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 Primeira fase do De Stijl: tem início em 1921 e inclui como parti-
cipantes Mondrian, vários outros pintores holandeses e os arquitetos 
Rob van t’Hoff (1887–1979) e J. J. P. Oud (1890–1963), que defendiam 
a criação de formas universais espacialmente ilimitadas e em sintonia 
com a tecnologia moderna.
  Segunda fase do De Stijl: de 1921 a 1922, mudaram os participantes, 
e o movimento ganhou um perfil mais internacional, sem Mondrian 
e com a permanência de Van Doesburg. Temos a entrada dos russos 
construtivistas El Lissitzky (1890–1941), Friedrich Kiesler (1890–
1965), do Grupo Berlim G (que incluía o jovem Mies va der Rohe), o 
planejador Cor Van Eesteren (1897–1988) e o arquiteto e desenhista 
de móveis holandês Gerrit Rietveld (1888–1964). Nessa fase, as obra 
do De Stijl continuaram abstratas e com caráter tecnicista, porém se 
tornaram mais construtivistas e radicais em relação à exploração do 
espaço tridimensional.
Dessa produção, podemos dar destaque, entre os desenhos de móveis, à 
Cadeira Vermelha e Azul (1917–18) de Rietveld, até hoje produzida (Figura 8).
Figura 8. Gerrit Rietveld, Cadeira Vermelha e Azul, 1917–
1918. Essa cadeira, nas cores primárias características do 
estilo, ainda é produzida. A construção com elementos 
aparentemente independentes mostra por que Rietveld 
descreveu sua obra como “elementarismo”.
Fonte: Picturepartners/Shutterstock.com.
11Arquiteturas modernista e pós-modernista
Gerrit Rietveld desenvolveu uma linguagem chamada de elementarismo, na qual reunia 
os elementos individuais, de modo a manter sua integridade; o conjunto completo 
evidenciava todo o processo de construção (FAZIO; MOFFETT; WODEHOUSE, 2011).
Da produção arquitetônica, pode-se destacar a Casa Schröder (1924), 
projeto de Rietveld em Utrecht, que costuma ser apontada e conhecida como 
umas das principais obras do De Stijl. A casa possui exterior similar ao de 
outras composições residenciais de Van Eesteren e Van Doesburg, a partir 
de planos com diferentes orientações ortogonais que se interseccionam e se 
conectam através de perfis de aço lineares (Figura 9) (FAZIO; MOFFETT; 
WODEHOUSE, 2011).
Figura 9. Gerrit Rietveld, Casa Schröder, Utrecht, 1924. Não é difícil 
imaginar o susto dos vizinhos, que moravam em casas de tijolos 
tradicionais, quando esta composição estranha apareceu na rua. 
Fazia 20 anos que Adolf Loos havia despojado uma casa com a 
aplicação de ornamentos pela primeira vez.
Fonte: Fazio, Moffett e Wodehouse (2011, p. 498).
Arquiteturas modernista e pós-modernista12
O estilo internacional
A Deutscher Werkbund — em português, “Associação Alemã de Artesãos” — 
foi uma organização cultural alemã formada por Peter Behrens, Walter Gropius 
e Mies Van der Rohe, entre outros arquitetos e designers, fundada em 1907, 
com o objetivo de valorizar o design alemão — apresentou uma proposta, em 
1925, de uma exposição (1927) para mostrar as últimas tendências em projetos de 
moradias, acessórios de interiores e técnicas de construção (FAZIO; MOFFETT; 
WODEHOUSE, 2011). Para a exposição, foram disponibilizados pela prefeitura 
de Stuttgart terrenos e verba para a construção de 33 edifi cações permanentes, 
localizadas em uma colina no subúrbio da cidade (Figura 10).
Figura 10. Ludwig Mies van der Rohe, Edifícios de apartamentos do 
Weissenhof Siedlung, Stuttgart, 1927. Mies desenvolveu a implanta-
ção desta exposição e construiu este edifício de apartamentos na 
parte mais alta do terreno. Observe as janelas pré-fabricadas e os 
balcões com guarda-corpos tubulares similares aos que Adolf Loos 
usara 20 anos antes.
Fonte: Fazio, Moffett e Wodehouse (2011, p. 511).
O empreendimento ficou a cargo de Mies van der Rohe, responsável pelo 
plano diretor e um dos projetos, um edifício de apartamentos. Além disso, Mies 
convidou 16 dos principais arquitetos da Europa para projetar as edificações, 
entre elas casas isoladas, casas geminadas e casas em fita. As edificações ficaram 
conhecidas como Weissenhof Siedlung (ou Conjunto Habitacional Modelo de 
Weissenhof). Embora tenham se adotado no conjunto diversas abordagens, os 
elementos comuns entre os projetos foram determinantes para o desenvolvimento 
do modernismo. Sobre as características das edificações, ressalta-se a colocação:
13Arquiteturas modernista e pós-modernista
Todas as edificações foram pintadas de branco; tinham janelas “funcionais” 
que enfatizam a horizontalidade; e quase todas tinham coberturas planas, 
algumas com terraços-jardim. O aspecto industrial foi expresso nos perfis 
tubulares dos guarda-corpos dos balcões, os quais eram o principal elemento 
decorativo no exterior. As guarnições de janela eram mínimas e não havia 
cornijas (FAZIO; MOFFETT; WODEHOUSE, 2011, p. 511).
No fim, observou-se uma aparência parecida nas edificações, mesmo que 
projetadas por arquitetos alemães e de outros países. Tanto essa afinidade 
estética quanto o livro Internacionale Architektur (1925), de Walter Groupius, 
contribuíram para que a arquitetura moderna do final da década de 1920 fosse 
intitulada de estilo internacional. Estilo este caracterizado, segundo Barr (apud 
FAZIO; MOFFETT; WODEHOUSE, 2011, p. 512), por dar:
[...] ênfase no volume — espaços vedados por planos e superfícies finas 
em vez de simetrias ou outros tipos de equilíbrio evidente; e, finalmente, a 
dependência com relação à elegância intrínseca dos materiais, sua perfeição 
e belas proporções, em vez da aplicação de ornamentos.
Poucas mulheres entraram para o seleto grupo do modernismo europeu, dominado 
por homens. Lilly Reich trabalhou com Ludwig Mies van der Rohe em seus interiores, 
mas apenas Eileen Gray (1878–1976) produziu casas no estilo internacional por conta 
própria. No projeto de sua casa, em Roquebrune, França (1926–1929), é interessante 
observar como as paredes brancas desadornadas são bastante consistentes com 
a arquitetura tradicional do litoral e das ilhas do Mediterrâneo (FAZIO; MOFFETT; 
WODEHOUSE, 2011).
Conclusões sobre a arquitetura modernista
Após a Primeira Guerra Mundial, muitos arquitetos europeus enxergaram 
na arquitetura um possível instrumento de transformação social. Em meio a 
um cenário caótico de destruição e emergência de habitações, elegeram-se 
como principais preocupações a utilidade, a efi ciência e a mecanização ligada 
à indústria, combinadas às avançadas concepções espaciais em voga nesse 
momento nas artes visuais. E, como apanhado desse contexto e período de 
inúmeras experiências e de desenvolvimento do modernismo, temos o trecho, 
Arquiteturas modernista e pós-modernista14
que muito nos revela, de Fazio, Moff ett e Wodehouse (2011, p. 525) sobre 
os modernistas, que, por meio da arquitetura, acreditavam na mudança de 
mentalidade do povo:
Não faltaram novas ideias: Adolf Loos e seu ataque contra a ornamentação 
“decadente” e o desenvolvimento do Raumplan; Frank Lloyd Wright e a 
decisão de inventar uma tipologia doméstica norte-americana única (o que 
fez com as casas no Estilo dos Prados), além de inovações técnicas como o 
condicionamento de ar central no Edifício Larkin e o concreto moldado in 
loco no Templo Unitário; e a experiência alemã, na qual Peter Behrens e ou-
tros com ideias similares fundaram a Deustcher Werkbund, tentando elevar a 
qualidade geral dos produtos manufaturados, e Walter Groupius desenvolveu 
um novo sistema de ensino de arquitetura na Bahaus – primeiro em Weimar, 
depois em Dessau, até a escola ser fechada pelos nazistas. Some a essa fértil 
mistura as propostas radicais – desenhadas com frequência, mas construídas 
como frequência menor – de dinamismo feitas pelos futuristas italianos, de 
modulações de espaço infinito pelos projetistas do De Stijl e de composições 
radicais de materiais pelos construtivistas russos. No final, o espaço se tornou 
a especialidade do Modernismo.
E, logo, vemos essa espacialidade muito bem trabalhada pelos “mestres do 
modernismo” — Le Corbusier, Walter Groupius, Mies van der Rohe e Frank 
Lloyd Wright — em suas obras, desenvolvidasao longo de diferentes fases de 
suas carreiras, deixando um legado importante para a arquitetura e sua história.
Devem-se ressaltar ainda, para além de todos esses acontecimentos, os 
avanços tecnológicos na construção civil — marcados pelo uso do aço e do 
concreto armado —, e as novas visões da cidade, sendo esta vista como um 
local para abrigar indústrias e sistemas modernos de transporte, assim como a 
questão da saúde física e mental e os ideais utópicos. Lembre-se, ainda, de que, 
em número total de edificações construídas, tinham destaque “[...] as formas 
alternativas do Expressionismo holandês e alemão, as formas híbridas da Art 
Déco e as formas latentes do ecletismo”, e não as que seguiam as prescrições 
modernistas (FAZIO; MOFFETT; WODEHOUSE, 2011, p.525). Em vista 
disso tudo, a situação se tornou ainda mais complexa e indefinida no final do 
século XX, como veremos a seguir.
Arquitetura pós-modernista
A organização conhecida como CIAM (Congresso Internacional de Arquitetura 
Moderna), em 1928, deu início à promoção da arquitetura moderna e à aborda-
15Arquiteturas modernista e pós-modernista