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AVALIAÇÃO EM PEQUENOS GRUPOS 17 LIVYA LOPES LEITE FERREIRA EMBRIOLOGIA DO SISTEMA CARDIOVASCULAR O sistema cardiovascular (ou circulatório) é o primeiro sistema a funcionar no embrião surgindo na metade da 3ª semana. Esse desenvolvimento cardíaco precoce ocorre porque, como o embrião cresce rapidamente, ele não consegue mais satisfazer suas necessidades nutricionais e de oxigênio apenas por difusão. Assim, torna-se essencial um sistema eficiente para obter oxigênio e nutrientes do sangue materno e eliminar resíduos. Primeiro sistema a funcionar no embrião – Ocorre na terceira semana; Aumento da demanda metabólica pelo rápido crescimento do embrião estimula o desenvolvimento do sistema cardiovascular; O desenvolvimento do coração começa com a formação do tubo cardíaco por volta do 16º ao 19º dia de gestação. Entre o 22º e o 23º dia, este tubo começa a pulsar, marcando o início da função cardíaca. Essas contrações iniciais são cruciais, pois estabelecem a circulação primitiva que fornece oxigênio e nutrientes para o embrião em crescimento. As células mesodérmicas que dão origem ao coração são chamadas de células progenitoras cardíacas. Durante o desenvolvimento embrionário, o coração é formado por células que têm a capacidade de se transformar em diversos tipos celulares. As principais são duas populações do mesoderma: o primeiro campo cardíaco e o segundo campo cardíaco. PRIMEIRO CAMPO CARDÍACO (PCC): Células mesodérmicas da linha primitiva migram para formar dois filamentos bilaterais, que darão origem às primeiras estruturas cardíacas. SEGUNDO CAMPO CARDÍACO (SCC): Formado por células do mesoderma faríngeo, esse grupo contribui para partes posteriores do coração, como o ventrículo direito e os tratos de saída. Além disso, células da crista neural também participam, principalmente na formação de algumas estruturas cardíacas, como o septo do tronco arterial e do cone cardíaco. ANGIOGÊNESE: É o processo pelo qual novos vasos sanguíneos se formam a partir de vasos preexistentes. No contexto do desenvolvimento embrionário, a angiogênese é responsável pela expansão e ramificação da rede vascular inicial. A angiogênese é crucial não apenas para o desenvolvimento do sistema cardiovascular, mas também para a vascularização de outros órgãos em desenvolvimento. MESODERMA LATERAL: É uma região do mesoderma que se divide em duas camadas: a camada somática (ou parietal) e a camada esplâncnica (ou visceral). AVALIAÇÃO EM PEQUENOS GRUPOS 18 LIVYA LOPES LEITE FERREIRA Somatopleura = Camada somática (associada ao ectoderma, forma o revestimento externo do coração, o pericárdio, e contribui para a formação das cavidades corporais Esplancnopleura = Camada esplâncnica (associada ao endoderma, forma o endocárdio e sistema vascular). A camada esplâncnica do mesoderma lateral está diretamente envolvida na formação do coração e dos vasos sanguíneos. As células desta camada formam o endocárdio, a camada mais interna do coração, e contribuem para o miocárdio, o tecido muscular cardíaco. Além disso, o mesoderma lateral esplâncnico é a fonte das células progenitoras angioblásticas que darão origem ao sistema vascular através da vasculogênese, o processo de formação de vasos sanguíneos de novo O mesoderma lateral somático, por outro lado, forma o revestimento externo do coração, o pericárdio, e contribui para a formação das cavidades corporais. A interação entre essas camadas do mesoderma lateral e os sinais moleculares que elas recebem é fundamental para o desenvolvimento coordenado do coração e dos vasos sanguíneos. Anomalias neste processo podem levar a defeitos cardíacos congênitos, que são algumas das malformações mais comuns ao nascimento. No 18º dia, a partir do mesoderma lateral do corpo do embrião, as células da esplanctopleura se separam para formarem tubos cardíacos pareados. E quando ocorrer o dobramento ventral do embrião esses túbulos vão se unir para formar um único túbulo. A união começa no sentido crânio-caudal. Coração começa a bater com 22/23 dias. Mesoderma da região faríngeo anterior forma tubo cardíaco primitivo, que dará origem ao miocárdio ventricular e parede das veias e artérias. AVALIAÇÃO EM PEQUENOS GRUPOS 19 LIVYA LOPES LEITE FERREIRA GENES ENVOLVIDOS NO DESENVOLVIMENTO INICIAL DO CORAÇÃO E VASOS O desenvolvimento do coração e dos vasos sanguíneos é regulado por uma rede complexa de genes e vias de sinalização. Alguns dos principais genes e fatores de transcrição envolvidos incluem: NKX2-5: Um dos primeiros marcadores genéticos de células progenitoras cardíacas, essencial para a especificação e diferenciação das células cardíacas. GATA4: Trabalha em conjunto com NKX2-5 para regular a expressão de genes cardíacos e é crucial para a morfogênese cardíaca. TBX5: Importante para o desenvolvimento do septo e das câmaras cardíacas. HAND1 e HAND2: Regulam a formação do ventrículo esquerdo e direito, respectivamente. MEF2C: Atua na diferenciação e maturação das células musculares cardíacas. VEGF: Fator de crescimento endotelial vascular, essencial para a angiogênese e vasculogênese. TGF-β: Superfamília de fatores de crescimento envolvidos na proliferação celular e formação de tecidos, incluindo o endotélio vascular. DESENVOLVIMENTO DAS VEIAS ASSOCIADAS AO CORAÇÃO EMBRIONÁRIO Três veias pareadas drenam no coração primitivo do embrião de 4 semanas: Veias vitelinas retornam o sangue pobre em oxigênio da vesícula umbilical Veias umbilicais levam sangue rico em oxigênio proveniente do saco coriônico Veias cardinais comuns retornam sangue pobre em oxigênio do corpo do embrião para o coração. AVALIAÇÃO EM PEQUENOS GRUPOS 20 LIVYA LOPES LEITE FERREIRA VEIAS VITELÍNICAS: Também conhecidas como veias onfalomesentéricas. Elas são cruciais para o transporte de nutrientes durante as primeiras semanas de gestação. Elas acompanham o ducto onfaloentérico, que conecta o saco vitelino em desenvolvimento ao intestino médio do embrião. Inicialmente, existem duas veias vitelínicas, uma à direita e outra à esquerda, que drenam o sangue do saco vitelino para o seio venoso do coração em desenvolvimento. À medida que o embrião cresce e o saco vitelino regride, a veia vitelínica esquerda também regride, enquanto a veia vitelínica direita persiste e se torna proeminente. Esta veia direita desempenha um papel fundamental na formação do sistema porta hepático, que é responsável por transportar sangue rico em nutrientes do trato gastrointestinal para o fígado. Além disso, a veia vitelínica direita contribui para a formação da veia cava inferior, especificamente a porção hepática da veia cava inferior, que é a principal veia que retorna o sangue dos membros inferiores e do abdômen para o coração. À medida que o trato gastrointestinal se desenvolve, as veias vitelínicas são incorporadas ao fígado e contribuem para a formação do sistema portal hepático. Acompanham o ducto-onfaloentérico Entram na extremidade venosa do coração: seio venoso Veia vitelínica esquerda regride Veia vitelínica direita forma o sistema porta hepático e parte da veia cava inferior AVALIAÇÃO EM PEQUENOS GRUPOS 21 LIVYA LOPES LEITE FERREIRA VEIAS UMBILICAIS: As veias umbilicais inicialmente formam um par, direita e esquerda, que transportam sangue oxigenado da25 LIVYA LOPES LEITE FERREIRA FORMAÇÃO DO CORAÇÃO PRIMITIVO SEMANA 3 (18º DIA): O desenvolvimento do coração começa com a formação do campo cardíaco primário e secundário. As células mesodérmicas se agrupam e formam os tubos cardíacos bilaterais. SEMANA 3 (22º AO 23º DIA): Fusão dos tubos cardíacos: Os dois tubos cardíacos se aproximam e se fundem para formar um único tubo cardíaco primitivo. Início das contrações cardíacas: O tubo cardíaco começa a bater e o sangue começa a circular, marcando o início da circulação embrionária. DOBRAMENTO DO TUBO CARDÍACO SEMANA 4 (24º DIA): O tubo cardíaco começa a se dobrar e se torcer, iniciando a formação das câmaras cardíacas. As primeiras divisões começam a ocorrer: Ventrículo primitivo (que formará os ventrículos) Átrio primitivo (que formará os átrios) Tronco arterial (que dará origem à aorta e ao tronco pulmonar). FORMAÇÃO DAS CAVIDADES CARDÍACAS E VÁLVULAS SEMANA 5: Formação do septum interatrial (separação dos átrios). Formação do septum interventricular (separação dos ventrículos). Desenvolvimento das válvulas cardíacas (como as válvulas atrioventriculares e semilunares). AVALIAÇÃO EM PEQUENOS GRUPOS 26 LIVYA LOPES LEITE FERREIRA MUDANÇAS NA CIRCULAÇÃO FETAL SEMANA 5 A 8: A circulação fetal mantém estruturas como o ducto venoso, forame oval e ducto arterioso, que permitem que o sangue bypass certos órgãos, como o fígado e os pulmões, já que não estão em funcionamento total durante a gestação. MATURAÇÃO E DIFERENCIAÇÃO SEMANA 6 A 8: Maturação do coração: O coração começa a se desenvolver em um formato mais semelhante ao coração adulto, com as cavidades bem definidas. O sistema de condução cardíaco começa a se organizar, incluindo a formação do nó sinoatrial e o nó atrioventricular. ADAPTAÇÃO AO NASCIMENTO SEMANA 9 EM DIANTE: No nascimento, ocorre a transição para a circulação pós-natal, com fechamento do forame oval e do ducto arterioso. A circulação do sangue agora passa a ser através dos pulmões e fígado, já funcionando plenamente. . CIRCULAÇÃO FETAL (ANTES DO NASCIMENTO) A circulação fetal é adaptada ao ambiente uterino, onde o oxigênio e os nutrientes são fornecidos pela placenta. Durante o desenvolvimento fetal, as trocas gasosas e de nutrientes acontecem através da placenta, não pelos pulmões, que ainda não estão funcionais. CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS: Troca de gases e nutrientes: O feto não utiliza os pulmões para a troca de gases. O oxigênio e os nutrientes são fornecidos diretamente pela placenta por meio da veia umbilical. Bypass pulmonar: Como os pulmões não são funcionais, a maior parte do sangue desvia-se da circulação pulmonar através de dois mecanismos principais: Forame oval: O sangue flui do átrio direito diretamente para o átrio esquerdo, evitando os pulmões. O forame oval é um orifício na parede que separa os átrios, permitindo o desvio do sangue. AVALIAÇÃO EM PEQUENOS GRUPOS 27 LIVYA LOPES LEITE FERREIRA Ducto arterioso: O sangue que iria para os pulmões é redirecionado do tronco pulmonar para a aorta, através do ducto arterioso. Isso também evita a circulação pulmonar, pois o feto não precisa oxigenar o sangue nos pulmões. Ducto venoso: O ducto venoso é uma conexão vascular que desvia parte do sangue da veia umbilical para a veia cava inferior, permitindo que o sangue com oxigênio bypassa o fígado e chegue rapidamente ao coração. Alta resistência pulmonar: A resistência vascular pulmonar no feto é muito alta, já que os pulmões não estão realizando a troca gasosa. Isso faz com que a maior parte do sangue desvie para a circulação sistêmica, alimentando os órgãos vitais, como o cérebro. Circulação placentária: O sangue umbilical contém oxigênio e nutrientes da placenta. Este sangue é levado ao feto através da veia umbilical e retorna ao útero por meio das artérias umbilicais. Função do fígado: O fígado não tem a função de processar o sangue completamente, já que o sangue com oxigênio e nutrientes bypassa o fígado via ducto venoso. CIRCULAÇÃO NEONATAL (APÓS O NASCIMENTO) Após o nascimento, a circulação neonatal sofre mudanças significativas, pois os pulmões começam a realizar a troca gasosa (oxigenação do sangue), e as estruturas de bypass (forame oval, ducto arterioso e ducto venoso) começam a se fechar. CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS: Início da respiração pulmonar: Com o nascimento, os pulmões começam a expandir e a realizar a troca gasosa. O feto agora depende dos pulmões para oxigenar o sangue. Fechamento do forame oval: Após o nascimento, a pressão no átrio esquerdo aumenta devido à respiração, e o forame oval se fecha. Isso impede a passagem do sangue diretamente de um átrio para o outro, separando as circulações sistêmica e pulmonar. Fechamento do ducto arterioso: O ducto arterioso fecha-se logo após o nascimento devido ao aumento da oxigenação sanguínea, fazendo com que o sangue seja direcionado para os pulmões para a troca de gases, em vez de ser desviado para a aorta. Ducto venoso: O ducto venoso também se fecha após o nascimento, já que o sangue começa a fluir normalmente através do fígado, em vez de ser desviado diretamente para a veia cava inferior. AVALIAÇÃO EM PEQUENOS GRUPOS 28 LIVYA LOPES LEITE FERREIRA Resistência pulmonar baixa: A resistência vascular pulmonar diminui drasticamente após o nascimento, permitindo que o sangue flua adequadamente para os pulmões, que agora desempenham a função de oxigenar o sangue. Circulação sistêmica: O sangue agora flui para os pulmões para a oxigenação e, em seguida, para o resto do corpo através da circulação sistêmica, com o aumento da pressão no lado esquerdo do coração. Função do fígado: Com o fechamento do ducto venoso, o fígado fetal agora começa a processar o sangue, metabolizando os nutrientes e desintoxicando as substâncias, como ocorre na circulação adulta. CIA: MÁ FORMAÇÃO DA COMUNICAÇÃO INTERATRIAL (CIA) É um defeito congênito caracterizado pela presença de uma abertura no septo interatrial, permitindo o fluxo anormal de sangue entre os átrios direito e esquerdo. Essa anomalia ocorre devido a falhas no desenvolvimento embrionário do coração. TIPOS DE MÁ FORMAÇÃO DA CIA CIA TIPO ÓSTIO SECUNDÁRIO (MAIS COMUM – 70%) Ocorre devido a um crescimento insuficiente do septo secundário ou reabsorção excessiva do septo primário. Deixa uma abertura persistente no forame oval, permitindo o fluxo sanguíneo entre os átrios. AVALIAÇÃO EM PEQUENOS GRUPOS 29 LIVYA LOPES LEITE FERREIRA Pode ser assintomática em pequenos defeitos, mas em casos maiores pode causar hipertensão pulmonar e insuficiência cardíaca a longo prazo. As CIAs no óstio secundário são bem toleradas durante a infância, mas se não forem tratadas, geralmente aparecem manifestações como hipertensão pulmonar (p. ex., fibrose pulmonar) aos 30 anos ou mais. CIA TIPO ÓSTIO PRIMÁRIO Resulta de uma fusão incompleta entre o septo primário e as almofadas endocárdicas. Associado a defeitos do canal atrioventricular e comumente encontrado em pacientes com síndrome de Down (Trissomia 21). Pode causar insuficiência cardíaca precoce e regurgitação mitral devido ao envolvimento da válvula mitral. CIA TIPO SEIO VENOSO (5-10% DOS CASOS) Localizado próximo à entrada das veias cavas. Ocorre devido à incorreta incorporação da veia cava superior ou veia cava inferior ao átrio direito. Frequentemente associada a anomalias das veias pulmonares, podendo causar hipóxiae sobrecarga do ventrículo direito. CIA DO SEIO CORONÁRIO (RARA) Ocorre quando o seio coronário (que drena o sangue venoso do coração) tem um defeito que permite comunicação entre os átrios. Pode estar associada à persistência da veia cava superior esquerda e outras anomalias venosas cardíacas. FORAME OVAL PATENTE (FOP) Não é propriamente uma CIA, mas ocorre quando o forame oval não se fecha completamente após o nascimento. Pode permitir a passagem de êmbolos para a circulação arterial, aumentando o risco de acidente vascular cerebral (AVC) criptogênico. AVALIAÇÃO EM PEQUENOS GRUPOS 30 LIVYA LOPES LEITE FERREIRA CONSEQUÊNCIAS HEMODINÂMICAS DA CIA O sangue oxigenado do átrio esquerdo (maior pressão) flui para o átrio direito (menor pressão). Esse fluxo anormal leva ao aumento da sobrecarga do ventrículo direito, gerando hipertensão pulmonar. A longo prazo, pode levar a hipertrofia do ventrículo direito, insuficiência cardíaca e arritmias. Se a pressão pulmonar se tornar excessivamente alta, revertendo o fluxo e causando cianose (mistura de sangue venoso e arterial). MÁ FORMAÇÃO DO CIV (COMUNICAÇÃO INTERVENTRICULAR) A Comunicação Interventricular (CIV) é um dos defeitos cardíacos congênitos mais comuns, caracterizado por uma abertura anormal no septo interventricular, permitindo a passagem de sangue entre os ventrículos esquerdo e direito. Durante o desenvolvimento cardíaco, o septo interventricular se forma para separar os dois ventrículos e garantir a correta circulação sanguínea. Se essa separação falha, ocorre uma CIV, que pode variar em tamanho e localização. A CIA muscular é o tipo de defeito menos comum e pode aparecer em qualquer parte muscular do septo interventricular. Às vezes existem vários pequenos defeitos, produzindo o que às vezes é chamado de CIV “em queijo suíço”. As CIVs musculares provavelmente ocorrem devido à cavitação excessiva do tecido miocárdico durante a formação das paredes ventriculares e da parte muscular do septo interventricular. TIPOS DE MÁ FORMAÇÃO DA CIV CIV MEMBRANOSA (MAIS COMUM – 70%) Ocorre na porção superior do septo interventricular. Resulta da falha na fusão das almofadas endocárdicas com o septo muscular. Frequentemente não fecha espontaneamente e pode necessitar de intervenção cirúrgica. CIV MUSCULAR (20%) Localizada na parte inferior do septo interventricular. Ocorre devido a falha na formação da parte muscular do septo. AVALIAÇÃO EM PEQUENOS GRUPOS 31 LIVYA LOPES LEITE FERREIRA Pequenos defeitos podem fechar espontaneamente, mas os maiores podem causar insuficiência cardíaca. CONSEQUÊNCIAS HEMODINÂMICAS DA CIV O sangue oxigenado do ventrículo esquerdo (maior pressão) flui para o ventrículo direito (menor pressão). Esse desvio esquerdo-direito aumenta o fluxo sanguíneo pulmonar, podendo levar a: Hipertensão pulmonar Hipertrofia do ventrículo direito Insuficiência cardíaca congestiva Se não tratada, pode evoluir para a Síndrome de Eisenmenger, onde a pressão pulmonar se torna tão alta que o fluxo se inverte (shunt direita-esquerda), causando cianose. TETRALOGIA DE FALLOT Durante a embriogênese, o coração sofre um processo complexo de septação para formar as câmaras cardíacas e os grandes vasos. A TOF ocorre devido a uma falha na migração das células da crista neural, que influencia a divisão do tronco arterial e o desenvolvimento do septo infundibular. A principal alteração embriológica da TOF é o desvio anterior e superior do septo infundibular, que leva à formação das quatro anomalias características. OS 4 DEFEITOS CLÁSSICOS DA TETRALOGIA DE FALLOT ESTENOSE PULMONAR (obstrução do fluxo do ventrículo direito para os pulmões) O estreitamento da valva pulmonar ou da infundíbulo do ventrículo direito reduz o fluxo sanguíneo para os pulmões, dificultando a oxigenação. COMUNICAÇÃO INTERVENTRICULAR (CIV) O septo interventricular não se fecha completamente, permitindo a mistura de sangue entre os ventrículos direito e esquerdo. DEXTROPOSIÇÃO DA AORTA (AORTA CAVALGANTE) A aorta está deslocada para a direita, recebendo sangue de ambos os ventrículos, incluindo o sangue não oxigenado do ventrículo direito. AVALIAÇÃO EM PEQUENOS GRUPOS 32 LIVYA LOPES LEITE FERREIRA HIPERTROFIA DO VENTRÍCULO DIREITO Devido ao esforço extra para bombear sangue contra a obstrução pulmonar, o ventrículo direito fica espesso e endurecido. FISIOPATOLOGIA DA TETRALOGIA DE FALLOT A estenose pulmonar reduz o fluxo sanguíneo para os pulmões, resultando em baixa oxigenação do sangue. Como a pressão no ventrículo direito aumenta, ocorre um shunt direita-esquerda pela CIV, permitindo a passagem de sangue pobre em oxigênio para a circulação sistêmica. Isso leva à cianose, que é uma característica marcante da TOF. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Cianose (pele azulada devido à baixa oxigenação) Crises hipoxêmicas (“crises de cianose” ou “tet spells”), principalmente quando o bebê chora ou se exercita Dedos em baqueta de tambor (hipocratismo digital) Sopro cardíaco sistólico devido à estenose pulmonar Postura em cócoras (crianças adotam essa posição para aumentar o retorno venoso e aliviar a cianose) ESTENOSE AÓRTICA A estenose aórtica é um estreitamento da válvula aórtica, que dificulta a saída de sangue do ventrículo esquerdo para a aorta e, consequentemente, para a circulação sistêmica. Esse estreitamento pode ser congênito (presente ao nascimento) ou adquirido (desenvolvido ao longo da vida, como na estenose valvar degenerativa). EMBRIOLOGIA DA ESTENOSE AÓRTICA Durante o desenvolvimento cardíaco embrionário, a válvula aórtica se forma a partir do tronco arterial e do bulbo cardíaco. As células da crista neural contribuem para a formação do septo aorticopulmonar e das válvulas cardíacas. Defeitos nesse processo podem levar à estenose valvar aórtica congênita. AVALIAÇÃO EM PEQUENOS GRUPOS 33 LIVYA LOPES LEITE FERREIRA TIPOS DE ESTENOSE AÓRTICA A estenose aórtica pode ocorrer em três níveis anatômicos: ESTENOSE VALVAR AÓRTICA (MAIS COMUM) As cúspides da válvula aórtica são espessas, rígidas ou fundidas, impedindo sua abertura normal. Pode ser uni, bi ou tricúspide displásica. ESTENOSE SUPRAVALVAR AÓRTICA Estreitamento da aorta ascendente, logo acima da válvula aórtica. Associada à Síndrome de Williams. ESTENOSE SUBVALVAR AÓRTICA Presença de um anel fibroso ou membrana abaixo da válvula aórtica, obstruindo o fluxo sanguíneo. FISIOPATOLOGIA DA ESTENOSE AÓRTICA Aumento da pós-carga → O ventrículo esquerdo precisa exercer mais força para vencer a obstrução e bombear sangue para a aorta. Hipertrofia ventricular esquerda → Ocorre espessamento do músculo cardíaco para compensar o esforço aumentado. Diminuição do débito cardíaco → Se a obstrução for severa, pode levar à insuficiência cardíaca e à má perfusão dos órgãos. Isquemia miocárdica → A hipertrofia ventricular aumenta a demanda de oxigênio do miocárdio, podendo levar à dor torácica (angina). MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Assintomática em casos leves sopro sistólico ejetivo no segundo espaço intercostal direito Pulso carotídeo fraco e tardio Fadiga e dispneia aos esforços Dor torácica (angina) devido à isquemia miocárdica Síncope (perda de consciência por baixa perfusão cerebral) AVALIAÇÃO EM PEQUENOS GRUPOS 34 LIVYA LOPES LEITE FERREIRA Insuficiênciacardíaca em casos graves DOENÇA DO LÁBIO AZUL – CIANOSE CENTRAL A expressão "doença do lábio azul" refere-se a cardiopatias congênitas cianóticas, onde há um desvio direita-esquerda, permitindo que sangue pobre em oxigênio desvie os pulmões e entre na circulação sistêmica. Isso resulta em cianose central, uma coloração azulada visível nos lábios, língua e extremidades devido ao aumento da hemoglobina não oxigenada no sangue arterial. As doenças cardíacas que causam cianose central geralmente envolvem obstrução do fluxo sanguíneo pulmonar ou mistura anormal de sangue oxigenado e não oxigenado. Tetralogia de Fallot (TOF) – A causa mais comumcardíaca em casos graves DOENÇA DO LÁBIO AZUL – CIANOSE CENTRAL A expressão "doença do lábio azul" refere-se a cardiopatias congênitas cianóticas, onde há um desvio direita-esquerda, permitindo que sangue pobre em oxigênio desvie os pulmões e entre na circulação sistêmica. Isso resulta em cianose central, uma coloração azulada visível nos lábios, língua e extremidades devido ao aumento da hemoglobina não oxigenada no sangue arterial. As doenças cardíacas que causam cianose central geralmente envolvem obstrução do fluxo sanguíneo pulmonar ou mistura anormal de sangue oxigenado e não oxigenado. Tetralogia de Fallot (TOF) – A causa mais comum