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PRIMEIROS 
SOCORROS
Beatriz Paulo Biedrzycki
Particularidades 
no atendimento a 
crianças e idosos
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Identificar as principais causas, fatores de risco e formas de prevenção 
de acidentes com crianças.
 � Descrever as principais causas, fatores de risco e formas de prevenção 
de acidentes com idosos.
 � Aplicar os protocolos de atendimentos específicos para crianças e 
idosos.
Introdução
Crianças são aventureiras e curiosas, buscando em todos os momentos 
maneiras de desbravar o ambiente e testar seus próprios limites, o que 
pode ser muito perigoso, fazendo com que elas sofram dos mais diversos 
acidentes. Idosos também apresentam risco de sofrerem acidentes, mas 
por motivos diferentes, dentre os quais estão a diminuição da capacidade 
funcional ocasionada pela idade. Esses acidentes podem proporcionar 
agravos de saúde de diferentes ordens, sendo importante conhecer os 
procedimentos de primeiros socorros adequados para cada fase da vida.
Neste capítulo, você vai identificar os principais acidentes que envol-
vem crianças e idosos, seus motivos e as principais maneiras de preveni-
-los. Também irá conhecer os protocolos de atendimento específicos para 
a população de crianças e idosos.
Acidentes com a população infantil
Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (2018), os acidentes domésticos 
estão ente as principais causas de morte de crianças, e levam 110 mil crianças 
aos hospitais, sendo que 90% dos casos poderiam ter sido evitados. O Sistema 
de Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde registrou que, em 2012, 5.146 
crianças evoluíram a óbito após um acidente, representando 9% de todas 
as mortes nessa faixa etária, sendo que em cada faixa etária as causas dos 
acidentes variam, conforme o Quadro 1.
Fonte: Adaptado de Proteste ([201-?]).
Idade 
(anos)
1º lugar 2º lugar 3º lugar 4º lugar 5º lugar
Até 1 ano Sufocação Acidente 
de carro
Queda Afoga-
mento
Queima-
dura com 
fogo
1 a 4 anos Afoga-
mento
Atrope-
lamento
Acidente 
de carro
Sufocação Queima-
dura com 
fogo
5 a 9 anos Afoga-
mento
Atrope-
lamento
Acidente 
de carro
Queda Sufocação
10 a 14 
anos
Afoga-
mento
Atrope-
lamento
Acidente 
de carro
Andar de 
bicicleta
Queda
Quadro 1. Principais causas de morte de crianças
O Quadro 1 mostra que, até o primeiro ano de vida, a sufocação é destacada, 
principalmente durante o sono ou amamentação, principalmente porque os 
pais demoram a perceber, sendo importante estar sempre atento. A partir do 
primeiro ano de vida até os 14 anos, o afogamento se faz presente como a 
principal causa. Ele pode acontecer na ingesta de alimentos líquidos ou sólidos 
ou em piscinas, mar e banheiras, quando as crianças não estão supervisiona-
das. Na mesma faixa etária, o segundo lugar é ocupado pelo atropelamento, 
o que reitera a necessidade da educação para o trânsito para crianças e para 
os motoristas.
Particularidades no atendimento a crianças e idosos2
Por mais que a literatura não tenha encontrado as respostas biológicas 
para as diferenças do número de acidentes serem diferentes entre os sexos, 
podem ser observadas diferenças em número de acidentes entre meninos, 
que representam 64% dos acidentes, enquanto as meninas sofrem metade das 
intercorrências. Essa diferença segue a mesma proporção nas diferentes faixas 
etárias (CRIANÇA SEGURA SAFE KIDS BRASIL, 2016).
Além das diferenças de gênero, a diferença entre as raças também se faz 
presente, podendo ser feito um debate importante sobre as diferenças sociais 
existentes dentro da sociedade brasileira. Crianças negras apresentam 57 
vezes maior risco de morte, contra 37% das crianças brancas (CRIANÇA 
SEGURA SAFE KIDS BRASIL, 2016), resultado encontrado por Cerqueira e 
Coelho (2017) em um relatório publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica 
Aplicada (Ipea). 
Como os acidentes variam conforme a faixa etária, é importante estar 
atento aos cuidados relativos a cada época da vida, propostos Manual de 
Prevenção de Acidentes e Primeiros Socorros nas Escolas (SÃO PAULO, 
2007), que veremos a seguir.
 � 0 a 11 meses: nessa faixa etária a criança possui algumas tendências, 
como levar os objetos a boca e mexer nos objetos que estão a seu alcance, 
além sua motricidade estar em desenvolvimento. Então, é importante 
deixar objetos que podem ser engolidos ou perfurocortantes, além de 
plantas, em locais elevados, tendo cuidado com os móveis com quinas 
pontudas, bem como fechar portas e cercar piscinas. Também é im-
portante não as deixar sem supervisão em camas, berços e trocadores, 
uma vez que podem rolar e cair, ou até mesmo virar-se em decúbito 
dorsal e não conseguir mais desvirar-se.
 � 1 a 2 anos: crianças nessa faixa etária já possuem uma atividade física 
intensa, descobrindo os limites do seu corpo e do ambiente com grande 
curiosidade. Nessa fase, é necessário estar atento a todos os detalhes 
do ambiente, como tomadas, que devem ser tapadas, telas em janelas 
e sacadas, proteger escadas, cuidar com o armazenamento de produtos 
de higiene e limpeza e plantas, colocando-os em locais elevados. Tam-
bém é importante, quando na rua, andar com essas crianças no colo 
ou segurando-as pela mão, principalmente no momento de atravessar 
a rua. Como, nessa idade, as crianças possuem imensa curiosidade, 
o contato com animais deve ser observado com cautela, uma vez que 
alguns animais como gatos e cachorros podem acabar mordendo ou 
arranhando as crianças.
3Particularidades no atendimento a crianças e idosos
 � 3 a 5 anos: com essa idade as crianças já brincam com bicicletas e 
triciclos, além de brinquedos com peças menores. Além de gostarem 
muito de água, fogo e animais e estarem desafiando os limites do próprio 
corpo constantemente, tendem a se colocar em situações que podem 
propiciar quedas. Por isso, é importante ter cuidados com o ambiente 
(já descritos acima) e utilizar equipamentos de proteção ao andar de 
bicicleta, skates e triciclos. Nessa idade as crianças já conseguem com-
preender instruções simples, por isso, é importante criar uma cultura de 
prevenção de acidentes, educando-as a ter um comportamento seguro.
 � 6 a 9 anos: nessa faixa etária, as crianças apresentam um brincar mais 
ativo, até mesmo começam a praticar alguma modalidade esportiva. 
Também aparecem brincadeiras envolvendo lutas ou desafios, além do 
bullying, que é uma preocupação desde a mais tenra idade. É importante 
frisar que, conforme a idade avança, os cuidados são somados e não 
substituídos. Nessa idade o diálogo e a informação são de extrema 
importância. Então, é crucial desestimular o comportamento agressivo e 
reforçar o respeito ao próximo e ao seu corpo, respeitando seus limites, 
reconhecendo a importância de ter um comportamento não perigoso. 
 � 10 a 14 anos: com o avanço da idade e a chagada da adolescência, os 
riscos assumidos são maiores, em brincadeiras e práticas esportivas. 
Nessa faixa etária, a principal causa de morte são os afogamentos, 
justamente por essa tentativa de ultrapassar os limites. Deve-se sempre 
orientar quanto ao uso de equipamentos de segurança e como evitar 
comportamentos de risco, mostrando as consequências dessas práticas.
Felizmente, no Brasil, a mortalidade infantil vem diminuindo (Figura 1) 
graças às ações de prevenção encabeçadas pelo Ministério da Saúde, a Or-
ganização Pan Americana da Saúde (OPAS) e o projeto Criança Segura, que 
visa formar agentes de saúde que atuam dentro das unidades básicas de saúde 
para instruir familiares e responsáveis para prevenir os acidentes.
Particularidades no atendimento a crianças e idosos4
Figura 1. Redução da mortalidade infantil causada por acidentes.
Fonte: Adaptada de Criança Segura Safe Kids Brasil (2016).
Evitar acidentes é mais fácil do que reparar os estragos causados à saúde 
por eles. Os extremos de idade — crianças e idosos — são os mais afetados, 
por estarem, entre as crianças, com o desenvolvimento motor em andamento.Os idosos também são população de risco pelo motivo contrário, uma vez 
que a sua capacidade motora está em declínio, modificando o seu padrão do 
movimento, além do aparecimento das dificuldades na visão e audição. No 
próximo tópico, você irá visualizar quais as principais causas de acidentes 
em idosos e como é possível evitá-los. 
Acidentes com idosos
Segundo o Estatuto do Idoso (BRASIL, 2009), o idoso é aquele sujeito que 
tem 60 anos de idade ou mais. Essa população corresponde 13% da população 
brasileira, sendo 28 milhões de pessoas (IBGE, 2019), acompanhando o ritmo 
da América Latina, que é a região que mais envelhece no mundo. 
5Particularidades no atendimento a crianças e idosos
A projeção de aumento da população idosa é exponencial, sendo esperado que, em 
2058, 25% da população brasileira esteja acima dos 60 anos (IBGE, 2019). Esse aumento 
na expectativa de vida é influenciado principalmente pelos avanços na medicina, 
tanto em ações de vacinações e tratamento de doenças como pelos avanços na 
promoção da saúde. 
O envelhecimento é um processo no qual são percebidas alterações nos 
padrões de equilíbrio e controle postural, principalmente pela diminuição da 
massa muscular, dificuldades de visão e audição, além menor amplitude de 
movimentos e doenças crônicas associadas à idade. Essas modificações fisio-
lógicas e morfológicas afetam até as atividades mais simples, como caminhar, 
tornando-as complexas e, por vezes, perigosas, gerando quedas.
O Relatório Global da OMS sobre Prevenção de Quedas na Velhice (OMS, 
2010) aponta que as quedas estão entre as principais causas de acidentes em 
idosos com 65 anos, acometendo 32% desta população. Esse número aumenta 
conforme o passar da idade, subindo para 42% na população com 70 anos. Esse 
tipo de acidente pode ocasionar fraturas de quadril e fêmur, lesões traumáticas 
no cérebro e ferimento em membros superiores, correspondendo a 50% das 
hospitalizações e a 40% das causas de morte na população idosa.
As queimaduras acontecem principalmente enquanto os idosos estão co-
zinhando, uma vez que a dificuldade de se movimentar pode acabar fazendo 
com que eles esbarrem em panelas quentes, ou até mesmo derrubem-nas 
sobre seus corpos. O engasgo também é bastante comum, já que o processo 
de deglutição é feito por músculos, que também perdem tônus com o passar 
do tempo. Essa situação de engasgo pode causar danos mais severos, como a 
asfixia e as paradas cardiorrespiratórias.
Os principais fatores de risco da população acima dos 60 anos podem ser 
divididos em 4 grandes grupos (OMS, 2015): 
Particularidades no atendimento a crianças e idosos6
 � Fatores de risco biológicos: são as características individuais estrita-
mente biológicas, como sexo, raça e idade, que não podem ser modifica-
das ou controladas. Esse é o principal fator de risco na população idosa, 
uma vez que o envelhecimento traz problemas de saúde já mencionados 
anteriormente, sendo que o aumento da idade amplia o risco de quedas, 
assim como os danos a visão e a audição.
 � Fatores de risco ambientais: são as características do ambiente, seja 
ele privado (casa, apartamento) ou público (metrô, calçadas, parques), 
que podem ser uma grande dificuldade para alguns idosos. Locais com 
escadas, desníveis, tapetes, superfícies escorregadias e ambientes escu-
ros contribuem para que o idoso sofra um acidente como uma queda.
 � Fatores de risco comportamentais: são aqueles que dizem respeito 
às ações e escolhas de uma pessoa e podem ser modificados. Alguns 
comportamentos arriscados são o uso excessivo de álcool, o sedenta-
rismo e o tabagismo.
 � Fatores de risco socioeconômicos: estão diretamente ligados à condi-
ção social e econômica do sujeito, como baixa renda, que culmina em 
habitações inadequadas, dificuldade de acesso aos serviços de saúde 
e falta de interação social. Esse fator, aliado aos demais, pode ser um 
agravante para um acidente e ser extremamente afetado caso o acidente 
ocorra, uma vez que, dependendo do tipo de lesão pela qual o idoso é 
acometido, diversos gastos estão associados.
Um idoso sedentário, que vive em um local sem saneamento básico ou calçamento 
adequado, apresenta uma perda de força muscular acentuada, o que leva a uma perda 
de função e um maior nível de fragilidade, deixando esse idoso suscetível a quedas 
devido a alguns riscos ambientais.
7Particularidades no atendimento a crianças e idosos
O Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia, órgão do Ministério da 
Saúde, propõe que prevenir quedas é uma maneira de melhorar a qualidade de 
vida dessa população e ampliar os anos de vida (BRASIL, [2019]). Uma maneira 
de prevenir esse acidente é tornar o ambiente amigável às necessidades do 
idoso. Para isso, medidas como garantir a acessibilidade, com rampas no lugar 
de escadas, sinalização de degraus com fita ou tinta colorida, vagas especiais 
de estacionamento, corrimão, sapatos com sola emborrachada, não utilizar 
tapetes escorregadios, vias públicas adequadas e uma boa iluminação são 
fatores ambientais que podem ser modificados e auxiliam o deslocamento dos 
idosos no ambiente calmo. Além dessas modificações, as alterações no estilo 
de vida podem ser bastante significativas. A prática de exercícios físicos por 
10 semanas já apresenta uma melhora de 10% no risco de quedas, comparados 
a idosos sedentários, uma vez que melhoram o tônus muscular e o equilíbrio.
Eliminando esses fatores de risco, a probabilidade de uma queda também 
se reduz, uma vez que idosos apresentam diferentes fatores de risco, sendo 
alguns não modificáveis, como os fatores biológicos, que tornam necessário 
intervir nos fatores que podem ser modificados. O professor de Educação 
Física desempenha papel importante no processo de prevenção das quedas 
dos idosos, sendo necessário que conheça os exercícios e as necessidades 
dessa população, para que possa auxiliar a manter suas tarefas motoras com 
eficácia e segurança. 
Ter um ambiente com espaço para cozinhar, ou até mesmo evitar esta 
função, podem ser maneiras interessantes de prevenir queimaduras, bem 
como verificar a temperatura das bebidas e banhos tomados por idosos. Na 
hora da alimentação, é importante que o idoso esteja concentrado em engolir 
a comida, sem muitas distrações. Oferecer alimentos com uma mastigação 
facilitada (como purê de batata, polenta, carne moída) também é uma opção 
para evitar que os idosos se engasguem.
Acesse o link a seguir e leia a cartilha desenvolvida pelo Hospital Sírio-Libânes, em 
que é possível visualizar detalhes sobre o envelhecimento, quedas, e indicações sobre 
atividade física e exercício na terceira idade.
https://qrgo.page.link/qqF6c
Particularidades no atendimento a crianças e idosos8
Existem diferentes maneiras de prevenir acidentes, mas nem sempre é 
possível evitá-los. Nessas situações é importante saber quais os protocolos 
adequados para o atendimento a estas populações, que possuem características 
tão próprias, e é o que veremos a seguir.
Atendimento de primeiros socorros em crianças 
e idosos
Crianças e idosos representam populações em fases extremas da vida e, por 
conta disso, apresentam particularidades no atendimento, como protocolos e 
valores de referência especializados. Em ambas as idades, é importante entender 
que é necessário falar numa linguagem simples e clara, buscando informar 
e acalmar a vítima do acidente. Além disso, é importante ter consciência de 
que crianças e idosos podem ter dificuldades em compreender as perguntas 
feitas em relação ao acidente.
Em ambas as populações, pequenos acidentes podem causar graves aco-
metimentos de saúde, principalmente fraturas, uma vez que, nas crianças, os 
ossos ainda estão em formação e, nos idosos, o tecido ósseo já está diminuído.
A seguir iremos abordar as particularidades de atendimento de emergência 
para crianças e idosos.
Atendimento de primeiros socorros em crianças 
Os acidentes com crianças normalmente acontecem dentro das residências e 
das escolasou clubes. Aqui, abordaremos os cuidados de primeiros socorros 
em uma perspectiva de um professor de Educação Física que presencia um 
acidente.
Sempre que acontecer um acidente que envolva uma criança de qualquer 
idade, é importante sempre buscar tranquilizá-la, uma vez que os acidentes 
deixam as crianças assustadas e nervosas, o que pode dificultar o atendimento 
de primeiros socorros. Após ter acalmado a criança, é importante avisar os 
pais ou responsáveis da criança via telefone, enviando recado via agenda ou 
ainda falando pessoalmente, buscando informar a gravidade do acidente, o 
local da lesão e como o acidente aconteceu.
Mesmo no atendimento da população infantil, é importante seguir os pro-
cedimentos de avaliação do local do acidente da vítima, avaliando seus sinais 
vitais. Em casos mais graves (como batidas na cabeça e cortes profundos) é 
importante avisar o serviço de emergência. 
9Particularidades no atendimento a crianças e idosos
De maneira geral o atendimento de primeiros socorros segue protocolos muito pa-
recidos para todas as faixas etárias, havendo pequenas diferenças no atendimento 
de crianças e adultos. Essas diferenças se dão principalmente pelo fato de as crianças 
possuírem um corpo mais frágil, logo algumas manobras precisam ser adaptadas, 
como a Manobra de Heimlich, utilizada em casos de engasgo e nas manobras de 
ressuscitação cardiorrespiratória (RCP).
Um tipo de acidente bastante comum é quando a criança introduz corpos 
estranhos em orifícios do organismo, sendo os mais comuns os ouvidos e 
o nariz. Os corpos estranhos podem ser grãos de feijão, insetos pequenos, 
ou até mesmo peças de pequenos brinquedos. Caso o corpo estranho ainda 
esteja visível, é possível tentar retirar com a ajuda de uma pinça. Caso não 
consiga, é importante não empurrar, nem pingar líquidos no ouvido ou nariz. 
No caso dos ouvidos, o risco, caso se empurre muito, é estourar o tímpano. Já 
no nariz, o risco é, ao empurrar ainda mais o corpo estranho, de ele acabar se 
deslocando para outras estruturas como o pulmão, podendo gerar complicações 
como obstrução de vias aéreas ou paradas respiratórias (MELO et al., 2011).
No caso de obstrução de vias aéreas, existem diferentes tipos de proce-
dimentos, um a ser aplicado em crianças menores de 2 anos, e outros para 
crianças de 2 anos em diante.
 � Crianças menores de 2 anos: coloque o bebê deitado em cima da coxa, 
com a cabeça levemente para baixo. Com a região da palma da mão, 
próximo ao pulso, aplicar golpes entre as escapulas até que o corpo 
estranho seja expelido. Caso não obtenha sucesso ou a criança esteja 
inconsciente é importante chamar o SAMU (192) imediatamente.
 � Crianças a partir de 2 anos: o indicado é utilizar a manobra de Hei-
mlich, que consiste em abraçar pelas costas, com uma mão fechada e 
outra, por cima, colocando ambas as mãos na metade da distância entre 
o umbigo e o osso esterno, fazendo um movimento para dentro e para 
cima, como a letra “J” (PORTO ALEGRE, 2013)
Particularidades no atendimento a crianças e idosos10
Em casos de afogamento, o procedimento adequado consistem em retirar 
a criança da água, buscando sempre segurá-la pelas costas, uma vez que, 
neste momento de desespero, ela pode lhe arranhar, ou usar o seu corpo para 
se impulsionar para cima, o que, dependendo da profundidade e tamanho da 
criança, pode fazer com que a pessoa que está fazendo o resgate também se 
afogue.
Após retirar a criança da água, é importante verificar seus sinais vitais, 
buscando mantê-la aquecida e, caso necessário, iniciar um protocolo de parada 
cardiorrespiratória (RCP).
As crianças possuem estruturas corporais diferentes de adultos. Sendo 
assim, em casos de parada cardiorrespiratória, existem protocolos diferenciados 
para diferentes idades (PORTO ALEGRE, 2013).
 � Bebês de até um ano de idade: é importante aplicar as compressões 
no tórax um pouco abaixo da linha mediana dos mamilos utilizando 
apenas as pontas dos dedos indicadores e médios até que a criança volte 
a respirar ou chegue o atendimento médico (Figura 2a).
 � Crianças entre 1 e 8 anos de idade: é indicado utilizar apenas uma 
das mãos para realizar as compressões no centro do tórax, conforme 
a Figura 2b. 
Figura 2. Técnica de ressuscitação cardiorrespiratória em (a) bebês menores de um ano e 
(b) crianças entre 1 e 8 anos de idade.
Fonte: a) Adaptada de RossHelen/Shutterstock.com.; b) Adaptada de wellphoto/Shutterstock.com.
(a) (b)
Essas são algumas das adaptações que devem ser feitas caso seja necessário 
atender vítimas de acidentes na idade infantil. A seguir, veremos alguns dos 
procedimentos a ser adotados no caso do atendimento de primeiros socorros 
em idosos.
11Particularidades no atendimento a crianças e idosos
Atendimento de primeiros socorros em idosos 
Conforme visto anteriormente, na terceira idade é comum acontecerem que-
das, devido aos fatores de risco associados ao envelhecimento. Mesmo os 
idosos que praticam atividade física e possuem um bom estado de saúde 
estão propensos a estes e outros acidentes. Para tal, é importante que todos 
aqueles que convivem com esta população — sejam familiares, enfermeiros 
e professores de Educação Física — saibam o que fazer caso algum tipo de 
acidente venha a acontecer.
Veremos aqui alguns procedimentos para o atendimento dos acidentes 
mais comuns na população idosa, que são, as quedas, as queimaduras e os 
engasgos. Lembrando que os procedimentos tendem a ser os mesmos que 
aplicados ao restante da população, mas o olhar sobre a vítima do acidente deve 
ser diferenciado, uma vez que ela possui uma condição também diferenciada.
É importante, antes de iniciar qualquer tipo de atendimento de primeiros 
socorros, avaliar o acidente e a vítima, avaliando seus sinais vitais, buscando 
entender qual tipo de procedimento será mais adequado para o acidente que 
aconteceu. Acalmar e falar pausadamente, explicando o que você irá fazer de 
maneira clara e acessível também é uma maneira de passar segurança.
Quedas: antes de tudo, é importante avaliar a cena e a vítima para entender 
qual a gravidade desse acidente. Por vezes, uma queda pode causar apenas 
hematomas, sem maiores complicações. Mas, como a queda é a principal 
causa de morte entre idosos, ela nunca deve passar desapercebida. Mesmo 
que aparentemente nada mais grave — como fraturas e entorses — tenha 
acontecido, é importante levar o idoso a um atendimento médico, ou até mesmo 
ligar para o SAMU. Caso tenha acontecido um acidente onde a vítima bateu 
as costas ou refere for na região do tórax, é importante não a movimentar e 
esperar socorro médico de urgência, pois podem ter ocorrido fraturas na região 
vertebral, sendo perigoso movimentar a região.
Idosos tendem a ter uma densidade mineral óssea diminuída, fazendo com que 
até mesmo pequenos acidentes tenham graves complicações, como fraturas. Essa 
população apresenta dificuldade em cicatrizar o tecido ósseo, precisando ficar acamada 
por longos períodos, o que gera outros agravos de saúde que podem evoluir a óbito. 
Particularidades no atendimento a crianças e idosos12
Queimaduras: em casos de queimaduras o protocolo adequado é lavar o 
local com água corrente em temperatura ambiente, sem usar nenhum tipo de 
produto, encaminhando o idoso para um serviço de saúde para certificar que 
não houve outros prejuízos à saúde.
Engasgos: em casos de engasgo, é importante agir o mais rápido possível 
com o intuito de liberar a passagem de ar que está obstruída, normalmente por 
remédios ou pedaços de comida. Para isso, fique atrás da vítima, abraçando-a 
pelas costas, com uma mão fechada e outra, por cima, coloque ambas as mãos 
na metade da distância entre o umbigo e o osso esterno, fazendo um movi-
mento para dentro e para cima, como a letra “J”, conhecido como Manobra 
de Heimlich (PORTO ALEGRE, 2013)
Sempre se deve ter um olhar especial à população idosa, que já possui 
tantos fatores de risco inerentes a sua idade. É importante sempre prestar o 
atendimentoe fazer todos os esforços disponíveis para se certificar de que 
todos os possíveis agravos de um acidente tenham sido detectados e tratados.
Atender os indivíduos nos dois extremos da vida humana — crianças e 
idosos — é um desafio constante, em que é necessário ter paciência e um 
olhar diferenciado, buscando adequar o tom de voz e a linguagem para falar 
com essas populações. O que mais se difere entre crianças e idosos é que em 
crianças, os acidentes acontecem pela sua necessidade de explorar seu corpo 
e o mundo, devendo nós, adultos, lhes ensinar e mostrar os seus limites. Nos 
idosos essa relação é um pouco diferente, uma vez que a principal causa de 
acidentes é causada por uma dificuldade gerada pela perda da funcionalidade, 
coisa que, todo o ser humano irá passar, caso chegue à velhice; por isso é tão 
importante criar situações para prevenir os acidentes e caso não seja possível 
evitar, atendê-los para que sofram o menos possível em decorrência dos efeitos 
colaterais.
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-aprendizagem em crianças de uma escola pública. Revista Ciência Plural, v. 3, n. 1, p. 
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em: 4 ago. 2019.
Particularidades no atendimento a crianças e idosos14

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