Considerando que não haveria uma modificação na situação do recorrente no processo, pode-se afirmar que não há interesse recursal. O STJ já decidiu sobre o tema no AgRg no EREsp 150.312, de relatoria do Min. Eduardo Ribeiro: "Recurso. Interesse. Existe interesse de recorrer quando a substituição da decisão, nos termos pretendidos, importe melhoria na situação do recorrente, em relação ao litígio. Não se justifica o recurso se pretende, apenas, evitar a formação de um precedente jurisprudencial, sem qualquer modificação no resultado prático do processo." A alternativa E está incorreta pois o Ministério Público tem legitimidade recursal como previsto no art. 179, II do Código de Processo Civil: "Nos casos de intervenção como fiscal da ordem jurídica, o Ministério Público: poderá produzir provas, requerer as medidas processuais pertinentes e recorrer." No mesmo sentido é a jurisprudência do STJ: "O Ministério Público tem legitimidade para recorrer nos processos em que oficiou como custos legis, ainda que se trate de controvérsia relativa a direitos individuais disponíveis e as partes estejam devidamente representadas por advogados" (AgInt no REsp 1.606.433/RS, Rel. Ministro Francisco Falcão, 2ª Turma, julg. em 07/03/2017, DJe 10/03/2017) 6. (CESPE/TCE-RO - 2019) Em determinado caso, após a interposição de recurso especial e apresentação das contrarrazões, os autos foram conclusos ao presidente do tribunal recorrido, que negou seguimento ao recurso sob o fundamento de ele ter sido interposto contra acórdão que estava em conformidade com entendimento do STJ exarado no regime de recursos repetitivos. Considerando essa situação hipotética, assinale a opção que apresenta o único recurso cabível contra essa decisão. a) agravo de instrumento b) agravo interno c) agravo em recurso especial d) recurso extraordinário e) recurso ordinário Comentários A alternativa B está correta e é o gabarito da questão. A situação narrada enquadra na previsão legal contida do art. 1.030, I, "b" do Código de Processo Civil: Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 101 478 Art. 1.030. Recebida a petição do recurso pela secretaria do tribunal, o recorrido será intimado para apresentar contrarrazões no prazo de 15 (quinze) dias, findo o qual os autos serão conclusos ao presidente ou ao vice-presidente do tribunal recorrido, que deverá: I – negar seguimento: b) a recurso extraordinário ou a recurso especial interposto contra acórdão que esteja em conformidade com entendimento do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, respectivamente, exarado no regime de julgamento de recursos repetitivos; Nesse caso, prevê o art. 1.030, §2º: "Da decisão proferida com fundamento nos incisos I e III caberá agravo interno, nos termos do art. 1.021." As alternativas A, C, D e E estão incorretas pois não apresentam a espécie recursal cabível ao caso. 7. (CESPE/STM - 2018) À luz do Código de Processo Civil e da doutrina pertinente, julgue o item a seguir, acerca dos recursos extraordinário e especial. No caso de interposição de recurso especial, a questão federal que tiver sido debatida somente no voto vencido deverá ser considerada como parte integrante do acórdão, inclusive para fins de prequestionamento. Comentários A assertiva está correta e em conformidade com o art. 941, §3º do Código de Processo Civil: Art. 941. Proferidos os votos, o presidente anunciará o resultado do julgamento, designando para redigir o acórdão o relator ou, se vencido este, o autor do primeiro voto vencedor. § 1º O voto poderá ser alterado até o momento da proclamação do resultado pelo presidente, salvo aquele já proferido por juiz afastado ou substituído. § 2º No julgamento de apelação ou de agravo de instrumento, a decisão será tomada, no órgão colegiado, pelo voto de 3 (três) juízes. § 3º O voto vencido será necessariamente declarado e considerado parte integrante do acórdão para todos os fins legais, inclusive de pré-questionamento. 8. (CESPE/STJ - 2018) A respeito de recursos nos tribunais, meios de impugnação das decisões judiciais, processo de execução e mandado de segurança, julgue o item a seguir. De acordo com o Superior Tribunal de Justiça, é necessário aguardar o trânsito em julgado do paradigma firmado em recurso repetitivo para que seja possível a sua aplicação a outros processos que versem sobre a mesma questão jurídica decidida. Comentários Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 102 478 A assertiva está incorreta. O STJ posicionou-se sobre o tema quando do julgamento do AgInt no REsp 1.645.431/PR, de relatoria do Ministro Benedito Gonçalves: "A jurisprudência do STJ firmou entendimento no sentido de ser desnecessário aguardar o trânsito em julgado para a aplicação do paradigma firmado em sede de Recurso Repetitivo ou de Repercussão Geral." 9. (CESPE/DP-DF - 2019) A respeito da função jurisdicional, dos sujeitos do processo, dos atos processuais e da preclusão, julgue o item seguinte. Ocorrerá a preclusão lógica do recurso para a parte que aceitar, ainda que tacitamente, sentença que lhe foi desfavorável. Comentários A assertiva está correta. Para as partes, a preclusão pode se dar: Preclusão Temporal: quando o ato não for praticado dentro do prazo estipulado; Preclusão Lógica: quando houver incompatibilidade com um ato anteriormente praticado. Ex. a parte ré efetuar o cumprimento voluntário de sentença, nesse caso, não poderá apresentar recurso. Preclusão Consumativa: quando o direito à prática daquele ato já houver sido exercido anteriormente. Além disso, vejamos o que dispõe o art. 1.000 do CPC/15: Art. 1.000. A parte que aceitar expressa ou tacitamente a decisão não poderá recorrer. Parágrafo único. Considera-se aceitação tácita a prática, sem nenhuma reserva, de ato incompatível com a vontade de recorrer. 10. (CESPE/COGE-CE - 2019) De acordo com o Código de Processo Civil, contra a decisão denegatória de mandado de segurança que tenha sido decidido em única instância por tribunal regional federal caberá a) recurso especial. b) apelação. c) agravo de instrumento. d) recurso extraordinário. e) recurso ordinário. Comentários A alternativa E está correta e é o gabarito da questão, conforme estabelece o art. 1.027, II, “a”, do CPC/15: Art. 1.027. Serão julgados em recurso ordinário: II - pelo Superior Tribunal de Justiça: a) os mandados de segurança decididos em única instância pelos tribunais regionais federais ou pelos tribunais de justiça dos Estados e do Distrito Federal e Territórios, quando denegatória a decisão; Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br39471799600 - Naldira Luiza Vieria 103 478 A alternativa A está incorreta. O recurso especial é o instrumento da preservação e interpretação da legislação infraconstitucional da competência do STJ. A alternativa B está incorreta. A apelação é o recurso que cabe contra sentenças no Direito Processual Civil brasileiro, representando o exercício do duplo grau de jurisdição. A alternativa C está incorreta. O agravo de instrumento é o recurso adequado para atacar decisões interlocutórias proferidas no curso do processo. São decisões que resolvem incidentes e não põe fim ao processo. A decisão interlocutória constitui o pronunciamento judicial que tem conteúdo decisório a ser proferido no curso do procedimento, mas que não tem o condão de pôr fim à fase de conhecimento ou à execução. Contra essas decisões, é cabível o agravo de instrumento. A alternativa D está incorreta. O recurso extraordinário é o instrumento processual-constitucional da competência do STF destinado a assegurar a verificação de eventual afronta à Constituição em decorrência de decisão judicial proferida em última ou única instância. 11. (CESPE/TJ-CE - 2018) Em sentença, foi julgado procedente o pedido autoral, com base em fundamento suficiente. Em recurso, o réu pediu a apreciação de outros argumentos da defesa que não haviam sido considerados na sentença. O tribunal conheceu do recurso e, ao julgá-lo, verificou uma questão de ordem pública que não havia sido cogitada até então na demanda. Com base nessa questão de ordem pública, prolatou-se acórdão que reformou a sentença. Com relação aos efeitos recursais no caso hipotético apresentado, são verificados, respectiva e cronologicamente, os efeitos A) regressivo, translativo e expansivo. B) regressivo, devolutivo e translativo. C) devolutivo, expansivo e translativo. D) devolutivo, translativo e substitutivo. E) devolutivo, translativo e regressivo. Comentários Como sabemos, a doutrina atribui uma diversidade de efeitos aos recursos. Dentre eles podemos citar: i) Efeito devolutivo: é aquele efeito comum a todos os recursos que devolve a matéria ao Poder Judiciário para que ela seja reapreciada e, novamente, julgada. ii) Efeito suspensivo: é o efeito que impede a decisão recorrida de produzir efeitos até que o recurso seja julgado. iii) Efeito substitutivo: é o efeito, também comum a todos os recursos, de substituir, para todos os efeitos, a decisão recorrida, nos limites da impugnação, conforme art. 1.008, do CPC. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 104 478 iv) Efeito expansivo: consiste em reconhecer que a devolução operada pelo recurso não restringe às questões resolvidas na sentença, compreendendo, também, as que poderiam ter sido decididas, seja porque suscitadas pelas partes, seja porque conhecíveis de ofício. v) Efeito translativo: efeito que confere ao tribunal observar as questões de ordem pública ainda que não tenham sido reconhecidas como objeto do recurso. Na questão em tela, em recurso, o réu pediu a apreciação de outros argumentos da defesa que não haviam sido considerados na sentença (efeito devolutivo). O tribunal conheceu do recurso e, ao julgá-lo verificou uma questão de ordem pública que não havia sido cogitada até então na demanda (efeito translativo). Com base nessa questão de ordem pública, prolatou-se acórdão que reformou a sentença (efeito substitutivo). Sendo assim, nosso gabarito só pode ser a alternativa D. 12. (CESPE/STM - 2018) A respeito da repercussão geral da questão constitucional e do mandado de segurança, julgue o item que se segue. Haverá repercussão geral sempre que o recurso extraordinário atacar decisão contrária à súmula ou à jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Federal. Comentários A assertiva está correta, conforme estabelece o art. 1.035, §3º, I, do CPC: § 3o Haverá repercussão geral sempre que o recurso impugnar acórdão que: I - contrarie súmula ou jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Federal; 13. (CESPE/STM - 2018) Foi interposto, no tribunal de origem, um recurso especial, oportunidade na qual o vice-presidente daquele tribunal, após a juntada das contrarrazões, admitiu o apelo e o encaminhou ao Superior Tribunal de Justiça. Nessa situação hipotética, conforme o Código de Processo Civil, o vice-presidente do tribunal cometeu um erro procedimental, porque ele não poderia examinar a admissibilidade do recurso; mas, como, posteriormente, o processo foi encaminhado ao Superior Tribunal de Justiça, não houve nulidade a ser declarada, ante a ausência de prejuízo. Comentários A assertiva está incorreta. De acordo com o art. 1.030, V, do CPC, o juízo de admissibilidade do recurso extraordinário e do recurso especial é tarefa do presidente ou do vice-presidente do tribunal de origem. Art. 1.030. Recebida a petição do recurso pela secretaria do tribunal, o recorrido será intimado para apresentar contrarrazões no prazo de 15 (quinze) dias, findo o qual os autos serão conclusos ao presidente ou ao vice-presidente do tribunal recorrido, que deverá: Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 105 478 V – realizar o juízo de admissibilidade e, se positivo, remeter o feito ao Supremo Tribunal Federal ou ao Superior Tribunal de Justiça, desde que: 14. (CESPE/STM - 2018) Foi interposto, no tribunal de origem, um recurso especial, oportunidade na qual o vice-presidente daquele tribunal, após a juntada das contrarrazões, admitiu o apelo e o encaminhou ao Superior Tribunal de Justiça. Nessa situação hipotética, se entender que o recurso especial possui vício de admissibilidade, a parte recorrida poderá interpor recurso de agravo em recurso especial contra a decisão do tribunal de origem. Comentários A assertiva está incorreta. A jurisprudência dominante é de que é irrecorrível a decisão que admite REsp ou RE. O artigo 1.042 do CPC somente prevê o recurso para a decisão que os inadmite. Ainda que coubesse, o agravo interno seria interposto para o próprio órgão colegiado e não para o tribunal de origem. Vejamos o que dispõe o art. 1.021, do CPC: Art. 1.021. Contra decisão proferida pelo relator caberá agravo interno para o respectivo órgão colegiado, observadas, quanto ao processamento, as regras do regimento interno do tribunal. 15. (CESPE/PGE-PE - 2018) No processo civil, é vedado ao órgão judicial que prolatar a decisão recorrida exercer o juízo de retratação na hipótese de interposição de a) agravo de instrumento cuja finalidade seja impugnar decisão interlocutória que tenha determinado a exclusão de litisconsorte. b) apelação intempestiva, mesmo que o juízo reconheça erro em sua sentença pela improcedência liminar do pedido. c) agravo interno, sob pena de usurpação de competência de órgão colegiado. d) recurso especial sobrestado que se submeta ao regime jurídico dos recursos repetitivos. e) recurso contra decisão de natureza interlocutória prolatada, em primeiro grau, na fase de execução. Comentários A alternativa B é correta e gabarito da questão. O juiz não tem competência para proceder ao juízo de admissibilidade da apelação, essa é função exclusiva do tribunal. Mas o juiz não pode retratar-se, se a apelação for intempestiva. Diante de apelação intempestiva, o juiz deve limitar-se a não retratar-se e remeter a apelação ao tribunal, a quem compete decidir pelo não conhecimento do recurso, se for o caso. 16. (CESPE/EBSERH - 2018) Julgue o item a seguir, considerando as regras do atual Código de Processo Civil acerca das sentenças e dos recursos. O Ministério Público estará legitimado a interpor recurso contra decisão judicial quando estiver atuando como fiscal dalei. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 106 478 Comentários A assertiva está correta, conforme estabelece o art. 179, do CPC: Art. 179. Nos casos de intervenção como fiscal da ordem jurídica, o Ministério Público: I - terá vista dos autos depois das partes, sendo intimado de todos os atos do processo; II - poderá produzir provas, requerer as medidas processuais pertinentes e recorrer. Além disso, veja o que dispõe o art. 996: Art. 996. O recurso pode ser interposto pela parte vencida, pelo terceiro prejudicado e pelo Ministério Público, como parte ou como fiscal da ordem jurídica. 17. (CESPE/EBSERH - 2018) Julgue o item a seguir, considerando as regras do atual Código de Processo Civil acerca das sentenças e dos recursos. A insuficiência no valor do preparo — que, em regra, constitui um dos requisitos de admissibilidade recursal — implica imediata deserção. Comentários A assertiva está incorreta, pois não implicará em imediata deserção. Antes disso, haverá intimação do advogado para complementar no prazo de cinco dias e se não o sanar, daí sim, haverá a deserção. É o que dispõe o §2º, do art. 1.007, do CPC: § 2o A insuficiência no valor do preparo, inclusive porte de remessa e de retorno, implicará deserção se o recorrente, intimado na pessoa de seu advogado, não vier a supri-lo no prazo de 5 (cinco) dias. 18. (CESPE/STJ - 2018) A respeito de recursos nos tribunais, meios de impugnação das decisões judiciais, processo de execução e mandado de segurança, julgue que os itens a seguir. De acordo com superior Tribunal de Justiça, é necessário aguardar o trânsito em julgado do paradigma firmado em recurso repetitivo para que seja possível a sua aplicação a outros processos que verse sobre a mesma questão jurídica decidida. Comentários Em mais de uma oportunidade o STJ decidiu que não é necessário aguardar o trânsito em julgado do recurso repetitivo para a aplicação da tese. Assim, a assertiva está incorreta. São exemplos de precedentes: AgRg no REsp 1.481.098/RN, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe 26/06/2015; AgRg nos EDcl no REsp 1.477.866/RN, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, Dje 27/08/2015; AgRg no REsp 1.491.892/RN, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe 3/6/2015; AgRg no REsp 1.296.196/RS, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Quinta Turma, DJe 2/6/2015. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 107 478 19. (CESPE/STJ - 2018) A respeito de recursos nos tribunais, meios de impugnação das decisões judiciais, processo de execução e mandado de segurança, julgue que os itens a seguir. Para fins de substituição da penhora, a legislação processual equipara ao dinheiro a fiança bancária e o seguro garantia judicial, desde que o valor não seja inferior ao do débito constante da inicial da execução acrescido de 30%. Comentários A assertiva está correta de acordo com o art. 835, § 2º, do CPC. Trata-se de cobrança literal da lei. Vejamos: § 2o Para fins de substituição da penhora, equiparam-se a dinheiro a fiança bancária e o seguro garantia judicial, desde que em valor não inferior ao do débito constante da inicial, acrescido de trinta por cento. 20. (CESPE/STJ - 2018) A respeito de recursos nos tribunais, meios de impugnação das decisões judiciais, processo de execução e mandado de segurança, julgue que os itens a seguir. Situação hipotética: Na interposição de recurso especial, o recorrente não juntou documento comprobatório de feriado local durante o prazo, o que seria necessário para testar a tempestividade de seu recurso. Assertiva: Nesse caso, segundo o Superior Tribunal de Justiça, o relator deverá conceder prazo para juntada do documento de comprovação do feriado para sanar o vício. Comentários A assertiva está incorreta. Trata-se de mais uma questão que cobra o entendimento do STJ. A corte especial decidiu que a falta de comprovação prévia da tempestividade de recurso, em razão de feriado local, configura vício insanável e torna o recurso intempestivo (AResp 957.821). Assim, se o vício é insanável, não é possível conceder prazo para a comprovação do feriado. 21. (CESPE/STJ - 2018) Em uma ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público, o promotor de justiça participou de audiência na qual o magistrado, entre outras providências, prolatou decisão indeferindo o pedido de inversão do ônus da prova apresentado na petição inicial. Acerca dessa situação hipotética, julgue os itens que se segue. O termo inicial de contagem do prazo para que o Ministério Público impugne a decisão judicial prolatada na referida audiência se iniciará apenas com a entrega dos autos na repartição administrativa do órgão, ainda que o promotor de Justiça tenha comparecido à audiência. Comentários A assertiva está incorreta. O termo inicial será contado a partir do primeiro dia útil após a audiência. Veja: Art. 1.003. O prazo para interposição de recurso conta-se da data em que os advogados, a sociedade de advogados, a Advocacia Pública, a Defensoria Pública ou o Ministério Público são intimados da decisão. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 108 478 § 1º Os sujeitos previstos no caput considerar-se-ão intimados em audiência quando nesta for proferida a decisão. 22. (CESPE/STJ - 2018) Em uma ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público, o promotor de justiça participou de audiência na qual o magistrado, entre outras providências, prolatou decisão indeferindo o pedido de inversão do ônus da prova apresentado na petição inicial. Acerca dessa situação hipotética, julgue os itens que se segue. No momento processual em questão, será possível opor embargos de declaração, mas eventual recurso para reformar a decisão de indeferimento da inversão do ônus da prova somente poderá ser interposto após a prolação da sentença, por via do recurso de apelação. Comentários A assertiva está incorreta. Contra a decisão é cabível agravo de instrumento com base no art. 1.015, XI, do CPC. Art. 1.015. Cabe agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias que versarem sobre: XI - redistribuição do ônus da prova nos termos do art. 373, § 1o; 23. (CESPE/TRF-5ªR - 2017) Contra pronunciamento de magistrado que, em primeiro grau, decida pela impugnação ao cumprimento de sentença, caberá recurso de a) apelação, se o processo for extinto, ou de agravo de instrumento, se o processo prosseguir. b) agravo de instrumento, em qualquer caso. c) agravo de instrumento, apenas se o recorrente demonstrar urgência. d) apelação, em qualquer caso. e) apelação, sempre que o juiz acolher a impugnação do executado. Comentários Vejamos o que dispõe os arts. 1.009, caput, e 1.015, parágrafo único, ambos do CPC: Art. 1.009. Da sentença cabe apelação. Art. 1.015. Parágrafo único. Também caberá agravo de instrumento contra decisões interlocutórias proferidas na fase de liquidação de sentença ou de cumprimento de sentença, no processo de execução e no processo de inventário. Assim, nesse caso, se o processo for extinto por sentença, caberá recurso de apelação. E, se o processo prosseguir, caberá agravo de instrumento. Dessa forma, a alternativa A está correta e é o gabarito da questão. 24. (CESPE/DPE-AC - 2017) Com relação aos embargos declaratórios, assinale a opção correta. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 109 478 a) Caso sejam acolhidos e modifiquem a decisão embargada, o embargadoque houver aviado outro recurso contra a decisão originária deverá complementar as razões deste recurso. b) Deverá ser ratificado recurso que houver sido interposto pela outra parte antes do julgamento dos embargos, caso estes sejam rejeitados. c) Por interromperem o prazo para a interposição de recursos, dispensam a intimação das partes quanto à decisão proferida em virtude do julgamento desses recursos. d) Se manifestamente protelatórios, o juiz, fundamentadamente, condenará o embargante a pagar ao embargado, inicialmente, multa correspondente a dez por cento sobre o valor da causa. e) Se forem opostos contra decisão de relator proferida em tribunal, serão decididos monocraticamente pelo órgão prolator de decisão embargada. Comentários A alternativa A está incorreta. De acordo com o §4º, do art. 1.024, do CPC, caso o acolhimento dos embargos de declaração implique modificação da decisão embargada, o embargado que houver aviado outro recurso contra a decisão originária tem o direito de complementar as razões deste recurso. § 4o Caso o acolhimento dos embargos de declaração implique modificação da decisão embargada, o embargado que já tiver interposto outro recurso contra a decisão originária tem o direito de complementar ou alterar suas razões, nos exatos limites da modificação, no prazo de 15 (quinze) dias, contado da intimação da decisão dos embargos de declaração. A alternativa B está incorreta. Com base no §5º, do art. 1.024, da Lei nº 13.105/15, independe de ratificação o recurso que houver sido interposto pela outra parte antes do julgamento dos embargos. § 5o Se os embargos de declaração forem rejeitados ou não alterarem a conclusão do julgamento anterior, o recurso interposto pela outra parte antes da publicação do julgamento dos embargos de declaração será processado e julgado independentemente de ratificação. A alternativa C está incorreta. O §2º, do art. 1.023, da referida Lei, estabelece que não será dispensada a intimação do embargado. § 2o O juiz intimará o embargado para, querendo, manifestar-se, no prazo de 5 (cinco) dias, sobre os embargos opostos, caso seu eventual acolhimento implique a modificação da decisão embargada. A alternativa D está incorreta. Nos termos do §2º, do art. 1.026, do CPC, a referida multa não será excedente a dois por cento do valor da causa. § 2o Quando manifestamente protelatórios os embargos de declaração, o juiz ou o tribunal, em decisão fundamentada, condenará o embargante a pagar ao embargado multa não excedente a dois por cento sobre o valor atualizado da causa. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 110 478 Por fim, a alternativa E está correta e é o gabarito da questão. Vejamos o §2º, do art. 1.024, da Lei nº 13.105/15: § 2o Quando os embargos de declaração forem opostos contra decisão de relator ou outra decisão unipessoal proferida em tribunal, o órgão prolator da decisão embargada decidi- los-á monocraticamente. 25. (CESPE/TRE-BA - 2017) De acordo com a jurisprudência dos tribunais superiores, julgue os itens que se seguem. I. A fixação de astreintes pelo juiz faz coisa julgada material, caso não seja objeto de recurso pela parte interessada, não podendo ser alterada posteriormente. II. Tendo sido a intimação feita por oficial de justiça, a contagem do prazo recursal inicia-se da data em que a parte tomou conhecimento da intimação, porque a contagem a partir da data da juntada do mandado somente se aplica para hipóteses de citação. III. O prazo decadencial para a impetração de mandado de segurança em razão de redução ilegal do valor de vantagem integrante de remuneração de servidor público se renova a cada mês. IV. São protelatórios os embargos de declaração cuja finalidade seja rediscutir matéria julgada em conformidade com precedente firmado pelo rito dos recursos repetitivos. Estão certos apenas os itens a) I e II. b) I e IV. c) II e III. d) III e IV. e) II, III e IV. Comentários Vejamos cada um dos itens. O item I está incorreto, pois a aplicação de multa coercitiva não faz coisa julgada, podendo ser alterada a qualquer momento pelas partes. O item II está incorreto, pois a data da intimação conta-se da junta do mandato aos autos, não havendo distinção para o procedimento de citação e de intimação. O item III está correto, pois de acordo com o excerto jurisprudencial abaixo: (...) Esta Corte vem definindo que quando houver redução, e não supressão do valor de vantagem, fica configurada a prestação de trato sucessivo, que se renova mês a mês, pois não equivale à negação do próprio fundo de direito, não havendo que se falar, portanto, em decadência do mandado de segurança. (...) (AgRg no REsp 1110192/CE, Rel. Min. Celso Limongi (Des. Conv. do TJ/SP), Sexta Turma, julgado em 04/05/2010) Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 111 478 Por fim, o item IV está correto, pois são considerados protelatórios os embargos de declaração para rediscutir matéria já decida em precedente anterior que tenha caráter vinculativo. Logo, a alternativa D é a correta e gabarito da questão. 26. (CESPE/TRE-BA - 2017) Acerca do sistema recursal previsto no CPC, julgue os itens a seguir. I. O recorrente só poderá desistir do recurso com a anuência do recorrido e dos litisconsortes. II. Os embargos de declaração interrompem o prazo para interposição de recurso. III. Não comprovado o recolhimento do preparo no ato da interposição do recurso, a parte será intimada, na pessoa do seu advogado, para realizar o pagamento em dobro, sob pena de deserção. Assinale a opção correta. a) Apenas o item I está certo. b) Apenas o item II está certo. c) Apenas os itens I e III estão certos. d) Apenas os itens II e III estão certos. e) Todos os itens estão certos. Comentários Vejamos cada um dos itens O item I está incorreto, pois de acordo com o art. 998, do CPC, o recorrente poderá, a qualquer tempo, sem a anuência do recorrido ou dos litisconsortes, desistir do recurso. O item II está correto, pois de acordo com o art. 1.026, do CPC. O item III está correto, em face do que prevê o dispositivo abaixo: § 4º O recorrente que não comprovar, no ato de interposição do recurso, o recolhimento do preparo, inclusive porte de remessa e de retorno, será intimado, na pessoa de seu advogado, para realizar o recolhimento em dobro, sob pena de deserção. Portanto, a alternativa D é a correta e gabarito da questão. 27. (CESPE/Prefeitura de Belo Horizonte-MG - 2017) Considerando a atual sistemática processual, assinale a opção correta, em relação a recursos nos processos de conhecimento e de execução. a) O recurso interposto sem a comprovação do devido preparo, quando for devido, não será de pronto considerado deserto, mas ensejará o pagamento de multa. b) O papel do revisor no julgamento de apelação foi ampliado com o advento do novo CPC. c) Tratando-se de processo de execução, o agravo de instrumento só é cabível contra as decisões interlocutórias listadas taxativamente no CPC. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 112 478 ==1365fc== d) Cabem embargos infringentes contra acórdão não unânime, no prazo de quinze dias, para fazer prevalecer o voto vencido. Comentários A alternativa A está correta e é o gabarito da questão, nos termos do art. 1.007, §4º, do CPC: § 4o O recorrente que não comprovar, no ato de interposição do recurso, o recolhimento do preparo, inclusive porte de remessa e de retorno, será intimado, na pessoa de seu advogado, para realizar o recolhimento em dobro, sob penade deserção. A alternativa B está incorreta. O papel do revisor foi extinto do CPC. A alternativa C está incorreta. De acordo com o parágrafo único, do art. 1.015, da Lei nº 13.105/15, as decisões interlocutórias proferidas no processo de execução serão impugnáveis por meio de agravo de instrumento. Parágrafo único. Também caberá agravo de instrumento contra decisões interlocutórias proferidas na fase de liquidação de sentença ou de cumprimento de sentença, no processo de execução e no processo de inventário. A alternativa D está incorreta. Os embargos infringentes foram revogados pelo CPC. 28. (CESPE/Prefeitura de Fortaleza-CE - 2017) No que concerne aos meios de impugnação das decisões judiciais, julgue o item a seguir, de acordo com o CPC e com a jurisprudência dos tribunais superiores. Situação hipotética: Ao interpor recurso de agravo contra decisão monocrática no tribunal, o recorrente deixou de impugnar especificamente os fundamentos da decisão recorrida. Assertiva: Nesse caso, em observância ao princípio da primazia do julgamento do mérito, o relator deverá intimar o agravante para complementar seu recurso no prazo de cinco dias. Comentários A assertiva está incorreta, pois o parágrafo único, do art. 932, do CPC, não se aplica para o caso de recurso que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida. O prazo de 5 dias só se aplica aos casos em que seja necessário sanar vícios formais. Parágrafo único. Antes de considerar inadmissível o recurso, o relator concederá o prazo de 5 (cinco) dias ao recorrente para que seja sanado vício ou complementada a documentação exigível. 29. (CESPE/Prefeitura de Fortaleza-CE - 2017) No que concerne aos meios de impugnação das decisões judiciais, julgue o item a seguir, de acordo com o CPC e com a jurisprudência dos tribunais superiores. Ainda que, em exame de embargos declaratórios, seja mantido o resultado do julgamento anterior, o recorrente deverá ratificar recurso especial que tenha sido interposto antes do julgamento dos embargos. Comentários Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 113 478 De acordo com o art. 1.024, §5º, do CPC, se os embargos de declaração forem rejeitados ou não alterarem a conclusão do julgamento anterior, o recurso interposto pela outra parte antes da publicação do julgamento dos embargos de declaração será processado e julgado independentemente de ratificação. Ademais, a súmula nº 579, do STJ, prevê que não é necessário ratificar o recurso especial interposto na pendência do julgamento dos embargos de declaração, quando inalterado o resultado anterior. Assim, a assertiva está incorreta. 30. (CESPE/FUNPRESP-JUD - 2016) Acerca dos processos nos tribunais e dos meios de impugnação das decisões judiciais, julgue o item subsequente. Havendo necessidade de comprovação do pagamento do preparo, o recurso será considerado deserto se o comprovante estiver ilegível no ato de interposição, uma vez que tal pagamento é pressuposto recursal. Comentários A assertiva está incorreta. O equívoco no preenchimento da guia de custas não implicará a aplicação da pena de deserção. Nesse caso, o magistrado deve intimar o recorrente para sanar o vício no prazo de 5 dias. Vejamos o art. 1.007, §7º, do CPC. Lembre-se de que o CPC mudou toda a sistemática do processo ao impor o princípio da cooperação entre as partes do processo. Nessa nova sistemática, a deserção não pode levar a inadmissibilidade do recurso de pronto. Ou seja, o órgão judicial deve intimar a parte para que efetive o depósito. Art. 1.007. No ato de interposição do recurso, o recorrente comprovará, quando exigido pela legislação pertinente, o respectivo preparo, inclusive porte de remessa e de retorno, sob pena de deserção. § 7o O equívoco no preenchimento da guia de custas não implicará a aplicação da pena de deserção, cabendo ao relator, na hipótese de dúvida quanto ao recolhimento, intimar o recorrente para sanar o vício no prazo de 5 (cinco) dias. 31. (CESPE/TCE-PR - 2016) Rafael ajuizou ação, pelo procedimento comum, contra determinado ente federativo, pedindo anulação de decisão de tribunal de contas. Durante a instrução processual, o juiz indeferiu pedido de juntada superveniente de documento feito por Rafael. Nessa situação hipotética, a decisão que indeferiu o requerimento de juntada de documento feito pelo autor a) será irrecorrível, mas poderá ser impugnada por mandado de segurança. b) poderá ser objeto de agravo de instrumento que terá de ser interposto diretamente no tribunal. c) poderá ser objeto de agravo retido, sob pena de preclusão da decisão interlocutória. d) poderá ser objeto de recurso em apelação ou contrarrazões de apelação. e) não poderá ser impugnada por recurso nem por ação autônoma de impugnação. Comentários Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 114 478 A questão requer o conhecimento de uma nova regra trazida pelo CPC, ou seja, de que o agravo retido foi extinto, sendo mantido apenas o agravo de instrumento como recurso apto a impugnar as decisões interlocutórias. Além disso, requer a noção de que as decisões interlocutórias não impugnáveis pelo recurso de agravo de instrumento não se sujeitam à preclusão, podendo ser impugnadas, após a sentença, por meio do recurso de apelação. Vejamos o art. 1.009, §1º: § 1o As questões resolvidas na fase de conhecimento, se a decisão a seu respeito não comportar agravo de instrumento, não são cobertas pela preclusão e devem ser suscitadas em preliminar de apelação, eventualmente interposta contra a decisão final, ou nas contrarrazões. O art. 1.015 estabelece as hipóteses em que o agravo de instrumento pode ser aplicado: Art. 1.015. Cabe agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias que versarem sobre: I - tutelas provisórias; II - mérito do processo; III - rejeição da alegação de convenção de arbitragem; IV - incidente de desconsideração da personalidade jurídica; V - rejeição do pedido de gratuidade da justiça ou acolhimento do pedido de sua revogação; VI - exibição ou posse de documento ou coisa; VII - exclusão de litisconsorte; VIII - rejeição do pedido de limitação do litisconsórcio; IX - admissão ou inadmissão de intervenção de terceiros; X - concessão, modificação ou revogação do efeito suspensivo aos embargos à execução; XI - redistribuição do ônus da prova nos termos do art. 373, § 1o; XII - (VETADO); XIII - outros casos expressamente referidos em lei. Não se encontrando a decisão de indeferimento de prova nas hipóteses de cabimento do agravo de instrumento, e tratando-se essa decisão de uma decisão interlocutória, não poderá ser impugnada de imediato, mas, apenas posteriormente, por meio de apelação. Portanto, a alternativa D está correta e é o gabarito da questão. 32. (CESPE/TCE-PA - 2016) Julgue o item a seguir, referentes à tutela provisória e aos meios de impugnação das decisões judiciais conforme o novo Código de Processo Civil. Se o recurso principal for conhecido, mas não for provido pelo tribunal, o recurso adesivo deverá ser considerado manifestamente prejudicado porque, conforme determinado pela legislação, se subordina ao recurso interposto de forma independente. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 115 478 Comentários A assertiva está incorreta. A possibilidade de recorrer adesivamente está prevista no art. 997, do CPC. Vejamos: Art. 997. Cada parte interporá o recurso independentemente, no prazo e com observância das exigências legais. § 1o Sendo vencidos autor e réu, ao recurso interposto porqualquer deles poderá aderir o outro. § 2o O recurso adesivo fica subordinado ao recurso independente, sendo-lhe aplicáveis as mesmas regras deste quanto aos requisitos de admissibilidade e julgamento no tribunal, salvo disposição legal diversa, observado, ainda, o seguinte: I - será dirigido ao órgão perante o qual o recurso independente fora interposto, no prazo de que a parte dispõe para responder; II - será admissível na apelação, no recurso extraordinário e no recurso especial; III - não será conhecido, se houver desistência do recurso principal ou se for ele considerado inadmissível. O recurso adesivo não será conhecido quando houver desistência do recurso principal ou quando este for considerado inadmissível. Assim, uma vez admitido o recurso principal, seja ele provido ou não, não haverá que se falar em prejudicialidade do recurso adesivo. 33. (CESPE/TCE-RN - 2015) No que diz respeito às normas processuais, à função jurisdicional, à petição inicial e ao tempo e lugar dos atos processuais, conforme o Novo Código de Processo Civil, julgue o item que se segue. Caso o juiz indefira a petição inicial em virtude de o réu ser parte ilegítima, caberá agravo ao tribunal ou à turma recursal. Comentários A assertiva está incorreta. De acordo com o art. 485, I, do CPC, o indeferimento da petição inicial constitui uma hipótese de extinção do processo. Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: I - indeferir a petição inicial; E, com base no caput, do art. 1.009, se o processo for extinto por sentença, o recurso adequado para impugnar a referida decisão é o de apelação e não o de agravo. Art. 1.009. Da sentença cabe apelação. 34. (CESPE/TRF-5ªR - 2017) Caio impetrou mandado de segurança no STJ apresentando dois pedidos cumulados de reconhecimento de nulidade de dois atos praticados por ministro de Estado. O STJ, em Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 116 478 decisão colegiada final, concedeu parcialmente a segurança para reconhecer a nulidade apenas de um dos atos praticados pelo ministro. Para impugnar essa decisão, Caio apresentou recurso ordinário, e a União interpôs recurso extraordinário. Considerando as normas jurídicas e a jurisprudência dos tribunais superiores, assinale a opção correta a respeito dessa situação hipotética. a) Pedido de concessão de efeito suspensivo a qualquer um dos recursos, se feito entre a interposição e a publicação da decisão de admissão de tal recurso, deverá ser dirigido ao presidente ou ao vice-presidente do STJ. b) Se o Supremo Tribunal Federal negar provimento ao recurso interposto por Caio e der provimento ao recurso da União, deverão ser fixados honorários de sucumbência em grau recursal. c) A admissibilidade dos recursos apresentados será examinada na origem, sendo ainda possível que o tribunal recorrido determine o sobrestamento dos recursos. d) Caso o recurso de Caio verse apenas sobre matéria constitucional, o STJ deverá aplicar o princípio da fungibilidade e receber o recurso como extraordinário. e) Na hipótese de o presidente ou vice-presidente do STJ determinar, erroneamente, sobrestamento do recurso da União, a União deverá interpor recurso de agravo em recurso extraordinário. Comentários A alternativa A está correta e é o gabarito da questão, nos termos do art. 1.029, §5º, III, do CPC: § 5o O pedido de concessão de efeito suspensivo a recurso extraordinário ou a recurso especial poderá ser formulado por requerimento dirigido: III – ao presidente ou ao vice-presidente do tribunal recorrido, no período compreendido entre a interposição do recurso e a publicação da decisão de admissão do recurso, assim como no caso de o recurso ter sido sobrestado, nos termos do art. 1.037. A alternativa B está incorreta. De acordo com o art. 25, da Lei nº 12.016/09, a ação de mandado de segurança não comporta condenação em honorários advocatícios. Art. 25. Não cabem, no processo de mandado de segurança, a interposição de embargos infringentes e a condenação ao pagamento dos honorários advocatícios, sem prejuízo da aplicação de sanções no caso de litigância de má-fé. A alternativa C está incorreta. No que diz respeito ao recurso ordinário, não há juízo de admissibilidade e, portanto, averiguação dos requisitos recusais. Vejamos o que dispõe os §§ 2º e 3º, do art. 1.028, do CPC: § 2o O recurso previsto no art. 1.027, incisos I e II, alínea “a”, deve ser interposto perante o tribunal de origem, cabendo ao seu presidente ou vice-presidente determinar a intimação do recorrido para, em 15 (quinze) dias, apresentar as contrarrazões. § 3o Findo o prazo referido no § 2o, os autos serão remetidos ao respectivo tribunal superior, independentemente de juízo de admissibilidade. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 117 478 A alternativa D está incorreta. O princípio da fungibilidade tem aplicação somente em relação aos recursos excepcionais, ou seja, entre o recurso especial e o recurso extraordinário, não sendo estendido, portanto, ao recurso ordinário para o STJ. A alternativa E está incorreta. Segundo o art. 1.030, III e §2º, do CPC, a União deverá interpor agravo interno para o próprio STJ. Art. 1.030. Recebida a petição do recurso pela secretaria do tribunal, o recorrido será intimado para apresentar contrarrazões no prazo de 15 (quinze) dias, findo o qual os autos serão conclusos ao presidente ou ao vice-presidente do tribunal recorrido, que deverá: III – sobrestar o recurso que versar sobre controvérsia de caráter repetitivo ainda não decidida pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme se trate de matéria constitucional ou infraconstitucional; § 2º Da decisão proferida com fundamento nos incisos I e III caberá agravo interno, nos termos do art. 1.021. 35. (CESPE/PGE-SE - 2017) Flávio ajuizou ação contra a fazenda pública, requerendo o pagamento de indenização no valor de cem mil reais. Em sentença, o magistrado condenou a fazenda pública ao pagamento de cinquenta mil reais em favor de Flávio, determinando, ainda, que ambas as partes pagassem cinco mil reais a título de honorários de sucumbência. Autor e réu apelaram integralmente da sentença nos limites de suas respectivas sucumbências. Nessa situação hipotética, o tribunal, a) se der provimento de forma integral apenas à apelação da fazenda pública, deverá redistribuir os honorários fixados em primeiro grau e arbitrar honorários de sucumbência recursal. b) para redistribuir o valor da verba honorária fixada pelo juiz, deverá utilizar livremente o critério da equidade, independentemente do resultado do julgamento dos recursos. c) caso negue provimento a ambos os recursos, não poderá majorar a verba honorária fixada pela sentença. d) para aumentar a verba honorária, dependerá, necessariamente, de que um dos apelantes tenha pedido a majoração dos honorários em seu recurso. e) caso negue provimento aos recursos e mantenha a sentença, deverá determinar a compensação da verba honorária devida por cada uma das partes. Comentários A alternativa A está correta e é o gabarito da questão. No caso de provimento do recurso de apelação, o tribunal redistribuirá́ os honorários fixados em primeiro grau e arbitrará os honorários de sucumbência recursal. A alternativa B está incorreta. De acordo com o art. 85, §8º, do CPC, o critério da equidade somente deverá ser utilizado na fixação dos honorários advocatícios nas causas em o proveito econômico for inestimável ou irrisório ou quando o valor da causa for muito baixo. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600- Naldira Luiza Vieria 118 478 § 8o Nas causas em que for inestimável ou irrisório o proveito econômico ou, ainda, quando o valor da causa for muito baixo, o juiz fixará o valor dos honorários por apreciação equitativa, observando o disposto nos incisos do § 2o. A alternativa C está incorreta. Ainda que ao recurso seja negado provimento, deverão ser fixados honorários em favor da outra parte. A alternativa D está incorreta. Não há necessidade de pedido expresso de majoração dos honorários advocatícios para que esta seja realizada pelo Tribunal, tratando-se de pedido implícito. A alternativa E está incorreta. O CPC vedou a compensação dos honorários advocatícios, pois sendo ela verba de caráter alimentar e devida ao advogado, e não à parte, não há que se falar em compensação. Vejamos o que dispõe o §14, do art. 85, do CPC: § 14. Os honorários constituem direito do advogado e têm natureza alimentar, com os mesmos privilégios dos créditos oriundos da legislação do trabalho, sendo vedada a compensação em caso de sucumbência parcial. 36. (CESPE/PGE-SE - 2017) Ao realizar o juízo de admissibilidade de recurso especial, o vice-presidente de um tribunal de justiça, em decisão monocrática, negou seguimento ao recurso por considerar, simultaneamente, que não existiam pressupostos de admissibilidade recursal e que o acórdão impugnado pelo recorrente estava em conformidade com precedente firmado pelo STJ em sede de recurso repetitivo. Nessa situação hipotética, para impugnar integralmente a decisão que obsta o prosseguimento do recurso aviado, a parte interessada deverá a) interpor novo recurso especial. b) interpor recurso de agravo em recurso especial. c) interpor recurso de agravo interno. d) interpor, simultaneamente, recurso de agravo interno e recurso de agravo em recurso especial. e) impetrar mandado de segurança, pois não existe recurso previsto em lei para essa situação. Comentários A alternativa D está correta e é o gabarito da questão, conforme prevê o enunciado nº 77, da I Jornada de Direito Processual Civil do Centro de Estudos Judiciários do Conselho da Justiça Federal: “Para impugnar decisão que obsta trânsito a recurso excepcional e que contenha simultaneamente fundamento relacionado à sistemática dos recursos repetitivos ou da repercussão geral (art. 1.030, I, do CPC) e fundamento relacionado à análise dos pressupostos de admissibilidade recursais (art. 1.030, V, do CPC), a parte sucumbente deve interpor, simultaneamente, agravo interno (art. 1.021 do CPC) caso queira impugnar a parte relativa aos recursos repetitivos ou repercussão geral e agravo em recurso especial/extraordinário (art. 1.042 do CPC) caso queira impugnar a parte relativa aos fundamentos de inadmissão por ausência dos pressupostos recursais.” Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 119 478 37. (CESPE/TRE-BA - 2017) Tendo examinado uma petição inicial com dois pedidos, em demanda que tramitava pelo procedimento comum, o juiz indeferiu parcialmente a petição quanto a um dos pedidos apresentados pelo autor e determinou a citação do réu para que o processo prosseguisse apenas em relação ao outro pedido. Nesse momento processual, o pronunciamento do juiz será a) recorrível por agravo de instrumento. b) recorrível por agravo interno. c) recorrível por apelação. d) irrecorrível. e) recorrível por agravo retido. Comentários A presente questão envolve decisões parciais de mérito do curso da ação. Com a resolução de parte dos pedidos e seguimento da ação a parte poderá recorrer do que foi decidido parcialmente com a utilização do agravo de instrumento conforme disciplinado no art. 1.015, II, do CPC: Art. 1.015. Cabe agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias que versarem sobre: II - mérito do processo; Portanto, a alternativa A é a correta a gabarito da questão. 38. (CESPE/TJ-AM - 2016) Acerca da jurisdição e dos princípios informativos do processo civil, assinale a opção correta. a) No âmbito do processo civil, admite-se a renúncia, expressa ou tácita, do direito atribuído à parte de participar do contraditório. b) A jurisdição voluntária se apresenta predominantemente como ato substitutivo da vontade das partes. c) A carta precatória constitui exceção ao princípio da indeclinabilidade da jurisdição. d) A garantia do devido processo legal se limita à observância das formalidades previstas no CPC. e) O princípio da adstrição atribui à parte o poder de iniciativa para instaurar o processo civil. Comentários A alternativa A está correta e é o gabarito da questão. Vejamos o que dispõe o art. 999 e o art. 1.000, caput, ambos do CPC: Art. 999. A renúncia ao direito de recorrer independe da aceitação da outra parte. Art. 1.000. A parte que aceitar expressa ou tacitamente a decisão não poderá recorrer. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 120 478 Além disso, a renúncia à apresentação de contestação, uma das formas de exercitar o contraditório, corresponde à revelia, também admitida pela lei processual. A alternativa B está incorreta. É a jurisdição contenciosa que se apresenta predominantemente como ato substitutivo da vontade das partes. A alternativa C está incorreta. A carta precatória não constitui exceção ao princípio da indeclinabilidade da jurisdição, pois corresponde, apenas, a um meio de cooperação estabelecido entre os órgãos jurisdicionais. A alternativa D está incorreta. A garantia do devido processo legal tem hierarquia constitucional e obriga a observância de todas as normas e princípios processuais. Portanto, não se restringe à aplicação das formalidades contidas no Código de Processo Civil. A alternativa E está incorreta. O princípio da adstrição está direcionado para o juiz, orientando-o a julgar o processo na medida do que lhe for pedido, de forma a evitar que qualquer excesso ou omissão sua torne a decisão viciada por pronunciamento citra, extra ou ultra petita. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 121 478 QUESTÕES COMENTADAS CONSULPLAN 1. (CONSULPLAN/TJ MG - 2018) Sobre o instituto da repercussão geral é INCORRETO afirmar que: a) Há presunção de repercussão geral quando o recurso impugnar acórdão que tenha sido proferido em julgamentos de casos repetitivos. b) A transcendência da controvérsia constitucional levada ao conhecimento do Supremo Tribunal Federal caracteriza-se por uma perspectiva qualitativa e quantitativa. c) A interpretação a ser dada ao instituto da repercussão geral no direito brasileiro deve ser a mais extensiva e ampliativa possível, oposta à interpretação restritiva e discricionária do certiorari norte-americano. d) A criação do instituto da repercussão geral veio para evitar o julgamento de casos repetitivos e não uma apreciação discricionária dos casos que possam ser levados a julgamento, tal qual ocorre no certiorari. Comentários A alternativa A está incorreta e é o gabarito da questão. Não mais subsiste a presunção de repercussão geral de acórdão que tenha sido proferido em julgamento de casos repetitivos (prevista no art. 1.035, §3º, II do CPC e revogada pela Lei nº 13.256/16). Desse modo, atualmente, só existem duas presunções de repercussão geral: (1) quando o recurso impugnar acórdão que contrarie súmula ou jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Federal ou (2) tenha reconhecido a inconstitucionalidade de tratado ou de lei federal (art. 1.035, §3º, I e III). A alternativa B está correta. A repercussão geral caracteriza-se pela relevância do ponto de vista econômico, social, político ou jurídicoque ultrapasse os interesses subjetivos do processo (art. 1.035, §1º) – perspectiva qualitativa da repercussão geral. Além disso, sabe-se que um grande número de pessoas poderá ser atingido pelo teor da decisão da questão constitucional – perspectiva quantitativa. A alternativa C está correta. O certiorari do direito norte-americano é uma espécie de ordem judicial na qual uma corte inferior transfere à Suprema Corte a apreciação de determinada causa. Para que a Suprema Corte aprecie a questão é preciso que seja admitida por, pelo menos, quatro ministros (rule of four). Nota-se, portanto, que é uma decisão discricionária da Corte. No direito brasileiro, o conceito de repercussão geral está expresso no Código de Processo Civil (art. 1.035, §1º e §3º), evitando a discricionariedade da apreciação da repercussão geral. Além disso, ao prever que a repercussão geral considerará questões relevantes do ponto de vista econômico, político, social ou jurídico, o legislador fez uso de termos indeterminados, abertos, demonstrando sua escolha por uma interpretação extensiva e ampliativa. A alternativa D está correta. Como visto no comentário acima, o certiorari é dotado de discricionariedade (será admitido ou não pela votação dos membros da Suprema Corte). A repercussão geral visa evitar o julgamento de casos repetitivos (e todas as consequências que isso traz para o Judiciário, a exemplo da morosidade) ao possibilitar que o STF decida um caso e esta decisão atinja uma série de processos idênticos. 2. (CONSULPLAN/TJ-MG - 2018) Acolhida a alegação da existência de excesso de execução no cumprimento de sentença, o credor poderá impugnar o ato judicial respectivo mediante Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 122 478 A) apelação. B) reclamação. C) agravo interno. D) agravo de instrumento. Comentários A decisão que acolhe a alegação da existência de excesso de execução no cumprimento de sentença é uma decisão interlocutória. Como sabemos, no procedimento comum, as decisões interlocutórias devem ser impugnadas ou por agravo de instrumento, nas hipóteses taxativas do art. 1.015 do CPC, ou por apelação, nas hipóteses estranhas ao art. 1.015 (art. 1.009, § 1º). Como a hipótese em tela vem expressamente prevista no art. 1.015, mais especificamente, no seu parágrafo único, que trata do cumprimento de sentença, estamos diante de uma situação em que a decisão será impugnada por agravo de instrumento, o que torna correta a alternativa D, gabarito da questão. Confiram o art. 1.015, parágrafo único: Art. 1.015 (...) Parágrafo único. Também caberá agravo de instrumento contra decisões interlocutórias proferidas na fase de liquidação de sentença ou de cumprimento de sentença, no processo de execução e no processo de inventário. 3. (CONSULPLAN/TRE-RJ - 2017) A luz do CPC/2015, acerca dos processos nos tribunais e meios de impugnação das decisões judiciais, assinale a afirmativa INCORRETA. a) Os embargos de declaração não possuem efeito suspensivo e interrompem o prazo para a interposição de recurso. b) O recurso pode ser interposto pela parte vencida, pelo terceiro prejudicado e pelo Ministério Público, como parte ou como fiscal da ordem jurídica. c) O recurso adesivo fica subordinado ao recurso independente, sendo-lhe aplicáveis às mesmas regras deste quanto aos requisitos de admissibilidade e julgamento no tribunal. d) Quando resultado da remessa necessária for não unânime, o julgamento terá prosseguimento em sessão a ser designada com a presença de outros julgadores, que serão convocados nos termos previamente definidos no regimento interno, em número suficiente para garantir a possibilidade de inversão do resultado inicial assegurado às partes e a eventuais terceiros o direito de sustentar, oralmente, suas razões perante os novos julgadores. Comentários A alternativa A está correta, tendo em vista o que prevê o art. 1.026, do CPC: Art. 1.026. Os embargos de declaração não possuem efeito suspensivo e interrompem o prazo para a interposição de recurso. A alternativa B está correta, com base no art. 996, CPC. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 123 478 Art. 996. O recurso pode ser interposto pela parte vencida, pelo terceiro prejudicado e pelo Ministério Público, como parte ou como fiscal da ordem jurídica. A alternativa C está correta, com base no art. 997, § 2º, CPC: § 2º O recurso adesivo fica subordinado ao recurso independente, sendo-lhe aplicáveis as mesmas regras deste quanto aos requisitos de admissibilidade e julgamento no tribunal, salvo disposição legal diversa, observado, ainda, o seguinte: A alternativa D está incorreta e é o gabarito da questão. O art. 942, do CPC, que trata de técnica substitutiva dos embargos infringentes, não se aplica à remessa necessária. Veja o dispositivo: Art. 942. Quando o resultado da apelação for não unânime, o julgamento terá prosseguimento em sessão a ser designada com a presença de outros julgadores, que serão convocados nos termos previamente definidos no regimento interno, em número suficiente para garantir a possibilidade de inversão do resultado inicial, assegurado às partes e a eventuais terceiros o direito de sustentar oralmente suas razões perante os novos julgadores. § 4o Não se aplica o disposto neste artigo ao julgamento: II - da remessa necessária; 4. (CONSULPLAN/TJ-MG - 2017) A respeito dos recursos nos tribunais superiores, marque a alternativa correta: a) O recurso extraordinário será recebido no efeito devolutivo e o especial será recebido nos efeitos suspensivo e devolutivo. b) Os recursos extraordinário e especial serão recebidos nos efeitos suspensivo e devolutivo. c) O recurso especial será recebido no efeito devolutivo e o extraordinário será recebido nos efeitos suspensivo e devolutivo. d) Os recursos extraordinário e especial serão recebidos somente no efeito devolutivo. Comentários Nos termos do art. 995, do CPC, os recursos extraordinário e especial não são dotados de efeito suspensivo. Ou seja, uma vez proferido julgamento colegiado pelos tribunais de segundo grau, o respectivo acórdão passa a ter eficácia imediata. Art. 995. Os recursos não impedem a eficácia da decisão, salvo disposição legal ou decisão judicial em sentido diverso. Parágrafo único. A eficácia da decisão recorrida poderá ser suspensa por decisão do relator, se da imediata produção de seus efeitos houver risco de dano grave, de difícil ou impossível reparação, e ficar demonstrada a probabilidade de provimento do recurso. Dessa forma, a alternativa D está correta e é o gabarito da questão. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 124 478 ==1365fc== 5. (CONSULPLAN/TJ-MG - 2017) Sobre os recursos, assinale a única afirmativa correta: a) A apelação, como regra, não tem efeito suspensivo. b) As decisões interlocutórias não recorríveis imediatamente por agravo de instrumento deverão ser questionadas em preliminar de recurso de apelação. c) Os embargos infringentes foram preservados no CPC/2015. d) O juízo de admissibilidade do recurso de apelação deve ser realizado perante o juízo de primeira instância. Comentários A alternativa A está incorreta. De acordo com o art. 1.012, caput, do CPC, a apelação terá efeito suspensivo. A alternativa B é correta e gabarito da questão. É o que dispõe o art. 1.009, §1º, da Lei nº 13.105/15: § 1o As questões resolvidas na fase de conhecimento, se a decisão a seu respeito não comportar agravo de instrumento, não são cobertas pela preclusão e devem ser suscitadas em preliminar de apelação,eventualmente interposta contra a decisão final, ou nas contrarrazões. A alternativa C está incorreta. Os embargos infringentes foram revogados do CPC. A alternativa D está incorreta. O juízo de admissibilidade realizado em primeiro grau de jurisdição foi extinto do CPC. 6. (CONSULPLAN/TRF-2ªR - 2017) O preparo recursal consiste no pagamento das despesas relacionadas ao processamento do recurso. Sobre o tema, assinale a alternativa INCORRETA. a) Prevê o Código de Processo Civil de 2015 que fica dispensado o recolhimento do porte de remessa e de retorno no processo em autos eletrônicos. b) A insuficiência no valor do preparo não implicará a imediata deserção do recurso. Deve o recorrente ser intimado na pessoa de seu advogado para suprir o preparo no prazo de cinco dias. c) Segundo entendimento adotado pela 2ª Seção do STJ no EAREsp 423.679-SC, o pagamento do preparo recursal pode ser comprovado por intermédio de recibo extraído da Internet, desde que esse meio de constatação de quitação possibilite a aferição da regularidade do recolhimento. d) O indeferimento do benefício da gratuidade de justiça por meio de decisão interlocutória desafia a interposição do recurso de agravo de instrumento, sendo imprescindível que o recorrente demonstre o prévio recolhimento de custas recursais para que tal agravo possa ser analisado pelo relator e submetido a posterior julgamento. Comentários Vejamos cada uma das alternativas. A alternativa A está correta, pois é justamente isso que prevê o art. 1.007, §3º, do CPC. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 125 478 A alternativa B está correta. Ao contrário do que tínhamos no CPC73, caso haja alguma irregularidade procedimental, tal como a insuficiência no preparo somente levará à deserção, caso o recorrente, após intimado, não providenciar o recolhimento em dobro ou a complementação. A alternativa C está correta. Vide ementa do referido julgado1: EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. PORTE DE REMESSA E RETORNO. RECOLHIMENTO VIA INTERNET. RECIBO EXTRAÍDO DA INTERNET. POSSIBILIDADE. AMPLA UTILIZAÇÃO DE MEIO ELETRÔNICO NA VIDA MODERNA. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA CONHECIDOS E PROVIDOS. 1. Admite-se o recolhimento e a comprovação do preparo processual realizados pela Internet, desde que possível, por esse meio, aferir a regularidade do pagamento das custas processuais e do porte de remessa e de retorno. 2. A guia eletrônica de pagamento via Internet constitui meio idôneo à comprovação do recolhimento do preparo, desde que preenchida com a observância dos requisitos regulamentares, permitindo-se ao interessado a impugnação fundamentada. 3. Embargos de divergência conhecidos e providos para afastar a deserção. A alternativa D está incorreta e é o gabarito da questão. De acordo com o art. 1.015, V, do CPC, cabe recurso de agravo de instrumento de decisão que rejeitar o pedido de gratuidade da justiça ou o acolhimento de pedido de sua revogação. Essa espécie de recurso gera custas que ficarão suspensas até decisão do relator sobre a questão em sede preliminar, conforme prevê expressamente o art. 101, §1º, do CPC. 7. (CONSULPLAN/TRF-2ªR - 2017) Para que um recurso seja conhecido, é indispensável o preenchimento de requisitos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade. Um destes requisitos, aplicável a todo e qualquer recurso, é a tempestividade, ou seja, a necessidade de sua interposição dentro do prazo fixado em lei. Diante do exposto, analise as afirmativas a seguir. I. A prorrogação para o dia útil seguinte em razão do encerramento prematuro do expediente forense aplica- se apenas em relação ao dies ad quem (dia do vencimento) do prazo recursal, não se aplicando para o dies a quo (dia do início). II. A interposição de recurso de embargos de declaração, mesmo antes da publicação da sentença ou do acórdão embargado, é considerada tempestiva, bastando que a parte tome conhecimento do teor da decisão e entenda ter havido omissão, obscuridade, contradição ou erro material. III. Se os embargos de declaração forem rejeitados ou não alterarem a conclusão do julgamento anterior, o recurso interposto pela outra parte antes da publicação do julgamento dos embargos de declaração será processado e julgado independentemente de ratificação. Estão corretas as afirmativas a) I, II e III. b) I e II, apenas. 1 EAREsp 423.679/SC, Rel. Min. Raul Araújo, 2ª Turma, DJe 03/08/2015. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 126 478 c) I e III, apenas. d) II e III, apenas. Comentários A questão envolve três pontos importantes relativos aos prazos processuais. O item I está incorreto, pois a prorrogação do prazo caso se inicie ou termine em dia não último ocorre tanto para o dia do início como para o dia do vencimento. Assim, um prazo não poderá iniciar em final de semana. Do mesmo modo não poderá finar em feriados. Em ambos os casos temos a prorrogação para o próximo dia útil seguinte. O item II está correto, pois, de acordo com o art. 218, §4º, o recurso prematuro é considerado tempestivo, regra que se aplica ao recurso de embargos de declaração. O item III está correto e reproduz exatamente o teor do art. 1.024, §5º, do CPC: § 5o Se os embargos de declaração forem rejeitados ou não alterarem a conclusão do julgamento anterior, o recurso interposto pela outra parte antes da publicação do julgamento dos embargos de declaração será processado e julgado independentemente de ratificação. Desse modo, a alternativa D é a correta e gabarito da questão. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 127 478 QUESTÕES COMENTADAS FCC 1. (FCC/MPE-PB - 2018) Quanto aos recursos, a) a apelação terá, como regra, somente o efeito devolutivo. b) dos despachos cabe o recurso de correição parcial; das decisões interlocutórias cabe agravo de instrumento e das sentenças cabe apelação. c) a renúncia ao direito de recorrer depende da aceitação da outra parte. d) o recorrente poderá, a qualquer tempo, sem a anuência do recorrido ou dos litisconsortes, desistir do recurso; a desistência do recurso não impede a análise de questão cuja repercussão geral já tenha sido reconhecida e daquela objeto de julgamento de recursos extraordinários ou especiais repetitivos. e) o recurso adesivo fica de início subordinado ao recurso independente, mas se deste houver desistência ou for considerado inadmissível subsistirá autonomamente, sendo conhecido e julgado como recurso principal. Comentários A alternativa D está correta e é o gabarito da questão. A alternativa apresenta a literalidade do caput do art. 998 e de parágrafo único (ambos do Código de Processo Civil): Art. 998. O recorrente poderá, a qualquer tempo, sem a anuência do recorrido ou dos litisconsortes, desistir do recurso. Parágrafo único. A desistência do recurso não impede a análise de questão cuja repercussão geral já tenha sido reconhecida e daquela objeto de julgamento de recursos extraordinários ou especiais repetitivos. A alternativa A está incorreta. O art. 1.012 é claro ao afirmar que "a apelação terá efeito suspensivo." O §3º do mesmo dispositivo trata da possibilidade de concessão de efeito suspensivo pelo relator. A alternativa B está incorreta. O art. 1.001 do CPC prevê: "Dos despachos não cabe recurso." A alternativa C está incorreta pois a renúncia ao direito de recorrer independe de aceitação, como previsto no art. 999 do Código: "A renúncia ao direito de recorrer independe da aceitação da outra parte." A alternativa E está incorreta. O recurso adesivo é subordinadoao recurso independente / principal, de modo que não será conhecido caso o principal não o seja. Nos termos do art. 997, §2º e inciso III do Código: "O recurso adesivo fica subordinado ao recurso independente, sendo-lhe aplicáveis as mesmas regras deste quanto aos requisitos de admissibilidade e julgamento no tribunal, salvo disposição legal diversa, observado, ainda, o seguinte: não será conhecido, se houver desistência do recurso principal ou se for ele considerado inadmissível." 2. (FCC/SEAD AP - 2018) De acordo com o disposto no Código de Processo Civil, a) não serão admitidos novos embargos de declaração apenas se os três anteriores houverem sido considerados protelatórios. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 128 478 b) as questões de fato não propostas no juízo inferior não poderão ser suscitadas na apelação, em virtude da preclusão, ainda que a parte prove que deixou de fazê-lo por motivo de força maior. c) contra decisão proferida pelo relator do recurso de apelação caberá agravo de instrumento para o respectivo órgão colegiado, observadas, quanto ao processamento, as regras do regimento interno do tribunal. d) o capítulo da sentença que confirma, concede ou revoga a tutela provisória é impugnável na apelação. e) decisões que versem sobre o mérito do processo, ainda que em análise perfunctória, só podem ser impugnadas por meio de apelação. Comentários A alternativa A está incorreta. Não são três, mas dois embargos de declaração anterior, como se vê no art. 1.026, §4º do CPC: "Não serão admitidos novos embargos de declaração se os 2 (dois) anteriores houverem sido considerados protelatórios." A alternativa B está incorreta. As questões poderão ser suscitadas, desde que seja comprovada a força maior e estas não constituam uma nova causa de pedir (posição doutrinária). De acordo com o art. 1.014 do Código: "As questões de fato não propostas no juízo inferior poderão ser suscitadas na apelação, se a parte provar que deixou de fazê-lo por motivo de força maior." A alternativa C está incorreta pois o recurso cabível é o agravo interno, previsto no art. 1.021 do CPC: "Contra decisão proferida pelo relator caberá agravo interno para o respectivo órgão colegiado, observadas, quanto ao processamento, as regras do regimento interno do tribunal." A alternativa D está correta e é o gabarito da questão. Trata-se da previsão contida no art. 1.013, §5º do Código de Processo Civil: "O capítulo da sentença que confirma, concede ou revoga a tutela provisória é impugnável na apelação." A alternativa E está incorreta. As decisões parciais de mérito, por exemplo, são impugnáveis por agravo de instrumento. Prevê o art. 1.015, II do Código de Processo Civil: "Cabe agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias que versarem sobre: mérito do processo". 3. (FCC/DPE-AM - 2018) O Ministro Relator de Recurso Especial nega seguimento à impugnação recursal. Neste caso, a) é cabível agravo interno. b) é cabível agravo de instrumento. c) é cabível agravo de admissibilidade. d) é irrecorrível, a decisão. e) são cabíveis somente embargos de declaração. Comentários A alternativa A está correta e é o gabarito da questão. Diante da negativa do relator, o recorrente deverá interpor agravo interno com fundamento no art. 1.021 do Código de Processo Civil: "Contra decisão proferida pelo relator caberá agravo interno para o respectivo órgão colegiado, observadas, quanto ao processamento, as regras do regimento interno do tribunal." Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 129 478 ATENÇÃO! Se a decisão de inadmissibilidade fosse do Presidente ou Vice-Presidente do Tribunal recorrido seria cabível o agravo do art. 1.042 do CPC: "Cabe agravo contra decisão do presidente ou do vice-presidente do tribunal recorrido que inadmitir recurso extraordinário ou recurso especial, salvo quando fundada na aplicação de entendimento firmado em regime de repercussão geral ou em julgamento de recursos repetitivos." As alternativas B, C, D e E estão incorretas pois não apresentam a espécie recursal cabível ao caso. 4. (FCC/DPE-SP - 2019) O Superior Tribunal de Justiça reconhece a multiplicidade de recursos questionando a aplicação de um determinado índice de correção incidente sobre uma espécie de negócio jurídico. De acordo com a sistemática de recursos especiais repetitivos, a) o relator poderá requisitar aos presidentes ou aos vice-presidentes dos tribunais de justiça ou dos tribunais regionais federais a remessa de um recurso representativo da controvérsia e, caso constate que os recursos contêm outras questões além daquela que é objeto da afetação, decidirá primeiramente as demais questões antes de decidir sobre a questão repetitiva. b) a decisão que determina a devolução para o Tribunal de origem, para o juízo de retratação ou conformação, a fim de aguardar-se o julgamento de matéria submetida ao rito dos recursos repetitivos, tem sido entendida pelo Superior Tribunal de Justiça como irrecorrível. c) a decisão de afetação deverá indicar com precisão a questão que será submetida a julgamento e determinará o sobrestamento de todos os demais recursos sobre o tema em todo o território nacional, mas não obstará o prosseguimento dos processos nos graus inferiores de jurisdição. d) a parte que tenha o seu recurso especial suspenso na origem, caso demonstre distinção entre a questão a ser decidida no processo e aquela a ser julgada no recurso especial ou extraordinário afetado, deverá requerer o prosseguimento do seu recurso ao relator, no tribunal superior. e) a decisão que determina o sobrestamento dos processos em que se discuta o tema objeto de recursos especiais repetitivos somente alcança os processos individuais, mas não tem o efeito de suspender o andamento de processos coletivos, diante do interesse público subjacente. Comentários A alternativa A está incorreta. A ordem foi invertida: primeiro o relator decidirá a questão repetitiva afetada e, em seguida, as demais questões, como prevê o art. 1.037, III e seu §7º: Art. 1.037. Selecionados os recursos, o relator, no tribunal superior, constatando a presença do pressuposto do caput do art. 1.036, proferirá decisão de afetação, na qual: III - poderá requisitar aos presidentes ou aos vice-presidentes dos tribunais de justiça ou dos tribunais regionais federais a remessa de um recurso representativo da controvérsia. § 7º Quando os recursos requisitados na forma do inciso III do caput contiverem outras questões além daquela que é objeto da afetação, caberá ao tribunal decidir esta em primeiro lugar e depois as demais, em acórdão específico para cada processo. A alternativa B está correta e é o gabarito da questão. A alternativa apresenta o entendimento do STJ exposto no AgInt no AgInt no REsp 1.423.253/SC, rel. Ministro Raul Araújo: "É firme o entendimento, no âmbito desta Corte de Justiça, de que é irrecorrível a decisão que determina a devolução dos autos ao Tribunal Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 130 478 de origem, a fim de aguardar-se o julgamento de matéria submetida ao rito dos recursos repetitivos ou da repercussão geral." A alternativa C está incorreta. O sobrestamento dos processos ocorrerá em todos os graus de jurisdição, de acordo com o art. 1.037, II do CPC: Art. 1.037. Selecionados os recursos, o relator, no tribunal superior, constatando a presença do pressuposto do caput do art. 1.036, proferirá decisão de afetação, na qual: II - determinará a suspensão do processamento de todos os processos pendentes, individuaisGabarito - Recursos - Recurso Extraordinário e Recurso Especial - VUNESP 467 ..............................................................................................................................................................................................94) Lista de Questões - Recursos - Recurso Extraordinário e Recurso Especial - OUTRAS BANCAS 468 ..............................................................................................................................................................................................95) Gabarito - Recursos - Recurso Extraordinário e Recurso Especial - OUTRAS BANCAS 471 ..............................................................................................................................................................................................96) Lista de Questões - Recursos - Embargos de Divergência - CEBRASPE 472 ..............................................................................................................................................................................................97) Gabarito - Recursos - Embargos de Divergência - CEBRASPE 473 ..............................................................................................................................................................................................98) Lista de Questões - Recursos - Embargos de Divergência - VUNESP 474 ..............................................................................................................................................................................................99) Gabarito - Recursos - Embargos de Divergência - VUNESP 475 ..............................................................................................................................................................................................100) Lista de Questões - Recursos - Embargos de Divergência - OUTRAS BANCAS 476 ..............................................................................................................................................................................................101) Gabarito - Recursos - Embargos de Divergência - OUTRAS BANCAS 477 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 5 478 TEORIA GERAL DOS RECURSOS Pressupostos Recursais Esses pressupostos recursais são analisados no exercício do juízo de admissibilidade e tem por finalidade averiguar o preenchimento dos requisitos formais dos recursos. Somente após essa análise formal (dos pressupostos recursais) é que podemos passar para a análise do mérito dos recursos, com o desprovimento ou provimento – parcial ou total – do recurso. Na análise de mérito, o tribunal irá avaliar se os argumentos trazidos pela parte são suficientes para impor a reforma à sentença, por vícios formais (error in procedendo), tal como uma sentença extra petita ou uma sentença sem fundamentação, ou por vícios de mérito (error in iudicando), que se refere ao conteúdo do ato decisório, por vícios fáticos ou jurídicos na decisão do magistrado. De acordo com a doutrina1: O juízo de admissibilidade dos recursos consiste na verificação, pelo juízo competente, da presença dos requisitos mínimos para que o recurso possa ser processado e examinado quanto ao seu conteúdo (seu “mérito”). O exame da admissibilidade é sempre preliminar ao do mérito. Sendo positivo o juízo de admissibilidade, o recurso será conhecido, admitido, e passa-se para o exame do mérito. Se o juízo de mérito for também favorável ao recorrente, o recurso é provido. Assim... A doutrina classifica esses pressupostos em requisitos intrínsecos e requisitos extrínsecos. Os requisitos intrínsecos dizem respeito à existência do poder de recorrer. Os requisitos extrínsecos referem- se ao modo de recorrer. Essa classificação distingue, ainda, os requisitos extrínsecos conforme o esquema abaixo: 1 WAMBIER, Luiz Rodrigues e TALAMINI, Eduardo. Curso Avançado de Processo Civil, vol. 2, 16ª edição, reform. e ampl. com o novo CPC, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2016, 472. OS PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS são requisitos formais dos recursos são analisados no juízo de admissibilidade do recurso implicam, caso algum deles esteja ausente, a não admissão do recurso Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 6 478 Vamos iniciar pela análise dos requisitos intrínsecos. REQUISITOS INTRÍNSECOS (1) cabimento/adequação Esses requisitos remetem à ideia de que o ato impugnado precisa ser suscetível de ataque em tese pela parte, permitindo identificar qual é o recurso cabível. Segundo a doutrina2, para que se configure tal pressuposto é preciso que se admita o emprego de algum recurso contra a decisão em questão e que o recurso concretamente empregado seja adequado para ela. Ou seja, o cabimento é definitivo pelo binômio admissibilidade X adequação recursais. Não obstante tenhamos estritamente a previsão de um único recurso para cada tipo de decisão, adota-se, em nosso sistema recursal, o princípio da fungibilidade recursal. Segundo esse princípio, admite-se o recebimento de um recurso em lugar do outro quando ocorrer equívoco da parte, em razão da previsão do princípio da instrumentalidade das formas. Contudo, para que seja aplicada a regra da fungibilidade recursal, devem ser observados três requisitos: 2 WAMBIER, Luiz Rodrigues e TALAMINI, Eduardo. Curso Avançado de Processo Civil, vol. 2, 16ª edição, reform. e ampl. com o novo CPC, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2016, 474. PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS requisitos intrínsecos cabimento/adequação legitimidade interesse inexistência de fato impeditivo/extintivo requisitos extrínsecos tempestividade recursal regularidade formal preparo Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 7 478 a) dúvida objetiva em relação a qual recurso adotar; b) inexistência de erro grosseiro pela parte que recorreu de forma equivocada; e c) observância do prazo do recurso realmente cabível. Esse terceiro requisito perde um pouco a razão de ser no CPC, que possui prazos unificados de 15 dias. (2) legitimidade A legitimidade recursal está prevista no art. 996, do CPC, e diz respeito: à parte vencida; ao terceiro prejudicado; e ao Ministério Público, seja quando atuar como parte, seja quando atuar como fiscal da ordem jurídica. Importante observar que o art. 138, do CPC, prevê também duas hipóteses de legitimidade recursal do amicus curie. A regra é que o amicus curie não possa interpor recurso, mas existem duas exceções descritas no §1º, do art. 138, do CPC, quais sejam: a) embargos de declaração; e b) recurso contra decisão em incidente de resolução de demandas repetitivas (IRDR). (3) interesse O interesse recursal segue a mesma metodologia do interesse de agir e configura-se pela demonstração da necessidade de ajuizamento do recurso e a adequação do expediente recursal escolhidos. Assim, demonstra-se a utilidade do recurso interposto para a parte, que pretende a melhora da sua situação fática. Segundo a doutrina3, para que se configure o interesse recursal, o provimento do recurso tem que trazer alguma utilidade jurídica prática para o recorrente, ou seja, uma situação jurídica objetivamente melhor do que a que ele tinha com a decisão recorrida. (4) inexistência de fato impeditivo ou extintivo do direito de recorrer. Vamos tratar alguns conceitos a fim de facilitar a compreensão desse pressuposto. 3 WAMBIER, Luiz Rodrigues e TALAMINI, Eduardo. Curso Avançado de Processo Civil, vol. 2, 16ª edição, reform. e ampl.ou coletivos, que versem sobre a questão e tramitem no território nacional; A alternativa D está incorreta. A parte deve requerer o prosseguimento ao relator do acórdão recorrido. Nesse sentido, o art. 1.037, §§9º e 10, III do Código: Art. 1.037. §9º Demonstrando distinção entre a questão a ser decidida no processo e aquela a ser julgada no recurso especial ou extraordinário afetado, a parte poderá requerer o prosseguimento do seu processo. § 10. O requerimento a que se refere o § 9º será dirigido: I - ao juiz, se o processo sobrestado estiver em primeiro grau; II - ao relator, se o processo sobrestado estiver no tribunal de origem; III - ao relator do acórdão recorrido, se for sobrestado recurso especial ou recurso extraordinário no tribunal de origem; IV - ao relator, no tribunal superior, de recurso especial ou de recurso extraordinário cujo processamento houver sido sobrestado. A alternativa E está incorreta. A decisão suspende os processos pendentes, individuais ou coletivos, como prevê o art. 1.036, §1º do CPC: "O presidente ou o vice-presidente de tribunal de justiça ou de tribunal regional federal selecionará 2 (dois) ou mais recursos representativos da controvérsia, que serão encaminhados ao Supremo Tribunal Federal ou ao Superior Tribunal de Justiça para fins de afetação, determinando a suspensão do trâmite de todos os processos pendentes, individuais ou coletivos, que tramitem no Estado ou na região, conforme o caso." 5. (FCC/TCE-RS - 2018) Compete ao Supremo Tribunal Federal, originariamente, a) processar e julgar reclamação para a preservação da competência e garantia da autoridade de suas decisões, bem como dos Tribunais Superiores. b) processar e julgar reclamação para a preservação de sua competência e garantia da autoridade de suas decisões. c) processar e julgar mandados de segurança impetrados contra atos do Presidente da República, dos Presidentes do Senado e da Câmara Federal e de Ministros de Estado. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 131 478 d) apenas editar súmulas vinculantes em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta nas esferas federal, estadual e municipal. e) processar e julgar ação popular e ação de improbidade administrativa ajuizadas contra o Presidente da República, Ministros de Estado, integrantes do Congresso Nacional e governadores dos Estados e do Distrito Federal. Comentários A alternativa B está correta e é o gabarito da questão. Trata-se da previsão contida no art. 102, I, "l" da Constituição Federal: Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe: I - processar e julgar, originariamente: l) a reclamação para a preservação de sua competência e garantia da autoridade de suas decisões; A alternativa A está incorreta. A competência para processar e julgar a reclamação para preservação da competência compete a cada tribunal. Vejamos: STF (art. 102, I, "l", CF), STJ (art. 105, I, "f", CF), TST (art. 111- A, §3º, CF), Tribunais (art. 988, I do Código de Processo Civil). A alternativa C está incorreta. A competência para processar e julgar mandados de segurança impetrados contra atos de Ministros de Estado é do STJ, conforme o art. 105, I, "b" da Constituição Federal: Art. 105. Compete ao Superior Tribunal de Justiça: I - processar e julgar, originariamente: b) os mandados de segurança e os habeas data contra ato de Ministro de Estado, dos Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica ou do próprio Tribunal; A alternativa D está incorreta. A Constituição Federal, no art. 102, estabelece as competências de processamento e julgamento do STF. A edição de súmulas vinculantes, prevista no art. 103-A e parágrafos, é apenas uma das competências do Supremo. A alternativa E está incorreta. À ação popular e à ação de improbidade administrativa não se aplica a regra do foro privilegiado, de modo que tais ações são julgadas pelo juízo de 1º grau. O art. 5º da Lei nº 4.717/65 (Lei da Ação Popular) dispõe que "conforme a origem do ato impugnado, é competente para conhecer da ação, processá-la e julgá-la o juiz que, de acordo com a organização judiciária de cada Estado, o for para as causas que interessem à União, ao Distrito Federal, ao Estado ou ao Município." No mesmo sentido é a posição do Supremo Tribunal Federal: AO 859 QO/AP, julgado em 11/10/2001. AÇAO ORIGINÁRIA. QUESTAO DE ORDEM. AÇAO POPULAR. COMPETÊNCIA ORIGINÁRIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL: NAO-OCORRÊNCIA. PRECEDENTES. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 132 478 1. A competência para julgar ação popular contra ato de qualquer autoridade, até mesmo do Presidente da República, é, via de regra, do juízo competente de primeiro grau. Precedentes. 2. Julgado o feito na primeira instância, se ficar configurado o impedimento de mais da metade dos desembargadores para apreciar o recurso voluntário ou a remessa obrigatória, ocorrerá a competência do Supremo Tribunal Federal, com base na letra n do inciso I, segunda parte, do artigo 102 da Constituição Federal. 3. Resolvida a Questão de Ordem para estabelecer a competência de um dos juízes de primeiro grau da Justiça do Estado do Amapá. Em relação à ação de improbidade administrativa, em regra, será proposta na 1ª instância e seguirá o rito ordinário, aplicando-se subsidiariamente a Lei da Ação Civil Pública (Lei nº 7.347/85). O STF já se pronunciou sobre o tema algumas vezes e destacaremos dois julgados: 1. STF, Pet 3240 (10/05/2018 - Informativo 901): entendeu que os agentes políticos, com exceção do Presidente da República, encontram-se sujeitos a duplo regime sancionatório - há responsabilização civil pelos atos de improbidade administrativa e há a responsabilização político-administrativa por crimes de responsabilidade (vistos como institutos autônomos pela Constituição Federal). Além disso, firmou que o foro por prerrogativa de função previsto na CF em relação às infrações penais comuns não é extensível às ações de improbidade administrativa. 2. STF, ADI 2.860: estabeleceu que, em regra, não há foro privilegiado nas ações de improbidade administrativa. Apontamos aqui duas exceções: o STJ entende que o ato de improbidade praticado por juiz integrante de Tribunal será julgado pela instância superior do magistrado e o STF prevê que é sua competência o julgamento de seus próprios ministros. DIREITO CONSTITUCIONAL. AGRAVO REGIMENTAL EM PETIÇÃO. SUJEIÇÃO DOS AGENTES POLÍTICOS A DUPLO REGIME SANCIONATÓRIO EM MATÉRIA DE IMPROBIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE EXTENSÃO DO FORO POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO À AÇÃO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. 1. Os agentes políticos, com exceção do Presidente da República, encontram-se sujeitos a um duplo regime sancionatório, de modo que se submetem tanto à responsabilização civil pelos atos de improbidade administrativa, quanto à responsabilização político- administrativa por crimes de responsabilidade. Não há qualquer impedimento à concorrência de esferas de responsabilização distintas, de modo que carece de fundamento constitucional a tentativa de imunizar os agentes políticos das sanções da ação de improbidade administrativa, a pretexto de que estas seriam absorvidas pelo crime de responsabilidade. A única exceção ao duplo regime sancionatório em matéria de improbidade se refere aos atos praticados pelo Presidente da República, conforme previsão do art. 85, V, da Constituição. 2. O foro especial por prerrogativa de função previsto na Constituição Federal em relação às infrações penais comuns não é extensível às ações de improbidade administrativa, de natureza civil. Em primeiro lugar, o foro privilegiado é destinado a abarcarapenas as infrações penais. A suposta gravidade das sanções previstas no art. 37, § 4º, da Constituição, não reveste a ação de improbidade administrativa de natureza penal. Em segundo lugar, o foro privilegiado submete-se a regime de direito estrito, já que representa Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 133 478 exceção aos princípios estruturantes da igualdade e da república. Não comporta, portanto, ampliação a hipóteses não expressamente previstas no texto constitucional. E isso especialmente porque, na hipótese, não há lacuna constitucional, mas legítima opção do poder constituinte originário em não instituir foro privilegiado para o processo e julgamento de agentes políticos pela prática de atos de improbidade na esfera civil. Por fim, a fixação de competência para julgar a ação de improbidade no 1o grau de jurisdição, além de constituir fórmula mais republicana, é atenta às capacidades institucionais dos diferentes graus de jurisdição para a realização da instrução processual, de modo a promover maior eficiência no combate à corrupção e na proteção à moralidade administrativa. 3. Agravo regimental a que se nega provimento. (STF. AgReg na Pet 3.240/DF. rel. Ministro Teori Zavascki, julgado em 10/05/2018, Informativo 901) 6. (FCC/MPE-MT - 2019) João Alberto ajuizou e perdeu parcialmente ação contra Maria Eduarda. Apela e a seu recurso Maria Eduarda adere e interpõe o recurso adesivo cabível. Distribuídos os apelos ao Segundo Grau, João Alberto desiste do apelo, sem que Maria Eduarda seja ouvida. Essa desistência a) é possível, pois o recurso adesivo é subordinado ao recurso independente e a desistência deste não depende de anuência do recorrente adesivo, que não terá seu recurso conhecido. b) não é possível, porque uma vez interpostos o recurso principal e o adesivo estes se vinculam, o que impede a desistência ou a renúncia por quaisquer das partes. c) não é possível, pois embora o recurso adesivo seja subordinado ao recurso principal, a desistência do apelo principal depende sempre da oitiva do recorrente adesivo, uma vez que este não terá seu recurso conhecido como consequência da desistência. d) é possível, mas o ato não impedirá o conhecimento e a análise meritória do recurso adesivo, que após a desistência passa a ter existência processual independente. e) não é possível, pois todo ato processual de uma parte depende, para seu deferimento, da oitiva da parte contrária no atual sistema processual civil. Comentários A alternativa A está correta e é o gabarito da questão. O art. 997, §2º do Código de Processo Civil versa sobre o recurso adesivo e apresenta a sua subordinação ao recurso independente. Por este motivo, havendo desistência do recurso principal ou sendo inadmissível, o recurso adesivo não será conhecido. Art. 997. § 2º O recurso adesivo fica subordinado ao recurso independente, sendo-lhe aplicáveis as mesmas regras deste quanto aos requisitos de admissibilidade e julgamento no tribunal, salvo disposição legal diversa, observado, ainda, o seguinte: I - será dirigido ao órgão perante o qual o recurso independente fora interposto, no prazo de que a parte dispõe para responder; II - será admissível na apelação, no recurso extraordinário e no recurso especial; Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 134 478 III - não será conhecido, se houver desistência do recurso principal ou se for ele considerado inadmissível. A alternativa B está incorreta. O Código de Processo Civil não afirma a vinculação entre recurso independente e recurso adesivo. Pelo contrário, positiva a subordinação deste àquele. As alternativas C e E estão incorretas. Prevê o art. 998 que o recorrente poderá, a qualquer tempo, sem anuência do recorrido ou dos litisconsortes, desistir do recurso. A alternativa D está incorreta pois, como visto no comentário da alternativa A, o recurso adesivo é subordinado ao recurso independente / recurso principal. 7. (FCC/TJ-MA - 2019) No que se refere aos recursos, é correto afirmar: a) Não cabe agravo de instrumento contra decisões interlocutórias proferidas no processo de inventário, por se tratar de procedimento especial não sujeito a decisões de mérito. b) Na apelação, as questões resolvidas na fase de conhecimento, se a decisão a seu respeito não comportar agravo de instrumento, são cobertas pela preclusão e não podem mais ser suscitadas. c) O agravo interno será dirigido ao relator, que intimará o agravado para manifestar-se sobre o recurso no prazo de 15 (quinze) dias, ao final do qual, não havendo retratação, o relator levá-lo-á a julgamento pelo órgão colegiado, com inclusão em pauta. d) Os embargos de declaração em nenhum caso admitem decisão com efeitos infringentes. e) O recurso extraordinário e o recurso especial, nos casos constitucionalmente previstos, serão interpostos na atual sistemática processual por petição única para maior celeridade e otimização. Comentários A alternativa A está incorreta, uma vez que, por expressa previsão legal, é cabível agravo de instrumento no curso de processos de inventário, conforme parágrafo único do art. 1.015 do CPC: Art. 1.015. Cabe agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias que versarem sobre: Parágrafo único. Também caberá agravo de instrumento contra decisões interlocutórias proferidas na fase de liquidação de sentença ou de cumprimento de sentença, no processo de execução e no processo de inventário. A alternativa B está incorreta. O CPC de 2015 trouxe um rol taxativo de hipóteses de recorribilidade via agravo de instrumento. Sobre as demais questões não incide preclusão: elas poderão ser alegadas em sede de apelação como preliminares, e serão apreciadas pelo tribunal. Veja: Art. 1.009. Da sentença cabe apelação. § 1º As questões resolvidas na fase de conhecimento, se a decisão a seu respeito não comportar agravo de instrumento, não são cobertas pela preclusão e devem ser suscitadas em preliminar de apelação, eventualmente interposta contra a decisão final, ou nas contrarrazões. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 135 478 A alternativa C está correta e é o gabarito da questão, uma vez que reproduz o art. 1021, §2º do CPC: Art. 1.021. Contra decisão proferida pelo relator caberá agravo interno para o respectivo órgão colegiado, observadas, quanto ao processamento, as regras do regimento interno do tribunal. § 2º O agravo será dirigido ao relator, que intimará o agravado para manifestar-se sobre o recurso no prazo de 15 (quinze) dias, ao final do qual, não havendo retratação, o relator levá-lo-á a julgamento pelo órgão colegiado, com inclusão em pauta. A alternativa D está incorreta, já que há previsão legal específica no CPC 2015 da existência dos embargos infringentes. Observe: Art. 1.024. O juiz julgará os embargos em 5 (cinco) dias. § 4º Caso o acolhimento dos embargos de declaração implique modificação da decisão embargada, o embargado que já tiver interposto outro recurso contra a decisão originária tem o direito de complementar ou alterar suas razões, nos exatos limites da modificação, no prazo de 15 (quinze) dias, contado da intimação da decisão dos embargos de declaração. Assim, é plenamente possível que o julgamento dos embargos cause a alteração da decisão embargada. A única diferença é que, nesse caso, o embargado terá um prazo de quinze dias para alterar as razões recursais de eventual recurso interposto. Por fim, a alternativa E está incorreta, uma vez que, segundo a atual sistemática recursal, o recorrente deverá interpor tanto o recursoextraordinário quando o recurso especial. Deverá haver uma petição para cada recurso, com o respectivo endereçamento ao Tribunal competente para julgar o recurso. 8. (FCC/PGE-AP - 2018) Em relação à jurisprudência dominante dos Tribunais Superiores, em matéria processual, (A) o relator, monocraticamente e no Superior Tribunal de Justiça, poderá dar ou negar provimento ao recurso quando houver entendimento dominante acerca do tema. (B) é ineficaz a penhora de bem de família pertencente a fiador de contrato de locação residencial. (C) é sempre necessário ratificar o recurso especial interposto na pendência do julgamento dos embargos de declaração. (D) a recuperação judicial do devedor principal impede o prosseguimento das ações e execuções ajuizadas contra terceiros devedores solidários ou coobrigados. (E) em ação monitória fundada em cheque prescrito contra o emitente, é indispensável a menção ao negócio jurídico subjacente à emissão da cártula. Comentários Questão sobre súmulas. Vejamos: Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 136 478 A alternativa A está correta e é o gabarito da questão. De acordo com a Súmula 568-STJ: “O relator, monocraticamente e no Superior Tribunal de Justiça, poderá dar ou negar provimento ao recurso quando houver entendimento dominante acerca do tema” A alternativa B está incorreta. Ao contrário do que se afirma, segundo a jurisprudência do STJ, é válida a penhora de bem de família pertencente a fiador de contrato de locação. Confiram (Súmula 549-STJ): “É válida a penhora de bem de família pertencente a fiador de contrato de locação”. A alternativa C está incorreta também. Não será sempre necessário ratificar o recurso especial interposto na pendência de embargos de declaração. Quando o resultado anterior restar inalterado, por exemplo, não será necessário (Súmula 579-STJ): “Não é necessário ratificar o recurso especial interposto na pendência do julgamento dos embargos de declaração, quando inalterado o resultado anterior”. A alternativa D também está incorreta. Ao contrário. De acordo com a Súmula 581-STJ: “A recuperação judicial do devedor principal não impede o prosseguimento das ações e execuções ajuizadas contra terceiros devedores solidários ou coobrigados em geral, por garantia cambial, real ou fidejussória”. E a alternativa E, por fim, também está incorreta. De acordo com a Súmula 531-STJ: “Em ação monitória fundada em cheque prescrito ajuizada contra o emitente, é dispensável a menção ao negócio jurídico subjacente à emissão da cártula”. 9. (FCC/TRT-2ªR - 2018) Paulo, advogado, ao se de defrontar com ato apontado como ilegal de um juiz titular de determinada vara cível da comarca de São José dos Campos, impetra mandado de segurança perante o E. Tribunal de Justiça de São Paulo, tratando-se de hipótese de competência originária deste Tribunal. Distribuído o mandamus o Relator, por decisão monocrática, indefere a peça inicial e determina o arquivamento dos autos. Inconformado, Paulo poderá interpor, nesse caso específico, contra a decisão do Relator a) recurso ordinário para o Superior Tribunal de Justiça. b) agravo interno para o respectivo órgão colegiado. c) recurso especial para o Superior Tribunal de Justiça. d) recurso extraordinário para o Supremo Tribunal Federal. e) agravo de instrumento para o Superior Tribunal de Justiça. Comentários Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 137 478 A alternativa B está correta e é o gabarito da questão. Primeiro deve ser interposto o agravo interno para, após, o recurso ordinário ao STJ. Vejamos o que dispõe o art. 1.021, combinado com o art. 1.027, II, “a”, ambos do CPC: Art. 1.021. Contra decisão proferida pelo relator caberá agravo interno para o respectivo órgão colegiado, observadas, quanto ao processamento, as regras do regimento interno do tribunal. Art. 1.027. Serão julgados em recurso ordinário: II - pelo Superior Tribunal de Justiça: a) os mandados de segurança decididos em única instância pelos tribunais regionais federais ou pelos tribunais de justiça dos Estados e do Distrito Federal e Territórios, quando denegatória a decisão; 10. (FCC/TRT-2ªR - 2018) Considere a seguinte situação hipotética: No ano de 2015, a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça julgou um importante tema de direito privado em sede de recurso especial envolvendo contratos bancários. Neste ano de 2018 houve alteração na composição da referida Turma, com a saída de três dos cinco Ministros e a posse de três novos Ministros. No mês de Abril do corrente ano, a mesma Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça, quando do julgamento de outro recurso especial, divergiu do julgamento anterior proferido no ano de 2015, quando da análise da mesma questão de mérito envolvendo contratos bancários. Neste caso, nos termos estabelecidos pelo Código de Processo Civil, a parte interessada poderá interpor (A) agravo regimental. (B) embargos de divergência. (C) embargos infringentes. (D) mandado de segurança. (E) reclamação. Comentários Neste caso, nos termos do art. 1.043, §3º, do CPC, a parte interessada poderá interpor embargos de divergência. Vejamos: § 3o Cabem embargos de divergência quando o acórdão paradigma for da mesma turma que proferiu a decisão embargada, desde que sua composição tenha sofrido alteração em mais da metade de seus membros. Portanto, a alternativa B está correta e é o gabarito da questão. 11. (FCC/DPE-SC - 2017) O autor de uma ação deixou de comparecer à audiência de tentativa de conciliação, razão pela qual o juiz impôs-lhe multa. Diante desta decisão, Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 138 478 a) há previsão expressa de cabimento de apelação contra tal decisão, de modo que cabe ao interessado o ônus de recorrer no prazo de quinze dias a partir da intimação da decisão que impôs a multa, sob pena de preclusão. b) não há previsão expressa de recurso imediato, mas não haverá preclusão imediatamente, de modo que a questão poderá ser suscitada em preliminar de apelação contra a decisão final, ou nas contrarrazões. c) é irrecorrível e, assim, também não se submete a preclusão e pode ser revista em qualquer momento do processo, inclusive em recursos ordinários, por meio de simples petição. d) há previsão expressa de cabimento de agravo de instrumento, de modo que cabe ao interessado o ônus de recorrer no prazo de quinze dias a partir da intimação desta decisão, sob pena de preclusão. e) não há previsão expressa de recurso imediato, mas não haverá preclusão, de modo que a decisão poderá ser suscitada em preliminar de apelação contra a decisão final e desde que esta seja desfavorável ao autor. Comentários Da decisão eu aplica a multa não caberá recurso imediato, pois não é hipótese de cabimento de agravo de instrumento. Contudo, a aplicação da multa poderá ser discutida em sede de apelação, ou de contrarrazões, pois não há preclusão. Assim, a alternativa B é correta e gabarito da questão, conforme dispõe o art. 1.009, §1º, do CPC: Art. 1.009. § 1o As questões resolvidas na fase de conhecimento, se a decisão a seu respeito não comportar agravo de instrumento, não são cobertas pela preclusão e devem ser suscitadas em preliminar de apelação, eventualmente interposta contra a decisão final, ou nas contrarrazões. 12. (FCC/DPE-AM - 2018) Considere as seguintes situações abaixo, retratando decisões havidas em três processos diferentes: I. Antes da citação do demandando, o juiz julga liminarmente improcedente o único pedido feito pelo autor,em razão de contrariar súmula do Superior Tribunal de Justiça. II. Após a apresentação de contestação, o juiz julga parcialmente o mérito, para o fim de acolher um dos pedidos feitos pelo autor em razão de sua incontrovérsia. III. O juiz não acolhe a contradita de uma testemunha arrolada pela parte adversa, toma o compromisso e colhe o depoimento da testemunha. IV. O juiz decide antecipadamente o mérito, julgando parcialmente procedente o único pedido feito pelo autor, concedendo a pretensão em menor medida daquela postulada na inicial. Considere as sistemáticas recursais abaixo: 1. Não há recorribilidade imediata, devendo a questão ser objeto de preliminar de apelação. 2. Cabe apelação, com a possibilidade de juízo de retratação. 3. Cabe apelação, sem a possibilidade de juízo de retratação. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 139 478 4. Cabe agravo de instrumento. A correta correspondência entre as decisões e o sistema recursal aplicável está APENAS em a) I-2; II-4; III-1; IV-3. b) I-3; II-4; III-1; IV-2. c) I-2; II-1; III-4; IV-3. d) I-4; II-4; III-1; IV-4. e) I-2; II-3; III-4; IV-4. Comentários Vamos analisar cada um dos itens. O item I é cabível de apelação, com a possibilidade de juízo de retratação. Vejamos o que dispõe o art. 332, do CPC: Art. 332. Nas causas que dispensem a fase instrutória, o juiz, independentemente da citação do réu, julgará liminarmente improcedente o pedido que contrariar: I - enunciado de súmula do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça; II - acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recursos repetitivos; III - entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas ou de assunção de competência; IV - enunciado de súmula de tribunal de justiça sobre direito local. § 1o O juiz também poderá julgar liminarmente improcedente o pedido se verificar, desde logo, a ocorrência de decadência ou de prescrição. § 2o Não interposta a apelação, o réu será intimado do trânsito em julgado da sentença, nos termos do art. 241. § 3o Interposta a apelação, o juiz poderá retratar-se em 5 (cinco) dias. § 4o Se houver retratação, o juiz determinará o prosseguimento do processo, com a citação do réu, e, se não houver retratação, determinará a citação do réu para apresentar contrarrazões, no prazo de 15 (quinze) dias. Assim, o item I corresponde ao número 2. O item II, de acordo com o art. 1.015, II, do CPC, cabe agravo de instrumento: Art. 1.015. Cabe agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias que versarem sobre: II - mérito do processo; Desta forma, o item II corresponde ao número 4. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 140 478 No item III, conforme prevê o art. 1.009, §1º, da Lei nº 13.105/15, não há recorribilidade imediata, devendo a questão ser objeto de preliminar de apelação. § 1o As questões resolvidas na fase de conhecimento, se a decisão a seu respeito não comportar agravo de instrumento, não são cobertas pela preclusão e devem ser suscitadas em preliminar de apelação, eventualmente interposta contra a decisão final, ou nas contrarrazões. Portanto, o item III corresponde ao numero 1. O item IV é cabível de apelação, sem a possibilidade de juízo de retratação, nos termos do art. 355, do CPC: Art. 355. O juiz julgará antecipadamente o pedido, proferindo sentença com resolução de mérito, quando: I - não houver necessidade de produção de outras provas; II - o réu for revel, ocorrer o efeito previsto no art. 344 e não houver requerimento de prova, na forma do art. 349. Por fim, o item IV corresponde ao número 3. Desse modo, a alternativa A está correta e é o gabarito da questão. 13. (FCC/DPE-RS - 2018) Sobre os recursos no Código de Processo Civil, é correto afirmar: a) Se os recursos de agravo de instrumento e apelação houverem de ser julgados na mesma sessão, será declarada a perda do objeto do recurso de agravo de instrumento. b) Quando o resultado da apelação for não unânime, o julgamento terá prosseguimento em sessão a ser designada com a presença de outros julgadores, em número suficiente para garantir a possibilidade de inversão do resultado inicial, aplicando-se a mesma regra ao julgamento não unânime proferido em agravo de instrumento, quando houver reforma da decisão que julgar parcialmente o mérito. c) Os embargos de declaração possuem efeito suspensivo e interrompem o prazo para a interposição de recurso. d) O recorrente comprovará a ocorrência de feriado local, se intimado pelo relator para tanto. e) A parte recorrente pode desistir unilateralmente do recurso, mas essa desistência não afeta a apreciação de eventual recurso adesivo da contraparte, nem impede a análise de questão cuja repercussão geral já tenha sido reconhecida e daquela objeto de julgamento de recursos especiais ou extraordinários repetitivos. Comentários A alternativa A está incorreta. O agravo de instrumento será julgado antes da apelação interposta no mesmo processo (art. 946, do CPC). Se a apelação e o agravo de instrumento forem julgados na mesma sessão, terá precedência o agravo de instrumento (art. 946, Parágrafo único). Não há que se falar em perda de objeto. A alternativa B está correta e é o gabarito da questão. Conforme art. 942 e § 3º, do CPC: Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 141 478 Art. 942. Quando o resultado da apelação for não unânime, o julgamento terá prosseguimento em sessão a ser designada com a presença de outros julgadores, que serão convocados nos termos previamente definidos no regimento interno, em número suficiente para garantir a possibilidade de inversão do resultado inicial, assegurado às partes e a eventuais terceiros o direito de sustentar oralmente suas razões perante os novos julgadores. (...) § 3o A técnica de julgamento prevista neste artigo aplica-se, igualmente, ao julgamento não unânime proferido em: (...) II - agravo de instrumento, quando houver reforma da decisão que julgar parcialmente o mérito. A alternativa C está incorreta. Os embargos de declaração não possuem efeito suspensivo, apesar de interromperem o prazo para a interposição de recurso (art. 1.026, do CPC) A alternativa D está incorreta. Segundo o art. 1.003, § 6º, o recorrente comprovará a ocorrência de feriado local no ato de interposição do recurso. E a alternativa E, por fim, está incorreta. A desistência do recurso não impede a análise de questão cuja repercussão geral já tenha sido reconhecida e seja objeto de julgamento de recursos extraordinários ou especiais repetitivos (art. 998, Parágrafo único, do CPC), mas ela prejudica, sim, o recurso adesivo, que segue a sorte do recurso independente (art. 997, § 2º, do CPC). 14. (FCC/DPE-RS - 2018) João, posseiro de imóvel urbano há 25 anos, procurou a Defensoria Pública da sua Comarca, noticiando ter recebido mandado judicial de citação e intimação expedido em ação de reintegração de posse, com a determinação de que o desocupasse no prazo máximo de 10 dias, sob pena de ser expedido mandado de reintegração forçada. Em pesquisa realizada, o Defensor Público responsável pelo caso notou tratar-se de medida liminar deferida em favor da parte autora e que o mandado recebido por João ainda não havia sido juntado aos autos do processo. Nesse caso, a) o prazo recursal para João impugnar a medida liminar de reintegração de posse somente se inicia após a juntada do mandado aos autos do processo, sendo intempestivo o recurso interposto antes de tal data. b) se existiralguma omissão na decisão que deferiu a medida liminar de reintegração de posse em face de João, poderão ser opostos embargos de declaração, mas a interposição do referido recurso não interromperá o prazo da contestação. c) João poderá demandar proteção possessória no mesmo processo, em sede de contestação, assim como postular indenização por prejuízos sofridos, mas apenas se resultantes de esbulho cometido pelo autor. d) no referido processo, se houvesse a designação de justificação prévia, o prazo para contestação seria contado da audiência de justificação, caso ausente o requerido, desde que tivesse sido intimado para comparecimento. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 142 478 e) se João demonstrar a carência de idoneidade financeira do autor para suportar as perdas e danos no caso de sucumbência, a lei processual expressamente prevê que este seja obrigado a prestar caução real ou fidejussória, sob pena de reversão da medida liminar deferida. Comentários Vejamos cada uma das alternativas: A alternativa A está incorreta. Não há que se falar em intempestividade do recurso interposto antes do termo inicial do prazo para recorrer, por expressa previsão do art. 218, § 4º, do CPC: “§ 4o Será considerado tempestivo o ato praticado antes do termo inicial do prazo”. A alternativa B está correta e é o gabarito da questão. De fato, se existir alguma omissão na decisão que deferiu a medida liminar de reintegração de posse em face de João, poderão ser opostos embargos de declaração, contudo, a interposição do recurso não interromperá o prazo da contestação. A banca tentou confundir o candidato com a interrupção do prazo para a interposição de recurso, que gera o recurso de embargos de declaração, conforme art. 1.026, do CPC. A alternativa C está incorreta. A alternativa cria uma limitação que não está expressa no art. 556, do CPC. Confiram: Art. 556. É lícito ao réu, na contestação, alegando que foi o ofendido em sua posse, demandar a proteção possessória e a indenização pelos prejuízos resultantes da turbação ou do esbulho cometido pelo autor. A alternativa D está incorreta. O prazo para contestação não seria contado da audiência de justificação, como afirma a alternativa, mas da intimação da decisão que defere ou não a medida liminar (art. 564, parágrafo único, do CPC). Vejam: Art. 564 (...) Parágrafo único. Quando for ordenada a justificação prévia, o prazo para contestar será contado da intimação da decisão que deferir ou não a medida liminar. E a alternativa E, igualmente, está incorreta. Ao contrário do que se afirma na assertiva (art. 559, do CPC): Art. 559. Se o réu provar, em qualquer tempo, que o autor provisoriamente mantido ou reintegrado na posse carece de idoneidade financeira para, no caso de sucumbência, responder por perdas e danos, o juiz designar-lhe-á o prazo de 5 (cinco) dias para requerer caução, real ou fidejussória, sob pena de ser depositada a coisa litigiosa, ressalvada a impossibilidade da parte economicamente hipossuficiente. 15. (FCC/TJ-SC - 2017) Examine os enunciados seguintes, concernentes aos recursos: I. A apelação devolverá ao tribunal o conhecimento da matéria impugnada; já o capítulo da sentença que confirma, concede ou revoga a tutela provisória não é impugnável na apelação, mas por meio de interposição de agravo autônomo. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 143 478 II. Caberá agravo de instrumento contra decisões interlocutórias proferidas na fase de liquidação de sentença ou de cumprimento de sentença, no processo de execução e no processo de inventário. III. Nos embargos de divergência, entre outras hipóteses, é embargável o acórdão de órgão fracionário que em recurso extraordinário ou em recurso especial, divergir do julgamento de qualquer outro órgão do mesmo tribunal, sendo um acórdão de mérito e outro que não tenha conhecido do recurso, embora tenha apreciado a controvérsia. IV. Caso o acolhimento dos embargos de declaração implique modificação da decisão embargada, o embargado que já tiver interposto outro recurso contra a decisão originária tem o direito de complementar ou alterar suas razões, nos exatos limites da modificação, no prazo de dez dias, contado da intimação da decisão dos embargos de declaração. Está correto o que se afirma APENAS em a) II e III. b) II e IV. c) I, II e III. d) I, III e IV. e) II, III e IV. Comentários Vamos analisar cada um dos itens. O item I está incorreto. De fato, a apelação devolverá ao tribunal o conhecimento da matéria impugnada, conforme prevê o art. 1.013, caput, do CPC. No entanto, se a tutela provisória for concedida, confirmada ou revogada na sentença, este capítulo deverá ser impugnado no próprio recurso de apelação e não mediante agravo de instrumento. Vejamos o art. 1.012, §1º, V, combinado com o art. 1.013, §5º: Art. 1.012. A apelação terá efeito suspensivo. § 1o Além de outras hipóteses previstas em lei, começa a produzir efeitos imediatamente após a sua publicação a sentença que: V - confirma, concede ou revoga tutela provisória; Art. 1.013 § 5º O capítulo da sentença que confirma, concede ou revoga a tutela provisória é impugnável na apelação. O item II está correto, pois é o que dispõe o parágrafo único, do art. 1.015, da Lei nº 13.105/15: Parágrafo único. Também caberá agravo de instrumento contra decisões interlocutórias proferidas na fase de liquidação de sentença ou de cumprimento de sentença, no processo de execução e no processo de inventário. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 144 478 O item III está correto, conforme prevê o art. 1.043, III, da referida Lei: Art. 1.043. É embargável o acórdão de órgão fracionário que: III - em recurso extraordinário ou em recurso especial, divergir do julgamento de qualquer outro órgão do mesmo tribunal, sendo um acórdão de mérito e outro que não tenha conhecido do recurso, embora tenha apreciado a controvérsia; O item IV está incorreta. De acordo com o art. 1.024, §4º, do CPC, o prazo é de 15 dias, e não de 10. § 4o Caso o acolhimento dos embargos de declaração implique modificação da decisão embargada, o embargado que já tiver interposto outro recurso contra a decisão originária tem o direito de complementar ou alterar suas razões, nos exatos limites da modificação, no prazo de 15 (quinze) dias, contado da intimação da decisão dos embargos de declaração. Assim, a alternativa A é correta e gabarito da questão. 16. (FCC/TRT-11ª R - 2017) A respeito dos recursos, é correto afirmar: a) os embargos de declaração têm efeito suspensivo e, em alguns casos, tem efeito interrupto dos prazos recursais. b) a renúncia do direito de recorrer depende a anuência da outra parte. c) cabe agravo de instrumento dos despachos. d) o recorrente só poderá desistir do recurso com a anuência do recorrido e dos litisconsortes. e) cabe agravo de instrumento da decisão que julgar o incidente de desconsideração da personalidade jurídica. Comentários Essa questão cobra vários aspectos relativos aos recursos no CPC. Vamos analisar cada uma das alternativas. A alternativa A está incorreta, pois os embargos de declaração têm efeito interruptivo conforme prevê o caput do art. 1.026, do CPC: Art. 1.026. Os embargos de declaração NÃO possuem efeito suspensivo e interrompem o prazo para a interposição de recurso. A alternativa B está incorreta. A renúncia ao recurso se caracteriza pela manifestação da parte, antes do esgotamento do prazo recursal, no sentido de que não deseja recorrer independe de qualquer manifestaçãoou anuência da parte contrária, conforme expressa o art. 999 do CPC: Art. 999. A renúncia ao direito de recorrer independe da aceitação da outra parte. A alternativa C está incorreta, pois agravo de instrumento é cabível de decisões interlocutórias apenas. Os despachos não possuem caráter decisório e, por isso, não são passíveis de recursos. Confira o caput do art. 1.015 do CPC: Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 145 478 Art. 1.015. Cabe agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias que versarem sobre: A desistência está disciplinada no art. 998, do CPC: Art. 998. O recorrente poderá, a qualquer tempo, sem a anuência do recorrido ou dos litisconsortes, desistir do recurso. Parágrafo único. A desistência do recurso NÃO impede a análise de questão cuja repercussão geral já tenha sido reconhecida e daquela objeto de julgamento de recursos extraordinários ou especiais repetitivos. A desistência é um fato impeditivo do direito de recorrer, que pode ocorrer a qualquer tempo. De acordo com o dispositivo acima a desistência não depende da anuência do recorrido ou litisconsortes de modo que a alternativa D está incorreta. Por fim, a alternativa E, que é a correta e gabarito da questão, prevê a hipótese de cabimento do recurso de agravo de instrumento descrita no inc. IV do art. 1.015, do CPC: Art. 1.015. Cabe agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias que versarem sobre: (...) IV - incidente de desconsideração da personalidade jurídica; (...). 17. (FCC/SEGEP-MA - 2016) Em ação de anulação de negócio jurídico fundada na alegação de incapacidade relativa do autor, que, na data de sua prática, contava dezessete anos de idade, além de ele haver sido submetido a coação, o juiz julgou-a improcedente, porque provado que no ato de obrigar-se declarou-se maior. Não tendo sido apreciada a arguição de coação, o autor a) poderá opor embargos de declaração e o juiz acolhê-los, com efeitos modificativos, independentemente de audiência do embargado, que já teve oportunidade de impugnar a alegação do vício na contestação, operando-se a preclusão. b) somente poderá interpor apelação. c) poderá opor embargos de declaração, e o juiz acolhê-los com efeitos modificativos, depois de intimar o embargado para, querendo, manifestar-se. d) não poderá opor embargos de declaração, porque o juiz já encontrou um motivo suficiente para rejeitar o pedido. e) poderá opor embargos de declaração, apenas para prequestionar a matéria, pois, na hipótese, é inviável atribuir efeitos infringentes a esse recurso, devendo, em seguida, apelar. Comentários A alternativa A está incorreta. De acordo com o art. 1.023, §2º, do CPC, o juiz intimará o embargado caso queira manifestar-se, no prazo de 5 (cinco) dias, sobre os embargos opostos, caso seu eventual acolhimento implique a modificação da decisão embargada. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 146 478 A alternativa B está incorreta. Segundo o art. 1.022, cabem embargos de declaração contra qualquer decisão judicial para esclarecer obscuridade ou eliminar contradição, suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento, ou corrigir erro material. A alternativa C está correta e é o gabarito da questão, com base no art. 1.023, § 2º, do CPC. A alternativa D está incorreta. O juiz não pode rejeitar o pedido formulado pelo autor sem analisar todos os fundamentos de fato e de direito trazidos por ele. A alternativa E está incorreta. A lei processual admite que os embargos declaratórios possuam efeitos infringentes, ou seja, efeitos que modifiquem a decisão recorrida. 18. (FCC/DPE-BA - 2016) Analise as proposições abaixo, a respeito dos recursos: I. Os recursos impedem, em regra, a eficácia da decisão, salvo disposição legal ou decisão judicial em sentido contrário. II. O recorrente pode desistir do recurso sem a anuência do recorrido ou dos litisconsortes, mas a desistência não impede a análise de questão cuja repercussão geral já tenha sido reconhecida e daquela objeto de julgamento de recursos extraordinários ou especiais repetitivos. III. Excetuados os embargos de declaração, o prazo para interpor os recursos e para responder-lhes é de quinze dias. IV. Os embargos de declaração possuem efeito suspensivo da eficácia da decisão e do prazo para a interposição de outros recursos. Está correto o que se afirma APENAS em a) II e III. b) I, III e IV. c) I, II e IV. d) III. e) II e IV. Comentários Vamos analisar item por item: O item I está incorreto. De acordo com o art. 995, do CPC, os recursos não impedem a eficácia da decisão, salvo disposição legal ou decisão judicial em sentido diverso. Art. 995. Os recursos não impedem a eficácia da decisão, salvo disposição legal ou decisão judicial em sentido diverso. O item II está correto com base no art. 998. Há a possibilidade de desistência do recorrente sem a necessidade de anuência dos litisconsortes, contudo, essa desistência não impedirá a análise de questão com repercussão geral já reconhecida. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 147 478 Art. 998. O recorrente poderá, a qualquer tempo, sem a anuência do recorrido ou dos litisconsortes, desistir do recurso. Parágrafo único. A desistência do recurso não impede a análise de questão cuja repercussão geral já tenha sido reconhecida e daquela objeto de julgamento de recursos extraordinários ou especiais repetitivos. O item III está correto, pois reproduz o §5º, do art. 1.003. § 5o Excetuados os embargos de declaração, o prazo para interpor os recursos e para responder-lhes é de 15 (quinze) dias. O item IV está incorreto. Segundo o art. 1.026, os embargos de declaração não possuem efeito suspensivo e interrompem o prazo para a interposição de recurso. Art. 1.026. Os embargos de declaração não possuem efeito suspensivo e interrompem o prazo para a interposição de recurso. Assim, a alternativa A está correta e é o gabarito da questão. 19. (FCC/PGE-MT - 2016) Em 20/06/2016 (segunda-feira), foi enviada à Procuradoria do Estado do Mato Grosso, por meio de portal próprio, intimação eletrônica de sentença de mérito contrária à Fazenda Pública. Diante desta situação hipotética, considerando o prazo para o recurso cabível e as prerrogativas da Fazenda Pública, o prazo recursal é de a) quinze dias úteis e terá início apenas depois de dez dias, contados a partir do envio da intimação ao portal, caso o Procurador não tenha consultado o teor da intimação antes deste prazo. b) quinze dias úteis e somente terá início com a intimação pessoal da Fazenda Pública, por meio de oficial de justiça, uma vez que tal prerrogativa é assegurada pela lei. c) quinze dias úteis e somente terá início quando o Procurador do Estado consultar o teor da intimação eletrônica, independentemente de qualquer outro prazo. d) trinta dias úteis e terá início apenas depois de dez dias, contados a partir do envio da intimação ao portal, caso o Procurador não tenha consultado o teor da intimação antes deste prazo. e) trinta dias úteis e somente terá início depois de vinte dias, contados a partir do envio da intimação ao portal, caso o Procurador não tenha consultado o teor da intimação antes deste prazo. Comentários De acordo com o art. 1.003, §5º, do CPC, o prazo para interpor os recursos e para responder-lhes é de 15 dias. § 5o Excetuados os embargos de declaração, o prazo para interpor os recursos e para responder-lhes é de 15 (quinze) dias. Ricardo Torques Aula 16 TJs -Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 148 478 Esse prazo, porém, quando considerada a prática do ato processual por um ente público, deve ser contado em dobro, conforme prevê o art. 183. Art. 183. A União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas respectivas autarquias e fundações de direito público gozarão de prazo em dobro para todas as suas manifestações processuais, cuja contagem terá início a partir da intimação pessoal. Vela lembrar que, com o CPC em vigor, a contagem dos prazos processuais será somente em dias úteis, e não mais em dias corridos como ocorria na vigência do código processual anterior. Vejamos o art. 219. Art. 219. Na contagem de prazo em dias, estabelecido por lei ou pelo juiz, computar-se-ão somente os dias úteis. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se somente aos prazos processuais. Por fim, o art. 5º, §3º, da Lei nº 11.419/06, dispõe sobre a informatização do processo judicial, no qual determina que as intimações serão feitas por meio eletrônico em portal próprio aos que se cadastrarem, dispensando-se a publicação no órgão oficial, inclusive eletrônico. Art. 5o As intimações serão feitas por meio eletrônico em portal próprio aos que se cadastrarem na forma do art. 2o desta Lei, dispensando-se a publicação no órgão oficial, inclusive eletrônico. § 3o A consulta referida nos §§ 1o e 2o deste artigo deverá ser feita em até 10 (dez) dias corridos contados da data do envio da intimação, sob pena de considerar-se a intimação automaticamente realizada na data do término desse prazo. Caso o Procurador não tenha, ele próprio, consultado se havia alguma intimação referente àquele processo, ela será considerada realizada dez dias corridos após. E, a partir desta data, começará a contagem do prazo de trinta dias úteis para interpor o recurso. Portanto, a alternativa D está correta e é o gabarito da questão. 20. (FCC/PGE-MT - 2016) De acordo com a atual legislação, a decisão que determinou a exclusão de um litisconsorte a) desafia recurso de agravo de instrumento, no prazo de quinze dias, contados a partir da intimação desta decisão. b) é irrecorrível, mas pode ser questionada por outros meios de impugnação. c) desafia recurso de apelação, no prazo de quinze dias, contados a partir da intimação desta decisão. d) não apresenta recorribilidade imediata, e, por isso, não se submete à preclusão temporal antes da prolação da sentença, pois pode ser alegada quando da apelação, no prazo de quinze dias, contados a partir da intimação da sentença. e) pode desafiar recurso de agravo de instrumento ou de apelação, conforme o momento do processo em que a decisão for proferida; em ambos os casos, o prazo será de quinze dias, contados a partir intimação da decisão. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 149 478 Comentários A exclusão de um litisconsorte pode ocorrer mediante decisão interlocutória ou mediante sentença judicial. Se ocorrer por decisão interlocutória, essa será impugnável por meio de agravo de instrumento, conforme prevê o art. 1.015, VII, do CPC. Art. 1.015. Cabe agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias que versarem sobre: VII - exclusão de litisconsorte; Se ocorrer por sentença, será impugnável por meio do recurso de apelação, com base no art. 1.009. Art. 1.009. Da sentença cabe apelação. Assim, a alternativa E está correta e é o gabarito da questão. 21. (FCC/ELETROBRAS-ELETROSUL - 2016) Paulo ajuizou ação de cobrança contra Pedro, julgada procedente em primeiro grau de jurisdição. O processo tramita pelo meio eletrônico. Inconformado com a r. sentença Pedro apresenta recurso de apelação dentro do prazo legal, mas não comprova no ato da interposição do recurso, o recolhimento do preparo. Neste caso, a) o Magistrado deverá aplicar imediatamente a pena de deserção à Pedro. b) Pedro será intimado, na pessoa de seu advogado, para realizar o recolhimento em dobro do valor do preparo, dispensado o porte de remessa e retorno, sob pena de deserção. c) Pedro será intimado, na pessoa de seu advogado, para recolher o valor do preparo, inclusive porte de remessa e retorno, sob pena de deserção. d) Pedro será intimado, na pessoa de seu advogado, para realizar o recolhimento em dobro do valor do preparo, inclusive porte de remessa e de retorno, sob pena de deserção. e) Pedro será intimado, na pessoa de seu advogado, para recolher o valor preparo, dispensado o porte de número e retorno, sob pena de deserção. Comentários Nesse caso, Pedro será intimado, na pessoa de seu advogado, para realizar o recolhimento em dobro do valor do preparo, dispensado o porte de remessa e retorno. Apenas se não o fizer será aplicada a pena de deserção. Vejamos o art. 1.007, §§3º e 4º, do CPC. Art. 1.007. No ato de interposição do recurso, o recorrente comprovará, quando exigido pela legislação pertinente, o respectivo preparo, inclusive porte de remessa e de retorno, sob pena de deserção. § 3o É dispensado o recolhimento do porte de remessa e de retorno no processo em autos eletrônicos. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 150 478 ==1365fc== § 4o O recorrente que não comprovar, no ato de interposição do recurso, o recolhimento do preparo, inclusive porte de remessa e de retorno, será intimado, na pessoa de seu advogado, para realizar o recolhimento em dobro, sob pena de deserção. Note que o recurso não será mais julgado deserto sem a intimação da parte para corrigir o problema. Portanto, a alternativa B está correta e é o gabarito da questão. 22. (FCC/PGE-MT - 2016) Acerca dos recursos, considere: I. O recorrente comprovará, quando da interposição do recurso, o respectivo preparo, incluindo o porte de remessa e retorno, ainda que se trate de autos eletrônicos. II. A renúncia ao direito de recorrer é dependente da aceitação da outra parte quando a sentença houver resolvido o mérito. III. O recorrente pode desistir do recurso a qualquer tempo, ainda que sem a anuência do recorrido ou dos litisconsortes. IV. O prazo para interpor os recursos e para lhes responder é de 15 dias, salvo nos embargos de declaração. Está correto o que se afirma APENAS em a) II e IV. b) II e III. c) I e IV. d) I e III. e) III e IV. Comentários Vamos analisar cada um dos itens. O item I está incorreto. Vejamos o que dispõe o art. 1.007, caput e §3º, do CPC: Art. 1.007. No ato de interposição do recurso, o recorrente comprovará, quando exigido pela legislação pertinente, o respectivo preparo, inclusive porte de remessa e de retorno, sob pena de deserção. § 3o É dispensado o recolhimento do porte de remessa e de retorno no processo em autos eletrônicos. O item II está incorreto. De acordo com o art. 999, da Lei nº 13.105/15, a renúncia ao direito de recorrer independe da aceitação da outra parte. O item III está correto, com base no art. 998, caput, da referida Lei: Art. 998. O recorrente poderá, a qualquer tempo, sem a anuência do recorrido ou dos litisconsortes, desistir do recurso. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 151 478 O item IV está correto, nos termos do art. 1.003, §5º, do CPC: § 5o Excetuados os embargos de declaração, o prazo para interpor os recursos e para responder-lhes é de 15 (quinze) dias. Desse modo, a alternativa E é correta e gabarito da questão. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br39471799600 - Naldira Luiza Vieria 152 478 QUESTÕES COMENTADAS FGV 1. (FGV/TJ-AL - 2018) No que concerne ao sistema recursal consagrado no Código de Processo Civil, é correto afirmar que: a) a eficácia da renúncia ao direito de recorrer está condicionada à aceitação da parte contrária; b) salvo disposição legal ou decisão judicial em sentido contrário, os recursos são desprovidos de efeito suspensivo; c) salvo os embargos de declaração, os recursos são interponíveis no prazo de dez dias; d) observados os requisitos de admissibilidade do recurso adesivo, será ele conhecido, ainda que o principal não o seja; e) o Ministério Público tem legitimidade recursal se for parte da demanda, não a tendo se atuar como fiscal da ordem jurídica. Comentários A alternativa A está incorreta pois a renúncia ao direito de recorrer independe de aceitação, como previsto no art. 999 do Código: "A renúncia ao direito de recorrer independe da aceitação da outra parte." A alternativa B está correta e é o gabarito da questão. A alternativa está de acordo com o caput do art. 995 do Código de Processo Civil: "Os recursos não impedem a eficácia da decisão, salvo disposição legal ou decisão judicial em sentido diverso." A alternativa C está incorreta. Dispõe o art. 1.003, §5º do CPC: "Excetuados os embargos de declaração, o prazo para interpor os recursos e para responder-lhes é de 15 (quinze) dias." A alternativa D está incorreta. O recurso adesivo é subordinado ao recurso independente / principal, de modo que não será conhecido caso o principal não o seja. Nos termos do art. 997, §2º e inciso III do Código: "O recurso adesivo fica subordinado ao recurso independente, sendo-lhe aplicáveis as mesmas regras deste quanto aos requisitos de admissibilidade e julgamento no tribunal, salvo disposição legal diversa, observado, ainda, o seguinte: não será conhecido, se houver desistência do recurso principal ou se for ele considerado inadmissível." A alternativa E está incorreta. O art. 996 do CPC garante a legitimidade recursal ao Ministério Público para recorrer como parte ou como fiscal da ordem jurídica: "O recurso pode ser interposto pela parte vencida, pelo terceiro prejudicado e pelo Ministério Público, como parte ou como fiscal da ordem jurídica." 2. (FGV/TJ SC - 2018) Maria e Fátima foram citadas em uma demanda indenizatória proposta por João, sob o rito comum. Após audiência de mediação, que restou infrutífera, apenas Maria constituiu procurador, que apresentou contestação. O juiz decretou a revelia de Fátima e, finda a fase instrutória, julgou procedente o pedido formulado por João em face de ambas as rés. Maria, para interpor o recurso de apelação, deverá observar o prazo: a) simples de 10 dias úteis; Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 153 478 b) simples de 15 dias úteis; c) dobrado de 20 dias úteis; d) dobrado de 30 dias úteis; e) dobrado de 30 dias corridos. Comentários A alternativa B está correta e é o gabarito da questão. Prevê o art. 229, §1º do Código de Processo Civil: "Cessa a contagem do prazo em dobro se, havendo apenas 2 (dois) réus, é oferecida defesa por apenas um deles." Logo, a apelação deverá ser interposta no prazo simples de 15 dias úteis, previsto no art. 1.003, §5º do CPC: "Excetuados os embargos de declaração, o prazo para interpor os recursos e para responder-lhes é de 15 (quinze) dias." As alternativas A, C, D e E estão incorretas pois não correspondem ao tratamento legal dado ao caso hipotético apresentado no comando da questão. 3. (FGV/ALERO - 2018) Joana, após tomar conhecimento de que seu marido João mantinha uma relação extraconjugal com Maria, propôs ação de separação judicial com fundamento neste fato. O pedido, no primeiro grau, foi julgado improcedente, em razão da insuficiência de provas. Ainda no prazo recursal, João agrediu Joana na presença de várias pessoas. Em apelação, a autora pugnou pela reforma da sentença, não só pela infidelidade do réu, mas também pela violência doméstica por ele perpetrada. Nesse cenário, é correto afirmar que o tribunal a) poderá dar provimento ao recurso sob o fundamento da violência doméstica, já que as questões de fato não suscitadas no juízo inferior poderão sê-lo na apelação, se a parte provar que deixou de alegá-las por motivo de força maior. b) deverá, antes de julgar o mérito recursal, intimar a parte ré para que se manifeste sobre a violência doméstica alegada, podendo, na sequência, dar provimento ao recurso por tal fundamento. c) não poderá reconhecer a violência doméstica como fundamento de fato do pedido de separação, já que a demanda se encontra objetivamente estabilizada, sob o fundamento da infidelidade conjugal. d) deverá mandar baixar os autos ao juízo de origem, para que este se manifeste especificamente sobre a nova causa de pedir suscitada, sob pena de se incorrer em supressão de instância. e) não poderá reformar a sentença, sendo o caso de reconhecer o vício formal da apelação, por ensejar uma inovação ilegal no processo, o que é vedado pelo ordenamento jurídico. Comentários A alternativa C está correta e é o gabarito da questão. É preciso distinguir a causa de pedir da ação quando no 1º grau (a infidelidade conjugal) e da causa de pedir recursal (infidelidade conjugal e violência doméstica). A "inclusão" da violência doméstica implicaria a criação de uma nova causa de pedir, não proposta no 1º grau, dando ensejo a uma situação de supressão de instância. O STJ já teve a oportunidade de pronunciar-se sobre o tema no AgInt. no REsp 1.169.783/60: "O fato superveniente a ser considerado pelo julgador deve guardar pertinência com a causa de pedir e pedido constantes na inicial, não servindo de fundamento para Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 154 478 ==1365fc== alterar os limites da demanda fixados após a estabilização da lide." Por todo o exposto, o Tribunal não poderá reconhecer a violência doméstica como fundamento de fato do pedido de separação. A alternativa A está incorreta. A alternativa parece, num primeiro instante, enquadrar-se na situação apresentada pelo art. 1.014 do CPC: "As questões de fato não propostas no juízo inferior poderão ser suscitadas na apelação, se a parte provar que deixou de fazê-lo por motivo de força maior." No entanto, a doutrina ressalva que tais questões não poderão criar uma nova causa de pedir, não proposta no juízo inferior. Assim, o tribunal não poderá dar provimento ao recurso sob o fundamento da violência doméstica. A alternativa B está incorreta. A violência doméstica constitui causa estranha ao mérito do recurso e, por isso, o tribunal não poderá considerá-la quando do exame do recurso e, assim, não deverá intimar a parte ré para que se manifeste sobre a matéria. A alternativa D está incorreta. Não haverá a baixa dos autos (remessa dos autos ao 1º grau) ao juízo de origem pois a violência doméstica não faz parte da causa de pedir na ação. A alternativa E está incorreta pois o enunciado da questão não apontou nenhum vício formal na apelação. A violência doméstica é matéria de mérito! 4. (FGV/TJ-AL - 2018) O recurso cabível para se impugnar decisão interlocutória proferida em processo de execução é: a) o agravo de instrumento; b) o agravo retido; c) a apelação; d) a rescisória; e) nenhum, pois se trata de provimento irrecorrível. Comentários A alternativa A está correta e é o gabarito da questão. De acordo com o art. 1.015 do Código de Processo Civil: "Também caberá agravo de instrumento contra decisões interlocutórias proferidas na fase de liquidação de sentença ou de cumprimento de sentença, no processo de execução e no processo de inventário." As alternativasB, C, D e E estão incorretas. 5. (FGV/TJ-AL - 2018) Três supostos servidores do Tribunal de Justiça de Alagoas pedem em face do Estado o pagamento de parcela estipendial que entendem devida, e que ainda não receberam, e protestam por prova oral para comprovar seus direitos. Em resposta, o Estado afirma a ilegitimidade de um dos autores e, no mérito, infirma a pretensão deduzida, pois a categoria funcional desses autores não teria o direito à referida verba. Em decisão de saneamento e organização do processo, o juiz exclui o autor do processo, que teve sua legitimidade questionada, e indefere a produção de prova oral para os demais, por entender ser essa espécie de prova desnecessária para o julgamento da causa. Nessa situação, é possível a interposição de: a) agravo de instrumento contra a decisão de exclusão do litisconsorte e do indeferimento da prova oral; b) agravo de instrumento contra a decisão de exclusão do litisconsorte e pedido de esclarecimentos em relação ao indeferimento da prova oral; Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 155 478 c) apelação contra a decisão de exclusão do litisconsorte e agravo de instrumento contra a decisão que indeferiu a prova oral; d) apelação contra decisão de exclusão do litisconsorte e pedido de esclarecimentos em relação ao indeferimento da prova; e) apelação contra a decisão de exclusão do litisconsorte e contra a decisão que indeferiu a prova oral. Comentários A alternativa B está correta e é o gabarito da questão. Prevê o art. 1.015, VI que "cabe agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias que versarem sobre: exclusão de litisconsorte". O art. 357, §1º, por sua vez, fundamenta o pedido de esclarecimentos sobre o indeferimento da prova oral: "Realizado o saneamento, as partes têm o direito de pedir esclarecimentos ou solicitar ajustes, no prazo comum de 5 (cinco) dias, findo o qual a decisão se torna estável." As alternativas A, C, D e E estão incorretas pois não apresentam o correto tratamento legal cabível. 6. (FGV/TJ AL - 2018) Tendo sido formulados na petição inicial dois pedidos, o juiz, após encerrada a fase postulatória, pronunciou, quanto a um deles, a prescrição do direito subjetivo afirmado pelo autor, designando audiência de instrução e julgamento em relação ao outro pedido. Esse capítulo da decisão é impugnável por: a) apelação; b) mandado de segurança; c) agravo de instrumento; d) agravo interno; e) nenhum recurso, pois se trata de matéria irrecorrível antes da sentença. Comentários A alternativa C está correta e é o gabarito da questão. O art. 356 do Código de Processo Civil trata da decisão parcial de mérito e apresenta, no §5º, o recurso cabível contra a decisão proferida nessa situação: Art. 356. O juiz decidirá parcialmente o mérito quando um ou mais dos pedidos formulados ou parcela deles: I - mostrar-se incontroverso; II - estiver em condições de imediato julgamento, nos termos do art. 355. § 5º A decisão proferida com base neste artigo é impugnável por agravo de instrumento. 7. (FGV/MPE RJ - 2018) O juiz, na fase de saneamento e organização de um processo, no qual figuram três empresas particulares, uma no polo ativo, e as outras duas, no passivo, reconhece a ilegitimidade passiva de uma destas, que tinha sido arguida em defesa, e determina o prosseguimento do feito apenas em relação à ré que permaneceu no processo. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 156 478 Inconformada com a referida decisão judicial, pode a autora: a) interpor agravo de instrumento no prazo de 15 dias; b) interpor agravo de instrumento no prazo de 30 dias; c) interpor apelação no prazo de 15 dias; d) interpor apelação no prazo de 30 dias; e) aguardar a prolação da sentença para então apelar da decisão interlocutória anterior. Comentários A alternativa A está correta e é o gabarito da questão. A exclusão de litisconsorte é impugnável por agravo de instrumento (art. 1.015, VII do Código de Processo Civil) a ser interposto no prazo de 15 dias, como prevê o art. 1.003, §5º: Art. 1.015. Cabe agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias que versarem sobre: VII - exclusão de litisconsorte; Art. 1.003. §5º Excetuados os embargos de declaração, o prazo para interpor os recursos e para responder-lhes é de 15 (quinze) dias. 8. (FGV/MPE-RJ - 2019) Em ação coletiva proposta pelo Ministério Público, a sentença julgou improcedente o pedido e o tribunal confirmou a decisão. Opostos embargos de declaração, estes foram rejeitados pelo colegiado. Nesse momento, o representante do Ministério Público detectou que outro tribunal do país decidiu a questão de direito de forma distinta, atribuindo interpretação divergente ao mesmo dispositivo de lei federal. Nessa hipótese, será cabível: a) recurso extraordinário, com repercussão geral presumida, por se tratar de ação coletiva ajuizada pelo Ministério Público; b) incidente de resolução de demandas repetitivas direcionado ao STJ, com a finalidade de uniformizar o entendimento divergente dos tribunais locais; c) embargos de divergência direcionado ao STJ, com a finalidade de uniformizar o entendimento divergente dos tribunais locais; d) recurso especial, fundado em dissídio jurisprudencial, devendo o representante do Ministério Público comprovar a divergência, além de mencionar as circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos confrontados; e) incidente de assunção de competência. Comentários A alternativa D está correta e é o gabarito da questão. O fundamento da alternativa encontra-se no art. 105, III, "c" da Constituição Federal: Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 157 478 Art. 105. Compete ao Superior Tribunal de Justiça: III - julgar, em recurso especial, as causas decididas, em única ou última instância, pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando a decisão recorrida: a) contrariar tratado ou lei federal, ou negar-lhes vigência; b) julgar válido ato de governo local contestado em face de lei federal; c) der a lei federal interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro tribunal. A alternativa A está incorreta. O Recurso Extraordinário (art. 102 da CF) seria cabível, dentre outras hipóteses, se a decisão recorrida contrariasse dispositivo da Constituição. A alternativa B está incorreta. O IRDR - Incidente de Resolução de Demandas Repetitivas (art. 978) exige a multiplicidade de ações. O enunciado deixa claro que só existem duas. A alternativa C está incorreta. Os embargos de divergência (art. 1.043, CPC) destinam-se a evitar divergência interna no próprio STF ou STJ. Como visto no enunciado da questão, o processo ainda não chegou ao STJ. A alternativa E está incorreta. O IAC, como previsto no art. 947 do CPC, "é admissível a assunção de competência quando o julgamento de recurso, de remessa necessária ou de processo de competência originária envolver relevante questão de direito, com grande repercussão social, sem repetição em múltiplos processos". Em instante algum o enunciado fez menção à relevante questão de direito com grande repercussão social. 9. (FGV/MPE AL - 2018) O Tribunal de Justiça negou provimento aos recursos interpostos pelo Ministério Público em ação civil pública ajuizada pela Instituição, o que resultou na improcedência do pedido formulado. No entender do Ministério Público, o acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça negou vigência a lei federal. Para o caso, se preenchidos os demais requisitos exigidos, é cabível a interposiçãode recurso a) extraordinário, a ser julgado pelo Superior Tribunal de Justiça. b) extraordinário, a ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal. c) especial, a ser julgado pelo Superior Tribunal de Justiça. d) ordinário, a ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal. e) especial, a ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal. Comentários A alternativa C está correta e é o gabarito da questão. De acordo com o art. 105, III, "a" da Constituição Federal: Art. 105. Compete ao Superior Tribunal de Justiça: Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 158 478 III - julgar, em recurso especial, as causas decididas, em única ou última instância, pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando a decisão recorrida: a) contrariar tratado ou lei federal, ou negar-lhes vigência; b) julgar válido ato de governo local contestado em face de lei federal; c) der a lei federal interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro tribunal. As alternativas A, B, D e E estão incorretas pois não correspondem ao recurso cabível e ao órgão competente para seu processamento e julgamento. 10. (FGV/TJ-RS - 2020) Tendo sido ajuizada demanda em que se pedia a condenação do réu ao pagamento de obrigação contratual no montante de cem mil reais, O juiz da causa, depois de concluída a instrução, acolheu em parte o pedido do autor, condenando o demandado a lhe pagar a importância de oitenta mil reais. Inconformado, o réu interpôs apelação, pugnando pela reforma integral do julgado, ao passo que o demandante não recorreu. Todavia, ao ser intimado para ofertar contrarrazões recursais, o autor, no prazo de que dispunha para tanto, optou por também aviar a apelação, na modalidade adesiva, em que requeria ao tribunal o acolhimento integral de seu pleito, isto é, a condenação do réu ao pagamento do débito de cem mil reais. Levando-se em conta que, após a interposição do recurso adesivo pela parte autora, o réu desistiu de seu apelo, e que os elementos de prova carreados aos autos demonstravam que o débito do devedor era mesmo de cem mil reais, o Tribunal deverá: a) deixar de conhecer de ambos os recursos; b) conhecer de amos os recursos, negando-lhes provimento; c) conhecer de ambos os recursos, dando provimento ao do autor, mas negando provimento ao do réu; d) conhecer do recurso do autor, dando-lhe provimento, mas deixando de conhecer do recurso do réu; e) conhecer do recurso do autor, negando-lhe provimento, mas deixando de conhecer do recurso do réu. Comentários No caso em tela houve desistência do recurso principal, o que acarreta o não conhecimento do recurso adesivo. Assim, a alternativa A está correta e é o gabarito da questão, conforme prevê o art. 997, §2º, III, do CPC/15: III - não será conhecido, se houver desistência do recurso principal ou se for ele considerado inadmissível. 11. (FGV/DPE-RJ - 2019) No tocante aos recursos, é correto afirmar que: (A) visam à invalidação, reforma, esclarecimento ou integração do pronunciamento jurisdicional impugnado; (B) a sua interposição rende ensejo a instauração de um novo processo; Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 159 478 (C) são interponíveis pelas partes e por terceiros prejudicados, mas não pelo Parquet como fiscal da ordem jurídica; (D) devem ser interpostos, como regra geral, no prazo de 20 dias; (E) a sua desistência, pelo recorrente, só é eficaz caso haja a concordância do recorrido. Comentários Vejamos cada uma das alternativas. A alternativa A está correta e é o gabarito da questão. O recurso é um remédio voluntário e idôneo, apto a ensejar, dentro do mesmo processo, a reforma, a invalidação, a integração ou o esclarecimento da decisão judicial que se impugna. A alternativa B está incorreta. O recurso é julgado no mesmo procedimento, não dá ensejo à formação de um novo. A alternativa C está incorreta. Com base no art. 996, do CPC, o recurso pode ser interposto “pelo Ministério Público, como parte ou como fiscal da ordem jurídica”. A alternativa D está incorreta. Segundo o art. 1.003, § 5º, do CPC, e excetuados os embargos de declaração, o prazo para interpor os recursos e para responder-lhes é de 15 dias. Por fim, incorreta a alternativas E, vez que, conforme, o art. 999, CPC, a renúncia ao direito de recorrer independe da aceitação da outra parte. 12. (FGV/TJ-SC - 2018) Acolhendo o pedido de ressarcimento de danos materiais e reparatório de danos morais, em razão de lesões incapacitantes sofridas pelo autor em acidente de trânsito provocado por culpa do demandado, o juiz, em tópico autônomo da sentença, deferiu a tutela antecipada requerida na petição inicial, para determinar ao réu que, imediatamente, arcasse com o pensionamento mensal em favor do demandante. Esse capítulo do ato decisório é: (A) impugnável em apelação; (B) impugnável em agravo de instrumento; (C) impugnável em recurso extraordinário; (D) impugnável em agravo interno; (E) irrecorrível. Comentários A questão é bem direta e cobra do aluno conhecimentos acerca da apelação. A tutela provisória, apesar do que indica o nome, pode ser concedida na sentença, prolatada com cognição exauriente, sendo o que se depreende, por exemplo, do art. 1.012, § 1º, V. Confiram: Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 160 478 Art. 1.012. A apelação terá efeito suspensivo. § 1o Além de outras hipóteses previstas em lei, começa a produzir efeitos imediatamente após a sua publicação a sentença que: V - confirma, concede ou revoga tutela provisória; Nesses casos, como sabemos, ao invés de ser impugnável por meio de agravo de instrumento (art. 1.015, I, do CPC), a tutela provisória o será por meio de apelação, já que estamos falando do recurso que se opõe a sentença (art. 1.009, do CPC). Art. 1.009. Da sentença cabe apelação. Diante disso, nosso gabarito só pode ser a alternativa A. As demais alternativas, apresentam recursos incompatíveis com a decisão a ser impugnada. 13. (FGV/TJ-SC - 2018) João propôs uma demanda indenizatória em face da José, cumulando os pedidos de ressarcimento de dano material de dez mil reais e reparação de dano moral de cinquenta mil reais. Após a audiência de conciliação infrutífera, José reconheceu a procedência do pedido de ressarcimento de dano material, pois realmente causou prejuízo afirmado por João. Todavia, entendeu que não assistia direito a qualquer reparação de dano moral. Nesse sentido, protestou pela produção de prova oral para provar suas alegações. O juiz, em julgamento antecipado parcial do mérito, julgou procedente o referido pedido de dano material, uma vez que este se mostrou incontroverso, e determinou a produção de prova oral em relação ao pedido de reparação de dano moral alegado. Nesse cenário, é correto afirmar que: a) a cumulação de pedidos no caso é sucessiva, uma vez que é lícita e não há vínculo prejudicial entre os pedidos; b) a decisão que reconheceu o dano material não é impugnável imediatamente, devendo-se aguardar a decisão final de mérito; c) a decisão em relação ao dano material é impugnável por relação, já que se trata de resolução do mérito deste pedido; d) é possível o enfrentamento do mérito integral, podendo ser concedida a antecipação da tutela do pedido referido de dano material; e) a decisão que julgou procedente o pedido de ressarcimento de dano material é impugnável por agravo de instrumento, no prazo de 15 dias úteis. Comentários A alternativa A está incorreta, pois trata-se de cumulação simples. A alternativacom o novo CPC, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2016, 478. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 8 478 Os fatos impeditivos do direito de recorrer ocorrem quando a parte estiver proibida de falar nos autos, tal como ocorre, por exemplo, em face de uma sanção por abuso processual ou litigância de má-fé. Os fatos extintivos do direito de recorrer são a renúncia à faculdade recursal, melhor estudada adiante, ou a aquiescência expressa ou tácita à decisão e à preclusão consumativa. Nesse pressuposto, portanto, analisaremos a ocorrência da desistência e da renúncia, previstos nos arts. 998 e 999, ambos do CPC. Por ora basta saber que a desistência poderá ocorrer quando já interposto o recurso, ao passo que a renúncia ocorre antes da interposição do recurso quando a parte prontamente abre mão do direito de recorrer, tão logo cientificada do teor da decisão. REQUISITOS EXTRÍNSECOS (1) tempestividade recursal A tempestividade, que será analisada no art. 1.003, do CPC, refere-se à interposição do prazo no tempo correto, ou seja, no período previsto, no CPC, como o tempo oportuno para que a parte interessada em recorrer exerça a prerrogativa processual. (2) regularidade formal De acordo com a doutrina4, O recurso precisa adequar-se a certas exigências formais para que possa ser admitido. Vigoram os princípios da tipicidade mitigada e da instrumentalidade dos atos processuais. Mas há parâmetros mínimos que a petição recursal precisa observar, sob pena de inviabilizar até mesmo em termos práticos a possibilidade de compreensão da questão pelo órgão julgador do recurso. A regularidade formal refere-se à dialeticidade recursal, que constitui a existência de diálogo entre as partes quando da interposição do recurso. Desse modo, uma vez apresentado o recurso, a parte contrária é intimada para equilibrar essa relação com a apresentação das contrarrazões recursais. Assim, todo recurso deve ser formulado por intermédio de uma petição, no qual irá combater a decisão recorrida, com indicação dos motivos de fato e de direito que levam à pretensão de novo julgamento da matéria já julgada. Além disso, exige-se, para regularidade formal do processo, a intimação da parte contrária para as contrarrazões. (3) preparo 4 WAMBIER, Luiz Rodrigues e TALAMINI, Eduardo. Curso Avançado de Processo Civil, vol. 2, 16ª edição, reform. e ampl. com o novo CPC, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2016, 484. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 9 478 O preparo5 consiste no pagamento das custas processuais incidentes sobre aquela espécie recursal, e a respectiva comprovação no ato de interposição recursal. O preparo, que será estudado adiante, está previsto no art. 1.007, do CPC, e refere-se ao pagamento das custas para o processamento do recurso nos tribunais. Em síntese... PRESSUPOSTOS RECURSAIS REQUISITOS INTRÍNSECOS REQUISITOS EXTRÍNSECOS Ä cabimento/adequação: ato impugnado suscetível de ataque legitimidade: parte vencida, terceiro prejudicado e MP na qualidade de fiscal da ordem jurídica (o amicus curie pode ingressar apenas com embargos de declaração e IRDR) interesse: demonstração da necessidade de ajuizamento do recurso e a adequação do expediente recursal escolhidos. inexistência de: ➢ fato impeditivo: parte proibida de falar nos autos (ex. abuso processual e litigância de má-fé) ou desistência; e ➢ extintivo: renúncia e aquiescência à decisão. tempestividade recursal: prazo (em regra, 15 dias) regularidade formal: exigências formais para que possa ser admitido preparo: pagamento das custas processuais incidentes sobre aquela espécie recursal, e a respectiva comprovação no ato de interposição recursal. Disposições Gerais Conceito e natureza jurídica dos recursos O recurso é um remédio voluntário e idôneo, apto a ensejar, dentro do mesmo processo, a reforma, a invalidação, a integração ou o esclarecimento da decisão judicial que se impugna. Apenas para esclarecer, o recurso: 5 WAMBIER, Luiz Rodrigues e TALAMINI, Eduardo. Curso Avançado de Processo Civil, vol. 2, 16ª edição, reform. e ampl. com o novo CPC, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2016, 485. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 10 478 é voluntário porque depende da vontade da parte. deve ser idôneo, ou seja, ser cabível e estar no rol do art. 994, do CPC. Ele tem por finalidade a revisão da decisão recorrida – o que abrange sua reforma (mudança do seu conteúdo), sua cassação (invalidação, para que outra venha a ser posteriormente proferida em seu lugar), complemento (integração) de omissões, esclarecimento de contradições e obscuridades ou a correção de erros materiais6. O recurso possui natureza jurídica de faculdade, revestida de um ônus (obrigação). Caso a parte pretenda alterar o conteúdo da decisão, deverá interpor um recurso (faculdade). Ao mesmo tempo, se a parte pretender a reforma da decisão, a única forma de obtê-la é por intermédio do recurso (ônus). Antes de iniciarmos a análise dos dispositivos do CPC, é importante que você tenha em mente que há um sistema de impugnação de decisões judiciais que compreende recursos, ações autônomas e sucedâneos recursais. As ações autônomas são instrumentos de impugnação da decisão judicial pelo qual se dá origem a um processo novo, que tem por objetivo interferir ou atacar decisões judiciais. Essas ações autônomas podem se desenvolver de forma concomitante com o processo principal, mas temos exceções, como é o caso da ação rescisória, que é feita posteriormente ao julgamento da ação principal. O mesmo ocorre em relação à querela nulitatis, que tem por finalidade atacar vícios transrescisórios. Por exemplo, nulidade de citação após o decurso do prazo de 2 anos para ajuizar ação rescisória. Os sucedâneos recursais são todos os meios de impugnação da decisão judicial que não se constitui nem em um recurso, nem em uma ação autônoma, a exemplo da remessa necessária que é condição de eficácia de sentença. Outro exemplo é o pedido de reconsideração de sentença. Para a prova... 6 WAMBIER, Luiz Rodrigues e TALAMINI, Eduardo. Curso Avançado de Processo Civil, vol. 2, 16ª edição, reform. e ampl. com o novo CPC, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2016, 469. CONCEITO DE RECURSO O recurso é um remédio voluntário e idôneo, apto a ensejar dentro do mesmo processo a reforma, a invalidação, a integração ou o esclarecimento da decisão judicial que se impugna. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 11 478 Espécies O art. 994, do CPC, discrimina as espécies recursais. Confira: Art. 994. São cabíveis os seguintes recursos: I - apelação; II - agravo de instrumento; III - agravo interno; IV - embargos de declaração; V - recurso ordinário; VI - recurso especial; VII - recurso extraordinário; VIII - agravo em recurso especial ou extraordinário; IX - embargos de divergência. É fundamental que você memorize todas essas espécies recursais. R EC U R SO S apelação agravo de instrumento agravo interno embargos de declaração recurso ordinário recurso extraordinário Recurso Especial agravo em recurso especial ou extraordinário embargos de divergência Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 12 478B está incorreta. A decisão que reconheceu o dano material é impugnável por agravo de instrumento, nos termos do art. 356, §5º, do CPC. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 161 478 A alternativa C está incorreta. Não cabe apelação, pois não há encerramento da fase de cognição. A alternativa D está incorreta. De acordo com o art. 356, I, do CPC, o juiz decidirá parcialmente o mérito quando um ou mais dos pedidos formulados ou parcela deles mostrar-se incontroverso. A alternativa E está correta e é o gabarito da questão, com base no art. 356, §5º, combinado com o art. 1.015, II, da Lei nº 13.105/15: Art. 356. § 5o A decisão proferida com base neste artigo é impugnável por agravo de instrumento. Art. 1.015. Cabe agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias que versarem sobre: II - mérito do processo; 14. (FGV/ALERJ - 2017) Diante da disciplina recursal estabelecida na Lei nº 13.105/2015, é correto afirmar que: a) foi mantida a possibilidade de sustentação oral na sessão de julgamento do recurso de apelação, apenas aumentando o prazo de quinze para vinte minutos para cada expositor; b) é cabível a sustentação oral no julgamento de agravo interno interposto contra a decisão monocrática do relator que indefere a petição inicial de ação rescisória; c) para o prosseguimento no julgamento da apelação, consoante a técnica prevista no artigo 942, é necessário que o voto majoritário na divergência esteja em sentido oposto à tese adotada na sentença; d) a sentença proferida na primeira fase da ação de exigir contas produz efeitos logo após a sua publicação, pois a respectiva apelação não tem efeito suspensivo; e) continua sendo cabível a interposição de recurso ordinário ao Superior Tribunal de Justiça no julgamento de mérito de mandado de segurança da competência originária do Tribunal de Justiça, quando a ordem for concedida. Comentários A alternativa A está incorreta. Com base no art. 937, I, do CPC, o prazo continua de 15 minutos para cada um. Art. 937. Na sessão de julgamento, depois da exposição da causa pelo relator, o presidente dará a palavra, sucessivamente, ao recorrente, ao recorrido e, nos casos de sua intervenção, ao membro do Ministério Público, pelo prazo improrrogável de 15 (quinze) minutos para cada um, a fim de sustentarem suas razões, nas seguintes hipóteses, nos termos da parte final do caput do art. 1.021: I - no recurso de apelação; A alternativa B é correta e gabarito da questão, conforme prevê o art. 937, VI, combinado com o §3º, da Lei nº 13.105/15: Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 162 478 Art. 937. Na sessão de julgamento, depois da exposição da causa pelo relator, o presidente dará a palavra, sucessivamente, ao recorrente, ao recorrido e, nos casos de sua intervenção, ao membro do Ministério Público, pelo prazo improrrogável de 15 (quinze) minutos para cada um, a fim de sustentarem suas razões, nas seguintes hipóteses, nos termos da parte final do caput do art. 1.021: VI - na ação rescisória, no mandado de segurança e na reclamação; § 3o Nos processos de competência originária previstos no inciso VI, caberá sustentação oral no agravo interno interposto contra decisão de relator que o extinga. A alternativa C está incorreta. De acordo com o art. 942, da referida Lei, é exigido apenas que o julgamento seja não unânime. Art. 942. Quando o resultado da apelação for não unânime, o julgamento terá prosseguimento em sessão a ser designada com a presença de outros julgadores, que serão convocados nos termos previamente definidos no regimento interno, em número suficiente para garantir a possibilidade de inversão do resultado inicial, assegurado às partes e a eventuais terceiros o direito de sustentar oralmente suas razões perante os novos julgadores. A alternativa D está incorreta. Segundo a doutrina, o pronunciamento que julga a primeira fase da ação de exigir contas, reconhecendo o dever de prestá-las, tem natureza de decisão interlocutória, sendo, por isso, impugnável por agravo de instrumento. A alternativa E está incorreta. Nos termos do art. 1.027, II, “a”, do CPC, o recurso ordinário para o Superior Tribunal de Justiça somente terá cabimento quando a decisão denegar a segurança, e não quando concedê- la. Art. 1.027. Serão julgados em recurso ordinário: II - pelo Superior Tribunal de Justiça: a) os mandados de segurança decididos em única instância pelos tribunais regionais federais ou pelos tribunais de justiça dos Estados e do Distrito Federal e Territórios, quando denegatória a decisão; 15. (FGV/COMPESA - 2016) A respeito dos processos nos tribunais e os meios de impugnação das decisões judiciais, assinale a afirmativa incorreta. a) O recurso pode ser interposto pela parte vencida, pelo Ministério Público, como parte ou como fiscal da ordem jurídica e pelo terceiro prejudicado, cabendo a este demonstrar a possibilidade de a decisão sobre a relação jurídica submetida à apreciação judicial atingir direito de que se afirme titular ou que possa discutir em juízo como substituto processual. b) A parte que aceitar expressa ou tacitamente a decisão não poderá recorrer e considera-se aceitação tácita a prática, sem nenhuma reserva, de ato incompatível com a vontade de recorrer. c) As questões resolvidas na fase de conhecimento, se a decisão a seu respeito não comportar agravo de instrumento, não são cobertas pela preclusão e devem ser suscitadas em preliminar de apelação, eventualmente interposta contra a decisão final, ou nas contrarrazões. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 163 478 d) Cabe agravo de instrumento contra decisões interlocutórias proferidas na fase de liquidação de sentença ou de cumprimento de sentença, no processo de execução e no processo de inventário. e) Contra decisão monocrática proferida pelo relator caberá agravo interno para o respectivo órgão colegiado, não podendo o relator se retratar. Comentários A alternativa A está correta, com base no art. 996, do CPC. O recurso poderá ser interposto tanto pela parte vencida quanto pelo MP e pelo terceiro prejudicado. Note que, quanto ao terceiro, é necessária a demonstração de que é titular de direito atingido pela decisão. Art. 996. O recurso pode ser interposto pela parte vencida, pelo terceiro prejudicado e pelo Ministério Público, como parte ou como fiscal da ordem jurídica. Parágrafo único. Cumpre ao terceiro demonstrar a possibilidade de a decisão sobre a relação jurídica submetida à apreciação judicial atingir direito de que se afirme titular ou que possa discutir em juízo como substituto processual. A alternativa B está correta, segundo o art. 1.000. A aceitação da decisão impede o recurso. Para considerar que a decisão foi aceita pela parte é necessário que tenha praticado um ato incompatível com o desejo de recorrer. Por exemplo, se a parte paga o que é determinado em sentença não poderá recorrer, pois houve aceitação da decisão. Art. 1.000. A parte que aceitar expressa ou tacitamente a decisão não poderá recorrer. Parágrafo único. Considera-se aceitação tácita a prática, sem nenhuma reserva, de ato incompatível com a vontade de recorrer. A alternativa C está correta, conforme prevê o art. 1.009, §1º. As questões das quais cabe agravo de instrumento não sofrem preclusão, podendo ser suscitadas em recurso de apelação. Isso significa dizer que, se a parte não quiser, por qualquer razão, impugnar decisão com o recurso de agravo de instrumento, ainda poderá impugná-la em apelação. § 1o As questões resolvidas na fase de conhecimento,Pergunta-se: Existem outras espécies recursais para além dessas? Sim, existem. Não estão no CPC, mas podem existir em leis específicas, a exemplo dos embargos infringentes da Lei nº 6.830/1980 (Lei de Execução Fiscal), recurso inominado previsto na Lei nº 9.099/1995 (Lei dos Juizados Especiais). Contudo... Disso decorre o pressuposto de admissibilidade e cabimento/adequação, no sentido de que sempre haverá um recurso cabível para atacar ou interferir em determinada decisão judicial. Assim, haverá possibilidade de recorrer nas situações expressamente previstas para determinadas situações processuais específicas. Efeitos recursais O art. 995, do CPC, trata dos efeitos dos recursos. De acordo com a doutrina, a admissão (conhecimento) de determinado recurso, para que seja processado, gera uma série de efeitos. A doutrina elenca vários efeitos recursais: Vamos compreender cada um deles! (1) EFEITO DEVOLUTIVO O art. 994 é taxativo em relação ao CPC EFEITOS DOS RECURSOS devolutivo suspensivo translativo expansivo obstativo substitutivo Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 13 478 Em regra, os recursos possuem apenas efeito devolutivo. Segundo a doutrina7, pelo efeito devolutivo, será devolvida ao conhecimento do tribunal toda a matéria efetivamente impugnada pela parte em seu recurso (tantum devolutum quantum appellatum). O efeito devolutivo significa a devolução da matéria para reexame. A interposição do recurso tem por objetivo provocar o reexame da matéria recorrida, fator comum a todos os recursos. Não obstante essa devolução das questões a serem apreciadas pelo tribunal, proíbe-se que julgamento em sede de recurso seja mais prejudicial à parte que a decisão originária. Veda-se, assim, a reformatio in pejus. Registre-se que o efeito devolutivo é comum a TODOS os recursos. Ainda em relação ao efeito devolutivo dos recursos, distingue-se a extensão e a profundidade desses efeitos. Vamos com calma! A extensão do efeito devolutivo refere-se aos pontos ou às questões recorridas. Somente podem ser analisados pelo tribunal os pontos que foram objeto de recurso pela parte. Por exemplo, a parte formula três pedidos (A, B e C). O magistrado de primeiro grau defere apenas o pedido A. A parte autora poderá recorrer para buscar a reforma da decisão em relação aos pedidos B e C, mas decide recorrer apenas em relação ao pedido C. Nesse caso, em razão da extensão do efeito devolutivo, apenas o pedido C poderá ser objeto de nova análise pelo órgão colegiado. Quem delimita a extensão do efeito devolutivo – ou dito de forma simples que pontos exatos pretende reforma – é a parte recorrente. Por outro lado, temos que analisar a profundidade do efeito devolutivo que atua verticalmente e não horizontalmente, tal como vimos em relação à extensão do efeito devolutivo. Pela regra da profundidade entende-se que, em relação àquele ponto recorrido, deve o tribunal conhecer de todas as questões suscitadas em primeiro grau, independentemente de terem sido decididas ou não, e de todas as questões de ordem pública, mesmo que não tenham sido suscitadas pela parte ou percebidas pelo magistrado na origem. Retomando o exemplo, em relação ao pedido C, objeto do recurso da parte autora, o tribunal deverá levar em consideração todas as questões suscitadas em primeiro grau, ainda que não analisadas pelo magistrado de primeira instância, além de ter o dever de conhecer todas as questões de ordem pública afetas àquele caso. Assim, ao passo que, em relação à extensão do efeito devolutivo, o tribunal está circunscrito horizontalmente pelo objeto do recurso formulado pelas partes; e em relação àqueles pontos que foram objeto de recurso, o órgão colegiado terá ampla liberdade para analisar questões suscitadas e matéria de ordem pública não analisada. 7 MARINONI, Luiz Guilherme, ARENHART, Sérgio Cruz e MITIDIERO, Daniel. Código de Processo Civil Comentado, 2ª edição, rev., ampl. e atual., São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2016, p. 1053. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 14 478 Assim... (2) EFEITO TRANSLATIVO Temos algumas matérias que podem ser conhecidas de ofício e a qualquer tempo no processo. Desse modo, mesmo que tais matérias não tenham sido alegadas pela parte recorrente, é possível que sejam analisadas pelo tribunal quando da interposição do recurso. A esse fenômeno chama-se de efeito translativo do recurso. (3) EFEITO SUSPENSIVO Durante o tramite recursal, a regra é que a sentença produza efeitos, o que acarreta a sua aplicação. Assim, os recursos não possuem, em regra, efeito suspensivo. Contudo, é possível que haja disposição legal (ex lege) em sentido diverso, ou até mesmo decisão judicial (ope judicis), que confira efeito suspensivo ao recurso, de modo que a sentença não produza efeitos enquanto pendente o julgamento do recurso. O art. 995, do CPC, disciplina que o relator poderá conceder efeito suspensivo ao recurso nas seguintes situações: risco de dano grave, de difícil ou impossível reparação; E demonstração de probabilidade de provimento do recurso. Confira: Art. 995. Os recursos NÃO impedem a eficácia da decisão, SALVO disposição legal ou decisão judicial em sentido diverso. PROFUNDIDADE E EXTENSÃO DO EFEITO DEVOLUTIVO extensão delimitação do objeto do recurso pela parte recorrente horizontal profundidade possibilidade de reanálise de todas as questões suscitadas ou de ordem pública vertical Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 15 478 Parágrafo único. A eficácia da decisão recorrida poderá ser suspensa por decisão do relator, se da imediata produção de seus efeitos houver risco de dano grave, de difícil ou impossível reparação, E ficar demonstrada a probabilidade de provimento do recurso. Importante destacar que o art. 1.026, §1º, do CPC, traz regra semelhante. Contudo, há uma diferença importante. No caso do art. 995, parágrafo único, do CPC, são dois requisitos cumulativos. Vale dizer, se presentes ambos, admite-se a concessão de efeito suspensivo à sentença. No caso do art. 1.026, §1º, do CPC, que disciplina os embargos de declaração, os mesmos requisitos estão previstos, contudo, são alternativos. Basta um ou outro para que tenhamos a suspensão da decisão atacada. Na sequência, veja questão de prova que trata do art. 995, do CPC: (DPE-ES - 2016) Sobre o sistema recursal no novo Código de Processo Civil, julgue: Os recursos não impedem a eficácia da decisão, salvo disposição legal ou decisão judicial em sentido diverso, mas a apelação, como regra, tem efeito suspensivo. Comentários A assertiva está correta. O art. 995 estabelece que os recursos devem ser recebidos somente no efeito devolutivo. Já o art. 1.012, caput, afirma que a apelação terá efeito suspensivo. Para encerrar: (4) EFEITO SUBSTITUTIVO CONCEDE-SE EFEITO SUSPENSIVO quando risco de dano grave, de difícil ou impossível reparação; E demonstração de probabilidade de provimento do recurso. pelo relator Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 16 478 ==1365fc== O resultado do acórdão no julgamento do recurso substituirá os efeitos da decisão anterior, tal como prevê o art. 1.008, do CPC. Entende-se que a interposição do recurso implica a prevalência do acórdão em face da sentença em relação aos efeitos. Segundo a doutrina8, conhecido o recurso, a decisão do órgão recursal substitui decisãorecorrida, obviamente no que essa tiver sido objeto do recurso. (5) EFEITO OBSTATIVO Entende-se que o recurso impede o trânsito em julgado da decisão recorrida. Assim, podemos a afirmar que o recurso prolonga o estado de litispendência do processo em nova instância. De acordo com a doutrina9, a simples interposição de determinado recurso obsta a formação da preclusão máxima – também chamada pela doutrina de coisa julgada formal. (6) EFEITO REGRESSIVO É o efeito que autoriza o órgão prolator da decisão a se retratar. É a possibilidade de o juiz prolator da decisão recorrida (sentença ou interlocutória) “voltar atrás” e modificar a sentença, retratando-se. Isso ocorre, por exemplo, na hipótese de indeferimento da petição inicial no julgamento de improcedência liminar do pedido, entre outras hipóteses. Esse efeito não é comum a todas as espécies recursais. No recurso de apelação, por exemplo, o Código o prevê em três hipóteses: na sentença de indeferimento da petição inicial (art. 331), na sentença de improcedência liminar (art. 332, § 3º) e no caso de sentença terminativa (485, § 7º). (7) EFEITO EXPANSIVO A decisão nos recursos atinge, em regra, apenas as partes, contudo, em determinadas situações, o recurso terá efeito para além dos limites das partes e de outros atos processuais ao longo do processo. Em síntese, a ideia do efeito expansivo é proporcionar, com o julgamento do recurso, de decisão mais abrangente que o próprio mérito do recurso, vale dizer, que a matéria impugnada pelas partes. Didaticamente, a doutrina diferencia o efeito expansivo em objetivo e subjetivo. ➢ Efeito expansivo subjetivo: terceiros afetados pela decisão, tal como ocorre em relação ao litisconsorte (art. 1.005, do CPC). É o efeito por intermédio do qual a decisão decorrente do recurso pode, ou não, atingir outras pessoas para além do recorrente e recorrido. 8 MARINONI, Luiz Guilherme, ARENHART, Sérgio Cruz e MITIDIERO, Daniel. Código de Processo Civil Comentado, 2ª edição, rev., ampl. e atual., São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2016, p. 1054. 9 MARINONI, Luiz Guilherme, ARENHART, Sérgio Cruz e MITIDIERO, Daniel. Código de Processo Civil Comentado, 2ª edição, rev., ampl. e atual., São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2016, p. 1054. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 17 478 ➢ Efeito expansivo objetivo: ainda se verifica o efeito expansivo quando, em face da decisão dos recursos, temos afetados outros atos processuais. Esse efeito expansivo objetivo pode ser interno ou externo. Veja alguns exemplos citados pela doutrina10: o acolhimento de preliminar de litispendência, que atinge toda a sentença impugnada (interno); o provimento de agravo e instrumento que atinge os demais atos processuais praticados após a interposição (externo). Vamos sintetizar as principais informações referente aos efeitos dos recursos?! EFEITOS DOS RECURSOS Ä EFEITO DEVOLUTIVO: será devolvida ao conhecimento do tribunal toda a matéria efetivamente impugnada pela parte em seu recurso (tantum devolutum quantum appellatum). ➢ EXTENSÃO DO EFEITO DEVOLUTIVO: delimitação do objeto do recurso pela parte recorrente (horizontal) ➢ PROFUNDIDADE DO EFEITO DEVOLUTIVO: possibilidade de reanálise de todas as questões suscitadas ou de ordem pública (vertical) EFEITO TRANSLATIVO: efeito que viabiliza a análise a qualquer tempo de matérias cognoscíveis de ofício ainda que não tenham sido analisadas pelo juiz ou alegadas pela parte. EFEITO SUSPENSIVO: forma de evitar a produção de efeitos da decisão atacada enquanto estiver pendente o julgamento do recurso. ➢ pode ser: o ope legis: quando expressamente previsto na legislação. o ope judicis: concedido pelo relator quando ▪ risco de dano grave, de difícil ou impossível reparação; E ▪ demonstração de probabilidade de provimento do recurso. EFEITO SUBSTITUTIVO: julgamento do recurso substituirá os efeitos da decisão anterior. EFEITO OBSTATIVO: o recurso impede o trânsito em julgado da decisão recorrida. EFEITO REGRESSIVO: possibilidade de o juiz prolator da decisão recorrida (sentença ou interlocutória) “voltar atrás” e modificar a sentença, retratando-se. EFEITO EXPANSIVO: o recurso terá efeito para além dos limites das partes (subjetivo) e de outros atos processuais ao longo do processo (objetivo). Legitimidade recursal A legitimidade recursal é pressuposto intrínseco de admissibilidade do recurso, pois diz respeito ao poder de recorrer. Em relação à legitimidade recursal compete analisar quem poderá ingressar com o recurso. O art. 996, do CPC, determina quem pode recorrer: 10 DONIZETTI, Elpídio. Curso Didático de Direito Processual Civil. 21ª edição, rev., ampl. e atual., São Paulo: Editora Atlas S/A, 2018, p. 1378 Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 18 478 a parte vencida; o terceiro prejudicado; ou o Ministério Público (como parte ou como fiscal da ordem jurídica). Em relação ao “terceiro prejudicado”, o CPC esclarece que, quando o terceiro recorrer, ele deverá demonstrar que a decisão, na forma como está, poderá prejudicá-lo, atingindo direito do qual é titulado ou que possa ser discutido em juízo. A doutrina, a partir da análise da jurisprudência do STJ, cita vários exemplos de terceiros prejudicados que podem recorrer. São eles: Nos casos acima, ainda que não façam parte do processo originário, o servidor nomeado, proprietário dos bens constritos e sócio são terceiros juridicamente prejudicados e poderão recorrer da decisão que lhes for desfavorável. Vamos ler o dispositivo?! Art. 996. O recurso pode ser interposto pela parte vencida, pelo terceiro prejudicado e pelo Ministério Público, como parte ou como fiscal da ordem jurídica. Parágrafo único. Cumpre ao terceiro demonstrar a possibilidade de a decisão sobre a relação jurídica submetida à apreciação judicial atingir direito de que se afirme titular ou que possa discutir em juízo como substituto processual. Para arrematar a compreensão do parágrafo único acima, vamos analisar um exemplo. O autor ingressa em juízo para pleitear o despejo por inadimplemento dos aluguéis. O réu, por sua vez, subloca o imóvel a um terceiro e há, ainda, um segundo terceiro que foi escolhido como fiador do réu. O processo tramita e a decisão é no sentido da rescisão contratual e indenização no valor de R$ 50.000,00. Pergunta-se: os terceiros envolvidos – sublocatário e fiador – podem recorrer da sentença na qualidade e na forma do parágrafo único acima? Evidentemente que sim! Ambos exercem direitos que estão intrinsecamente relacionados com a sentença que decretou a rescisão do contrato e a indenização. Como são várias pessoas legitimadas a recorrer, é possível que ocorra, na prática, mais de um recurso em razão da mesma sentença. Nesse contexto, o art. 997, do CPC, caracteriza esses recursos múltiplos como independentes. Não obstante a regra acima, temos algumas informações importantes e uma exceção à independência do recurso. Servidor nomeado, diante da decisão que anula o concurso no qual foi aprovado, proferida em processo de que não participou. Aquele que teve seus bens constritos em processo judicial de que não participou. O sócio diante da sociedade que decreta a falência da sociedade que integrou. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 19 478 Veja: Art. 997. Cada parte interporá o recurso independentemente, no prazo e com observância das exigências legais. § 1o Sendo vencidos autor e réu, ao recurso interposto por qualquer deles poderáaderir o outro. § 2o O recurso adesivo fica subordinado ao recurso independente, sendo-lhe aplicáveis as mesmas regras deste quanto aos requisitos de admissibilidade e julgamento no tribunal, SALVO disposição legal diversa, observado, ainda, o seguinte: I - será dirigido ao órgão perante o qual o recurso independente fora interposto, no prazo de que a parte dispõe para responder; II - será admissível na apelação, no recurso extraordinário e no recurso especial; III - NÃO será conhecido, se houver desistência do recurso principal ou se for ele considerado inadmissível. Vamos começar pela exceção! A exceção à independência do recurso é o recurso adesivo. Na realidade, esse “recurso adesivo” não constitui propriamente uma espécie de recurso, mas forma de interposição do recurso. Nesse contexto, explicita o inc. II, do §2º, do art. 944, acima citado, que podem ser interpostos de forma adesiva os recursos de apelação, recurso extraordinário e recurso especial. Assim, quando estivermos falando em recurso adesivo, na realidade, a espécie recursal é APELAÇÃO, RExt ou REsp. Para a prova... A informação acima é essencial para a prova. Contudo, devemos nos atentar para alguns detalhes: FORMA ADESIVA DE INTERPOSIÇÃO É POSSÍVEL EM: apelação RExt REsp Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 20 478 O recurso adesivo deve ser dirigido ao órgão perante o qual o recurso independente fora interposto, no prazo de que a parte dispõe para responder. Assim, se a parte tem prazo de 15 dias para contra-arrazoar, poderá, nesses mesmos 15 dias, apresentar o recurso adesivo. O recurso adesivo não será conhecido se houver desistência do recurso principal ou se ele for considerado inadmissível. Note que o recurso adesivo, ao contrário da regra, é DEPENDENTE (subordinado) ao recurso originariamente interposto ao qual recorreu na forma adesiva. Sobre o recurso adesivo lembre-se: Desistência e renúncia Esses assuntos estão disciplinados nos arts. 998 e 999, ambos do CPC, e abordam pressupostos recursais intrínsecos dos recursos. Devemos, inicialmente, diferenciá-los. A primeira informação que você deve levar para a prova é que tanto na desistência como na renúncia NÃO há necessidade de anuência da parte contrária. São atos unilaterais de vontade. A desistência está disciplinada no art. 998, do CPC: Art. 998. O recorrente poderá, a qualquer tempo, sem a anuência do recorrido ou dos litisconsortes, desistir do recurso. Parágrafo único. A desistência do recurso NÃO impede a análise de questão cuja repercussão geral já tenha sido reconhecida e daquela objeto de julgamento de recursos extraordinários ou especiais repetitivos. • Forma adesiva de interposição do: recurso apelação; RExt; e REsp. • Deve ser dirigido ao órgão perante o qual o recurso independente fora interposto, no prazo de que a parte dispõe para responder. • Não será conhecido se houver desistência do recurso principal ou se ele for considerado inadmissível. RECURSO ADESIVO Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 21 478 A desistência é um fato impeditivo do direito de recorrer. A desistência poderá ocorrer a qualquer tempo. Não obstante o termo, é importante definir até que momento se considera admissível a desistência. Esse “a qualquer tempo” já foi definido pela jurisprudência como um dia antes da sessão de julgamento ou como o início da leitura do voto do relator. Outro entendimento é no sentido de que o “a qualquer tempo” tem como limite a data em que os autos ingressam no tribunal. Não há um posicionamento consolidado nesse sentido e, para fins de prova, sugere-se memorizar a literalidade do dispositivo legal. Além disso, o parágrafo único traz uma regra específica que envolve a repercussão geral. A desistência do recurso não tem o condão de impedir a análise da repercussão geral reconhecida em recursos extraordinários ou especiais repetitivos. Isso ocorre porque no caso de reconhecimento da repercussão geral transcende o mero interesse das partes. Então, prevalece o interesse público nesses casos. No art. 999, do CPC, temos a disciplina da renúncia: Art. 999. A renúncia ao direito de recorrer independe da aceitação da outra parte. A renúncia do direito de recorrer ocorre, necessariamente, antes da interposição do recurso. Embora no prazo recursal, a parte afirma expressamente que não irá recorrer. Assim, a renúncia constitui fato extintivo do direito de recorrer. Em síntese... Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 22 478 Além das regras acima estudadas, a aceitação, expressa ou tácita, da decisão pelas partes impede o direito de recorrer, segundo prevê o caput do art. 1.000, do CPC. A aceitação expressa é aquela manifestada por escrito ou oralmente em audiência. A aceitação tácita, por sua vez, é aquela na qual a parte pratica determinado ato incompatível com a vontade de recorrer. Por exemplo, com a sentença condenatória da obrigação de entregar coisa a parte efetua a entrega conforme posto em sentença e, em seguida, recorre da decisão. Veja: Art. 1.000. A parte que aceitar expressa ou tacitamente a decisão NÃO poderá recorrer. Parágrafo único. Considera-se aceitação tácita a prática, sem nenhuma reserva, de ato incompatível com a vontade de recorrer. Dispositivos diversos O art. 1.001, do CPC, traz uma regra simples, que já estudamos. Como sabemos, é possível recorrer apenas de atos decisórios, sentenças ou decisões interlocutórias. NÃO É POSSÍVEL RECORRER DE DESPACHOS! Art. 1.001. Dos despachos NÃO cabe recurso. Além disso, de acordo com o art. 1.002, do CPC, admite-se a impugnação total ou parcial do recurso. Por exemplo, ainda que a parte tenha efetuado 10 pedidos, se o magistrado reconhecer apenas 5 deles, é possível recorrer dos outros 5 pedidos. Se o recurso for total, a parte recorrerá em face de todos os pedidos desfavoráveis (os cinco!) ou apenas de parte deles. Art. 1.002. A decisão pode ser impugnada no todo ou em parte. Em relação ao art. 1.003, do CPC... RENÚNCIA parte abre mão da faculdade de recorrer, manifestada por petição ou em audiência anterior ao recurso unilateral (independe de aquiescência da parte contrária) não há homologação efeito: trânsito em julgado da sentença DESISTÊNCIA parte manifesta vontade de não prosseguir com o recurso após o recurso unilateral (independe de aquiescência da parte contrária) não há homologação efeito: trânsito em julgado da sentença Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 23 478 O dispositivo trata do prazo para interposição dos recursos e, mais especificamente, da contagem do prazo para recorrer. Compreender o início do prazo é relevante para definir a tempestividade, que trata de pressuposto de admissibilidade extrínseco do processo. A regra para o início do prazo é a intimação. INTIMADA A PARTE, CONSIDERA-SE INICIADO O PRAZO! Assim, se iniciará a contagem do prazo quando o advogado, a sociedade de advogados, a Advocacia Pública, a Defensoria Pública ou o Ministério Público forem intimados da decisão. Assim: Se a decisão for proferida em audiência, considera-se intimada a parte no ato; Se proferida a decisão e as partes forem intimadas por carta registrada, considera-se dia do começo do prazo a data de juntada aos autos do aviso de recebimento. Ä Se proferida a decisão e as partes forem intimadas por oficial de justiça, considera-se dia do começodo prazo a data de juntada aos autos do mandado cumprido. Se proferida a decisão e as partes forem intimadas por ato do escrivão ou do chefe de secretaria, considera-se intimada na data de ocorrência da citação ou da intimação. Se proferida a decisão e as partes forem intimadas por edital, considera-se dia do começo do prazo o dia útil seguinte ao fim da dilação assinada pelo juiz. Se proferida a decisão e as partes forem intimadas de forma eletrônica, considera-se dia do começo do prazo o dia útil seguinte à consulta ao teor da citação ou da intimação ou ao término do prazo para que a consulta se dê. Se proferida a decisão e as partes forem intimadas por cumprimento de carta (precatória, de ordem ou rogatória), considera-se o dia do começo do prazo a data de juntada da carta aos autos de origem devidamente cumprida. Lembre-se de que, iniciado o prazo, a contagem começa no dia útil seguinte. Os prazos recursais estão unificados no CPC e são, em regra, de 15 DIAS. A exceção fica por conta dos embargos de declaração, cujo prazo é de 5 DIAS. A parte que desejar recorrer deverá protocolar o recurso em cartório, ou na forma prevista nas normas de organização judiciária, conforme prevê o §3º. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 24 478 O CPC traz uma novidade relevante: a possibilidade de interposição do recurso pelos Correios. Para aferir a tempestividade (se o recurso está dentro do prazo) considera-se como data de interposição do recurso o momento da postagem. Veja: Art. 1.003. O prazo para interposição de recurso conta-se da data em que os advogados, a sociedade de advogados, a Advocacia Pública, a Defensoria Pública ou o Ministério Público são intimados da decisão. § 1o Os sujeitos previstos no caput considerar-se-ão intimados em audiência quando nesta for proferida a decisão. § 2o Aplica-se o disposto no art. 231, incisos I a VI, ao prazo de interposição de recurso pelo réu contra decisão proferida anteriormente à citação. § 3o No prazo para interposição de recurso, a petição será protocolada em cartório ou conforme as normas de organização judiciária, ressalvado o disposto em regra especial. § 4o Para aferição da tempestividade do recurso remetido pelo correio, será considerada como data de interposição a data de postagem. § 5o Excetuados os embargos de declaração, o prazo para interpor os recursos e para responder-lhes é de 15 (QUINZE) DIAS. § 6o O recorrente comprovará a ocorrência de feriado local no ato de interposição do recurso. Apenas mais uma observação. O CPC estabelece que os feriados locais, estabelecidos em leis municipais, devem ser comprovados nos autos. Lembre-se de que os prazos são contados apenas em dias úteis. Assim, a existência de feriados locais será determinante para aferir a data final do prazo para recorrer. Em face disso, a parte que recorrer e for beneficiada por algum feriado deverá comprovar, no ato de interposição, o feriado local. Sigamos! Estudamos que o falecimento da parte ou do advogado implica a suspensão do prazo. Caso esse falecimento ocorra no curso do prazo para interposição do recurso, o juiz irá suspender o processo e interromper o prazo recursal. Isso mesmo! Preste atenção: Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 25 478 Art. 1.004. Se, durante o prazo para a interposição do recurso, sobrevier o falecimento da parte ou de seu advogado ou ocorrer motivo de força maior que suspenda o curso do processo, será tal prazo restituído em proveito da parte, do herdeiro ou do sucessor, contra quem começará a correr novamente depois da intimação. Vamos citar um exemplo. As partes foram intimadas da sentença e, no quinto dia do prazo, para recorrer da sentença do juiz de primeiro grau ocorre o falecimento da parte autora. Não se tratando de ação intransmissível, o juiz irá suspender o processo para habilitação dos herdeiros, uma vez ocorrida a sucessão da parte autora, o prazo será INTEGRALMENTE devolvido para a parte sucedida para que possa formular o seu recurso. O mesmo se aplica para os prazos estaduais em relação aos recursos enviados ao STJ e ao STF. O art. 1.005, do CPC, estudado a seguir, prevê que, no caso de litisconsórcio, seja ativo ou passivo, o recurso formulado por uma das partes aproveita a todos os demais litisconsortes. Art. 1.005. O recurso interposto por um dos litisconsortes a todos aproveita, SALVO se distintos ou opostos os seus interesses. Parágrafo único. Havendo solidariedade passiva, o recurso interposto por um devedor aproveitará aos outros quando as defesas opostas ao credor lhes forem comuns. O art. 1.006, do CPC, estabelece o prazo de 5 dias para baixa dos autos ao tribunal a partir da certidão do trânsito em julgado da decisão de primeiro grau. Por exemplo, enviado o recurso ao tribunal e julgado o recurso sem a interposição de novos recursos, a secretaria do tribunal irá certificar o trânsito em julgado. A partir da certidão, conta-se 5 dias para que os autos sejam remetidos ao juízo de origem para cumprimento de sentença (ou seja, é dada a baixa nos autos). Veja: Art. 1.006. Certificado o trânsito em julgado, com menção expressa da data de sua ocorrência, o escrivão ou o chefe de secretaria, independentemente de despacho, providenciará a baixa dos autos ao juízo de origem, no prazo de 5 (CINCO) DIAS. O art. 1.007 trata do preparo. Leia primeiramente o dispositivo e, na sequência, vamos tratar das principais regras referentes ao assunto. Art. 1.007. No ato de interposição do recurso, o recorrente comprovará, quando exigido pela legislação pertinente, o respectivo preparo, inclusive porte de remessa e de retorno, sob pena de deserção. § 1o São dispensados de preparo, inclusive porte de remessa e de retorno, os recursos interpostos pelo Ministério Público, pela União, pelo Distrito Federal, pelos Estados, pelos Municípios, e respectivas autarquias, e pelos que gozam de isenção legal. Ricardo Torques Aula 16 TJs - Curso Regular (Analista Judiciário - Área Judiciária) Direito Processual Civil www.estrategiaconcursos.com.br 39471799600 - Naldira Luiza Vieria 26 478 § 2o A insuficiência no valor do preparo, inclusive porte de remessa e de retorno, implicará deserção se o recorrente, intimado na pessoa de seu advogado, não vier a supri-lo no prazo de 5 (CINCO) DIAS. § 3o É dispensado o recolhimento do porte de remessa e de retorno no processo em autos eletrônicos. § 4o O recorrente que não comprovar, no ato de interposição do recurso, o recolhimento do preparo, inclusive porte de remessa e de retorno, será intimado, na pessoa de seu advogado, para realizar o recolhimento EM DOBRO, sob pena de deserção. § 5o É VEDADA a complementação se houver insuficiência parcial do preparo, inclusive porte de remessa e de retorno, no recolhimento realizado na forma do § 4o. § 6o Provando o recorrente justo impedimento, o relator relevará a pena de deserção, por decisão irrecorrível, fixando-lhe prazo de 5 (CINCO) DIAS para efetuar o preparo. § 7o O equívoco no preenchimento da guia de custas não implicará a aplicação da pena de deserção, cabendo ao relator, na hipótese de dúvida quanto ao recolhimento, intimar o recorrente para sanar o vício no prazo de 5 (cinco) dias. O preparo representa uma taxa referente aos gastos que o Estado tem para fazer frente a recurso interposto pela parte. Todo recurso terá um valor de preparo, a não ser que a parte seja isenta. Além disso, quando o recurso for interposto na forma física teremos, ainda, o pagamento do denominado porte, remessa e retorno, que são os custos referentes ao envio físico do recurso ao tribunal para julgamento. Segunda a doutrina11, preparar o recurso