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PRIMEIROS SOCORROS Beatriz Paulo Biedrzycki Particularidades no atendimento a crianças e idosos Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Identificar as principais causas, fatores de risco e formas de prevenção de acidentes com crianças. � Descrever as principais causas, fatores de risco e formas de prevenção de acidentes com idosos. � Aplicar os protocolos de atendimentos específicos para crianças e idosos. Introdução Crianças são aventureiras e curiosas, buscando em todos os momentos maneiras de desbravar o ambiente e testar seus próprios limites, o que pode ser muito perigoso, fazendo com que elas sofram dos mais diversos acidentes. Idosos também apresentam risco de sofrerem acidentes, mas por motivos diferentes, dentre os quais estão a diminuição da capacidade funcional ocasionada pela idade. Esses acidentes podem proporcionar agravos de saúde de diferentes ordens, sendo importante conhecer os procedimentos de primeiros socorros adequados para cada fase da vida. Neste capítulo, você vai identificar os principais acidentes que envol- vem crianças e idosos, seus motivos e as principais maneiras de preveni- -los. Também irá conhecer os protocolos de atendimento específicos para a população de crianças e idosos. Acidentes com a população infantil Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (2018), os acidentes domésticos estão ente as principais causas de morte de crianças, e levam 110 mil crianças aos hospitais, sendo que 90% dos casos poderiam ter sido evitados. O Sistema de Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde registrou que, em 2012, 5.146 crianças evoluíram a óbito após um acidente, representando 9% de todas as mortes nessa faixa etária, sendo que em cada faixa etária as causas dos acidentes variam, conforme o Quadro 1. Fonte: Adaptado de Proteste ([201-?]). Idade (anos) 1º lugar 2º lugar 3º lugar 4º lugar 5º lugar Até 1 ano Sufocação Acidente de carro Queda Afoga- mento Queima- dura com fogo 1 a 4 anos Afoga- mento Atrope- lamento Acidente de carro Sufocação Queima- dura com fogo 5 a 9 anos Afoga- mento Atrope- lamento Acidente de carro Queda Sufocação 10 a 14 anos Afoga- mento Atrope- lamento Acidente de carro Andar de bicicleta Queda Quadro 1. Principais causas de morte de crianças O Quadro 1 mostra que, até o primeiro ano de vida, a sufocação é destacada, principalmente durante o sono ou amamentação, principalmente porque os pais demoram a perceber, sendo importante estar sempre atento. A partir do primeiro ano de vida até os 14 anos, o afogamento se faz presente como a principal causa. Ele pode acontecer na ingesta de alimentos líquidos ou sólidos ou em piscinas, mar e banheiras, quando as crianças não estão supervisiona- das. Na mesma faixa etária, o segundo lugar é ocupado pelo atropelamento, o que reitera a necessidade da educação para o trânsito para crianças e para os motoristas. Particularidades no atendimento a crianças e idosos2 Por mais que a literatura não tenha encontrado as respostas biológicas para as diferenças do número de acidentes serem diferentes entre os sexos, podem ser observadas diferenças em número de acidentes entre meninos, que representam 64% dos acidentes, enquanto as meninas sofrem metade das intercorrências. Essa diferença segue a mesma proporção nas diferentes faixas etárias (CRIANÇA SEGURA SAFE KIDS BRASIL, 2016). Além das diferenças de gênero, a diferença entre as raças também se faz presente, podendo ser feito um debate importante sobre as diferenças sociais existentes dentro da sociedade brasileira. Crianças negras apresentam 57 vezes maior risco de morte, contra 37% das crianças brancas (CRIANÇA SEGURA SAFE KIDS BRASIL, 2016), resultado encontrado por Cerqueira e Coelho (2017) em um relatório publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Como os acidentes variam conforme a faixa etária, é importante estar atento aos cuidados relativos a cada época da vida, propostos Manual de Prevenção de Acidentes e Primeiros Socorros nas Escolas (SÃO PAULO, 2007), que veremos a seguir. � 0 a 11 meses: nessa faixa etária a criança possui algumas tendências, como levar os objetos a boca e mexer nos objetos que estão a seu alcance, além sua motricidade estar em desenvolvimento. Então, é importante deixar objetos que podem ser engolidos ou perfurocortantes, além de plantas, em locais elevados, tendo cuidado com os móveis com quinas pontudas, bem como fechar portas e cercar piscinas. Também é im- portante não as deixar sem supervisão em camas, berços e trocadores, uma vez que podem rolar e cair, ou até mesmo virar-se em decúbito dorsal e não conseguir mais desvirar-se. � 1 a 2 anos: crianças nessa faixa etária já possuem uma atividade física intensa, descobrindo os limites do seu corpo e do ambiente com grande curiosidade. Nessa fase, é necessário estar atento a todos os detalhes do ambiente, como tomadas, que devem ser tapadas, telas em janelas e sacadas, proteger escadas, cuidar com o armazenamento de produtos de higiene e limpeza e plantas, colocando-os em locais elevados. Tam- bém é importante, quando na rua, andar com essas crianças no colo ou segurando-as pela mão, principalmente no momento de atravessar a rua. Como, nessa idade, as crianças possuem imensa curiosidade, o contato com animais deve ser observado com cautela, uma vez que alguns animais como gatos e cachorros podem acabar mordendo ou arranhando as crianças. 3Particularidades no atendimento a crianças e idosos � 3 a 5 anos: com essa idade as crianças já brincam com bicicletas e triciclos, além de brinquedos com peças menores. Além de gostarem muito de água, fogo e animais e estarem desafiando os limites do próprio corpo constantemente, tendem a se colocar em situações que podem propiciar quedas. Por isso, é importante ter cuidados com o ambiente (já descritos acima) e utilizar equipamentos de proteção ao andar de bicicleta, skates e triciclos. Nessa idade as crianças já conseguem com- preender instruções simples, por isso, é importante criar uma cultura de prevenção de acidentes, educando-as a ter um comportamento seguro. � 6 a 9 anos: nessa faixa etária, as crianças apresentam um brincar mais ativo, até mesmo começam a praticar alguma modalidade esportiva. Também aparecem brincadeiras envolvendo lutas ou desafios, além do bullying, que é uma preocupação desde a mais tenra idade. É importante frisar que, conforme a idade avança, os cuidados são somados e não substituídos. Nessa idade o diálogo e a informação são de extrema importância. Então, é crucial desestimular o comportamento agressivo e reforçar o respeito ao próximo e ao seu corpo, respeitando seus limites, reconhecendo a importância de ter um comportamento não perigoso. � 10 a 14 anos: com o avanço da idade e a chagada da adolescência, os riscos assumidos são maiores, em brincadeiras e práticas esportivas. Nessa faixa etária, a principal causa de morte são os afogamentos, justamente por essa tentativa de ultrapassar os limites. Deve-se sempre orientar quanto ao uso de equipamentos de segurança e como evitar comportamentos de risco, mostrando as consequências dessas práticas. Felizmente, no Brasil, a mortalidade infantil vem diminuindo (Figura 1) graças às ações de prevenção encabeçadas pelo Ministério da Saúde, a Or- ganização Pan Americana da Saúde (OPAS) e o projeto Criança Segura, que visa formar agentes de saúde que atuam dentro das unidades básicas de saúde para instruir familiares e responsáveis para prevenir os acidentes. Particularidades no atendimento a crianças e idosos4 Figura 1. Redução da mortalidade infantil causada por acidentes. Fonte: Adaptada de Criança Segura Safe Kids Brasil (2016). Evitar acidentes é mais fácil do que reparar os estragos causados à saúde por eles. Os extremos de idade — crianças e idosos — são os mais afetados, por estarem, entre as crianças, com o desenvolvimento motor em andamento.Os idosos também são população de risco pelo motivo contrário, uma vez que a sua capacidade motora está em declínio, modificando o seu padrão do movimento, além do aparecimento das dificuldades na visão e audição. No próximo tópico, você irá visualizar quais as principais causas de acidentes em idosos e como é possível evitá-los. Acidentes com idosos Segundo o Estatuto do Idoso (BRASIL, 2009), o idoso é aquele sujeito que tem 60 anos de idade ou mais. Essa população corresponde 13% da população brasileira, sendo 28 milhões de pessoas (IBGE, 2019), acompanhando o ritmo da América Latina, que é a região que mais envelhece no mundo. 5Particularidades no atendimento a crianças e idosos A projeção de aumento da população idosa é exponencial, sendo esperado que, em 2058, 25% da população brasileira esteja acima dos 60 anos (IBGE, 2019). Esse aumento na expectativa de vida é influenciado principalmente pelos avanços na medicina, tanto em ações de vacinações e tratamento de doenças como pelos avanços na promoção da saúde. O envelhecimento é um processo no qual são percebidas alterações nos padrões de equilíbrio e controle postural, principalmente pela diminuição da massa muscular, dificuldades de visão e audição, além menor amplitude de movimentos e doenças crônicas associadas à idade. Essas modificações fisio- lógicas e morfológicas afetam até as atividades mais simples, como caminhar, tornando-as complexas e, por vezes, perigosas, gerando quedas. O Relatório Global da OMS sobre Prevenção de Quedas na Velhice (OMS, 2010) aponta que as quedas estão entre as principais causas de acidentes em idosos com 65 anos, acometendo 32% desta população. Esse número aumenta conforme o passar da idade, subindo para 42% na população com 70 anos. Esse tipo de acidente pode ocasionar fraturas de quadril e fêmur, lesões traumáticas no cérebro e ferimento em membros superiores, correspondendo a 50% das hospitalizações e a 40% das causas de morte na população idosa. As queimaduras acontecem principalmente enquanto os idosos estão co- zinhando, uma vez que a dificuldade de se movimentar pode acabar fazendo com que eles esbarrem em panelas quentes, ou até mesmo derrubem-nas sobre seus corpos. O engasgo também é bastante comum, já que o processo de deglutição é feito por músculos, que também perdem tônus com o passar do tempo. Essa situação de engasgo pode causar danos mais severos, como a asfixia e as paradas cardiorrespiratórias. Os principais fatores de risco da população acima dos 60 anos podem ser divididos em 4 grandes grupos (OMS, 2015): Particularidades no atendimento a crianças e idosos6 � Fatores de risco biológicos: são as características individuais estrita- mente biológicas, como sexo, raça e idade, que não podem ser modifica- das ou controladas. Esse é o principal fator de risco na população idosa, uma vez que o envelhecimento traz problemas de saúde já mencionados anteriormente, sendo que o aumento da idade amplia o risco de quedas, assim como os danos a visão e a audição. � Fatores de risco ambientais: são as características do ambiente, seja ele privado (casa, apartamento) ou público (metrô, calçadas, parques), que podem ser uma grande dificuldade para alguns idosos. Locais com escadas, desníveis, tapetes, superfícies escorregadias e ambientes escu- ros contribuem para que o idoso sofra um acidente como uma queda. � Fatores de risco comportamentais: são aqueles que dizem respeito às ações e escolhas de uma pessoa e podem ser modificados. Alguns comportamentos arriscados são o uso excessivo de álcool, o sedenta- rismo e o tabagismo. � Fatores de risco socioeconômicos: estão diretamente ligados à condi- ção social e econômica do sujeito, como baixa renda, que culmina em habitações inadequadas, dificuldade de acesso aos serviços de saúde e falta de interação social. Esse fator, aliado aos demais, pode ser um agravante para um acidente e ser extremamente afetado caso o acidente ocorra, uma vez que, dependendo do tipo de lesão pela qual o idoso é acometido, diversos gastos estão associados. Um idoso sedentário, que vive em um local sem saneamento básico ou calçamento adequado, apresenta uma perda de força muscular acentuada, o que leva a uma perda de função e um maior nível de fragilidade, deixando esse idoso suscetível a quedas devido a alguns riscos ambientais. 7Particularidades no atendimento a crianças e idosos O Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia, órgão do Ministério da Saúde, propõe que prevenir quedas é uma maneira de melhorar a qualidade de vida dessa população e ampliar os anos de vida (BRASIL, [2019]). Uma maneira de prevenir esse acidente é tornar o ambiente amigável às necessidades do idoso. Para isso, medidas como garantir a acessibilidade, com rampas no lugar de escadas, sinalização de degraus com fita ou tinta colorida, vagas especiais de estacionamento, corrimão, sapatos com sola emborrachada, não utilizar tapetes escorregadios, vias públicas adequadas e uma boa iluminação são fatores ambientais que podem ser modificados e auxiliam o deslocamento dos idosos no ambiente calmo. Além dessas modificações, as alterações no estilo de vida podem ser bastante significativas. A prática de exercícios físicos por 10 semanas já apresenta uma melhora de 10% no risco de quedas, comparados a idosos sedentários, uma vez que melhoram o tônus muscular e o equilíbrio. Eliminando esses fatores de risco, a probabilidade de uma queda também se reduz, uma vez que idosos apresentam diferentes fatores de risco, sendo alguns não modificáveis, como os fatores biológicos, que tornam necessário intervir nos fatores que podem ser modificados. O professor de Educação Física desempenha papel importante no processo de prevenção das quedas dos idosos, sendo necessário que conheça os exercícios e as necessidades dessa população, para que possa auxiliar a manter suas tarefas motoras com eficácia e segurança. Ter um ambiente com espaço para cozinhar, ou até mesmo evitar esta função, podem ser maneiras interessantes de prevenir queimaduras, bem como verificar a temperatura das bebidas e banhos tomados por idosos. Na hora da alimentação, é importante que o idoso esteja concentrado em engolir a comida, sem muitas distrações. Oferecer alimentos com uma mastigação facilitada (como purê de batata, polenta, carne moída) também é uma opção para evitar que os idosos se engasguem. Acesse o link a seguir e leia a cartilha desenvolvida pelo Hospital Sírio-Libânes, em que é possível visualizar detalhes sobre o envelhecimento, quedas, e indicações sobre atividade física e exercício na terceira idade. https://qrgo.page.link/qqF6c Particularidades no atendimento a crianças e idosos8 Existem diferentes maneiras de prevenir acidentes, mas nem sempre é possível evitá-los. Nessas situações é importante saber quais os protocolos adequados para o atendimento a estas populações, que possuem características tão próprias, e é o que veremos a seguir. Atendimento de primeiros socorros em crianças e idosos Crianças e idosos representam populações em fases extremas da vida e, por conta disso, apresentam particularidades no atendimento, como protocolos e valores de referência especializados. Em ambas as idades, é importante entender que é necessário falar numa linguagem simples e clara, buscando informar e acalmar a vítima do acidente. Além disso, é importante ter consciência de que crianças e idosos podem ter dificuldades em compreender as perguntas feitas em relação ao acidente. Em ambas as populações, pequenos acidentes podem causar graves aco- metimentos de saúde, principalmente fraturas, uma vez que, nas crianças, os ossos ainda estão em formação e, nos idosos, o tecido ósseo já está diminuído. A seguir iremos abordar as particularidades de atendimento de emergência para crianças e idosos. Atendimento de primeiros socorros em crianças Os acidentes com crianças normalmente acontecem dentro das residências e das escolasou clubes. Aqui, abordaremos os cuidados de primeiros socorros em uma perspectiva de um professor de Educação Física que presencia um acidente. Sempre que acontecer um acidente que envolva uma criança de qualquer idade, é importante sempre buscar tranquilizá-la, uma vez que os acidentes deixam as crianças assustadas e nervosas, o que pode dificultar o atendimento de primeiros socorros. Após ter acalmado a criança, é importante avisar os pais ou responsáveis da criança via telefone, enviando recado via agenda ou ainda falando pessoalmente, buscando informar a gravidade do acidente, o local da lesão e como o acidente aconteceu. Mesmo no atendimento da população infantil, é importante seguir os pro- cedimentos de avaliação do local do acidente da vítima, avaliando seus sinais vitais. Em casos mais graves (como batidas na cabeça e cortes profundos) é importante avisar o serviço de emergência. 9Particularidades no atendimento a crianças e idosos De maneira geral o atendimento de primeiros socorros segue protocolos muito pa- recidos para todas as faixas etárias, havendo pequenas diferenças no atendimento de crianças e adultos. Essas diferenças se dão principalmente pelo fato de as crianças possuírem um corpo mais frágil, logo algumas manobras precisam ser adaptadas, como a Manobra de Heimlich, utilizada em casos de engasgo e nas manobras de ressuscitação cardiorrespiratória (RCP). Um tipo de acidente bastante comum é quando a criança introduz corpos estranhos em orifícios do organismo, sendo os mais comuns os ouvidos e o nariz. Os corpos estranhos podem ser grãos de feijão, insetos pequenos, ou até mesmo peças de pequenos brinquedos. Caso o corpo estranho ainda esteja visível, é possível tentar retirar com a ajuda de uma pinça. Caso não consiga, é importante não empurrar, nem pingar líquidos no ouvido ou nariz. No caso dos ouvidos, o risco, caso se empurre muito, é estourar o tímpano. Já no nariz, o risco é, ao empurrar ainda mais o corpo estranho, de ele acabar se deslocando para outras estruturas como o pulmão, podendo gerar complicações como obstrução de vias aéreas ou paradas respiratórias (MELO et al., 2011). No caso de obstrução de vias aéreas, existem diferentes tipos de proce- dimentos, um a ser aplicado em crianças menores de 2 anos, e outros para crianças de 2 anos em diante. � Crianças menores de 2 anos: coloque o bebê deitado em cima da coxa, com a cabeça levemente para baixo. Com a região da palma da mão, próximo ao pulso, aplicar golpes entre as escapulas até que o corpo estranho seja expelido. Caso não obtenha sucesso ou a criança esteja inconsciente é importante chamar o SAMU (192) imediatamente. � Crianças a partir de 2 anos: o indicado é utilizar a manobra de Hei- mlich, que consiste em abraçar pelas costas, com uma mão fechada e outra, por cima, colocando ambas as mãos na metade da distância entre o umbigo e o osso esterno, fazendo um movimento para dentro e para cima, como a letra “J” (PORTO ALEGRE, 2013) Particularidades no atendimento a crianças e idosos10 Em casos de afogamento, o procedimento adequado consistem em retirar a criança da água, buscando sempre segurá-la pelas costas, uma vez que, neste momento de desespero, ela pode lhe arranhar, ou usar o seu corpo para se impulsionar para cima, o que, dependendo da profundidade e tamanho da criança, pode fazer com que a pessoa que está fazendo o resgate também se afogue. Após retirar a criança da água, é importante verificar seus sinais vitais, buscando mantê-la aquecida e, caso necessário, iniciar um protocolo de parada cardiorrespiratória (RCP). As crianças possuem estruturas corporais diferentes de adultos. Sendo assim, em casos de parada cardiorrespiratória, existem protocolos diferenciados para diferentes idades (PORTO ALEGRE, 2013). � Bebês de até um ano de idade: é importante aplicar as compressões no tórax um pouco abaixo da linha mediana dos mamilos utilizando apenas as pontas dos dedos indicadores e médios até que a criança volte a respirar ou chegue o atendimento médico (Figura 2a). � Crianças entre 1 e 8 anos de idade: é indicado utilizar apenas uma das mãos para realizar as compressões no centro do tórax, conforme a Figura 2b. Figura 2. Técnica de ressuscitação cardiorrespiratória em (a) bebês menores de um ano e (b) crianças entre 1 e 8 anos de idade. Fonte: a) Adaptada de RossHelen/Shutterstock.com.; b) Adaptada de wellphoto/Shutterstock.com. (a) (b) Essas são algumas das adaptações que devem ser feitas caso seja necessário atender vítimas de acidentes na idade infantil. A seguir, veremos alguns dos procedimentos a ser adotados no caso do atendimento de primeiros socorros em idosos. 11Particularidades no atendimento a crianças e idosos Atendimento de primeiros socorros em idosos Conforme visto anteriormente, na terceira idade é comum acontecerem que- das, devido aos fatores de risco associados ao envelhecimento. Mesmo os idosos que praticam atividade física e possuem um bom estado de saúde estão propensos a estes e outros acidentes. Para tal, é importante que todos aqueles que convivem com esta população — sejam familiares, enfermeiros e professores de Educação Física — saibam o que fazer caso algum tipo de acidente venha a acontecer. Veremos aqui alguns procedimentos para o atendimento dos acidentes mais comuns na população idosa, que são, as quedas, as queimaduras e os engasgos. Lembrando que os procedimentos tendem a ser os mesmos que aplicados ao restante da população, mas o olhar sobre a vítima do acidente deve ser diferenciado, uma vez que ela possui uma condição também diferenciada. É importante, antes de iniciar qualquer tipo de atendimento de primeiros socorros, avaliar o acidente e a vítima, avaliando seus sinais vitais, buscando entender qual tipo de procedimento será mais adequado para o acidente que aconteceu. Acalmar e falar pausadamente, explicando o que você irá fazer de maneira clara e acessível também é uma maneira de passar segurança. Quedas: antes de tudo, é importante avaliar a cena e a vítima para entender qual a gravidade desse acidente. Por vezes, uma queda pode causar apenas hematomas, sem maiores complicações. Mas, como a queda é a principal causa de morte entre idosos, ela nunca deve passar desapercebida. Mesmo que aparentemente nada mais grave — como fraturas e entorses — tenha acontecido, é importante levar o idoso a um atendimento médico, ou até mesmo ligar para o SAMU. Caso tenha acontecido um acidente onde a vítima bateu as costas ou refere for na região do tórax, é importante não a movimentar e esperar socorro médico de urgência, pois podem ter ocorrido fraturas na região vertebral, sendo perigoso movimentar a região. Idosos tendem a ter uma densidade mineral óssea diminuída, fazendo com que até mesmo pequenos acidentes tenham graves complicações, como fraturas. Essa população apresenta dificuldade em cicatrizar o tecido ósseo, precisando ficar acamada por longos períodos, o que gera outros agravos de saúde que podem evoluir a óbito. Particularidades no atendimento a crianças e idosos12 Queimaduras: em casos de queimaduras o protocolo adequado é lavar o local com água corrente em temperatura ambiente, sem usar nenhum tipo de produto, encaminhando o idoso para um serviço de saúde para certificar que não houve outros prejuízos à saúde. Engasgos: em casos de engasgo, é importante agir o mais rápido possível com o intuito de liberar a passagem de ar que está obstruída, normalmente por remédios ou pedaços de comida. Para isso, fique atrás da vítima, abraçando-a pelas costas, com uma mão fechada e outra, por cima, coloque ambas as mãos na metade da distância entre o umbigo e o osso esterno, fazendo um movi- mento para dentro e para cima, como a letra “J”, conhecido como Manobra de Heimlich (PORTO ALEGRE, 2013) Sempre se deve ter um olhar especial à população idosa, que já possui tantos fatores de risco inerentes a sua idade. É importante sempre prestar o atendimentoe fazer todos os esforços disponíveis para se certificar de que todos os possíveis agravos de um acidente tenham sido detectados e tratados. Atender os indivíduos nos dois extremos da vida humana — crianças e idosos — é um desafio constante, em que é necessário ter paciência e um olhar diferenciado, buscando adequar o tom de voz e a linguagem para falar com essas populações. O que mais se difere entre crianças e idosos é que em crianças, os acidentes acontecem pela sua necessidade de explorar seu corpo e o mundo, devendo nós, adultos, lhes ensinar e mostrar os seus limites. Nos idosos essa relação é um pouco diferente, uma vez que a principal causa de acidentes é causada por uma dificuldade gerada pela perda da funcionalidade, coisa que, todo o ser humano irá passar, caso chegue à velhice; por isso é tão importante criar situações para prevenir os acidentes e caso não seja possível evitar, atendê-los para que sofram o menos possível em decorrência dos efeitos colaterais. BRASIL. Ministério da Saúde. Estatuto do idoso. 2. ed. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2009. (Série E. Legislação de Saúde). Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/ publicacoes/estatuto_idoso_2ed.pdf. Acesso em: 4 ago. 2019. BRASIL. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia. Como reduzir quedas no idoso. Brasília, DF, [2019]. Disponível em: https://www.into.saude.gov. br/lista-dicas-dos-especialistas/186-quedas-e-inflamacoes/272-como-reduzir-quedas- -no-idoso. Acesso em: 4 ago. 2019. 13Particularidades no atendimento a crianças e idosos BRASIL. 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